UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 10 de abril de 2026
Início Site Página 59

A canção de protesto de Nara Leão contra a Ditadura Militar Fascista

0

Nara Leão foi uma das maiores cantoras e compositoras brasileiras. Rompeu com o movimento bossa nova e dedicou-se a uma arte comprometida com o povo, através do que ficou conhecido como canção de protesto, foi perseguida pelos militares.

Igor Barradas | Redação RJ


CULTURA – Em 19 de janeiro de 1942 nascia Nara Lofego Leão, cantora capixaba que em suas músicas defendeu uma sociedade com justiça social e sem exploração em meio a Ditadura Militar Fascista (1964-1985)

Ao longo de sua carreira, ela lançou mais de 20 discos e interpretou algumas das maiores canções da música brasileira. A história da vida de Nara Leão retrata um pessoa que se engajou com as causas sociais, rompeu com um padrão capitalista de produção de música e fez várias críticas ao exército burguês, chegando a ser perseguida pelos militares.

Origens de Nara

Nara nasceu no Espírito Santo, mas desembarcou no Rio de Janeiro com os pais e a irmã Danuza quando tinha 1 ano de idade. Filha de um advogado, cresceu em um amplo apartamento na Avenida Atlântica frequentado por nomes como João Gilberto, Roberto Menescal e João Donato, que escreveram na sala com vista para o mar canções que pavimentaram a Bossa Nova, como O Barquinho.

Esses artistas, começaram um movimento musical, segundo o escritor Ruy Castro: “era uma simplificação extrema da batida da escola de samba”, como se dela tivessem sido retirados todos os instrumentos e conservado apenas o tamborim. 

Rompimento com a bossa nova 

Nara, ao definir a bossa nova, dizia agora que “era uma música alienada”. A bossa nova tinha músicas que falavam sobre a vida da pequena-burguesia. Sempre citavam as vidas nas praias, contemplando o mar e a avistar barquinhos e não tinha muito mais para onde se expandir. Nunca citavam os problemas reais que o país passava na época.

Em uma passagem do início da carreira, Nara diz ter descoberto a existência da fome e da pobreza, e se revoltou em continuar entoando canções descoladas da realidade do povo brasileiro e das questões sociais.

Nara no CPC da UNE

Ainda neste período, também começou a gravar seu primeiro disco, Nara, lançado em 1964. Àquela altura, seu nome era associado a favor dos movimentos de esquerda. Em especial, seu nome era ligado ao de militantes comunistas da época, chegando a convidar alguns à sua residência para falar sobre as ideias comunistas.

Nara ligou-se ao Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE), fundado em 1961 por estudantes artistas e intelectuais progressistas, que tinham o objetivo de difundir e criar uma arte que fosse popular e política ao mesmo tempo e que fosse feita do povo e para o povo, que rompesse com a arte mercantilizada das classes dominantes ao tratar de assuntos reais do cotidiano. 

Além das apresentações ao vivo, Nara ainda passou a participar de programas de TV em diferentes estados. Em agosto, já contratada pela recém-inaugurada gravadora Elenco, começou a gravar seu primeiro disco, no estúdio Rio-Som, no centro do Rio de Janeiro. No repertório, faixas assinadas por Cartola, Elton Medeiros, Zé Keti, Moacyr Santos, Baden Powell, Edu Lobo, Carlos Lyra, Vinícius de Moraes, Gianfrancesco Guarnieri e Ruy Guerra. Entre os clássicos, “Diz Que Fui Por Aí”, “Luz Negra” e “O Sol Nascerá”. 

O Grupo “Opinião”

O cenário de repressão instaurado nas ruas após o golpe militar de março de 1964 inspirou a montagem de outro espetáculo do CPC (àquela altura já posto na ilegalidade pelo novo regime), chamado Opinião. Com a direção de Augusto Boal, do Teatro de Arena, textos de Oduvaldo Viana Filho e produção musical de Lyra, o musical trazia como protagonistas Nara Leão, Zé Keti e João do Vale.

O grupo trazia as representações dos próprios artistas para o palco, misturando a jovem branca pequeno-burguesa, o sambista negro e o nordestino, também negro. 

Logo que estreou, em um pequeno teatro dentro de um shopping center em Copacabana, em 11 de dezembro de 1964, Opinião transformou-se em febre entre os jovens que queriam protestar publicamente contra os primeiros meses de ditadura. 

Questões como desigualdades sociais, favelas e reforma agrária tornaram o evento um símbolo de resistência política a favor da democracia e da cultura brasileira. 

Duas canções na voz de Nara tornaram-se ícones daquilo que se convencionou a despois deste espetáculo, chamar de música de protesto brasileira: Opinião” (“Podem me prender/ Podem me bater/ Podem até deixar-me sem comer/ Mas eu não mudo de opinião”) e “Carcará” (“Carcará não vai morrer de fome/ Carcará mais coragem do que homem/ Carcará pega, mata e come”).

A primeira não só abre o repertório do segundo álbum de Nara, lançado ainda no final de 1964, como também dá título ao trabalho, que também traz do mesmo espetáculo “Sina de Caboclo”.

O estouro de Opinião foi a primeira demonstração pública de Nara Leão a respeito de seu descontentamento com tudo aquilo que se torna massivo. 

“Esse exército não serve pra nada!”

No dia 22 de maio de 1966, quando a ditadura militar começava a intensificar sua repressão contra o povo, com torturas e censura de ideias, o jornal Diário de Notícias publicava uma entrevista com Nara. Nela, a cantora soltou o verbo contra o regime. Disse que os generais entendiam de canhão e metralhadora mas não de política. 

Nara Leão defendia a extinção do exército burguês. Dizia que a instituição não servia para nada e “estava ficando cada vez mais obsoleta” e “caindo aos pedaços”.

Nara também disse que o Brasil, com suas profundas desigualdades, deveria investir na construção de hospitais e escolas, de preferência dentro das fábricas, para que, assim, o operariado tivesse uma vida decente.

No fim da entrevista, Nara ainda criticou a cassação dos deputados contrários à ditadura e disse que os militares fascistas deveriam ser impedidos de exercer suas funções e proclamou a urgência da nacionalização de toda e qualquer empresa no Brasil.

As manchetes de jornais alardeavam os rugidos de Nara Leão: “Nara é de opinião: esse Exército não vale nada”; “Nara pode ser presa mas não muda de opinião”; “Nara: sou contra militar no poder”; “Entrevista abalou os alicerces do Exército Nacional”; “Considero os exércitos, no plural, desnecessários e prepotentes”; “Meu violão é a única arma que tenho; meu campo de guerra é o palco.”

Mobilização contra prisão política de Nara Leão

As declarações de Nara repercutiram como uma bomba na sociedade carioca e dentro do governo. Jairo Leão previu que os militares fizessem alguma retaliação de forma arbitrária, enquadrando a filha na Lei de Segurança Nacional e abrindo um processo para prendê-la imediatamente. 

Nos bastidores, integrantes da linha dura do exército já pressionavam por alguma punição e ações que intimidassem Nara e seus amigos a não mais se sentir à vontade ao abrir a boca. E também que ela passasse a ser tão vigiada de perto que acabasse pedindo asilo político fora do país. 

A classe artística, por sua vez, mobilizou-se para fazer um abaixo-assinado encaminhado ao marechal Castello Branco, o primeiro militar presidente brasileiro após o golpe de 1964, pedindo o arquivamento do processo. 

Nara foi um exemplo de artista comprometida com a justiça social. Seu exemplo inspira. Sob ameaça de ser presa, Nara Leão foi defendida pelo poeta Carlos Drummond de Andrade, através de um poema publicado na imprensa e destinado ao Marechal Castelo Branco, disse quenão adiantava prisão para a voz que, pelos ares, espalha sua canção.”:

 APELO (excerto)

“Meu honrado marechal

dirigente da nação,

venho fazer-lhe um apelo:

não prenda Nara Leão (…)

 

A menina disse coisas

de causar estremeção?

Pois a voz de uma garota

abala a Revolução?

 

Narinha quis separar

o civil do capitão?

Em nossa ordem social

lançar desagregação?

 

Será que ela tem na fala,

mais do que charme, canhão?

Ou pensam que, pelo nome,

em vez de Nara, é leão? (…)

 

Que disse a mocinha, enfim,

De inspirado pelo Cão?

Que é pela paz e amor

e contra a destruição?

 

Deu seu palpite em política,

favorável à eleição

de um bom paisano – isso é crime,

acaso, de alta traição?

 

E depois, se não há preso

político, na ocasião,

por que fazer da menina

uma única exceção? (…)

 

Nara é pássaro, sabia?

E nem adianta prisão

para a voz que, pelos ares,

espalha sua canção.

 

Meu ilustre marechal

dirigente da nação,

não deixe, nem de brinquedo,

que prendam Nara Leão.”

Repressão a indígenas em Brasília mostra caráter antipovo do Estado burguês

0

Indígenas que lutavam em Brasília foram brutalmente reprimidos pela PMDF. Ação da polícia é sinal da política contra os povos indígenas do Estado brasileiro.

Marcela Bigonha | Brasília


LUTA POPULAR – Na noite do último dia 10 de abril, o Estado burguês mostrou mais uma vez sua verdadeira face: repressora, violenta e racista. Em um ato pacífico do Acampamento Terra Livre (ATL), que reuniu cerca de 8 mil indígenas de mais de 200 povos em frente ao Congresso Nacional, a Polícia Militar do Distrito Federal, com apoio do Departamento de Polícia Legislativa, lançou bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta contra os manifestantes, que exigiam o básico: respeito às suas terras, culturas e vidas.

Entre os atingidos pela ação brutal estava a deputada federal Célia Xakriabá (PSOL-MG), liderança indígena e mulher da luta. Mesmo se identificando, foi impedida de sair do local pelos policiais, desrespeitando sua imunidade parlamentar e demonstrando, mais uma vez, que o aparato repressivo do Estado não distingue entre povo e representante quando o objetivo é calar vozes insurgentes.

A repressão foi covarde. As imagens falam por si: homens armados até os dentes, cercando corpos pintados, mulheres com crianças nos braços, anciãos com cocares, cantando e marchando por justiça. Não havia qualquer “ameaça à ordem”, apenas o pavor da classe dominante diante da organização popular.

O ATL, em sua 21ª edição, vem sendo um grito dos povos originários contra o Marco Temporal, a política genocida do agronegócio e a omissão cúmplice do governo federal na demarcação de terras indígenas. Ao invés de atender às pautas históricas do movimento, o Estado responde com cassetete, gás e spray de pimenta.

Essa violência não é um erro isolado, é a expressão do caráter de classe do Estado brasileiro. Um Estado a serviço do latifúndio, das mineradoras, das empreiteiras e do capital imperialista. Um Estado que nega direitos ao povo trabalhador enquanto protege os interesses de meia dúzia de parasitas.

Só a luta popular organizada e a aliança entre indígenas, camponeses, estudantes, trabalhadores e juventude pode pôr fim a esse sistema apodrecido. A repressão não vai silenciar a marcha da história. Pelo contrário, mostra que estamos no caminho certo: o caminho da resistência, da solidariedade e da construção do poder popular.

UP cresce com o trabalho político dos núcleos do DF

0

Núcleos da UP do Distrito Federal desenvolvem importante trabalho político e partidário nas lutas locais.

Laura Ingrid | Brasília – DF


PARTIDO – No Distrito Federal, dois núcleos da Unidade Popular têm se destacado ao adotar um trabalho político e sistemático: o do Guará e o de Sobradinho.

O núcleo do Guará implementou duas brigadas mensais: uma fixa na Feira do Guará e outra na Rua do Lazer. Nessa última, além das brigadas, há uma banca que promove a venda de materiais e a interação com a comunidade. O núcleo também lançou um panfleto exclusivo, intitulado “Jornal Popular do Guará”, e organiza atividades como a colagem de lambes e porta em porta para apresentar o partido. Todas as propostas de atividades são definidas durante reuniões que ocorrem religiosamente nas noites de segunda-feira, a cada quinzena. 

Os resultados foram significativos: em apenas sete meses, de abril a outubro, o núcleo do Guará experimentou um crescimento de 350% no número de participantes. As brigadas se tornaram um ponto de referência, atraindo cada vez mais militantes e aumentando as vendas do jornal. As bancas, por sua vez, se mostraram locais ideais para recrutamento e obtiveram um excelente retorno financeiro.

O núcleo de Sobradinho realiza brigadas quinzenais na Rodoviária e na Feira Permanente, com panfletos específicos do núcleo. Além disso, promove agitações nas paradas de ônibus, abordando as pessoas que aguardam transporte. Esse sucesso é resultado de um estudo aprofundado de AGP nas reuniões regulares, que acontecem presencialmente, favorecendo a conexão entre os filiados e ampliando a consciência política dos militantes.

Diversas atividades financeiras também são desenvolvidas, incluindo eventos que mobilizam não apenas o núcleo de Sobradinho, mas também outros núcleos do partido. Além dessas, atividades como rifas e cine debates sobre a crise da saúde no DF são realizadas. Os resultados são notáveis: desde janeiro até outubro, o núcleo cresceu 67%. Como consequência desse engajamento e consciência, foi estabelecido um ponto fixo e diário para a venda do jornal A Verdade em uma papelaria próxima à Rodoviária de Sobradinho, consolidando ainda mais a presença do núcleo na comunidade.

A Unidade Popular do Distrito Federal organiza sua militância em núcleos territoriais, o que facilita a participação e o engajamento dos filiados. No entanto, é fundamental destacar que o desenvolvimento de cada núcleo não ocorre de forma espontânea. A construção de uma base sólida e a adesão as atividades exigem um esforço contínuo e persistente, essencial para o fortalecimento do partido.

O Papel do Coordenador no Fortalecimento dos Núcleos

Para superar os desafios impostos pelo liberalismo e pela falta de envolvimento, é essencial que o coordenador do núcleo exerça uma liderança firme, promovendo reuniões produtivas e atividades regulares. Um coordenador eficaz não se deixa desanimar pela baixa participação ou pela dificuldade em recrutar novos membros; em vez disso, ele analisa essas situações para identificar falhas e não desiste de manter as atividades em andamento. As ações realizadas dentro do núcleo sempre trarão retorno, mesmo que não seja imediato.

Um bom coordenador se apresenta aos companheiros não apenas como dirigente, mas também como companheiro, compreendendo as realidades cotidianas dos participantes e oferecendo apoio nas dificuldades. O núcleo deve ser um espaço de aprendizado e desenvolvimento individual e coletivo, além de um meio para atrair novos membros e ampliar a atuação da Unidade Popular na região. A atuação do coordenador deve incluir acolhimento e ensino, oferecendo críticas construtivas quando necessário e sendo um exemplo de dedicação e colaboração para todos.

Atividades e Reuniões: Estratégias para o Engajamento dos Militantes

O sucesso das reuniões no núcleo depende do desenvolvimento de encontros que incluam estudos relevantes e que estejam conectados ao cotidiano dos participantes. Marcar as reuniões com antecedência e confirmar a presença de cada membro são práticas que incentivam o envolvimento. É fundamental que cada reunião já saia com a próxima agendada, além de atribuir atividades a serem realizadas entre os encontros, garantindo que todos os participantes se sintam responsáveis pelo núcleo. A criação de atas é essencial para registrar os assuntos discutidos e as decisões tomadas.

A presença de um núcleo territorial facilita as atividades presenciais, já que os militantes residem ou trabalham na mesma região, e o conhecimento do local por parte dos membros é um ativo valioso. Para fortalecer a atuação, é recomendável estabelecer uma brigada em um local fixo, o que ajudará a criar compradores habituais e promover diálogos mais produtivos. Nas reuniões, o núcleo deve debater os melhores locais para essa brigada, realizando testes antes de definir um espaço fixo, que deve ocorrer regularmente a cada quinzena.

Outra atividade importante é a instalação de uma banca, que deve ser decidida em conjunto durante as reuniões. Este espaço se torna uma excelente oportunidade para aprofundar diálogos, realizar recrutamentos, fazer financias e divulgar a linha política do partido.

Nas brigadas, é essencial contar com dois importantes meios de diálogo com o povo: o Jornal A Verdade e um panfleto específico do núcleo, que traga as reivindicações mais urgentes da comunidade. A elaboração deste panfleto deve envolver todos os militantes do núcleo, promovendo uma mobilização coletiva e atribuindo tarefas que geram entusiasmo em relação ao trabalho realizado.

Além disso, é crucial incutir nos militantes o princípio da autossustentação, incentivando a criatividade e a responsabilidade na formação de um caixa para o núcleo. Esse fundo pode ser utilizado para cobrir despesas, como o transporte de companheiros que não podem arcar com esses custos, assegurando assim a participação de todos nas atividades.

A importância do trabalho com o jornal

É tarefa primordial apresentar e falar do socialismo para a população, com a sua verdadeira face e reivindicações. E isso só será alcançado através da venda em grande quantidade do JAV, que gera conexão com nossa classe e desenvolve consciência política da verdadeira realidade do povo. 

Laura Ingrid | Brasília (DF)


CARTA – É dever primordial e indispensável de todo militante o trabalho de divulgação e propaganda, esse trabalho é herança da práxis, a união dialética entre teoria e prática. E a melhor forma de materialização é com a venda do jornal A Verdade (JAV) .

“O social democrata [1], se for a favor, não apenas em palavras, da política de desenvolvimento integral da consciência do proletariado, deve ‘passar por todas as classes da população’. Como teóricos, como propagandistas, como agitadores e como organizadores, devemos ‘estar entre todas as classes da população’”. Lênin em Que fazer?.

A venda do JAV faz com que todo o trabalho feito pelo partido seja exposto para a população, uma grande oportunidade de mostrar quem é a Unidade Popular e como ela e seus movimentos irmãos atuam no Brasil e no mundo. Imóveis ocupados para criação de casas de referências do movimento de Mulheres Olga Benario, Natal sem fome do Movimento de Luta nos Bairros Vilas e Favelas – MLB, responsável por arrecadar milhares de cestas básicas, os movimentos grevistas do Movimento Luta de Classes – MLC e o movimento estudantil nas escolas e universidades, com o Rebele-se e o Correnteza. Essas atuações devem sempre ser publicizadas para a população, de modo que possam enxergar a atuação social do partido e diferenciar a mídia popular e revolucionária das mentiras que a mídia capitalista promove para difamar a todo tempo o socialismo.

A burguesia utiliza de todas as oportunidades e instrumentos para impedir o desenvolvimento do socialismo com o movimento operário, e para destruir esse impulso, usa todas as modalidades para reprimir a verdade da população. Inclusive, aplicações de golpes, guerras, ditaduras e até dissolução de parlamentos que ela própria colocou no poder.

Além disso, o JAV possui uma enorme importância para o estudo dos militantes, não um estudo acadêmico, engendrado e afunilado, mas um estudo de qualidade, revolucionário e de fácil acesso. O jornal é responsável por conectar a nossa linha política com o nosso cotidiano e ligar o pensamento dos militantes a um só ideal necessário para a nossa luta, o qual nos permite dar voz aos nossos pensamentos e ser guia no meio de todos os conflitos ideológicos.

“A missão do jornal não se limita, sem embargo, a difundir ideias, a educar politicamente e a conquistar aliados políticos. O jornal não é só um propagandista coletivo e um agitador coletivo, senão também um organizador coletivo.” Por onde começar? Lenin.

O trabalho de venda do JAV pode parecer árduo e causar desconforto nos militantes mais tímidos. Essas dificuldades são vencidas no cotidiano, quanto mais estamos na rua em contato com as massas, mais desenvolvemos a habilidade de falar com o povo. Nem todas as tarefas do partido iremos fazer com brilhos nos olhos e desejo esplendoroso, mas temos que refletir a importância do nosso trabalho ser construído de modo diário, sistemático e contínuo. Para isso, é necessário encarar todas as tarefas que o partido decide em coletivo para construir o melhor para o todo. 

É muito comum o relato de ao termos símbolos comunistas de modo mais expressivo nas capas do JAV, as vendas diminuem ou ficamos apreensivos e com anseio de retaliação. Entretanto, exatamente nesses editoriais, devemos agir com mais garra e determinação, devemos traçar diálogos com a população e expor ainda mais alto as nossas reivindicações e linha política.

Só conquistaremos um Brasil e um mundo verdadeiramente popular com a revolução feita pela massa trabalhadora. É tarefa primordial apresentar e falar do socialismo para a população, com a sua verdadeira face e reivindicações. E isso só será alcançado através da venda em grande quantidade do JAV, que gera conexão com nossa classe e desenvolve consciência política da verdadeira realidade do povo. 

UM JORNAL FEITO PELO E PARA O POVO, JORNAL A VERDADE.

NOTA:

[1] Quando Lenin se refere a “social-democrata” fala na realidade dos comunistas russos que até 1917 utilizavam esta denominação.

Como a dívida pública sabota o futuro do Brasil?

Apesar dos frequentes apelos por cortes em áreas essenciais, como saúde e educação, o Governo Federal destinou R$ 2 trilhões ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública em 2024 — valor que representa 43% do orçamento, segundo dados da Auditoria Cidadã da Dívida.

Thaís Rachel Zacharia | Vice-presidente da UNE


JUVENTUDE – A grande mídia e os economistas burgueses frequentemente argumentam que o Brasil não dispõe de recursos suficientes para sustentar áreas fundamentais como saúde e educação, defendendo cortes orçamentários como solução para equilibrar as contas públicas. Contudo, essa narrativa ignora um dado alarmante: quase metade do orçamento anual do país é consumido pelo pagamento de juros e amortizações da dívida pública.

Em 2024, segundo a Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), o Brasil destinou R$ 2 trilhões à dívida pública, o equivalente a 43% do orçamento federal. Em contraste, menos de 3% do orçamento foram destinados à educação, somando R$ 111 bilhões, conforme dados do Ministério da Fazenda.

Esses números evidenciam uma dura realidade: a política econômica do atual Governo Federal privilegia os bancos e bilionários em detrimento da educação pública, recebendo quase onze vezes mais recursos!

A situação das universidades federais ilustra ainda mais essa desigualdade. A Universidade Federal do Ceará (UFC), por exemplo, recebeu R$ 170 milhões em 2024, valor insuficiente para cobrir seus custos básicos, como contratos de manutenção e assistência estudantil. Enquanto isso, o pagamento da dívida pública drenou R$ 5,5 bilhões por dia dos cofres públicos. Apenas um dia de pagamento da dívida equivale a mais de 32 anos do orçamento atual da UFC. Essa mesma lógica se aplica à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ): um dia de pagamento da dívida corresponde a 14 anos do orçamento desta universidade.

Outro exemplo. Em 2024, o Governo Federal destinou R$ 1,5 bilhão para programas de assistência estudantil na educação superior, atendendo apenas 400 mil estudantes em um universo de mais de 8,5 milhões matriculados em instituições federais e estaduais. Esse valor corresponde a apenas 27% do montante gasto em um único dia com a dívida pública. Ou seja, a suspensão do pagamento de um dia de dívida garantiria a manutenção de mais de três anos e meio da política de assistência estudantil nacional. Para contextualizar: sete minutos de pagamento da dívida equivalem ao orçamento anual da assistência estudantil da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), que foi de aproximadamente R$ 28 milhões em 2024.

Além disso, os valores destinados à construção de restaurantes universitários – como os R$ 2,35 milhões para o do Campus Leopoldina do Cefet-MG, em 2024, ou os R$ 1,8 milhão previstos em 2025 para o do campus Paulo Freire da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) – são ínfimos frente ao montante diário drenado pela dívida pública. Com os recursos sequestrados pela dívida, seria possível construir um novo restaurante universitário por minuto no Brasil.

Embora medidas como a taxação de grandes fortunas sejam apontadas como alternativas para ampliar os recursos públicos – podendo gerar cerca de R$ 40 bilhões em arrecadação anual – esse valor representa menos de onze minutos do pagamento diário da dívida pública. Em que pese essa medida seja justa e necessária, mesmo políticas fiscais progressivas não seriam suficientes para reverter a desigualdade causada pelo sistema da dívida, que vai continuar pagando muito bem os bilionários, grandes capitalistas e banqueiros do Brasil mesmo que estes tenham suas fortunas taxadas.

Esse contraste entre os recursos destinados à dívida pública e aqueles investidos na educação reflete uma escolha política que prioriza os interesses de uma pequena oligarquia financeira em detrimento das necessidades da população brasileira.

Diante dessa realidade insustentável e injusta, é fundamental que a dívida pública seja auditada para verificar sua legitimidade e suspensa enquanto não houver transparência sobre sua origem e finalidade. O Brasil não deve continuar pagando uma dívida que compromete seu desenvolvimento social e econômico em benefício exclusivo do capital financeiro.

Nesse sentido, a luta do movimento estudantil e de todo o setor da educação continua sendo fundamental para pressionar o Governo e o Congresso Nacional e garantir que os recursos necessários sejam direcionados à educação. Somente por meio da organização coletiva e da mobilização será possível assegurar um futuro mais justo, onde o direito à educação seja plenamente respeitado e valorizado.

Matéria publicada na edição impressa nº310 do jornal A Verdade

Trabalhadores não recebem seus salários e paralisam atividades

Trabalhadores das unidades da rede Caetano em Itu, Valinhos e Vinhedo cruzaram os braços no início de março, após acumularem três meses sem depósito do FGTS e enfrentarem o atraso do salário de fevereiro.

Roque Silva Junior | Valinhos – SP


TRABALHADOR UNIDO – No início de março, trabalhadores das redes de supermercado Caetano, das cidades de Itu, Valinhos e Vinhedo, encontravam-se com o salário de fevereiro atrasado e sem depósito do FGTS por três meses. Os funcionários enfrentaram condições de trabalho precárias, prateleiras vazias, com equipamentos sujos e a falta de esperança na boa vontade do patrão.

Insatisfeitos, os trabalhadores cruzaram os braços. A promessa de pagamento era apenas para o dia 20 de março. O sindicato da categoria apareceu, mas, ao invés de ser um instrumento de luta e apoiar a reivindicação dos funcionários por seus direitos trabalhistas, incentivou-os a continuarem o trabalho e a suspenderem a manifestação.

No dia 11, foi realizada uma nova reunião entre o sindicato e a empresa, definindo que as unidades de Valinhos, Vinhedo e Itu seriam fechadas. Além do fechamento, o sindicato reforçou a promessa de pagamento no dia 20 e que a unidade Valinhos Centro ficaria aberta. Ainda foi informado que os funcionários seriam demitidos sem justa causa, com as verbas rescisórias divididas em nove vezes, incluindo o salário e o FGTS atrasados.

Os militantes do núcleo da Unidade Popular (UP) na região foram conversar com os trabalhadores e acabaram sendo expulsos da unidade Centro e Vinhedo, além das ameaças de que a empresa chamaria a Polícia. Quando retornaram à unidade da Vila Santana, continuaram apoiando e conversando com os trabalhadores e aguardavam por uma conversa com o líder sindical. O combate à exploração da classe trabalhadora incomoda tanto que foram confrontados e ameaçados por um dos seguranças. Apesar das tentativas de intimidação, o povo se posicionou ao lado dos militantes e chegaram a questionar o porquê da expulsão.

Os trabalhadores ficaram trabalhando sem salário, sem orientação, foram impedidos de se comunicar com os militantes e deixados de lado. Quando questionaram o sindicato se poderiam ir até o mercado para obterem mais informações a respeito do cumprimento do acordo, a resposta foi que a presença física não acelera nem muda nada. Tal desincentivo vem para impedir que todos vejam o descaso com os funcionários, fazendo com que eles permaneçam reféns da empresa.

O sistema capitalista explora os trabalhadores, forçando-os a permanecerem trabalhando em uma situação em que o mercado está vazio, sem condições de higiene e sem salário.

A única alternativa a fim de exterminar situações como essa é uma organização da classe para lutar por seus direitos. Trabalhador, organize-se e lute!

Matéria publicada na edição impressa nº310 do jornal A Verdade

O agronegócio e as grandes empresas são responsáveis pela piora na alimentação do povo

Em 2023, o agronegócio emitiu cerca de 617 milhões de toneladas de gases do efeito estufa, enquanto empresas como Cargill, Bunge e JBS seguem com práticas de desmatamento e à degradação do solo.

Sam Paz Silveira | Porto Alegre – RS


BRASIL – Você já se perguntou por que os alimentos de hoje parecem não ter o mesmo sabor – nem os mesmos nutrientes – de anos atrás? A resposta não está apenas na natureza ou no tempo, mas sim nas engrenagens de um sistema movido pelo lucro: o capitalismo. Mais especificamente, nas práticas das grandes corporações alimentícias e do agronegócio, que priorizam quantidade e aparência em detrimento da qualidade nutricional dos alimentos. Em 2023, o setor agropecuário brasileiro emitiu aproximadamente 617 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (CO₂e), representando um aumento de 3% em relação a 2022 (Observatório do Clima).

Um artigo publicado na National Geographic Brasil, de 2022, aponta que o conteúdo de minerais, vitaminas e outros nutrientes essenciais diminuiu consideravelmente ao longo das últimas décadas. Ou seja, alimentos como frutas, legumes e vegetais estão ficando progressivamente menos nutritivos.

Por trás disso, está a forma como o capitalismo e o agronegócio operam: monoculturas extensivas, uso intensivo de fertilizantes químicos, sementes geneticamente modificadas para resistir a pragas e longas viagens de transporte. Essas práticas, impulsionadas pelas grandes empresas do setor, como Cargill, Bunge e JBS, têm como objetivo principal maximizar a produtividade e os lucros, mesmo que isso custe a saúde do solo – e, consequentemente, a qualidade dos alimentos. Inclusive, a Cargill, uma das maiores fornecedoras de produtos agrícolas do mundo, está implicada no desmatamento da Amazônia, especialmente devido ao cultivo de soja.

A Bunge, também um gigante global no setor agrícola, assim como a Cargill, é criticada por sua relação com o desmatamento na Amazônia e no Cerrado, especialmente no cultivo de soja e milho.

Já a JBS, embora seja mais conhecida pela produção de carne, também é uma das principais compradoras de soja para ração animal (The Guardian e WWF). A empresa é mencionada em estudos sobre desmatamento devido à sua demanda por soja, cultivada em terras que antes eram florestas tropicais. Além disso, a JBS figura no topo das maiores emissoras de gases de efeito estufa no mundo, segundo um levantamento de 2024 da Changing Markets.

Ao escolher variedades de vegetais que duram mais nas prateleiras e têm melhor aparência comercial, em vez de priorizar os nutrientes, as grandes corporações alimentares estão transformando o que comemos em produtos cada vez mais vazios. O solo, explorado sem descanso, já não consegue fornecer os mesmos minerais às plantas. E isso significa que, mesmo comendo as mesmas quantidades (o que também não ocorre visto o aumento no preço dos alimentos), estamos nos nutrindo menos.

Esse empobrecimento alimentar tem consequências graves para a saúde do povo. A falta de nutrientes contribui para o avanço de doenças, como obesidade, diabetes, hipertensão, problemas de imunidade e até distúrbios cognitivos. A grande contradição é que, em pleno século 21, com supermercados abarrotados de produtos, vivemos uma nova forma de fome: a fome de nutrientes.

E quem mais sofre com isso são as populações de baixa renda. Os alimentos verdadeiramente nutritivos, muitas vezes cultivados de forma sustentável e sem agrotóxicos, são caros e inacessíveis. Já os produtos ultraprocessados – baratos, calóricos e pobres em valor nutricional – dominam as prateleiras e as dietas da maioria da população.

A verdade é que esse não é um problema individual, de escolhas alimentares erradas. É um problema estrutural, gerado por um sistema de produção controlado por um punhado de grandes empresas que tratam alimentos como mercadorias, e não como parte essencial da saúde humana e do equilíbrio ambiental.

É essencial que repensemos a forma como produzimos e distribuímos alimentos, priorizando uma agricultura que respeite o planeta e as pessoas, evitando o desperdício e o uso predatório dos recursos naturais. Porém, enquanto o lucro for o principal motor da agricultura e da indústria alimentícia, continuaremos vendo nossos alimentos – e nossa saúde – se degradarem. A única forma de garantir a soberania alimentar para todo o povo é acabando com o podre sistema capitalista e construindo uma sociedade nova, o socialismo, em que todos terão acesso à alimentação de qualidade, à saúde e à vida digna.

Matéria publicada na edição impressa nº310 do jornal A Verdade

Demissão de terceirizados na UFAL expõe violação de direitos

Nove trabalhadores terceirizados da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) foram demitidos após denunciarem atrasos salariais e outras irregularidades trabalhistas cometidas pela empresa Percons, responsável por serviços no campus.

Redação AL


TRABALHADOR UNIDO – Em um caso de clara violação de direitos trabalhistas e de transparência, nove funcionários terceirizados da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) foram demitidos após reivindicarem o pagamento de salários atrasados e o cumprimento de obrigações trabalhistas pela empresa Percons, que era responsável pela prestação de serviços na instituição. A situação, que já era grave, ganhou contornos ainda mais dramáticos com a contratação de uma nova empresa, a Terceirize Serviços, que excluiu justamente os trabalhadores que lideraram as mobilizações por seus direitos. Entre eles, está Fábio Monteiro, um funcionário com três décadas de serviço na Biblioteca Central, que, após a demissão, adoeceu gravemente e enfrenta uma crise de saúde física e mental.

Rosilene da Conceição Lima, uma das terceirizadas demitidas, relata que a prática comum na UFAL era a de absorver os funcionários das empresas anteriores quando um novo contrato era firmado. No entanto, em 2024, com a chegada da Terceirize Serviços, dos 93 funcionários da Percons, apenas oito não foram recontratados – justamente aqueles que estavam na linha de frente das reivindicações por salários atrasados, FGTS não recolhido e outros direitos trabalhistas. “Ficou nítido que a gente sofreu uma retaliação. Não tem outra justificativa”, denuncia Rosilene.

Segundo ela, a situação expõe uma falha grave na fiscalização dos gestores de contrato, que permitem práticas como nepotismo e a contratação de terceirizados com vínculos familiares com servidores públicos – algo expressamente proibido por lei. “O nepotismo está aí, claro, à mostra, e isso é inadmissível numa universidade que preza pela democracia”, finaliza.

Descartados

A demissão de Paulo Nascimento, que trabalhava na recepção da Pró-reitoria de Graduação (Prograd), desde 2016, escancara uma prática inadmissível: a perseguição contra trabalhadores que reivindicam seus direitos. No dia 02 de janeiro de 2025, após anos de dedicação à universidade, ele recebeu a notícia de que estava sendo desligado sem qualquer justificativa plausível. Mesmo sem receber em dia, ele e os demais trabalhadores continuaram suas atividades, tirando dinheiro do próprio bolso para transporte e sobrevivência. Mas, ao invés de respostas, vieram as represálias e as demissões.

A revolta é ainda maior porque a legislação garante o direito dos trabalhadores de paralisarem suas atividades em casos de atraso de salários. No entanto, ao invés de serem ouvidos, foram punidos. “Nós prestamos o serviço, a universidade não foi prejudicada, mas fomos descartados como se não tivéssemos valor”, lamenta Paulo. Agora, sem sequer ter acesso imediato ao seguro-desemprego, ele e outros ex-funcionários acionaram a Justiça para tentar garantir o pagamento do que lhes é devido.

Um dos casos mais emblemáticos é o de Fábio Monteiro, que dedicou 32 anos de sua vida à Biblioteca Central da UFAL. Após ser excluído da nova contratação, ele adoeceu gravemente, com picos de diabetes e uma crise severa de erisipela, uma infecção cutânea que o levou a ser hospitalizado por mais de 20 dias. Atualmente, ele está em casa, sem perspectivas de recuperação.

Desvio de função

O advogado Marcos Rolemberg, que representa os demitidos, não poupa críticas à UFAL. Ele afirma que a universidade vem utilizando a terceirização de forma fraudulenta para burlar a necessidade de concursos públicos, contratando pessoas para exercer funções que, por lei, são exclusivas de servidores concursados. “Na carteira de trabalho dessas pessoas consta que elas trabalhavam como recepcionistas, mas, na prática, jamais exerceram essa função. Elas atuavam em serviços burocráticos, recebendo muito menos do que os servidores concursados e sem qualquer segurança jurídica”, denuncia o advogado.

Rolemberg também denuncia a conduta da universidade como “flagrantemente discriminatória e antissindical”, comparando-a à atitude dos “coronéis do início do século 20”, que retaliavam trabalhadores que ousavam reivindicar seus direitos. “Bastou os dirigentes serem cobrados por atraso de salários para retaliarem os trabalhadores com a demissão”, afirma.

Ataque à democracia universitária

O caso dos terceirizados é mais do que uma questão trabalhista, é um ataque aos princípios de democracia e justiça que deveriam ser pilares de uma instituição de ensino superior. A universidade, que deveria ser um espaço de pensamento progressista e de defesa dos direitos humanos, agiu de forma autoritária e discriminatória, punindo aqueles que ousaram lutar por seus direitos.

É urgente que a UFAL e os órgãos competentes investiguem a fundo essas denúncias, punam os responsáveis e garantam que práticas como essas não se repitam. Enquanto isso, trabalhadores como Fábio Monteiro e Rosilene da Conceição Lima seguem lutando não apenas por seus direitos, mas pela dignidade que lhes foi roubada.

Matéria publicada na edição impressa nº310 do jornal A Verdade

Avançar na luta por moradia digna, reforma urbana e socialismo

O aumento do custo de vida atinge em cheio a classe trabalhadora brasileira, enquanto milhões de famílias seguem sem acesso à moradia digna.

Renan Carvalho | Rio de Janeiro – RJ


BRASIL – O custo de vida da classe trabalhadora cresce cada dia mais em nosso país. A carestia dos alimentos, aluguéis, passagens de ônibus e tudo que é necessário para se viver, atinge milhões de famílias. Para piorar, quase 60 milhões de brasileiros estão endividados, segundo dados do Serasa, pagando juros altíssimos a bancos e financeiras que só roubam o dinheiro e o sonho das pessoas.

No meio desse cenário, encontra-se a luta por moradia digna. O Governo Federal, apesar de algumas melhoras no programa “Minha Casa, Minha Vida” (como o número de moradias por empreendimento; obrigatoriedade de equipamentos públicos no entorno; entre outros) manteve a questão central, que é a transferência de dinheiro público para as mãos das empreiteiras, aquecendo o mercado imobiliário e deixando ainda mais ricos os empresários do ramo da construção civil.

Durante os primeiros anos do programa, a falta de moradia digna atingia mais de cinco milhões de famílias. Mais de cinco milhões de moradias foram construídas até 2016 e, em 2017, o déficit de habitação do país, segundo a Fundação João Pinheiro, chegava a quase oito milhões de famílias. Ou seja, esse programa é incapaz de resolver a situação da moradia no país, pois, no sistema capitalista, diariamente surgem novas famílias desamparadas.

A situação do atual programa demonstra a fragilidade e a falta de condições políticas desse Governo para avançar em pautas populares. A maior fatia de recursos do programa é para construções que visam ao financiamento das classes média e média alta, as chamadas faixas 2 e 3. As construções de moradias para o povo pobre seguem com a menor parte do programa.

Para a modalidade “Minha Casa, Minha Vida – Entidades”, que poderia apresentar melhoras no programa, a partir da parceria com movimentos sociais que lutam por moradia, são destinados menos de 3% dos recursos, mostrando que o principal foco do programa é realmente transferir dinheiro público para empreiteiras e aumentar a carta de imóveis do setor imobiliário.

No Rio de Janeiro, desde 2022, 110 famílias que realizaram a Ocupação Luiz Gama receberam a promessa da construção de dois habitacionais na região central e adjacências. No entanto, burocracias e problemas políticos, tanto do Governo Federal quanto do Estadual, têm dificultado que as famílias recebam o benefício. Mesmo assim, as famílias em luta conseguem arrancar avanços importantes para garantia desse direito. Já foram realizados atos em secretarias, órgãos públicos e ruas para pressionar pela contratação das empresas e o início das construções.

Organizar o povo para lutar é dever de todo militante que luta por teto e por uma sociedade mais justa. Por isso, precisamos cada vez mais estar nos bairros pobres, vilas e favelas para convocar nosso povo para lutar, pois só numa sociedade onde o poder político esteja nas mãos da classe trabalhadora é que vamos conseguir resolver todos esses problemas, ou seja, numa sociedade socialista.

Matéria publicada na edição impressa nº310 do jornal A Verdade

No Brasil, população em situação de rua aumentou 14 vezes desde 2013

2

Em três meses, mais de 7 mil pessoas passaram a viver nas ruas no Brasil, que já soma 335 mil sem moradia. Em São Paulo, cidade mais rica do país, a população em situação de rua chegou a 96 mil. O avanço da miséria expõe a falta de políticas públicas e o agravamento das contradições do capitalismo.

Jesse Lisboa | Redação


BRASIL – A cada dia, mais brasileiros dormem nas calçadas, debaixo de marquises ou em barracos improvisados. Desde 2013, o número de pessoas em situação de rua cresceu 14 vezes. Esse aumento não é por acaso, mas explicita as contradições do sistema capitalista. Em São Paulo, capital mais rica do país, concentra 96.220 pessoas em situação de rua. A cidade que movimenta bilhões por ano também é palco de sofrimento para milhares que não têm sequer onde morar.

Em março de 2025, o Brasil tinha 335.151 pessoas vivendo nas ruas, segundo dados do Cadastro Único. O número é maior do que o registrado em dezembro de 2024, quando eram 327.925. Em apenas três meses, mais de 7 mil pessoas passaram a viver nessa condição.

É importante lembrar que esse fenômeno já foi descrito por Karl Marx em 1867, na sua obra, O Capital, em que chamou de Lei Geral da Acumulação Capitalista: “Ela condiciona uma acumulação de pobreza correspondente à acumulação de capital. A acumulação de riqueza num polo é, portanto, simultaneamente, acumulação de miséria, tormento de trabalho, escravatura, ignorância, brutalidade e degradação moral no polo oposto, isto é, do lado da classe que produz o seu próprio produto como capital”.

O aumento de pessoas em situação de rua tem nome e causa: o desemprego, a alta nos preços e a falta de moradia acessível. O modelo econômico, que prioriza o lucro acima da vida, deixa milhões de pessoas sem acesso a direitos básicos, como casa, comida e trabalho. O que sobra é exclusão.

Em vez de cuidar das pessoas, algumas prefeituras tentam esconder o problema. Em 2023, em Porto Alegre, por exemplo, a prefeitura preferiu “limpar” a cidade retirando os moradores de rua à força, em vez de oferecer apoio de verdade. Essa é a chamada “higienização social”: esconder os pobres como se fossem sujeira. É uma contradição absurda. O Brasil é um país cheio de riquezas. Mesmo assim, cresce o número de pessoas que vivem nas ruas. Por quê? Porque a riqueza está concentrada nas mãos de poucos, enquanto a maioria luta para sobreviver.

O crescimento da população em situação de rua também está relacionado com o fim das políticas de moradia nos últimos anos. Durante o governo do fascista Jair Bolsonaro, que sempre atacou os direitos do povo, praticamente nada foi feito para garantir casa para quem mais precisa.

Entre 2019 e 2021, Bolsonaro não contratou nenhuma nova obra de moradia popular. Só em 2022, e já pressionado pelas eleições, anunciou a construção de apenas 2.450 casas. Um número vergonhoso para um país onde mais de 8 milhões de famílias não têm onde morar.

A pergunta que fica é: por que milhões de trabalhadores que produzem a partir de seu trabalho as riquezas do país são pobres e correm o risco de ir para as ruas?

No Programa da Revolução Socialista Brasileira do PCR, diz: “A causa da pobreza e do desemprego no Brasil está no fato de as fábricas, terras, máquinas, prédios, transportes, etc. serem propriedade privada de um pequeno número de ricos. […] Dito de outro modo, o povo trabalha em benefício dos ricos, sob um contrato, em troca de um salário”.

Para mudarmos essa realidade, é necessário entender que o desenvolvimento do capitalismo só agrava a pobreza e a miséria. Mesmo com promessas de políticas públicas, a desigualdade só aumenta. Isso porque, enquanto o sistema capitalista continuar existindo no Brasil, os ricos continuarão ficando mais ricos e os pobres sendo jogados à margem. Ontem e hoje, a única saída real para mudar esse cenário é a revolução socialista, que pode abrir caminho para um país justo, onde todos tenham casa, trabalho e dignidade.

Primeiro de Maio contra a escravidão da escala 6×1

Com participação massiva da Unidade Popular e do Movimento Luta de Classes em uma série de cidades, as manifestações de Primeiro de Maio deste ano tiveram o fim da escala 6×1 como principal bandeira

Felipe Annunziata, Guilherme Arruda e Jesse Lisboa | Redação


Neste Primeiro de Maio, os atos do Dia Internacional do Trabalhador por todo o país reuniram milhares de pessoas em centenas de cidades. Neste ano, as manifestações tiveram como principal bandeira o fim da escala 6×1, símbolo da exploração da classe operária brasileira.

No ato realizado em São Paulo, o presidente nacional da Unidade Popular, Léo Péricles, destacou o papel histórico do Primeiro de Maio para os operários, desde os mártires de Chicago nos EUA (como já explicou o jornal A Verdade, foi em sua homenagem que a data se tornou uma jornada internacional de luta dos trabalhadores) até o Brasil. O dirigente da UP lembrou que, em 1954, a classe trabalhadora do país foi capaz de obrigar o Governo Federal a aumentar em 100% o salário mínimo. O decreto do aumento, antecedido por uma onda de lutas que teve como ponto alto a greve geral de 1953, foi publicado em 1º de maio de 1954. Nos dias de hoje, o partido convoca o povo a se mobilizar por um novo aumento de 100% no salário mínimo – além de pautas como o fim da escala 6×1, a redução do preço dos alimentos e a punição dos fascistas e golpistas.

No mesmo sentido, o metroviário Ricardo Senese afirmou em sua fala que só por meio da luta organizada é que os trabalhadores conseguirão impor novas vitórias históricas. “Para nós, essa data deve servir para aprofundar a nossa combatividade e levantar bem alto as nossas bandeiras e o nosso jornal. Para que fique bem claro aqui na frente da Fiesp e dos patrões: essa escala 6×1 vai cair, porque a classe trabalhadora está preparando uma greve geral nesse país”, convocou o dirigente do Movimento Luta de Classes (MLC).

No último período, multiplicaram-se os protestos em shoppings exigindo o fim da escala 6×1 e convocando os trabalhadores a se organizarem para pôr fim a essa jornada de escravidão. Em 2024, a paralisação de 9 dias dos trabalhadores da Pepsico, que conquistou mais dois sábados de folga nas fábricas da empresa, demonstrou que isso é possível.

É o que contou Roberval Pedrosa, diretor do STILASP, sindicato que teve papel destacado na condução da greve: “Antigamente, a jornada de trabalho era de 14 horas, mas a luta do pessoal lá de trás acabou com isso. Nos nossos dias, precisamos unir os partidos, sindicatos, federações e movimentos populares pelo fim da escala 6×1, porque os patrões estão muito bem organizados. Só assim é que nós vamos fazer história. Nós estamos em uma situação propícia para mudar a vida dos trabalhadores e acabar com essa escala”.

Atos unificados

No Rio, o ato foi unificado entre os sindicatos, partidos de esquerda e movimentos sociais na Praça da Cinelândia, no centro da capital. Organizações como a Unidade Popular e o movimento VAT se fizeram presentes com centenas de militantes. A luta contra a escala 6×1 e contra a exploração também ficou marcada pela presença de trabalhadores de aplicativo, de além das categorias afetadas pela jornada exaustiva de trabalho.

No ato, algumas categorias em greve, como o setor da cultura do serviço público federal estavam bem representadas através da mobilização do Sindisep-RJ. Também chamou a atenção a presença do deputado federal Glauber Braga (PSOL – RJ), vítima de perseguição política por parte de deputados do Centrão e do fascismo na Câmara Federal.

Em Recife, a Unidade Popular pelo Socialismo (UP) e o Movimento Luta de Classes (MLC), junto a centenas de trabalhadoras e trabalhadores das mais diversas categorias que constroem e mantém funcionando diariamente a capital pernambucana, se reuniram em Água Fria, na Zona Norte da cidade, para reivindicar um 1º de maio de lutas e o fim da escala 6×1.

Erguendo cartazes e as bandeiras que representam a luta contra a exploração e o fascismo, os trabalhadores recifenses denunciaram o avanço das políticas neoliberais – ora adotadas por governos de direita, ora por governos social-democratas –, exigiram o fim da escala 6×1, a redução dos preços no alimento, o aumento de 100% de salário mínimo, dentre outras reivindicações.

“O ato foi de extrema importância porque temos visto uma tentativa de retirar o simbolismo das datas históricas da classe trabalhadora, desvirtuando seu significado e menosprezando seu papel. Aconteceu esse ano com o 8 de março que quase sumiu engolido pelo Carnaval e parte dos movimentos sociais jogando pra fazer o ato em outra data. E agora também tivemos atos das centrais no dia 30 de abril. Precisamos erguer alto a bandeira do 1° de maio como dia de luta e não de descanso. E o ato de hoje mostrou isso: o quanto a classe trabalhadora está disposta a ir pro enfrentamento em busca de seus direitos. O apoio massivo ao fim da escala 6×1 aponta o caminho que temos que seguir, que é organizar os trabalhadores sob essa bandeira e arrancar mais vitórias da burguesia”, destaca Ludmila Outtes, presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Pernambuco.

Unificação das lutas no Brasil e no mundo

Nos atos de todo o país, houve relatos das mais recentes lutas dos trabalhadores por condições mais dignas. Em São Paulo, falaram representantes dos servidores públicos da capital paulista, do funcionalismo do município de Santo André e também dos operários da Silgan Dispensing – todos esses, no último período, fizeram importantes greves e mobilizações contra os patrões e governos neoliberais. Em João Pessoa, na Paraíba, houve pronunciamentos de lideranças dos trabalhadores da limpeza urbana, que fizeram uma paralisação de 24 horas no dia 23 de abril, levantando a bandeira do fim da escala 6×1.

A unificação das lutas dos trabalhadores deve inclusive ultrapassar as fronteiras dos países, como demonstra o trabalho dos núcleos internacionais da Unidade Popular, destacado na manifestação em São Paulo, ocorrida na Avenida Paulista. “Em vários países, estamos sendo procurados por brasileiros que trabalham de forma precária. Realizamos recentemente também um encontro com os trabalhadores turcos que moram na Alemanha, mostrando que a língua não é barreira para a solidariedade dos trabalhadores”, explicou Felipe Araújo, membro de um dos núcleos organizados fora do país, lembrando o caráter internacionalista do Primeiro de Maio.

O núcleo internacional da Unidade Popular participou dos atos do Primeiro de Maio no exterior. Em diversas cidades da Europa, a militância da UP levantou as bandeiras das lutas por direitos dos imigrantes e também a necessidade da unidade internacional da classe trabalhadora contra os ataques da burguesia imperialista.

Primeiro de Maio é dia de luta

Em várias partes do mundo, a classe trabalhadora enfrentou os aparelhos de repressão da burguesia para se manifestar neste dia. A defesa dos direitos históricos dos trabalhadores, como a redução da jornada de trabalho, o aumento dos salários e a defesa dos direitos dos povos estiveram na ordem do dia neste Primeiro de Maio.

No Brasil, entretanto, o setor do imobilismo no movimento sindical continuou a insistir na realização de atos sem conteúdo político ou de defesa dos direitos dos trabalhadores – como em São Paulo, onde o ato das centrais sindicais teve como eixo o sorteio de carros. As centrais mostraram mais uma vez sua dificuldade de se mobilizar.

A realidade é que o Primeiro de Maio no Brasil não pode ter um caráter apenas de festa, mas deve ser um dia de luta. O enfrentamento que a UP, MLC e vários outros movimentos sociais e de trabalhadores promoveram nesses últimos dias contra a escala 6×1 mostra que o nosso Primeiro de Maio deve e pode ser sim um dia de luta contra os patrões e os desmandos dos governos.

Em cada cidade, em cada categoria de trabalhadores, em cada local de trabalho, há pessoas exploradas querendo se organizar e se mobilizar para lutar pelos seus direitos. Os atos do Primeiro de Maio que contaram com a participação e organização da Unidade Popular, do Movimento Luta de Classes e de outros setores combativos provam isso. Agora, a luta contra a escala 6×1 e o aumento do salário mínimo continua em todo o país.

*Em São Paulo (SP), Edio Mattos colaborou com a reportagem.