UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sábado, 5 de abril de 2025
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A situação das mulheres na Alemanha Socialista

Jovem mulher trabalhadora da RDA, ou Alemanha SocialistaEnquanto atualmente no mundo inteiro apenas 40% das mulheres estão no mercado de trabalho, ganhando até 28% a menos que os homens (no caso do Brasil) para as mesmas funções e sendo responsáveis por apenas 10% da renda mundial, numa sociedade socialista sua situação é bem outra.

Reproduzimos abaixo trechos do livro Berlim: muro da vergonha ou muro da paz?, de Antônio Pinheiro Machado Netto, que viajou à RDA – República Democrática Alemã, ou Alemanha Socialista, na década de 1980, e registrou em forma de livro seu depoimento de tudo que foi possível observar naquele país. Fizemos um recorte dos trechos que dizem respeito especificamente à situação da mulher trabalhadora, mãe e estudante na Alemanha Oriental.

A mulher na RDA na década de 1980

“… 90% de todas as mulheres entre 15 e 60 anos de idade trabalham ou estão a qualificar-se profissionalmente.

“Aliás, as mulheres – porque discriminadas no regime capitalista – merecem uma referência especial neste depoimento.

“Registra-se que – nos serviços de saúde e assistência social – 80% dos empregados são mulheres. Em cada duas mulheres, uma é médica, dentista ou farmacêutica. Na economia, uma em cada quatro mulheres exerce função destacada. Também nas cooperativas de produção agrícola é expressiva a participação feminina: em cada três presidentes, um é mulher, o mesmo ocorrendo entre juízes – em três, um é mulher.

“As mães de dois filhos tem jornada de trabalho reduzida, até que os filhos completem 16 anos, lembrando-se, ainda, que a mulher tem participação especial em alguns tipos de trabalho, em razão de sua natureza física.

“A licença de gravidez é de 6 semanas antes e 20 semanas depois do parto.

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“Na RDA, hoje, se as mães desejarem, 657 crianças, em 1.000, de zero a um ano, podem frequentar creches, onde recebem toda a assistência material, social e médica de pessoal especializado, gratuitamente. Todas as crianças de um a quatro anos – se os pais quiserem – frequentarão creches especiais, o mesmo em relação às crianças (todas) de três anos de idade até o início da escolaridade, que tem acesso aos jardins de infância na RDA, tudo gratuitamente. Melhor dito. Nessas creches especiais e nos jardins de infância não há restrições quanto a vagas. As crianças da RDA, hoje, tem assegurada essa possibilidade. Tem vaga para todas.”

[…]

“Cerca de 13% das estudantes são mães, número com tendência a crescer. Elas, assim como os casais de estudantes com filhos, são especialmente assistidas pelas universidades, escolas superiores e pelo Estado. Vivem sobretudo nos internatos e recebem preferencialmente lugares nas creches e jardins de infância (a assistência às crianças é gratuita na RDA, os pais participam apenas com 85 ou 55 pfennigs por dia nas despesas para comida e leite). Para cada filho é pago, além da bolsa mensal de estudo básica, um subsídio de 50 marcos.

“As estudantes se beneficiam com todas as outras regalias sociais proporcionadas pelo Estado, como licença paga de gravidez e maternidade de 26 semanas, o subsídio estatal mensal de 20 marcos para o primeiro e o segundo filhos, e de 1.000 marcos a partir do terceiro.

“Para o equipamento de casa, jovens casais podem recorrer a um crédito estatal, sem juros, de 5.000 marcos cujo prazo de reembolso é de oito anos. Se nesse período nascem filhos, o reembolso é diminuído de 1.000 marcos em caso do primeiro, 1.500 em caso do segundo e quitados os restantes 2.500 marcos na eventualidade de um terceiro filho.

“A fim de ajudar as estudantes grávidas e estudantes-mães a concluírem seus estudos, as faculdades oferecem alternativas especiais com vistas à recuperação das ausências a aulas e exames, o que se processa através de atendimento individual, planificando cada caso, sem qualquer prejuízo.

“A pedido da estudante, pode até ser cumprido um plano especial de estudo que resulte em acrescentar mais um ou dois anos ao período normal do curso.

“Mas a bolsa de estudo continua a ser paga plenamente. Assim, nesses casos as universidades e escolas superiores são obrigadas a garantir a continuação do estudo depois da licença.

“Os regulamentos são válidos independentemente de a jovem mulher ser casada ou não, referindo-se também a pais que estão sozinhos com a criança, o que também acontece.”

Como podemos ver, apesar do revisionismo, que aos poucos levou à restauração do capitalismo em vários países do leste europeu, as conquistas dessas experiências – que se mostraram superiores ao capitalismo – devem ser relembradas, pois mostram que o caminho da libertação da mulher e do fim da exploração do homem pelo homem passam, necessariamente, pelo socialismo.

Glauber Ataide

Pesquisa: Você acha que Ricardo Teixeira deve ser preso?

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O Jornal A Verdade quer saber: Você acha que Ricardo Teixeira deve ser preso?

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Fora Ricardo Teixeira!

Desigualdade entre homens e mulheres persiste

Igualdade de gênerosMais uma vez foi constatado que as mulheres trabalhadoras ainda ganham menos que os homens para as mesmas funções desempenhadas. As mulheres ganharam até 28% a menos do que eles em 2011, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME).

A legislação brasileira prevê que não pode existir diferença salarial entre homens e mulheres. Isso fica claro na Constituição e na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). No entanto não é isso que as pesquisas mostram.

Em uma década, as mulheres da Região Metropolitana de São Paulo aumentaram sua participação no mercado de trabalho e melhoraram o grau de instrução em relação aos homens, contudo, continuam recebendo menos do que eles. Entre as mulheres negras a diferença de salário chega a ser de até 172% menos, pois são as mais afetadas com menores salários, precarização do trabalho e informalidade.

Segundo o Dieese, em todas as regiões do país, as mulheres demoram mais que os homens para encontrar emprego, com exceção de São Paulo, onde os tempos de procura se assemelham. Salvador abriga a maior disparidade: elas levam uma média de 13 meses e os homens nove meses para encontrar um emprego.

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As mulheres representam 55% da população mundial, no entanto, apenas 40% delas estão no mercado de trabalho e representam apenas 10% da renda do mundo. A pobreza no mundo tem, portanto, sexo.

 Agora em março, mês que marca a luta das mulheres por igualdade de direitos, é mais que necessário que esta questão seja debatida e colocada nas pautas de reivindicações dos movimentos populares, organizações políticas e sindicatos.

As mulheres são parte integrante da classe trabalhadora. Constroem, assim como os homens trabalhadores, toda a riqueza deste país. Não é mais possível tolerar tamanha discrepância de braços cruzados. Essa deve ser uma luta de toda a classe trabalhadora.

Márcio Alves dos Santos, metalúrgico e militante do MLC

Gorbachev grava documentário pela BBC em celebração aos 20 anos do fim da URSS

O número de pessoas vivendo na pobreza na Rússia chegou a 21,1 milhões em 2011No final de 2011, ao se aproximar o aniversário de 20 anos da dissolução da União Soviética, os meios de comunicação burgueses se assanharam em celebrar a data. Afinal, não é todo dia que o capitalismo é restaurado no que havia sido uma grande república dos trabalhadores.

E para tão especial ocasião a BBC convidou ninguém menos que Mikhail Gorbachev, o revisionista, o traidor, que conspirou contra os trabalhadores de sua própria pátria e condenou milhões à fome, ao desemprego, à baixa expectativa de vida e a outras tantas características do capitalismo que podemos observar hoje na Rússia.

Com o título Gorbachev, the great dissident (Gorbachev, o grande dissidente), o documentário se propõe a tentar explicar como o “fenômeno” Gorbachev foi possível. Isso é, como um filho do socialismo foi capaz de acabar com ele. E mostra também como foram os momentos finais da URSS.

Contando sua trajetória intelectual e pessoal dentro e fora do partido, Gorbachev afirma que não foi sempre um dissidente. Nascido em 1931 e filho de camponeses, relembra inclusive que seu trabalho de conclusão de curso na universidade foi sobre Stálin, com o título: “Stálin é nossa glória na batalha, Stálin é as asas da nossa juventude.” E afirma que era mesmo sincero, pois não foi obrigado por ninguém a entrar no partido.

No entanto, após o infame “relatório secreto” de Kruschev (que foi recentemente provado como falso do início ao fim pelo historiador Grover Furr) e a “liberação da atmosfera intelectual” (expressão burguesa que ele adota), passou a ter dúvidas sobre inúmeras questões.

O que o próprio Gorbachev deixa claro é que a partir de então ele sempre teria uma vida dupla: criticava o partido em privado, mas tinha uma vida pública exemplar.

Foi nessa época também que ele conheceu Zdenek Mlynar, o qual foi seu melhor e mais íntimo amigo. Mlynar seria, alguns anos depois, um dos arquitetos da Primavera de Praga de 1967, que foi esmagada pelos tanques soviéticos com o consentimento público (mas não privado) de Gorbachev.

Essa experiência foi decisiva na vida do revisionista. Após a derrota da Primavera de Praga ele compreendeu que qualquer mudança na União Soviética deveria ser lenta e gradual. Essa foi uma das bases da Perestroika.

Sua vida dupla foi eficaz o suficiente para levá-lo aos mais altos coletivos de direção do partido, incluindo o Politburo e o cargo de Secretário Geral do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética. Mas mesmo assim ele sabia, conforme declara sua ex-esposa Raisa Gorbacheva, que qualquer mudança deveria ser feita de cima para baixo (isso é, sem o povo), e que eles não podiam mais continuar vivendo da forma que estavam (se referindo à sua vida dupla).

No início da década de 1990 a insatisfação popular só aumentava, ao mesmo tempo em que sua popularidade não parava de cair. Uma convulsão social se anunciava, e uma suposta oposição surgiu: Boris Yeltsin, o qual faria acordos até com americanos e ingleses.

Vários acontecimentos se sucedem. Com o país à beira de uma guerra civil, a KGB toma o parlamento da Lituânia, e no 1º de maio de 1991 uma manifestação popular gigantesca pressiona Gorbachev, que já é visto como incapaz de governar.

Mikhail GorbachevPara tentar contornar a situação Gorbachev traiçoeiramente faz um acordo às escondidas com a falsa oposição (Yeltsin), no qual foram nomeados os “linhas duras” do governo (referência aos comunistas) que deveriam ser destituídos de seus cargos. No entanto, sua conversa foi gravada pela KGB, alertando os comunistas sobre o acordo ilegal que tinha por objetivo destruir a URSS, o que deu início a uma tentativa de abortar o infame golpe.

Tanques tomam Moscou, e é anunciado pelos meios de comunicação que Gorbachev está doente e um comitê provisório assumiu o comando da URSS. Yeltsin, grande amigo dos ingleses, se refugia no parlamento russo para não ser preso e liga para John Major, primeiro ministro da Inglaterra na época, e suplica: “Os comunistas estão vindo para me pegar. Só me restam 20 minutos. Você pode dizer a todos o que está acontecendo?”

Ao mesmo tempo Gorbachev foi colocado em prisão domiciliar, obtendo notícias somente através da BBC, usando um velho aparelho de rádio japonês. Com grande dose de servilismo, imbecilidade ou ambos, ele textualmente afirma no documentário: “Eu sempre acreditei na BBC.”

Yeltsin consegue chegar às ruas, declara o comitê provisório ilegal e conclama o “povo” a se deslocar para o parlamento e a defender a “democracia” russa.

Ele marca então uma reunião na Bielorrúsia, mas sem a presença de Gorbachev. Dela participariam os presidentes da Ucrânia e da Bielorússia, na qual a proposta de dissolução da URSS foi aprovada pelos outros traidores. Ficou acertado que o presidente da Bielorússia, Stanislav Shushkevich, daria a notícia a Gorbachev, enquanto que Yeltsin daria as “boas novas” ao exterior. Foi Yeltsin quem ligou para dar a notícia ao presidente Bush.

Politicamente isolado e culpado pela população russa pela dissolução da URSS, Gorbachev vive hoje em Moscou, onde dirige um instituto político e tenta aprender um pouco sobre a internet com sua neta. Guarda ressentimentos de Yeltsin, afirmando que este não cumpriu o infame acordo que combinaram, e que é um traidor. Acredita que não há democracia na Rússia, e que sua maior preocupação não é a própria reputação, mas o futuro do país.

Glauber Ataide

Pela imediata liberdade para Marcelo Rivera

Marcelo Rivera, estudante preso injustamente no Equador pelo governo de Rafael CorreaHá 27 meses o dirigente estudantil e militante do Partido Comunista Marxista-Leninista do Equador (PCMLE), Marcelo Rivera Toro, então presidente da Federação dos Estudantes Universitários do seu país, a FEUE, cumpre uma injusta, arbitrária e inconstitucional detenção em uma penitenciária de segurança máxima localizada próxima à fronteira com a Colômbia e conhecida como a “Guantânamo do Equador”. Acusado pelo governo reacionário de Rafael Correa, de agressão terrorista e destruição de bens em dezembro de 2009, quando a Reitoria da Universidade Central do Equador tentava aprovar a todo custo seu projeto de reforma universitária, Rivera é atualmente o mais conhecido preso político do país e também o primeiro lutador popular equatoriano a ser condenado por tal crime. Sua condenação vem sendo usada pelo governo para amedrontar e perseguir as organizações sociais e populares críticas às medidas adotadas por ele a favor da oligarquia e dos grandes monopólios nacionais e estrangeiros.

Mesmo tendo bom comportamento e cumprido todos os preceitos legais para reduzir sua pena, o Comitê Único de Reabilitação Social, por pressão direta do presidente Correa, negou sua liberdade, exigindo para tanto o pagamento de uma multa de mais de R$ 500 mil. “O Departamento de Avaliação e Controle do Centro de Reabilitação qualifica minha disciplina e conduta como exemplares. Estudo Direito à distância, participo de todos os cursos, dou aulas de alfabetização e computação nas celas, tenho uma nota de 98, numa escala de 100, mas nada disso foi considerado no julgamento do meu pedido”, denuncia Marcelo.

Ao cumprir 27 meses de sua injusta detenção, centenas de entidades e movimentos populares do Brasil e do mundo reafirmam a luta pela imediata liberdade de Marcelo Rivera e pelo fim da perseguição aos lutadores sociais no Equador. O que anima e estimula essa luta é saber que, mesmo preso e sem contato com seus companheiros e familiares, Marcelo continua firme na defesa de suas ideias e do caminho que escolheu.

Terra Fria – A dura realidade das operárias

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Terra Fria - A dura realidade das operáriasTerra Fria (North Country) é baseado no livro Class Action: The Story of Lois Jenson and the Landmark Case That Changed Sexual Harassment Law, de Clara Bingham e Laura Gansler, que conta a saga de Josey Aimes (interpretada por Charlize Theron) no Minnesota de 1989, não tão diferente de qualquer outro lugar assolado pelo capitalismo, de onde ela parte sozinha numa jornada pelos direitos da mulher.

Depois de abandonar o marido, cansada de constantes agressões, precisa buscar o sustento de sua família. Até que a necessidade a obriga a trabalhar numa mina de ferro. Então se inicia um duro cotidiano de agressões, não mais físicas, mas não menos dolorosas. Devido à grande concentração de homens – 31 para cada mulher – se instala um grande assédio moral nos locais de trabalho, seja tratando-as como incapazes de executar o serviço, como desnecessárias para o desenvolvimento da produção, e ainda sendo vistas como instrumentos sexuais. Soma-se a isso o fato de Josey Aimes não estar enquadrada na condição que a sociedade atrasada da época determina: pelo contrário, é separada, seus filhos são de pais diferentes, além de desejar trabalhar e viver por conta própria. No limite dessa situação, essa jovem mulher toma uma difícil decisão: processar a empresa pelo descaso, confrontando a todos, pois a pacata população acredita que a mina garante “o pão” das famílias da região.

A luta contra o machismo e sua horrível manifestação, o assédio sexual, tem muita história a contar e, sem dúvida, faz enfrentamento direto ao sistema capitalista, pois é o combate às diversas formas de opressão existentes. Além disso, o “longa” também aborda outros temas paralelamente, a exemplo de gravidez na adolescência, estupro, dominação ideológica, alienação. Ora sutilmente, ora sem máscaras.

A empreitada de Josey Aimes, sem apoio do parceiro, da família, das colegas de trabalho, é uma lição a todas as mulheres que lutam por uma sociedade igualitária, e graças a ela foi engendrada a primeira ação de classe por perseguição sexual nos Estados Unidos, abrindo precedente para várias outras mobilizações na defesa da mulher trabalhadora. Um emocionante filme para ser conferido neste dia 8 de março.

Alexandre Felix é militante do PCR

Amém, de Costa Gavras – Que assim seja

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Amém, de Costa-GavrasO filme Amém, do grego Costa Gavras, é considerado por muitos como um dos filmes mais polêmicos da história, por mostrar claramente as relações da Igreja Católica com o nazismo. Até o cartaz do filme – que faz referência ao mesmo tempo à cruz cristã e à suástica nazista – provocou protestos e processos na justiça, na França e em outros países do mundo. A história se passa durante a 2ª Guerra Mundial, quando um oficial nazista desenvolve um ácido altamente tóxico para auxiliar na purificação da água dos soldados e para evitar o tifo. Porém, o produto começa a ser utilizado para matar judeus nos campos de concentração. Horrorizado, o oficial procura um jovem padre que, sendo de uma família influente, busca solicitar a interferência da Igreja, chegando até o papa Pio XII, para impedir o genocídio dos judeus.

O filme começa mostrando um judeu invadindo uma reunião da Liga das Nações em 1936, para distribuir panfletos e depois suicidar-se,  tentando chamar a atenção do mundo para o massacre em andamento. Depois, mostra a interferência direta da Igreja, após saber que pessoas com problemas mentais estavam sendo exterminadas nos campos de concentração, conseguindo impedir as mortes, numa demonstração do poderio da instituição. A partir daí, é mostrada a saga do oficial e do padre para tentar evitar a morte de milhões de judeus, pois a cada dia mais de dez mil eram assassinados. A obra explicita as relações de poder no período, denunciando a Igreja Católica e os governos capitalistas, que tinham total consciência do que estava acontecendo na Alemanha, mas foram coniventes e muitas vezes apoiaram a ascensão do nazismo, na esperança de que Hitler e suas tropas conseguissem destruir o comunismo.

A Igreja e seu líder máximo sabiam de tudo, mas em nenhum momento se posicionaram; os governos capitalistas, principalmente os Estados Unidos, a Inglaterra e a França, também foram totalmente coniventes; e os judeus do resto do mundo, principalmente os judeus americanos, que são muito poderosos (a maior parte da poderosa indústria cinematográfica norte-americana é judia, como o aclamado cineasta e dono do estúdio DreamWorks, Steven Spielberg), também não fizeram nada; tudo isso na tentativa de acabar com o comunismo, mesmo que fosse necessário sacrificar milhões de vidas. Assim, os judeus, os comunistas, os deficientes, os negros e os homossexuais continuaram sendo explorados e exterminados pelos nazistas, até estes serem massacrados pelo Exército Vermelho da União Soviética comunista. Alguns diálogos são de grande importância para a discussão desses temas, como aquele em que um padre afirma que, apesar de suas ações, Hitler conseguiu resultados que os outros países capitalistas não conseguiram no combate ao comunismo na Alemanha e na Rússia, ou o diálogo em que outro padre que, falando do Holocausto, afirma que “feliz é aquele que consegue ignorar o que não pode ser mudado”, ou ainda outro no qual um oficial nazista, também falando sobre o Holocausto, diz ao padre que “os nazistas aprenderam com a Igreja, que purificava as almas com fogo, só que nós fazemos isso numa escala maior”.

Todas essas questões mostram que a vitória da Revolução e o poderio da União Soviética comunista, seus avanços para a humanidade e a possibilidade de destruição do sistema capitalista, sob a liderança de Josef Stálin, deixaram o capitalismo e seus representantes desesperados, fazendo com que qualquer coisa fosse válida para evitar sua derrocada, até o sacrifício de milhões de vidas. Mas o comunismo triunfou sobre o nazismo e triunfará sobre o sistema que se sustenta da miséria, exploração, opressão e extermínio de milhões de seres humanos. Costa Gavras é um dos cineastas mais engajados politicamente do cinema mundial, tendo feito muitos filmes sobre as ditaduras, inclusive da América Latina, e seus filmes podem ser usados para inúmeras discussões sobre questões políticas, sociais e econômicas, e como ferramenta de formação política.

Christian Coelho, Belo Horizonte

Congresso Internacional de Educação Superior: “O capitalismo ameaça extinguir a humanidade”

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Congresso Internacional de Educação Superior em Cuba - 2012De dois em dois anos, o Ministério de Educação Superior de Cuba organiza o Congresso Internacional de Educação Superior, já na sua 8ª edição. Nesse ano, o Congresso contou com a participação de cerca de quatro mil delegados de mais de cinquenta países.

Com o tema “A Universidade e o Desenvolvimento Sustentável”, o Congresso foi implacável ao afirmar que não existe sustentabilidade com o modo de produção capitalista. As grandes mudanças climáticas e seus impactos sociais e ambientais têm sua origem na ganância e anarquia da produção capitalista.

Esse quadro se agrava na conjuntura da crise que assola o capitalismo desde 2008. Essa grande Crise, já comparada com a de 1929 em suas dimensões e impactos, não é só uma crise econômica, como também uma crise ambiental, energética e política. A resposta que os governos burgueses estão dando segue uma cartilha conservadora. Cortes em investimentos sociais, retirada de direitos trabalhistas, perseguição a lideranças populares, repressão, guerras de pilhagem, etc. O acirramento da luta de classes também tem despertado vários povos em todos os continentes e um novo canto de esperança e rebeldia tem sido lançado.

Nesse sentido, as universidades têm de se enquadrar nesse novo momento histórico e parar de ser uma instância de formação de quadros para a reprodução e sobrevida do caduco sistema capitalista, passando a ser um ponto de ebulição social e consciência crítica. “Centenas e milhares de teses são feitas todos os anos nas universidades para tagarelar sobre o fim do socialismo da União Soviética. Se contentam em repetir sua versão viciada da história e tentar estigmatizar os heróicos 70 anos de Socialismo naquele país. E pouquíssimas teses são feitas para denunciar os 500 anos de fracasso do Sistema capitalista em todo o mundo! Sistema que nunca respondeu às questões mais básicas da Humanidade como a fome, o analfabetismo, a saúde, etc. As universidades têm de se tornar uma trincheira de crítica das mazelas da sociedade vigente, uma trincheira de pesquisa para solucionar as grandes contradições sociais e aperfeiçoar a construção da democracia popular, uma trincheira de extensão e câmbio do conhecimento acadêmico com a experiência do povo e a rebeldia dos movimentos populares”, afirmou Miguel Díaz, Ministro de Educação Superior de Cuba.

A destacada participação dos jovens do Partido Comunista Revolucionário do Brasil foi muito forte e elogiada, pautando a unidade dos revolucionários, dos movimentos populares, das organizações sindicais e estudantis da America Latina e de todo o Mundo para dar uma resposta firme frente aos efeitos da crise que os capitalistas tentam nos empurrar, e avançar a luta pela Revolução Socialista.

O próximo Congresso Internacional de Educação Superior já foi convocado para o ano de 2014 com o tema “A Universidade e a Responsabilidade Social” e desde já nos organizaremos para uma intervenção ainda mais qualificada e rebelde.

Matheus Malta, Diretor de Relações Internacionais da UNE e militante da UJR

Contra a privataria dos aeroportos!

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Privataria dos AeroportosO Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro repudia veementemente a privatização dos aeroportos de Brasília, Guarulhos e Campinas. Juntos, esses aeroportos detêm 70% do faturamento da Infraero

A privatização inviabiliza todo o sistema de funcionamento da estatal. Só a rentabilidade de Cumbica, em Guarulhos, mantinha 12 aeroportos deficitários.

Antes das privatizações, a rede Infraero era composta de 67 aeroportos, 83 grupamentos de navegação aérea, diversos terminais de carga, tudo sem aporte do governo. A pergunta que não quer calar é: agora que os aeroportos mais lucrativos começam a ser privatizados, de onde sairão os recursos para manter os deficitários – da Educação? Saúde? Previdência Social? Habitação? Segurança?

Inviabilizado o atual sistema – que não teria mais como se manter sem aporte de novos recursos – como serão administrados os aeroportos dos estados menores da federação e os de áreas de difícil acesso e fronteiras? Pois saiba: quem vai sustenta toda essa negociata é você, povo brasileiro, por meio do BNDES. Os consórcios vencedores nos leilões já consumados em Brasília, Guarulhos e Campinas poderão recorrer ao banco estatal para financiar em 80% as prometidas obras de ampliação e reforma!

Mas se a estatal tem dinheiro para bancar empresas estrangeiras, interessadas unicamente em seus próprios lucros, por que não poderia aplicar esses mesmos recursos na Infraero?

Outra pergunta: como explicar o grande aporte de recursos dos fundos de pensão no consórcio Invepar, que arrematou Cumbica? No que diz respeito à Petros, os conselheiros eleitos pelos trabalhadores, tanto para o Conselho Fiscal quanto para o Conselho Deliberativo, não foram sequer consultados!

Gravíssima, ainda, é a questão da segurança nacional. Sobretudo depois da descoberta de petróleo na região do pré-sal, o Brasil se tornou mais vulnerável a invasões, o que acentua o caráter estratégico dos aeroportos. A presença da 4ª Frota nas costas brasileiras deveria servir de alerta. É por razões estratégicas que 85% dos aeroportos, no mundo, são estatais. No entanto, em lugar de investir na proteção do território, abrem-se as áreas estratégicas do país para empresas estrangeiras, o que é inexplicável e inaceitável.

No mundo, entre os 15% aeroportos privatizados há grandes problemas. O de Ezeiza, em Buenos Aires, na Argentina, é administrado pela Corporação América, a mesma empresa que ganhou a concessão em Brasília. Lá, a concessionária não fez nenhum dos investimentos prometidos e os problemas são gritantes. Qualquer passageiro que aterrize em Ezeiza poderá comprovar. Entre os problemas mais visíveis, estão os constantes atrasos nos voos, informações contraditórias transmitidas aos passageiros, tumulto, calor intenso nos meses de verão e falta de espaço físico. Mas não é só.

As companhias de seguro das aeronaves, depois da privatização, começaram a cobrar mais caro em Ezeiza, onde o risco de acidentes no pouso de grandes aeronaves,  a exemplo do 747-777 e do 767-400), que seguia de São Paulo (Guarulhos) para Buenos Aires (Ezeiza), aumentou no país vizinho, em consequência da falta de investimentos, como assegura o Sindicato Nacional dos Aeroviários.

Por estes e outros motivos igualmente relevantes, conclamamos o povo brasileiro a se mobilizar. Os próximos da lista são o Aeroporto Tom Jobim, na base do Galeão, o no Rio de Janeiro; o Salgado Filho, em Porto Alegre; o Tancredo Neves (Confins), em Belo Horizonte, e o Luiz Eduardo Magalhães, em Salvador.

A população não pode assistir impassível à entrega do patrimônio nacional. Essas negociatas estão em contradição com os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral pela Presidenta Dilma. O povo brasileiro exige que a Presidenta Dilma reveja essas privatizações que se consubstanciam em crime de lesa-pátria! Não existe pátria sem patrimônio! Todos em defesa da soberania nacional!

Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro – Sindipetro-RJ

Acampamento de sem-tetos revela desigualdade social nos EUA

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Acampamento de sem-tetos revela desigualdade social nos EUA“A maioria das pessoas pensa que alguém se torna sem-teto porque é viciado em drogas ou em álcool. Não é verdade. Elas se tornam isso ou pioram depois que se tornam sem-tetos.” (Alanna, 23 anos, norte-americana sem-teto)

Situado em região arborizada, fora da vista da rodovia principal da cidade de Ann Arbor, Michigan, o acampamento Take Notice é sintomático do agravamento das desigualdades sociais nos EUA e do completo colapso do sonho americano. As histórias de seus habitantes é um retrato devastador da insegurança social encontrada por milhões de pessoas nos EUA.

Rick, 50, por exemplo, explicou à equipe de reportagem do World Socialist Web Site que visitou o local que ele era um bombeiro hidráulico até 2008, quando o setor da construção civil quebrou. Depois da devastadora queda de sua renda ele foi preso por não conseguir pagar pensão alimentícia de seus dois filhos em 2010. Em agosto, sem perspectiva de trabalho e não querendo ser um peso para sua família, ele decidiu se mudar para Ann Arbor e viver no acampamento. Ele iniciou sua viagem de 241 km de bicicleta, mas depois que ela quebrou teve que ir pegando caronas até chegar ao seu destino.

Jocelyn, 40, era babá e cuidadora de idosos até ser gravemente ferida em um acidente de carro. Ela tentou voltar ao mercado de trabalho através de um programa chamado WorkFirst, mas diz: “tantos precisam mas tão poucos conseguem. Um único deslize pode ser fatal”. O estigma de ter uma passagem por assalto à mão armada, ela explica, pode impedir alguém de conseguir até aquelas vagas que exigem as mais baixas qualificações técnicas.

Suas dificuldades se multiplicaram quando o apartamento de quatro quartos que ela possuía com seu marido em Romulus, Michigan, foi tomado. Seu relacionamento com seu parceiro, um veterano com múltiplas escleroses, rapidamente se deteriorou. “Tudo foi pelo ralo”, ela diz. “Perdi minha casa. Fui separada por causa de finanças, estresse e contas. Então todos nos separamos e perdi minha família.”

Acampamento de sem-tetos revela desigualdade social nos EUA

Ao mostrar o acampamento à equipe de reportagem, Jocelyn descreveu como é viver sem água encanada e sem banheiros. “Eu não fui ao banheiro por cinco dias quando cheguei aqui e adoeci por causa disso”. Ela disse que tinha medo de dormir porque os tanques de propano usados para manter as barracas aquecidas podem explodir em um incêndio. Os moradores guardam estes tanques dentro das barracas ao invés do lado de fora porque eles podem ser roubados.

Alanna, 23, que está no acampamento há duas semanas, diz que ela e seu noivo vivam em outro acampamento, em uma barraca com muito mofo. “Ficávamos coçando o rosto todas as noites. Estou tossindo desde outubro.”

O acampamento conta também com pouca comida. Segundo Jocelyn, “comida é algo difícil por aqui. As igrejas trazem alguma coisa mas a gente não tem conseguido muito.”

“Isso é ridículo”, diz Alanna. “Quando estava na escola ninguém me ensinou como fazer finanças ou conseguir moradia. Eles dão aulas de educação sexual mas não de como viver. Eu formei no segundo grau e tentei uma faculdade, mas tive um problema em minha coluna e não posso me rematricular porque devo $1.200 dólares e não consigo financiamento. Eu não tenho passagens pela polícia. Poderia estar no topo do mundo se tivesse oportunidade!”

“Se você precisa de experiência para arranjar um emprego, mas não pode arranjar um emprego para ganhar experiência, então o que você pode fazer? Eu gostaria de voltar para a escola. Quero ser uma cosmetologista, uma assistente social ou uma enfermeira, mas estou encurralada e não sei como sair.”

Acampamento de sem-tetos revela desigualdade social nos EUA

Grit é um outro morador do acampamento, de idade avançada. Ele agora trabalha como vendedor ambulante do Groundcover News, um jornal relativamente novo da cidade de Ann Arbor que publica histórias de e sobre os sem-tetos. Ex-funcionário da Ford, Grit diz que sua mãe, seu pai, irmãs e tios trabalharam todos na Ford, e que pode mostrar os contra-cheques de sua família remontando à década de 1930.

Jocelyn disse que ficou surpresa ao chegar ao acampamento porque muitos dos sem-tetos são bem mais jovens e bem aparentados do que o velho estereótipo do “vagabundo”. Alanna concordou e disse: “A maioria das pessoas pensa que alguém se torna sem-teto porque é viciado em drogas ou em álcool. Não é verdade. Elas se tornam isso ou pioram depois que se tornam sem-tetos.”

Uma grande contradição é que a cidade de Ann Arbor, que abriga este acampamento, tem uma renda média de $52.711,00 dólares anuais, ligeiramente acima da média nacional. Na cidade também se encontra a Universidade de Michigan, que está listada entre as 20 melhores do mundo. Neste mês a cidade foi escolhida pela revista Kiplinger’s Personal Finance como “A melhor cidade para solteiros no país”. Além disso, ela é com frequência listada em listas do tipo “melhores de”, e foi recentemente incluída nas seguintes: “Melhores cidades na América para se encontrar emprego”, “10 cidades mais escolarizadas”, “10 lugares mais acessíveis para se viver” e “10 melhores lugares para se ter família”. Ao mesmo tempo, o número de pessoas que caíram abaixo da linha da pobreza no censo de 2010 foi de 20%, que são seis pontos percentuais acima da média nacional.

Glauber Ataide

Índia: milhões em greve geral

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Milhões em greve geral na ÍndiaMobilização foi convocada pelas onze principais centrais sindicais do país, paralisando bancos, transportes e amplas áreas. Pode ter sido a maior greve geral já registada na história.

A greve geral realizada na Índia esta terça-feira pode ter sido a maior greve geral já registada na história do capitalismo. Como sempre, a imprensa tenta minimizar a participação e as consequências, mas as primeiras informações já nos permitem ter uma ideia da força da mobilização.

A greve geral foi convocada pelas onze principais centrais sindicais do país, paralisando bancos, transportes e amplas áreas, em particular os estados de Kerala, West Bengal, Andhra Pradesh e Tripura.

A população da Índia, de 1,2 bilhão, tem todos os motivos para desenvolver uma greve dessa envergadura, já que, mesmo após a vitória na luta anti-colonial derrotando o império britânico, a independência do país não conseguiu tirar a maioria da população da miséria em que vive. Mesmo o reacionário governo de Manmohan Singh é obrigado a reconhecer que é uma vergonha nacional a existência de nada menos que 60 milhões de crianças sub-nutridas.

Os trabalhadores lutam pela melhoria das suas condições de vida. Levantam reivindicações como a elevação do salário mínimo para 20 mil rupias, pelo direito ao trabalho, pela efetivação dos 50 milhões de trabalhadores temporários

Segundo sindicalistas, o centro financeiro do pais, Mumbai, foi completamente paralisado e até os taxistas aderiram à greve. Ninguém sabe ainda quantos milhões aderiram à greve, mas, para se ter uma ideia, basta lembrar que na greve geral de 2010 foram 100 milhões. E que nas últimas duas décadas, esta é a 14ªa greve geral.

Crise no meio de uma guerra civil e do ascenso operário

A greve geral é, nos factos, a comprovação da existência de uma crise revolucionária no momento em que ela se desenvolve. Cria uma situação de dualidade de poderes onde o governo não governa, os políticos não podem fazer politicagem e as armas do aparelho repressivo do estado, mesmo sendo utilizadas, não conseguem reprimir a rebelião momentânea. Enquanto dura, são os 99% que impõem a sua vontade, demonstrando a impotência dos 1% de capitalistas.

A greve geral deste dia 28 ocorre num pais que vive uma guerra civil escamoteada, onde a guerrilha maoísta domina amplas áreas do pais e os confrontos armados são constantes. Um país com milhares de etnias em franca rebelião com o que chamam de “centro”, o governo, como é o caso de Caxemira, região onde os protestos são permanentes.

A população da Índia está cansada da visceral corrupção do país, encarnada no governo de Manmohan Singh. Mesmo que a imprensa mundial diga que a economia indiana cresce, no quotidiano o que se vive é um processo inflacionário que deteriora as condições de vida de uma população paupérrima

Nesse sentido, a greve geral não é apenas um poderoso movimento por melhorias nas condições de vida, mas também um violento soco no estômago do governo.

O recente desenvolvimento de setores económicos criou também o mais jovem proletariado do planeta. Uma força composta de jovens, que não estão amordaçados pelas burocracias que infestam os sindicatos. Um proletariado que, a exemplo do chinês, se constituiu num dos mais poderosos do globo e que ensaia os seus primeiros passos. A Índia é, hoje, o país mais jovem da terra.

A greve geral abriu, certamente, um novo período da luta dos trabalhadores indianos. No momento em que se vive um poderoso ascenso do movimento operário mundial, com as revoluções do mundo árabe, a mobilização que se desenvolve na China e com a resistência dos trabalhadores europeus e americanos, não será novidade se o jovem proletariado indiano se levantar para derrubar o governo de Singh. Avançando, assim, naquela que, junto com a chinesa, promete ser uma das mais significativas revoluções da história moderna. Definitivamente, devido ao lugar que a China e a Índia passaram a ocupar na atual divisão mundial do trabalho, as revoluções que estão em marcha nesses dois países provocarão as mudanças mais radicais na história deste século.

Resta lembrar também que a revolução, em marcha na Índia, ocorre num país onde, na prática, o aparelho de estado e, comparativamente fraco, não dispondo de tantos recursos para controlar e reprimir com mão de ferro todas as rebeliões no pais. O melhor exemplo disso é que, em apenas alguns anos, a guerrilha maoísta passou a ser o governo, na pratica, de vastas áreas do país.

Tomi Mori
Fonte: Esquerda.net