UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 10 de abril de 2026
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Plano Safra do governo Lula prioriza fazendeiros

“O novo texto do Plano Safra veio após críticas da bancada ruralista sobre a suspensão das linhas de financiamento em texto da MP anteriormente encaminhado.”

Wildally Souza | São Paulo (SP)


O Governo Federal publicou, no dia 25 de fevereiro, a Medida Provisória (MP) que garante R$ 4,18 bilhões em crédito extraordinário para o Plano Safra 2024/2025. Do valor total do plano, apenas R$ 645 milhões (15,4%) serão destinados para a agricultura familiar – os verdadeiros responsáveis pela comida nas mesas do povo brasileiro –, enquanto R$ 3,5 bilhões foram destinados ao agronegócio – que exporta carne, soja e ovo e financia campanhas de partidos fascistas e golpes de Estado.

O novo texto do Plano Safra veio após críticas da bancada ruralista sobre a suspensão das linhas de financiamento em texto da MP anteriormente encaminhado.

Eleito tendo como bandeiras fundamentais a defesa da democracia, o combate ao golpismo e reforma agrária, o governo Lula caminha na contramão dos interesses do povo pobre e mostra que sua prioridade é a chamada governabilidade, fazendo afagos ao agronegócio e aos grandes empresários golpistas.

Alto custo de vida

Com rios de dinheiro investidos em grandes campanhas de marketing, o agronegócio vende ao povo brasileiro a mentira insustentável de que alimenta o mundo e gera mais empregos, produzindo de forma sustentável.

Os dados e as notícias diárias nos mostram outra realidade. O agro é o principal responsável pela devastação florestal, envenenamento dos solos, das águas e dos ataques constantes e mortes dos povos indígenas e quilombolas, além do assassinato de ambientalistas e defensores da terra. Usam ainda força de trabalho escravo em suas propriedades para garantir as altas taxas de lucro.

A agropecuária no Brasil representa algo em torno de 8% do PIB brasileiro apenas. Muito diferente dos 28% que costumam afirmar. Isso se dá porque o crescimento da produção é extremamente concentrado nas chamadas commodities agrícolas, ou seja, no comércio internacional do que é produzido em nossas terras.

Em 2004, as propriedades rurais com mais de 100 mil hectares ocupavam apenas 2% da área total registrada pelo Incra. Em 2018, essas mega propriedades já correspondiam a 18% da área total (1 hectare equivale a aproximadamente um campo de futebol). Vale ressaltar que essas áreas, verdadeiros países dentro do Brasil, pertencem a apenas 424 imóveis rurais. Ou seja, na estrutura fundiária brasileira, 0,006% das propriedades concentram 18% da área total! Só os três maiores conglomerados capitalistas (Bom Futuro, SLC Agrícola e Amaggi) são donos de 1,5 milhão de hectares.

Prioridade é o povo

São os trabalhadores do campo e a agricultura familiar os responsáveis por mais de 75% de toda a comida que chega às mesas brasileiras. Portanto, se é a agricultura familiar quem gera emprego e renda no campo e garante a produção de comida saudável e sustentável para a população brasileira, por que a atividade só recebe cerca de 15% do financiamento da produção agrícola? Isso só prova que é a lógica neoliberal que tem guiado as decisões econômicas do Governo Lula, que constantemente cede aos interesses dos ricos do país e não atende aos interesses dos trabalhadores.

Não há outra saída senão a mobilização e a organização da classe trabalhadora para derrubar esse sistema capitalista imundo, que promove fome e desigualdades sociais. É urgente a construção de uma sociedade em que a comida não sirva ao lucro dos grandes empresários a partir da fome do povo pobre. É preciso, no campo e na cidade, erguer a bandeira do socialismo!

Matéria publicada na edição impressa nº 309 do jornal A Verdade

Papa Francisco defendeu a classe trabalhadora e denunciou genocídio na Palestina

Em 2014, em entrevista ao jornal La Repubblica, Papa Francisco surpreendeu ao afirmar: “Os comunistas pensam como os cristãos. Cristo falou de uma sociedade onde os pobres, os fracos e os excluídos sejam os que decidam”.

Nayara Cordeiro | Campina Grande (PB)


Morreu, aos 88 anos, na manhã da última segunda-feira (21), o Papa Francisco. De acordo com o Vaticano, a causa da morte foi uma parada cardiorrespiratória em decorrência de complicações pulmonares.

Jorge Mario Bergoglio, o primeiro papa latino-americano da história, faleceu deixando uma gestão considerada “reformista” na Igreja Católica. Argentino, filho de trabalhadores, assumiu o papado em 2013 prometendo uma “Igreja pobre para os pobres”.

Sua última declaração pública foi um apelo pelo cessar-fogo imediato em Gaza, denunciando os crimes cometidos pelo Estado de Israel contra o povo palestino. Sua postura clara e firme em defesa da Palestina, ao lado de sua crítica permanente ao sistema econômico mundial, “uma economia que mata”, colocaram-no em confronto direto com as potências imperialistas, o conservadorismo cristão e os setores mais reacionários da própria Igreja. Francisco ligava todos os dias para o padre Gabriel Romanelli, da Paróquia de Gaza. A Faixa de Gaza conta com uma importante comunidade cristã que existe há quase dois mil anos.

Crítica à ganância capitalista

Em suas palavras e gestos, o Papa Francisco se aproximou da Teologia da Libertação, da tradição de luta dos padres e freiras que enfrentaram ditaduras, e das comunidades cristãs que vivem a fé no combate à desigualdade social e ao fascismo. Como líder maior da Igreja Católica, denunciava as injustiças sociais, a destruição ambiental, o racismo e as guerras imperialistas.

O Papa também enfrentou a extrema-direita mundial. Condenou o negacionismo, o armamentismo e os líderes que instrumentalizam a religião para fins autoritários. Seus embates com Jair Bolsonaro, Donald Trump e líderes católicos ultraconservadores marcaram uma divisão nítida entre suas posições políticas e o fascismo global.

“Os comunistas pensam como os cristãos”

Em 2014, em entrevista ao jornal La Repubblica, Francisco surpreendeu ao afirmar: “Os comunistas pensam como os cristãos. Cristo falou de uma sociedade onde os pobres, os fracos e os excluídos sejam os que decidam”. A frase gerou polêmica entre a ala reacionária da Igreja, mas sintetizou uma verdade histórica muitas vezes esquecida: o cristianismo das origens é, em sua essência, profundamente solidário.

O jornal A Verdade já publicou textos sobre essa relação entre cristianismo e a luta revolucionária, não no sentido institucional, mas na prática de vida. Francisco, mesmo sem romper com as estruturas do Vaticano, recuperou a memória de que Jesus não fundou impérios, mas comunidades; de que o Evangelho não legitima a opressão, mas sim a combate.

A estrutura conservadora da Igreja Católica

Agora, os católicos de todo o mundo se preparam para um novo Papa. Apesar de reunir 1,5 bilhão de fiéis em todos os continentes, apenas 135 cardeais terão direito a votar no novo Papa. Esta estrutura, de uma profunda raiz medieval, é o que tem garantido, nos últimos 1500 anos, colocar o governo da Igreja Católica ao lado dos governos dos ricos.

Francisco foi uma exceção a esta regra. A maioria de seus antecessores sempre se colocou ao lado dos governos capitalistas e contra as revoluções socialistas e os governos dos trabalhadores.

Este foi o caso do Papa Pio XII (papado entre 1939 e 1958), que, em troca do seu apoio ao fascismo italiano de Benito Mussolini, garantiu mais direitos e riquezas para a Igreja de Roma dentro da Itália. Outro exemplo foi o Papa João Paulo II, que perseguiu internamente clérigos de esquerda e progressistas durante a década de 1980. Foi durante o seu papado que padres ligados à Teologia da Libertação foram excluídos de espaços dentro da Igreja.

Agora, um novo conclave está prestes a se iniciar e muitos cardeais querem retomar essa posição conservadora e reacionária da Igreja. Com uma estrutura reacionária de governo, nada garante que as posições do Papa Francisco continuarão tendo influência na Igreja.

Mais importante do que esperar que venha um novo papa “progressista” é ganhar trabalhadores e trabalhadoras católicos de todo o mundo para as pautas que Francisco defendia. A defesa do meio ambiente, o combate à acumulação de riquezas capitalistas e a defesa do povo palestino são pautas urgentes para os povos do mundo.

Novo ato mobiliza trabalhadores contra a escala 6×1 por todo o Brasil

Atos pelo fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho ocuparam shoppings e locais de trabalho em mais de 60 cidades de todo o país nesta quarta-feira (23/4).

Felipe Annunziata e Guilherme Arruda


Nesta quarta-feira (23/4), trabalhadores e militantes da Unidade Popular pelo Socialismo (UP) foram às ruas em dezenas de cidades para denunciar a escala 6×1 e defender a redução da jornada de trabalho no país. Os atos, que dão sequência às manifestações do último dia 19 de março, contaram com forte adesão de movimentos sociais e também dos funcionários de shoppings nos mais de 60 municípios onde ocorreram.

No estado de São Paulo, somando a Região Metropolitana da capital e os interiores, centenas de trabalhadores ocuparam 15 shoppings — entre eles, o Shopping Metrô Tatuapé, na Zona Leste da capital, e o Osasco Plaza Shopping. Jograis, palavras de ordem, panfletagens e brigadas do jornal A Verdade denunciaram a exploração a que estão submetidos milhões de pessoas no nosso país, que hoje trabalham na escala 6×1 e 44 horas semanais, sem contar as horas extra.

“A escala 6×1 é muito cansativa, eu também trabalho em shopping e a gente só trabalha, é muita exploração. Eu acho que essa manifestação aqui é o começo de tudo. A gente que faz girar a economia do país, se a gente não se juntar, nada muda”, denunciou Camila, que estava no Shopping Bandeiras, em Campinas (SP), quando o ato ocorreu.

No mesmo tom, Mariana, ouvida pela reportagem no Shopping Metrô Tatuapé, afirmou: “Eu trabalhei cinco anos em shopping, é uma escravidão. Do que adianta ter convênio médico no contrato, se a gente não consegue nem tirar um momento pra usar? A gente tem que fazer de tudo pra acabar com essa escala maldita o mais rápido possível.”

O roteiro se repetiu em outras capitais do país, além de cidades do interior. É o caso do estado do Rio de Janeiro, onde pelo menos três cidades tiveram shoppings ocupados. Atos ocorreram no Shopping Nova América, na capital, no Caxias Shopping, localizado na região metropolitana, e em um shopping de Niterói.

A denúncia das péssimas condições de trabalho esteve sempre presente: “É bem complicado, ainda mais pra quem tem filho e pra quem estuda. Um dia só não dá pra fazer nada, e ainda tem a questão dos lugares que não pagam feriado. Os horários também são muito cansativos, eu saio 23h30”, afirmou Ingrid, trabalhadora do Caxias Shopping, ao jornal A Verdade.

Além disso, houve manifestações por toda a região Nordeste, mais notadamente em Salvador (BA), Recife (PE), Natal (RN), Fortaleza (CE) e mais de uma dezena de outros municípios. “Foi muito importante ter feito esse ato contra a escala 6×1 para denunciar a exploração dos trabalhadores, especialmente no setor de Serviços. Conseguimos fazer essa denúncia apesar da truculência das empresas e dos donos dos shoppings, que recai tanto contra os trabalhadores quanto contra essa luta”, avaliou Cassiano Bezerra, diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE) que participou da manifestação em Recife, no Shopping Boa Vista.

No Sul, os três estados contaram com manifestações. Uma das mais expressivas foi em Porto Alegre, onde mais de uma centena de pessoas ocuparam um shopping. Em Florianópolis e Curitiba também ocorreram manifestações semelhantes.

No Centro-Oeste, as capitais também foram palco de grandes atos. Em Brasília (DF), os trabalhadores que se somaram à mobilização fizeram denúncias sobre como a escala 6×1 e as longas jornadas de trabalho prejudicam a saúde e a vida de milhões de homens e mulheres no país. Com violência, seguranças do shopping Conjunto Nacional tentaram impedir a manifestação de acontecer – no entanto, o ato pacífico continuou seu curso, recebendo o apoio de trabalhadores e clientes do espaço.

Mobilização reforça luta contra escala 6×1

A mobilização de hoje, convocada por trabalhadores e pela Unidade Popular, reforça a luta nacional contra a exploração imposta pelos patrões na forma da escala 6×1. Hoje, a grande maioria dos trabalhadores contratados via CLT são submetidos a esse modelo de exploração, onde seis dias de trabalho são seguidos de apenas uma jornada de descanso.

Durante os atos, muitos trabalhadores dos shoppings levaram espontaneamente ao jornal A Verdade depoimentos e denúncias de folgas cortadas por seus chefes, o desenvolvimento de problemas de saúde mental e física, horas não pagas, e muitas outros problemas. Há muitos casos em que são obrigados a trabalhar 15 ou 20 dias sem descanso, contando com apenas uma ou duas folgas por mês. Nesses locais de trabalho, a situação se agrava durante feriados prolongados e datas comemorativas como a Páscoa.

Além da falta de folgas, os trabalhadores da escala 6×1 são submetidos a uma realidade cruel no transporte público. Muitos gastam duas ou até mais horas por dia durante o deslocamento de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Esse cenário, agravado pela privatização dos transportes públicos e os sucessivos aumentos de passagem nos ônibus e trens, torna ainda mais difícil a vida desses trabalhadores.

Por isso, a jornada de lutas convocada pela UP evidencia a necessidade de o conjunto da classe trabalhadora unir-se em defesa do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais.

O partido também vem defendendo, assim como o mais recente editorial do jornal A Verdade, a necessidade de conquistar o aumento de 100% do salário mínimo e a redução do preço dos alimentos, contra a ganância dos supermercados e da indústria alimentícia.

Somente com o avanço dessas pautas é possível dar início às transformações estruturais do país e a melhoria significativa da qualidade de vida do conjunto do povo brasileiro — um chamado que foi reforçado pela UP nesta quarta-feira.

A violência contra as mulheres em Carpina

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Carpina registrou 62 casos de violência doméstica contra mulheres nos dois primeiros meses de 2025, segundo a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco. A taxa de 72 ocorrências por 100 mil habitantes revela o cenário agravado pela falta de estrutura pública de acolhimento e pela subnotificação.

Isabella Morais | Redação PE


MULHERES – A violência contra as mulheres segue sendo uma grave realidade no Brasil e no Estado de Pernambuco, e a cidade de Carpina não está isenta desse problema, pelo contrário. Os dados e as notícias revelam a cultura do machismo e da misoginia, que é o ódio às mulheres, elevadas ao extremo no município.

De acordo com dados da Gerência Geral de Análise Criminal e Estatística, da Secretaria de Defesa Social (SDS-PE), a cidade registrou 62 casos de violência doméstica contra mulheres nos meses de janeiro e fevereiro de 2025. Embora tenha havido uma mínima redução de 6,25% no número de ocorrências de janeiro (32 casos) para fevereiro (30 casos), a taxa ainda é alarmante e demonstra que pouco ou quase nada tem sido feito para garantir a segurança das mulheres carpinenses.

Quando relacionamos esse número com a população estimada de Carpina, que é de 85 mil habitantes, temos uma taxa de 72,94 casos de violência contra mulheres por 100 mil habitantes. Essa taxa, embora inferior à de municípios como Recife (95,4), Jaboatão dos Guararapes (95,6) e Caruaru (131,5), ainda revela uma incidência preocupante, principalmente se considerarmos a subnotificação, que é uma questão recorrente quando se trata de crimes de violência doméstica. E, em geral, as vítimas são sempre as mulheres pobres, periféricas e negras.

O cenário pernambucano reflete um panorama nacional ainda mais sombrio. A recente pesquisa “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil”, do Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou que mais de 21 milhões de brasileiras, ou 37,5% do total de mulheres no país, sofreram algum tipo de agressão nos últimos 12 meses. Esse dado evidencia que a violência de gênero continua sendo um problema estrutural, que perpassa questões raciais e socioeconômicas, e que medidas mais eficazes, que cheguem especialmente às mulheres pobres e racializadas, precisam ser adotadas para conter essa epidemia de agressões, que tantas vezes acabam em feminicídio, que é o homicídio de uma mulher cometido em função do seu gênero. Ou seja, quando a mulher é morta exatamente por ser mulher.

Em Carpina, assim como em diversas cidades do estado, faltam equipamentos públicos especializados para o atendimento às vítimas, como delegacias da mulher, funcionando 24 horas, casas de acolhimento seguras e programas de assistência psicológica e jurídica.

No ano passado, em 2024, o município ficou em 2º lugar no ranking de municípios com maior número de casos de agressão às mulheres na região da mata norte, com um registro de 435 casos, ficando entre Goiana, que foi o primeiro lugar, com 465 ocorrências, e Paudalho, que registrou 362 casos, ocupando o terceiro lugar, segundo boletim divulgado pela SDS-PE. Estes dados representam uma crescente dessa estatística, pois em 2023, Carpina ficou em 4º lugar na colocação de cidades da zona da mata norte com mais registros de violência contra mulheres.

Em 2022, dos 903 Boletins de Ocorrência registrados em Carpina, numa delegacia comum, 460 foram registros de violência contra mulheres. A estimativa naquele ano ainda era de que, a cada 1000 mulheres da cidade, 11 eram vítimas de violência doméstica.

É fundamental que haja campanhas de conscientização para o povo, principalmente para as mulheres em vulnerabilidade social e econômica, que se submetem a diversos tipos de violências pela falta de condições financeira e psicológica. Por isso a importância de iniciativas como a do Movimento de Mulheres Olga Benário que, através de ocupações e luta, constrói espaços de denúncia, acolhimento e de organização política e socialista para mulheres. É o primeiro movimento da América Latina que faz ocupações em imóveis abandonados e os transforma em Casas de Referências às Mulheres. Porque quando o poder público falha no investimento em políticas voltadas à prevenção e ao combate à violência doméstica – e ele falha recorrente e miseravelmente – é na força dos movimentos sociais que a população tem uma alternativa de libertação e proteção.

A luta contra a violência de gênero não pode ser apenas uma pauta eleitoreira e emergencial, quando casos extremos chocam a sociedade, como o de Simeia da Silva Nunes, de 33 anos, que em julho de 2023 foi agredida fisicamente e morta a tiros pelo seu companheiro, um policial militar. O crime teve grande repercussão na época, sobretudo pelas imagens estarrecedoras registradas em câmeras de segurança, divulgadas pela mídia, mostrando a brutalidade com a qual Simeia foi espancada, em um bar, um espaço público. Em seguida, quando deixava o local, ela foi alcançada e alvejada com tiros, chegando sem vida ao hospital.

É preciso um compromisso contínuo e ações concretas para proteger as mulheres e garantir seus direitos à segurança e dignidade. A redução de casos em Carpina somente no último mês de 2025 pode ser um bom indicativo, mas é insuficiente se comparado ao número total de ocorrências. Além disso, a ciência das subnotificações reforça a necessidade de políticas públicas mais efetivas e de uma rede de proteção fortalecida para que nenhuma mulher tenha que sofrer calada ou pagar com a sua própria vida.

Mobilização popular e greve de fome forçam recuo da perseguição do Centrão a Glauber Braga

O presidente da Câmara dos Deputados se comprometeu a não pautar a cassação de Glauber Braga durante os próximos 60 dias. É uma vitória tática da pressão dos movimentos populares, que forçaram o Centrão e os fascistas a recuarem. Mesmo assim, é preciso manter a mobilização em defesa do mandato

Guilherme Arruda e Redação


A ofensiva do Centrão e do fascismo contra o deputado socialista Glauber Braga foi forçada a recuar nesta quinta (17/4), após nove dias de greve de fome do parlamentar e a realização de manifestações populares por todo o país em defesa de seu mandato.

Na quinta-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que se compromete a não pautar o pedido de cassação do mandato de Glauber no plenário da Casa por 60 dias. O prazo só passará a correr após a avaliação do pedido de cassação pela Comissão de Constituição e Justiça, que ainda não possui data marcada.

O acordo foi conquistado após fortes ações de denúncia do caráter persecutório da tentativa de cassação de Glauber Braga, forjada por um provocador fascista do MBL e relatada no Conselho de Ética por um deputado que já agrediu um jornalista na Câmara. Conforme noticiou o jornal A Verdade, militantes de movimentos sociais e partidos políticos, como a Unidade Popular pelo Socialismo (UP), estiveram presentes no Congresso Nacional por diversas vezes para defender o mandato popular de Glauber e o voto das mais de 78 mil pessoas que o elegeram.

A vitória parcial – já que o processo injusto de cassação não foi completamente barrado e ainda pode retornar – demonstra que a mobilização, e não a conciliação, é capaz de forçar uma mudança de posição do Congresso Nacional, mesmo em meio à hegemonia do Centrão e de segmentos fascistas.

Próximos passos

Ainda na quinta-feira, após o anúncio da interrupção do andamento da cassação, Glauber Braga acatou a indicação aprovada em uma plenária de apoiadores e suspendeu sua greve de fome. Mesmo assim, ao sair da Câmara dos Deputados, o deputado reafirmou seu compromisso com o enfrentamento às oligarquias e ao Orçamento Secreto encabeçado pelo ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).

Em nota nas suas redes digitais, Glauber afirmou que “a greve de fome cumpriu o seu papel: ampliou a denúncia da perseguição política, contribuiu para a pressão popular nas ruas e nas redes e gerou toda uma solidariedade a uma causa. Esse protesto acontece não só para a simples defesa de um mandato, mas também para impedir o silenciamento de quem denuncia o escândalo do Orçamento Secreto.”

A Unidade Popular pelo Socialismo saudou a coragem e a disposição de luta de Glauber, avaliando que a dedicação do deputado ao enfrentamento com os representantes da burguesia é justa e correta.

No entanto, o fim da greve de fome também impõe o desafio de levar adiante a mobilização, já que a luta contra a cassação não terminou – assim como a denúncia dos desmandos do Centrão. Por isso, a UP convoca toda sua militância a seguir organizando e participando de atos em defesa do mandato de Glauber e também das pautas dos trabalhadores: o fim da escala 6×1 com redução da jornada de trabalho, o aumento do salário mínimo, a redução do preço dos alimentos e a prisão para os fascistas e golpistas.

“Agradecemos imensamente a toda solidariedade. Essa é uma vitória importante, mas ainda não vencemos a guerra. Por isso, é fundamental seguirmos mobilizados, em cada região do país”, complementa uma nota do mandato de Glauber Braga publicada na sexta-feira (18/4).

Governo e prefeitura de São Paulo querem expulsar o povo do Centro

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No mesmo mês, os fascistas Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes buscam despejar a Favela do Moinho, a Casa Laudelina de Campos Melo e a Ocupação Chaguinhas. População e movimentos prometem resistir em defesa do direito do povo trabalhador de viver no Centro da capital paulista

Redação SP


Os fascistas Tarcísio de Freitas, governador do Estado de São Paulo, e Ricardo Nunes, prefeito da cidade, têm se empenhado para fazer de São Paulo um grande balcão de negócios. Além das privatizações criminosas, o foco agora é entregar o Centro nas mãos da especulação imobiliária, com grandes e milionários acordos e expulsando de forma ilegal e vergonhosa o povo pobre e trabalhador que vive nesse território.

Estão na mira: a Favela do Moinho, última favela do Centro, que é construída há mais de três décadas por mais de 2.500 famílias; a Ocupação Chaguinhas, construída pelo MLB na Bela Vista, com mais de 50 famílias que foram desabrigadas pelas chuvas de janeiro, além de imigrantes, crianças e idosos; e a Casa Laudelina de Campos Melo, ocupação realizada em 2021 pelo Movimento de Mulheres Olga Benario no Canindé, e que já realizou até aqui mais de 10 mil atendimentos de mulheres em situação de violência.

Casa de Mulheres Laudelina de Campos Melo

Completando mais de 4 anos de luta e resistência, a ocupação Laudelina de Campos Melo foi realizada em resposta ao aumento da violência por conta da pandemia da COVID-19 e frente ao fechamento dos serviços públicos nos momentos em que as mulheres mais precisavam. A Laudelina presta um serviço fundamental na região do Centro, visto que infelizmente as políticas de combate e prevenção a violência contra as mulheres tem sido desmontadas, ano após ano, pela Prefeitura e Governo do Estado.

Por conta dessa alta demanda, a Casa Laudelina, que funciona de forma voluntária com uma completa equipe técnica e social, já realizou mais de 10 mil atendimentos de mulheres em situação de violência, e constrói relação com escolas, abrigos e diversos serviços públicos, fazendo encaminhamento, atendimento e formações com as mulheres da região.

Mesmo com todo esse histórico, alguns meses atrás a Laudelina foi ameaçada por uma reintegração de posse. Porém, graças à pressão popular a justiça suspendeu o processo, que segue paralisado desde então. Isso significa que o Movimento de Mulheres Olga Benario tem o direito legal de seguir no espaço fazendo o trabalho.

No entanto, na última semana, capachos de grandes ricos que querem desapropriar as mulheres, buscaram as mulheres para uma tentativa de intimidação, e em sua última abordagem, ameaçaram promover no próximo sábado (19/4), a demolição ilegal e violenta do imóvel, com as mulheres dentro, para forçar uma remoção criminosa.

Favela do Moinho

A Favela do Moinho é a última favela que ainda resiste no Centro de São Paulo. Na luta há mais de 40 anos, o Moinho é construído por mais de 2.500 famílias de trabalhadores e trabalhadoras que com alionsolidaram suas moradias, formando um bairro popular no Campos Elíseos, investindo ali todo o fruto do trabalho de uma vida inteira.

A área ocupada, agora em posse das famílias, está legalmente atrelada à SPU (Secretaria de Patrimônios da União). Contudo, a ordem de remoção vem diretamente de Tarcísio de Freitas, Governador fascista de São Paulo, que visa entregar a área para o avanço da especulação imobiliária e justifica a remoção das famílias para fins da construção de uma nova sede do Governo e de um Parque Estadual.

Compreendendo a clara tentativa de ataque a seu direito à moradia digna, as famílias negaram a criminosa proposta de remoção, que está atrelada a uma carta de crédito no caso de reassentamento em novas unidades habitacionais que serão supostamente construídas pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo). Além da expulsão das famílias do Centro, a proposta visa endividar essas famílias e jogá-las na rua.

Ocupação Chaguinhas

Completando um mês de resistência, a Ocupação Chaguinhas, na Liberdade, é a 3° ocupação do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) no Centro de São Paulo. A ocupação organiza mais de 50 famílias trabalhadoras, que buscam seu direito constitucional de morar dignamente, construindo além de moradia, um território livre da fome e da violência.

A ocupação, composta por famílias que perderam tudo na Zona Leste e na Zona Sul durante as chuvas do último período — incluindo mães, crianças imigrantes e pessoas autistas — reivindica um prédio que está abandonado há mais de 10 anos por um grande ricaço e está localizado entre os bairros da Liberdade, Sé e Bela Vista.

Contudo, assim como tantas outras ocupações no Centro, a exemplo da Ocupação dos Imigrantes Jean-Jacques Dessalines, a Chaguinhas está sofrendo também um processo de reintegração de posse que ignora a realidade das famílias e da população imigrante. A pressão ignora também a Lei do Desejo Zero, que visa sempre, nos casos de remoção, diálogo e envolvimento das partes e do poder público para uma solução habitacional que vise a dignidade destas famílias.

Esse ataque às ocupações de moradia se entrelaça ainda com o avanço da violência contra toda a comunidade de imigrantes africanos e latino-americanos que trabalham como ambulantes no Centro de São Paulo. Essa onda de truculência das forças do Estado persegue, agride e foi responsável pelo assassinato de Ngange Mbaye, trabalhador senegalês que morreu com um tiro da polícia ao tentar defender outra trabalhadora.

A saída é a luta

Todos estes ataques fazem parte de um projeto fascista, racista e machista de expulsão dos pobres do Centro de São Paulo, com claros objetivos: entregar a cidade nas mãos dos grandes ricos, vender o que é do povo e abrir caminho para a especulação imobiliária.

Essas disputas pelos territórios do Centro de São Paulo são uma expressão da luta de classes, em que os ricos querem tudo para explorar o povo enquanto a maioria, principalmente mulheres e crianças, sofrem com o aumento da violência, da fome, da falta de moradia digna e tantos outros direitos fundamentais.

Portanto, a única resposta possível é a luta! Na Favela do Moinho os moradores têm construído grandes manifestações e já se preparam para uma nova ofensiva na próxima terça-feira (22/04), para resistir e impedir que os tratores comecem com a demolição imediata de mais de 800 casas.

Os ambulantes do Centro e vários trabalhadores imigrantes têm avançado também na sua organização e fizeram na última semana um grande ato para denunciar a polícia sanguinária e seus crimes.

Na Casa Laudelina e na Ocupação Chaguinhas, os movimentos já organizam também uma grande jornada de lutas, atos, vigílias às ocupações e principalmente o porta a porta e as brigadas do jornal A Verdade para organizar mais e mais mulheres, trabalhadores e imigrantes. O objetivo é não só fazer recuar os planos fascistas, como também ocupar ainda mais o Centro e construir uma nova sociedade, a sociedade socialista!

Em todas essas mobilizações, as trabalhadoras e trabalhadores gritam alto a palavra de ordem “Tirem as mãos do nosso território! O Centro de São Paulo é do povo trabalhador!”. Com o povo organizado, não se mexe. Tarcísio, Nunes e seus capachos verão a força do povo.

Um ano do criminoso desastre das enchentes no Rio Grande do Sul

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“Quase um ano após as enchentes, o prefeito Sebastião Melo (MDB) simplesmente tem deixado a maior parte da população de Porto Alegre entregue à própria sorte, tendo ocorrido diversas trocas de empresas terceirizadas para fazerem a limpeza da cidade, gerando montanhas de entulhos e lixos pelas ruas.”

Bruno Ferreira | Porto Alegre (RS)


Em 28 de abril de 2024, iniciava, no Rio Grande do Sul, a chuva que duraria até 08 de maio e viria a causar uma catástrofe no estado. Próximo de completar um ano, apuramos alguns dados referentes às medidas adotadas pelos governos para a recuperação e reconstrução da vida dos gaúchos depois das enchentes.

As fortes chuvas atingiram mais de 470 municípios, afetando aproximadamente três milhões de pessoas, deixando quase 80 mil em abrigos e em torno de 580 mil desalojados (pessoas que precisaram ir para casa de amigos e familiares). Em novembro de 2024, apontamentos mostravam que quase 19 mil casas estavam consideradas inabitáveis ou condenadas em cidades do estado e 1.800 pessoas ainda estavam em abrigos. Além disso, o número de solicitações de casas ao Governo Federal chegou a mais de 44 mil.

Até o momento, o Governo Estadual anunciou a entrega de apenas 332 casas temporárias, espalhadas por sete cidades, com a promessa de que entregaria, até o fim de março, as primeiras 80 casas provisórias na capital, que custaram cerca de 11 milhões aos cofres públicos. O primeiro lote de casas anunciado pelo governador Eduardo Leite (PSDB) irá destinar a soma de R$ 83 milhões para a entrega de moradias definitivas ou provisórias. Enquanto isso, demonstrando grande contradição, o Governo Estadual destinou para a contratação de máquinas por hora, para serem utilizadas na abertura de estradas, terraplanagens, etc., R$ 40 milhões, quase metade do destinado para a moradia.

Além disso, destinou R$ 117,7 milhões para conservação de estradas, R$ 300 milhões para o desassoreamento de pequenos rios e córregos, R$ 106 milhões para 64 municípios realizarem a abertura de estradas, limpeza de terrenos e reestruturação de cabeceiras de pontes e para a recuperação da malha viária; outros R$ 265 milhões, obviamente a maior parte da soma destes valores, será entregue nas mãos de donos de máquinas, empreiteiras e construtoras.

Numa rápida soma, R$ 782,7 milhões foram destinados para obras em estradas, entregues diretamente nas mãos dos capitalistas. Porém, para os desabrigados e desalojados das enchentes, foram destinados apenas R$ 251 milhões na forma de “benefícios”, novamente demonstrando que os governos neoliberais, a serviço dos capitalistas, preocupam-se mais com o lucro de um pequeno punhado de indivíduos do que com o bem-estar geral da população.

Na capital, a situação não é diferente e é ainda pior. O prefeito Sebastião Melo (MDB) simplesmente tem deixado a maior parte da população de Porto Alegre entregue à própria sorte, tendo ocorrido diversas trocas de empresas terceirizadas para fazerem a limpeza da cidade, gerando montanhas de entulhos e lixos pelas ruas.

Quase um ano após as enchentes, os governos neoliberais de direita vêm trabalhando para enriquecer ainda mais um punhado de parasitas, enquanto o povo passa por enormes necessidades. Por isso, mais do que nunca é necessária a organização de explorados e exploradas para derrubarmos este sistema de fome e de miséria.

Matéria publicada na edição impressa nº 310 do jornal A Verdade

O papel da UJR na propaganda do socialismo e na formação de quadros

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“Para celebrar os 30 anos da UJR, devemos ter a ousadia de apresentar nossa organização para milhares de jovens em todo o país, mostrando uma perspectiva de vida para a juventude brasileira massacrada pela falta de empregos e educação de qualidade, pela violência de Estado e as opressões fomentadas pelo capitalismo.”

Coordenação Nacional da UJR


Em 2025, a União da Juventude Rebelião (UJR) chega aos seus 30 anos de fundação com uma trajetória marcada pela combatividade nas lutas, que permitiram a ampliação de vários direitos da juventude. Entre eles a conquista do passe-livre em diversas cidades, a ampliação de vagas nas universidades públicas, a permanência estudantil e a manutenção da meia-entrada em eventos esportivos e culturais.

Mas, com certeza, a maior contribuição da UJR para a emancipação dos jovens foi a intensa formação de quadros para a revolução brasileira. Muitos se tornaram militantes do Partido Comunista Revolucionário (PCR), da Unidade Popular (UP) e dos movimentos sociais que construímos. Mesmo entre os que não permaneceram em nossas fileiras, forjamos o pensamento crítico e em sua grande maioria são pessoas progressistas, que continuam bons aliados de nossa luta.

A juventude é um momento marcante na vida das pessoas, em que acontecem muitas descobertas e se conquista a “independência”. Também são feitas muitas escolhas, inclusive, políticas.

Por isso, não podemos subestimar a necessidade de apresentar nossas propostas de sociedade para os jovens. Quando deixamos de fazer, alguém faz em nosso lugar, principalmente a burguesia, por meio do seu grande aparato midiático, incluindo o controle dos conteúdos nas redes digitais. É papel da UJR enfrentar a ideologia reacionária e apresentar o socialismo para os milhões de jovens brasileiros.

Temos à disposição as mais variadas formas de agitação e propaganda: o trabalho estudantil, cultural, brigadas do jornal A Verdade, agitação de rua, venda de livros, panfletagens e divulgação na internet. Não podemos nos intimidar em apresentar nossas ideias, pois é por meio desse trabalho que os jovens se interessam pelo socialismo científico e ingressam na UJR.

O recrutamento

O recrutamento é um momento lembrado pelo resto da vida de um revolucionário. Nunca esquecemos o local onde fomos convidados a ingressar na UJR, quem cumpriu essa tarefa e quais as principais questões discutidas. Você mesmo, que está lendo essa matéria, deve estar agora lembrando com carinho do seu recrutamento.

Para quem recruta, essa também é uma ocasião especial. Quem não se sente orgulhoso quando vê o militante que recrutou em desenvolvimento, participando do seu coletivo, cumprindo tarefas importantes e recrutando outras pessoas? É um imenso sentimento de alegria quando conseguimos ver nossa organização crescer e se fortalecer.

Diante de toda essa magnitude que pode ter um recrutamento, é fundamental que seja feito com concentração e ímpeto. Não podemos fazer um recrutamento às pressas, sem ler com paciência o programa e os estatutos da UJR.

É necessária preparação para tirar as dúvidas, apresentar com firmeza as propostas e demonstrar a honra que é pertencer a uma organização como a UJR. Ser militante da juventude revolucionária do Brasil é um crescimento coletivo, mas também um engrandecimento pessoal de cada jovem de nossas fileiras. Não só pelos conhecimentos adquiridos em nossos coletivos, mas pela materialização no dia a dia da nossa política.

Nesse sentido, um recrutamento feito com qualidade pode garantir não só o ingresso do militante na UJR, bem como sua permanência na organização. Um jovem que entende a profundidade da nossa causa, terá um comprometimento maior com a sua militância. Tornando a luta pela revolução socialista seu objetivo de vida, sem tratar a militância como algo passageiro ou como passatempo para aliviar a consciência diante das atrocidades impostas pelo capitalismo.

A luta pelo socialismo é libertadora, constrói em cada jovem a vontade de tornar-se um ser humano melhor, menos egoísta, que não pensa primeiro em si próprio. Nas fileiras da UJR, conseguimos praticar a coletividade, nos importamos com nossos irmãos, desenvolvemos nosso amor pela humanidade, pelas coisas boas da vida e pelo nosso planeta.

Vibramos a cada conquista da classe trabalhadora e até as derrotas se tornam menos duras quando enfrentadas ao lado de nossos camaradas. Quando convidamos um jovem para a UJR, é essa oportunidade que estamos lhe proporcionando.

Para celebrar os 30 anos da UJR, devemos ter a ousadia de apresentar nossa organização para milhares de jovens em todo o país, mostrando uma perspectiva de vida para a juventude brasileira massacrada pela falta de empregos e educação de qualidade, pela violência de Estado e as opressões fomentadas pelo capitalismo.

Para atingir esse objetivo, temos que vencer o comodismo e a sensação de autossuficiência presentes em alguns coletivos. Devemos aprofundar a divulgação do socialismo nos trabalhos de massas que realizamos, promover plenárias de apresentação da UJR e chegar a lugares que ainda não estamos. Com a energia revolucionária seguiremos as palavras de nosso patrono, Che Guevara: “Se o presente é de lutas, o futuro nos pertence!”.

Matéria publicada na edição impressa nº 310 do jornal A Verdade

Solidariedade aos trabalhadores e ao povo da Turquia

“Dezenas de milhares de trabalhadores, estudantes, aposentados, jovens, homens e mulheres tomaram as ruas de várias cidades da Turquia para expressar seu repúdio ao governo reacionário de Recep Tayyip Erdogan. O grito é unânime: renúncia de Erdogan! Ombro a ombro contra o fascismo!”

Comitê Coordenador da CIPOML


Dezenas de milhares de trabalhadores, estudantes, aposentados, jovens, homens e mulheres tomaram as ruas de várias cidades da Turquia para expressar seu repúdio ao governo reacionário de Recep Tayyip Erdogan. O grito é unânime: renúncia de Erdogan! Ombro a ombro contra o fascismo!

Os protestos massivos vêm em resposta à prisão ilegal e arbitrária do prefeito de Istambul, Ekrem İmamoğlu, e de mais de cem pessoas no mesmo dia. İmamoğlu tornou-se um risco para a continuidade do regime fascista de um homem só de Erdogan. Todas as análises político-eleitorais indicam que ele venceria as próximas eleições presidenciais, e é por isso que o querem fora da disputa. O atual presidente turco nem de longe pensa numa transição democrática. Além disso, planeja uma reforma constitucional que o coloque como presidente vitalício. A prisão do prefeito de Istambul não é o único caso. Houve dezenas de prisões e demissões de prefeitos da oposição, principalmente nas províncias curdas.

A rápida e massiva difusão de protestos sociais se deve ao descontentamento acumulado dos trabalhadores e do povo com o governo, devido à acelerada deterioração das suas condições de vida e ao acentuado perfil antidemocrático e repressivo do regime. As eleições municipais de março de 2024 já eram um termômetro do humor da população em relação ao governo: Erdogan sofreu uma dura derrota política.

Expressamos nossa solidariedade com os trabalhadores, a juventude e povos da Turquia que tomaram as ruas para enfrentar um governo autoritário, que, em várias ocasiões e circunstâncias, recorreu ao uso de armas para silenciar os protestos; condenamos a repressão violenta que está sendo exercida contra aqueles que protestam; também rejeitamos a tentativa de criminalizar a atividade realizada por organizações políticas, sindicais e de oposição popular. Em particular, expressamos nossa solidariedade com os camaradas do Partido do Trabalho (Emep), que, hoje, mais uma vez, faz parte da torrente que luta pela democracia, liberdade e transformação social.

Comitê Coordenador da Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas (CIPOML), 22 de março de 2025

Israel retoma genocídio em Gaza e mantém 11 brasileiros reféns

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“No dia 23 de março, o brasileiro-palestino Walid Khaled Abdullah Ahmed, de 17 anos, foi assassinado nas masmorras israelenses. Já é a quarta criança ou adolescente brasileiro que Israel mata durante o genocídio. O Brasil não pode aceitar mais ver nossos cidadãos humilhados e mortos pelo Estado sionista.”

Felipe Annunziata | Redação


No dia 23 de março, o brasileiro-palestino Walid Khaled Abdullah Ahmed, de 17 anos, foi assassinado nas masmorras israelenses. Walid foi sequestrado na Cisjordânia ocupada, em setembro do ano passado, e levado para o centro de tortura de Meggido, em Israel. Já é a quarta criança ou adolescente brasileiro que Israel mata durante o genocídio.

Segundo a própria imprensa israelense, o campo de Megido é conhecido pelas variadas torturas que faz contra palestinos. Choques elétricos, ataques de cães, nudez forçada e espancamentos severos são alguns dos métodos de torturas usados pelos israelenses.

O Brasil se limitou a dizer que recebeu a notícia “com profunda consternação” e que iria exigir de Israel uma investigação “célere e independente” do caso. Na mesma nota, pela primeira vez, o governo brasileiro informou que Israel mantém 11 brasileiros-palestinos presos, muitos dos quais não tiveram nenhuma acusação ou julgamento formal.

Os crimes absurdos de Israel na Cisjordânia não acabaram por aí. No dia 24 de março, Hamdan Ballal, cineasta palestino que venceu o Oscar de Melhor Documentário com o filme No Other Land (“Sem Chão”), foi espancado por colonos judeus na Cisjordânia e sequestrado pelo Exército sionista. O documentário de Ballal ganhou o mundo com a denúncia do regime de opressão ao qual o povo palestino é submetido nos territórios ocupados por Israel. Ele foi espancado durante o dia em que ficou preso em Israel. As denúncias de espancamentos também foram confirmadas pelo co-diretor do filme de Ballal, o judeu Yuval Abraham. “Vencer o Oscar não ajudou a nos proteger. Nos tornou alvo. O ataque foi feito para me matar”, afirmou Hamdan Ballal em entrevista coletiva após ser libertado.

Nova fase do genocídio

Enquanto isso, a Faixa de Gaza voltou a ser aterrorizada pelos bombardeios genocidas de Israel. O cessar-fogo, conquistado pelos palestinos no final de janeiro, foi rompido unilateralmente pelo governo do ditador Benjamin Netanyahu.

Só nas primeiras 12 horas de bombardeio, no dia 18 de março, Israel assassinou mais de 400 pessoas. Os ataques com mísseis, artilharia e tanques atingiram mesquitas, escolas e casas por toda Faixa de Gaza. Até a publicação desta edição, o número de mortos e feridos já passava de três mil.

No dia 22 de março, em mais um ato de crueldade, Israel destruiu o único hospital para tratamento de câncer em Gaza. Todo o complexo foi demolido após ser usado por mais de um ano como base de operações militares pelo Exército sionista.

Nas redes digitais circulou um depoimento de um pai palestino que viu sua esposa e filho bebê serem assassinados por Israel num bombardeio numa tenda de refugiados. “Minha esposa nasceu em 20 de fevereiro e ele tinha só um ano e um mês agora. Mohamed, meu primeiro filho, minha vida inteira. Ele tinha uma aura doce no coração, uma brisa suave. A vida tinha apenas começado, estávamos começando nossa vida familiar com minha esposa, estávamos construindo nossas vidas. Mesmo na guerra ou em qualquer situação queríamos construir [nossa vida juntos].”

A tentativa de terminar com a destruição da rede de saúde de Gaza continuou nos dias seguintes. O Hospital Nasser, um dos principais centros de refugiados hoje no enclave, foi diretamente atingido por bombas israelenses. O objetivo dos militares sionistas foi explodir o setor de emergência que se encontrava cheio de pessoas feridas dos bombardeios anteriores.

Essa tática já se tornou uma das mais comuns de Israel: enquanto, durante o dia, bombardeia casas e bairros inteiros, os ataques sempre terminam com bombardeios a hospitais para onde são levadas as pessoas feridas que sobreviveram aos ataques iniciais.

Sobre os ataques contra civis, o ministro da guerra sionista, Israel Katz, defendeu a expulsão e o extermínio de palestinos. Em pronunciamento, ele afirmou que “os ataques aéreos contra os terroristas do Hamas foram só o início. O resto será muito mais difícil e vocês vão pagar o preço total. Israel vai agir com uma força que vocês nunca viram antes. Aceitem o conselho do presidente dos EUA, devolvam os reféns e expulsem o Hamas, que outras opções serão abertas a vocês, incluindo a realocação para outras partes do mundo para aqueles que quiserem. A alternativa é a destruição total”.

No último dia 30 de março, a organização Crescente Vermelho encontrou 14 corpos em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, após uma semana dos ataques do Exército israelense na região, que admitiu ter atacado uma ambulância alegando se tratar de um “veículo suspeito”. Entre os mortos, oito eram paramédicos da organização e cinco eram membros da Defesa Civil. Mais quatro pessoas seguem desaparecidas.

Enfrentar Israel

Todos esses crimes mostram que é fundamental que os povos do mundo se unam para impedir que Israel continue esse genocídio. O Brasil, por sua vez, não pode aceitar mais ver nossos cidadãos humilhados e mortos pelo Estado sionista.

A morte do jovem Walid mostra como os fascistas israelenses não têm limites em cometer seus crimes. Um adolescente ser morto após sessões de torturas só porque é palestino não pode passar impune. É preciso que o governo brasileiro rompa relações econômicas e diplomáticas com Israel.

Até hoje, nosso país continua a comercializar armas e munições israelenses, sem falar no petróleo que nosso país exporta para a máquina de guerra genocida sionista. Segundo a organização Oil Change International, o Brasil é responsável por 9% de todo petróleo consumido por Israel. Ou seja, se o Exército que mata palestinos é israelense, as armas são estadunidenses, podemos dizer que o petróleo usado nessa guerra também é brasileiro.

Como o jornal A Verdade fez minha avó se descobrir uma revolucionária

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“Ela o recolhe, separa os cadernos e se dedica à leitura, grifando as partes que mais chamam sua atenção. Minha avó Sussu cuida de seus jornais com o mesmo zelo de quem guarda um tesouro. E, de certa forma, são mesmo. ‘Lendo o jornal, eu aprendo a ser quem eu sou’, me disse ela certa vez.”

Isadora Miranda | Florianópolis (SC)


Minha avó foi a primeira pessoa a comprar um exemplar do jornal A Verdade que vendi. Em pouco tempo, os jornais passaram a ocupar um lugar especial em sua casa, ao lado das imagens de santos, das plantas bem cuidadas e das toalhinhas bordadas.

Aos quase 84 anos, Sueli Miranda, ou Sussu, como a chamamos, carrega uma história marcada pelo trabalho, pela revolta e pela inconformidade diante das injustiças sociais. “O jornal A Verdade me afirma que tudo o que eu pensava estava certo, mas não podia contar para ninguém”, diz ela.

A cada duas semanas, a cena se repete: vendo um jornal para a minha avó, que o pendura no varal por um dia antes de abri-lo, garantindo que a rinite não a impeça de ler. Só depois desse ritual, ela o recolhe, separa os cadernos e se dedica à leitura, grifando as partes que mais chamam sua atenção. Minha Vó Sussu cuida de seus jornais com o mesmo zelo de quem guarda um tesouro. E, de certa forma, são mesmo.

O despertar

“Lendo o jornal, eu aprendo a ser quem eu sou”, me disse ela certa vez. Nascida durante o Estado Novo de Getúlio Vargas e tendo enfrentado a ditadura militar como mãe solo de dois filhos, minha avó cresceu aprendendo o que podia ou não falar. Seu despertar político aconteceu dentro da Associação de Estudos, Orientação e Assistência Rural (Assesoar), em Francisco Beltrão (PR), onde teve contato com um de seus assentamentos.

“Eu sabia que existia o PTB e a UDN, mas não podíamos falar sobre isso”, lembra ela, referindo-se aos partidos mais influentes do início da ditadura militar. De 1966 a 1979, apenas dois partidos eram permitidos no Brasil: a Arena, que apoiava o regime, e o MDB, que fazia oposição dentro dos limites impostos.

Quando perguntei sobre a conjuntura da época, os partidos e os golpistas, minha avó hesitou. Explicou que o povo não sabia ao certo o que acontecia no país. “E nem podíamos saber”, diz. “Eu via que quem trabalhava e era correto era tratado como errado, enquanto o pessoal da UDN era colocado como santo pelos jornais”.

Até mesmo alguns jornais católicos reforçavam o apoio ao regime, conta ela. Católica desde o nascimento, passou a temer a própria Igreja. “Os homens andavam com armas e facão na cinta”, lembra. Mas sua fé nunca esteve dissociada da luta por justiça – algo que aprendeu na Assesoar.

Com o jornal A Verdade, minha avó pôde conhecer mais a fundo a ditadura militar, suas motivações e suas consequências até hoje. Aprendeu sobre o avanço do fascismo no mundo e os limites da socialdemocracia para resolver nossos problemas. Prova disso são nossas conversas, em que ela associa o Governo Bolsonaro ao passado ditatorial, rejeita as políticas fascistas do Estado de Israel contra a Palestina e mantém um posicionamento crítico ao Governo Lula, mesmo consumindo conteúdo de mídias hegemônicas.

O jornal também a ajudou a desconstruir antigas convicções. Antes, por exemplo, considerava Che Guevara um símbolo negativo. “Uma vez, vi um livro do Che do lado da cama da minha filha e fiquei quase louca!”, conta. Mas, depois de ler a matéria sobre ele na edição nº 280, mudou de ideia. “Antes, eu achava que ele fosse um demônio. Agora, lendo sobre sua história e seus pensamentos, vi que, na verdade, ele era ‘santo’.” Emocionada, recortou a foto do revolucionário e a guardou dentro da sua Bíblia.

Outro momento marcante foi a leitura da matéria “O jornal A Verdade e os núcleos do MLB”, na edição nº 287. Ela se comoveu com o relato de Dona Nilda, que, também aos 83 anos, disse: “Eu gosto do jornal porque ele fala do povo. […] Quem vai libertar o povo é a verdade! E quem tá seguindo a verdade? É nós, o povo pobre”. Também se encantou com a história de Dona Maria, que aprendeu a ler e escrever aos 73 anos com a ajuda do jornal. “Estou achando maravilhoso ver essas pessoas que antes não tinham acesso ao conhecimento agora abrindo a mente, aprendendo a ler e escrever”, confessou.

Laços estreitados

Hoje, sua relação com o jornal é motivo de orgulho. Quando o geriatra pergunta se ela lê, ela responde com firmeza: “Leio o jornal A Verdade e o jornal da Igreja”. Chegou até a recomendar um exemplar para um médico que se queixava das condições precárias de trabalho após a privatização do hospital onde atua: “Na próxima consulta, trago um ‘jornalzinho’ da minha neta pra ti, que fala exatamente sobre isso que você tá falando”.

E, para mim, essa descoberta foi tão transformadora quanto para ela. Minha avó é, para além de um amor imenso, uma grande companheira de luta. Sua relação com o jornal não apenas fortaleceu nosso vínculo, mas também me inspira a vendê-lo com ainda mais vontade. Porque sei que, assim como Sussu, muitas outras pessoas podem encontrar, nas suas páginas, a verdade sobre quem são. Mesmo que ainda não saibam.