UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 10 de abril de 2026
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Como o jornal A Verdade fez minha avó se descobrir uma revolucionária

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“Ela o recolhe, separa os cadernos e se dedica à leitura, grifando as partes que mais chamam sua atenção. Minha avó Sussu cuida de seus jornais com o mesmo zelo de quem guarda um tesouro. E, de certa forma, são mesmo. ‘Lendo o jornal, eu aprendo a ser quem eu sou’, me disse ela certa vez.”

Isadora Miranda | Florianópolis (SC)


Minha avó foi a primeira pessoa a comprar um exemplar do jornal A Verdade que vendi. Em pouco tempo, os jornais passaram a ocupar um lugar especial em sua casa, ao lado das imagens de santos, das plantas bem cuidadas e das toalhinhas bordadas.

Aos quase 84 anos, Sueli Miranda, ou Sussu, como a chamamos, carrega uma história marcada pelo trabalho, pela revolta e pela inconformidade diante das injustiças sociais. “O jornal A Verdade me afirma que tudo o que eu pensava estava certo, mas não podia contar para ninguém”, diz ela.

A cada duas semanas, a cena se repete: vendo um jornal para a minha avó, que o pendura no varal por um dia antes de abri-lo, garantindo que a rinite não a impeça de ler. Só depois desse ritual, ela o recolhe, separa os cadernos e se dedica à leitura, grifando as partes que mais chamam sua atenção. Minha Vó Sussu cuida de seus jornais com o mesmo zelo de quem guarda um tesouro. E, de certa forma, são mesmo.

O despertar

“Lendo o jornal, eu aprendo a ser quem eu sou”, me disse ela certa vez. Nascida durante o Estado Novo de Getúlio Vargas e tendo enfrentado a ditadura militar como mãe solo de dois filhos, minha avó cresceu aprendendo o que podia ou não falar. Seu despertar político aconteceu dentro da Associação de Estudos, Orientação e Assistência Rural (Assesoar), em Francisco Beltrão (PR), onde teve contato com um de seus assentamentos.

“Eu sabia que existia o PTB e a UDN, mas não podíamos falar sobre isso”, lembra ela, referindo-se aos partidos mais influentes do início da ditadura militar. De 1966 a 1979, apenas dois partidos eram permitidos no Brasil: a Arena, que apoiava o regime, e o MDB, que fazia oposição dentro dos limites impostos.

Quando perguntei sobre a conjuntura da época, os partidos e os golpistas, minha avó hesitou. Explicou que o povo não sabia ao certo o que acontecia no país. “E nem podíamos saber”, diz. “Eu via que quem trabalhava e era correto era tratado como errado, enquanto o pessoal da UDN era colocado como santo pelos jornais”.

Até mesmo alguns jornais católicos reforçavam o apoio ao regime, conta ela. Católica desde o nascimento, passou a temer a própria Igreja. “Os homens andavam com armas e facão na cinta”, lembra. Mas sua fé nunca esteve dissociada da luta por justiça – algo que aprendeu na Assesoar.

Com o jornal A Verdade, minha avó pôde conhecer mais a fundo a ditadura militar, suas motivações e suas consequências até hoje. Aprendeu sobre o avanço do fascismo no mundo e os limites da socialdemocracia para resolver nossos problemas. Prova disso são nossas conversas, em que ela associa o Governo Bolsonaro ao passado ditatorial, rejeita as políticas fascistas do Estado de Israel contra a Palestina e mantém um posicionamento crítico ao Governo Lula, mesmo consumindo conteúdo de mídias hegemônicas.

O jornal também a ajudou a desconstruir antigas convicções. Antes, por exemplo, considerava Che Guevara um símbolo negativo. “Uma vez, vi um livro do Che do lado da cama da minha filha e fiquei quase louca!”, conta. Mas, depois de ler a matéria sobre ele na edição nº 280, mudou de ideia. “Antes, eu achava que ele fosse um demônio. Agora, lendo sobre sua história e seus pensamentos, vi que, na verdade, ele era ‘santo’.” Emocionada, recortou a foto do revolucionário e a guardou dentro da sua Bíblia.

Outro momento marcante foi a leitura da matéria “O jornal A Verdade e os núcleos do MLB”, na edição nº 287. Ela se comoveu com o relato de Dona Nilda, que, também aos 83 anos, disse: “Eu gosto do jornal porque ele fala do povo. […] Quem vai libertar o povo é a verdade! E quem tá seguindo a verdade? É nós, o povo pobre”. Também se encantou com a história de Dona Maria, que aprendeu a ler e escrever aos 73 anos com a ajuda do jornal. “Estou achando maravilhoso ver essas pessoas que antes não tinham acesso ao conhecimento agora abrindo a mente, aprendendo a ler e escrever”, confessou.

Laços estreitados

Hoje, sua relação com o jornal é motivo de orgulho. Quando o geriatra pergunta se ela lê, ela responde com firmeza: “Leio o jornal A Verdade e o jornal da Igreja”. Chegou até a recomendar um exemplar para um médico que se queixava das condições precárias de trabalho após a privatização do hospital onde atua: “Na próxima consulta, trago um ‘jornalzinho’ da minha neta pra ti, que fala exatamente sobre isso que você tá falando”.

E, para mim, essa descoberta foi tão transformadora quanto para ela. Minha avó é, para além de um amor imenso, uma grande companheira de luta. Sua relação com o jornal não apenas fortaleceu nosso vínculo, mas também me inspira a vendê-lo com ainda mais vontade. Porque sei que, assim como Sussu, muitas outras pessoas podem encontrar, nas suas páginas, a verdade sobre quem são. Mesmo que ainda não saibam.

Nova diretoria do Sintufrj é eleita com votação expressiva

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Chapa de unidade composta pelo Movimento Luta de Classes (MLC), UNIR e UC é eleita com 74% dos votos em primeiro turno para eleições da direção do Sindicato dos Trabalhadores da UFRJ (Sintufrj). 

Felipe Annunziata | Redação


TRABALHADOR UNIDO – Com votação expressiva da categoria, a Chapa 20 “Unidade, Democracia e Luta” foi eleita para a nova gestão do Sintufrj. O sindicato, com mais de 11 mil filiados, representa toda a categoria de técnicos-administrativos em educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A chapa eleita é composta pelo Movimento Luta de Classes (MLC), Coletivo Unir, Unidade Classista e independentes. Numa campanha com ampla participação de categoria em que reafirmou o compromisso com as lutas da categoria, a nova direção eleita do Sintufrj obteve 74,44% dos votos válidos.

No processo foram utilizada urnas eletrônicas cedidas pelo TRE-RJ e com a programação construída pelos servidores públicos da Justiça Eleitoral. Já é a segunda eleição em que este método é utilizado numa demonstração de unidade também entre os servidores públicos da UFRJ e da justiça eleitoral.

A unidade da chapa foi construída durante os últimos 3 anos de gestão em que o Sintufrj esteve à frente de várias lutas em defesa dos direitos dos TAEs e também das pautas nacionais. O sindicato sempre se destacou no movimento social do Rio de Janeiro pelo seu enfrento ao fascismo, a defesa do caráter público e gratuito da universidade federal e pela crítica à exploração a qual a classe trabalhadora se submeteu.

Durante a campanha, a Chapa 20 e a direção do Sintufrj não paralisaram a luta da categoria. No dia 14 de abril, primeiro dia de votação, os militantes e apoiadores da chapa organizaram um ato durante a aula magna da ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck na universidade.

A manifestação foi um momento de denúncia da postura do Governo Federal de conceder um reajuste pequeno na remuneração da categoria, além de uma crítica aos cortes e faltas de investimos na UFRJ. Hoje, a universidade amarga problemas estruturais e financeiros graves, fruto de 10 anos seguidos de cortes e contingenciamentos do seu orçamento. Casos como falhas estruturais em prédios, falta de pagamento de salário de trabalhadores terceirizados e falta de estrutura na rede de hospitais universitários são uma constante.

Eleição é marco na luta e democracia da categoria

“Esse processo eleitoral foi também um processo de visita nas bases. Nós fomos de setor em setor, conversar com as pessoas e ouvir seus problemas. Isso fortalece os próximos passos da gestão na luta Mesmo em meio à eleição, a gente tem que estar sempre em luta, com a categoria em movimento. Além disso, uma votação tão grande quanto essa fortalece a ação do sindicato na hora da mobilização e também da negociação”, avaliou Esteban Crescente, coordenador-geral do SINTUFRJ e membro do MLC.

O processo foi tranquilo, mas também a chapa eleita reafirmou sua postura de combatividade diante da conjuntura que se avizinha. Agora a gestão eleita se prepara para a luta pela defesa do cumprimento do acordo da greve de 2024, além de outras pautas econômicas e políticas para a universidade.

O setor combativo do movimento de Técnicos Administrativos da UFRJ sai fortalecido deste processo eleitoral. Mais do que um processo de disputa apenas da estrutura de direção do sindicato, esta eleição foi também um espaço de disputa da consciência das pessoas para a importância do sindicato como instrumento da luta política na sociedade.

Patrice Lumumba: um século de luta

Há cem anos nascia Patrice Lumumba, que liderou a conquista da independência do Congo. Conheça a história de sua luta revolucionária e pan-africanista contra o colonialismo europeu e seus crimes

José Levino


No ano de 1480, quando a expedição expansionista portuguesa, comandada por Diogo Cão, chegou ao estuário do rio Congo, havia na África Central o Reino do Congo, que, segundo a opinião dos colonizadores, era bem-organizado e eficiente. Fora resultado, assim como os reinos do Mali, Daomé e outros, da união de várias tribos, depois de séculos de lutas e diálogos. Tanto esforço para os imperialistas europeus jogarem tudo por terra, fracionando, provocando guerras fratricidas, escravizando, sequestrando, mutilando, praticando genocídio em nome de “Deus e da Civilização”.

Fora isso, apesar de o Congo ser rico em minérios, florestas e animais portadores de marfim (os elefantes), os outros países da Europa não haviam se interessado muito em promover outras ações na região, cujo acesso não era fácil, dado o grande número de corredeiras existentes.

Mas, em 1870, o tráfico de escravos estava em declínio, graças ao avanço do capitalismo na Europa, o qual precisava instalar fábricas e ampliar o mercado nos países dominados. Rapidamente, os capitalistas financiam expedições para encontrar áreas de acesso mais fácil, encontrando a Leste do continente africano. O rei da Bélgica, Leopoldo II, parte na frente na estratégia de ocupação, mas outros países também investem na ocupação.

Para evitar uma guerra entre países europeus, quebrando a unidade do capital imperialista, a Alemanha convoca uma conferência sobre a partilha da África, que durou de 15 de novembro de 1884 a 26 de fevereiro de 1885. No final, a conferência firmou alguns acordos: respeito ao território ocupado por cada país da Europa, assegurando a liberdade de comércio e trânsito de mercadorias (incluídas as pessoas escravizadas e traficadas); solução de conflitos por meio da diplomacia.

A partilha foi sendo formalizada por meio de acordos bilaterais. O Congo foi dividido em dois:  Congo Brazaville (hoje República do Congo), sob o domínio da França, e Congo Kinshasa (hoje República Democrática do Congo), sob domínio da Bélgica.  De fato, até 1908, o Kinshasa foi uma propriedade particular de Leopoldo II.  Este implantou um regime de terror com trabalho forçado para extração da borracha consumida pela indústria europeia; plantações de produtos de interesse dos europeus (café, cacau, tabaco, baunilha); extração de minérios; degradação da natureza com destruição indiscriminada da fauna e da flora; aniquilação com a morte ou mutilação dos revoltosos e “desobedientes”; ataques diretos e promoção de provocações em vista da reimplantação do ódio entre tribos de origens diversas; um genocídio a céu aberto, que levou à completa dizimação de povos. Em 1908, o Congo deixou de ser propriedade privada do rei e passou a pertencer ao país (Bélgica). Sabem o que mudou para o povo congolês? Acertou quem pensou em absolutamente nada.

Luta pela independência

No ano de 1480, quando a expedição expansionista portuguesa, comandada por Diogo Cão, chegou ao estuário do rio Congo, havia na África Central o Reino do Congo, que, segundo a opinião dos colonizadores, era bem-organizado e eficiente. Fora resultado, assim como os reinos do Mali, Daomé e outros, da união de várias tribos, depois de séculos de lutas e diálogos. Tanto esforço para os imperialistas europeus jogarem tudo por terra, fracionando, provocando guerras fratricidas, escravizando, sequestrando, mutilando, praticando genocídio em nome de “Deus e da Civilização”.

Fora isso, apesar de o Congo ser rico em minérios, florestas e animais portadores de marfim (os elefantes), os outros países da Europa não haviam se interessado muito em promover outras ações na região, cujo acesso não era fácil, dado o grande número de corredeiras existentes.

Mas, em 1870, o tráfico de escravos estava em declínio, graças ao avanço do capitalismo na Europa, o qual precisava instalar fábricas e ampliar o mercado nos países dominados. Rapidamente, os capitalistas financiam expedições para encontrar áreas de acesso mais fácil, encontrando a Leste do continente africano. O rei da Bélgica, Leopoldo II, parte na frente na estratégia de ocupação, mas outros países também investem na ocupação.

Para evitar uma guerra entre países europeus, quebrando a unidade do capital imperialista, a Alemanha convoca uma conferência sobre a partilha da África, que durou de 15 de novembro de 1884 a 26 de fevereiro de 1885. No final, a conferência firmou alguns acordos: respeito ao território ocupado por cada país da Europa, assegurando a liberdade de comércio e trânsito de mercadorias (incluídas as pessoas escravizadas e traficadas); solução de conflitos por meio da diplomacia.

A partilha foi sendo formalizada por meio de acordos bilaterais. O Congo foi dividido em dois: Congo Brazaville (hoje República do Congo), sob o domínio da França, e Congo Kinshasa (hoje República Democrática do Congo), sob domínio da Bélgica.  De fato, até 1908, o Kinshasa foi uma propriedade particular de Leopoldo II. Este implantou um regime de terror com trabalho forçado para extração da borracha consumida pela indústria europeia; plantações de produtos de interesse dos europeus (café, cacau, tabaco, baunilha); extração de minérios;  degradação da natureza com destruição indiscriminada da fauna e da flora; aniquilação com a morte ou mutilação dos revoltosos e “desobedientes”; ataques diretos e promoção de provocações em vista da reimplantação do ódio entre tribos de origens diversas; um genocídio a céu aberto, que levou à completa dizimação de povos. Em 1908, o Congo deixou de ser propriedade privada do rei e passou a pertencer ao país (Bélgica). Sabem o que mudou para o povo congolês? Acertou quem pensou em absolutamente nada.

Golpe de Estado

O apelo à unidade nacional não se concretizou, visto que o empresariado separatista (federalista), com apoio externo, principalmente dos Estados Unidos, por intermédio da Central de Inteligência (CIA), passou a conspirar abertamente, promovendo ataques contra o governo. A Bélgica interveio diretamente com tropas enviadas para apoiar o golpe perpetrado por Moisés Tshombe, que declarou a independência da Província do Catanga, onde se concentravam os minérios mais cobiçados pelas empresas capitalistas.  Tropas enviadas pela própria ONU, a pedido de Lumumba, para assegurar a paz, agiram em apoio aos separatistas.

Diante do cerco, Lumumba buscou apoio soviético. O governo soviético se comprometeu com o envio de armas e suprimentos, mas era tarde. Foi deposto por um golpe de Estado comandado pelo coronel Mobutu, que governou por 32 anos, com um regime ditatorial completamente subserviente aos interesses das potências capitalistas.

Deposto, Lumumba foi preso em setembro de 1960. Conseguiu fugir da prisão, mas foi capturado, sequestrado em dezembro e executado secretamente, sem julgamento, em 17 de janeiro de 1961 por um grupo comandado por Moisés Tshombe, no qual policiais belgas estavam presentes. Um desses policiais confessou a participação e disse que o corpo de Lumumba foi queimado em ácido. Guardou um dente de lembrança, o qual foi posteriormente entregue à justiça belga. O governo da Bélgica o devolveu para a família em 2022, que providenciou o funeral em cerimônia pública com o que sobrou dos restos mortais do líder congolês. Disse sua filha, Juliana Lumumba: “é uma forma de fazer justiça a milhões de pessoas que foram brutalmente mortas antes da independência, até hoje”.

Os conflitos na RDC nos dias atuais estão relatados no jornal A Verdade, nº 308, página 9, na matéria “Saque imperialista leva guerra civil ao Congo.  A situação se agrava a cada dia.  Entretanto, mantém-se vivo o espírito de luta e resistência de Patrice Lumumba e sua certeza manifestada em carta à esposa, enviada da prisão, na qual declarou: “…O dia virá quando a história falar. Mas não será a história que será ensinada em Bruxelas, Paris, Washington ou nas Nações Unidas. Será a história que será ensinada nos países que terão se libertado dos colonialistas e de seus fantoches. A África irá escrever sua própria história e, tanto no Norte quanto no Sul, será uma história de glória e dignidade. Não chores por mim”.

Matéria publicada na edição impressa nº 310 do jornal A Verdade

Em resposta aos casos de violência contra as mulheres, estudantes da UFRN promovem aulas de autodefesa em Natal (RN)

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Em resposta à onda de assédios e violência contra as mulheres na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, o Movimento Olga Benario promove aulas populares de autodefesa para mulheres no Campus Central. Primeira aula conta com presença de dezenas de pessoas. 

Kivia Moreira | Natal (RN)


MULHERES – O Movimento de Mulheres Olga Benario, com dezenas de alunas, no último dia 14, realizou a primeira aula de defesa pessoal para as mulheres estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em resposta aos diversos casos de assédio sexual que estão ocorrendo dentro do campus.

Na primeira aula, contou com a participação de cerca de 50 estudantes. O grupo de interessadas chega a ter mais de 300 participantes.

“Como praticante de jiu-jitsu e judô, sinto que é essencial trazer mais meninas para o nosso meio (ocupado majoritariamente por homens). (…). Senti que as meninas estavam muito engajadas em aprender, pois o medo é real. Esperamos continuar com as aulas e seguimos pedindo um campus mais seguro para nós mulheres.” afirma Helena Pires, estudante de Ciências Biológicas da UFRN, e uma das instrutoras da primeira aula.

“As aulas de autodefesa se tornam muito necessárias no contexto que as meninas estão passando na universidade. A mulher precisa ter consciência que pode se defender, pois ultimamente é mais provável alguém filmar e postar a agressão do que ajudar a vítima.” Complementa o instrutor Danilo Bezerra.

As aulas estão sendo recebidas de forma positiva pela comunidade acadêmica, que aparecem cada vez mais estudantes e servidores para contribuir com a organização.

Casos de assédio e sequestro

Onda de assédios e violência contra as mulheres revolta estudantes da UFRN. Desde o início do período letivo, houve diversos relatos de importunação sexual dentro dos circulares da universidade, de um único homem que utiliza da superlotação dos ônibus para assediar as estudantes. De acordo com a Delegacia Especializada da Mulher (DEAM) de Natal, há pelo menos 20 boletins de ocorrência denunciando um mesmo agressor nos circulares da UFRN.

Infelizmente, não houve somente os casos de assédio, como também sequestro dentro do campus. No último dia 09 de abril, a estudante Ana* relatou à ouvidoria do Movimento de Mulheres Olga Benario que estava saindo da aula às 22h a caminho de seu carro no estacionamento do Centro de Biociências. Ao chegar na porta do veículo, um homem armado a abordou coagindo a entrar no carro, deitar-se no banco de trás e desligar a localização do seu telefone. A estudante foi deixada no matagal do bairro Ponte Negra, em Natal sem seus pertences.

Mulheres querem estudar sem medo

Apesar dos casos alarmantes de violência contra a mulher, a reitoria tem feito medidas tímidas em relação às situações de assédio, como uma nota vaga nas redes sociais afirmando realizar “medidas cabíveis” e reuniões com as superintendências somente após uma semana da explosão de casos.

Nesse sentido, cansados de esperar ações efetivas da reitoria da UFRN, os estudantes têm realizados medidas de autorganização para proteger as mulheres.

Além das aulas de autodefesa e instalação de uma ouvidoria feminista, os estudantes têm realizado patrulhas de segurança às alunas e grupos de aviso de situações de importunação sexual.

Nas últimas duas semanas, foram realizadas diversas manifestações das estudantes, exigindo respostas efetivas e rápidas para proteger as alunas, organizadas principalmente pelo Movimento de Mulheres Olga Benario e Movimento Correnteza.

“A reitoria não tem dado resposta aos casos. E, por isso, vamos ocupar toda a universidade para exigir que acabem os assédios!” afirma Milenne Barbosa, coordenadora do Movimento Correnteza.

Através desta luta, os movimentos conquistaram uma reunião aberta com o Reitor em Exercício da Universidade Federal do Rio Grande do Norte para tratar dos casos de assédio para próxima semana. Uma vitória de muita importância arrancada após uma ocupação no Gabinete da Reitoria.

Aula de autodefesa para mulheres promovida pelos movimentos sociais no ginásio da UFRN 

A organização das mulheres por uma nova sociedade 

Através das mobilizações das estudantes, está se tornando cada vez mais evidente que apenas medidas específicas, prender um assediador, não irá acabar com a violência contra a mulher . A raiz dos assédios vem da propriedade privada dos meios de produção, intensificada pelo sistema capitalista, uma sistema que é podre , que lucra em cima da opressão e exploração das mulheres.

E, por isso, somente com a organização das mulheres para transformar a realidade é possível construir uma nova sociedade sem exploração às mulheres, uma universidade inclusiva para todos e livre dos assédios, que é na sociedade socialista.

 

*Nome fictício

De mãos ao alto: Trabalhadores da TP são coagidos a votar em proposta patronal de acordo coletivo

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Trabalhadores da teleperformance são coagidos a votar em proposta patronal para o reajuste salarial. Sindicato intimida os trabalhadores e se posiciona ao lado dos patrões.

Movimento Luta de Classes | Natal (RN)


TRABALHADOR UNIDO – Na quarta-feira, dia 26/03, trabalhadoras e trabalhadores da Teleperformance (TP) voltaram mais uma vez às “urnas” para decidir sobre o reajuste salarial. É a segunda proposta apresentada pela direção da empresa em votação pela categoria. Sem mudanças significativas da primeira – que oferecia 4% de reajuste divididos em duas parcelas -, a segunda proposta manteve a porcentagem de 4%, porém agora sendo dado de maneira integral.

Longe de ser democrático, essa votação se iniciou até mesmo antes do dia 26/03, com supervisores, gestores, gerentes, o setor jurídico e até mesmo diretores da empresa “visitando” os operadores nos dias que antecederam e na votação, em uma clara demonstração que eles estavam lá para defender os interesses dos donos da TP.

Esse grupo específico tinha um objetivo: coagir esses trabalhadores para aprovar a proposta de reajuste. Fizeram isso por meio de graves abusos como: Solicitação e coerção para votar sim na urna fixa; Mensagens correntes da parte da gerência; Emails pessoais; Falas públicas em corredores; Questionamento a pessoas que se posicionaram contra a proposta; Link e rede de internet instáveis; “convite” a votar em computadores de superiores; Colocar medo dizendo que se essa proposta não fosse aprovada, os trabalhadores perderiam seus benefícios, e que iria para a justiça resolver.

Sindicato faz aliança com os patrões 

A situação entra em maior calamidade quando a própria direção do Sindicato dos trabalhadores em Empresas de Telecomunicações e Teleatendimento no estado do Rio Grande do Norte (Sinttel/RN) nada fez ou se posicionou para barrar esses assédios. Pelo contrário, em denúncias dos trabalhadores, foi relatado “conversas” de corredores entre direção do Sinttel e da TP. Além disso, a própria direção do sindicato “motivou” os trabalhadores a votarem a favor da proposta, colocando ainda que a votação ocorreria “bem”. Não tem como ocorrer bem se os trabalhadores da madrugada não poderiam votar; quem estava de Banco de Horas, atestado ou férias também não. Ou seja, uma grande aliança para rifar e vender os direitos dos trabalhadores, rebaixando os salários.

Sentindo falta da direção, as trabalhadoras e trabalhadores da TP buscaram o Movimento Luta de Classes para relatar as denúncias de abusos e assédios por parte da direção do Sinttel e da TP, ao realizar as denúncias e ganhar repercussão, a TP buscou desestabilizar os canais de votação, e até encerrar a votação mais cedo. Também, supervisores e gestores tiraram fotos das panfletagens realizadas como forma de intimidar camaradas que estavam denunciando e panfletando na porta da empresa.

O que surpreende e corrobora para isso, é que o resultado da rejeição a primeira proposta apresentada foi de 60,66% no “NÃO” e apenas 39,09% no “SIM”. Ou seja, mais da metade dos trabalhadores rejeitaram o reajuste e queriam uma nova proposta mais justa. Entretanto, para a segunda proposta foi 72,46% no “SIM” e 26,59% no “NÃO”, ademais a direção do Sinttel não disponibilizou os números de votantes, mas esses números para uma mesma proposta demonstra que a unidade de uma empresa e uma direção descomprometida com a luta resultou em um rebaixamento da vontade dos trabalhadores, bem como um incisivo ataque a quem estava indignado com as propostas, sendo coagidos a votarem no “SIM”.

Além dessas questões, trabalhadores decididos e indignados com a situação, se colocaram à disposição de agitações internas, e também a se somarem com o MLC nas denúncias, bem como se posicionarem contra a proposta mesmo na frente de superiores. Saudamos essa disposição da classe trabalhadora do telemarketing, que inclusive sofre com diversos problemas como baixos salários, escala 6×1, precarização do trabalho, burnout, repressão no local de trabalho, etc; é dever, em unidade, desses trabalhadores e do MLC transformarem o Sinttel em um sindicato de luta, capaz de barrar todo e qualquer retrocesso imposto pelas empresas de telecomunicações e telefonias

Desde 2021, o MLC vem realizando panfletagens e brigadas do jornal A Verdade, convocando as operadoras e operadores a se posicionarem contra todas essas denúncias, e se organizarem na Unidade Popular pelo Socialismo e no MLC para enfrentar os patrões e seus lacaios.

Apesar do resultado, o MLC continuará realizando um trabalho de agitação entre os operadores da Teleperfomance com o Jornal A Verdade e panfletagens sistemáticas e constantes para avançarmos na luta por melhores salários, condições de trabalho e por um um sindicato combativo que defenda o interesse da classe trabalhadora..

 

Ossadas de Denis Casemiro e Grenaldo de Jesus, lutadores contra a ditadura, foram identificadas em SP

Mais de 30 anos após a Vala de Perus ser aberta na cidade de São Paulo (SP), finalmente os remanescentes ósseos de Grenaldo de Jesus da Silva e Denis Casemiro foram corretamente identificados. A história da identificação destes heróis do povo é marcada de descaso e mentiras, mas também muita luta social.

Vivian Mendes | São Paulo (SP)


No dia 16/04, em ato público realizado na Reitoria da Unifesp, anunciou-se a identificação de dois desaparecidos políticos entre os remanescentes ósseos da vala clandestina de Perus: Grenaldo de Jesus da Silva e Denis Casemiro. Foi um momento de grande comoção e avanço da luta por Memória, Verdade e Justiça no nosso país.

A vala clandestina foi criada durante a ditadura militar, nos anos 70, para ocultar corpos de pessoas vítimas da violência de Estado, no cemitério Dom Bosco, bairro de Perus, região periférica de São Paulo. Apenas em 04 de setembro de 1990, com apoio corajoso da então Prefeita Luiza Erundina, ela foi aberta. Nela foram encontradas cerca 1500 ossadas entre adultos e crianças, vítimas dos órgãos due repressão, dos esquadrões da morte e também do surto de meningite que a Ditadura quis ocultar. As ossadas infantis não resistiram a mais esse crime de ocultação de cadáveres, restando apenas 1049 caixas com remanescentes ósseos com possibilidade de serem analisadas.

Quando prefeita, Luiza Erundina instaurou comissões de investigação das ossadas da Vala de Perus. Foto: Unifesp.
Quando prefeita, Luiza Erundina instaurou comissões de investigação das ossadas da Vala de Perus. Foto: Unifesp.

Hoje, a identificação das ossadas está a cargo do CAAF – Centro de Arqueologia e Antropologia Forense da Unifesp. A criação desse centro, em 2014, foi resultado da luta incessante dos familiares de mortos e desaparecidos políticos que nunca desistiram de perguntar: Onde estão nossos desaparecidos políticos?

Em 2018, o CAAF já havia identificado Dimas Antônio Casemiro (irmão de Denis) e Aluizio Palhano Pedreira Ferreira. Ainda procuramos na vala por Francisco José de Oliveira, conhecido como “Chico Dialético”, cuja documentação encontrada ao longo dos anos nos leva a crer que tenha sido enterrado na vala clandestina.

Luta pela identificação de vários outros heróis do povo continua. Foto: Unifesp.
Luta pela identificação de vários outros heróis do povo continua. Foto: Unifesp.

Décadas de descaso e a verdade sobre Denis Casemiro

Depois de aberta a vala em 1990, os remanescentes ósseos ficaram sob a responsabilidade do chefe do Departamento de Medicina Legal da Unicamp, Fortunato Badan Palhares, para análise, e lá permaneceram por 20 anos. Tamanho foi o descaso com as ossadas que, anos depois, fez Palhares ser acusado de negligência pelos familiares e pelo Ministério Público.

Esse triste momento histórico se liga ao anúncio atual. A identificação de Denis Casemiro, a primeira apresentada por Palhares, ainda em 1991, foi equivocada.

Durante o trabalho do CAAF sobre os remanescentes ósseos, ao identificarem uma ossada compatível com a de Denis, o material genético foi enviado para análise, bem como a exumação do corpo apontado por Palhares anteriormente para verificação. Agora, a verdade finalmente veio à tona, a troca foi desfeita e, enfim, Denis Casemiro foi identificado corretamente.

Cerimônia contou com a presença de vários familiares, amigos e lutadores sociais. Foto: Unifesp.
Cerimônia contou com a presença de vários familiares, amigos e lutadores sociais. Foto: Unifesp.

Grenaldo de Jesus da Silva, o marinheiro assassinado num avião em Congonhas

Um maranhense, nascido em 1941, que ingressou na Escola de Aprendizes de Marinheiros do Ceará em 1960 e foi expulso por sua participação política em 1964, após o golpe militar.

Foi preso, mas conseguiu fugir da prisão. Foi viver em Guarulhos-SP, onde se casou e teve um filho, Grenaldo Edmundo da Silva Mesut. A família não tinha nenhum conhecimento de sua atuação política e soube de sua morte pelos jornais, onde foi tratado como um terrorista, que havia tentando sequestrar um avião e se suicidou.

Seu filho cresceu pensando que seu pai não era mais do que isso, um bandido, até que, em 2003, leu em uma matéria na revista Época, que uma testemunha relatou para a jornalista Eliane Brun que ele havia sido assassinado e que carregava uma carta para o filho no bolso explicando sua história e dizendo que um dia voltaria para buscar sua família. A partir disso, Grenaldo procura Amelinha Teles e Criméia Almeida e se depara com seu verdadeiro passado: seu pai não era um bandido, mas um verdadeiro herói do povo brasileiro.

Agora, enfim, Grenaldo Mesut, filho de Grenaldo Silva, pode enterrar os restos mortais de seu pai.

A CPI da Vala de Perus e sua contribuição para a história do nosso país

Quando a vala de Perus foi aberta, em 1990, uma Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI foi instalada na Câmara Municipal de São Paulo para investigar a vala e, ao mesmo tempo, a prefeita Luiza Erundina nomeou uma Comissão Especial de Investigação das Ossadas de Perus, composta por ex-presos políticos e familiares de assassinados pela ditadura (Amelinha Teles, Suzana Lisboa e Ivan Seixas compunham essa comissão).

Foi graças ao trabalho dessas pessoas e com a força legal da CPI que muitos documentos e livros de cemitérios puderam ser acessados e investigados. Foi assim que se chegou à localização das valas onde se encontravam os restos mortais de Manoel Lisboa de Moura e Emannuel Bezerra dos Santos no cemitério Campo Grande, na zona sul de São Paulo.

Unidade Popular esteve presente na cerimônia de identificação. Foto: Unifesp.
Unidade Popular esteve presente na cerimônia de identificação. Foto: Unifesp.

Manoel e Emannuel foram os únicos desaparecidos políticos encontrados nesse cemitério até hoje. Sem o trabalho, sem a história de luta pela verdade escondida na vala de Perus, nossos heróis não teriam sido encontrados.

Onda de assédios e violência contra as mulheres revolta estudantes da UFRN

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Casos de assédio e denúncias de sequestro contra as mulheres na Universidade Federal do Rio Grande do Norte revolta os estudantes, que se organizam para lutar por melhor estrutura e segurança.

Alice Morais | Movimento Olga Benario (RN)


MULHERES – As estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte iniciaram um novo semestre letivo, mas se depararam com um problema já antigo na Universidade: a falta de segurança e o descaso com as mulheres estudantes e servidoras. No campus central em Natal (RN), diversas estudantes relataram terem sido vítimas de importunação sexual por parte da mesma pessoa, dentro do ônibus circular, que transporta os alunos dentro do campus universitário. 

Os casos foram divulgados nas redes sociais e em grupos de WhatsApp estudantis, com o objetivo de alertar as mulheres para os casos. A constância nos casos fez com que os relatos divulgados viralizassem, indignando as estudantes. “Ontem fui assediada por um cara no circular, o ônibus tava cheio, ele tava atrás de mim, no início eu achei que podia ser a bolsa dele encostando, que era só impressão minha, só que comecei a sentir ele me apertar e fazer outras coisas, eu olhei para trás e vi que não era a bolsa dele e sim a mão, me mexi ele percebeu que vi. Só que ao invés dele parar ele continuou me tocando só que muito mais invasivo, eu tentei me afastar, mas o busão tava cheio e não tinha como mudar de lugar, eu travei e fiquei sem reação só tava torcendo para chegar logo na parada e descer”, conta Maria*, em um dos relatos que viralizaram. Vale ressaltar que o campus central da UFRN conta com uma frota de apenas 8 circulares, para uma comunidade de aproximadamente 9 mil estudantes. 

Mais: somente na Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM) de Natal foram registrados 20 boletins de ocorrência sobre os casos no circular da UFRN. Na ouvidoria da Universidade, foram cerca de 30 denúncias. Além disso, na última quinta-feira (10/04), houve uma tentativa de sequestro dentro da Universidade, próximo ao Restaurante Universitário. A estudante relata que um homem de cabelos grisalhos a abordou, e pediu que entrasse no carro que ele dirigia. Ela felizmente conseguiu fugir. Outros estudantes afirmam que não é a primeira vez que esse homem aparece no campus “Não é de hoje que esse homem circula por lá. Semana passada um homem com as mesmas características estava sentado dentro do Centro de Biociências, só observando. Sentei em um banco em frente a ele, e ele ficou com uma cara muito estranha pra mim que chegava a me incomodar”, relata Ana*, estudante da UFRN. 

 

Movimentos organizam atos para combater a violência 

 

Até o momento, a Reitoria da UFRN se pronunciou apenas com uma nota nas redes sociais, alegando estar em diálogo com a corregedoria da Polícia Federal e a PM-RN. Contudo, o problema não está apenas relacionado ao policiamento. No último dia 16 de abril, o Movimento de Mulheres Olga Benario e o Movimento Correnteza organizaram um grande ato em conjunto com os alunos, onde ocuparam a reitoria para denunciar a frota insuficiente de circulares, que são constantemente lotados, e os assédios enfrentados pelas mulheres. 

“A manifestação das mulheres é uma ação fundamental para mostrar o descontentamento das estudantes sobre a falta de políticas de proteção e permanência das alunas na universidade. Muito a reitoria fala que possui medidas de proteção, mas elas são pouco efetivas na prática. O que queremos é estar protegidas e estudar sem medo. Por isso, nosso Movimento vai organizar aulas de defesa pessoal para mulheres, que já conta com 300 pessoas interessadas em colaborar. As estudantes têm se mobilizado e se organizado para garantir uma universidade mais segura, apesar disso ser o papel da Reitoria. Mas se não há ação na prática, nós faremos!”, relata Kivia Moreira, da coordenação do Movimento Olga Benario e estudante da UFRN 

A universidade ainda é um espaço onde as mulheres enfrentam muita violência. A falta de estrutura e políticas de assistência estudantil contribui para que elas estejam entre os maiores índices de evasão, ou seja, abandonam seus cursos. Com a implantação do arcabouço fiscal do Governo Lula, o orçamento para a educação pública é inferior a 3%, mesmo com diversas universidades no país necessitando de reformas, melhoramento de estruturas de segurança, iluminação e transporte para os estudantes, como é o caso da UFRN. Por isso, apenas a decisão das Reitorias não é suficiente para mudar a situação que enfrentam as estudantes hoje no Brasil. 

O caminho para uma universidade mais segura e que priorize a vida das mulheres é a mobilização popular: organizar atos, passeatas, panfletagens, que denunciem o que acontece com as estudantes, é o caminho para transformar essa realidade. Com muita luta e organização, é possível conquistar um maior orçamento para a educação, e sobretudo uma Universidade mais segura, e que priorize a vida das mulheres. 

*Nomes fictícios 

 

Vereadores de Natal tentam criminalizar o MLB

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Vereadores da base do prefeito de Natal Paulinho Freire, que está sendo cassado por assédio eleitoral, abrem Comissão Especial de Inquérito para criminalizar as famílias do MLB 

Redação RN


No último dia 26 de março, um grupo de vereadores da Câmara Municipal de Natal iniciou um ataque contra os trabalhadores pobres organizados nos movimentos sociais e que lutam por moradia, contra a fome e pela dignidade humana.

A medida de criminalização do MLB foi concretizada com a instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar as “recorrentes invasões” (segundo eles) a propriedades privadas, especialmente estabelecimentos comerciais. Hoje, para esses vereadores, a propriedade privada é mais importante que a vida de milhões de famílias que lutam pelo direito à moradia e à alimentação.

A “santa” propriedade privada da terra no Brasil foi constituída na base do roubo, do saque, do extermínio dos povos indígenas, da escravização do povo negro sequestrado, acorrentado e violentado para que genocidas e bandidos construíssem sua riqueza sobre o sangue e suor de quem realmente trabalha. 

Não por coincidência, a maioria dos pobres e sem ter onde morar são negros e negras.

A tentativa de criminalizar o MLB veio a partir do vereador Matheus Faustino, do Movimento Brasil Livre e do partido União Brasil, o mesmo que apoiou e ainda apoia o réu Jair Bolsonaro, e está envolvido na Operação Overclean, investigação da PF que revela conexões entre cúpula do União Brasil e um esquema de corrupção, no qual pelo menos cinco membros do Diretório Nacional do partido e empresas estariam envolvidos para desviar recursos públicos.

O vereador fascista Fúlvio Saulo (Solidariedade) tentou defender a CEI evocando a Constituição, mas se esqueceu que oito milhões de pessoas vivem sem uma casa, enquanto existem 11 milhões de imóveis vazios no Brasil. Também não fez menção aos 428 mil potiguares que passam fome, segundo os dados do IBGE, e que os supermercados jogam no lixo cerca de 13 milhões de toneladas de alimentos todos os anos. 

Esqueceu também que a Polícia Federal fez operação contra o seu partido, o Solidariedade, por desvios nos fundos partidário e eleitoral de 2022, assim como do presidente do seu partido, que foi alvo de mandado de prisão da PF por desvio de R$ 36 milhões. 

Além disso, esses vereadores são da base do atual prefeito e nada dizem das denúncias de abuso do poder econômico e político da atual gestão da Prefeitura nas últimas eleições. Silenciam também diante da longa lista de crimes cometidos por Bolsonaro e pelos generais fascistas.

Portanto, não se trata de defender a Constituição, mas sim de uma tentativa de criminalizar a luta por justiça social. Vivemos em um sistema que favorece os ricos e persegue o povo pobre que luta pelo direito a uma vida com o mínimo de dignidade.

A notícia dessa perseguição ao MLB foi propagada em questão de minutos, quase ao vivo pelos jornais e mídia burgueses, mostrando que os meios de comunicação hoje são controlados e financiados pelos ricos e seus fantoches.

Não nos intimidaremos diante desse ataque covarde, que deixa claro de que lado estão esses vereadores, ou seja, do lado da especulação imobiliária, dos imóveis vazios, dos altos preços dos aluguéis, dos ricos e contra os pobres. 

O que eles querem é mais e mais pessoas morando nas ruas, enquanto há imóveis vazios. O que querem é mais pessoas passando fome, enquanto as prateleiras dos supermercados estão abarrotadas, e toneladas de alimentos são jogadas no lixo para manter os altos preços.

Lutamos contra as injustiças sociais, lutamos para que cada brasileiro e brasileira tenha o direito a um lugar para morar e dar proteção a sua família e para que nenhum homem, mulher, criança ou idoso passe fome nesse país.

O MLB luta há mais de 25 anos porque, como diz seu lema: “Enquanto morar for um privilégio, ocupar é um direito!”.

Ocupação Chaguinhas: “território livre da fome” em São Paulo

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Nasceu em março a Ocupação Chaguinhas em São Paulo, organizada pelo MLB para lutar contra a carestia e o alto preço do aluguel.

Guilherme Arruda | São Paulo (SP)


Neste último mês de março, dezenas de famílias ocuparam um imóvel abandonado há mais de uma década no Centro de São Paulo e fundaram a Ocupação Chaguinhas, a mais nova ocupação organizada pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). 

Na capital paulista, milhões de pessoas trabalham em jornadas exaustivas e, mesmo assim, não conseguem pagar o aluguel e se alimentar adequadamente. Por isso, a ocupação nasce para ser mais uma trincheira da luta pelo direito à moradia e alimentação digna no Brasil. 

Luta contra a fome

Desde sua fundação, a Ocupação Chaguinhas exibe na fachada do prédio uma grande bandeira em defesa da redução do preço dos alimentos. “A verdade é que, hoje, o salário de uma trabalhadora não dá para alimentar toda a sua família. Isso acontece principalmente por conta da grande alta dos alimentos. Temos um governo que está beneficiando o agronegócio e o latifúndio, em vez da grande maioria da população”, denuncia Victória Magalhães, da Coordenação Nacional do MLB. Reivindicando-se um “território livre da fome”, a nova ocupação já nasceu contando com uma cozinha coletiva, que garante que nenhuma família ficará sem ter o que comer.

“Aqui, encontrei uma paz mental, porque quando vou dormir não preciso ficar pensando em como vou pagar o aluguel. Mas também encontrei uma paz física, porque temos alimentação coletiva e não vou para a cama com fome. A maioria dos imigrantes, como eu, vem a São Paulo procurando um futuro melhor. Aqui, encontrei pessoas que lutam por uma vida digna não só para si, mas para todos”, relata Régis González, trabalhador boliviano que se tornou morador da Ocupação Chaguinhas.

Além de combater o problema da carestia, a cozinha coletiva é uma experiência que demonstra que só a solidariedade popular pode enfrentar a crise do capitalismo, que deixa as famílias em situação de miséria nas periferias das grandes cidades. Hoje, mais de 60 milhões de brasileiros ainda convivem com algum nível de insegurança alimentar, segundo o IBGE.

“O mais gratificante é perceber que a gente está construindo junto um espaço que vai ser de todos. Todo mundo ajuda na cozinha comunitária e na limpeza. É só felicidade o que eu estou sentindo aqui”, conta Vitor Agnelli, outro morador da Ocupação Chaguinhas.

A memória de Chaguinhas 

Francisco José das Chagas, o Chaguinhas, foi um soldado negro morto pelos colonialistas portugueses em 1821 por participar de uma revolta que reivindicava o pagamento de salários atrasados e igualdade de remuneração com os brancos. Ele foi assassinado na região da capital paulista que hoje é o bairro da Liberdade, onde se localiza a ocupação. “A mensagem que nós queremos passar é que a luta de Chaguinhas, naquela época, ainda é a luta do nosso povo hoje, contra a opressão do Estado e por uma vida melhor”, explica Victória.

Por sua história, Chaguinhas se tornou um símbolo da mobilização pelo reconhecimento do bairro da Liberdade como um território historicamente negro e indígena, hoje atacado pela gentrificação e especulação imobiliária. Nessa mesma região, o MLB também organiza a Ocupação dos Imigrantes Jean-Jacques Dessalines, cujo nome celebra a luta do líder revolucionário do povo haitiano, e a Ocupação Dom Paulo Evaristo Arns.

Seguir ocupando

Em uma conjuntura em que vários movimentos de moradia reduzem o ritmo de sua mobilização, aguardando o cumprimento de promessas dos governos, o MLB defende que fazer mais ocupações segue como tarefa central por todo o país. É só com a organização de dezenas de novas ocupações e a intensificação da luta dos sem-teto que o povo pobre pode conquistar a Reforma Urbana e, assim, tornar as cidades do Brasil mais justas para a classe trabalhadora e avançar na luta pelo socialismo.

“Hoje, existem mais de 8 milhões de famílias sem moradia no país. Só em São Paulo, mais de 20 pessoas morreram devido às chuvas neste ano, enquanto centenas de milhares de imóveis estão vazios. Nossa avaliação é que precisamos aumentar as ocupações urbanas, que são as greves dos sem-teto. A Ocupação Chaguinhas vem para mostrar que é hora de aprofundar a nossa luta, a institucionalidade não vai resolver os problemas do nosso povo”, completa a coordenadora do MLB.

Polícia de São Paulo agride manifestantes que lutam contra a privatização dos trens

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Guilherme Goya | São Paulo (SP)


No coração da cidade de São Paulo, a Rua Boa Vista tem o seu movimento cotidiano concentrado nos prédios comerciais e lojas que a cercam. O cenário no fim da manhã do último dia 27, porém, foi diferente. Um cenário de guerra tomou conta da rua após a Polícia Militar utilizar bombas, gás de pimenta e pauladas para reprimir violentamente centenas de apoiadores e familiares de trabalhadores da CPTM, que lutavam contra a privatização das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. Eles ocupavam o prédio da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes contra a privatização da Companhia Paulista de Trens Metropolitano.

Mesmo com a negociação, que envolvia a saída dos manifestantes do prédio e o prosseguimento do ato na rua, as forças policiais não demoraram a agir com provocação e truculência. Nicole Ramos, assistente social e coordenadora nacional do Movimento de Mulheres Olga Benario, foi arbitrariamente detida ao tentar se juntar ao bloco dos manifestantes na rua. Ela recebeu socos na costela e foi levada à força por dois policiais para o camburão, sem qualquer justificativa. Sabendo que a repressão geraria revolta, a PM imediatamente avançou o pelotão do Baep e da Força Tática e intensificou a violência.

Na linha de frente do ato, foi possível constatar mais arbitrariedades. Golpes de cassetete na altura da cabeça fizeram dezenas de manifestantes saírem sangrando com ferimentos graves. A PM agrediu até mesmo mulheres que estavam caídas. Enquanto registrava esse momento, também fui agredido com golpes na altura do quadril, que deixaram um hematoma e inchaço no local. Outros companheiros da equipe de reportagem do jornal A Verdade também foram agredidos.

Resistência à repressão

Ainda assim, a violência não abalou aqueles que tinham a convicção de que a luta contra a privatização era justa. Apoiados uns nos outros e nos demais trabalhadores que passavam pelo local, o grupo se reorganizou de cabeça erguida, a poucos metros dali, para dar os próximos passos no enfrentamento à privatização dos trens de São Paulo. Rapidamente, a denúncia do que havia ocorrido ganhou apoio de diversos trabalhadores da região, e a revolta com a truculência da PM estava na boca do povo. 

“Fui pega por um dos policiais, e depois vieram mais cinco. Senti eles me batendo principalmente na costela. A minha reação foi mostrar que aquilo era injusto. Comecei a gritar contra a privatização e que eu sou trabalhadora. Havia várias pessoas passando e algumas mulheres da limpeza de um dos prédios também gritavam para me soltar. Vários trabalhadores passaram filmando e pedindo minha liberdade”, disse Nicole, que permanece com sequelas da violência que sofreu.

Além dela, o programador Yan Rodrigues (26) e o estudante Samuel Zanateli (18) foram detidos. Com a rápida pressão popular, foram soltos no mesmo dia, escancarando a injustiça de suas prisões. “Na hora, me veio a lembrança daquela menina que foi estuprada dentro de uma viatura da Polícia. Mas, dentro do camburão, eu reforcei para mim mesma, a todo momento, que eu não estava sozinha, que eu tinha um coletivo e um Partido que estava ali por mim. Isso foi o que mais me fortaleceu”, reforçou Nicole.

Uma das pessoas que ficou ferida com mais gravidade foi Ana Leite, diretora da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) pelo Movimento Rebele-se. Convidada pelas famílias para apoiar a manifestação, a estudante de 19 anos recebeu diversos golpes de cassetete na cabeça e precisou ser encaminhada ao hospital para tomar pontos.

“Eles bateram algumas vezes no mesmo lugar até abrir um corte. Na hora, achei que eu ia morrer. Não conseguia respirar. Mas quando eu senti a companheira me carregando, eu tive menos medo. Eu já não estava apavorada, porque eu tinha certeza que os meus camaradas não iam deixar que algo mais grave acontecesse comigo, e realmente não permitiram”, disse Ana, que recebeu os primeiros socorros dos próprios companheiros ainda na rua, antes da chegada do Samu.

Categoria quer a luta 

O uso da força policial tem o objetivo de reprimir aqueles que se posicionam e lutam contra o projeto de privatização dos transportes promovido por Tarcísio de Freitas. Sem consulta popular e atropelando a opinião do povo, o governador enfiou goela abaixo da população paulista o seu plano privatista na base da porrada, como já havia feito com a venda da Sabesp, quando a mesma PM agrediu e prendeu manifestantes no plenário da Assembleia Legislativa, no fim de 2023.

Além de entregar a gestão das linhas nas mãos de empresas bilionárias, a proposta de privatização também inclui o Programa de Demissão Incentivada (PDI), que tem como objetivo demitir 72% da categoria, ou seja, 4.200 trabalhadores da ferrovia. Aos trabalhadores que permanecerem em seus postos, a proposta é de redução de 50% dos salários.

Sabendo disso, a categoria demonstrou disposição de luta contra o projeto de privatização e chegou a aprovar, em assembleia, a paralisação total do serviço a partir da meia-noite do dia 26/03, decretando greve como forma de pressionar o governo. Contudo, a própria direção do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil realizou uma manobra para suspender a greve. Ainda assim, mais de 500 assinaturas foram coletadas em um abaixo-assinado que rodou a base ferroviária para exigir a convocação de uma nova assembleia para garantir o direito de greve dos trabalhadores.

No dia seguinte à repressão contra aqueles que lutam em defesa da CPTM nas mãos do povo, o Governo de São Paulo concluiu o leilão que entrega as Linhas 11, 12 e 13 à iniciativa privada. Com grande aparato policial nos arredores da B3 (bolsa de valores), a população foi mais uma vez impedida de se manifestar, enquanto a burguesia comemorava a entrega de mais um setor do transporte paulista em suas mãos. Ainda assim, os movimentos sociais, familiares e amigos dos trabalhadores da CPTM, junto ao Movimento Luta de Classes (MLC), continuam na organização de uma campanha em defesa do caráter público do transporte.

Ao realizar uma assembleia ferroviária e popular, o grupo aprovou propostas à categoria, ao governo e ao sindicato, demonstrando à sociedade a sua posição de resistir à privatização, organizar greves a partir da decisão democrática da base ferroviária, além de garantir solidariedade àqueles que lutam e a exigência de um sindicato combativo e transparente nas suas decisões.

Ato nacional cobra fim da escala 6×1 no Brasil

“A moral capitalista tem por ideal reduzir o trabalhador ao mínimo de suas necessidades, suprimir suas alegrias e suas paixões e condená-lo ao papel de máquina que entrega trabalho sem trégua ou misericórdia.” (Paul Lafargue, O Direito à Preguiça – Introdução à 2ª edição, 1883)

Juliete Pantoja (UP) e Redação


BRASIL – No último dia 19 de março, milhares de trabalhadoras e trabalhadores atenderam ao chamado do partido Unidade Popular (UP) e somaram forças no Ato Nacional contra a Escala 6×1 em mais de 40 cidades, de 18 estados, além do Distrito Federal.

Desde a madrugada até o final do dia, foram distribuídos cerca de 200 mil panfletos na porta de empresas, hospitais, fábricas, centros comerciais, shoppings e terminais de transporte urbano para dialogar com a classe trabalhadora, aqueles que sentem na pele as consequências da desumana escala 6×1.

Em Natal (RN), o ato contou com 150 pessoas na praça de alimentação do shopping Midway Mall para denunciar que, enquanto os trabalhadores passam o dia inteiro em pé atendendo, limpando ou repondo mercadorias, muitos recebendo apenas um salário mínimo que mal dá para se alimentar, os donos das grandes redes de lojas estão batendo recordes de lucros.

Já em São Paulo, mais de 500 pessoas ocuparam o shopping Metrô Itaquera, na Zona Leste da Capital. “No início da intervenção, surgiram mais trabalhadores para se juntar aos manifestantes e muitos deles, impossibilitados de ir até o centro do protesto, ficavam na porta das lojas e de lá mesmo gritavam as palavras de ordem, pulavam, sorriam, aplaudiam, filmavam e agradeciam pela luta. Enquanto o discurso era lido e repetido em jogral por centenas de vozes tão indignadas quanto a primeira, os vãos do shopping eram tomados por pessoas acenando com o panfleto da UP em mãos e gravando com seus celulares. Uma ação que despertou o interesse de centenas de trabalhadores, que pegaram o panfleto e deixaram seus contatos de telefone com um pedido: não esquece de me chamar lá”, relata Wildally Souza, fotógrafo do jornal A Verdade que fazia a cobertura na ocasião.

De Norte a Sul, foram muitas declarações de apoio de trabalhadores animados, vendo a luta ganhar as ruas e se intensificar pelo país, reafirmando que essa é a única forma de acabarmos com a escala 6×1 e de avançarmos na redução da jornada de trabalho.

Em Patos, no Sertão da Paraíba, uma trabalhadora que fazia compras num supermercado enviou uma mensagem para o contato da UP que está indicado no panfleto nacional. “Quero aqui me manifestar contra a escala 6×1. Nós, trabalhadores, precisamos trabalhar, mas esse trabalho precisa ser digno, com descanso necessário e salário digno. Que tipo de valorização é essa, onde trabalhamos com uma jornada exaustiva, com um salário injusto, para enriquecer os patrões?! E, quando um trabalhador adoece, é esquecido, não recebe assistência. Que espécie de sociedade é essa, onde não se tem preocupação com o próximo?! Entra ano e sai ano, só quem perde é a classe trabalhadora. Um milhão e meio de trabalhadores afastados por problemas mentais. Abaixo a escala 6×1! Por um país mais justo e pela redução da jornada de trabalho!”, escreveu Daiana Campos, técnica em segurança do trabalho.

Escala 6×1

Desde a primeira movimentação sobre o tema, com a coleta de assinaturas para o Projeto de Lei pelo Fim da Escala 6×1, encabeçado pelo Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), as mobilizações têm sido impulsionadas por milhões de trabalhadores cansados de esperar pelos governos para resolver seus problemas. Afinal, desde a Reforma Trabalhista, aprovada em 2017 pelo presidente golpista Michel Temer (MDB), todos os anos, mais direitos são cortados. O Governo Lula também nada fez até agora para revogar essa criminosa reforma, que extinguiu mais de 100 pontos da CLT e regulamentou verdadeiros absurdos em favor dos patrões.

Desde então, aumenta ano após ano a quantidade de trabalhadores informais no país, engrossando o imenso “exército de reserva” de desempregados, que, pressionados para levar o sustento para casa, submetem-se a viver para trabalhar e receber um salário de fome, que não cobre as contas do mês. Prova disso é a quantidade de pessoas que têm parcelado no cartão de crédito as compras de alimentos nos supermercados e se endividado cada vez mais para sobreviver, como vem denunciando o jornal A Verdade.

Segundo o IBGE, o Brasil possui mais de 33 milhões de pessoas trabalham até 44 horas semanais, e estima-se que, grande parte destes, na jornada 6×1, com apenas um dia de folga na semana. A escala 6×1 transforma a trabalhadora e o trabalhador em escravos, que recebem um salário baixo e trabalham só para que o patrão fique mais rico.

Tudo isso somado ao tempo de deslocamento, que, em algumas capitais, pode superar quatro horas por dia, o que afeta diretamente as condições de descanso, saúde e lazer dos trabalhadores. Essa jornada de trabalho exaustiva é apontada por especialistas na área de saúde mental como um dos fatores de aumento dos casos de ansiedade, estresse e suicídios, além do desgaste físico.

Lutar contra o capitalismo

Essa realidade é a mesma em grande parte do mundo, pois, no regime capitalista, 1% da população detém a mesma riqueza que os outros 99%. Isso só é possível porque vivemos em uma sociedade em que as terras, fábricas, máquinas, edifícios, mercadorias, etc., são propriedade privada de poucos bilionários, que exibem uma vida de luxo, enquanto os filhos da classe trabalhadora, a nossa classe, passam fome.

Contra essa situação de fome, desemprego, baixos salários e violência, milhões de pessoas ao redor do mundo estão indo às ruas para exigir emprego, solidariedade e paz. Trabalhadores, jovens e mulheres sentem cada vez mais a necessidade de se organizarem e protestarem nas ruas contra os políticos da classe burguesa e seus governos.

No Brasil, vemos crescer ainda mais a insatisfação dos trabalhadores e do povo com o Governo Lula, principalmente com sua política econômica neoliberal, que submete nosso país e seus recursos ao agronegócio, aos banqueiros e ao capital estrangeiro da China e dos Estados Unidos.

Como se não bastasse, o PT e o PCdoB (apoiados pelo PSOL), decidiram, em nome da velha “governabilidade” (isto é, da manutenção do capitalismo), aliar-se aos partidos de direita e de extrema-direita, entregando vários ministérios a corruptos e elegendo seus representantes (políticos conhecidamente corruptos e apoiadores do golpe fascista) para as Presidências da Câmara e do Senado.

Ao mesmo tempo que repudiamos essas alianças, exigimos a mudança imediata da política econômica do Governo Federal. Essa é uma luta em defesa dos interesses e direitos do povo brasileiro: direito ao pão, a se alimentar, a viver com dignidade, a trabalhar e a receber salários dignos, enfim, a viver melhor. Além disso, essa luta é também contra o agronegócio (que enrique mais e mais com o aumento dos preços dos alimentos), como é também uma luta contra a oligarquia financeira, que, por meio de juros estratosféricos (14,25%), obriga o povo brasileiro a trabalhar para pagar dívidas aos bancos.

Por tudo isso, é necessário crescer as mobilizações, construir greves, paralisações e todas as formas de luta necessárias para pôr fim ao regime de exploração da classe trabalhadora. A luta pelo fim da escala 6×1 está na ordem do dia e a próxima jornada nacional será ainda maior. Até a vitória!

Todos à construção de grandes mobilizações pelo fim da escala 6×1 no dia 23 de abril e no 1º de Maio!