UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

domingo, 5 de abril de 2026
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Quem financia Yoani Sánchez?

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Yoani é financiadaO Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba (MPSC)  vem a público expor as razões que o levam a protestar contra a visita da personagem cubana Yoani Sánchez ao Brasil.

A nossa indignação se amplifica devido a falsas informações divulgadas pelas grandes corporações privadas da mídia que reinam no nosso país (televisões, jornais e internet).

Nesse contexto, a blogueira cubana tem sua imagem construída pelo oligopólio midiático, aparentando ser uma mulher doce, honesta e portadora da verdade sobre a realidade cubana.

Seu discurso não se concentra diretamente na crítica ao socialismo, mas busca explorar aspectos das dificuldades enfrentadas pelo povo cubano no seu dia a dia, para, assim, dissimular os interesses que estão por detrás dela, tornando-a uma suposta mártir dos ideais da liberdade de expressão em Cuba.

Utilizando-se de linguagem simples e articulada, a blogueira tenta esconder os seus ideais de minar o sistema socialista, a peculiar democracia cubana.  Seu objetivo? Promover o retrocesso com a instauração do capitalismo, que certamente seria capitaneado pelos terroristas cubanos que hoje vivem em Miami.

Porém, Sánchez já foi devidamente desmascarada. Já se sabe que ela não está só, mas acompanhada pelos já conhecidos inimigos da Revolução Cubana. Sánchez não passa de mais um dos episódios da gigantesca e histórica pressão das potências capitalistas contra o exemplo cubano, desde a vitória da luta armada de 1959.

A única novidade são as ferramentas utilizadas, como a internet, na tentativa de explorar a suposta contradição de gerações, dos que presenciaram a revolução e dos que vivem hoje das mudanças sociais que dela sucederam.

O fenômeno postiço Yoani Sánchez segue o mesmo rastro das invasões militares e mercenárias dos ianques ao território cubano; do terrorismo aberto comandado pelos residentes em Miami; das inúmeras tentativas de assassinato das lideranças da Revolução; das mentiras semeadas pela mídia internacional; dos inúmeros atentados perpetrados contra a população cubana; das sabotagens à produção do País e do infame bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba. Yoani Sánchez é uma dessas novas cartadas, agora baseada no ciberespaço da (des)informação.

O que já se sabe sobre a impostora Yoani Sánchez

É formada em Letras e Filosofia, especializada em literatura latino-americana.  Já casada com o contrarrevolucionário Reinaldo Escobar, em Cuba, abandona o país em 2002, casa-se com um alemão e imigra para a Suíça. Por razões não explicadas, resolve retornar a Cuba em 2004, lugar que dizia odiar por ser “imensa prisão com muros ideológicos”.

Desde que criou o seu blog “Geração Y”, em 2007, causa surpresas pelo sombrio e meteórico prestígio que recebe de instituições que lhe conferem prêmios jornalísticos e literários e a destaca como pessoa das mais influentes no mundo. O fato é que esses “prêmios” se tornaram uma fonte de prestígio e renda sem precedentes: foram cerca de 250 mil euros em recompensa no curto período de pouco mais de um ano, o que corresponde a mais de 20 anos de salário mínimo na rica França e cerca de 1.500 anos de salário mínimo em Cuba.

O maior reduto da imprensa golpista das Américas, a Sociedade Interamericana de Imprensa, sediada em Miami (Flórida, EUA), nomeou-a vice-presidente regional por Cuba. Sánchez é correspondente de vários jornais conservadores no mundo, inclusive do Estado de São Paulo. Esse generoso cabide internacional de empregos lhe rende cerca de 6.000 dólares mensais, o que significa uma verdadeira fortuna para quem vive em Cuba. Isso confirma que ser “dissidente” em Cuba é meio de enriquecimento e prestígio com o aval imperialista.

Os Estados Unidos impõem bloqueio a Cuba, impedindo que qualquer empresa que possua 10% de capital estadunidense possa comercializar com a ilha. Todos os cabos que possibilitam a conexão cibernética que passam próximos a Cuba pertencem aos EUA. Assim, os cubanos ficam privados do uso mais acessível da rede mundial de internet. No entanto, Yoani Sánchez circula livremente em Cuba, coproduzindo seu megablog, com auxílio fenomenal de empresas estrangeiras que lutam pela derrubada do regime revolucionário. O mais curioso (e revoltante) é que a mercenária consegue passar por cima do bloqueio e receber fortes subsídios de empresas estadunidenses, enquanto crianças cubanas são privadas de medicamentos interditados pelo bloqueio. Seu blog usa o Paypal, sistema de pagamento online que nenhum morador de Cuba pode utilizar devido ao bloqueio estadunidense. O blog dela dispõe de Copyright, que também é vetado para qualquer cubano pelos Estados Unidos. É a empresa estadunidense GoDady que registra o domínio do blog de Yoani Sánchez e o sítio que o hospeda outros vários sítios da extrema direita no mundo, tendo potencial de banda cerca de 60 vezes maior que aquela de que todos os usuários de Cuba dispõem.

Quem paga a gestão de mais de 14 milhões de supostas visitas mensais ao blog? Quem sustenta suas diferentes contas de Twitter? Quem banca as cerca de 400 mensagens mensais desde Cuba, que lá custa 1,25 dólares cada?

Não precisamos de muita imaginação para saber do que se trata: Yoani Sánchez não passa de uma traidora de sua pátria, ancorada no que há de mais sujo no contexto atual dos mecanismos de complô mundial de Estados e corporações contra o exemplo de Cuba. Mesmo tentando dissimular, ela não esconde seu projeto de implantação de um “capitalismo sui generis” na ilha e o seu alinhamento com a política imperialista no mundo atual.

Por outro lado, jamais Yoani Sánchez lutou contra o bloqueio genocida imposto pelos Estados Unidos a Cuba. Jamais ela dedicou a sua influência (produzida) em prol da libertação dos cinco cubanos presos, injusta e ilegalmente, em solo inimigo (EUA). Sánchez jamais reconheceu o papel fundamental de Cuba no processo de independência de vários países africanos da década de 1970 e também no fim do apartheid na África do Sul.

Por que Sánchez não reconhece ser Cuba o país que tem o maior índice de desenvolvimento humano aliado ao respeito à natureza? Por que não reconhece Cuba como país que preserva e respeito aos direitos humanos nas mais diversas áreas?

Por esses e muitos outros motivos, nós do MPSC protestamos contra a visita dessa mercenária ao Brasil e, mais uma vez, denunciamos as corporações empresariais de comunicação, sob a forma de jornais, televisões e internet, que monopolizam a comunicação e impedem a liberdade de expressão no Brasil.

Pelo fim do monopólio das comunicações e pela liberdade de expressão no Brasil! Pelo imediato fim do bloqueio a Cuba!

Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba (MPSC)

Para justificar guerras e repressão, capitalismo faz apologia da violência

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Soldados no IraqueCausou grande indignação a morte do jovem boliviano Kevin Beltrán Espada no dia 20 de fevereiro, provocada por um sinalizador disparado por um membro da torcida corintiana em Oruro, Bolívia, durante o jogo entre San José e Corinthians, pela Copa Libertadores. A violência no futebol voltou à primeira página dos jornais e ganhou reportagens especiais na TV condenando as torcidas organizadas.

Porém, a violência não só tem crescido no futebol.  Segundo o Mapa da Violência produzido pelo Instituto Sangari, entre 1980 e 2010, ocorreram no Brasil 1,09 milhão de homicídios, o que significa uma média de 36,3 mil mortes violentas por ano.

Apenas no mês de janeiro, informa a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, 455 pessoas foram assassinadas, 69 a mais do que em janeiro do ano passado. No Rio Grande Sul, os homicídios também cresceram 17% no último ano.

É claro que não é possível culpar as torcidas organizadas por esse aumento da violência. Até porque somente a PM de São Paulo matou em 2012, uma pessoa a cada 16 horas.

Vemos, assim, mais uma vez, os grandes meios de comunicação agirem como os romanos há 2000 anos: procuram um Cristo para crucificar. No caso da morte do torcedor boliviano, esse cristo é a torcida organizada.

Essa forma de agir da imprensa burguesa não é à toa. Na realidade, sua especialidade é encobrir a verdade para isentar de culpa o sistema capitalista. Entretanto, como prova a dialética, é impossível compreender um acontecimento ou fenômeno isolando-o ou separando-o de outros que o cercam e sem analisar o que o causa. Sem essa análise, qualquer fenômeno torna-se uma coisa sem sentido, surpreendente ou inimaginável.

Desse modo, a morte de Kevin Espada e a forma como ocorreu têm uma importante relação com o crescimento da violência tanto em nosso país como no mundo. Lembremos aqui que há três meses, em 14 de dezembro de 2012, outra grande tragédia chocou o mundo: o cruel assassinato de 20 crianças por um jovem de 20 anos, filho de uma professora, numa escola da cidade de Newtown, em Connecticut, EUA.

Quem são os donos das indústrias de armas?

Aliás, mesmo tendo ocorrido nos EUA, seis massacres em 2012, que mataram 45 pessoas, a maioria crianças e jovens, o comércio de armas continua crescendo no país e segundo dados da Associação Nacional do Rifle (NRA, sigla em inglês) existem em mãos privadas 300 milhões de armas de fogo para uma população de 330 milhões.

Na realidade, a sociedade capitalista tem hoje no armamentismo e na violência suas principais características. Não é por mera coincidência que as principais economias capitalistas do mundo são exatamente as maiores exportadoras de armas: EUA, Rússia, Alemanha, França e Reino Unido, juntos, são responsáveis por 75% das vendas de armas no planeta.

Mais: de acordo com o Instituto Internacional para a Paz de Estocolmo (Sipri), em 2010, em plena crise capitalista, as 100 maiores empresas do setor de armamentos venderam fabulosos 411,1 bilhões de dólares em armas.

Entretanto, é bom observar que os donos dessas indústrias armamentistas não constituem uma classe capitalista à parte. Eles são também proprietários dos principais bancos do mundo (aqueles que são grandes demais para quebrar), de fundos de investimentos e de monopólios industriais que fabricam de aviões a cigarros.

É para atender a insaciável ganância desses empresários e impedir a queda na taxa de lucro que os governos nada fazem para acabar com a fabricação de armas. Pelo contrário, cortam verbas da Saúde e da Assistência Social para assegurar recursos para a indústria bélica. De fato,  nunca numa reunião do Conselho de Segurança da ONU, órgão integrado apenas pelos países imperialistas, foi apresentada uma proposta para proibir a produção de armas nucleares ou de qualquer outro tipo.

Por isso também, nunca se teve tantas guerras como neste início do século 21.  Em janeiro, as Forças Armadas da França invadiram o Mali, país africano e que foi colônia da França até 1959, e o gabinete de Obama já discute a intervenção militar na Síria, diz em manchete o jornal Washington Post.

A apologia da violência

Para justificar essa violência e apresentar as indústrias de armas como se fossem fabricas de chocolates, o cinema capitalista produz uma legião de filmes de guerras e de louvor à violência, tais como Guerra ao Terror, Duro de Matar, Violentos e Furiosos, Batman, o Cavaleiro das Trevas, Argo, G.I. Joe, etc., bem como games (jogos) que se tornaram moda para ado-lescentes. Um exemplo: quando do lançamento do game “Medalof honor Waefighter”, video game mais vendido no mundo, a EletrctronicArts, apresentou entre seus parceiros de marketing a empresa McMillan, fabricante de fuzil ultramoderno para atirador de elite e a Magpoul, empresa que vende pentes de balas.

Além do mais, a sociedade burguesa, inspirada na acirrada concorrência existente entre os grandes grupos capitalistas para dominar os mercados, (“Cada capitalista mata muitos outros”. Marx.O Capital, I ), necessita para justificar essa “sociedade altamente competitiva” e garantir a coesão social, além de um gigantesco aparato repressivo, escravizar corações e mentes. Daí, a estratégia de promover a alienação social e incitar o individualismo e a rivalidade buscando que o ser humano seja visto não como um companheiro, mas como um concorrente.

“Aniquilar o concorrente’ é o objetivo que precisa ser alcançado para sobreviver na moderna sociedade capitalista; ou você é vitorioso ou está “morto para o mercado”, dizem os especialistas em gestão de carreiras. Aliás, a frase “É preciso matar o adversário”, tornou-se um mantra na boca de técnicos, jogadores e comentaristas de futebol.

A hipocrisia dos meios de comunicação burgueses é tão grande que, ao mesmo tempo em que se mostram indignados com a morte do jovem boliviano, convidam os telespectadores a assistirem as violentas lutas de UFC, conhecidas também como vale-tudo ou “briga de galo humana”. No site http://www.putsgrilo.com.br/esporte/ufc-os-rostos-mais-detonados-do-mma/ podem se ver rostos de lutadores sangrando nesse novo esporte criado pela classe capitalista. Um esporte que garante diversão para ricos que apostam e ganha milhões à custa de um ser humano ser espancado quase até a morte. Entre as grandes empresas que patrocinam essa violência da UFC, estão a Nike, a Phillips, a Ambev, a Globo, a Gillete, a Fox e a Procter & Gamble (P&G),que  fabrica fraldas para bebê e produtos de higiene e limpeza.

Para culpar as torcidas organizadas, dizem ainda que no passado, as torcidas ficavam lado a lado e a violência era menor.  Mas também nesse passado, a violência era reduzida em todo o país, mais de 1/3 da humanidade vivia no sistema socialista, existia a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), o capitalismo não estava tão apodrecido e as ideias e os valores comunistas tinham, sem dúvida, uma influência maior sobre as pessoas.

Por que se organizar?

A verdade é que um sistema que glorifica as armas, endeusa a violência, considera natural demitir um pai ou uma mãe que tem uma família para sustentar ou um jovem que precisa sobreviver, cria paraísos fiscais para fazer lavagem de dinheiro do narcotráfico e da corrupção, que promove guerras e bombardeia cidades para garantir o lucro de uma minoria e se apoderar das riquezas de um povo, não pode e nem quer resolver o grave problema da violência social.

Em outras palavras, não são as torcidas organizadas, mas a atual forma como o Estado está organizado, a sociedade burguesa e sua ideologia, tão ardorosamente defendidas pelos grandes meios de comunicação, que mantêm e propagam a cultura da violência, os principais responsáveis pelo crescimento da violência, seja no futebol seja em toda a sociedade.

Portanto, não é nos desorganizando que acabaremos com essas tragédias e injustiças, mas sim nos organizando e nos rebelando contra esse violento e desumano sistema. Como muito bem cantou Chico Science, “Eu me organizando posso desorganizar. Posso sair daqui para me organizar”.

Lula Falcão,
membro do comitê central do Partido Comunista Revolucionário-PCR

Trabalhadores realizam encontro em Natal

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No dia 3 de fevereiro realizou-se o I Encontro Estadual do MLC, na Escola Estadual Celestino Pimentel em Natal. Com a representação de várias categorias estiveram presentes companheiros e companheiras da educação, limpeza urbana, vigilantes, funcionários públicos e da construção civil.

O encontro foi precedido de panfletagem nas empresas, convocando diretamente os trabalhadores potiguares a se organizarem no MLC. Foram convocados também os companheiros e companheiras que estão nas ocupações organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros Vilas e Favelas, o MLB.

Na abertura, Samara Martins, representando a UJR, saudou a realização do Encontro ressaltando a importância da participação da juventude no movimento operário e sindical. Luciana Gomes, em nome do Movimento de Mulheres Olga Benário.

O debate central do encontro foi justamente a respeito da necessidade e da importância do surgimento, no País, de um novo movimento sindical que seja verdadeiramente classista, que defenda de forma decidida as reivindicações dos trabalhadores e a revolução socialista.

Outro aspecto importante do encontro foi o destaque dado ao jornal A Verdade como instrumento de divulgação das nossas lutas e reivindicações, assim como um centro aglutinador e organizador dos trabalhadores conscientes.

Redação RN

 

MLC organiza Ativo em Minas Gerais

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O Movimento Luta de Classes (MLC) realizou no dia 24 de fevereiro, no Sindicato dos Empregados em Empresas de Processamento de Dados, Serviços de Informática e Similares do Estado de Minas Gerais (Sindados-MG), um Ativo Estadual. Durante dois dias, trabalhadores e trabalhadoras de diversas categorias como educação, processamento de dados, call center, metalurgia, indústria alimentícia, serviço público federal e eletricitários estiveram mobilizados nessa  atividade de formação operária e sindical.

Com importante debate sobre conjuntura nacional e internacional, os militantes do Movimento Luta de Classes ratificaram as propostas realizadas no último Ativo Nacional do MLC, ocorrido na cidade de Maceió, Alagoas, que apontaram a importância da formação de núcleos do movimento em todas as empresas e categorias nas quais existe inserção do MLC. É tarefa principal do Movimento organizar e participar de cada greve, paralisação e mobilização dos trabalhadores, denunciando a exploração praticada pelo patronato e as graves consequências da crise do sistema capitalista. Outra tarefa fundamental é a de agitação e propaganda das ideias revolucionárias através de um sistemático trabalho de disseminação do jornal A Verdade em cada empresa e em cada porta de fábrica.

Outra proposta levantada no Ativo foi a realização de cursos de formação marxista-leninista e de um trabalho de formação de mulheres como lideranças sindicais.

Ao lado do Partido Comunista Revolucionário, o MLC de Minas Gerais dá início ao ano de 2013 com um trabalho que tem como objetivo aumentar a influência e a participação do movimento sobre a classe operária e o conjunto dos trabalhadores, engrossando as fileiras da Revolução e da luta pelo socialismo.

Redação MG

Ebserh e Saúde: o que muda?

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Ebserh não é soluçãoNo dia 27 de fevereiro, ocorreu, no Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco, o Seminário “Ebserh e Saúde: o que muda?”, realizado pelo Movimento Luta de Classes (MLC). Tendo como tema principal a possível implantação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) no Hospital das Clínicas da UFPE, o Seminário contou com a presença de várias entidades que defendem a manutenção da gestão pública do Sistema Único de Saúde (SUS).

No dia 27 de fevereiro, ocorreu, no Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco, o Seminário “Ebserh e Saúde: o que muda?”, realizado pelo Movimento Luta de Classes (MLC). Tendo como tema principal a possível implantação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) no Hospital das Clínicas da UFPE, o Seminário contou com a presença de várias entidades que defendem a manutenção da gestão pública do Sistema Único de Saúde (SUS).

O Seminário consistiu de três mesas redondas: “Parceria público-privada: inovação ou retrocesso?”, “Ebserh: a quem serve?” e “O papel dos movimentos sociais na luta pela saúde”. A primeira mesa contou com a participação do enfermeiro e professor da Universidade de Pernambuco e presidente da Associação dos Professores da UPE (ADUPE) Itamar Lages, que abordou de maneira mais ampla a relação do Estado com a saúde, desde antes da criação do SUS, as dificuldades de financiamento e a influência do setor privado, que cada vez mais mercantiliza a saúde.

A segunda mesa trouxe o Sindicato dos Servidores da UFPE (Sintufepe), representado por José Everaldo, e a assistente social do Hospital das Clínicas, Isadora Serrano. Foi realizada uma abordagem retrospectiva da criação da Ebserh e sua aprovação pelo presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, bem como todas as manifestações realizadas por estudantes e funcionários da UFPE contrárias à adesão do HC-UFPE a esta forma de terceirização da gestão. Também foram discutidas as implicações da implantação da Ebserh, como a quebra da autonomia universitária, a cisão da tríade ensino-pesquisa-extensão, inerente a qualquer universidade, além das consequências financeiras e trabalhistas trazidas com a dispensa de licitação para compra de materiais e equipamentos, e a mudança do regime de trabalho para CLT.

A última mesa foi composta por Thiago Henrique, representante do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Isabel Vasconcelos, representante do Sindicato dos Enfermeiros de Pernambuco (Seepe), e Ludmila Outtes, representante do MLC. Foi discutido o papel dos movimentos sociais e entidades de massas no processo de construção da saúde que queremos.

A organização do seminário foi mais um passo importante na luta pelo reconhecimento da saúde como um direito fundamental do ser humano, servindo para esclarecer à comunidade acadêmica das consequências da adesão do HC à gestão da Ebserh.

Ludmila Outtes, Recife

Até onde iremos?

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É certo que os lutadores e lutadoras das causas populares de todo Brasil levam os dias a construir o momento em que não haverá exploradores e nem explorados. Por isso mesmo, boa parte destes combatentes da boa causa certamente se realizam com o anúncio da proximidade do fim da miséria no País, conforme alardeado pela presidenta Dilma Rousseff (PT), ainda que saibam se tratar de uma medida paliativa.

Ocorre que a propaganda ufanista dos setores majoritários do Partido dos Trabalhadores, sob a liderança do ex-presidente Lula, faz crer à classe operária que a política socioeconômica instalada no Brasil pelos seus sucessivos governos, além de reparar injustiças, possui algo de duradouro, quase que determinando “o fim da história” dos mais de 500 anos de exploração e miséria da Classe.

Os que se atrevem a questionar as verdades estabelecidas são acusados veementemente de fazerem coro com a Direita, porque são os “privilegiados de sempre” que não querem abrir mão dos seus “ganhos exorbitantes”. Nesta linha discursiva, o alvo preferencial são os servidores públicos e outros setores da classe média brasileira.

Porém, ao decretar “o fim da história”, os petistas aderem definitivamente ao capitalismo sob a pretensão de que aqui instalarão a socialdemocracia nos moldes europeus. Portanto, a questão que se coloca a partir desta constatação é: até onde isto nos levará?

Não sou eu quem diz, é o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o economista Márcio Pochmann, candidato a prefeito de Campinas-SP, nas últimas eleições, pelo PT. Ou seja, um membro do Governo. Segundo ele, o Brasil não chegará ao centro do capitalismo mundial. Para Pochmann, para se tornar um País membro do capitalismo mundial duas coisas são necessárias: ter moeda forte e poder bélico. O Brasil não possui nem uma e nem a outra condição.

Em não sendo um País do capitalismo central, continuaremos a ser uma Nação de economia periférica, produtora de insumos e bens secundários, enquanto os países do Centro produzem alta tecnologia, cujo valor é infinitamente maior e, portanto, produz muito mais riqueza.

Então, como se explica o alardeado sucesso dos programas de distribuição de renda dos governos petistas? Pelo achatamento do poder aquisitivo da classe média.

O Brasil tem a terceira maior carga tributária do planeta. De tudo que um trabalhador ganha por ano, 47% é destinado ao pagamento de tributos diretos e indiretos. Entretanto, mesmo arcando com essa carga tributária, a classe média brasileira paga por educação, saúde, previdência e até segurança privadas. Ou seja, contribui, mas não consome serviços públicos. E sem tributar bancos e grandes fortunas, é daí que saem os recursos para que o Governo mantenha, em boa parte, os programas sociais.

Neste aspecto, é fundamental ressaltar que não estamos aqui a defender a mediana mediocridade da classe média e, ainda menos, esse modelo de sociedade que aparta gente em castas. Mas, tão somente, a explorar os termos e limites do ufanismo petista, a fim de que não percamos o foco naquilo que realmente importa: a verdadeira emancipação da classe operária.

Moraes Junior,
redator de política do site Conexão Penedo

Mulheres de Pernambuco comemoram 8 de março

Mulheres de Pernambuco comemoram 8 de marçoO Movimento de Mulheres Olga Benário de Pernambuco organizou pelo segundo ano uma passeata do Dia Internacional de Luta das Mulheres, 8 de março, no Recife. O ato contou com a presença de mas de 120 companheiras e companheiros que saíram de diversos bairros, escolas e ocupações.

A concentração começou na praça Maciel Pinheiro, com panfletagem no comércio local, conversando com as mulheres que passavam pelas principais ruas do centro da cidade, e foi até a sede da prefeitura. Quando a concentração foi impedida de entrar no prédio decidiu-se ocupar a prefeitura.

O ato durou toda a manhã. As mulheres não aceitaram sair sem ser atendidas e, depois de muita negociação, uma comissão foi recebida e as reivindicações foram entregues, com o compromisso de uma nova data para retorno à prefeitura e acompanhamento do andamento da pauta.

À tarde o Movimento participou de um ato unificado do movimento feminino com todas as organizações de esquerda do estado. Oficinas marcaram o inicio deste evento e depois uma passeata tomou conta do Conde da Boa Vista, principal avenida da cidade.

Também em Caruaru, agreste de Pernambuco, o Movimento de Mulheres Olga Benário realizou atividades do Dia Internacional da Mulher. Pela manhã fez um ato público no centro da cidade, com panfletagem e entrevistas nas rádios e TV locais, a fim de apresentar o movimento às mulheres da cidade e denunciar a opressão e a violência sobre as mulheres, além de reivindicar mais creches nos locais de trabalho e nos bairros.

À noite, na comunidade Novo Mundo, um cine-vídeo com a exibição do filme Olga encerrou a homenagem às mulheres. No final houve uma comemoração ao som de muita música com o cantor Costa Jr e com as comidas preparadas pelas companheiras da própria comunidade.

Elizabeth Araújo, Recife

Hugo Chávez presente, agora e sempre!

homenagem chávez 01No último dia 11 de março, no auditório da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), em Recife-PE, foi realizado um ato em memória do presidente da Venezuela Hugo Chávez Frías, falecido no dia 05.

O evento foi organizado por uma parceria de diversas entidades como o Diretório Central dos Estudantes da Unicap, o Centro Cultural Manoel Lisboa (CCML), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (Uespe) e o Consulado da Venezuela. Dezenas de militantes, estudantes, artistas e políticos participaram do ato.

A emoção marcou vários momentos nos discursos e depoimentos de convivência com o presidente; músicas, poesias e místicas foram apresentadas pelos companheiros e companheiras do MST.  O cônsul da Venezuela em Recife, Nestor Chirinos, terminou sua fala dizendo: “Não estamos preocupados com o futuro da Venezuela, porque o povo Venezuela continuará o legado de Chávez!”.

Redação Recife

Juncker teme “guerra na Europa” e anuncia apoio a Merkel

Juncker teme guerra na Europa e anuncia apoio a MerkelNa primeira entrevista que deu depois de ter deixado a presidência do Eurogrupo, o luxemburguês Jean-Claude Juncker advertiu que a questão “da guerra e da paz” está em aberto na Europa e anunciou, entretanto, que irá apoiar a senhora Merkel.

Em declarações ao semanário alemão Der Spiegel, Juncker afirmou que a intensificação dos conflitos na Europa lhe faz lembrar o cenário que se vivia há cem anos, imediatamente antes da Primeira Guerra Mundial. “Está redondamente enganado quem pensa que a questão da guerra e da paz já não se coloca”, disse.

As alusões do chefe do governo luxemburguês aos “paralelismos com 2013” baseiam-se nas recentes situações eleitorais vividas em Itália e na Grécia, onde disse ter detectado “ressentimentos que julgávamos terem desaparecido para sempre”, embora sem especificar.

Sem manifestar, durante toda a entrevista, preocupação com a subida dos nacionalismos e da extrema direita desde o Báltico à Eslovênia  Juncker focou o problema dos conflitos na forma, segundo ele “muito anti-alemã e muito antieuropeia” como “decorreram as campanhas eleitorais na Itália e na Grécia”. Reconheceu, por outro lado, que a maneira como políticos alemães tratam a Grécia deixa “feridas profundas na sociedade grega”.

Jean-Claude Juncker anunciou que apoiará pessoalmente a chanceler Angela Merkel nas eleições gerais de setembro na Alemanha, à qual diz “estar muito ligado”. Considerou também que a saída da crise apenas será possível como “maior união” entre os países europeus.

Fonte: BE Internacional

“Salvamos os bancos mas corremos o risco de perder uma geração”, diz presidente do parlamento europeu

Martins Schultz, presidente do Parlamento EuropeuO presidente do Parlamento Europeu, Martins Schultz, considera que a União Europeia, “campeã dos cortes” mas “sem ideias para estimular crescimento”, salvou os bancos em troca do risco de “perder uma geração”.

Martin Schulz, o presidente do Parlamento Europeu, está preocupado com o esquecimento a que está a ser deixada a mais jovem geração da União Europeia. “Somos campeões nos cortes mas temos uma ideia menos feita do que fazer para estimular o crescimento”, afirmou o político alemão em entrevista à Reuters.

“Na Grécia, na Espanha, na Itália temos, talvez, as gerações melhor formadas de sempre. Os pais investiram imenso dinheiro na formação das suas crianças. Tudo o que fizeram estava certo. E, agora que [essas gerações jovens] estão prontas para trabalhar, a sociedade diz-lhes: ‘Não há lugar para vocês’. Estamos a criar uma geração perdida”.

As considerações são feitas por Martin Schulz, o presidente do Parlamento Europeu, numa entrevista publicada esta segunda-feira, 11 de março, pela agência de informação Reuters.

Schulz defende que uma das grandes ameaças à frente da União Europeia é a possibilidade de se perder a confiança de que o espaço comunitário seja capaz de resolver os seus problemas. Um dos perigos é que seja a geração mais jovem a perder essa confiança.

É neste sentido que o político alemão afirma que há um sério risco de se perder uma geração – algo que Martin Schulz tinha já declarado em entrevistas anteriores. Mais uma vez, comparou os jovens à banca, através de uma pergunta feita por uma jovem espanhola por si citada.

“Ela efetivamente colocou-me a seguinte questão: ‘Vocês, que deram 700 bilhões de euros para o sistema bancário, quanto dinheiro tem para mim? E qual foi a minha resposta? Se temos 700 bilhões de euros para estabilizar o sistema bancário, temos de ter, pelo menos, o mesmo montante para a geração jovem em tais países”, contou à Reuters o presidente do Parlamento Europeu, a única instituição da UE que é eleita diretamente, conforme sublinha a agência.

“Salvamos os bancos mas estamos a correr o risco de perder uma geração”, disse. Uma das acusações feitas pelos críticos da austeridade é, precisamente, a injeção de dinheiro para a banca, sem que haja uma atenção ao impacto social das medidas de austeridade impostas na economia. A taxa de desemprego em países periféricos, tal como em Portugal, tem registado máximos históricos, sendo que a porção mais jovem da população tem sido a mais afetada. Ao mesmo tempo, as economias têm contraído.

“Somos campeões nos cortes mas temos uma ideia menos feita do que fazer para estimular o crescimento”, disse Martin Schulz. Em Janeiro, o comissário europeu para o Emprego, Assuntos Sociais e Inclusão, Laszlo Andor, tinha já alertado para a possibilidade de a Europa perder uma geração se não adotar medidas para a criação de emprego.

Fonte: BE Internacional

Na velocidade da exploração

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Na velocidade da exploraçãoTodos em São Paulo têm pressa, fato. As motos aceleram por entre os carros, que correm para trancar o caminho das motos. As pessoas vivem correndo nas calçadas e até nas escadas rolantes. Ao analisar a notícia a seguir, no entanto, não é adequado ter pressa.

Aconteceu em um domingo, 10 de março. Às 05h30, na Avenida Paulista, dirigindo um Honda Fit (preço de mercado por volta de R$ 50 mil), o estudante de Psicologia Alex Siwek, 22 anos, atingiu, em alta velocidade, o corpo e a bicicleta de um trabalhador. O trabalhador atende pelo nome de David Santos de Souza e tem 21 anos. Enquanto Alex voltava de uma balada, David se dirigia ao trabalho, precário, terceirizado, de limpar janelas de um grande edifício da avenida paulista.

Foi ainda mais trágico e revoltante. A violência do atropelamento decepou o braço direto de David, ficando preso no para-brisas do Honda Fit. Alex não parou para prestar socorro, continuou arrancando até parar nas proximidades da Avenida Ricardo Jafet e atirar o braço amputado de David em um córrego. Após guardar seu precioso carro em casa, Alex entregou-se à polícia.

Trata-se de um crime tão cruel que é difícil pensar em uma punição que traga justiça para a situação. É mais revoltante se considerarmos que o atropelamento culminou uma série de injustiças que David e vários outros trabalhadores sofrem todos os dias.

David foi atropelado em sua bicicleta. Mas David não vai ao trabalho de bicicleta por uma opção sustentável. O preço da passagem de ônibus ou metrô é R$ 3,00. Para ir e voltar são R$ 6,00. Em 26 dias de trabalho são R$ 156,00, dinheiro que faz muita falta pra quem ganha um baixo salário.

David, como milhares de trabalhadores terceirizados, trabalha no domingo e feriados sem receber nenhum adicional por isso. Grande parte dos direitos trabalhistas são atacados todos os dias sob o argumento da terceirização, aumentando a jornada, a estafa e o estresse por conta do trabalho.

A crueldade sofrida por David é desumana, mas não é novidade. Thor Batista, filho do milionário Eike Batista, fez parecido no fim no ano passado. A exploração divide as pessoas entre os que são explorados no trabalho e os que podem pagar para ter um crime abafado (ou se divertir na velocidade de um carro de luxo, ainda que custe a vida de outros). A exploração tira, cada dia mais, o que temos de humano. Ao submeter toda uma classe de humanos a viverem sem praticamente nenhum direito, subjugados no trabalho, no caminho pra casa e no seu próprio bairro, a sociedade cria o caldo de cultura que faz playboys pensarem que podem matar livremente. É preciso pôr fim a exploração. Bertolt Brecht diria melhor:

“ao invés de serem apenas bons, esforcem-se
para criar um estado de coisas que torne possível a bondade”.

Sandino Patriota, São Paulo