UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

domingo, 29 de março de 2026
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Tarifaço de Trump pode prejudicar mercado de frutas em Petrolina

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A aprovação recente do tarifaço de Donald Trump ao Brasil, além de ameaçar nossa soberania, pode atingir nosso mercado. Em Petrolina, sertão pernambucano, a exportação de frutas poder sofrer com essa política, mas escancara as contradições do modelo capitalista em nosso país. 

Redação Pernambuco


BRASIL – Conhecida como a “Califórnia Nordestina”, Petrolina é a terceira maior cidade do estado de Pernambuco, e se destaca por sua fruticultura irrigada, graças ao Velho Chico, que corta a cidade e toda a região do Vale do São Francisco. Essa produção de frutas, assim como a maioria do grande agronegócio Brasileiro, é destinada à exportação. A região do Vale do São Francisco é responsável por 90% da produção nacional de mangas para exportação, por exemplo, além da grande quantidade de uvas bem conhecidas e premiadas em avaliações internacionais.

Obviamente, quase toda a riqueza produzida pela abundância de recursos naturais no Vale do São Francisco não fica para o povo que mora aqui. A Família Coelho e a burguesia do agronegócio na região, comandam a cidade de Petrolina há séculos, estando completamente alinhados com a extrema direita e o fascismo no Brasil, seja no passado, com relações com a ditadura militar, ou então nos dias atuais, se aliando ao bolsonarismo, como vimos no ultimo governo.

Porém, o anúncio do presidente fascista dos EUA, Donald Trump, de uma taxa de 50% sobre produtos brasileiros, que começou dia 6 de agosto, tem ameaçado o setor local, que pode ter as exportações de manga e uva reduzidas em até 70%. Acontece que, com as frutas exportadas sendo uma das mercadorias mais afetadas, quem mais corre o risco é justamente a classe trabalhadora local. Estamos falando de 250 mil empregos diretos e 950 mil indiretos ligados à atividade do cultivo e colheita das frutas em Petrolina.

Riquezas para alguns, fome para muitos

De acordo com relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 60 milhões de brasileiros sofrem com algum tipo de insegurança alimentar. Nessa ameaça com a taxação de Trump, outra questão local fica exposta: as famosas frutas que são produzidas em Petrolina não ficam aqui. Desse modo, se não for possível que elas sejam vendidas para o mercado americano, elas bem que poderiam ser comercializadas aqui, certo? Pois não é bem isso que pensam os fazendeiros e empresários do setor local. No modelo de produção capitalista os alimentos são uma mercadoria, sendo uma mercadoria a sua única função é produzir lucro.

Situações como essas são normais dentro do sistema capitalista de produção, um sistema que desumaniza as pessoas e transforma tudo em mercadoria, em prol do enriquecimento de poucos. Somente a organização popular pode modificar essa realidade, realizando lutas que assegurem a soberania alimentar do Brasil para que possamos alimentar todos os famintos.

Ao mesmo tempo, essa situação econômica mostra como o capitalismo está cada vez mais integrado. Uma medida tomada por Trump lá nos EUA acaba respingando desse lado de cá do mundo, em pleno sertão de Pernambuco. Do mesmo jeito, a luta contra essa política e em defesa dos trabalhadores do campo também fortalece essa luta contra o imperialismo mundial, cada vez mais interessado em transformar tudo em mercadoria, nem que pra isso tenham que quebrar setores inteiros do comercio ou da indústria nesse processo em busca de mais lucros.

Mostra de Cinema Árabe destaca filmes dirigidos por mulheres e a importância da causa palestina

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Entre 13 e 17 de agosto, a 5ª Mostra de Cinema Árabe Feminino ocupou o Cinema da Fundação, no Recife, com sessões, debates e sorteio de livros. Colocando no centro a causa palestina e o protagonismo de filmes dirigidos por mulheres árabes, uma afirmação estética e política crucial neste momento.

João Montenegro | Recife – PE


CULTURA – O Recife recebeu, pela primeira vez, a Mostra de Cinema Árabe Feminino. Em sua 5ª edição, o evento, realizado de 13 a 17 de agosto, movimentou o Cinema da Fundação com uma programação que combinou exibições, debates, sorteio de livros e rodas de conversa após as sessões. O encerramento, no histórico Cineteatro São Luiz, levou ao público “Um Estado de Devoção”, documentário dirigido por Carol Mansour e Muna Khalidi. “Quanto mais cidades a gente consegue mostrar esses filmes e criar um processo de formação ao redor deles, melhor”, celebrou a organizadora Carol Almeida, ao sublinhar a importância de descentralizar o circuito. Para ela, trazer o recorte para o Nordeste amplia o acesso “a uma cinematografia de realizadoras do mundo árabe”.

Vozes e vanguardas

Criada em 2019, a Mostra tem o objetivo de ampliar o acesso a filmes dirigidos por mulheres árabes, residentes na região ou na diáspora, e busca romper a visão orientalista da “mulher oprimida” e a presunção de uma região “sem cultura fílmica”, colocando as diretoras no centro do debate, seus contextos de produção e suas propostas estéticas.

A Mostra conta com curadoria das brasileiras Analu Bambirra e Carol Almeida, e da egípcia Alia Ayman. O foco recai sobre narrativas e linguagens não-hegemônicas, entre ficções, documentários e formas experimentais.

“Há um mito persistente de que mulheres árabes não têm autonomia — um discurso que, muitas vezes, se usa para justificar violências”, pontuou Almeida. “Quando olhamos para o cinema, vemos diretoras palestinas, libanesas, sírias, tunisianas, marroquinas, iemenitas na vanguarda da linguagem cinematográfica.”

No contexto do genocídio palestino, acrescenta a organizadora, a curadoria ganha urgência: “Vivemos uma intensificação do processo de limpeza étnica do povo palestino. Trazer essas realizadoras — e filmes que, direta ou indiretamente, falam dessa experiência — é fundamental.”

Encerramento e debate

O filme de fechamento, “Um Estado de Devoção”, acompanha o médico britânico-palestino Ghassan Abu-Sittah após 43 dias sob bombardeio em Gaza, quando ele atuou sem descanso em salas de emergência dos hospitais Al Shifa e Al Ahli. Em registros breves e contundentes, o longa o retrata como uma das faces da resistência palestina, e aponta a defesa da Palestina como força que sustenta seu trabalho humanitário.
Após a sessão final, organizadores, representantes de movimentos sociais e público se reuniram em debate no palco do São Luiz. As falas ressaltaram a defesa da causa palestina e exigiram que o governo Lula rompa relações diplomáticas com o estado genocida de Israel. O clima foi de mobilização e escuta, com depoimentos sobre redes de solidariedade e o papel da cultura na incidência pública.

Sumud: cinema como insistência de vida

Para Carol Almeida, o cinema árabe, em especial da Palestina, pode ter uma função pedagógica e afetiva ao traduzir o conceito palestino de Sumud — a perseverança em criar projetos de vida em meio à destruição. “Querer fazer cinema também faz parte desse projeto de vida”, disse. “O trabalho de diretoras palestinas contemporâneas é movido por uma vontade de vida, a despeito de qualquer projeto de morte.”

A Mostra, reforça a organização, sempre deu atenção especial a realizadoras palestinas e, diante do agravamento das violências, se coloca firmemente como um evento pela libertação da Palestina. Em sintonia, a iniciativa se soma à PABCI (Campanha Palestina para o Boicote Acadêmico e Cultural de Israel) e incentiva que festivais, espaços artísticos e instituições culturais façam o mesmo. O BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) é apontado pela equipe como instrumento de pressão
internacional — “um mínimo que podemos fazer como profissionais da cultura”, dizem.

Programação e próximos passos

Encerrada a etapa recifense, a 5ª Mostra segue viagem: “Estamos indo agora para o Rio de Janeiro, com exibições na capital, em Niterói (Universidade Federal Fluminense) e Duque de Caxias”, adiantou a organizadora. A equipe já planeja as próximas edições, com a meta de expandir o circuito para novas cidades.

Estudantes da UNIVALI protestam contra realização de conferência fascista

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Estudates da UNIVALI organizam ato contra conferência da extrema-direita fascista na universidade e são reprimidos pela polícia, em Itajaí (SC). 

Redação SC


JUVENTUDE – No início do mês de agosto, o corpo estudantil da UNIVALI tomou ciência da realização do evento APAS (Ação Política Atlântico Sul) – Conference no campus da universidade, em Itajaí (SC), que reuniria os principais nomes do fascismo no nosso país, como os Deputados Nikolas Ferreira e Ana Campagnolo, promovido pela plataforma negacionista Brasil Paralelo, responsável, entre outros absurdos, de contestar a legitimidade da histórica luta das mulheres que culminou na Lei Maria da Penha.  

A partir disto, os centros acadêmicos se organizaram para pensar como seria feita essa denúncia, em poucos dias, uma nota de repúdio foi escrita e publicada, assinada por mais de 10 centros acadêmicos além de outras entidades como importantes sindicatos da região. A nota, solicitava uma resposta da reitoria mediante a estas acusações, assim como a quebra do contrato da instituição com o evento, para que ele não fosse realizado na nossa universidade. 

Sem resposta da reitoria, as entidades se reuniram em uma plenária aberta que definiu um calendário de lutas e deliberou um ato no dia do evento, para denunciar a indignação dos estudantes com a universidade, mas também com o avanço do fascismo nas universidades.

Ato antifascista

No dia 23/08, estudantes da universidade ocuparam a universidade com um recado claro: “A Univali não é palco para fascistas”. E foi essa convicção que sustentou, por mais de duas horas, a energia que incendiou as palavras de ordem e manteve o ato, mesmo com muita truculência da Polícia Militar, da Guarda Municipal e dos apoiadores da extrema-direita que avançavam ‘ferozmente’ enquanto estavam sendo protegidos pela polícia.  

A Universidade recebeu os estudantes com um efetivo da Polícia Militar e da Guarda Municipal, orientados a não deixar os estudantes entrar no espaço onde o evento estaria acontecendo. Exercendo sua função de ferramenta dos grandes ricos e da extrema-direita, agrediu diversos estudantes com empurrões, puxões de cabelo e spray de pimenta. Mas mesmo a ação dos lacaios da burguesia não desmoralizou a nossa mobilização, pelo contrário, deixou ainda mais enérgico o grito daqueles e daquelas que lutam hoje para serem ouvidos.  

Ao final, foi realizada uma plenária com todos os participantes do ato, onde o clima era de muita vitória e convicção de que juntos podemos tudo! Além de ser o primeiro ato político em décadas na nossa universidade, esta foi uma virada de chave para o movimento estudantil em toda a região, um divisor de águas para os estudantes do estado, que cada vez mais ousam lutar por seus direitos e dignidade. 

“O dia de hoje é marcante para o movimento estudantil da UNIVALI, nas ultimas décadas, os estudantes tem sofrido com a precarização do ensino e a mercantilização da educação. A UNIVALI, embora seja uma universidade comunitária, cobra do estudante que quer justificar a sua falta, por doença ou até mesmo óbito de algum ente querido, não há um restaurante universitário, nem a quantidade de bolsas necessárias.”, afirmou Otávio Colussi, estudante da Univali e membro da coordenação estadual do Movimento Correnteza. 

Ao Jornal A Verdade, a diretora de mulheres da UNE, Isabella Ribas, afirmou que “os estudantes quando se organizam, não abrem espaço para extrema-direita na universidade. Não permitiremos que essa corja de fascistas tente se inserir no movimento estudantil e muito menos que tentem convencer nossa juventude com sua ideologia podre e caduca.”

O ato mostrou a importância do movimento estudantil organizado contra o fascismo e a importância das entidades estudantis. O Movimento Correnteza durante toda a mobilização entrou numa ofensiva nas denúncias feitas com os estudantes. Um dos resultados desta campanha são mais de 110 jornais vendidos e mais de 80 contatos de estudantes que queriam construir uma grande luta contra o avanço da extrema-direita na nossa universidade, mas também de construir uma luta consequente das dificuldades que passamos todos os dias.

 

UJR celebra 30 anos em ato político com centenas de militantes no RJ

No dia 22 de agosto, a União da Juventude Rebelião (UJR) celebrou com um ato político, 30 anos de uma história de muita luta. O evento ocorreu na UFRJ e reuniu militantes de todo país.

Juliana Helena e Redação | Rio de Janeiro


JUVENTUDE – Fundada em 1995, após o processo de reorganização do Partido Comunista Revolucionário, a UJR nasceu com a missão de ser a organização que mobiliza, organiza e forma a juventude comunista e revolucionária para lutar pela libertação da classe trabalhadora e por um mundo socialista.

O evento do aniversário de 30 anos da organização se iniciou com uma potente apresentação da bateria, tocando o ritmo das palavras de ordem e das batidas dos corações dos camaradas presentes. Seguida por uma apresentação acústica “Hasta Siempre Comandante” tocante, entoando o nome e a memória do patrono do movimento, Ernesto Che Guevara, um modelo de novo homem e um exemplo de comunista. 

No evento, Katerine Oliveira, da coordenação nacional da UJR, e Luiz Falcão, do Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário iniciaram a série de intervenções. “Tenho 16 anos de União Juventude Rebelião, mas como sabemos aqui dentro, quem luta pelo Socialismo, nunca deixa de ser jovem.”, afirmou Katerine.

Uma história de lutas

Herdeira dos jovens que lutaram contra a Ditadura Militar Fascista de 1964, que deram suas vidas pela liberdade do povo brasileiro e pela emancipação da classe trabalhadora, a UJR carrega uma história de luta e de vitórias.

Desde as lutas contra as privatizações do governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, a UJR tem participado das lutas do movimento estudantil e dos jovens trabalhadores. No Movimento Estudantil participa, junto com o movimento Rebele-se na UBES e o Correnteza, na UNE, do campo de oposição ao campo do imobilismo.

Nestes 30 anos, a organização participou das principais lutas, como as lutas por mais investimento na educação pública, pelo passe-livre estudantil, na criação de entidades estudantis em vários estados e da Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico, em 2011. 

O Movimento Correnteza, Rebele-se e a FENET estiveram representados pelas falas de Leandro Victalino, da diretoria executiva da UBES, Thais Rachel, da executiva da UNE e Adriane Nunes, coordenadora geral da FENET

A UJR também foi ativa nas jornadas de junho de 2013 e na luta contra o golpe à então presidente Dilma Rousseff, em 2016. Nos últimos anos, tem sido peça chave na fundação e organização da Unidade Popular pelo Socialismo. 

“Quando a UJR começou, tínhamos no máximo duas dezenas [de militantes]. Hoje, a UJR é uma força temida por toda a burguesia brasileira”, afirmou Luiz Falcão durante o ato político.

O ato contou também com uma série de atividades culturais, com poesias, rimas e música. Além disso, participaram por uma representação da Juventude Revolucionária do Equador (JRE) e Aleida Guevara, filha do herói revolucionário Che Guevara. Em nome dos militantes que passaram pelas fileiras da UJR falou Indira Xavier, da coordenação nacional do Movimento de Mulheres Olga Benario. 

A luta da juventude no Brasil

E é carregando esse legado de luta que devemos olhar para a situação atual da qual a nossa juventude brasileira, não vive, mas sofre. São os jovens trabalhadores pobres os injustiçados com a precarização do sistema de ensino público brasileiro, que sabota e aliena gerações de jovens para serem trabalhadores submissos e mais facilmente explorados por esse sistema. 

Quando chegam no início da vida adulta, são as principais vítimas do mercado de trabalho precário e, principalmente, da informalidade, que hoje representa mais de 40 milhões de trabalhadores em todo o território brasileiro. Quando não sofrem desde a mais breve idade com a fome, com a falta de moradia, com a violência doméstica e policial. Sob esse cenário, nossos jovens estão adoecendo e sofrem com a falta de esperança no futuro.

E a UJR tem se proposto organizar os jovens de todo o Brasil, apresentando uma nova perspectiva de mundo, organizá-lo na luta socialista e formar esse ser humano para construir e habitar a nova sociedade que queremos construir. É preciso disputar as mentes e corações dos jovens, vítimas da violência na infância e juventude, precarizados na vida escolar e – quando ingressos – também precarizados nas universidades públicas. 

Prisão de dono da Ultrafarma evidencia corrupção da burguesia

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O bilionário Sidney Oliveira, fundador da Ultrafarma, foi preso em São Paulo sob acusação de participar de um esquema que teria desviado R$ 1 bilhão dos cofres públicos. 

Jesse Lisboa e Evelyn Dionízio | Recife – PE


BRASIL – A recente prisão de Sidney Oliveira, o bilionário fundador da gigante farmacêutica Ultrafarma, desmascara de forma definitiva um dos maiores mitos do capitalismo: a farsa do “empreendedor de sucesso”. O caso não é a exceção, mas sim a regra de um sistema onde a grande riqueza é, invariavelmente, fruto do crime, da corrupção e da apropriação do Estado pela burguesia para seus fins privados.

Sidney foi preso em São Paulo por sua participação em um esquema de corrupção que desviou R$ 1 bilhão dos cofres públicos. Juntamente com outros empresários – estão sendo apuradas se a Fast Shop, Oxxo e Kalunga eram coniventes com o desvio de dinheiro –, ele pagava propina a um fiscal da Secretaria da Fazenda para fraudar processos, sonegar impostos e receber restituições tributárias indevidas. O esquema era tão absurdo que o fiscal utilizava sua própria mãe, uma professora aposentada, como laranja em empresas de fachada que a tornaram “bilionária” em apenas dois anos.

Este episódio derruba a narrativa mentirosa de que a corrupção é um mal exclusivo do setor público. O que existe, na verdade, é o controle do Estado pela classe dominante. São empresários como Sidney Oliveira que corrompem agentes públicos para garantir seus lucros exorbitantes, drenando recursos que deveriam ser destinados à saúde, educação e serviços para a classe trabalhadora.

Histórico de crimes

Para quem se surpreende, basta olhar o passado do fundador da Ultrafarma. Nos anos 90, antes de se tornar um bilionário garoto-propaganda, Sidney Oliveira já havia sido condenado à prisão duas vezes: uma por receptação de medicamentos roubados e outra por falência fraudulenta – um golpe clássico da burguesia para lesar os trabalhadores.

Fica a pergunta: como um indivíduo com este histórico criminal consegue não apenas escapar da justiça, mas construir um império bilionário? A resposta é simples: o sistema de justiça burguês foi feito para encarcerar o pobre que rouba para comer, enquanto garante a impunidade e até mesmo recompensa o rico que rouba bilhões.

O próprio sucesso da Ultrafarma é emblemático. A empresa cresceu capitalizando sobre a Lei dos Genéricos, uma política pública criada para beneficiar o povo, mas que foi transformada em uma máquina de lucro da burguesia.

Seguindo a cartilha do Estado em serventia da burguesia, no dia 22 de agosto o Poder Judiciário brasileiro concedeu habeas corpus para o empresário, perdoando uma fiança de 25 milhões de reais. Apesar de liminar, a decisão escancara o fato da lei não ser aplicada igualmente, como dita a Carta Magna, mas sim para benefício de poucos.

Para justificar o perdão, o Tribunal de Justiça de São Paulo entendeu que a fiança é desproporcional, já que o empresário não teria condições de pagar (lembremos do esquema bilionário em que Sidney Oliveira está envolvido), além de transformar a liberdade em “mercadoria inacessível”. 

Ora, no sistema em que vivemos existe a possibilidade do pagamento em dinheiro pela liberdade, com fiança e pena de multa, então na realidade a condenação existe só para os pobres e para a periferia.

A prisão, e posterior soltura, do dono da Ultrafarma não é um ponto fora da curva. É a prova de que, no capitalismo, não se acumula bilhões trabalhando honestamente. A grande fortuna nasce da herança, do crime, da exploração da força de trabalho e do roubo dos cofres públicos. Cabe a nós, da classe trabalhadora, nos organizarmos para destruir este sistema corrupto em sua raiz e construir uma sociedade onde a riqueza sirva ao povo, e não a um punhado de criminosos legalizados.”

Luta popular garante retorno do Ambulatório Trans em Florianópolis

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Após ataques do prefeito Topázio Neto, mobilizações da comunidade trans da capital conquista o direito ao Ambulatório Trans na capital.

Frente Trans Floripa | REDAÇÃO SC


LUTA POPULAR – Em 2024, a saúde da população trans de Florianópolis foi atingida por um golpe brutal. O ambulatório especializado, referência nacional desde 2015, teve seu fornecimento de hormônios abruptamente interrompido. A causa foi o descaso do prefeito Topázio Neto (PSD) que deixou o serviço sucateado e refém de uma parceria com a Fiocruz que garantia medicamentos e equipe. Com apenas 5 funcionários para atender 800 usuários mensais, a prefeitura deliberadamente inviabilizou o cumprimento das metas de coleta de dados sobre HIV exigidas pelo acordo. O resultado foi a suspensão dos remédios essenciais para a terapia hormonal, deixando centenas em desamparo.

A crise revelou a face perversa do neoliberalismo. Ao negar recursos, o Estado criminaliza
pessoas trans para justificar privatizações. O despreparo dos profissionais e a transfobia
institucional já expulsa essa população dos postos de saúde. Sem hormônios, muitos tinham como única alternativa recorrer ao mercado negro, arriscando vida e expondo-se a violências.

A luta, a conquista e a resistência
Em maio de 2024, dezenas de pessoas trans ocuparam a Câmara de Vereadores com um
manifesto exigindo a volta dos hormônios. No entanto, essa luta trouxe à tona uma verdade até então escondida da população de Florianópolis: a prefeitura nunca financiou o ambulatório. Todos os funcionários, com exceção do médico, eram pagos pela Fiocruz via projeto “A Hora é Agora”. Com o fim do convênio, os contratos foram cortados. O serviço “exemplar” era uma fachada sustentada por verbas temporárias.

Após meses de mobilizações, a Frente Trans forçou a prefeitura a recuar. Hoje, o ambulatório retomou a distribuição de hormônios e todos os funcionários são contratados pelo município, uma vitória histórica, fruto da união entre movimentos sociais e conselheiros de saúde críticos. O salto conquistado é inegável: em 2024, o ambulatório operava com apenas 5 funcionários terceirizados pela Fiocruz, gestão frágil e hormônios suspensos, excluindo a comunidade das decisões. Hoje, após meses de lutas nas ruas e assembleias, a prefeitura foi obrigada a contratar toda a equipe diretamente e retomar o fornecimento total de hormônios.

Apesar dos avanços, a precarização persiste. Falhas no abastecimento de medicamentos,
cobranças por “produtividade” aos profissionais e a ausência de expansão do serviço mostram que o governo mantém sua agenda de estrangulamento do SUS. Um alerta: a Atenção Primária segue desarticulada do processo de atenção à saúde trans do SUS, reproduzindo barreiras. Enquanto isso, Topázio Neto segue repassando verbas para hospitais privados terceirizados, como no caso do fechamento da UPA do sul da ilha e abertura do Multihospital.

O Caminho: Por um SUS Revolucionário e Transfeminista
Assim, é evidente que a guerra continua. Enquanto Florianópolis celebra uma vitória local, o descaso federal ameaça o futuro da saúde trans no país. O governo Lula (PT) mantém
engavetado o Programa de Atenção Especializada à Saúde da População Trans
(PAESPopTrans), programa que prometia ampliar o financiamento do SUS para serviços à
população trans, reduzir a idade mínima de acesso a hormônios para 16 anos e cirurgias para 18 anos, e investir R$ 152 milhões até 2028.

A política está pronta desde 2023, e foi aprovada por conselhos estaduais e municipais há mais de um ano. Para Bruna Benevides, presidenta da ANTRA, a ausência da portaria do
PAESPopTrans “fragiliza a política pública, deixa profissionais sem diretrizes e coloca a
população trans em maior vulnerabilidade ante a ofensiva antitrans”. Enquanto o ministro
Padilha (PT) alega “pendências jurídicas” para justificar o atraso, fontes internas revelam que o real motivo é o temor de reação da direita – repetindo o episódio em que o governo recuou de políticas de aborto legal. Neste cenário, a luta que garantiu o ambulatório de Florianópolis mostra-se cada vez mais urgente: sem pressão popular, direitos conquistados na teoria seguem sabotados na prática pelo jogo político de um governo que elegeu a omissão como estratégia.

Deter o ataque do CFM
Enquanto travamos batalhas locais contra a precarização, a ofensiva reacionária avança em
escala nacional. A Resolução 2.427/2025 do Conselho Federal de Medicina (CFM) – aprovada sob pressão de grupos conservadores – institucionaliza a tortura contra os trans: proíbe bloqueadores hormonais para adolescentes (aumentando riscos de suicídio), eleva para 21 anos a idade mínima para cirurgias (violando a autonomia de adultos) e ignora protocolos da OMS e decisões do STF.

Esta medida pseudocientífica, que já causa demissões de profissionais aliados e desmonta
serviços no SUS, não é um erro, mas um projeto. Enquanto o governo Lula se curva à direita (como no “RG transfóbico” e no engavetamento do PAESPopTrans), o CFM age como braço médico do fascismo, criminalizando a existência trans. Diante dessa conjuntura, a vitória do ambulatório de Florianópolis prova que só a luta direta derruba muros – por isso, a Frente Trans Floripa já soma forças com movimentos de todo o país para exigir a revogação imediata desta resolução genocida.

A resistência ensina, a luta transforma
A Frente Trans Floripa prova diariamente que a organização popular é o único antídoto contra o neoliberalismo assassino. Seu método é claro: assembleias que unem coletivos, universitários e trabalhadores; ação direta que ocupa conselhos de saúde, câmaras municipais e a frente de sedes de instituições transfóbicas como no caso do ato do CRM-SC que foi obrigado a ler o manifesto da população trans escrito nacionalmente; e solidariedade de classe que vincula a luta trans às greves do funcionalismo público e às ocupações. Enquanto o Estado neoliberal tenta fragmentar as demandas (“hormônios aqui”, “nome social ali”), a Frente responde com unidade política: denuncia que a transfobia é um projeto de mercado – útil para privatizar o SUS e criminalizar uma população vulnerável. Se hoje o ambulatório resiste, não é por concessão do prefeito Topázio Neto, mas porque criamos um poder da união dos movimentos sociais com uma atuação revolucionária. Essa é a arma que o neoliberalismo não pode engolir.

Fraudes no programa Universidade gratuita demonstram o problema da mercadorização da educação em santa catarina

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Projeto eleitoreiro de Jorginho Mello faz transferência do dinheiro público para a iniciativa privada às custas do sonho dos estudantes.

Otávio Colussi de Almeida | Redação SC


OPINIÃO – Hoje, 3 em cada 4 estudantes brasileiros estão matriculados em uma universidade paga, representando quase 80% de todo o corpo estudantil. Quem ganha com isso são os empresários do grupo Kroton (Cogna Educação), que é o maior conglomerado de universidades privadas do Brasil, e concentra cerca de 10% dos de 11 milhões de
universitários no país. Anhanguera, Unopar, Uniderp, Unic, Unime, Pitágoras e Ampli são
algumas das “marcas” de universidades que pertencem à Kroton e estão no mercado da
educação brasileira. O faturamento do grupo registrado no ano de 2024 é de R$6,42 bilhões e, segundo o site Glassdoor, os professores dessas instituições de ensino recebem salários entre R$3.000 e R$6.000.

Em um país onde as universidades públicas sofrem com constantes cortes orçamentários, como é possível que esses conglomerados educacionais consigam se ‘empanturrar’ de dinheiro? Em Santa Catarina, isso se explica pelo Art. 170 da Constituição Estadual, onde diz que o estado prestará assistência financeira aos alunos matriculados nas instituições de educação superior. Através deste artigo, o governador Jorginho Mello (PL), admirador número um do fascista Jair Messias Bolsonaro, distribuiu R$471,4 milhões dos cofres públicos para o programa Universidade Gratuita, cerca de 90% do orçamento total da
Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) no mesmo ano. Assim, mesmo em
momentos de crise, as universidades privadas têm seu lucro garantido.

O PROGRAMA UNIVERSIDADE GRATUITA
O Universidade Gratuita é um programa de assistência financeira do Estado de Santa
Catarina que subsidia mensalidades de cursos da graduação das universidades pagas do
estado, principalmente os vinculados à Associação Catarinense das Fundações Educacionais.

O programa é uma promessa de campanha eleitoral de Jorginho Mello e foi
implementado de supetão nas universidades, sem qualquer diálogo com os estudantes e
revogando o antigo programa UNIEDU, deixando vários estudantes bolsistas sem o seu
direito por meses e que através de sua contrapartida, incentiva o ensino, pesquisa e extensão, em função da concessão de bolsas para a(o) aluna(o). Agora, com o novo programa, o estudante deve trabalhar 20 horas mensais para pagar sua mensalidade na universidade e, caso não cumpra, o valor correspondente deve ser devolvido integralmente pelo estudante.

O objetivo aqui é claro: transferir verba pública para enriquecer os tubarões da
educação no estado. Antes do projeto, a verba destinada pelo Art. 170 da Constituição de
Santa Catarina para as universidades era dividida em: 95% para universidades comunitárias (sem fins lucrativos), enquanto 5% contemplavam as Universidades Privadas. O projeto inicial do programa, que foi barrado após a manifestação de estudantes e professores, previa a distribuição igualitária (50% para ambas), representando um aumento de dez vezes no repasse para universidades privadas. Hoje, o orçamento é destinado 70% para as universidades comunitárias e 30% para as privadas.

FRAUDES
No dia 11 de junho, o Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) apresentou um
relatório indicando inconsistências nos beneficiários do programa Universidade Gratuita e do Fundo Estadual de Apoio à Manutenção e ao Desenvolvimento da Educação Superior
Catarinense (Fumdesc), ambos vinculados ao Art. 170. Ao todo foram identificados ao menos 18.383 estudantes com indício de irregularidade na concessão da bolsa, sendo mais de 4 mil estudantes com renda incompatível ao estabelecido pelo programa, e mais de 15 mil com inconsistência no patrimônio declarado. Os casos mais contraditórios incluem alunos pertencentes a famílias proprietárias de carros de luxo, jet skis e lanchas, um grupo de alunos pertencentes a sete grupos com empresas avaliadas entre R$10 milhões e R$21 milhões e dois alunos pertencentes a grupos familiares proprietários de imóveis avaliados em R$29 milhões e R$30 milhões. Enquanto filhos de milionários são beneficiados pelo programa, muitos estudantes pelo estado ficaram sem as bolsas neste primeiro semestre de 2025.
Ampliar o número de bolsas, ou melhorar a fiscalização e os critérios não solucionará
o problema da educação no nosso estado, apenas disfarçará a verdadeira intenção do
programa. O subfinanciamento da educação estadual e os constantes ataques à educação
pública são resultado desta política de privatização, adotada por Jorginho Mello e tantos
outros. Enquanto universidade como a UNIVALI (maior universidade comunitária do estado) registrou em 2024 um superávit de mais de R$40 Milhões, os estudantes não tem um restaurante universitário para se alimentar, enfrentam mensalidades absurdas que sobem todos os anos e ainda por cima precisam pagar para protocolar uma justificativa de falta com atestado ou certidão de óbito.

EM DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA
Um estudo feito pelo Sindicato dos Professores da UDESC (APRUDESC) apontou
problemas com o orçamento do programa Universidade Gratuita. Ele mostra que a
distribuição dos recursos é baseada em um estudo feito em 2022, que apresenta um cálculo de custo médio do aluno para o Estado.“O benefício médio concedido pelo programa é de R$14,4 mil por semestre, ou R$2,4 mil ao mês. Estima-se que esse valor seja 16% mais caro que o custo-aluno médio em universidades públicas estaduais”, concluem Mauricio Mulinari e Vicente Loeblein Heinen, equipe técnica do artigo.
Essa diferença não é à toa. Afinal, o investimento nas universidades públicas também
é destinado para pesquisa, extensão, políticas de permanência dos estudantes . Enquanto isso, os magnatas da educação lucram milhões de reais precarizando os trabalhadores, cobrando mensalidades abusivas e ofertando 40% dos cursos presenciais de forma online, um ataque à qualidade da educação da nossa classe.

Ao optar por subsidiar universidades privadas e comunitárias, o governo catarinense
faz uma escolha política clara: deixa de investir na ampliação de vagas na UDESC,
negligencia as políticas de permanência estudantil e abandona os pilares fundamentais da
educação universitária — o ensino, a pesquisa e a extensão. E essa decisão, como
demonstramos, não se baseia em uma suposta eficiência da gestão privada, mas sim na falta de compromisso do governador com a educação pública, gratuita e de qualidade. A
verdadeira prioridade é favorecer grandes empresários do setor educacional, que lucram às
custas dos sonhos e do esforço de estudantes e trabalhadores precarizados, forçados a
conciliar jornadas exaustivas de trabalho e estudo para conquistar um diploma.

80 anos do bombardeio de Hiroshima e Nagasaki

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Oitenta anos após Hiroshima e Nagasaki, os ataques nucleares que mataram mais de 200 mil pessoas visaram intimidar a União Soviética. Sobreviventes sofreram discriminação e abandono do Estado japonês, que hoje acelera sua remilitarização sob influência dos EUA.

Jesse Lisboa | Redação


HISTÓRIA – Há 80 anos, o imperialismo norte-americano incinerava as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, assassinando instantaneamente mais de 200 mil pessoas. Até hoje, a história contada pela burguesia, repetida por sua imprensa e por Hollywood, é a de que o massacre foi um “mal necessário” para “encurtar a guerra” e “salvar vidas”. Uma mentira deslavada para encobrir o real objetivo daquele ato de barbárie: uma demonstração de força e uma ameaça direta à União Soviética e a todos os povos que ousaram desafiar a hegemonia dos EUA durante a Guerra Fria.

As bombas atômicas foram explodidas para assustar a URSS e impedir a expansão do socialismo soviético. O Japão já estava militarmente derrotado. Hiroshima e Nagasaki foram o primeiro ato da Guerra Fria, um crime de guerra calculado para estabelecer a chantagem como principal ferramenta da política imperialista estadunidense.

A hipocrisia do Estado japonês e o sofrimento dos “Hibakusha”

As consequências do ataque, porém, não terminaram em 1945. Os sobreviventes, conhecidos como “hibakusha”, foram condenados a uma vida de sofrimento. Além das terríveis sequelas da radiação, como o câncer, eles foram vítimas de uma profunda discriminação por parte da própria sociedade e do Estado japonês. Temendo o “contágio”, muitos empregadores recusavam-se a contratá-los. O governo, por sua vez, criou uma burocracia cruel, negando a milhares de vítimas o reconhecimento oficial e o acesso a tratamento médico gratuito, em uma clara política de “discriminação de Estado”.

Essa crueldade se estendeu a outras vítimas do imperialismo japonês, como os milhares de trabalhadores coreanos e chineses que eram mantidos em regime de escravidão no Japão e que também foram atingidos pelas bombas. O Estado japonês, que até hoje se recusa a reconhecer plenamente os crimes de guerra que cometeu, como os experimentos desumanos da Unidade 731 –unidade de guerra biológica responsável por cometer crimes de guerra, incluindo experimentos humanos forçados com a população civil chinesa na Manchúria – também negligenciou esses sobreviventes.

Sob pressão dos EUA, Japão se rearma e a extrema-direita avança

A Constituição japonesa do pós-guerra, imposta pelos EUA, determinava que o país não teria forças armadas. No entanto, o que se vê hoje é um Japão em acelerado processo de remilitarização, que agora deseja usar seu antigo inimigo em sua estratégia para “conter” a China.

Esse rearmamento alimenta o crescimento da extrema-direita japonesa, que sonha em revogar a constituição e retomar o projeto expansionista do passado. Grupos fascistas e nacionalistas ganham força, com o mesmo discurso de ódio que levou o país à catástrofe.

Oitenta anos depois, a lição de Hiroshima é clara: o imperialismo, em sua busca por lucros e dominação, não hesitará em sacrificar milhões de vidas. A luta contra a extrema-direita e contra o imperialismo é inseparável da luta contra o capitalismo e pela construção de uma sociedade onde a vida humana valha mais do que o lucro dos grandes ricos.

Protestos em Consulados dos EUA exigem fim do genocídio na Palestina

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Movimentos sociais realizaram protestos em várias capitais nesta terça-feira (19) para denunciar e exigir fim do genocídio do povo palestino e cobrar do governo Lula o rompimento das relações com Israel.

Jesse Lisboa | Redação


BRASIL – Em um dia de luta, movimentos sociais foram às ruas nesta terça-feira (19) para denunciar o genocídio do povo palestino e seu principal patrocinador: o imperialismo estadunidense. Atos foram realizados de norte a sul do país, com concentração em frente aos consulados e à embaixada dos Estados Unidos, o mandante do massacre promovido pelo Estado sionista de Israel.

Em Brasília o ato teve concentração na Praça Portugal e seguiu em passeata até a Embaixada dos EUA. Centenas de manifestantes ecoaram palavras de ordem exigindo o fim imediato do massacre em Gaza e cobraram do governo Lula uma postura firme, com o rompimento imediato de todas as relações diplomáticas e comerciais com o Estado terrorista de Israel.

A manifestação em Brasília contou com a presença de Leonardo Péricles, presidente nacional da Unidade Popular (UP). O ato finalizou com a queima dos bonecos representando os genocidas Trump e Netanyahu.

“Essa embaixada representa o país, maior inimigo da humanidade. São responsáveis por boa parte dos retrocessos das últimas décadas no mundo, sendo o primeiro país a usar bomba atômica contra os povos.”, destacou Léo Péricles.

Vigília no Rio e atos por todo o país

Vigília de 24 horas no RIo de Janeiro. Foto: Yanni Avellar (JAV/RJ)
Vigília de 24 horas no RIo de Janeiro. Foto: Yanni Avellar (JAV/RJ)

No Rio de Janeiro, a manifestação assumiu o caráter de uma vigília de 24 horas em frente ao consulado dos EUA. Os militantes se revezam em uma programação ininterrupta que inclui debates sobre a luta anti-imperialista, intervenções culturais e um ato ecumênico em memória dos mais de 62 mil palestinos assassinados por Israel.

O acampamento contou com mais de 200 pessoas, vários movimentos sociais e partidos políticos, uma ação unitária que reuniu todos os movimentos em defesa da Palestina no estado do Rio de Janeiro, também contou com várias lideranças políticas, como o deputado estadual Professor Josemar (PSOL), lideranças do PCB, do PCBR, e dos comitês de solidariedade à Palestina.

O plano dos movimentos é, no final da vigília do dia de hoje (20), entregar e protocolar no Consulado dos EUA um manifesto junto com o nome das 60 mil vítimas assassinadas, para denunciar o genocídio em Gaza.

Em Pernambuco, o ato aconteceu na cidade do Recife, com uma concentração na Praça do Derby, local histórico das mobilizações populares, seguindo em passeata até o Consulado dos EUA. Participaram também delegações da Paraíba e de Alagoas.

Rosilene Santana, presidenta da Unidade Popular na Paraíba, destacou que “o governador da Paraíba, João Azevedo (PSB), gastou mais de 5 milhões de reais na compra de mais de 600 fuzis de Israel. A mesma bala que massacra o povo palestino, mata o nosso povo aqui no Brasil. É urgente que nós, movimentos sociais, pressionemos o governo para que todas as relações com Israel sejam quebradas. Fora Israel de Gaza!”.

O motivo das manifestações se reflete nos números do genocídio. Um relatório do Ministério da Saúde de Gaza revelou que, de um total de mais de 55 mil mortos identificados, 17.121 eram menores de 18 anos. O documento mostra que oito bebês foram assassinados no mesmo dia em que nasceram, uma prova incontestável do caráter genocida e desumano da ofensiva sionista. Ainda de acordo com o Ministério, mais de 62 mil palestinos foram assassinados ou desaparecidos por Israel.

A luta pela soberania deve ser uma luta pelo socialismo

LUTA. A luta pela soberania deve ser uma luta pelo socialismo. Foto: Jesse Lisboa (JAV/PE)
LUTA. A luta pela soberania deve ser uma luta pelo socialismo. Foto: Jesse Lisboa (JAV/PE)

Aliada à luta pelo fim do genocídio em Gaza, os manifestantes também levantaram a bandeira da soberania nacional, denunciando que as taxações impostas pelo governo Trump e as bombas que caem sobre Gaza são armas do mesmo inimigo: o imperialismo dos EUA.

“A mesma lógica que permite o massacre de mulheres, crianças e trabalhadores na Palestina é a que nos impõe, no Brasil, salários de fome, saúde precária e uma jornada de trabalho desumana como a 6×1. Por isso, nossa solidariedade ao povo palestino deve ser acompanhada da exigência firme para que o governo federal rompa todas as relações com o Estado de Israel. Não podemos tolerar que os governos, seja o de Pernambuco ou o federal, sigam o jogo do imperialismo, que explora e mata os trabalhadores em todo o mundo para maximizar os lucros dos ricos. O ato diante do Consulado dos EUA foi essencial para expor que o sistema capitalista representado por Trump que financia Netanyahu nesse genocídio para lucrar com as riquezas do território palestino.”, aponta Camila Falcão, do Movimento de Mulheres Olga Benario.

A luta pela soberania deve ser uma luta pelo socialismo

Entrou em vigor no dia 6 de agosto a ordem executiva assinada por Donald Trump, que elevou para 50% a tarifa de importação sobre produtos brasileiros. A inflação dos alimentos no Brasil é uma consequência da busca incessante por lucros dos capitalistas. Para, de fato, defender a soberania nacional é preciso romper completamente com a ideologia burguesa e com os ditames dos países imperialistas. Toda e qualquer tentativa de governar o Brasil de fora para dentro deve ser rechaçada.

Rafael Freire | Redação


EDITORIAL – Passou a valer, a partir do dia 06 de agosto, a Ordem Executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que eleva a tarifa de importação de produtos brasileiros para 50%. Inicialmente, ele planejava seu tarifaço para toda e qualquer exportação do Brasil. Após enorme rechaço do povo brasileiro (e de setores da própria população norte-americana), ele recuou e abriu uma lista com cerca de 700 exceções, entre elas: suco e polpa de laranja, castanha, combustíveis, minérios, fertilizantes, aeronaves civis e suas peças, carros, smartphones, madeira, celulose, metais preciosos, energia, etc.

Por outro lado, café, cacau, frutas e carnes vão sofrer com a sobretaxa. Em 2024, o Brasil exportou para os EUA um total de US$ 43,2 bilhões em produtos. Tomando isso como base, o novo decreto taxaria em 50% o montante de US$ 24,8 bilhões, o equivalente a 58% das exportações realizadas no ano passado.

Segundo o texto do documento, os EUA consideram o Brasil uma ameaça “incomum e extraordinária à segurança nacional”, classificação semelhante à adotada contra países hipocritamente considerados terroristas pela Casa Branca, como Cuba, Venezuela e Irã. Diz ainda que a lista pode ser alterada caso o Brasil “tome medidas significativas para lidar com a emergência nacional [livrar a barra de Jair Bolsonaro] e se alinhe suficientemente aos Estados Unidos em questões de segurança nacional, economia e política externa [apoiar o genocídio do povo palestino]”.

Caso curioso aconteceu com a grande mídia capitalista. Devido ao ódio com que a maioria dos brasileiros passou a se referir ao presidente estadunidense e ao ex-presidente vende-pátria Jair Bolsonaro, e à pressão da burguesia latifundiária, que tem muito a perder com as sobretaxas, viu-se obrigada a reconhecer que o tarifaço de Trump levou à queda no preço da carne, do café e da laranja no Brasil. Com a dificuldade de vender esses produtos no mercado norte-americano, parte deles foram redirecionados para outros mercados, incluindo o próprio mercado interno.

Isso confirma o que o jornal A Verdade e outras organizações sempre denunciaram: que a inflação dos alimentos no Brasil é uma consequência da busca incessante por lucros, que é a razão de viver dos capitalistas. Para estes, nada importa se as classes trabalhadoras do campo e da cidade passem fome, que não consigam pagar o alto custo para se alimentar com os produtos que elas mesmas produzem.

O Banco Central do Brasil, aliás, alega a tese absurda de que existe em nosso país uma “demanda aquecida” da população por alimentos para justificar as sucessivas elevações da taxa básica de juros (Selic). O esquema da dívida, na verdade, é uma espécie de “corrupção legalizada”, que só serve para desviar recursos dos cofres públicos para pagar os juros da dívida pública, que, atualmente, representam 43% do Orçamento Federal ou 76% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso nada mais é do que a riqueza produzida pelos trabalhadores indo direto para os cofres dos bilionários.

Soberania

Em seu livro “Soberania e Política Econômica na América Latina” (1999), o professor da Unicamp Wilson Cano aponta que, a partir da década de 1980, “os EUA, secundados pelos demais imperialismos, retomaram as ações mediante as quais nos impuseram o chamado ‘Consenso de Washington’, centrado pela dominação da finança internacional. Isso reduziu fortemente nossa soberania nacional e nos impôs – com a aceitação de nossas elites – a falsa ideia da ‘ida ao primeiro mundo’”.

As últimas quatro décadas de hegemonia estadunidense só foram possíveis devido ao enfraquecimento da União Soviética e sua posterior dissolução, resultado do total abandono da construção do socialismo por parte de seus dirigentes revisionistas. Mas tal hegemonia vem sendo disputada pela China capitalista, já superior em vários setores da economia. Desde 2008, os norte-americanos perdem espaço na indústria global: de 23% da produção manufatureira mundial, em 2005, caíram para 15%, em 2023. Já a China detém 20% desse setor.

O Brasil está no centro da disputa entre essas duas principais potências imperialistas. As exportações para os EUA representam 12% do total nacional, enquanto para a China já chega a 29%. Cerca de 75% do que o país exportou para a China no ano passado se resume a petróleo, minério de ferro e soja (quase dois terços de toda a soja produzida aqui vai para lá).

A demanda chinesa pelo grão fez as lavouras crescerem em quatro vezes nos últimos 30 anos, ocupando áreas que antes eram para cultivo de arroz, feijão e outros alimentos, além de imensas áreas de preservação ambiental. O alto custo dos alimentos no Brasil e as graves mudanças climáticas são consequências desse processo predatório do capitalismo.

Portanto, não podemos cair na conversa barata de que “é necessário defender nossa soberania acabando com a dependência do Brasil em relação aos EUA” ou “é preciso diversificar nossos parceiros comercias, fortalecer os Brics e o Sul Global, etc., etc.”. O Brasil continuará dependente dos EUA e se torna cada vez mais dependente da China.

Romper com o imperialismo

Atualmente na moda, o termo “Sul Global” se refere aos países que, historicamente, foram explorados pelas nações colonialistas e imperialistas, mesmo que hoje ocupem papel central no sistema capitalista mundial, a exemplo da China.

Antes, falava-se em “Países em Desenvolvimento”, que sucedeu “Países Subdesenvolvidos”, considerado pejorativo. Mais atrás ainda, “Terceiro Mundo”, como na citação acima. Enquanto esses termos, de alguma forma, traziam consigo a ideia de que existem países ricos e países pobres, o conceito de “Sul Global” busca encobrir este fato.

É assim que procedem os ideólogos burgueses e sociais-democratas: modificam termos, deturpam conceitos, usam palavras bonitas e tapinhas nas costas para tentar enganar a classe operária.

Para, de fato, defender a soberania nacional é preciso romper completamente com a ideologia burguesa e com os ditames dos países imperialistas. Toda e qualquer tentativa de governar o Brasil de fora para dentro deve ser rechaçada. Toda e qualquer sabotagem da economia, tentativa de golpe militar ou propaganda fascista deve ser contraposta por um programa revolucionário.

Apenas com uma profunda organização da classe operária e das demais classes trabalhadoras, da juventude e das mulheres em direção à Revolução Socialista faremos frente às nações imperialistas, à burguesia internacional e aos seus colaboradores internos, que devemos chama-los por seus verdadeiros nomes de traidores da pátria e lambe-botas.

Justiça social

Recentemente, muito se ouviu falar pela propaganda do Governo Federal e dos grandes meios de comunicação que o “Brasil saiu do mapa da fome”. Infelizmente, a fome ainda não acabou entre nosso povo. A ONU assim classifica o país que atinge menos de 2,5% de sua população em situação de subnutrição.⁠

⁠Segundo o relatório da ONU, entre 2022 e 2024, 28,5 milhões de pessoas estavam em condição de insegurança alimentar no Brasil, sendo 21,4 milhões em situação moderada e 7,1 milhões em nível grave. O país havia voltado para o chamado “mapa da fome” em 2021 em decorrência do aprofundamento das contradições durante a pandemia de Covid-19, em especial, pelas políticas genocidas do Governo Bolsonaro, que atacou programas sociais como o Plano de Aquisição de Alimentos.⁠

Acontece que o Brasil possui mais de 212 milhões de habitantes, segundo o IBGE. Portanto, o índice de 2,5% significa, para nosso país, mais de 5 milhões de pessoas oficialmente subnutridas.

E os outros milhões de brasileiros que estão logo acima desse limiar, por acaso não passam fome?! E aquelas famílias que só sobrevivem de bicos, sem renda fixa, deixaram de ser pobres?!

São 60 milhões de trabalhadores e mais de 28 milhões de aposentados que recebem até um salário mínimo por mês.

Somente neste ano, 225 trabalhadores foram resgatados em condições análogas à escravidão na Paraíba, 94% deles em obras da construção civil, dormindo em alojamentos sem condições mínimas, em colchões velhos no chão e sem sair do local de trabalho por semanas. A maioria dos casos se deu na Região Metropolitana de João Pessoa, capital do estado e tida como nova rota do turismo nacional e internacional. Ou seja, tudo bem debaixo das barbas das “autoridades”.

Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), foi um crescimento de 263% nos últimos três anos. “O tráfico de pessoas para fins de trabalho escravo é uma realidade e não podemos, de forma alguma, fechar os olhos para esse crime”, apontou a procuradora do Trabalho Marcela Asfora.

Esta é a realidade do povo brasileiro, da classe trabalhadora.

Para os socialistas e comunistas, a plena soberania só pode existir se houver justiça social. E esta só se conquista no socialismo, com um Governo Revolucionário dos Trabalhadores.

Matéria publicada na edição impressa  nº318 do jornal A Verdade

Tribunal alemão declara ensinamentos de Karl Marx inconstitucionais

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Justiça acredita que teoria adotada por grupo de estudos visa ‘revolução através da violência’; defesa fala em ameaça contra ‘todos os círculos de leitura de Marx na Alemanha’.

Redação Opera Mundi | Harici


INTERNACIONAL – Um tribunal em Hamburgo, na Alemanha, afirmou nos detalhes de uma decisão referente a um grupo de leitura de Karl Marx que os ensinamentos do filósofo podem ser contrários à “ordem básica democrática livre”.

Em 8 de abril, o “Fórum da Escola Marxista de Política e Cultura” (Masch) venceu sua ação contra o Escritório Estadual de Proteção à Constituição (LfV) no Tribunal Administrativo de Hamburgo.

O tribunal decidiu que as autoridades não podiam mais classificar a associação sediada em Hamburgo como “extremista de esquerda”. O Masch havia vencido o processo contra sua inclusão no relatório de 2021 da organização e a revogação de seu status de organização sem fins lucrativos no mesmo ano.

A falta de uma “atitude militante ativa” salvou uma associação marxista, mas…

Agora, conforme relatado pelo portal taz, descobriu-se que essa vitória legal poder ter um efeito contrário ao desejado e representar um perigo para todos os círculos de leitura de Marx na Alemanha.

A razão para isso está na decisão escrita pelo tribunal de Hamburgo em 10 de julho. É prática comum os tribunais explicarem as razões precisas de suas decisões por escrito apenas semanas depois, mas o conteúdo da decisão é considerado surpreendente.

O tribunal confirmou sua decisão a favor da Masch, declarando ilegal sua inclusão no relatório de proteção constitucional. No entanto, ele fez isso porque seus membros não tinham a “atitude militante ativa” para realmente prejudicar a constituição.

Tribunal decide que Marx é incompatível com a “ordem democrática básica livre”

O Masch está ativo desde 1981. É mais conhecido em Hamburgo por seus grupos anuais de leitura sobre o primeiro volume da obra O Capital, de Marx , mas o grupo também publica livros e frequentemente organiza eventos de discussão, geralmente na Universidade de Hamburgo.

Ele se considera parte da tradição das associações educacionais de trabalhadores e das escolas marxistas para trabalhadores e, segundo ele próprio, apresenta uma “abordagem não dogmática e crítica da teoria marxista”.

A associação foi considerada suspeita pelo Gabinete para a Proteção da Constituição porque, entre outras coisas, alegou-se que foi originalmente fundado pelo Partido Comunista Alemão (DKP) e ainda mantém laços estreitos com ele.

O tribunal rejeitou essa acusação em abril, observando que apenas um dos 26 membros do Masch é atualmente membro do DKP.

No entanto, a justificativa escrita vai ainda mais longe. O tribunal discute se o engajamento na teoria marxista é fundamentalmente compatível com a Constituição da República Federal da Alemanha.

O tribunal considera que “as atividades do requerente, que se concentram nas teorias de Karl Marx, são fundamentalmente incompatíveis com a ordem básica democrática livre”.

O tribunal afirma que a centralidade das obras e dos ensinamentos de Marx nas atividades do Masch é evidente a partir do seu nome, “Escola Noturna Marxista”.

Segundo o tribunal, a razão pela qual isso é problemático é a seguinte: “A teoria social criada por Marx pode conter incompatibilidades em pontos fundamentais com os princípios da ordem básica democrática livre”.

O tribunal ainda não havia abordado esse ponto em sua decisão oral em abril.

Perigo para todos os grupos de leitura de Marx

Ridvan Ciftci, o advogado que representou Masch no tribunal, considera as declarações do tribunal “irresponsáveis”.

Segundo ele, essa decisão implica que a leitura predominante de Marx é fundamentalmente inconstitucional. No caso do Masch, o grupo não é problemático apenas por ser “suficientemente insignificante” e não “ativamente militante”.

Na avaliação de Ciftci, isso representa uma ameaça a todos os círculos de leitura de Marx na Alemanha. “Qualquer associação que se refira principalmente a Marx pode, portanto, se tornar alvo de vigilância”, afirma o advogado.

Nesse sentido, a decisão em que o Masch se defendeu com sucesso contra a classificação de inconstitucionalidade parece ser um bumerangue e, no mínimo, um revés jurídico.

Na verdade, outros tribunais têm adotado recentemente uma abordagem muito mais flexível em relação à teoria de Karl Marx. Por exemplo, no caso movido pelo jornal Junge Welt contra sua vigilância pelo Escritório para a Proteção da Constituição, o Tribunal Administrativo de Berlim declarou que uma orientação marxista por si só não constitui um esforço para derrubar a ordem democrática livre e que a revolução poderia ser uma “transformação social radical, mas ainda constitucional”.

O tribunal de Hamburgo, no entanto, analisa a questão de uma perspectiva diferente. O tribunal acredita que a teoria marxista adotada por Masch visa não apenas reformas, mas uma revolução através da violência.

O tribunal não aceita a objeção do Masch de que suas discussões se limitam a uma crítica ao capitalismo. Citando o site da associação, o tribunal observa que o objetivo da associação é “transformar completamente o sistema econômico, o Estado e a sociedade”.

O principal problema é a “ditadura do proletariado”

O tribunal acredita que, quando se trata de Marx, o problema reside no conceito de “ditadura do proletariado”.

O tribunal salienta que o significado deste conceito “inevitavelmente exclui outros grupos populacionais do processo de tomada de decisões políticas e do exercício indireto do poder estatal”, afirmando, por outras palavras, que a ditadura do proletariado é “antidemocrática”.

O membro do Masch, Michael Hopp, argumenta que “isso é um completo mal-entendido”. “O tribunal está agindo como se os textos de Marx tivessem sido escritos ontem”, diz Hopp, que afirma que Marx pode “ser absolutamente entendido como um democrata” quando não se refere apenas ao panfleto do Manifesto Comunista, como o tribunal faz, e que o “Marx mais velho” enfatizou que os meios de mudança devem ser adaptados à situação histórica.

“Marx teria recomendado qualquer coisa, menos uma multidão invadindo o Bundestag [Parlamento alemão] hoje”, diz Hopp.

Hopp também sugere que o tribunal interpreta mal a natureza da teoria de Marx como uma “ferramenta analítica” e do Masch como “uma instituição educacional”. “A simplificação excessiva reside em sermos acusados de colocar palavras em ação. Mas olhamos para as palavras e refletimos sobre elas”, diz ele.

O capitalismo está consagrado na Lei Fundamental?

A decisão do Tribunal Administrativo de Hamburgo também aborda um problema que tem sido discutido com mais frequência nos últimos anos, na sequência da exigência de “expropriar a Deutsche Wohnen & Co.”: em que medida a Lei Fundamental, fonte da ordem democrática livre, estipula que a República Federal da Alemanha deve ser organizada de acordo com os princípios capitalistas?

O tribunal de Hamburgo não considerou convincente o argumento do Masch, que se referia ao cientista político Wolfgang Abendroth, de que a Lei Fundamental é neutra em termos de política econômica.

Por outro lado, segundo taz, muitas questões ainda permanecem sem resposta:

“Todas as disciplinas introdutórias sobre Marx no primeiro semestre são suspeitas agora? O que exatamente significa ‘ativamente militante’? A crítica social radical não é inconstitucional? Para esclarecer essas e outras questões, o Masch, que atualmente está considerando recorrer da decisão, planeja fazer o que sabe fazer de melhor: organizar um evento de debate.”

Matéria reproduzida do site Opera Mundi, o conteúdo original pode ser encontrado neste link.