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A necessidade vital dos quadros na luta política no Alto Tietê

É preciso, por fim, compreender que, de todos os capitais preciosos que existem no mundo, o mais precioso e o mais decisivo, são as pessoas, os quadros. É preciso compreender que, nas nossas condições atuais, “os quadros decidem tudo.”
– Josef Stálin: O Homem, o Capital Mais Precioso.

Pedro Dragoni


Foto: Thales Caramante/Jornal A Verdade

MOGI DAS CRUZES (SP) – Este pequeno excerto do início de um discurso do revolucionário georgiano para os alunos da Academia do Exército Vermelho reflete exatamente um ponto crucial quando se pensa a luta política de nosso partido e das organizações que o constroem na região do Alto Tietê paulista.

2020 é ano de eleições municipais no país e sabemos que elegeremos elementos que na maioria esmagadora dos casos apenas irão reproduzir as podres políticas conservadoras do Estado burguês brasileiro – refém de toda sorte de parasitas e aproveitadores que farão nada menos que levar a cabo as pautas neoliberais; servindo assim os aos interesses dos financiadores das campanhas (empresários, fazendeiros, oligarquias locais etc.).

Embora o povo brasileiro saiba mais do que ninguém como o processo eleitoral no Brasil seja um verdadeiro balcão de negócios dos ricos, este mesmo processo das eleições é uma oportunidade ímpar para o debate político, a conscientização das massas – momento onde o partido revolucionário não pode se abster nem de elevar o nível da educação da classe trabalhadora no que diz respeito à natureza burguesa do Estado atual, tampouco deixar brechas para que setores da extrema-direita ocupem ainda mais os espaços institucionais[1]. Sendo assim, o nosso papel como militantes revolucionários(as) é de ampliar, fortalecer as lutas de base (os movimentos sociais populares) e compor o debate público no período eleitoral para apresentar o programa socialista do partido às massas populares que sempre buscam uma alternativa nos municípios, mas têm apenas os “mesmos de sempre” a “seu dispor” – exatamente aqueles que governarão para si e para o sistema.

A legalização da Unidade Popular conquistada em novembro último tem também como bandeira esta importante luta, entretanto, diferentemente dos partidos tradicionais de esquerda, não quer se apoderar de cargos públicos no Estado capitalista, mas sim fazer com que o proletariado possa enxergar como cada vez mais próximo e factível o interesse do partido em unificar as pautas populares em torno de uma ação conjunta de luta em uma conjuntura onde as classes dominantes intensificam os ataques aos direitos fundamentais da população e demonizam tudo o que possa ter um apelo popular, isto é; de esquerda, por exemplo: a demonização dos sindicatos e sindicalistas, movimentos de mulheres etc.

Diante da difícil tarefa colocada de fazer avançar o processo político-ideológico que tenha como meta única a conquista do poder político pelo proletariado, a formação, a atitude ativa e militante dos quadros é o nervo central de nossas atividades.

Foto: Jornal A Verdade

O Conservadorismo no Alto Tietê

O conservadorismo político e econômico é algo marcante no Alto Tietê. Na maior cidade da região (Mogi das Cruzes), jamais houve uma prefeitura comandada nem por um socialdemocrata mais leve que se poderia imaginar. Um município de quase meio milhão de habitantes, onde já fora um importante polo industrial do Estado de São Paulo, apenas quatro famílias comandam efetivamente o poder na cidade e onde grandes empresas são isentas de impostos (como é o caso da milionária empresa de transportes Júlio Simões). Como se não bastasse, atualmente a cidade vem sendo loteada pelos empreendimentos da empresa Helbor que beneficiam somente os bairros privilegiados e legando ao abandono distritos e bairros inteiros. Tal concentração de poder jamais foi minimamente abalada, nem mesmo do ponto de vista legal-formal-institucional.

Poderíamos citar outras cidades da região como Suzano, por exemplo, que já experimentou uma prefeitura comandada por um partido socialdemocrata (PT), mas tal ‘raio em céu azul’ não foi capaz – e nem seria possível – de abalar as estruturas oligárquicas constituídas ao fomentar uma maior participação popular na vida pública do município, já que inevitavelmente o partido estava atrelado aos setores conservadores da cidade.

Toda esta situação no Alto Tietê [de conservadorismo] pode ser revertida, mas só será viável se se coloca em xeque a atual maneira de se fazer política da região e batendo de frente com as elites locais. Se Marx afirmara que as ideias dominantes em uma determinada sociedade são as ideias das classes dominantes, devemos compreender certas limitações impostas pela sociabilidade burguesa à compreensão político-ideológica do povo, e por termos como base a concepção leninista da necessidade do partido organizado do proletariado, nos é cristalina a questão dos quadros do partido e suas organizações nesse trabalho.

Embora a paralisia de certos grupos da esquerda organizada e o derrotismo seja perceptível, o que podemos perceber é que há uma grande lacuna aberta: há um povo trabalhador sofrido que anseia por transformações maiúsculas, e que se não existem forças ativas revolucionárias, as forças conservadoras e reacionárias acabam se apropriando ainda mais da consciência política da classe operária – e é por isso que tal lacuna deve ser preenchida com muita agitação e propaganda revolucionárias.

A classe pobre e trabalhadora precisa manejar com clareza o que propomos e devemos aprender com o povo através de suas lutas espontâneas; e assim sintetizar isto em uma verdadeira unidade popular na defesa do socialismo, do poder popular e nas transformações culturais do povo.

Na região vem se destacando o Movimento de Mulheres Olga Benário que trava as batalhas na luta contra o patriarcado e as injustiças do capitalismo neoliberal e que se mostra como um exemplo a ser seguido por toda militância e que deve ser cada vez mais expandido e fortalecido. Dão-se passos importantes e históricos.

Foto: Jornal A Verdade

O cenário nos demanda intensificar a divulgação do jornal A Verdade, fazer panfletagens nos bairros, nas universidades, nos pontos de ônibus, praças. Devemos de fato tomar a cidade ‘de assalto’ e fazer do espaço público verdadeiras tribunas de denúncia dos retrocessos sociais, da concentração dos poderes econômico e político, promover o partido e seu programa, dialogar efetivamente com as massas, buscando sempre fazer com que a organização da classe trabalhadora possa se fortalecer e se traduzir em passeatas, manifestações; construção dos instrumentos de deliberação coletiva que serão a foice e o martelo na conquista do poder do povo por todos os meios necessários.


[1]. Não se trata aqui de um “ocupar” na concepção socialdemocrata vigente, mas sim como uma tática de enfrentamento dos setores da extrema-direita que vêm aos poucos buscando conquistar todo e qualquer espaço. Seria no mínimo incoerente abdicar de tais espaços e deixar o inimigo livre para agir.

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