UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sábado, 28 de março de 2026
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ZEMA: Inimigo do povo

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O governo Zema em Minas Gerais aprofunda a entrega do patrimônio público, ataca os trabalhadores e aplica um projeto autoritário e antipovo. A luta popular cresce contra as privatizações e o PROPAG.

Rafael Fumero e Fernando Lopes | Minas Gerais


 

Entre os dois mandatos do fascista Romeu Zema (NOVO) à frente de Minas Gerais, a dívida com a União cresceu mais de 50%, mas esse dinheiro não foi direcionado para a benesse do povo mineiro, assim como os mais de R$30 bilhões do acordo após o crime ambiental da Vale. Pelo contrário, serviu às construtoras do Rodoanel (R$3 bi), às concessionárias privadas do metrô (R$440 mi), repasse para as prefeituras, investimento para o setor privado e estado mínimo para os serviços populares. O escandaloso aumento de 300% no próprio salário e as repetidas tentativas de criar “polêmicas” com falas absurdas, são apenas parte do projeto autoritário e anti-povo colocado na prática nos mandatos do Partido Novo.

“PROFRAUDE”

Desde junho deste ano, o povo mineiro tem visto aumentar os ataques do “governador” Zema (NOVO) contra a própria população. A adesão do governo de Minas ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (PROPAG) colocou em processo de falsa “federalização” não apenas diversos imóveis, como as principais empresas do estado, COPASA, CEMIG, CODEMIG e CODEMGE, além das duas universidades estaduais, UEMG e UNIMONTES.

Trata-se de uma falsa “federalização” pois, como vimos no último período, o PROPAG nada mais é que um pretexto para entregar tais empresas para a iniciativa privada, na justificativa de pagar uma dívida ilegítima do estado com a União. Tanto é assim que a PEC 24/2023 voltou a tramitar na ALMG, e no último dia 5 de novembro foi aprovada em 2º turno, após um GOLPE dado pelo presidente da Assembleia, base do governo Zema, Tadeu Leite (MDB). Também conhecida como “PEC do cala a boca”, o projeto revoga da constituição do estado a necessidade de referendo popular para a privatização da COPASA. Cada vez fica mais claro que o projeto neoliberal do desgovernador é entregar aos seus colegas empresários todo o patrimônio do povo trabalhador de Minas.

Ainda sobre o PROPAG, não podemos esquecer que a dívida dos Estados com a União é uma dívida ilegítima, na qual a União assume um papel de agiota. No caso de Minas Gerais, como mostram os relatórios da ACD, o valor pago nos últimos anos é 3 vezes o valor inicial. Isso sem contar que a dívida aumentou mais de 50% durante o desgoverno Zema, e que este mesmo “governador” abriu mão de mais de 120 bilhões da Lei Kandir, para fazer média com seu chefe, o ex-presidente e condenado Bolsonaro.

O PROPAG é uma farsa que atende aos interesses da lógica da dívida pública, uma dívida que sequer foi auditada, e que funciona simplesmente para transferir o patrimônio do povo para as mãos dos grandes banqueiros e empresários, e por isso deveria ser chamado de “PROFRAUDE”.

Operação Rejeito

Os ataques de Zema não param por aí. No dia 17 de setembro a PF deflagrou a chamada Operação Rejeito, com o objetivo de investigar e desmantelar uma organização criminosa envolvida em crimes ambientais. O conglomerado de mais de 40 empresas atuava na extração de minério em Minas Gerais. Os relatórios da PF apontaram que documentos eram alterados e vários servidores recebiam propina para acelerar e facilitar a aprovação das licenças ambientais e autorizações de mineração.

Na lista de investigados e presos pela PF apareceram nomes de aliados do alto escalão do governo do estado, como o ex-presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), Rodrigo Franco, nomeado pelo próprio Zema. Além do governador, os investigados também possuem relações com o deputado Nikolas Ferreira (PL) e o candidato à prefeitura de Belo Horizonte, Bruno Engler (PL), todos aliados diretos de Zema e de seu chefe, Bolsonaro. As investigações apontam que o lucro da operação ilegal tenha passado a casa dos 1,5 bilhões, com potencial de chegar a 18 bilhões.

A Operação Rejeito apenas revelou aquilo que UP vem denunciando há tempos, a relação promíscua que o desgoverno Zema tem com as mineradoras. Às empresas privadas facilidades de licitações e ampliação dos lucros, para o povo miséria, destruição do meio ambiente e piora na qualidade de vida. Prova disso é a impunidade da Vale em relação aos crimes contra a população de Mariana e Brumadinho, uma vez que o valor bilionário da multa segue sendo utilizado como artifício de negociação política: não restitui os atingidos, nem investe na segurança das mais de 30 barragens com risco de rompimento.

Por isso, nossa luta deve ser também pela reestatização das mineradoras que atuam em solo nacional, juntamente da reformulação das gestões para que os conselhos de trabalhadores sejam soberanos e o lucro não seja mais importante que a vida e a preservação do meio ambiente.

Fascismo

Não podemos nos esquecer que, quando anunciada a inelegibilidade do fascista Jair Bolsonaro, Zema compartilhou frase dita por Mussolini em suas redes. Além do discurso, todas as ações dos últimos mandatos demonstram a tentativa de esconder a brutalidade de seu projeto, imóveis como o antigo DOPS, agora Memorial dos Direitos Humanos ocupado, a Casa de Referência Tina Martins, ocupação do Movimento de Mulheres Olga Benário, constam na lista do PROPAG. Zema segue a cartilha reacionária de seu chefe, ataca a vida das mulheres e tenta esconder qualquer vestígio da Ditadura Civil-Militar Fascista. Em entrevista recente, deixou claro que “a ditadura é uma questão de interpretação, e que haveriam interpretações distintas sobre o que aconteceu em 1964”.

A militarização do braço armado do Estado recebeu 60% mais investimento desde 2019, drones, armas, viaturas e equipamentos para assassinar os pretos, pobres e periféricos. Os salários da Polícia Militar foram reajustados em 13% em 2020 (além de dois outros reajustes em 2023 e 2024), mas não há recursos para pagar o piso na educação estadual, saúde e demais serviços públicos. É evidente a estratégia do reacionário de sapatênis para 2026.

Candidatura à Presidência

Como se não bastasse, no dia 16 de agosto, Zema anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República. É nosso dever lembrar que sua herança dos oito anos de mandato no Governo de Minas Gerais foi entregue aos grandes empresários, como todos os patrimônios mineiros que Zema atacou: a Serra do Curral, principais estatais, gestão privada em escolas públicas, tentativa de militarização da educação. O projeto neoliberal e fascista que prega Estado Mínimo, se aproveitou de cada brecha que encontrou para beneficiar a sua classe burguesa e atacar os trabalhadores.

O caminho é claro camaradas, organizar o povo para uma greve geral contra as privatizações, contra a mineração criminosa e contra o governo fascista de Zema. Somente através da luta organizada dos trabalhadores é que conseguiremos frear o avanço do fascismo, e construir o socialismo. Só com esse novo sistema o povo vai poder verdadeiramente usufruir daquilo que é seu por direito. E como nos diz Lênin, a greve é “escola em que os operários aprendem a desfechar a guerra contra seus inimigos, pela emancipação de todo o povo e de todos os trabalhadores do jugo dos funcionários e do jugo do capital” (Sobre as Greves, 1899).

Já mostramos que é possível vencer esse governo e seus financiadores. Através de muita luta nas ruas conseguimos tirar da lista do PROPAG a UEMG, a UNIMONTES e o Memorial dos Direitos Humanos. Se Zema quer o povo calado, vamos às ruas dar o recado em alto e bom som: “ZEMA É INIMIGO DO POVO E DOS TRABALHADORES. NÃO VAMOS ACEITAR CALADOS!”

 

Trabalhadoras da enfermagem da Unifesp deflagram greve

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Trabalhadoras da enfermagem do Hospital São Paulo decidira entrar em greve a partir do dia 10 de novembro, denunciando demissões em massa, sobrecarga, condições insalubres e omissão da SPDM e da Unifesp

Anni Lei, Laura Maria* | São Paulo (SP)


TRABALHADOR UNIDO — Depois de meses de denúncias e tentativas de negociação frustradas, os trabalhadores e trabalhadoras da enfermagem da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Hospital São Paulo (HSP) deflagraram greve a partir do dia 10 de novembro de 2025. A decisão foi tomada por unanimidade em assembleia, diante da deterioração das condições de trabalho, da falta de pessoal e da omissão da administração diante dos problemas graves enfrentados pelos profissionais.

Nos últimos meses, a SPDM (Sociedade Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), organização  social de saúde também responsável pela gestão do hospital, não cumpriu o acordo firmado na última greve local, que previa a reposição do quadro de funcionários. O resultado tem sido sobrecarga extrema, jornadas extenuantes e risco crescente à segurança de trabalhadores e pacientes.

“A falta de reposição adequada da equipe tem gerado condições de trabalho inseguras e insalubres”, denuncia o sindicato dos trabalhadores da Unifesp em carta aberta publicada no dia 27 de outubro. “Nosso compromisso sempre foi com o cuidado e o bem-estar dos pacientes, mas a situação chegou a um ponto insustentável”.

Além da redução drástica do número de profissionais, os trabalhadores também denunciam infestação de pragas, relatam o aparecimento de escorpiões, baratas e ratos, comprometendo a higiene do ambiente hospitalar. A ausência de uma fiscalização efetiva do Coren/SP, que tem se mostrado omisso diante das irregularidades, agrava ainda mais a crise.

Hospital público sob ataque

O Hospital São Paulo, referência nacional em média e alta complexidade, sofre há anos com a privatização disfarçada imposta pela parceria entre a Unifesp e a SPDM. Sob o discurso da “gestão eficiente”, essa política tem servido apenas para transformar um hospital público em um campo de exploração, onde o lucro e o corte de custos valem mais do que a vida.

Joana**, uma enfermeira do hospital desabafa: “Não descansamos desde a pandemia e, de lá pra cá, só piorou. Não tenho nem palavras pra descrever como piorou”.

Por trás desse processo está o modelo das chamadas Organizações Sociais de Saúde (OSS), entidades privadas que recebem dinheiro público para administrar hospitais e unidades do SUS. Na prática, elas funcionam como empresas que lucram com a gestão pública, contratando profissionais sem concurso, impondo jornadas desumanas e promovendo demissões em massa.

Apresentadas como solução “moderna” e “eficiente”, as OSS são, na verdade, instrumentos de privatização e precarização, que desviam recursos do SUS e enfraquecem o controle social sobre a saúde (veja edição 324 do Jornal a Verdade). Com isso, o Estado se retira de sua responsabilidade constitucional e entrega o destino dos hospitais a grupos privados, comprometendo a qualidade do atendimento e a dignidade dos trabalhadores.

Desde 2022, mais de trezentos trabalhadores foram demitidos em poucos meses, e os que permaneceram enfrentam assédio, sobrecarga e desvalorização. O piso da enfermagem, conquistado com muita luta, segue sendo descumprido. Muitos profissionais chegam a emendar plantões de 12 horas sem intervalo adequado, o que compromete não apenas sua saúde, mas também a qualidade da assistência prestada.

As reivindicações desta greve são claras: a contratação imediata de novos profissionais, o cumprimento dos acordos prévios, condições dignas e seguras de trabalho e o respeito à saúde.

As trabalhadoras e trabalhadores podem ir além

As greves são instrumento de formação e luta para a organização das categorias, pois ensinam que,  unidos, os explorados podem ter nas mãos as decisões sobre seus direitos.

Contudo, ainda que as lutas reivindicatórias imediatas sejam importantes, é preciso ter em mente que isto é insuficiente e que, apesar das tentativas de desmobilização através de ameaças de represálias, a classe trabalhadora deve ir à luta rumo à transformação das relações de produção e trabalho a fim de construir uma nova sociedade.

*Enfermeiras do Núcleo Olga Unifesp/Saúde

**Nome fictício

 

Após derrota em Minas Gerais, projeto de escola cívico militar é aprovado em Santa Luzia/MG

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O Governador Romeu Zema (Novo) foi derrotado em junho ao tentar implementar o projeto cívico militar nas escolas estaduais de Minas Gerais. Pouco tempo depois, ao final de setembro, a Câmara de Vereadores de Santa Luzia (região metropolitana de BH) e o prefeito da cidade aprovaram o projeto fascista e agora avançam para a execução.

Edson de Moraes, Reinilson Camara e Marcelo Pereira | Minas Gerais


A educação de Santa Luzia está sob ataque. A sanção da Lei Municipal nº 4.889 pelo prefeito Paulo Bigodinho (AVANTE), criando o Programa Escola Cívico-Militar, é um ato declarado contra a educação pública e a juventude trabalhadora do município. A sanção foi autorizada pela Câmara de Vereadores com apenas 1 voto contra, de um total de 21 parlamentares, da vereadora Suzane do Coletivo Luzias (PT).

O governo municipal tenta enganar a população com a falácia de uma implementação “progressiva” e “técnica”. Esta é a mesma tática utilizada pelo governador reacionário Romeu Zema (Novo) em todo o estado, que, diante da forte resistência popular, viu seu projeto ser suspenso pelo Tribunal de Contas e recusado pelas comunidades escolares. De acordo com apuração do Jornal O TEMPO, 70% das escolas estaduais haviam recusado o modelo cívico militar até o momento da paralisação da consulta do Governo de Minas. A Escola Estadual Governador Milton Campos (“Estadual Central”), em BH, por exemplo, rejeitou o modelo com cerca de 85% dos votos contrários. Agora, a elite local tenta impor pela porta dos fundos o que não conseguiu em nível estadual.

Contra a militarização das escolas

O texto da lei, sancionada a portas fechadas, revela o caráter autoritário do projeto. O Art. 1º autoriza a implantação do programa, que será “regulamentado por Decreto”, ou seja, sem qualquer debate com a comunidade escolar, entregando um cheque em branco para o prefeito militarizar as escolas que bem entender.

Os objetivos listados no Art. 3º são pura demagogia. Falam em promover “valores cívicos, éticos, humanos e patrióticos” (Inciso I) e “enfrentamento da violência” (Inciso II), mas a realidade que se impõe é a da repressão e do silenciamento.

Esse projeto também fez parte das medidas de Bolsonaro para impor uma ditadura militar no país. O ex-presidente fascista foi preso por tentativa de golpe de Estado após as investigações da Polícia Federal revelarem articulações com militares, empresários e políticos da extrema-direita para desacreditar as urnas eletrônicas, não aceitar o resultado das eleições e até planejar atentados contra o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.

Em 2019 Bolsonaro havia instituído o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim) para implementar esse modelo sem consulta à comunidade escola. Hoje, após as investigações e a prisão dos golpistas, podemos ver claramente que as escolas cívico militares cumpririam o papel de controlar à força a juventude e impedir a revolta contra outra ditadura militar no nosso país. Mesmo com Bolsonaro preso, as medidas para concretizar o golpe continuam a ser articuladas pelas elites.

Educação não é mercadoria

A permissão explícita no Art. 5º para “firmar convênios ou parcerias com instituições civis ou militares, públicas ou privadas” deixa claro outro objetivo: a terceirização e a mercantilização da educação. Querem transformar o futuro de nossas crianças em um negócio lucrativo.

O AVANTE, partido do atual prefeito, faz parte do centrão, foi base de apoio do governo Bolsonaro e hoje está aliado com o governo Zema de Minas Gerais. Os partidos do centrão se juntam com quem estiver no poder para obter vantagens, apoio e privilégios. Pouco interessa as reais demandas do povo e as soluções dos problemas. Por esse motivo, a prefeitura de Santa Luzia está colocando em prática as demandas de Romeu Zema após a derrota das escolas cívico-militares a nível estadual.

Não é de hoje que o governador de Minas está avançando na privatização da educação pública e usa os seus lacaios para isso. Desde 2022 o Projeto Somar está sendo implementado (piloto) em escolas estaduais. Esse projeto visa retirar o papel do Estado na educação pública da juventude, entregando, por baixo de discursos bonitos, à iniciativa privada e à lógica do lucro.

O chamado para a luta!

A experiência nacional desmascara a propaganda enganosa. Como mostram os relatos de Brasília e de outros estados, as escolas cívico-militares não melhoram o ensino. Pelo contrário:

  • Aumentam a sensação de insegurança, com a presença de policiais intimidando estudantes.
  • Oprimem a juventude pobre, negra e LGBT+, impondo um padrão comportamental fascista.
  • Acobertam casos de assédio e violência para “não manchar a reputação da escola”.
  • Distorcem o ensino de História para apagar as lutas populares e glorificar opressores.
  • Reprimem a organização estudantil, perseguindo grêmios livres e qualquer forma de pensamento crítico.

A vitória temporária dos mineiros contra Zema e as mobilizações da juventude em São Paulo nos mostram o caminho: só a luta organizada do povo pode barrar este ataque.

  • ESTUDANTES: Organizem-se em grêmios livres e independentes! Convoquem assembleias em todas as escolas para explicar a farsa da militarização. “ESCOLA NÃO É QUARTEL!”
  • PAIS E MÃES: Não aceitem a militarização da educação de seus filhos. A disciplina que precisamos é a do investimento, não a da repressão.
  • PROFESSORES E SERVIDORES: Construam, nas bases, assembleias populares para organizar a resistência. Denunciem este projeto autoritário nas salas de aula, nas redes sociais e em toda a comunidade.

A resolução dos problemas da educação pública passa por melhorias dentro e fora da escola. Dentro das escolas devemos lutar por valorização salarial dos professores; redução da sobrecarga de turmas e alunos por sala; infraestrutura escolar adequada (salas, ventilação, internet, bibliotecas, etc); contratação de profissionais de apoio (inspetores, coordenadores, psicólogos, pedagogos, intérpretes, etc.); reformas em banheiros, telhados, laboratórios e quadras; alimentação escolar de qualidade e em quantidade suficiente, entre outros.

Fora da escola é preciso lutar pelo fim da escala 6×1, por aumento geral dos salários, redução da jornada de trabalho, pelo direito às férias, 13º salário, seguro-saúde, ou seja, tudo que dará melhor condições de acompanhamento das famílias nas atividades escolares. Essas lutas também devem se conectar com a luta pelo fim do sistema capitalista que coloca a educação como mercadoria e o lucro acima da vida.

O povo de Santa Luzia não vai recuar! Seguiremos organizando a base, ocupando as escolas e tomando as ruas.

A LUTA É A ÚNICA ESCOLA DO POVO!

ABAIXO A MILITARIZAÇÃO DAS ESCOLAS!

PELA EDUCAÇÃO PÚBLICA, POPULAR E LIBERTADORA!

Seminário de movimentos populares questiona governos capitalistas durante a COP30

Num contraponto aos discursos dos governos capitalistas na COP30 , Belém do Pará recebeu o seminário “O que a COP não fala? Das margens da Amazônia às periferias do mundo” para questionar os ataques do capitalismo ao meio ambiente.

Ronni Souza | Redação Pará


BRASIL – Nesta segunda (10/11), ocorreu o seminário “O que a COP não fala? Das margens da Amazônia às periferias do mundo”, no Centro de Memória da Amazônia, em Belém do Pará. O evento teve como principal objetivo debater sobre a emergência climática e as lutas dos povos desde a Amazônia até os povos em luta no mundo inteiro.

O seminário ofereceu um contraponto às discussões da COP30 que invisibilizam os desafios e as verdadeiras soluções que vêm das comunidades da Amazônia e de periferias de todo o mundo. A militância da UP e dos movimentos sociais ligados ao partido estiveram em peso na atividade.

Também, o evento contou com a participação de vários movimentos sociais, populares, sindicatos, coletivos de juventude, grupos de pesquisa universitários, associações de povos indígenas e representantes do povo palestino reunidos em três mesas que trouxeram profundas reflexões sobre a conjuntura dos povos e da classe trabalhadora em contexto de crise climática e econômica.

Leonardo Péricles, presidente nacional da Unidade Popular, compôs a mesa de abertura e fez uma impactante saudação inicial. Em sua intervenção denunciou que o aço que sai do Brasil é comprado pelo governo fascista de Israel e transformado em armas que assassinam em massa o povo palestino e são comprados por governos para armar a polícia que massacra o nosso povo.

O presidente da UP também ressaltou o debate sobre a defesa do meio ambiente. “É impossível não falar das corporações, dos grandes monopólios e governos capitalistas que são os verdadeiros responsáveis pela destruição da natureza e por colocar em risco toda a humanidade. Essas corporações e empresas que hoje enganam o nosso povo patrocinando a COP30 – como é o caso da Vale, Hydro e JBS.”, afirmou.

Racismo ambiental e Direito à Cidade

Gian Victor, da Coordenação Estadual do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) no Pará, compôs a mesa “E agora, vou morar onde?”, onde fez uma análise histórica da perspectiva do povo negro e trabalhador no Brasil, mostrando a raiz econômica e escravocrata que historicamente jogou o nosso povo para periferia e negou o direito à cidade e consequentemente de vários outros direitos. 

Segundo ele, “na medida em que o povo negro e pobre se encontra nessa situação, é também o principal setor afetado pelas crises climática e ecológicas. É quem verdadeiramente sofre com enchentes, secas, calor extremo e doenças, basta ver a construção da estação de tratamento de esgoto na Vila da Barca [uma das maiores favelas de Belém] que não serve para atender os moradores da região e sim para receber o esgoto das áreas nobres. Um verdadeiro esgoto a céu aberto!”

Projeto da empresa Alemã “Fraport” pode destruir Mata Atlântica em Fortaleza

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A empresa alemã Fraport, responsável pelo Aeroporto de Fortaleza, planeja construir o projeto “Aeroporto Cidade”, um complexo imobiliário de luxo que pode destruir parte da Mata Atlântica até 2030. O empreendimento, baseado na especulação imobiliária, ameaça expulsar moradores da Serrinha e causar graves impactos ambientais.

Renan Azevedo | Fortaleza (CE)


A Fraport, empresa alemã que faz a gestão dos aeroportos internacionais de Fortaleza e Porto Alegre, pode destruir a Mata Atlântica na capital cearense caso seu projeto “Aeroporto Cidade” siga adiante. A proposta pretende construir no entorno do Aeroporto Internacional Pinto Martins um complexo imobiliário de luxo em até 5 anos. Ou seja, transformará a Mata Atlântica em hotéis e shoppings até 2030. 

Os planos do Aeroporto Cidade não são negociados por baixo dos panos. Ao contrário: estão presentes nos relatórios financeiros da Fraport. No momento, esse projeto está em fase de captação de investidores. Isto significa que interessados em todo o mundo podem investir no projeto e lucrar com esta empreitada.

Este tipo de negócio, no qual os donos do capital internacional decidem lucrar em nosso país, já é bem conhecido na história. É uma nova forma de colonização, por vezes, chamada de neocolonialismo. Significa a dominação de territórios da América Latina, entre outros, para obter consumidores para os negócios europeus. É desta forma que o imperialismo, agora do século XXI, consegue lucrar cada vez mais ao explorar trabalhadores em outros lugares. 

Este projeto do Aeroporto Cidade é mais uma demonstração de como a burguesia domina outras populações. Enquanto a classe trabalhadora não tomar para si seu dever histórico – o dever de libertar a humanidade da exploração –, estes abusos continuarão. Afinal, se nenhum CEO jamais ergueu uma viga ou concreto, por que eles ficam com toda a riqueza? É exatamente isto que acontece no que foi apresentado.

A insanidade dos números

De acordo com o último relatório fiscal da Fraport, a empresa lucrou € 91,5 milhões em 2024 com os dois aeroportos brasileiros. Isso significa que mais de R$ 6 bilhões foram para os bolsos dos investidores estrangeiros. É importante dizer que estes valores já descontaram os prejuízos com as enchentes no RS. Ou seja, é lucro absoluto. Ainda assim, a Fraport anuncia prejuízo, pois os ganhos deste ano são menores do que os do ano passado, mesmo que o saldo seja positivo.

Além disso, o contrato que autoriza a Fraport a explorar a estrutura aeroportuária de Fortaleza, firmado em 2017, pelo governo Michel Temer, também incluiu os valores que a empresa deveria pagar à União: R$425 milhões em até 30 anos. Portanto, apenas com os ganhos de 2024, a Fraport recuperou treze vezes o valor de seu investimento, enquanto os lucros obtidos entre 2018 e 2023 teriam sido completamente direcionados aos investidores da empresa. A empresa alemã investiu pouquíssimo para ganhar bilhões.

Vendo esses números, fica claro como a privatização só beneficia os mais ricos. O Aeroporto Internacional de Fortaleza foi construído pela INFRAERO, na década de 1970, com investimento público. Em 2017, durante o governo de Michel Temer, a concessão foi leiloada para a Fraport que pagou “troco de bala” pelo complexo – incluindo a Mata Atlântica ao seu redor. 

Desta forma, é possível entender como a Fraport pode lucrar ainda mais com o projeto do Aeroporto Cidade: ela apresenta um projeto faraônico que se fundamenta na especulação imobiliária. Quem paga a conta, como sempre, será a população mais pobre.

Impactos pela especulação imobiliária

A população pode ser afetada de diversas maneiras por conta da especulação imobiliária. Uma delas é pelo aumento dos aluguéis, por conta da inclusão de uma estrutura luxuosa no terreno. Isso pode encarecer o valor da moradia própria ou de aluguel do seu entorno. 

Outro impacto do Aeroporto Cidade se dá sobre o bairro da Serrinha, que fica ao sul do Aeroporto de Fortaleza. A Serrinha tem um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) considerado muito baixo. Dentre as razões, está a falta de saneamento básico e de sistemas de coleta de esgoto. Então, como pode um bairro sem estrutura ficar com o aluguel elevado? A explicação é simples: a falta de estrutura de saneamento força a saída dos moradores daquela região; em seguida, os territórios são adquiridos pelos donos do capital, as reformas urbanas público-privadas começam e o terreno é valorizado. O projeto imobiliário de luxo também se torna um projeto para remover trabalhadores de suas residências.

Há também impactos ambientais graves. Parte da Mata Atlântica, a vegetação na área do Aeroporto de Fortaleza, abriga diversos animais silvestres e plantas nativas que só existem naquele ecossistema. Por consequência, sem a Mata Atlântica, os lagos naturais que existem no bairro da Serrinha podem secar, animais silvestres e plantas nativas podem ser extintas e o clima da capital cearense como um todo pode ser afetado.

Para a empresa, não é um bom negócio destruir a Mata Atlântica nativa por completo, embora por outras razões. O discurso liberal, que defende o crescimento do lucro dessa empresa, tentará também defender a construção de prédios luxuosos naquela vegetação. Contudo, a preservação da Mata Atlântica no entorno do Aeroporto Cidade a ser construído pode ser uma estratégia. Essa defesa da preservação se torna conveniente, pois protege a valorização imobiliária. Ela impede a construção de outras edificações próximas, o que garante a exclusividade do espaço. Como diz o ditado, o diabo mora nos detalhes. 

O Estado é o balcão de negócios das empresas

Tudo o que foi explicado até agora está exposto nos projetos da Fraport e em documentação oficial – tanto de Fortaleza, quanto da União. É importante destacar que estas negociações só são possíveis por conta das privatizações do governo Michel Temer.

Em contrapartida, há parlamentares que buscam frear este avanço de alguma forma. Por exemplo, o vereador Gabriel Aguiar (PSOL/Fortaleza) tem um projeto de lei que procura transformar a Mata Atlântica ao redor do aeroporto em uma unidade de conservação. De acordo com o projeto de lei por ele proposto, a ARIE (Área de Relevante Interesse Ecológico) do Aeroporto teria 346 hectares – o que equivale a mais de 300 campos de futebol. Contudo, até o momento da redação deste texto, a Câmara de Vereadores de Fortaleza não fez qualquer menção para discutir a criação da ARIE. Claramente, o desinteresse da maioria dos parlamentares brasileiros é de interesse dos empresários alemães.

Devemos garantir nossa liberdade!

É sempre impressionante ver como estas formas de dominação da burguesia se repetem na história. Quando Engels escreveu “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra”, em 1845, ele tinha a perspectiva de que seria superado o cenário que ele testemunhava: cidades abarrotadas de pessoas, trabalhadores morando em casas de péssima qualidade, sem saneamento básico e cheios de doenças.

Aquele cenário da cidade de Manchester no século 19 é muito parecido com o que vemos nas cidades brasileiras no século 21. Nos dois casos, a classe trabalhadora é escanteada para que os donos do capital possam enriquecer. A diferença é que, em nossos dias atuais, estes processos se tornaram mais rápidos e com muitas garantias legais para a burguesia. Uma empresa europeia explorando os trabalhadores na América latina é uma história que se repete há mais de 500 anos.

Infelizmente, enquanto a burguesia for a classe dominante, o Estado sempre protegerá seus interesses. Isto ficou evidente com o processo de privatização dos aeroportos de Fortaleza e Porto Alegre por Temer, e continua evidente quando os vereadores de Fortaleza não impedem a destruição da Mata Atlântica para atender a projeto da Fraport. O capitalismo é um sistema que busca um lucro infinito: sem finalidades e sem fim para acabar. Mesmo que custe a humanidade, os donos do capital querem apenas ganhar mais. Esta é uma sociedade que não é para fazer sentido, mas para fazer lucros. Portanto, superar o capitalismo não se trata mais de justiça social, mas sim de um compromisso com a humanidade.

No Ceará, TikTok aprofunda o imperialismo e transforma o Estado em ‘zona de sacrifício’, com a instalação de Data Center

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A instalação do colossal Data Center da ByteDance/TikTok em Caucaia, Ceará, não é o progresso que a propaganda dos governos e da burguesia tenta vender. Enquanto a população de Caucaia sofre com a falta de saneamento básico e água encanada, o data center planeja consumir diariamente a energia equivalente a 2,2 milhões de brasileiros.

João Victor Temoteo e Vitória Barbosa | CE


LUTA POPULAR – A instalação do colossal Data Center da ByteDance/TikTok em Caucaia, Ceará, não é o progresso que a propaganda dos governos e da burguesia tenta vender. Pelo contrário, o projeto é a face mais moderna e cruel do imperialismo, um estudo de caso de como o Brasil está sendo rebaixado à condição de “plantação digital”, um território pilhado para fornecer recursos baratos a uma potência estrangeira. A análise dos fatos revela um novo ciclo de dependência e exploração, onde o recurso extraído não é mais o pau-brasil ou o ouro, mas a própria soberania nacional, nossa energia e nossos dados.

Enquanto a população de Caucaia sofre com a falta de saneamento básico e água encanada, o data center planeja consumir diariamente a energia equivalente a 2,2 milhões de brasileiros. Trata-se de um enclave digital, uma zona de alta tecnologia orientada para o exterior que, na prática, funciona para aprofundar a divisão internacional do trabalho e a nossa subordinação.

“Colonialismo Verde”: A Pilhagem da Energia Limpa do Povo

A história do Brasil é marcada por ciclos de exploração que enriqueceram metrópoles estrangeiras e nos deixaram um legado de dependência. O que vemos hoje é um novo ciclo extrativista: o dos dados. O chamado “colonialismo de dados” é a forma moderna de colonização, onde Big Techs se apropriam de informações em escala global. Nesse esquema, o Brasil cumpre o papel histórico de fornecer a matéria-prima: nossa terra, nossa água e, principalmente, nossa energia.

A narrativa de que o data center usará “100% de energia renovável” esconde uma lógica perversa. Pressionadas a limpar sua imagem, as gigantes de tecnologia exploram a matriz energética limpa do Brasil para “lavar” (greenwash) suas operações massivas de Inteligência Artificial. O que acontece é um “colonialismo verde”: o Brasil se torna o local ideal para terceirizar a pegada ambiental dessas empresas. Nossas vantagens naturais são usadas para subsidiar o avanço tecnológico chinês, enquanto os custos sociais e ambientais – como os conflitos por terra e a poluição sonora das turbinas eólicas – são pagos pelas nossas comunidades. Na prática, o recurso extraído é a própria “sustentabilidade” da nossa matriz energética.

Caucaia, a “Zona de Sacrifício” do Capital Estrangeiro

O impacto do projeto transforma Caucaia em uma “zona de sacrifício”, onde o bem-estar da comunidade é esmagado pelos interesses do capital global. A realidade do município, longe de ser um polo tecnológico, é de carência estrutural. Dados oficiais mostram que apenas 39,63% do esgoto é coletado e quase 10% das famílias não têm acesso a água encanada. Em uma região semiárida com histórico de secas, a apropriação de recursos hídricos e energéticos por uma corporação estrangeira configura um profundo conflito de classe.

A promessa de empregos, pilar da propaganda oficial, é uma ilusão. Acenam com

15.000 vagas temporárias e precárias na construção civil, mas admitem que, na fase de operação, restarão apenas 500 postos permanentes e altamente especializados, para os quais a classe trabalhadora local não está preparada. Este modelo reforça a estratificação social e, com um investimento de R$55 bilhões, irá gerar uma violenta especulação imobiliária, elevando o custo de vida e expulsando os mais pobres de suas casas.

O Estado a Serviço dos Patrões Estrangeiros

Essa exploração só é possível com a participação ativa do Estado brasileiro, que age como um “comprador”, um gerente dos interesses do capital global em vez de defender a nação. Uma complexa arquitetura de leis foi montada para entregar nossa riqueza de bandeja.

  • Nível Federal: A Medida Provisória nº 1.307/2025 e o programa Redata permitem que o data center opere em uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), com isenções massivas de impostos.
  • Nível Estadual: A Lei N°17.755/2021 autorizou o Governo do Ceará a doar terras públicas para o polo industrial que abrigará o projeto.
  • Nível Municipal: A Lei 3391/2021 de Caucaia estabeleceu programas de incentivos fiscais para atrair justamente este tipo de empresa.

Para piorar, a licença ambiental foi manipulada para evitar o debate democrático. Apesar do impacto monumental, o projeto foi classificado como de “baixo impacto ambiental”, manobra política que permitiu à empresa apresentar apenas um relatório simplificado, contornando a necessidade de estudos mais rigorosos e, crucialmente, de audiências públicas , silenciando as comunidades afetadas.

A Unidade Popular se Levanta!

Mas o povo trabalhador não aceita a exploração, calado. A vanguarda desta luta é o povo indígena Anacé, cujo território ancestral é diretamente ameaçado. Denunciando a violação do seu direito à consulta prévia, garantido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) , as lideranças afirmam que “em nenhum momento, o povo Anacé foi consultado”. Sua resistência se materializou em marchas e na corajosa ocupação da sede da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), exigindo a suspensão do licenciamento. A essa luta se somam organizações políticas classistas.

O partido Unidade Popular Pelo Socialismo (UP), que possui um histórico de trabalho de base na região, se opõe frontalmente ao projeto, enxergando-o como parte da ofensiva imperialista. O programa da UP, que defende a nacionalização dos setores estratégicos, oferece um contraponto direto ao modelo imperialista da ByteDance. forma-se uma coalizão de resistência em defesa do território e da soberania nacional. A luta em Caucaia é uma batalha pelo direito de decidir o próprio futuro. É um chamado para que o Brasil deixe de ser uma passiva plantação digital e se torne arquiteto de uma sociedade socialista soberana!

Operação resgata 14 trabalhadores em situação análoga à escravidão no Sertão de Pernambuco

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14 trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão nas cidades de Exu e Parnamirim, no Sertão de Pernambuco.

Jesse Lisboa | Redação


BRASIL – Mais um caso de trabalho análogo à escravidão foi revelado em Pernambuco. 14 trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão nas cidades de Exu e Parnamirim, no Sertão do estado. A operação, realizada pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) entre o final de outubro e o início de novembro, expôs a face mais cruel do capitalismo extrativista na região.

Os trabalhadores foram encontrados em frentes de extração de pedras de paralelepípedo. A fiscalização inspecionou oito locais de trabalho e constatou, em seis deles, um cenário de absoluta degradação humana e ausência total de direitos trabalhistas.

A operação resgatou ao todo 20 trabalhadores na região (incluindo ações no Piauí e Ceará), incluindo um adolescente de 15 anos que era explorado no serviço de quebra de pedras em Exu.

Alojamentos precários

As condições impostas pelos patrões aos trabalhadores eram sub-humanas. Os homens viviam amontoados em barracos de lona e madeira, erguidos diretamente sobre o chão batido. Não havia acesso a banheiros, água potável ou chuveiros. A água consumida era armazenada em tambores reaproveitados, contaminada por insetos e sujeira.

Além da miséria nos alojamentos, o risco de morte era diário. Os fiscais encontraram o uso de explosivos artesanais para a quebra das pedras, feitos com pólvora, salitre e carvão. Estes eram acionados por fios ligados a baterias de automóveis, uma prática primitiva que coloca os trabalhadores sob risco constante de mutilação e morte.

Obras públicas abastecidas com trabalho escravo

A exploração não se limitava às pedreiras. A operação descobriu que parte significativa da produção abastecia obras contratadas por prefeituras de Pernambuco.

Os patrões foram notificados a regularizar os vínculos e pagar as verbas rescisórias. Segundo o MTE, apenas R$ 80 mil já foram pagos. Os trabalhadores resgatados terão direito a três parcelas do seguro-desemprego especial e foram encaminhados à assistência social. O Governo do Estado de Pernambuco ainda não se manifestou sobre o caso desumano no qual os trabalhadores viveram. Nem mesmo foram expostas quais empresas estão por trás desse crime.

Reforma Trabalhista é culpada

A aprovação da Lei 13.467/2017, a qual prevê a possibilidade da supressão de direitos trabalhistas, abriu portas para as empresas explorarem cada vez mais os trabalhadores, com carga horária de trabalho excessivas, salários baixíssimos, precariedade na estrutura do trabalho. Tudo isso com respaldo da lei, um verdadeiro absurdo.

O número de denúncias de trabalho análogo à escravidão aumentou consistentemente desde 2021, com 1.915 em 2021, 2.119 em 2022 e 3.422 em 2023. Anteriormente, o maior registro anual era de 1.743 denúncias em 2013.

Outro dado relevante é a taxa de informalidade, que está em torno de 39%. Consideram-se informais trabalhadores domésticos ou privados sem carteira assinada, trabalhadores auxiliares, por conta própria e empregadores sem CNPJ. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), realizada pelo IBGE, em 2021, revelaram que 60% dos informais vivem de “bicos”, com renda mensal abaixo de um salário-mínimo.

Se, para os trabalhadores, as mudanças no mundo do trabalho trouxeram aumento da informalidade e retirada de direitos, para a burguesia, o cenário foi outro. A concentração de riquezas vem se tornando cada vez maior. Hoje, existem no Brasil 266 mil pessoas com patrimônio maior que US$ 1 milhão. E, de acordo com o Global Wealth Report 2022, o Brasil terá 572 mil milionários, em 2027. O número vai mais que dobrar em cinco anos.

Cabe à classe trabalhadora tomar os sindicatos e trazer o movimento sindical para a luta. O crescimento da miséria no nosso país está diretamente ligado à piora nas relações de trabalho, no crescimento da informalidade e na alta taxa de desemprego. A força dos trabalhadores está no seu papel na produção e na sua capacidade de, coletivamente, construir lutas e impor derrotas aos patrões. Precisamos lutar de forma imediata pela revogação da Reforma Trabalhista!

O projeto da burguesia: superexploração e miséria

Para a classe trabalhadora, o resultado das contrarreformas é a precarização absoluta. Hoje, quase 40 milhões de trabalhadores estão na informalidade. Isso é um projeto político que joga milhões na miséria. São trabalhadores domésticos sem carteira, diaristas, autônomos e entregadores de aplicativo, todos desprovidos de direitos. Como revela a PNAD (IBGE) de 2021, 60% desses informais são forçados a viver de “bicos”, com uma renda mensal que sequer alcança um salário-mínimo.

Enquanto o trabalhador é esmagado pela informalidade e pela retirada de direitos, a burguesia e seus parasitas nadam em dinheiro. A concentração de riquezas é a outra face da moeda da miséria: no Brasil, já existem 266 mil milionários (em dólares). E a previsão dos relatórios do próprio capital, como o Global Wealth Report 2022, é que esse número salte para 572 mil até 2027. Ou seja, a superexploração do povo vai mais que dobrar o número de milionários em apenas cinco anos.

Retomar os sindicatos para derrotar a burguesia

Diante dessa ofensiva do capital, cabe à classe trabalhadora construir a resistência. O aumento da miséria, da informalidade e do desemprego é resultado direto das políticas dos grandes ricos. A união da classe trabalhadora e a luta concreta pelo fim das privatizações, pela reestatização dos serviços, pela revogação da reforma trabalhista e pelo fim da terceirização. A tarefa fundamental é, portanto, atuar e organizar a luta da nossa classe a partir das associações, sindicatos e centrais sindicais.

Câmara aprova PDL da pedofilia: um ataque brutal aos direitos mulheres e meninas

A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 3/2025, que anula a Resolução nº 258/2024 do Conanda, norma que orientava o atendimento de meninas vítimas de estupro nos serviços de aborto legal.

Vitória Ohara | Coordenação Nacional do Movimento de Mulheres Olga Benario e da Frente Nacional Pela Legalização do Aborto.


MULHERES – A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 3/2025, que anula a Resolução nº 258/2024 do Conanda, conhecida como “Criança Não é Mãe” – norma que orientava o atendimento de meninas vítimas de estupro nos serviços de aborto legal.

O projeto, articulado por deputados da extrema-direita com o aval do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), agora segue para o Senado Federal, que se for aprovada representará um dos maiores retrocessos dos últimos anos no campo dos direitos das mulheres, das meninas e das crianças no Brasil.

Ao anular a resolução, o Congresso dificulta o acesso ao aborto legal, mesmo nos casos de estupro, retira diretrizes de proteção que garantiam segurança e dignidade às meninas e proíbe campanhas contra o casamento infantil, naturalizando violências que atingem principalmente meninas pobres e negras.

Segundo o Ministério da Saúde, mais de 20 mil meninas menores de 14 anos engravidam por estupro todos os anos no Brasil, e em 80% dos casos o agressor é alguém da própria família ou do convívio próximo.

Revogar a resolução é submeter crianças à tortura, obrigá-las a manter uma gestação que pode colocar suas vidas em risco. Quando não mata, essa violência deixa marcas profundas, condenando meninas a uma existência atravessada por traumas, vergonha e abandono.

Criança Não É Mãe

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) é um órgão ligado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, responsável por formular e fiscalizar políticas públicas voltadas à proteção integral de crianças e adolescentes.
Foi o Conanda que, em 2024, aprovou a Resolução 258, intitulada “Criança Não é Mãe”, com o objetivo de orientar profissionais de saúde, assistência social e justiça sobre como garantir acolhimento digno, sem constrangimento e com base nos direitos humanos a meninas vítimas de estupro.

A resolução reforçava que nenhuma criança pode ser obrigada a levar adiante uma gestação resultante de estupro, uma vez que o aborto legal já é previsto no Código Penal desde 1940 em casos de violência sexual, risco de vida da gestante ou anencefalia fetal.
Ainda assim, o acesso ao aborto legal segue sendo marcado por omissões, constrangimentos e criminalização das vítimas.

Com a aprovação do PDL 3/2025, o Congresso rasga a proteção mínima garantida às meninas violentadas, legitimando uma política de tortura institucional.

Nossa resposta precisa ser coletiva

A aprovação do PDL da pedofilia escancara o projeto fascista e misógino que avança no país, negociando a dignidade e a vida das meninas em nome de pautas religiosas e moralistas.

É urgente reconstruir a unidade da luta popular e feminista, exigir o arquivamento definitivo do PDL no Senado e fortalecer a Resolução “Criança Não é Mãe” como referência ética e política para o Brasil.

Enfrentar o fascismo é tarefa coletiva, e só será possível ampliando as mobilizações e fortalecendo as fileiras do Movimento de Mulheres Olga Benario e de todos os que lutam pela vida, pela dignidade e pela autonomia de quem gesta.

Movimento Correnteza é eleito ao DCE da UEL com mais de 1.400 votos

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Mais de 1.400 estudantes que votaram nos dias 23 e 24 de setembro em todos os departamentos do campus e elegeram a chapa do Correnteza para dirigir o Diretório Central dos Estudantes da UEL. Chapa Sacode a Poeira foi inspirada no jornal e movimento estudantil da década de 70 que enfrentou a ditadura militar em Londrina (PR). 

Helloisa Ramos, Tawana Tayná, Theo Duarte | Redação Paraná


JUVENTUDE Reacendendo a chama da história do Movimento Estudantil na Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná, a chapa “Sacode Poeira: A UEL vale a luta!”, construída pelo Movimento Correnteza, realizou uma campanha eleitoral e uma eleição histórica para a próxima gestão do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da universidade. 

Foram mais de 1.400 estudantes que votaram em todos os departamentos do campus. “É uma responsabilidade imensa. Porque todo mundo sabe que é necessário, um Movimento Estudantil e um DCE fortes pra representar os estudantes. Muita gente não sabia o que era o DCE e ficava animado em saber que existe esse espaço para ser a voz deles e os representar”, disse Vitor Hugo Mendes, estudante do 2 ano de Física e militante do Movimento Correnteza.

Poeira: jornal político de resistência

O Jornal Levanta, Sacode a Poeira e dá a volta por cima – ou apenas Poeira – foi uma publicação feita por cerca de 300 estudantes da UEL entre 1974 e 1978, durante a ditadura militar fascista. Além de ser um jornal, o Poeira se tornou um símbolo e sinônimo do movimento estudantil da UEL naquele período e da chapa que venceu as eleições ao Diretório Central dos Estudantes da época. 

À frente do DCE e de vários diretórios setoriais da UEL, o Poeira elegeu representantes estudantis em conselhos de Administração, Universitário, Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, contradizendo o modelo de ensino superior da ditadura e controlado pela reitoria.

Com o Poeira, os estudantes de Londrina conquistaram o direito à meia passagem de ônibus, derrubaram a obrigatoriedade dos exames finais, derrotaram o projeto de repressão interna e principalmente, lutaram para transformar a universidade em pública e gratuita. Também se somaram aos estudantes brasileiros pela reconstrução da União Nacional dos Estudantes e a União Paranaense de Estudantes na luta pelas eleições diretas para presidente, contra a censura, pela liberdade de imprensa e pelas liberdades democráticas.

DCE de ação na luta pelos estudantes

Quase 50 anos depois, a luta dos estudantes continua. Apesar de o povo ter derrotado a ditadura militar fascista, ainda precisamos lutar por direitos básicos como o fim da escala 6×1, o congelamento do preço dos alimentos e por políticas de permanência estudantil. As 80 vagas oferecidas na moradia estudantil da UEL, por exemplo, são insuficientes para atender aos 15 mil alunos, além do preço do Restaurante Universitário, que atualmente é um dos mais caros do estado e custa R$ 4,70.

“Para levar adiante a luta do Poeira e a combatividade dos camaradas que vieram antes de nós, temos pela frente a tarefa de construir um DCE que seja capaz de envolver todos os Centros Acadêmicos da UEL! Por isso, convidamos a todos os estudantes da Universidade Estadual de Londrina que procure o Diretório Central dos Estudantes, filiem-se ao Movimento Correnteza e à Unidade Popular, tragam suas reivindicações, sugestões e façam parte desta importante entidade. Apenas por meio da nossa organização e da luta pelo socialismo é que sairemos vitoriosos, rumo à conquista de nossos direitos e capazes de escrever um nova história no norte do Paraná”, diz Theo Duarte, estudante da UEL. 

UFAL realiza diplomação póstuma de estudantes mortos pela Ditadura Militar

Cerimônia será na Bienal do Livro, no domingo (9), no Centro de Convenções de Maceió, em Jaraguá.

Comissão da Memória, Verdade, Justiça e Reparação.


No domingo (9), a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) realizará a diplomação póstuma de três estudantes perseguidos e mortos pela Ditadura Militar (1964-1985), na 11ª Bienal Internacional do Livro de AlagoasA solenidade ocorrerá às 10h, na Sala Ipioca do Centro de Convenções de Maceió, e contará com a presença de familiares dos estudantes mortos, autoridades, comunidade acadêmica e  membros da sociedade civil. O evento será gratuito e não precisa de inscrição prévia.

Seguindo o exemplo de outras universidades do país que homenagearam a trajetória de luta dos jovens que foram mortos lutando por justiça e democracia na Ditadura, a Ufal concederá a outorga de grau em cerimônia exclusiva de colação de grau. Serão diplomados postumamente José Dalmo Lins, Gastone Beltrão e Manoel Lisboa, os primeiros estudantes identificados como vítimas de perseguição e repressão do Estado que culminaram em suas mortes precoces. Os familiares receberão as honrarias, constituindo-se este o primeiro ato reparatório da instituição em quatro décadas desde o fim do regime no Brasil.

A diplomação foi aprovada em sessão histórica do Conselho Universitário (Consuni) no dia 1º de abril deste ano, após pauta das docentes conselheiras Iracilda Moura (ICBS) e Emanuelle Rodrigues (ICHCA). A cerimônia será a última fase do processo envolvendo os três discentes, que foi precedido pela admissão da reintegração, também autorizada pelo pleno. Isso foi necessário porque houve afastamento das atividades acadêmicas em virtude das perseguições, impedindo a conclusão dos cursos.

José Dalmo, Gastone Beltrão e Manoel Lisboa eram, respectivamente, estudantes de Direito, Economia e Medicina. Atuavam na luta pelo fim do regime que se estendeu por 21 anos e suspendeu direitos civis, liberdades e a vida de mães, pais, filhos e amigos. Todos os três, assim como milhares de outros brasileiros, foram raptados das ruas e submetidos a torturas e suplícios nas mãos de agentes repressivos do Estado Brasileiro durante o regime. Seus legados de resistência perduram até hoje, e, agora, serão reconhecidos como egressos honorários da Ufal.

Para Emanuelle Rodrigues, presidenta da Comissão da Memória, Verdade, Justiça e Reparação (CMVJR) e uma das autoras do pedido, “a diplomação é um rito necessário que não só homenageia os alunos que deram a vida em nome da luta por democracia e justiça, mas é também um ato simbólico de reparação aos seus familiares (o primeiro, espero) e compromisso com a verdade. A atitude foi acertada, ressaltou a professora, demonstrando um posicionamento corajoso da comunidade acadêmica e seu respeito pela história.

Na avaliação do reitor Tonholo, “a diplomação post-mortem dos estudantes que tiveram suas vidas e trajetórias interrompidas pela violência da Ditadura Militar é um ato de justiça fundamental. Honramos a memória de Gastone Beltrão, Dalmo Lins, Manoel Lisboa e outros jovens alagoanos que, em nosso campus, ousaram lutar por um país mais justo e livre, pagando com a própria vida”, afirma.

Tonholo destaca que a solenidade de diplomação é um reconhecimento tardio, mas fundamental para que a instituição possa reavaliar suas ações passadas e assumir um posicionamento comprometido com a defesa dos direitos humanos e da democracia. A criação da Comissão da Verdade da Ufal foi fundamental, defende o reitor, pois “seu papel é justamente investigar sobre as violações de direitos humanos, resgatar acervos, identificar responsabilidades e garantir que tais atrocidades jamais se repitam”, conclui.

Comissão da Verdade da Ufal apresenta primeiros resultados com foco em comunicação e informação

O evento é parte das ações da CMVJR-Ufal, criada na mesma sessão que aprovou a diplomação, cujo objetivo é investigar as violações de direitos cometidos contra estudantes e servidores da Universidade, assim como propor ações reparatórias. Na ocasião, também será lançado o site oficial da Comissão para que a sociedade possa acompanhar o processo de investigação e o resgate da história institucional e de sua comunidade nos anos da Ditadura. Até lá, o público pode acompanhar as novidades através da página oficial no Instagram.

A diplomação dos três estudantes marca o início do debate sobre as investigações dos atos institucionais no período da Ditadura Militar. Nesse sentido, explica a presidenta da Comissão, Emanuelle Rodrigues, “é possível que sejam identificados outros casos, o que será concluído pelo menos em um período de dois anos, podendo se estender para quatro, conforme resolução do nosso regimento aprovada no Consuni”.

O Relator da Comissão, professor Rodrigo Alcântara, do Campus do Sertão, historiador com vasta pesquisa sobre a Ditadura Militar em Alagoas, apresentará o relatório à Comissão para apreciação e deliberação ao final dos dois primeiros anos regimentais. Caso considere necessária a ampliação do prazo de investigação, a presidência poderá solicitar ao Consuni a extensão do período por tempo igual ao período inicial.

A frente do Grupo de Trabalho (GT) de Comunicação, Emanuelle, que é docente do curso de Relações Públicas e do mestrado em Comunicação, conta com uma equipe de colaboradores que tem atuado no planejamento e execução de atividades de comunicação e eventos. Além disso, contará com um eixo temático de levantamento de dados sobre a comunicação institucional, interna, administrativa, política e de imprensa sobre casos ligados a perseguidos políticos da Ufal.

A Comissão também possui o GT de Acervos, composto predominantemente por membros dos cursos de História, Ciências Sociais e Serviço Social, além de técnicos e estudantes da coordenação do Diretório Central dos Estudantes (DCE) Quilombo dos Palmares. As atividades de mapeamento de setores com documentos necessários já foram iniciadas. Além disso, a Comissão tem realizado reuniões periódicas para planejamento, discussão e realização de depoimentos. Atualmente, está nos trâmites junto à Universidade para publicação de edital de bolsas para alunos de graduação na Comissão e ajudarem nos trabalhos da equipe.

40 anos após fim da Ditadura Militar, familiares recebem diplomas

Professora do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS), Iracilda Moura é marcada até hoje pelas lembranças de seu tio Manoel Lisboa no cotidiano familiar, sequestrado pelos militares quando ela ainda era uma criança. Em relato histórico durante a reunião que aprovou a diplomação, Iracilda resgatou memórias afetivas com seu tio que ressoam no seu presente. “É preciso manter viva a memória daqueles que de forma compulsória sacrificaram sua vida pela democracia e por condições dignas para o povo brasileiro. Esta diplomação é uma iniciativa de destaque para manter presente a memória de Manoel Lisboa de Moura, 52 anos após sua morte.”, ressaltou.

O jornalista, chargista e ilustrador Ênio Lins, familiar do estudante José Dalmo Lins, considera a decisão da Universidade de suma importância. “Trata-se de um gesto de justiça histórica e de cidadania, posto ter sido a Universidade, como um todo, vítima daquele sistema ditatorial. Ao diplomar alunos e aluna que perderam a vida e tiveram seus cursos interrompidos pelo terrorismo de estado, a Ufal ministra uma verdadeira aula magna de cidadania e democracia e se reafirma independente, autônoma, consciente de seu papel educacional e histórico”, destacou.

Para o irmão de Gastone Beltrão, o engenheiro civil e político com longo histórico de atuação no Estado de Alagoas, Thomáz Beltrão, “a entrega deste diploma enche a nossa família de orgulho e é também uma reparação histórica que a Universidade está fazendo com esses jovens. Jovens que têm o seu papel histórico reconhecido, que lutaram de forma destemida, que verteram seu sangue em prol da democracia, da liberdade e da educação pública, gratuita e de qualidade para todos os brasileiros, que é o caminho que a gente tem que trilhar”, concluiu.

Estudantes que receberão a homenagem através de seus familiares

José Dalmo Guimarães Lins – estudante da Faculdade Direito quando foi expulso sob a acusação de envolvimento com atividades subversivas. Ele também atuou como militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) . Foi duramente torturado, o que impactou profundamente em sua saúde física e mental, o que o levou ao suicídio em 11 de fevereiro de 1971, no Rio de Janeiro.

Gastone Lúcia de Carvalho Beltrão – estudante da Faculdade de Economia e militante da Juventude Estudantil Católica (JEC) . Capturada e torturada pelos militares, Gastone foi morta em 22 de janeiro de 1972 por agentes do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (DOPS-SP).

Manoel Lisboa de Moura – estudante da Faculdade de Medicina e teve uma intensa atuação política como aluno e militante, atuando na União Nacional dos Estudantes (UNE), na Juventude do PCB, no Partido Comunista do Brasil (PCdoB), e, posteriormente, no Partido Comunista Revolucionário (PCR) . Foi preso, torturado e viveu na clandestinidade, até ser capturado e torturado até a morte, em 4 de setembro de 1973.

Fonte: Notícias UFAL.

Trabalhadores da Assistência social de Londrina vão às ruas contra corte de R$ 17 milhões

Lei Orçamentária Anual encaminhada à Câmara de Vereadores de Londrina (PR) estima um corte de 12,6% na pasta de Assistência Social para o próximo ano. A medida vai fechar programas importantes e pode demitir até 70 trabalhadores. Entidades e população se revoltam e promovem grandes manifestações.

Jeniffer Seles, Alice Wakai e Victor Casagrande | Redação Paraná


TRABALHADOR UNIDO –  No início de outubro, a população de Londrina foi surpreendida pelo anúncio do corte de R$ 17 milhões nas políticas de assistência social que atendem os mais pobres da cidade: O Projeto de lei que estabelece a LOA (Lei Orçamentária Anual) enviado pelo executivo à Câmara de Vereadores, aponta a redução do orçamento da pasta de R$ 134 milhões para R$ 117,7 milhões, representando 12,6% a menos para o próximo ano. 

O ataque faz parte de um desmonte promovido pelo governo fascista de Tiago Amaral (PSD) que não viu problema em aumentar os super-salários dos secretários municipais em 51% e do vice-prefeito em 139%, mas ameaça a continuidade da assistência social há mais de um ano, por meio da precarização sistemática dos programas sociais e da ausência de repasse no orçamento, que não acompanha a inflação. 

Com o corte, a previsão é que vários programas essenciais como o Movimenta CRAS e o Programa Migrantes, Refugiados, Apátridas deixem de existir já em 2026. Outra área bastante afetada será a economia solidária, cujos investimentos cairão de R$ 1 milhão para R$ 270 mil, além das demissões, que devem chegar a 70 trabalhadores, segundo informação da presidente do Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS), Josiani Severino. Com o fechamento dos programas e a redução do número de funcionários, aqueles que mais precisam do poder público, terão seus direitos negados.

“Eu recebo o PMTR (Benefício Municipal de Transferência de Renda) também e, depois desse corte, não sei se eu vou continuar recebendo. Podem falar que R$ 288 é pouco, mas é uma ajuda que a gente conta todo mês com esse dinheiro, sabe. A gente não dá nem conta de mercado com esse dinheiro, contando a família”, disse Carla, líder comunitária e moradora do Jardim Olímpico ao Jornal A Verdade, durante manifestação.

Prefeitura tenta desmobilizar organização do povo

Assim como em outros municípios do Brasil, em Londrina, muitos serviços públicos essenciais, inclusive relacionados à assistência social, são repassados para organizações privadas como as Organizações da Sociedade Civil (OSCs).

Essa política neoliberal opta por lançar editais para essas entidades privadas desempenharem funções do serviço de assistência social. Frequentemente são escolhidos os que apresentam melhor desempenho, ou seja, as que conseguem arcar com a maior parte das despesas, enquanto a prefeitura representa menos da metade do orçamento. 

O Jornal A Verdade recebeu uma denúncia anônima de que as OSCs estão sendo pressionadas para continuar os serviços apesar da iminente precarização após o corte ou simplesmente podem acabar desistindo de prestar o serviço, livrando o poder público de qualquer responsabilidade. “Isso tudo porque temos à frente da pasta uma secretária que não tem defendido os recursos da Assistência social”, denuncia Maria, trabalhadora do setor.

Cerca de 300 pessoas participaram da reunião pública no dia 15 de outubro. Foto: Fernando Cremonez/Divulgação: Câmara Municipal de Londrina.

 

Povo na rua contra o corte ao Serviço social

A resposta do povo diante destes ataques foi a mobilização. Cerca de 300 pessoas de diversos movimentos sociais, entidades do setor e pessoas que utilizam o serviço lotaram o plenário da Câmara de Londrina (PR) no dia 15 de outubro, contra o corte no orçamento.

O Prefeito Tiago Amaral (PSD) e a Secretária Marisol de Oliveira Chiesa não compareceram, mas mandaram a Guarda Municipal cercar a Câmara Municipal, assustados com a presença massiva da população. “Eu me surpreendi com o movimento todo e eu queria muito que continuasse. Pois já ficamos sabendo que vai ter uma próxima reunião”, declarou Carla.

No dia 20 de outubro, centenas de entidades, movimentos sociais e militantes da Unidade Popular e Olga Benario estiveram presentes em nova manifestação em frente à prefeitura.

O prefeito que estava a tarde toda no gabinete, só apareceu no início da noite para falar com os manifestantes, já a secretária passa férias na Finlândia. Para Vilson Vieira,  presidente do Sindicato dos Empregados em Entidades Culturais Recreativas, de Assistência Social e Orientação do Norte do Paraná, Senalba, não houve avanço nenhum.

“Na prática, nem os secretários, nem o prefeito não fizeram nenhuma proposta no sentido de reverter o corte da assistência, ao contrário, todos permanecem afirmando sobre a necessidade de cortar despesas. Por isso não temos outro caminho a não ser manter as mobilizações. Agora vamos organizar uma assembleia com os trabalhadores e não descartamos uma greve”, disse a um portal de notícias de Londrina.

Política eugenista têm raízes históricas

Ocupada pelos posseiros na década de 30, Londrina sempre foi um território de maioria de pessoas negras e povos indígenas. Ao longo das décadas, os empreendimentos da Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), empresa inglesa de interesse imobiliário e capitalista e o desenvolvimento, estabeleceram-se processos de migração forçada e extermínio das populações que aqui viviam. Este período coincide com o ápice dos discursos eugenistas no Brasil, os quais ecoam nos projetos de segregação espacial e na seletividade no acesso à direitos fundamentais. 

Assim, as áreas centrais e as que foram gentrificadas, majoritariamente habitadas por pessoas brancas e ricas, se consolidaram historicamente como privilegiadas pelo planejamento urbano. Em contrapartida, as zonas periféricas são negligenciadas, as famílias pobres são privadas de ter acesso às creches, escolas, saúde e lazer, explicitando os projetos de vulnerabilização e políticas de morte. Os cortes, somados à crescente violência policial, escancaram a exploração e opressão da classe trabalhadora para manutenção da estrutura social capitalista que privilegia os ricos.

Por isso, não podemos dar nenhum passo atrás! No capitalismo, a fragilidade dos direitos conquistados com tanta luta, visto que são constantemente ameaçados e destruídos, reafirma que a única alternativa é a organização popular, a luta pelo socialismo e por uma sociedade que não se edifique pela exploração da vida da classe trabalhadora e que se aproprie de todas as riquezas e não fique apenas com as migalhas!