UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sábado, 5 de abril de 2025
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Trabalhadores no Pará vão às ruas no 1° dia da Greve Nacional da Educação

Trabalhadores da educação no Pará vão às ruas no 1° dia da Greve Nacional da EducaçãoNa manhã de hoje centenas de trabalhadores e trabalhadoras da educação do estado do Pará ocuparam em passeata algumas das principais vias urbanas de Belém como atividade da greve nacional da educação convocada pela Central Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

O movimento também contou com a adesão do movimento estudantil que durante todo o trajeto se fez presente através dos militantes da União da Juventude Rebelião, do grêmio estudantil do CEPAP, da Federação Paraense de Estudantes de Escolas Técnicas (FEPET) e da UESB (União Estudantes Secundaristas de Belém). As intervenções do movimento estudantil foram ouvidas com bastante atenção pelos manifestantes que terminaram o ato em frente ao Centro Integrado do Governo.

As principais pautas do movimento foram: 10% do PIB para a educação e o pagamento integral do piso nacional estabelecido desde 2008 pelo governo federal. O governador Simão Jatene (PSDB) tenta enganar os trabalhadores da educação com o pagamento do piso nacional, retirando, entretanto, uma série de gratificações.

A marcha ocorrida em Belém foi organizada em todo o país pela CNTE e, como dissemos, faz parte da greve nacional da educação que termina nesta sexta-feira, dia 16.

Redação Pará

Indianos tem mais telefones celulares do que banheiros em casa, mostra censo

Censo mostra que indianos tem mais telefones celulares do que banheiros em casaNovo censo divulgado hoje revela a Índia como um país de grandes contradições, típicas do modo de produção capitalista. Apesar de grande parte da população ter acesso às últimas inovações tecnológicas, um número ainda maior não dispõe nem mesmo dos serviços mais rudimentares de saneamento básico.

A pesquisa revelou que de um total de 246,6 milhões de residências, apenas 46,9% possuem pelo menos um banheiro. Do restante, 3,2% usam banheiros públicos, e 49,8% fazem suas necessidades em locais abertos.

Contrastando gritantemente com esse quadro, 63,2% das residências possuem linha telefônica, sendo 53,2% de telefones celulares.

Os dados também mostram que apenas 32% das residências tem água potável, e 17% ainda precisam buscar água de uma fonte que fica a pelo menos 500 metros em áreas rurais e 100 metros em áreas urbanas.

Ao divulgar os dados, o comissário do censo, C. Chandramouli, afirmou que a falta de saneamento básico “continua a ser uma grande preocupação para o país”. Mas “questões culturais e tradições”, afirmou, “e a falta de acesso à educação parecem ser as principais razões para essas práticas anti-higiênicas.”

No entanto, os dados mostram enormes déficits em áreas que não tem nada a ver com práticas culturais ou falta de educação. Por exemplo, dois terços das residências continuam a usar lenha, restos de plantações, estrume de vacas ou carvão para cozinhar – colocando as mulheres em situações de risco à sua saúde e de extrema dureza nos afazeres domésticos.

Atualmente cerca de 70% das residências abrigam apenas uma família – situação bem diferente de uma geração atrás, quando várias famílias habitavam uma só casa -, mas 37,1% dessas ainda vivem em um único quarto.

O Livemint, jornal burguês de Wall Street, afirmou cinicamente que este censo mostra uma melhora nas condições de vida da população, e que a mobilidade social no país está criando as bases para um boom de novos consumidores.

Mas a verdade é que este censo joga luz sobre alguns determinantes da grande greve geral de dimensões inauditas pela qual o país passou recentemente. Apesar dos ideólogos da burguesia louvarem o reino da mercadoria com seu “acesso ao crédito” (leia-se “acesso ao endividamento”) e o “aquecimento da economia” vendendo bugigangas ao povo, os indianos vem mostrando que não é esse tipo de sociedade que querem.

Glauber Ataide

Brasil é segundo país em casos de hanseníase

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A hanseníase é uma doença infecciosa e contagiosa, causada por uma bactéria que é transmitida através das vias respiratórias. Apesar de ser altamente contagiosa, nem todas as pessoas que entram em contato com o bacilo desenvolvem a doença.

Uma das patologias transmissíveis mais antigas que se tem conhecimento, com relatos de casos desde os anos antes de Cristo, a hanseníase ainda ocupa um lugar de destaque no sistema de vigilância de saúde no país. Dados lançados pelo Ministério da Saúde no início do ano apontam uma redução de 15% na incidência da patologia no país. Porém, o Brasil ainda aparece em segundo lugar no ranking dos países com o maior número de casos novos de hanseníase no mundo, perdendo apenas para a Índia.

Sua alta incidência pode ser relacionada às baixas condições de vida e moradia da população, por sua transmissão ser facilitada em ambientes com saneamento básico precário, residências com grande concentração de moradores e pessoas com sistema imunológico deficiente, decorrente de alimentação inadequada.

O difícil acesso da população ao sistema de saúde e o despreparo profissional em reconhecer a doença em seu início, dificultam a detecção precoce da hanseníase, importante para a cura e menor probabilidade de lesões incapacitantes. Além disso, apesar de a medicação ser oferecida de maneira gratuita pelo SUS, ainda é alto o índice de abandono do tratamento, que tem duração média de 6 a 12 meses.

Vale destacar que os números de casos novos detectados não mostram a realidade brasileira, visto que a doença ainda é subnotificada. “Esses números são a ponta de um iceberg, porque não incluem a endemia oculta, os doentes não diagnosticados e aqueles que abandonaram o tratamento”, disse Leontina da Conceição Margarido, do Núcleo Multidisciplinar de Hansenologia do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Os sinais da hanseníase incluem manchas brancas ou avermelhadas na pele geralmente com perda de sensibilidade e alteração da sudorese; sensação de formigamento ou dormência nas extremidades do corpo (mãos e pés); e diminuição da força muscular.

Ludmila Outtes, Recife

Vamos à luta contra a privatização dos Hospitais Universitários

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No dia 15 de dezembro de 2011, a presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei nº 12.550, que autorizou a criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. A Ebserh é uma empresa estatal de direito privado, vinculada ao Ministério da Educação, que tem como objetivo principal a gestão dos Hospitais Universitários Federais (HUFs).

Já se encontra criada e possui estatuto e diretoria. Mas ainda existe uma pedra no meio do caminho da empresa: a autonomia universitária. Cada universidade federal tem autonomia para decidir se quer ou não contratar a empresa para administrar e terceirizar pessoal para seu Hospital Universitário e, consequentemente, lhe entregar de graça prédios, equipamentos e pessoal conquistados ao longo de anos de luta e resistência contra a política de sucateamento do patrimônio público.

Ou seja, as universidades terão em suas mãos a decisão de permanecer defendendo sua autonomia ou aceitar mais um duro golpe contra ela, perdendo o controle sobre um órgão fundamental para o desenvolvimento do ensino, da pesquisa e da extensão na área de Saúde.

Nos HUFs em que forem implantadas as filiais da empresa, vivenciaremos, sem dúvida, a privatização dos serviços. Esta, diferentemente das privatizações que costumamos acompanhar nas atividades econômicas estatais – como está ocorrendo com os aeroportos e com a exploração do petróleo – em que o patrimônio é simplesmente colocado em leilão –, será realizada através de um processo gradual. Primeiro há a privatização dos recursos humanos e da gestão. Os atuais servidores federais pertencentes ao quadro das universidades serão substituídos por trabalhadores contratados nos termos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) – o regime trabalhista da iniciativa privada – um profundo golpe contra os direitos conquistados pelos servidores públicos, e, consequentemente, contra toda a classe trabalhadora; enquanto a administração assumirá uma lógica contábil, em que a busca de austeridade financeira será colocada acima da qualidade da assistência à saúde dos pacientes e da formação profissional dos estudantes.

Depois de implantada e consolidada a empresa, começa a privatização das atividades acadêmicas e assistenciais. Após fazer os investimentos iniciais necessários para seduzir a comunidade universitária e a sociedade, o Governo Federal restringirá as verbas para os Hospitais Universitários, obrigando as filiais da empresa a buscar formas privadas de financiamento para garantir seu equilíbrio financeiro, mediante convênios com faculdades particulares, tomando o espaço de formação prática dos alunos das universidades públicas, como já ocorre no Hospital das Clínicas de Porto Alegre.

Por tudo isso, é necessária a organização, em todas as universidades, de fóruns populares, que integrem usuários e os três segmentos da comunidade acadêmica (professores, estudantes e funcionários), para barrar nos Conselhos Universitários a aprovação da contratação da Ebserh.

Clodoaldo Gomes
(Membro da Frente Nacional contra a Privatização da Saúde)

Sobre a educação comunista

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Pôster soviético de 1918: Para ter mais, você precisa produzir mais. Para produzir mais, você precisa saber mais.Camaradas: Há 20 anos, precisamente a 2 de outubro de 1920, Lênin pronunciou um discurso sobre a educação comunista do III Congresso da União das Juventudes Comunistas da Rússia. Dirigindo-se ao Komsomol, Lênin disse que era pouco provável que nossa geração, educada na sociedade capitalista, pudesse levar a cabo a edificação da sociedade comunista. Essa tarefa deveria tocar à juventude.

Pois bem: hoje, quando aplaudiam, recordei involuntariamente essas palavras e me ocorreu pensar que diante de mim encontram-se antigos jovens do Komsomol, essa geração a que se dirigia Lênin. E que esses jovens, já convertidos em adultos e com uma experiência da vida, participam ativamente da edificação socialista. E uno meus aplausos aos vossos para louvar especificamente a vós, os edificadores do socialismo.

Em nosso país se presta muita atenção à educação comunista. Não é em vão que a palavra “educação” se destaca nas colunas de nossa imprensa.

Não obstante, e pretendemos dar uma definição relativamente clara e concisa do que é em geral a educação, tropeçamos com dificuldades consideráveis. Não poucas vezes confunde-se a educação com o ensino. É claro que a educação tem muita semelhança com o ensino, mas de modo nenhum são sinônimos. Certos pedagogos autorizados consideram que a educação é um conceito muitos mais amplo que a instrução. A educação tem suas particularidades.

Em meu entender, a educação consiste em exercer uma ação determinada, sistemática e com um objetivo definido sobre a psicologia do educando, com o fim de inculcar-lhe as qualidades desejadas pelo educador. Parece-me que esta definição (que naturalmente não é obrigatória para ninguém) abarca em termos gerais tudo o que entendemos por educação, a saber: difundir uma determinada concepção do mundo, uma determinada moral e certas normas de convivência humana, forjar determinados traços do caráter e da vontade, criar certos hábitos e certos gostos, desenvolver determinadas qualidades físicas, etc.

A educação constitui umas das tarefas mais difíceis. Os melhores pedagogos a consideram tanto uma ciência como uma arte. Referem-se à educação escolar, que, está claro, é relativamente limitada. Mas além desta existe a escola da vida, na qual se verifica um processo ininterrupto de educação das massas, onde o educador é a própria vida, o Estado e o Partido, e o educando, milhões de pessoas adultas, diferentes umas das outras por sua experiência política. Essa educação é muito mais complicada.

Vou falar hoje precisamente dessa educação, da educação das massas.

Em seu livro Anti-Dühring Engels diz:

“… os homens, seja consciente ou inconscientemente, tiram suas idéias morais, em última instância, das condições práticas em que se baseia sua situação de classe: das relações econômicas em que produzem e trocam seus produtos… A moral tem sido sempre uma moral de classe; ou justificava a dominação e os interesses da classe dominante, ou representava, quando a classe oprimida se tornava bastante poderosa, a rebelião contra essa dominação e defendia os interesse do futuro dos oprimidos”.
Assim pois, na sociedade de classes nunca existiu nem pode existir uma educação que esteja à margem ou por cima das classes.

Na sociedade burguesa, está impregnada até a medula da hipocrisia e dos interesses egoístas das classes dominantes e tem um caráter profundamente contraditório, que reflete os antagonismos da sociedade capitalista.

O ideal dos capitalistas é que os operários e os camponeses sejam uns servos submissos que suportem sem protestar o jugo da exploração. Partindo dessas considerações, os capitalistas não quiseram desenvolver nos operários e camponeses o valor e a intrepidez, não quiseram dar-lhes a menor instrução, pois é mais fácil dominar gente atrasada e embrutecida. Mas com essa gente não se pode alcançar a vitória nas guerras de conquistas, e esse mesmo povo, sem conhecimentos elementares, não pode trabalhar máquinas. A concorrência entre os capitalistas, as condições de progresso técnico, a corrida armamentista, etc., por um lado, e por outro a luta dos operários e camponeses por sua instrução, obrigam a burguesia a proporcionar aos trabalhadores pelo menos algumas migalhas de conhecimentos; e as guerras de rapina a obrigam a inculcar-lhes valor, firmeza e outras qualidades perigosas para a burguesia.

Pois bem; apesar dessas contradições que, como já disse, residem na própria natureza da sociedade burguesa, as classes dominantes levam a cabo uma luta desesperada para subjugar as massas populares, utilizando para isso todos os meios, desde a repressão aberta até ao engano sutil.

Na sociedade burguesa, o trabalhador encontra-se, desde o berço até a sepultura, submetido à influência constante das idéias, sentimentos e hábitos que convêm à classe dominante. Essa influência se exerce por inúmeros canais e adquire às vezes formas mal perceptíveis. A Igreja, a escola, a arte, a imprensa, o cinema, o teatro e diversas organizações, tudo isso serve de instrumento para levar à consciência das massas a ideologia burguesa, sua moral, seus hábitos.

Tomemos, por exemplo, o cinema. Referindo-se às películas norte-americanas, um diretor cinematográfico burguês escreve:

“Muitas das películas modernas constituem uma espécie de narcótico destinado a pessoas que se acham tão fatigadas que só desejam sentar-se numa fofa poltrona e serem alimentadas a colheradinhas”.

Tal é a essência da educação burguesa.

A essa educação, elaborada durante séculos e destinada a fortalecer a posição da classe capitalista dominante e a conseguir que os oprimidos se resignem à sua situação, o Partido Comunista – o destacamento de vanguarda do proletariado – opõe seus princípios educativos dirigidos em primeiro lugar contra o domínio da burguesia e a favor da ditadura do proletariado.

A educação comunista difere radicalmente da educação burguesa não só no que diz respeito a seus objetivos, o que se compreende sem necessidade de demonstração, mas também por seus métodos. A educação comunista está indissoluvelmente ligada ao desenvolvimento da consciência política e da cultura geral e à elevação do nível intelectual das massas. Este é o objetivo visado por um Partido Comunista.

M. Kalinin
Informe pronunciado na cidade de Moscou em 2 de outubro de 1940
(Publicado no Jornal A Verdade, nº 87)

Lançada nova campanha pela libertação dos cinco heróis

Desde setembro de 1998,  Gerardo Hernández, Ramón Labañino, Fernando González, Antonio Guerrero e René Gonzáles,  se encontram presos em Miami, acusados ​​pelo crime de conspiração por cometer espionagem. Em confinamento solitário, são celas em alojamentos especiais, os Cinco foram condenados a um total de três sentenças de prisões perpétuas, René Gonzáles (15 anos) Gerardo Hernández (duas prisões perpetuas, mais 15 anos de prisão) Antonio Guerrero (prisão perpetua) Ramón Labañino (prisão perpetua, mais 18 anos, em 2009 saiu uma nova sentença de prisão perpetua mais 30 anos) Fernando Gonzáles (19 anos de prisão). Uma comparação: James W. Fondren Jr., um cidadão americano, foi acusado de dar documentos classificados do Departamento de Defesa para um agente do governo chinês, incluindo um relatório sobre o poderio militar chinês. Fondren trabalhou no Pentágono e até fevereiro de 2008 foi diretor-adjunto do Gabinete de Ligação Washington do Comando do Pacífico dos EUA. Em janeiro de 2010, ele foi condenado a três anos de prisão. René Gonzáles foi condenado sob as mesmas acusações, porém a 15 anos de prisão.

Com duração de mais de seis meses, foi o julgamento mais longo da história dos Estados Unidos, mais de 119 volumes de depoimentos e mais de 20.000 páginas de documentos foram compilados, incluindo o testemunho de três aposentados do Exército dos EUA, generais e um almirante aposentado, que afirmaram a inexistência de qualquer evidência de espionagem.

No dia 15 de fevereiro em Havana, Cuba, foi lançado a nova campanha de Libertação dos 5 heróis cubanos:  “OBAMA GIVE ME FIVE!” a atividade aconteceu durante no 8º Congresso Internacional de Educação Superior UNIVERSIDAD 2012. O sobrinho de René Gonzáles presente ao ato, falou sobre a campanha a A Verdade: “René está em liberdade condicional, mas é uma prisão domiciliar, nos Estados Unidos não tem direito de falar e nem ver ninguém, tememos muito pela segurança dele, pois está sendo fortemente ameaçado, agora estamos entrando com uma ação para que minha avó e minha mãe possa visitá-lo. Queremos René de volta em sua casa que é Cuba! é muito importante a solidariedade neste momento, fico feliz pelo jornal A Verdade no Brasil, que faz a divulgação do caso dos Cinco. Se puderem continuar divulgando, agradeceremos, o livro do brasileiro Fernando Morais também tem ajudado muito.”

De acordo com o Comitê Internacional, as mensagens no Twitter e ligações telefônicas, de dentro e fora dos Estados Unidos, para a Casa Branca cresceram muito nos primeiros meses deste ano.. É fundamental nossa solidariedade e divulgação ampla e irrestrita das ações pela liberdade dos 5, pelos veículos de comunicação, material de entidades e jornais. Fazemos esse chamado com muita clareza de que somente com a pressão popular conseguiremos transformar a realidade.

Polianna Soalheiro, militante do PCR-MG

Morte de gari revolta trabalhadores

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Um acidente mudou a vida do gari Hamilton, 26 anos, em Caucaia, e deixou chocados os colegas diante da atitude da prefeitura da cidade. Ele trabalhava na coleta de lixo no bairro da cidade quando sofreu uma fatura no braço pelo arremesso de entulho no caminhão.  Além da fratura, o acidente provocou um corte profundo afetando os três tendões de imediato e ocasionando hemorragia.

Na ocasião, o motorista ligou para emergência do município. Depois de esperar durante  40 minutos pela ambulância, agonizando de dor, o trabalhador foi levado a um posto de saúde e de lá encaminharam-no  para o hospital municipal da região. Nesse hospital, apenas foi estancado o sangue, tendo sido transferido hospital de Fortaleza. Na capital cearense, ficou na fila de espera, onde  outro paciente  faleceu em sua frente esperando para ser atendido. Sem direito a maca, horas depois é que foi atendido e passou por uma dolorosa cirurgia.

Hamilton denuncia que os garis da cidade de Caucaia são vítimas constantes de acidentes, estão submetidos a graves riscos. Ele relatou o caso de um companheiro que teve a perna esmagada pelo próprio caminhão em 27de Janeiro;  deu entrada no hospital e morreu minutos depois vitimado por uma parada cardíaca.

Os trabalhadores na limpeza urbana de Caucaia são submetidos a jornadas exaustivas, não contam sequer com equipamentos de proteção, sendo extremamente vulneráveis a infecções, viroses e outras doenças transmissíveis.

Os garis são ainda suscetíveis a problemas psicológicos relacionados à auto-estima já que sua atividade não é valorizada pela maioria das pessoas, vivem  numa situação de permanente insegurança, falta de perspectiva, um ritmo diário de trabalho desgastante, sobre condições de  trabalho precárias.

Carlos Daniel Ferreira, MLC-CE

Justiça burguesa interfere na greve dos rodoviários em Belo Horizonte

O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região decidiu nesta terça-feira que os trabalhadores rodoviários são obrigados a se submeterem aos baixos salários, à exploração e às péssimas condições de trabalho que lhes são impostas pelos patrões.

Segundo o desembargador Marcus Moura Ferreira, os rodoviários devem garantir que 70% da frota esteja em funcionamento nos horários de pico, entre 6hs e 9hs e entre 17hs e 20hs. Nos outros horários, 50% da frota é obrigada a circular. Isso é, os trabalhadores não são livres para decidir sobre os rumos da própria greve.

O descumprimento da ordem acarretará em multa diária de R$30.000,00 ao sindicato dos trabalhadores, o STTRBH – Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Belo Horizonte. O desembargador determinou ainda que as empresas devem ajudar a alertar os motoristas e cobradores para o cumprimento da ordem judicial, ligando para os empregados e convocando-os para retornarem ao trabalho.

O Jornal A Verdade já havia denunciado que existe em curso no Brasil um [intlink id=”722″ type=”post” target=”_blank”]ataque ao direito de greve[/intlink]. E este é mais um exemplo de que a justiça no capitalismo não é neutra e nem está acima das classes.

Redação MG

Greve dos rodoviários em Belo Horizonte se inicia com grande adesão da categoria

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Greve dos rodoviários em Belo Horizonte - 2012Dando provas mais uma vez da combatividade da categoria e do grau insustentável de precarização a que vem sendo submetidos ano após ano, os rodoviários de Belo Horizonte e região entraram em greve nesta segunda-feira em resposta à postura intransigente do patronato na negociação da data-base.

As reivindicações da categoria são de reajuste salarial de 49% (índice referente ao PIB e a defasagem salarial dos últimos anos), tíquete no valor de R$450,00, jornada de 6 horas, fim da dupla função, fim da compensação de horas, adicional a periculosidade, penosidade e insalubridade e pagamento de PLR (Participação nos Lucros e Resultados), entre outras.

Na última assembleia a categoria repudiou a contraproposta patronal de apenas 13% de aumento salarial e a ousadia de, ao invés de diminuir, propor aumentar a jornada de trabalho de 6 horas e 40 minutos para 7 horas, iniciando então uma campanha unificada em Belo Horizonte, Sete Lagoas, Itaúna, Betim e Contagem.

Devido à sua postura irresponsável na negociação com os trabalhadores, os donos das empresas de transporte podem prejudicar até 1,6 milhão de passageiros ao longo de cada dia de paralisação.

Em resposta, a BHTrans – Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte – notificou as empresas concessionárias sobre suas responsabilidades diante da paralisação, e que sua persistência pode resultar em descumprimento de obrigações contratuais com relação à prestação do serviço de transporte público por ônibus.

Leia também:
[intlink id=”3007″ type=”post” target=”_blank”]Prefeitura e empresários aumentam passagem em Belo Horizonte[/intlink]

Ainda segundo a empresa municipal, é obrigação de cada concessionária manter reserva técnica suficiente para atender os níveis de serviços e elaborar e implementar esquemas de atendimento emergencial à população. Belo Horizonte tem hoje 296 linhas de ônibus, com uma frota de 3.010 veículos, fazendo 27.567 viagens por dia com aproximadamente 1,6 milhão de passageiros.

A adesão da categoria vem sendo bem-sucedida em diversas estações, sendo as mais representativas as do Vilarinho, com adesão de 100% da categoria, a do Barreiro, com 99% dos trabalhadores cruzando os braços, e a Diamante, com 95% dos veículos com motores desligados.

A esperança dos patrões é de serem socorridos pela justiça. Após se dizerem “surpresos” com a greve, declararam que esta é irregular e que pedirão o dissídio de greve no Tribunal Regional do Trabalho. Sua intenção é pedir à justiça para suspender a paralisação.

O trânsito ficou impraticável em diversos pontos da cidade. Vários trabalhadores tentaram se deslocar em carros particulares, mas tiveram que voltar para casa. Outros conseguiram chegar ao local de trabalho, mas gastando pelo menos o dobro do tempo que levam em dias normais.

Glauber Ataide, Movimento Luta de Classes, Belo Horizonte

Tereshkova, primeira mulher no espaço, completa 75 anos

Valentina Nikolayeva Tereshkova, primeira mulher no espaçoA União Soviética não foi responsável por enviar apenas o primeiro homem ao espaço. Os comunistas superaram o mundo capitalista e enviaram também a primeira mulher, Valentina Tereshkova, que completou 75 anos nesta semana.

Nascida em 6 de março de 1937, Valentina Vladimirovna Tereshkova nasceu no vilarejo de Maslennikovo, Yaroslavl Oblast, na Rússia. Seu pai era motorista de trator e sua mãe trabalhava numa fábrica têxtil. Valentina iniciou seus estudos em 1945, aos 8 anos de idade, mas deixou a escola em 1953 e continuou seus estudos através de ensino a distância. Ainda jovem se interessou por paraquedismo, fazendo seu primeiro pulo com a idade de 22 anos. Na época ela era operária numa fábrica têxtil, a exemplo da mãe. No ano de 1961 se tornou secretária do Komsomol (Juventude Comunista) e mais tarde se tornou membro do Partido Comunista da União Soviética.

Após o vôo de Yuri Gagarin, em 1961, o engenheiro espacial Sergey Korolyov propôs enviar também uma mulher ao espaço. Em 16 de fevereiro de 1962 Tereshkova foi selecionada para compor o grupo de cosmonautas e foi escolhida dentre 400 candidatas, sendo considerada uma candidata especial devido à sua origem proletária e também pelo fato de seu pai, Vladimir Tereshkov, mais tarde sargento e líder de tanque, ser um herói de guerra.

Foram vários meses de preparo, até que na manhã de 16 de junho de 1963, a nave Vostok 6, após contagem regressiva de 2 horas, foi lançada com absoluto sucesso. Tereshkova se tornou, aos 26 anos de idade, a primeira mulher no espaço. Apesar de sentir náuseas e um pouco de desconforto físico, Tereshkova orbitou a terra 48 vezes e passou quase três dias no espaço. Com um único vôo ela bateu o recorde de todos os astronautas americanos juntos que voaram antes dela.

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Depois de seu histórico vôo Tereshkova foi estudar na Academia de Força Aérea Zhukovsky e se graduou com louvor como engenheira cosmonauta. Em 1977 se doutorou em engenharia, além de ter ocupado depois disso vários cargos políticos devido à sua figura proeminente.

Em 1963 se casou com Andrian Nikolayev (1929-2004), o único cosmonauta bacharelado a ir ao espaço. Em 1968 tiveram uma filha, Elena Andrianovna Nikolaeva-Tereshkova, que agora é médica e a primeira pessoa a ter tanto um pai quanto uma mãe que já viajaram ao espaço. Tereshkova e Nikolayev se divorciaram em 1982. Seu segundo marido, Yuli Shaposhnikov, faleceu em 1999.

Tereshkova recebeu diversos prêmios soviéticos e internacionais, dentre os quais citamos alguns: Herói da União Soviética (1963), Ordem de Lênin (1963 e 1981), Ordem da Revolução de Outubro (1971), Ordem da Bandeira Vermelha do Trabalho (1987), Ordem de Karl Marx (1963, na Alemanha Socialista), Ordem da Baía dos Porcos (1974, Cuba), Medalha de Ouro da Sociedade Britânica de Comunicação Interplanetária e muitos outros.

Glauber Ataide

Clara Zetkin: Apenas junto com as mulheres proletárias o socialismo será vitorioso

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Mulheres trabalham em um Kolkhoz na URSSAs investigações de Bachofen, Morgan e outros parecem provar que a repressão social das mulheres coincide com a criação da propriedade privada. O contraste na família entre o marido como proprietário e a mulher como não proprietária se tornou a base da dependência econômica e da ilegalidade social do sexo feminino. Essa ilegalidade social representa, de acordo com Engels, uma das primeiras e mais antigas formas da exploração de classes. Ele afirma:

“Na família, o marido representa a burguesia e a esposa o proletariado”.

No entanto, a questão das mulheres não era questionada neste sentido específico do mundo moderno. Somente o modo de produção capitalista, o modo de produção que criou a transformação social, que levantou a questão feminina destruindo o antigo sistema econômico e familiar, trazendo substância e sentido de vida para a grande massa de mulheres, durante o período pré-capitalista. Nós não devemos, entretanto, transferir para as atividades econômicas femininas antigas aqueles conceitos (como futilidade e mesquinhez) que são ligados às atividades femininas de nosso tempo. Desde que o antigo tipo de família existia, a mulher encontrará nas atividades produtivas, um sentido de vida, mesmo que ela não tenha consciência de sua ilegalidade social e de que seu desenvolvimento de seus potenciais enquanto indivíduo é limitado.

O período do Renascimento é tempestuoso e estressante, no sentido de despertar da individualidade moderna que era capaz de se desenvolver completamente em diversas direções. Encontramos indivíduos que eram gigantes bons e maus que rejeitam os mandamentos das religiões, das concepções morais e desprezam igualmente céu e inferno. Nós descobrimos as mulheres como centro da vida social, artística e política. E, ainda, não existe um traço de movimento feminino. Esta é a maior razão para o antigo sistema começar a ruir sob o impacto da divisão do trabalho. Milhares e milhares de mulheres não mais encontravam sentido na vida no interior da família, mas essa questão, de acordo com o que podemos analisar, foi resolvida na época com conventos, instituições de caridade e ordens religiosas.

As máquinas, o modo moderno de produção, lentamente acabaram com a produção doméstica e não apenas para milhares, mas para milhões de mulheres a pergunta era: Onde encontraremos nosso meio de vida? Onde nós encontraremos um sentido de vida assim como um trabalho que nos dê satisfação mental? Milhões estavam agora forçadas a encontrar seu meio e sentido de vida fora de suas famílias, na sociedade como um todo. Nesse momento, elas se tornaram conscientes do fato de que sua ilegalidade social esteve em oposição com a maioria de seus interesses básicos. A partir deste momento surgiram as modernas questões das mulheres. Aqui estão algumas estatísticas que mostram como o modo de produção moderno funciona para as questões das mulheres, mesmo as mais agudas. Durante 1882, 5,5 milhões das 23 milhões de mulheres e meninas na Alemanha estavam totalmente desempregadas, um quarto da população feminina não encontrava mais seu meio de vida na família. De acordo com o Censo de 1895, o número de mulheres empregadas na agricultura, no sentido mais amplo desse termo, havia crescido desde 1882 mais de 8% e no sentido estrito cerca de 6%, enquanto o número de homens empregados na agricultura decrescia cerca de 3% a 11%, por ano. Na área das indústrias e das minas, o número de empregadas cresceu cerca de 35% e o de homens cerca de 28%. No mercado de tecelagem, o número de mulheres empregadas cresceu mais de 94% e o de homens apenas 38%. Apenas esses números mostram muito mais a urgência em se resolver as questões das mulheres do que uma declamação inflamada.

O problema das mulheres, entretanto, está presente apenas entre aquelas classes da sociedade nas quais elas mesmas se tornaram produtos do modo capitalista de produção. Então, não encontraremos tais questões nos círculos camponeses, onde existe a economia natural (embora reduzida e puncionada). Mas, nós certamente encontraremos esses problemas naquelas classes da sociedade em que todas as crianças participam do modo moderno de produção. Existe um problema feminino para cada mulher do proletariado, da burguesia, da intelectualidade, etc. Assume uma forma diferente de acordo com a situação de classe de cada uma.

Como se entende um questionamento feminino na alta sociedade? As mulheres desta classe graças as suas propriedades, podem desenvolver sua individualidade e viver como desejam. Em toda sua vida, entretanto, ela ainda depende de seu marido. A guarda sobre o sexo mais frágil sobrevive na lei da família que afirma: “Ele deverá ser seu mestre”. E qual é a constituição da alta sociedade para que a mulher seja legalmente subjugada pelo marido? Em seus primórdios, essas famílias não seguiam pré-requisitos morais. Não era a individualidade, mas o dinheiro que decidia sobre o matrimonio. Seu mote é: No que o capital participa, moralidade sentimental não deve participar. Então, nessa forma de casamento, duas prostituições são tomadas como uma virtude. A eventual vida em família se desenvolve de acordo com os mesmos termos. Onde quer que a mulher não seja mais forçada a realizar seus deveres, ela transfere seus deveres de mulher, mãe e dona de casa para serviçais pagos. Se as mulheres destes círculos tem o desejo de dar a suas vidas um propósito sério, elas devem, primeiramente, aumentar a possibilidade de dispor de suas propriedades de forma independente e livre. Esta demanda representa o centro das demandas apresentadas pelo movimento feminino da alta sociedade. Estas mulheres, em sua luta pela realização de suas demandas contra o mundo masculino de suas classes, lutam exatamente a mesma batalha que a burguesia lutou contra as classes privilegiadas, ou seja, a batalha para remover todas as diferenças baseadas nas posses das propriedades.

O fato de que esta demanda não lida com os direitos dos indivíduos está provado pela defesa de Herr Von Stumm no Reichstag. Mas quando ele defendeu os direitos de uma pessoa? Este homem, na Alemanha, significa mais do que uma personalidade, ele é o dinheiro em carne e osso e se este homem se apresenta com uma mascara barata pelos direitos das mulheres, então isso só aconteceu porque ele foi forçado a dançar diante da “Arca da Aliança do Capitalismo”. Este é o Herr Von Stumm que sempre está pronto para colocar um basta para seus trabalhadores se eles não dançarem conforme sua música e ele certamente receberia com um sorriso satisfeito se o Estado, enquanto empregador colocasse os professores e intelectuais que insistem em discutir políticas públicas sob suas rédeas também. Os esforços de Herr Von Stumm não almejam nada além do que instituir a posse dos bens móveis no caso da herança feminina, uma vez que existem pais que adquiriram posses, mas não tem como escolher seus filhos, deixando apenas as filhas como herdeiras. Assim, o capitalismo honra a poucas mulheres, permitindo que elas dispusessem de suas fortunas. Esta é a fase final da emancipação da propriedade privada.

Como se apresentam os problemas femininos nos círculos da pequena burguesia, da classe media e da burguesia intelectual? Nesse caso, não é a propriedade que dissolve a família, mas principalmente os sintomas concomitantes da produção capitalista. Neste grau, a produção completa sua marcha triunfal, a classe media e a pequena burguesia estão cada vez mais próximas de sua destruição. Entre a burguesia intelectual, outra circunstância leva à piora das condições de vida: o capitalismo precisa de força de trabalho inteligente e treinada cientificamente. Isso então favoreceu uma super produção de trabalhadores cientificamente qualificados e contribuiu para o fenômeno de que as posições de respeito entre essas classes de profissionais estão se erodindo.

No mesmo nível, entretanto, o número de casamentos está caindo; mesmo com bases materias piores, o aumento da expectativa de vida dos indivíduos, faz com que os homens pensem duas ou três vezes antes de entrar em um casamento. A idade limite para se formar uma família aumentou e o homem não sofre pressão para se casar, pois em nosso tempo existem bastantes instituições sociais que oferecem uma vida confortável a um velho bacharel sem uma esposa legítima. A exploração capitalista da força dos proletários até os níveis mais exaustivos, está ai um grande suprimento de prostitutas que correspondem às demandas desses homens. Então, dentro dos círculos da burguesia o número de mulheres solteiras sempre cresce.

As mulheres e filhas destes círculos são empurradas para dentro da sociedade, elas próprias precisam se estabelecer em suas vidas nas quais não se espera apenas que elas tenham seu sustento, mas também saúde mental. Nestes círculos, as mulheres não são iguais aos homens na forma de donas das propriedades privadas, como elas são nos altos círculos. As mulheres nestes círculos ainda precisam garantir sua igualdade econômica com os homens e elas podem fazer isso a partir de duas demandas: A demanda por treinamento profissional igualitário e a demanda por oportunidades iguais de trabalho para ambos os sexos. Em termos econômicos, isto significa nada menos do que a realização do livre acesso a todos os empregos e competição igualitária entre homens e mulheres. A realização disso desencadeia um conflito entre homens e mulheres da burguesia e da intelectualidade. A competição das mulheres dentro do mercado de trabalho é a força que move a resistência dos homens contra as demandas daqueles que advogam pelos direitos das mulheres burguesas. Pura e simplesmente, medo da competição. Todas as outras razões que são listadas contra o trabalho feminino qualificado, como o cérebro feminino ser menor e a tendência natural das mulheres a serem mães são apenas pretextos. Esta batalha coloca as mulheres deste estrato social diante da necessidade de exigir seus direitos políticos, lutando politicamente, derrubando todas as barreiras que foram criadas contra a sua atividade econômica.

Até então, me posicionei apenas diante da estrutura política básica e pura. Nós iremos, entretanto, cometer uma injustiça contra o movimento burguês pelos direitos das mulheres se nós atribuíssemos apenas motivações econômicas. Não, este movimento também contém um aspecto mais profundo. As mulheres da burguesia exigem não só seu sustento, mas também querem poder desenvolver sua individualidade. Exatamente junto a esse segmento encontramos esta trágica, porém psicologicamente interessante figura “Nora”, mulheres que estão cansadas de viver como bonecas, em casas de bonecas e que querem compartilhar do desenvolvimento da cultura moderna. A economia, bem como a intelectualidade empreendida pelos defensores dos direitos das mulheres da burguesia são completamente justificáveis.

No que diz respeito ao proletariado feminino, foi a necessidade do capitalismo de explorar e buscar incessantemente por uma força de trabalho barata que criou questão das mulheres. Essa também é a razão pela qual o proletariado feminino se tornou parte do mecanismo da vida econômica de nosso período e foi para as oficinas e para as máquinas. Elas saíram para a vida econômica para ajudar seus maridos na subsistência, mas o sistema capitalista as transformou em competidoras desleais. Elas queriam trazer prosperidade para a família, entretanto, a miséria se estabeleceu. As mulheres proletárias se empregaram porque queriam construir uma vida feliz e prazerosa para seus filhos, entretanto, elas ficaram totalmente separadas deles. Elas se tornaram iguais aos homens como trabalhadores; as máquinas davam as forças necessárias e em qualquer lugar o trabalho das mulheres gerava o mesmo resultado que o dos homens. E como as mulheres constituem uma força de trabalho barata e acima de tudo submissas, tanto que apenas raros casos se colocam contra a exploração do capitalismo, os capitalistas aumentaram as possibilidades de trabalho das mulheres na indústria. Como resultado, as mulheres proletárias alcançaram sua independência. Mas, verdadeiramente, o preço para isso foi muito alto e para o momento elas ganharam muito pouco. Se durante a Era da Família, o homem tinha o direito (pense na lei eleitoral da Bavária!) de domar sua mulher com um chicote, o capitalismo está, agora, domando-a ainda mais. Antigamente, o governo de um homem sobre sua mulher era amenizado por sua relação pessoal. Entre um empregador e um empregado, entretanto, existe apenas o vínculo financeiro. O proletariado feminino ganhou sua independência, mas nem como ser humano, nem como mulheres ou esposas elas tem a possibilidade de desenvolver sua individualidade. Para suas tarefas como esposa e mãe, restam apenas as migalhas que a produção capitalista deixa cair da mesa.

Então as lutas pela libertação das mulheres proletárias não podem ser comparadas às lutas que as mulheres da burguesia enfrentam contra os homens de sua classe. Ao contrário, elas devem empreender uma luta unitária com os homens de sua classe contra toda a classe capitalista. Elas não precisam lutar contra os homens de sua classe para derrubar as barreiras que foram erguidas contra sua participação no mercado da livre competição. A necessidade do capitalismo de explorar e desenvolver o modo moderno de produção as libera totalmente de travarem tal briga. Ao contrário, novas barreiras precisam ser erguidas contra a exploração do proletariado feminino. Seus direitos como esposa e mãe precisam ser restaurados e garantidos permanentemente. Seu clamor final não é a livre competição com os homens, mas o poder político nas mãos do proletariado. As mulheres operárias lutam lado a lado com os homens de sua classe contra a sociedade capitalista. Para se ter certeza, elas também concordam com as demandas do movimento feminino burguês, mas elas sabem que a simples realização dessas demandas é uma forma de impedir que o movimento entre na batalha, equipado com as mesmas armas, ao lado de todo o proletariado.

A sociedade burguesa não é fundamentalmente contra o movimento feminino burguês, o que pode ser provado pelo fato de que em vários estados foram iniciadas reformas das leis, em âmbito público e privado. Existem duas razões pelas quais a implementação dessas reformas parece demorar excepcionalmente na Alemanha: primeiramente, os homens temem a competição nas profissões liberais e precisa-se levar em consideração que o desenvolvimento da democracia burguesa é bastante lento e fraco na Alemanha, que não acompanha sua tarefa histórica porque sua classe dominante teme o proletariado. Temem que estas reformas só trarão vantagens para os social-democratas. Quanto menos a democracia burguesa se deixar levar pelo medo, mais estará preparada para realizar tais reformas. A Inglaterra é um bom exemplo. A Inglaterra é o único país que ainda tem uma burguesia verdadeiramente poderosa, enquanto a burguesia alemã, tremendo de medo do proletariado, se intimida em realizar reformas políticas e sociais. Assim como está a Alemanha, existe o fator adicional de visão Filistina ampla. A noção Filistina de prejuízo atinge profundamente a burguesia alemã. Para se ter certeza, este medo da burguesia alemã é muito raso. Garantir igualdade política para homens e mulheres não muda o atual balanço de forças. As mulheres proletárias acabam no proletariado e as da burguesia acabam no campo da burguesia. Não podemos nos deixar enganar pelas tendências socialistas no movimento de mulheres burguês, que só persistirá enquanto a burguesia feminina se sentir oprimida.

Quanto menos a democracia burguesa entende seu papel, mais importante é para a Social Democracia defender a igualdade política das mulheres. Não queremos parecer melhores do que somos. Não estamos reivindicando por um princípio, mas interessados na classe operária. Quanto mais o detrimento do trabalho feminino influenciar na vida dos homens, mais urgente se tornará a necessidade de incluí-las na batalha econômica. Quanto mais a batalha política afetar a existência de cada indivíduo, mais urgente será a participação das mulheres nessa luta. Foi a lei anti-socialista que deixou claro para as mulheres o que significava justiça de classe, Estado de classe e leis de classe. Foi esta lei que ensinou às mulheres a necessidade de aprender sobre a força que intervém tão brutalmente em suas famílias. A lei Anti-Socialista cumpriu com sucesso seu trabalho que não teria sido realizado por uma centena de agitadoras e, portanto, somos profundamente gratas a essa lei que como todos os órgãos do governo (desde o ministério até a polícia local) que participaram e contribuíram maravilhosamente com esses serviços involuntários de propaganda. Então, como podem acusar a nós, social democratas de ingratidão? (Risos) – sic.

Ainda existe outro evento que deve ser levado em consideração. Estou me referindo à publicação de Augusto Bebel, o livro “Mulheres e o Socialismo”. Este livro não deve ser julgado de acordo com seus aspectos positivos ou pelos seus atalhos. Deve ser julgado pelo contexto de quando foi escrito. Foi mais do que um livro, foi um evento – um maravilhoso tratado. (Bastante preciso). O livro apontou pela primeira vez a conexão entre a questão feminina e o desenvolvimento histórico. Pela primeira vez, deste livro soou um apelo: Nós apenas conquistaremos o futuro se persuadirmos as mulheres a se tornarem co-batalhadoras. Reconhecendo isso, não estou falando apenas como mulher, mas como uma camarada do partido.

Quais conclusões práticas nós podemos esboçar para nossa propaganda junto as mulheres? A tarefa que deste congresso do Partido não deve ser resumida a sugestões de detalhes práticos, mas desenhar diretrizes gerais para o movimento de mulheres.

Nossa linha de pensamento deve ser: não devemos conduzir propaganda especial para as mulheres, mas fazer agitação socialista entre as mulheres. Os interesses mesquinhos e momentâneos interesses do mundo feminino não podem ser permitidos nesse estágio. Nossa tarefa deve ser incorporar as trabalhadoras modernas na nossa luta de classes! Não temos tarefas especiais para a agitação junto às mulheres. Essas reformas para as mulheres que devem ser realizadas no âmbito da sociedade de hoje já são exigidas dentro do programa mínimo de nosso partido.

A propaganda das mulheres deve tocar naquelas questões que são de grande importância para todo o movimento operário. A principal tarefa, portanto, de acordar a consciência de classe das mulheres e incorporá-las à luta de classes vigente. A sindicalização das trabalhadoras é extremamente difícil. Durante os anos de 1892 a 1895, o número de trabalhadoras organizadas em centrais sindicais cresceu para cerca de 7000. Se adicionarmos a esse número as trabalhadoras organizadas em sindicatos locais e enxergarmos que ao menos 700.000 mulheres estão envolvidas ativamente nas grandes indústrias, então começaremos a entender o tamanho do trabalho de organização que ainda está a nossa frente. Nosso trabalho se torna mais difícil pelo fato de que muitas mulheres estão ativas na indústria caseira e podem, portanto, ser organizadas apenas com grande dificuldade. Também temos que lidar com a difundida crença entre as garotas jovens que seu trabalho industrial é apenas transitório e que terminará quando se casarem. Para muitas mulheres existe a dupla obrigação de ser ativa tanto na fábrica quanto em casa. O que é mais necessário para as trabalhadoras é obter uma jornada de trabalho legalmente fixada. Enquanto na Inglaterra todos concordam que a eliminação da indústria caseira, o estabelecimento de uma jornada de trabalho legal e o pagamento de salários mais altos são importantes requisitos para a sindicalização das trabalhadoras – na Alemanha, além desses obstáculos, enfrentamos também a obrigação da sindicalização e das assembléias. A completa liberdade de formar coalizões, que era garantida pela lei do Império, foi ilusoriamente retida pelas leis de cada estado federativo. Não quero discutir a forma como tal direito de formar um sindicato é tratado na Saxônia (mesmo que alguém possa falar de um direito lá). Mas em dois dos maiores estados federativos, a Bavária e a Prússia, as leis sindicais são tratadas de tal forma que a participação feminina nos sindicatos tem se tornado cada vez mais impossível. Mais recentemente na Prússia, o distrito do “liberal”, o eterno candidato a ministro, Herr Von Bennigsen tem feito o humanamente possível na interpretação da Lei da Sindicalização e das Assembléias. Na Bavária todas as mulheres são excluídas de reuniões públicas. Na Câmara de lá, Herr Von Freilitzsch declarou muito abertamente que ao lidar com a lei da sindicalização, não apenas o texto, mas também a intenção do legislador deve ser levada em consideração. Herr Von Freilitzsch está na melhor posição para saber exatamente as intenções dos legisladores, todos eles acabaram de morrer, antes deixando a Bavária com mais sorte do que qualquer um pudesse imaginar nos seus melhores sonhos, apontando Herr Von Freilitzsch como seu ministro da polícia. Isso não me surpreende por quem quer que receba um ofício de Deus também recebe a inteligência concomitante, e em nossa Era do Espiritualismo, Herr Von Freilitzsch obteve tanto sua inteligência oficial, como por meio da quarta dimensão, descobriu as intenções dos falecidos legisladores. (Risos.)

Esta situação, portanto, não dá possibilidade para que as trabalhadoras se organizem junto aos homens. Até agora, elas enfrentaram uma luta contra o poder policial e estratagemas jurídicos e, superficialmente, parecem ter sido derrotadas. Na realidade, entretanto, elas se tornaram vitoriosas porque todas as medidas usadas para esmagar a organização das trabalhadoras só serviram para despertar sua consciência de classe. Se quisermos ter uma poderosa organização de mulheres, tanto no aspecto econômico como político, devemos então, primeiramente, cuidar da possibilidade para um movimento feminino livre, lutando contra a indústria caseira, por jornadas de trabalho menores e, acima de tudo, contra o conceito de organização da classe dominante.

Não podemos determinar, neste congresso do Partido, qual forma nossa propaganda entre as mulheres deve tomar. Devemos, primeiramente, aprender como faremos nosso trabalho junto às mulheres. Na resolução que vos foi apresentada, propõe-se para eleger delegadas sindicais, cuja tarefa será a de estimular a união e organização econômica das mulheres e para consolidá-la de maneira uniforme e planejado. Esta proposta não é nova; foi adotada em princípio pelo Congresso do Partido de Frankfurt, e em algumas regiões foi implanado com sucesso. O tempo irá dizer se essa proposta, quando aplicada em maior escala, é adequada para colocar as mulheres em maior medida no movimento proletário.

Nossa propaganda não deve ser realizada apenas de maneira falada. Um grande número de pessoas passivas não estão em nossas reuniões e incontáveis esposas e mães não podem vir. Na verdade, não deve ser tarefa da propaganda socialista alienar a mulher trabalhadora de seus deveres como mãe e esposa. Ao contrário, ela deve ser encorajada a realizar essas tarefas melhor do que nunca. Quanto melhor suas condições em sua família, quanto mais eficiente for em casa, maior será sua capacidade de lutar. Quanto mais ela for modelo e educadora de seus filhos, mais hábil ela será para faze-los continuar na luta com o mesmo entusiasmo e sacrifício que tivemos para a libertação do proletariado. Quando um trabalhador disser: “Minha esposa!” ela pensará “camarada de meus ideais, companheira em minhas batalhas e mãe dos meus filhos, para as futuras batalhas.” Muitas mães e esposas que despertam a consciência de classe em seus maridos e filhos fazem tanto quanto as camaradas que nós vemos em nossas reuniões.

Se a montanha não vai a Maomé, Maomé deve ir à montanha: Nós devemos levar o Socialismo para as mulheres através de uma propaganda escrita planejada. Para tal campanha, eu sugiro a distribuição de panfletos e eu não quero dizer do tradicional panfleto no qual todo o programa socialista e todo o conhecimento científico do século estão condensados em um quarto de página. Não, nós devemos usar pequenos panfletos nos quais se discuta um problema prático de um ponto de vista, principalmente aquele da luta de classes, que é a tarefa principal. E não devemos assumir uma atitude indiferente para a produção técnica de panfletos. Não devemos usar, como é nossa tradição, o pior papel e o pior tipo de impressão. Tal panfleto miserável será amassado e jogado fora pelas trabalhadoras que não tem o mesmo respeito pela palavra impressa do que os trabalhadores. Devemos imitar os norte americanos e ingleses que faziam pequenos livretos de quatro a seis páginas. Pois mesmo uma trabalhadora é mulher suficiente para dizer para si mesma: “Isso é mesmo encantador. Terei que pegá-lo e mante-lo.” As frases que realmente importam devem ser impressas em letras grandes. Então as trabalhadoras não ficarão com medo de ler e sua atenção será estimulada.

Por causa de minhas experiências pessoais, não posso defender a fundação de um jornal especial para as mulheres. Minha experiência não é baseada na minha posição como editora do “Gleichheit” (que não é destinado à massa feminina, mas à sua vanguarda progressista), mas como distribuidora de literatura entre as trabalhadoras. Estimulada pelas ações de Frau Gnauck-Kuhne, eu distribui jornais por semanas em certa fábrica. Eu me convenci que as mulheres lá não só não aprenderam com aquele jornal o que era esclarecedor, mas o que era engraçado e de entretenimento. Dessa forma, os sacrifícios de se publicar um jornal barato não valeriam a pena.

Também criamos uma série de brochuras que traziam o Socialismo mais próximo das mulheres como trabalhadoras, esposas e mães. Exceto pela poderosa brochura de Frau Popp, não tivemos uma só que chegou ao número de requerimentos que precisávamos. Nossa imprensa diária, também, precisa realizar mais do que fez até então. Alguns jornais diários tiveram a intenção de esclarecer as mulheres adicionando o suplemento especial para mulheres. O “Magdeburger Volkstimme” é um exemplo e o camarada Goldstein no Zwickau tem estimulado habilidosamente e com sucesso. Mas até agora a imprensa diária manteve a trabalhadora como assinante, enaltecendo sua ignorância, seu gosto ruim e informe, no lugar de esclarecê-las.

Repito que estou apenas colocando sugestões para vossa consideração. Propaganda entre as mulheres é difícil e onerosa e requer grande devoção e sacrifício, mas este será recompensado e deve ser trazido à luz. O proletariado poderá se libertar apenas se lutar unido, sem diferenciar-se por nacionalidade ou profissão. No mesmo sentido, só se libertará sem a distinção por sexo. A incorporação de grandes massas de trabalhadoras na luta pela libertação do proletariado é um pré-requisito para a vitória do ideal socialista e para a construção da sociedade socialista.

Apenas a sociedade socialista irá resolver o conflito que hoje é gerado pela atividade profissional das mulheres. Uma vez que a família como uma unidade econômica irá desaparecer e seu lugar será tomado pela família como uma unidade moral, as mulheres terão igualdade em direitos, igual em criatividade, será companheira de frente de seu marido; sua individualidade poderá crescer no mesmo tempo e ela cumprirá suas tarefas de esposa e mãe da melhor forma possível.

16 de Outubro de 1896

Tradução de Mayra Garcia da Silva
Movimento de Mulheres Olga Benário, Belo Horizonte