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sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Militar do GSI ameaça opositores com “tiro na cabeça”

Em áudios divulgados em grupos de mensagens, o militar da Marinha Ronaldo Ribeiro Travassos convoca colegas de farda para manifestações golpistas e incentiva ações terroristas contra opositores de Bolsonaro.

Heron Barroso
DA REDAÇÃO


BRASIL – O jornal Folha de S. Paulo revelou ontem (29) áudios do militar da Marinha Ronaldo Ribeiro Travassos, lotado no GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República), incentivando a realização de atentados terroristas contra opositores de seu chefe supremo, o futuro ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, o militar aparece em grupos de mensagens incentivando atos golpistas, a execução de eleitores de Lula e o impedimento da posse do presidente eleito.

“Eu tenho certeza que o ladrão não sobe a rampa. Agora, você que tá bonitinho em casa, quando seu filho virar boiola ou uma sapatão esquerdista, não reclame”, ameaça Travassos em um dos áudios. Ele também costuma dormir no acampamento fascista montado em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, pedindo um golpe de Estado e a volta da censura, das perseguições, sequestros, torturas, estupros e execuções de opositores, inclusive de crianças, como fez a Ditadura Militar de 1964.

Ronaldo Ribeiro Travassos é primeiro-sargento da Marinha e atualmente trabalha no gabinete do general Augusto Heleno. Em outro áudio, ele afirma que haverá uma “guerra civil” no país. “No meu prédio tem 17 moradores, dos 17, seis fazem o L. Nós precisamos saber quem é quem, porque a guerra civil vai rolar”, acredita. Mais adiante, o militar diz que daria um tiro na cabeça do próprio irmão se ele fizesse o L de Lula. “Não tô de brincadeira, não, é sério. Quem faz o L é terrorista. Tem que morrer mesmo, ou mudar ou morrer, porque não tem jeito uma pessoa dessa”.

Silêncio e impunidade

Apesar das gravíssimas declarações vindas de um militar na ativa, até agora nenhuma atitude foi tomada nem pelo general Heleno, nem pelo Alto Comando das Forças Armadas, que permanecem em silêncio. Essa conivência naturaliza as ameaças violentas e incentiva a sanha bolsonarista.

Outro fato que tranquiliza os fascistas é a promessa do próximo governo de não mexer num fio de cabelo das Forças Armadas. Garantem, inclusive, que os próximos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica serão indicados pelo atual Alto Comando apinhado de bolsonaristas.

Porém, ao contrário do que pensam a social-democracia e o reformismo, a vitória de Lula não significa que o fascismo não representa mais uma ameaça e que foi eliminado. Tampouco os afagos aos generais fascistas e adoradores da Ditadura impedirão que sigam conspirando contra a democracia e a vontade das urnas.

Pensar assim é não ter em conta a doutrina marxista da luta de classes. Enquanto o Brasil for uma sociedade de classes, a luta entre as classes não só continuará como será cada vez mais profunda. A grande burguesia nacional e internacional, apesar de seus louvores à democracia, seguirá conspirando com suas Forças Armadas para implantar um regime fascista no Brasil, que garanta a máxima exploração da classe trabalhadora e defenda os lucros dos grandes monopólios.

Cabe aos trabalhadores, às mulheres, à juventude, aos negros, indígenas e ao povo pobre fortalecer suas organizações, erguer suas bandeiras e se preparar para os próximos enfrentamentos que inevitavelmente ocorrerão, doa a quem doer.

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