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sábado, 11 de abril de 2026
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Manifesto do PCR ao povo de Salvador: Não à corrupção e ao autoritarismo!

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É profundamente injusta a situação em nossa cidade. Enquanto uma minoria vive bem, tem segurança nos seus bairros, transporte particular, mora em mansões e em bairros com toda a infraestrutura, a maioria da população vive em condições precárias, paga aluguéis caros, anda em ônibus velhos e lotados e tem uma das passagens mais caras do país. Na realidade, todos os dias somos humilhados nos pontos lotados sem proteção contra o sol e a chuva e com a longa espera.

De fato, a maioria dos soteropolitanos não tem acesso a esgoto, milhões vivem sem moradia digna e 40% da área urbana é composta de favelas. Na Saúde, até para conseguir uma consulta somos obrigados a enfrentar enormes filas e muitos morrem por falta de leitos nos hospitais.

Mas essa situação não é assim por caso. É fruto de um injusto sistema econômico, o capitalismo, e de décadas de desgoverno do Sr. Antônio Carlos Magalhães e de sua família. Enquanto eles ficavam ricos, a população ficava cada dia mais pobre e os serviços públicos eram sucateados.

Agora, fantasiado de novo, ACM NETO quer ser prefeito de Salvador para governar contra os pobres e favorecer os ricos. Afirma que vai investir na educação, na saúde e na habitação, mas não diz onde foi gasto o dinheiro que o povo pagou de imposto quando sua família estava no governo e tenta esconder que é favor da ditadura e da repressão contra os estudantes.

Não podemos esquecer que há 10 anos, quando os estudantes realizaram diversas manifestações democráticas pedindo a cassação do senador Antônio Carlos Magalhães, envolvido num conhecido episódio de violação do painel do Senado e quebra do sigilo do voto de parlamentares, ACM e seu grupo político mandaram a Policia Militar invadir a Universidade Federal (UFBA). Isso ocorreu no dia 16 de maio de 2001: a Polícia de Choque percorreu as ruas de Salvador e mesmo diante de um Mandado Judicial expedido pela Justiça Federal, a Tropa de Choque da Polícia Militar invadiu a Faculdade de Direito, jogou bombas de gás lacrimogêneo, atirou no povo com balas de borracha, gás de pimenta, cavalos e toda parafernália repressiva. Os estudantes e sindicalistas buscavam se refugiar em caçambas de lixo e nas faculdades de medicina, de administração e de educação. Mas a polícia atirava dentro dos prédios. Nem mesmo durante a ditadura militar, a UFBA tinha sido tão violada.

Será dessa forma, que o ACM Neto irá tratar os movimentos sociais em Salvador?

Claro que sim! Está no sangue dele e essa é a forma de fazer política que ele aprendeu com seu avô. De fato, como já deixou claro em várias entrevistas, ACM Neto é favorável ao fim das cotas nas universidades. Em sua campanha reacionária, ataca os movimentos sociais, mas se cala frente aos lucros das empresas multinacionais, das empreiteiras e da máfia dos transportes. ACM Neto comanda hoje um projeto que foi do avô dele e que prioriza benefícios próprios.

Portanto, com ACM Neto na prefeitura é a volta da política de tudo para os ricos e nada para os pobres, não teremos democracia para reivindicar os nossos direitos e a corrupção e a injustiça serão ainda maiores. Com certeza, se o DEM, o partido dos amigos de Cachoeira, vencer a eleição, a situação em Salvador ficará ainda pior.

Basta! Queremos o fim das injustiças e não a continuidade delas. Queremos uma cidade onde todos tenham direitos e que o povo seja tratado com respeito e dignidade.

Nós, comunistas revolucionários, lutamos para melhorar as condições de vida do povo e não para piorá-las.

Por essas razões, o Partido Comunista Revolucionário (PCR), partido fundado pelo revolucionário Manoel Lisboa, assassinado pela ditadura militar em 1973, e a União da Juventude Rebelião (UJR) convocam todos os trabalhadores e a juventude para votar em Nelson PELEGRINO, do PT, para prefeito de Salvador, pois ele defende um projeto democrático e popular: uma Salvador para todos, em oposição ao projeto elitista e excludente do carlismo.

Dia 28 de outubro, vamos derrotar o candidato da extrema-direita e do imperialismo e eleger Pelegrino prefeito.

O PCR vive e luta! Viva o socialismo

Eleições em Cuba: Votam os cidadãos, não as empresas-imprensa

Eleições em Cuba: Votam os cidadãos, não as empresas-imprensaO sistema eleitoral cubano distingue-se do que se vê em outros países, sobretudo, porque, em Cuba, todos os cidadãos têm igual possibilidade de assumir responsabilidades públicas – explicou o professor Juan Mendoza, vice-decano da Faculdade de Direito da Universidad de La Habana, em conversa com Prensa Latina sobre as particularidades do modelo eleitoral cubano, na véspera dos comicios que começam no domingo, 20/10, e que elegerão os delegados de bairro (concejales) às assembleias municipais do Poder Popular.

Falando sobre o processo pelo qual se apresentam os candidatos, disse que o que se vê em muitos países são listas eleitorais montadas por partidos políticos, às quais só os mais ricos têm acesso: “Considera-se o desempenho financeiro dos candidatos, não algum compromisso com os eleitores ou com o futuro das pessoas e do país”.

“Nesse cenário” – disse o professor Juan Mendoza –, “é muito difícil alguém conseguir candidatar-se como candidato independente, porque as campanhas eleitorais são caríssimas.”

Em Cuba, tudo isso é diferente. Em Cuba, para apresentar-se como candidato no início do processo eleitoral, basta ter mais de 16 anos, residir em Cuba e ser apoiado pelos vizinhos de bairro. Essa é uma das razões pelas quais o modelo eleitoral cubano é “específico, profundamente democrático e socialmente muito avançado” – explicou o professor.

Mendoza lembra que na maioria dos países, as empresas da imprensa corporativa, os grandes grupos ‘de mídia’ louvam como se fossem muito democráticas eleições que, de fato, não passam de jogo tradicional, de cartas marcadas, entre partidos que disputam, menos o poder político, que o acesso não controlado às riquezas do país e do povo.

“Para vários estudiosos, aquilo não passa de uma “partidocracia”, bem pouco democrática, porque os partidos representam interesses de diferentes setores do capital, mas apresentam-se como se fossem representantes de parcelas do povo. Só muito raramente, nessas partidocracias, algum partido manifesta desejo político realmente popular. Disputa partidarizada entre diferentes interesses setoriais dos mais ricos não é o que se possa chamar de disputa democrática” – continuou o professor Mendoza.

Por que, em Cuba, é diferente?

O modelo eleitoral cubano foi criado depois da Constituição aprovada em 1976, que serviu de base à primeira lei eleitoral. Depois da reforma da Constituição, em 1992, também a lei eleitoral foi reestruturada, e continua vigente até hoje.

Nos termos da lei eleitoral cubana há dois momentos: eleições gerais a cada cinco anos, para eleger os deputados à Assembléia Nacional e os delegados à Assembléia Provincial; e eleições parciais, a cada dois anos e meio, em que se elegem delegados às Assembléias municipais.

Nas eleições parciais, o fator decisivo é a ‘nomeação’ [orig, nominación], que é ato de participação eminentemente cidadã, dado que, para fazer a nomeação, reúnem-se as próprias comunidades, que apresentam pessoas que as comunidades entendam que tenham condições de representá-las.

Nomes e propostas aprovadas nas reuniões das comunidades passam diretamente a integrar a chapa de candidatos de cada comunidade. “Assim”, explica o professor Mendoza, “evidencia-se o conceito amplamente democrático das eleições em Cuba”.

Em Cuba não há campanhas eleitorais como se conhecem em outros países. Cabe a cada Comissão Eleitoral local divulgar para os eleitores as biografias e fotos dos candidatos.

Em Cuba, as eleições são universais e baseiam-se “no direito de todos a manifestar-se nas eleições”. Não há inscrição eleitoral: todos os cubanos que atinjam os 16 anos, idade considerada mínima para votar e ser votado, convertem-se imediatamente em eleitores, sem qualquer outro tipo de registro ‘de eleitor’ como há em outros países.

O professor Mendoza lembra que “essa é diferença importante, porque, quando se lê que, em outros países, votaram 40% dos eleitores, essa porcentagem não é calculada sobre a população, mas só sobre o universo dos eleitores inscritos como tal”. Quando se diz que, em Cuba, votaram mais de 90% de eleitores, a porcentagem indica que praticamente toda a população votou”.

Eleições, democracia e sistema político

Um dos objetivos da Comissão Nacional Eleitoral é facilitar o acesso da população às urnas. Mas, lembra o professor Mendoza, “o voto não é obrigatório em Cuba. Nada acontece se alguém preferir não votar. Mas votar é um direito do cidadão e toda a sociedade deseja que todos exerçam esse direito e, assim, manifestem o compromisso individual, de cada cidadão, com todos os demais.”

É importante que todos votem, porque as eleições são um mecanismo de validação social do sistema político.

O professor Mendoza lembra que há países que se pressupõem democráticos e promovem seus sistemas políticos, mas, se se examinam aquelas ‘democracias’ e sistemas, se se comparam o número de votos e a população, por exemplo, vê-se que não passam de democracias apenas formais, que mostram só uma fachada de formalidade legal, porque nenhum sistema político pode ser considerado socialmente validado e legitimado se a população nacional não encontra vias abertas para manifestar-se e participar efetivamente do processo político.

“Em Cuba, quando alguém vota, está legitimando, validando e consolidando o sistema eleitoral cubano. Assim, com o tempo, quanto mais cubanos votem, mais se democratiza o sistema eleitoral e o voto. Em Cuba, os altos índices de comparecimento às urnas ao longo das últimas décadas já demonstraram que os cubanos estão firmemente envolvidos e comprometidos com o direito democrático de votar, que é de todos. Assim se fortalece o modelo político” – concluiu o professor Mendoza.

Segundo dados oficiais, em todos os comícios realizados desde 1976 votaram mais de 95% dos eleitores das comunidades e bairros, vale dizer, da população cubana.

Luisa María González García, Havana
Fonte: Prensa Latina

Imperialismo quer uma nova guerra no mundo

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Síria - Imperialismo quer uma nova guerra no mundo Para satisfazer a sede de lucros da poderosa indústria de guerra dos EUA e de outros países, as potências imperialistas querem mais uma guerra no mundo, não importa se contra a Síria ou contra o Irã, ou mesmo contra s dois países. Para tanto, a gigantesca máquina de propaganda do capitalismo espalha mentiras e esconde que a CIA fez acordo com a Al-Qaeda para organizar atentados na Síria.

A Síria não é um país socialista e, por isso mesmo, não é democrático. A principal lei da economia do país é o lucro e quem manda e governa é a classe dos ricos.  As eleições são manipuladas, há perseguição aos que lutam por uma revolução e pelo verdadeiro socialismo e são  numerosos os casos de corrupção no país. Os que têm dinheiro, as famílias ricas, conseguem resolver seus problemas, os que não têm, a imensa maioria da população, sofrem para conseguir até mesmo um emprego. Apesar de ter socialismo em seu nome e em seu programa, o Partido Baath (Partido do Renascimento Árabe Socialista) não defende nem pratica o socialismo cientifico de Marx e Lênin, embora quando de sua Constituição em 1963 foi um partido progressista, nacionalizou o petróleo, as terras e adotou medidas contra a espoliação estrangeira do país. Porém, desde a década de 80, se transformou num instrumento a serviço dos privilégios de algumas centenas de famílias e de grupos privados. Em decorrência, várias multinacionais têm cada vez mais negócios na Síria. A multinacional italiana do setor de armamentos – Finmeccanica – há dois anos está entre os principais fornecedores do governo sírio. Finmeccanica é o oitavo fornecedor do Pentágono e também produz em parceria com a norte-americana Lockheed Martin

Por ser um país dependente, a Síria sofre duramente as consequências da atual crise econômica capitalista. Este fato foi agravado porque desde os anos 90, o governo adota um conjunto de reformas neoliberais para permitir o avanço do capital estrangeiro, elimina programas de assistência social e reduz os investimentos públicos em 50%. As terras nas grandes cidades foram privatizadas e entregues a grandes empresas, que elevaram os preços dos imóveis, obrigando milhares de famílias a irem morar na periferia das cidades e formar favelas. Hoje, o país tem um elevado número de desempregados jovens, as desigualdades sociais aumentaram absurdamente e a pobreza é crescente. Tal situação levou em março de 2011, em meio aos levantes populares da Tunísia e do Egito, a juventude a ocupar as ruas exigindo mudanças sociais e políticas no país.

Foi nesse terreno que os países imperialistas começaram a operar, enviando à Síria mercenários que estavam no Iraque, para organizarem atentados e recrutarem insatisfeitos com o regime em vista de se formar um exército. Até a organização terrorista Al-Qaeda foi articulada pela CIA e é membro  ativo do chamado Exercito Livre da Síria. Também, a serviço dessa estratégia imperialista, o reacionário governo turco de Tayyip Erdogan ao bombardear a Síria cumpre o papel de provocador visando acelerar a nova guerra imperialista.

Entretanto, não é nem para acabar com o capitalismo na Síria nem com a corrupção e muito menos defender os direitos humanos que os EUA, a França, a Inglaterra e a Alemanha querem bombardear a Síria e derrubar o governo de Bachar Al Assad. Aliás, basta observar o que se tornaram a Líbia, o Afeganistão e o Iraque após as intervenções militares dos países imperialistas para concluirmos como ficará a Síria se ocorrer um ataque da OTAN (Organização do Tratado Atlântico Norte).

Com efeito, nenhum desses países tornou-se mais democrático ou menos violento após as guerras de que foram vítimas. Pelo contrário, hoje na Líbia, em vários edifícios públicos tremula a bandeira da organização terrorista Al-Qaeda, a mesma que é acusada de realizar o atentado às torres gêmeas nos EUA, o qual matou mais de 3 mil cidadãos norte-americanos,  e no dia 11 de setembro último realizou um atentado que matou o embaixador dos EUA na Líbia, Christopher Stevens. No Afeganistão, entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2012, 1.145 pessoas morreram e 1.945 ficaram feridas devido a atentados. Mulheres e crianças representam 30% das vítimas.

Depois, se existisse por parte das potências imperialistas algum respeito aos direitos humanos, os EUA não teriam financiado e ajudado o golpe militar em Honduras, tentado derrubar o governo de Hugo Chávez e não continuariam apoiando e mantendo as sanguinárias ditaduras do Iêmen, do Bahrein e da Arábia Saudita.

Também, a defesa que a Rússia e a China fazem do governo sírio nada tem a ver com o respeito à autodeterminação dos povos. Lembremos que ambos os países foram favoráveis às criminosas guerras contra o Iraque e o Afeganistão e já aprovaram diversas sanções econômicas contra a Síria e o Irã, privando milhões de árabes de alimentos e de remédios.

A velha mentira repetida

Sem ter o que dizer para justificar uma nova guerra imperialista, os Estados Unidos e demais potências imperialistas repetem o mesmo argumento (ou melhor dizendo, a mesma mentira) usada contra o Iraque:  (“Saddam tem armas químicas de destruição massiva”) ou contra a Líbia (Kadafi massacra população civil).

Portanto, o principal motivo levantado pelos EUA e seus aliados para pressionarem a ONU a aprovar a agressão à Síria e usar sua máquina de guerra mortífera composta de satélites militares, bombas nucleares, submarinos, aviões não tripulados, mísseis intercontinentais e milhões de homens armados espalhados em mais de 1.000 bases militares estacionadas em cerca de 50 países, é que a Síria possui “poderosas armas químicas e pode usá-las contra a população”.

Vejamos o que declarou o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, no dia 28 de setembro ao ser perguntado pela imprensa de seu país sobre os depósitos de armas químicas na Síria:

“Informações da inteligência americana dão conta de que o arsenal está em locais seguros, mas parte tinha se movido. Não está claro quando as armas foram transferidas, nem se a movimentação aconteceu recentemente.” A notícia prossegue dizendo que os EUA acreditam que a Síria tem dezenas de depósitos de armas químicas e biológicas espalhados pelo país.

No final de agosto, o presidente Barack Obama declarou: “Vamos ser muito claros com o regime Assad, mas também com todos os outros combatentes, que a linha vermelha será quando começarmos a ver um monte de armas químicas sendo movidas e usadas. Isso mudará nosso cálculo”.

Ora, nunca uma missão internacional esteve na Síria para investigar se o país possui ou não armas químicas. E agora, não só o país tem, como está transferindo essas armas de um lugar para outro.

Mas como acreditar num governo que já mentiu tantas vezes? Lembremos algumas: disse que não jogaria bombas atômicas no Japão e jogou; disse que não usaria armas biológicas contra o Vietnã e usou, disse que Saddam possuía armas de destruição em massa e era mentira.  Diz que o Irã está produzindo arma nuclear e, até hoje, apesar de várias inspeções, a AIEA não foi capaz de encontrar nem uma só arma nuclear no país, embora os EUA possuam, de acordo com o Pentágono, 5.113  armas nucleares e Israel algumas centenas.

Aliás, mentira e desinformação é o que mais tem surgido em relação à Síria. No último dia 28, as agências de noticias norte-americanas e francesas deram a seguinte notícia:

“Ontem, foi o segundo dia consecutivo de ataques com bombas na capital (Damasco). Duas organizações de ativistas anti-Assad anunciaram que vários corpos foram encontrados num subúrbio situado ao sul da capital. Aparentemente, as mortes foram provocadas por forças leais à ditadura.”

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos disse que 40 corpos, inclusive de mulheres e crianças, foram achados no subúrbio de Thiyabiyeh. O líder da organização, Rami Abdul-Rahman, afirmou não ter detalhes sobre as mortes.

Outro grupo de oposição a Assad, os Comitês de Coordenação Local, estimou em 107 o total de corpos encontrados e disse que muitos dos cadáveres mostravam sinais de execução -algumas das vítimas teriam sido degoladas. Os números indicam um dos piores massacres de civis desde o início do levante.” (O Globo, 28/09/2012)

Atenção: o Observatório Sírio de Direitos Humanos declarou que não tinha detalhes sobre as 40 mortes. O outro disse que eram 107 mortes. Será que eles não aprenderam a contar ou não tiveram tempo de combinar os números? E quem são realmente os assassinos?

Crimes contra o povo sírio, assassinatos e execuções não é algo raro praticado pelas chamadas forças rebeldes da Síria. Vejamos o que declarou o insuspeito embaixador brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro:

“Existem motivos razoáveis para acreditar que as forças antigovernamentais daquele país perpetram assassinatos, execuções extrajudiciais e tortura” – disse Paulo Pinheiro, chefe de um painel internacional independente que investiga a situação na Síria.

Paulo Pinheiro também denunciou o uso de crianças com menos de 18 anos de idade por grupos armados de oposição. “Estas forças não identificam seus membros com uniformes reais ou insígnias para diferenciá-los da população civil “,  acrescentou. Crimes realizados por esses elementos, como sequestros, tortura e maus-tratos de soldados do governo capturados, também foram repudiados pela Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay.

Concluindo, Pinheiro criticou o governo por levar a cabo ataques indiscriminados, como ataques aéreos e bombardeios de artilharia a áreas residenciais. Ele também se posicionou contra a aplicação de sanções contra a Síria, por constituírem uma negação dos direitos fundamentais ao povo desse país, onde, segundo a ONU, existem 2,5 milhões de pessoas que necessitam de ajuda humanitária. O especialista reiterou a necessidade de uma solução política na Síria e ressaltou que “não há possibilidade de uma solução militar.” (Correio do Brasil, 22/09/2012).

Esta é a verdade.

Por que o império quer a guerra  

Porém, os grandes meios de comunicação da burguesia com o objetivo de convencer os povos da necessidade de mais uma guerra imperialista divulgam mentiras e mais mentiras certos do que afirmou o ministro da Propaganda de Hitler, o nazista Joseph Goebbles: “Uma Mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade”.

Na realidade, o que está por trás da atual guerra que se desenvolve na Síria e que já matou mais de 25.000 sírios é o interesse das potências imperialistas em controlar uma nação que produz petróleo e gás natural – por dia, a Síria produz 380 mil barris de petróleo e tem reservas de 2,5 bilhões de barris e 240 bilhões de m3 de gás natural –; está situada na região estratégica do Oriente Médio  e faz fronteira com Iraque, Irã, Turquia, Líbano e Israel. Ademais, a Síria, até por força das circunstâncias, pois tem parte de seu território nas colinas de Golã ocupado por Israel desde 1967,  é um país que tem apoiado a luta pelo Estado da Palestina e tem em seu território quase 500 mil refugiados palestinos.

Dessa forma, a substituição do atual governo sírio por um governo submisso à dominação dos EUA, da França e da Inglaterra na região, além de garantir aos monopólios desses países o controle sobre petróleo e gás, também enfraquece o Irã, a luta do povo palestino e facilita o controle político do Oriente Médio. Em resumo, se trata de mais uma guerra para assegurar os interesses de multinacionais como a Exxon, BP, Chevron, Barrick Gold, Shell, Total, Monsanto, HSBC, Deutsche Bank, Goldman Sachs, entre outros e de criar demanda para a indústria militar dos países imperialistas: a Boeing (EUA), a Northrop (EUA), a General Dynamics (EUA), a Raytheon (EUA), a BAE Systems, a EADS (europeia), a Finmeccanica (italiana), a L-3 Communications (EUA) e a United Technologies (EUA).

De fato, há várias comprovações da existência de paramilitares a serviço da CIA na Síria e o governo denunciou na ONU a existência de 60.000 mercenários pagos pelas potências imperialistas atuando no país.

O chamado Exército Livre da Síria recebe há muito dinheiro e armas da Inglaterra, da França e dos EUA. Segundo a BBC, agência de notícias inglesa, o governo britânico entregou mais de 7 milhões de dólares em “abastecimento médico e equipamentos de comunicação’ aos grupos armados sírios. A França, que teve a Síria como colônia até 1949, defendeu, por intermédio do ministro das Relações Exteriores Laurent Fabius que “as zonas liberadas sírias que estão sob controle dos rebeldes recebam ajuda financeira, administrativa e sanitária.” O chanceler francês prometeu ajuda de 5 milhões de euros (R$ 12,8 milhões) aos opositores.

A Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, anunciou no último dia 29 mais US$ 30 milhões de assistência em alimentos, água e serviços médicos e mais 15 milhões em “equipamentos de comunicação” à oposição política não-armada”.

Ora, apesar da ONU adotar sanções contra a Síria – o governo sírio é reconhecido pela organização e por centenas de países – uma intervenção como essa que ocorre no país fere todas as leis internacionais e mostra que há muito o imperialismo jogou na lata do lixo o princípio da convivência pacífica entre os países e o respeito à autodeterminação das nações.

São essas, portanto, as razões que asseguram que mais uma guerra imperialista está a caminho. Tal situação coloca perante todos os homens e mulheres livres que não querem nem aceitam uma ditadura mundial do capital e a escravidão da humanidade por um punhado de países imperialistas governados por meia dúzia de bancos e de monopólios, a questão de o que fazer para deter esses genocídios e impedir que novas guerras sejam desencadeadas por potências capitalistas. Tais potências, mergulhadas numa profunda e grave crise econômica, veem como sua salvação aumentar a exploração dos trabalhadores, abocanhar as riquezas dos povos e dominar o mundo. Com a palavra Che Guevara: “O imperialismo capitalista foi derrotado em muitas batalhas parciais. Porém é uma força considerável no mundo e não se pode aspirar à sua derrota definitiva sem o esforço e o sacrifício de todos”¹.

Luiz Falcão é membro do comitê central do PCR

Notas

¹ Che Guevara. Discurso em Seminário Econômico de Solidariedade Afroasiática. 1965)

Dilma rejeita intervenções na Síria e no Irã

Dilma rejeita intervenções na Síria e no IrãA presidenta Dilma Rousseff em encontro com o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, em Brasília, rejeitou uma possível intervenção militar unilateral no Irã e qualquer solução militar para a crise na Síria. Dilma “reiterou a convicção” do Brasil de que não há uma “solução militar possível para a crise síria”. “Um processo político liderado pelos próprios sírios é o melhor caminho para uma solução ao conflito”, declarou a presidenta da República.

Ela disse igualmente que o Brasil se preocupa com a crescente retórica em prol de uma ação militar unilateral no Irã. “Qualquer iniciativa desse tipo constitui uma violação à Carta da ONU e terá grandes consequências para o Oriente Médio”, acrescentou.

Para Dilma, é urgente que a comunidade internacional apoie o processo de paz entre Israel e Palestina. “O multilateralismo deve guiar a todos na busca de uma solução para os conflitos do Oriente Médio. O processo de paz entre Israel e Palestina só é viável com uma maior participação da comunidade internacional; consideramos que adiar uma solução (para esse conflito) só serve para fortalecer interesses extremistas que existem em todos os lados”, completou.

Dilma reafirmou ainda que considera a ONU o principal centro de governo global por valorizar o multilateralismo e o direito internacional: “Consideramos que só uma ONU reformada pode manter uma ordem internacional baseada em regras”, concluiu.

Da Redação

Luta pela Comissão da Verdade em Contagem

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Comissão da Verdade em Contagem, MGA cidade de Contagem, localizada na Região Metropolitana de Belo Horizonte, nasceu para ser um polo de indústrias no Estado de Minas Gerais. O município concentra inúmeras fábricas com grande variedade de produtos, destacando-se os setores de metalurgia e de alimentos. Mas Contagem também guarda em sua história uma grande contribuição à luta contra a ditadura militar e pela democracia: a greve de 1968, ano de acirramento na luta contra a “gorilada” que estava no poder em nosso país.

No ano de 1968, o centro industrial de Contagem mantinha cerca de 20 mil operários, concentrados principalmente nas indústrias metalúrgicas e de cimento. A greve histórica conseguiu a incrível adesão de 17 mil operários, que cruzaram os braços e abriram caminho para a grande greve de Osasco, no mesmo ano.

Motivados por esta história, ainda pouco conhecida pela população da cidade e de todo o Estado, entidades como o Sindicato dos Empregados em Indústria de Massas Alimentícias e Biscoitos de Contagem (SindMassas), a União dos Estudantes Secundaristas de Contagem (Uesc), o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e outras entidades e organizações decidiram organizar um movimento pela Comissão da Verdade de Contagem. Isso acontece num momento em que surgem várias comissões com o objetivo de descobrir e apurar os crimes praticados pela ditadura militar em todo o país.

Para isso, algumas atividades têm sido feitas para debater a conjuntura daquele período e para mobilizar para a luta de hoje. Um exemplo são as reuniões quinzenais que acontecem com a participação das entidades e de vários companheiros que defendem a abertura dos arquivos da ditadura para investigação e punição dos criminosos e torturadores. Também já aconteceram debates, a exemplo do realizado com o camarada Braz Teixeira da Cruz, ex-preso político, atualmente militante do Partido Comunista Revolucionário (PCR), que relatou a organização das lutas dos trabalhadores e dos militantes comunistas que lutavam durante os anos de chumbo, enfrentando as ações violentas que o Estado brasileiro praticava. Neste mesmo debate, houve a exposição de Guilherme Amorim, estudante de História da PUC, que fez o resgate das ações da ditadura militar.

Além disso, o movimento tem pautado esta bandeira durante o período eleitoral na cidade, que conta o apoio do deputado e candidato a prefeito Durval Ângelo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, notório defensor das causas dos direitos humanos.

Neste curto processo de pesquisa do movimento pela instalação da Comissão da Verdade em Contagem, já descobrimos que, dentro das instalações da antiga fábrica metalúrgica Belgo Mineira, hoje Arcelor Mittal, existia um centro de torturas para punir os operários que se revoltavam contra o poder vigente na época. Isto só comprova que ainda há muito a descobrir e tornar público. Coisas como a luta do movimento operário, as fábricas e empresas que financiavam e colaboravam com a ditadura, os principais algozes dos lutadores do povo. Tudo isso ainda é pouco conhecido e obscuro, o que dificulta o reconhecimento de um povo sobre seu passado recente.

O movimento continuará a promover debates e palestras, atuando nas universidades, escolas e sindicatos de Contagem, ampliando suas forças para que consigamos criar a Comissão da Verdade na nossa cidade e lutar para punir aqueles que praticaram crimes contra a humanidade.

Renato Campos Amaral, presidente do SindMassas-MG 

Dia das Crianças… alegria dos capitalistas!

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Dia das Crianças... alegria dos capitalistas!Estamos nos aproximando de mais uma data “comemorativa”: 12 de outubro, Dia das Crianças. Mas a data que deveria valorizar a criança e sua importância na sociedade não passa de mais uma data comercial, cujo objetivo é vender. São propagandas para vender desde brinquedos até aparelhos celulares de última geração.

O blog Infância Livre do Consumismo aborda este assunto: por que propaganda é prejudicial às crianças? A publicidade infantil é danosa a elas quando as pressiona a desejar cada vez mais bens de consumo, associando-os a um discurso enganoso, de alegria, felicidade e status social. Além de trazer sofrimento às crianças que não podem obter esses bens devido à falta de recursos financeiros, essa pressão não pode ser devidamente elaborada pelos pequenos, cujo senso crítico ainda está em desenvolvimento.

Capitalismo transforma a infância em lucro

A questão da infância é tratada como um grande problema da sociedade capitalista. Não se pode esperar algo diferente de uma sociedade baseada na desigualdade social, na injustiça e no desprezo ao ser humano.

Além das privações e dificuldades às quais as crianças são submetidas, elas ainda são manipuladas para reproduzir, desde cedo, o desejo infindável pelo consumo. Basta ver o volume de publicidade na televisão voltada a esse público, com o objetivo premeditado de manipular as novas gerações a comprar, a pensar e a agir de acordo com o que deseja o sistema. Exemplos são as “historinhas” e desenhos animados, seja a de Cinderela, que espera seu príncipe encantado, seja a de Mickey Mouse, Ben 10, Superman, Batman, Pica-pau, Bob Esponja, Barbie.

O documentário Consuming kids (Comercialização da infância, EUA, 2008, direção de Adriana Barbaro e Jeremy Earp) aborda como as grandes corporações se utilizam da infância para gerar lucros gigantescos, vendendo todo tipo de produtos, muitas vezes de forma desonesta, desumana e pouco ética, tornando as crianças vulneráveis na idade mais delicada de suas vidas.

Segundo o documentário, “cada vez mais os brinquedos representam personagens de TV, reduzindo o poder de imaginação, deixando as crianças menos criativas. Cada vez mais, substitui-se a brincadeira de rua pela tela de TV ou computador. Com isso, as crianças estão se tornando mais obesas e menos atentas. O número de casos de disfunção bipolar infantil é quatro vezes maior que há 30 anos, sem falar em outras doenças crescendo assustadoramente nessa faixa etária, como diabete, depressão e hipertensão”. Os comerciais de fast food, brinquedos, roupas e até mesmo automóveis para os pais são produzidos com a participação de profissionais como psicólogos e antropólogos, desviando a ciência para a direção do lucro.

E o que resta às crianças não é nada além de serem carregadas nesse turbilhão de informações, necessidades inventadas e desejos, os quais não poderão ser realizados nem no Natal, nem no Dia das Crianças, no aniversário ou em qualquer data do ano. Na maioria dos lares brasileiros os pais estão lutando de sol a sol para garantir minimamente a comida para pôr na mesa. Assim é que muitas crianças crescem frustradas por não terem ou não serem como no mundo perfeito da televisão.

Um país não pode crescer, ser verdadeiramente desenvolvido, justo e saudável se não trata com prioridade, carinho e respeito suas crianças. A devida atenção à infância só será garantida numa sociedade em que não seja o lucro o principal, e sim a vida humana.

A sociedade socialista já provou, na prática, que é capaz de solucionar este e tantos outros problemas, garantindo creche em tempo integral nos bairros e dentro do próprio local de trabalho de suas mães; lavanderias e cozinhas coletivas; educação de qualidade desde a base do ensino, exterminando o analfabetismo, formando o indivíduo através da ciência, do esporte, da cultura; acompanhamento permanente da saúde, com uma alimentação saudável e prevenção de doenças.

Izabele Gomes, Campina Grande

DCE-UFRPE realiza grande seminário de assistência estudantil

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DCE-UFRPE realiza grande seminário de assistência estudantilA assistência estudantil é uma importante política de ações para a permanência do estudante universitário na sua graduação. Hoje cerca da metade dos estudantes universitários brasileiros pertencem às classes C, D e E, Isso quer dizer que grande parte do corpo discente das universidades brasieliras tem dificuldades financeiras e, portanto, necessitam de uma ajuda da sua Instituição de Ensino Supeiror (IFES) para conseguir concluir o curso. Entretanto, o que acontece na verdade é que cada vez mais estudantes estão abandonando seus cursos. Segundo uma auditoria realizada pela Controladoria Regional da União em Pernambuco, só na Universidade Federal Rural de Pernambuco apenas 48,29% dos estudantes conseguem concluir o curso, sendo nesta universidade o maior índice de evasão na Unidade Acadêmica de Serra Talhada (UAST), onde apenas 76% dos estudantes não chegam a pegar o diploma. Na primeira expansão universitária para o interior do país que é a Unidade Acadêmica de Garanhuns da UFRPE 56,56% dos estudantes não concluem o curso. Para combater esta realidade e lutar pelos direitos dos estudantes na rural o DCE-UFRPE realizou o 1° Seminário de Assistência Estudantil da UFRPE.

DCE-UFRPE realiza grande seminário de assistência estudantilO evento que aconteceu nos dias 15 e 16 de Setembro reuniu mais de cem estudantes de todos os campis da universidade para discutir a realidade da universidade brasileira, o Programa Nacional de Assistência Estudantil, os desafios da interiorização da universidade pública e definir as principais pautas de reivindicação dos estudantes pela assistência estudantil. Segundo o estudante de matemática Rafaell Ramalho “O Seminário trouxe muitas informações que eu desconhecia e nossas reivindicações são de coisas básicas que já deveriam existir na universidade!. O evento contou com a participação do 1° vice presidente da União Nacional dos Estudantes que reforçou a necessidade dos estudantes de se organizarem em torno do movimento estudantil para conquistarem seus direitos. Até hoje as unidades da UFRPE que se encontram no interior do estado de Pernambuco não têm Restaurante Universitário, política fundamental para o combate à evasão nas IFES. Na UAST sequer existe residência universitária e no campus de Recife o restaurante universitário é um dos mais caros do país!

O DCE-UFRPE a partir do 1° Seminário de Assistência Estudantil da UFRPE já está realizando uma forte campanha pela implantação do R.U nas unidades acadêmicas do interior, em defesa das residências estudantis e para que a universidade ofereça maior apoio pedagógico para apresentação de trabalhos científicos em congressos. Este evento sem dúvida foi um marco na luta dos estudantes da UFRPE pela assistência estudantil e mostra mais uma vez a combatividade e a disposição do movimento estudantil de transformar a realidade da educação do nosso país.

Daniel Victor, Pernambuco

Chávez é reeleito na Venezuela, e povo sai às ruas para comemorar

O presidente venezuelano reeleito Hugo Chávez qualificou de histórico os resultados das eleições e fez um chamado à unidade nacional e ao trabalho conjunto em prol do bem-estar e da paz desta nação sul-americana. Do Palácio de Miraflores, Chávez se dirigiu a milhares de pessoas que chegaram ali para celebrar seu triunfo nesse encontro com as urnas, contra o candidato opositor da chamada Mesa da Unidade Democrática, Henrique Capriles. O presidente obteve 56% dos votos válidos na eleição de 07 de outubro.

O chefe de Estado expressou um reconhecimento a todo o povo deste país “por este dia memorável”, marcado por um vontade democrática e por uma altíssima participação no pleito. “Nunca antes tivemos uma Venezuela como a de hoje do ponto de vista moral, social, político, econômico e cultural”, assegurou o presidente.

“Votaram pelo socialismo, pela independência, pela grandeza da Venezuela e pelo futuro”, disse Chávez a seus eleitores, pouco antes de afirmar que vencera em 20 dos 23 estados e na Capital Caracas.

“Não terá força imperialista por maior que seja que possa com o povo de Simón Bolívar”, previu e agregou que Venezuela nunca voltará ao neoliberalismo, mas continuará transitando para o socialismo.

O governante agradeceu as felicitações de mandatários como o cubano Raúl Castro e a argentina Cristina Fernández, e deu as graças aos visitantes provenientes de outros países que acompanharam o processo eleitoral.

Fonte: www.cubadebate.cu

Tributos em Cuba marcam 45 anos do assassinato de Che Guevara

Cubanos de todas as gerações prestarão homenagem hoje a um dos principais paradigmas das juventudes, Ernesto Guevara, no aniversário 45 de seu assassinato.

O guerrilheiro, conhecido mundialmente pelo apelido de Che, ainda vive nesta ilha nas palavras de ordem das crianças, que aspiram ser como ele, em livros de história, nas palavras escritas em muros de parques e edifícios. Também podemos encontrar o Che entre os retratos de familiares falecidos de qualquer casa cubana.

Guevara aqui é um exemplo para os mais jovens e um homem admirável, correto, humilde e inteligente para muitos que lhe conheceram neste país onde lutou por uma revolução, ocupou altos cargos de governo, dirigiu o Banco Nacional e o Ministério de Indústrias, construiu família e amigos.

Nas escolas cubanas, professores e estudantes evocam seu pensamento crítico e a vocação internacionalista que o levou ao Congo e à Bolívia com o fim altruísta de libertar outros povos.

Naquele país sul-americano caiu ferido em combate em 9 de outubro de 1967, seus inimigos não esperaram muito para assassinar o herói e expor seu cadáver como um troféu.

Cuba chorou pelo jovem rebelde, o trabalhador incansável, o pai, o filho, o amigo, enquanto a imagem do médico combatente internacionalista se expandia pelo mundo como ícone que já não tem época porque podemos encontrar em qualquer continente.

A cada 9 de outubro, os cubanos rendem tributo à memória do legendário Guerrilheiro Heróico, cujo restos, achados em 1997, descansam desde então em um mausoleo na cidade de Santa Clara, na região central de Cuba.

Fonte: www.cubadebate.cu

Virgilio Gomes da Silva: Operário, Brasileiro, Revolucionário

Virgilio Gomes da Silva: Operário, Brasileiro, RevolucionárioVirgílio Gomes da Silva era potiguar. Nasceu em Sítio Novo, no ano de 1933. Filho de camponeses – Sebastião e dona Isabel, que se retiraram para o Pará, no ano de 1942, fugindo de uma terrível seca. O casal teve dez filhos, dos quais apenas seis se criaram. Em 1945, depois se de separar do marido, dona Isabel voltou com os filhos para o Rio Grande do Norte e se estabeleceu em Jucuri, hoje pertencente ao Município de Lagoa dos Velhos; ficou com o pai apenas a única filha mulher, Creuza.

Em 1951, Virgílio foi sozinho buscar meio de vida em São Paulo, onde também queria estudar. Lá trabalhou em várias empresas e como autônomo, tendo exercido profissões diversas. Começou numa lanchonete, a seguir numa companhia telegráfica, banco, vigia de uma companhia de bebidas, etc. Aliás, já emigrou trabalhando, pois saiu de Natal como ajudante de um caminhoneiro, o que lhe garantiu transporte e alimentação até a capital paulista.

Com a economia do salário, comprou uma pensão próxima ao Brás e levou toda a família para São Paulo. Sua mãe é que administrava a pensão, que servia refeições para os trabalhadores do entorno, enquanto Virgílio continuava trabalhando no Banco e na Antárctica. Sempre quisera ter um bar, por isso aceitou a troca proposta por um conhecido, que o enganou, pois o prédio era hipotecado. Resultado: Virgílio foi à falência.

De “louco do rádio” a militante exemplar

Depois de trabalhar numa metalúrgica, Virgílio ingressou na Nitro Química, de onde saiu para o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Química e Farmacêutica de São Paulo, como funcionário, e, a seguir, como dirigente e líder sindical.

Foi no ano de 1957 que ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Segundo Creuza, sua irmã, Virgílio sempre fora muito católico, mas ingressou no PCB porque enxergou nele uma proposta concreta para pôr fim às injustiças, que muito o sensibilizavam. “Ele aceitou o comunismo, ser do Partido, pelo que prometia a igualdade dos povos, que ninguém ia passar fome, que todo mundo ia estudar, ia ser igual; ele, que veio da miséria, não suportava ver tanta miséria, e por isso aceitou ser comunista”.

A Nitro Química era uma empresa muito importante para São Miguel Paulista e para o país. Por isso, foi marcante a greve dos seus operários, em 1957, que saiu da fábrica para as ruas e envolveu pelo menos um terço da população. Virgílio já era líder sindical e militante do PCB. A greve, que durou nove dias, não foi importante para ele apenas pelo êxito da mobilização e do resultado vitorioso – aumento de 20% – mas também por ter conhecido uma operária ativista com quem se casou: Ilda Martins da Silva. Tinha origem camponesa, como ele, só que do interior paulista, de Lucianópolis. O casamento aconteceu no dia 21 de maio de 1960.

Ilza já conhecia Virgílio de nome e voz e o chamava de “louco do rádio”. É que ele participara, anos antes, de um concurso da rádio Record, que dava um prêmio para quem passasse mais tempo dançando. Ele resistiu por 48 horas e ganhou utensílios domésticos mais um terreno no Litoral paulista.

O casal teve três filhos e uma filha: Vlademir (homenagem a Lenin), em1961; Virgílio Gomes da Silva Filho, o Virgilinho (1962); Gregório, em 1967 (a mãe homenageara o pai dela, e Virgílio celebrara Gregório Bezerra, o grande líder camponês (leia A Verdade, nº…). Isabel, a última (1969), nasceu quando o povo brasileiro já vivia uma terrível noite de agonia, após o golpe dentro do golpe. Parte do enxoval da menina foi presenteada por Carlos Marighella (leia A Verdade, nº…), a quem Virgílio acompanhara na dissidência do PCB paulista.

Empunhando armas

A militância política de Virgílio se intensificou no início dos anos 60; a família passa a sentir mais a sua ausência, que ele compensa com muita ternura nos momentos em que está no lar. Amante da Natureza, adorava pássaros, e tinha um viveiro; também amante do esporte, especialmente de futebol, era torcedor fanático do Corinthians.

Em 1963, liderando três mil operários da Luftalla em greve, foi atingido de raspão na cabeça, além de mão e perna, por disparos efetuados por um diretor da empresa. Recuperado, foi transferido para a sede do Sindicato, na Rua 25 de Março, na Capital.

O seu sindicato foi o primeiro a sofrer intervenção após o golpe civil-militar de 1964. Toda a diretoria foi cassada e Virgílio preso no dia 2 de outubro, mas ficou somente uma semana detido. Fugindo da perseguição, seguiu para o Uruguai, mas ali permaneceu apenas por três meses.
No retorno, não conseguiu mais emprego; sobrevivia como vendedor ambulante, fotógrafo, e acabou abrindo outro bar, chamado Galo de Ouro, numa homenagem a Éder Jofre, famoso lutador de boxe, de quem era fã.

Ao romper com o PCB, por sua inatividade diante da Ditadura, Marighella levou consigo um bom número de militantes paulistas, entre os quais Virgílio. Criaram o Agrupamento, que se transformou em Ação Libertadora Nacional (ALN).

Sua irmã, Creuza, e a esposa, Ilda, apelaram para que ele não desse esse passo, pois achavam que não havia possibilidade de a guerrilha ter êxito e que ele deveria criar os filhos. Virgílio não cedeu. Ao contrário, levou para a clandestinidade a esposa e os filhos e ainda puxou para a ALN o seu irmão Francisco Gomes, que não tinha militância anterior. Segundo remanescentes da ALN, ele foi mais para mostrar ao irmão que era tão “macho” quanto ele.

Virgílio esteve em Cuba no período de agosto de 1967 a julho de 1968. Encontrava-se em treinamento na Serra de Escambray, um dos santuários da guerrilha do Movimento 26 de Julho, quando tomou conhecimento da morte de Che Guevara na Bolívia. Feitas as devidas homenagens, voltaram a empunhar o fuzil, como queria “El hombre muerto” ou, como dizemos hoje, que acabara de ingressar na imortalidade.
Quando volta ao Brasil, Virgílio já encontra a ALN imersa na luta armada no meio urbano, como forma de captação de recursos para a guerrilha rural, a partir de 1969, objetivo estratégico, que já tinha uma área definida em Goiás, onde ex-militantes do PCB agora se tornavam sua base de apoio.

Virgílio, agora conhecido como Jonas, foi designado para o Grupo Tático Armado (GTA) de São Paulo e participou de várias ações de expropriação de dinheiro, armas e explosivos. Mas a maior ação de que participou se deu no Rio de Janeiro.

Na “Semana da Independência”, “jogando água no chopp da burguesia”, que celebra uma emancipação que nunca existiu, a ALN e a Dissidência da Guanabara DI-GB), numa ação conjunta espetacular, sequestram o embaixador da maior potência imperialista do mundo, os Estados Unidos da América do Norte, Charles Burke Elbrick. A ação se deu entre os dias 4 e 7 de setembro de 1969. O comando político foi de Joaquim Câmara Ferreira e de outro representante da Dissidência, já o comando militar ficou a cargo de Virgílio.

Os guerrilheiros, posteriormente, desculparam-se com o embaixador da coronhada que tiveram que dar em sua cabeça, porque ele se recusava a acompanhá-los. Passada a tensão inicial, quando tiveram certeza do atendimento das exigências (manifesto à nação lido em cadeia nacional de rádio e televisão e 15 presos políticos transferidos e seguros em solo mexicano), o diplomata passou a dialogar amigavelmente com os militantes. No seu depoimento aos órgãos de segurança, mentiu para protegê-los, dizendo que eles usavam capuz, portanto não poderia identificá-los, e chegou a afirmar que se possível testemunharia a favor deles. Sua carreira diplomática acabou.

Manoel Ciryllo Neto, um dos participantes da ação, recusa-se a denominá-la de sequestro. “A gente capturou o embaixador de uma nação inimiga, que ajudou a planejar, executar e respaldar o Golpe de Estado”. Até mesmo os órgãos de repressão, nos registros da época, não qualificam a ação de sequestro. Um chama de rapto, outro expropriação.

“Foi um golpe de mestre”, afirma o historiador Jacob Gorender no livro Combate nas Trevas. A repercussão foi positiva em nível nacional. Como explica frei Betto, em Batismo de Sangue, “O fato inusitado, às vésperas do 7 de setembro, fora como o vento que reacende o fogo sufocado sob o monturo, trazendo à tona sentimentos antiamericanos represados entre camadas inferiores do inconsciente de um povo…” .Marighella, inicialmente criticou o GTA-SP por ter realizado a ação sem discutir na Organização e sem o GTA do Rio sequer tomar conhecimento. O pessoal aceitou a última falha, mas a primeira, não, argumentando que o lema definido pelo próprio Comandante era de que “não se pode licença para praticar ato revolucionário”, recomendação constante, tanto dos princípios da ALN como do famoso Minimanual do Guerrilheiro Urbano, escrito por ele.

Mas Carlos Marighella avaliou como positiva a ação; inclusive, numa Saudação aos Quinze Patriotas, disse: “Estamos certos de que o povo brasileiro aprova a atitude da Ação Libertadora Nacional e dos que com ela participaram”.

Infelizmente, embora exitosa, a ação marcou o início do fim, como afirma frei Betto na obra citada. Imediatamente após a libertação de Elbrick, a repressão se abate pesada sobre a ALN. Virgílio foi preso no dia 29 de setembro, vinte e poucos dias após a ação, no apartamento da família do militante Aton Fon Filho. Tinha 36 anos. Reagiu a bala, depois a socos e pontapés, mas acabou dominado, encapuzado e levado para a sede da Oban, na Rua da Tutoia, bairro do Paraíso.

Não é preciso descrever as torturas; elas já são por demais conhecidas. Apenas registrar que, para surpresa dos torturadores, nos momentos em que lhe tiraram do pau-de-arara, Virgílio atracou-se com eles como podia. Enquanto tinha voz, gritava: “Filhos da puta, vocês estão matando um brasileiro!”.

O herói resistiu a 12 horas de tortura, respondendo a cada pergunta, apenas: “Meu nome é Virgílio Gomes da Silva”. Morreu com a cabeça inteiramente esmagada, uma massa disforme. Um delegado do Dops, Orlando Rezende, contou chorando ao advogado da família de Virgílio, Dr. Décio Nascimento: “Nunca vi uma coisa tão bárbara como aquela”.

Os órgãos da repressão não assumiram, claro, a prisão e morte de Virgílio, que se tornou o primeiro desaparecido político brasileiro. Ele foi condenado à revelia e teve um mandado de prisão expedido em sua busca, um bom tempo depois.

Família vítima da sanha repressora

A família de Virgílio também sofreu dura repressão. Sem contar o irmão, Francisco Gomes, que passou dez anos preso e acabou prestando informações à repressão, por não resistir à tortura. A casa em que moravam foi invadida no dia 30 de setembro. Vlademir, então com nove.anos, lembra que estavam com o tio Francisco. Era um bando de 30 homens. Levaram preso Manoel Cyrillo (que se encontrava ali), mãe e filhos separados. Ilda foi para a sede da Oban, onde foi torturada com choques elétricos, socos e pontapés, depois Presídio Tiradentes, de onde saiu em junho de 1970. Somente no Tiradentes, veio tomar conhecimento da morte de Virgílio. As crianças foram conduzidas para um Juizado de Menores, localizadas dias depois e resgatadas pela tia Creuza.

Após a libertação, juntou-se aos filhos e, com a ajuda de Rose Nogueira (leia A Verdade, nº…) seguiram para Cuba, de onde só voltaram em 1990, após a formatura da filha caçula. Todos conseguiram trabalho e mantiveram a família junta, exceto a mãe e a irmã de Virgílio, que voltaram para o Rio Grande do Norte. Dona Isabel não suportava viver no mesmo lugar em que residiam os assassinos do seu filho.

Pela punição dos torturadores

No ano de 1993, atendendo a requerimento do então deputado Nilmário Miranda, o Supremo Tribunal Federal (STF) requereu e obteve resposta da Marinha brasileira, informando que Virgílio “morreu em 29 de setembro de 1969 ao reagir a bala, quando de sua prisão em um aparelho”. Em 2004, no arquivo do Dops (SP) foi localizado um documento no qual é identificado o cadáver de Virgílio, e em 2009, é encontrado um documento do Centro de Informações do Exército (CIE), no qual consta que “Virgílio Gomes da Silva (Jonas ou Borges) reagiu violentamente desde o momento de sua prisão, vindo a falecer antes mesmo de prestar declarações”.

Tais informações, além do testemunho dos sobreviventes que presenciaram sua tortura e morte, foram mais do que suficientes para a Comissão dos Mortos e Desaparecidos do Ministério da Justiça reconhecer a responsabilidade do Estado brasileiro e conceder indenização à família, com fundamento na Lei 9.140/95.

Num momento em que a Comissão da Verdade busca identificar os criminosos da Ditadura, embora a lei não lhe outorgue poder para processá-los, é importante o depoimento da viúva de Virgílio, Ilda Martins: “Eu nunca pude enterrar meu marido, levar uma flor ao seu túmulo. Continuo torturada. Tudo o que queremos é a abertura dos arquivos, a localização do corpo e, quem sabe, a punição dos torturadores”. A luta continua! Virgílio Gomes da Silva vive, hoje e sempre!

José Levino é historiador

Fonte de pesquisa, de onde foram extraídas as citações cujas fontes não estão identificadas no texto: Virgílio Gomes da Silva, de Retirante a Guerrilheiro, de Edileuza Pimenta e Edson Teixeira. Plena Editorial, 2009 – São Paulo (SP).

Música de Luíz Gonzaga retrata abalo ecológico

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Não é de hoje que os abalos ecológicos são notáveis. Décadas atrás, o cantor nordestino Luíz Gonzaga já denunciava a situação na natureza. Vale a pena conferir a letra da música Xote Ecológico.

Xote Ecológico
Luíz Gonzaga 

Não posso respirar, não posso mais nadar
A terra está morrendo, não dá mais pra plantar
E se plantar não nasce, se nascer não dá
Até pinga da boa é difícil de encontrar

Cadê a flor que estava aqui?
Poluição comeu.
E o peixe que é do mar?
Poluição comeu
E o verde onde é que está ?
Poluição comeu
Nem o Chico Mendes sobreviveu