UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 10 de abril de 2026
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Inês Etienne Romeu: a mulher que desafiou e sobreviveu à Casa da Morte

“A vida e a morte de Inês Etienne Romeu seguem sendo um lembrete de que a democracia se constrói com memória, justiça e luta coletiva. Sua voz sobrevive em cada mulher que se organiza, em cada denúncia contra a opressão e em cada gesto de solidariedade. Enquanto a sua história for lembrada, a ditadura não será esquecida e jamais se repetirá.”

Chantal Campello | Cabo Frio (RJ)


Inês Etienne Romeu nasceu em Pouso Alegre, Minas Gerais, em 18 de dezembro de 1942. Desde jovem envolveu-se na luta política contra as injustiças sociais que marcavam o Brasil nos anos 1960. Militante da Organização Revolucionária Marxista Política Operária (Polop), Inês fazia parte de um movimento que buscava construir uma alternativa socialista ao modelo autoritário. Com a instauração da ditadura militar em 1964, ela passou a viver na clandestinidade, dedicando-se à organização da resistência armada.

Em 1971, foi presa no Rio de Janeiro pelos agentes do Centro de Informações do Exército (CIE). Seu destino foi a chamada “Casa da Morte”, um centro clandestino de tortura mantido em Petrópolis no Rio de Janeiro, onde os lutadores populares da ditadura eram levados para serem “convencidos” a base das piores torturas, a colaborar com os órgãos de repressão. Dos cerca de 20 militantes levados para esse local, Inês foi a única que saiu com vida.

‘’Eu não podia chorar. Nem me mexer. Não podia ter medo. Só sobrevivia quem conseguisse suportar o inferno calada, fria, como pedra”, disse em seu depoimento à Comissão Nacional da Verdade, décadas depois.’’

Durante os meses em que esteve presa, foi submetida a intensas sessões de tortura física, estupros, choques elétricos e isolamento extremo. Em seu relato à Comissão Nacional da Verdade, Inês afirmou: ‘’Eles queriam que eu me tornasse uma agente infiltrada, que traísse meus companheiros. Disseram que se eu não cooperasse, minha família sofreria. Eu escutei o choro de outras mulheres sendo violentadas. O terror era contínuo.’’

Mesmo após ser forçada a escrever relatórios e simular colaboração, Inês encontrou forças para resistir internamente e, ao sair da Casa da Morte, retomou sua luta política, denunciando os crimes que presenciou. Foi libertada somente em 1979, com a Lei da Anistia.

No livro ‘Memórias de uma Guerra Suja’, escrito pelos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, publicado em 1979, ela detalhou não apenas sua própria experiência, mas também o funcionamento do aparato repressivo da ditadura. Sua denúncia pública foi uma das primeiras a revelar a existência de centros clandestinos de extermínio mantidos fora da legalidade até então negada pelo regime militar.

“Na Casa da Morte, a gente não tinha nome, só número. Eu era um número. Não sabíamos se era dia ou noite. Tudo era feito para nos destruir por dentro”, dizia Inês em entrevista.

A vida de Inês foi marcada por perseguições, ameaças e vigilância mesmo após a redemocratização. Ela vivia sob constante medo. Faleceu em 27 de abril de 2015, aos 72 anos, em Niterói, Rio de Janeiro. A causa oficial foi insuficiência cardíaca, mas familiares e militantes da área de direitos humanos sempre levantaram dúvidas sobre as circunstâncias da morte. Meses antes de falecer, Inês chegou a relatar que suspeitava estar sendo envenenada.

Seu testemunho foi fundamental para os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (2011–2014), que investigou os crimes cometidos pela ditadura militar. Nos depoimentos, ela nomeou agentes da repressão, descreveu métodos de tortura e apontou a responsabilidade do Estado nos desaparecimentos forçados.

Homenagem à resistência: Casa de Referência Inês Etienne Romeu, em Cabo Frio

Reconhecendo sua trajetória de coragem e enfrentamento, o Movimento de Mulheres Olga Benario ocupou em 2024 um imóvel público, na cidade de Cabo Frio (RJ), um espaço voltado ao acolhimento de mulheres em situação de violência, vulnerabilidade e violação de direitos. A casa recebeu o nome de Inês Etienne Romeu, a homenagem carrega um forte simbolismo as mulheres que sempre lutaram.

Em nome de Inês, milhares de mulheres encontram forças para denunciar violências, buscar justiça e construir autonomia. A escolha do nome reforça a importância de manter viva a memória daqueles que enfrentaram a repressão de frente, e, sobretudo, das mulheres que ousaram lutar mesmo sob as piores condições.

A vida e a morte de Inês Etienne Romeu seguem sendo um lembrete de que a democracia se constrói com memória, justiça e luta coletiva. Sua voz sobrevive em cada mulher que se organiza, em cada denúncia contra a opressão e em cada gesto de solidariedade. Enquanto a sua história for lembrada, a ditadura não será esquecida e jamais se repetirá.

Estudantes convocam ENET 2025 e jornada de lutas em defesa do ensino público e técnico

Nos dias 5 e 6 de abril, aconteceu em Niterói (RJ) a plenária nacional de Grêmios da FENET. O encontro, que reuniu entidades de todo o país, definiu uma nova agenda de lutas na educação e convocou o próximo Encontro Nacional de Estudantes em Ensino Técnico: o ENET 2025.

Julia Cachos | Coordenadora-Geral da FENET


Diante dos desmontes da educação arquitetados por diversos governos, dezenas de grêmios se reuniram no Rio de Janeiro, nos dias 5 e 6 de abril na Plenária Nacional de Grêmios organizada pela FENET. Nessa atividade, os estudantes de todo o Brasil usaram de sua indignação para organizar o próximo calendário de lutas.

Durante a programação, iniciou-se o dia 5 com o debate sobre a dívida pública, que é responsável por drenar o orçamento público que poderia ser investido nas nossas escolas, no término das obras em andamento e na expansão da rede técnica. Enquanto o orçamento da educação continua refém do arcabouço fiscal, nossos Institutos Federais sobrevivem com emendas parlamentares, fazendo com que não saibamos o futuro de nossas instituições.

“A verdade é que a precarização do nosso ensino tem um único objetivo: abrir as portas para a privatização de nossas escolas. Como já acontece na rede estadual técnica de vários estados, onde, para fugir das salas caindo aos pedaços do ensino público, a juventude passa a estudar em escolas técnicas pagas que prestam um serviço de péssima qualidade, sabendo disso, os estudantes reafirmaram seu compromisso com a luta em defesa da educação pública e de qualidade”, afirmou Nicole Viana, coordenadora-geral da FENET.

Nos últimos meses os estudantes mostraram sua combatividade e espírito de luta através dos dias nacionais de luta da FENET, da construção da Plenária Nacional de Grêmios, dos atos contra a militarização das escolas, em defesa do orçamento público para a educação, mobilizações pelo passe livre e pelos grêmios livres.

Dessa forma, os estudantes reafirmaram que é fundamental mobilizar a juventude na defesa de seus direitos, deixando claro que só com a luta podemos combater o avanço do fascismo no Brasil e defender a educação pública gratuita e de qualidade.
Assim, imbuídos da vontade de lutar e conquistar, os estudantes convocaram, durante a Plenária Final um novo dia nacional de lutas pela assistência estudantil nas escolas técnicas e pelos bandejões nos IFs de todo o país.

O encontro foi encerrado com um chamado a todos os estudantes técnicos do Brasil: o Encontro Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico da FENET, o ENET, acontecerá dos dias 18 a 21 de setembro no estado da Bahia e será decisivo para defendermos a educação pública gratuita e de qualidade, defender a democracia brasileira e o fim do pagamento da dívida pública.

A FENET convoca o conjunto dos grêmios e estudantes em Ensino técnico a organizarem a sua bancada rumo ao ENET, o maior encontro de escolas técnicas do Brasil!

Nota da CIPOML sobre o 1º de Maio

Fortalecer a unidade da classe trabalhadora e dos povos! Lutar para acabar com o regime de exploração!

No contexto de um mundo caracterizado pela intensificação das contradições interimperialistas e pelo ascenso da luta da classe operária e dos povos contra a dominação da burguesia e do imperialismo, os trabalhadores de todo o planeta se preparam para o 1º de Maio, dia em que o proletariado internacional luta por suas reivindicações e direitos, para alcançar sua emancipação social.

O imperialismo estadunidense deu os primeiros tiros em uma nova guerra comercial, que causará graves consequências negativas para o crescimento da economia mundial. Há um consenso de opiniões de que a política tarifária aplicada por Donald Trump provocará um processo recessivo; organismos internacionais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, realizaram atualizações para baixo em suas previsões de crescimento da economia global neste ano de 2025. O mundo se escandalizou — e com razão — com a queda das bolsas de valores nos EUA, Europa, Ásia e América Latina nos dias seguintes a 2 de abril, data em que Trump anunciou as novas tarifas; grandes monopólios internacionais “perderam” milhões de dólares devido à queda de suas ações, valores que foram recuperados posteriormente. Porém, o mais grave é que, em tempos de recessão e crise econômica, são os trabalhadores os mais afetados pelo fechamento de empresas, pela eliminação de empregos, pelo aumento da inflação e pela deterioração do poder de compra dos salários, pelo corte e reorientação dos orçamentos estatais. Buscam-se mecanismos para intensificar a exploração dos trabalhadores e maximizar os lucros da burguesia, que também recebe incentivos e tem seus impostos reduzidos. Em suma, é o povo que carrega os impactos da crise. Essa é a lógica do capitalismo.

A política internacional do líder do imperialismo estadunidense busca recuperar o terreno perdido nos últimos anos como potência hegemônica. É por isso que ele fez da China seu alvo principal, por ser a única potência capitalista-imperialista que atualmente tenta desafiar essa hegemonia, e o faz com sucesso. A retórica ameaçadora de Trump contra aqueles que se “rebelam” contra sua política tarifária agora também é utilizada por Xi Jinping contra países que assinam acordos comerciais com os EUA que prejudicam a China.

As tensões crescem no cenário internacional, e o risco de que a guerra comercial desemboque em confrontos de outra natureza, incluindo no âmbito militar, estão presentes. O interesse de Trump em encerrar o capítulo da guerra na Ucrânia não é motivado por nenhum interesse em promover a paz. A inclinação militarista de Trump e da elite governante da Casa Branca é evidente nas ameaças de enviar tropas ao Canal do Panamá para obter seu controle, no anúncio da tomada da Groenlândia, no apoio econômico e militar ao regime sionista israelense, que assassina o povo palestino e nos bombardeios lançados no Iêmen, para citar alguns casos.

Atualmente, testemunhamos o crescimento de forças políticas da direita conservadora, reacionárias, fascista e pró-fascista. A presença de Trump na presidência dos EUA incentiva esses setores no cenário internacional. Mas eles não são os únicos inimigos dos trabalhadores e dos povos; a burguesia internacional também tem outros instrumentos de engação: a social-democracia, o progressismo e o oportunismo. Devemos confrontar ambos os lados, como condição indispensável para avançar na organização de nossas forças com independência de classe.

A Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas (CIPOML), convoca os trabalhadores do mundo, a juventude e as mulheres dos setores populares, os povos e nacionalidades oprimidos a trabalhar para fortalecer a unidade dos explorados e oprimidos, a fortalecer suas organizações sociais e políticas para enfrentar a burguesia e o imperialismo, para elevar a luta por suas reivindicações e direitos particulares e a direcionar nossas batalhas para o triunfo da revolução social do proletariado e a construção do socialismo e do comunismo.

Viva o 1º de Maio, dia internacional da unidade, da solidariedade e da luta da classe trabalhadora!

Solidariedade ao povo palestino, que enfrenta o Estado de Israel sionista genocida!

Com o marxismo-leninismo, pela revolução e pelo socialismo!

1º de maio de 2025

Partido Comunista Revolucionários (PCR)
Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas (CIPOML)

Surge no centro de Curitiba a Casa de Referência da Mulher Rose Nunes Vive

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Com políticas públicas insuficientes por parte do Estado para proteger as mulheres do Paraná, o segundo estado em números de feminicídio, mulheres criam Casa de Referência no Centro de Curitiba. A ocupação foi organizada em um espaço abandonado há quase 15 anos e que não cumpria função social, e é a 29ª casa construída pelo Movimento de Mulheres Olga Benario no país.

Redação PR


O Movimento de Mulheres Olga Benario realizou uma nova ocupação na capital paranaense, fundando a Casa de Referência da Mulher Rose Nunes Vive. Localizada no Centro de Curitiba, o objetivo do movimento é construir um centro de referência para atender mulheres em situação de violência.

A ocupação foi organizada em um espaço abandonado há quase 15 anos e que não cumpria função social, e é a 29ª casa construída pelo movimento no país. Inaugurada no dia 30 de abril, a atividade faz parte da agenda de lutas do movimento na campanha do Abril Vermelho, em memória às mulheres assassinadas pela ditadura militar fascista, que completa 61 anos de sua consolidação em 2025.

Após a primeira ocupação do movimento na capital, a quantidade de mulheres em situação de violência atendidas de forma voluntária mais do que dobrou, e os registros de violência só aumentam: o estado do Paraná, segundo dados do Laboratório de Estudos de Feminicídio da UEL (Lesfem), é o segundo estado em números de feminicídios no país.

Essa realidade de opressão não é combatida de forma eficaz através de políticas públicas. Segundo Emily Kaiser, coordenadora nacional do movimento, “os serviços existentes ficam disponíveis apenas em horário comercial, em alguns dias menos. A Delegacia de Curitiba, única no estado com atendimento 24 horas, funciona com serviços reduzidos, a depender do horário em que a vítima for. O atendimento da CMB (Casa da Mulher Brasileira) se restringe aos residentes da cidade de Curitiba, e só existe acolhimento em risco de morte iminente.”

Às vésperas do Dia Internacional dos Trabalhadores, a luta das mulheres por condições dignas de vida e trabalho ganha novo fôlego com a inauguração da Casa de Referência da Mulher Rose Nunes Vive, no Centro de Curitiba. A ação do Movimento de Mulheres Olga Benario reafirma que o 1º de maio não é apenas um feriado, mas um dia de resistência, de organização popular e de denúncia contra as violências que recaem especialmente sobre as mulheres da classe trabalhadora.

O aumento da miséria e do preço dos alimentos, altas taxas de desemprego e a intensificação da implementação da criminosa escala 6×1 são violências cometidas pelo estado, que somadas às rotinas de jornadas triplas e quádruplas da maioria das mulheres, as empurra para uma vida de privações, inclusive do direito de lutar por uma sociedade verdadeiramente justa.

Roseli Celeste Nunes da Silva – ou Rose, como era conhecida – foi uma dirigente do Movimento Sem Terra (MST). Defensora do direito das mulheres, trabalhadora da agricultura e mãe de três filhos, Rose organizou a ocupação da Fazenda Annoni, consolidada por mais de 7 mil famílias sem terra no norte do Rio Grande do Sul, a maior ocupação da história do estado.

Originária de Rondinha, um pequeno município gaúcho, se organizou e se tornou uma militante pela vida dura que viveu desde cedo: “Ela dizia que na cidade passava fome e que na luta pela terra, ao menos, teria onde plantar alimentos para sobreviver. Na hora de fazer a segurança ela sempre estava lá, nunca arredava o pé do acampamento. Sempre sorrindo, era positiva e para frente, nada a puxava para trás. Rose defendia os direitos das mulheres, falava que não podíamos nos acomodar e que tínhamos que lutar ao lado dos homens” relata Juraci Lima, assentada do MST que conheceu a revolucionária.

O Movimento de Mulheres Olga Benario atua nacionalmente organizando as mulheres no enfrentamento à violência e pela construção do socialismo. O Brasil é o 5º país que mais assassina mulheres no mundo, por isso o movimento realiza ocupações e o acolhimento às vítimas de violência através de uma rede de profissionais voluntárias, como advogadas, psicólogas, assistentes sociais, etc., com o objetivo de apresentar uma alternativa à realidade de violência e miséria que hoje as mulheres se encontram.

A Ocupação Rose Nunes nasce para denunciar a insuficiência das políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero, atender as vítimas e organizar as mulheres por um mundo novo livre de opressão!

Rose Nunes vive!

Mulheres de São Paulo e estudantes da USP lutam por justiça para Bruna Oliveira

Mulheres trabalhadoras e estudantes da USP organizam lutas para exigir justiça por Bruna Oliveira, vítima de feminicídio na zona leste de São Paulo, e cobram governo de Tarcísio de Freitas e prefeitura de Ricardo Nunes.

Movimento de Mulheres Olga Benario SP


Bruna Oliveira da Silva, de 28 anos, era formada em Lazer e Turismo e iniciava seus estudos de mestrado em Mudança Social e Participação Política na Escola de Artes Ciências e Humanidades da USP. Era uma mulher engajada na luta dos movimentos sociais e pesquisava sobre como o futebol de várzea é expressão do lazer entre homens em situação de rua na periferia. Tinha um filho de 7 anos, uma família que a amava, namorado, amigas, amigos e colegas que para sempre sentirão sua falta e que hoje lutam por justiça.

No dia 13 de abril de 2025, um domingo, Bruna voltava para casa de metrô e desceu na estação Itaquera, na zona leste paulistana. Estava com pouca bateria no celular, perdeu o ônibus que a deixaria em casa e, por conta disso, iria solicitar um veículo por aplicativo. Pediu para a família um pix para pagar pelo transporte, mas nunca mais respondeu às mensagens. Seu corpo foi encontrado quatro dias depois, com marcas de violência, após enormes pressões da família e amigos pela investigação do caso.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o principal suspeito do crime era Esteliano José Madureira, de 43 anos. Ele esteve foragido e foi encontrado morto no dia 24 de abril, com o seu corpo encontrado na Avenida Morumbi, na Zona Oeste da capital paulista.

Governo estadual e Prefeitura lavam as mãos

Esse caso, longe de ser uma exceção, evidencia a realidade de insegurança das mulheres trabalhadoras e estudantes na cidade de São Paulo. O local em que ocorreu o corpo de Bruna foi encontrado é central no deslocamento da região leste do município e torna-se um ambiente de risco para mulheres que utilizam o transporte público pela região. Entretanto, medidas não são tomadas pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e nem pela prefeitura de Ricardo Nunes (MDB), que, pelo contrário, reduziram a verba destinada ao combate à violência contra a mulher.

Conforme mostrou a reportagem publicada na Folha de São Paulo na última semana, o terreno que abriga o estacionamento em que aconteceu o crime pertence à Prefeitura. O espaço foi concedido à Secretaria Municipal da Saúde para a construção do complexo Paulistão Saúde, mas, até então, nada foi construído no local.

A política de segurança pública do Governo de Estado e da Prefeitura de São Paulo não está ao lado das mulheres. Sob a gestão de Tarcísio de Freitas foi possível constatar o aumento da violência policial, sobretudo contra a juventude negra e periférica. Por outro lado, o governo estadual congelou as verbas voltadas ao combate à violência contra a mulher. Em 2024, dos R$ 26 milhões previstos no orçamento para ações de enfrentamento a este tipo de violência, apenas R$ 900 mil foram liberados para execução durante todo o ano. Ao mesmo tempo, segundo dados da própria Secretaria de Segurança Pública da gestão de Tarcísio de Freitas, os crimes de feminicídio e estupro bateram recorde em 2024, chegando a 247 e 14.579 casos, respectivamente.

Estudantes da USP lutam contra violência de gênero

Também não é um caso isolado das estudantes da EACH. Com apenas 20 anos de existência, o instituto da USP coleciona casos de violência contra a mulher. Em 2018, Nelly Venite era estudante do curso de obstetrícia e foi vítima de feminicídio cometido pelo seu namorado. Juno Ferrari era estudante do curso de Marketing e foi também assassinada, em 2022, vítima de transfobia.

Em 2024, as estudantes da USP foram repetidamente vítimas de violência de gênero na universidade. Apenas no Conjunto Residencial da USP (CRUSP), foram denunciados quatro casos de violência sexual cometidos dentro da moradia estudantil. Foi denunciado também um caso de tentativa de estupro na Praça do Relógio, espaço central e de grande circulação do campus Butantã. Esses casos evidenciam a falta de preocupação com medidas de segurança para as estudantes. A Praça do Relógio não possui iluminação adequada e traz uma enorme insegurança para as mulheres que frequentam o espaço. Mesmo após cobrança insistente do DCE Livre da USP e do Movimento de Mulheres Olga Benário, não foram instalados mais postes de luz no local.

Em resposta à inação da universidade frente aos diversos casos de violência, o Movimento de Mulheres Olga Benario reivindicou um centro de referência para mulheres na universidade e realizou uma ocupação com esse fim. A Sala Lilás Janaina Bezerra Vive serviu como local de acolhimento para as vítimas, mas também de espaço de poder popular, permitindo a organização política das mulheres em prol de lutar contra esse sistema que as oprime.

A Sala Lilás foi nomeada em homenagem à estudante de Jornalismo da UFPI que também foi vítima de feminicídio, cometido por um estudante da universidade durante a calourada, dentro do campus. O centro de referência foi despejado pela USP dias antes do início das aulas de 2025, sem que uma alternativa de medidas contra a insegurança das mulheres na universidade fosse oferecida, deixando, assim, as estudantes, professoras e funcionárias sem acolhimento.

Bruna Oliveira presente!

Frente a todo esse contexto de violência, as estudantes, professoras e funcionárias se organizam e cobram da universidade ações efetivas. A USP, e especialmente a EACH, devem se posicionar com firmeza junto ao poder público, exigindo medidas efetivas que promovam a segurança no entorno em que Bruna foi vítima desse brutal crime.

O DCE Livre da USP, por meio de militantes do Movimento de Mulheres Olga Benario, inicia uma campanha pela diplomação como mestra da Bruna Oliveira. Também, pela nomeação da sala de amamentação da EACH, em processo de reforma conquistado pelo movimento estudantil, em homenagem da estudante, que deixa seu filho.

Na última semana, as estudantes e professoras da pós-graduação organizaram uma reunião para debater a continuidade da luta por justiça e contra a violência a que as mulheres estão sujeitas. Com isso, foi realizado um ato em memória de Bruna e por justiça. A manifestação aconteceu na estação Itaquera e contou com a presença da mãe da estudante, além de familiares e amigos, que receberam a solidariedade das mulheres trabalhadoras.

Resultado da luta estudantil, UFRN revoga títulos honorários dos militares carrascos da ditadura

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O Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio Grande do Norte votou a retirada dos títulos dos golpistas concedidos na época da ditadura militar, em uma movimentação importante na luta por memória, verdade e justiça.

Redação RN


No último dia 25 de abril, o Conselho Universitário da UFRN votou a revogação das propostas que concediam o título de doutor honoris causa aos fascistas da ditadura, Emílio Garrastazu Médici e Humberto de Alencar Castello Branco. A pauta é discutida desde a criação da Comissão da Verdade da UFRN, instalada em 2012, sendo publicado as recomendações em 2015. Diante das recomendações pautadas durante o trabalho da comissão, a luta pela retirada dos nomes que foram consignados por meio de homenagem, foi pautada como a 4ª recomendação. 

“A concessão desses títulos foi uma injustiça, então não faz sentido mantê-los. Acredito que um dos pilares da UFRN é a democracia, então  a revogação desses títulos hoje coloca a universidade novamente nos trilhos da democracia. Isso é o início, e a gente precisa rever outros títulos e outras homenagens, e acho que não existe momento mais oportuno para mostrar esse posicionamento politico, que a universidade precisa ter”, relata o professor Jefferson, que faz parte do CONSUNI e foi o autor da proposta de retirada dos títulos.

O título honoris causa é uma homenagem prestada por uma instituição, geralmente universidades, a uma pessoa que se destacou em alguma área do conhecimento e ofereceu uma contribuição positiva para a sociedade. Nesse sentido, a revogação é um ato de reconhecimento por parte da Universidade Federal do Rio Grande do Norte do erro que cometeu contra os estudantes e professores que lutavam pela liberdade em nosso país. Estudantes e professores, entre eles Emmanuel Bezerra dos Santos, dirigente do Partido Comunista Revolucionário, foram perseguidos, torturados e assassinados com auxílio dos órgãos de espionagem da ditadura que funcionavam na UFRN à época do regime militar. Enquanto entregava os lutadores do povo, a universidade prestou homenagens aos carrascos fascistas da ditadura, que tanto oprimiram o povo trabalhador.

Essa revogação é resultado da luta e mobilização dos movimentos sociais e estudantes, que, no ano passado, conquistaram a diplomação dos estudantes da UFRN perseguidos pela ditadura, Emmanuel Bezerra dos Santos e José Silton Pinheiro. Nesse sentido, o debate sobre memória, verdade, justiça e reparação tomou mais força na Universidade, sendo a revogação desses títulos outro passo importante para combater a impunidade dos golpistas e o crescimento do fascismo em nosso país. Com a participação do Comitê Estadual da Verdade do RN e o Movimento Correnteza na votação e mobilização, por unanimidade foi votado a recomendação da Comissão da Verdade.

A luta continua para a retirada do nome do fascista Onofre Lopes do hospital da UFRN e o cumprimento da função social do antigo prédio da faculdade direito, ocupado pelo MLB em 2020 com intuito de moradia popular.

Ditadura nunca mais!

Moradores do Passo da Pátria exigem justiça por Bárbara, assassinada pela polícia militar em Natal (RN)

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Assassinato de Bárbara Nascimento, 34 anos, pela polícia militar revolta moradores da comunidade do Passo da Pátria em Natal (RN). A população denuncia a truculência da polícia no bairro.

Alice Morais | Redação (RN)


LUTA POPULAR – No último sábado, dia 12 de abril, a polícia militar matou uma mulher na comunidade Passo da Pátria, na zona leste de Natal (RN). Bárbara Nascimento, mulher negra, formada em Administração, foi baleada pela Polícia Militar na porta de sua casa enquanto brincava com sua filha de 4 anos. Bárbara foi socorrida e levada ao hospital, mas não resistiu.

Não é de hoje que a polícia oprime os moradores do Passo da Pátria. O caso gerou muita comoção da população, que há muito tempo denuncia a truculência da polícia na comunidade. “O mais indignante é que foi com minha irmã, mas poderia ter sido com qualquer um aqui dessa comunidade. Aqui tem gente de bem, que é oprimido por quem deveria nos proteger. A gente só quer justiça” relatou Fabrício, irmão de Bárbara. A população organizou diversas ações em protesto, exigindo justiça por Bárbara e punição para os assassinos; o último ato aconteceu nesta segunda-feira (14), organizado pela família, e contou com centenas de moradores.

A violência policial triplicou no país nos últimos 10 anos. No Rio Grande do Norte, apesar dos investimentos na área da segurança pública, parece acompanhar a estatística. No mês de março, o governo de Fátima Bezerra (PT)  recebeu R$ 11,4 milhões de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública, para contratação de 793 dispositivos de câmeras para fardamento de policiais. Além disso, foram doadas 463 armas de incapacitação neuromuscular e 7.120 espargidores de spray de pimenta, ao custo de R$ 2,6 milhões. Ao todo, os investimentos imediatos somam mais de 14 milhões. Apesar dos dados apontarem queda nos casos de homicídios dolosos e latrocínio no RN, essa estatística não conta com a violência que parte dos próprios agentes, cujas vítimas são o povo que mora na periferia.

As mulheres e crianças – sobretudo negras – são as mais afetadas pelo crescimento da violência policial. Um estudo da Rede de Observatórios de Segurança identificou, no ano de 2024, 60 casos de violência contra mulheres cometidos por policiais em somente 8 estados do país. No mesmo ano, a UNICEF divulgou que 16,5% dos casos de mortes violentas de crianças e adolescentes no Brasil foram causadas pela polícia. A maioria desses jovens eram negros e moradores de bairros periféricos.

Ato dos moradores do Passo da Pátria pede justiça por Bárbara e fim da violência policial

Porque a polícia oprime moradores do Passo da Pátria?

O Passo da Pátria é uma das comunidades mais antigas de Natal, localizada na zona leste, próxima ao centro da cidade. É uma Zona Especial de Interesse Social (ZEIS), isso quer dizer que é um território destinado à moradia digna para a população, protegido por lei. As ZEIS combatem diretamente a especulação imobiliária, uma vez que promovem a regularização fundiária em favor da população, impedindo a existência de reservas especulativas naquela região. Por isso, o Passo da Pátria é um espaço de disputa latente entre a burguesia da cidade – que não mede esforços para expulsar o povo de suas casas para dar lugar à propriedade privada -, e a classe trabalhadora – que luta para morar com dignidade. 

No sistema em que vivemos, o sistema capitalista, o Estado não é nada mais que um gabinete para gerir os negócios que mais favorecem à classe dominante, no caso a burguesia. A polícia, portanto, não existe para proteger a população – existe para proteger o Estado, as posses da burguesia, e assegurar que o sistema continue existindo, por isso oprime a população com uso da violência, em especial nas periferias do país.

Para a classe dominante, não importa quantos trabalhadores morram para garantir o seu poder enquanto classe. Por isso, em particular a violência de Estado, atinge milhões de pessoas em nosso país. Desse modo, para acabar de fato com a opressão e garantir que ninguém mais seja vítima da violência da polícia, é preciso lutar pela desmilitarização da polícia e pelo fim do sistema capitalista.

 

Justiça por Bárbara Nascimento!

Comissão da Câmara avança na perseguição política ao deputado Glauber Braga

Sob pressão de parlamentares fascistas e do Centrão, Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou a continuidade o processo de cassação do mandato do socialista Glauber Braga.

Felipe Annunziata | Redação


BRASIL – Em mais uma sessão de cartas marcadas, deputados de partidos do Centrão e da bancada fascista da Câmara forçaram a aprovação do processo de cassação de Glauber Braga. O deputado socialista é vítima de uma perseguição política patrocinada pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) por sua oposição ao esquema de corrupção do Orçamento Secreto.

A sessão desta terça (29) contou com uma forte mobilização popular em apoio a Glauber, liderada pelo movimento sindical presente na Marcha da Classe Trabalhadora. Durante todas as sessões de debate sobre a cassação de Glauber, a pressão popular, de trabalhadores e estudantes, tem sido uma constante.

“Deputados, eu entendo que alguns dos senhores queiram se vingar de mim neste momento, por conta das minhas posições políticas. Entendo. Agora, independentemente disso, a defesa do mandato neste momento se faz como uma garantia pelas liberdades democráticas e por muita gente que não está sentada nesta cadeira neste momento, mas que tem expectativa nesta sessão.”, afirmou o deputado mostrando a inconstitucionalidade de sua cassação.

Socialistas já foram perseguidos no Parlamento no passado

Todas as articulações de Arthur Lira e de lideranças do Centrão tem mostrado um desejo deste setor em criar um chamado “precedente” para poder no futuro ampliar a perseguição à deputados progressistas ou de esquerda.

Hoje, o Centrão já controla cerca de 60 bilhões de reais do orçamento federal no esquema do chamado “Orçamento Secreto”. Este dinheiro é usado em obras e “projetos” com fortes indícios de corrupção e desvio de verbas que depois são usadas para comprar votos de eleitores durante as eleições municipais e parlamentares.

O objetivo agora parece ser ter também o controle sobre quem pode e quem não pode exercer o mandato parlamentar. Mesmo Glauber tendo tido 78 mil votos no Rio, não ser acusado em nenhum esquema de corrupção e ter forte apoio popular no estado e no país, está sendo alvo da cassação por se colocar como oposição ao comando do Centrão na Câmara.

Há mais de 100 anos, os antepassados do atual “Centrão” já controlavam a Câmara dos Deputados e faziam uma série de manobras para impedir a eleição  e cassar de deputados socialistas, progressistas ou de oposição naquela época. Este processo ficou conhecido como a “degola” de deputados. Foi assim que as grandes famílias latifundiárias mantiveram o controle do Estado por 40 anos durante a chamada “República Velha”. Arthur Lira parece querer voltar com este sistema.

Durante a sessão, a deputada Sâmia Bonfim lembrou do histórico de perseguições contra deputados socialistas no passado, lembrando da Ditadura Militar Fascista, que cassou 40 parlamentares e da cassação dos deputados do antigo PCB, em 1947. Naquela época, masi de 10 deputados e o então senador comunista Luis Carlos Prestes foram cassados arbitrariamente por defenderem o socialismo dentro do Parlamento brasileiro.

Mobilização popular contra a cassação continua

Mesmo com o resultado, Glauber insistiu na necessidade da continuidade da mobilização popular como única arma para barrar o golpe do Centrão e dos fascistas. O parlamentar socialista prometeu circular todos os estados do país em atos políticos para denunciar a perseguição e dialogar com a população sobre a sua cassação.

A ideia é ampliar a pressão popular para fazer os deputados do Centrão a recuar. No início de abril, o deputado ficou 9 dias em greve de fome, fruto desta posição, Glauber conseguiu a garantia do presidente da Câmara Hugo Motta de que não pautaria a cassação por 60 dias após a sessão de hoje.

Agora o objetivo é continuar este processo de pressão por outros meios. Atos já estão sendo organizado em mais de uma dezena de estados como parte desta campanha do deputado. Partidos, como a UP, organizações políticas e movimentos sociais já estão se mobilizando para ampliar a pauta em defesa do mandato socialista de Glauber.

Cortes em políticas públicas ampliam a violência contra as mulheres no Brasil

“Em menos de uma década da aplicação de medidas de austeridade que inviabilizam políticas públicas, os efeitos já são visíveis. Entre 2011 e 2025, o número de casos de estupro aumentou 91,5%; as mortes por intervenção policial cresceram 188,9%; e, de 2015 a 2024, os feminicídios quase triplicaram, saltando de 535 para 1.450 casos por ano.”

Redação


Milhões de brasileiras enfrentam as consequências dos cortes em políticas públicas voltadas para as mulheres. Desde 2016, com a aprovação da “PEC do Teto de Gastos” (Emenda Constitucional nº 95), os investimentos em saúde e educação despencaram. A mídia tradicional vendeu a medida como uma solução para equilibrar as contas públicas. Mas a realidade foi outra: menos dinheiro para os serviços básicos, pagos com o suor da população. O resultado é visível — e o prejuízo é imenso.

Em 2023, a chamada “Lei do Teto de Gastos” foi substituída pelo novo Arcabouço Fiscal, que mantém a lógica de restrição a investimentos em políticas públicas. A promessa de equilíbrio fiscal continua tendo como custo a redução dos recursos destinados a áreas essenciais.

Em menos de uma década da aplicação dessas medidas de austeridade, os efeitos já são visíveis: o Brasil registra uma escalada da violência. Entre 2011 e 2025, o número de casos de estupro aumentou 91,5%; as mortes por intervenção policial cresceram 188,9%; e, de 2015 a 2024, os feminicídios quase triplicaram, saltando de 535 para 1.450 casos por ano — um aumento de 171%, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2024) e o Relatório Socioeconômico da Mulher (2025).

Mesmo diante desses números alarmantes — e da avalanche de reportagens sobre feminicídios —, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), mantém a cartilha de cortes em políticas públicas.

Essa política de desmonte cria o ambiente para tragédias como a ocorrida entre os dias 18 e 21 de abril, durante o feriado prolongado, quando dez mulheres foram assassinadas no Estado.

O cenário atual é resultado de anos de desmonte. Em 2014, o orçamento destinado a políticas públicas para mulheres no Rio Grande do Sul era de R$ 17,487 milhões. Já em 2019, primeiro ano da gestão Eduardo Leite, a previsão orçamentária despencou para irrisórios R$ 89,7 mil. Em 2024, o orçamento anunciado pelo governo foi de R$4,2 milhões – muito abaixo do que era investido em 2014. Importante frisar que destes R$4,2 milhões, R$4 milhões foram enviados pelo governo federal através do Fundo Nacional de Segurança Pública para o enfrentamento da violência contra as mulheres. Contudo, o recurso não foi utilizado.

Será que o governador não sabe que existe apenas UMA Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher aberta 24 horas? Ou que não existe NENHUMA Casa da Mulher Brasileira em todo o Rio Grande do Sul? Quantas mulheres terão de morrer pela mão de maridos/namorados para que Eduardo Leite governe para as mulheres trabalhadoras?

As políticas públicas não são um favor dado pela bondade para a população. As políticas públicas são direitos conquistados com a luta de povos revolucionários que implementaram, nos países socialistas, a garantia de saúde e educação pública e gratuita, além da igualdade salarial entre homens e mulheres promovendo a autonomia das mulheres, amplas campanhas de sensibilização, garantia de serviços de apoio e garantia de direitos sociais como habitação, por exemplo.

Os cortes nas políticas públicas são um dos pilares do neoliberalismo, política econômica que visou acabar com as conquistas dos países socialistas e expandir o capitalismo, que beneficia os bancos, os mega empresários e os latifundiários. Na divisão de tudo que é produzido no país (e no mundo) praticamente tudo fica para os capitalistas e seus capachos, sobrando para nós apenas o crescente desejo de acabar com esse sistema injusto e assassino de mulheres e a vontade de construir uma revolução socialista em nosso país que coloque, de uma vez por todas, a vida das mulheres trabalhadoras enquanto uma prioridade para toda a sociedade.

Após um ano e meio de genocídio, governo brasileiro se recusa a romper relações com Israel

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“Indiretamente, o Estado brasileiro se torna a cada dia cúmplice do genocídio, ainda que por omissão. Enquanto a população de Gaza é exterminada, Israel tem toda liberdade de apoiar e financiar os fascistas brasileiros, usar a mídia burguesa do Brasil para fazer propaganda de guerra e tenta silenciar vozes palestinas.”

Felipe Annunziata | Redação


O genocídio palestino cometido pelo Estado de Israel já deixou mais de 60 mil pessoas assassinadas, 100 mil feridos e 2 milhões de desabrigados. Mesmo assim, o governo brasileiro se recusa a romper relações diplomáticas e comerciais com Israel.

Entre os dias 25 e 26 de abril, cerca de 50 palestinos foram assassinados em bombardeios. Um dos ataques aéreos destruiu uma casa e matou dez pessoas da mesma família: dois homens, três mulheres e cinco crianças. Este ataque ocorreu no momento em que uma delegação do Hamas se dirigia ao Egito para negociar um novo cessar-fogo com Israel.

Um ano após o início do genocídio, em outubro, o chanceler Mauro Vieira foi taxativo sobre o não rompimento com o regime sionista. “Nós não rompemos relações diplomáticas porque nós acreditamos no diálogo e achamos que, conversando, sempre dialogando pelos canais diplomáticos, é melhor. Não está em consideração romper relações, o rompimento não leva a nada, somente ao acirramento da situação, que pode levar a conflitos maiores na região. Então, não está nas nossas considerações”, afirmou na cúpula dos Brics, na Rússia.

Ou seja, para o ministro de Relações Exteriores do Brasil não é suficiente o assassinato sistemático de dezenas de milhares de pessoas para romper com Israel. O presidente Lula, por sua vez, já condenou com palavras a matança em Gaza, mas, até agora, sem as ações concretas em apoio ao povo palestino.

Nem mesmo o caso dos 11 brasileiros-palestinos presos em centros de tortura de Israel, depois de o adolescente Walid Ahmad, de 17 anos, ter sido assassinado após meses de tortura numa prisão israelense, o governo daqui mudou de postura. Tornaram-se rotineiras as notas de “profunda consternação”, em que se condenam os ataques israelenses, mas não se indica nenhuma ação objetiva por parte do governo brasileiro.

Em novembro de 2024, a Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) entregou uma carta diretamente ao governo federal defendendo o rompimento das relações diplomáticas com o regime neonazista de Benjamin Netanyahu. Após o assassinato do jovem Walid, novamente a Fepal cobrou uma posição neste sentido: “Se a orgia genocidária promovida pelos israelenses em Gaza não foi o suficiente para o Itamaraty tomar uma medida à altura, será que um adolescente brasileiro torturado até a morte em um campo de concentração sionista fará com que os diplomatas e o governo brasileiro enxerguem a necessidade civilizatória de romper com ‘israel’?”, questionava a nota.

Além disso, segundo informações divulgadas hoje (28/4) pela FEPAL, o governo sionista de Netanyahu se recusa a entregar o corpo de Walid para sua família. Trata-se de uma prática recorrente do estado de Israel, que nega sistematicamente o direito dos palestinos de enterrar seus entes queridos assassinados em prisões israelenses.

Não bastasse isso, desde de outubro de 2023, o governo brasileiro e o próprio presidente são alvos de ofensas e humilhações diplomáticas por parte de Israel. Este foi o caso da declaração de Lula como persona non grata no país sionista. Esta declaração significa que o presidente não pode entrar em Israel e é uma sanção nunca aplicada antes contra um presidente brasileiro.

Fascistas negociam livremente

A posição vacilante do governo deu espaço aos governadores e parlamentares fascistas para negociar acordos diretamente com Israel. Desde o ano passado, o Governo de São Paulo, do fascista Tarcísio de Freitas, fechou uma série de acordos com o Estado terrorista nas áreas de segurança, agricultura e ciência e tecnologia.

Já é conhecido o uso de armas israelenses de grosso e médio calibre pelas Polícias Militares do país. Além disso, durante o Governo Bolsonaro, programas espiões israelenses foram adquiridos para espionar militantes e partidos de oposição.

Já durante o Governo Lula, o reacionário Alto Comando do Exército, com apoio do Ministério da Defesa, tentou comprar armas israelenses no valor de R$ 1 bilhão. Diante do massacre palestino e da pressão, o Governo Federal cancelou a compra.

Petróleo do Brasil no genocídio

Segundo a organização Oil Change International, o Brasil foi responsável por 9% de todo petróleo consumido por Israel em 2024. Ou seja, se o Exército que mata palestinos é israelense, as armas são estadunidenses, podemos dizer que o petróleo usado nessa guerra também é brasileiro.

Se nosso país, desde o início do genocídio, tivesse rompido com Israel, o prejuízo à máquina de matança sionista teria sido considerável. No entanto, a regra daqui é só condenar em palavras, mas não em ações.

Na realidade, o que ocorre é que indiretamente o Estado brasileiro se torna a cada dia cúmplice do genocídio, ainda que por omissão. Enquanto a população de Gaza é exterminada, Israel tem toda liberdade de apoiar e financiar os fascistas brasileiros, usar a mídia burguesa do Brasil para fazer propaganda de guerra e tenta silenciar vozes palestinas aqui.

110 anos do Genocídio Armênio

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Em 24/04/1915, teve início o genocídio armênio, com 1,5 milhão de vítimas. A luta por reconhecimento global e reparação permanece, unindo povos contra a negação histórica e reforçando a solidariedade internacionalista.

Aram Poladian | São Paulo (SP)


O dia 24 de abril marca uma data triste, mas também de luta pela memória de todo o povo armênio no mundo: há exatos 110 anos, em 1915, iniciava-se o processo de genocídio e perseguição do povo armênio no então Império Otomano ˗ atualmente território da Turquia. No total, até o ano de 1923, cerca de 1 milhão e 500 mil armênios foram assassinados em diferentes circunstâncias, vítimas da política de perseguição sistemática implementada pela coalizão dos Jovens Turcos, grupo político que visava a reforma da então monarquia otomana.

Ao longo da Primeira Guerra Mundial, com zonas de conflito em diferentes partes do Império Otomano, a violência perpetrada pelas nações imperialistas na partilha de mercados e territórios ficou evidente. Sob a tensão da guerra e a influência do Império Russo no Cáucaso – atual região da Armênia -, os armênios foram classificados como inimigos de estado dentro do Império Otomano, e em 24 de abril de 1915, no dia da Páscoa, suas lideranças políticas e intelectuais foram deportadas ou assassinadas. Essa primeira investida das forças policiais otomanas inaugurou a série de violações às quais o povo armênio seria submetido naquele período.

Mesmo com o conhecimento do Ocidente sobre as atrocidades cometidas dentro do Império Otomano, a perseguição étnica atingiu uma variedade de povos. Assírios, gregos, entre outros grupos tiveram comunidades inteiras condenadas à fome, doença e deportação. Apesar de todas as adversidades, entre 1918 e 1920 o povo armênio conseguiu sua primeira independência, mas isso não bastou para conter o grande fluxo de refugiados e a formação do que conhecemos hoje como diáspora armênia. Atualmente na Armênia (ou Hayastan na transliteração) há 3 milhões de habitantes, mas muitos outros milhões pelo mundo, que há mais de 3 gerações, buscam recomeçar a vida em diferentes países como Rússia, França, Estados Unidos e Brasil.

Luta pela História

Mais do que respeitar e honrar a memória daqueles que perderam suas vidas, o esforço de toda a comunidade armênia espalhada pelo mundo é na luta pelo reconhecimento internacional do genocídio, desbancando o negacionismo do estado Turco e clamando pela reparação das milhões de famílias afetadas.

Um exemplo da lentidão deste processo de reconhecimento é o próprio Brasil, que até hoje não reconhece oficialmente esse crime contra a humanidade, tendo aprovado apenas em 2015 uma moção de solidariedade ao povo armênio no Senado Federal. Trinta e três nações já declararam o reconhecimento, sendo o Uruguai o primeiro deles a fazê-lo, em 1965, entretanto ainda são poucos se considerarmos os 193 países integrantes da ONU. Ainda temos o longo caminho pela frente.

A ausência de reparação por um crime desta gravidade, infelizmente reflete a impunidade que testemunhamos internacionalmente, com o genocídio do povo palestino, com a deportação, em 2023, dos 150.000 armênios que habitavam a região de Artsakh ˗ também conhecida como Nagorno Karabakh, região localizada em território do Azerbaijão ˗, com a guerra civil na República Democrática do Congo, entre tantas outras atrocidades que estão em curso pelo mundo nos últimos anos.

A presença armênia no Brasil

A chegada dos armênios no Brasil teve início entre os anos 1910 e 1920, com muitas pessoas desembarcando dos navios em busca de moradia e emprego nos grandes centros urbanos do país. Atualmente a maioria dos armênios residem nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.

No centro da cidade de São Paulo temos muitas construções importantes para a comunidade, não é à toa que na linha azul do metrô ˗ a mais antiga da cidade ˗ você pode desembarcar na estação Armênia, cercada por e pela escola Hay Azkain Turian Varjaran, que permitiu que centenas de armênios acessassem educação e pudessem preservar o aprendizado da cultura e da língua do país. Ao lado da estação de metrô, temos também o monumento das vítimas do genocídio, que fica exatamente entre as 3 igrejas e recebe todo 24 de abril, cerimônias em memórias daqueles que foram martirizados.

Um evento tão catastrófico redefiniu todo o legado de um povo e deixou marcas irreparáveis, os armênios dirão que onde há 2 armênios uma nova Armênia ressurgirá, e é exatamente esse espírito que garante que tantos de nós lutemos por nossa história.

Não podemos deixar de pressionar as autoridades brasileiras pelo reconhecimento do Genocídio Armênio, ignorado em razão de “preservar” relações econômicas e diplomáticas com a Turquia, nem podemos permitir que o estado brasileiro continue sendo omisso com tantas outras causas internacionais. É urgente reforçar o caráter internacionalista da luta dos trabalhadores do mundo, principalmente enquanto o lucro for posto à frente da vida de milhões de pessoas.

Referência Bibliográfica:

Loureiro, Heitor de Andrade Carvalho. Pragmatismo e Humanitarismo: A Política Externa Brasileira e a Causa Armênia (1912-1922). N.p., 2016. Print.