Não é de hoje que a Petrobras vem precarizando as condições de trabalho com a ampliação das terceirizações. No Ceará, a Lubrificantes Derivados do Nordeste (Lubnor) é uma clara demonstração disso: várias terceirizadas atuam na base dessa empresa, que se localiza no bairro Mucuripe, em Fortaleza.
Mas nenhuma delas é mais carrasca que as encontradas na empresa Normatel Engenharia, uma terceirizada cujos trabalhadores realizaram, durante 20 dias, uma combativa paralisação para garantir seu direito ao reajuste de 8% nos salários previsto pelo Acordo Coletivo de 2012. Desde junho do ano passado, o dono da empresa se nega a pagar o que o seu próprio sindicato (patronal) havia acertado com o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil. Exatamente por isso, este último encaminhou à Delegacia Regional do Trabalho uma denúncia e, em agosto, abriu processo na Justiça do Trabalho contra a Normatel, para garantir o pleno direito dos funcionários.
No final de 2012, os membros da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) e outros companheiros procuraram o Movimento Luta de Classes (MLC) para organizar melhor essa luta. Numa demonstração de muita coragem e combatividade, ao fim da paralisação os 94 funcionários realizaram, na entrada da sede da empresa, uma assembleia, enquanto aguardavam (foram três horas de espera) o resultado da reunião com a empresa.
Na mesa de negociação, onde se encontravam cinco trabalhadores democraticamente eleitos pela assembleia, os representantes da Normatel informaram, numa atitude de cinismo e irresponsabilidade, que não pagariam o reajuste e esperariam a decisão da Justiça. Nessa ocasião, um dos representantes da empresa afirmou, ao se referir à demissão de trabalhadores: “Não demitiremos ninguém; os insatisfeitos que peçam demissão”. Retornando ao trabalho revoltados, os funcionários decidiram realizar uma greve de ocupação dentro do canteiro de obras. Todos os dias se reuniam e agitavam, protestando contra os desmandos da empresa, que, por sua vez, começou a fazer uma pressão extraordinária – com assédio moral e ameaças de toda espécie – numa tentativa de dobrar os funcionários. Ledo engano: todos se mantiveram firmes.
Na ocasião, um dos cipeiros assim resumiu a situação na empresa: “Um colega nosso foi hospitalizado depois de quase perder um dedo quando uma tampa de pressão caiu sobre sua mão. O que fez a empresa? Foi à casa dele pedir que ele não abrisse um CAT (Certificado de Acidente de Trabalho), para manter as estatísticas de segurança e saber quanto tempo passaria afastado. Que absurdo! Um companheiro que quase perdeu o dedo ainda teve que enfrentar ainda essa pressão. Isso é um ato desumano, irresponsável. Só pensam nos lucros! Não podemos aceitar toda essa pressão, temos que ir à luta até o final”.
Ao fim de todas as manifestações e paralisações, a consciência de todos ficou maior e puderam perceber que não é possível confiar em patrão e que, portanto, o único caminho para a categoria, assim como para todas as outras, é muita luta.
Serley Leal, Fortaleza
Apesar dos vários direitos conquistados nas últimas décadas, as mulheres continuam oprimidas e exploradas. Para se ter uma ideia, apesar de representarem 55% da população mundial, apenas 40% delas estão no mercado de trabalho e são responsáveis por somente 10% da renda do mundo. Para a mesma função, as trabalhadoras ainda ganham menos que os homens; em 2011, no Brasil, elas ganharam até 28% menos que eles, de acordo com o IBGE.
Após mais de três anos de cárcere, o jovem revolucionário equatoriano Marcelo Rivera foi libertado. Ex-presidente da Federação dos Estudantes Universitários do Equador (Feue), Rivera foi preso injustamente quando da realização de uma manifestação na Universidade de Quito, sob acusação de terrorismo, tornando-se o primeiro preso político do governo do presidente Rafael Correa.
No dia em 28 de janeiro comemorou-se em Cuba o 160º aniversário de nascimento de José Martí. Considerado o maior dos cubanos, herói nacional, o Maestro (mestre) caiu em combate lutando contra a dominação espanhola na ilha, em 1895. Até hoje sua obra, seus pensamentos e ideias revolucionárias inspiram o povo cubano, principalmente a juventude. Não à toa, no dia 27, à meia-noite, cerca de 40 mil pessoas caminharam pelas ruas de Havana na tradicional “Marcha das Tochas”, para celebrar a memória de Martí.
Mas, enquanto arranha-céus são construídos com apoio e financiamentos dos governos, cresce a indignação dos trabalhadores e o número de ocupações por moradia. A última delas organizada por mais de 90 famílias que viviam de aluguel e ocuparam uma área desocupada há mais de 30 anos, sem uso social, ao lado do campo de futebol no bairro do Parque Real, na madrugada do dia 03 de fevereiro.
As famílias da Ocupação Margarida Maria Alves, organizada pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), ocuparam o prédio de Administração da Prefeitura Municipal de Campina Grande para cobrar moradias do prefeito Romero Rodrigues (PSDB) uma solução imediata para o fato de não terem moradia.
Os trabalhadores do telemarketing no Estado de São Paulo, categoria que recebe um dos menores salários e piores condições de trabalho, têm como data-base para o reajuste salarial mês de janeiro. Porém, passados mais de um mês, nada do aumento.