UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sábado, 5 de abril de 2025
Início Site Página 732

Índia: milhões em greve geral

0

Milhões em greve geral na ÍndiaMobilização foi convocada pelas onze principais centrais sindicais do país, paralisando bancos, transportes e amplas áreas. Pode ter sido a maior greve geral já registada na história.

A greve geral realizada na Índia esta terça-feira pode ter sido a maior greve geral já registada na história do capitalismo. Como sempre, a imprensa tenta minimizar a participação e as consequências, mas as primeiras informações já nos permitem ter uma ideia da força da mobilização.

A greve geral foi convocada pelas onze principais centrais sindicais do país, paralisando bancos, transportes e amplas áreas, em particular os estados de Kerala, West Bengal, Andhra Pradesh e Tripura.

A população da Índia, de 1,2 bilhão, tem todos os motivos para desenvolver uma greve dessa envergadura, já que, mesmo após a vitória na luta anti-colonial derrotando o império britânico, a independência do país não conseguiu tirar a maioria da população da miséria em que vive. Mesmo o reacionário governo de Manmohan Singh é obrigado a reconhecer que é uma vergonha nacional a existência de nada menos que 60 milhões de crianças sub-nutridas.

Os trabalhadores lutam pela melhoria das suas condições de vida. Levantam reivindicações como a elevação do salário mínimo para 20 mil rupias, pelo direito ao trabalho, pela efetivação dos 50 milhões de trabalhadores temporários

Segundo sindicalistas, o centro financeiro do pais, Mumbai, foi completamente paralisado e até os taxistas aderiram à greve. Ninguém sabe ainda quantos milhões aderiram à greve, mas, para se ter uma ideia, basta lembrar que na greve geral de 2010 foram 100 milhões. E que nas últimas duas décadas, esta é a 14ªa greve geral.

Crise no meio de uma guerra civil e do ascenso operário

A greve geral é, nos factos, a comprovação da existência de uma crise revolucionária no momento em que ela se desenvolve. Cria uma situação de dualidade de poderes onde o governo não governa, os políticos não podem fazer politicagem e as armas do aparelho repressivo do estado, mesmo sendo utilizadas, não conseguem reprimir a rebelião momentânea. Enquanto dura, são os 99% que impõem a sua vontade, demonstrando a impotência dos 1% de capitalistas.

A greve geral deste dia 28 ocorre num pais que vive uma guerra civil escamoteada, onde a guerrilha maoísta domina amplas áreas do pais e os confrontos armados são constantes. Um país com milhares de etnias em franca rebelião com o que chamam de “centro”, o governo, como é o caso de Caxemira, região onde os protestos são permanentes.

A população da Índia está cansada da visceral corrupção do país, encarnada no governo de Manmohan Singh. Mesmo que a imprensa mundial diga que a economia indiana cresce, no quotidiano o que se vive é um processo inflacionário que deteriora as condições de vida de uma população paupérrima

Nesse sentido, a greve geral não é apenas um poderoso movimento por melhorias nas condições de vida, mas também um violento soco no estômago do governo.

O recente desenvolvimento de setores económicos criou também o mais jovem proletariado do planeta. Uma força composta de jovens, que não estão amordaçados pelas burocracias que infestam os sindicatos. Um proletariado que, a exemplo do chinês, se constituiu num dos mais poderosos do globo e que ensaia os seus primeiros passos. A Índia é, hoje, o país mais jovem da terra.

A greve geral abriu, certamente, um novo período da luta dos trabalhadores indianos. No momento em que se vive um poderoso ascenso do movimento operário mundial, com as revoluções do mundo árabe, a mobilização que se desenvolve na China e com a resistência dos trabalhadores europeus e americanos, não será novidade se o jovem proletariado indiano se levantar para derrubar o governo de Singh. Avançando, assim, naquela que, junto com a chinesa, promete ser uma das mais significativas revoluções da história moderna. Definitivamente, devido ao lugar que a China e a Índia passaram a ocupar na atual divisão mundial do trabalho, as revoluções que estão em marcha nesses dois países provocarão as mudanças mais radicais na história deste século.

Resta lembrar também que a revolução, em marcha na Índia, ocorre num país onde, na prática, o aparelho de estado e, comparativamente fraco, não dispondo de tantos recursos para controlar e reprimir com mão de ferro todas as rebeliões no pais. O melhor exemplo disso é que, em apenas alguns anos, a guerrilha maoísta passou a ser o governo, na pratica, de vastas áreas do país.

Tomi Mori
Fonte: Esquerda.net

Aposentado morre congelado por não poder pagar conta de energia elétrica

Padrão de energia elétrica de John Morgan, lacrado pela companhia de energia elétrica Consumers EnergyUm aposentado de 86 anos foi encontrado morto por congelamento dentro de seu carro na cidade de Flint, Michigan, EUA. John Morgan, ex-metalúrgico da indústria automobilística, morreu poucos dias após a companhia Consumers Energy ter cortado o fornecimento de energia elétrica por uma conta atrasada de $291 dólares.

De acordo com alguns amigos e vizinhos, Morgan usava a eletricidade de sua casa para recarregar a bateria de seu carro. Quando a energia foi cortada ele perdeu o aquecimento tanto de um quanto do outro, e provavelmente estava tentando se aquecer no veículo quando não resistiu. A autópsia confirmou as causas da morte por hipotermia e problemas de pulmão e coração.

De acordo com alguns órgãos de imprensa, quando a polícia chegou para recolher o corpo de Morgan os oficiais se depararam com um aviso de corte de energia logo na porta. Um representante da empresa justificou a ação dizendo que eles chamaram em sua casa mas que ninguém respondeu, e que não sabiam que Morgan era idoso.

No entanto, os vizinhos contestam esta alegação, dizendo que John morava naquela casa – que ele mesmo construiu – desde 1955, e que a empresa estava mandando as contas para a mesma pessoa por quase seis décadas.

Mas não é a primeira vez que algo assim acontece. Em 2009 o aposentado Marvi Shur, de 93 anos, da cidade de Bay City, morreu congelado depois que um redutor de consumo foi instalado no seu padrão de energia elétrica, e isso apesar de uma lei já ter proibido o corte de energia a idosos no período de inverno.

Esta morte desumana apenas evidencia a indiferença das empresas de energia elétrica e o caráter antisocial de sua ganância por lucros cada vez mais elevados. A Consumers Energy, companhia que matou John Morgan, cortou serviços básicos de 107.083 domicílios no ano de 2007. Em 2011 ela cortou gás e eletricidade de mais de 164.634 domicílios, o que representa um aumento de 50%.

Steve Walker, diretor do Departamento de Recursos de Ações Comunitárias, afirmou que os recursos do governo para evitar cortes de energia e dar assistência aos mais pobres se tornaram escassos nos últimos anos. Alguns programas já nem existem mais. Interrogado pelo jornalista Lawrence Porter da World Socialist Web Site se ele ficou surpreso pela morte de Morgan, ele respondeu: “Sabendo do que eu sei sobre a dimensão desta crise eu diria… eu estou chocado, mas não surpreso.”

Carro no qual John Morgan morreu congelado
Carro no qual John Morgan morreu congelado

Glauber Ataide

A cada hora morrem 300 crianças por desnutrição

A cada hora morrem 300 crianças por desnutriçãoCerca de 500 milhões de crianças estão em risco de danos permanentes pelos próximos 15 anos, afirma relatório publicado pela organização Save the Children no último dia 15.

“A crise da desnutrição é pouco comentada, mas afeta uma a cada quatro crianças no mundo”, diz Carolyn Miles, presidente e CEO da Save the Children. “Ela causa danos permanentes e é a maior causa da morte de crianças. A cada hora morrem 300 crianças por desnutrição”, afirma.

O relatório revela que a desnutrição crônica, ou a desnutrição a longo prazo é muito mais perigosa e disseminada do que a desnutrição aguda a curto prazo, geralmente vista em crises de alimentos.

Essa desnutrição enfraquece o sistema imunológico das crianças, tornando-as mais vulneráveis a doenças como diarréia, pneumonia e malária. Cerca de dois milhões de crianças morrem a cada ano por essas doenças, três vezes mais do que pela desnutrição aguda.

Além disso, outras graves consequências da desnutrição a longo prazo, como inibição do desenvolvimento físico ou intelectual, são menos óbvias e, por isso, geralmente negligenciadas.

Crianças bem nutridas, segundo o relatório, tem melhor desempenho na escola e geralmente tem melhores salários quando adultas. Recentes pesquisas sugerem que intervenções alimentares podem aumentar a renda de um adulto em até 46%.


Guerra pelo petróleo – a militarização do Atlântico Sul

0

A guerra pelo petróleoA militarização do Atlântico Sul, efetivada pela 4ª Frota dos Estados Unidos, recebe um reforço da Armada Inglesa. Tudo para garantir o controle do petróleo da América do Sul.

A dupla Estados Unidos e Inglaterra movimentam suas tropas para garantir o controle colonial das áreas produtoras ou detentoras de grandes reservas petrolíferas ainda não exploradas em sua plenitude.

O caso iraniano, em função da importância deste país para o fornecimento mundial de petróleo, recebe grande atenção da mídia, e apesar dos esforços do oligopólio da informação em reduzir a ameaça de invasão do Irã ao fato combate às armas de destruição em massa, não existe aquele ser humano, possuidor de inteligência mediana, que não associe ao petróleo os verdadeiros motivos do conflito.

O cerco ao Irã necessita de uma operação complexa envolvendo o controle político da Síria como forma de isolamento dos persas e enfraquecimento da presença militar russa no Mediterrâneo. Como sabemos no cenário de guerra previsto para o controle do Irã, a Rússia é classificada como aliada deste país e possui, justamente na Síria, uma base militar naval cujo poder de fogo foi acrescido desde o final de 2011 com pelo menos um porta aviões, submarinos e mísseis balísticos.

Enquanto ao caso iraniano aplica-se o clássico conto das armas de destruição em massa – lembrai-vos do Iraque – no Atlântico Sul as forças coloniais apresentam-se menos sutis, e revivendo os dias de glória, a esquadra britânica envia de forma despudorada forças navais, incluindo a jóia da Armada, devidamente protegida por um submarino nuclear.

Nesta ocupação militar a monarquia inglesa (existiria um regime mais ridículo?) aproveita para promover o príncipe herdeiro que divide o seu tempo nesta missão entre divertir-se pilotando um avião e posar para fotos vestindo uniformes militares em tentativa patrioteira de levantar o moral da elite britânica fortemente abalada em função da crise econômica.

Apenas um questionamento. O leitor já imaginou que tipo de repercussão resultaria da imagem do filho do presidente da Venezuela (eu nem sei se ele tem um filho), usando uniforme militar e pilotando um caça em qualquer região do planeta? Sabemos todos a resposta.

Retomando. Uma força militar inglesa sem justificativa aparente está ocupando o sul do nosso continente. O motivo oficial seria um exercício de rotina para proteger um enclave colonial – sim, eles ainda existem ! – as Ilhas Malvinas.

A Argentina, que não possui bomba atômica, reivindica a soberania das Malvinas. Os ingleses, para militarizar a região não podem, deste modo, usar a desculpa da arma de destruição em massa para proteger a sua colônia. Assim utilizam do aniversário de 30 anos da guerra contra os argentinos como justificativa.

Certamente, com seu apego à tradição supersticiosa dos magos, os ingleses consultaram os astros e receberam algum tipo de informação mágica dando conta da tomada da ilha a cada 30 anos pelos argentinos.

Independente da magia, o potencial petrolífero das Malvinas merece nossa atenção. Estima-se um volume de 8,3 bilhões de barris, existindo cálculos que elevam este número para 60 bilhões de barris.

Somente a empresa Rokhopper possui em seu bloco estimativas de 350 milhões de barris, mas ao buscar financiamento alega um potencial de 500 milhões. A Coroa, que encontra-se em apuros financeiros, estima arrecadar nas Malvinas, somente em royalties, 180 bilhões de dólares.

Mohamed Mossadegh

A Inglaterra possui vasta experiência em controlar na marra áreas petrolíferas fora de seu território. A atual British Petroleum (BP) nasceu assim e por coincidência no Irã, quando no início do século XX o Lorde do Almirantado, Winston Churchill, resolveu substituir o carvão por um óleo derivado do petróleo para movimentar os navios de guerra.

Este controle durou até os anos 50 quando o governo de Mohamed Mossadegh nacionalizou pela primeira vez o petróleo iraniano. Depois desta nacionalização os Estados Unidos – ironicamente com apoio dos aiatolás – realizaram um golpe contra Mossadegh instituindo uma monarquia que entregou o petróleo às empresas estadunidenses.

Em nossos dias as duas potências realizam um acordo quanto a divisão das áreas produtoras reservando o petróleo iraniano, em sua maior parte, para os Estados Unidos, enquanto os ingleses assumem, dentre outras regiões, as ilhas Malvinas.

Lembre-se: O Brasil, abençoado por Deus e bonito por natureza, também localiza-se no Atlântico Sul e possui petróleo em grande quantidade ainda não explorado. A legislação brasileira, ao contrário da iraniana ou venezuelana, permite a livre exploração por empresas estrangeiras que tornam-se proprietárias do petróleo retirado das profundezas do pré-sal ou dos blocos em terra. Ao que tudo indica para o Brasil não há necessidade de navios de guerra, afinal, possuímos um governo pacifico e cordial.

Wladmir Coelho

Quem está por trás de Yoani Sánchez?

Yoani Sánchez, mercenária e agente dos EUA em CubaYoani Sánchez, famosa blogueira cubana, é uma personagem peculiar no universo da dissidência cubana. Nenhum opositor foi beneficiado com uma exposição midiática tão massiva, nem com um reconhecimento internacional semelhante em tão pouco tempo. Após emigrar para a Suíça em 2002, ela decidiu retornar a Cuba dois anos depois, em 2004. Em 2007, integrou o universo de opositores a Cuba ao criar seu blog Generación Y, se tornando uma crítica feroz do governo de Havana.

Nunca um dissidente cubano – e de nenhum outro lugar no mundo – conseguiu tantos prêmios internacionais em tão pouco tempo e com uma característica particular: deram a Yoani Sánchez dinheiro suficiente para viver tranquilamente em Cuba até o resto de sua vida. Na realidade, a blogueira tem retribuído à altura os 250 mil euros que recebeu, o que equivale a mais de 20 anos do salário mínimo em um país como a França, a quinta potência mundial. O salário mínimo em Cuba é de 420 pesos, o equivalente a 18 dólares ou 14 euros. Isto é, Yoani Sánchez recebeu 1.488 anos de salários mínimos cubanos por sua atividade opositora.

Yoani Sánchez tem estreita relação com a diplomacia estadunidense em Cuba, como demonstra um documento “secreto”, por seu conteúdo sensível, emitido pela Seção de Interesses Norteamericanos (Sina). Michael Parmly, ex-chefe da Sina em Havana, que se reunia regularmente com Yoani Sánchez em sua residência diplomática pessoal como indicam os documentos confidenciais da Sina, manifestou a sua preocupação em relação à publicação dos documentos diplomáticos dos EUA pelo WikiLeaks: “Ficaria muito incomodado se as numerosas conversações que tive com Yoani Sánchez fossem publicadas. Ela poderia pagar as consequências por toda a sua vida”. A pergunta que vem imediatamente à mente é a seguinte: por quais razões Yoani Sánchez estaria em perigo se a sua atuação, como afirma, respeita o marco da legalidade?

Em 2009, a imprensa ocidental divulgou massivamente a entrevista que o presidente Barack Obama havia concedido à Yoani Sánchez, e que foi considerado um fato excepcional. Yoani também afirmou que enviou um questionário similar ao presidente cubano Raúl Castro e que o mesmo não se dignou a respondê-lo. No entanto, os documentos confidenciais da Sina, publicados pela WikiLeaks, contradizem essas declarações. Foi descoberto que foi um funcionário da representação diplomática estadunidense, em Havana, quem, de fato, redigiu as respostas à dissidente e não o presidente Obama.

Mais grave ainda, a Wikileaks revelou que Yoani, diferente de suas afirmações, jamais enviou um questionário a Raúl Castro. O chefe da Sina, Jonathan D. Farrar, confirmou a informação através de um e-mail enviado ao Departamento de Estado: “Ela não esperava uma resposta dele, pois confessou que nunca enviou (as perguntas) ao presidente cubano”.

A conta de Yoani Sánchez no Twitter

Além do sítio Generación Y, Yoani Sánchez tem uma conta no Twitter com mais de 214 mil seguidores (registrados até 12 de fevereiro de 2012). Somente 32 deles moram em Cuba. Por outro lado, a dissidente cubana segue a mais de 80 mil pessoas. Em seu perfil, Yoani se apresenta da seguinte maneira: “Blogger, moro em Havana e conto a minha realidade através de 140 caracteres. Tuito, via sms sem acesso à web”. No entanto, a versão de Yoani Sánchez merece pouco crédito. Na realidade é absolutamente impossível seguir mais de 80 mil pessoas apenas por sms, a partir de uma conexão semanal em um hotel. É indispensável um acesso diário para isso na rede.

A popularidade na rede social Twitter depende do número de seguidores. Quanto mais numerosos, maior a exposição da conta. Da mesma maneira, existe uma correlação entre o número de pessoas seguidas e a visibilidade da própria conta. A técnica que consiste em seguir diversas contas é utilizada para fins comerciais, assim como para a política durante as campanhas eleitorais.

O sítio www.followerwonk.com permite analisar o perfil dos seguidores de qualquer membro da comunidade do Twitter. O estudo do caso Yoani Sánchez é revelador em vários aspectos. Uma análise dos dados da conta do Twitter da blogueira cubana, realizada através de seu sítio, revela que a partir de 2010 houve uma atividade impressionante de sua conta. A partir de junho de 2010, ela se inscreveu em mais de 200 contas por dia, em uma velocidade que poderia alcançar até 700 contas em 24 horas. Isto é, passar 24 horas diretas fazendo isto – o que parece improvável. O resultado é que é impossível ter acesso a tantas contas em tão pouco tempo. Então, parece que isto só é possível através de um robô.

Da mesma maneira, descobrimos que cerca de 50 mil seguidores de Yoani são, na realidade, contas fantasmas ou inativas, que criam a ilusão de que a blogueira cubana goza de uma grande popularidade nas redes sociais. Na realidade, dos 214.062 perfis da conta @yoanisanchez, 27.012 são novos (e sem fotos) e 20.600 são de características de contas fantasmas com atividades inexistentes na rede (de 0 a 3 mensagens enviadas desde a criação da conta). Entre estes fantasmas que seguem Yoani no Twitter, 3.363 não têm nenhum seguidor e somente 2.897 seguem a blogueira, assim como a uma ou duas contas. Algumas apresentam características bastante estranhas: não têm nenhum seguidor, seguem apenas Yoani e emitiram mais de duas mil mensagens.

Esta operação destinada a criar uma popularidade fictícia, via Twitter, é impossível de ser realizada sem acesso à internet. Necessita de um apoio tecnológico e um orçamento consequente. Segundo uma investigação realizada pelo diário La Jornada, com o título El ciberacarreo, la nueva estrategia de los políticos en Twitter, sobre operações que envolviam os presidenciáveis mexicanos, diversas empresas dos Estados Unidos, Ásia e América Latina oferecem este serviço de popularidade fictícia (“ciberacarreo” ou em português ciber transporte) por elevados preços. “Por um exército de 25 mil seguidores inventados no Twitter , escreveu o jornal, pagam até dois mil dólares, e por 500 perfis manejados para 50 pessoas é possível gastar entre 12 mil a 15 mil dólares”.

Yoani Sánchez emite, em média, 9,3 mensagens por dia. Em 2011, a blogueira publicou uma média de 400 mensagens por mês, O preço de uma mensagem em Cuba é de um peso convertido (CUC), o que representa um total de 400 CUC mensais. O salário mínimo em Cuba é de 420 pesos cubanos, ao redor de 16 CUC. Yoani Sánchez gasta, por mês, o equivalente a dois anos de salários mínimos em Cuba. Assim, a blogueira gasta em Cuba com o Twitter, um valor correspondente, caso fosse francesa, a 25 mil euros mensais ou 300 mil euros por ano. Qual a procedência desses recursos para estas atividades?

Outras perguntas surgem de maneiras inevitáveis. Como Yoani Sánchez pode seguir a mais de 80 mil contas sem acesso permanente a internet? Como conseguiu se inscrever em 200 contas diferentes por dia, desde junho de 2010, com índices que superam até 700 contas/dia? Quantas pessoas seguem realmente as atividades da opositora cubana na rede social? Quem financia a criação das contas fictícias? Qual o objetivo? Quais os interesses escusos detrás na figura de Yoani Sánchez?

Salim Lamrani

* Salim Lamrani é graduado na Universidade de Sorbone, professor encarregado dos cursos da Universidade Paris-Descartes e da Universidade Paris-Est Marne-la-Vallée e jornalista francês, especialista nas relacões entre Cuba e Estados Unidos. Autor de Fidel Castro, Cuba y Estados Unidos (2007) e Doble Moral. Cuba, la Unión Europea y los derechos humanos (2008), entre outros livros.

Fonte: La Jornada
Tradução de Sandra Luiz Alves

Fernando Santa Cruz – a luta dos estudantes contra a ditadura e pelo socialismo

Fernando Santa CruzOlinda não tem apenas as belezas naturais e a arquitetura colonial que a transformaram em Patrimônio da Humanidade. Essa bela cidade foi palco de muitas lutas de libertação, como as travadas pelos bravos guerreiros caetés contra os invasores portugueses, e os movimentos republicanos. Berço de heróis, ela gerou, entre tantos, um jovem que combateu a ditadura militar implantada no Brasil em 1964 e teve a sua vida sacrificada por defender os ideais de Liberdade, Justiça Social e Lealdade aos companheiros.

Fernando Augusto de Oliveira Santa Cruz nasceu em 20/02/1948, quinto filho do médico sanitarista Lincoln Santa Cruz e de Elzita Santos de Santa Cruz Oliveira. Quando caíram sobre o país as trevas do 1º de abril de 1964, ele tinha apenas 16 anos, mas não tardou a se engajar na luta pela democracia, integrando-se ao Movimento Secundarista.

Ensino público e gratuito, liberdade e revolução

No início dos anos 60 o Movimento Estudantil, dirigido por suas entidades nacionais União Nacional dos Estudantes (UNE) e União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) tinha presença marcante na vida do país. Defendia a Reforma Agrária e demais reformas de base propostas pelo governo de João Goulart e, especificamente, a Reforma Universitária e a democratização do ensino – por uma escola pública e gratuita.

As medidas repressivas adotadas pela ditadura militar desestruturaram as organizações operárias, camponesas e estudantis. Com muita dificuldade, o Movimento Estudantil começou a reerguer-se. Em 1966, recomeçaram as mobilizações de massa contra o acordo MEC-Usaid, que colocava o ensino brasileiro nas mãos dos Estados Unidos da América do Norte, principal potência imperialista. 1968 foi um ano de grandes manifestações nas principais capitais do país, culminando com a histórica passeata dos 100 mil no Rio de Janeiro. Esse ano registra, ainda, a retomada da luta operária com as greves em indústrias metalúrgicas de Contagem (MG) e Osasco (SP). As lideranças tinham a impressão de que os dias da ditadura militar estavam contados e, em pouco tempo, ela ruiria tal qual um castelo de areia.

O regime, ao contrário, endureceu. Em 13/12/1968 editou o Ato Institucional nº 5, o famigerado AI-5. Fechou o Congresso Nacional, cassou mandatos e direitos políticos de líderes oposicionistas; suspendeu as garantias do Judiciário. Daí em diante foi célere a escalada repressiva, até o fechamento total. Em fins de agosto de 1969, uma Junta composta pelos ministros do Exército, da Marinha e da Aeronáutica assume o governo, sucedendo o ditador Costa e Silva, vítima de um derrame cerebral. Em 30/10/1969 torna-se ditador de plantão o general fascista Emílio Garrastazu Médici. Sobrevém a completa escuridão. Imprensa censurada, Lei de Segurança Nacional, criação de um sistema repressivo clandestino a partir dos DOI-Codi, Centros de Informação do Exército, Marinha e Aeronáutica, Dops, Polícia Federal, enfim toda uma parafernália articulada nacionalmente. Os militantes eram presos na calada da noite, sem nenhum mandado judicial, torturados e mortos nos porões da repressão. Em relação a alguns, o sistema divulgava notas mentirosas, dizendo que tinham sido “abatidos” em tiroteios com os agentes; outros, simplesmente, eram dados como “desaparecidos”.

A luta dos estudantes era conduzida por organizações políticas forçadas a se manterem clandestinas. Além da luta por um ensino público, gratuito e livre de ingerências imperialistas, elas combatiam a ditadura militar e propagavam o Socialismo como solução para os problemas dos trabalhadores brasileiros. Entre essas organizações, estava a Ação Popular Marxista-Leninista (APML), na qual militou Fernando Santa Cruz. A APML nascera da Juventude Universitária Católica. Muitos membros da JUC evoluíram politicamente e resolveram romper com os limites da Igreja Católica, fundando em fevereiro de 1963 a Ação Popular (AP). A AP manteve a estrutura organizativa herdada da JUC até 1971 quando, em sua 3a reunião ampliada, assumiu o marxismo-leninismo e se transformou em Partido Revolucionário, de acordo com os princípios e a estrutura leninistas. Para a derrubada da ditadura militar e a tomada do poder político, definiu o caminho da luta armada, não na forma de guerrilha urbana – como fizeram outras organizações – mas na construção das condições para a deflagração da Guerra Popular, a partir das regiões mais sofridas do campo.

A hora da luta

Fernando Santa Cruz participou ativamente das manifestações contra o Acordo MEC-Usaid, como estudante secundarista no Recife (Colégio Carneiro Leão e, depois, Colégio Estadual de Pernambuco). Numa dessas manifestações, em 19/05/1967, aos 19 anos de idade, amargou sua primeira prisão. Em ofício ao Juiz de Direito da Vara Privativa de Menores, o Delegado de Segurança Social, Moacir Sales de Araújo, informa que Fernando e seu colega Ramires Maranhão do Vale foram detidos “quando, juntamente com vários outros estudantes, promoviam manifestações de caráter reconhecidamente subversivo, representadas por atos previstos no decreto-lei nº 314, de 13 de abril de 1967 (Lei de Segurança Nacional). Passou uma semana no Juizado de Menores, juntamente com crianças e adolescentes recolhidos das ruas. Essa convivência com os excluídos despertou sua consciência de classe; ele saiu mais disposto, intensificou a militância e integrou-se à Ação Popular. Foi um dos reorganizadores da Associação Recifense dos Estudantes Secundaristas (Ares).

Com a feroz repressão intensificada após o general Médici assumir o governo, mudou-se para o Rio de Janeiro em dezembro de 1969, onde ingressou no curso de Direito da Universidade Federal Fluminense, tendo atuado no Centro Acadêmico do seu curso e no Diretório Central dos Estudantes. Em 1972, nasceu o único filho, Felipe, fruto do seu casamento com a também militante Ana Lúcia Valença. Nesse mesmo ano mudou-se para São Paulo, onde assumiu emprego conquistado através de concurso público, no Departamento de Águas e Energia do Estado. Fernando optara por não ingressar na clandestinidade e, por isso, afastou-se de uma militância mais ativa, mas cumpria importantes tarefas de apoio: visitava e ajudava famílias de militantes presos; fazia a ligação entre companheiros clandestinos. Angustiava-se com as prisões e desaparecimentos que ocorriam, cada vez com maior frequência. Pouco tempo antes do seu próprio sequestro visitou a família e disse a um dos irmãos: “Esse pode ser o último ano que venho aqui, que estou tomando cerveja com você, revendo pessoas amigas, queridas, revendo Olinda”. Recusou firmemente a sugestão de deixar a política. “A luta política, a defesa do seu povo, era para Fernando o próprio sentido de estar vivo. Abandoná-la, seria como sair da vida”1.

“Mamãe, por que papai não volta para casa? Tenho tanta saudade dele…”2

Coerente com o que dissera ao irmão, Fernando decidiu estreitar os contatos com a APML e retomar uma militância mais intensiva. Para isso, foi com a família passar o carnaval de 1974 no Rio de Janeiro. No dia 23 de Manoel Lisboa fevereiro daquele ano foi a um encontro com o amigo Eduardo Collier Filho, também pernambucano e militante da mesma organização, e nunca mais voltou. A confirmação do sequestro dos dois jovens pela polícia política veio com a invasão efetuada pouco depois ao apartamento de Eduardo, onde um grupo de homens, sem identificação alguma, revirou todos os pertences e levou os seus livros.

Busca e denúncia da ditadura

Começou a busca desesperada. Seu irmão, o advogado Marcelo Santa Cruz, hoje vereador em Olinda, pelo PT, impetrou habeas corpus. Parentes peregrinaram pelos órgãos de segurança. Tudo em vão. Encaminharam denúncias a parlamentares do MDB, personalidades civis e militares, e a organismos como Anistia Internacional e Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA. Em 6/10/1974 o deputado pernambucano Fernando Lyra leu no plenário da Câmara uma carta enviada pelas mães dos dois jovens sequestrados, na qual elas bradavam, a certa altura: “…Já não acreditamos mais em nenhum pressuposto jurídico válido, e todo o ordenamento torna-se anticristão e, por conseguinte, sem nenhum sentido ético. Quando é negado aos cidadãos o elementar direito de defesa sob a subjetiva alegação de ‘segurança nacional’, deixando-o em prisões clandestinas; em que as autoridades recusam e negam informações da prisão efetuada, desanimamos e passamos a acreditar que ressurge um passado que a História condenou e sepultou com a vitória na 2a Guerra Mundial”.

Ante as pressões, Armando Falcão, ministro da “Justiça” do ditador Ernesto Geisel, divulgou nota incluindo Fernando e Eduardo numa lista de 25 militantes que estavam com mandado de prisão expedido, por atividades subversivas, mas não tinham sido encontrados pela polícia. Portanto, estavam desaparecidos. A família de Fernando desmascarou a farsa, provando que ele tinha emprego fixo e endereço certo em São Paulo, logo não estava sendo procurado. Voltou o silêncio total. Era mais um jovem sequestrado, torturado e morto nos porões da repressão. Sem ter cometido crime algum. Sem julgamento. Nem ao corpo para sepultar, a família teve direito. Nem a certeza da morte.

Esta só veio a ocorrer em dezembro de 1995, quando a Lei Federal no 9.140 reconheceu como mortos os “desaparecidos” entre 02/09/1971 e 15/08/1979. Foi uma vitória parcial das famílias, pois o Estado não assumiu sua inteira responsabilidade. Não esclareceu quais as circunstâncias das mortes, exatamente porque isso levaria à identificação dos assassinos, cuja punição os parentes dos mortos e a sociedade brasileira cobrariam. O Estado deve, ainda, a localização dos corpos, pois é desumano negar aos familiares o direito de sepultar seus parentes mortos.

A homenagem maior

Fernando não foi esquecido. Tem recebido várias homenagens. Em 1979 os estudantes do curso de Direito da Universidade Católica de Pernambuco deram seu nome ao Diretório Acadêmico. Chama-se também Fernando Santa Cruz o Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal Fluminense. Em 23/02/1984 a Câmara Municipal de Olinda aprovou uma lei dando, também, seu nome ao Teatro do Mercado Popular do Varadouro. Esta lei, de nº 4.423/84, foi sancionada pelo prefeito em 20 de março do mesmo ano. Em 1985 é lançado o livro Onde está meu filho? História de um desaparecido político. O Teatro Fernando Santa Cruz foi palco, na passagem dos 15 anos do seu sequestro, 23/02/1989, de um ato público de louvor ao herói e denúncia dos crimes da ditadura, para que não mais se repitam. Em 21/03/1996 foi inaugurada a Escola Municipal Fernando Santa Cruz, no bairro do Jordão, Recife.

Mas a maior homenagem não está escrita em nenhuma lei, em nenhuma placa. Está na consciência, na luta dos estudantes e de todo o povo pernambucano e brasileiro, que continua enfrentando uma ditadura bem mais sutil, mas tão nociva quanto aquela que matou o jovem herói. Uma ditadura que está destruindo o patrimônio nacional, sucateando o ensino público, deixando milhões de famílias sem trabalho, sem terra, sem moradia, na mais profunda miséria. Em cada ato público, greve, passeata, panfleto ou discurso; em cada passo dessa caminhada árdua e longa, mas vitoriosa porque tem o futuro a seu favor, mesmo que seu nome não seja pronunciado, Fernando Santa Cruz está presente!

Luiz Alves

Notas

1- Depoimento de Tuca, irmão de Fernando Santa Cruz, para o livro Onde Está Meu Filho? Editora Paz e Terra, 1984.
2- Palavras de Felipe, filho de Fernando, à sua mãe Ana Lúcia, aos 2 anos de idade  

(Publicado no Jornal A Verdade, nº 8)

A luta por melhores salários e a revolução

1

Greve de trabalhadores no NepalNa sociedade capitalista, a força de trabalho é uma mercadoria que o trabalhador assalariado vende ao dono do capital, recebendo por ela um determinado valor em dinheiro, ou seja, o salário. Portanto, o salário é o preço que o capitalista paga pela compra da força de trabalho do operário. Mas, como vendeu sua força de trabalho, digamos 8 horas por dia a R$ 10,00, tudo o que o operário produzir de valor acima de R$ 10,00 pertence ao patrão. Assim, um operário de calçados que em apenas 1 hora produziu cinco pares de sapatos no valor total de R$ 10,00 vai trabalhar as outras 7 horas gratuitamente para o capitalista, pois em apenas 1 hora produziu o que o capitalista lhe paga por 8 horas de trabalho, ou seja, R$ 10,00. Todas as sete horas restantes de trabalho são, portanto, trabalho gratuito do operário para o capitalista, ou seja, a mais-valia ou lucro. É daí que vêm a riqueza dos patrões e o roubo que eles fazem do trabalhador.

Entretanto, como explica Karl Marx, fundador do socialismo científico, embora só uma parte do trabalho diário do operário seja pago, enquanto a outra parte não é paga (e seja precisamente essa parte não paga que constitui o fundo a partir do qual se forma a mais-valia ou lucro), todo o trabalho tem a aparência de trabalho pago: “No regime de trabalho assalariado, ou seja, no capitalismo, com o pagamento do salário fica oculto, escondido, o tempo que o operário assalariado trabalha gratuitamente”(O Capital). Quer dizer, o salário encobre a exploração capitalista e, por isso, capitalistas e até operários acreditam que todo o trabalho foi pago, uma vez que o trabalhador recebe o salário por hora, dia, semana ou mês de trabalho, ficando encoberto o trabalho gratuito que o operário realizou e do qual o patrão tomou posse.

Quanto mais baixo o salário do trabalhador, maior é o lucro do patrão

Em outras palavras, quanto menor for o salário pago pelo capitalista ao trabalhador, maior será a mais-valia e maior será o lucro. Por isso, os capitalistas são sempre contra os aumentos de salários e tudo fazem para impedi-los, inclusive mentir. Este é o caso da afirmação de que aumento de salário causa inflação, mentira que os economistas burgueses e o governo vivem repetindo, mas que os fatos sempre desmascaram. Basta verificar que, no Brasil, os salários praticamente não tiveram nenhum aumento em 1999, enquanto os preços dispararam.

A burguesia tem todo interesse em manter na classe operária a crença de que todo seu trabalho é pago, pois para manter a escravidão assalariada ela necessita que o proletariado esteja sob a influência da ideologia burguesa. Portanto, dizer que o trabalho do operário é inteiramente pago pelo salário, além de ser uma inverdade é favorecer os capitalistas, dando- lhes um meio de reforçar a exploração.

Dessa forma, o problema de que apenas uma parte do trabalho do operário é pago pelo patrão constitui, na verdade, uma questão de grande importância para a luta de classe do proletariado. Pois, como também demonstrou Marx, a libertação da classe operária da ditadura burguesa não poderá efetuar-se sem que ela se liberte dessa influência ideológica da burguesia. Em outras palavras: a luta de classe do proletariado não é somente política e econômica, mas também teórica, no sentido de desmascarar cada uma das mentiras espalhadas pela burguesia, que têm por objetivo esconder a exploração capitalista.

Salário real e salário nominal

Observemos agora a diferença entre o salário nominal e o salário real. Salário nominal é a soma em dinheiro que o trabalhador recebe pela venda de sua força de trabalho. Pode aumentar e, mesmo assim, não significar uma melhora nas condições de vida do operário, já que é sempre mais rápido e mais intenso o crescimento dos preços dos artigos de consumo e dos impostos.

O salário real é aquele que indica quantos e quais artigos de primeira necessidade e que serviços pode comprar o trabalhador com seu salário. Portanto, para determinar o salário real de um operário é necessário saber quanto ele paga pelos artigos de uso e consumo, qual o custo do aluguel, quanto paga de impostos, quanto de horas trabalhadas não lhe é pago etc.

A burguesia e seus economistas procuram, com suas estatísticas, falsificar essa realidade de várias formas. Quando vão calcular o valor real dos salários incluem os salários dos gerentes, dos diretores de bancos e de uma minoria de dirigentes da burocracia estatal. Dessa forma, a média é puxada para cima e encobre a miséria que é o salário do trabalhador. Por outro lado, excluem também desses cálculos o salário pago ao operário agrícola e ainda o enorme exército de trabalhadores desempregados que é, inclusive, uma das condições para os baixos salários. O mesmo realizam os governos dos capitalistas nos índices de inflação, adotando critérios de peso que terminam por diminuir o custo dos artigos que mais os trabalhadores consomem. Assim, os índices oficiais de inflação são sempre menores do que a vida real revela.

“Quanto mais homens e mulheres estiverem desempregados, melhor será para os capitalistas e seus lucros na bolsa de valores. Quanto mais cresce a riqueza dos capitalistas, mais os operários e as massas populares ficam miseráveis. É evidente que um regime desse não pode e nem deve continuar existindo, visto que sua continuidade implica o crescimento do desemprego, da fome e da miséria dos trabalhadores”.

A queda dos salários no capitalismo

No capitalismo, “a tendência geral não é elevar os salários mas, pelo contrário, baixá-los, ou seja, reduzir o valor da força do trabalho para seu limite mínimo” (Marx. Salário, Preço e Lucro).

São várias as condições que determinam a queda dos salários no capitalismo. Uma das principais é o desemprego. Quanto maior o número de trabalhadores desempregados, maior é a oferta da força de trabalho e, conseqüentemente, menor é o valor pago pela compra da força de trabalho, ou seja, menor é o salário. Aproveitando-se dessa situação, muitas vezes o capitalista paga ao operário um valor inferior ao valor da força de trabalho, ou seja, ao necessário para ele manter sua força de trabalho e a sua família. Isso explica por que os capitalistas nada fazem para acabar com o desemprego. Pelo contrário, para eles, quanto mais trabalhadores desempregados existirem melhor, pois pagarão um salário mais baixo aos operários e maiores serão seus lucros.

Notícia da Folha de São Paulo: Desemprego sobe e bolsa de NY bate recordeProva disso é uma matéria do jornal burguês Folha de S. Paulo, em 6 de março de 1999. Nela, lemos a seguinte manchete: “Desemprego sobe e Bolsa de NY bate recorde”. E, na linha acima da manchete: “Mercado reagiu com alívio à divulgação do aumento do índice de desemprego, o que reduziu a taxa de juros”.

Vejamos outro exemplo: no dia 15 de dezembro de 1999, o monopólio norte-americano Exxon Mobil anunciou que vai demitir 14 mil trabalhadores nos próximos três anos, 13% da sua força de trabalho. Com o anúncio das demissões, as ações da Exxon Mobil subiram e o presidente da gigantesca empresa, Lee Raymond, declarou: “Estávamos muito animados com as perspectivas para a companhia e estamos ainda mais agora”.

Está aí revelada a natureza do capitalismo, sua ganância e o desprezo pelo sofrimento do trabalhador e de sua família. Quanto mais homens e mulheres estiverem desempregados, melhor será para os capitalistas e seus lucros na bolsa de valores. Quanto mais cresce a riqueza dos capitalistas, mais os operários e as massas populares ficam miseráveis. É evidente que um regime desse não pode nem deve continuar existindo, visto que sua continuidade implica o crescimento do desemprego, da fome e da miséria dos trabalhadores.

Não é possível, portanto, numa sociedade na qual o lucro é o principal objetivo e são os capitalistas que mandam e governam, acabar com o desemprego. Só, de fato, numa economia em que prevaleçam os interesses coletivos e os trabalhadores sejam os que governam, isto é, numa economia socialista, pode ter fim toda a infelicidade causada pelo desemprego.

Uma outra condição da sociedade capitalista que leva a rebaixar os salários dos operários e aumentar a exploração é a utilização de modernas e avançadas máquinas na produção. Como sabemos, as máquinas permitem, no geral, um aumento extraordinário da produtividade. Sendo assim, seria natural que sua adoção na indústria, no comércio e na agricultura terminasse por beneficiar o trabalhador, reduzindo sua estafante jornada de trabalho e permitindo uma melhoria nas condições de vida e trabalho. Entretanto, na sociedade capitalista ocorre o inverso: os avanços tecnológicos são usados pelos capitalistas para forçar o operário a trabalhar mais e a produzir mais mercadorias. Não ocorre nenhuma redução da jornada de trabalho e nenhum aumento real dos salários pelo contrário.

Vejamos um exemplo. Em 1973, os 96 mil operários das indústrias automobilísticas brasileiras produziram 750 mil veículos. Em 1998, também 96 mil operários dessas indústrias produziram 1,6 milhão de automóveis, mais que o dobro do que 25 anos antes. Como vemos, trata-se de um aumento de produtividade gigantesco, ou seja, cada operário mais que dobrou sua produção. Mas essa ampliação da produção beneficia unicamente os proprietários dos meios de produção, os capitalistas, que passam a ter mais produtos para vender e vêem crescer seus lucros. Na sociedade capitalista, todo o desenvolvimento da técnica é usado pelos donos do capital para aprofundar a exploração dos trabalhadores, já que estes, em menos horas de trabalho e pelo mesmo salário, produzem um maior número de mercadorias, assim crescendo seus lucros. Eis porque esse é outro fator de rebaixamento do valor do salário real do operário.

Da mesma forma, o prolongamento da jornada de trabalho é também uma das principais maneiras de os capitalistas rebaixarem os salários. Dito de outra forma, quanto mais os capitalistas prolongarem o dia de trabalho, maior será a quantidade de trabalho do operário de que podem se apropriar. Dados recentemente divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelam que, apesar de todo o avanço da mecanização e da computação nas empresas, as pessoas estão trabalhando cada vez mais em quase todos os países capitalistas. Nos EUA, por exemplo, apesar de a jornada de trabalho de quarenta horas semanais ter sido fixada em 1938, em várias regiões do país a média de horas trabalhadas chega a 60 horas. Como está claro, o capitalismo busca sempre, e de forma implacável e sem nenhuma piedade, reduzir o trabalhador a menos que um animal de carga.

Por outro lado, numa economia socialista, todos os avanços tecnológicos, progressos técnicos e máquinas são utilizados em benefício dos que trabalham e produzem as riquezas, permitindo que haja uma redução substancial da jornada de trabalho.

A utilização do trabalho da mulher e da criança

O valor da força de trabalho é calculado de forma a garantir a manutenção e a reprodução da vida do trabalhador e da sua família. Daí que, na economia capitalista, a incorporação das mulheres e das crianças à produção, em vez da propalada “igualdade de oportunidades” de que falam os meios de comunicação burgueses, tem por objetivo reduzir o salário do operário e aumentar o lucro dos capitalistas. Agora, toda a família trabalha e recebe o que antes só um recebia, quer dizer, a exploração da classe operária é reforçada em seu conjunto. Ainda mais porque, como sabemos, no capitalismo as mulheres recebem, pelo mesmo trabalho que os homens realizam, um salário menor, e as crianças e adolescentes, um salário várias vezes inferior ao que é pago aos adultos.

Vale dizer também que a exploração do trabalho infantil provoca o crescimento das doenças e da mortalidade infantil, além de privar as crianças da educação. No Brasil, mais de cinco milhões de crianças trabalham e são superexploradas pelos capitalistas, ganhando abaixo de um salário mínimo.

Os impostos, a inflação e a redução do salário

Uma outra importante maneira de os capitalistas rebaixarem o salário do trabalhador são os impostos, sejam diretos (imposto de renda, CPMF etc.), descontados no salário, ou indiretos, os que o trabalhador paga ao consumir qualquer produto (IPI, ICMS etc.). Na verdade, quase um terço do salário de uma família operária é gasto com os diversos impostos cobrados pelo governo dos capitalistas.

Aliás, os impostos indiretos pagos pelo povo são uma maneira que os capitalistas têm de transferir para a população os pagamentos que eles deveriam fazer ao Estado. Fazem isso incluindo nos preços dos produtos o valor dos impostos que pagam. (Mesmo assim, ainda sonegam). Mais: os impostos permitem que os capitalistas recuperem uma parte dos salários que pagaram aos operários, pois o dinheiro recolhido dos trabalhadores, em vez de ir para a saúde, educação e programas sociais, é utilizado pelo governo dos capitalistas em benefício deles próprios, como mostram o financiamento das privatizações; os subsídios à Ford; os chamados incentivos fiscais; os pagamentos dos juros das dívidas interna e externa; os empréstimos do governo a usineiros e latifundiários, nunca pagos; o Proer etc.

Mas não é só isso. A inflação, ou seja, o aumento dos preços dos artigos de amplo consumo contribui, e muito, para encarecer a vida e, em conseqüência, rebaixar o salário real. Vejamos o caso dos remédios, que nos últimos dois anos tiveram aumentos de mais de 200%; também do aluguel que, devido à especulação, cresceram enormemente nas últimas décadas, tornando proibitivo para uma família de trabalhador alugar uma casa para morar. Isso explica por que milhões de trabalhadores são obrigados a viver embaixo dos viadutos ou nas calçadas.

Assim, quando ocorre a inflação, o operário compra cada vez menos mercadorias e não consegue restabelecer o valor de sua força de trabalho. Seu salário real diminui, o que é vantagem para os capitalistas, pois a queda do salário real implica uma diminuição dos custos de produção e o aumento dos seus lucros. Quer dizer, são os capitalistas que lucram com a inflação.

A greve e a luta da classe operária pela elevação dos salários e redução da jornada de trabalho

Em sua incessante sede de lucros, a burguesia procura sempre pagar o salário mais baixo possível ao trabalhador e, até mesmo, inferior ao necessário para ele se manter e viver. Quando isso acontece (e é exatamente o que hoje vem acontecendo em todos os países capitalistas, em particular no Brasil), a população trabalhadora vive doente, morre cedo e seus filhos crescem com grandes problemas físicos e mentais. A vida vai se tornando insuportável para todos os que vivem nessa escravidão assalariada.

Para deter esse genocídio que o capitalismo pratica, a classe operária luta para elevar os salários e impedir a sua diminuição, bem como para estabelecer um salário mínimo verdadeiro, reduzir a jornada de trabalho e ampliar os seguros sociais, como saúde e educação pública. Não travar essa luta é ceder covardemente à tirania do capital e privar-se da possibilidade de desenvolver movimentos de maior envergadura.

Ora, os objetivos dos grandes monopólios capitalistas e dos países imperialistas, através de seus órgãos como OMC, FMI, Banco Mundial, ONU etc., e dos governos capitalistas, como o de FHC, são contrários a tudo isso. Pretendem, sim, é acabar com os programas sociais e eliminar os direitos trabalhistas, como mostram as recentes leis do contrato temporário; das cooperativas; e todas as tentativas feitas para extinguir o FGTS, 13o, licença- maternidade, e até ampliar a jornada de trabalho. Nessa luta por seus direitos e contra a exploração capitalista, a classe operária conta com o apoio de todos os explorados e humilhados pelo capitalismo e enfrenta a ferocidade tanto da burguesia como do Estado burguês. Por sua vez, os capitalistas usam da repressão policial, da justiça burguesa e da corrupção de parlamentares e dirigentes sindicais, como os da Força Sindical, para derrotar os operários e aprofundar a exploração. Um dos meios de que a classe operária dispõe para lutar pela elevação dos salários, redução da jornada de trabalho e melhoria das condições de vida e de trabalho é a greve. Foram as grandes greves dos operários no início deste século que terminaram por forçar os governos burgueses a aceitar a jornada de oito horas e a fixar um salário mínimo.

Hoje, mais uma vez, em todo o mundo, a burguesia tenta acabar com essas conquistas e promover o que, pomposamente, chama de “flexibilização das relações de trabalho”. É aí que a luta econômica do proletariado adquire uma grande importância para enfrentar o aprofundamento da exploração e a cada vez maior ganância dos patrões. Opor uma firme resistência a esses planos dos capitalistas é hoje uma luta central da classe operária. Portanto, é fundamental que verdadeiros dirigentes operários ocupem seu lugar nos sindicatos e trabalhem para fazer avançar a organização e a luta da classe operária e de todos os trabalhadores contra o aprofundamento da exploração capitalista. Os sindicatos sempre foram uma importante escola de luta de classes para as grandes massas trabalhadoras e, neste final de século XX, quando ocorre o aumento da exploração capitalista, ou assumem este papel ou serão ultrapassados pela luta da classe operária.

A revolução e a abolição do sistema de trabalho assalariado

Porém os trabalhadores não devem exagerar o resultado final destas lutas por melhores salários, pois, como afirmou Marx, “é uma luta apenas contra os efeitos e não contra as causas desses efeitos; aplica paliativos e não cura a doença. Os operários não devem, portanto, deixar-se absorver exclusivamente por essas escaramuças inevitáveis provocadas continuamente pelos abusos incessantes do capital ou as variações do mercado. Impõe-se que compreendam que o regime atual, com todas as misérias que os oprimem, origina, ao mesmo tempo, as condições materiais e formas sociais necessárias para a transformação econômica da sociedade. Em vez da palavra de ordem conservadora “um salário justo por um dia de trabalho justo”, devem inscrever na sua bandeira a palavra de ordem revolucionária: “Abolição do sistema de trabalho assalariado”. (Salário, Preço e Lucro).

Em outras palavras, a luta econômica, apesar de sua importância, é dirigida apenas contra os efeitos do capitalismo (baixos salários, aumento da jornada de trabalho etc.). Para a classe operária acabar em definitivo com todo o seu sofrimento é necessário realizar uma revolução que corte o mal pela raiz, ou seja, que acabe com o modo de produção capitalista. E quem não compreende que somente através da luta política revolucionária, dirigida por um partido comunista revolucionário, é possível destruir a escravidão assalariada e toda opressão econômica e política que causa o capitalismo, não pode dizer-se marxista.

Como deixa claro o avanço da luta dos trabalhadores em todos os países, diante de toda a violência, humilhação, ruína e exploração causadas pelo capitalismo, a classe operária, e o povo, não se curvam. Aliás, como mostra a história, ela se fortalece a cada dia, pois tem certeza de seu futuro e luta não apenas para elevar seus salários, mas pela libertação de todos os humilhados e ofendidos pelo regime dos exploradores.

Luiz Alencar Falcão é membro do Comitê Central do PCR e diretor de redação do jornal A Verdade

(Publicado no Jornal A Verdade, nº 6 )

Sepé Tiaraju, líder da República Comunista Guarani

Sepé Tiarajú, líder da República Comunista Guarani

A cruz e a espada

Quando os invasores portugueses resolveram ocupar a terra brasileira para plantar cana-de-açúcar e explorar minérios, procuraram resolver o problema dela já ter dono de duas maneiras. Uma, tentando o apoio dos indígenas, e a outra, eliminando ou escravizando aqueles que não quisessem se submeter. Para o meio pacífico foi utilizada a Igreja Católica, através dos seus padres, denominados missionários, especialmente os jesuítas. Os missionários eram sutis: aprendiam as línguas dos índios, seus costumes, e aí introduziam os cânticos da Igreja, suas pregações na língua indígena e ganhavam sua confiança. A seguir, tiravam os indígenas dos seus lugares de moradia, queimavam suas roças e casas , separavam homens e mulheres e os levavam para viver junto dos brancos a quem passavam a servir como escravos ou semi-escravos.

Mas não eram muitos os indígenas que se deixavam levar pela conversa mansa dos missionários, quando então eram dominados pela força das armas. Os índios lutavam – há muitas histórias de bravura, há registros de vitórias significativas, mas como o armamento era muito inferior ao dos brancos, acabavam sendo vencidos, mortos impiedosamente – especialmente os velhos e as crianças e os sobreviventes escravizados.

Nas Missões os índios eram proibidos de praticar seus costumes e tinham de seguir a religião católica. Os padres não tinham nenhum respeito pela cultura indígena, pois consideravam os índios seres inferiores. Até o famoso José de Anchieta, festejado pela História Oficial como amigo dos índios, disse certa vez que para eles “ não há melhor pregação do que espada e ferro”.

Uma missão especial

Na fronteira com o Paraguai, numa região hoje situada no Estado do Rio Grande do Sul, viviam índios da nação Guarani . Eles também receberam um grupo de jesuítas. Esses missionários, entretanto, pensavam diferente da Igreja oficial e da maioria dos seus colegas. Eles respeitavam a cultura indígena e defendiam que a terra era dos nativos, não podendo ser tomada por ninguém. Queriam que os índios se convertessem ao cristianismo, mas a partir da identificação da vida comunitária e solidária que levavam, com os princípios cristãos do amor ao próximo e do desapego às riquezas. Esses padres achavam que os guaranis reproduziam a vida dos primeiros cristãos contada nos Atos dos Apóstolos, onde todos colocavam o que tinham à disposição dos outros e não havia necessitados entre eles.

Uma república comunista

A Sociedade que empolgou o grupo de jesuítas tinha as seguintes características:

1. Davam ou trocavam entre si as coisas de que precisavam;
2. As terras e os bens de produção eram coletivos;
3. A sociedade era comunitária, o trabalho coletivo, havia ajuda mútua e solidariedade.

Os missionários integraram-se na vida dos guaranis e contribuíram com seu senso de organização. Assim, os povos foram organizados em sete aldeias que organizavam sua vida através de assembléias específicas na qual escolhiam uma coordenação. Discutiam também questões relativas ao conjunto e levavam suas propostas à Assembléia Geral dos Sete Povos, onde era eleita uma coordenação central. Funcionava de fato o poder popular. Naturalmente a síntese cultural não se deu de forma linear entre os indios e os jesuítas. Houve um momento, por exemplo, em que os padres cederam às pressões dos superiores e tentaram introduzir a propriedade privada, estabelecendo o trabalho em roças individuais durante alguns dias da semana. Os guaranis reagiram da seguinte forma: nos dias do trabalho individual, todos ficavam em casa deitados, conversando ou brincando pelas aldeias. Nos dias do trabalho coletivo, iam todos juntos para as roças, cantando alegremente. Construíram uma vida harmoniosa, solidária, sem exploração, onde o homem era irmão do homem e não o lobo. Por isso, a experiência ficou conhecida como República Comunista Guarani, pois tudo era comum e não havia superiores e subordinados entre eles.

Sepé Tiarajú– Quem conhece a liberdade não aceita a escravidão

A região dos Sete Povos das Missões estava no domínio do invasor espanhol que não tinha interesse nela, pois estava muito ocupado com o ouro e a prata do México e de outras nações que conquistara. Mas para resolver conflitos com os portugueses, os reis das duas nações invasoras fizeram nova divisão da América do Sul – O Tratado de Madri – que, assinado em janeiro de 1750, passava para o domínio português a região das missões. Os portugueses , a essa altura, não deixavam escapar o menor pedaço de terra sob o seu poder, querendo assim aumentar o poderio perante os outros países europeus.

Assim, acabou-se a paz dos guaranis que não aceitaram se retirar dos seus territórios. “Essa terra já tem dono”, diziam eles e passaram a organizar a resistência. Os padres ainda tentaram a interferência dos seus superiores da Igreja Católica para evitar a invasão, mas estes não lhes deram a menor atenção. Foi aí que se destacou a capacidade de liderança e de estrategista de um jovem de 27 anos, Sepé Tiaraju. Portugueses e espanhóis montaram um exército comum que foi derrotado em duas ocasiões pelo povo guarani, embora com armamento inferior .

Certa vez, caindo numa cilada, Sepé entrou num quartel português, de onde saiu ileso, apesar de receber uma saraivada de balas de todos os lados. A partir de então passou a ser ainda mais admirado pelo seu povo e temido pelos invasores que consideravam ser ele um ser sobrenatural. Na batalha final, travada em 7 de fevereiro de 1756, Sepé acabou cercado sozinho por mais de mil homens e ainda lutou muito tempo até tombar bravamente, aos 33 anos, depois de ferir o soldado que o acertou.

Sepé não era sobrenatural, como pensavam os invasores. Sua energia, sua bravura e as vitórias que obtinha eram inteiramente naturais, vinham do seu povo: Do amor à liberdade , do horror à escravidão, da defesa de sua terra.

Foram seis anos de resistência. Sepé tombou em combate. Seu povo foi vencido, escravizado e disperso. Alguns ainda lutaram em guerrilhas contra o invasor por vários anos. Jamais morrerá, entretanto, o seu exemplo,

O modelo econômico que o capitalismo invasor implantou no Brasil está esgotado. As classes dominantes (a burguesia e os latifundiários) não tem mais sequer a escravidão assalariada para o povo que, em sua maioria, sobrevive de biscates, de esmolas e de forma marginal.

Um povo que luta um dia vencerá

Mas este povo luta, de todas as formas possíveis, por emprego, por salário, por terra, por teto, por uma vida digna, enfim.

Chegará o dia em que os oprimidos não suportarão mais tanta exploração e seguindo, em todo o país, o caminho apontado pelos guaranis, pelos quilombos, por Canudos e por tantos outros, serão invencíveis. Aí a vida comum e solidária será retomada e algum historiador escreverá uma obra registrando a caminhada do nosso povo desde a República Comunista Guarani até a República Comunista de todo o Povo Brasileiro.

Luiz Alves

(Publicado no Jornal A Verdade nº 5)

Mais de 11 milhões de brasileiros vivem em moradias irregulares

0

Mais de 11 milhões brasileiros vivem em moradias irregularesO Brasil tinha 11,42 milhões de pessoas morando em favelas, palafitas ou outros assentamentos irregulares em 2010. O número corresponde a 6% da população do País e consta do estudo Aglomerados Subnormais, realizado com dados do último Censo e divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A comparação com levantamento realizado há 20 anos indica que quase dobrou, no período, a proporção de brasileiros que moram nessas áreas, em condições precárias. Em 1991, 4,48 milhões de pessoas (3,1% da população) viviam em assentamentos irregulares, número que aumentou para 6,53 milhões (3,9%) no Censo de 2000.

O IBGE ressalva que, apesar de o conceito de aglomerado subnormal ter permanecido o mesmo desde 1991, foram adotadas inovações metodológicas e operacionais no Censo 2010 e que, por isso, a comparação dos dados “não é recomendada”. O objetivo da mudança, segundo o instituto, foi aprimorar a identificação de favelas. Entre as inovações adotadas em 2010, houve o uso de imagens de satélite de alta resolução e a realização de uma pesquisa específica para melhorar a informação territorial.

Ao todo, foram identificados 6.329 aglomerados subnormais em 323 municípios do País. Trata-se de um fenômeno majoritariamente metropolitano – 88,2% dos domicílios em favelas estavam concentrados em regiões com mais de 1 milhão de habitantes. As regiões metropolitanas de São Paulo, Rio e Belém, somadas, concentravam quase a metade (43,7%) do total de domicílios em assentamentos irregulares do País. Mapas preparados pelo IBGE mostram grande diferença na distribuição desse tipo de moradia. Em São Paulo, por exemplo, predominam áreas de pequeno porte e concentradas na periferia, ao contrário do Rio, onde há um espalhamento maior pelo território.

Em Belém, mais da metade da população (54,5%) vivia em assentamentos irregulares em 2010. É a maior proporção do País. No município do Rio, eram 22%. Em São Paulo, 11%. Campo Grande foi a capital com menor proporção de população em moradias desse tipo – 0,2% dos habitantes.

A região Sudeste concentrava metade (49,8%) dos domicílios ocupados em aglomerados subnormais do País, com destaque para os Estados de São Paulo (23%) e Rio de Janeiro (19%). A região Nordeste tinha 28,7% do total, a Norte 14,4%, a Sul 5,3% e a Centro Oeste 1,8%.

O perfil do morador de favelas apurado pelo IBGE mostra que a idade média nessas áreas era de 27,9 anos em 2010, ante 32,7 anos nas áreas regulares dos municípios. A população na faixa de 0 a 14 anos correspondia a 28,3% do total nas favelas, enquanto nas áreas urbanas regulares essa proporção era de 21,5%. Já na faixa de 60 anos ou mais, era de 6,1% nos aglomerados e de 11,1% nas urbanizadas regulares.

A densidade média de moradores é mais alta nos domicílios em favelas do que nas áreas urbanas regulares dos municípios. Essa diferença é mais acentuada nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, mas a região Norte apresentou as maiores médias de moradores por domicílio em assentamentos irregulares: no Amapá, chegou a 4,5. A média nas favelas do Estado de São Paulo foi de 3,6 moradores por domicílio. Já nas áreas urbanas regulares, a média ficou em 3,2.

Além da população mais jovem, as favelas também concentravam um número maior de pessoas que se declararam pretas ou pardas do que áreas urbanas regulares dos municípios. O percentual de pretos e pardos nas favelas chegou a 68,4%, ante 46,7%.

O IBGE destaca, na publicação, que os investimentos em habitação e saneamento “não foram suficientes para atender à forte e crescente demanda” de pessoas que sucessivamente se deslocaram para cidades em busca de oferta de trabalho.

Fonte: Agência Estado

I Encontro do Movimento de Mulheres Olga Benário na PB

0

Matéria realizada pela TV Clube sobre o Primeiro Encontro Estadual do Movimento de Mulheres Olga Benário na Paraíba, que teve sua abertura realizada no auditório do Hospital Universitário Lauro Wanderley.

Estudantes entram em greve no Canadá contra aumento das mensalidades

0

Greve de estudantes em Quebec, Canadá, contra aumento das mensalidadesCerca de 36 mil estudantes na província de Quebec, Canadá, deixaram suas salas de aula logo no retorno das férias para uma greve tática contra uma tentativa de aumento das mensalidades por parte do governo.

Inicialmente com a participação de apenas 10% do total de estudantes, a greve, uma vez iniciada, teve uma adesão vertiginosa nos dias seguintes.

O governo pretende praticamente dobrar o valor das mensalidades, que iria de $2.200 para $3.800 num prazo de cinco anos, o que foi entendido pelos estudantes como uma declaração de guerra. Os alunos dizem que a educação é um direito fundamental e que o aumento irá tirar várias pessoas das escolas.

“Do nosso ponto de vista não se trata de fazer a educação menos e menos acessível, como é a proposta do governo liberal”, diz o estudante Gabriel Nadeau-Dubois. “Precisamos fazer um debate sobre a educação pública, que é uma escolha já feita por vários países e algo plenamente possível em Quebec.”

Um representante dos estudantes afirmou que o governo de Quebec pode investir mais no ensino sem espremer os estudantes. De fato, ele diz, o governo poderia até tornar o ensino gratuito impondo novos impostos sobre os bancos e as mineradoras.

Um porta-voz da polícia de Montreal afirmou que 37 estudantes foram presos na última semana após a ocupação da faculdade da cidade, e que todos responderão a processo. Os estudantes haviam erguido barricadas na faculdade mas foram cercados e presos pouco após a meia noite da última sexta.