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segunda-feira, 4 de julho de 2022

Mulheres protestam contra o feminicídio em Búzios (RJ)

VIOLÊNCIA. Búzios é uma das cidades mais violentas para as mulheres no RJ (Foto: Gonzalo Arselli)

Os recorrentes casos de violência contra as mulheres em Búzios estão deixando a população feminina preocupada. Esse foi o segundo ato realizado na cidade para denunciar a violência contra as mulheres somente no mês de março. 

Valerie Leger
Rio de Janeiro


MULHERES – No último sábado (26/03), centenas de pessoas promoveram uma manifestação contra o feminicídio na cidade de Armação dos Búzios (RJ). O protesto foi convocado pelo Movimento de Mulheres Olga Benario, pelo Movimento de Mulheres da Região dos Lagos, pela Frente Feminista de Búzios e pelos familiares de Pamela, mais uma mulher assassinada na cidade nas últimas semanas.

Esse foi o segundo ato realizado na cidade para denunciar a violência contra as mulheres somente no mês de março. A primeira manifestação ocorreu no dia 18, e cobrava das autoridades respostas sobre o desaparecimento de Pamela, que estava sumida há uma semana. No dia seguinte, seu corpo foi encontrado atrás da delegacia. Também no dia 19/03, o corpo de outra mulher, Leonor, foi encontrado, com marcas de violência e facadas. Pamela era uma jovem trabalhadora de 26 anos que deixou dois filhos. Leonor, uma mulher argentina de 73 anos.

Diante da repercussão dos dois casos de feminicídio, tem crescido na cidade a pressão por respostas e pelo fim da violência contra as mulheres. Até hoje, casos antigos como o de Sabrina, Carol e Marilda permanecem sem respostas. Os nomes e rostos dessas mulheres, que deixaram esse mundo pelas mãos violentas do machismo e da opressão, também foram relembrados nos protestos.

Durante o ato, que aconteceu na praça Santos Dumont, bem no centro da cidade, foi montado um altar para Pamela e outro para Leonor. A irmã de Pamela disse emocionada: “Eu gostaria que vocês se atentassem mais (às vítimas de violência doméstica). Tivessem um sentimento de amor umas pelas outras, e não rivalidade, que é o que eu vejo entre muitas mulheres”.

Palavras de ordem como “A violência contra a mulher, não é o mundo que a gente quer” deram o tom da manifestação. Em cada parada, era feito um jogral explicando que a população buziana não vai descansar enquanto não houver justiça para todas as vítimas de feminicídio e enquanto a cidade não for segura para as mulheres.

Pelo fim da violência contra as mulheres (Foto: Gonzalo Arselli)

Cidade insegura

Os recorrentes casos de violência contra as mulheres em Búzios estão deixando a população feminina da cidade preocupada. Búzios é um destino famoso para turistas do mundo todo e, por trás de todo o glamour da Rua das Pedras e da orla Bardot (nome de uma mulher que era o símbolo sexual francês nos anos 1960 e hoje nomeia um dos lugares centrais frequentados por turistas), existe uma cidade que não assegura que a mulher trabalhadora possa voltar em segurança e sem medo para a casa.

Segundo Ágata Pauer, militante e coordenadora do Movimento de Mulheres, “é muito importante que nós mulheres continuemos ocupando as ruas para denunciar o feminicídio crescente no município de Búzios e criar possibilidades de mudança para as mulheres”.

Os próximos passos da luta serão a construção de uma plenária para organizar as reivindicações e novas manifestações para denunciar a violência e pedir o fim do feminicídio na cidade.

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