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terça-feira, 14 de abril de 2026
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Imperialismo prepara opinião pública mundial para atacar Coreia do Norte

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Imperialismo tenta manipular opinião pública mundial para atacar Coreia do NorteA tensão crescente na península coreana, prenunciando o que alguns já chamam de “Segunda Guerra da Coreia”, já “ultrapassou a linha de perigo e entrou na fase de uma guerra real”, declarou o Comando Supremo do Exército do Povo Coreano na última terça.

Os grandes oligopólios de informação, a serviço do capital em sua campanha de (des)informação pública, constroem a imagem de que o governo coreano busca, irresponsavelmente e a qualquer custo, iniciar um conflito contra o país que é simplesmente a maior potência bélica do mundo.

Como parte dessa campanha pró-agressão à Coreia do Norte, o jornal estadunidense The Washington Post tentou vender a seus leitores na semana passada o velho golpe do “combate ao tráfico de drogas”, que estaria sendo organizado a mando do próprio governo coreano, mostrando assim a que ponto chegou o descaramento imperialista.

Em resposta a esta calúnia, a Central de Notícias da Coreia do Norte publicou nota informando que “isso não passa de uma sórdida e infundada campanha contra a Coreia do Norte”.

Diz ainda a nota:

“Os Estados Unidos estão abertamente preparando a atmosfera internacional […], rotulando a Coreia do Norte como um ‘estado criminoso’ e ‘trapaceiro’, empregando todos os meios e métodos possíveis […] O jornal busca atuar como uma brigada de choque executando a política hostil da administração dos EUA contra a Coreia do Norte e assim manchar a imagem do país e justificar tal política”.

“O uso ilegal, o tráfico e a produção de drogas, as quais reduzem o ser humano a aleijados mentais, não existe na Coreia do Norte.

“O país aderiu a convenções internacionais de controle de drogas e tem controlado com rigor sua entrada no país através de leis nacionais e internacionais.

“É ilógico que os EUA, um país com graves problemas sociais como o abuso de drogas, o contrabando e a produção ilegal, venha falar sobre um inexistente ‘tráfico de drogas’ na Coreia do Norte.”

Além de plantar falsas informações, é notória a omissão deliberada e criminosa por parte da grande mídia dos atos de provocação dos governos estadunidense e sul-coreano na fronteira com a Coreia do Norte.

Nesta semana a Coreia do Sul divulgou uma “lista de alvos” na Coreia do Norte, mirando principalmente monumentos dedicados a líderes norte-coreanos, símbolos da dignidade e da suprema liderança do país. Segundo os “gangsters militares” da Coreia do Sul, este plano de destruição resultaria num grande impacto psicológico sobre o povo norte-coreano.

Na última segunda-feira, segundo pronunciamento do Ministro do Exterior da Coreia do Norte, Pak Ui Chun, soldados estadunidenses sobrevoaram o céu da Coreia do Sul ensaiando um bombardeio nuclear surpresa sobre a Coreia do Norte, o que mostraria que o ato prova claramente que o plano dos EUA para iniciar uma guerra nuclear entrou numa fase incontrolável.

Ainda segundo o ministro, os EUA temem que a prosperidade econômica da Coreia do Norte prove o fracasso de sua política hostil contra o país.

Nos últimos dois meses os EUA já inventaram duas “resoluções sobre sanções” através do Conselho de Segurança da ONU, criando um círculo vicioso de tensão escalonada para criar um pretexto internacional para iniciar uma guerra nuclear sob o mote da “não-proliferação nuclear”. Os ministros da União Europeia concordaram em proibir o comércio de títulos do governo norte-coreano, bem como de ouro, metais preciosos e diamantes, além de proibir os bancos do país de abrir filiais na União Europeia.  Bancos europeus também não podem se instalar no país. A ampliação das sanções também inclui mais empresas e indivíduos norte-coreanos numa “lista negra”, que impõe proibições de viagem e congela contas bancárias.

Mísseis estratégicos nucleares nos EUA já estão apontados para a Coreia do Norte, e submarinos com ogivas nucleares já estão saindo da região da Coreia do Sul em direção à região do Pacífico.

O secretário de defesa dos EUA, Ashston B. Carter, afirmou abertamente em sua visita à Coreia do Sul que o exército estadunidense considera top priority a “Segunda Guerra Coreana”, dando assim sinal verde para se iniciar uma guerra nuclear.

Glauber Ataide

As escolhas do governador Sérgio Cabral

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Despejo da aldeia MaracanãO valor histórico e cultural do prédio, contruído no século XIX, que abrigou o Serviço de Proteção ao Índio comandado pelo marechal Candido Rondon, e que depois foi transformado no primeiro Museu do Índio, por Darcy Ribeiro, é insignificante para Cabral. O governador convocou o batalhão de choque e cercou o museu nesta sexta (22), às 3h da madrugada, para expulsar os índios e construir o museu Olímpico.

Tem que se admirar a firmeza de Cabral em defesa de seus “negócios”. Além da população indígena, artistas renomados como Caetano Veloso, Milton Nascimento e outros não foram suficientes para sensibilizá-lo em relação à Aldeia Maracanã.

Cabral chegou a invocar o apoio dos dirigentes da Copa do Mundo para sua empreitada. A FIFA negou o apoio! Vale lembrar, também, outras situações de descaso do governador. Cabral não atendeu os flagelados da chuva do Estado do Rio do ano passado, além dos trabalhadores de Manguinhos, que foram demitidos pela mesma fúria de Cabral, que diz que vai construir moradias populares no local.

Entretanto os órgãos ambientais são unânimes em afirmar que ali em Manguinhos, no local da refinaria, não se pode construir moradias, mas os centenas de trabalhadores da refinaria já foram demitidos. Sem contar os moradores de Santa Tereza, que ainda aguardam o “bondinho” prometido por Cabral que, com firmeza, retirou os antigos, mas não colocou os novos.

É sabido por todos que Eike Batista é o futuro proprietário do Maracanã, reconstruído com dinheiro público. Cabral, que demonstra não ter nenhuma sensibilidade social nem cultural, tem tino para negócios, que o diga o dono da Delta, Fernando Cavendish. A Delta transformou o Rio num canteiro de obras. Cavendish, envolvido em negócios espúrios com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, foi agraciado com uma festa em Paris, a festa ficou conhecida como a festa dos “Guardanapos”. Resta saber onde será a festa de Eike Batista.

Emanuel Cancella, diretor do Sindipetro-RJ

CBF nas mãos de uma quadrilha

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Protesto contra corrupção na CBFO ex-artilheiro da Seleção Brasileira de futebol, deputado federal Romário (PSB-RJ), vem realizando denúncias sobre as ilegalidades cometidas na CBF, principalmente por seu ex-presidente Ricardo Teixeira e pelo atual José Maria Marin.

Em seu microblog (twitter), ele compartilhou um vídeo com áudio de Marin comentando as negociatas articuladas entre a CBF e grandes empresários (assista o vídeo abaixo). O seguinte comentário acompanhava o vídeo: “Este último vídeo do Marin comprova que a CBF está nas mãos de uma quadrilha. Prendam esses caras, está na hora de dar exemplo para o Brasil”.

Em uma das suas intervenções na Câmara dos deputados Romário foi contundente na necessidade de transparência nas ações da CBF. “Entendo que, ao explorar a imagem desse símbolo do nosso País, a CBF deve prestar contas e ter transparência nas suas ações. Eu insisto, por exemplo, em conhecer a destinação desses patrocínios à Seleção Brasileira. Quem ganha e quanto ganha? Quem se beneficia da comissão de mercado nessas transações milionárias? E mais: além da Nike, outras empresas investem no uniforme da Seleção, como a AMBEV, o Banco Itaú, a Gillette, a Vivo etc. Consta que, depois da Nike, que destina, em média, R$ 70 milhões anuais à CBF, a AMBEV é a principal investidora. Conforme o contrato são 15 milhões de dólares anuais, mais de 30 milhões de reais. Estamos falando aqui de uma instituição gigantesca, que opera com valores vultosos, mas cuja transparência não existe sabe-se lá por quê”, afirmou o deputado.

A denúncia e o pedido de transparência foram feitos após a divulgação do vídeo da conversa entre Marin e os irmãos Balsinelli. A dupla é dona da empresa BWA que fabrica ingressos para jogos de futebol.

A BWA já foi acusada de fabricar ingressos falsos. O esquema tem ligação também com Marco Pólo Del Nero que é presidente da Federação paulista de futebol e funcionaria assim: em articulação com a BWA, federações e CBF diminuem a divulgação do público total do que realmente teve uma determinada partida. Isso explicaria a estranha diminuição de público máximo, por exemplo, no estádio do Morumbi que já chegou a receber 150 mil torcedores e hoje o máximo publicado oficialmente é de 65 mil. Chega-se ao cúmulo de jogos com 20 mil torcedores terem na verdade 25 mil.

É hora de prender José Maria Marin!

Combatente áspero das negociatas feitas com o esporte nacional, na última sessão do plenário da câmara, Romário conseguiu aprovar o requerimento de uma audiência pública para discutir a relação entre futebol e ditadura.

O fato é que José Maria Marin, além de fazer parte da quadrilha que desvia milhões da CBF, foi também torturador e assassino de lutadores populares na época da ditadura militar. Admirador de Sérgio Paranhos Fleury no DOPS, ele é um dos principais suspeitos de responsabilidade sobre a morte Vladimir Herzog.

A pressão popular cresce contra Marin. Após diversas entidades realizarem um ato, chamado de escracho, em frente sua casa no ano passado, na cidade de São Paulo, a petição online “FORA MARIN” já alcançou 50 mil assinaturas.

Para a Ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, pessoas como Marin não deveriam ocupar funções de representação: “Eu penso que todas as pessoas que comprovadamente estiveram envolvidas em situação de morte, tortura e desaparecimentos não devem ocupar funções públicas no país. Por que os que cometeram, traíram qualquer princípio ético de dignidade humana e não devem ocupar funções de representação”.

Essa situação mostra que é preciso unir todos os setores. Ações como a do deputado Romário contra Marin fazem diferença para que a comissão da verdade seja firme em casos como esse. Pois muitos ex-torturadores ocupam posições influentes na sociedade e as usam contra os interesses do povo, beneficiando a mesma minoria que deu o golpe de 1964.

Assine a petição “FORA MARIN”:
http://www.avaaz.org/po/petition/Jose_Maria_Marin_Fora_da_CPF/?launch

Ricardo Senese

Anita lança novo livro sobre Luiz Carlos Prestes

Anita Leocadia Prestes“Luiz Carlos Prestes – o combate por um partido revolucionário (1958 – 1990)” é o título da recente obra lançada pela editora Expressão Popular, de autoria da historiadora e filha do líder comunista, Anita Leocádia Prestes.

Anita esteve em várias cidades do Nordeste lançando o livro, entre elas Fortaleza, Aracaju, João Pessoa, Campina Grande e Recife. Na Capital pernambucana a noite de autógrafos aconteceu no auditório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (CREA-PE).

Na palestra que proferiu, a escritora fez, num primeiro momento, uma abordagem geral da obra e explicou que acredita com esse livro ter terminado o levantamento de um período da política brasileira que  termina em 1990. E relatou que agora se voltará para a construção de uma biografia do “Cavaleiro da Esperança”. Anita é filha de Luiz Carlos Prestes e da revolucionária alemã Olga Benario.

Redação PE

Historiador norte-americano desmente “terror” de Stálin

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Life and terror in Stalin’s RussiaA pesada artilharia ideológica do revisionismo e da Guerra Fria contra Stálin e suas realizações na construção do socialismo na União Soviética ainda hoje se faz sentir. Não é verdade que o mero distanciamento no tempo nos permite ver com mais clareza o que se passou, como lemos tantas vezes nas capas de dezenas de livros burgueses sobre o período. Não nesse caso. Conforme nos ensina Lênin, não existe neutralidade numa sociedade dividida em classes, e, por isso, não é de se esperar que autores burgueses mudem seu ponto de vista com o passar dos anos.

No entanto, isso não impede que alguns lampejos de lucidez e honestidade intelectual possam ser encontrados entre historiadores não-marxistas que estudam a questão, como é o caso de Robert W. Thurston, professor de História na Universidade de Miami, em Oxford, Ohio, EUA, e autor da obra Life and terror in Stalin’s Russia – 1934-1941 (Vida cotidiana e terror na Rússia de Stálin, em tradução livre), ainda sem tradução para o português.

Ao analisar o período comumente referido como o mais repressivo na história da URSS, que foi entre 1934 e 1941, Thurston afirma que Stálin, ao contrário do que é propagandeado pela academia burguesa, nunca teve a intenção de aterrorizar o país e que não tinha nenhuma necessidade disso. Ao contrário, afirma o historiador, as grandes massas da população soviética não só acreditavam que as mudanças em curso no país eram uma real busca por inimigos internos, como essas mesmas massas colaboravam com o Governo revolucionário nesta tarefa.

Thurston inicia seu livro mostrando que, após um conturbado início de século, ao passar por duas revoluções, uma Guerra Mundial e uma Guerra Civil, o Governo soviético começou a “relaxar” no início da década de 1930, no sentido de introduzir reformas no sistema penal e atenuar as práticas punitivas. Entre os vários exemplos utilizados pelo historiador, encontramos neste ponto o relato de que Stálin e Molotov, em 1933, ordenaram a libertação de nada menos que metade de todos os camponeses que haviam sido presos por questões ligadas à coletivização. Em agosto de 1935, o Governo declarou anistia a todos os trabalhadores condenados a menos de cinco anos e que estavam trabalhando “honradamente e com boa consciência”. Mas, a despeito de todas as positivas ações que vinham sendo tomadas neste sentido, novos acontecimentos fizeram com que essa tendência fosse bruscamente interrompida.

A partir do assassinato de Kirov, em 1934, uma rede conspirativa foi identificada no alto escalão do Governo e do Exército soviéticos. Segundo Thurston, havia realmente um bloco trotskista em atividade na URSS; Bukharin tinha conhecimento de um centro articulado contra Stálin; pelo menos um dos seguidores de Bukharin mencionou matar Stálin; e informações de origens distintas confirmavam um complô no Exército articulado por Tukhachevsky. Assim, todas as evidências apontam para o fato de que as ações do Governo, desse momento em diante, foram uma reação a eventos que se passavam no país, e não uma política deliberada e imotivada de repressão, como defende a historiografia burguesa.

Esta reação do Governo foi levada a cabo em grande parte pela chamada Polícia Política, a NKVD. Mas, ao contrário da fantasia burguesa devaneada no livro 1984, do trotskista George Orwell, a NKVD, segundo Thurston, estava longe de ser uma organização “onisciente” e “onipotente”, uma espécie de “Grande Irmão”. Segundo o historiador, essa organização dependia tanto das informações quanto da colaboração dos cidadãos soviéticos. Assim, a chamada Polícia Política, apontada na historiografia burguesa como uma consequência de um “desequilíbrio mental” de Stálin, foi, na verdade, uma criação da própria sociedade e da história soviéticas. Thurston cita como evidência o fato de que simples cidadãos podiam não somente influenciar a NKVD em algumas detenções, como também tinham o poder de até mesmo impedir algumas delas. Segundo Thurston, “nem Stálin e nem a NKVD agiram independentemente da sociedade”, embora esta organização tenha, de fato, cometido erros e excessos sob a liderança de Ezhov, afastado do cargo e julgado posteriormente.

Este último ponto é de vital importância. A historiografia burguesa superdimensiona as exceções e lhe dão o status de regra, querendo indicar, com isso, que a maioria dos prisioneiros do período eram inocentes. Uma consequência de tal cenário seria que a maioria da população viveria então permanentemente atemorizada, com receio de ser presa a qualquer momento, por nada.

“Ninguém pode julgar quantas pessoas temiam o regime no final de década de 1930… mas abundantes fontes revelam… que a resposta a essa situação era limitada… Tal temor ocorria dentro de certas categorias da população…”, afirma Thurston. Seja qual for o momento analisado entre 1934 e 1941, um temor ao Governo era certamente menos importante do que a crença de que as autoridades buscavam identificar inimigos reais do país. Sobreviventes do período reforçam repetidamente este ponto de vista. Pelo menos entre 1939 e 1941 é possível afirmar, com segurança, que os trabalhadores urbanos da URSS exibiam patriotismo, apoio à liderança de Stálin e confiança no seu direito e na sua capacidade de criticar importantes aspectos da situação.

Apoio do povo ao Governo soviético

Outro ponto de destaque na caricatura traçada pela burguesia sobre o Governo de Stálin é a questão da falta de liberdade de crítica. Vão de encontro a isso, no entanto, os inúmeros exemplos citados por Thurston de organizações dos próprios trabalhadores que tinham como objetivo discutir e criticar aspectos de suas vidas nas fábricas e no país. Uma dessas formas era através dos jornais das fábricas, nos quais qualquer trabalhador poderia contribuir. O jornal da fábrica de Voroshilov, em Vladivostok, por exemplo, recebeu mais de duas mil cartas para publicação somente no primeiro semestre de 1935.

Mas o principal teste do Governo de Stálin foi a resposta da população à Segunda Guerra Mundial. Segundo Thurston, não houve deserção em massa durante a guerra. A principal característica do Exército Vermelho foi sua assombrosa determinação de vencer, e essa foi a razão pela qual venceu. Assim, apesar de todos os erros que podem ter ocorrido nos processos do chamado “terror” no final dos anos 1930, a Segunda Guerra Mundial foi, segundo Thurston, o “teste ácido” de todo o período de Stálin, no qual não apenas os soldados do Exército Vermelho lutaram com toda determinação, como os trabalhadores que ficaram no país continuaram a produzir, em situações muitas vezes dificílimas, as armas, os tanques e os armamentos necessários para a vitória.

Glauber Athayde, Belo Horizonte

 

Em debate: moradia no Rio de Janeiro. Enchentes, mortes e desabrigados

Moradores e ex-moradores de diversas regiões populares do estado do Rio de Janeiro relatam o descaso do governo com os trabalhadores.

Fonte: Portal R7

Ocupar as ruas pela punição aos torturadores e assassinos da Ditadura

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Agosto RebeldeCriada no ano passado, a Comissão Nacional da Verdade vem tornando públicos os crimes cometidos pelo Estado contra os direitos humanos. A partir de um minucioso levantamento de dados, que já ultrapassou a marca de 30 milhões de páginas de documentos e realizou centenas de entrevistas, a Comissão divulgou, no último dia 25, um balanço de seus trabalhos.

De acordo com a Comissão, mais de 50 mil brasileiros foram vítimas de algum tipo de violação dos direitos humanos através de agressões, perda de trabalho ou expulsão de escolas ou universidades, sequestros, torturas e mortes. Jovens estudantes, trabalhadores, sindicalistas e até mesmo seus familiares foram vítimas das ações fascistas das Forças Armadas.

A comprovação da ação de agentes do DOI-Codi no assassinato do deputado Rubens Paiva, divulgada há algumas semanas, é prova inconteste da importância dessa Comissão e de que a busca de justiça está apenas começando. Cai por terra também a afirmação das autoridades militares de que “não há o que investigar” ou que “não restam documentos”, mostrando sua frustrada tentativa de esconder os crimes cometidos durante a ditadura.

Vários foram os jovens militantes assassinados nesse período e que até hoje não tiveram as condições de sua morte nem seus assassinos revelados. Quem matou Jonas José, estudante do Ginásio Pernambucano? Onde está o corpo de Honestino Guimarães, ex-presidente da UNE? Como morreram Emmanuel Bezerra, ex-presidente da Casa de Estudante do Rio Grande do Norte, e José Montenegro de Lima, patrono da Fenet?

A União da Juventude Rebelião (UJR) convoca os jovens de todo o País a se engajarem nas atividades de resgate da memória e da verdade, apoiando as ações da Comissão Nacional e promovendo, durante a Jornada de Lutas do mês de março, em homenagem a Edson Luís, debates, atividades e mobilizações de rua que apresentem os culpados dos crimes da ditadura, honrando a história de luta de jovens como Manoel Lisboa de Moura, Emmanuel Bezerra e tantos outros que deram suas vidas na defesa de um Brasil democrático, livre do imperialismo e socialista.

Cada grêmio estudantil, entidade municipal ou estadual, centro acadêmico ou DCE tem um papel extremamente importante para resgatar os verdadeiros heróis do povo brasileiro, e a eles devemos dedicar essa jornada de lutas, desmascarando os crimes da ditadura militar e colocando a juventude em luta pela condenação e prisão dos torturadores.

Coordenação Nacional da UJR

Venda de empresas nacionais a estrangeiros aumenta demissões

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DesempregadaNa década de 1990, foi aprofundado em nosso país o processo de privatizações de empresas nacionais, com a falsa proposta de melhorar a qualidade dos serviços prestados por estas. De lá para cá, também se ampliou outro processo: a venda de empresas brasileiras para grandes grupos estrangeiros.

Segundo pesquisa realizada pela empresa de consultoria KPMG, desde 2004, foram 1.296 empresas brasileiras que passaram para o controle de grandes grupos estrangeiros, sendo 2012 o ano com maior número de aquisições: 296 empresas. Dois exemplos recentes dessas operações no Estado do Ceará foram a venda da empresa Troller para o grupo Ford e da empresa Ypióca para a multinacional britânica Diageo, dona das marcas Johnnie Walker e Smirnoff.

Essa “desnacionalização” das empresas tem consequências para nosso país, para as empresas e principalmente para nossos trabalhadores. Primeiro porque todo o lucro dessas empresas vai para fora do Brasil, ou seja, estamos enriquecendo cada vez mais os grandes capitalistas internacionais. Segundo, alguns produtos fabricados por estas empresas são retirados de linha, para eliminar a concorrência, como ocorreu com a Troller, que deixou de fabricar dois modelos para atender “exigências” da Ford. Em terceiro lugar, ocorre o fechamento da empresa comprada e a demissão de vários trabalhadores.

Fato que aconteceu recentemente com a empresa Intervet, uma empresa do ramo veterinário, situada na cidade de Fortaleza. Ao longo dos anos, esta empresa, que inicialmente era brasileira, foi sendo vendida para sucessivos grupos estrangeiros dentre os quais podemos citar a holandesa Akzo Nobel, a americana Schering-Plough e a também americana Merck.

O fechamento começou após a transição da Akzo Nobel para Schering-Plough, que aconteceu por volta de 2007. Já em 2009, uma das linhas de produção da fábrica foi encerrada, fazendo com que fossem eliminados vários postos de trabalho. Porém, os produtos não foram retirados do mercado, pois continuaram sendo fabricados por outras unidades (terceirização). A empresa veio a fechar, de fato, no ano de 2012, três anos após a fusão da Schering-Plough com a Merck, outra grande multinacional do ramo farmacêutico, ainda mantendo seus produtos no mercado, garantindo assim a continuidade do lucro para os grandes empresários.

Isso demonstra claramente, que o principal interesse desses grupos é o lucro, já que uma politica comum destas empresas é a redução de custos de todas as formas, diminuindo investimentos, enxugando o quadro de pessoal, diminuição de certos benefícios antes conquistados pelos trabalhadores e fechando unidades nas quais consideram não ser interessante investir.

Dessa forma, se estas práticas continuarem acontecendo, em breve, estaremos caminhando para uma nova forma de ditadura, “a ditadura de mercado”, onde poucos grandes grupos capitalistas detêm todo o mercado, não havendo mais concorrência, nem opções e direito de escolha. Não podemos nos tornar reféns desse sistema.

Eliza Sampaio,
Movimento Luta de Classes

Estudantes em GREVE por eleições diretas para diretor

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Estudantes em GreveO Governo do Estado de Pernambuco publicou no Diário Oficial a lista de diretores das 253 escolas de referência em ensino médio (EREM) e de 20 escolas técnicas em todo o Estado. O processo foi realizado sem nenhuma consulta à comunidade escolar, só com a realização de uma prova, análise de currículo e entrevista, ficando a cargo do governador a indicação de quem será o novo diretor.

Após a divulgação dos nomes dos novos diretores, os estudantes ficaram bastante revoltados, mobilizaram-se contra a medida do Governo e exigiram eleições diretas para diretor. Em Caruaru o movimento ganhou mais força e organização. Estudantes liderados pela União dos Estudantes de Pernambuco (UESPE) e pela União dos Estudantes de Caruaru (UESC) realizaram atos, passeatas e chegando ao ápice de decretar greve estudantil em duas escolas.

Estudantes da EREM Nelson Barbalho, o Estadual de Caruaru, e da Escola Dom Vital decretaram greve estudantil por tempo indeterminado em defesa das eleições diretas para gestor da escola. Após dois dias de greve, a escola Dom Vital decidiu, em assembleia, terminar a greve, exigiu da Secretaria de Educação que até 02 de abril ocorra o processo de eleição direta para diretor, e, caso não ocorra, os estudantes decretarão greve novamente. Já a Escola Estadual de Caruaru continua em greve e em intensa mobilização.

Segundo Gleyson Rodrigues, diretor da UESPE, “o protesto não é pela manutenção dos diretores, e sim pela liberdade da comunidade escolar decidir os rumos da gestão da escola, e isto não foi garantido. Por isso, defendemos eleições diretas para diretor”, e disse mais: “consideramos que democracia se constrói, e não se impõe sem a participação da sociedade”.

O secretário de Educação Ricardo Dantas declarou que “o processo é democrático porque, nesta seleção, puderam participar todos os professores”, porém, a escolha é feita pelo governador, não endentemos isso como exemplo de democracia.

O Modelo de Gestão Democrática passa por garantir amplos direitos democráticos nas escolas, esta é a melhor maneira de ensinar a juventude noções de democracia, não apenas nos livros e sim na prática.

UESC

Dona Eudi Costa: “Nós também podemos”

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Após um ano de organização, mobilização e resistência, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) comemora cinco meses de ocupação da comunidade Eliana Silva, na Capital mineira. São diversos trabalhadores e trabalhadoras combativos e conscientes de seus direitos, que servem de exemplo e municiam com esperança o conjunto dos movimentos populares, mostrando do que a força da classe trabalhadora é capaz de fazer.

Um desses exemplos é Eudi Dias Costa, que completou 55 anos de idade dentro da ocupação. Dona Eudi frequenta as reuniões do Movimento de Mulheres Olga Benario e conta, nesta entrevista a A Verdade, um pouco de sua história e das lições aprendidas na vida.

A Verdade – Como foi a sua infância?

Eudi Costa – Eu não tive infância, só trabalho. Eu tomava conta das crianças, enquanto minha mãe ia para a roça. Então eu não estudei por causa disso. Vim para Belo Horizonte nova. Fui trabalhar para ajudar minha mãe. Todo mês, eu mandava dinheiro para minha mãe e meu pai. Vivi com eles até os 17 anos. Vim me casar “depois de idade”. Eu vim sozinha pra cá. Uma dona me trouxe para trabalhar com ela e trabalhei nessa casa durante 13 anos. Aí eu encontrei o William, aqui em Belo Horizonte, e fui morar com ele. Ganhei o primeiro filho, que morreu, depois engravidei de Ludmila, tudo depois de idade. Depois dos 30 anos que vim arrumar filho.

E sua vida em Belo Horizonte?

Morava aqui em Belo Horizonte com William e fomos pro interior, em Santo Antônio do Jacinto. Lá eu lavava roupa pros outros para eu criar minhas filhas. Era dez reais a trouxona. Ia pro rio lavar na cachoeira, lavar roupa e passar roupa pros outros, e também fazia faxina. Pra lavar um monte de roupa. É 50 reais pra lavar roupa um mês inteiro pra uma pessoa. Eu lavava roupa de família rica, pros fazendeiros. Tinha vez que lavava pra outras pessoas mais pobres e eles me davam feijão, me davam arroz, me davam tudo. Não me davam dinheiro, mas me davam as coisas, mantimentos pra levar lá pra casa. Eu lavava tudo na mão e botava pra secar no rio, nas pedras.

E o que seu marido fazia?

O William é daqui. Quando chegou lá, não tinha emprego. Ele limpava quintal, lavava carro, pegava lenha pra vender pro pessoal fazer pão, fazer biscoito. Trazia, vendia e já trazia as coisas pra gente comer. A nossa vida era assim.

A senhora tinha sua casa no interior?

Nunca tive casa. Lá a casa era do meu irmão. Em Belo Horizonte morava com uma senhora que eu trabalhava com ela.

Como conheceu o MLB?

Um dia, eu conheci Sabrina (do MLB). Ela ia passando na rua, com carro de som, chamando pra reunião. Aí o William pegou um papelzinho e falou: “dia de sábado a gente vai pra essa reunião”. E aí faz um ano que estamos aqui nessa luta! Fui em Brasília com eles, e hoje nós estamos aqui na ocupação, mesmo que na primeira tentativa nos despejaram.

E como foi depois do despejo?

Tornei a voltar pro mesmo aluguel porque, na primeira ocupação, as meninas estudavam. Aí nós ficamos na ocupação, e o William continuava pagando o aluguel e as meninas ficavam lá. Aí nos despejaram. Voltei a participar das reuniões de novo, de tudo que tinha.

E hoje a senhora vive aqui?

Só aqui, eu moro só aqui, eu não vou a lugar nenhum, faço tudo aqui dentro. Nem na padaria eu vou. E mudou tudo. Até hoje, minha filha Ludmila vai até ali pegar um “marmitex” pra nós. Que nós nunca tínhamos comprado um “marmitex” na rua. Nosso dinheiro era só para pagar aluguel e comprar o remédio que eu tomo. Muitos remédios e caros. Tem um que eu tomo de seis em seis meses e custa R$ 100. E lá pagávamos água muito cara. Então não sobrava dinheiro pra nada.

O que acha da organização do movimento?

É bom demais. É importante pra nós, as reuniões, e agora tô querendo fazer alguma coisa pra gente trabalhar, ganhar um dinheiro, trabalhar para organizar essas mulheres, as meninas novas. Fazer curso pra elas e estudar, porque eu não tenho leitura nenhuma, eu não sei nem assinar o meu nome.

A senhora quer estudar aqui dentro?

Eu quero estudar aqui. Mostrar lá fora que a gente pode. Eu nunca… [emocionada], eu até choro. Eu nunca estudei na minha vida. Nunca, nunca. Nem sei por que. Eu cuidava de todos os irmãos, mas eu ia em todas as reuniões. Tinha reunião de tudo, tinha curso de comida, e eu participava de tudo. Tinha curso para trabalhar e fazer horta. Lá no interior também tinha! E eu participava de tudo do movimento. Quero estudar mais e ajudar mais as pessoas aqui também. Ninguém estudou lá em casa, a minha mãe tem leitura, ela sabe ler, mas eu não sei. Acho importante pra ensinar as pessoas lá fora que nós também podemos. Que nós temos condições de fazer as coisas aqui dentro. Todo mundo lá fora tem as coisas, não tem? Nós também podemos ter aqui dentro.

Raphaella Mendes,
Movimento de Mulheres Olga Benario

Sobre o caráter ideológico dos mexericos

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ENVER HOXHA – O clássico autor e ideólogo do Marxismo-Leninismo, Enver Hoxha aprofundou uma interpretação leninista dos mexericos, ou como é conhecido no Brasil, as fofocas. (Foto: Reprodução/Arquivo)
Os mexericos, ou fofocas, se manifestam de acordo com a consciência pequeno-burguesa e desagrega a força do povo e do partido. É necessário reconhecer as manifestações de mexericos e combatê-las ativamente, com o objetivo de fortalecer a unidade e a camaradagem.
Enver Hoxha*
12 de Setembro de 1969

TIRANA (ALBÂNIA) – De todo o nosso trabalho político-ideológico quotidiano, dos artigos que lemos constantemente na imprensa, tal como dos relatórios que nos são apresentados, destaca-se que o partido tem de enfrentar “mexericos”. Queria agora dizer algumas palavras sobre a natureza destas manifestações, das suas fontes, do que elas representam e qual é o seu objetivo, pensando que isso possa servir para as combater.

Os mexericos são um fenômeno típico da pequena-burguesia. Têm um caráter pequeno-burguês e são manifestações da ideologia burguesa. Os mexericos mal intencionados são produto do subjetivismo e não têm nada de comum com uma crítica sã, realista e construtiva. Bem pelo contrário, têm um caráter difamador, frequentemente calunioso, tanto com intenção como sem ela. Na maior parte das vezes, são mexericos sem fundamento e, quando, raramente, trata-se de um assunto que tenha qualquer fato concreto por base, transforma-se em ato denegridor por efeito da própria forma sob a qual se desenvolve e do juízo subjetivo daquele que interpreta o assunto. Mesmo neste caso, de interpretação em interpretação feita por indivíduos que se entregam à prática nociva dos mexericos, estes acabam por se tornar calúnia. Deve-se ver aí um método de crítica dos mais odiosos, próprio dos pequeno-burgueses. Não há nele qualquer atitude sã, de princípio, nem construtiva, porque ele deforma os fatos, inventa, intencionalmente ou não, circunstâncias não verificadas, porque procede de boca a ouvido pelas costas e em prejuízo do elemento que toma como alvo.

Os mexericos não têm nunca como objetivo a correção do elemento visado; fazem, pelo contrário, um grande dano tanto ao indivíduo como ao coletivo. Os que se entregam a esta prática se apresentam como moralistas, pois disfarçam sempre os seus propósitos maldizentes com uma “concepção moral elevada”, quando se trata, na realidade, de uma concepção amoral, quer pelo espírito subjetivista que inspira sua formação, quer pelos fundamentos em que repousa, quer pelas formas que toma e pelos objetivos que persegue. Os que recorrem, como a um método de conteúdo pretensamente político, a esses mexericos (que, de fato, podem florescer em domínios diversos), não podem estar eles próprios imbuídos de uma concepção política sã, pois as pessoas que têm os pontos de vista subjetivistas que a prática pequeno-burguesa dos mexericos pressupõe, nunca estão em condições de proceder a uma verdadeira análise da situação política mediante o estudo dos fatos reais de maneira objetiva. O método de organização do trabalho baseado em tagarelices não pode ser um método correto de análise política. Os que o empregam são, podemos dizer sem receio de nos enganarmos, ou oportunistas ou interesseiros ou sectários ou conservadores.

Além dos males que acabo de invocar, os mexericos suscitam querelas, disputas, rancores que podem ir até aos homicídios. Provocam uma perturbação na sociedade, na sua harmoniosa unidade ideológico-política, mas são também uma forma da luta de classe por parte da burguesia derrubada do poder, para criar dificuldades à ditadura do proletariado, para atormentar moralmente e nas coisas mais íntimas as pessoas sãs da nossa sociedade. Deve-se compreender bem que tal método, de conteúdo e de caráter reacionário, escolherá inevitavelmente como primeiro alvo, a fim de os desacreditar e de os desqualificar, precisamente os que combatem impiedosamente os “mexericos”.

Combater implacavelmente os “mexericos” sob as formas burguesas e pequeno-burguesas com que se apresentam, não significa dissimular os erros que se manifestaram em qualquer domínio político, ideológico, moral ou organizativo. Pelo contrário, a crítica destes erros deve ser feita, mas deve repousar sobre sólidas bases de princípio, apoiar-se bem sobre fatos, ser aberta, formulada cara a cara ou perante o coletivo, no momento em que é necessária e não ser baseada em simples suposições. A crítica deve, em todas as circunstâncias, caracterizar-se por um objetivo moral, político e ideológico, ter uma função educativa para o indivíduo ou para o coletivo criticados, nunca ter como objetivo esmagar moralmente o elemento em causa, mas, pelo contrário, elevar o seu moral para lhe permitir corrigir os seus erros. Enfim, a crítica dirigida a pessoas que cometem erros na sua vida privada ou no local onde trabalham não se deve transformar numa preocupação dominante que dissimule, obscureça e entrave a justa solução dos principais problemas que preocupam o Partido e o Estado. Sublinho-o porque, com muita frequência, nas organizações de base do Partido veem-se abrir debates que consistem em críticas individuais recíprocas sob formas que não só fazem desleixar os problemas principais e perturbam a vida da organização como, por vezes, rompem também a sua unidade.

Por vezes, consolamo-nos dizendo que estas críticas “não têm um caráter político”. Esta apreciação é errada. Elas têm um caráter político e ideológico, precisamente porque suscitaram a discórdia e a divisão no seio da organização. Não se trata aqui de não criticar os que cometem erros; eles devem ser criticados sem falta sob as formas e pelas razões que invoquei mais atrás, mas devemos precaver-nos cuidadosamente contra críticas baseadas em intrigas, de essência subjetivista, e os seus efeitos desmoralizantes e antieducativos.

Assim, o Partido deve compreender convenientemente o aspecto perigoso, nos planos político, ideológico e organizativo, dos “mexericos”, a fim de que eles possam ser combatidos com rigor, como é preciso que o sejam. Se o perigo que eles representam não for bem compreendido pelos comunistas, se estes, na vida, caem na prática deste método pequeno-burguês, “os mexericos” penetrarão de forma sorrateira dentro do Partido, que então não estará em condições de combater esta prática perniciosa entre as massas.

Por isso, agucemos a nossa vigilância e combatamos este hábito nocivo, por onde quer que ele se manifeste, em primeiro lugar em nós próprios, no Partido e entre as massas.

Em geral, são os ociosos que se entregam às maledicências, às tagarelices, mas não são os únicos a fazê-lo. Em primeiro lugar, encontraremos este hábito entre as pessoas de um nível de formação política e ideológica pouco elevada, entre os que se comprazem numa vida cultural oca, que não vivem como deve ser com as ideias novas que o Partido e as massas desenvolvem e que não combatem para as pôr em prática. Os portadores destas tagarelices são elementos apodrecidos com preconceitos atrasados, ou incapazes de romper com o modo e as formas arcaicas de vida, com os costumes do passado. Mas são iguais também os que se apresentam como elementos “modernizados”, mas nos quais esta espécie de modernização não passa de uma degenerescência do caráter e de um refinamento ainda mais perigoso da prática dos “mexericos”.

Outrora, o tempo passado no café ou as visitas de umas pessoas à casa das outras eram ocasião para longas conversas. “Mata-se o tempo”, dizia-se, mas isso se fazia falando de uns e de outros, passando a sua vida pelo crivo. Tal prática, embora consideravelmente emendada, prossegue ainda hoje. Há camaradas que se lamentam justamente da abertura de um número demasiado de cafés. Não foi dada qualquer ordem para abrir cafés a seguir uns aos outros; portanto, os únicos responsáveis por este estado de coisas são os próprios camaradas dos distritos, que se lamentam disso e que são os próprios a autorizá-lo. Se levanto este problema, não é para que se fechem todos os cafés, pois isso não seria uma medida judiciosa. Contudo, não se deve considerar este problema unicamente sob o seu aspecto comercial; deve-se ter igualmente em conta o descanso necessário dos trabalhadores. Que o café se torne efetivamente um lugar de ócios cultivados, isso depende, antes de mais, dos próprios clientes que o frequentam, da sua mentalidade, do nível da sua formação ideológica e política, da intenção com que vão para lá. Se uma pessoa frequenta o café até ao ponto de desleixar o seu lar e a sua família, se o frequenta para beber e se embriagar, para aí dizer mal de todos os que entram e saem ou para fazer escândalos, então o café torna-se um lugar de mexericos. É evidente que a responsabilidade não recai somente sobre o local, mas também sobre seus frequentadores. Assim, se é verdade que não devemos abrir cafés demais, é, antes de mais, necessário trabalhar para a educação das pessoas, porque se esta primeira condição não for cumprida, estas pessoas não educadas se dedicarão então aos seus desmandos, invadirão os nossos estabelecimentos culturais que não se chamam cafés, mas que facilmente podem vir a sê-lo.

Portanto, temos muito a fazer no domínio da direção e da educação da classe operária e dos trabalhadores. Como se enganam os camaradas que me escrevem nas suas cartas frases como estas: “Sepultamos para todo o sempre e profundamente as leis do cânone do Lek”(1), “a influência da religião foi suprimida” e outras afirmações deste gênero, que denotam uma falta de maturidade. Bem entendido, estes camaradas não têm dúvidas de que é difícil adormecer o Partido ou a mim próprio com tais afirmações retumbantes, mas não se trata aqui de uma tentativa, ainda que involuntária, de mentira, de mistificação ou de uma falta de aprofundamento da situação política, ideológica e social das regiões onde estes camaradas trabalham e vivem. Os grandes resultados obtidos não representam mais do que uma parte dos que devemos atingir, e, para fazê-lo, devemos saltar ainda muitos obstáculos, que não podemos vencer de outro modo senão lutando e ao preço de esforços, e não com palavras ocas e fanfarronices. A elevação político-ideológica, o trabalho bem organizado e a simplicidade comunista do caráter permitem vencer as dificuldades e obter os êxitos desejados.

Notas:

[1] Referência ao “Cânone de Lek Dukagjini”, coletânea de normas, costumes e usos medievais feita pelo padre Shtjefen Gjeçov, cuja sobrevivência se manifesta ainda hoje em algumas regiões da Albânia. O “Cânone” foi usado pelo clero para preservar a exploração e manter as populações na ignorância. Primeira Edição: Tirana, 12 de Setembro de 1969.

*Enver Hoxha nasceu em Gjirokastër, na Albânia. Após a invasão da Albânia pela Alemanha, em 1941, Hoxha, junto com outros militantes, fundou o Partido Comunista da Albânia, que posteriormente adotou a denominação de Partido do Trabalho da Albânia (PTA). Foi Secretário do Comitê Central do PTA. De 1944 até 1954 foi primeiro-ministro da Albânia.