UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 29 de agosto de 2025
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“A questão Palestina não acaba somente com o fim desse conflito”

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Em entrevista ao jornal A Verdade, Ana Maria Pimenta e Muhammad Tawfik, que se conheceram enquanto estudavam na antiga União Soviética, discutem a relação entre Palestina e Brasil e denunciam o genocídio na Faixa de Gaza.

Clóvis Maia | Redação PE e JC Moretti | Redação PB


O jornal A Verdade entrevistou Ana Maria Pimenta, brasileira, e seu esposo, Muhammad Tawfik, palestino, que se conheceram quando estudavam na antiga União Soviética (URSS). Na entrevista, falam sobre a relação Palestina/Brasil e sobre o genocídio que ocorre na Faixa de Gaza.

A Verdade – Falem um pouco de vocês e de como se conheceram.

Ana Maria Pimenta: Eu sou de Natal, Rio Grande do Norte. Estudei na Antiga União Soviética e lá conheci meu esposo, que é palestino. Nossa filha mais velha nasceu lá em Moscou. De lá, quando terminamos os estudos, fomos para a Palestina. Ficamos mais quatro anos lá, onde nasceu o meu filho mais novo. E depois viemos para o Brasil, morar em Natal. Estamos já há uns 25 anos morando lá. Só que a família da gente toda continua na Palestina. Muhammad, meu esposo, é o único filho que saiu da Palestina.

Muhammad: Eu nasci em 1965, na cidade de Nazaré, que naquela época já estava sob domínio de Israel. Meus pais nasceram na Palestina. Porque nasceram antes de 1948, quando era só Palestina. Então, eu sou palestino-israelense, filho de palestinos. Esta cidadania israelense não foi nossa escolha, foi imposta. E naquela época, 1948, ficaram na Palestina, em Israel, somente 150 mil palestinos. Hoje tem um milhão e meio.

Como foi crescer na Palestina com toda essa pressão colonial do sionismo?

Muhammad: Eu cresci como qualquer adolescente palestino. Sob o domínio sionista. Tortura psicológica. Quando você ia trabalhar numa cidade judaica, porque infelizmente só tinha emprego nessas cidades, pois nas cidades palestinas não há nada para trabalhar. Não por incapacidade. Mas pela política de Israel, de não deixar indústrias nas cidades palestinas. Por quê? Para deixar os palestinos dependentes de Israel em qualquer coisa. Então, na adolescência, quando ia trabalhar nessas cidades judias, durante as férias escolares, era humilhação enorme nos centros, nos parques, nas rodoviárias. Você chegava, descia na rodoviária e todos sabem pela sua fisionomia que você é árabe. Então, começa: “O que você está fazendo aqui nessa cidade?” “Para que você chegou?” “Mostre sua identidade”, “abra sua bolsa” … Humilhação na frente de todo mundo. Aquela humilhação psicológica para intimidar e, infelizmente, conseguiam em grande parte. Agora, adultos, já sabemos que era só uma tortura.

Quando se fala em Palestina, no povo Palestino, a questão da resistência é algo que logo vem à mente. A questão do enfrentamento ao sionismo e da ocupação de Israel é algo quase inevitável. Fale um pouco sobre o tema da resistência Palestina.

Muhammad: Não havia outra saída. Por isso, nós nos organizamos naquela época em partidos da esquerda. Partidos comunistas, Frente Popular, Frente Democrática. Até as Irmandades Muçulmanas, que existiam na nossa cidade. Todos com ideias diferentes, mas juntos, trabalharam para combater o sionismo. Como não temos armas, pois se tiver é preso, organizamos manifestações, cobranças. E por isso, nós conseguimos muita coisa, não tudo o que a gente queria, mas muita coisa. Conseguimos via pressão, manifestação e cobrança nas ruas. Como palestinos.

Nessa nova etapa do genocídio promovido pelo sionismo, surge infelizmente até na esquerda quem acuse a União Soviética de ter apoiado o sionismo. Qual a opinião de vocês sobre o papel da URSS nesse processo? O que a experiência de vocês diz sobre isso?

Ana: Não dá pra negar que a União Soviética prestou um grande favor para o chamado Terceiro Mundo. E para a população carente. Porque eles deram muitos, milhares, talvez milhões de diplomas para o Terceiro Mundo. Pouca gente conseguiu estudar, porque custa muito dinheiro em Israel. Então, prestamos uma espécie de Enem pelo Partido Comunista e tinham bolsas de estudo no mundo socialista. Então conseguimos estudar. Na nossa época lá ainda era socialismo. Então, todos os países da Europa Oriental (Alemanha, Tchecoslováquia, Bulgária, Hungria), tinham acesso a bolsas de estudos para estudar na URSS. E uma boa formação, tá?

Muhammad: Aqui no Brasil, nas Universidades Federais, se estuda de graça. Lá em Israel é difícil para se estudar, pois é tudo pago e caro. Além de uma espécie de Enem que você presta para entrar na universidade, tem o formulário para você preencher: “Você serviu no Exército?” “Você mora em que cidade?” E manda cópia da sua identidade, que em Israel está escrito se você é árabe ou judeu. Imagine em que lugar no mundo se discrimina seu cidadão. Lá está escrito na identidade se você é árabe, muçulmano, cristão, judeu…

Fale um pouco mais como eram essas bolsas de estudos para estudar lá na URSS.

Ana: Eram bolsas gratuitas, ofertadas para os jovens, sem discriminação de cor, crença, país… Eu por exemplo fui pelo Centro da Mulher Brasileira. Ele foi pelo Partido Comunista. Quando eu fui, existiam bolsas para o Partido Comunista e outras instituições. Estudei como se fosse na Federal da URSS. E ele foi de lá também com bolsa. Não pagávamos nada. Tínhamos estadia, alimentação, livros. O básico para tudo. Se você quisesse uma condição melhor, tinha que se virar. Era suficiente: moradia com bolsa em dinheiro para todos. E não era só para os estrangeiros. Os estudantes soviéticos também tinham esses mesmos direitos. Eles tinham moradia também. Moradia de estudantes como a gente. Morávamos juntos com eles, inclusive.

E como se deu a vinda de vocês para o Brasil, já como uma família?

Muhammad: Terminamos os estudos em 1993. Voltamos para a Palestina ocupada e começamos a trabalhar. Ficamos três anos e meio, quatro anos. Depois viemos visitar a família dela no Brasil, acabamos gostando e ficando. Pelo menos aqui não tem aquela discriminação por ser palestino, árabe. Porque a discriminação é tão grande que, mesmo eu tendo cidadania e passaporte israelense, sou discriminado por ser árabe. Aqui você não tem discriminação contra outro povo. Aliás, não tinha, agora tem. Contra povos indígenas, imigrantes refugiados, mas na minha época, quando eu cheguei em 1996, não tinha, não.

Nós acabamos de sair de um governo fascista no Brasil. Vocês sentem que essa guinada xenofóbica se deu agora, depois dessa nova campanha da mídia hegemônica burguesa contra o povo Palestino ou com a ascensão de Bolsonaro ao governo isso já se mostrava abertamente?

Ana: É um negócio que não tinha antes. Você vinha de fora, não recebia nenhum tipo de olhar estranho ou de reprovação. Hoje em dia tem essa… Bolsonaro nunca escondeu quem era. Tem até um vídeo aqui na Paraíba, ele defendendo que aqui era um estado judaico-cristão. Que os outros não tinham lugar aqui. Ou seja, ele ressuscitou fascistas que estavam mortos ou escondidos. Tirou todos do armário. Ele mostrou o seu racismo, discriminação contra as minorias. Por causa disso, no Rio Grande do Norte, nós formamos um fórum inter-religioso. Porque as matrizes africanas também são ‘minorias’ e também estão sendo atacadas. E até hoje estamos sofrendo. O governo agora mudou, mas estamos sofrendo ainda.

Na reunião entre comitês Pró-palestina vocês falaram sobre ‘trazer novas pessoas para essa causa’. Como vocês enxergam essas manifestações hoje no Brasil, e a criação desses comitês?

Muhammad: Somos gratos por essas ações e iniciativas. Somos sempre de esquerda, fazemos manifestações, participamos de atos e articulações. Mas sempre falamos que nas manifestações pró-Palestina não devemos levar nossas bandeiras partidárias. Levar a bandeira da Palestina, o cartaz da Palestina, a camisa da Palestina. Disso que precisamos. Enquanto continuarmos nas nossas manifestações apenas com bandeiras partidárias um número maior de pessoas deixa de participar, pois fica parecendo coisa apenas de partidos. Mas quando as pessoas passam na frente do ato e vê nas nossas manifestações as nossas bandeiras, mas vê também um cartaz falando do sofrimento dos palestinos, a situação das crianças morrendo, das mães e mulheres sendo assassinadas, isso sim toca de fato as pessoas. Devemos ser inteligentes como eles têm sido. Precisamos encontrar uma maneira de sair disso, pois estamos empacados, entendeu? não vai para frente nem para trás. Caímos na armadilha deles. Essa pauta é muito importante, e não vai acabar mesmo com o fim do atual conflito. É preciso deixar de lado as nossas diferenças e partir para uma unidade verdadeira. Só assim a gente consegue crescer e ficar mais forte. Essa é a nossa preocupação e nosso objetivo.

Um ano do genocídio em Gaza: bombas de Israel já mataram mais de 52 mil palestinos

Mesmo debaixo de bombas e sob a constante mira das metralhadoras das tropas invasoras, o povo palestino mantém sua resistência ao genocídio e a disposição para defender sua vida e seu território.

Redação 


EDITORIAL – O dia 07 de outubro marca um ano de mais um episódio do genocídio organizado pelo Estado de Israel contra o povo palestino, com apoio do governo dos EUA e das grandes potências europeias. São oito décadas de ocupação ilegal do território da Palestina, com a criação de assentamentos de colonos israelenses e expulsão da população local e o assassinato indiscriminado de homens, mulheres, crianças e idosos.

Durante este último ano, o jornal A Verdade buscou fazer uma cobertura que trouxesse a realidade à qual o povo palestino está submetido, especialmente na Faixa de Gaza, onde o massacre se concentra atualmente.

Denunciamos as táticas usadas pelo Exército de Israel para executar o genocídio definido pela política imperialista dos governos norte-americano e israelense. Mas também falamos das grandes mobilizações mundiais em defesa da Palestina livre e da resistência inquebrantável do povo palestino. Povo que, mesmo submetido aos piores crimes contra a humanidade, não abandonou seu território e continua a se opor à invasão e ao terrorismo de Estado, ao extermínio das bombas e balas do regime sionista do sanguinário Benjamin Netanyahu.

Genocídio em Gaza

O regime sionista de Israel já matou, em números oficiais, mais de 42 mil palestinos. Ainda existem cerca de 10 mil desaparecidos, há meses soterrados sob os escombros das cidades destruídas. Portanto, podemos falar em mais de 52 mil mortos. Aproximadamente 70% dessas vítimas diretas são mulheres e crianças. Os feridos passam de 100 mil, com um número ainda desconhecido de pessoas que ficaram amputadas ou cegas.

“Este é o maior genocídio de todos os tempos, e televisionado. Estudos apontam que, para cada morte oficial, decorrente diretamente das ações bélicas, haveria mais quatro mortes. Esse total daria quase 10% da população de Gaza um ano atrás, mais de 200 mil pessoas. Este não é um genocídio promovido por tresloucados de Israel. É um genocídio promovido pelas grandes metrópoles, pelos EUA, pela Inglaterra, pela França, pela Alemanha”, afirma Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe-Palestina do Brasil (Fepal).

Tirando as vítimas diretas dos bombardeios de soldados sionistas, mais de 2 milhões de palestinos foram expulsos de suas casas e forçados a perambular pela Faixa de Gaza (que possui apenas 365 km2) para fugir das bombas. É desconhecido ainda o número de pessoas vítimas de doenças psicológicas, fruto dos traumas gerados pela violência dos ataques.

No dia 21 de setembro, o jovem Fadi Alwhidi (que aparenta ter menos de 15 anos), deu um depoimento em vídeo, desesperado, logo após sobreviver a um bombardeio que matou toda a sua família no Norte de Gaza: “Estávamos assando pão. Quando, de repente, veio um míssil e destruiu nossa casa. Queremos comer, queremos viver. Como isso pode ser certo?! Não temos mísseis nem aviões, nem produzimos nada. Martirizaram minha avó, meu avô e meu tio. As pernas do meu pai foram amputadas [logo depois, ele também faleceu]. Oh, Deus! Oh Deus! Mataram minha família!”.

Todos os hospitais foram bombardeados, a principal universidade de Gaza foi destruída, assim como mais de 85% das escolas. O cerco militar de Israel proibiu o acesso dos palestinos às plantações que ficam próximas à fronteira. No mar, a marinha israelense atira e mata pescadores, tudo com a intenção de não deixar os palestinos comerem.

Todas as fontes de água potável estão controladas por Israel, que deixa entrar água a conta gotas. As ajudas humanitárias entram apenas com autorização dos sionistas e correm o risco de sofrerem bombardeios. Em fevereiro, Israel atirou contra um comboio humanitário e matou mais de 110 palestinos e deixou mais de 700 feridos. 

Desde o início da guerra, Israel usou essas e outras táticas para aplicar a política de genocídio contra os palestinos. Na edição nº 292 de A Verdade, denunciamos que o regime sionista criou programas de computador para orientar drones e mísseis a matar o máximo de palestinos possíveis.

A notícia foi resultado de uma apuração de dois jornais israelenses, que mostrava que o verdadeiro objetivo do fascista Netanyahu é expulsar e assassinar os palestinos para anexar a Faixa de Gaza. Esta é uma das características do imperialismo capitalista, como demonstrou o líder comunista russo V. I. Lênin.

Até agora nenhuma organização internacional, como a ONU, tomou uma medida efetiva para enfrentar Israel. Tirando notas públicas de governos e discursos bonitos de presidentes, a maioria dos países continuam fazendo comércio com Israel e “apostando no diálogo”.

Cinismo da mídia burguesa

No entanto, nenhuma dessas atrocidades seria possível se não fosse o cinismo e a cumplicidade da grande mídia burguesa. Pintando o regime do fascista Netanyahu como a liderança mundial da “luta contra o terrorismo islâmico”, os monopólios de mídia norte-americanos e europeus (seguidos fielmente pela imprensa brasileira) omitem informações sobre o genocídio e apresentam os ataques de Israel “como direito de defesa”.

Ora, que direito de defesa é esse que deixa dois milhões de vítimas?! A Palestina ainda sequer é um país independente, é, na verdade, a maior vítima da política colonial contemporânea em escala mundial. Então, como pode uma das forças militares mais poderosas do mundo ter “direito de defesa” contra um território que ela própria ocupa?

E não para por aí: a grande mídia chama de “guerra” entre Israel e Hamas. Como se os palestinos, submetidos a mais 75 anos de ocupação militar, limitação de direitos, prisões e assassinatos arbitrários, não pudessem resistir.

Na edição nº 282 de A Verdade (novembro de 2023), quando os ataques não tinham completado nem dois meses, entrevistamos a jornalista Heloísa Villela, que esteve na Cisjordânia como correspondente do ICL Notícias. Na ocasião, ela nos explicou porque é mentira a história de “direito de defesa” apresentada pela mídia burguesa.

“A gente tem que deixar muito claro que esse negócio de direito de defesa é uma aberração. É uma ocupação colonial mesmo. Não há dúvidas. Porque uma guerra supõe duas forças. Não adianta querer comparar as duas coisas [Israel e palestinos]. Você tem um país que tem bomba atômica, tem um exército armado até os dentes, com dinheiro dos Estados Unidos, com as armas mais modernas. E, do outro lado, uma população faminta, que está tentando brigar pela sua liberdade. Basta você olhar as imagens de como está Gaza”, afirmou a jornalista na ocasião.

Agora, Israel quer ampliar ainda mais sua política de expansão, aprofundando o cerco às cidades e aldeias palestinas na Cisjordânia, que é a maior região do território da Palestina, iniciando uma campanha terrorista no Norte, contra o povo do Líbano, aliado histórico da causa palestina.

No fim das contas, para a grande mídia burguesa é como se o povo palestino não pudesse resistir e precisasse aceitar de bom grado a dominação sionista. No entanto, a vida mostra exatamente o contrário: o que mais os palestinos aprenderam a fazer ao longo de sua milenar existência na região foi resistir. E hoje, contam com o apoio e a solidariedade dos povos do mundo inteiro.

Resistência palestina

O extermínio que Israel impõe aos palestinos deixou descoberta a rede de mentiras que o sionismo conta ao mundo há 80 anos. Esta realidade se impôs de uma forma que nem Israel esperava. Isso porque, desde o início dos crimes de guerra, milhões de trabalhadores em todo o mundo se levantam em defesa da Palestina. Em grandes capitais do mundo ocorreram manifestações com centenas de milhares de pessoas, como Londres, Paris, Berlim, Tóquio, Nova Yorque e Bogotá. No Oriente Médio, a classe trabalhadora questiona cada vez mais os governos pelo imobilismo diante do genocídio palestino e continua promovendo gigantescas manifestações de rua pedindo cessar-fogo imediato e a criação de um Estado Palestino.

As monarquias absolutistas reacionárias, como Arábia Saudita e Marrocos, e mesmo repúblicas autoritárias, como Egito e Turquia, sofrem forte contestação de seus povos, pois, enquanto os EUA mandam bilhões de dólares em armas para Israel, seus governos continuam a ser capachos do imperialismo.

Centenas de universidades pelo mundo foram ocupadas por estudantes, que interromperam aulas e formaturas para exigir o rompimento de todas as cooperações científicas com universidades sionistas. Em muitas instituições, principalmente nos EUA e na Europa, esse objetivo foi alcançado.

Durante as Olimpíadas e as Paralimpíadas de Paris, o público demonstrou seu rechaço à delegação israelense, enquanto que a delegação palestina foi a mais aplaudida em todas as cerimônias. Nos tribunais internacionais, a pressão dos países amigos da Palestina, como a África do Sul, Colômbia e Cuba, tem conseguido alguns poucos avanços para responsabilizar Netanyahu e seus comparsas pelos crimes contra a humanidade.

Mas o mais impressionante de tudo é a resistência e a disposição do povo palestino para defender sua vida e seu território. Mesmo debaixo de bombas, mesmo sob a constante mira das metralhadoras das tropas invasoras, mesmo com o assassinato em massa das famílias, os palestinos continuam a resistir. Preservam sua cultura, sua língua e não saem dos territórios que ocupam há muitos séculos. O povo palestino demonstra ao mundo que não há outra saída contra o imperialismo do que a luta de um povo por sua própria libertação.

Publicado na edição nº 300 do Jornal A Verdade.

Ação de estudantes da UFPI busca denunciar crise climática capitalista

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Organizado por movimentos sociais e entidades estudantis, ação de plantio de mudas de árvores na UFPI denuncia aquecimento global e suas consequências para os trabalhadores.

Celine Oliver Albuquerque e Giovana Soares | Teresina (PI)


EDUCAÇÃO – Em 18 de setembro, o Movimento de Mulheres Olga Benário e o Movimento Correnteza, em conjunto com os Centros Acadêmicos de Agroecologia, Jornalismo, Pedagogia, Moda e Ciências Sociais da Universidade Federal do Piauí realizaram o plantio de 19 mudas de árvores nativas ou frutíferas ao lado da Residência Universitária de Teresina. A ação teve o intuito de engajar os alunos na luta contra a crise climática global, refletindo criticamente a respeito da origem desse problema e tornando o campus da universidade um espaço mais verde e termicamente confortável para os estudantes.

Ações como essa não podem ser reduzidas a uma perspectiva liberal que prega que se “cada um fizer sua parte, podemos mudar o mundo”, a intenção dessa ação é questionar e denunciar a falta de engajamento dos governos no combate à crise climática capitalista que tem no aquecimento global uma de seus principais problemas. Num dia, estudantes apenas com poucos recursos da universidade conseguiram realizar o plantio de 19 mudas, coisa que o Estado poderia fazer numa escala muito maior.

Enquanto a classe trabalhadora é a principal afetada pela destruição causada pelo agronegócio, a indústria do petróleo e a indústria da mineração, essas indústrias e o governo que trabalha a seu favor para o suposto bem da economia, estão, na verdade, apenas interessados em como eles podem aumentar seus lucros. Com os desastres ambientais causados por eles, apenas a classe trabalhadora e a natureza são atingidas. Se nós não agirmos rápido para combater esses parasitas que estão destruindo nosso planeta, quem vai?

As árvores que crescerão da atividade farão uma diferença para os estudantes residentes desse espaço. Porém, não se pode perder de vista que, por mais que mais ações como essa ajudem um pouco, enquanto a raiz do problema do aquecimento global, o capitalismo, continuar o avanço das mudanças climáticas, vai continuar transformando cada vez mais famílias em refugiados climáticos.

O capitalismo é um sistema que preza pela produção e exploração sem limites dos recursos limitados do nosso planeta em nome do enriquecimento e concentração de poder da burguesia, sem se importar com a opressão da classe trabalhadora ou com como a crise climática destrói suas vidas e os obriga a sair de seus lares por conta de desastres perfeitamente evitáveis, como o acontecido no Rio Grande do Sul. Não é nenhuma surpresa a constatação de que esse sistema capitalista é, sem dúvidas, o principal responsável pela crise climática global e pela miséria da classe trabalhadora, a principal afetada pelas mudanças climáticas.

Retomar os recursos naturais roubados da classe trabalhadora pelas elites e instaurar um regime socialista de economia cíclica e sustentável, é a única forma de garantir a preservação adequada do meio ambiente, cessando e revertendo os efeitos desastrosos sofridos por conta dos abusos do modelo capitalista de exploração desenfreada dos recursos naturais.

Ações como a que foi realizada devem servir como um espaço de agitação, propaganda e conscientização das massas a respeito da necessidade da revolução socialista para a construção de um mundo em que exista uma verdadeira qualidade de vida para toda a classe trabalhadora e no qual se respeite os limites da natureza, sem os extrapolar a fim de produzir além do necessário.

É mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo?

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Desde 1980, cientistas alertam sobre o aquecimento global, em grande parte causado pelo aumento do efeito estufa, especialmente devido ao CO² emitido por grandes indústrias. A ONU já declarou que entramos em um estado de “Ebulição Global”, e as consequências estão se tornando insuportáveis.

Anne Cavalcante | UJR Garanhuns


MEIO AMBIENTE – Desde 1980 diversos cientistas de vários países vêm desenvolvendo pesquisas e alertando o mundo sobre o avanço do aquecimento do planeta. Um dos principais motivos é o aumento do efeito estufa, que aumenta a cada ano o buraco da camada de ozônio que protege o planeta, por gases ricos especialmente em gás carbônico (CO²), como também a ação do homem. Porém, é importante destacar: que homem é esse?!

Durante décadas, o capitalismo como ideologia da classe dominante tem gerado duas grandes impressões no pensamento dos povos do mundo sobre este assunto, pensamento reproduzido em massa através das mídias: “a responsabilidade do aquecimento do planeta  é de todos”. Desde grandes potências capitalistas a pequenos países em desenvolvimento, ou melhor, desde bilionários detentores de fábricas em diversos países até trabalhadores de qualquer país do mundo, como os do Brasil que trabalham em média 8 horas por dia para ganhar um salário mínimo. 

Sendo assim, o discurso colocado que se o povo trabalhador não diminuir a quantidade de tempo de banho; não usar um canudo de papel; ou não trocar seu desodorante spray por um creme; será o responsável por destruir o planeta. Esse discurso é propagado fortemente e tira a responsabilidade do capitalismo e joga a culpa no povo.

Os grandes monopólios industriais que utilizam de forma incontrolável os combustíveis fósseis para produção de energia, em sua maioria nos Estados Unidos, são os verdadeiros culpados. Em 2023, as empresas de energia emitiram 37,4 bilhões de CO2 na atmosfera,  1,1% a mais do que 2022. Junto a isso os grandes latifúndios, que desmatam e geram queimadas incontrolavelmente, também contribuem para o aquecimento. E mesmo com as condições para adotar outra forma de energia não o fazem, pois não daria tantos lucros.

A segunda questão é apresentada nos momentos mais agudos do sistema capitalista e muito usado pelo fascismo: o negativismo científico. O povo é induzido a acreditar em meia dúzia de pseudociências, com meias verdades de que o aquecimento global não existe, que o planeta passa por tempos e tempos por mudanças climáticas, logo não teria motivo de tanto alarde.  O planeta passa de tempos em tempos por mudanças climáticas naturais, mas este não é o caso. O planeta não estaria em ponto tão alarmante como está agora se não fosse a burguesia e a exploração desenfreada dos recursos naturais.

Consequências

Em julho de 2023, a ONU emitiu nota que deixamos de estar no aquecimento global, mas entramos em um momento chamado de ebulição global. Demos um passo à frente no início de uma contagem regressiva de 5 anos para se mudar a forma de utilização de energia e produção, ou sofrer com o “fim do mundo” se nada for feito. Um ponto de não retorno. Em outras palavras, não teríamos como recuperar o planeta. 

O alarme vermelho não é à toa, está cada vez mais nítido na vida cotidiana. As quatro estações do ano pouco consegue ser diferenciadas, o efeito do El niño teve o pico mais forte dos últimos 20 anos. As secas e queimadas mais presentes no Brasil e o derretimento extremo das geleiras, bem como o surgimento do termo “refugiados climáticos” expõe os efeitos do capitalismo sobre natureza e o povo.

A famosa frase presente no livro Realismo Capitalista de Mark Fisher: “É mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo.”, expõe como a burguesia propaga que não há alternativa ao sistema capitalista, mas é preciso preservá-lo e protegê-lo a todo custo. Porém, Mark Fisher não foi o inventor da roda, Karl Marx já apontava a muito este fato:

“A burguesia não pode existir sem constantemente revolucionar os instrumentos de produção e, assim, as relações de produção, e com elas todas as relações da sociedade…Revolução constante da produção, perturbação ininterrupta de todas as condições sociais, incerteza e agitação sem fim distinguem a época burguesa de todas as anteriores. Todas as relações fixas e ultracongeladas, com o seu leque de antigos e veneráveis preconceitos e opiniões, são varridas; todas as novas formadas tornam-se antiquadas antes de poderem ossificar. Tudo o que é sólido se desmancha no ar, tudo o que é sagrado é profanado, e o homem é finalmente obrigado a encarar com sentidos sóbrios suas reais condições de vida e suas relações com sua espécie.” (Marx e Engels, Manifesto do Partido Comunista.)

A saída para a classe trabalhadora

Diferente do pensamento neoliberal que a burguesia propaga, o sistema capitalista não é imutável. Marx e Engels demonstraram através do materialismo histórico dialético que não há um fim da história da humanidade com o capitalismo como sua última fase. Muito pelo contrário! Portanto, também não haveria um fim do mundo. E há apenas uma classe que pode destruir o sistema capitalista, frear as mudanças climáticas e destruição da natureza: a classe trabalhadora, maior interessada e a mais atingida por essa destruição climática. 

A organização e união da classe trabalhadora é urgente para reivindicar a derrota deste sistema, que já está falido. Tirar de vez do imaginário popular que é possível reformar ou salvar tal sistema. É possível construir uma sociedade mais justa livre da exploração da natureza e do homem, a sociedade socialista é tarefa da classe trabalhadora enquanto vanguarda organizada. 

Cabe a nós, homens e mulheres da classe trabalhadora, propagar sem medo o socialismo científico, desmentir as ideias do capitalismo, mostrando a verdadeira alternativa para “evitar o fim do mundo”. O povo organizado para fazer frente a tudo isso.

Como é costume ouvir hoje em dia: só o povo salva o povo! E as palavras de Karl Marx não estiveram tão atuais e urgentes: proletários do mundo, uni-vos!

Candidata da UP em Salvador sofre racismo e resposta é dada nas ruas

Eslane Paixão, candidata da UP à prefeitura de Salvador, sofreu agressão racista quando fazia campanha no bairro do Rio Vermelho. Longe de se intimidar, UP e Eslane Paixão convocaram um ato amplo com a participação de diversas organizações, entidades e movimentos, mostrando que o caminho para enfrentar o racismo está nas ruas

Gregório Gould | Salvador (BA)


No dia 13 de setembro, durante uma panfletagem da campanha eleitoral da Unidade Popular, em Salvador, a companheira Eslane Paixão, candidata a prefeita da cidade foi cuspida por um fascista que havia fingido ser apoiador para se aproximar da candidata. Era a última atividade de campanha de uma agenda de dois dias com o companheiro Leonardo Péricles, presidente nacional da UP, na cidade mais negra fora da África.

No mesmo dia, Eslane gravou um vídeo denunciando o ocorrido em suas redes digitais. Começou a chegar uma série de mensagens de solidariedade vindas de todas as partes do país, em especial da cidade de Salvador.

No dia seguinte, a militância da UP de Salvador e de diversos movimentos sociais, como MLB, Movimento Olga Benário, UJR e a assessoria jurídica da UP, acompanharam Eslane até a 7a Delegacia da Polícia Civil, no bairro do Rio Vermelho, onde ocorreu a agressão, para registrar um boletim de ocorrência. Além de registrar o BO, Eslane e o conjunto da militância presente decidiram convocar uma manifestação antirracista para a sexta-feira seguinte, no mesmo local, para dar resposta a esse e outros casos de racismo que ocorrem diariamente na cidade.

Durante a semana, a PM da Bahia, que hoje é a que mais mata jovens negros e pobres no país, assassinou o jovem Wendel de Aragão, de 18 anos. Eslane denunciou mais este caso numa entrevista na TV e reforçou o chamado para o ato.

No dia 20, às 19h00, o clima era de combate ao racismo e ao fascismo e reafirmação da luta pelo Poder Popular como única saída para o povo trabalhador. Além dos movimentos que convocaram e da Unidade Popular, estavam representados o PCR, partido de Manoel Aleixo, o PCBR, o PSTU, a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Governo do Estado, a Ames-Salvador, a Ubes, a Fenet, a UEB, a vereadora Laina Crisóstomo do “Mandato Coletivo Pretas por Salvador” e diversos outros apoiadores e militantes antirracistas.

A manifestação percorreu as ruas do Rio Vermelho, parando em frente ao local onde ocorreu o ato racista e dialogou com centenas de pessoas que passavam pelas ruas, demonstrando que o caminho para enfrentar os fascistas e seus ataques é a resposta nas ruas, a luta organizada e combativa por um novo mundo sem fascismo, sem racismo, um mundo socialista.

Matéria publicada na edição nº 300 do jornal A Verdade

Greve paralisa portos dos EUA por aumento de 50% nos salários

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Desde 1º de outubro, estivadores já cruzaram os braços em greve nos 36 principais portos dos EUA. Prejuízo à economia da potência capitalista pode chegar a 5 bilhões de dólares por dia, calcula jornal

Guilherme Arruda | Redação SP


Na última terça-feira (1º/10), os portuários dos Estados Unidos deflagraram uma greve nacional que reivindica um aumento de 50% nos salários da categoria. De acordo com o Sindicato Internacional dos Estivadores, que representa o segmento nos EUA, a paralisação já interrompeu as atividades de 36 dos principais portos estadunidenses.

45 mil trabalhadores já cruzaram os braços nesta que, desde 1977, é a primeira greve dos portos a acontecer nos Estados Unidos. Desde junho deste ano, sindicatos e patrões debatiam os termos de um novo acordo salarial, mas a falta de disposição do setor patronal de atender à exigência de aumentos salariais realmente expressivos fez as entidades sindicais deixarem as negociações.

A Maritime Alliance, que reúne as empresas donas de portos, chegou a tentar recorrer aos órgãos reguladores trabalhistas do país para forçar os trabalhadores a voltarem à mesa de discussão, mas sem sucesso. Nesse contexto, os portuários se viram forçados a se declarar em greve para fazer sua voz ser ouvida e a demanda de 50% de aumento ser atendida.

Um jornal norte-americano calcula que cada semana de greve nos portos poderá causar um prejuízo de até 7,5 bilhões de dólares à economia dos EUA, além de reduzir em 0,1% o crescimento do PIB daquele país. Já outra estimativa fala até de perdas diárias de 5 bilhões de dólares.

68% das exportações e 56% das importações estadunidenses passam pelos portos onde todas as máquinas estão paradas, revela a Associação Nacional de Fabricantes daquele país. Por isso, com o tempo, a paralisação também pode causar a interrupção da produção nas fábricas e indústrias norte-americanas.

Pressionado pela força demonstrada pelo movimento dos trabalhadores portuários, o presidente Joe Biden declarou que não utilizará os poderes da Lei Taft-Hartley (legislação norte-americana que o autoriza a forçar o fim da greve) para interromper a paralisação.

A deflagração de uma greve nacional com a exigência de aumentos salariais de 50% para a categoria é um novo indício do ressurgimento do movimento operário na maior potência capitalista do mundo. No ano passado, os trabalhadores da indústria automotiva dos EUA também promoveram uma paralisação em vários estados, que arrancou uma série de conquistas. São sinais de que, em todo mundo, a consciência de classe dos operários está crescendo e que as greves são cada vez mais reconhecidas como o principal instrumento da luta dos trabalhadores.

“As empresas de logística querem abocanhar lucros bilionários em 2024 e oferecer salários inaceitáveis para os trabalhadores. Os portuários do Sindicato Internacional dos Estivadores merecem ser recompensados pelo importante trabalho que fazem”, declarou o presidente da entidade sindical da categoria.

Brigadas de terça-feira impulsionam a UJR em Santa Catarina

Implementação da brigada da UJR às terças-feiras está trazendo frutos para a organização da juventude de Santa Catarina. Mais de duzentos jornais foram vendidos na última quinzena, com as ideias do socialismo sendo apresentadas para jovens e estudantes de todo o estado

Bia de Assis e Maria Isabel Ruckl*


No último período, o estado de Santa Catarina consolidou a política nacional das brigadas de terça-feira da juventude, mesmo enfrentando muitos desafios. No início, as brigadas iniciavam com atrasos, sem estrutura como banquinhas e megafones e nem mesmo contando com a presença de toda a militância. Ou seja, a atividade estava longe de atingir completamente o potencial revolucionário que possui a União da Juventude Rebelião (UJR), a juventude de Che Guevara.

O avanço nas brigadas aconteceu após muita luta política com a juventude, através do estudo da teoria marxista-leninista, leitura das matérias do jornal A Verdade e debates em reuniões. Além disso, o planejamento cauteloso dos secretários de agitação e propaganda, junto ao trabalho de organização, permitiu que crescêssemos nossas brigadas. Traçamos metas de jornais vendidos e contatos coletados, fizemos finanças para garantir bandeiras e megafones e encomendamos novas camisetas para a militância. Também mapeamos os locais e fizemos a ampliação de horários para a brigada de terça, o que possibilitou uma participação maior do conjunto da nossa juventude.

Outra questão importante foi a estadualização da nossa brigada. Antes, o dia nacional de vendas do jornal acontecia apenas na capital Florianópolis, o que não incentivava os camaradas de outros municípios, como Chapecó e Camboriú, a organizar a propaganda do socialismo entre os estudantes. O problema foi superado através da melhora do trabalho de organização e, na última terça-feira (24/9), a Brigada da UJR aconteceu em todas as cidades onde temos nossa militância. 

Mas qual é a importância da brigada de terça da juventude?

As terças-feiras após os sábados de brigada nacional do Jornal A Verdade são dias em que os militantes da UJR devem se dedicar apresentar aos estudantes sua linha política e a defesa do poder popular e do socialismo em seus locais de atuação, como escolas e universidades. Em Santa Catarina, através de uma profunda luta política, nossa militância compreendeu e se convenceu da importância desse dia e fomos capazes de crescer.

No dia 24/9, a brigada de terça aconteceu pela primeira vez em 5 municípios catarinenses (Florianópolis, Itajaí, Chapecó, Camboriú e Blumenau), sendo realizada em escolas, Institutos Federais e universidades públicas e particulares. Um dos principais locais foi a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde vendemos mais de 80 jornais para os estudantes em dois campi diferentes. Montamos grandes banquinhas com as Edições Manoel Lisboa, música para atrair mais estudantes e megafone para nossa militância realizar as agitações de denúncias sobre condições dos estudantes na Universidade. 

Outro ponto importante da brigada de terça em Santa Catarina é a Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), uma universidade paga de Blumenau, município em que um relatório do Conselho Nacional de Direitos Humanos denunciou a existência de 63 células nazistas. Fazer a brigada nesse espaço nos permite apresentar uma perspectiva de luta para os estudantes, além de conhecer mais pessoas que queiram se organizar com a UJR em Santa Catarina para acabar de vez com o nazifascismo. 

A militante da UJR e estudante da UFSC, Beatriz Sell, deu exemplo de como é possível planejar nossas terças para participar mais e melhor das brigadas. A companheira reorganizou seu turno de trabalho, aproveitou para apresentar o jornal A Verdade nos intervalos de sua aula e ainda participou de diferentes pontos de brigada. “Eu entendo a importância de participar das brigadas, pois é a principal forma de chegar nas massas, o que é fundamental para construir a revolução”, afirma Beatriz, que sozinha vendeu mais de 20 jornais. 

Ao fim do dia, totalizamos a venda de 222 jornais, superando nossa própria meta inicial de 200 jornais. Apresentamos a UJR e o socialismo para um enorme número de estudantes e pegamos mais de 20 contatos de pessoas interessadas em conhecer mais sobre nossa juventude e nossa atuação através do Movimento Correnteza e do Rebele-se. 

Para a próxima quinzena, momento em que comemoraremos a publicação da edição de número 300 do jornal A Verdade, devemos superar essa meta e apresentar para ainda mais estudantes a possibilidade de construirmos, pelas nossas próprias mãos, a sociedade que libertará nosso povo desse sistema opressor. Como diz Che Guevara, “ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética”. 

*Bia de Assis e Maria Isabel Ruckl fazem parte da União Juventude Rebelião (UJR) em Santa Catarina

Uma versão resumida desta matéria foi publicada na edição impressa nº 300 do jornal A Verdade

Campanha de mulheres desmascara candidatos fascistas à prefeitura em Fortaleza

Encabeçada pelo Movimento de Mulheres Olga Benario, a campanha “Eles Não” denuncia as posições políticas contrárias aos direitos das mulheres e dos trabalhadores e os comportamentos misóginos de André Fernandes (PL) e Capitão Wagner (UB), candidatos fascistas à prefeitura de Fortaleza

Andressa Oliveira* | Fortaleza (CE)


Nas últimas semanas, ganhou força nas ruas de Fortaleza (CE) a campanha “Eles Não”. Liderada por mulheres organizadas no Movimento de Mulheres Olga Benario, a campanha busca impedir que candidatos fascistas à prefeitura como André Fernandes (PL) e Capitão Wagner (União Brasil) cheguem ao segundo turno das eleições municipais, denunciando a ameaça de retrocesso que eles representam para os direitos fundamentais, especialmente das mulheres. Também participam da campanha as mulheres da Unidade Popular pelo Socialismo (UP) e de movimentos como MLB, MLC e UJR.

Historicamente, as mulheres têm sido uma importante barreira ao avanço da extrema-direita no Brasil e no mundo. Nas eleições presidenciais de 2022, as mulheres da classe trabalhadora foram a principal oposição a Jair Bolsonaro nas urnas e nas ruas, como nas mobilizações do “Ele Não”, maior protesto de mulheres da história do Brasil. No Ceará, 39 municípios organizaram atos naquele momento. Agora, a luta contra o bolsonarismo retorna e se intensifica em Fortaleza, que nunca elegeu a extrema-direita em eleições diretas, para impedir que a cidade caia na mão dos políticos fascistas.

A verdade sobre André Fernandes e Capitão Wagner

Capitão Wagner e André Fernandes simbolizam o que há de mais retrógrado na política brasileira. Um exemplo claro é seu apoio ao PL 1904, que criminaliza meninas vítimas de violência sexual por realizarem aborto com penas que podem superar a dos próprios abusadores. Dayany Bittencourt, esposa do Capitão Wagner, e André Fernandes são co-autores desse projeto de lei, que só não está avançando por conta da pressão oriunda de diversas mobilizações de mulheres por todo país. O “PL do Estupro” segue vivo em uma comissão do Congresso Nacional.

A campanha “Eles Não” denuncia também o alinhamento dos dois candidatos com o bolsonarismo. Wagner, embora hoje tente se distanciar da imagem de Bolsonaro, como deputado já votou a favor de pautas fascistas, como a liberação das armas e o “voto impresso”. Fernandes, por sua vez, foi ativo apoiador da tentativa de golpe em 8 de janeiro, que defendeu a intervenção militar e a volta da ditadura. Capitão Wagner e André Fernandes se promoveram ao longo de suas carreiras políticas em cima de centenas de fake news, mais um traço dos regimes fascistas que sempre utilizaram a mentira como ferramenta política.

O deputado André Fernandes acumula diversas declarações transfóbicas, machistas e misóginas na Câmara dos Deputados, que não apenas alimentam o ódio, mas legitimam a violência contra as mulheres. Ele também votou contra a prisão do mandante da morte de Marielle Franco, Chiquinho Brazão, e contra a igualdade salarial entre homens e mulheres. Além disso, embora André diga que “a mamata acabou”, na prática, ele usa seu cargo de deputado para beneficiar sua família, colocando vários parentes em cargos públicos. Mesmo sem histórico político, após sua eleição, sua mãe, irmã e outros familiares conseguiram posições na Câmara Municipal de Fortaleza, e até seu pai virou deputado estadual.

Suas campanhas eleitorais não apenas escondem a verdade, mas também enganam o povo com mentiras. Não há dúvidas de que André Fernandes e Capitão Wagner se aproveitam da inocência do povo para benefício próprio e manutenção das suas realidades de privilégios e riqueza que desfrutam. Não há dúvidas também de que que, mesmo que hoje eles se ataquem na disputa pela prefeitura, os dois seguirão no mesmo campo político da burguesia e do fascismo.

Mulheres são a maior força de oposição ao fascismo

O avanço da extrema direita, tanto no Brasil quanto no exterior, encontrou uma barreira poderosa no movimento de mulheres. Dados globais mostram que as mulheres têm se tornado cada vez mais progressistas, especialmente em reação ao conservadorismo e às políticas autoritárias que visam restringir seus direitos. A luta das mulheres, no entanto, não se limita a palavras ou protestos. Ela se materializa nas urnas, onde as mulheres rejeitam candidatos que promovem a violência, a desigualdade de gênero e a opressão. Pesquisas mostram que figuras como Pablo Marçal, candidato fascista nas eleições de São Paulo, enfrentam rejeição vertiginosa entre as mulheres, especialmente por conta de sua postura machista e misógina.

Por isso, a importância das mulheres na luta contra o fascismo não pode ser subestimada. As mulheres de Fortaleza, muitas vezes responsáveis pela renda familiar e pela defesa de seus lares contra a violência, entendem que eleger Wagner ou Fernandes seria um passo atrás na luta por justiça social e igualdade.

A organização das mulheres socialistas, agora mais do que nunca, é a força motriz que se opõe ao conservadorismo e ao autoritarismo. As mulheres rejeitam o machismo e a violência que esses políticos representam, e, em Fortaleza, se organizam para garantir que o fascismo não avance. Ao se unirem contra esses candidatos, elas defendem não apenas suas próprias vidas e direitos, mas o futuro de uma cidade que não pode se permitir retroceder.

Com a vanguarda das mulheres, a militância do Movimento de Mulheres Olga Benário e da Unidade Popular estão nas ruas, feiras, praças, escolas, terminais de ônibus e portas de fábricas e empresas dialogando com o povo, desmascarando os fascistas e divulgando nossas candidaturas que verdadeiramente representam os interesses da população.

“Eles Não”, contra o fascismo em Fortaleza!

Com a campanha “Eles Não”, a população de Fortaleza reafirma sua posição de luta contra a extrema-direita. A presença das mulheres da classe trabalhadora é fundamental para barrar o fascismo e garantir que a cidade continue avançando em direção a uma sociedade mais justa, democrática e igualitária.

No próximo sábado, dia 5 de outubro, às 9h, o Movimento de Mulheres Olga Benario, a Unidade Popular e os movimentos sociais vão se concentrar na Praça do Ferreira para realizar um ato no último dia de campanha no centro de Fortaleza, denunciando os fascistas, dialogando com o povo e unificando os trabalhadores mais conscientes na busca de impedir o avanço do bolsonarismo na prefeitura e na câmara municipal.

A população fortalezense vai barrar essa extrema direita descarada, autoritária e conservadora com muita luta e resistência popular. Os movimentos dizem: “Nem André, nem Capitão! Eles Não! Eles Nunca!”

*Andressa Oliveira é do Movimento de Mulheres Olga Benário no Ceará

O que está em jogo nas eleições municipais de Mauá

Em Mauá, no ABC Paulista, a maioria dos trabalhadores ainda não definiu seu voto nas eleições municipais. Por isso, ainda é possível ganhar milhares de pessoas para um projeto antifascista e a favor da classe trabalhadora. Leia artigo de opinião de Amanda Bispo, candidata da UP à prefeitura de Mauá

Amanda Bispo | Mauá (SP)


Faltam 4 dias de campanha eleitoral e na cidade de Mauá, no ABC Paulista, os indecisos estão na frente nas intenções de votos em todas as pesquisas. No fim da campanha, portanto, o resultado das eleições está indefinido, assim como ocorreu na última eleição em 2020.

Os partidos dos ricos, junto com a grande mídia, fazem um grande esforço para induzir o eleitor a pensar que o resultado das eleições já está determinado entre o candidato A e o B, mas a verdade é que o desenrolar desta próxima semana pode nos levar a um cenário completamente novo para a cidade de Mauá.

Nos últimos dias, saiu a pesquisa da empresa Olhar Público, em que uma das perguntas foi: se a eleição para Prefeito de Mauá fosse hoje, em quem você votaria?

A essa pergunta, 30,25% dos entrevistados disseram não ter uma resposta por estarem indecisos, além dos 10,25% de brancos e nulos. Marcelo Oliveira (PT) aparece com 29,25%, Átila Jacomussi (União Brasil) 22,25%. O terceiro lugar está empatado, já que a margem de erro é de 4,9% e Sargento Simões (PL) aparece com 3,75%, Lourencini (PSDB) com 2,5% e Amanda Bispo (UP), 1,75%.

A sondagem da empresa Paraná Pesquisas, divulgada no dia 20/09, apresenta um cenário parecido. Também na pesquisa espontânea, como a seguinte pergunta: “Se as eleições para Prefeito de Mauá fossem hoje, em quem o(a) Sr(a) votaria?”, sem a apresentação de uma lista de candidatos. Mais uma vez, quem está em 1º lugar são os que “Não sabem/ Não responderam”, com 34,3% das respostas, além de 5,4% de indicações de voto branco ou nulo.  Na lista de candidatos, Átila pontua 28,7%, Marcelo marca 25% e Amanda Bispo (UP) aparece em terceiro lugar, com 2,1% dos votos. Lourencini (PSDB) segue com 2,1% e Sargento Simões (PL) tem 1,7%.

Mídia é cúmplice da desesperança

A grande quantidade de pessoas que não sabe em quem votar e prefere anular seu voto nos demonstra o quanto a população da cidade de Mauá está cansada da velha política realizada para os ricos. É possível perceber que o povo está à procura de uma alternativa. É comum caminharmos pelas ruas da cidade e encontrarmos um sentimento de que, mesmo com o passar de diversas eleições, a vida do povo não muda na raiz dos seus problemas. Esta realidade tem tirado a esperança de muitos mauaenses.

Mesmo debaixo deste escândalo, as grandes empresas de pesquisas e os maiores jornais agem como se fosse normal Mauá ter um “candidato” a prefeito cuja candidatura foi derrubada por seu envolvimento com corrupção. Prova disso é que Átila Jacomussi (União Brasil) é convidado aos debates eleitorais e as pesquisas realizadas não consideram um cenário em que ele não seja candidato. Portanto, estas pesquisas cometem um erro ao não apresentar nenhum cenário sem a presença de Atila na lista de candidatos, visto que ele segue com sua candidatura indeferida.

A verdade é que o ex-prefeito, que passou mais tempo preso do que governando a cidade em sua gestão não sabe dizer como foram gastos mais de 100 milhões de reais dos cofres públicos da cidade, é um candidato ficha suja. Por isso, não tem sua candidatura aceita e validada. Sua última tentativa de recurso sobre a rejeição das contas de sua gestão de 2017 a 2020 foi negada pelo próprio ministro que havia concedido a liminar anteriormente, no dia 15 de setembro. Na prática, quem votar nele estará jogando seu voto no lixo.

Outras pesquisas eleitorais não divulgam os números da pesquisa espontânea, mas o próprio resultado das eleições de 2020 são um sinal do descontentamento do povo com essa velha política feita de corrupção e a serviço dos grandes ricos. Naquele ano, foram 6% de votos brancos e 11,6% de votos nulos, o que totalizou 41.264 eleitores.

A força da Unidade Popular pelo Socialismo

Nestas eleições, andando pelas ruas da cidade, encontramos pessoas que estavam buscando uma alternativa. Esse é o caso de Willians, promotor de vendas da 48 anos e morador do Chácara Maria Aparecida, que relatou:

“De uns tempos pra cá, eu fui perceber que os candidatos que dizem que defendem o povo não têm ideias de verdade, só têm corrupção, muita coisa errada. Aí eu me interessei pela Unidade Popular, porque ela combina com as minhas ideias e meus princípios. É como se fosse um casamento perfeito. Eu já acompanhava pelo jornal e pelas redes, quando uma amiga minha me apresentou a questão da moradia e a luta do MLB. Comecei a ir na reunião deles e descobri que o MLB construiu a UP. Aí que eu achei o casamento perfeito mesmo. Isso pra mim foi muito agradável, fiquei muito surpreso. Sou a favor do voto consciente, não poderia ser mais bem representado do que pela UP”.

A Unidade Popular pelo Socialismo é o partido mais jovem do Brasil. Um partido legalizado por movimentos sociais com o objetivo de fortalecer a luta popular, para que a gente possa ver nossa vida mudar de verdade. Diferente de todos os partidos que existem no Brasil, a UP foi legalizada sem um real de grandes empresários ou banqueiros. Apenas a partir da dedicação revolucionária de milhares de trabalhadores, que coletaram 1,2 milhão de assinaturas de apoio durante o período de legalização entre 2016 e 2018.

A UP não tem acesso ao fundo partidário e recebeu apenas 0,06% do fundo eleitoral. Mesmo assim,  nas eleições de 2020 na cidade de Mauá, a UP teve as mulheres mais votadas. Para prefeita, recebemos 3.450 votos. Para vereadora, Gabriela Torres teve 1.583 votos de confiança, mais do que a maioria dos vereadores que estiveram na câmara de Mauá nos últimos 4 anos.

Nas eleições de 2024, mesmo com nossa candidatura a prefeitura não sendo convidada para o debate eleitoral do G1, mesmo sem financiamento de grandes ricos e a partir de um trabalho voluntário e militante dos filiados, na pesquisa estimulada em que aparece a lista de candidatos, nossa chapa para prefeitura de Mauá com Amanda Bispo e Luiza Fegadolli aparece com 3,9% de intenção de votos.

As candidaturas a vereança da UP em Mauá com Julia Cachos (80.000), Selma Almeida (80.123) e João Abreu (80.800) dão condições de colocar revolucionários, mulheres negras e trabalhadores dentro da câmara municipal de Mauá para fortalecer a luta popular por nossos direitos. Lutando podemos ver realmente a saúde, a educação e o transporte serem bons para o povo que utiliza.

A luta contra o fascismo nas eleições de Mauá

Átila Jacomussi é um representante do fascismo nestas eleições. O atual deputado estadual do partido União Brasil está ao lado de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, apoiador de Bolsonaro e com uma política de retirada de direitos do povo pobre. Átila finge defender as periferias e o trabalhador, mas quando ele está longe dos olhos do povo de Mauá, entrega nossos direitos, como fez ao votar a favor da privatização da SABESP e a favor da Militarização das Escolas.

No dia 6 de dezembro de 2023, a privatização da Sabesp foi aprovada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) debaixo de extrema violência contra os manifestantes. Tudo que o povo pedia era a realização de um plebiscito que consultasse a população sobre o tema, já que privatizar significa entregar nas mãos de grandes bilionários um direito tão importante para nós como é a água. Enquanto militantes da Unidade Popular pelo Socialismo contrários à privatização foram presos, torturados e saíram sangrando da ALESP, Átila voltou ao plenário para votar a favor deste absurdo.

É assim que Átila defende o povo de Mauá? Entregando nossos direitos quando o povo não está olhando?

Os três candidatos da direita em Mauá são do União Brasil, do PL e do PSDB. Todos esses partidos foram a favor do PL 1904, projeto de lei federal que tem por objetivo que mulheres e crianças estupradas sejam obrigadas a parir os filhos de seus estupradores.

A Unidade Popular pelo Socialismo é o partido disposto a enfrentar os empresários, corruptos e os poderosos para defender o povo e tem feito isso nessa campanha eleitoral!

O poder popular é a alternativa para a cidade de Mauá

João Batista, operário de 43 anos e morador do Jardim São Gabriel nos disse: “Em 2020 eu votei na Amanda Bispo porque a proposta de governo dela me chamou atenção. É um governo contra o fascismo e contra os políticos que querem favorecer grandes empresários. A luta para acabar com a violência contra as mulheres é um dos principais focos. É um governo que apoia muito a classe trabalhadora. Em 2024 vou votar 80 também! Pra prefeita, a Amanda Bispo 80 é o meu voto.”

Em 2020, a UP pontuava 0,51% nas pesquisas e teve 2% dos votos. Nas eleições de Mauá em 2024, a UP pode surpreender, eleger sua primeira cadeira para a Câmara de Vereadores e mudar a história da cidade elegendo a primeira mulher prefeita. Além disso, a Câmara de Mauá pode ter, depois de 12 anos, uma mulher trabalhadora ocupando este espaço.

Mas tudo isso só pode ser feito com muita luta, trabalho coletivo e articulando todos os apoios nessa reta final em torno do poder popular e do socialismo!

Professor Pantaleão enfrenta milionários, fascistas e corruptos em Goiânia

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Nas eleições para a prefeitura de Goiânia, candidatos da burguesia são um espelho dessa classe: um leque de milionários machistas e corruptos. Candidatura de Professor Pantaleão, da Unidade Popular, se propõe a enfrentar os projetos da elite e construir uma Goiânia para o povo

Bluma | Goiânia (GO)


BRASIL – Para as elites do nosso país, as eleições burguesas são um período fundamental para tentar encenar um teatro democrático que justifica sua manutenção de poder. Nos pleitos municipais, como o deste ano, os revolucionários têm espaço para denunciar para a população que as cidades são controladas pelos empresários, latifundiários e banqueiros que lucram com nosso suor e derramam nosso sangue diariamente, como fez a matéria de capa da edição nº 298 do jornal A Verdade.

Em Goiânia, há exemplos claros de burgueses e fascistas que participam dessa dança das cadeiras, prometendo tudo que não cumpriram nos mandatos passados para o povo e mentindo descaradamente com discursos de “crescimento social e econômico”. A seguir, o jornal A Verdade apresenta a ficha dos principais candidatos da direita na cidade e a alternativa apresentada pela Unidade Popular (UP): a candidatura socialista e antifascista do Professor Pantaleão.

Um fazendeiro milionário condenado pela Justiça

Declarando R$26 milhões em posses para a Justiça Eleitoral, Vanderlan Cardoso (PSD) tem participação significativa em uma fazenda e três empresas, além de ser dono de um helicóptero. O burguês foi prefeito de Senador Canedo e é senador pelo estado de Goiás desde 2018, além de ter tentado uma vez ser governador do Estado e três vezes ser prefeito da capital.

O que Cardoso não diz a seus eleitores é que em 2016, durante a eleição municipal, ele e sua esposa foram condenados na Justiça por improbidade administrativa. O casal foi sancionado por se aproveitar ilicitamente de um escritório de advocacia contratado para prestar serviços públicos durante sua gestão em Senador Canedo de 2005 a 2010. Vanderlan e a mulher tinham suas “demandas particulares” defendidas pelo escritório, contratado pelo Poder Público para regulamentar questões fundiárias.

Uma das punições previstas para o caso era a suspensão de direitos políticos por 5 anos. Contudo, passado algum tempo e uma quantidade interminável de recursos, o milionário foi absolvido pela Justiça burguesa.

Um político profissional e fraudador de certificados do Ibama

Declarando R$313 milhões, a maior parte em aplicações, apólices da dívida pública e participação em capital de empresas, Sandro Mabel (União Brasil) é um dos candidatos mais ricos das eleições de 2024 e participa da política desde 1990, quando foi eleito deputado estadual. Foi candidato à prefeitura de Goiânia em 1992 e teve cinco mandatos de deputado federal, entre 1995 e 2015.

O burguês e político profissional atualmente está no União Brasil, partido do governador fascista e latifundiário, o oligarca Ronaldo Caiado, mas já foi do PMDB (hoje MDB), PFL (que se tornaria o DEM e depois UB), Republicanos e PL. Bastante experiente nas políticas golpistas, foi assessor especial de Michel Temer.

Mabel, presidente da Federação das Indústrias de Goiás, foi autor do PL 4330/2004, um verdadeiro ataque aos trabalhadores que visava aprofundar a terceirização e desresponsabilizar as empresas contratantes, assim aumentando a exploração e cortando direitos. Em 2017, seu nome figurou na lista de beneficiários de propinas das empresas Odebrecht (hoje Novonor) e Andrade Gutierrez, que buscavam liberar a construção de uma usina hidrelétrica em Santo Antônio.

Em 2020, Sandro Mabel também foi alvo de operação da Polícia Federal que envolveu fraudes em certificados digitais do Ibama. O esquema beneficiava donos de terras embargadas da Amazônia Legal, que eram griladas digitalmente e entregues aos fazendeiros criminosos no Pará e Mato Grosso, onde Mabel possui terras em Canabrava do Norte. O prejuízo para a União foi estimado em R$150 milhões.

Um fascista contra o aborto legal

Representante do genocida inelegível Jair Bolsonaro, Frederico Rodrigues da Cunha (DC) teve seu mandato de deputado estadual cassado em 2023 por pendências na prestação de contas das eleições de 2020. Foi autor de projeto ilegal que fere os direitos humanos das mulheres grávidas ao obrigar gestantes que solicitam a realização de aborto legal (ou seja, mesmo em caso de estupro) a ouvirem os batimentos cardíacos do feto, sancionado pelo governador Caiado no início de 2024.

Tal lei também institui a “Campanha de Conscientização Contra o Aborto para as Mulheres do Estado de Goiás”, uma verdadeira campanha de ódio e propaganda reacionária do patriarcado goiano.

Unidade Popular apresenta suas candidaturas combativas

Para lutar contra todos os crimes da burguesia e contra o crescimento do fascismo, a Unidade Popular (UP) lançou uma chapa classista e feminista para a prefeitura de Goiânia, que conta com Professor Pantaleão e sua vice Luciana Amorim. O partido luta em defesa da vida das mulheres, dos direitos trabalhistas e propõe medidas para a melhoria efetiva da vida da classe trabalhadora, como a estatização do transporte público, a desmilitarização da Guarda Civil Municipal (GCM) e a extinção da Ronda Ostensiva Municipal (ROMU). O plano de governo da UP está disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral.

Em constante contato com o povo, a Unidade Popular se apresenta como uma real alternativa para a construção do socialismo, e propõe ser uma ferramenta do povo brasileiro contra a burguesia parasita que o explora, oprime e mata. Tanto no período eleitoral, como em qualquer outra época do ano, a UP e seus representantes, como o Professor Pantaleão em Goiânia, levam seu programa para as lutas nas ruas, fortalecendo a organização popular e os movimentos sociais que lutam por moradia digna, contra a fome, pelo livre acesso à educação de qualidade e para colocar o destino do Brasil nas mãos de quem constrói a riqueza desse país: o povo pobre e trabalhador.

População de Natal exige melhorias no transporte público

Trabalhadores relatam ao jornal A Verdade que o transporte público de Natal e região metropolitana, atualmente sob gestão privada, é completamente sucateado. Tarifa zero, contratos transparentes e gestão pública das linhas de ônibus foram algumas das demandas apresentadas

Redação RN


Não é de hoje que o transporte público de Natal (RN) e sua região metropolitana está em decadência, com sua infraestrutura cada vez mais sucateada. Desde a pandemia de COVID-19, a situação piorou, já que linhas importantes para os trabalhadores da capital potiguar foram descontinuadas. Além disso, os contratos de concessão seguem escondidos, não sendo disponibilizados para a população. Para completar, o preço da passagem é de R$4,50, alto se comparado com o de outras capitais brasileiras.

Por isso, o jornal A Verdade entrevistou seis trabalhadores e estudantes natalenses e da região metropolitana para ouvir suas opiniões sobre as atuais condições dos ônibus da cidade, recebendo seus testemunhos sobre o tempo que gastam no transporte público e como gostariam que fosse a política de mobilidade urbana da capital potiguar.

Situação de descaso e precarização

Os entrevistados, que utilizam o transporte público de Natal para ir ao trabalho e à faculdade, são unânimes em relatar um cenário de completo sucateamento. Raniele, que tem 20 anos e mora no bairro de Parnamirim (RN) conhecido como Liberdade, afirma que os veículos da linha que utiliza constantemente quebram no caminho, o que sugere que a manutenção dos carros é baixa ou inexistente. Já Leonardo, de 19 anos e morador do bairro natalense Cidade Esperança, complementa que além de não receberem manutenção, esses ônibus não são modernizados, já que não possuem ar condicionado e Internet como os ônibus de outras capitais.

Por isso, palavras como “horrível”, “ruim”, “decadente” e “não é dos melhores” foram utilizadas para descrever o sistema de transporte. Alvo de reclamações, o tempo médio de espera é próximo de 30 minutos, enquanto o tempo gasto nas viagens é de cerca de 1 hora. É o caso de Raimunda, senhora de 50 anos do bairro Guarapes, que afirma gastar cinco horas por dia entre espera nas paradas e em pé dentro dos carros.

Quando perguntadas sobre o modelo de governança do transporte público de Natal, a maioria das pessoas ouvidas pelo jornal A Verdade defendeu que um sistema estatal de gestão seria melhor para a qualidade do serviço.

Trabalhadores querem transporte estatal e gratuito

Por fim, todos afirmaram que o transporte público precisa mudar radicalmente. Mais linhas, veículos mais confortáveis, ar condicionado e Wi-Fi foram algumas das melhorias sugeridas pelos trabalhadores e estudantes. Para Gabriela, 20 anos, moradora de Parnamirim, os ônibus deveriam inclusive ser gratuitos para a população. Hoje, pagar a passagem consome uma parte importante do orçamento daqueles que usam o transporte público para trabalhar ou estudar e não recebem vale-transporte, pesando sobre o bolso de quem precisa fazer suas obrigações.

Das conversas com o jornal A Verdade, ficou clara a insatisfação de trabalhadores e estudantes com a mobilidade urbana de Natal. A população da cidade precisa ter acesso aos atuais contratos com as empresas privadas que operam as linhas de ônibus para cobrar melhorias, licitações mais transparentes ou até mesmo a estatização dos transportes, para que ele seja público e gratuito.

A opinião dos natalenses é clara: transportar-se não pode ser um privilégio! O transporte público é uma necessidade não só para que se possa trabalhar e estudar, e também para acessar a cultura, o esporte, o lazer e a praia, enfim, usufruir do direito à cidade. Como defende o programa da Unidade Popular em seu 8º ponto, é urgente a “estatização de todos os meios de transporte coletivos”, para que os trabalhadores e estudantes de Natal e de todas as cidades do Brasil tenham direito a um transporte público de qualidade.