Foi um verdadeiro massacre. O Centro Cívico, em Curitiba, ao contrário do que o nome da praça sugere, foi transformado em campo de guerra para operações militares na tarde deste dia 29 de abril. A mando do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), quase 2.000 policiais militares utilizaram escudos, cassetetes, balas de borracha, spray de pimenta, bombas de gás lacrimogênio, jatos d’água, cavalaria, cachorros e até helicóptero para, covardemente, massacrar professores da rede estadual que estão em greve há três dias e tentavam acompanhar uma sessão da Assembleia Legislativa. Cerca de 20.000 pessoas participavam do protesto, das quais mais de 200 ficaram feridas.
Os deputados estaduais votaram hoje, a portas fechadas, o segundo turno do “pacotaço” de ajuste fiscal elaborado pelo Governo do Estado, cujo centro é o corte de investimentos em aéreas sociais e a retirada de direitos trabalhistas para “economizar” recursos dos cofres públicos e “equilibrar” as contas do Estado. Entre outras maldades, o projeto, aprovado por 31 votos a favor e 20 contrários, determina que os servidores públicos arquem com parte do fundo de previdência social, prejudicando cerca de 33.500 servidores públicos.
Em nota, o Sindicato do Professores do Paraná (APP-Sindicato) repudiou a violência e afirmou que “centenas de policiais foram deslocados(as) de todas as regiões para a capital apenas com o intuito de garantir a votação de uma proposta que poderia ter encontrado consenso, mas que, pela ganância e incompetência do governador, teve sua discussão atropelada. A polícia, em uma obediência cega e cruel, atirou milhares de balas de borracha, bombas de gás e jatos de água em pessoas que protestavam contra um projeto que coloca em risco suas aposentadorias. O futuro suado de cada um de nós, servidor e servidora do Paraná”.
O deputado federal Enio Verri (PT) disse que “é uma atitude truculenta e absurda, ultrapassada, parece o Brasil do século 19. São trabalhadores organizados fazendo uma mobilização não para conquistar direitos, mas para não perdê-los”, afirmou.
Há pouco mais de dois meses, uma greve histórica dos servidores públicos do Estado do Paraná, em especial a categoria dos professores, já havia sacudido o Paraná e dado um grande exemplo de luta aos trabalhadores de todo o Brasil. Entraram em greve naquela ocasião professores da rede estadual de ensino básico, professores e técnico-administrativos das universidades de Londrina e Maringá, agentes penitenciários, engenheiros, servidores da Saúde, do Judiciário, do Ministério Público e do Detran, entre outros. Agora, com a quebra dos acordos estabelecidos entre as entidades representativas dos servidores e o governador, nova greve geral está sendo preparada.
Reproduzimos abaixo o manifesto da Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxista-Leninistas (CIPOML) por ocasião do 1º de Maio, Dia Internacional da Classe Trabalhadora.
1 de Maio na Rússia.
Aos trabalhadores e povos oprimidos de todos os países!
1º de Maio – Dia internacional de solidariedade e luta dos trabalhadores de todos os países ocorre sob crescente ofensiva imperialista.
Durante vários anos de crise, nos quais enormes massas de trabalhadores foram arruinadas, os governos burgueses e as instituições do grande capital prometeram uma recuperação econômica que traria emprego, prosperidade e uma melhor qualidade de vida.
Mas os sofrimentos dos trabalhadores e dos povos não terminaram. As medidas adotadas pelos governos para sair da crise impuseram novos sacrifícios.
A exploração nas fábricas assume proporções insuportáveis, enquanto o desemprego continua a flagelar trabalhadores e jovens. Mais de 200 milhões de desempregados estão à procura de um emprego em todo o mundo, mas o capitalismo não é capaz de assegurar sequer este direito.
Os trabalhadores do campo, pescadores, artesãos e vendedores, os pensionistas, todos definham sob o julgo capitalista. Uma carga insuportável de impostos recai sobre os ombros do povo pobre.
Manifestar nas ruas no 1º de maio para defender nossos direitos e derrotar a direita hostil à classe trabalhadora!
Contra a ofensiva do capital vamos construir uma poderosa frente de luta da classe trabalhadora, organizar organismos de luta compostos por trabalhadores de todas as tendências para defender unidos nossa classe contra os capitalistas, os ricos e seus governos!
Apenas realizando e organizando a resistência das amplas massas da classe trabalhadora em uma frente única será possível derrotar a ofensiva dos capitalistas, impedira a destruição dos direitos dos trabalhadores e reforçar a luta para abolir a exploração do homem pelo homem.
Nos últimos anos, a classe dominante tem exaltado de forma demagógica sua “democracia” e sua “liberdade”. Mas por muito, essa classe vem produzindo apenas reação e opressão sobre as massas, opressão essa que se espalha por todo o mundo.
Para encontrar uma solução para a crise, para a instabilidade política e econômica, a burguesia estabelece governos reacionários, arrogantes e autoritários. São governos que atacam de maneira violenta os direitos democráticos dos trabalhadores, aumentam a criminalização e a repressão ao protesto social como método de dominação.
Os patrões e seus governos atacam os sindicatos com o objetivo de impedir a negociação coletiva. Os direitos de greve e de organização são limitados e mesmo negados para colocar na ilegalidade as lutas da classe trabalhadora.
Ao mesmo tempo, as forças imperialistas promovem a xenofobia e o racismo, impõem leis e políticas de segurança contra os imigrantes, que se tornaram o bode expiatório da situação.
O imperialismo confirma assim sua atitude reacionária a toda linha, intensifica a opressão social e nacional. A democracia burguesa está quebrada e assume sua careta de ditadura aberta dos monopólios.
Realizar no primeiro de maio manifestações em todos os lugares contra as medidas fascistas e reacionárias, contra a repressão antipopular, a xenofobia e o racismo!
Contra as políticas antidemocráticas do imperialismo e da burguesia, contra a liquidação de liberdades e direitos, fortalecer a resistência e criar frentes populares amplos, de acordo com a circunstâncias!
Apenas unificando em torno da classe trabalhadora todas as vítimas do capitalismo, apenas organizando frentes e alianças populares com genuínas forças proletárias, de esquerda, anti-imperialistas e a antifascistas, com forças democráticas coerentes, será possível impedir a reação burguesa, derrotar os fascistas e abrir caminho para verdadeiros governos populares e dos trabalhadores que colocarão fim na opressão sobre os povos.
Os governos das forças imperialistas e suas instituições supranacionais (ONU, FMI, União Europeia, etc.) continuam falando sobre paz. Mas nunca no mundo, desde o período após a segunda grande guerra até agora, houve tanta guerra e tensão, guerras civis reacionárias e corridas armamentistas.
O crescimento irregular da economia, a implacável competição por mercados e por fontes de matéria-prima, o controle das esferas de influência, o desejo de despejar sobre os rivais as consequências da crise, tudo isso acentua as contradições entre os imperialistas dia após dia.
A preparação de uma guerra de pilhagem se tornou um elemento fundamental da política internacional e doméstica da burguesia imperialista. Podemos ver as consequências nos conflitos armados, intervenções e interferências imperialistas na África, no Oriente Médio e na Ásia, no Leste Europeu e na América Latina.
Os EUA continuam liderando as forças imperialistas e querem manter seu controle sobre a ascensão de outras forças. China, Rússia e Alemanha, além de outros países imperialistas e capitalistas, se submetem cada vez menos à dominação dos Estados Unidos. Eles querem quebrar o regime do dólar e afirmar seus interesses. A França defende com armas suas próprias zonas de influência.
Na luta pela dominação, os imperialistas instigam o nacionalismo. Eles apoiam e financiam grupos religiosos fundamentalistas e preparam as condições de uma nova intervenção militar para desmantelar a soberania dos países e impedir a luta popular de caráter progressista e nacional. O peso das contradições imperialistas cai, sistematicamente sobre as nações e povos oprimidos, como é o caso do povo palestino e curdo, que a despeito da das brutais agressões sofridas, continuam a lutar bravamente por seu direito a autodeterminação.
Neste 1º de maio, assim como no 70º aniversário da derrota do fascismo, vamos realizar grandes manifestações contra o perigo de guerras imperialistas!
Podemos impedir as intenções belicistas dos governos com a unidade anti-imperialista e a luta da classe trabalhadora e dos povo, das forças revolucionárias e populares e com a resistência nacional.
Apenas com a unidade e a solidariedade internacional dos trabalhadores podemos parar as intenções belicistas e a política agressiva do imperialismo, o roubo dos recursos naturais, a corrida armamentista, o sangrento terrorismo reacionário e imperialista, para abrir caminho para o socialismo, para políticas de paz e solidariedade entre as pessoas.
Proletários e trabalhadores, povos oprimidos de todos os países!
A despeito dos ataques capitalistas, das políticas reacionárias e dos ventos de guerra, cresces cada vez mais as mobilizações dos trabalhadores que não querem perder ainda mais direitos, que não querem pagar pela crise e a ‘recuperação’ dos exploradores.
A classe trabalhadora retorna com força para o campo de batalha. Da índia à Turquia, do Brasil à China, da Grécia à Polônia, da Austrália ao Canadá, do México aos EUA, crescem mais uma vez os protestos contra o regime de exploração, de desemprego e de pobreza.
Milhões de trabalhadores, mineiros, assalariados dos transportes, etc. fazem greves reivindicando pão e emprego. Eles lutam pelo respeito a negociação coletiva e aos sindicatos, rejeitam leis e projetos que atacam os direitos e garantias sociais, dizem basta aos sacrifícios, aos layoffs, ao salário de fome.
Milhões de trabalhadores rurais, de pequenos produtores se levantam contra a piora nas condições de trabalho e de ida, os cortes nos serviços sociais, pelo fim da opressão dos monopólios sobre a grande maioria da sociedade.
Jovens e estudantes estão ativos nessas lutas por emprego, em defesa da educação pública, contra os programas neoliberais dos governos burgueses e as instituições da oligarquia financeira.
As mulheres trabalhadoras e das classes sociais mais pobres estão na vanguarda da resistência contra os ataques sociais, contra o agravamento da opressão e da exploração, contra as políticas belicistas e os ataques ao meio ambiente.
Neste 1º de maio vamos renovar as forças revolucionárias da classe trabalhadora, vamos fortalecer a luta unificada dos explorados e dos oprimidos contra a ofensiva capitalista, contra as medidas reacionárias e os perigos da guerra imperialista!
Enquanto as lutas populares ganham força e se radicalizam, os líderes revisionistas, socialdemocratas e oportunistas mantêm sua política de colaboração de classes. Eles falam em ‘reformas’, mas para salvar o capitalismo e preservar as bases da atual sociedade. Eles formam uma frente unida com os burgueses e escondem das massas a natureza do populismo e do fascismo. Eles tentam manter a classe trabalhadora longe das lutas e dividida, desarmada ideologicamente, politicamente e organizativamente em frente a ofensiva dos capitalistas.
A despeito da propaganda da burguesia e seus lacaios, os fatos mostram que o capitalismo é incapaz de eliminar o desemprego, a pobreza, o fascismo e as guerras. É incapaz de garantir a igualdade entre mulheres e homens, os direitos dos jovens, uma vida que seja digna deste nome, um futuro de paz e de desenvolvimento social.
Dessa maneira, o capitalismo deve ser demolido pela luta revolucionária do proletariado e dos povos, e substituído por uma ordem econômica e social mais elevada: o socialismo, primeiro estágio da sociedade comunista, único caminho seguro para escapar da barbárie do capitalismo.
A história demonstra que sem autênticos partidos Marxista-leninistas que liderem o proletariado na luta pelo poder, sem lutar contra o oportunismo, é impossível derrotar o imperialismo e conduzir ao sucesso a luta por liberação social e nacional. Sem esse partido, é impossível liquidar a propriedade privada burguesa e construir uma economia socialista planejada.
Neste primeiro de maio, conclamamos a unidade dos comunistas e dos trabalhadores conscientes sob as bandeiras do marxismo-leninismo e do internacionalismo proletário, para construir fortes partidos e organizações comunistas onde estas não existam, e para desenvolver ainda mais as que existem, reforçando a unidade internacional do proletariado revolucionário.
Viva o primeiro de maio, dia internacional de solidariedade e luta dos proletários de todo o mundo!
Viva o 70º aniversário da Vitória sobre as hordas fascistas!
Realizemos manifestações unitárias em todo o mundo!
Mulher trabalhadora e homem trabalhador, povos oprimidos de todo o mundo, uni-vos!
Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxista-Leninistas (CIPOML), abril de 2015
O Movimento Pró Fórum Permanente de Educação de Belo Horizonte é constituído por mais de 120 entidades e coletivos que representam diversos setores da população. Fórum que é de suma importância, pois dentro dele se discute, delibera e fiscaliza o PME (Plano Municipal de Educação).
Nos dias 24, 25 e 26 de Abril, aconteceu à 7ª Conferencia Municipal de Educação de Belo Horizonte, uma conferência histórica e de grandes lutas perante uma gestão ditatorial da Prefeitura de Belo Horizonte, representada pela Secretária Municipal de Educação, e de algumas vitorias parciais da educação, graças a todos os movimentos sociais, pais e alunos integrantes do Movimento Pró Fórum de BH.
Neste final de semana do dia 24/04 tivemos uma amostra da falta de democracia institucionalizada pela prefeitura de BH, gerida pelo PSB. Além da falta de paridade, entre gestores e representantes da sociedade civil dentro da Comissão Organizadora da 7ª Conferencia , vimos o total descaso da Prefeitura com a discussão das Metas e Estratégias do PME, onde os grupos divididos pelos sete eixos, não tiveram acesso ao diagnostico da educação na cidade. Uma tentativa de desmobilizar o Movimento e delimitar qualquer discursão mais profunda sobre a real situação da educação na cidade.
Com muita luta dentro da plenária da conferencia e mobilização da sociedade o Movimento Pró Fórum de BH conseguiu a aprovação do fórum por lei e sua composição paritária entre gestores do Governo e Movimentos Sociais. Dentro da plenária ecoou gritos por mais democracia e varias palavras de ordem, puxadas principalmente pelos estudantes representados pela AMES-BH (Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas de Belo Horizonte), Professores de diversos sindicatos e pais revoltados com a péssima gestão da prefeitura. A 7ª Conferência Municipal de Educação continua em Maio, a partir da elaboração de um diagnóstico mínimo feito pela PBH e solicitação de dados aos gestores estadual e federal para uma radiografia da Educação em Belo Horizonte. Este é só o começo de uma luta por uma educação que liberte.
Soldados turcos diante de corpos de armênios vítimas do genocídio no Império Turco-Otomano
Na madrugada de 24 de abril de 1915, no Império Turco-Otamano, começara a perseguição aos armênios, promovida pelo alto comando político-militar do imperialismo turco, tendo à frente a entidade ultranacionalista Jovens Turcos, cuja bandeira era o panturquismo[1], que tomara o poder central em 1908. A justificativa da perseguição era a de resgatar a “pureza” no território turco e proteção das fronteiras em virtude da Guerra Mundial, em especial na península da Anatólia, na Ásia Menor, habitada, há séculos, por turcos, gregos, curdos e armênios, e que fazia fronteira com o Império Russo. Porém, o povo armênio foi o principal alvo das investidas policiais, acusado de ajudar os russos e, a partir da prisão de 250 intelectuais e líderes armênios em Constantinopla[2], deportações e execuções em massa assassinaram 1,4 milhão de armênios em poucos meses, isto é, 2/3 de todo o povo armênio, sendo que, até hoje, o governo turco permanece impune e praticando violência contra outra minoria, a curda.
Os armênios habitavam o leste da península da Anatólia, em 1915, sob o controle turco e russo, desde antes da era cristã. Surge no séc. VI a.C. suas língua e escrita próprias, utilizadas até hoje, e promovem a elevação do povo armênio à condição de nação. Em 301, tornam-se o primeiro país a adotar o cristianismo como religião oficial, criando-se, a partir de então, a Igreja Apostólica Armênia, a qual é um elemento fundamental na unificação do povo. Porém, os armênios sofrem inúmeras investidas militares de seus vizinhos ao longo do tempo, por sua posição estratégica (entre Europa e Ásia) e por estar em local sagrado, segundo a Bíblia (a cadeia montanhosa do Cáucaso se estende por todo o seu território e atinge o ponto mais alto no monte Ararat, onde a Arca de Noé repousou no fim do dilúvio, local reverenciado por judeus, muçulmanos e cristãos). A Pérsia[3] é o primeiro Estado a intervir, sob o pretexto de combater o avanço da fé cristã, e conquistar parte do território armênio. É, depois, disputada e dividida entre vários impérios: Árabe e Bizantino, Otomano e Persa, Russo e Otomano, porém, por conta de sua forte coesão cultural e religiosa, mantém a maioria de suas características sociais e manifestações populares.
O Império Turco-Otomano surge na baixa Idade Média, e seu nome deriva de Otman I, que reina de 1281 a 1326, com um território que se estende do Rio Indo ao Mar Mediterrâneo. Em 1453, Constantinopla, sede do Império Romano do Oriente, ou Bizantino, é conquistada pelos turcos, e torna-se capital do mundo islâmico e símbolo do poder otomano. Sua queda simboliza o fim do período medieval e início da modernidade. Os turco-otomanos, já em 1520, sob o reinado de Solimão I, chegam às portas de Viena, na Áustria, e passam a controlar grandes áreas, subjugando diversos povos aos seus interesses, a exemplo dos gregos, sérvios e albaneses, na Europa, e dos curdos, árabes e armênios, na Ásia Menor e Oriente Médio. A partir de 1700, tem início a decadência do império, e as repressões às minorias geram guerras, como a da Grécia (1821-1822), da Sérvia (1878) e balcânica (1913), e massacres horrendos, como o genocídio armênio de 1915 a 1923, o qual é comparável ao holocausto promovido pelos fascistas contra o povo judeu.
Na véspera do início do séc. XX são registrados atos de violência, desencadeados por autoridades turcas, em Constantinopla, no ano de 1895. Manifestantes que exigiam melhores condições de vida foram reprimidos pela polícia, morrendo dezenas de armênios. Ao longo dos anos, novos atos de saque a aldeias armênias são registrados, até a chegada da corrente Jovens Turcos, em 1908, ao poder, quando as perseguições tomam grandes proporções. Em novembro de 1914, os turcos entram na Guerra Mundial ao lado da Tríplice Aliança (Impérios Alemão e Austro-Húngaro), contra a Tríplice Entente (Impérios Inglês, Francês e Russo). Portos russos no mar Negro são bombardeados em 28 de outubro de 1914, e os armênios que vivem na Rússia lançam-se na guerra contra os turco-otomanos. A primeira batalha entre os dois impérios, a de Sarikamish, leva à vitória os russos, que passam a ocupar parte do território nativo armênio, ao leste da Turquia. A partir desse momento, Mehmed Talaat Pasha, líder do governo, idealiza as linhas gerais da sangrenta repressão aos armênios que vivem no Império Otomano, acusados de apoiar o governo russo, e ordena a entrega de armas e desmobilização geral dos armênios a serviço das forças armadas turcas, em 25 de fevereiro de 1915.
As prisões sumárias de 24 e 25 de abril de 1915, em Constantinopla (conhecidas como Domingo Vermelho), são os resultados preliminares de um extenso trabalho de propaganda e logística, justificadas, segundo um oficial naval turco, com as seguintes palavras: “os armênios estão conspirando com o inimigo. Eles vão começar uma revolta em Constantinopla, matar os líderes do Comitê União e Progresso (CUP) e abrirão os estreitos (de Dardanellos e de Bósforo).” A partir de então novas investidas dos militares turcos e das instituições políticas obrigam centenas de milhares de armênios a deixarem suas casas e partirem para o desarmado “Batalhão Trabalhista”. Os soldados e os habitantes armênios são convencidos a abandonar armas e vilas sob o pretexto de uma possível paz entre o governo turco e as autoridades armênias do lado russo. Entretanto, a censura postal e a prisão de opositores são os sinais não de uma tentativa de conciliação, e sim de um elaborado esquema de deportação em massa do povo armênio da península da Anatólia em direção ao remoto deserto da Mesopotâmia[4], conhecida como “marchas mortais”, fruto da Lei Temporária de Deportação (“Lei Tehcir”), redigida pelo vizir Said Halim Pasha e aprovado pelo CUP em 29 de maio de 1915. A lei concedia ao governo turco-otomano e aos militares autorizações especiais para deportação e cerceamento de liberdade contra qualquer indivíduo considerado nocivo à segurança nacional. Os armênios, habitantes do Império Turco-Otomano, são enquadrados na Lei Tehcir e é sistematizada a repressão em todas as províncias do império.
Mesmo com a forte censura do governo sobre a imprensa, as notícias sobre o massacre contra os armênios ganham visibilidade em vários países, em especial na Armênia russa e nos EUA. Os cônsules são os primeiros a denunciar aos seus governos a intensa repressão, porém logo são expulsos. Jornalistas levam as informações até vários veículos, em especial o The New York Times, relatando as falsas promessas de “recolocação” dos armênios em uma zona de exclusão bélica, e o presidente Theodore Roosevelt caracterizou o massacre como “o mais importante crime de guerra”. Contudo, a ampliação das denúncias ocorreu somente no fim da guerra, e o saldo de armênios assassinados ultrapassava um milhão, a maioria durante as deportações a pé pelo deserto, vítimas dos ataques de milícias turcas e inanição. O Império Turco-Otomano assinou o armistício com a Entente em 30 de outubro de 1918, sendo desmembrado para o despojo de guerra de Inglaterra e França. Os três paxás que planejaram a repressão sangrenta fogem do país. Com a assinatura do Tratado, a Península da Anatólia e Constantinopla permaneceram sem nenhuma interferência exterior necessária para análise das violações contra as nacionalidades minoritárias e crimes de guerra contra a população civil. O próprio parlamento turco exige averiguações sobre o massacre, porém o governo assume postura conciliadora e julga poucas autoridades relacionadas com o genocídio, instaurando uma corte marcial. Acredita-se que houve em torno de 25 grandes campos de concentração sob o comando de Sukru Kaya, nomeado por Talaat Pasha, o qual proferiu a mensagem: “os armênios perderam o direito à vida no Império Turco-Otomano”. Destacaram-se os campos Lale, Tefridje, Dipsi, Del-El e Ra’s al-‘Alin, ao longo da atual fonteira entre Turquia, Síria e Iraque, criados exclusivamente para a recepção e extermínio de armênios.
Em 05 de fevereiro de 1920 retornam as matanças com o massacre de dez mil armênios em Marash. Em 18 de janeiro de 1921 o governo turco cancela a corte marcial e várias autoridades responsáveis pelos massacres são reabilitadas na vida pública, incluindo os paxás exilados após a guerra. Em 09 de setembro de 1922 a Turquia entra em guerra contra a Grécia, e a cidade de Smyrna é atacada por tropas muçulmanas, sendo assassinados milhares de gregos e armênios. Em 24 de julho de 1923, no Tratado de Lausanne, a Turquia reconhece a independência das antigas nações do império e se compromete a respeitar suas minorias, porém mantém sob sua posse a Armênia turca, não autorizando sua unificação com a Armênia Soviética. Nesse ato a Turquia acaba oficialmente com as perseguições e repressões contra os armênios, entretanto, dos 2,1 milhões de armênios que viviam em territórios turcos, 1,4 milhão tombou no genocídio, 400 mil se refugiaram na Armênia caucasiana e mais de 300 mil emigraram forçadamente a outros países, como o Brasil. A cidade de Osasco, na grande São Paulo, recebeu milhares de imigrantes armênios, e hoje possui um grande número de descendentes que mantêm viva a memória das vítimas do genocídio.
A Turquia permaneceu impune, desde o fim da Primeira Grande Guerra até hoje, tendo os principais responsáveis pelo genocídio vivido o resto de suas vidas no conforto de suas riquezas roubadas do povo armênio. Não nega que morreram milhares de armênios no Império Turco-Otomano, porém apresenta os fatos como “efeitos colaterais da guerra”, e, indo mais longe, seus legisladores e governantes promulgaram, no código penal, o artigo 301, o qual considera ato criminoso denegrir o governo turco e suas instituições, isto é, qualquer pessoa, como um descendente de armênios vitimados durante os massacres, em território turco, pode ser condenado se denunciar a impunidade das autoridades turcas em relação ao genocídio do povo armênio. O governo turco, membro da terrorista Otan, com o segundo maior exército da organização, mantém vigente um grande aparato repressivo contra uma minoria nacional de seu país, os curdos, e sua principal organização política, o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão[5]), é considerado terrorista, posto na ilegalidade e reprimido violentamente.
A resistência armada curda inicia-se em 1984 sob a liderança de Abdullah Ocalan. As forças armadas turcas já violaram dezenas de vezes a soberania de seus vizinhos Síria e Iraque para bombardear aldeias e cidades curdas nesses territórios. Atualmente os curdos resistem heroicamente na cidade síria de Kobane, lutando contra as forças pró-imperialistas do Estado Islâmico (terroristas treinados pelo Mossad de Israel e financiados pelos sheiks sauditas), sem nenhum apoio turco, mesmo a cidade estando localizada a apenas alguns poucos quilômetros da fronteira com a Turquia. Os genocídios, massacres e perseguições são o resultado de uma política nacionalista-burguesa, que, em momentos de crise econômica e guerras, age de maneira deliberada ao jogar uma nação contra outra, mesmo dentro de seu próprio país, sob o pretexto de resgatar a “pureza” da nação e combater os “invasores”. A Turquia só permanece impune porque segue à risca os ditames do imperialismo, contribuiu nas invasões ao Afeganistão e Iraque pelo EUA e protege os interesses desse país e de Israel no Oriente Médio, o qual massacra o povo palestino. Somente um amplo movimento popular, guiado pelo internacionalismo proletário, será capaz de romper com a impunidade e com as guerras e garantir a paz e o respeito mútuo entre as nações. O genocídio armênio é um símbolo da podridão do imperialismo e prelúdio do seu desmoronamento, a ser alcançado após a conquista de verdadeiras democracias populares no Oriente Médio e demais continentes.
Matheus Nascimento, estudante de Psicologia da UFPA
Notas
1 Panturquismo e Pan-islamismo: ideologia política das altas camadas sociais turcas, tártaras, etc. (dos cãs, dos mulás, dos latifundiários, dos comerciantes, etc.), que aspira a unificar todos os povos que professam a religião do Islã (religião muçulmana). O pan-islamismo é afim do panturquismo, que pretende unificar os povos muçulmanos e territórios da Ásia Menor sob o poder dos turcos. (J. Stálin, O Marxismo e o Problema Nacional e Colonial, pág. 395, Ed. Vitória Ltda, RJ – 1946).
2 Constantinopla: atual Istambul, na Turquia, e antiga Bizâncio, nos primórdios do Império Romano.
3 Pérsia: termo instituído pelos gregos antigos e correspondente ao atual Irã, localizada no Oriente Médio.
4 Deserto da Mesopotâmia: noroeste e norte dos atuais Iraque e Síria.
5 Curdistão: Os curdos lutam pela criação do Estado do Curdistão, o qual abrangeria territórios da Síria, Iraque, Irã e Turquia. Com uma população estimada em 25 milhões de habitantes, a comunidade curda é maior nação do mundo sem um país delimitado. Na Turquia encontra-se o maior número de curdos, ultrapassando a marca dos dez milhões de habitantes, à sudeste da península da Anatólia.
1 Soldados turcos diante de corpos de armênios vítimas do genocídio no Império Turco-Otomano
O presidente nacional da Unidade Popular pelo Socialismo (UP), Leonardo Péricles, está em Recife hoje e amanhã (22 e 23 de maio) para cumprir uma agenda de divulgação do novo Partido na capital pernambucana e interior. O estado de Pernambuco foi escolhido como primeiro local para iniciar a caravana nacional, onde o presidente vai fortalecer a coleta de apoiamentos para o registro do partido.
“A UP propõe a unidade de todas as forças populares pela defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores. Lutamos para estabelecer uma pátria nova e socialista”, afirmou o Presidente da UP Leonardo Péricles. O partido construiu uma agenda junto à classe trabalhadora e as camadas populares: “Iremos realizar uma campanha de coleta de assinaturas na porta das empresas e fábricas aqui no Recife e em Carpina. Entendemos que só com o apoio dos trabalhadores é possível construir um governo que atenda aos interesses dos trabalhadores, aumente os salários, congele os preços dos alimentos, diminua o valor da conta de luz e dos aluguéis, além de aumentar os investimentos em saúde, educação e moradia popular”, concluiu Leonardo.
A agenda inclui campanhas de coleta de assinaturas de apoio na Contax, maior empresa de telemarketing do estado em conjunto com sindicalistas do Sintelmarketing-PE, na CAEL-Olinda, empresa de limpeza urbana, com o apoio de dirigentes do Sindlimp-PE, e na Alpargatas-Dupé, empresa de calçados da cidade de Carpina junto com trabalhadores do Sindcalçados. Também está prevista uma visita ao presidente do TRE-PE, Fausto Campos, para despachar aos cartórios a autorização para confirmação do recebimento das Fichas de Apoiamentos. “Pernambuco é o estado onde a UP tem o maior número de apoios até agora. Vamos começar por aqui a entrega das fichas para os cartórios. A ideia é despachar pessoalmente com o Presidente do TRE durante nossa estadia aqui em Recife” finalizou Leonardo, presidente da Unidade Popular pelo Socialismo – UP.
Thiago Santos, executiva estadual da UP em Pernambuco.
Os técnicos administrativos do IFRN no Campus Parnamirim, iniciaram um processo de mobilização como forma de protestos que culminou em greve. As mobilizações iniciaram devido a um posicionamento inflexível da reitoria com relação às férias do Instituto Federal do Rio Grande Norte.
Depois de ter sido criada uma comissão para produzir um relatório, que mostrasse a economia dos gastos do Instituto com a redução do horário de funcionamento para 6h diárias no período de férias, o relatório foi submetido a aprovação do Conselho Superior – Cosup, sendo aprovado o mérito no conselho, inclusive com parecer favorável do auditor, restando apenas a apresentação ao Tribunal de Contas da União – TCU.
No entanto depois de alguns meses de protelação na resposta, a decisão tomada foi, de não reduzir o funcionamento dos Campi, com o argumento de que iria ferir a legislação, pelo fato de serem estabelecidas 40 horas semanais na jornada de trabalho.
Após os Técnicos Administrativos terem sua jornada de trabalho aumentada no ano de 2013 e de ter visto a suspensão do funcionamento no período da copa do mundo, viu-se que, tratava-se de uma questão política, por ser um ato discricionário do reitor, a redução do horário de funcionamento dos Campi.
A resposta da categoria foi pronta: paralisação de três dias e deflagração de greve, agora não mais, só pela regulamentação do funcionamento dos Campi no período do recesso, mais também pela redução da jornada de trabalho, para voltar a ser 6 horas corridas novamente.
Mesmo sendo no recesso docente, houve vários companheiros professores que estão apoiando a greve. Isso mostra de forma clara o descontentamento das categorias técnicos e docentes no IFRN e que estão dispostos a lutarem pelos seus direitos.
Francisco Dias é técnico administrativo do IFRN e coordenador do Movimento Luta de Classes
Aconteceu ontem (22) uma reunião histórica para o movimento estudantil da região metropolitana de Belo Horizonte.
Após cerca de dez anos sem ouvir a representação dos estudantes, a secretaria de estado de educação, com sua secretária Macaé e demais representantes, sentaram na tarde de quarta-feira com a AMES-BH e estudantes de diversas escolas para discutirem pautas da educação, da relevância do movimento estudantil e das dificuldades encontradas na gestão passada, caracterizada por um governo autoritário e sem dialogo nas pessoas de Aécio Neves e Antônio Anastásia, ambos do PSDB.
Na reunião, a AMES-BH colocou a sua visão e posição em relação ao ensino públicoestadual oferecido em BH E Região Metropolitana, ressaltando o sucateamento de praticamente todas as escolas, com a falta de itens básicos e essenciais, além da dificuldade de organização do movimento estudantil e dos estudantes em geral, que acontece por uma completa falta de democracia imposta pelas direções do colégio que são viciadas ainda em um governo autoritário e que não é aberto ao diálogo.
A AMES-BH reiterou ainda a necessidade do novo governo estadual do PT, de manter aberto o dialogo com os estudantes e garantir o cumprimento das leis que asseguram a livre organização dos mesmos, mantendo o mais longe possível supostas entidades que são conhecidas nacionalmente por usarem o movimento estudantil para financiar um projeto comercial de venda de carteira de estudantes.
Há de se repudiar ainda, o boicote feito pela diretoria majoritária da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas que sem convite, invadiu uma reunião marcada pela entidade metropolitana com a secretaria estadual de educação.
Mesmo ja tendo tido outras reuniões com a secretaria e não tendo convidado o movimento estudantil que representa os estudantes na região metropolitana, representantes da diretoria majoritária da ubes, usaram de oportunismo na apresentação de uma entidade combativa e de luta e que faz um trabalho massivo com os estudantes nas escolas, para se promoverem também como movimento estudantil.
Por fim, a AMES-BH encaminhou à secretaria alguns projetos e ofícios para serem avaliados e discutidos. Houve também o agendamento de futuras reuniões, com a garantia de ter um canal direto e democrático com a gestão da educação estadual.
A avaliação feita pelos estudantes e pela entidade é da grande importância e representatividade da reunião, que ainda que claro, não vá resolver de imediato o problema da educação, é ao menos um primeiro contato um pouco mais democrático do que a gestão passada do governo PSDB.
Além disso, o que fica mais claro a cada dia para os estudantes do Brasil, é que mesmo com os avanços na questão do dialogo, a nossa vitória se dará nas ruas e na luta.
É essencial reafirmamos o caráter combativo, livre e de luta da AMES-BH e dos estudantes e juventude que tem como marco de sua geração, a jornada de junho de 2013.
Avante juventude! E que cada vez mais, possamos construir uma educação digna e de qualidade em Minas Gerais e no Brasil.
Na manhã do dia 22 de abril houve, em Belo Horizonte, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, uma audiência pública convocada pela comissão de direitos humanos para discutir a repressão ocorrida durante um ato da Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas da Grande BH (AMES-BH) dentro da escola, Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG) no dia 26 de março na jornada de lutas Edson Luís. A mesa foi composta por representantes da Comissão de Direitos Humanos, Secretaria da Educação de Minas Gerais, Direção do IEMG, Polícia Militar de Minas Gerais, AMES-BH, Grêmio do IEMG e UNE.
A manifestação feita no dia 26 de março foi em prol da memória do estudante Edson Luiz, morto no período da Ditadura Militar, mais investimento na educação, melhoria da estrutura e mais democracia para o movimento estudantil dentro da escola. No decorrer do ato a diretoria do IEMG acionou a Polícia Militar para intervir. Após a chegada da PM o ato pacífico que estava ocorrendo na escola foi reprimido. Em momento algum a PM propiciou o diálogo com os manifestantes e agrediu três estudantes, Mariana Ferreira (coordenadora geral da AMES-BH), Marcelle Rocha e Taynara Moraes (alunas da escola), prendendo-as em seguida junto com dois estudantes, João Maia (presidente do Grêmio do IEMG) e Gabriel Villar (membro do Grêmio do CEFET-MG-BH), e a mãe de uma das estudantes agredidas.
Durante a audiência o diretor do IEMG, presente na mesa, argumentou que sempre houve diálogo entre o Movimento Estudantil e a direção, entretanto, esta segue uma orientação feita pelo último governo do estado (PSDB) na qual restringe a entrada do Movimento Estudantil nas escolas estaduais. Segundo a AMES-BH, a diretoria dificulta o diálogo com os estudantes e reprimi o Movimento Estudantil, a pouca voz que os estudantes possuem atualmente dentro da escola foi conquistada com muita luta dos estudantes em conjunto com a AMES-BH.
Os alunos do IEMG junto a AMES-BH exibiram vídeos para o plenário que relatam as agressões cometidas, mostrando que a PM está totalmente despreparada para lidar com estudantes. Sendo ressaltado pela Idalina Franco, superintendente da metropolitana A, que a PM não deve entrar na escola para resolver problemas escolares, educação não é caso de Polícia.
Os representantes da PM alegaram que o uso da força e as agressões cometidas foram legítimos, pois objetivavam o “estabelecimento da ordem”, e serão apuradas as denúncias feitas para analisar se houve abuso de autoridade. Em contrapartida os estudantes esperam esclarecimentos a respeito do “estabelecimento da ordem”, onde reprime violentamente o Movimento Estudantil e impede que os estudantes exerçam seus direitos e, mais uma vez, sejam reprimidos por tentarem conquistar voz na sociedade.
“Se a educação sozinha, não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” – Paulo Freire.
Gabriel Villar é do grêmio do Cefet e militante da UJR
Todo feriado de Tiradentes, 21 de Abril, Ouro Preto se torna simbolicamente a capital de Minas Gerais, com a ida do governador do Estado para uma cerimônia na Praça Tiradentes, marco central da Inconfidência Mineira. São feitos discursos e homenagens, sob a forma de colares e medalhas.
As últimas gestões do governo do Estado têm impedido a população de participar da celebração, fechando todas as entradas da praça, com imenso contingente policial e militar, cavalaria e blitz por todas as entradas de Ouro Preto. Nesse ano de 2015, a história não foi muito diferente.
Espectadores e movimentos sociais ficaram restritos ao fundo da praça. Muito, muito longe das autoridades e, como de praxe, cercados por policiais em todos os lados. Isso porém não nos impediu de levantarmos nossa voz, vaias e palavras de ordem contra principalmente a política adotada pelo governo do Estado.
Nós da Unidade Popular pelo Socialismo, no entanto, compreendendo a conjuntura desde outras gestões de governo, entendendo que esse ano não seria diferente, utilizamos o espaço como forma de publicizar a UP, dialogar com a população, vender jornais A Verdade, colher assinaturas para a UP e convidar a população para participar de nosso próximo encontro, dia 5, em Ouro Preto.
Contribuímos, ainda, com a construção de um evento autônomo chamado 21 de Abril Popular, ocorrido na Praça Tiradentes no período da tarde. Foi um espaço muito construtivo, em que a população pôde ocupar a praça como bem entendesse, havendo diversas atividades culturais bem como manifestações de reivindicações e resistência. Organizamos o evento contribuindo com a Frente de Lutas de Ouro Preto e Região, aproveitando para coletar mais assinaturas para a UP, para divulga-la e, sempre, dialogar com a população presente.
Entendemos a conjuntura do 21 de abril em Ouro Preto e como a data é deturpada por nossos governantes, que utilizam as memórias de Tiradentes e da Inconfidência Mineira de forma a serem representantes de alguma luta que não são as nossas. ELES NÃO NOS REPRESENTAM! E é por isso que continuamos na luta, divulgando, construindo e coletando as assinaturas para a UP, que há de ser o instrumento pelo qual terá voz a classe trabalhadora brasileira.
Vinicius Neves, estudante de medicina da UFOP e militante da Unidade Popular pelo Socialismo
Ocorreu em Recife, no último dia 16 de abril, o lançamento do Comitê Pernambucano de Solidariedade à Venezuela, na sede do Gajop (Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares). O evento contou com a participação da Consulesa da Venezuela, Carmen Reyes, do presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa, Edival Cajá, e do representante do Gajop, Rodrigo Deodato, além de outras representações dos movimentos sociais e partidários que apóiam a causa.
Após o decreto do presidente dos EUA, Barack Obama, que considerou a Venezuela como uma ameaça mundial, várias medidas políticas tem sido tomadas pelos países imperialistas para isolar a Venezuela e criar uma crise no governo. “A ideia é não deixar Maduro governar, não deixar que ele ganhe o mesmo carisma que o Chavez, e à medida que ele ganhou mais apoio da população, passaram a atacá-lo com mais violência (…) Este ano conseguiram nomear a Venezuela como ameaça mundial, porque se ameaça a soberania dos EUA, é uma ameaça mundial” disse a consulesa Carmen, após afirmar que o país está debaixo de um embargo econômico. “Isto faz com que o lançamento desse comitê seja mais que solidariedade. É um pedido urgente para que vocês acompanhem esse processo”, completou.
Após a exposição de Carmen, foi realizada a leitura do Manifesto de Lançamento do Comitê, assinado pelas entidades fundadoras presentes no evento.
Diante de tal infestação da miséria em nome da “liberdade” dos Estados Unidos, resiste bravamente a Revolução Bolivariana desencadeada na Venezuela fomentando a radicalização da participação democrática, imprimindo novos processos de transformação social, construindo o Socialismo do século XXI.
Os desafios postos à Venezuela da atualidade passam pelo combate às guerras: midiática, com seu jogo de falsidades; e econômica, capitaneada por empresários especuladores.
Por fim, foi reafirmado o compromisso da luta internacionalista pela soberania dos povos latino-americanos.
Todo dia 19 de abril comemora-se o Dia do Índio no Brasil. Na verdade, a expressão mais apropriada do ponto de vista antropológico seria “Dia dos Povos Indígenas” ou “Dia dos Povos Originários”. Mas este não é o único problema com a data comemorativa.
O principal problema é que, na verdade, os povos indígenas, infelizmente, não têm muito o que comemorar: são séculos de massacre, remoção de suas terras, preconceitos, violência, demora na demarcação de suas terras, falta de atendimento básico de saúde! Esses são apenas alguns dos problemas enfrentados pelas populações indígenas no Brasil!
Segundo dados do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), entre 2003 e 2013, só no Mato Grosso do Sul (MS), que detém o triste título de campeão nacional de morte de indígenas, foram registrados 349 casos de assassinatos! Desses, 53 foram executados em único ano: 2013. Nesse Estado, a violência contra os povos indígenas se intensificou ainda nos anos 80, no final da Ditadura Militar no Brasil, quando vários grupos indígenas foram expulsos de suas terras de forma violenta e confinados em pequenas reservas indígenas, objetivando liberação da área para o agronegócio!
Atualmente um dos maiores desafios enfrentados pelos povos indígenas é a demora na demarcação de suas terras por parte do Governo Federal, apesar de o direito à terra para os povos indígenas ser reconhecido pela Constituição Federal de 1988:
“Art. 231 São reconhececidos aos índios sua organização social, seus costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, correspondendo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”
Até hoje a maioria das terras indígenas não foram demarcadas, causando constantes conflitos, sofrimentos e graves violações de direitos humanos contra os povos indígenas no país.
Qual o sentido das terras para os indígenas?
Diferente da visão capitalista (do agronegócio) onde a terra é vista como propriedade, mercadoria, algo a ser explorado, lucrativo, fonte de poder e ambição, para os povos indígenas a terra não possui essa conotação mercantilista, a terra não é vista como fonte de lucro, mas de vida. A terra é viva (sofre, sangra, reage) e fonte de vida, sagrada, é mãe (mãe-terra). Não compreende uma relação de dominação da natureza, mas uma relação que compreende um modelo de desenvolvimento sustentável, de respeito e preservação da natureza.
A terra para nossos povos originários não é apenas um meio de subsistência, mas também faz parte da sua organização social e religiosa. A religiosidade indígena está intimamente relacionada com a terra. Tirar os indígenas de suas terras ancestrais é como tirar à sua própria vida! Uma carta enviada à presidenta Dilma Rousseff em janeiro de 2011 pelo povo Guarani-Kaiowá, descreve bem esse seu sentimento indígena pela terra. A seguir transcrevemos um trecho: “Presidenta Dilma: nos roubaram nossa mãe; ela foi maltratada; fizeram sangrar suas veias; danificaram sua pele; quebraram seus ossos. Rios, peixes, árvores, animais e aves… tudo foi sacrificado em nome do que chamam progresso. Para nós, é destruição, é matança, é crueldade.”
A luta dos povos indígenas continua
Mas apesar de tudo, a população indígena vem crescendo no país e se mobilizando, lutando pelos seus direitos! Nos dias 13 a 16 de abril ocorreu a Semana de Mobilização Nacional Indígena 2015, onde indígenas de várias etnias viajaram até Brasília onde ocorreram várias manifestações, entre elas o Acampamento Terra Livre (ATL)!
As manifestações também tiveram apoio em vários Estados do Brasil! Uma das principais reivindicações, além da demarcação de suas terras, foi o arquivamento da Proposta de Emenda à Constituição 215 (PEC 215), que tem como proposta transferir para o Congresso Nacional o poder de demarcação das terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação!
O respeito aos povos indígenas é o respeito à cultura e a história do nosso país!
Maria da Conceição Cabral, Bióloga Colaboração de Onildo Lopes
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