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Política neoliberal de Bolsonaro é a principal responsável pela alta no preço dos alimentos

AUMENTO DA FOME E DA CARESTIA – A alta dos preços dos alimentos aumenta fome no Brasil. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

“A pandemia não fez esse estrago sozinha, é um detonador de uma atmosfera viciada. Ela agravou e acelerou o processo que já estava acontecendo, e encontrou pela frente um governo que abriu mão da segurança alimentar do seu povo de muitas maneiras.”
Raphael Almeida e Monique Zuma

RIO DE JANEIRO (RJ) – Quem vai ao mercado comprar sua comida vem percebendo há um tempo que o cenário só piora. Arroz, feijão, óleo, frutas, legumes… os preços só sobem, mas diferente do que Bolsonaro e Paulo Guedes dizem, não dá para colocar tudo na conta da pandemia de Covid-19, como já foi mostrado no artigo “Preço do arroz: querem nos matar de fome”.

O combate à fome e à extrema pobreza deixou de ser prioridade no Brasil. A agenda neoliberal adotada agravou o desmonte das políticas de segurança alimentar e nutricional no país, esvaziou as políticas voltadas para agricultura familiar, que deveriam ser priorizadas. Exemplos disso foram a extinção do CONSEA (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional) e o fim do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos).

Os cortes no orçamento de áreas tão necessárias foram brutais. O resultado disso é comida de qualidade sendo desperdiçada porque o pequeno produtor não consegue escoar a produção, e gente passando fome porque o governo não se importa em intervir para amenizar as consequências da alta do dólar, que torna mais interessante para os grandes produtores exportar do que vender no mercado interno.

Assim, o agronegócio e seus expoentes, isto é: Ricardo Salles, Ministro do meio ambiente, Tereza Cristina, Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Bolsonaro e Paulo Guedes são os responsáveis pela alta dos preços da comida no Brasil. Os detentores de poder seguem sendo beneficiados por uma política feita por eles e para eles.

Para garantir o abastecimento interno em momentos de crise existem estoques públicos que possibilitam o controle do valor dos alimentos. Quando há um risco de desabastecimento, a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) – que também vem sofrendo um desmonte, com 27 unidades armazenadoras fechadas somente no último ano – vende parte do estoque a custo mais baixo para controlar os preços do mercado. Ocorre que esse estoque também não foi priorizado pelo governo atual, e sem estoques públicos suficientes a população fica à mercê de quem vende pelo preço que quer, na dinâmica do “livre mercado” que favorece as grandes redes varejistas. Daí a garrafa de óleo de soja ser vendida por R$8,00, apesar do nosso país ter produzido 120 milhões de toneladas de soja em 2019.

A consequência dessa agenda que beneficia as elites e nega o básico a quem mais precisa já está sendo sentida. O Brasil voltou ao mapa da fome, ao qual pertencem países em que mais de 5% da população ingere menos que o mínimo de calorias recomendadas.

A pandemia não fez esse estrago sozinha, é um detonador de uma atmosfera viciada. Ela agravou e acelerou o processo que já estava acontecendo, e encontrou pela frente um governo que abriu mão da segurança alimentar do seu povo de muitas maneiras. Uma política que segue a cartilha do capitalismo, focando no lucro e favorecendo cada vez mais a concentração de renda e de terra, enquanto o povo segue pagando a conta – seja com dinheiro, saúde ou vida.

Por humanizarem os lucros, os ricos e detentores do poder coisificam os seres humanos. A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) aponta que cada brasileiro consome 7,6 litros de agrotóxico por ano. Não à toa, se assiste ao crescimento assustador de doenças como câncer, AVC, infertilidade, TDAH, hipotireoidismo, além de doenças respiratórias e cardíacas. A comida produzida pelo agronegócio contém todos esses bactericidas, fungicidas e herbicidas, que além de infertilizar solos e destruir biomas, mata as pessoas.

Frente a essa barbárie, há os que respeitam a vida e a dignidade humana: na última safra, o MST colheu 15 mil toneladas de arroz orgânico (sem agrotóxico), produzido por 364 famílias de 14 assentamentos. Enquanto o arroz do agronegócio chegou a ser comercializado por R$9,00 o quilo e seu arroz orgânico R$30,00 o quilo, o MST manteve os preços e seguiu vendendo seu arroz a R$6,00.

Não resta dúvida que se o governo brasileiro priorizasse a vida dos brasileiros, incentivaria a reforma agrária e o pequeno produtor, assim como garantiria política de crédito, subsídio e maquinário para aumentar a produção e alimentar a população brasileira de forma saudável e com baixo custo.

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