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sábado, 11 de abril de 2026
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Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos realiza audiência pública no Recife

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Uma série de atividades marcaram a retomada da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) entre os dias 11 e 14 de fevereiro, no Recife. Ligada ao Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, a Comissão retomou suas atividades públicas, após ter sido extinta pelo governo Bolsonaro em 2022.

Clóvis Maia | Redação Pernambuco


Uma das últimas ações tomadas pelo governo do fascista Jair Bolsonaro foi extinguir a Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), criada em 1995. Recriada em julho de 2024, depois de muita pressão da Coalizão Nacional Brasil por Memória, Verdade, Justiça, Reparação e Democracia, dos Comitês de luta por memória, verdade e justiça, e da Comissão Nacional de Familiares de Mortos e Desaparecidos Politicos, a Comissão realizou no Recife entre os dias 11 e 14 de fevereiro uma concorrida sessão pública.

Entre as atividades da Comissão, tivemos uma diligência em três cemitérios do Recife (Cemitério da Várzea, de Santo Amaro e Parque as Flores) com o objetivo de levantar dados sobre os desaparecidos políticos enterrados de forma clandestina nesses locais. Na ocasião, acompanharam a diligência Amparo Araújo do Comitê Memória, Verdade, Justiça, reparação e Democracia de Pernambuco e Marcelo Santa Cruz, representando a Secretaria de Direitos Humanos do Recife, ambos militantes históricos pelo direito à memória, à verdade e à justiça no estado de Pernambuco.

A CEMDP também fez uma visita à sede do Memorial da Democracia em Pernambuco, no bairro de Casa Amarela, onde se encontra o acervo da Comissão da Verdade Dom Helder Câmara de Pernambuco, além da audiência pública sobre memória, Verdade, Justiça e Reparação, no auditório Fernando Santa Cruz, na sede da OAB-PE, dia 13/02. No final da sessão, Eugênia Gonzaga, presidenta da CEMDP, convidou a todos e todas para o ato inaugural do busto de Soledade Barret Vieram, ao lado do Monumento Tortura Nunca Mais, na rua da Aurora, em homenagem à militante comunista paraguaia, assassinada pela ditadura militar fascista, em janeiro de 1973.

Audiência pública resgata a necessidade da construção da justiça de transição em nosso país

O mais importante momento da agenda da Comissão em Pernambuco foi a audiência pública realizada no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE). Falando sobre a importância da escolha de Recife para a retomada das atividades públicas da Comissão, Eugênia Gonzaga, presidenta da comissão afirmou que “Em agosto do ano passado, a comissão praticamente não tinha verbas para sair a campo. Todas as resoluções, todas as portarias que embasavam nossas diligências, elas tinham sido revogadas pelo governo Bolsonaro. Então foi um período burocrático de tentar reerguer aquilo que foi reconstituído. E por que Pernambuco? Porque nós sabemos que o número de desaparecidos e mortos, proporcionalmente ao tamanho do Estado, é o maior do país.”

“Nós temos documentado 51 pessoas de algum modo relacionadas a Pernambuco, que nasceram aqui e desapareceram, morreram em outro estado, ou que nasceram em outro estado e morreram ou desapareceram aqui. Além disso, nós temos esses relatos desses cemitérios que tiveram suas valas comuns. E Recife tem uma militância forte, aqui as pessoas são muito bem organizadas e tem muitos espaços de memória, então nós fizemos questão de iniciar por Recife, por essa importância do tema que é dado aqui, tanto pela população, pela sociedade civil e pelas autoridades”, complementa.

Ao facultar a palavra para o público presente, a presidenta do Comitê Estadual da Verdade do Rio Grande do Norte (CEV-RN), Jana Sá, cujo o pai, foi guerilheiro no Araguaia e morto, no Rio Grande do Norte, em 1990, sob circunstâncias ainda não esclarecidas pela justiça, protocolou uma petição para que o caso de seu pai seja também investigado pela Comissão.

Falando ao jornal A Verdade, sua filha, Ana Beatriz de Sá, que é integrante do CEV-RN, representante do movimento de Filhos e Netos de ex-presos políticos e militante da UJR, declarou que “a audiência foi muito importante não só para os familiares dos mortos e desaparecidos políticos da ditadura militar fascista, mas também representou um avanço importante para toda a sociedade brasileira. Nesta conjuntura atual, é muito importante erguer a bandeira da luta por memória, verdade e justiça e pela prisão dr Bolsonaro e os generais golpistas de 1964 e de 2023. A gente precisa, na verdade, relembrar a memória dos nossos lutadores, que a gente precisa reativar a memória popular do que foi a ditadura militar no nosso país, do que foi a exploração do nosso povo durante esse período, que o nosso povo tem memória, e além disso que é preciso a gente dizer que a saída para a gente poder, de fato, ter uma sociedade sem exploração, para a gente ter uma sociedade em que lutar não seja crime, a gente precisa construir o socialismo como alternativa”.

Garantir o debate sobre memória, verdade, justiça e reparação

Para o Jornal A Verdade, Amparo Araújo, do Comitê Memória, Verdade e Justiça de Pernambuco, falou dos desafios que a Comissão vai ter nos próximos momentos. Para ela, “a principal tarefa da Comissão é continuar a busca pela verdade, pela justiça e pela garantia da democracia. E para quem sabe um dia esse país possa vir a ser uma nação. É como eu sempre digo, a luta pelos direitos humanos é feita de pequenas vitórias e grandes retrocessos. Houve um compromisso de campanha de que ela seria reinstalada logo em seguida da posse do governo Lula. Entretanto, houve muitas pressões por parte dos militares e a gente só conseguiu reinstalar após muita pressão dos movimentos sociais e por uma sentença do Superior Tribunal Federal, quando ela foi reinstalada em agosto de 2024. Desde então a comissão estava funcionando, mas de forma muito precária, porque não tinha nem estrutura. Essa reunião aqui em Pernambuco, com esse novo levantamento que está sendo feito a partir dos livros de registro dos cemitérios é um avanço que vai servir, inclusive, para ajudar na retificação dos atestados de óbito, mas, sobretudo, para que possa se corrigir os procedimentos que hoje estão sendo utilizados pelas administrações de cemitérios, tanto públicos quanto privados, para que não se perca os registros dessas pessoas que deixaram de existir, mas que existiram e tiveram sua importância ou histórica ou afetiva. Isso não pode se perder no tempo. É um desrespeito jogar as ossadas fora com dois anos e um dia, caso a família não tenha tido condições de identificar ou de pagar pelo procedimento para uma guarda definitiva”.

Entre as reivindicações da sociedade civil organizada e dos movimentos sociais estão a mudança de nomes de praças públicas com nomes de ditadores, renomeação de escolas públicas e investigações de outras pessoas que foram atingidas pelo regime e que até hoje ainda não tiveram seus casos, julgados. Ainda há muito que se fazer quando se trata da justiça de transição em nosso país.

Moradores do Jardim Pantanal fazem ato contra ameaça de despejo

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No sábado (15/2), a população do Jardim Pantanal se manifestou em defesa de suas moradias, com o apoio do MLB e da UP. As famílias do bairro rejeitam a proposta de remoção com indenização baixíssima, apresentada pela prefeitura do fascista Ricardo Nunes após as enchentes

Gabriel Zerbinato | São Paulo (SP)


As famílias do Jardim Pantanal, bairro da Zona Leste de São Paulo, realizaram neste sábado (15/2), um protesto contra o completo abandono do governo e da prefeitura frente às enchentes que têm destruído os seus lares. A situação ficou ainda mais crítica quando o prefeito Ricardo Nunes (MDB) expressou, no começo do mês, a intenção de expulsar os moradores mediante um pagamento ínfimo de até R$50 mil.

O bairro, que nasceu na década de 1980 às margens do Rio Tietê e hoje abriga cerca de 45 mil trabalhadores, historicamente carece de obras públicas que impeçam alagamentos como os deste ano, e o povo se diz cansado de ver essas cenas se repetindo através das gerações. “Mudei para cá em 1991 com meus quatro filhos pequenos. Criei eles aqui com muito sofrimento. Foram muitas enchentes, era sempre um mar de água, perdíamos tudo para a água. Até agora não vimos melhora”, relatou a moradora Fernanda ao jornal A Verdade, que esteve presente no protesto.

Por sua vez, se identificando com a manifestação enquanto ela passava pelas ruas do bairro, a moradora Rosa Maria declarou: “Quando eu vim para cá, nem sabia que existia pantanal, era tudo mato. É o seguinte: se estamos aqui, se construímos nossas casas, não vamos aceitar R$50 mil como estão propondo para sair daqui. Com esse dinheiro não dá nem para comprar um pedacinho de terra para fazer um banheiro. Temos que ir à luta, porque mesmo saindo daqui você vai achar enchente em tudo quanto é lugar. Melhoria eu não vejo ainda, e por isso mesmo não podemos deixar tirar ninguém daqui”.

Moradores devem decidir

Esse quadro demonstra a falsidade do discurso do prefeito Ricardo Nunes, que alega que as enchentes são um fenômeno natural recente, e por isso não seriam controláveis nem podem ser prevenidas. Na realidade, a recusa de implementar medidas de prevenção contra os alagamentos na região e ainda propor a expulsão de uma comunidade inteira se mostra uma escolha política da gestão do fascista Nunes. Por isso, os moradores exigem ser ouvidos e estar à frente de qualquer processo de urbanização que ocorra na região.

A Unidade Popular (UP) e o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) tiveram uma participação massiva na manifestação, somando-se à luta coletiva dos moradores em defesa da moradia digna. Léo Péricles, presidente nacional da UP, esteve presente e ressaltou a importância do protagonismo do povo na urbanização do Jardim Pantanal.

“É um absurdo a cidade mais rica da América Latina largar milhares de pessoas à sua própria sorte como estamos vendo aqui. No bairro dos ricos não ouvimos falar de alagamento, de lares destruídos, porque o prefeito governa para essa meia dúzia de ricos que mandam nele. A urbanização daqui dessa comunidade deve ser feita, com certeza o povo vai conquistar, mas deve ser feita com a opinião dos moradores. O povo não deve mais ficar pedindo, deve exigir”, disse Léo Péricles.

O jornal A Verdade também ouviu Manoel Pereira, morador do bairro e militante do MLB, que sintetizou a importância da mobilização ocorrida no dia e a luta por moradia nos bairros em geral: “Sou operário e moro aqui no Jardim Pantanal desde 1991. Foi a situação de exploração que vivemos enquanto trabalhadores que nos levou a ocupar essas terras na margem do rio, e o poder público nunca se interessou em resolver o problema de moradia daqui. Por isso manifestações como essa são necessárias para conscientizar os moradores que foram afetados e caminhar, com o povo à frente, para a solução definitiva, que é a construção do poder popular e do socialismo”.

Compesa: movimentos sociais organizam plenária em Recife contra a privatização

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A plenária conjunta convocada por movimentos sociais contou com diversas entidades e organizações para traçar um plano de luta contra a privatização da Compesa, empresa que administra os serviços públicos de saneamento básico e abastecimento de água em todo o estado.

Clóvis Maia | Redação Pernambuco


BRASIL – Na noite do dia 10 de fevereiro a Unidade Popular em Pernambuco e o PSOL realizaram uma plenária aberta junto ao Sindicato dos Urbanitários de Pernambuco (SINDURB-PE) para discutir encaminhamentos e organizar o enfrentamento ao projeto da governadora, Raquel Lyra (PSDB) de privatização da água no Estado de Pernambuco. Na ocasião participaram também representantes do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), Rede Sustentabilidade e a deputada estadual Dani Portela.

Pernambuco na contramão

Seguindo a cartilha da extrema direita, como Cláudio Castro (PL-RJ) e Tarcísio de Freitas (Republicanos- SP), a governadora de Pernambuco propôs privatizar a água, indo na contramão do mundo.

O Relatório do SINDURB-PE aponta que só entre os anos 2000 e 2019, 312 cidades, em 37 países, reestatizaram seus serviços de tratamento e esgoto, justamente após a falência escancarada do serviço privatizado que, além de aumentar as contas, não resolve o problema de abastecimento para os locais mais carentes. E ainda causaram problemas ambientais, de saúde e econômicos.

Alemanha, França, Bolívia, Argentina, Equador, Venezuela, Honduras e Jamaica estão entre os países que retornaram para o controle publico esse serviço tão essencial. No projeto de privatização em Pernambuco, o chamado PPP, o setor privado vai deixar os serviços mais pesados, como captação e tratamento de água, para o setor público enquanto administra os lucros.

Outra ameaça é a extinção de programas como a Tarifa Social, que já sofreu um aumento no fim do ano passado e dos caminhões-pipa, que hoje são mantidos exclusivamente pela COMPESA.

Outra contradição é o apoio do governo federal, por meio do BNDES, além do PAC 3, ter anunciado um investimento de R$3,9 bilhões para obras com a água e R$2,2 bilhões para o tratamento de esgoto. Vale lembrar que a empresa está longe de qualquer tipo de dificuldade financeira, ou seja, o que está em jogo é o lucro pelo lucro.

Disposição para lutar

A plenária contou com a disposição da militância para barrar o processo de privatização em Pernambuco. Seguindo o exemplo das lutas em defesa da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP), as organizações presentes se comprometeram a continuar nas ruas, mobilizando o povo das periferias e dos bairros populares, para denunciar mais esse golpe que atinge diretamente os mais pobres e a maioria da população nas quatro regiões do Estado. Privatizar a Compesa é roubo!”

Estudantes da USP protestam contra interdição da Sala Lilás Janaína Bezerra Vive

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A Sala Lilás Janaína Bezerra Vive, espaço criado para acolher mulheres em situação de violência na universidade, sofreu interdição de forma arbitrária pela Guarda Universitária e a diretoria da Escola Politécnica da USP.

Movimento de Mulheres Olga Benario


Na manhã desta segunda-feira (17/02), a Sala Lilás Janaína Bezerra Vive, espaço de acolhimento de mulheres vítimas de violência, foi interditada pela Guarda Universitária da Universidade de São Paulo (USP). Localizada no Campus Butantã, esta ocupação do Movimento de Mulheres Olga Benario foi criada para denunciar a falta de políticas efetivas da reitoria para enfrentar o crescente problema da violência de gênero na USP.

A Sala Lilás vinha sofrendo com uma série de notificações extrajudiciais por parte da Diretoria da Escola Politécnica e uma ameaça de despejo para o dia 13 de fevereiro.

Atualmente, a USP possui medidas insuficientes de acolhimento às vítimas de violência de gênero. Há casos de recusa quando chamada a tomar medidas legais cabíveis a estupradores de alunas da universidade, mesmo que elas possuam medidas protetivas contra esses criminosos.

A ocupação reivindica um espaço físico de acolhimento de pessoas que foram vítimas de violência de gênero na USP e um novo protocolo de denúncias elaborado em conjunto com as estudantes.

A partir das notificações, o Movimento de Mulheres Olga Benario compareceu a uma reunião com a Diretoria da Escola Politécnica, que inicialmente tinha se mostrado aberta à uma negociação. Contudo, em uma segunda reunião com a Diretoria e a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), representantes do órgão compararam  ocupação com a violência de um crime de estupro.

Após a interdição da Sala Lilás, houve uma terceira reunião. Em tentativa de intimidar as militantes, a PRIP e a Reitoria foram racistas com uma delas e  chamaram o Movimento de Mulheres Olga Benario de misógino.

Não é a primeira vez que ridicularizam o movimento: nas notificações extra judiciais recebidas  nos intitularam de “Coletivo preocupado com a segurança das mulheres do campus.”

A violência sexual é uma realidade da USP e de diversas universidades em todo o país. “Já recebíamos várias denúncias e pedidos de ajuda das estudantes da USP antes de construir a sala Lilás. Por isso, levamos à direção da Universidade a demanda de um centro de referência para acolher as estudantes e trabalhadoras “, afirma Naomi Asato, do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Ela acrescenta: “A USP ignora essa violência! As medidas protetivas das estudantes contra os estudantes não são respeitadas! E mesmo com R$8,6 bilhões em caixa, a USP não destina orçamento para a contratação de uma equipe técnica especializada”.

Diante da interdição do espaço, os estudantes da USP realizaram um ato que contou com a presença de diversos centros e diretórios acadêmicos na própria segunda-feira (17/2).

Diversas entidades estudantis demonstraram sua indignação com essa medida reacionária de interdição do espaço. Entre as que participaram do ato em protesto à ação, estiveram: Centro Moraes Rego (CMR), de Engenharia de Minas, Materiais, Petróleo, Metalúrgica e Nuclear; Centro Acadêmico Visconde de Cariu (CAVC), da Faculdade de Economia, Administracão e Atuária; Centro Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários – Suely Yumiko Kanayama (CAELL), da Letras; Centro Universitário de Pesquisa e Estudo Social – Ísis Dias de Oliveira (CeUPES), da Ciências Sociais; Centro Acadêmico do Instituto de Física (CEFISMA); Centro Acadêmico Guimarães Rosa (GUIMA), de Relações Internacionais; Centro Acadêmico de Farmácia e Bioquímica (CAFB); Centro Acadêmico Professor Paulo Freire (CAPPF), da Faculdade de Educação; Levante Indígena; Centro Acadêmico Lupe Cotrim (CALC), da Escola de Comunicação de Artes; Grêmio Politécnico, da Escola de Engenharia Politécnica; além da Associação de Moradores do CRUSP (AMORCRUSP) e do DCE Livre da USP.

Entidades participam de ato em defesa da Sala Lilás (Foto: Guilherme Farpa)
Quem foi Janaína Bezerra?

Janaína Bezerra era uma caloura de Jornalismo da Universidade Federal do Piauí (UFPI) que foi vítima de estupro seguido de feminicídio. Somente dois anos após o assassinato, dois dias após a ocupação ter se tornado pública, é que o feminicida de Janaína foi expulso da UFPI, no que os movimentos de mulheres definem como uma vitória da luta de todas as estudantes por memória, verdade e justiça.

Ao reprimir a Sala Janaína Bezerra Vive, o Movimento de Mulheres Olga Benario denuncia que a Universidade de São Paulo agiu de forma misógina e violenta, coerente com o seu histórico de se recusar a tomar ações efetivas e medidas legais contra estupradores nos campi

Estudantes protestam contra interdição da Sala Lilás (Foto: Francisca Silva)

Nesse cenário, o Movimento de Mulheres Olga Benario afirma: “Nós somos mulheres, estudantes e iremos seguir mobilizadas na defesa de nossas vidas. Janaína Presente!”

População trans exige mais políticas públicas da Prefeitura de Diadema

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Em roda de conversa, moradores demonstram estar atentos às posições conservadoras do prefeito Taka Yamauchi (MDB). A população defende a melhoria das condições do Ambulatório Trans de Diadema, que precisa de mais servidores

Bento Xavier | Diadema (SP)


No dia 4 de fevereiro, a roda de conversa “Vozes trans – Reconhecimento, empregabilidade, esporte e cultura trans e travesti” foi promovida pela Coordenadoria de Políticas de Cidadania e Diversidade da Prefeitura de Diadema, para apresentar os novos membros de sua equipe.

Os representantes da prefeitura afirmaram a disposição da gestão em ouvir as demandas e manter o espaço aberto da Coordenadoria, garantindo o interesse do prefeito na inclusão. No entanto, o atual prefeito de Diadema, Taka Yamauchi (MDB), venceu as últimas eleições com forte discurso conservador. Por isso, o discurso de estabilidade e promessas feito pela gestão no evento não convenceu os presentes.

Quando o microfone foi aberto à plateia após as falas dos convidados da roda de conversa, a população pôde expressar sua indignação e o desejo de melhorias na política municipal. Uma das principais demandas é a valorização do Ambulatório de Saúde Integral da População de Travestis e Transexuais do ABC, também conhecido como Ambulatório Trans, um espaço do SUS que oferece atendimento à população T da região.

“Desde a fundação do Ambulatório, só há um médico, um psicólogo e um assistente social, e ainda hoje não tem urologista nem ginecologista. Não basta só fazer o espaço, precisa crescer o número de funcionários. Hoje, o retorno demora 6 meses, isso tem que mudar urgentemente”, denunciou Diana, moradora de Diadema.

A crítica vem junto do reconhecimento do importante papel dessa política, já que “o Ambulatório foi um exemplo muito importante para outras cidades do estado de São Paulo”, continuou Diana. Destacando a importância desse espaço no sistema público de saúde, ela relatou: “Hoje, eu tenho convênio médico particular mas não uso, porque o médico olha na minha cara e diz: ‘eu não entendo de corpos trans'”.

Em outras intervenções, mais demandas ao poder público foram apresentadas. Uma fala apontou que, mais que apenas denunciar e punir servidores envolvidos em casos de LGBTfobia, é papel da prefeitura se responsabilizar pela preparação de seus profissionais, evitando esses episódios. Além disso, os presentes falaram da necessidade de expandir as políticas públicas voltadas à população trans para além da Saúde e dos espaços de Esporte e Cultura, contemplando também a formação profissional e a oferta de empregos.

Antes, durante a roda de conversa, convidados como Júnior Lima (fundador do Spartanos FC, primeiro time de futsal de homens trans do ABC Paulista), WinniT MC (rapper trans e morador da cidade) e Iza Potter (militante dos direitos LGBT+) fizeram falas destacando a importância da ocupação dos espaços políticas pelas pessoas trans e da realização do 1º Censo LGBT do ABC Paulista, que deverá ocorrer no próximo período.

A importância do Ambulatório Trans

Palco de diversas lutas sociais durante o período da industrialização e da ditadura militar, a cidade de Diadema vinha avançando na implementação de direitos à população trans, que participou ativamente dessas mobilizações.

No último período, foram realizados mutirões de retificação de documentos, a instalação de quadros que indicavam a obrigatoriedade do respeito ao nome social nos comércios e, principalmente, a instalação do primeiro ambulatório trans do ABC Paulista.

O ambulatório oferece serviços especializados para as travestis e transexuais. Disponibiliza cuidado médico ambulatorial, pré e pós-operatório, tratamento hormonal e acolhimento em enfermagem, psicologia, psiquiatria e serviço social. Em determinados momentos, o ambulatório também encaminha os usuários para a Atenção Básica, para que possam depois ser atendidos por determinadas especialidades. Seu trabalho funciona em conjunto com toda a rede da saúde pública, e o serviço funciona por livre demanda, sem barreiras e sem necessidade de encaminhamento.

Apesar disso, a eleição de Taka Yamauchi, que durante o período eleitoral acusou o prefeito anterior de “promover a ideologia de gênero”, levanta o alerta de que essas políticas podem estar em risco. Ele é um aliado próximo da deputada federal Carla Zambelli (PL), e sua vice Andreia Fontes (PL) é do mesmo partido do fascista Jair Bolsonaro.

Taka nem mesmo compareceu à roda de conversa chamada pela Prefeitura, como apontou Valentina, também moradora de Diadema: “O evento foi chamado há duas semanas, o prefeito não apareceu, a vice ficou dois minutos e não ouviu nada. Achei uma falta de respeito com a gente, saí da minha casa em um dia de chuva para ter um diálogo e eles não aparecem.”

Nenhum direito a menos

No último período, a população trans tem sido um dos principais alvos dos ataques da extrema-direita, que utiliza os espaços políticos e as redes digitais para questionar a humanidade e o direito à vida digna das pessoas trans e desviar as discussões sobre os problemas reais da população. Alguns dos ataques mais recentes envolvem as tentativas de proibir o uso do nome social, o acesso a banheiros públicos e a participação em esportes profissionais.

Apesar disso, como apontou Maiky Carneiro, médico e trabalhador do Ambulatório Trans de Diadema, a exclusão dessa população não é um problema recente, e remete à própria estrutura do sistema capitalista.

“A gente tá falando de uma população que teve seus direitos excluídos por muitos anos. Isso faz parte de um projeto, que surge da colonização, do patriarcado e do capitalismo, que resultou na exclusão de corpos divergentes. Isso impactou na saúde, por ignorar a especificidade da população, que hoje é alvo da violência e da mortalidade porque isso não foi pensado no projeto de saúde. Quando vem a reforma sanitária, após a ditadura militar, a população trans não fez parte de nenhum dos projetos. Os corpos trans existem há muitos anos, o que precisa ser reconstruída é a maneira que a gente lida com essa relação”, explicou Maiky.

Por isso, foi frisado por vários dos presentes que é preciso responder aos ataques ampliando a resistência da população trans e também a luta por mais políticas de cidadania. A necessidade de garantir programas de empregabilidade e o combate ao preconceito nos espaços educacionais foram apontados como importantes eixos dessa luta, sendo a violência um dos fatores para a baixa escolaridade da população trans.

A comunidade LGBTIA+ tem uma longa história de luta e resistência organizada e coletiva que não começa apenas com os direitos institucionalizados. Aqueles que foram à roda de conversa em Diadema demonstraram que, apesar da eleição de um prefeito conservador como Taka Yamauchi, seguem dispostos a defender seus direitos e lutar por muito mais, como na pauta da valorização do Ambulatório Trans.

Dando continuidade ao calendário de lutas, a II Marcha Transmasculina de São Paulo foi convocada para o próximo dia 30 de março. A manifestação será um importante momento para fortalecer a comunidade trans e a classe trabalhadora contra os políticos fascistas da burguesia e em seu interesse comum de defesa do serviço público, garantia de pleno emprego e vida digna.

As lições do livro “O Grande Norte”

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Lançado em 1954 pela coleção Romances do Povo, “O Grande Norte” fala sobre a instauração do socialismo numa das regiões mais distantes da Rússia, além de trazer lições sobre o esforço individual que devemos fazer no dia a dia para construirmos um mundo novo.

Clóvis Maia | Redação Pernambuco


CULTURA – Lançado no Brasil no ano de 1954, o romance “O Grande Norte” surpreende, seja pela densidade da leitura, pela pesquisa realizada pelo autor ao tratar do livro ou as lições incutidas ao longo da obra, condensadas por uma escrita primorosa. Não por acaso, o autor, Tikhón Siomúchkin recebeu o prêmio Stálin de Literatura no ano de 1949, maior prêmio de literatura na URSS.

O livro foi lançado no Brasil como 4º volume da coleção Romances do Povo, sob supervisão de Jorge Amado, pela Editora Vitória e foi responsável por popularizar a leitura dos chamados romances socialistas bem como a formação de gerações de leitores ainda hoje, haja vista a procura pelos exemplares seja na internet ou nos sebos por todo o país.

A Editora Vitória foi fundada em 1944 e lançou cerca de 30 romances de cunho socialista e humanista, bem diferente do que estava sendo lançado e produzido na época pelos chamados “Cânones literários”, ou seja, os autores que a imprensa burguesa aclama como bom de ser lido ou não. A Editora Vitória lançou outras obras de cunho político também, tendo encerrado suas atividades por força do golpe de 1964 que proibiu seu funcionamento.

Respeito à realidade social local

O Romance se passa nas regiões geladas da URSS, próximas ao Polo Norte. Tikhón Siomúchkin viveu na região, pesquisou e viveu com os moradores da região, o que lhe motivou a escrever seu histórico romance. Histórico, pois relata um processo real, fruto das modificações sociais e políticas na Rússia após a revolução de Outubro de 1917.

Os Chukchis eram povos nômades, nativos da Sibéria, presentes no mar de Bering, oceano Ártico. Viviam em Yarangas, tendas feitas de madeira e peles de renas, e tinham como principal atividade econômica e de subsistência a caça, a criação de renas ou a pesca de animais marinhos como a morsa, além do comércio com os estrangeiros. Comércio esse pautado no escambo troca de víveres por peles de renas.

Divididos em dois grupos: os da Tundra (vegetação típica das regiões frias), que criavam e comercializavam as peles da rena e os do Litoral, pescadores, e com uma variedade de línguas e dialetos (chukoto, yakut, lamut, yukaghir, entre outras) os povos Chukchis possuíam uma forte tradição secular, costumes bem firmados ao longo de séculos de vivência nas regiões geladas da Rússia czarista, tanto que os Czares, apesar de tentarem não foram capazes de dominar tal povo, isso dês do século XVIII, sendo obrigados a estabelecerem relações comerciais com os mesmos.

Essa relação comercial, pautada na exploração, extorsão e roubo do trabalho dos nativos bem como o descaso por parte das autoridades russas e a separação social, gerada ora pela questão geográfica, pelo nomadismo local ou por certa autonomia cultural do restante da Rússia gerou todo um atraso social em relação ao resto do mundo, além de um claro deslocamento, um isolamento por parte do povo Chukchis do restante do mundo. Dito de outra forma, a base social nativa era mergulhada num primitivismo profundo.

Guiados por um Xamã, os Chukchis acreditavam ter a natureza diversas divindades, espíritos e todo o tipo de superstição com relação ao templo, clima ou acontecimento dia a dia, ou era comum os homens entregarem suas mulheres (que deveriam ser totalmente submissas aos maridos e aos trabalhos domésticos, cuidado dos cães puxadores de trenó, alimentação e trato dos filhos) a seus amigos e vizinhos como um tipo de empréstimo, ou no meio de uma negociação entre ambos. Diante dessa fatídica realidade, mostrada detalhadamente e pormenorizada por Siomúchkin, que O Grande Norte se alicerça, para mostrar.

Um rico enredo literário

No início da década de 20 a URSS estende seu novo governo, leis e costumes para as regiões mais afastadas do centro nervoso, Moscou. No romance, dois jovens bolcheviques, Nikita Serguéievitch (chamado também de Loss) e Zhúkov, do Exército Vermelho e outro do Konsomol, respectivamente, chegam até a região com a missão de instalar um Comitê Soviético local, instruir a população sobre as mudanças relativas ao novo governo socialista, a derrubada do Czar e a implantação do novo regime social, leis e etc.

Loss, o líder Bolchevique, tem que enfrentar as dificuldades da língua, o frio intenso, a superstição e desconfiança local, além da falta de comunicação, a distância familiar e de sua direção, além dos mercadores e contrabandistas, como a personagem Mrs. Thompson, que além de dominar o comércio local, habitava havia décadas na região, casado com uma nativa, apoderando-se dos costumes locais com a intenção de enriquecer e lucrar à custa da alienação do povo Chukchis, mergulhados na interpretação e veneração do estrangeiro como desenvolvido e sábio, ou seja, a velha ótica e lógica do dominador e do dominado.

Os dois bolcheviques se veem tendo que criar meios e métodos para enfrentar as adversidades locais, expulsarem os contrabandistas estrangeiros, ensinar as novas leis para os locais e implantar a nova realidade socialista que ainda não havia chegado por aquela região. Uma lição de superação, de força e exemplo coletivo. Um livro raro, obviamente pouco divulgado e falado e um romance denso, profundo e completo, que não perde em nada para os chamados grandes clássicos mundiais.

Durante toda a obra “O Grande Norte” podemos conhecer os costumes locais, a história dos Chukchis, suas dificuldades em relação aos contrabandistas e como os Bolcheviques fizeram para iniciar as modificações necessárias no local. Detalhe: não pense que essas mudanças significaram mudar a língua, as tradições, impor qualquer modificação para os locais, derrubando seus costumes e etc. Detentores das novas diretrizes, os dois protagonistas fazem de tudo para erguer e fortalecer a cultura local. Criam uma escola, um hospital, e outros direitos antes roubados pelos estrangeiros sobre a tutela do Czar.

Médicos veterinários denunciam jornada exaustiva, salários de miséria e precarização

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Profissionais que se dedicam à saúde dos animais relatam jornadas de até 24 horas e locais de descanso insalubres. “Dá vergonha de falar: o valor do plantão de 12h, quando muito alto é R$ 300”, relata médica veterinária ao Jornal A Verdade.

Diego Barbosa e Alice Wakai | Paraná


TRABALHADOR UNIDO – A medicina veterinária é uma profissão milenar, cujos profissionais cuidam dos animais e previnem doenças transmissíveis aos seres humanos. Porém, o sistema capitalista tem humilhado estes profissionais, submetendo-as à jornadas extenuantes e abusivas pelos donos de clínicas, hospitais veterinários e pet shops.

“Os donos de clínicas e hospitais não investem o suficiente para desenvolver um comércio que equivalha à demanda exigida. Então, acabam construindo e administrando seus estabelecimentos de forma criminosa, subjugando e explorando os “colaboradores”, denuncia Mariana*, do Mato Grosso do Sul.

Trabalhadores relatam descumprimento do piso salarial e acúmulo de funções

Enquanto a lei nº 4.950-A determina a remuneração de 6 salários mínimos para 6 horas trabalhadas por dia, a maioria dos veterinários recebe de 1 a 3 salários mínimos por plantões de 12 horas. De acordo com dados do Movimento LUTE VET, Movimento Nacional de Médicos Veterinários na Luta por Direitos Trabalhistas, a precarização desses trabalhadores impôs a retirada de benefícios básicos à categoria como hora extra ou banco de horas, férias remuneradas, horário de almoço, auxílio alimentação, vale transporte, adicional de insalubridade, auxílio doença ou maternidade.

“Trabalho com base em um acordo verbal, a primeira proposta da empresa foi de uma jornada de segunda a sábado, das 8h às 18h, com um salário de R$ 1.000. Tentei aumentar o valor da minha hora trabalhada e hoje trabalho 6 horas por dia, de segunda à sexta e recebo apenas R$ 600″, disse a veterinária ACS*, de Brasília.

Outra veterinária, relata que a exploração começa desde a faculdade, quando os estágios não oferecem sequer auxílio de transporte. Durante a carreira, os contratos são feitos sem vínculo trabalhista. “Em 3 anos de formada só vi duas vezes contrato por CLT, a maioria trabalha com CNPJ ou simplesmente sem contrato. Na prática, temos obrigações iguais à CLT, mas sem os benefícios. A remuneração dá vergonha: o valor do plantão de 12h, quando muito alto, é R$ 300, mas a média é de R$ 180 a R$ 250. Ou recebe apenas comissões, o que não paga nem o curso de veterinária”, relata a veterinária Claudia, do Rio de Janeiro.

Profissionais desvalorizados

Segundo o Conselho de Medicina Veterinária, há uma alta procura por profissionais especializados, com pós-graduação ou cursos complementares. No entanto, mesmo estes profissionais sofrem com a precarização. “Sou pós-graduada, mas por ter optado por uma carga horária reduzida, sou paga como estagiária, mesmo entregando serviço especializado todos os dias e assinando com o meu CRMV”, disse Mariana, do Mato Grosso do Sul.

Devido à péssima remuneração, estes profissionais muitas vezes sequer conseguem se alimentar ou se locomover. “Quantas vezes pedi dinheiro para amigos e vizinhos para pagar transporte e alimentação para os plantões, porque precisava manter o aluguel em dia. Quantas vezes deixo de comer bem para pagar o aluguel, luz, água e internet”, disse Felipe*, de Brasília.

Locais insalubres e plantões sem descanso

Além da baixa remuneração, os veterinários estão constantemente expostos a doenças, acidentes com animais, assaltos e, no caso das mulheres que ficam sozinhas em plantões noturnos, até mesmo estupros. Nos plantões, os profissionais realizam todas as funções da clínica, incluindo limpeza e recepção, impedindo-os de dar atenção aos animais internados. “Não existem direitos trabalhistas, se você quer férias, paga para outra pessoa para fazer plantão no seu lugar, se suspeita que está grávida já é demitida, se se lesiona ou fica doente, também é demitida”, disse Claudia*, do Rio de Janeiro.

Outro profissional relata o descaso com os locais de descanso. “Já vi “quarto” dentro do consultório, com cama de palete de madeira, sem colchão. Passei duas noites me cobrindo com o meu jaleco, foram 24 horas e o gerente queria que eu ficasse mais 12 horas. Em outra clínica, o quarto era no “centro cirúrgico”, uma sala minúscula, com uma mesa de metal velha e suja! A gente colocava um colchão velho e fedorento no chão e dormia sem travesseiro, em outra clínica, dormíamos dentro de um depósito de ração”, denuncia Carlos*, de São Paulo.

Somente a luta muda a realidade

Segundo outro veterinário, é comum a falta de profissionais auxiliares e até mesmo recepcionistas nos plantões. “Conheço lugares que oferecem internação 24h, mas não tem equipamento para isso. Já fiquei em lugar que quem lava o banheiro era a auxiliar, eu tinha que lavar os cobertores, senão os internados não tinham cobertor. Em outros lugares também já vi faltar soro ou fita de glicemia”, relata Mariana*, de Mato Grosso do Sul.

No capitalismo, a força de trabalho dos veterinários é mais um meio de encher o bolso dos ricos. A única solução é construir um novo tipo de sociedade, a socialista, na qual todos sejam valorizados e respeitados e possam cuidar dignamente dos animais. Assim como os trabalhadores da Pepsico se organizaram pelo fim da escala 6×1 e os rodoviários de João Pessoa deflagram greve por salários dignos é urgente que a categoria se mobilize e se organize.

*Mudamos os nomes verdadeiros para preservar a integridade dos entrevistados.

Paraná é o 2° estado com mais tentativas de feminicídios do Brasil

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O Jornal A Verdade entrevistou Emily Kaiser, membro da coordenação nacional do Movimento de Mulheres Olga Benário e Luana Ganio, militante, advogada e coordenadora da Rede de Apoio às Mulheres em Situação de Violência Rose Nunes.

Movimento Olga Benário | Paraná


MULHERES – O segundo semestre de 2024 consolidou um marco dramático para o estado do Paraná, que chegou ao ranking alarmante de segundo lugar em tentativas de feminicídio no país. O crescimento é de 20% de casos entre setembro de 2023 e 2024, e se relaciona com os recentes cortes nas políticas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres. 

O Jornal A Verdade entrevistou Emily Kaiser, membro da coordenação nacional do Movimento de Mulheres Olga Benário e Luana Ganio, militante, advogada e coordenadora da rede de apoio às mulheres em situação de violência Rose Nunes.

Jornal A Verdade: O Paraná registrou um crescimento absurdo em casos de feminicídio no último ano, tornando-se o segundo estado do Brasil com mais casos. Curitiba é a pior cidade, com um aumento de 600% dos índices. Como o Movimento Olga analisa essa realidade? Na sua opinião, quais as causas desse aumento?

Luana: O movimento analisa esses índices como resultado de todo um sistema. O capitalismo é pensado e construído diariamente para marginalizar, objetificar e tirar a vida e a dignidade das mulheres. E isso acontece com um recorte muito acentuado de raça e de classe. Porque quanto mais pobre e periférica é a mulher, mais à margem ela estará, se é preta, não é vista nem como ser humano. O aumento nos casos de feminicídio reflete a intensificação das políticas que não só excluem as mulheres, mas, as colocam na linha de frente das violências. Por outro lado, a falta de políticas específicas, práticas e eficientes torna legítima a desumanização e o descarte das mulheres na sociedade e no Estado do Paraná.

Emily: A gente enxerga como mais uma forma de expressão do sistema capitalista. Nesse sistema, as mulheres têm pouco acesso para conseguir fazer uma política institucional, fazer leis e criar instituições que atendam às suas necessidades. Elas não estão de fato, principalmente as mulheres trabalhadoras, no comando da formulação da lei, da cidade, do estado e do país. E por conta disso, num estado em que o fascismo opera e que a direita tenta privatizar todos os serviços básicos que servem a população, faz com que as mulheres tenham pouco acesso. E o pouco acesso que já existe é cada vez mais dificultado e mais negado e precarizado também para as mulheres. E principalmente também porque as mulheres têm uma condição de vida muito mais precária do que os homens, porque historicamente é um grupo com menos condições de trabalho. Elas trabalham muito mais, consequentemente precisam ter mais acesso à saúde e não conseguem. O avanço do fascismo e o avanço da falta de direitos mesmo da população em geral da classe trabalhadora, afeta diretamente a vida das mulheres.

Jornal A Verdade: Ao mesmo tempo, as políticas públicas oferecidas pelo governo paranaense são precárias, como noticiado pelo Jornal A Verdade. Falando sobre a capital, que recursos públicos a mulher conta hoje para se proteger e se conscientizar sobre a violência de gênero?

Luana: Hoje a mulher curitibana conta com recursos completamente precários, ineficientes e que enfatizam que as vidas e os corpos das mulheres não têm importância. Mesmo elas constituindo a base que sustentam todas as riquezas do Estado, desde o trabalho reprodutivo de trabalhadores e trabalhadoras até o trabalho produtivo de mão de obra precária no mercado de trabalho. Os recursos oferecidos pelo município atualmente servem como palco para mídia, para sustentar tão somente um discurso que em nada condiz com a prática, basta atuar minimamente junto aos serviços que de pronto fica estampado tamanho descaso. A mulher não tem acesso a atendimento digno e humanizado, as violências são invisibilizadas ou reduzidas à agressão física, não existe suporte jurídico e psicológico eficiente, os sistemas de comunicação das violências e dos casos de feminicídio são precários, os suportes básicos oferecidos pela Lei 11.340 (Lei Maria da Penha) não existem na prática, como por exemplo, o aluguel social, que serve para retirar a mulher no local de violência e oferecer o mínimo de dignidade. Além disso, os serviços funcionam dentro de uma lógica que serve para vitimizar novamente a mulher que está em violência, muitas vezes a desencorajando de sair desse local, sendo que assim, nem se pode falar em chegar próximo de uma conscientização.

Emily: Hoje na cidade de Curitiba existem poucos serviços que atendem de fato as mulheres em situação de violência. Um exemplo é a casa da mulher brasileira que é um complexo de diversos serviços que não funcionam 24 horas. Apenas a delegacia funciona 24 horas, de forma extremamente precária e com profissionais com um pouco instrução, com poucas profissionais mulheres.

Existe uma dificuldade também de conseguir dentro do Serviços de Saúde, por exemplo do serviço social, instruir e ter e fazer com que as mulheres tenham acesso às políticas públicas por esses lugares. Um exemplo disso é o caso de uma mulher que nós atendemos que ela foi atendida por mais ginecologista do sistema público de saúde do SUS em uma das das unidades de saúde na qual ela foi atendida, falou que eh a mulher a médica viu sinais de violência, ela falou que foi violentada que foi estuprada, mas a médica em nenhum momento fez uma notificação compulsória que é obrigatória nesses momentos, notificar para que o estado consiga garantir não só estatística, mas também que ela seja acompanhada pelo serviço social para saber como que tá se desenrolando essa violência na vida dela, pela rede de proteção da cidade e isso em nenhum momento foi contestado. E ela falou não só com a ginecologista, mas também com diversas pessoas que a atenderam na recepção e ela não foi bem tratada nesse momento.

Então, esse é um exemplo de como não só os serviços que atendem diretamente às mulheres em situação de violência, mas os outros serviços não estão preparados para atender eh nesses casos e também nesses processos e é bem importante frisar que a casa da mulher brasileira é um complexo que não se conversa entre si, então quando acontece alguma coisa dentro da casa da mulher brasileira seja no complexo jurídico, por exemplo, as outras partes da casa não ficam sabendo. E aí a mulher é revitimizada todas as vezes que ela é atendida em alguma parte da casa da mulher brasileira.

Outro exemplo, também, de como é a situação das mulheres na cidade é que elas têm muita dificuldade de locomoção, por exemplo a cidade tem uma das passagens mais caras do Brasil e isso dificulta o acesso à cidade.

Então faz com que as mulheres tenham uma dificuldade maior em conseguir o acesso à casa da mulher brasileira, por exemplo que só existe uma casa da mulher brasileira e só existe uma delegacia para mais de 3 milhões de habitantes, não só na cidade de Curitiba, mas da região metropolitana também que é inclusive as mulheres da região metropolitana não são atendidas na casa da mulher brasileira. Porque apesar de ser um serviço Federal é considerado do município. Então as mulheres que não são do município não podem ser atendidas, isso faz com que uma mulher que sofra uma violência porque tá visitando ou tá eh passando algum tempo na cidade de Curitiba ou até mesmo vindo trabalhar ou estudar na cidade. Não consegue ter acesso ao serviço que devia ser público. 

Jornal A Verdade: E como os movimentos sociais têm se posicionado para defender a vida das mulheres na capital?

Luana: Falando em mulheres e luta das mulheres e do Feminismo no geral, entendo como preocupante a visão e atuação de alguns movimentos, tendo em vista que essa visão comentada parte de um local de privilégios, sem voltar a atenção para a grande maioria das mulheres da cidade, isto é, mulheres trabalhadoras, periféricas e pretas. Com esse feminismo que entendo como liberal, o foco acaba sendo em colocar a mulher – classe média – em pé de igualdade com o homem nos direitos e principalmente no mercado de trabalho. Ocorre que as necessidades da grande maioria das mulheres são outras, são necessidades básicas de dignidade, como alimentação, saneamento, segurança, educação. Então, para além da fala e atos em dias históricos, os quais são de suma importância, a prática e o olhar voltado a esse tipo de feminismo, o feminismo das mulheres trabalhadoras, pretas e periféricas, é basilar e urgente.

Emily: É importante dizer que quando falamos de movimentos sociais que defendem as vidas das mulheres, existem diversos movimentos sociais que atuam na defesa dos direitos das mulheres, por exemplo, o movimento estudantil que consegue garantir dentro das universidades e escolas que não haja assediador ou abusos.

Outra forma são os partidos que defendem a vida da classe trabalhadora, como a Unidade Popular que defende a revogação da reforma trabalhista e previdenciária que faz com que a maior parte da população não consiga se aposentar, trabalho precário, sem reajuste salarial com base na inflação ou que consiga garantir os custos de vida da família.

A maioria das famílias que são chefiadas por mulheres, têm uma qualidade de vida mais baixa porque as mulheres recebem proporcionalmente menos que os homens. Não só os movimentos sociais são diversos, são os únicos que fazem pressão popular para garantir que consigamos algum direito.

Jornal A Verdade: Quais as perspectivas que o Movimento Olga têm na capital? Como as mulheres paranaenses podem se organizar para enfrentar o machismo e o fascismo no estado?

Luana: O Movimento Olga Benário, além de ser um movimento feminista de mulheres trabalhadoras da classe trabalhadora, é também um movimento revolucionário, que entende que somente através da organização e da prática é que a realidade das mulheres pode ser alterada e transformada. O movimento tem atuação direta junto às trabalhadoras, com a construção de mecanismos para fazer acontecer essa realidade distinta da que temos hoje. Com pouquíssimos recursos financeiros e muita organização e luta, o movimento reúne diversos tipos de mulheres, cada uma com suas particularidades e com vontade de mudança, não só com a derrubada do machismo, mas, também do fascismo no nosso país.

O resultado dessa organização é a construção de casas com atendimento efetivo, humanizado e com atuação revolucionária através de educação, compartilhamento de saberes, compartilhamento do trabalho de cuidado, o qual recai inteiramente sobre as mulheres, exemplo disso foi a Casa Rose Nunes construída por essas mulheres e destruída com muito afinco por aqueles que as marginalizam.

Outro exemplo, é, após a destruição do espaço físico da Casa Rose Nunes, a continuidade dos trabalhos com essas mulheres através da atuação diária do movimento e da Rede de Atendimentos que conta com profissionais voluntárias e revolucionárias. Sendo assim, a perspectiva do Movimento Olga Benário é continuar todos os dias nessa luta e chegar cada vez mais em mais dessas mulheres trabalhadoras, para que somente assim com a união e a luta constante possa essa realidade ser mudada.

Emily: Não só na capital, mas no estado, as expectativas são organizar as mulheres para lutar pelos seus direitos, mas também pelo socialismo, porque não há outra forma das mulheres tenham livre acesso à cidade, à maternidade, à planejamento familiar, justiça reprodutiva, não tem como as mulheres terem acesso à saúde e políticas que enfrentam a violência, sem uma sociedade socialista, apenas através dela podemos garantir que as mulheres estejam no poder e comandem a sociedade.

Precisamos desenvolver cada vez mais lutas, para desmascarar o que o capitalismo faz com as mulheres, o verdadeiro culpado não são os homens e sim esse modo de produção. As mulheres precisam saber a podridão que é esse sistema e que não é essa perspectiva de vida que queremos. Por conta disso, chamamos todo mundo pra se organizar no movimento, em todos os bairros e região metropolitana da cidade, pelo nosso trabalho voluntário a gente atenda as mulheres não apenas para tirá-las dessa situação, mas mostrar um mundo melhor e mais justo.

Pra combater o fascismo estamos organizando cada vez mais mulheres no movimento pra construir o socialismo e também lutar contra a escala 6×1, a privatização e a militarização das escolas, lutar por mais creches populares e da prefeitura, porque existe um déficit gigante de creches nas cidades, além do aumento da violência e da falta de políticas públicas, só vamos resolver isso com a organização das mulheres trabalhadoras.

Metrô restringe gratuidade de pessoas com deficiência no RJ

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Metrô do Rio prefere privar a população com deficiência de seu direito à gratuidade mesmo lucrando R$150 milhões em 2024.

Acauã Pozino | Redação RJ


BRASIL – Na última semana de janeiro, as pessoas com deficiência do Rio de Janeiro foram surpreendidas com a notícia de que, a partir do dia 1º de fevereiro, o acesso gratuito ao serviço de transporte, assegurado em algumas leis, será dado somente a quem tiver o cartão Vale social. 

Contando com apenas duas linhas de percurso quase paralelo e com uma das passagens mais caras do país (R$7,50), a MetrôRio fornecia aos seguranças um cartão especial, que possibilitava a liberação de pessoas com deficiência visível ou comprovada que não possuíssem o Vale Social. Esse dispositivo, no entanto, será desabilitado a partir do dia 2 de fevereiro.

O que é o Vale Social?

O Vale Social é uma política pública do estado do Rio de Janeiro destinada a pessoas com deficiência, pessoas com doenças crônicas e que estejam realizando tratamento prolongado que concede 60 passagens gratuitas por mês nos transportes controlados pelo estado (trens, metrô, barcas e ônibus intermunicipais).

 Até outubro de 2024, cada um desses modais com exceção dos ônibus possuía seu próprio cartão de gratuidade. Movimentos de pessoas com deficiência foram às ruas e forçaram o estado a reconhecer que, além de humilhante, essa situação era ilegal, conquistando através da luta a unificação dos cartões do Vale Social. Essa vitória popular forçou as concessionárias de metrô, trem e barcas a aposentar os seus cartões próprios e dar acesso a todos aqueles que fossem beneficiários do Vale Social.

Contudo, essa política é, de todas as políticas de gratuidade, uma das mais burocráticas. É necessário ir a um dos postos de atendimento e retirar um formulário específico, a ser preenchido por um médico com CRM verificado. Depois, é preciso voltar ao posto de atendimento, com esse e mais vários outros documentos, para dar entrada no benefício. A partir daí, são 90 dias mínimos para a retirada do cartão.

 Para quem não tem acesso à saúde privada ou tem grande volume de trabalho, ou mesmo depende de conciliar as agendas com terceiros para realizar essas etapas, o processo inteiro pode levar até 6 meses. Note-se que o informe interno do metrô começou a circular na semana do dia 27 de janeiro, o decreto foi publicado no dia 31 e a medida vela a partir de 1º de fevereiro: inevitavelmente, pessoas com deficiência terão sua gratuidade negada a partir desse mês.

MetrôRio não está sozinha no ataque aos PcDs

A realidade é que, desde 2022, a Supervia (concessionária responsável pelos trens do RJ) já havia adotado a mesma política de restringir o acesso ao serviço apenas a quem tivesse o cartão de gratuidade – na época o próprio da empresa, hoje o Vale Social. Mesmo havendo diversos casos de discussões, argumentações legais, apresentação de laudos comprovando a deficiência e até mesmo tendo sido chamada à polícia, a empresa se manteve irredutível.

A justificativa dada aos que questionam é que, ao usar os cartões especiais de liberação, a empresa deixa de arrecadar o valor referente à passagem da pessoa, que seria repassado pelo governo do estado a partir dos dados registrados nos cartões do Vale Social. Em outras palavras, a máfia de bilionários do transporte preferem sacrificar a mobilidade de milhares de pessoas antes que perder um só centavo dos seus escandalosos lucros.

Dinheiro há, mas falta que o povo controle

Como diria o famoso escritor Nelson Rodrigues, “Dinheiro há”. Segundo o relatório anual da MetrôRio, publicado em novembro de 2024, a empresa obteve um lucro de R$150 milhões – 25% a mais do que no ano anterior (R$120 milhões). Já a Supervia esconde seus números atrás do status de recuperação judicial, mas o fato é que acaba de reajustar a passagem para R$7,60 e não se sabe para onde esse dinheiro vai. Com certeza não é para os trens, que circulam sem janelas, com portas defeituosas, em intervalos irregulares e param antes das 23:00. Sendo assim, cabe nos perguntar: que motivo há para fazerem tanta questão de cada repasse do estado?

A resposta é simples: os grandes ricos competem entre si pelo valor das ações, domínios de mercado, patrimônio acumulado e outras preocupações que passam longe da dignidade da classe trabalhadora. Por isso, extorquem os estados através de contratos promíscuos e arrancam mais e mais dinheiro do povo trabalhador. De quebra, mantêm excluídos aqueles cuja vida não interessa ao funcionamento da produção (justamente os que têm direito ao Vale Social no RJ). São não-pessoas, não-cidadãos, e portanto não precisam de direito algum; nem mesmo o de circular pela cidade.

Lutar para barrar os chiliques dos capitalistas

Mas a verdade é que, queiram os mafiosos do transporte ou não, temos direito à gratuidade nos transportes e lutaremos por ele como lutamos pela unificação dos cartões (que ainda não está completa, pois falta incluir os sistemas municipais de gratuidade). Não só isso: lutaremos para que a gratuidade seja a realidade de todo o povo e que todo o sistema de transporte seja controlado pelo estado com transparência e controle social. Podem baixar suas normativas hoje, mas amanhã irão ter de se resignar vendo que nem toda a riqueza do mundo pode fazer frente à determinação do povo de retomar, manter e cuidar daquilo que por direito lhe pertence.

Estudantes da Unicamp lutam contra privatização do Hospital Estadual de Sumaré

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O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) pretende abrir um edital para entregar às OSS a gestão do Hospital Estadual de Sumaré, hoje vinculado à Unicamp. Estudantes do curso de Medicina se mobilizam contra a proposta privatista

Leonardo de Paula e Felipe Dias | Campinas (SP)


Neste início de ano, o Hospital Estadual de Sumaré (HES) tornou-se o novo alvo da agenda privatista do governador de São Paulo, o fascista Tarcísio de Freitas (Republicanos). Hoje, o a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é responsável pela administração da unidade. Porém, Tarcísio pretende não renovar o convênio e abrir um chamamento para que as Organizações Sociais da Saúde (OSS) assumam a gestão do hospital, sucateando a saúde da população e lucrando com a precarização dos serviços.

Reconhecido como o melhor hospital público do Brasil em 2022, o HES é uma referência em saúde pública para a população da região metropolitana de Campinas. Por mês realizam-se 1200 internações, 1050 cirurgias e mais de 6,5 mil consultas que atendem o povo do interior de São Paulo. Além de referência no cuidado, o HES cumpre um papel importantíssimo na formação de novos profissionais de saúde pública, uma vez que oferece vagas de estágio para mais de 500 estudantes de Nutrição, Medicina, Farmácia e Enfermagem todos os anos.

Projeto privatista

Como apurado pelo jornal PatoLógico, organizado pelo Centro Acadêmico de Estudantes de Medicina da Unicamp (CAAL), o governo pretende fazer um chamamento público para que as OSS disputem com a universidade, que administra o hospital desde sua inauguração por meio da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp). O problema é claro: esses entes privados não vão ter como objetivo prestar um atendimento digno à população da região, mas sim transferir para bolsos privados o orçamento público.

Segundo Thaisa Freire, estudante de Medicina, redatora do PatoLógico e membro do CAAL, a privatização representa um ataque claro à população. “Estamos recebendo vários relatos de trabalhadores do Hospital Estadual de Sumaré contra a privatização. A presença da Unicamp no HES é fundamental para o desenvolvimento de um atendimento de qualidade à população, pois além de atender, desenvolve pesquisa e um atendimento humanizado. A UNICAMP não prioriza o lucro, prioriza a pesquisa, o atendimento e a qualidade, enquanto as empresas privadas vão priorizar o lucro, por isso o governo do estado nos quer tirar de lá”, ela defende.

Desde que assumiu o mandato, o governador fascista Tarcísio de Freitas pôs em marcha seu plano declarado de entregar todos os bens públicos da população para as mãos de seus aliados entre os empresários de São Paulo. No ano de 2024, o povo paulista se mobilizou contra o edital que previa a privatização do Hospital Geral de Taipas e do Hospital Geral Vila Penteado, ambos de gestão estadual. Como se não bastasse a tentativa de vender o direito à saúde da população, o Governador ainda declarou que ambos os hospitais são só “ossinhos” e que o “filé” é a saúde dos empresários, em claro desrespeito ao trabalho dos profissionais da saúde pública.

Estudantes em luta

Estudantes de Medicina da UNICAMP se reúnem para pautar os próximos passos da luta contra a privatização do HES. Foto: Felipe Dias
Estudantes de Medicina da UNICAMP se reúnem para pautar os próximos passos da luta contra a privatização do HES. Foto: Felipe Dias

Os estudantes de medicina da Unicamp, organizados no Movimento Correnteza e em seu Centro Acadêmico, não esperaram a volta às aulas para organizar as lutas contra a privatização do HES. Mesmo em período de férias, entraram em contato com os CAs e atléticas dos cursos de saúde da universidade para organizar uma assembleia geral e definir os próximos passos dessa mobilização.

Isso porque, como defende Sabrina Garcia, presidente do CA de Medicina da Unicamp, a privatização do Hospital Estadual de Sumaré é um ataque à saúde pública, mas também à educação: “O HES é um campo de estágio em que os alunos têm muito carinho, desde a estrutura até o atendimento de qualidade. Como estudantes, nós sabemos bem que o processo de privatização é uma ameaça aos nossos campos de estágio, abrindo espaço para o capital, transformando a saúde em mercadoria”.

“A privatização com as OSS é só a porta de entrada para um pacote neoliberal que leva à precarização do trabalho (inclusive de docentes) e ao sucateamento da saúde em busca de lucro. Tudo isso irá impactar sim nas atividades de ensino, pesquisa e extensão que são ofertadas no HES”, continua Sabrina.

Tarcísio sai, o HES fica

O projeto privatista de Tarcísio deixa claro que seu governo fascista não descansará até vender todos os serviços públicos para os grandes capitalistas. A conta não virá só no bolso, como no caso da venda da Sabesp: se refletirá também no próprio bem-estar da população, que terá que conviver com uma administração que é incapaz de gerir a saúde pública e não tem o menor interesse na vida do povo.

Como denunciado pelo jornal A Verdade em agosto de 2024, “a experiência dos últimos anos em São Paulo já tem mostrado que é impossível ter uma boa gestão com as OSS, que tiram proveito do sucateamento e da terceirização da saúde”. Hoje, o Hospital Estadual de Sumaré oferece 6,5 mil consultas mensais. O histórico de gestão das OSS, que envolve demissões em massa, precarização das condições de trabalho e sucateamento da saúde, põe em dúvida se esse atendimento de excelência continuará sendo uma realidade.

Felipe Dias, militante do Movimento Correnteza, afirma: “Temos nos organizado com diversas entidades e coletivos para lutar contra a privatização do HES. Nosso próximo passo é lotar a Câmara Municpal Campinas no dia 12/03, quando acontecerá uma audiência pública que vai pautar a privatização do hospital. Acreditamos que a pressão em favor da saúde pública que nós, estudantes e trabalhadores, estamos fazendo pode reverter esse processo de privatização”.

*Com informações do PatoLógico, jornal dos estudantes de Medicina da Unicamp

Zelar pelos nossos quadros é tarefa fundamental para a revolução

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Organizar um partido de novo tipo que seja uma máquina de guerra contra a política imperialista promovida pela corrida do lucro é uma necessidade urgente ainda para 2025.

Vitória Louise | Salvador


OPINIÃO – Com o avanço da política fascista no Brasil e no mundo, a retirada de direitos da classe trabalhadora e o avanço desenfreado da ganância dos ricos em concentrar o acúmulo de riquezas, a organização da resistência se torna fundamental para que possamos ter o mínimo de perspectiva no futuro.

Uma das tarefas fundamentais do partido de vanguarda é orientar a classe para o caminho da luta e da tomada de poder – afinal, se a classe trabalhadora tudo produz, é só uma questão de tomada de decisão para tudo a ela pertencer.

Sem um partido de vanguarda não há revolução – essa é a síntese das revoluções proletárias e tomada do poder. Organizar um partido de novo tipo que seja uma máquina de guerra contra a política imperialista promovida pela corrida do lucro é uma necessidade urgente ainda para 2025. Assim, é preciso também aumentar o zelo, atenção e cobrança “em ser mais” para com os quadros do partido.

Mas o que é o quadro? Che Guevara define “Um quadro é um indivíduo que alcança o suficiente desenvolvimento político para poder interpretar as grandes diretrizes emanadas do poder central, torná-las suas e transmiti-las como orientação à massa, percebendo, além disso, as manifestações dessa massa com os seus desejos e motivações. É um indivíduo de disciplina ideológica e administrativa que conhece e pratica o centralismo democrático e sabe avaliar as contradições existentes no método para aproveitar ao máximo suas múltiplas facetas; quem sabe praticar, na produção, o princípio da discussão coletiva e responsabilidade única; cuja finalidade está provada e cujo valor físico e moral se desenvolveram no compasso de seu desenvolvimento ideológico, de tal maneira que está sempre disposto a enfrentar qualquer debate e responder até com sua vida pela boa marcha da Revolução. É, além disso, um indivíduo com capacidade de análise própria, o que lhe permite tomar decisões necessárias e praticar a iniciativa criadora de modo que não se choque com a disciplina.”

Assim, para que possamos desenvolver cada vez mais o partido que orientará o povo brasileiro rumo à tomada do poder, é necessário dedicar tempo e atenção para formar cada vez mais pessoas que assimilem os métodos do partido, mas que também tenham bem firmado a base da concepção científica do marxismo – o materialismo histórico e dialético. Com a base ideológica e política firmada, é possível que cada quadro possa compreender e assimilar a linha do partido e ganhar cada vez mais as pessoas ao seu redor para as ideias da revolução.

Nesse sentido, vale ressaltar que a paciência, compreensão e o espírito de camaradagem são indispensáveis para que os métodos de melhorar os defeitos e os erros ao mesmo tempo em que se valoriza os acertos continuam sendo o da crítica e da autocrítica. Criticar é um ato de camaradagem e reafirmação da justeza do marxismo-leninismo.

Se preocupar com o que os quadros pensam, como realizam uma determinada tarefa, se estão em dia com o estudo do marxismo-leninismo, o que estão consumindo (nos campos da cultura, lazer e saúde) são elementos fundamentais para que possamos compreender o nível de assimilação das tarefas e responsabilidades a fim de avançarmos cada dia mais rumo à revolução.

É necessário aumentar o zelo revolucionário para com a nossa organização. Cuidar dos nossos coletivos como um jardineiro cuida das suas flores é também zelar pelo desenvolvimento políticos dos nossos quadros. São eles, os primeiros a sacrificar o que pouco que têm – os primeiros a serem presos, os primeiros a se colocarem para organizar uma luta, os primeiros a se arriscarem.

Os quadros são determinantes – assim, zelar pela nossa política de desenvolvimento dos quadros, é zelar pelo futuro do partido, e consequentemente, o futuro da revolução brasileira.  A assistência ideológica, política e cotidiana deve ser uma preocupação cotidiana nos coletivos de direção. Caso o debate a esse respeito esteja sendo limitado, há de se refletir sobre as prioridades nas pautas, uma vez que sem uma boa política de manutenção e formação de quadros incide no erro de estagnação partidária – o coletivo deve sempre prezar pela renovação de seus quadros. Assim, novos recrutamentos e filiações, novos coletivos em novos territórios também devem pertencer ao cotidiano do debate da política de quadros.

Prezar pela política de quadros do nosso partido é prezar pela revolução brasileira.