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2º turno no Equador: só o povo salva o povo

EQUADOR. Luta popular foi capaz de construir uma alternativa viável de poder (Foto: En Marcha)

Os povos do Equador converteram o voto nulo nessas eleições na bandeira dos indignados, numa expressão de protesto contra a crise econômica, a fome e o desemprego. A luta continua.

Heron Barroso | Redação Rio


INTERNACIONAL – O resultado preliminar divulgado hoje (12) pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do Equador aponta a vitória do candidato Guillermo Lasso, com 52,5% dos votos válidos contra 47,5% de André Arauz, aliado do ex-presidente Rafael Correa.

Durante o 2º turno, setores significativos do movimento indígena, sindical e estudantil, entre eles o Pachakutik, a Unidad Popular, a União Nacional dos Educadores (UNE) e o PCMLE, fizeram campanha pelo voto nulo, pois entendiam que nenhum dos dois candidatos representavam os anseios populares que foram às ruas em outubro de 2019. Ao todo, 1,7 milhão de equatorianos votaram dessa forma (outros 2,8 milhões se abstiveram), um recorde no país e indicativo claro de que há um importante espaço para o crescimento de uma tendência política revolucionária, de ruptura com o sistema e que não se prenda à lógica reformista do “mal menor”.

Apesar disso, não foram poucos os analistas “de esquerda” que se apressaram a dizer que a derrota de seu candidato (Arauz) foi culpa do voto nulo, dos setores populares e de seu candidato no 1º turno, o líder indígena Yaku Pérez. Ao defenderem tal posição, fazem vista grossa à escandalosa fraude eleitoral que tirou Yaku do 2º turno e a todas as prisões, processos judiciais e perseguições impostas aos movimentos populares durante os anos que Rafael Correa esteve no poder.

A verdade é que os ditos setores “progressistas”, que são, de fato, socialdemocratas não assumidos, partidários da manutenção da situação de dependência dos países da região, desesperam-se frente ao rompimento da situação de polarização com a direita tradicional.

Os povos do Equador converteram o voto nulo nessas eleições na bandeira dos indignados, numa expressão de protesto contra a crise econômica, a fome e o desemprego. O voto majoritário contra o candidato correísta representa um repúdio à corrupção e ao autoritarismo da tal “Revolução Cidadã”, disfarçada agora de campo progressista.

Ao mesmo tempo, esses mesmos povos seguem demandando a solução urgente de seus problemas: vacinas para todos, emprego, auxílio emergencial, retomada da economia, fim da fome e da submissão do país às multinacionais e ao imperialismo.

No Equador, a luta popular foi capaz de construir uma alternativa viável de poder, verdadeiramente anti-imperialista e capaz de apontar, ainda com vários limites, para a construção de uma alternativa à dominação capitalista. Que o caminho seja seguido por outros povos de nosso continente.

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