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domingo, 29 de março de 2026
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Madre Maurina, freira franciscana torturada pelos militares

Madre Maurina foi presa e torturada por apoiar militantes do MEJ e FALN na luta contra a Ditadura Militar, e por defender que o orfanato era para as crianças necessitadas, e não para as famílias ricas da região abandonarem os filhos

André Molinari | Ribeirão Preto (SP)


HISTÓRIA – Nascida em 1926 em Perdizes, Minas Gerais, Maurina Borges da Silveira vinha de uma família pobre do campo. Em 1950, Maurina emite seus votos e integra a Congregação das Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição, em Araraquara, São Paulo. A vida da família da Madre Maurina era sofrida, mas mesmo seu pai se chocou ao ver as condições de simplicidade das irmãs franciscanas.

A Madre Maurina atuou em escolas e juvenatos até quando, em 1968, assume a direção do Lar Sant’ana, local destinado para ser um orfanato para crianças pobres em Ribeirão Preto, São Paulo, principalmente no bairro da Vila Tibério, que na época era um bairro periférico da cidade.

Forças Armadas de Libertação Nacional (FALN)

Maurina havia consentido que o militantes do Movimento Estudantil da Juventude (MEJ) utilizassem o porão do orfanato para guardar materiais e trabalhar. Dentre esses militantes, entre eles o próprio presidente do MEJ, havia membros das Forças Armadas de Libertação Nacional (FALN), que utilizavam o porão como ponto de encontro, estudo, guardar materiais e, inclusive, imprimir num mimeógrafo o jornal da organização, chamado “O Berro”.

A FALN foi uma dissidência do PCB organizada por Vanderley Caixe em 1966, após identificar um esgotamento com as posições imobilistas do PCB ante a Ditadura Militar de 64. A maioria da organização era formada por estudantes que defendiam a luta armada contra a Ditadura, que rapidamente se expandiu para dezenas de municípios do interior de São Paulo como Ribeirão Preto, Franca, Sorocaba, Sertãozinho, Cravinhos, Bauru, São Joaquim da Barra, Rio Claro, Pitangueiras, Bebedouro, etc. Integrando estudantes, trabalhadores rurais, operários e intelectuais em suas fileiras. Tendo ainda dezenas de apoiadores, inclusive religiosos. A Madre Maurina recebia regularmente edições do jornal “O Berro”

Tinham iniciado os preparativos para uma guerrilha no campo, realizando treinamentos e reunindo materiais. Após uma expropriação de dinamite em uma pedreira da região, acenderam-se os alarmes da repressão de maneira mais enérgica, principalmente após serem localizados dois militantes que estavam numa área de mata fazendo guarda para uma cabana que serviria como aparelho para uma operação de sequestro de usineiros.

A Ditadura Militar deslocou o infame torturador Sérgio Fleury para a região para liquidar a FALN, no meio desse processo mais de 500 pessoas foram detidas e várias delas torturadas física e moralmente, inclusive alguns religiosos como freiras e sacerdotes.

A prisão de Madre Maurina

Quando soube das recentes prisões através dos jornais, inclusive do presidente do MEJ e membro da FALN, Maurina tomou a decisão de queimar todos os documentos e materiais que estavam no porão do orfanato, de maneira que quando a polícia chegou somente havia cadernetas do MEJ.

Dias após, a Madre foi presa e levada para a prisão, onde passou por diversas torturas. Dividiu cela com duas estudantes, Aurea Moretti (estudante da USP Ribeirão Preto) e Leila Bosqueto (estudante da Instituição Toledo de Ensino), no presídio de Cravinhos.

Em depoimento para jornais, a Madre considera que atritos que comprou com famílias ricas da cidade devem ter contribuído para a sua prisão. Dentre as mais de 100 crianças que viviam em regime de internato ou semi-internato no orfanato quando a Madre chegou, 15 eram crianças de mães solteiras de famílias ricas.

“Elas estavam tomando o lugar de outras, pobres, que precisavam de fato ficar no orfanato Lar Sant’ana. As famílias davam cheques para nós e tudo o mais, mas o correto era que as crianças vivessem em suas casas. […] O orfanato é lugar de criança necessitada que precisa de um lugar para viver, que não tem pai nem mãe” (Madre Maurina em entrevista à Folha de São Paulo).

“Chegaram seis homens, mais ou menos, entre eles estava o Fleury. Começaram os interrogatórios… […] E, quando eles falavam essas besteiras, eu não respondia nada, ficava quieta… E, quando eu não respondia, eles me davam choque elétrico… Então, eles esperavam eu descansar para depois começar de novo… E isso durou muito tempo… Até, eu acho, umas três ou quatro da tarde. Vinha um, me interrogava, vinha outro, interrogava…”.

A Madre se manteve firme durante os interrogatórios e não delatou nenhum dos inúmeros jovens que conhecia. Inclusive chegando a irritar Fleury:

“O único que eu conhecia era o Fleury… Ele ficou danado da vida comigo. Ele me perguntou: ‘Quer que eu chame meu primo, que é padre, para te interrogar?’. E eu não respondi… Passou um tempo, ele perguntou novamente: ‘Você não responde? Não olha na minha cara?’. Eu olhei bem no olho dele… Ele perguntou: ‘Como você me conheceu?’. E eu disse que tinha conhecido o Fleury pela revista ‘Veja’, quando ele tinha inventado uma história com os dominicanos [refere-se ao caso de Frei Betto e Frei Tito]. Ele ficou bravo quando falei isso, muito bravo. Simulou, bateu na mesa… E completei: ‘Foi aí que eu conheci você’. Então, ele deu um murro na mesa e saiu da sala”.

Dentre as três, a mais torturada foi Áurea Moretti, que chegava das sessões de tortura e era atirada na cela, tendo que ser amparada pela Madre e pela Leila. A Madre rasgava pedaços de sua roupa para fazer curativos e cuidar da Áurea.

Em 1970 a Madre é solta após o sequestro do cônsul do Japão, Nobuo Okuchiem, em São Paulo, articulado pela VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), em seguida é exilada no México onde passa cerca de 10 anos, sempre com clima de solidariedade e de amor aos pobres, fazendo atividades de educação, hortas comunitárias e demais atividades voltadas para as comunidades pobres.

O caso da Madre Maurina foi um dos principais elementos para virar a posição da Igreja Católica e da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) contra a Ditadura Militar, envolvendo mais ativamente a Igreja nas lutas do país. O arcebispo de Ribeirão Preto chegou a excomungar os dois delegados envolvidos na prisão e tortura da Madre Maurina.

O Lar Sant’ana

Em meados de 2015 o prédio do Orfanato Lar Sant’ana foi vendido pela Congregação para a Prefeitura de Ribeirão Preto, que fez questão de manter o local abandonado e depredado durante mais de 10 anos.

Apesar de ser um prédio histórico que figura num dos principais casos de resistência e repressão do período da Ditadura Militar, não há nenhuma política pública consequente para destinação do espaço, apesar de diversas consultas, audiências e pareceres de comissões já terem indicado que a criação de um Memorial no local seria a melhor destinação possível. A maior parte da fiação já foi furtada, o prédio constantemente é invadido para jogos de paintball, com anuência da GCM, de acordo com os moradores do bairro, e até mesmo casos de “investigação paranormal”.

A verdade: existe um projeto sistemático de apagamento histórico dos processos de luta e resistência que tiveram palco no interior de São Paulo. Desde as lutas dos povos indígenas e dos negros escravizados, as lutas operárias e de trabalhadores do campo, as lutas estudantis e antifascistas, etc.

Isso tudo com a intenção de nublar a perspectiva histórica do povo, criar uma versão artificial e falsa de um interior hegemonizado pelo reacionarismo e pelo agronegócio, onde o povo é conivente ou até mesmo cúmplice de suas próprias violências. Mas os poucos casos conhecidos como a Revolta da Fazenda Castelo, o Levante de Guariba, a FALN e muitos outros.

Ter um Memorial da Resistência que atue permanentemente no resgate, preservação e divulgação das lutas populares do interior de São Paulo é o melhor destino possível para o uso de um prédio que, diferente de tantos outros vinculados ao período da Ditadura, não foi palco de aparatos repressivos, mas sim fazia parte do aparelho de resistência e solidariedade do povo.

Objetivo do genocídio de Israel é expulsar palestinos de Gaza

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Palestinos tentam usar todos os meios possíveis para sobreviver e resistir a genocídio imposto por Israel. 

Felipe Annunziata | Redação


INTERNACIONAL – “Você vê quanto custa um pedaço de comida? Um pedaço de morte, não um pedaço de pão! Você vê como vamos para a morte, para tentar conseguir comida para as crianças!”, em mais um dos milhares de apelos que circulam nas redes digitais, um palestino denuncia ao mundo a fome e os fuzilamentos na fila da comida em Gaza.

O que tem acontecido na Palestina hoje mostra a realidade do plano genocida de Israel e dos EUA. O ditador israelense Netanyahu nesta semana anunciou que o seu governo aprovou um plano para ocupar definitivamente a Cidade de Gaza, principal centro urbano da Faixa.

Mesmo sofrendo a condenação dos povos do mundo, o regime sionista afirmou que o objetivo é impor o controle total dos militares da região e o estabelecimento de uma administração civil não subordinada à Autoridade Palestina. Isto é na realidade um eufemismo para anexação.

Palestinos lutam pela sobrevivência

A situação em levado o povo palestino a buscar todas as formas de sobrevivência. Nas redes digitais, principalmente no Tik Tok e no Instagram, palestinos que ainda conseguem conexão com a internet, denunciam diariamente e rotina de genocídio. A falta de recursos financeiros e o alto preço do pouco alimento que entra faz com que muitos usem as redes para pedir ajuda financeira.

Outras famílias tentam sobreviver mandando seus entes queridos para as filas da comida organizada pela organização de fachada Fundação Humanitária de Gaza (GHF), controlada pelos EUA e Israel, mesmo isso significando o risco de fuzilamento sumário. O objetivo israelense é claro, criar um cenário para o extermínio ou expulsão completa dos palestinos de Gaza.

Apesar disto, alguns palestinos tentam encontrar meios e ajuda para sair da Faixa para garantir a própria sobrevivência ou de suas famílias. Não porque queiram abandonar sua terra natal, mas porque, como seus avós há 78 anos atrás, estão sendo expulsos de suas terras.

Mohammed Siam, estudante palestino de engenharia de 21 anos, contou ao Jornal A Verdade, a situação pela qual passa. Desde o início dos massacres, ele viu sua universidade ser bombardeada e destruída, a University College of Applied Sciences.

Siam tenta, junto com outros civis, sair da zona de genocídio e tentar reorganizar sua vida. Para isso, se organizam através das redes digitais para tentar achar uma saída. Através de páginas de solidariedade aos palestinos, ele compartilha um pouco da sua realidade e também dos seus escritos.

“Eu vivia uma vida simples, porém estável. Estava estudando e construindo meu sonho, degrau a degrau. Tinha família, um lar e um objetivo claro e de repente tudo foi destruído.”, diz Mohammed, que teve sua família deslocada 5 vezes desde o início do genocídio.

“Meu objetivo não é sair da minha terra natal, mas apenas sobreviver.”, afirma. Ele nos contou também que já perdeu 20 quilos de peso, uma realidade generalizada em Gaza.

Companhias privadas cobram de 5 a 10 mil dólares por pessoa para garantir passagem segura para a fronteira de Gaza com o Egito. “Apenas um número limitado de palestinos conseguiu sair de Gaza através de canais fechados e muito custosos. Uma das rotas principais é através de Rafah para o Egito, onde milhares de pessoas pagaram entre 5 e 10 mil dólares por pessoas a uma empresa privada.”, afirma Siam.

Palestinos resistem dentro e fora do seu país

A situação de Siam, a mesma de milhões de palestinos que estão saindo ou já saíram de sua terra, em nada muda a luta de resistência que o povo palestino realiza. Pelo mundo, os filhos e filhas da diáspora palestina usam todos os meios para denunciar o genocídio e continuar a luta de resistência contra Israel.

Na realidade, tem sido a comunidade palestina pelo mundo quem tem arregimentado a força dos povos do mundo para pressionar os governos capitalistas a tomarem medidas concretas contra o regime sionista.

No Europa, Alemanha e Eslovênia anunciaram a proibição da venda de armas para Israel. No Reino Unido e na França, os trabalhadores pressionam para seus governos fazerem o mesmo. Nos EUA, apesar de toda perseguição política imposta pelo governo do fascista Trump, a juventude vai às ruas e tem pressionado parlamentares dos dois partidos a tomarem ações contra Israel.

À nossa reportagem, Mohammend Siam enviou um dos seus últimos escritos sobre sua vida diante da fome e do genocídio em Gaza.

“Quando a morte, a fome e o desespero conspiram, a vida se torna um pesadelo insuportável, além da habilidade de qualquer palavra em descrever. É um estado de desespero profundo, onde uma pessoa se torna um frágil esqueleto preso entre o espectro da morte espreitando entre as sombras, a fome que dilacera o interior com seus impulsos cruéis e o medo que se apodera da alma até quase extingui-la. Esta trindade aterrorizante – uma mistura de tormento físico e psicológico – retira da pessoa toda a dignidade, e a deixa nua diante da crueldade da própria existência.”

MLB faz luta contra a fome em 6 mercados de São Paulo

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Centenas de famílias organizadas pelo MLB ocuparam, simultaneamente, 6 supermercados do estado de São Paulo para denunciar a fome, a carestia, a escala 6×1 e para arrecadar cestas básicas.

Tiago Lourenço | São Paulo (SP)


LUTA POPULAR – O dia 02 de agosto começou com o povo em luta, centenas de famílias organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) ocuparam, simultaneamente, 6 supermercados do estado de São Paulo para denunciar a fome, a carestia e a escala 6×1, além de arrecadar cestas básicas para as famílias trabalhadoras de dezenas de bairros pobres.

Os atos aconteceram na capital, nos bairros Vila Guilherme e Barra Funda, em Mauá, Diadema, Campinas e Suzano. A fome é uma mazela que o MLB enfrenta há anos, organizando jornadas de mobilizações, atos e ocupações, arrecadando milhares de cestas básicas, pois muito embora as organizações da burguesia e governo federal encham o peito pra dizer que o Brasil está fora do mapa da fome, 35 milhões de brasileiras e brasileiros ainda passam fome.

Dona Sônia, moradora da zona oeste da capital, que participou da luta na Barra-Funda, relata:  “Sou nordestina, moro em São Paulo há 45 anos, mas sempre lutei pra sobreviver, moro numa favela, tenho 3 filhas e 7 netos, mas minha vida sempre foi difícil, as coisas muito caras, sempre sobrevivi lutando para criar as filhas sozinha, nunca tive ajuda de ninguém, por isso eu apoio a luta do MLB”.

A desigualdade no Brasil é imensa, para termos uma noção, a mulher mais rica do país, Vicky Safra,  viúva e herdeira de Joseph Safra, fundador do banco que leva seu nome, possui uma fortuna equivalente à soma do patrimônio de metade da população mais pobre do Brasil (Oxfam). Ou seja, as 106 milhões de pessoas mais pobres do país juntas possuem a mesma riqueza de uma única herdeira.

“O motivo do nosso Movimento é para reivindicar dignidade para os menos favorecidos, como moradia e alimentação, que são direitos de todo cidadão. Nosso movimento é pacífico, não tem nem um tipo de agressividade a ninguém, muito pelo contrário, o nosso intuito é poder levar àqueles que mais precisam o básico para sua sobrevivência”, disse dona Antônia, 73 anos, do núcleo de base do Lageado, zona leste da capital.

A Barra-Funda, zona oeste de São Paulo, foi um dos bairros onde o MLB fez a ocupação. Foto: Wildally Souza.

Mercados enriquecem às custas da fome do povo

Outro exemplo foi a luta que o MLB fez em 2024, na rede bilionária Carrefour, reivindicando 36 mil cestas básicas. Se cada uma custasse R$ 805,84 em São Paulo (Dieese), isso equivale a 31,6 milhões para os bolsos dos acionistas, o que parece muito, mas se compararmos com o faturamento da empresa de R$ 120,5 bilhões naquele mesmo ano, isso dá 0.02%.

A alimentação do mês de milhares de famílias pobres é menos que migalha para os cofres dos bilionários, sem levar em conta que, só no Brasil, os supermercados jogam fora 13 milhões de toneladas de alimentos.

Vale destacar que, em geral, as cestas entregues ao movimento por essas redes não são aquelas calculadas pelo Dieese, que considera todo o conjunto de alimentos essenciais para a subsistência de uma família durante o mês, devendo incluir ainda pão, leite, margarina, carnes, legumes e verduras. Portanto, o custo é ainda menor para a empresa, chegando a menos de 0,005%. Esse é o significado da ganância da burguesia.

Ainda segundo o Dieese, 45% dos lares brasileiros sobrevivem com até um salário mínimo (R$1518,00), quer dizer que o preço da cesta básica representa 53% da renda de uma mãe, sem considerar os itens de higiene e limpeza. Nessa situação, como se paga o aluguel, a água, a luz, as roupas, o transporte, etc? A verdade é que não paga. O salário das mulheres trabalhadoras, que chefiam mais da metade das famílias no país, recebendo menos que os homens, não é o suficiente para garantir uma vida digna.

O mesmo povo trabalhador que acorda cedo para fazer a cidade funcionar, limpar as ruas, as casas dos ricos, cozinhar, fazer funcionar as fábricas, os transportes, os próprios mercados, é o povo que vê o dinheiro acabar na primeira semana do mês e a fatura do cartão cada vez mais no vermelho, que vê a água e a luz cortada, o filho passando fome. Enquanto isso, a Vicky Safra tem a riqueza de metade dos brasileiros sem nunca ter batido um prego numa barra de sabão.

A solução é a luta

A luta contra a fome em Mauá resultou na conquista de cestas básicas para todas as famílias organizadas. Foto: Sháyra Chagas

Todas essas contradições são consequências de um sistema onde o trabalho é social mas o lucro é privado. Ou seja, os R$ 120,5 bilhões de faturamento do Carrefour vão para meia dúzia de grandes acionistas, enquanto operadores de caixa, carregadores, motoristas, repositores, açougueiros, padeiros, empacotadores, estoquistas e atendentes mal conseguem comprar a cesta básica do próprio mercado em que trabalham.

Exemplo disso foi o que ocorreu no final de um dos atos que o Movimento fez no final de 2024, na campanha Natal sem Fome, onde uma trabalhadora terceirizada da limpeza do mercado, vendo a vitória da ocupação, chegou a nós pedindo para ganhar uma cesta pois não tinha condições de comprar.

Por isso, as lutas são para resolver a fome de agora, mas elas devem ser cada vez maiores para acabar com a fome de uma vez. Por aumento do salário mínimo, pela redução e congelamento do preço dos alimentos, pelo fim da escala 6×1, para fazer com que a classe trabalhadora, que tudo produz nesse país, seja dona de tudo. Nossos atos, greves e ocupações devem ser cada vez maiores, com centenas, milhares de pessoas.

Como falou Tânia, do MLB de Mauá: “Não é só da cesta básica que a gente precisa, a nossa luta é muito maior pra fazer. A nossa luta é construir o Socialismo, porque com o Socialismo ninguém vai precisar mais fazer luta no mercado, ninguém vai mais morar no banco de praça, em cima de papelão, não vai faltar comida na mesa do nosso povo”.

Moradores do Ribeirópolis organizam luta por moradia em Praia Grande (SP)

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Moradores do Ribeirópolis, Praia Grande (SP), sofrem despejos violentos promovidos pela prefeitura. Comunidade se organiza para lutar pela regularização do bairro e por infraestrutura básica, denunciando a especulação imobiliária e abandono do poder público.

Redação SP


LUTA POPULAR – A prefeitura de Praia Grande, no litoral paulista, dirigida pelo prefeito Alberto Mourão (MDB), usou de forma covarde a polícia e os servidores da limpeza urbana para destruir casas em terrenos alvos da especulação imobiliária na cidade.

Mourão é um dos prefeitos mais ricos do país, dono de construtora, tem como compromisso fazer da cidade uma colônia de férias para os ricos, enquanto a população é humilhada diariamente, pagando impostos e aluguéis absurdos, trabalhando na escala 6×1 ou no serviço público para receber um salário miserável.

Como se não bastasse, os moradores do bairro Ribeirópolis ainda vivem sob a ameaça de terem casas destruídas por tratores da prefeitura. O governo municipal tem realizado despejos violentos no bairro, utilizando a polícia para agredir os moradores que resistem.

A Secretaria de Serviços Urbanos (SESURB), responsável pela coleta de resíduos na cidade, também tem sido instrumentalizada contra a população da região. Além da destruição de casas, materiais de construção comprados pelos moradores, como tijolos, tapumes e cimento, tem sido saqueados.

População é duramente reprimida

Segundo Jaqueline, moradora do bairro há mais de 14 anos, a repressão policial e abandono do Estado sempre fizeram parte do cotidiano dos moradores do bairro: “É uma situação muito difícil quando temos que viver sob constante ameaça de acordarmos de manhã com um trator da prefeitura prestes a derrubar algo que demoramos tanto para conquistar. Nunca apresentam mandato nenhum, sempre chegam com violência e hostilidade contra os moradores, chegaram até a me ameaçar por estar gravando o acontecido”. Existe uma ação judicial dos moradores do bairro movida contra a prefeitura que não obteve resposta.

Devido à negligência com a política habitacional da cidade, o bairro, ocupado há mais de 20 anos, ainda não possui saneamento básico, iluminação e asfaltamento. Os próprios moradores compram holofotes e refletores para as ruas.

As condições precárias afetam principalmente as crianças, expostas ao esgoto e lixo, levando a casos graves de saúde, com internações recorrentes. Outra moradora relata que “ninguém vive nessa situação por que quer, todos aqui querem apenas condições mínimas de viver, sem ter que se preocupar com doença, despejo e violência.”

A falsa preocupação ambiental

A prefeitura mente para os moradores ao alegar que o motivo do despejo é devido às casas estarem em local de preservação ambiental. Ironicamente, no mesmo mês dos despejos, o prefeito anunciou parceria com a construtora do Grupo Peralta para a construção do novo CT (Centro de Treinamento) do Santos FC.

O empreendimento terá mais de 90 mil m², ou 9 hectares de floresta, com investimento inicial de R$10 milhões. O local escolhido fica aos pés do morro Xixová, na entrada da cidade de Praia Grande, área densamente ocupada pela mata atlântica.

Moradia não é mercadoria

No capitalismo, tudo o que é produzido tem como objetivo central a ampliação do lucro — e com a moradia não é diferente. Uma casa não é vista como um direito fundamental, mas como uma mercadoria, algo que deve gerar retorno financeiro.

A lógica do mercado imobiliário transforma um bem essencial para a vida humana em instrumento de especulação: terrenos e imóveis são comprados não para serem usados, mas para valorizarem e renderem lucros.

Grandes empreendimentos são erguidos em áreas centrais com preços inacessíveis, enquanto a classe trabalhadora é empurrada para as periferias, muitas vezes sem infraestrutura ou serviços básicos. Milhões de imóveis permanecem vazios servindo apenas para manter o valor de mercado.

Os aluguéis sobem mais rápido que os salários, os financiamentos duram décadas, e os imóveis são cada vez menores, apertados, desumanos.

Se vivêssemos em uma sociedade que priorizasse a vida humana em vez do lucro, todo trabalhador, toda mãe e todo pai de família teria garantido o direito de uma moradia digna, segura e bem localizada.

Moradores se organizam para lutar

Portanto, a construção do socialismo é a única alternativa que temos para sairmos dessa sociedade de exploração e violência. Por isso devemos construir cada vez mais espaços de luta e organização.

Diante disso, os núcleos da Unidade Popular de Praia Grande estão lutando junto aos moradores do Ribeirópolis para que o bairro seja regularizado e receba os serviços essenciais. Realizamos brigadas de porta em porta com o jornal A Verdade, panfletando, denunciando a situação e apresentando uma alternativa de luta por meio da organização popular.

Após as panfletagens, realizamos reuniões com os moradores, apresentando a UP e os movimentos sociais. Desde então, promovemos ações como a coleta de assinaturas do abaixo-assinado pela regularização do bairro e a realização de um cine-debate com o documentário Lanceiros Negros Estão Vivos, que retrata a luta dos moradores organizados pelo MLB em Porto Alegre. Estamos escrevendo também uma carta de reivindicações a ser levada à secretaria de urbanização. Essas e outras atividades estão reunindo cada vez mais moradores.

O Movimento Luta de Classes (MLC) de Praia Grande iniciou a mobilização dos trabalhadores da limpeza urbana (SESURB) para uma paralisação pelo fim dos despejos no Ribeirópolis. Seguiremos com as ações de luta, atos, tribunas populares até que a população seja ouvida, e as reivindicações sejam efetivamente atendidas, cumpridas e transformadas em conquistas concretas.

Além disso, o objetivo dos movimentos também é fortalecer e expandir o poder popular, filiando na UP e nos movimentos sociais, formando lideranças locais, construindo novos núcleos e fazendo mais lutas. Só assim venceremos!

Privatização da Compesa: ato no Recife denuncia projeto privatista do governo de Pernambuco

Um protesto organizado pela Frente Popular contra as Privatizações reuniu, em 6 de agosto, centenas de pessoas no Recife para exigir que a governadora Raquel Lyra (PSD) interrompa o plano de privatização do metrô e a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa).

Clóvis Maia e Jesse Lisboa | Redação PE


TRABALHADOR UNIDO – Convocado para o dia 06 de agosto pela Frente Popular Contra as Privatizações em Pernambuco, um grande ato marcou a capital pernambucana, exigindo da governadora do estado, Raquel Lyra (PSD), o fim de sua política de privatizações, que tem na mira o metrô do Recife e a Companhia Pernambucana de Saneamento (COMPESA), que já possui parte dos serviços entregues ao setor privado por meio das Parcerias Público Privadas (PPP) com a empresa BRK Ambiental,  que é canadense e tem feito um péssimo trabalho no saneamento básico, água e esgoto.

Não por acaso, em mais de uma década atuando na Região Metropolitana do Recife, a BRK Ambiental — uma das principais representantes das chamadas parcerias público-privadas — aumentou em apenas 8 pontos percentuais a cobertura de esgoto, saindo de 30% para 38%. Isso mesmo depois de anos de propaganda vendendo eficiência e modernização.

E pior: boa parte desse aumento nem foi fruto direto da PPP. Foram as próprias construtoras nacionais, ao erguerem novos empreendimentos imobiliários, que fizeram as ligações de esgoto e até construíram Estações de Tratamento de Efluentes (ETEs). Ou seja, a iniciativa privada lucra com o dinheiro público, não cumpre sua parte, e ainda recebe crédito por avanços que nem realizou. É mais uma prova de que esse modelo serve aos interesses dos ricos — e não à dignidade do povo.

A proposta do governo do estado é entregar a COMPESA para um contrato de 35 anos para os empresários. A resposta dos movimentos sociais tem sido o diálogo com a população e as denúncias nas ruas.

Unidade e luta

Contanto com a participação dos sindicatos dos Urbanitarios (SINDURB-PE), dos Metroviários, e com grande adesão da Unidade Popular,  Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), Frente Negra Revolucionária, PSOL, PSTU, PCBR e POR e contou com a também com a participação de Leonardo Péricles, presidente nacional da Unidade Popular.

O ato se concentrou nas escadarias da entrada da Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE), seguindo em caminhada até o Palácio do Campo das Princesas,  sede do governo estadual, onde uma comissão foi recebida pelo secretário estadual de recursos hídricos e saneamento e o secretário da casa civil, onde foi entregue pelos militantes uma carta denúncia com as reivindicações das categorias e sociedade civil organizada.

Falta diálogo com o povo, sobra para os empresários

Apesar das mobilizações e denúncias que vem sendo feitas desde o anúncio da proposta de privatização do metrô e da água no estado, o governo do estado mostra-se cada vez mais irredutível, com o argumento de que “é preciso privatizar para garantir melhorias”. Raquel Lyra segue sem ouvir a população e as categorias envolvidas, insistindo com a velha política de socializar o prejuízo e privatizar o lucro.

Contra essa política antipovo, racista e reacionária, o caminho é continuar mobilizados e dialogando com a população pernambucana e contra todo esse retrocesso. Privatizar água e o metrô dos pernambucanos é roubo. Não nos calaremos.

Privatização ameaça qualidade de vida dos trabalhadores 

A Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) está sendo colocada na mira da privatização — um ataque direto à classe trabalhadora de Pernambuco. A luta por água na torneira e saneamento básico digno vem de longe e sempre esbarrou nos interesses das elites, que nunca aceitaram que o povo pobre tivesse acesso a esse direito fundamental.

Usam o argumento de que o setor privado seria mais eficiente, mas escondem que a maioria dos serviços já é terceirizada — obras, manutenção, cobrança e novas implantações já estão nas mãos de empresas privadas, que acumulam reclamações da população. Ou seja, o que querem é oficializar um modelo que já falha, mas que pode dar ainda mais lucro para poucos.

O que está por trás desse projeto é a velha lógica: usar dinheiro público para garantir lucro a empresas privadas, que ainda mandam esses lucros para fora do país. É um roubo institucionalizado, feito à custa da sede e da dignidade do povo.

Reforma Administrativa: estratégia da burguesia para facilitar privatizações

A atual contrarreforma é vendida como projeto de modernização do Estado, mas, ao invés de combater privilégios, não modifica as estruturas dos altos cargos da administração pública. Para a grande maioria dos servidores públicos a Reforma acaba com a estabilidade e impõe mecanismos de redução salarial. 

Coordenação Estadual do MLC RS


O povo brasileiro não é bobo, e nem passivo: sabe que a privatização dos serviços públicos piora a qualidade dos serviços, encarece tarifas e dificulta a vida dos trabalhadores e trabalhadoras, e por isso se mobiliza para barrá-las. É a luta do povo organizado que mantém os Correios, por exemplo, públicos: ao longo dos últimos anos, o projeto de privatização foi interrompido principalmente devido à Greve Nacional dos Trabalhadores dos Correios (2021) e dos massivos protestos de 2023, que uniram servidores, movimentos populares e centrais sindicais.

Os políticos que servem apenas aos ricos deste país não desistem de roubar o patrimônio do povo e tentam encontrar meios de precarizar as empresas públicas brasileiras através de leis que retiram direito dos servidores, facilitam terceirizações e fragilizam os vínculos de trabalho para dificultar a organização dos trabalhadores em seus sindicatos. 

Esse é o caso do texto-base da nova Reforma Administrativa do Serviço Público que foi apresentado pelo deputado bolsonarista Zé Trovão (PL-SC), com apoio de diversas entidades empresariais.

Propostas de desmonte do serviço público se aprofundam desde os governos neoliberais de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso, mas foi no governo anti-povo de Bolsonaro que a proposta se consolidou como PEC 32. Agora, ela retorna como proposição dos deputados e senadores de direita e do centrão, e conta com o apoio da base do governo Lula. No fim, o objetivo é o mesmo: acabar com conquistas do povo brasileiro consolidadas na Constituição de 1988, principalmente a garantia de serviços públicos para efetivação dos direitos sociais.

A atual contrarreforma é vendida como projeto de modernização do Estado, mas, ao invés de combater privilégios, não modifica as estruturas dos altos cargos da administração pública. Cargos de alta remuneração, como militares, generais, juízes, magistrados, parlamentares e outros, não terão suas regalias revogadas. Por outro lado, para a grande maioria dos servidores públicos, que recebem pouco e trabalham muito, a Reforma acaba com a estabilidade e impõe mecanismos de redução salarial. 

Inimigo na trincheira

Deve-se destacar que a nova proposta da Reforma Administrativa está sendo construída por membros do Congresso ligados à direita fascista e ao centrão, mas também tem encontrado apoio da base do Governo Federal.

Dando sequência à política econômica neoliberal dos governos anteriores, o atual governo Lula aposta em mudanças infraconstitucionais para atender aos desejos do setor financeiro e da burguesia através da redução dos investimentos públicos. Elementos do governo, mesmo evitando o uso da expressão “Reforma Administrativa”, já afirmavam desde 2023 que colocariam em curso um projeto de reformas infralegais através de decretos, portarias e instruções normativas, em busca da “modernização” do serviço público. 

Na verdade, os principais pontos do projeto de reforma incluem o fim da estabilidade para novos servidores, ampliação de contratos temporários e a demissão facilitada. Os novos concursados passarão a atuar sob regime “contratual”, sem garantia de permanência, e o governo terá poder para demitir servidores mais facilmente, alegando “reestruturação administrativa” ou “corte de gastos”, além da demissão por “resultado insatisfatório” baseado em parâmetros de produtividade no trabalho, ampliando a perseguição e o assédio aos servidores.

O fim do Regime Jurídico Único

A estabilidade do servidor público foi proposta na Constituição para a proteção tanto do servidor como de toda a sociedade, visando garantir a imparcialidade e a continuidade das funções e políticas públicas. O fim dessa estabilidade retira dos trabalhadores a possibilidade de denunciar, inclusive, medidas autoritárias, imorais ou ilegais de seus chefes imediatos ou superiores.

A flexibilização do Regime Jurídico Único (RJU) para o executivo significa o fim dessa estabilidade. Em 2024, o Superior Tribunal Federal (STF) formou maioria para flexibilizar o RJU, contando com os votos de ministros indicados por Lula, como Flávio Dino e Cristiano Zanin. Agora, caberá aos governos federal, estadual e municipal decidirem qual modelo de contrato de trabalho. Na prática, serão criados cargos temporários por tempo determinado ou indeterminado, inclusive por meio de indicação, ao invés de concursos públicos.

A decisão do STF é uma demonstração do compromisso dos três poderes com os interesses da burguesia capitalista: Executivo, Legislativo e Judiciário estão empenhados em fazer avançar a agenda neoliberal, o desmonte dos serviços públicos e a precarização das relações de trabalho dos servidores públicos.

O novo que já nasce velho

O “novo” projeto de Reforma Administrativa tem o mesmo objetivo de toda política anti-povo: precarizar para depois vender o patrimônio público. Quando a Reforma ataca a estabilidade dos servidores, abre espaço para perseguições, possibilita troca constante de profissionais, aumenta os contratos precários, põe em risco o compromisso com a qualidade do serviço público e, principalmente, facilita a entrega à iniciativa privada, enriquecendo ainda mais o empresariado e prejudicando quem utiliza os serviços públicos.

A privatização e a terceirização de serviços essenciais no Brasil já trouxeram aumento de preços, queda de qualidade e exclusão de populações vulneráveis. Temos exemplos em diversos setores, como energia elétrica, com aumento de tarifas e piora no atendimento; transporte, onde se mantém passagens caras mesmo com subsídio público para empresas privadas; e na área da saúde, na qual os serviços terceirizados tem alta rotatividade de funcionários e desgaste extremo dos profissionais, prejudicando atendimentos.

Ou seja, no fim, a Reforma Administrativa será apenas mais um presente à elite econômica brasileira, que odeia o serviço público na medida em que ele não é estruturado para gerar lucros a uns e outros, e sim para servir a todos e todas. 

A existência de serviços públicos gratuitos e de qualidade só será garantida através da luta contra as classes dominantes que esmagam os povos em nome de seus lucros, e é por isso que devemos nos levantar contra a Reforma Administrativa. Enquanto vivermos num sistema em que as relações de produção visam o enriquecimento das elites, sofreremos constantes ataques para cassar nossos direitos e piorar nossas condições de vida. A justiça social que desejamos só será conquistada em definitivo com o triunfo do povo trabalhador sobre a classe parasita que o explora, através da instauração da sociedade socialista.

Unidade Popular realiza 1º Encontro LGBTI+ no Rio de Janeiro

Reafirmando a necessidade de organizar e realizar a luta em defesa dos direitos dos trabalhadores LGBTI+, UP realiza 1º Encontro LGBTI+ no Rio.

Juliana Helena | Rio de Janeiro


LUTA POPULAR – Neste fim de semana, a Unidade Popular pelo Socialismo (UP) iniciou seu 1º Encontro Nacional LGBTI+, sediado no Rio de Janeiro. O evento reuniu representantes de todas as regiões do país.

O início do encontro foi marcado pela plenária de abertura que teve como participação Leo Pericles, Presidente Nacional da Unidade Popular, Bia Martins, membro da Executiva Nacional da UP, e uma aula de história das lutas da comunidade LGBTI+ durante a Ditadura Militar Fascista no Brasil (1964-1985), apresentada por Bento, membro do Diretório Estadual da UP São Paulo.

Já na parte da tarde, reunidos em grupos de trabalho, os delegados fizeram estudos das teses do último Congresso do partido e matérias do Jornal A Verdade publicadas nos últimos anos em torno de temas como saúde, educação e trabalho.

A comunidade LGBTI+ historicamente é alvo de repressões, perseguições e políticas de extermínio pelo sistema capitalista, que usa pautas morais para atacar as pessoas LGBTI+ por desafiarem as estruturas patriarcais e heterocisnormativas da sociedade.

A consequência disto é a realidade é dura para quem é LGBTI+, enfrentando desde criança as negações da sua existência, agressões, rejeição pela família, evasão escolar, dificuldade de permanecer nas universidades – quando entram – e, pelo preconceito, não encontram espaço no mercado de trabalho, ficando com os empregos mais precarizados e mais mal pagos.

Tudo isso não é por acaso, o sistema capitalista se utiliza das opressões para criar condições mais duras para parcelas do povo trabalhador, a fim de explorar mais a mão de obra, dividir a classe trabalhadora e manter sua hegemonia de poder. A LGBTfobia serve para manter os baixos salários, os subempregos e uma grande massa de pessoas desempregadas, principalmente trans, que muitas vezes são jogadas na prostituição.

Defesa da luta anti-imperialista e contra o genocídio do povo palestino

O Encontro também foi marcado por um intenso debate sobre a exploração imperialista dos povos do mundo e de como o capitalismo tenta cooptar o movimento LGBTI+ para defender suas pautas.

Hoje, as principais vítimas dessa política oportunista são os palestinos, que além do genocídio, sofrem uma intensa campanha midiática de desinformação patrocinada por organizações sionistas no Brasil e no mundo, onde coloca o povo palestino como lgbtfóbico. Durante o Encontro foi reafirmado a necessidade de se defender a luta pela libertação da Palestino e uma luta contra a propaganda burguesa que busca justificar o genocídio cometido pelo regime nazi-sionista de Israel

A cooptação da pauta LGBTI+ pelo liberalismo burguês, faz com que se acredite que a luta da comunidade é apenas pelo direito de amar, desde que se assimilando às formas heterocisnormativas de se relacionar- e uma vez solucionadas essas questões no sistema legal burguês, os problemas da comunidade estarão resolvidos.

Organizar os trabalhadores LGBTI+

É impossível debater a luta LGBTI+ sem falar das pautas da classe trabalhadora, da luta de classes. Ao contrário do que a mídia burguesa quer nos convencer, a comunidade LGBTI+ tem um histórico de luta popular organizada que pauta debates e arrasta multidões para as ruas na luta unificada contra a repressão, exploração e pelo poder popular. Precisamos conhecer nossa história e tomar como exemplo o legado que luta que temos na nossa comunidade e dar continuidade consequente à essas lutas.

Os LGBTI+ nunca terão direito pleno de amar enquanto estiverem passando fome, sem acesso à políticas de saúde pública especializadas, presos em empregos precarizados que não chegam nem ao piso salarial legalizado, invisibilizados na sociedade e sendo massivamente jogados na informalidade, quando não à prostituição, como é o cenário atual de pelo menos 60% das mulheres trans e travestis do nosso país.

É preciso pautar o debate por políticas públicas que criem condições materiais de emancipação da comunidade LGBTI+, da criação de espaços populares de acolhimento, organização e conscientização das pautas e lutas dos trabalhadores LGBTI+.

Por isso, a Unidade Popular pelo Socialismo reconhece a importância de organizar essa comunidade na frente ofensiva de luta pelos seus direitos e na construção de uma sociedade mais justa através do poder popular: a sociedade socialista.

29º Seminário Internacional sobre Problemas da Revolução na América Latina reafirma a luta do povo palestino

Reunindo organizações revolucionárias de várias partes do mundo em Quito, Seminário Internacional sobre Problemas da Revolução na América Latina (SIPRAL) denunciou o genocídio do povo palestino.

Claudiane Lopes | Quito (Equador)


INTERNACIONAL – Organizado pelo Partido Comunista Marxista-Leninista do Equador (PCMLE) e pela Juventude Revolucionária do Equador (JRE), ocorreu o 29º Seminário Internacional sobre Problemas da Revolução na América Latina (SIPRAL), realizado em Quito nos dias 31 de julho e 1 e 2 de agosto de 2024 na Universidade Central do Equador, com tema: “As mudanças na Geopolítica Internacional”.

Estiveram presentes representantes de organizações políticos da Argentina, Alemanha, Brasil, Colômbia, Equador, Finlândia, México, Peru e República Dominicana. Todos eles apresentaram suas teses a cerca na conjuntura atual. Além disso, tiveram participação de diversas organizações estudantil, sindicais, populares e culturais. O evento também proporcionou as comemorações dos 61 anos do PCMLE.

Segundo Patrício Aldaz, porta voz do PCMLE, “há 29 anos realizamos este seminário, que já é vitorioso. Pois é uma tarefa da Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas leninistas (CIPOML). Mas também é um compromisso dos Partidos Comunistas que participam. O capitalismo é um sistema em movimento, mas não tem movimento harmônico, é um movimento que aumenta a exploração da classe trabalhadora. Estudá-lo é importante para os revolucionários. Esse seminário aponta isso”.

Do Brasil, participaram o Partido Comunista Revolucionário (PCR), a Unidade Popular (UP) e a União da Juventude Rebelião (UJR) com uma delegação que contribuiu muito com os debates e deliberações.

Nos três dias de seminário o debate cocluiu que vivemos um momento de avanço do imperialismo com realização de guerras com objetivo de se apoderar das riquezas naturais dos países ocupados, do aumento dos orçamentos militares dos principais países imperialistas numa clara preparação de uma futura 3 guerra mundial. Exemplo disso é a situação do povo palestino, onde da 70 mil pessoas assassinadas em Gaza, 17.000 eram crianças. Este é o número brutal de mortes causadas pelo governo israelense desde 7 de outubro de 2023. Apesar do massacre, a juventude e o povo palestino continuam resistindo. Eles se manifestam, se defendem e sobrevivem nas condições desumanas impostas pela ocupação nazi-sionista.

29º SIPRAL, em Quito, Equador. Foto: JAV

O Brasil apresentou no painel a tese sobre os crimes que ocorre contra o povo palestino. Thiago Santos, da direção do Partido Comunista Revolucionário (PCR) declarou que “o objetivo dessa carnificina em Gaza é tomar posse do território palestino e de suas riquezas, anexá-lo para formar o Grande Estado de Israel e, como prova os covardes ataques ao Irã, assumir o total controle do Oriente Médio, uma das regiões mais ricas em petróleo do mundo e estratégica do ponto de vista econômico e militar, principalmente diante da iminência de uma nova guerra mundial. Ademais, a palestina é uma nação rica. Sua terra é fértil e é responsável pela produção de parte dos alimentos consumidos pela população de Israel. Estudos realizados pela ONU concluíram existir petróleo e gás natural na faixa de Gaza que explorados poderiam significar cerca de US$ 524 bilhões.”

Para deter este genocídio, é fundamental promover uma solidariedade concreta e efetiva com o povo palestino em todos os países, intensificando as manifestações e atos de apoio, e exigindo aos governos a ruptura de relações comerciais com o Estado nazi-sionista de Israel.

O enceramento aprovou uma Declaração Final que denunciou as guerras imperialistas, como as guerras na Palestina e Ucrânia. Em especial, o genocídio ao povo palestino, onde milhares de seres humanos estão sendo dizimados as custas da ganância da capitalista no mundo. Além disso, denunciou os planos imperialistas para aprofundar a exploração sobre a América Latina, ressalta as diversas manifestações de luta e resistência dos povos contra essas medidas e convoca os revolucionários a lutar para derrotar o fascismo em nosso continente. Dessa maneira, foi aprovado o dia 29 de novembro, como dia internacional de lutas em defesa do povo palestino. 

1º de agosto: por um Brasil Soberano e Socialista

Estar ali não foi apenas um compromisso político, foi também um ato de amor profundo ao nosso povo. Marchou comigo o legado do meu primo, Welfesom Campos, jovem revolucionário, filho de ribeirinhos da Amazônia Limoeirense, estudante da UFPA, que carregava nos ombros o sonho de uma universidade plural, pública e acessível.

Professor Benyelson Campos* | Belém – PA


Sexta, 1º de agosto, caminhei ao lado de companheiras e companheiros pelas ruas de Belém do Pará. Foi mais que um ato. Foi um grito coletivo, insurgente, que ecoou contra todas as formas de opressão e entrega do nosso país. Marchamos pela soberania do Brasil, contra o tarifaço imperialista de Donald Trump, contra os pseudopatriotas do bolsonarismo e sua política de destruição, contra a desumana escala 6×1, e em defesa da dignidade da classe trabalhadora.

Estar ali não foi apenas um compromisso político, foi também um ato de amor profundo ao nosso povo. Senti o calor da luta vibrar em cada canto da cidade, vi nos olhos da juventude e da classe trabalhadora a esperança viva por um país justo, popular, soberano. E nesse calor, a memória também marchou conosco.

Marchou comigo o legado do meu primo, Welfesom Campos, jovem revolucionário, filho de ribeirinhos da Amazônia Limoeirense, estudante da UFPA, que carregava nos ombros o sonho de uma universidade plural, pública e acessível. Welfesom acreditava que outro Brasil era possível – e necessário. Ao lado dele, também vivem em nossa luta os nomes de Ana Letícia e Leandro, combatentes do povo, que partiram cedo demais, mas deixaram sementes que hoje florescem em cada ato, em cada punho cerrado.

A Unidade Popular representa isso: a continuidade da luta histórica da classe trabalhadora brasileira, que se recusa a aceitar migalhas. Somos aqueles e aquelas que não se vendem, que não se calam, que não se curvam. Estamos aqui para construir uma nova sociedade – uma Sociedade Socialista Brasileira, onde o povo governe, onde a vida seja plena, onde o trabalho valha mais que o lucro.

Marchamos, sim. E nós vamos sorrir!
Sorriremos não por negação da dor, mas porque resistimos.
Sorriremos por cada memória que se transforma em bandeira.
Sorriremos porque somos uma força incansável.
Somos a esperança organizada. Somos a UP.

Enquanto houver injustiça, estaremos nas ruas.
Enquanto houver opressão, não calaremos.
Por Welfesom. Por Ana. Por Leandro. Por todos os que sonham.

Viva a luta popular! Viva a juventude consciente! Viva o socialismo brasileiro!

*Pedagogo/UFPA – Especialista em Currículo e Prática Docente/UFPI

Cotas individuais do Jornal A Verdade: a prática sistemática e contínua de todo comunista

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A história nos mostra que nas revoluções socialistas ocorridas por todo mundo, o jornal foi essencial no processo revolucionário. Não devemos tratar as cotas individuais como uma obrigação ou imposição. A pergunta que vem à tona é: usamos as nossas cotas individuais como uma expansão de nossa atuação política?

Diego Barbosa | Unidade Popular PR


OPINIÃO – A história nos mostra que nas revoluções socialistas ocorridas por todo mundo, o jornal foi essencial no processo revolucionário. Vladmir Lenin, nos primeiros anos do século XX, indicou a necessidade da criação de um jornal, ao afirmar que: “O jornal não é só um propagandista coletivo, senão também um organizador coletivo” (Por Onde Começar, 1901). E foi a partir da circulação do jornal Pravda que o Partido Bolchevique organizou os operários e camponeses russos e construiu a revolução proletária em outubro de 1917.

Como militantes da Unidade Popular, reconhecemos a importância das brigadas do Jornal A Verdade, tanto na Brigada Nacional, quanto nas brigadas extras. Devemos atuar e intervir na política dos espaços que alcançamos com o jornal a fim de organizar a classe trabalhadora e despertar sua consciência de classe.

Essa relação com nosso jornal gera confiança da classe trabalhadora em nosso partido, pois, o jornal se torna a fonte de informação mais confiável em meio à luta de classes.

Como anda a nossa relação com a nossas cotas individuais?

No artigo Avançar na nossa relação com o Jornal, encontramos qual deve ser o melhor encaminhamento para as cotas individuais: “Um livro de poesia na gaveta não adianta nada, lugar de poesia é na calçada. Ninguém pode viver uma vida inteira ou mesmo um dia sem entrar em contato com outra pessoa. Então como é possível que, a cada quinzena, camaradas não consigam encontrar ao menos cinco pessoas para vender a sua cota?

É preciso repensar nossa rotina, pois isso dificulta não só a venda do jornal, mas também a nossa saúde mental, nossas emoções e nossa consciência coletiva. Precisamos encontrar amigos, familiares, colegas de trabalho, ou mesmo uma pessoa que puxa assunto na rua, e vê-la como alguém que precisa saber da luta por um mundo melhor.”

Não devemos tratar as cotas individuais como uma obrigação ou imposição. A pergunta que vem à tona é: usamos as nossas cotas individuais como uma expansão de nossa atuação política?

Che Guevara sempre defendeu a ideia de uma transformação do ser humano ao longo da construção do socialismo e transição ao comunismo. Essa atitude não é inédita, pois Marx e Engels já a haviam registrado no Manifesto do Partido Comunista.

No entanto, Che a desenvolveu ao longo de toda sua vida revolucionária. Dois exemplos dos escritos de Che estão em sua obra “O Socialismo e o homem em Cuba”, na qual ele escreve: “Para construir o comunismo, paralelamente à base material tem que se fazer um homem novo” e “Na atitude dos nossos combatentes visualizava-se o homem do futuro”.

Estamos constantemente realizando as brigadas de nossos jornais com o objetivo principal de despertar a consciências de classes de nosso povo. Esse despertar inclui, nos entendermos como classe e não apenas como indivíduo. A partir do momento que o trabalhador se enxerga como classe trabalhadora, começa o processo da formação do novo ser humano. Este novo ser deve ser dotado de um ideal coletivo, de construção de uma sociedade igualitária, justa e democrática. Uma sociedade na qual o fruto do trabalho é domínio de todos aqueles que trabalham e que ajudam na construção desta.

A disciplina bolchevique como boa prática

Para ser um bom militante, devemos militar. Para sermos um bom brigadista, devemos fazer mais brigadas. Para ter uma boa relação com as massas, devemos estar com as massas todos os dias. O secretário geral do COMINTERN, Georgi Dimitrov, cita:

“O verdadeiro revolucionário, o verdadeiro dirigente proletário, forma-se no fogo da luta de classes e na assimilação da doutrina marxista-leninista … Não basta saber o que fazer, é preciso ter coragem de lavá-lo a cabo, estar sempre pronto para fazer, por qualquer preço, tudo o que possa realmente servir à classe operária, ser capaz de subordinar toda a sua vida aos interesses do proletariado e de seu partido marxista-leninista”.

Todas essas tarefas necessitam de dedicação, destinar nossas energias e tempo para o objetivo maior, que é a libertação de todo o nosso povo da exploração burguesa, por meio da construção de nossa revolução.

Da mesma forma, só podemos aumentar nossos jornais de cotas individuais, se estamos sempre nos esforçando para alcançarmos mais pessoas nos nossos círculos sociais. Uma citação de Diógenes Arruda (militante comunista e preso político na ditadura) exemplifica muito bem como deve ser a nossa prática. “Ser comunista é uma conduta de vida. E não apenas num momento, numa tarefa ou num combate, mas em todos os momentos, em todas as tarefas e em todos os combates”.

O que significa ser comunista

Ou seja, devemos ser comunistas todos os dias, não somente quando estamos numa brigada, num ato ou numa reunião. Ser comunista todos os dias, neste caso, é estar levando o despertar da consciência de classes a todos em nossa volta. Estarmos sempre com jornais em mãos é a possibilidade de abordar outro trabalhador que cruze o nosso caminho. Pois, por muitas vezes deparamos no comércio, no ônibus, com motoristas e entregadores de aplicativo etc. com questões de exploração que são abordadas no jornal A Verdade. São estes os momentos que devemos ser comunistas também.

As pessoas que adquirem nossas cotas individuais com determinada constância, são aquelas que tem confiança no jornal, que entendem que ele reflete os anseios e interesses da classe trabalhadora. Essas também são pessoas que devem ser disputadas para se organizarem em nossas fileiras. O trabalho diário e constante é uma das características principais da militância comunista, recrutar novos camaradas faz parte da tarefa do comunista. E sempre que recrutado um camarada, um novo deve ser alcançado, e nada melhor do que a cota individual para fazer essa nova conexão.

Portanto, adquirir, distribuir e expandir o número de jornais de nossas cotas individuais é uma tarefa revolucionária. Pois, ser revolucionário é ser comunista todos os dias e sermos comunistas todos os dias é estarmos sempre buscando o despertar da coincidência de classe e a organização da classe trabalhadora em prol da revolução socialista.

Camaradas, jornal é o nosso melhor panfleto, é a ferramenta mais poderosa para despertarmos a consciência de classe e organizar o nosso povo. Devemos ter nossas cotas individuais em mãos a todo momento, pois, todos os dias encontramos um trabalhador que sofre e busca por esperança. Façamos de nosso jornal, todos os dias, o farol da esperança!

Ibaneis Rocha (MDB) causa desastre nas carreiras da assistência social no DF

O governador Ibaneis (MDB) desrespeita e desvaloriza os servidores da carreira ao impor condições degradantes de trabalho. A estrutura das unidades é intensamente precária: o mobiliário é antigo, com cadeiras de segunda ou terceira mão que acabam por originar problemas de saúde.

Movimento Olga Benario e MLC | Brasília (DF)


TRABALHADOR UNIDO – No Distrito Federal, a execução dos serviços de assistência social previstos na Constituição e regulamentados pela LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social) é realizada por agentes públicos pertencentes à Carreira Pública de Desenvolvimento e Assistência Social que, através das Secretarias de Desenvolvimento Social, Mulheres, e Justiça, do GDF, buscam garantir proteção social aos cidadãos e cidadãs em situações de vulnerabilidade e risco social.

A maior parte desses servidores está concentrada na Secretaria de Assistência Social, cuja estrutura é composta pelos Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e Centros Pop, dentre outros equipamentos. É no CRAS, por exemplo, que é realizada a inscrição no Cadastro Único e solicitado o Prato Cheio, benefício que visa atenuar a insegurança alimentar e nutricional enfrentada por inúmeras famílias brasilienses.

A importância da carreira se reflete em dados concretos: desde 2019, são contabilizados anualmente mais de 1 milhão de atendimentos socioassistenciais à população do DF, tornando a categoria uma das mais imprescindíveis no dia a dia do brasiliense.

No entanto, o governador Ibaneis (MDB) desrespeita e desvaloriza os servidores da carreira ao impor condições degradantes de trabalho. A estrutura das unidades é intensamente precária: o mobiliário é antigo, com cadeiras de segunda ou terceira mão que acabam por originar problemas de saúde, como dores crônicas na coluna; o sistema de iluminação é de péssima qualidade, obrigando os trabalhadores a escolher entre permanecer no escuro ou sob luzes que piscam incessantemente, provocando fadiga visual e enxaquecas; do mesmo modo, em ocasiões em que ocorre uma dedetização ou há interrupção no fornecimento de água, o servidor é pressionado a continuar trabalhando.

Porém, as más condições do ambiente de trabalho constituem apenas parte de um problema mais amplo. Sabemos que o acirramento das contradições capitalistas cada dia piora a condição de vida do nosso povo, o que consequentemente pressiona mais e mais a Assistência Social. No entanto, o número de trabalhadores para absorver esta crescente demanda é baixíssimo.

Atualmente, a carreira opera com 36,45% de sua capacidade. São 2005 servidores para atender mais de 1,5 milhão de cidadãos que recebem seus serviços. Infelizmente, desesperada devido à fome e à carestia, a população muitas vezes vê no servidor público um inimigo, xingando-o, ameaçando-o e inclusive agredindo-o fisicamente. De fato, os episódios de violência têm se tornado cada vez mais frequentes, e a falta de um protocolo de segurança por parte do governo transforma as unidades da Assistência Social em ambientes de trabalho altamente adoecedores.

É necessário, contudo, enfatizar que este caos é projeto governamental. A precarização dos trabalhadores da Assistência Social, bem como a escassez de vagas para atendimento, a morosidade para liberação dos benefícios, insuficiência dos valores recebidos pela população e vários outros problemas são estratégias calculadas em prol de um desmonte dessa política pública. Enquanto isso, o governador Ibaneis apresenta como solução as parcerias com organizações da sociedade civil, que não passam de uma armadilha para terceirizar atividades públicas ao setor privado, aprofundando a fragilização dos direitos e a qualidade do serviço prestado.

O Sindicato dos Servidores e Empregados da Assistência Social e Cultural do GDF (SINDSASC), que há muito reivindica um concurso para a recomposição dos quadros, se opõe efusivamente à terceirização da categoria. Ainda que o Sindicato tenham chegado a um acordo com o governo distrital pelo fim da greve realizada em 2023, uma das propostas acordadas, justamente a de realização de um novo concurso para a carreira, nunca saiu do papel. Está mais do que claro que o governador Ibaneis Rocha, um dos 10 políticos mais ricos do país (com patrimônio declarado ao TSE no valor de R$78,9 milhões), não se preocupa com os servidores e empregados da Assistência Social, sucessivamente sucateados pela sua Gestão, muito menos com os assistidos, agredidos pela falta de acesso à dignidade e ao mínimo existencial.

Por isso, convidamos a todos para que compareçam à Assembleia Sindical e Popular convocada pelo SINDSASC no dia 05 de agosto, que tem como objetivo denunciar o desmonte das políticas públicas e lutar por mais segurança e por melhores condições de trabalho.