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Esquerda vence eleições na Bolívia

RESISTÊNCIA – Bolivianos estão em mobilização permanente desde o golpe realizado no fim do ano passado. (Foto: Reprodução/Henry Romero)

Felipe Annunziata

RIO DE JANEIRO (RJ) – Tensões, intimidação e militarização foram as marcas das eleições na Bolívia, ocorridas no último dia 18. Ao todo, 7,8 milhões de bolivianos estavam aptos a participar no processo eleitoral, que acontece após um golpe de Estado dado em 2019 que derrubou Evo Morales.

Pesquisas de boca de urna apontam para a vitória já no primeiro turno do candidato Luis Arce, do Movimiento al Socialismo (MAS) e aliado do ex-presidente Evo Morales, com mais de 50% do votos válidos. A apuração deve seguir por mais algumas horas antes de ser decretado o resultado final.

Durante toda a campanha houve greves e passeatas de trabalhadores do campo e da cidade organizadas pelas forças populares, bem como diversas ações terroristas por parte de milícias armadas ligadas ao candidato fascista Luis Fernando Camacho.

A grande mídia brasileira silenciou praticamente sobre toda a jornada eleitoral no nosso vizinho, com o qual mantemos fortes relações comerciais. Vale lembrar que em novembro de 2019 a imprensa burguesa deu grande repercussão ao relatório fraudado da Organização dos Estados Americanos (OEA) que deu o pretexto para o motim da Polícia Nacional e das milícias fascistas que derrubaram Evo Morales.

Intimidação das Forças Armadas e Partidos de Direita

Representando o Parlamento do Mercosul (Parlasul) na Bolívia, a Deputada Federal Sâmia Bonfim (PSOL-SP) informou que viu um clima de tensão nas seções eleitorais que ela fiscalizou. “O que mais nos chamou a atenção visitando essas escolas [seções eleitorais] é a presença ostensiva das forças armadas e da polícia. Pela primeira vez isso acontece, causando um clima de tensão e intimidação muito grande”, disse.

Doze horas antes do fim da eleição, o Órgão Plurinacional Eleitoral (o TSE da Bolívia) anunciou que não usaria o sistema de divulgação preliminar utilizado em 2019. A decisão causou revolta em vários partidos, principalmente o MAS, além de criar mais uma sombra de suspeita sobre a transparência do processo.

Durante a noite de domingo, o Exército e a Polícia cercaram a sede do MAS, impedindo os militantes de entrarem e saírem. As forças armadas e a polícia foram os principais instrumentos na derrubada do governo em 2019.

ELEIÇÕES – Índice de participação nas eleições superou 80%. (Foto: Reprodução/Ronaldo Schemidt)

Apuração Tensionada

Atrás de Arce na votação estão os candidatos da direita Carlos Mesa, com 31,5%, e Luis Camacho, com 14,1% dos votos. Com esse resultado o partido de Evo Morales garante não apenas a presidência, como também maioria nas duas casas da Assembleia Plurinacional.

Até às 14:30h desta segunda (19), a apuração transcorria de forma muito lenta. Cerca de 20% das urnas apuradas apenas. O próprio site do TSE boliviano, por onde se divulgava os resultados estava com muita instabilidade durante toda a noite de domingo.

Eleição Marca Derrota de Forças Golpistas

Desde que Jeanine Añez e as milícias fascistas tomaram o poder no golpe de novembro de 2019 a Bolívia tem passado por uma profunda crise econômica. O desemprego aumentou e o governo começou a aplicar a cartilha neoliberal defendida pela Embaixada dos EUA, que deu amplo apoio ao movimento golpista.

Na pandemia, além de superfaturar itens de saúde, o governo golpista impôs uma gestão desastrosa que levou à morte de 8,4 mil pessoas.

Nas grandes cidades, as milícias fascistas organizadas por apoiadores de Camacho e Añez começaram a perseguir militantes de esquerda. Mas, mesmo nesse quadro, os trabalhadores da cidade e do campo na Bolívia não pararam sua mobilização.

Foram meses com greves, bloqueios de estradas mobilizações sociais reivindicando a saída do governo golpista. Nas eleições deste dia 18 isso se refletiu com um comparecimento acima dos 80%, o que pode ter consolidado a virtual vitória de Arce.

O que Está em Jogo Agora?

A presidente golpista da Bolívia reconheceu a vitória do MAS, o candidato Carlos Mesa, que já foi presidente e liderava uma das coalizações de direita, também reconheceu a derrota. Este cenário marca a derrota do golpe imposto em 2019.

A questão que fica agora é como as outras forças golpistas vão se posicionar? Como os elementos golpistas na Polícia Nacional e nas Forças Armadas, bem como as milícias de extrema-direita, principalmente na maior cidade do país, Santa Cruz de la Sierra, vão se posicionar.

Não está claro como o próprio partido do presidente eleito vai se colocar. Em seu discurso de vitória o presidente eleito afirmou que irá fazer um governo de “unidade nacional” e para “todos os bolivianos”.

Sem dúvidas, sem não houver um forte combate às forças de extrema direita e ao imperialismo, a pressão sobre o governo do MAS seguirá e um novo golpe será organizado. A burguesia e o fascismo devem ser enfrentados pelo povo nas ruas e pela construção do poder popular.

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