UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sábado, 11 de abril de 2026
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Direita ataca a educação PcD em Belém (PA)

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Famílias de crianças com deficiência e neurodivergentes protestam contra desmonte à educação promovido pelo Prefeito Igor Normando, na tentativa de acabar com a principal referência de educação especial em Belém

Madu Tavares | Belém (PA)


EDUCAÇÃO – Dia 29 de janeiro de 2025, em Belém do Pará, famílias de crianças com deficiência e profissionais que as atendem protestaram em frente à Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SEMEC) contra o desmonte do Centro de Referência em Educação e Inclusão (CRIE), centro que promove a educação inclusiva para crianças com algum tipo de neurodivergência ou deficiência e atende mais de 60 escolas.

Humberto Pereira, professor de informática do CRIE há 13 anos, explica, em entrevista concedida ao Jornal A Verdade, o motivo da indignação: “A nova gestão, que foi colocada por Igor Normando (MDB), atual prefeito da capital paraense, resolveu extinguir os projetos de educação em tecnologia, afetando mais de 70 educadores de forma direta, sem contar os professores de sala regular, que terão redução de carga horária pedagógica. Caso isso não seja revogado, o prejuízo será imenso para a educação municipal, prejudicando os alunos que precisam de educação de qualidade. Em pleno século XXI, estamos testemunhando um retrocesso na educação inclusiva”, conclui o docente.

Carta aberta das famílias afetadas

Em carta aberta nomeada “Carta de Indignação das Famílias Afetadas pelo Desmonte do CRIE: Estamos de Luto, mas Lutando!”, famílias de crianças e adolescentes com autismo destacam não somente sua indignação, como também o desamparo da Secretaria de Educação.

Segundo o texto, as famílias não foram recebidas pela secretária de educação Nay Barbalho.”Em vez disso, fomos atendidos apenas pela assessora de gabinete que, de maneira improvisada e desrespeitosa, anotou nossas demandas à mão em uma folha de qualquer bloquinho de papel, pediu que assinássemos e nos deixou sem qualquer documento formal, sem qualquer garantia concreta de solução, apenas com a promessa vaga de uma futura reunião. Assim como prometeram aos professores um documento que os mantivesse sem perdas salariais e sem todo esse massacre emocional para as famílias, estudantes e professores.” — diz um trecho da carta.

A circular finaliza afirmando que não aceitarão promessas vazias e que seus filhos não podem esperar. “A educação inclusiva não é um favor, é um direito”, conclui o texto.

Direitos das pessoas com deficiência vêm sendo ameaçados no Pará e no Brasil

Cerca de um mês antes deste evento, no dia 19 de dezembro de 2024, a PL 4614/2024 foi aprovada pela Câmara dos Deputados. O texto prevê que o benefício BPC/LOAS relativo a pessoas com deficiência será concedido apenas para aqueles que apresentem “grau moderado ou severo”, excluindo os que seriam considerados “leves”.

O texto não especifica os critérios para essa classificação, o que prejudica diretamente pessoas com deficiências invisíveis, como Transtorno do Espectro Autista, baixa visão, deficiências cognitivas ou condições de dor crônica. A PL foi proposta por José Guimarães (PT-CE) e apoiada pelos eixos União-PP-PSDB-Cidadania, MDB-PSD-Republicanos-Podemos, PSB e a Federação PT-PCdoB-PV, mostrando, na prática, como a social-democracia não mede esforços para se unir ao liberalismo econômico em prol de seus interesses — mesmo que isso signifique prejudicar os mais vulneráveis, que tanto dizem defender. Igor Normando, propriamente, usou da causa autista em sua campanha diversas vezes,com blusas que estampavam quebra-cabeças, que é conhecido mundialmente como símbolo da condição, escancarando que, para a direita, pessoas com deficiência não são nada além de um palanque político.

Faz-se necessário, portanto, muito mais do que dar votos a quem “veste a camisa” da causa. Assim como outros grupos minoritários, pessoas com deficiência precisam se organizar e contribuir com a construção do socialismo pois, dentro do capitalismo, onde o capital sempre valerá mais que a vida e a integridade, não importa o quanto os direitos avancem, eles podem ser retirados a qualquer momento diante do interesse político e econômico da elite, e sempre recairá primeiramente aos grupos mais vulneráveis.

Ato em Campinas denuncia despejo ilegal da Ocupação Maria Lúcia Petit Vive

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No dia 28/02, o Movimento de Mulheres Olga Benario ocupou a prefeitura da cidade de Campinas, em protesto contra a reintegração de posse sofrida pela Ocupação Maria Lúcia Petit Vive. O ato arrancou da gestão o compromisso de uma reunião para solucionar a demanda por um espaço

Movimento de Mulheres Olga Benario SP


Na última quarta-feira (26/02), a Ocupação Maria Lúcia Petit Vive, localizada no centro da cidade de Campinas, sofreu uma reintegração de posse ordenada pela Prefeitura do município. A ocupação do Movimento de Mulheres Olga Benario, que prestava atendimento gratuito às mulheres vítimas de violência, foi despejada por 13 carros de polícia, mesmo havendo apenas 3 mulheres no local.

Após um despejo que não tinha nem mesmo data marcada, o que é contra a lei, Campinas perdeu um espaço que não só acolhia mulheres, mas também servia como local de formação política e centro cultural, devido ao descaso do poder público.

“O movimento já tinha se comprometido a fazer a desocupação voluntária. Mesmo assim, nos despejaram sem avisar e sem nenhuma garantia de um novo imóvel. Nós estávamos dando uma função social para aquele local abandonado há mais de dez anos. A data da reintegração deveria vir acompanhada com o cumprimento do acordo por parte da Prefeitura de ceder um novo imóvel para as mulheres de Campinas”, denuncia Fernanda Nogueira, coordenadora do Movimento de Mulheres Olga Benario, ao jornal A Verdade.

Ocupação da prefeitura

Diante desse cenário, o movimento organizou um ato dentro da prefeitura que culminou na ocupação do espaço. Se somaram à manifestação a Unidade Popular pelo Socialismo (UP), o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e a União da Juventude Rebelião (UJR). Com caixa de som e palavras de ordem, as mulheres cobraram o compromisso apresentado pela prefeitura de garantir um novo imóvel para que o movimento continue atendendo as mulheres em situação de vulnerabilidade na cidade.

“Nós estamos aqui cobrando uma resposta da prefeitura. Nossa luta é justa, é pela vida das mulheres dessa cidade. Só esse ano foram mais de 5 feminicídios em Campinas e isso se agrava porque aqui não temos nem uma Delegacia da Mulher e nem uma Casa da Mulher que nos garantam atendimento de qualidade e segurança”, anunciou na manifestação Verônica, militante do Movimento Olga em Campinas e técnica da Ocupação Maria Lúcia Petit Vive.

Conquista de acordo

Com a prefeitura ocupada, o movimento conquistou uma reunião com o vice-prefeito, marcada para o dia 13 de março. “Nossa luta foi vitoriosa, foram 2 horas de uma ocupação da prefeitura que deu resultados. Saímos com o compromisso de uma reunião depois do Carnaval e vamos lutar para garantir que a gente saia dela com a data em que vamos entrar na nova casa. A organização das mulheres foi imprescindível pois fizemos a prefeitura nos escutar, mas vamos seguir intensificar nossas mobilizações e construir um grande 8 de marçona cidade”, afirmou Fernanda Nogueira, militante do Olga.

Após a ocupação, a militância saiu em marcha panfletando e convocando as trabalhadoras e os trabalhadores de Campinas a construir um histórico ato de 8 de março na cidade. A população que acompanhou demonstrou apoio à luta realizada pelo movimento, como relata Graciele: “Sou de Recife e estou visitando uma familiar. Vi as bandeiras e não pude deixar de dizer que é muito importante a luta do movimento, temos que nos organizar e exigir nossos direitos mesmo”.

Mayara Fagundes, servidora de Campinas e militante da Unidade Popular, sintetiza: “Nossa luta é justa e o que estamos passando aqui é um reflexo do sistema que vivemos. Nossa luta não termina com a conquista de uma casa nova, nós lutamos pelo socialismo! Por isso está na ordem do dia construir um grande 8 de março e organizar centenas de mulheres para lutar pelo fim do capitalismo e pela construção do socialismo”.

Odijas: “Vivo pela vida e luto pela vida!”

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Assassinado sob tortura em 8 de fevereiro de 1971, Odijas Carvalho de Souza, é mais um exemplo de um jovem que abriu mão de um futuro individual para lutar por justiça e democracia em nosso país. O jornal A Verdade presta uma devida homenagem no ano em que ele completaria 80 anos.

Augusto Costa | Recife


HISTÓRIA – Odijas Carvalho de Souza nasceu em Atalaia, no estado de Alagoas, no dia 21 de outubro de 1945, filho de Osano Francisco de Souza e Anália Carvalho de Souza. Lembrado como um jovem cativante e alegre, foi eleito representante de turma logo no primeiro período, se tornando líder estudantil na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) onde estudou Agronomia, durante o regime militar.

As lutas do movimento estudantil enfrentavam grande perseguição pela ditadura, intervenções aos diretórios e centros acadêmicos (DAs, DCEs) e toda legislação proibitiva como o decreto 477, de 1969, que além de proibir manifestações estudantis e intervir nas entidades representativas, burocratizava de todas as formas os processos eleitorais, até proibir de vez todo o tipo de movimentação dentro das escolas e universidades. Era nesse cenário que Odijas decidiu enfrentar o regime.

Organizado no Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR)1, decidiu que sua luta iria para além do movimento estudantil. No ano de 1967 entrou para a ilegalidade, dedicando-se a luta através da única maneira que achava possível derrubar a ditadura e lutar pelo socialismo: pela resistência armada. Odijas rapidamente se tornou uma liderança regional. Consciente do real objetivo pelo qual lutava, repetia sempre aos seus companheiros a frase que segundo Chico de Assis, também militante do PCBR ao lado de Odijas, havia se tornado sua: “Vivo pela vida e luto pela vida!”

Sequestro e assassinato

Desde a sua entrada na clandestinidade, Odijas era perseguido por sua liderança, tendo desenvolvido atividades em Pernambuco e Ceará. Odijas foi sequestrado no dia 30 de janeiro de 1971, na praia de Maria Farinha (Paulista-PE), junto de Lylia da Silva Guedes, de 18 anos, também militante do PCBR, quando foi realizada uma operação em busca das lideranças do partido.

Levado à Delegacia de Segurança Social do Recife (DOPS/PE), foi brutalmente torturado desde seu primeiro dia de prisão, segundo depoimentos de outros presos na mesma ocasião, Odijas foi torturado desde as onze horas do dia 30, às quatro horas da manhã do dia 31 – dezessete horas ininterruptas de tortura. Ao todo, Odijas foi torturado por 1 semana consecutiva, sendo morto devido às torturas.

Segundo depoimento do preso político Alberto Vinícius de Melo “Na entrada para o corredor em que se encontram as celas, existe uma sala, e foi nela que durante praticamente 17 horas seguidas, os torturadores se revezaram na tentativa inútil de obter de Odijas informações que levassem à localização de seus companheiros de militância política. Apesar da existência de uma porta de madeira isolando a sala do corredor, chegavam até nós os gritos de Odijas, o ruído das pancadas e das perguntas cada vez mais histéricas dos torturadores. Durante esse período, Odijas foi trazido algumas vezes até o banheiro; lá, era colocado no chuveiro por alguns instantes para logo em seguida retornar ao suplício. Uma dessas vezes, já durante a noite, ele chegou até a porta da minha cela e pediu-me que lhe emprestasse uma calça, porque suas pernas, principalmente a parte posterior de suas coxas, estavam em carne viva. Os torturadores, animalizados, se excitavam ainda mais redobrando os golpes exatamente ali. Ele vestiu a calça e continuaram com as torturas. Num determinado momento, a nossa tensão, angústia e impotência eram tão grandes que Tarzan2, que estava aqui, resolveu contar os golpes e gritos sucessivos, lembro-me que a contagem passou dos 300!”

Odijas foi levado em estado de coma pelos militares ao hospital da Polícia Militar de Pernambuco no dia 06 de fevereiro – sete dias após seu sequestro. Estava com ossos fraturados, retenção de urina e vomitava sangue em decorrência das torturas incessantes, realizadas por cerca de 15 policiais, inclusive, vale destacar, participou dessa ação o investigador Luís Martins Miranda, apontado por participar do assassinato de Padre Henrique em 1969.

Farsa montada pelos fascistas

A divulgação da morte de Odijas só veio acontecer no dia 28 de fevereiro, nos jornais Diário da Noite e Jornal do Commercio, vinte dias após sua morte. O atraso não foi por acaso, foi o tempo necessário para montar uma história que nunca acontecera.

A versão divulgada pela impressa é que a polícia havia desmantelado dois aparelhos do PCBR, e que inclusive, nessa mesma operação que ‘prendeu’ Odijas, a polícia também havia capturado Tarzan de Castro e sua esposa Maria Cristina Rumel – Claro que, ignorando o fato de que Tarzan e Cristina haviam sido sequestrados meses antes pelos gorilas do IV Exército.

Ainda segundo a versão divulgada à época, a causa da morte de Odijas havia sido embolia pulmonar, evidentemente, o Sr. Ednaldo Paz de Vasconcelos, médico-tenente da Polícia Militar que consubstanciou o documento emitido pelo IML/PE sem qualquer perícia necroscópica no cadáver de Odijas, não mencionou em nenhuma linha as inúmeras marcas e ferimentos causados pelas seções de tortura evidentes em seu corpo desfalecido.

Mais: Odijas foi enterrado no cemitério de Santo Amaro (Recife/PE), como indigente, tendo seu nome grafado como ‘Ozias’ em clara tentativa de dificultar a localização de seus restos mortais, importante ressaltar que não foi o único que foi vilipendiado por essa manobra, apenas no cemitério em que foi enterrado, a Comissão Nacional da Verdade descobriu outros 8 militantes desaparecidos pelo mesmo modo de ocultação de cadáver.

Por memória, verdade, justiça, reparação e democracia!

Nenhum dos assassinos de Odijas Carvalho de Souza foi punido. A ditadura militar tinha esses nomes guardados sob suas asas, o regime democrático burguês se mostrou incapaz de levar a esses monstros com pele de homem a punição devida. Talvez, ainda hoje, os filhotes da ditadura que se encontram à frente de prefeituras, governos estaduais e comandos militares. Por seu exemplo, Odijas foi eleito patrono do Diretório Central dos Estudantes da UFRPE, além de diversas ações promovidas pela militância da UJR quando estava à frente do movimento estudantil da UFRPE:

  • Agosto de 2009: é inaugurada uma placa em homenagem à Odijas na sede do DCE-UFRPE;
  • Outubro de 2012: a Comissão da Verdade de Pernambuco realiza audiência pública para apurar a morte do militante;
  • Novembro de 2012: Odijas é rematriculado na UFRPE;
  • Outubro de 2013: o atestado de óbito de Odijas é retificado, tirando a causa de “embolia pulmonar” para a verdadeira causa da morte: “homicídio por lesões corporais múltiplas decorrentes de atos de tortura”. Esse ato de reparação foi encaminhado a justiça pela Comissão estadual da Verdade de Pernambuco em julho de 2013, em nome da viúva de Odijas, Ivone Lourenço;
  • Julho de 2016: a banda serra-talhadense “Doppamina”, composta por ex-estudantes da Unidade Acadêmica da UFRPE em Serra Talhada, lança a música “Sob a Resistência”, homenageando Odijas e o Movimento Estudantil da UFRPE.

Odijas foi assassinado com apenas 25 anos. Trabalhou como vendedor de livros e professor particular para sobreviver, filho da classe trabalhadora, era mais um jovem que abriu mão de uma carreira promissora para defender a verdadeira democracia e o socialismo. Hoje, ao vermos que o Diretório Central dos Estudantes que leva o seu nome se encontra fechado, ainda mais no ano em que Odijas completaria 80 anos de vida, nada mais justo do que homenageá-lo reabrindo essa importante entidade e a devolvendo aos estudantes.

Odijas Carvalho, Presente!


1 Dissidência do Partido Comunista Brasileiro, organizado por Mário Alves, Jacob Gorender e Apôlonio de Carvalho em 1968, após terem suas teses derrotadas no IV Congresso do PCB.

2 Tarzan de Castro, dirigente regional do PCBR, na ocasião do assassinato de Odijas, se encontrava encarcerado pela repressão.

8 de Março: mulheres nas ruas contra a violência, a fome e o fascismo!

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No próximo dia 8 de março, mulheres e movimentos sociais de diversas regiões do Brasil sairão às ruas para protestar contra a violência de gênero, a desigualdade social e a ameaça de retrocessos nos direitos das mulheres.

Coordenação Nacional do Movimento Olga Benario


MULHERES – No próximo 8 de Março, mulheres de todo o Brasil se unirão nas ruas para lutar contra a violência, a fome, o fascismo, o genocídio palestino e em memória das que tombaram na luta por um Brasil democrático e socialista durante a ditadura militar. O Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, celebrado como marco na emancipação feminina, ocorre em um cenário de crise do capitalismo, ascensão de ameaças fascistas e guerra global que desafia a dignidade humana.

O Governo Bolsonaro espalhou a ideologia fascista, com tentativas de golpe e ataques à democracia e aos direitos das mulheres. Hoje, enfrentamos a PEC 164/2012, que proíbe o aborto nos casos previstos por lei. Diante disso, é urgente fortalecer a organização das mulheres contra a agenda reacionária que visa a retroceder conquistas essenciais.

O Brasil ocupa a triste posição de 5º país no ranking mundial de feminicídios. Diariamente, ao menos quatro mulheres são assassinadas por serem mulheres, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A violência contra as mulheres, especialmente negras e periféricas, está enraizada em um sistema capitalista e patriarcal. Além disso, enfrentamos a falta de creches, aumento dos preços de alimentos e itens básicos, e desigualdade salarial – com as mulheres ganhando 20% a menos que os homens, mesmo realizando as mesmas funções.

Essa realidade é parte do projeto da burguesia, que amplia seus lucros à custa da exploração das mulheres trabalhadoras. Violências físicas, econômicas e psicológicas, assim como a violação de direitos, funcionam como mecanismos de controle e dominação.

A violência de Estado não se limita ao Brasil. O genocídio palestino, intensificado pelo Exército de Israel e financiado pelos EUA, já resultou em cerca de 60 mil mortes, em sua maioria, mulheres e crianças, como aponta o Ministério da Saúde da Palestina. Segundo Reem Alsalem, da ONU, “os ataques de Israel às mulheres palestinas são parte de uma estratégia sistemática de genocídio”. As agressões contra as mulheres palestinas, incluindo ataques à capacidade reprodutiva e destruição de hospitais, visam a aniquilar não só a vida, mas a continuidade do povo palestino. 

Devemos lutar como as mulheres palestinas, que, mesmo sob os escombros de sua terra e a ameaça das bombas, seguem na luta para reconstruir seu país, liderando iniciativas de construção de hospitais, escolas e centros de apoio psicológico.

Marcharemos em nome das mulheres que tombaram nas mãos do Estado, seja pela violência direta, pela negligência ou em defesa de seu povo. Marcharemos por Preta Zeferina, Tereza de Benguela, Helenira Resende, Inês Etienne, Soledad Barrett, Olga Benario, Sarah Domingues, Edineia Ribeiro e Janaína Silva.

Portanto, o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora de 2025 será muito mais do que uma data simbólica. É um chamado para construir uma jornada de lutas que traga novas possibilidades de vida para as mulheres e toda a classe trabalhadora. Em um cenário de adversidades, a mobilização das mulheres continua a ser um farol de esperança e uma força essencial para a construção do socialismo no Brasil e no mundo.


Matéria publicada no jornal A Verdade impresso edição nº 307

“A única coisa que eu quero é justiça, porque a Polícia matou um inocente!”

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A mãe do jovem Gabriel Ferreira Messias da Silva, assassinado pela Política Militar em São Paulo, Fernanda, denuncia a execução do filho, que não estava armado. Em 2023, as polícias mataram 6.393 pessoas no país, sendo 82,7% delas negras, conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Larissa Mayumi e Catarina Matos | Coordenação Nacional Olga Benario


MULHERES – “Meu filho é trabalhador! Meu filho não tava fazendo nada, ele tava andando de moto. A única coisa que eu quero é justiça, porque mataram um inocente, tiraram a vida de um menino de 18 anos. Ele é trabalhador, ele é inocente. Foi a Polícia que matou. O meu filho tava vindo de moto e fizeram boletim de ocorrência. A Polícia informou que meu filho tava armado, mas meu filho nunca pegou numa arma. Eu só quero justiça pela vida do meu filho! Pra que outras mães não chorem o que eu tô chorando hoje.” 

Este foi o relato da Fernanda, mãe de Gabriel Ferreira Messias da Silva, um jovem de 18 anos, assassinado pela Polícia Militar em São Paulo (SP), em dezembro passado. Assim como Fernanda, milhares de mães brasileiras passaram a viver o luto e a revolta de perderem seus filhos assassinados pela polícia. Somente no ano de 2023, foram 6.393 mortes por policiais no Brasil, sendo 82,7% das vítimas pessoas negras, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O número de mortes pelas mãos da Polícia triplicou em 10 anos.

A Bahia, governada por Jerônimo Rodrigues (PT), foi o estado com mais assassinatos, 1.699, somente em 2023. Para aprofundar essa violência de Estado, o governador comprou 200 fuzis de Israel, gastando quase R$ 1,8 milhão. Uma das principais justificativas é que as vítimas eram bandidos, que foram conflitos com troca de tiros de ambos os lados, quando, na verdade, muitas das pessoas assassinadas não estavam armadas.

Assim demonstra Marília, moradora da Ocupação Carlos Marighella, em Salvador: “Eu me sinto muito triste, porque toda vez que eu vejo uma notícia como esta passando na TV, lembro do meu irmão mais novo e do meu primo, que foram mortos pela Polícia Militar. É como se eu tivesse revivendo aquele momento. É revoltante a gente saber e ter a certeza que isso irá sempre se repetir na vida dos nossos jovens negros e periféricos”.

Já no Estado de São Paulo, governado pelo fascista Tarcísio de Freitas, vários casos têm ganhado repercussão, como o caso de Ryan da Silva, de 4 anos, que foi baleado pela Polícia Militar. Somente nos primeiros meses de 2024, o estado teve um aumento de 78,5% das mortes por policiais em serviço, se comparado com esses mesmos meses do ano anterior. Foram 441 mortes contra 247, entre janeiro e agosto (Instituto Sou da Paz). Mesmo assim, o governador defende o aumento de armamento da Guarda Civil e do uso da violência, como ficou claro nas Operações Verão e Escudo, realizadas na Baixada Santista e que acumularam quase 90 pessoas mortas. Além disso, uma de suas propostas para a educação é a militarização das escolas.

Somada às mães que perderam seus filhos na mão da Polícia, está Claudineide Seixas, de Alagoas, que perdeu seu filho Jonas Seixas, um trabalhador, pedreiro, sequestrado por policiais militares e está desaparecido desde 2020, seu corpo nunca foi encontrado. “Foi muito difícil! Ele era meu amigo, ele era meu filho! Ele era aquele filho apegado, era um bom dono de casa, um pai excelente. Eu queria respostas, eu queria saber por que levaram ele, eu queria saber o que fizeram com ele, onde ele tá? Cadê esse mandado de prisão que nunca apareceu?”, questiona Claudineide.

Já Luciana Oliveira, de Sergipe, teve seu filho, Wagner Junior, assassinado pela Polícia Militar no início do ano passado. Luciana transformou seu luto em luta e, junto a outras mães e pais, constrói o coletivo Saudade. “O grupo foi criado para encorajar outras famílias. Para poder fazer a denúncia da Polícia do nosso estado. Para encorajar muitas famílias que têm medo de enfrentar isso que vem acontecendo: eles matando os nossos adolescentes e fingindo falsos confrontos. Confrontos esses que só existem da parte deles”, explica. Ainda sobre o assassinato de seu filho, Luciana acrescenta: “Meu filho Wagner só tinha 18 anos e teve sua vida ceifada com quatro tiros no peito. Que confronto foi esse que meu filho já estava rendido de joelho? E mesmo assim foi executado?!”.

Basta de militarização

Os relatos das mães que perderam seus filhos mostram uma das trágicas consequências do aumento da violência do Estado. Nesse período de crise econômica, uma das propostas dos grandes ricos e seus parlamentares é o aumento das operações policiais e a militarização das Guardas Civis.

Se quem está no poder realmente se importasse com a segurança, o Estado deveria intervir nos grandes bancos que lavam dinheiro, ver efetivamente onde são produzidas as drogas (pois as drogas andam de jatinho, em avião da Força Aérea Brasileira). Aumento da ostensividade policial não resolve o problema, porque já vivemos num Estado extremamente armado.

A solução para os problemas que aumentam a violência passa por moradia digna, acesso à educação pública e de qualidade, emprego digno, cultura e lazer. Mas não só. A superação da sociedade capitalista deve estar no horizonte de cada trabalhadora e trabalhador, jovem, dona de casa, enfim, daqueles que produzem as riquezas e têm o direito de usufruir delas.


Matéria publicada no jornal A Verdade impresso na edição nº 307

CARTA | É preciso lutar por uma reforma urbana de verdade

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Apesar dos milhões gastos em propaganda política veiculada pela prefeitura do Recife, e sem investir em reforma urbana, os bairros periféricos e o povo trabalhador sofrem com problemas antigos, como alagamentos em dias de chuva. Aqui um relato sobre as dificuldades enfrentadas pelas famílias moradoras do habitacional Ruy Frazão, condomínio dirigido pelo MLB na capital pernambucana.

Chico Mello | MLB Recife


CARTA –Na madrugada do último dia 28/01, famílias moradoras do Condomínio Residencial Ruy Frazão, conjunto habitacional localizado no bairro de Afogados – Recife (PE) e conquistado por meio de décadas de lutas do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas, tiveram seus apartamentos alagados por fortes chuvas e esgoto. Foi mais uma noite de apuros para as centenas de famílias que, nas épocas de chuvas, perdem o sono e a tranquilidade ao ter dezenas de eletrodomésticos, móveis, alimentos e outros itens essenciais perdidos, além dos riscos à saúde trazidos pela contaminação do próprio esgoto.

Afogados é um histórico bairro operário popular e periférico, e mais uma região abandonada pelo descaso da prefeitura e do poder público. Falta de saneamento e escoamento dos canais e dutos, bueiros entupidos, lixo acumulado e ruas sem asfalto são alguns dos problemas exaustivos enfrentados pela classe trabalhadora, especialmente em épocas chuvosas.

Para piorar, o Habitacional Ruy Frazão, teve seu financiamento público subsidiado à construtora Exata Engenharia, empresa privada que deveria ser responsável pela construção do projeto, além de sua manutenção, mas, na prática, desde a inauguração do habitacional, há várias queixas e denúncias de problemas estruturais como rachaduras, infiltrações, retenção excessiva de calor, goteiras e desníveis. Além das constantes faltas de água e luz, problemas que escancaram os projetos de privatização de empresas públicas estratégicas aos serviços básicos necessários à população tem sido apresentados ao MLB, que dirige o condomínio com uma proposta de direção coletiva, ouvindo os moradores e organizando as demandas por meio de assembleias em uma gestão democrática.

Com o descaso da Exata Engenharia, as fortes chuvas dificultaram ainda mais a vida dos moradores do residencial. A empresa, por sua vez, não demonstra o menor interesse em resolver o problema na estrutura dos apartamentos. Para piorar, o descaso é tão grande por parte da prefeitura, que se quer cobertura de Agentes Comunitários de Saúde para os moradores do residencial tem, mesmo o Ruy Frazão tendo sido construído por meio do Minha Casa Minha Vida.

João Campos (PSB), prefeito milionário de Recife, se preocupa bastante  com propagandas, mas o Recife fora da propaganda é marcado por violência, péssima estrutura, um transporte público precário e um déficit habitacional terrível. Quem paga o preço são os mais pobres. A governadora Raquel Lyra, responsável pela Companhia Estadual de Habitação (CEHAB), da mesma maneira foge à responsabilidade de prestar serviços à população, garantindo privilégios de banqueiros e grandes empreiteiras com prestação de contas que fecham o ano “no azul” por não ter cortado o orçamento necessário aos investimentos essenciais para o povo trabalhador.

Essa situação demonstra que dentro do sistema em que vivemos não basta conseguir o tão sonhado pronto da casa própria. É preciso ser consequente, defender um outro projeto de sociedade, uma verdadeira reforma urbana e cidades que no lugar de nos matar e nos deixar vivendo com medo dentro de casa seja uma realidade para todos os brasileiros.

Esta nota de repúdio ao descaso dos governantes chama à responsabilidade a Prefeitura do Recife e a Exata Engenharia pelos danos causados às nossas moradias, e também chama à luta trabalhadoras e trabalhadores, para nos organizarmos juntos nas fileiras do MLB, construirmos o poder popular e o socialismo, uma nova sociedade onde a própria classe trabalhadora terá condições de decidir os rumos da nação, garantir o direito à cidade, à moradia e trabalho dignos e eliminar a exploração capitalista do déficit habitacional.

Após 1 ano, assassinos de Pedro Henrique permanecem impunes

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Em fevereiro do ano passado, o jovem de 18 anos foi alvejado na cabeça pela Polícia Militar de Santa Catarina, na frente dos próprios pais. A família de Pedro Henrique continua na luta pela punição dos responsáveis.

Redação SC


Por volta das 21h30 do dia 26 de fevereiro de 2024, após ter sido baleado na cabeça pela Polícia Militar de Santa Catarina, o jovem de 18 anos Pedro Henrique Zaninotti de Souza, o PH, deu entrada no Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí (SC). Depois de 4 dias internado, Pedro Henrique não resistiu aos ferimentos e faleceu.

Os PMs responsáveis pelo assassinato declararam a um jornal local, na primeira das várias versões apresentadas, que o tiro disparado na cabeça do jovem foi acidental. Também afirmaram que, mesmo que houvesse intenção, considerariam a ação como legítima defesa, pois segundo eles, houve luta corporal. 

Em declaração ao jornal A Verdade, um dos familiares da vítima negou a versão dos policiais: “O sentimento é de injustiça e impotência, a mídia da região retratou de forma totalmente mentirosa o acontecido. Trataram o menino como um bandido e levaram como base o depoimento da polícia, que depois foi desmentido pelo vídeo da câmera de segurança da casa. Eles não sabiam que tinha câmera de segurança na casa quando deram o primeiro posicionamento. A maior parte da mídia da região tratou o menino como um bandido, o que não é verdade”.

Polícia Militar, mídia burguesa e Estado têm sangue nas mãos

A câmera, que registrou a entrada de vários policiais no terreno, mostra a ação truculenta e a facilidade com a qual um único policial, com arma em punho, arrasta Pedro do quintal para a calçada da rua e realiza o disparo. Após isso, houve uma mudança na versão apresentada pela polícia, o que escancara a tranquilidade dos algozes em apresentar as versões que melhor os convém, pois sabem que a justiça burguesa só pune os trabalhadores pobres das periferias.

Grande parte da mídia da região, comprometida com os interesses dos ricos, tomou como verdade as declarações da Polícia Militar. O motivo do assassinato teria sido porque Pedro Henrique estava empinando sua moto pelas ruas do bairro, em Camboriú, cidade da região do Vale do Itajaí, e supostamente teria desrespeitado a abordagem da PM.

Segundo o raciocínio da polícia, esse é um motivo suficiente para tirar a vida de um jovem na frente dos próprios pais. 

A família busca por justiça através do Ministério Público, mas o órgão demora a dar andamento ao caso e até agora não houve punição aos envolvidos. Em uma sociedade de classes, dominada por uma minoria de ricos e onde os juízes não são eleitos pelo povo, a justiça também tem um lado.

Justiça por Pedro Henrique

Em Santa Catarina, a total parcialidade da “justiça” brasileira foi escancarada com o icônico jantar promovido pelo fascista Luciano Hang, dono das lojas Havan, investigado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), no qual os convidados eram os próprios desembargadores do TJ-SC, os quais podem ser destacados para analisar os casos que envolvem o empresário. 

Outro exemplo, também no estado catarinense, é o de Sônia Maria de Jesus, mulher negra que há mais de 40 anos é mantida em regime de escravidão na casa do desembargador Jorge Luiz de Borba.

No Brasil, a grande maioria dos assassinatos cometidos pela polícia atingem jovens moradores de bairros pobres, como PH, que têm seus direitos negados cotidianamente. Como reivindicam as famílias que lutam pela memória de seus entes queridos, a única forma de prevalecer a justiça por Pedro e também pelos milhares de jovens diariamente violentados pelo Estado é exigindo o fim da Polícia Militar e garantindo a punição dos assassinos de ontem e de hoje.

No capitalismo, quem controla o Estado, a polícia e os juízes são os mesmos ricos e poderosos que lucram e se beneficiam com o genocídio e a miséria do povo. Por isso, para as reivindicações das famílias se concretizem, se torna ainda mais necessário lutar para destruir esse sistema e construir o socialismo, onde o Estado estará sob o controle dos trabalhadores.

Ualid Rabah: “É genocídio e propaganda de guerra”

Leia entrevista exclusiva do jornal A Verdade com Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe-Palestina do Brasil (Fepal), sobre os recentes desdobramentos do cessar-fogo e os próximos passos da luta do povo palestino

Rafael Freire | Redação


A Verdade entrevistou, com exclusividade, o advogado Ualid Rabah (58 anos), presidente da Federação Árabe Palestina no Brasil (Fepal), no dia 02 de fevereiro, durante a Bienal da UNE, em Recife (PE). Ele fez questão, inclusive, de ressaltar “a importância dos meios de comunicação não-hegemônicos para denunciar os crimes de Israel e caracterizá-los como genocídio e propaganda de guerra. Hoje, 70% da população brasileira rejeita o genocídio por isso”.

“Desde outubro de 2023, eu já visitei presencialmente mais de 200 locais no país inteiro para denunciar a perseguição histórica ao povopalestino. De maneira online, já perdi as contas. Conseguimos romper com a lógica de que para debater a questão palestina é necessário chamar um sionista, o suposto ‘ouvir os dois lados’“, relata.

Rabah e seus irmãos nasceram no Brasil, filhos de pai e mãe palestinos da Cisjordânia, que sempre mantiveram laços com sua terra natal (incluindo o uso da língua árabe), mesmo sem retornar a ela por quase 40 anos.

A Verdade – Cessar-fogo em Gaza, mas, ao mesmo tempo, seguem os assassinatos e as prisões na Cisjordânia. Já são mais de 100 mortos nas últimas semanas. Como explicar essa contradição?

Ualid Rabah – É porque, de fato, nós estamos discutindo uma realidade na Palestina que já tem vários cessar-fogo desde, pelo menos, de 2009 para frente. Então é o seguinte: a ocupação de Gaza é uma ocupação à distância por bloqueio. O que é uma ocupação? É o controle dos seus movimentos, o impedimento de você utilizar o seu espaço aéreo, o seu espaço marítimo, você não ter controle nas fronteiras, e você ser atacado. É haver controle do ingresso de comida, de medicamentos, material de construção, a totalidade daquilo que significa tornar habitável um território.

A Cisjordânia não aparenta isso, mas ela também está sob esse domínio. Ou seja, os palestinos têm uma governança na Cisjordânia em algumas partes de concentração urbana, e o restante, as estradas, os postos de controle militar estão ali dentro. Os colonos estão se tornando cada vez mais uma milícia que promove pogroms [ações de limpeza étnica], já são mais de 700 mil.

O controle das fronteiras terrestres é de Israel, o controle do espaço aéreo é de Israel. Os palestinos não têm acesso marítimo, portanto, ele é negado aos palestinos, e devem, em consonância com Israel, por exemplo, exportar pelos portos outrora palestinos que foram israelizados, Haifa, por exemplo, que fica no Mediterrâneo, na Galileia.

A distinção é que, neste momento, Gaza passa por um grande extermínio para deslocar essa população. Se você for pegar como aconteceu entre 1947 e 1951, quando Israel se faz pela força na Palestina, tomando 78% do território, desta porção tomada foram eliminados 88% da população. Esta limpeza étnica não foi promovida em Gaza, mas sim no restante da Palestina. Israel é um projeto colonial.

Eles já estão repetindo agora em Gaza. A diferença é que Gaza hoje vive um genocídio a céu aberto, televisionado. Hoje, essa limpeza étnica do século passado é superada pelos 91% de deslocados em Gaza. Naquele momento, foram 15 mil mortos. Agora, estamos falando de 60 mil mortos.

Naquele momento, houve 774 localidades palestinas invadidas, com 531 destruídas (70% de destruição). Agora, estamos falando em até 92% de residências destruídas em Gaza, num território muito pequeno, pouco maior que o Recife, por exemplo.

Segundo, a matança em escala industrial de mulheres e crianças. Isso, sim, é diferencial. A matança de mulheres (as mulheres grávidas podem ser 10% das que foram exterminadas), o aumento de 300% do aborto involuntário, perto de 60 mil mulheres palestinas que darão à luz nos próximos nove meses, sem considerar as que deram à luz neste período todo, que nós não sabemos ainda quais são as consequências da guerra, da toxicidade desse território, e a eliminação de quantidades industriais de crianças, a maior da história. Quase 10 mil por milhão de habitantes, contra 2.813 na Segunda Guerra Mundial, em seis anos, por milhão de habitantes naquele momento. Isso significa a tentativa de esterilização da sociedade palestina.

Quando você elimina ventres e elimina o que saiu anteontem dos ventres, você está tentando colapsar a capacidade reprodutiva de uma sociedade inteira. Este é um grande diferencial. Todo o resto diz respeito à ocupação e ao projeto sionista desde o século 19, até o final dele, que é tornar a Palestina sem palestinos.

Portanto, os métodos podem ser diferentes de tempos em tempos. Para o restante da Palestina, foi um extermínio na mesma escala que acontece praticamente hoje em Gaza. Agora, está acontecendo o que aconteceu antes, porque há uma tentativa de continuar o processo de limpeza étnica.

Trump tem defendido abertamente tomar Gaza e expulsar os palestinos para outros países árabes. Quais os planos do imperialismo para o Oriente Médio? Quais os interesses econômicos?

A ideia de Trump é eliminar um milhão e meio de palestinos de Gaza para irem para outros lugares, uma limpeza étnica que pode superar 2 milhões de palestinos. Isso é para, novamente, reequilibrar, na mentalidade insana dos sionistas, a demografia em favor dos judeus, para haver maioria judaica, e, sob esse pretexto, continuar reclamando o direito à autodeterminação dos judeus em toda a Palestina.

Esses são os contornos, e o processo de limpeza étnica é para todo o território. Por fim, há uma tentativa (e Trump já tinha anunciado isso no seu primeiro mandato e vai continuar agora) de que os palestinos refugiados (73% da população de Gaza é refugiada de 1947 a 1951, com seus descendentes, claro) não tenham direito de retorno, seja anulada, revogada, a Resolução 194 da ONU, de 11 de dezembro de 1948, de retorno dos refugiados. Por isso, o ataque à UNRWA,  agência especial das Nações Unidas para os refugiados palestinos, para que ela deixe de prestar assistência, para que os palestinos deixem de ter escola, enfim, uma vida normal.

Por isso, o ataque privilegiado aos refugiados em Jenin, em Tulkarem, em Hebron, sair de Jerusalém, onde há até 100 mil palestinos refugiados, tudo isso é um processo de limpeza étnica. Por isso, o ataque aos campos de refugiados palestinos fora da Palestina, como foi no Líbano, nos anos 1970 e em 1982; como foi no campo do Yarmouk, com os aliados de Israel, com os degoladores que urravam enquanto degolavam pessoas, tudo isso é um plano de extermínio dos palestinos.

Sobre o aspecto econômico, não é apenas a maior reserva de gás e petróleo do mundo em toda a região, mas é também a mais importante conexão geográfica e marítima do mundo em todos os tempos, até os dias de hoje. Só para nós termos uma ideia, Gaza tem, na sua costa mediterrânea, a norte da Faixa de Gaza, uma reserva gasífera de 600 bilhões de dólares.

Estamos falando do controle do Mar Vermelho, do Chifre da África e de Bab-el-Mandab, que sai para o Mar Índico, sai para o Mar Arábico, vai para o Pacífico, vai por Ormuz, entra no Golfo Pérsico. Nós estamos falando do controle da saída do Mar Negro para o Mediterrâneo, que é da Turquia, e o controle do Mar Negro é, em grande medida, dos russos.

Nós estamos falando do projeto que é um canal ligando o Golfo Pérsico ao Mar Cáspio, um canal que vai passar por território iraniano, e um outro canal, no Mar Cáspio, unindo o Mar Negro. Esta conectividade deixa de ser ocidental, por isso que estão intimamente conectadas as ações da Otan e dos Estados Unidos, notadamente, na Ucrânia, do extermínio dos palestinos. Isso está em jogo, é uma guerra contra um mundo multilateral que insiste em tentar existir, não sem contradições, evidentemente, não há que se infantilizar nada disso, e isso é uma parte dessa leitura necessária.

Com o cessar-fogo, veio a libertação de milhares de presos palestinos das masmorras de Israel. Alguns beirando 40 anos de prisão, outros crianças praticamente, adolescentes. Que tipo de tratamento receberam e como as organizações palestinas pretendem agora cobrar justiça perante os tribunais?

Primeiro que o cessar-fogo não muda a informação e a investigação do crime de genocídio. O cessar-fogo não anula as investigações do Tribunal Penal Internacional, que, aliás, vêm desde 2021, quando a primeira petição da OLP [Organização para a Libertação da Palestina] e da Autoridade Palestina são admitidas por estarem legitimados para tanto. E finalmente o mandado de prisão não apenas para o Netanyahu.

Segundo, nós estamos falando da troca de sequestrados palestinos por apreendidos israelenses. E o cessar-fogo está sendo traduzido pela mídia hegemônica ocidental como se o objetivo fosse o próprio cessar-fogo. Na verdade, não é isso. Estamos falando também que Israel sequestrou, nessa fase do genocídio, 18.700 palestinos. Já havia 6 mil antes.

Quer dizer, que troca de prisioneiros é essa em que o ocupante produz um estoque no seu almoxarifado de presos e depois troca um tanto libertando alguns que estão sendo libertados depois de 40 anos, 50 anos, alguns deles inválidos ou libertados para morrerem apenas?! Nós precisamos que isso seja alterado. Precisamos que haja a libertação de todos os palestinos incondicionalmente, especialmente do “Mandela Palestino”, Marwan al-Barghouti, que é o único que tem unanimidade para um governo futuro de unidade nacional.

Vejam a qualidade dos que estão sendo libertados na posição de apreendidos e que ficaram esse tempo todo em Gaza, mesmo sob ataque. A qualidade com que eles saem absolutamente inalterados desde o dia em que são apreendidos e veja como saem os sequestrados palestinos das masmorras israelenses. Saem como semivivos. Então essa é a distinção, isso também é um parâmetro de definir o que é civilizatório e o que é barbarizante.

Como foi possível resistir e sobreviver por 15 meses em Gaza bombardeada, sem infraestrutura, sem hospitais, sem residências? Como as pessoas se alimentavam? Como elas dormiam? O lixo que era produzido, esgotos, resíduos… Como que foi possível sobreviver em condições tão duras, diante de cadáveres, diante do luto das famílias?

As pessoas sobreviveram com 10% a 20% do que consumiam. Antes de Israel iniciar essa fase morticida, entravam até 600 caminhões por dia em Gaza, não apenas com a chamada ajuda humanitária, com o fluxo normal de comércio pelas alfândegas, etc. Isso poderia ser mais porque Israel limita a entrada daquilo que eles acham que é certo, veja só a ousadia de Israel e a sua degeneração: a entrada de alimentos em Gaza estava restrita à quantidade mínima de calorias necessárias para um ser humano. E passou a entrar, em alguns momentos, apenas 60 caminhões, ou seja, 10%.

As pessoas consumiram seus estoques, as pessoas consumiram grama, as pessoas consumiram o que tinham plantado para vender, ou seja, não sobrou mais plantações em Gaza, não sobrou mais absolutamente nada, e as pessoas estão raquíticas e doentes.

Isso é absolutamente desumano. E nós também não podemos negligenciar uma coisa muito importante: qual que era o objetivo de Israel e dos Estados Unidos? Era que o Egito abrisse as fronteiras para tirar de Gaza toda a população e, assim, tomar o território.

Entre 1948 e 1949, houve uma tentativa de obrigar o Egito a abrir as suas fronteiras para receber o máximo de refugiados, que ainda hoje estão em Gaza. Portanto, se fossem para o Egito, não voltariam mais. Então, houve uma pressão muito grande no começo desse extermínio para que o Egito abrisse suas fronteiras, e o Egito resistiu.

Na grande limpeza étnica de 1947 a 1951, a Nakba, houve um momento em que se pressionou o Egito e, mesmo sob o Rei Farouk, naquele momento (não era ainda o presidente Gamal Nasser), o Egito resistiu e não aceitou, mesmo sob forte pressão britânica.

Assim como aconteceu com aqueles que foram para a Síria, para a Jordânia e para o Líbano, não puderam voltar até hoje, por isso, 4,2 milhões de palestinos, refugiados e seus descendentes, estão fora das fronteiras da Palestina histórica. 72% da população de Gaza é a refugiada de 1948 e outro tanto equivalente a 25% está como refugiado na Cisjordânia, em vários acampamentos de refugiados, alguns, inclusive, em Jerusalém Oriental.

Então, ao impor esse grau de matança, destruição, fome, sede e os feridos em quantidades industriais, quase 5,5% da população de Gaza, perto de 120 mil feridos, quase toda ela mutilada ou ferida gravemente, era para provocar um grande êxodo. Esse era o propósito. O êxodo, ao não acontecer, malgrado essas condições todas, é que permite agora essa grande marcha de retorno dos palestinos. Uma parte do insucesso de Israel está nesse objetivo de limpar etnicamente que não foi alcançado.

Claro que a política geral de Israel é aquela política que eles chamam, de tempos em tempos, de “aparar a grama”. Quer dizer, de tempos em tempos, destruir e impedir as condições normais de habitabilidade de Gaza e exterminar uma parte da sua população. Se nós considerarmos os que já morreram, os que morreram direta ou indiretamente, neste tempo todo, os que fugiram de Gaza por não poderem ficar ali desde 2008, 2009, nós podemos estar falando de até 600 mil palestinos que morreram direta ou indiretamente, ou saíram para não voltar.

Quais os próximos passos da luta palestina, tanto no território, a partir de suas organizações, quanto desse trabalho que a Fepal e outras organizações têm feito? Qual o papel da solidariedade internacional?

Bom, primeiro de tudo, os palestinos foram capazes de mostrar para o mundo, mesmo sob extermínio, o que é Israel. Isso não é pouca coisa.

Então, esse é um dado fundamental, é importante. Como é que o povo palestino resiste? Primeiro, ficando lá, construindo estruturas, construindo negócios, construindo casas, mantendo sua presença, mesmo sob ocupação, como entidade política, a OLP e a Autoridade Palestina, mantendo suas presenças na ONU, nas organizações internacionais, porque a resistência é um conjunto de elementos. Quando se considera a Palestina um país apto a estar no Tribunal Penal Internacional e, graças a isso, a Palestina pode peticionar no TPI e, com isso, obter um mandado de prisão contra os sionistas, isso é um ganho.

Quando você tem embaixadas no mundo todo, quando você tem 151 países que te reconhecem, ou seja, política, diplomacia, resistência armada, manutenção da vida no terreno, tudo isso é resistência. Mas, se nós chegarmos ao fim disso, sem alcançar aquilo que conquistamos em Pequim, sob mediação chinesa, a reconciliação palestina de todas as forças e a construção de um governo de unidade, inclusive neste momento emergencial, que some o Fatah e o Hamas, todas as demais forças da Palestina, historicamente falando da OLP, todos eles estarem na OLP, chamando eleições em todos os níveis, porque nós não temos eleições para presidente na Palestina desde 2005, desde a morte de Arafat, e não temos em Gaza desde 2006.

Nós não teremos uma vida normal sem isso. Então, se nós não chegarmos ao final deste processo com um governo de unidade nacional e reconciliação, Israel terá vencido. Se nós tivermos, por outro lado, alcançado isso, Israel terá sofrido uma derrota estratégica.

Este é o papel do povo palestino lá. O papel da diáspora fora da Palestina. Nosso papel aqui, pela Fepal, por exemplo, é construir informação fidedigna em tempo real, não apenas informar, mas formar, qualificar o discurso, buscar aliados, aliados em todos os campos, não apenas em um campo restrito, porque contra o genocídio, contra o extermínio, todo ser humano, seja ele de que vertente política for, tem o direito de ser informado e conquistado para isso. E ele tem o direito de aderir à repulsa ao genocídio. E tem o papel da solidariedade.

A solidariedade, evidentemente, não substitui a vontade palestina. Mas a solidariedade é importantíssima, porque ela é que soma aquela parcela de multidões do mundo que derrotaram, por exemplo, o nazismo. Porque o nazismo não foi derrotado apenas belicamente.

É claro que os Estados Unidos têm impedido que isso aconteça pressionando seus aliados. Hoje, por exemplo, a esmagadora maioria dos países europeus se abstém do reconhecimento do Estado palestino. Há um veto que impede isso.

Se não tivesse o veto dos Estados Unidos, a Palestina seria reconhecida integralmente. Então, nós pedimos que o povo palestino mantenha sua resistência.

Nós cumprimos o nosso papel como entidade geral, representando a comunidade palestina, que no Brasil deve ter aproximadamente 200 mil membros com seus descendentes.

E que a solidariedade cumpra esse papel fabuloso. É isso que a gente espera. Tenho confiança na vitória.

Dívidas e juros altos consomem a renda dos brasileiros

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“Por que nada é feito contra quem cobra juros abusivos e enriquece à custa da pobreza de milhões de pessoas? A resposta é simples: quem toma conta do galinheiro é a raposa. O Banco Central, responsável por ordenar o sistema financeiro e garantir uma política monetária sustentável para a população, é quase uma filial da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).”

Serley Leal | Fortaleza (CE)


Na sociedade capitalista, o dinheiro que circula no mercadinho da esquina, nos bares, restaurantes, feiras, etc., mesmo sendo moeda metálica, cédula, pix ou transferência bancária, está sob controle dos bancos. Além de controlar a circulação de todo esse dinheiro, os donos desses bancos e outros grandes capitalistas também mandam nos governos.

De fato, quem determina o preço do arroz, do feijão, da carne, dos calçados e das roupas, ou seja, de tudo que é vendido ou comprado, são os capitalistas donos das indústrias, redes de supermercados, fazendas, lojas, etc. O lucro dessa classe de bilionários não cai do céu, mas é resultado da exploração de milhões de trabalhadores que, mesmo sendo os verdadeiros responsáveis pela produção de todas as riquezas, recebem em troca um salário de fome.

Mas, como diz o ditado popular, “é preciso esfolar o boi duas vezes”. É isso que os banqueiros fazem no Brasil. Os bancos têm o chamado monopólio do dinheiro. Tanto é que existe até um crime para quem empresta dinheiro a juros fora do esquema oficial: agiotagem. Com o aval do governo, eles convocam o povo para poupar, abrindo contas que dão um rendimento miserável e, com esse mesmo dinheiro, vendem empréstimos com taxas de juros estratosféricas.

Pior: quem determina qual é o preço que os bancos podem emprestar são os próprios bancos! Resultado: de 2004 a 2024, as maiores instituições financeiras que atuam no Brasil conseguiram lucrar mais de R$ 1,3 trilhão, uma verdadeira fortuna.

Paraíso dos banqueiros

Mas por que os juros são tão altos no Brasil? Os economistas burgueses dizem que o governo precisa controlar a inflação e, para isso, as taxas de juros têm que ser altas. É isso que dizem todos os dias na TV.

Mas todo mundo sabe que se aumentasse a oferta de produtos na economia, os preços baixariam. Ou seja, a melhor forma de controlar a inflação é produzindo mais mercadorias. Mas, como no Brasil as terras, fábricas e lojas são propriedades privadas dos grandes capitalistas, da burguesia, sempre que existe uma boa safra ou aumento na produção de mercadorias essenciais para o povo, esses capitalistas destinam o excedente para exportação ou estocam, pois se vendessem no mercado nacional os preços baixariam imediatamente.

Assim, o problema da inflação não está necessariamente na alteração da taxa de juros, a chamada Selic1, mas em como a economia é organizada. Até em economias capitalistas desenvolvidas, o próprio governo limita a venda de produtos para o exterior, garantindo melhor controle de preços.

No Brasil, ao contrário, os governos se submetem à vontade da burguesia e permitem que o povo sofra enquanto os ricos ficam a cada dia mais ricos. Como vivemos no passado sérios problemas de hiperinflação, a justificativa de que é preciso aumentar os juros para conter o aumento dos preços é sempre utilizada. Mas existem outros fatores que explicam essa elevação constante: um deles é o fato de nosso país ser dependente de capital externo para desenvolver a produção interna e, portanto, obrigado a enviar enormes lucros e dividendos para o exterior, sugando todas as receitas e impedindo a formação de uma poupança nacional. Com isso, toda a economia fica à mercê dos banqueiros, e os capitalistas utilizam enormes créditos subsidiados para manterem seus investimentos e ampliarem seus capitais.

Exemplo disso é o Plano Safra, destinado a financiar a agricultura no Brasil com recursos principalmente do Banco do Brasil e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social). Entre 2024 e 2025, o governo vai injetar na agricultura cerca de R$ 475 bilhões em créditos. Desse total, R$ 400 bilhões vão para o agronegócio, ou seja, a maioria do dinheiro vai para uma minoria de empresários a juros entre 7% a 12% ao ano, bem abaixo da taxa média definida para economia, um enorme benefício dado pelo governo.

Quando o assunto é oferecer crédito para os trabalhadores ou pequenos empresários, os juros chegam nas alturas. Um aposentado do INSS, por exemplo, paga em média 23,8% de juros nos empréstimos consignados. Se for um juro de empréstimo pessoal, a taxa média sobe para 94,8% ao ano. Tem empresas que cobram até 15% ao mês! No caso dos cartões de crédito, os juros podem chegar a quase 400% ao ano.

O resultado de toda essa especulação e ganância é o super-endividamento dos mais pobres. No ano passado, cerca de 28,3% das famílias brasileiras não conseguiram pagar suas dívidas, segundo a Confederação de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Dona Maria do Amparo de Souza, aposentada pelo INSS e moradora do bairro Autran Nunes, em Fortaleza, é uma delas. “Meu benefício não dá mais pra nada. Só recebo R$ 832,00. Todo mês, dependo de renovar esses empréstimos no banco se não morro de fome. Mesmo com o aumento que teve, não dá pra nada. É muito complicado viver assim”, desabafa.

Por outro lado, quem não tem do que reclamar da atual política econômica são justamente os banqueiros. O cálculo é simples: considerando o risco médio de atrasos, os prazos de pagamento e as taxas cobradas, praticamente 1/4 da renda dos trabalhadores fica nas mãos dos bancos, ou seja, três meses de trabalho. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a renda total dos trabalhadores somou R$ 328,4 bilhões em 2024, enquanto os lucros dos maiores bancos comerciais, segundo projeções do jornal O Valor, fechou em R$ 112,4 bilhões. Quer dizer, no Brasil, o povo trabalha para enriquecer a burguesia.

Banco Central

São muitas as injustiças que existem em nosso país, e a lei burguesa existe para proteger sempre os mais ricos.

De fato, quando um pai ou uma mãe desesperados furtam uma lata de leite para dar para seus filhos que estão passando fome em casa, a coisa vira caso de polícia. Mas por que nada é feito contra quem cobra juros abusivos e enriquece à custa da pobreza de milhões de pessoas? A resposta é simples: quem toma conta do galinheiro é a raposa.

O Banco Central, responsável por ordenar o sistema financeiro e garantir uma política monetária sustentável para a população, é quase uma filial da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). A mídia burguesa só lembra do Banco Central a cada 45 dias, quando seu Conselho de Política Monetária define a nova taxa Selic, que serve de base para a remuneração dos donos dos títulos da dívida pública. Atualmente, essa dívida equivale a quase 80% do PIB, chegando a R$ 7,7 trilhões. Cada aumento de 1% da Selic representa R$ 55,2 bilhões a menos nos cofres públicos. Isso significa menos dinheiro para a educação, saúde, saneamento, segurança pública, meio ambiente, etc.

No Governo Bolsonaro, com apoio do Congresso Nacional, o Banco Central mudou de status jurídico e virou uma autarquia independente. O mínimo de controle que existia, não ocorre mais. Em sua reunião do dia 29 de janeiro, o BC decidiu aumentar a taxa básica para 13,25%, a maior do mundo quando se desconta a inflação. Logo, não é um banco do Estado brasileiro, mas uma instituição dirigida em benefício de meia dúzia de grandes magnatas do sistema financeiro.

Controle sobre os bancos

Somente uma mudança drástica e radical poderia colocar fim a essa farra dos bancos no Brasil. Uma revolução socialista significa que a população, em especial, os trabalhadores, os principais atingidos por essa política desigual, deve ter controle total sobre os bancos e sobre toda a economia.

Se são os trabalhadores que produzem todas as riquezas, nada mais justo que tudo isso seja repartido entre eles. Dessa forma, a fome, o desemprego e a falta de condições dignas de vida seriam resolvidos e o Brasil finalmente seria para os brasileiros.

Nota:

  1. Selic é o Sistema Especial de Liquidação e Custódia do Banco Central do Brasil, taxa básica que remunera os títulos públicos federais negociados no mercado financeiro.

Matéria publicada na edição impressa nº 307 do jornal A Verdade

Privatização de linhas da CPTM e do Metrô de São Paulo só beneficia empresários

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No dia 28 de março, o governo de São Paulo realizará um leilão onde tentará cumprir sua promessa de privatização das linhas 11, 12 e 13 da CPTM. Trabalhadores e usuários denunciam o risco de precarização do serviço, que passará a se orientar pelo lucro da iniciativa privada

Thiago Jim e Nathalia Vergara*


Em seu mandato a serviço do empresariado paulista, o governador fascista Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem como objetivo privatizar alguns dos serviços públicos mais importantes para a população do estado de São Paulo.

No segundo semestre de 2024, após a criminosa privatização da Sabesp, Tarcísio passou a levar adiante os projetos de concessão das linhas ferroviárias da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), mais especificamente as Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Esmeralda. Posteriormente, o governador também pretende privatizar as Linhas 10-Turquesa e 14-Ônix, ampliando o domínio do capital estrangeiro sobre este bem tão essencial ao povo que é o transporte público.

Com a ofensiva do governador, são propagadas mentiras envolvendo redução de custos e e melhorias nas linhas quando, como vem mostrando o jornal A Verdade, o que vem ocorrendo é um cenário de terrorismo para que os poucos funcionários solicitem desligamento incentivado, problemas de funcionamento e uma situação em que a população paga duas vezes por um serviço de péssima qualidade.

Como se demonstra a seguir, a prova de que a privatização beneficia apenas os mais ricos está nas três concessões que, atualmente, estão plenamente em vigor nos serviços metroferroviários da região metropolitana de São Paulo: as da Linha 4-Amarela (ViaQuatro), da Linha 5-Lilás (ViaMobilidade) e das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda (ViaMobilidade).

População paga dobrado

Para cada uma dessas empresas, o governo paga um valor por passageiro transportado. Essa quantia é de R$ 6,28 na Linha 4-Amarela, de R$ 2,49 na Linha 5-Lilás e de R$ 3,83 nas linhas 8 e 9. Além do valor custado pelo governo, em que a população paga através dos impostos, o passageiro custeará novamente seu transporte por meio da tarifa, que hoje custa R$5,20 e que teve um aumento de R$ 0,20 em 2025).

A partir dessa forma da concessão, o governo fica com o orçamento comprometido para fazer “reequilíbrios financeiros” — isto é, entregar mais dinheiro — para os concessionários privados. Dentre as principais razões alegadas para estes reequilíbrios estão a queda de demanda, números de passageiros transportados abaixo das estimativas, ou o atraso em obras que competem ao Estado.

Por causa disso, em 2023, o governo teve pagar às três concessionárias privadas mais de R$ 1,3 bilhão, considerando os diferentes tipos de reequilíbrios existentes. Se essas linhas fossem operadas pelo Metrô e CPTM, não haveria a necessidade de pagar esse valor, mas sim, no máximo, o ressarcimento pelas gratuidades, como já acontece.

O governo tenta justificar o uso das Parcerias Públicos-Privadas (PPPs) como uma forma de ampliar as linhas e atrair a “iniciativa” privada, mas quem acaba por aportar a manutenção e ampliação do transporte metroferroviário é o poder público. Na PPP da Linha 4-Amarela, o governo arcou com 73% da obra. Já no Trem Intercidades, que ligará São Paulo a Campinas, o governo vai arcar com 75% da obra.

Na PPP das linhas 11, 12 e 13, a situação é ainda pior: o governo pretende arcar com até 80%, prevendo um custo de R$13,9 bilhões em 25 anos de concessão. A cifra não inclui nem mesmo os outros gastos que viriam após privatização, como, por exemplo, os reequilíbrios financeiros, cuja soma ultrapassaria em muito os investimentos atuais que o governo realiza com as linhas públicas do trem e metrô.

Outro problema que surge da concessão dos serviços é o fato de que, nos contratos, está previsto que obras importantes como a ampliação das linhas e outras melhorias possam não ser realizadas, caso causem um impacto aos custos e lucros das empresas.

Um exemplo deste cenário está na Linha 5-Lilás, cujo prolongamento para o Jardim Ângela ainda está incerto devido ao “reequilíbrio” da iniciativa privada. Como “solução”, fala-se em aumentar o tempo da concessão ou aumentar o repasse por parte do governo, mas caso a linha fosse operada de forma pública pelo Metrô, a população não estaria pagando por algo que talvez nem aconteça.

Relatos da precarização

Hoje, a principal estratégia da gestão de Tarcísio para tentar justificar a privatização para a população é precarizar o serviço público. Por isso, o que a população vivencia atualmente são uma CPTM e um Metrô precarizados, com redução de funcionários e baixo investimento do governo, criando um cenário em que a imprensa burguesa apresenta a concessão das linhas como algo que beneficiaria o povo paulista, quando o contrário ocorreria.

É o que ocorre na rotina de Maitê Fernandes, usuária da linha 11-Coral da CPTM. Com nove meses de gravidez, Maitê voltava do trabalho em horário de pico da estação Tatuapé até o município de Mogi das Cruzes. “Lembro de várias vezes que a linha Coral parou e demorou uma eternidade para voltar a funcionar. Quando chovia, os trilhos do trajeto enchiam de água e não tinha como passar, até as plataformas ficavam alagadas e era muito difícil lidar com a super lotação. Eu morria de medo de me derrubarem ou me apertarem, por conta do barrigão”, diz, relembrando.

Durante seu trajeto, Maitê ouvia outros usuários reivindicando novas linhas e trens para atender a demanda da população. “Já cheguei a sair da estção Estudantes, em Mogi, às 10h15 e chegar no Tatuapé só depois das 13h30, de tanta demora e falha no sistema deles. Nesse dia, eu lembro que alguém tinha roubado uns cabos de eletricidade na estação Poá e quando um maquinista foi questionado sobre isso ele disse que provavelmente ia demorar, porque a empresa não tinha recurso direito para resolver o problema”, comenta.

“Honestamente, é um absurdo pagar R$5,20 pra andar em um trem que vive lotado, cheio de defeito elétrico e que demora horrores para passar. Isso sem contar baratas nos vãos dos bancos e pisos escorregadios com vazamento de água. Ao meu ver, parece que não tem gente suficiente pra dar conta de tanto problema. E aí eu me pergunto: para onde vai o dinheiro que eu paguei? Porque consertar as vias, contratar mais funcionários ou fazer a manutenção dos trens ninguém faz”, reflete a usuária.

Ao mesmo tempo, os ferroviários adoecem cada vez mais e necessitam trabalhar para além de sua jornada de trabalho para garantir o funcionamento das linhas, enquanto enfrentam uma ameaça de demissão em massa devido à privatização, que justamente necessitaria de recursos materiais e humanos para continuar em funcionamento.

De acordo com um funcionário da linha 11-Coral entrevistado pelo jornal A Verdade, que pediu para não ser identificado para evitar represálias, faltam muitos funcionários em seu setor. “No período da tarde, por exemplo, teriam que ter oito oficiais e dois encarregados, mas têm três oficiais e um encarregado. Por conta disso, os problemas com a linha demoram muito para se resolver e aí fico analisando… Já são 6 anos sem concurso, 3 planos de demissão incentivada, tivemos mortes durante a pandemia da Covid-19 e desligamento compulsório por aposentadoria”, diz.

“Enquanto isso, a chefia entra no psicológico com a desculpa que o trem não pode ficar parado, mas só no meu setor faltam 18 funcionários. A empresa já teve 8600 funcionários e hoje tem pouco mais de 5000. Então eu te pergunto, a culpa é de quem?”, desabafa o ferroviário.

Lutar contra a privatização

Devido à realidade dos usuários como Maitê Fernandes e de trabalhadores como este ferroviário, cresce a importância de lutar por uma nova sociedade, onde não haja exploração e os bens públicos sejam administrados pelo bem-estar da população. Em seu programa, para enfrentar o problema, a Unidade Popular pelo Socialismo (UP) defende a “estatização de todos os meios de transporte coletivo” e a “reestatização de todas as estatais privatizadas”.

Ampliando as denúncias dos males da privatização, os trabalhadores ferroviários se organizam para bater de frente com a tentativa de concessão das linhas 11, 12 e 13, já marcada via leilão para o próximo dia 28 de março. Para o Movimento Luta de Classes (MLC), que atua na categoria, é preciso trabalhar pela organização de uma greve histórica, que faça o governo Tarcísio recuar de seus planos e o obrigue respeitar a rejeição da população à privatização, já demonstrada em pesquisas e no plebiscito popular de 2023.

*Thiago Jim e Nathalia Vergara são do núcleo de ferroviários do MLC-SP

“Perdemos arroz, sofá, várias coisas”

Em bairros como o Jardim Pantanal, a população pobre de São Paulo foi duramente afetada pelas enchentes, e a Prefeitura agora ameaça remover as famílias de suas casas. Por toda a Zona Leste, o jornal A Verdade colheu relatos das perdas e também da disposição dos trabalhadores de lutar por moradia digna

Guilherme Arruda e Guilherme Farpa | São Paulo (SP)


“A maioria das casas aqui encheu. A gente teve que sair de casa correndo no meio da enchente. Perdemos arroz, sofá, várias coisas. Todo ano, acontece isso, mas neste foi pior”. Esse é o relato de Luana, moradora do Lageado, um dos bairros afetados pelas enchentes na Zona Leste de São Paulo. Neste início de ano, os trabalhadores brasileiros estão sofrendo mais uma vez com o abandono dos governos burgueses, que pouco ou nada fazem para conter os efeitos das chuvas de verão. Só no Estado de São Paulo, até o dia 06 de fevereiro, 18 pessoas morreram devido a enchentes e alagamentos em 2025.

Os números escancaram que os investimentos de milhões de reais contra as inundações, anunciados pelo governador Tarcísio de Freitas e o prefeito da capital Ricardo Nunes, não passaram de promessas. Os mais afetados, como de costume, são os mais pobres e moradores da periferia. Além da falta de obras que lidem com a crise climática promovida pelo capitalismo, fica clara a inexistência de uma política de habitação que ofereça moradia digna para as famílias trabalhadoras, que deveriam ter o direito de viver sem o medo constante de perder tudo o que têm.

Nos últimos dias, o jornal A Verdade percorreu uma série de bairros de São Paulo que foram duramente afetados pelas chuvas. Neles, recolheu relatos de moradores que tiveram suas casas invadidas pela água e denunciam os governos dos ricos, que não atuam para conter os desastres e ainda pretendem expulsar milhares de suas casas.

Trabalhadores são vítimas

Na noite de 1º de fevereiro, em que uma tempestade atingiu São Paulo, um motorista de aplicativo de 50 anos morreu afogado no bairro da Vila Prudente. Com a via alagada, ele ficou preso em seu carro e sofreu uma parada cardiorrespiratória.

Naquela mesma noite, a trabalhadora Beatriz Zeballos conseguiu se salvar após ficar presa na estação de trem Oratório, localizada no mesmo bairro, devido ao volume de água na avenida. Ela denunciou: “Aqui na região do Monotrilho, a água está com mais de três metros. Os trabalhadores estão todos aqui ilhados, a gente trabalha o dia inteiro e não tem direito ao descanso. Esse Ricardo Nunes já está há quatro anos no poder e não fez nada. Isso é o reflexo do fascismo no governo, é classe trabalhadora no lixo e na água suja, enquanto eles estão nos apartamentos mais caros da cidade”.

Após promover uma ação de solidariedade às vítimas da inundação, ajudando a limpar os estragos, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) convocou um protesto que mobilizou dezenas de famílias para reivindicar que o poder público não fique omisso frente ao sofrimento do povo.

No dia 04 de fevereiro, a manifestação ocupou a sede da Subprefeitura de Guaianases e conquistou uma reunião com o responsável do órgão. O ato arrancou das autoridades o compromisso de uma obra para enfrentar os alagamentos na região, que será iniciada em março, o cadastro das famílias para indenização pelas perdas e seu encaminhamento para a assistência social.

A ação organizada pelo Movimento junto à população do bairro demonstra a importância da mobilização popular para enfrentar o cenário de crise. “Eu moro sozinha e fiquei muito assustada com a água subindo dois metros na minha porta. Se o MLB não tivesse vindo aqui, a gente ia ficar no vácuo, sem saber o que ia acontecer”, relatou Dona Antônia, idosa e moradora do Lageado, ao fim da manifestação.

Luta no Jardim Pantanal

Situado às margens do rio Tietê, o bairro do Jardim Pantanal sofre com enchentes e o descaso da prefeitura há quase 40 anos. Segundo Áquila Ferreira, cabeleireiro na região, após as chuvas da madrugada do dia 1º de fevereiro, “a gente via um movimento que não era comum na madrugada, muitas pessoas andando na água carregando colchões e móveis. O bairro aqui tá esquecido, não parece que a gente tá na cidade mais rica do Brasil”.

Mais de dez depois, o Jardim Pantanal continua debaixo d’água. Dona Cecília continua com parte da casa submersa e relata: “Eu levantei de madrugada pra ir ao banheiro e já pisei na água. No começo, era só o esgoto transbordando, mas logo depois também começou a entrar água da rua, aí eu perdi guarda-roupa, sofá, tudo”.

Após a última enchente, o prefeito fascista Ricardo Nunes disse que a Prefeitura deveria “incentivar as pessoas a saírem dali”, fugindo de suas responsabilidades, sugerindo uma expulsão violenta dos moradores e oferecendo uma ajuda de custo insuficiente. “Eles dão dinheiro, como se o problema fosse individual, e não social”, continuou Áquila. O poder público conhece os riscos da área desde o início da sua ocupação na década de 1980, mas nunca realizou um planejamento urbano para evitar desastres na região. Segundo estudos do próprio governo, obras de contenção da chuva custariam a metade do valor de realocamento das famílias, estimado em R$1,9 bilhão.

As tendas de cadastro para distribuição de auxílios e mantimentos não acolheram todas as vítimas da calamidade. Segundo testemunhas ouvidas por A Verdade, quando a população protestou e exigiu mais atendimentos, foi fortemente reprimida pela Guarda Civil Municipal de Nunes, com balas de borracha e bombas de efeito moral, acertando, inclusive, as crianças que também estavam nas filas.

A maioria dos víveres, como alimentos e água, estão sendo distribuídos através de cozinhas solidárias organizadas voluntariamente pelos moradores, como conta Raílda dos Santos: “A gente saiu pra trabalhar e tava alagado já, aí chamei meus irmãos e começamos o movimento de fazer marmitas para entregar”. A água do bairro também foi contaminada, adoecendo centenas de moradores que agora dependem da água potável que está sendo distribuída.

Eduardo Silva, morador do bairro, trabalhou na construção de piscinões da Prefeitura na Avenida Aricanduva e demonstra sua revolta: “Lá que tem shopping e tudo não pode alagar, mas por que eles não dão atenção e fazem um piscinão aqui? É culpa dos governantes mesmo”. O mesmo diz José Oliveira, que foi fortemente atingido pela chuva e denuncia que “os nossos governantes não fizeram nada para impedir”.

Unir o povo

Como defende o MLB, é necessária uma Reforma Urbana que enfrente a lógica profundamente desigual em que os ricos têm tudo e os mais pobres são obrigados a morar em áreas de risco e sem acesso a serviços básicos, como saneamento, saúde e educação. Para o direito à moradia digna sair do papel e se tornar realidade, o movimento convoca as famílias a lutar pelo socialismo, o sistema em que os trabalhadores poderão viver com dignidade, sem a exploração dos patrões e o descaso dos governos.

Manoel Pereira, militante do movimento e morador do Jardim Pantanal há mais de 30 anos, resume os próximos passos da luta: “A culpa não é da chuva, é dos governantes que representam a burguesia. Isso gerou muito sentimento de revolta, muitos protestos. Agora, vamos reunir os moradores, os contatos e as lideranças aqui na Escola Nacional Eliana Silva, que fica no bairro, e fazer um trabalho para nos somar nas jornadas de solidariedade e na construção da luta organizada contra o descaso”.

Matéria publicada na edição impressa nº 307 do jornal A Verdade