UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 10 de abril de 2026
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Bairro da Engomadeira pede justiça pela jovem Ana Luiza assassinada pela Polícia Militar da Bahia

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Jovem retornava para casa no último domingo (13) quando foi atingida por um tiro de fuzil da Polícia Militar da Bahia e não resistiu aos ferimentos. 

Redação BA


SALVADOR – Familiares, amigos e moradores do bairro da Engomadeira na capital baiana protestam mais uma morte pela violência da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) comandada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) contra a população soteropolitana. A jovem Ana Luiza dos Santos Silva, de 19 anos, foi atingida por um tiro de fuzil na barriga quando policiais militares entraram no bairro no último domingo (13) disparando contra supostos criminosos. 

Após o sepultamento da estudante de Estética no Cemitério da Ordem Terceira de São Francisco, na Quinta dos Lázaros, centenas de pessoas enlutadas pela perda de Ana Luiza retornaram ao bairro da Engomadeira para organizar um protesto por justiça pelo assassinato brutal da jovem nesta segunda-feira (14). O ato organizado por familiares de Luiza, moradores do bairro e por militantes da Unidade Popular (UP) desde o início contou com uma forte repressão da polícia com mais de dezoito viaturas e dezenas de policiais fortemente armado para intimidar aqueles que exigiam justiça pelo assassinato de uma jovem. Um dos militantes da UP chegou a receber uma coronhada de um policial seguido de um xingamento apenas por protestar contra a injustiça do homicídio de Luiza. 

A população relata que a violência da PM-BA é costumeira: entrada nas casas sem mandato judicial, “esculachos” e uso de armamento pesado contra moradores do bairro. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024 aponta que a Bahia lidera o ranking de mortes pela violência policial com 1.699 vítimas em 2023. Com uma em cada quatro mortes causadas pelas polícias no país, a Bahia é a que mais mata no Brasil em números absolutos e proporcionalmente a que mais mata pessoas negras. 

Barricadas, homenagens e a revolta de familiares, vizinhos e amigos marcaram atos exigindo justiça por Ana Luiza. Foto: Isabella Tanajura / JAV-BA.

Política de extermínio da população pobre e negra na Bahia 

Há mais de 16 anos o Partido dos Trabalhadores (PT) está no governo do estado da Bahia. Durante todo esse período percebeu-se um aumento contínuo na violência policial no estado: entre 2015 e 2023, o número de vítimas da polícia subiu de 354 para 1.700 por ano.

Segundo o Instituto Fogo Cruzado, a maioria das vítimas de “balas perdidas” em Salvador e na região metropolitana são mulheres. O assassinato de Ana Luiza está dentro do perfil das vítimas da violência policial e não é um “caso isolado”.

É clara a intenção genocida da política de segurança pública praticada pelas polícias no Brasil e, em especial, da Polícia Militar baiana. Está em curso um assassinato em massa de jovens negros, pobres e moradores das favelas no estado. Essa história se repete há centenas de anos desde a criação das polícias que tem como principal objetivo proteger a propriedade privada e os grandes ricos, não a população brasileira. 

A desmilitarização das polícias e a construção de uma sociedade socialista em que a violência policial não seja mais uma realidade são defesas do programa da Frente Negra Revolucionária (FNR) para que a verdadeira justiça por Ana Luiza seja alcançada. 

Confira na íntegra a cobertura fotográfica do ato no bairro da Engomadeira pelo jornal A Verdade neste link

Prefeito de Cabo Frio (RJ) é acusado de esquema de corrupção bilionário

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O prefeito Dr. Serginho (PL), que tenta despejar a Ocupação Inês Etienne Romeu do Movimento de Mulheres Olga Benario em Cabo Frio (RJ), se tornou alvo de um mandado de busca e apreensão da Polícia Federal nesta quarta-feira (16/4)

Chantal Campello | Cabo Frio (RJ)


Na manhã desta quarta-feira (16/4), a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Teatro Invisível, que investiga um esquema bilionário de desvio de recursos públicos no Rio de Janeiro. Entre os alvos está o prefeito de Cabo Frio (RJ), Dr. Serginho (PL), já conhecido por sua gestão marcada por autoritarismo, corrupção e ódio ao povo pobre.

A operação revelou a movimentação suspeita de mais de R$ 3,5 bilhões em contratos irregulares e superfaturados, envolvendo empresas de fachada ligadas ao poder público. Com o dinheiro, entre outras ilegalidades, atores foram contratados para favorecer candidatos da direita e espalhar desinformação entre o eleitorado. O próprio Dr. Serginho, além de outros prefeitos e um deputado estadual fluminense, esteve entre os beneficiados do esquema.

No ano passado, Dr. Serginho se elegeu prometendo inovação, eficiência e transparência aos cabofrienses. Em sua campanha, o prefeito destacou como prioridades a organização da saúde, educação e programas sociais. No entanto, a revelação de seu envolvimento em esquemas de corrupção e as medidas adotadas nos primeiros cem dias de governo demonstram as verdadeiras intenções de sua gestão.

Uma prefeitura, além de corrupta, autoritária

O escândalo de desvio de recursos públicos que envolve o prefeito não é um caso isolado. Se localiza no contexto do projeto de cidade representado por Dr. Serginho e suas medidas, que promovem um governo para os ricos em sua essência, que ataca os direitos da classe trabalhadora, das mulheres, da juventude e do povo preto. Isso se revela através das demissões em massa entre os trabalhadores da saúde, da ausência de professores nas escolas e da destruição de diversos programas sociais, a exemplo da Moeda Itajuru.

Outro recente exemplo é o ataque à Ocupação de Mulheres Inês Etienne Romeu, espaço construído pelo Movimento de Mulheres Olga Benario para acolher vítimas de violência em uma cidade onde mais de 80% dos casos de agressão contra mulheres ficam impunes. Como noticiou recentemente o jornal A Verdade, Dr. Serginho tenta despejar a ocupação, numa ofensiva cruel contra a luta pela vida da mulheres da cidade.

Nas últimas semanas, o prefeito ainda esteve por trás da transferência forçada de pessoas em situação de rua de Cabo Frio para o município de Linhares (ES), com uma falsa promessa de emprego. Os movimentos sociais denunciaram a ação como uma política de higienização social, fascista e desumana, que trata vidas como descartáveis.

“Essas ações mostram que não estamos diante de meras falhas administrativas, estamos diante de um projeto político reacionário, que governa com ódio aos pobres e aos movimentos populares. Um projeto que precisa ser enfrentado com organização, coragem e luta coletiva”, afirma Alice Rezende, estudante do IFF e coordenadora da Ocupação Inês Etienne Romeu.

Professores da rede estadual de São Paulo aprovam greve

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Professores de São Paulo aprovaram greve para 25 de abril contra falta de reajuste salarial, privatização e militarização escolar. Sob governo Tarcísio, cortes de R$11 bi precarizaram ensino, ampliaram terceirizações e sobrecarga de trabalho. Movimentos denunciam mortes como a da professora Analu e organizam resistência.

Thais Gasparini | MLC SP


Em assembleia, milhares de professores da rede estadual de São Paulo se reuniram no dia 21 de março e aprovaram a greve da categoria para o dia 25 de abril. A categoria reivindica o reajuste imediato do piso nacional, fim da plataformização, da privatização e militarização das escolas estaduais.

O cenário de greve se dá a partir da precarização que os professores vêm sofrendo há anos, debaixo de governos tucanos (PSDB) e, agora, aprofundada pelo governo fascista de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Só no último ano, a educação paulista sofreu um corte de R$11 bilhões resultando em ainda mais sucateamento da educação pública no estado. Não à toa, São Paulo teve o pior índice de desempenho em anos.

Declarando a educação como inimiga número um, Tarcísio e seu secretário da educação, Renato Feder, promovem um pacote de hostilidades contra os professores. Apenas após 10 anos, foi aberto o edital que prometia efetivar 15 mil professores por meio de concurso público. Acontece que, mais de 60% (110 mil) da categoria é contratada de forma temporária, ou seja, com direitos a menos quando comparada com um professor efetivo. Os chamados “categoria O” penam todo fim de ano com a incerteza se terão aulas para o próximo ano letivo.

“Essa é a minha situação, tenho minha especialização e dou aula há anos, mas você pode ver que estou com uma ‘bag’ nas costas. Estou sem aulas e uma das maneiras de pagar as contas é fazendo entrega por aplicativo”, relata Pablo Cavichini, professor categoria O em Diadema (SP). Esse é um dos milhares de exemplos de professores que tiveram suas aulas perdidas por conta da falta de transparência nas atribuições de aula, além de promover um corte de 62% nas disciplinas de ciências das humanidades.

Não contente, o governador abriu edital para privatização da gestão de 143 escolas. Isso significa que empresários de quaisquer outros ramos poderão gerir as escolas. Como foi o caso da empresa de serviço funerário na capital paulista, que arrematou o leilão e possui inúmeras irregularidades em sua gestão. Indo ao contrário das metas propostas pelo Plano Nacional de Educação, que garante a gestão democrática das escolas, a privatização visa garantir os interesses dos empresários e seguir a ideologia mercadológica da educação. Ou seja, Tarcísio e seus comparsas querem enterrar de vez a educação pública.

Cresce também o nível de sobrecarga de trabalho e de assédio. Só de 2024 para 2025, centenas de salas de aulas foram fechadas e em muitas escolas, períodos noturnos inteiros foram fechados. Além de diminuir a quantidade de aulas ofertadas para os professores, as salas de aula ficam superlotadas. “São 41 alunos dentro de uma sala, entre esses, 3 são portadores de necessidades especiais. Dividir a atenção dessa maneira, para cada necessidade, é muito difícil. Não tem a mínima condição de ensinar assim”, diz a professora Lara, da Zona Leste. Já a professora Maria relata que se sente impotente e culpada por não ver os resultados que a Seduc (Secretaria de Educação) espera. Segunda ela: “A Seduc colocou essas várias metas, professor Ouro, professor Diamante, e não possibilitam a gente trabalhar da maneira que nós sabemos que é o melhor. Fui chamada atenção por não garantir a redação de todos na plataforma”, desabafa.

Com tamanho assédio e carga de trabalho, cresce o número de afastamento e licenças de cunho psicológico dos professores, sendo contabilizados 112 professores afastados diariamente. Não é possível esquecer o caso da professora Analu, da EE Maria Carolina em Diadema, que faleceu ao ser levada para o hospital após ter passado mal durante uma reunião pedagógica, em que questionava a quantidade de cobrança recebida.

Segundo João Suzigan, conselheiro da APEOESP em Campinas pelo Movimento Luta de Classes, “é preciso lembrar que a precarização da educação é um plano arquitetado para garantir a manutenção desse sistema de exploração que promove miséria para a sociedade. O governo pode tentar jogar com todos os seus peões, mas nada pode deter uma categoria mobilizada, unida e em luta por seus direitos, em defesa da educação e dos nossos empregos. Por isso, a construção da greve em cada escola é fundamental, para transformar as escolas em trincheiras de luta contra o governo fascista. Faremos assembleias nas nossas escolas, para discutir e encaminhar a greve por tempo indeterminado”.

A voz de professora Analu não será silenciada. Em memória de Analu e tantas outras que se dedicaram cotidianamente pela construção de uma educação que liberte das amarras deste sistema falido, os professores construirão uma forte greve em resposta aos desmandos do governo.

Por dentro da privatização dos CEUs: assédio, autoritarismo e destruição do patrimônio público

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Os Centros Educacionais Unificados (CEUs) criados com gestão democrática, focado nas periferias da capital paulista, enfrentam um processo de privatização progressiva desde Kassab até Nunes, resultando em cortes de recursos, riscos estruturais e perda de participação popular. Sob gestão de OSCs, unidades registram falta de materiais, assédio laboral e desmonte de conselhos gestores. Movimentos como DESPRIVATIZACEUs e MLC combatem a expansão de PPPs e defendem o controle comunitário.

Guilherme Leria | MLC SP


Criados durante a prefeitura de Marta Suplicy (2001 – 2004), os Centros Educacionais Unificados, ou CEUs, juntam o ensino infantil e fundamental com estrutura de esportes, teatros, salas de músicas e outros serviços fundamentais para promoção da cidadania em áreas periféricas da cidade.

Em sua criação os CEUs representaram a vitória de uma prefeitura mais aberta para o povo. Através de um processo mais horizontal, os movimentos sociais e a população periférica tornavam-se protagonistas do processo de construção e implementação de cada CEU, mapeando os terrenos de sua implementação e construindo seus projetos. Anos-luz da atual prefeitura e governo do estado.

Conforme os CEUs se mostraram um sucesso outras prefeituras expandiram o projeto para outras cidades e passaram a transformar o projeto segundo seus próprios interesses. As prefeituras de Kassab, Serra, Haddad e as mais atuais de Dória, Covas e Nunes, todas entregaram CEUs, todos visivelmente diferentes, todos progressivamente empobrecendo as estruturas do projeto original.

Desde a prefeitura de Dória há uma postura muito mais agressiva em relação à privatização e nos ataques contra a educação pública. Durante a prefeitura de Covas (vice de Dória), em meio ao auge da pandemia, a Secretaria Municipal de Educação passou a gestão de 12 CEUs que estavam finalizando a construção para a Organização Social da Cultura (OSC) Bacarelli.

Na época em que se anunciou essa privatização já havia denúncias de falta de transparência no processo, além de apontar que, ao contrário do que a prefeitura contava,  a privatização geraria mais custos do que economias.

No começo de 2024, no segundo mandato de Ricardo Nunes (vice de Covas), um dos principais objetivos da prefeitura tornou-se expandir esse modelo privatizado, agora passando para a OSC SPE Integra S/A os seguintes CEUs: Cidade Ademar, Cidade Líder, Ermelino Matarazzo, Grajaú, Imperador, Brasilândia; Jardim Campinas; Parque das Flores; Pirajuçara e Vila Gilda.

Por dentro da privatização

Toda privatização parte de um argumento básico: a gestão empresarial seria mais efetiva que a gestão pública. E deste argumento nasce outro: a gestão privada conseguiria organizar e executar todas as atividades daquele órgão público e ainda gerar algum lucro para a administradora.

Na prática essa lógica se mostra impossível e causa um efeito em cadeia: piora as condições de trabalho, corte de salários, distanciamento da população em conselhos deliberativos, não se faz manutenção das estruturas, aumento dos casos de assédio e falta de materiais e equipamentos para realização dos serviços. Essa instabilidade e constante pressão de trabalho causa frequentes mudanças de gestão e rotação de profissionais, culminando em uma enorme piora da qualidade do serviço oferecido e da relação com a população atendida.

O MLC professores buscou no movimento DESPRIVATIZACEUs e na audiência pública da Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa de 2023, organizada por Toninho Vespoli e com presença do SINESP (Sindicato Especialistas Ensino Público São Paulo), alguns dos relatos sobre como realmente é a gestão da OSC Instituto Bacarelli.

Assim que a privatização saiu do papel os trabalhadores da gestão dos CEUs começaram a enfrentar os mais diversos tipos de assédios e ataques aos seus direitos: falta de equipamentos básicos como materiais para as aulas e atividades de cultura, constantes mudanças nos planejamentos, desvios de funções que colocavam os funcionários e usuários em risco e  prazos impraticáveis para realização das ações culturais e esportivas.

Como relata um integrante do movimento DESPRIVATIZACEUs: “principalmente no que toca os professores do esporte e o pessoal da cultura, existe muito uma questão de desvio de função (…) eles querem obrigar a pessoa a fazer alguma coisa que não é do escopo dela e que inclusive, sendo uma pessoa que não tem experiência para lidar com crianças, é até um risco para criança e para pessoa”.

Sobre a falta dos materiais: “é um tal de aulas de crochê acontecendo com o resto de barbante, de professor colocando a mão no próprio bolso para comprar material, porque eles contratam o professor e não tem material para dar aula”, denuncia o movimento.

No ano da implantação da gestão privatizada em 2022 a comunidade passou cerca de sete meses frequentando as unidades e participando de atividades esportivas sem bebedouros, pois eles só foram adquiridos após esse período. Além disso, as salas de aula e demais ambientes seguem até hoje sem ventiladores adequados, o que torna as altas temperaturas ainda mais difíceis de suportar, especialmente no verão. Somado a isso, a cada ano, a comunidade enfrenta longas horas em filas para conseguir uma vaga. Como a procura é superior à oferta de vagas nos CEUs, a OSC, por decisão unilateral, realiza todo ano um processo de rematrícula, promovendo um rodízio entre os frequentadores.

Se trocar as OSCs melhora?

Alguns poderiam dizer que isso é um problema da OSC, uma questão que poderia ser diferente em outra gestora, mas a questão não é a circunstância e sim a própria privatização.

Antes da privatização, a gestão direta do Conselho Gestor do CEU é a instância máxima de decisão, sendo composto paritariamente por representantes da comunidade e dos trabalhadores do CEU, todos eleitos pela população e trabalhadores da região. Esse modelo democrático permitia a construção de ações e decisões alinhadas às necessidades locais. Com a perda do poder decisório da comunidade, esses espaços de participação e controle social foram esvaziados, comprometendo a transparência e o envolvimento direto da população na gestão do equipamento.

Portanto, a privatização entra em direta contradição com esse tipo de gestão, já que a administração das OSC precisam tomar ações impopulares e com agilidade para tentar justificar o projeto e as remessas milionárias do dinheiro público que ela recebe. Na prática, a privatização coloca em choque a participação popular contra os resultados buscados pela administração privada.

No caso do CEU Carolina Maria de Jesus passaram 4 gestores diferentes em um período de um ano. Cada um dos gestores representava uma nova tentativa da OSC de estabelecer a sua dominância sobre o conselho gestor, já que o gerente terceirizado é obrigado a seguir as determinações da OSC, o que na prática causa um enorme conflito e um caos dentro do CEU.

Mais recentemente no CEU Artur Alvim, mais um sob gestão da OSC Bacarelli, o teto do teatro foi destruído em meio às tempestades. Mais do que um caso isolado, esse episódio demonstra a falta de manutenção e de preocupação com a qualidade do serviço oferecido.

Após a queda do teto e os danos a estrutura a OSC não interditou o espaço, mesmo após fazer uma vistoria. Os trabalhadores do CEU seguem trabalhando na unidade todos os dias com o medo eminente de outro desabamento.

Assim como todas as outras experiências de privatizações, o caso dos CEUs e das OSCs nos mostram os reais objetivos por trás das privatizações: aumentar o controle da burguesia sobre o orçamento público e a vida da população trabalhadora.

Como o projeto original e contexto de criação dos CEUs nos mostra, a participação popular e os servidores públicos são as raízes do sucesso dessa política pública, justamente o contrário da privatização.

Com a reeleição de Ricardo Nunes em uma eleição controlada pelo investimento da burguesia não é nenhuma surpresa que o projeto privatizante ganhe ainda mais força mesmo com todos esses problemas. Neste mandato a prefeitura de Nunes quer construir 12 novos CEUs através de uma parceria público-privada (PPP) na qual a construção e a gestão será feita pela iniciativa privada.

Por isso o Movimento Luta de Classes, a Unidade Popular e outros movimentos como DESPRIVATIZACEUs estão organizando a classe trabalhadora para lutar contra a privatização. Precisamos retirar OSCs dos CEUs e colocá-los novamente sob controle da comunidade e do conselho gestor democrático.

Ato pede justiça pelo senegalês Ngange Mbaye, morto pela PM em São Paulo

Ngange Mbaye, trabalhador do Senegal, foi assassinado a tiros pela Polícia Militar durante uma operação de repressão aos camelôs na região do Brás. Manifestação pediu o fim da violência policial, do racismo e da discriminação contra imigrantes

Redação SP


Nesta segunda-feira (14/4), uma manifestação no centro de São Paulo denunciou a morte de Ngange Mbaye, trabalhador imigrante assassinado pela Polícia Militar paulista na semana passada. Nascido no Senegal, Ngange tinha 34 anos, trabalhava no comércio informal e deixa uma mulher grávida de sete meses.

O ato, que saiu da Praça da República, denunciou a violência policial e o racismo envolvidos na morte de Ngange. Ele foi baleado por um agente da Polícia Militar durante uma operação de repressão aos camelôs da região comercial do Brás, ocorrida na última sexta-feira (11/4). Não se trata da primeira vez que uma dessas ações do Estado resulta no assassinato de um trabalhador africano: em abril do ano passado, o também senegalês Talla Mbaye morreu após ser jogado da janela do sexto andar durante uma operação policial na capital paulista. Antes, em 2022, o gambiano Bubacarr Dukureh foi assassinado durante uma abordagem no bairro dos Jardins.

A mobilização denunciou que a população imigrante no Brasil convive todos os dias com a truculência da Polícia Militar, que oprime um segmento já tornado vulnerável pelas dificuldades da migração e da sobrevivência com empregos informais. Os trabalhadores alertaram que a prefeitura de São Paulo não terá sossego até que sejam tomadas providências que ponham um fim a esse cotidiano de violência.

Convocado pela comunidade senegalesa e pelos familiares e amigos de Ngange Mbaye, o ato também contou com a participação de movimentos sociais e partidos, como a Frente Negra Revolucionária (FNR), a Unidade Popular pelo Socialismo (UP) e o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). Os militantes levaram a solidariedade dos trabalhadores brasileiros com a luta da população migrante por uma vida digna.

Curso estadual de coordenadores de núcleo da Unidade Popular em São Paulo completa 3 anos

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A 6ª edição do Curso Estadual das Coordenações de Núcleo da Unidade Popular (UP) em Santo André reuniu 70 coordenadores(as). O evento debateu estratégias políticas para fortalecer núcleos locais, mobilizar lutas contra a crise capitalista e o fascismo, e articular ações como o Dia Nacional contra a escala 6×1 (23/04) e o 1º de Maio.

Redação SP


Já virou tradição: há 3 anos, semestralmente, coordenadores e coordenadoras de núcleo da UP do Estado de São Paulo se reúnem por dois dias completos para estudar e desenvolver melhores condições de realizar cada vez mais lutas e transformar a realidade do estado rumo à construção do socialismo no Brasil. Nos dias 12 e 13 de abril, aconteceu em Santo André a 6ª edição do Curso Estadual das Coordenações de Núcleo de São Paulo com mais de 70 presentes. Trabalhadoras e trabalhadores vieram da Baixada Santista, de todas as zonas da Capital de São Paulo, das 7 cidades do ABC paulista, da Região Metropolitana de Campinas e Ribeirão Preto e de várias outras cidades.

O tema da primeira aula foi “Qual é a organização de revolucionários que precisamos?” quando debatemos sobre a importância da organização da UP como partido marxista- leninista. Na parte da tarde o debate foi sobre a conjuntura que temos vivido e a importância da luta revolucionária neste momento de crise do sistema capitalista, de avanço do fascismo e da falta de resposta dada pelo Governo Federal.

Isso porque o próximo período será de grandiosas lutas como o Dia Nacional de Lutas pelo fim da escala 6×1 (23 de Abril) e o 1º de Maio: Dia da Classe Trabalhadora. Além disso, São Paulo receberá o Conselho Nacional de Entidades Gerais da União Nacional dos Estudantes no dia 17/04 e no dia 25/04 acontecerá a greve estadual dos professores da rede estadual. A Unidade Popular é e deve ser o partido capaz de dirigir estas lutas para que sejam transformadas em passos na luta pelo socialismo.

Todos os dias de curso contaram com o trabalho coletivo para garantir uma boa qualidade e profundidade das aulas com apresentações, esclarecimento das dúvidas e debate; café da manhã e da tarde e almoço de qualidade para renovar as energias, além da decoração do espaço com bandeiras e boas acomodações no alojamento para as pessoas de cidades distantes.

O segundo dia tratou do nosso lema: “Núcleo é para lutar e crescer!”. Aulas e dinâmicas tiveram como objetivo ajudar as coordenações a pensar em como garantir que cada núcleo da UP realize lutas para transformar a realidade do seu local de atuação: empresa, fábrica, bairro, escola e universidade. Dessa forma, o número de filiados e membros dos núcleos crescerá criando forças para lutas estaduais e nacionais. Foi lançado o desafio de crescer a autossustentação do nosso trabalho para garantir as passagens, a gasolina, a alimentação e a estrutura para todos os núcleos poderem ter representações presentes no curso. Já que a UP não recebe financiamento de grandes empresários, banqueiros e tem como princípio contar com a contribuição mensal de cada filiada, filiado e apoiador (inclusive quem lê as matérias do Jornal A Verdade), além das políticas gerais de finanças de cada núcleo.

Por fim, o Diretório Nacional da Unidade lançou o desafio para 2025:  duplicarmos a UP no Brasil! Este foi o desafio colocado para cada coordenador e coordenadora, de acompanhar os pedidos de filiação e buscar trabalhadoras e trabalhadores para se filiarem ao nosso partido e estarem nas lutas. Neste desafio contaremos com a formação e orientação que o Jornal A Verdade e as Edições Manoel Lisboa garantem ao nosso partido. Foram vendidos mais de 50 livros em dos dois dias de curso, livros que com certeza serão centrais para a formação futura dos coordenadores e filiados do partido.

Cada coordenador e coordenadora voltou para sua cidade com a disposição renovada para crescer e criar novos núcleos, chegar a novas cidades, organizar lutas locais e gerais, conquistar vitórias para o nosso povo e construir o socialismo. Dessa forma, o 6º Curso das Coordenadoções de Núcleo cumpriu com o seu objetivo: avançar o crescimento e a influência da Unidade Popular pelo Socialismo, o partido das lutas populares e o partido antifascista do Brasil.

Reintegração de posse da Ocupação Inês Etienne Romeu é ataque às mulheres de Cabo Frio (RJ)

“A decisão de reintegração de posse contra a Ocupação de Mulheres Inês Etienne Romeu, em Cabo Frio (RJ), não apenas representa uma violação dos direitos humanos como também expõe a insensibilidade e o autoritarismo do prefeito, que se recusa a ouvir as mulheres.”

Chantal Campello | Cabo Frio (RJ)


A decisão de reintegração de posse contra a Ocupação de Mulheres Inês Etienne Romeu em Cabo Frio (RJ), recentemente solicitada pela Prefeitura e concedida pela Justiça, não apenas representa uma violação dos direitos humanos. Expõe também a insensibilidade e o autoritarismo do prefeito, que se recusa a ouvir as mulheres que, há meses, buscam nesse espaço a dignidade e a segurança que o Estado, através das políticas públicas, deveria garantir. Em vez de promover o diálogo, a solução encontrada foi a repressão, uma escolha equivocada e cruel diante de um problema que se arrasta há décadas.

Brasil afora, as ocupações realizadas pelo Movimento de Mulheres Olga Benario desempenham um papel fundamental na luta contra a violência de gênero e na promoção de políticas públicas eficazes para as mulheres. Essas iniciativas transformam imóveis abandonados em espaços de acolhimento e apoio, oferecendo atendimento psicológico, jurídico e social a mulheres em situação de vulnerabilidade. ​

Além de fornecer suporte direto, as ocupações servem como centros de organização popular, onde são promovidas atividades culturais, cursos de formação e debates sobre os direitos das mulheres. Essas ações não apenas conscientizam, mas também mobilizam a comunidade para enfrentar as desigualdades de gênero. ​

Em suma, as ocupações do Movimento de Mulheres Olga Benario exemplificam uma estratégia eficaz de resistência e construção do poder popular.

A luta das mulheres na Região dos Lagos

Os índices de violência na Região dos Lagos são alarmantes e refletem um cenário de desamparo para muitas mulheres. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Rio de Janeiro apresenta uma média de 5,2 feminicídios por mês, e a região não está imune a esse cenário. Em Cabo Frio, os índices de violência contra mulheres são especialmente altos, com denúncias de agressões físicas e psicológicas registradas em número crescente. A falta de políticas públicas efetivas para enfrentar essa violência só aumenta o ciclo de medo e vulnerabilidade.

Por isso, localizada no cidade de Cabo Frio, a Ocupação Inês Etienne Romeu denuncia a situação grave que vivem as mulheres na Região dos Lagos.

“Esse espaço tem sido um refúgio para nós. Aqui, encontramos força, apoio e uma perspectiva de vida. Muitas de nós fomos vítimas de violência, e não apenas violência física, mas violência psicológica, onde a sociedade e o próprio Estado viraram as costas. Aqui, não somos só um número. Somos mulheres com voz e com história. E é isso que o prefeito e quem decide por essa reintegração de posse não vê. Não estamos invadindo, estamos buscando um futuro. Esse espaço é de acolhimento, de luta e de construção de uma nova realidade”, afirma Dona Conceição, de 73 anos, acolhida da casa do Movimento de Mulheres Olga Benario.

A cidade sofre com uma escassez de serviços essenciais de acolhimento e suporte à mulher, como casas-abrigo e centros de atendimento psicológico e jurídico. A ausência de programas habitacionais e a falta de uma abordagem integrada no enfrentamento da violência só agravam a situação. Porém, em vez de agir em conformidade com as necessidades das mulheres, a administração municipal opta pela repressão.

A organização das mulheres como caminho para a libertação

A luta das mulheres da Ocupação Inês Etienne Romeu é uma demonstração clara de que somente por meio da organização popular e da construção coletiva de um novo modelo de sociedade é que será possível combater a violência e garantir direitos básicos para todas as mulheres. O movimento das mulheres vai muito além da resistência contra a repressão e a opressão. É uma força transformadora, que exige não só moradia, mas justiça, igualdade e a criação de um Estado que respeite as especificidades e as necessidades de sua população mais vulnerável.

Somente a organização das mulheres, sua união e sua luta incessante por uma sociedade mais justa, sem violência e com respeito à dignidade humana, poderá derrubar as estruturas que perpetuam a desigualdade. O poder público, ao se omitir e adotar posturas autoritárias como a reintegração de posse, não faz mais do que aprofundar o ciclo de opressão que essas mulheres enfrentam diariamente.

Reintegrar a posse da casa e propor a demolição da Ocupação Inês Etienne Romeu, sem oferecer alternativas viáveis para a continuidade do trabalho e sem garantir políticas públicas efetivas para as mulheres e sem escutar suas vozes, é uma decisão política equivocada. Ao contrário, é urgente que o município de Cabo Frio, assim como todo o Brasil, invista em políticas públicas que garantam a segurança e respeito às mulheres, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade.

Além disso, a coordenadora da ocupação, Pétala Cormman, enfatiza a importância desse espaço não apenas como um abrigo, mas como um símbolo de poder popular.

“Construir esse espaço é construir um verdadeiro poder popular. Este é um espaço de mulheres que se levantam, que não aceitam a violência e a marginalização, mas que também sabem que a luta não termina dentro dos muros da nossa casa. Queremos ampliar esse poder, queremos que nossa voz ecoe para além desse espaço. O que buscamos é uma mudança social verdadeira, onde mulheres, especialmente as mais vulneráveis, possam ser respeitadas e garantir seus direitos em todas as esferas da sociedade.”

Diante das ameaças constantes de despejo e da criminalização da nossa ocupação, o Movimento de Mulheres Olga Benario reafirma sua decisão de não aceitá-las passivamente. A luta das mulheres por dignidade e uma vida sem violência continua firme, baseada na organização coletiva e na solidariedade. A resistência é uma escolha política, e ocupar é uma forma legítima de exigir direitos negados historicamente à classe trabalhadora e às mulheres pobres.

Chapa de oposição vence eleições para o DCE da UFMT

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Após uma série de lutas e a organização de dezenas de estudantes, Movimento Correnteza vence eleições para o Diretório Central dos Estudantes da UFMT.

Ana Pistori | Cuiabá


JUVENTUDE – No último dia 2 de abril, aconteceram as eleições para uma das entidades estudantis mais importantes do Mato Grosso: o Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso Campus Cuiabá. O Movimento Correnteza, o Movimento de Mulheres Olga Benario e a União da Juventude Rebelião saíram vitoriosos da disputa, com 62% da votação.

Defendendo principalmente as pautas do RU gratuito e da construção da creche universitária, a chapa do Movimento Correnteza, do Movimento de Mulheres Olga Benario e de diversos estudantes independentes, vanguardeados pela União da Juventude Rebelião, disputaram o processo que elegeu democraticamente a nova gestão do DCE da UFMT.

Da inscrição até o dia de pedir votos, a chapa eleita demonstrou ousadia ao propor a construção de um DCE combativo, que organiza os estudantes na luta por uma universidade gratuita, de qualidade e socialmente referenciada.

O contato cotidiano e contínuo na UFMT

Ao longo dos últimos anos, o Movimento Correnteza tem lutado pelas condições de permanecer na UFMT. Em 2023, organizou os estudantes na ocupação de guarita, barrando a retirada de mais de 400 bolsas de permanência e a ameaça de aumento no preço do RU.

Além disso, no mesmo ano, organiza um abaixo-assinado pela volta do transporte interno da universidade – carinhosamente apelidado de Ligeirão. E como quem luta conquista, o Ligeirão tem circulado na UFMT há dois anos.

Em 2024, na direção do CALET conquistou a contratação de intérpretes de LIBRAS para o curso de Letras – LIBRAS, que estava há meses sofrendo com a falta de acessibilidade no principal curso para formar pessoas que trabalham na inclusão linguística de pessoas surdas.

Da mesma forma, ao longo de 3 anos, o Movimento de Mulheres Olga Benario tem se colocado à frente das lutas contra a evasão de mulheres na UFMT. Por meio de campanhas de denúncia ao assédio, de pesquisas de opinião e de abaixo-assinado a respeito da creche universitária, as estudantes do Olga têm procurado se organizar na luta!

A vitória das eleições é fruto desse trabalho cotidiano, junto aos estudantes da UFMT.

Atividades de lazer, esporte e cultura para os estudantes

Com menos de três semanas de campanha eleitoral, a chapa de oposição esteve presente no I Fórum de Violência Contra a Mulher em Mato Grosso, organizado pelo curso de Psicologia, e no Café com A Verdade, em frente ao Restaurante Universitário. Nesses espaços, foram feitas as defesas do programa da chapa para a UFMT e para a comunidade externa.

Durante a campanha a chapa também organizou um cinedebate sobre a importância da luta pela legalização do aborto a partir do filme Verde-Esperanza (2022); uma prática de exercício físico coletiva (a Queimada da Chapa 2) e o Sarau da Chapa 2, que reuniu estudantes artistas de todos os cantos da UFMT em um momento de apreciação da cultura mato-grossense.

O trabalho com o Jornal durante as eleições

Durante toda a campanha, o trabalho com o jornal foi colocado no centro pelos militantes. Fruto dessa luta política, foram vendidos 218 jornais em apenas duas semanas e meia.

Isso significa que os membros da chapa foram ganhando a consciência das pessoas a cada dia, a partir da evidência das contradições existentes no nosso país, que se baseia suas relações na lógica do lucro, e da associação direta do programa político para um DCE combativo ao Jornal A Verdade.

A imprensa popular cumpriu seu papel de disputa política com os estudantes e evidenciou a necessidade de se dar mais atenção ao trabalho com o Jornal A Verdade nas universidades.

Os estudantes das universidades federais, como um todo, têm sofrido com a falta de investimentos na educação. O novo teto de gastos estrangula o orçamento necessário para manter as políticas de permanência estudantil, mas não só isso.

Atualmente, as bolsas de iniciação científica, extensão e iniciação à docência, assim como as de permanência, estão sendo pagas no valor de R$ 700,00. Valor este que não chega nem aos pés de 1 salário mínimo e que é absurdamente insuficiente se considerarmos a pesquisa do DIEESE, que aponta que o salário mínimo deveria ser de R$ 7,1 mil para se viver dignamente.

Portanto, vencer a eleição foi só o começo. Como disse a nova coordenadora geral do DCE da UFMT, Rayssa Piovani: “a gente precisa ter a firmeza e a esperança de que o movimento estudantil pode fazer coisas muito grandes, então, o que a gente tá fazendo aqui é um ponta-pé inicial!”.

Centro Cultural Manoel Lisboa (CCML): polo de resistência e luta em Curitiba

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Localizado na região sul de Curitiba, a mais pobre da cidade, o CCML funciona como ponto de integração e de encontro para brigadas e aproximação com os moradores do bairro.

Jeanete Gouveia, Juliane Mendes e Jacson Luiz | Curitiba (PR)


CULTURA – O Centro Cultural Manoel Lisboa (CCML) é uma iniciativa dos comunistas que resistiram à ditadura, presente em dezenas de capitais brasileiras para manter vivo o legado de Manoel Lisboa. Recentemente, o CCML passou a contar com uma sede na cidade de Curitiba, onde se tornou um espaço de formação para a militância e a comunidade em geral. No local, estão disponíveis livros, revistas e outras publicações, além de ser um ambiente aberto para diversas atividades, como cursos, oficinas, feiras e muito mais.

Jeanete Gouveia é militante do Partido Comunista Revolucionário e uma das principais organizadoras do CCML em território paranaense. Entre 1998 e 1999, ajudou a organizar o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). Foi em Minas Gerais que recebeu, das mãos de Eliana Silva, a primeira bandeira e camiseta do movimento.

No Paraná, a camarada contribuiu para a divulgação do A Verdade, distribuindo-o em pequenas bancas e organizando, aos sábados, uma banquinha na rua XV de Novembro (região central de Curitiba). Hoje este é um dos pontos principais de brigada do jornal, fortalecendo o trabalho de conscientização popular. 

CCML no Paraná: espaço de luta e resistência

Inspirada na memória de seus avós, Jeanete tinha o desejo de construir um espaço que funcionasse como “casa dos comunistas”. Seu avô, grande amigo dos revolucionários, abria as portas de sua casa para que realizassem reuniões e atividades, tornando o espaço um ponto de encontro e organização. Com isso, aos poucos, sua dedicação ajudou a fazer surgir o CCML em um bairro na região Sul da capital paranaense.

Em demonstração de seu amor pela militância, doou mais de 600 exemplares de livros para a abertura da biblioteca do Centro Cultural Manoel Lisboa. Seu maior companheiro é o “Pitty”, seu cachorrinho, que a acompanha na rotina de cuidado do espaço. “O CCML é um lugar de resistência. Me sinto em casa quando estou lá e com a companheira Jeanete. Meus filhos amam muito a companheira, em especial meu bebê, Gustavo. Ela me acolheu de forma maravilhosa, gosto de ouvir a companheira contar suas experiências de militância e acho que ela tem muito a acrescentar a todos os militantes”, relata Luana, apoiadora da UP e do Movimento de Mulheres Olga Benário.

O local também foi sede da festa de 25 anos do jornal A Verdade, onde estiveram presentes os militantes dos nossos movimentos. Coletivamente, os militantes contribuem para manter as atividades do local, como almoço solidário, rodas de leitura e confraternizações, em sua maioria ajudam na arrecadação de valores para seguir com a luta na região. “Um dia que me marcou bastante foi o dia de comemoração dos nossos heróis lá no CCML. Achei muito bonita a comemoração, teve muito significado pra mim. Foi um momento que dedicamos para relembrar dos nossos camaradas que deram sua vida pela democracia”, relembra Luana.

Preservar o CCML é tarefa de todes

Atualmente, a manutenção do CCML é realizada graças às contribuições de todos os camaradas de Curitiba e região. Por meio de escalas e divisão de tarefas, os militantes de todos os núcleos e coletivos se revezam para manter o local limpo, organizado e acolhedor. “Todos deveriam ir ao CCML. É reconfortante e esperançoso saber das coisas que a companheira Jeanete pode dividir com a gente”, completou Luana.

A camarada Jeanete, uma veterana com apenas 20% da visão, continua sendo uma inspiração. Dedica-se com amor e determinação ao cuidado do espaço, à militância e à luta na construção da revolução. Assim como Jeanete, os militantes da UP e dos movimentos sociais se dedicam a manter e construir “a casa dos comunistas” com toda a disciplina e afinco que ela merece. Por isso, convidam todos a participar das escalas e atividades do CCML e a construir esse espaço de resistência e força em Curitiba.

Privatização da COPEL piora serviço de energia e precariza trabalhadores no Paraná

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Após a privatização da Companhia Paranaense de Energia (COPEL), que levou a um grande número de demissões, os problemas com a qualidade do serviços elétricos no estado se multiplicaram.

Movimento Luta de Classes Paraná


TRABALHADOR UNIDO – Em 2022, a Assembleia Legislativa do Paraná, composta por deputados da base do governador Ratinho Jr. (PSD), aprovou a privatização da Companhia Paranaense de Energia (COPEL) de forma mascarada. Apesar de os deputados da direita afirmarem que “somente de parte das ações” seriam vendidas, em agosto de 2023, o governo do Paraná vendeu a companhia em uma transação de R$ 4,53 bilhões na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3. Com isso, o governo deixou de ter o controle societário da companhia e ficou com apenas 15% das ações.

Além disso, pouco tempo após a privatização, a classe trabalhadora começou a sofrer as consequências. Desde o início do governo Ratinho Jr., a demissão dos funcionários subiu para 51%, devido à venda anterior da COPEL Telecom (serviço de internet da COPEL). Uma funcionária que preferiu não se identificar denunciou que a empresa pressionou os trabalhadores a aderirem a um programa de demissão voluntária. Isso ocorreu porque, sem ele, o acordo coletivo provavelmente teria sido adiado e atrasado a venda.

Privatizações de Ratinho precarizam serviço ao povo

No entanto, as garantias do acordo do plano de demissão foram descumpridas. “Ficamos surpresos quando chegou a data do cronograma de saída e a diretoria decidiu por cancelar a adesão de mais da metade dos solicitantes”, conta. Muitos, segundo a trabalhadora, já estavam com planos até de mudar do país, e isso fez com que muitos adquirissem um quadro de ansiedade, pânico e depressão severa, e até mesmo tentar o suicídio.

As demissões coincidem, também com o aumento de 23,6% nas ocorrências emergenciais de interrupção de energia e no tempo médio de preparação dos profissionais. Em setembro de 2022, esse intervalo era de duas horas e dezessete minutos. Em 2023, aumentou para mais de cinco horas. Além disso, as multas que a ANEEL aplicou à Copel aplicou à Copel por conta do nível de tensão aumentaram 625% no ano da privatização.

Um funcionário denuncia que a empresa só ressarcirá judicialmente os produtores que tiverem prejuízos nas plantações por interrupções no fornecimento de energia. Essa decisão, por sua vez, encerra o ressarcimento administrativo, aumenta a burocracia e impõe barreiras significativas para pequenos agricultores, que já enfrentam diversos desafios no campo.

Com a nova decisão, portanto, produtores com perdas por interrupções de energia devem buscar o Judiciário para ressarcimento, um processo que pode ser longo, caro e incerto. Assim, a medida é vista como um desestímulo aos pedidos de indenização, pois muitos agricultores não têm recursos ou tempo para enfrentar grandes empresas judicialmente.

Por fim, representantes da classe produtiva expressaram indignação com a mudança. “Essa decisão demonstra o total desrespeito da Copel com o produtor rural, que depende da energia elétrica para manter sua produção. Ao nos forçar a recorrer à Justiça, a empresa transfere a responsabilidade ao agricultor, que já enfrenta os impactos diretos das falhas no sistema”, criticou um líder*.

Lucros e pressão aumentam, salários congelam

Por outro lado, a nova política da empresa recém-privatizada estabeleceu altos salários para diretores e CEOs, se travestindo de “meritocracia”. Porém estes lucros exorbitantes não foram destinados a melhorar a infraestrutura de geração, transmissão e distribuição de energia. Muito pelo contrário, na mesma semana em que anunciou R$ 600 milhões em dividendos, a empresa não ofereceu aumento real aos empregados, mantendo os salários congelados. Essa decisão ocorreu após os trabalhadores rejeitarem amplamente a proposta do Acordo Coletivo de Trabalho, com 96,5% votando contra a oferta da COPEL.

A situação se agrava ainda mais, pois os empregados que permanecem na empresa enfrentam pressão constante dos diretores para aumentar os lucros, com base em uma nova metodologia de metas e resultados que ignora o histórico dos anos anteriores. Isso significa que a COPEL agora opera com metas desconectadas da realidade, focando apenas em gerar lucros excepcionais para distribuir aos novos acionistas.

Subsidiárias também estão precarizadas

A mesma coisa acontece na subsidiária Fundação COPEL, que administra os planos de previdência e saúde dos empregados. A ex-diretora Ana Letícia Feller organizou o PDV na COPEL e, como recompensa, recebeu o cargo de Presidenta na Fundação Copel.

Foi assinado o fim do seguro de vida Pecúlio, afetando mais de 10.000 funcionários que dependiam dessa garantia para seus dependentes em caso de morte.

Com o fim do seguro, os empregados e aposentados mais velhos correm o risco de não conseguir contratar um novo seguro de vida para suas famílias. Após a privatização, o novo grupo acionista controla indiretamente a Fundação COPEL, que administra R$ 14 bilhões em patrimônio dos empregados da companhia.

A contradição é clara: a privatização da COPEL custou R$ 4,53 bilhões, enquanto uma subsidiária vale R$ 14 bilhões, mais de três vezes o valor pago. A nova CEO, Ana Feller, cancelou o seguro de vida da Fundação COPEL e alterou o plano previdenciário, reduzindo os direitos dos empregados.

Efeitos da privatização

A privatização e o desmonte de benefícios e direitos impactam profundamente a saúde mental dos trabalhadores. Eles enfrentam cargas de trabalho cada vez maiores, salários congelados e o medo constante de demissão.

O episódio da tentativa de suicídio de um funcionário em 30 de janeiro de 2025 foi um dos mais graves efeitos da privatização na saúde mental dos trabalhadores. Segundo testemunhas, ele solicitou a demissão voluntária e teve o pedido negado. “Enquanto isso, a diretora ganhava a Presidência da Fundação Copel, e o CEO, Daniel Pimentel, posava para revistas”, denuncia uma testemunha.

Esse trágico episódio evidencia o desgaste físico e emocional a que os trabalhadores estão submetidos. Diante desses abusos, precisamos organizar a categoria para combater o fascismo. Somente pelo poder popular conseguiremos construir uma nova realidade social, que não seja da exploração do homem pelo homem, uma sociedade verdadeiramente livre.

*Mudamos os nomes originais para preservar a identidade dos entrevistados.

Saúde reprodutiva das mulheres é negligenciada no capitalismo

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Mesmo com diversos métodos contraceptivos e possibilidade de aborto legal, a saúde reprodutiva das mulheres sempre estará em risco no sistema capitalista.

Laís Muniz* | São Paulo (SP)


A legalização do aborto é uma questão de saúde pública por diversos motivos, como por sua alta mortalidade em clínicas clandestinas ou até mesmo pelo direito de escolha com base na saúde física e mental da gestante. Muito se fala sobre os corpos livres, mas o que seria de fato essa liberdade?

Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) possui uma gama de métodos contraceptivos para a população, podendo variar de região para região e de investimentos na saúde pública.  Entre eles podem se encontrar o anticoncepcional oral, os injetáveis (mensal ou trimestral), os dispositivos intrauterinos (DIU), o implante subdérmico, diafragma, a pílula do dia seguinte, as camisinhas e os métodos cirúrgicos (laqueadura e vasectomia). Os que se intitulam de “pró-vida” utilizam desses métodos como argumento para lhe fazer acreditar que “se você engravidou, foi culpa sua”.

Informações sobre saúde reprodutiva não chegam à população

O que não está esclarecido para a população é que mesmo com o método mais eficaz utilizado, não há como garantir que não haja uma gravidez. O índice de falha pode chegar a 21% dependendo do método escolhido, como é o caso da camisinha feminina. Mesmo com os métodos cirúrgicos, ainda há pelo menos 0,1% de chance de um método falhar, como é o exemplo de uma vasectomia. Até a laqueadura que muitas consideram como sua libertação tem 0,5% de falha.

Outra informação pouco difundida é que o diagnóstico de infertilidade, muito ligado por exemplo a endometriose e a síndrome dos ovários policísticos, não te deixa isento da capacidade de gerar novos indivíduos, apenas uma maior dificuldade para fecundação. Logo, esse termo está ainda muito distante da esterilidade. É preciso que essas informações sejam difundidas para todos, principalmente quando houver o debate sobre saúde gestacional, já que os números apontam que nem toda gravidez indesejada é oriunda de falta de preservação.

Para além das mulheres, corpos de homens trans e pessoas não binárias também podem passar pelo período de gestação. Desta forma, a responsabilidade da gestação não pode ser, exclusivamente, de quem gesta.

Segundo o Ministério da Saúde, ao menos 1 milhão de abortos são induzidos no Brasil todo ano e esse número independe da classe social, o único recorte é nas mortes dessas pessoas. Não é escondido de ninguém que existe a população restrita ao julgamento e ela tem cor, endereço e renda estipulada. Enquanto mulheres negras, pobres e periféricas morrem em pedidos de socorro, existem mulheres que conseguem facilmente um atendimento digno e apoio (ou até mesmo pressão) familiar para fazer o procedimento. A legalização do aborto é uma bandeira por sensibilidade com as que já estão vivas sofrendo que é preciso apoiar esse movimento.

Diversos estudos já foram feitos sobre a diminuição de abortos registrados nos locais onde há a legalização, então se é de interesse dos “pró-vidas” que isso ocorra, por que não apoiar? Ou só vale para a parente que destruiria a própria vida com a gravidez indesejada? E o que eles falam sobre as crianças que não possuem a oportunidade de viver por causa da opressão do estado? Ou onde estão os defensores da gestação de menores quando a discussão é o apoio psicológico das crianças abusadas sexualmente? Por que ser contra a educação sexual nas escolas? Onde estão os que incriminam o aborto quando o debate são os cuidados dos filhos das trabalhadoras?

No Brasil, com o crescimento descarado e cínico do fascismo, corremos risco de perder o que já foi conquistado: o direito do aborto legal para situações em que o feto seja anencéfalo, que exista risco à estante ou em caso de estupros.

Quantas matérias já vimos ou lemos sobre o não cumprimento do que é imposto por lei? Nos últimos anos, é noticiado diversos casos em que a lei não se cumpre quando se refere ao aborto legal. Um exemplo é o da criança de 11 anos que foi exposta nas mídias pela influenciadora Sara Winter e pela Thaís Maranhão do Portal Fidei, recebendo ofensas e pressão social por interromper uma gestação fruto de um abuso sexual que ainda era um risco para a sua saúde e vida.

Por um aborto legal e seguro

Essa ação levou ao debate e à pressão popular por um aborto completamente legal e necessário. Fora o descaso do estado que permitiu que o sofrimento dessa menina se prolongasse de 22 semanas (quando pediu ajuda) até 29 semanas de gestação.

Importante lembrar que mesmo com números altos, eles não são condizentes com a realidade. As mulheres da classe trabalhadora sofrem, morrem e viram subnotificações todos os dias. O respaldo da lei ainda é falho e opressor, já que mesmo abaladas psicologicamente são assediadas em delegacias ou em clínicas e hospitais que prestam o serviço. Hoje o médico do local, em casos que não sejam de emergências, pode escolher não realizar o procedimento se não tiver coerência com sua convicção, o que leva a vítima a implorar por um atendimento. Então até que ponto nos é assegurado o atendimento clínico?

Precisamos estar munidos de conhecimento e que o falso moralismo não nos desmotive da luta. Não podemos ignorar os fatos que são esfregados nas nossas caras todos os dias: enquanto mulheres pretas e periféricas são usadas como aparelhos reprodutores de mão de obra barata, a saúde reprodutiva das mulheres estará longe de ser uma prioridade do sistema capitalista.

*Laís Muniz é biomédica e militante do Movimento de Mulheres Olga Benario