UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sábado, 28 de março de 2026
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Polícia, cadê o Amarildo?

Depoimentos feitos no dia 22 de julho de 2013, no dia que o Papa chegou ao Brasil, durante a manifestação que concentrou no Largo do Machado e foi para o Palácio Guanabara. Após 6 dias sem notícias de Amarildo de Souza, 47 anos, sumido pela Polícia da UPP da Rocinha. Voz das Ruas, “Papa, cadê o Amarildo?”

Amarildo de Souza, 47 Anos, pai de 6 Filhos, pedreiro e morador da Favela da Rocinha: Desaparecido Político da Democracia Brasileira.
*A última vez que Amarildo foi visto estava sendo conduzido por PMs no domingo (14/07/2013) à noite para a Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP da Rocinha.

Eliana Silva e Dandara ocupam Prefeitura de Belo Horizonte

Eliana Silva e Dandara ocupam prefeitura de Belo Horizonte“Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual proteção da lei. Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.” Artigo 7° da Declaração Universal dos Direitos Humanos

As ocupações Dandara e Eliana Silva reivindicam o direito constitucional de moradia digna. Exigimos da Prefeitura de Belo Horizonte que RECEBA AS OCUPAÇÕES e NEGOCIE UMA SOLUÇÃO JÁ!

A dignidade não alcança aqueles/as que se dobram as injustiças. Por isso hoje, 29 de julhode 2013, moradores das comunidades Dandara e Eliana Silva, ocupações dirigidas pelas Brigadas Populares e pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB, decidiram ocupar a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e exigir do Prefeito Márcio Lacerda o que ele se comprometeu: NEGOCIAR COM AS OCUPAÇÕES URBANAS DE BH!

Se somos “todos iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual proteção da lei” como diz a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, porque as famílias das comunidades Dandara e Eliana Silva não possuem o direito à moradia? Qual é o motivo de discriminar estas comunidades?

Eliana Silva e Dandara ocupam prefeitura de Belo HorizonteA Prefeitura de Belo Horizonte tem o dever legal, moral e político de PROCURAR SOLUÇÕES. Por diversas vezes solicitamos à Prefeitura de BH que abrisse negociação com as comunidades, ouvisse suas demandas e procurassem resolver os problemas fundiários e sociais das localidades. NADA FOI FEITO. Em razão dos protestos ocorridos em junho o prefeito declarou que iria receber representantes das ocupações. Então, realizamos uma solicitação formal, protocolamos um pedido de reunião na Prefeitura de BH no dia 10 de julho. Até então não obtivemos retorno algum.

Diante da falta de compromisso do Prefeito para com sua palavra e a dignidade de milhares de famílias belorizontinas, que não estão tendo seus direitos fundamentais respeitados, decidimos OCUPAR A PREFEITURA DE BELO HORIZONTE e exigir que o Prefeito receba as ocupações e encaminhe uma solução para todas as ocupações da capital.

Solicitamos a todos e todas que contribuam com nossa luta, que divulguem nossa luta e ajudem a pressionar a Prefeitura de Belo Horizonte para que negocie com as ocupações!

EXIGIMOS:
NEGOCIAÇÃO JÁ! QUE O PREFEITO MÁRCIO LACERDA SUPERE SEU PRECONCEITO COM OS SEM-TETO E CUMPRA COM SEU PAPEL DE GOVERNANTE;
REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA JÁ PARA AS OCUPAÇÕES DE BELO HORIZONTE;
ÁGUA, ENERGIA, ESGOTO E ENDEREÇO PARA AS OCUPAÇÕES.

Brigadas Populares/MG
Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB

Telefones para contato:
Comunicação dentro da Prefeitura:
Luara Colpa (Brigadas Populares):9181-0478
Natalia (MLB): 9189-7373

Comunicação externa:
MLB – 93314477
Brigadas Populares – 32740337

Evo Morales explica a verdadeira dívida externa

Evo Morales sobre a dívida externaCom linguagem simples, que era transmitida em tradução simultânea a mais de uma centena de Chefes de Estado e dignitários da Comunidade Européia, o Presidente Evo Morales conseguiu inquietar sua audiência quando disse:

Aqui eu, Evo Morales, vim encontrar aqueles que participam da reunião.

Aqui eu, descendente dos que povoaram a América há quarenta mil anos, vim encontrar os que a encontraram há somente quinhentos anos.

Aqui pois, nos encontramos todos. Sabemos o que somos, e é o bastante. Nunca pretendemos outra coisa.

O irmão aduaneiro europeu me pede papel escrito com visto para poder descobrir aos que me descobriram. O irmão usurário europeu me pede o pagamento de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei a vender-me.

O irmão rábula europeu me explica que toda dívida se paga com bens ainda que seja vendendo seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu os vou descobrindo. Também posso reclamar pagamentos e também posso reclamar juros. Consta no Archivo de Indias, papel sobre papel, recibo sobre recibo e assinatura sobre assinatura, que somente entre os anos 1503 e 1660 chegaram a San Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.

Saque? Não acredito! Porque seria pensar que os irmãos cristãos pecaram em seu Sétimo Mandamento.

Expoliação? Guarde-me Tanatzin de que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue de seu irmão!

Genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomé de las Casas, que qualificam o encontro como de destruição das Indias, ou a radicais como Arturo Uslar Pietri, que afirma que o avanço do capitalismo e da atual civilização europeia se deve à inundação de metais preciosos!

Não! Esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata devem ser considerados como o primeiro de muitos outros empréstimos amigáveis da América, destinado ao desenvolvimento da Europa. O contrário seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito não só de exigir a devolução imediata, mas também a indenização pelas destruições e prejuízos. Não

Eu, Evo Morales, prefiro pensar na menos ofensiva destas hipóteses.

Tão fabulosa exportação de capitais não foram mais que o início de um plano ‘MARSHALLTESUMA’, para garantir a reconstrução da bárbara Europa, arruinada por suas deploráveis guerras contra os cultos muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, do banho cotidiano e outras conquistas da civilização.

Por isso, ao celebrar o Quinto Centenário do Empréstimo, poderemos perguntar-nos: Os irmãos europeus fizeram uso racional, responsável ou pelo menos produtivo dos fundos tão generosamente adiantados pelo Fundo Indoamericano Internacional?Lastimamos dizer que não. Estrategicamente, o dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em armadas invencíveis, em terceiros reichs e outras formas de extermínio mútuo, sem outro destino que terminar ocupados pelas tropas gringas da OTAN, como no Panamá, mas sem canal. Financeiramente, têm sido incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de cancelar o capital e seus fundos, quanto de tornarem-se independentes das rendas líquidas, das matérias primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo. Este deplorável quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e os juros que, tão generosamente temos demorado todos estes séculos em cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus as vis e sanguinárias taxas de 20 e até 30 por cento de juros, que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo. Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos adiantados, mais o módico juros fixo de 10 por cento, acumulado somente durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça.

Sobre esta base, e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, informamos aos descobridores que nos devem, como primeiro pagamento de sua dívida, uma massa de 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambos valores elevados à potência de 300. Isto é, um número para cuja expressão total, seriam necessários mais de 300 algarismos, e que supera amplamente o peso total do planeta Terra.

Muito pesados são esses blocos de ouro e prata. Quanto pesariam, calculados em sangue?

Alegar que a Europa, em meio milênio, não pode gerar riquezas suficientes para cancelar esse módico juro, seria tanto como admitir seu absoluto fracasso financeiro e/ou a demencial irracionalidade das bases do capitalismo.

Tais questões metafísicas, desde logo, não inquietam os indoamericanos. Mas exigimos sim a assinatura de uma Carta de Intenção que discipline os povos devedores do Velho Continente, e que os obrigue a cumprir seus compromissos mediante uma privatização ou reconversão da Europa, que permita que a nos entregue inteira, como primeiro pagamento da dívida histórica.

Fonte: Diálogos do Sul

Mobilizações populares no Brasil e na Turquia são tema de debate em São Paulo

Mobilizações populares no Brasil e na Turquia são tema de debate em São Paulo 3Aconteceu, no dia 22 de julho, na sede do sindicato dos jornalistas de São Paulo o debate Turquia e Brasil: Nas ruas os povos encontram o caminho.

Organizado pelo Jornal A Verdade e pela UJR (União Juventude Rebelião) o evento teve como principal objetivo a troca de experiências sobre as mobilizações populares ocorridas nos últimos tempos nos dois países.

A discussão contou a participação de duas representações de cada país. Representando a Turquia estvam Elif Görgü, do jornal Evrensel e Nray Sancar, do Partido do Trabalho da Turquia (EMEP). Por parte do Brasil estavam Marcelo Buzetto, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e Sandino Patriota, do Partido Comunista Revolucionário (PCR). A intermediação foi Aline Bailo, da UJR.

Cada um destacou em suas exposições detalhes e análises destes processos de mobilizações, que em pouco tempo mudaram os rumos históricos destes países.

“Mesmo com tal distância e com culturas tão diferentes, podemos perceber que a luta e as mobilizações nesses países tem grandes semelhanças”, afirmou Marcelo Buzetto.

Em seu relato, Nray Sancar enfatizou a importância da luta contra o capitalismo nesse processo de mobilizações e destacou este, como m problema internacional, e por isso tão importante a solidariedade internacionalista.

O debate se encerrou com todos os participantes puxando a palavra de ordem que expressa o espírito que permeou toda essa noite. “Brasil, Turquia, América Central, a luta por justiça é internacional”.

Ana Rosa Carrara, São Paulo

Por que defendo Stálin – reação a duas publicações burguesas

Por que defendo StálinStalin costumava perguntar, durante as sangrentas batalhas em Stalingrado e nos arredores de Moscou, capital que ele nunca pensou abandonar, os invasores nazistas já enfraquecidos, e seus aliados fascistas, as tropas italianas, já derrotados, o seguinte: “Quantas divisões tem o papa Pio 12?”, o grande admirador de Hitler.

No dia 7 de março último, a Folha de S. Paulo, na seção Mundo, publicou as duas fotos acima, uma delas de duas venezuelanas da classe alta, sem dúvida carregadas de joias e com roupas caríssimas, recebendo abrigo na Flórida, festejando histericamente a morte de Hugo Chávez. Tive vontade de perguntar: “Quantas divisões elas têm?” Centenas de divisões made in USA. E quantas divisões tem a mulher venezuelana da outra foto, vestida humildemente, chorando de todo coração a morte do Comandante? Resposta: milhões de patriotas que são a maioria absoluta da Venezuela.

Também vi a publicação Aventuras na História, da Editora Abril, que na sua capa escreve: “Stalin contra-ataca: o ditador nunca foi tão adorado. Por que o homem que exterminou 20 milhões de soviéticos volta a ser venerado sessenta anos depois de sua morte?”. E, se isso não bastasse, diz Patrícia Hargreaves, diretora da redação: “Poucos personagens da história foram mais perversos que o georgiano Josef Stalin, líder da União Soviética por trinta anos, de 1992 até sua morte em 1953. Ele sempre aparece em companhia de gente como Mao Tsé-Tung, Gêngis Khan, Átila, o Huno, e assemelhados. Não por acaso, um de seus ídolos era Ivan, o Terrível, um czar que fez valer o epíteto.

Nem menciona Hitler, que cometeu o maior genocídio da história, ampliado com a invasão da União Soviética em 1941, na chamada Operação Barbarossa. Os milhões de vítimas civis, entre eles poloneses, judeus, ciganos, iugoslavos. Os nazistas entraram nos colcozes, as fazendas coletivas soviéticas, enchendo os gigantescos celeiros de madeira com centenas de camponeses, homens, mulheres, velhos, crianças, cercando os celeiros com os Eisensatzgruppe, os Grupos Especiais, pondo fogo por dentro, atrás das portas fechadas, sem deixar ninguém sair e, se alguém tentava escapar, era metralhado no ato.

Será que a Patrícia Hargreaves esqueceu que os nazistas germânicos causaram todo esse inferno da Segunda Guerra Mundial? Será que ela achou que Hitler não deveria ser incluído na lista de, segundo ela, os maiores montros da humanidade?

Quanto à Grande Fome a que ela se refere, o historiador britânico Anthony Beevor, autor do famoso livro Stalingrado, baseado nos documentos liberados recentemente, dos arquivos do Exército Vermelho e do Exército do Reich alemão, mostra claramente que, se Stálin não tivesse conseguido derrotar nos anos de 1930 os grandes donos de terras ucranianos, e não tivesse transferido esses grandes proprietários para a Sibéria, se Stalin não tivesse feito a coletivização agrária, esses grandes donos de terra, se tivessem ficado na Ucrânia, eles se teriam aliado aos alemães – e o destino da guerra teria sido o triunfo arrasador dos nazistas. Será que Patrícia Hargreaves preferiria que o resultado final tivesse sido a vitória esmagadora dos autores do holocausto?

Ela critica Stalin, dizendo que nenhum país teve mais vítimas na Segunda Guerra do que a URSS, com 24 milhões de pessoas. Pergunto: pessoas ou soldados? As vítimas britânicas foram 450 mil, as vítimas americanas, 300 mil. Patrícia Hargreaves observa espantosamente que Stalin usou esses 24 milhões de soviéticos como… “bucha de canhão”!

Assim ela ignora os fatos de que nenhuma força aliada conseguiu frear a invasão sangrenta e bárbara e de que nem a França, com a famosa Linha Maginot, não levou nem dez dias para ser derrotada, e de que a Polônia caiu em seis dias, de que os austríacos e tchecoslovacos foram engolidos, de que a Iugoslávia se tornou uma resistência clandestina permanente, com seus famosos partisans não tendo parado de lutar nas florestas – mas apesar disso o caminho foi aberto para as tropas nazistas entrarem em 1941 na União Soviética. Pela tática de terra arrasada usada pelo Exército Vermelho em sua retirada, os soldados nazistas não puderam aproveitar os frutos da terra por eles recém-ocupada, enquanto aguardavam reforços de Berlim. Foi isso que causou a Grande Fome.

Baseado nos documentos soviéticos e nazistas, o historiador Beevor fez uma grande descoberta: não foi o “General Inverno” que venceu os alemães. O fator decisivo que ele menciona é que, bem escondidas nos confins do leste da Sibéria, foram instaladas centenas de colcozes, que produziram três mil tanques do famoso modelo T-50, com aço de espessura de 5 centímetros, o dobro da espessura do aço dos tanques alemães, britânicos e americanos.

Nem os agentes de espionagem, nem nazistas, nem britânicos, nem americanos, conseguiram descobrir essas colcozes. Nem previram a surpresa que o marechal Jukov preparou com esses três mil tanques, cercando as tropas de Von Paulus dentro de Stalingrado. Os sitiantes foram sitiados.

Imaginem se Stalin não tivesse conseguido fazer essa coletivização! De onde chegariam os tanques salvadores não só da União Soviética como do Ocidente? Do céu?

Essa grande vitória em Stalingrado enfraqueceu todos os frontes de batalha alemães, em Moscou, na África do Norte e impediu o cumprimento da estratégia de pinças dos nazistas, com as tropas de Von Paulus vindo de Baku (onde ele não conseguiu chegar, por causa da derrota em Stalingrado) e as tropas de Rommel vindo do Egito. O plano era que Von Paulus e Rommel iriam se encontrar na Jordânia. Rommel foi derrotado e restou o perigo da bomba atômica em preparação pelos os alemães de Von Braun (que com a derrota da Alemanha foi trabalhar para os Estados Unidos).

Stalin e seu Comitê Central conseguiram conduzir os milhões de soldados, chamados por Patrícia Hargreaves de “bucha de canhão”, que perseguiram os alemães em fuga, atravessando a Polônia, liberando os poucos sobreviventes dos campos de extermínio Auschwitz, Treblinka, Maidanek, virando a Blitzkrieg (“guerra-relâmpago”) contra os seus inventores alemães. Conquistaram o famoso bunker de Hitler, encontrando na entrada os esqueletos do Fuehrer e sua mulher recém-casada Eva Braun e os cadáveres do casal Goebbels.

Vou mencionar os motivos pelos quais, apesar do 20° Congresso do PCUS, nunca abandonei minha admiração por esse ser fenomenal que, apesar dos erros cometidos ao longo dos trinta anos em que encabeçou a União Soviética, conseguiu manter esse continente-colosso formado pela União Soviética e a China, enfrentando tantas intervenções durante décadas, e transformar um país atrasado em um país industrializado, que foi o único a conseguir enfrentar e derrotar esse perigo que nem foi mencionado por Patrícia Hargreaves.

Minhas visão pessoal

Milhões de judeus buscando abrigo, fugindo dos carrascos, das câmaras de gás, encontraram só portas fechadas em todos os países e continentes. Foram forçados a voltar para as câmaras de gás. Os únicos que abriam as portas, as fronteiras, para esses fugitivos, foram os membros do Comitê Central presidido por Stalin. Os soviéticos salvaram 3 milhões de judeus que procuravam escapar das tropas nazistas as quais estavam em progressão, até o ponto de a URSS fundar em seu território o Estado judaico de Birobidjan, longe do perigo, na protegida Sibéria.

Se Stalin tivesse cometido esses “crimes” mencionados por Patrícia Hargreaves, seriam contados, ao invés de 6 milhões de judeus assassinados, 9 milhões de judeus assassinados.

Em 1942 eu tinha dez anos e morava em Haifa, na Palestina. Já nos preparávamos para enfrentar o perigo bem real do cerco de Von Paulus pelo norte e Rommel pelo sul. Fui um dos milhares de jovens voluntários encarregados de limpar as enormes cavernas do vale de Roshmia, no monte Carmelo, para preparar os esconderijos em que se abrigariam os que iriam enfrentar as tropas nazistas dos Einsatzgruppen. Durante semanas, depois das aulas na escola, eu ajudava a transformar as cavernas em moradias. Depois da vitória do Exército Vermelho em Stalingrado esse plano alternativo de resgate foi cancelado. Podíamos respirar livremente.

Passaram-se seis anos. Em 1948, fui recrutado para participar do início da defesa das fronteiras marcadas pela ONU para o Estado judeu, contra a invasão armada dos países vizinhos, colonizados pelos ingleses. Não havia armas suficientes. O mundo ocidental declarou um embargo. Estávamos quase em colapso. Com surpresa chegou a ajuda da Tchecoslováquia, por ordem do Comitê Central presidido por Stalin. Os tchecos mandaram milhares de fuzis, centenas de metralhadoras, que nos ajudaram, a nós jovens, a frear os invasores. Nosso destino de conseguir a libertação do Mandato britânico estava de acordo com o que preconizava a ideologia soviética. Viramos, por curto prazo, parceiros dos soviéticos. Graças ao Comitê Central da União Soviética de Stalin, foi possível estabelecer o Estado judeu no Oriente Médio.

O prestígio de Stalin

Dá para entender o fato de que, sessenta anos depois de sua morte, a popularidade de Stalin volta a ser venerada na Rússia. Não é difícil de entender: a maioria dos habitantes da ex-União Soviética tornaram-se de novo uma maioria de classe baixa, de falta de liberdades econômicas, das desigualdades crescentes, do desamparo com a falta de planos de saúde, enquanto a educação e a moradia comem quase tudo do salário, e o desemprego está crescendo enormemente. Só uma minoria pequena dos 200 milhões de russos gozam de um nível de vida bem alto. O maior número de donos de carros Jaguar, Bentley e Rolls-Royce, em todo o mundo, são integrantes da Máfia russa, que domina o país. Por que estranhar o fato de que a maioria da população está coletando dinheiro, como foi mencionado no arquivo de Patrícia Hargreaves, para reconstruir as estátuas de Stalin que foram destruídas, e exigindo do nome de Staligrado para a cidade hoje chamada de Volgogrado?

Raras vezes se encontra um povo nessa situação de revolta geral, numa situação tão dura, tão trágica, de se jogar de peito aberto contra as metralhadoras dos nazistas. Não são “bucha de canhão”. Sua luta foi igual à nossa para nos libertar dos colonialistas ingleses, com nossos peitos expostos às metralhadoras britânicas. E agora nos encontramos com os venezuelanos na mesma situação em que a grande maioria pega nas mãos o seu destino. Será isso que, sessenta depois da morte, leva à veneração de Stalin? Exatamente sessenta anos depois da morte de Stalin morreu Chávez.

Gershon Knispel, artista plástico
Fonte: Caros Amigos

João Saldanha, o militante comunista que comandou a Seleção Brasileira

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João SaldanhaEstamos numa época em que o futebol, esporte tão amado pelo povo, foi transformado em mercadoria.Em que o povo brasileiro vai às ruas, em plena Copa das Confederações, protestar pela redução das passagens de ônibus, contra os superfaturados gastos bilionários com os estádios, contra a interferência da Fifa na soberania nacional, contra as remoções dos pobres que moravam nas áreas onde os estádios foram construídos.Numa época em que o futebol tem sido instrumento de corrupção, lavagem de dinheiro, enriquecimento de uma minoria, refúgio para agentes da Ditadura Militar.

Pois bem, nada mais oportuno então do que resgatar o nome de um cidadão consciente, engajado, militante, amante do futebol e profissional bem sucedido como técnico e comentarista esportivo. É preciso que a juventude rebelde conheça e se mire no exemplo de João Saldanha.

João Alves Jobim Saldanha já nasceu lutando, no dia 3 de julho de 1917, ano abençoado, em que os bolcheviques tomavam o poder na Rússia, instalando o primeiro governo popular da História, que construiria a primeira experiência de socialismo científico na vida humana. Não. Não quero dizer que o menino já nasceu comunista. É que o casal que o gerou – Gaspar Saldanha e Jenny Jobim Saldanha –estava refugiado no Uruguai por conta de sua participação no enfrentamento dos maragatos contra os chimangos, no Rio Grande do Sul. Voltou pouco tempo depois às terras gaúchas, e, aos seis anos de idade, ajudava os irmãos mais velhos – Aristides e Maria – a carregar armas e munições por baixo da roupa.

Maragatos x Chimangos

Um breve intervalo para compreendermos melhor essa luta. Começou em 1893, com os maragatos defendendo uma Federação com maior autonomia para os Estados, considerando que o governo central exercia um controle quase absoluto, negando, na prática, a República Federativa proclamada em 1889. O apelido tem origem no fato de que os líderes da Revolução Federalista estiveram exilados no Uruguai, numa região chamada de Maragateria.  Defendendo o Governo Central, estavam os Pica-Paus, assim denominados por conta de um chapéu branco que deixava suas cabeças parecidas com a do pássaro. O conflito terminou em 1895 com a derrota dos maragatos. Mas estes não desapareceram. Retomaram o combate em 1923, contra o governo de Borges de Medeiros. Este era acusado de fraude eleitoral, corrupção e repressão, agindo como verdadeiro ditador. A luta durou 11 meses, terminando em dezembro com uma negociação intermediada pelo Governo Federal. Borges permaneceu no Governo, mas foram abolidas a reeleição e a indicação de intendentes prefeitos. Os defensores do Governo do Estado foram denominados chimangos, uma ave de rapina parecida com o carcará.

Futebol e Militância

A família mudou-se para o Paraná, onde morou em várias cidades do interior, fixando-se finalmente em Curitiba, a dois quarteirões do Atlético Paranaense. O gosto pelo futebol começou ali, jogando com os meninos da vizinhança e assistindo aos treinos atleticanos. Uma curiosidade: no curso primário, teve como colega de escola um garoto que se tornaria personagem marcante na História do Brasil: Jânio da Silva Quadros.Nova mudança, agorapara o Rio de Janeiro, em 1931;João Saldanha tinha 14 anos. Aos 18, conseguiu mudar seu registro de nascimento,oficializando-se como natural de Alegrete (RS), onde a família vivia antes de deixar os pampas. No Rio, continuou seus estudos, cursou a Faculdade de Direito, ingressou no PCB, então denominado Partido Comunista do Brasil, e jogou profissionalmente pelo Botafogo, pouco tempo, parando após fraturar uma perna.

João SaldanhaO cronista Rubem Braga assim o descrevia: “Um cara que não perdeu aquele topete gaúcho e incorporou muito da malícia carioca”. E Nelson Rodrigues, escritor e teatrólogo, deu-lhe uma alcunha: João Sem Medo.

Na fase mais dedicada à militância política no PCB, João Saldanha foi assistente político do grupo que conduziu a guerrilha camponesa do Porecatu, no Paraná (1947-1951); ele era o “Professor Siqueira”, lembra JeaneteGouvea, que o conheceu na época e escreveu sobre esta revolta para o jornal A Verdade,nº 67.

Com larga experiência na redação dos jornais e boletins clandestinos do PCB, Saldanha estreou como comentarista esportivo no Rádio Nacional, tendo se tornado muito popular e festejado pelo modo enfático e simples de comentar e pela criação de frases inesquecíveis, que se tornaram bordões populares, a exemplo de “Se concentração ganhasse jogo, o time da penitenciária seria campeão” e “Se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano terminaria empatado”.Em 1957, o Botafogo o convidou para técnico. Ele não tinha experiência, mas o clube ganhou o campeonato estadual. Mais um êxito profissional.

Na Copa do Mundo de 1966, o Brasil teve um fraco desempenho. A imprensa, o povo todo, criticava. Era geral o descrédito para a Copa de 1970. João Saldanha também criticava, mas de forma construtiva, dava sugestões. A direção da CBD (Confederação Brasileira de Desportos) pensou uma cartada. Ele era super-respeitado como comentarista, tinha levado o Botafogo à vitória como técnico. Então, que venha comandar a Seleção Brasileira.

João Sem Medo aceitou o desafio. E disse: “Só vou convocar feras”. Por isso, a imprensa batizou a seleção como “As Feras do Saldanha”. E eram.  Pelé, Tostão, Gérson, Rivelino, Carlos Alberto Torres, Jairzinho… “Tive a sorte de contar com um celeiro de craques; lamentei não convocar Ademir da Guia, por exemplo…”1 (Ademir era um grande jogador, ídolo da torcida palmeirense).

“Na seleção, mando eu”

O Brasil vivia sob ditadura militar. Quando Saldanha foi convocado, o ditador de plantão era o general Artur da Costa e Silva, que mantinha uma fachada “democrática”. Mas 1968 foi um ano de grandes mobilizações de massa, especialmente do movimento estudantil, e, em dezembro, veio o AI-5, o golpe dentro do golpe.A dita, que alguns consideravam branda, endurece de vez.Uma polêmica, aliás, inócua, porque como bem definiu o poeta “dita é sempre dita, tanto faz dita mole ou dita dura, tanto faz”, pois, “cala a voz, mata a canção, joga o direito no chão…”2

Em agosto de 1969, Costa e Silva, considerado da ala moderada das Forças Armadas, adoece. Assume uma Junta Militar e, a seguir, é nomeado para a chefia da Ditadura o general Emílio Garrastazu Médici. Este não simpatizava com um comunista dirigindo a Seleção,especialmente quando convocou a CBD para uma reunião, e João Saldanha não compareceu. Ele justificou: “…Eu não teria prazer em apertar a mão de um homem que tinha matado vários amigos meus. Não sei se foi ele quem mandou ou deixou. O caso é que, coincidentemente, trezentos e tantos morreram naquele Governo, o mais assassino da História do Brasil”.

As eliminatórias foram um sucesso, mas, uma semana antes da Copa de 1970, João Saldanha é demitido. A versão corrente, assumida pelo próprio Saldanha, é que Médici queria mandar em tudo e começou a pressionar em favor da convocação de jogadores de sua preferência, especialmente Dario Maravilha (Atlético Mineiro), pois queria agradar Minas Gerais. Segundo Saldanha, Dario era “…um bom jogador. Era de alto nível, mas não de tão alto nível como os jogadores de que a Seleção Brasileira precisava”.

Médici pressionava a diretoria da CBD, e esta transmitia a pressão para João Saldanha, até chegar ao ponto de João Havelange dizer: “João, não podemos aguentar mais. Pelo amor de Deus, convoque Dario”.  “Se convoco Dario, eu ia me avacalhar. Não me avacalhei”.

Há um boato, não comprovado, de que a cúpula do regime se reunira para debater o tema João Saldanha. Houvera uma divisão. Parte considerava que não ficava bem a taça ser levantada por um comunista. Outra parte afirmava que o Partido teria decidido que a Seleção não poderia ser vitoriosa, pois isto serviria de propaganda para o Governo. A minoria confiava em Saldanha e acreditava que ele não se submeteria a pressão de ninguém. Por via das dúvidas, foi decidido demiti-lo. A ordem de convocar Dario teria sido apenas um pretexto.

O fato é que veio a demissão. Assume Zagallo às vésperas da Copa. Manteve o mesmo time. Só teve o trabalho de levantar a taça. Um desempenho fenomenal “As Feras de Saldanha” tiveram no México, levando o Brasil ao tricampeonato mundial.

João Saldanha voltou à sua função de comentarista renomado e continuou militando no PCB até o fim da vida, que aconteceu em 12 de julho de 1990, em Roma, onde fora cobrir a Copa do Mundo, por conta de um enfisema pulmonar. O Brasil caiu nas oitavas de final.

José Levino,
historiador

Notas:

  1. As citações de João Saldanha foram extraídas da entrevista concedida a Geneton Moraes Neto, em Globo.com.
  2. Trecho da canção VIOLA, VIOLAÇÃO, letra de Joaquim Alencar e Camilo de Lélis, que driblou a censura e foi campeã, aplaudida de pé, no Festival de Música de Cajazeiras (PB), ano de 1973.

Fontes de Consulta:

  • Crônica de Gustavo Grohmann em terceiro tempo.bol.com.br e wikipedia.org.

 

Joana Saraiva: “Não se faz música sozinho”

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Joana 1Em suas andanças culturais, o jornal A Verdade conheceu no Dia Nacional do Choro, 23 de abril, numa atividade do Grupo 100% Suburbano, no bairro de Olaria, a flautista Joana Saraiva. Joana nos deu o prazer de conversar durante algumas horas sobre a importância da música para a vida e para a transformação do ser humano. A seguir esse nosso bate-papo. 

A Verdade – Como começou sua paixão pela música?

Joana Saraiva – Paixão? Está sendo uma paixão. Mas no começo sempre é difícil identificar esse sentimento. Quando era criança, tinha vontade de tocar violão, mas não foi para frente essa história. Por morar em Arraial do Cabo, uma cidade pequena do Estado do Rio de Janeiro, não havia escola de música. Mas sentia vontade de escutar música, não necessariamente de tocar. Fui morar no Rio de Janeiro com 15 anos e, andando pelo Centro do Rio, vi alguém tocando flauta e me apaixonei.

Comprei uma flauta e entrei para a Escola de Música Villa-Lobos, e esse primeiro contato não foi muito musical. As aulas eram muito técnicas, era para aprender a ler e executar partitura, muito intelectual. Num ensino tradicional de conservatório você não trabalha a sua musicalidade, não toca em conjunto. Só tem que fazer aqueles recitais em auditórios, tudo meio dramático, um repertório que não está muito próximo de você, da sua realidade. Aprendi a ler e a tocar. Não descobri a música em mim. Fui fazer outra coisa. Estudei e me formei em Ciências Sociais. Trabalhei nessa área algum tempo e o retorno para a música foi muito tempo depois, em 2004, quando fui fazer uma oficina de música com Itiberê Zwarg, baixista da banda de Hermeto Pascoal, que tinha outra proposta didática, totalmente diferente, que se chama Corpo Presente: você vai para a sala com vários estudantes de música e instrumentistas em diferentes níveis. Trabalha com a prática de compor e arranjar música com os outros, sem estar mediado pela partitura. A ideia é você fazer música com criatividade. A partitura é importante, mas ela é só um suporte de registro. Nós temos uma herança colonialista de que tudo que é oral é ruim, para você se gabar de uma alta cultura tem que saber ler e escrever, para o mundo musical não é isso. O que importa é saber escutar.

O chorinho é um ritmo brasileiro. Mas é pouco conhecido, principalmente fora do Rio de Janeiro. Por quê?

Em meados do século 19, como qualquer país latino americano, as músicas que se ouvia eram trazidas do Império, das danças que estavam na moda, como a Polca. A melodia e harmonia eram base europeia.

O choro hoje tem 150 anos de história advinda de várias influências, mas com características que os músicos brasileiros introduziram no decorrer do tempo. Hoje o choro é um ritmo brasileiro. A identidade cultural se faz pela apropriação, influência musical, o seu desenvolvimento histórico que resulta na transformação de algo novo. Quando você consegue se comunicar através desse ritmo. Nesse sentido, o choro é bem brasileiro, bastante carioca. O Choro consegue despertar interesse de diversos músicos ao redor do mundo e em diversas cidades do Brasil. Existe o Festival do Choro, que acontece no Brasil em seus diversos estados. Tem o Clube do Choro aqui e em outras partes do mundo, e esses músicos vêm ao Brasil tocar o nosso repertório. Entre os músicos e instrumentistas está havendo uma febre em relação ao choro.

A gente toca na rua porque tem uma resposta popular. A música instrumental, como o choro, toca o público, mesmo que ele ainda seja restrito.

O que a levou a aprender o choro? O que a encanta nessa música? 

A vontade de tocar. Para você aprender a tocar choro você tem que estar tocando com outros músicos. Existe essa tradição. Você tem que estar numa roda, estar com outras pessoas. É uma tradição oral de aprendizado. Você assiste, e os músicos mais experientes ensinam como tocar. Quando comecei a tocar, o que me atraiu foi essa possibilidade de trocar experiências com os outros músicos e ter uma interação com o público. No cenário da Cidade do Rio de Janeiro o choro é uma música popular.

A presença feminina numa roda de samba, de choro, não é muito comum. Como você se sente? 

Nunca senti constrangimento de às vezes ser a única mulher numa roda de choro. Sempre fui muito bem acolhida. Esses espaços são mais masculinos, assim como outros ritmos, como o samba. Essa questão de numa roda de choro só ter homem tocando reflete uma extensão de um cenário da nossa sociedade machista.

O choro sempre foi tocado no subúrbio, na Zona Oeste. Ele sempre foi tocado numa outra geografia, num outro território, num outro círculo social que não aparece.

Espero que a presença da mulher seja ampliada porque o choro está deixando de ser visto como uma música menor. Está havendo uma valorização até acadêmica sobre a música popular em geral. Uma abertura do ponto de vista da cultura formal sobre essas expressões populares. Hoje as pessoas não abrem as suas casas para tocar esses ritmos, os restaurantes e bares passaram a ocupar esse lugar. Nós tentamos manter a postura de quem está numa roda de choro, não é um show.

Como vê o fato de os governos gastarem tanto dinheiro para financiar um Rock in Rio ou uma Copa do Mundo, e investir quase nada na música popular brasileira? 

Essa é uma pergunta bastante complexa. É uma questão equivocada de orientações culturais e políticas. Uma herança de não saber e querer valorizar e enxergar a cultura popular. De não valorizar pessoas, artistas como Mestre Caçula e colocá-lo numa escola para ensinar. Tornar invisível essas pessoas que fazem cultura popular realmente. Essa questão do Rock in Rio é uma extensão de uma política equivocada, de uma visão cultural que somos herdeiros até hoje. Uma sociedade arcaica, colonizada, totalmente equivocada.

Você comentou: “Quem gosta de tocar só música clássica, toca em casa”. O que isso significa?

Para quem estuda música erudita infelizmente o circuito é muito restrito. Ou você está numa orquestra ou não está. Não existem políticas culturais para ter uma porção de orquestras, conjuntos de câmara. Existe um preconceito de achar que o público não é capaz de entender essas músicas. Música de qualidade, qualquer uma que seja, todo mundo entende. As pessoas se reconhecem nela. A música tem uma vantagem diante de todas as outras linguagens artísticas de ser mais diretas, você toca e a pessoa se toca, não há intermediário, ela não se sente constrangida, não tem mediação.

O problema é que não existe uma política de educação musical. Não tive contato nenhum com a música quando era criança. Esse decreto de 2008 (Lei nº 11.769), que regula o ensino de música nas escolas, é de extrema importância. Existe uma discussão no meio artístico sobre a regulamentação dessa lei, da possibilidade real, concreta, de cumpri-la, por ser uma questão de educação.

Qual a importância da música no desenvolvimento social do ser humano?

A importância é total. Se você pensa de uma forma mais humanista, na concepção homem, mulher, a música está totalmente dentro, como qualquer outra linguagem. E ela tem uma potência muito grande de transformação individual, social, porque ela afeta muito diretamente as pessoas.

A música tem um grande potencial de mobilização social, porque não se faz música sozinho. Primeiro você precisa de alguém para tocar e de alguém para ouvir. Você precisa de gente. O que me encanta mais na musica é essa necessidade intrínseca de comunicação. A característica fundamental de um bom músico é quando ele consegue escutar e se colocar a partir do que se escuta no sentido de escutar o outro. Saber dialogar, não se impor, conquistar o espaço de outra maneira. Várias percepções que passei a ter sobre a vida social, sobre o mundo vêm de situações quando estou tocando. Quando se está tocando a sua personalidade fica mais exposta. Você não está fazendo terapia, discutindo política, mas está fazendo tudo isso numa outra linguagem. Essa é a potência de tocar, se fizer um direcionamento legal, você pode usar isso para uma mobilização coletiva, para um sentido de uma identidade de grupo, para um engajamento político, porque a música é uma linguagem muito potente. Todo mundo tem a música 24 horas na vida sendo ou não músico.

Como você se define politicamente?

Sou um ser político em todos os momentos. Você conseguir afetar, incomodar, questionar uma pessoa do seu lado é uma ação política.

Política se faz na esquina. É um trabalho de formiguinha. Não é uma política de cima para baixo. É uma ação cotidiana. Toda ação tem uma consequência porque você é um agente social. Você não está sozinho no mundo. Não acredito na política dos grandes sistemas.

Você leu o jornal A Verdade. O que achou? 

Achei bem contundente. Bem corajoso. Achei que fosse um jornal regional, mas é amplíssimo e isso realmente é fantástico. Deve ser muito difícil selecionar as matérias que vão sair. Porque o Brasil é enorme. A mensagem que deixo para o jornal é de continuar acreditando que a mudança é possível, é real e cotidiana, e que se faz no passo de formiguinha mesmo. Desde que se acorda até a hora de dormir. Porque você pensa, anda, fala, ouve, sonha e, por conta disso, podemos realizar todos os nossos horizontes possíveis e imaginários, conseguir libertar a imaginação nisso tudo, e acreditar sim que a realidade agora que a gente vive é um constrangimento, é uma pressão momentânea, mas você tem que ter força política para imaginar e realizar essas mudanças sociais e trazer isso para sua existência cotidiana, para sua realidade cotidiana. A sua responsabilidade cotidiana.

Denise Maia, Rio de Janeiro

Pessoa que jogou Molotov no RJ supostamente aparece amparado pela PM em vídeo

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Com o poder da mídia alternativa, cada vez mais a Polícia Militar é desmoralizada. Uma pessoa idêntica a que jogou o Molotov em um policial militar supostamente aparece amparada pela PM, no meio do tumulto da manifestação.

Policiais infiltrados sempre foram usados pela polícia para desviar movimentos e deter lideranças. Tire suas próprias conclusões.

E agora?

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Manifestação PopularSomos dessa geração de jovens da Revolta da Tarifa. Nascidos nos anos 1980, adolescentes nos anos 1990, jovens nos primeiros anos deste século. Crescemos todos debaixo da pressão ideológica das batalhas vividas pela geração anterior. Quando ruiu a União Soviética, a classe capitalista massacrou nossa geração com o discurso do fim da história, apoiada, com muito ou pouco entusiasmo, por ideólogos, professores e líderes ditos de esquerda.

Era preciso resistir. Vencida a Ditadura, realizado o Fora Collor, passamos pelos anos ultraimperialistas (neoliberais) com várias baixas. O que sempre incomodou em todos esses anos foi o discurso quase unânime da centro-esquerda institucional de que os tempos eram muito difíceis, que era preciso abrir mão de certos princípios e de que não era possível realizar greves nem manifestações de maior envergadura. Defendiam ontem o que a direita defende hoje: baixemos as bandeiras.

Nesse período, as universidades foram o espaço mais privilegiado para a propagação do discurso reacionário, travestido de pós-moderno. Falaram e repetiram que as ideologias estavam com prazo de validade vencido, que a classe trabalhadora não podia mais ser senhora da história e que, portanto, trabalhar por uma mudança profunda, revolucionária, no Brasil e no mundo já não era mais possível.

Seguiram esse caminho os que foram fazendo mais e mais concessões para vencer eleições de cartas marcadas no campo institucional. Pagaram demasiado caro. Ingênuos e infantis, fortaleceram e renovaram uma direita fisiológica, enquanto pensavam que fortaleciam a si próprios.  Dentro de diferentes níveis de governos, chocaram o ovo da serpente.

A Revolta da Tarifa teve seu salto de qualidade com duas grandes marcas inquestionáveis. A primeira é a marca da indignação em virtude das profundas injustiças vividas pela maior parte do povo. Essa indignação se manifesta em temas como a Copa, os serviços públicos, os direitos individuais e a corrupção. Todos que vão para a rua estão indignados.

A segunda marca é a da decepção, e é aqui a direita encontrou a chave para crescer.  Depositário da esperança popular durante a última década, o Partido dos Trabalhadores decepcionou e perdeu a confiança dos setores populares. Pior. No Governo Dilma ficou surdo e avesso às críticas, fazendo propaganda triunfalista através da Copa e de obras faraônicas, enquanto a gigantesca desigualdade social permanece.

Desiludidos com o PT, uma parte considerável da juventude passa a negar o conjunto dos partidos e a fazer uma negação da política que é um prato cheio para os fascistas que permanecem impunes e ativos desde o fim da Ditadura. A covardia de não punir os torturadores e assassinos do regime militar dá aqui os seus frutos.

A revolta da tarifa é produto de uma série de manifestações da juventude e dos trabalhadores que desembocaram no que hoje está acontecendo. Citarei algumas, provavelmente esquecendo outras: Revolta do Buzu (Salvador, 2003), Amanhã vai ser maior (Florianópolis, 2005), Rebelião contra o aumento (Recife, 2005), além da revogação do aumento em Porto Alegre e Goiânia neste ano. É também acumulo da retomada das greves, em 2012, da luta dos índios e dos camponeses.

É, portanto, um momento fundamental na história do Brasil, onde não cabe lugar para o medo, a paralisia e a confusão. Chegou a hora de a classe trabalhadora e da periferia falarem. Se o Governo Dilma não guinar à esquerda, será cúmplice, por omissão, dos fascistas que, com financiamento estrangeiro, trabalham para criar as condições para um golpe no povo brasileiro.

O povo brasileiro já mostrou que tem consciência política e disposição de luta, tanto os jovens quantos os adultos. É momento de ocupar as ruas defendendo nossas bandeiras de reestatização das estatais privatizadas, terra para quem nela trabalha, casa para quem está sem casa, emprego digno, mais verbas na educação e saúde, punição para os torturadores e corruptos de ontem e de hoje. Que ninguém mais use como desculpa a falta de consciência do povo para não trabalhar por mudanças profundas neste País!

Sandino Patriota,
ex-vice presidente da UNE e militante do PCR

Comissão da Verdade da Uespe ouve depoimentos

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Comissão da Verdade da UESPEA Comissão da Verdade da União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (Uespe), instalada em 28 de maio de 2013 para apurar os crimes cometidos pela Ditadura Militar contra os estudantes secundaristas, entrevistou o Dr. Oswaldo de Oliveira Coelho Filho, advogado e presidente da Caixa de Assistência dos Advogados da OAB-PA.

Oswaldo esteve presente na manifestação estudantil realizada em 1º de abril de 1964, no Recife, contra o golpe que implantou a Ditadura. Naquela ocasião, os estudantes seguiram em passeata rumo ao palácio do Campo das Princesas, sede do Governo do Estado, para defenderem a validade do mandato do governador Miguel Arraes contra os golpistas.

Segundo Dr. Oswaldo, “o Exército começou com disparos para o alto, em seguida baixou o alvo. Nisso, atingiu Jonas no rosto. Os estilhaços dos ossos caíram sobre mim e muito sangue, muito sangue, ao ponto de minha roupa ficar toda molhada do sangue de Jonas. Jonas morreu nos meus braços”.

Jonas José de Albuquerque, era estudante secundarista do Ginásio Pernambucano, integrava a célula do Partido Comunista daquele ginásio. Fundou a Associação Literária Machado de Assis (Alma) e, no momento de seu assassinato, segurava a bandeira do Brasil ao lado de Ivan da Rocha Aguiar, recém aprovado para a Escola de Engenharia, também atingido naquela ocasião, vindo a falecer enquanto era socorrido.

O depoimento foi acompanhado por representantes dos grêmios e entidades estudantis, além de ex-presidentes da Uespe e da Ares. Estiveram presentes ainda o vereador de Olinda pelo Partido dos Trabalhadores Marcelo Santa Cruz, irmão do desaparecido político Fernando Santa Cruz; Adelson Borba, ex-presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), gestão 1978; Jucemário Dantas, ex-presidente do Diretório Acadêmico de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal de Pernambuco, gestão 1976; Augusto de Albuquerque, irmão de Jonas José de Albuquerque; e Amparo Araújo, do Movimento Tortura Nunca Mais de Pernmabuco.

Augusto de Albuquerque relatou emocionado os fatos que decorreram do assassinato de seu irmão. “Meu pai foi para o quintal com um revolver. Colocou a arma na cabeça, mas, felizmente, estava sem balas. Ele tentou se matar porque não suportava o que aconteceu com Jonas. Ele ficou muito abalado”, declarou.

Na mesa, Edival Cajá, presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa e membro do Partido Comunista Revolucionário, saudou a iniciativa da Uespe pela criação da sua comissão da verdade; e, Marcus Vinícius, presidente do DCE da Unicap e secretário Geral da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP) ajudou na coordenação do evento.

“A comissão irá ouvir outras testemunhas e vítimas. Ao final dos trabalhos, irá apresentar relatório e petição para que as comissões da Verdade Nacional e Estadual apurem os crimes investigados”, declarou o presidente da Uespe, Davi Lira, encerrando as atividades do dia.União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco Criou no dia 21 de junho de 2013, a comissão da Verdade para apurar os assassinatos dos estudantes Jonas José e Ivan Aguiar pela ditadura militar. O objetivo é reunir dados para auxiliar a comissão estadual. O evento contou com dezenas de jovens, ex presidentes da UESPE do vereador Marcelo Santa Cruz, Movimento Tortura Nunca Mais e do Irmão de Jonas.

Thiago Santos, Recife

Povo nas ruas conquista vitória

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PCR protesta em BHCentenas de milhares de brasileiros, em sua grande maioria jovens, estão nas ruas para exigir a redução das absurdas tarifas do transporte público e o passe-livre. O transporte público em nosso País é de péssima qualidade, embora seja um dos mais caros do mundo. O resultado é que 37 milhões de brasileiros são obrigados a andar a pé por não ter dinheiro para pagar uma passagem.

Mas isso não ocorre à toa.

O transporte público foi privatizado. Em todas as grandes cidades um reduzido número de ricas famílias são donas das empresas de ônibus. Os governantes recebem propinas desses empresários e, em troca, aumentam as passagens, abandonando a população à ganancia desses tubarões. Essa minoria, além de ter superlucros com as passagens caras, recebem subsídios das prefeituras e governos. Por isso, a solução é a estatização do transporte público.

Mas o povo também sofre com o desmantelamento do Serviço Público de Saúde (SUS), com a máfia dos planos de saúde, com os professores recebendo baixos salários e com a educação sendo transformada em mercadoria.

No campo, monopólios roubam as terras dos povos indígenas e dos camponeses para exportar soja, enquanto faltam alimentos na mesa dos trabalhadores. Não bastasse, nosso petróleo está sendo leiloado para multinacionais em troca de migalhas.

Quando o povo vai às ruas exigir seus direitos, os governos dizem que não há verbas. Mas, para atender aos interesses da Fifa, o Governo Federal gastou bilhões para construir estádios. O Governo também usa o dinheiro público para pagar os juros da dívida e enriquecer os especuladores, bem como para dar subsídios às montadoras de automóveis e socorrer bancos falidos, como o Pan-Americano, do milionário Silvio Santos, ou a empresa OGX, do playboy Eike Batista.

Para os trabalhadores sobram migalhas. O Brasil tem um dos menores salários mínimos da América Latina, enquanto os patrões capitalistas ganham fortunas.

Os grandes meios de comunicação da burguesia, tendo à frente a Rede Globo, também são responsáveis por essa situação, pois apoiaram a Ditadura Militar que torturou e matou centenas de revolucionários brasileiros e espalhou a corrupção por todo o Brasil. A Globo também apoiou Collor,o golpe militar em Honduras, as guerras imperialistas contra o Iraque e o Afeganistão, quer que o Brasil se torne um quintal dos EUA e defende a repressão contra o movimento popular. Aliás, ao lado da Fifa, é quem mais lucra com a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. Por isso, é urgente acabar com a propriedade privada dos meios de comunicação.

O fato é que a burguesia, a classe capitalista, se apodera de todas as riquezas que são produzidas pela sociedade, enquanto a maioria vive com quase nada, mora em favelas ou de aluguel e, quando chove,ainda perde o pouco que tinham; muitos a própria vida.

Também por causa desse falido sistema existemmais de 200 milhões de trabalhadores desempregados no mundo, sendo 75 milhões de jovens.

A verdade é que ninguém libertará o povo, se ele próprio não lutar. Como prova a redução do preço das passagens em diversas cidades, para mudar essa situação, a solução é a luta; é não baixar a cabeça para os poderosos. Sem luta não há revolução, e sem revolução não há transformação!

O PCR luta por uma revolução popular e pelo socialismo!
Basta de exploração dos patrões e de abusos contra o povo!
Estatização do transporte público já!
Exigimos nossos direitos!
Fora Fifa e Rede Globo!
Pelo poder popular e o socialismo!

Partido Comunista Revolucionário (PCR)