UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 3 de abril de 2026
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“Precisamos falar sobre a exaustiva jornada de trabalho, as horas-extras e a escala 6×1, pegando cedo no batente, faça chuva ou faça sol. Enquanto isso, os patrões seguem em casa, ganhando contratos milionários, e nós só temos apenas um dia de folga na semana”

Trabalhadores da limpeza urbana, convocados pelo Sindlimp-PB organizam paralisação contra a escala 6×1 e mais dignidade para a categoria. Paralisação é vitoriosa e conquista redução da jornada de trabalho

Redação PB


TRABALHADOR UNIDO – Iniciada na última semana de março, a campanha salarial dos trabalhadores e trabalhadoras da limpeza urbana da Paraíba segue firme na luta por valorização e dignidade, com a inclusão na pauta de reivindicações do fim da escala 6×1. No último dia 23 de abril, o sindicato da categoria, Sindlimp-PB, coordenou uma paralisação de duas horas na porta de três empresas nas cidades de João Pessoa e Santa Rita para dialogar com os agentes de limpeza e se somar ao Dia Nacional de Luta convocado pelo Movimento Luta de Classes (MLC) e pela Unidade Popular (UP).

“Precisamos falar sobre a exaustiva jornada de trabalho, as horas-extras e a escala 6×1, pegando cedo no batente, faça chuva ou faça sol. Enquanto isso, os patrões seguem em casa, ganhando contratos milionários, e nós só temos apenas um dia de folga na semana”, declarou Radamés Cândido, presidente do Sindicato.

Atualmente, a jornada dos trabalhadores da limpeza urbana é de sete horas e vinte minutos por dia, seis dias por semana. Como é considerado serviço essencial, funciona com turnos e equipes que trabalham praticamente 24 horas por dia nas grandes cidades. É comum ainda a implementação das horas-extras. Com o acelerado crescimento da capital paraibana nos últimos anos, o trabalho só cresce e, o que deveria ser ocasional, torna-se cotidiano. Assim, muitos agentes de limpeza vivem jornadas superiores a 50 horas por semana, especialmente nas equipes de coleta de lixo domiciliar, em que os trabalhadores correm por quilômetros atrás do caminhão.

A proposta de redução da jornada e fim da escala 6×1 vem sendo construída junto à categoria desde o ano passado e é fruto do acúmulo das últimas campanhas salariais vitoriosas. Além de sucessivos reajustes acima da inflação, a categoria obteve o pagamento de 40% de insalubridade para todos os trabalhadores, conquista inédita no país, provando que é possível conquistar mais direitos por meio da luta organizada e combativa.

Por tudo isso, somada às pautas econômicas da categoria (reajuste nos salários e no vale-alimentação, plano de saúde, auxílio-creche, pagamento do vale-alimentação a trabalhadoras em licença maternidade e afastados por acidente de trabalho), a proposta apresentada pelo Sindlimp-PB às empresas e ao Ministério do Trabalho foi de redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com o fim da jornada 6×1, adotando um regime de cinco dias de trabalho, com duas folgas semanais.

A primeira rodada de negociações com as empresas aconteceu nos dias 23 e 24 de abril, logo após a paralisação. Mesmo com o atendimento de algumas pautas econômicas, a pauta do fim da escala 6×1 ainda segue na mesa e na cabeça de cada trabalhador, que deseja lutar para conquistar seus objetivos.

Matéria publicada na edição impressa n° 312 de A Verdade

Trabalhadores realizam atos e paralisações por condições dignas de vida

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Classe trabalhadora organiza atos e paralisações no dia 1° de maio. Redução da jornada de trabalho e fim da escala 6×1 estão no centro das reivindicações

Redação


EDITORIAL – A classe trabalhadora brasileira é uma das maiores do mundo, somando, aproximadamente, 107 milhões de pessoas. Destas, 7 milhões são, segundo os critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), consideradas desocupadas, ou seja, totalmente desempregadas.

Dos cerca de 100 milhões de trabalhadores que, de alguma forma, exercem atividade remunerada, 40 milhões estão na informalidade, sobrevivendo de toda variedade de bicos ou como camelôs, catadores de material reciclável, carregadores, etc. Somam 6 milhões os trabalhadores domésticos (92%, mulheres); quase 13 milhões são funcionários públicos; e mais de 39 milhões possuem carteira assinada. Do total de trabalhadores, 60% possuem renda de até um salário mínimo (R$ 1.518,00).

Esse é o retrato do Brasil mostrado pela última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo IBGE no final de janeiro.

Mas façamos um exercício de comparação: 47 milhões de trabalhadores e trabalhadoras na informalidade ou desempregados é maior que toda a população da Argentina (45 milhões), da Ucrânia (44 milhões) ou do Canadá (37 milhões), países que figuram entre os 40 mais populosos do mundo. Ou seja, o Brasil possui uma imensa nação de proletários sem direitos, com trabalhos extremamente precarizados e cumprindo jornadas desumanas.

Mesmo aqueles trabalhadores que estão com carteira assinada – como é o caso dos trabalhadores da limpeza urbana (veja matéria abaixo e página 2) –, muitos estão afundados em dívidas no cartão de crédito (para alegria dos banqueiros) e vivendo miseravelmente. Até a Organização Internacional do Trabalho (OIT) está aplicando um novo conceito, “trabalhadores pobres”, referindo-se às pessoas que, mesmo exercendo empregos formais, estão vivendo abaixo da linha da pobreza.

Também entre os servidores públicos (como A Verdade mostra nesta edição nas páginas 6 e 7), muitos estão em estado de mobilização ou de greve para enfrentar a carestia que corrói seus salários, ou ainda se organizando junto ao Movimento Luta de Classes (MLC) para colocar seus sindicatos no rumo da luta.

Fim da escala 6×1

Só neste ano de 2025, ocorreram dois Atos Nacionais pelo Fim da Escala 6×1, convocados pelo MLC e pela Unidade Popular (UP). O primeiro, no dia 19 de março (ver A Verdade nº 310), e o mais recente no dia 23 de abril. Os atos contaram com forte adesão de movimentos sociais e também dos funcionários de shoppings nos 60 municípios onde ocorreram.

No Estado de São Paulo, 14 shoppings foram ocupados com os atos. Na região metropolitana da capital, as três ocupações realizadas somaram cerca de mil pessoas. “A escala 6×1 é muito cansativa. Eu também trabalho em shopping e a gente só trabalha, é muita exploração. Eu acho que essa manifestação aqui é o começo de tudo. A gente que faz girar a economia do país. Se a gente não se juntar, nada muda”, denunciou Camila, que estava no Shopping Bandeiras, em Campinas (SP). No mesmo tom, Mariana, ouvida pela reportagem no Shopping Metrô Tatuapé, afirmou: “Trabalhei cinco anos em shopping, é uma escravidão. A gente tem que fazer de tudo pra acabar com essa escala maldita o mais rápido possível”.

No Nordeste, houve atos em todas as capitais. “Foi muito importante ter feito esse ato contra a escala 6×1 para denunciar a exploração dos trabalhadores, especialmente no setor de serviços. Conseguimos fazer essa denúncia, apesar da truculência das empresas e dos donos dos shoppings, que recai tanto contra os trabalhadores quanto contra essa luta”, avaliou Cassiano Bezerra, diretor da UNE que participou da manifestação em Recife, no Shopping Boa Vista. Em Porto Alegre (RS), uma centena de pessoas ocupou um shopping. Em Santa Catarina e no Paraná também ocorreram manifestações.

Em Brasília (DF), os manifestantes foram abordados com violência pelos seguranças do shopping Conjunto Nacional, que tentaram impedir o ato. No entanto, o apoio de trabalhadores e clientes do espaço fez com que o ato seguisse.

O roteiro se repetiu em outras capitais do país, além de cidades do interior. É o caso do Estado do Rio de Janeiro, onde pelo menos três cidades tiveram shoppings ocupados. Atos ocorreram no Shopping Nova América, na capital, no Caxias Shopping e em um shopping de Cabo Frio. “É bem complicado, ainda mais pra quem tem filho e pra quem estuda. Um dia só não dá pra fazer nada e ainda tem a questão dos lugares que não pagam feriado. Os horários também são muito cansativos, eu saio às 23h30”, afirmou Ingrid, trabalhadora do Caxias Shopping.

Durante os atos, muitos trabalhadores dos shoppings levaram espontaneamente ao jornal A Verdade denúncias de folgas cortadas por seus chefes, o surgimento de problemas de saúde mental e física, horas não pagas, e muitos outros problemas. Há muitos casos em que são obrigados a trabalhar 15 ou 20 dias sem descanso, contando com apenas uma ou duas folgas por mês. Nesses locais de trabalho, a situação se agrava durante feriados prolongados e datas comemorativas, como aconteceu recentemente na Páscoa.

Além da falta de folgas, os trabalhadores da escala 6×1 são submetidos a uma realidade cruel no transporte público. Muitos gastam duas ou até mais horas por dia durante o deslocamento de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Esse cenário, agravado pela privatização dos transportes públicos e os sucessivos aumentos de passagem nos ônibus e trens, torna ainda mais difícil a vida desses trabalhadores.

Por toda essa situação, o proletariado no Brasil e no mundo se mobiliza para enfrentar as consequências da crise do sistema capitalista, que precisa explorar mais e mais para alimentar a sanha de lucros da burguesia. Em torno deste 1º de Maio, Dia Internacional da Classe Trabalhadora, milhões saíram e continuarão a sair às ruas para erguer suas bandeiras históricas: a redução da jornada de trabalho e o socialismo.

Matéria publicada na edição impressa n° 312 de A Verdade 

Estudantes da UFRJ assumem controle do bandejão para fortalecer greve dos trabalhadores

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Estudantes organizados no movimento estudantil assumem o controle do Restaurante Universitário na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em apoio a paralisação de trabalhadores terceirizados, que há semanas estão com o salário atrasado.

Matheus Monteiro | Rio de Janeiro (RJ)

No dia 11 de abril, trabalhadores terceirizados da empresa Nutryenerge, responsável pelos restaurantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), organizaram uma paralisação em suas atividades devido ao atraso de semanas no pagamento dos seus salários. Diante dessa situação, trabalhadores indignados também procuraram o Diretório Central dos Estudantes da UFRJ para fortalecer a denúncia.

Os atrasos nos pagamentos dos trabalhadores são frequentes. Aliás, por mais que a UFRJ garanta o pagamento integral à empresa, a Nutryenerge comete esses calotes alegando ter problemas de fluxo de caixa que a impede de pagar os trabalhadores. Ao mesmo tempo, a Nutryenerge anunciou, há algumas semanas, a abertura da contratação de novos funcionários. A realidade é que a empresa lucra muito com a gerência do serviço dos Restaurantes Universitários (RUs), mas a garantia dos direitos trabalhistas não é prioritária.

Bandejão ocupado

No próprio dia 11 de abril, frente às movimentações dos terceirizados, os estudantes da UFRJ, orientados pelo DCE Mário Prata, tomaram a decisão política de fortalecer a paralisação dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, de garantir a alimentação para dezenas de milhares de estudantes, organizando os chamados “calotaços”.

Utilizando comida que já estava pronta previamente, os estudantes serviram as refeições, lavaram a louça e limparam as mesas do Restaurante Universitário Central, na Ilha do Fundão, a todo momento realizando agitações denunciando o absurdo que estava acontecendo com os trabalhadores e quais são os planos da Reitoria para aumentar o preço do bandejão.

A partir da pressão da paralisação e do “Calotaço”, a empresa efetuou o pagamento de 50% do salário dos trabalhadores e prometeu pagar a outra metade até o dia 18 de abril. Esta ação viola a legislação trabalhista, que impede o pagamento parcelado do salário, mas demonstrou que o caminho para a garantia dos direitos seria o caminho da luta.

Jornada de luta

No dia em que o Bandejão Central foi ocupado pelos estudantes, o pró-reitor de Políticas Estudantis da UFRJ, Eduardo Mach, afirmou em entrevista ao Portal G1, que “a UFRJ passa por dificuldades orçamentárias muito grandes, mas, em função do compromisso com a assistência estudantil, não atrasamos o pagamento dessa empresa”. Ou seja, a empresa já recebeu o valor referente ao seu contrato e, mesmo assim, não cumpre com suas obrigações. Indignados por essa situação, trabalhadores e estudantes seguiram com o espírito de luta.

A mobilização se espalhou por toda a universidade. No dia 14, o bandejão do IFCS-IH, localizado no Centro do Rio de Janeiro, foi ocupado pelos estudantes e trabalhadores em paralisação. No dia 15, o RU do prédio de Letras, localizado no campus da Cidade Universitária, também entrou em paralisação e operou em “Calotaço”. No dia 16, a mobilização eclodiu em todos os seis RUs da UFRJ da capital fluminense. Centenas de estudantes de todos os campi atenderam ao chamado do DCE e se somaram na organização da operação dos Restaurantes Universitários, juntamente com seus Centros Acadêmicos que organizaram o “Calotaço”.

A luta conquista 

Além da organização de um espaço de gestão coletiva a partir dos “Calotaços”, o DCE da UFRJ lançou também a campanha “Terceirizado não é escravo”, arrecadando recursos com os estudantes na fila, professores e sindicatos para fazer a compra e distribuição de cestas básicas aos trabalhadores necessitados.

Após esta incansável jornada de mobilização, com panfletagens, paralisações, ocupação da sede da empresa, cobranças à Reitoria, o restante do salário dos trabalhadores foi depositado nas contas na manhã do dia 17, quando trabalhadores e estudantes já estavam prontos para mais um dia de ação geral nos RUs.

“Sabíamos que se não fosse através da pressão unificada dos estudantes e trabalhadores, a empresa continuaria a dar voltas e voltas na gente, por isso, desde o início, mantivemos contato com os funcionários da empresa planejando as mobilizações para garantir tanto a nossa alimentação quanto a paralisação dos trabalhadores”, afirmou Henderson Ramon, coordenador-geral do DCE.

Apesar de toda justeza da mobilização, a Reitoria da Universidade ainda lançou uma nota vexatória em e-mail para todo o corpo universitário, difamando a mobilização dos trabalhadores e estudantes. De acordo com a administração da universidade, a saúde dos estudantes foi posta em risco pelo comando dos RUs, nada falando da possibilidade de os estudantes ficarem sem comida durante vários dias letivos.

Retrato da terceirização

O modelo de terceirização de setores de órgãos públicos foi um dos maiores ataques ao povo brasileiro que os últimos governos do país instauraram. Após o aprofundamento dos cortes de verbas das áreas sociais nos governos de Temer (2016-2018) e de Bolsonaro (2019-2022), os órgãos públicos não têm capacidade de recontratar diretamente esses trabalhadores terceirizados. Esse modelo já provou que nada tem a oferecer aos trabalhadores além de precarização e perda dos direitos. 

Hoje, a UFRJ conta com mais de três mil trabalhadores terceirizados que se espalham nas funções de limpeza, segurança patrimonial, manutenção e nos restaurantes universitários. Essas pessoas são submetidas a jornadas exaustivas de trabalho em troca de um salário mínimo.

Sem esses trabalhadores, a maioria dos serviços que a UFRJ oferece à sociedade seriam suspendidos. No entanto, as empresas terceirizadas e a administração da universidade ignoram as reivindicações dessas pessoas. 

A mobilização dos terceirizados e estudantes da UFRJ provou que a luta popular é capaz de gerir os serviços e setores da sociedade, e que não precisamos nem um pouco dessa classe parasita que são os patrões, CEOs, acionistas e burgueses donos de empresas. Em alguns dias de luta, o movimento estudantil e os trabalhadores unidos mostraram que não precisam da chamada “iniciativa privada” para gerir os recursos da universidade. 

 

 

Matéria publicada na edição impressa n° 312 de A Verdade

Falece Sebastião Salgado, fotógrafo do povo e do mundo

CULTURA – Faleceu, aos 81 anos, neste 23 de maio de 2025, o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado. Economista de formação, dedicou-se à fotografia documental por mais de quatro décadas e deixou um imenso legado para o conhecimento do mundo contemporâneo e o reconhecimento da identidade do povo brasileiro.

A seguir, republicamos um artigo publicado por A Verdade em 2016.

Em 1973, um casal de brasileiros exilados pelo regime militar encontrava-se na cidade de Genebra, Suíça, à procura de câmeras fotográficas para que a moça pudesse tirar fotos de prédios requeridos em seu curso de Arquitetura. De volta à França, onde estavam morando, foi o rapaz quem se sentiu mais feliz por ter o equipamento em mãos. O nome do casal é Lélia e Sebastião Salgado, que se tornou um dos maiores fotógrafos da história do fotojornalismo. Autor de trabalhos como Serra Pelada, Trabalhadores, Êxodos, Outras Américas e Terra, Sebastião é conhecido por realizar um trabalho de denúncia à exploração, opressão e destruição que se passa no mundo, fruto do sistema capitalista, e por retratar a ideia do que seria um mundo novo, marcado pela simplicidade e pela humanidade coletiva.

Trajetória Política

Natural da cidade de Aimorés, interior de Minas Gerais, Salgado teve uma infância marcada pelo contato com as maravilhas naturais. “A fazenda do meu pai era grande e autossuficiente. Às vezes, a estação chuvosa provocava deslizamentos de terras e ficávamos isolados por um mês, mas éramos autossuficientes, não nos faltava nada. Lá viviam cerca de 30 famílias e ninguém era rico nem pobre”.

Aos 15 anos, mudou-se para Vitória, Espírito Santo. Foi aí que conheceu as contradições de uma sociedade marcada pela divisão em classes: “Vimos o surgimento das desigualdades sociais: até aquele momento, eu não tinha consciência delas, pois eu vinha de um mundo que não havia ricos nem pobres, e com o sistema industrial, a gente do campo descobriu nas cidades uma vida completamente diferente, a maioria caiu na pobreza”.

Assim, sua consciência de classe e de outros de seus amigos tive um despertar: “Comecei a ter muitos amigos militantes nos partidos de esquerda (…), alguns de nós militavam em associações como a Juventude Operária Católica. Dessas instituições cristãs de esquerda nasceram partidos muito mais radicais, como a Ação Popular, à qual aderi. Esse grupo tinha ideias cubanas e estava disposto a iniciar a luta armada”. Então ele começou a ver que o aprofundamento da luta de classes chegara ao nível máximo com a ditadura fascista. “Houve na população um enorme movimento de contestação contra essa ditadura e contra todas as violações que ela cometeu (…). O sentimento de revolta foi tal que nosso engajamento, o de Lélia e o meu, se radicalizou ainda mais. Participamos de todas as manifestações e de todas as ações de resistência à ditadura e estávamos, ao lado de nossos camaradas, ferozmente determinados a defender nossas ideias”.

Com o aumento da perseguição e das torturas, foi necessário que a Ação Popular adotasse novas táticas para preservar seus militantes. “Nosso grupo decidiu que os mais jovens, dos quais fazíamos parte, deviam ir para o exterior, para se formar e continuar agindo de lá, enquanto os que tivessem mais maturidade entrariam na clandestinidade”. Os dois acabaram viajando à Europa.

Retratista e denunciador

Após viajar para a França, Sebastião Salgado se distanciou das organizações políticas revolucionárias brasileiras, porém, não deixou de dedicar sua vida e seu trabalho às causas populares. “Quando me perguntam por que eu cheguei à fotografia social, eu respondo: foi como um prolongamento do meu engajamento político e de minhas origens (…). Lélia e eu constatamos que o mundo está dividido em duas partes: de um lado, a liberdade para aqueles que têm tudo, do outro, a privação de tudo para aqueles que não têm nada. E foi esse mundo privado de tudo que eu decidi retratar, por meio de minhas fotografias”.

Dentre os lugares fotografados por Salgado, um dos principais foi Ruanda, na África. Sua primeira viagem a Ruanda foi em 1971, quando trabalhava na Organização Mundial do Café. Depois de terminada sua missão de trabalho, voltou lá duas vezes: na primeira, realizou várias reportagens fotográficas, que depois ajudaram na formação do álbum de fotos África, lançado em 2007. Já na segunda vez, em 1992, presenciou um dos conflitos mais sanguinários do século passado. “Quando desembarquei em Benako, no nordeste da Tanzânia, 100 mil refugiados (de Ruanda) já estavam lá, em poucos dias, eles eram um milhão (…). Em meio àquele desastre, vi coisas terríveis, algumas, inesquecíveis. Perto do Kagera, rio que separa Tanzânia e Ruanda, vi dezenas e dezenas de cadáveres passando por debaixo de uma pequena ponte. Havia uma queda d’água de onde caíam corpos sem parar e que depois entravam num turbilhão. Era horrível”.

No total, esta guerra que ocorreu entre as tribos tutsis e os hutus, estes últimos apoiados e financiados pelo imperialismo francês, rendeu em torno de 800 mil mortos. Alguns desses relatos foram também para o livro África, que, muito mais que simplesmente mostrar um conflito, denunciava a sua superestrutura socioeconômica. “A guerra havia ocorrido por pretextos étnicos. Mas, para além dela, havia algo mais: uma história de pobreza. De exploração, uma história que eu conhecia havia muito tempo”.

Outro trabalho importante foi Êxodos, um projeto fotográfico feito em parceria com organizações humanitárias como a UNHCR e a Unicef. “Êxodos me mobilizou por cerca de seis anos, ao longo dos quais percorri diversos países, da Índia à América Latina (…). Em toda parte constatei, com muita tristeza, a degradação das condições de vida. Vi ilhas de riqueza num oceano de pobreza”. O trabalho fotográfico foi feito no intuito de registrar o fluxo imigratório das pessoas em busca de condições de trabalho. “As pessoas são deslocadas essencialmente pelas mesmas razões econômicas que favorecem uma minoria, enquanto uma maioria se torna miserável (…). Em toda parte a superpopulação amplia os mesmos males: precariedade, violência, epidemias… Às vésperas do terceiro milênio, eu quis mostrar essas pessoas em trânsito, sua coragem diante do desenraizamento, sua incrível capacidade de adaptação a situações em geral muito difíceis”.

No Brasil, seu grande trabalho foi o lançamento de Terra, um projeto fotográfico que Sebastião classificou como “um verdadeiro manifesto escrito a quatro mãos para o MST”. Passados esses 15 anos dos registros de Terra, foram feitas várias exposições-vendas nos quatro continentes do planeta com o objetivo tanto de coletar fundos e divulgar a história desses “combatentes da terra”, e todo rendimento das exposições foi dado ao MST.

É nessa tentativa de construir um mundo mais justo e habitável, que ele realiza seus trabalhos: “Nenhuma foto, sozinha, pode mudar o que quer que seja a pobreza do mundo. No entanto, minhas imagens fazem parte de um movimento mais amplo de denúncia da violência, da exclusão e da problemática ecológica. Esses meios de informação contribuem para sensibilizar aqueles que contemplam a respeito da capacidade que temos de mudar o destino da humanidade”.

Bruno Silvestre é militante da UJR

Israel assassina 5 jornalistas e mais de 100 pessoas em uma noite

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Em poucas horas, os jornalistas Abdul Rahman al-Abadilah, Aziz al-Hajjar, Ahmed al-Zainati, Khaled Abu Seif e Nour Qandeel foram mortos em ataques aéreos israelenses em várias partes da Faixa de Gaza, junto com membros de suas famílias.

Wildally Souza | São Paulo (SP)


Pelo menos cinco jornalistas palestinos e dezenas de civis foram mortos pelo estado assassino e fascista de Israel em Gaza durante a madrugada do último domingo (18/5). Os ataques fizeram parte de uma escalada brutal das tropas de Benjamin Netanyahu contra tendas que abrigavam pessoas deslocadas e hospitais na Faixa de Gaza.

A carnificina ocorre depois que Israel anunciou o início de uma nova operação em Gaza, chamada de Carruagens de Gideão (מרכבות גדעון), onde o fascista Netanyahu ameaçou acabar de uma vez por todas com o povo palestino.

Em poucas horas, os jornalistas Abdul Rahman al-Abadilah, Aziz al-Hajjar, Ahmed al-Zainati, Khaled Abu Seif e Nour Qandeel foram mortos em ataques aéreos israelenses em várias partes da Faixa de Gaza, junto com membros de suas famílias.

Quem são e como Israel assasinou os 5 jornalistas palestinos

Jornalistas palestinos assassinados por Israel denunciavam o genocídio sionista. Foto: JAV/SP.
Jornalistas palestinos assassinados por Israel denunciavam o genocídio sionista. Foto: JAV/SP.

Abdul Rahman al-Abadilah –  عبد الرحمن توفيق العبادلة

30 anos de idade, denunciava através de suas lentes o massacre de crianças palestinas quando perdeu contato com sua equipe e familiares. Seu corpo foi encontrado nos escombros da cidade de Al-Qarara, ao norte de Khan Younis.

Abdul Aziz al-Hajjar – عزيز الحجار

31 anos de idade, era fotógrafo e cinegrafista.  Foi morto junto com sua esposa e filhos em um bombardeio israelense em sua casa na área de Al-Saftawi, ao norte da Cidade de Gaza.

Ahmed al-Zainati – أحمد الزيناتي

Morto junto com sua esposa Noor Al-Madhoun e seus dois filhos pequenos, Mohammed e seu bebê Khaled, em um ataque aéreo israelense contra tendas de deslocados no campo de Sanabil, próximo ao Hospital Especializado do Kuwait em Mawasi Khan Younis (uma suposta “zona segura”).

De acordo com Mohammed Mohsen, um jornalista local entrevistado pelo The New Arab, Al-Zainati foi deslocado diversas vezes desde o início da guerra e finalmente se estabeleceu perto da costa, esperando que a praia pudesse fornecer alguma proteção: “Ele sempre carregava sua câmera, mesmo quando não tinha mais nada”, (…) “Ele queria que o mundo visse o que estávamos vivendo.” Não se tem informações sobre sua idade.

Khaled Abu Seif e Nour Qandeel – خالد أبو سيف e نور قنديل

Khaled e Nour eram casados e ambos jornalistas. Ele 30 anos de idade, ela 26 anos. Foram assassinados junto a sua filha pequena em um ataque aéreo israelense à sua casa em Deir al-Balah. Segundo Al Manassa, a explosão destruiu várias casas próximas em um raio de 500 metros.

Israel intensifica genocídio e sitia Gaza

Além dos jornalistas, mais de 100 palestinos foram mortos em uma série de ataques aéreos israelenses contra barracas e prédios que abrigavam civis deslocados na região costeira de Al-Mawasi, no sul de Gaza. Imagens terríveis de corpos de crianças, incluindo alguns carbonizados a ponto de não serem reconhecíveis, veiculadas em hospitais, inundaram as redes digitais após o ataque na manhã de 18 de maio.

A área de Al-Mawasi, antes considerada uma “zona segura”, tem sido bombardeada implacavelmente por Israel, que tem promovido uma política fascista de violência máxima contra o povo palestino, com financiamento dos Estados Unidos e da União Europeia. Com o aumento dos ataques, os hospitais que quase já não funcionavam estão tendo dificuldades para tratar os palestinos feridos que continuam chegando às suas portas.

Pelo menos 10 ataques israelenses atingiram as proximidades do Hospital Al-Awda, no norte de Gaza, destruindo grandes partes das instalações, de acordo com o diretor do hospital, Mohammad Salha, que descreveu a situação como “extremamente crítica” e disse que as cirurgias foram interrompidas devido à incapacidade das equipes médicas de chegar ao local.

O Hospital Indonésio, no norte de Gaza, onde a ofensiva é muito maior, também está sob bombardeio contínuo desde a madrugada de domingo. Em comunicado administrativo, o diretor do hospital, Marwan Sultan, disse que tropas israelenses cercaram o hospital, acrescentando que soldados e drones quadricópteros estão atirando em qualquer pessoa, ferida ou não, que se aproxime ou esteja dentro do hospital, incluindo a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Um estado de pânico e confusão prevalece entre pacientes, feridos e equipe médica, dificultando gravemente a prestação de cuidados médicos de emergência… O cerco ao hospital está impedindo a chegada dos feridos, em meio a massacres crescentes. A ocupação está intensificando sua campanha sistemática para atacar hospitais e forçá-los a fechar”, afirmou o Ministério da Saúde em Gaza.

Pelo menos 125 pessoas foram mortas desde o amanhecer, de acordo com a Al-Jazeera. Desde a madrugada deste domingo, Israel intensifica e continua a sitiar toda Gaza e impedir a entrada de ajuda humanitária.

Estamos vendo um verdadeiro extermínio de todo um povo, que com muita bravura e apesar de enlutados por seus amigos e familiares, não se rendem. Netanyahu e Trump avançam seus planos malignos e racistas contra um povo sofrido, humilhado e pobre.

O que vemos hoje na Palestina não é uma guerra, como pinta propositalmente a mídia burguesa, mas um genocídio televisionado e legitimado por governos, a própria mídia e pessoas sanguinárias, que se alimentam do sangue dos martíres palestinos para promoverem seus pensamentos e ideologias criminosas e barbáras.

Justiça determina desapropriação da Casa da Morte em Petrópolis

Após 40 anos de luta, justiça desapropria Casa da Morte, antigo centro de tortura, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio. Espaço deverá se tornar espaço de memória das vítimas da Ditadura Militar Fascista.

Christian Nunes e Felipe Annunziata | Petrópolis (RJ)


BRASIL – Nesta quinta-feira (22/05), a 4ª Vara Cível determinou a desapropriação da Casa da Morte e passou sua posse para a Prefeitura, que deverá transformá-lo em um Espaço de Memória, Verdade e Justiça. Esta decisão é fruto de uma luta histórica de muitos anos feita por diversos movimentos sociais na cidade.

A Casa da Morte funcionou como um centro clandestino de torturas na Ditadura Militar. A única sobrevivente foi a guerrilheira Inês Etienne Romeu, que resistiu a bárbaras torturas e conseguiu fugir, conseguindo denunciar o local.

Sua contribuição com a investigação sobre os crimes da ditadura permitiu que a casa se tornasse um espaço importante a ser disputado pelos partidos e movimentos sociais.

A transformação da Casa da Morte em um espaço de Memória, Verdade e Justiça é muito importante, pois e um local ainda muito desconhecido pela população petropolitana e pelo povo brasileiro, mas que permite reacender a memória sobre a Ditadura Militar Fascista.

Manifestação em 2015 já pedia desapropriação do imóvel usado como centro de tortura. Foto: Arquivo JAV

Luta pelo direito à Memória e Verdade avança 

A desapropriação do espaço da antiga Casa da Morte mostra também o avanço da luta pelo direito à Memória e Verdade em todo país.

Ao mesmo tempo em que a decisão favorável da justiça ocorreu, em Minas Gerais, movimentos sociais e partidos ocupam a mais de 50 dias a antiga sede do DOPS-MG, transformando o local em Memorial dos Direitos Humanos.

A pressão de movimentos populares, organizações políticas e de famílias vítimas da Ditadura tem aumentado no último período. A vitória de ontem é resultado de décadas de luta e denúncia dos crimes dos militares fascistas que governaram o país entre 1964 e 1985.

Honestino Guimarães, presidente da UNE assassinado pela ditadura militar

Conheça a história de Honestino Guimarães, herói da luta contra a Ditadura Militar Fascista.

Leo Ribeiro e Raissa Studart | Brasília


“A perseguição dos exploradores não me intimida”

HERÓIS DO POVO BRASILEIRO – Honestino Monteiro Guimarães, Gui, nasceu no dia 28 de março de 1947 em Itaberaí, interior de Goiás, filho de Benedito e Maria Rosa, irmão de Luiz Carlos e Norton. Honestino e seus irmãos foram ensinados desde cedo a estudar muito, cultivar a solidariedade com o povo desassistido pelo governo local e soprar velas de aniversário em cima de um bolo com a bandeira da União Soviética.  

Com a construção da nova capital no governo Juscelino Kubitschek e as promessas de estabilidade financeira que chegavam por ondas de rádio, os Monteiro Guimarães seguiram o mesmo caminho percorrido por tantas outras famílias dos interiores brasileiros e se despediram para sempre da vida caipira. Em 1960, fixaram-se no centro de Brasília, numa casa do primo de Honestino.  

Luta estudantil 

Sempre bom aluno, Honestino se destacou rapidamente na nova escola, o Centro de Ensino Médio Elefante Branco. Lá, fundou o grêmio estudantil, que carrega seu nome até hoje. Organizou com amigos a distribuição de um jornal dos estudantes, a fim de suscitar o pensamento crítico referente à situação do país e do sistema educacional, porém as atividades foram interrompidas pelo secretário de educação do DF que visitava o colégio, e logo tratou de interditar a circulação do jornal. Consequentemente, Honestino e seus amigos levantaram piquetes para impedir a entrada do secretário e o liberaram somente quando o último exemplar do jornal foi vendido. 

Dois anos mais tarde, Honestino e o irmão são admitidos no Colégio Integrado de Ensino Médio (CIEM), fundado por Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira com o objetivo de inaugurar um inovador sistema de ensino que buscava exercitar a autonomia do aluno. Lá, Honestino funda o grêmio e ajuda na criação do Conselho de Representantes. A experiência secundarista chegava ao fim com a aprovação em primeiro lugar no curso de Geologia. Honestino teria sua primeira aula como aluno da UnB em 1966.

Liderança universitária 

O incêndio da sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Rio de Janeiro, foi um dos primeiros atos do golpe militar, demonstrando a disposição dos militares em reprimir os estudantes. Na UnB, a impossibilidade legal de se formar um Diretório Central dos Estudantes (DCE) livre foi driblada pelos estudantes através da Federação dos Estudantes da Universidade de Brasília (Feub). Um ano depois que Honestino entrou na graduação, ocupou o cargo de presidência da entidade, denunciou a opressão imperialista americana, organizou passeatas e panfletagens. 

A Passeata dos Cem Mil, em 26 de junho de 1968 no Rio de Janeiro, foi uma forte resposta ao assassinato do Edson Luís. Um mês depois, era Brasília que entrava em ebulição com uma grande manifestação em 28 de julho lotando a Avenida W3 Norte. A ditadura aumenta seu grau de perseguição e Honestino não teria sequer mais um mês de paz. Em agosto do mesmo ano, o Exército invade o campus universitário e o prende junto a outros 60 colegas. 

Ainda preso, faltando apenas um trimestre para se formar, em setembro de 1968, Honestino foi expulso da Universidade em decorrência da sua atuação política. Pouco tempo depois, em fevereiro de 1969, foi expedido o decreto 477, que justificava a expulsão de estudantes e professores que realizassem qualquer ato “subversivo” como passeatas ou distribuição de panfletos.

Vida clandestina 

Após quatro meses preso, é solto e, às vésperas da instauração do AI-5, em dezembro de 1968, Honestino e Isaura fogem para o Estado de Goiás. O jovem casal não podia passar muitos dias no mesmo lugar e, dependendo de amigos para garantir moradia e alimentação, foi de Goiás para São Paulo. 

Ele assumiu a vice-presidência da UNE em 1969, na gestão de Jean-Marc von der Weid, e dois anos mais tarde, em 1971, foi eleito presidente. Cumpria, na clandestinidade, suas tarefas na UNE e militava na Ação Popular Marxista-Leninista.

Em meio a um mundo de incertezas e temores, nasce sua filha Juliana, em 1970. A clandestinidade seguia necessária na luta contra a ditadura, de modo que Honestino e Isaura decidem se separar pouco depois de se tornarem pais. Gui cada vez mais se preparava para caso fosse preso e torturado. Mesmo correndo riscos, não deixava de ir aos grupos de estudos, de produzir poesias e de participar de assembleias estudantis.

Em janeiro de 1973, esteve junto da mãe pela última vez. Entregou uma denúncia, batizada de “Mandado de Segurança Popular”, documento a ser distribuído às entidades de promoção dos direitos humanos, a fim de que pudesse gerar alguma comoção para garantir a sua integridade física. O Mandado compunha uma denúncia ao aparelho de repressão, das injustiças a que estava submetido, além de compartilhar seus ideais e suas motivações para a luta. 

 No dia 10 de outubro de 1973, Honestino saiu para encontrar um camarada e nunca retornou. Três dias depois, sua mãe, Maria Rosa recebeu a notícia, em código, por telegrama, “Honestino foi internado no Rio”. Na mesma madrugada, ela contatou Gusto, novo parceiro de Isaura, para a divulgação do Mandado, mas nenhum jornal aceitou publicá-lo. Quando se discutia qual o maior legado deixado por Honestino, Maria Rosa jamais hesitou: “Ele não deixou a UNE morrer”.

Em 1979, na cidade de Salvador (BA), no congresso de reconstrução da UNE, com mais de 10 mil participantes, foi colocado um gigantesco painel com a sua foto e deixaram, na mesa que presidia os trabalhos, uma cadeira vazia em sua homenagem.

Memória, Verdade e Justiça 

As ameaças por participar do movimento estudantil eram grandes. Honestino sabia dos riscos envolvidos e se preparou física e mentalmente, como relatou em sua carta: “A perseguição dos exploradores não me intimida. Recebo-a como uma evidência de que é justo o caminho que trilho”.

Honestino era um quadro revolucionário marxista, com profunda convicção na luta e com clareza do papel das massas no processo de derrubada da ditadura e da construção do socialismo: “Sei que a luta será longa e árdua. Mas acredito firmemente na força da atuação coletiva das massas. E esta luta sem a real participação das massas trabalhadoras não nos levará a nada”.

Sua integridade e compromisso com a revolução brasileira é evidente pelo fato de que, mesmo sob tortura, não revelou os segredos da organização: sua prisão não gerou outras e o apartamento em que morava com sua namorada, Rosa, nunca foi encontrado pela repressão. 

Os processos correram em sigilo por décadas. Para a família, todos aqueles anos em luto pareciam uma angústia infinita. “Sem liberdade pela metade” foi a palavra de ordem durante a votação da Lei da Anistia. Reparação pode ser diferente de justiça, ou de liberdade, mas, para a família de Honestino, até as reparações pareciam vir sempre pela metade. Vinte e dois anos depois de seu desaparecimento, sua mãe recebe a certidão de óbito de Gui, que não indicava a causa da morte, nem o médico atestante ou o local do corpo. 

No dia 28 de março de 2025, Honestino faria 78 anos, e o legado das suas lutas por uma sociedade justa e democrática vive em todos nós. É por isso que, junto de sua família e de todas as outras famílias de mortos e desaparecidos políticos, lutamos pela revisão da Lei da Anistia. Sem uma justiça de transição, não será consolidada a democracia e estaremos sempre reféns das forças armadas e suas tentativas recorrentes de golpe. É necessária a punição dos golpistas e torturadores de 1964 e de hoje para que nunca mais se repita tamanha violência contra o povo brasileiro. 

Os fascistas militares achavam que assassinando Honestino acabariam com seus ideais. Erraram! Honestino vive! Cada dia está mais vivo e suas ideias estão cada vez mais presentes nas novas gerações. Desde 1997, seu nome estampa o histórico DCE da UnB, além do Museu Nacional da República Honestino Guimarães, localizado no coração de Brasília, e até a ponte que carregava o nome do ditador Costa e Silva hoje leva o seu nome. 

Honestino se manteve firme até os últimos momentos, como demonstra em sua carta: “Tenho vivido estes anos por um ideal que vem se mantendo aceso, creio, jamais se apagará – a luta pela causa do povo”.

  • Referência: Almeida, Betty. Paixão de Honestino Guimarães. Brasília: Editora UnB, 2016. 

Matéria publicada na edição n° 311 do Jornal A Verdade.

 

6º Congresso do MLB foi um marco na luta popular no Brasil

Congresso do MLB reúne representantes de todo país para debater avanço na luta em defesa da moradia e do socialismo.

Tiago Lourenço | Contagem (MG)


LUTA POPULAR – Entre os dias 10 e 13 de abril, ocorreu o 6º Congresso Nacional do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), na cidade de Contagem (MG), local histórico da primeira grande greve operária na ditadura militar fascista. Com a palavra de ordem “Unir o povo na luta pela moradia e o socialismo”, o evento contou com mais de 220 delegados e delegadas, de 18 estados brasileiros. Foi marcante a troca de experiências entre os participantes, mostrando o acúmulo alcançado em cada região, para desenvolver a linha política do Movimento e traçar os planos para o avanço da organização e das lutas nos próximos anos.

A abertura do evento contou quase 500 pessoas na Ocupação Eliana Silva, em Belo Horizonte, com falas carregadas de espírito de combatividade, que reforçaram as tarefas que a conjuntura nos coloca: construir grandes lutas e ocupações. O próprio local da abertura simboliza muito para o MLB como um território livre da fome e do analfabetismo, exemplo de experiência de poder popular.

O segundo dia do Congresso debateu a conjuntura e as tarefas, principalmente a importância das lutas para o avanço e crescimento da organização. Mobilizar os núcleos para enfrentar a escala 6×1, para reivindicar a redução dos preços dos alimentos, reforçando que o MLB é um movimento social e político que levanta alto a bandeira da moradia, da reforma urbana e do socialismo. 

Falando pelo Movimento de Mulheres Olga Benario e pela Unidade Popular (UP), Indira Xavier, lembrou: “O nosso trabalho cotidiano é de levar esperança para o povo, de que é possível ter moradia, ter alimento, ter dignidade através da luta”. Já a companheira Poliana Souza, da Coordenação Nacional do MLB, afirmou: “enquanto existir um sem-teto, nós não temos o direito de abandonar a luta. Nossa tarefa é clara: transformar o MLB em um movimento de 8 milhões de famílias”, numa referência ao déficit habitacional no Brasil.

Fernando Alves, da Redação do jornal A Verdade, fez uma exposição sobre a conjuntura internacional e nacional, ressaltando que o acirramento da luta de classes no mundo, com guerras e genocídios contra os povos e aumento da concentração da riqueza nas mãos dos bilionários deve nos manter em alerta para aprofundarmos ainda mais nossa ligação com as massas trabalhadoras no Brasil.

Em seguida, foi mobilizado um ato em frente à Prefeitura Municipal de Belo Horizonte para denunciar a tentativa de reintegração de posse da Ocupação Eliana Silva. A manifestação caminhou até o antigo Dops (órgão de repressão da ditadura militar onde centenas de pessoas foram presas, torturadas e mortas), e que depois se tornou um presídio feminino, dando continuidade às atrocidades contra as mulheres, sendo desativado somente em 2015.

Hoje, o prédio está ocupado por militantes do Partido Comunista Revolucionário (PCR) e movimentos sociais para exigir que seja transformado em um memorial por direitos humanos. Falando pelo PCR, Claudiane Lopes apontou: “Não vamos descansar porque nossa luta é também para vingar a morte dos verdadeiros heróis do nosso povo, Manoel Aleixo, Manoel Lisboa, Emmanuel Bezerra, e tantos outros. Cada um que está aqui é uma semente viva desses camaradas”. O ato também contou com a presença de Samara Martins, vice-presidente nacional da UP.

No trajeto da manifestação, as ruas da cidade ficaram vermelhas pelas camisetas do movimento, mais de 50 jornais foram vendidos, apoiadores estenderam camisetas do MLB nas janelas dos prédios e o asfalto de todo o caminho foi decorado em tinta branca com as palavras de ordem como “Viva o 6º Congresso Nacional do MLB”, “Pelo fim da escala 6×1” e “Viva o Socialismo!”.

O terceiro dia de atividades reforçou os pilares de sustentação da organização: a autossustentação e a agitação e propaganda. “O MLB é um movimento que trouxe esperança para as nossas vidas. Não é justo que a gente se furte de apresentar essa ferramenta para todo o nosso povo. Precisamos nos dedicar mais e mais, camaradas, para bater na porta de todo trabalhador, chamar pro Movimento e apresentar a eles a saída para o seu sofrimento”, afirmou Fernanda Lopes, do Pará. O principal eixo da construção material do Movimento são as contribuições mensais das famílias organizadas nos núcleos. O papel do jornal na luta ideológica e na formação dos militantes também foi bastante destacado.

Combatividade e alegria

Diversas falas combativas demonstraram a coesão e o espírito de luta dos militantes. Jeanete Gouveia, 75 anos, do Paraná, foi homenageada por estar na luta do MLB desde a sua fundação e declarou: “O comunista só se aposenta quando morre”.

O companheiro Gerson, de 48 anos, do Pará, conta como aprendeu a ler na luta: “O jornal A Verdade foi meu professor, foi ele que me ensinou a ler. E o MLB me ensinou a lutar com dignidade, com força e com garra”. Todas essas falas também demonstram a perspectiva revolucionária dos delegados e delegadas.

Para aprofundar questões mais específicas, 12 grupos de trabalho foram formados para debater temas como núcleos de base e ocupações, núcleos de luta e educação popular, fome, saúde e antitabagismo, agroecologia e comunidades tradicionais, juventude, espiritualidade e periferia, trabalho operário e luta contra as privatizações, mulheres, criminalização dos movimentos e luta antirracista, Programa Minha Casa, Minha Vida e autoconstrução, entre outros, construindo coletivamente a linha política e as resoluções do Congresso.

O último dia do evento foi coroada com canções combativas de autoria da própria militância, como do camarada Raimundo, de Diadema (SP), que canta “O MLB está lutando pra valer, o MLB está fazendo acontecer/ O MLB está lutando pra valer, a luta é grande, mas nós temos que vencer”. Também houve uma apresentação das crianças, com as palavras de ordem e as bandeiras do Movimento, preparada pela comissão de creche, mostrando que a educação política se constrói em todos os nossos espaços e como é indispensável creches bem planejadas nas atividades.

A nova Coordenação Nacional foi eleita por unanimidade ao final da atividade, com representantes de todos os estados onde existe trabalho e com a grande tarefa de organizar nacionalmente o movimento e quadruplicar o tamanho da nossa base até o próximo Congresso. A companheira Poliana Souza foi reeleita como coordenadora geral, reforçando na sua fala como é o trabalho coletivo que nos faz avançar: “Se não fosse o MLB, eu não estaria viva hoje! O MLB nos dá perspectiva e, com certeza, também transformou a vida de todas e todos que estão aqui. Por isso, quando cada um proposto para ser membro dessa Coordenação foi aplaudido, todos nós devemos nos sentir aplaudidos também. Quando um de nós for abraçado, se sinta abraçado também, porque nossa luta é coletiva”.

O 6º Congresso vem colocar toda a militância do MLB espalhada pelo país na direção da construção das grandes lutas de massas, das grandes ocupações com centenas de famílias, das ocupações de grandes redes de mercados, para enfrentar a especulação imobiliária, a fome, a carestia dos alimentos, a escala 6×1 e também para aprofundar o orgulho de construir o Movimento. “Faço parte dessa família do MLB com muito orgulho, com muita garra, porque é a nossa esperança, a esperança para aqueles que não tem mais confiança em nada”, conta a companheira Rosa, 63 anos, da Paraíba. “Eu quero saber que os meus filhos vão viver numa outra sociedade, sem violência, sem exploração, sem fome”, afirma a companheira Raquel, 39 anos, de Santa Catarina.

Todas essas lutas são degraus para construção de uma sociedade em que o povo trabalhador esteja no poder, controlando tudo aquilo o que produz com as próprias mãos. O fortalecimento do MLB em todo o país significa avançar a passos largos rumo à sociedade socialista.

Matéria publicada na edição n° 311 do Jornal A Verdade.

Sem comida, sem educação: a realidade dos restaurantes universitários no Brasil

Falta de verbas nas universidades gera problemas nos restaurantes universitários de todo país que sofrem com falta de estrutura e pessoal.

Thaís Rachel Zacharia | Vice-Presidente da UNE


JUVENTUDE – Atualmente, o Brasil possui cerca de 10 milhões de estudantes matriculados em instituições de ensino superior.  A maioria jovens, que veem o ingresso em uma universidade como a possibilidade de transformação de vida. Porém, as dificuldades para se manter estudando são enormes e ficam evidenciadas com nas altas taxas de evasão.

Em 2023, a taxa de evasão em cursos presenciais foi de 26,4%, ou seja, 1,35 milhão de estudantes desistiram de seus cursos. Nos cursos EaD a situação é ainda mais alarmante: quase 2 milhões dos ingressantes (40%) abandonaram seus cursos. As motivações para isso são inúmeras: dificuldades financeiras; transporte público ineficiente; desestímulo com as disciplinas; necessidade de conciliar trabalho e estudo; e, sobretudo, a ausência de políticas de permanência e assistência estudantil verdadeiramente eficazes.

Apesar dos avanços, em especial com a Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), que transformou o programa de assistência estudantil que antes dependia de governos, em política de Estado, ainda há muitas limitações, em especial no tema orçamentário. Em 2024, o Governo Federal destinou R$ 1,5 bilhão para a assistência estudantil na educação superior, atendendo a 400 mil estudantes exclusivamente de universidades públicas. Vale lembrar que o pagamento da dívida pública no mesmo ano drenou R$ 5,5 bilhões por dia (!) dos cofres públicos. Ou seja, a política econômica do Governo privilegia os bilionários em prejuízo de assegurar a formação dos estudantes brasileiros.

Segundo o Pnaes, os restaurantes universitários (RUs), também conhecidos como “bandejões”, são uma das principais ferramentas para assegurar que estudantes permaneçam na universidade até a conclusão do curso ao oferecer alimentação gratuita ou a custos reduzidos. O jornal A Verdade fez um levantamento sobre a situação dos RUs e o do sistema de alimentação de algumas universidades ao redor do Brasil para entender melhor essa realidade no dia a dia dos estudantes.

Não há comida para quem precisa

Hoje, a gestão do sistema de alimentação das universidades é descentralizada, e não há dados sistematizados de orçamento e custos operacionais. Das 69 universidades federais do país, quase todas possuem restaurantes universitários em ao menos um campus, porém, a maioria atende a uma parcela muito pequena dos discentes. Já nas universidades estaduais, 29 contam com restaurantes universitários e 17 não possuem o serviço. A maioria das universidades privadas não conta com nenhum tipo de sistema de alimentação próprio, e as que dispõe desse serviço praticam valores inacessíveis.

As dificuldades mais recorrentes nos restaurantes universitários são: ausência de restaurantes em todos os campi; quantidade insuficiente de refeições; filas enormes; comida estragada; falta de pagamento dos trabalhadores dos restaurantes. O jornal A Verdade conseguiu dados e informações sobre o sistema de alimentação de cinco universidades que serão apresentadas a seguir.

Na Universidade Federal de Goiânia (UFG), três dos quatro campi possuem restaurante universitário, todos sob gestão de empresas terceirizadas. No campus de Aparecida está prevista a construção do RU, cuja obra tem o valor estimado de R$ 7,5 milhões e onde, temporariamente, estão sendo servidas quentinhas aos estudantes. Um total de R$ 21,6 milhões do orçamento da universidade é investido no sistema de alimentação. Os valores cheios das refeições são R$ 7,66 (café da manhã) e R$ 16,80 (almoço e janta). Desses valores, os estudantes de graduação pagam R$ 2,50 e R$ 4,00 respectivamente.

Apesar de existirem opções de alimentação em todos os campi, os problemas são inúmeros. “É um absurdo o RU não abrir no jantar nos finais de semana e feriados! Isso prejudica muito quem mora na Casa do Estudante. No campus da cidade de Goiás, ainda não temos café da manhã. Como que vamos pra aula com fome? Em Goiânia, no Colemar e Samambaia, sempre tem filas enormes durante o almoço e não se fez nada para tentar expandir o restaurante para diminuir as filas, além de ficar claro que o RU atende a uma parcela pequena dos estudantes”, declarou Emily Pereira, estudante de Biomedicina e coordenadora geral do DCE-UFG.

Na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), a gestão do restaurante universitário também é terceirizada e corresponde a R$ 17,6 milhões do orçamento. Os problemas se repetem: a refeição é cara (R$ 17,82, dos quais R$ 2,50 são pagos pelos estudantes), falta de capacidade para atender o corpo estudantil, causando superlotação, filas enormes, falta de climatização nos refeitórios, entre outros. Entretanto, ao longo dos anos, os estudantes se organizaram para conquistar melhores condições de alimentação.

Whilber Ribeiro, estudante de Matemática e coordenador geral do DCE-UFMT, relata: “Em 2018, ocupamos todos os campi da universidade e vivemos a maior greve estudantil do estado. A principal pauta, era justamente barrar o aumento do preço do RU, que custava R$ 1,00, e a Reitoria queria aumentar para R$ 10,00. Hoje, pagamos R$ 2,50, mas nossa luta segue a mesma por RU gratuito para todos os estudantes. Nesse ano, teremos a comissão paritária que avalia o desempenho da empresa que gere o RU, e vamos organizar a luta pela redução do preço!”.

Em Sergipe, o restaurante da UFS se chama de Resun e funciona apenas no campus principal de São Cristóvão. Nos demais campi, a comida é servida em quentinhas, que, além de não atenderem a todos os estudantes, não raras vezes chegam estragadas ou atrasam muito por conta do transporte, dificultando o acesso à alimentação. Em novembro de 2024, cerca de 50 pessoas, em um mesmo dia, tiveram problemas gastrointestinais, como vômito, diarreia e febre, após comerem no Resun do Sertão. A universidade investe hoje cerca de R$ 27 milhões na alimentação, e o custo de cada refeição é R$ 14,66, dos quais R$ 1,00 é pago pelos estudantes.

Giovanni Oliveira, estudante de Relações Internacionais denuncia as condições precárias: “Passamos por filas imensas, chegamos até a ter que ficar mais de uma hora para poder almoçar. Mas o pior de tudo é o calor extremo dentro do restaurante: cada dia se torna mais insuportável ter que almoçar enquanto você derrete de suor num ambiente lotado!”.

Nas universidades estaduais também existem exemplos semelhantes. A Universidade Estadual Paulista (Unesp) conta com restaurantes universitários em apenas 10 das 24 cidades em que possui campus. Algumas unidades não possuem nem sequer cantinas, fazendo com que a comunidade acadêmica não tenha nenhuma opção de alimentação. A universidade utiliza um sistema de reserva de refeições no qual os estudantes entram em uma fila de compras virtual para adquirir as refeições da semana seguinte. Além de excludente, esse sistema se mostra insuficiente: em Bauru, por exemplo, existem 6.000 estudantes de graduação e cerca de 1.000 estudantes de pós-graduação, mas apenas 1.300 refeições são servidas, 800 no almoço e 500 na janta. Sobre isso, Muriel Veronezzi, estudante de Arquitetura e Urbanismo, denuncia: “A maioria gritante dos estudantes não consegue comer! Na semana passada, em 15 minutos já tinham acabado as refeições da janta pra semana seguinte… Ao longo do dia, os grupos de WhatsApp de compra e venda de refeições fervem de estudantes desesperados para comprar uma refeição e não passarem fome”.

Diante desse cenário, os estudantes do campus Bauru têm se organizado. No início de abril, fizeram “entraços” no restaurante universitário, garantindo que cerca de 500 estudantes se alimentassem mesmo sem o agendamento.

Uma das maiores universidades do país, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é a única do levantamento que conta com restaurantes universitários em todos os campi. Entretanto, são servidas uma média de 7.600 refeições por dia, número muito inferior aos mais de 70 mil estudantes da instituição.

Além disso, um dos principais desafios é a questão contratual da empresa terceirizada que gerencia as unidades, a Nutrienergy. Apesar de a universidade realizar o pagamento do contrato em dia, muitas vezes a empresa não repassa os valores aos trabalhadores, o que afeta o serviço de todo o sistema de alimentação. O DCE Mário Prata organizou um “calotaço” em abril em apoio a greve dos trabalhadores do bandejão.

Giovanna Almeida, estudante de Direito e tesoureira do DCE explica: “Precisávamos fazer alguma coisa. Os trabalhadores não poderiam trabalhar sem receber, e os estudantes não poderiam ficar sem comer. Então nós mesmos fomos fazer o que os trabalhadores fariam. Ocupamos o bandejão, servimos a comida, lavamos a louça e organizamos a fila. Nenhum estudante pagou o bandejão em protesto à atitude absurda da empresa!”.

Diante dos desafios enfrentados pelos estudantes brasileiros no ensino superior, especialmente no que diz respeito à permanência e à assistência estudantil, é urgente a mobilização coletiva para exigir mais investimentos na educação. O governo diz que a educação é prioridade, mas basta olhar para onde vão os recursos públicos para escancarar a contradição.

A UFRJ, por exemplo, investe R$ 45 milhões por ano no sistema de alimentação. Esse valor é equivalente ao que é consumido em 11 minutos com o pagamento de juros e amortização da dívida pública. Para mudar essa realidade, é indispensável uma grande mobilização de massas, e os diversos casos relatados aqui demonstram que só conquista quem luta.

Matéria publicada na edição n°311 do Jornal A Verdade.

Josenildo Antônio: “Temos uma grande oportunidade de fazer uma greve geral”

O jornal A Verdade conversou com Josenildo Antônio, mecânico de manutenção de máquinas e diretor executivo do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Laticínios e Alimentação de São Paulo (Stilasp), responsável por acompanhar as bases na Região Metropolitana da capital paulista e realizar assembleias nas fábricas representadas pelo sindicato.

Entre elas, a Pepsico, onde os trabalhadores fizeram história ao deflagrar a primeira greve do país contra a escala 6×1, em novembro de 2024. Nesta entrevista, Josenildo relata como foi a mobilização, que, ao final, garantiu uma folga extra aos trabalhadores.

Cadu Machado | Redação


A Verdade – Como o Stilasp têm desenvolvido a luta contra a escala 6×1?

Josenildo AntônioTemos algumas bandeiras antigas do sindicato e uma delas era garantir nas convenções coletivas a mudança da escala de trabalho para que os trabalhadores folguem sábado sim, sábado não.

A legislação fala da jornada de trabalho de 44 horas de segunda a sábado, que é a escala 6×1. Mas nós já conquistamos acordos para que os trabalhadores tenham um pouco mais de folga, mesmo antes do movimento pelo fim da escala 6×1. Na indústria Panco, por exemplo, há mais de dez anos o acordo prevê a folga sábado sim, sábado não, a chamada semana espanhola.

Nos últimos anos, temos feito muitas greves na categoria e, às vezes, a gente consegue fechar na própria mesa de negociação porque o patrão sabe que a gente vai e faz a greve quando é necessário.

A greve é desgastante, mas é necessária, é a única ferramenta que a gente tem hoje para avançar, porque, se não houvesse a greve, a gente não teria como avançar. A gente só avança quando as máquinas estão paradas.

Quando as máquinas estão silenciosas, sem produção, o patrão começa a ouvir e dar um pouco mais de valor aos trabalhadores. Quando elas estão funcionando e a gente só está negociando, sem possibilidade de uma paralisação, não consegue avançar.

O que os trabalhadores pensam sobre essa pauta?

O fim da escala 6×1 é algo que tocou mesmo eles. É um sofrimento que os trabalhadores vêm tendo. Quando se trabalha no regime 6×1, não dá tempo para passear, não tem nem ânimo, porque no dia da folga, o trabalhador está cansado, está exausto.

Então, vivem exclusivamente para a empresa, não vivem para a família, não vivem para eles, não têm uma vida social, vivem exclusivamente para trabalhar. 

Pior ainda é trabalhar e receber um salário no final do mês que não dá nem para comprar o necessário e os alimentos, ou comprar algum objeto que ele tenha sonho ou vontade de comprar.

Mesmo a lei permitindo a escala 6×1, a gente tem o direito de lutar. Nós passamos isso para o trabalhador e eles aderiram à luta e à greve. Houve uma adesão muito grande dos trabalhadores.

Como foi o processo de construção da greve na Pepsico?

Antes de a gente fazer a greve na Pepsico, ia iniciar com uma multinacional também, a Dr. Oetker. Nós encaminhamos a pauta para as duas empresas para negociar o trabalho sábado sim, sábado não. Na Dr. Oetker, quando a gente mobilizou os trabalhadores e publicamos o edital de greve, eles pediram 15 dias para fazer uma avaliação. Nesses 15 dias, fizemos uma tratativa com a empresa e implantamos lá essa conquista.

Aí fomos para a Pepsico para mobilizar os trabalhadores. E hoje temos uma grande certeza: a pauta de reivindicar um descanso a mais é totalmente abraçada pelos trabalhadores porque eles estão exaustos. E eles só começaram a perceber que estão tão exaustos quando começou a se falar.

Quando começou a falar o fim da escala 6×1, deu o boom. Nós já tínhamos adesão antes, mas, quando se iniciou a campanha nas redes digitais e com os movimentos, os trabalhadores começaram a se conscientizar mais e começaram a ouvir e a se mobilizar. Nós fomos para a empresa, entregamos a pauta, negociamos, tivemos várias rodadas de negociação.

A Pepsico falou que era impossível implantar essa escala de sábado sim, sábado não. Nós insistimos, insistimos, até que não deu para fechar na mesa de negociação e nós publicamos um edital de greve. Comunicamos à empresa para dar o prazo de 72 horas para ela rever a postura e, mesmo assim, ela não voltou atrás, insistiu que não poderia mudar a escala do trabalho porque iria prejudicar a produtividade.

Fizemos a convocação, os trabalhadores toparam ir para a greve. Começamos a greve no domingo (24/11/2024). Decretamos a greve, os trabalhadores foram para casa e ficamos nove dias de greve.

Foi uma semana de greve e, na semana seguinte, fechamos um acordo no Tribunal. Os trabalhadores tiveram um dia a mais de folga no mês, que não foi o objetivo que a gente queria. Nós estávamos pleiteando no mínimo dois dias de folga a mais, mas foi uma conquista importante.

Seguimos negociando com a empresa, continuamos a negociação e, provavelmente, se a empresa não ceder em mais um dia de folga, pode ser que a gente tenha mais uma greve novamente na Pepsico, porque a gente não desistiu e os trabalhadores não desistiram, seguem na disposição de construir.

A greve da Pepsico também influenciou no fim da 6×1 em outras empresas. A Liotecnica, por exemplo, tem 600 trabalhadores e ela era o outro passo que a gente ia tomar. Nós tivemos a greve na Pepsico e comunicamos à empresa que a próxima seria ela. Tivemos uma reunião e eles pediram para a gente 30 dias para se adaptar e já vamos implementar lá também o sábado sim, sábado não.

Por que essa luta é tão importante?

Eu sou da Panco, uma empresa de biscoitos. Sou mecânico de manutenção. Lá nós criamos uma jornada de trabalho e mostramos que é possível manter a mesma produção trabalhando de segunda a sexta. O problema é a ganância dos empresários, que, se tiverem que sugar um dia ou dois dias a mais, mesmo que não tenha necessidade, vão fazer. 

No ano passado, teve mais de 500 mil trabalhadores afastados por doença psicológica. Eles estão doentes porque trabalham o mês inteiro sem folgar. Imagina como está a cabeça desse trabalhador. Ele não tem o direito de folgar, ele não tem o direito de descansar. Trabalha, ganha pouco… A gente ainda precisa lutar e avançar muito.

Qual é a reação dos trabalhadores depois dessas conquistas?

Nós temos relatos dos trabalhadores que eles estão muito contentes e muito satisfeitos. Vários trabalhadores mandaram mensagens falando que foram à praia depois de 15 anos, 20 anos de empresa. Eles não iam para a praia porque eles tinham só um dia de folga, então ficava muito cansativo ir e voltar. No primeiro dia de folga que eles tiveram no sábado, conquistado com a greve, a gente recebeu vários relatos e fotos deles agradecendo e falando que valeu a pena lutar.

A gente tem tido um retorno muito positivo dos trabalhadores, que estão reconhecendo ainda mais as conquistas alcançadas em nossas convenções coletivas. E isso foi conquistado com luta, com luta mesmo, com greve, com paralisação. 

Mas essa conquista de trabalhar a semana espanhola e poder ficar dois dias com a família, foi uma das que eles mais ficaram satisfeitos. A felicidade deles, o descanso deles, eles parecem que olham com mais brilho no olho da gente, começam a aderir mais, a confiar mais.

Você acha que essas greves e lutas influenciam na aprovação do Projeto de Lei no Congresso Nacional? 

Sim, influencia! Infelizmente, o movimento sindical está deixando uma bola quicando na frente do gol e não chuta. Quando a gente falava simplesmente da redução da jornada de trabalho, não havia empolgação dos trabalhadores. Agora, quando falamos do fim da 6×1, é impressionante: o trabalhador vibra, grita, levanta o braço, faz cara… é uma coisa muito impactante.

O fim da escala 6×1 é importante porque precisa haver redução da jornada sem cortar o salário. Não tem outro caminho. Eu acho que o movimento sindical está perdendo uma grande oportunidade de fazer uma greve geral. Essa pauta pode ser o impulsionador de uma greve geral, e a gente precisa avançar para que o projeto passe no Congresso, porque aí vira lei e todas as empresas do país vão ter que se adaptar.

Matéria publicada na edição n° 311  do Jornal A Verdade.

Pacientes e trabalhadores terceirizados de hospital sofrem com exploração

Terceirizados lutam contra exploração e falta de salários em hospital municipal do Rio de Janeiro.

Douglas Batista e Gustavo Vorage | Rio de Janeiro


BRASIL – A precarização da saúde no Município do Rio de Janeiro atingiu níveis catastróficos, com consequências brutais, tanto para os trabalhadores do setor quanto para a população. O que vemos, mais uma vez, é o Estado protegendo os interesses da burguesia e do setor privado, enquanto o povo morre nas filas de hospitais. Afinal, o lucro das iniciativas privadas depende da fragilidade e da escassez impostas ao setor público.

Em Irajá, o núcleo local da Unidade Popular (UP), em conjunto com o Movimento Luta de Classes (MLC), iniciou uma brigada semanal do jornal A Verdade no Hospital Municipal Francisco da Silva Telles para dialogar com os trabalhadores e com a população, além de denunciar os absurdos que vivem os profissionais da área.

Os relatos denunciam o cenário humilhante que os trabalhadores vivenciam: uma confusão de gestão de múltiplas Organizações Sociais (OSs), servidores concursados realocados para outros setores para dar espaço à mão de obra mais barata, falta de insumos, condições de trabalho desumanas e até mesmo retaliação em caso de reivindicação por melhorias.

Recebemos um relato com foto de um dos pacientes que sofreu uma necrose nos tecidos do pé após um procedimento. Este não é o único caso absurdo. O mais trágico é o de Shirley D’Oliveira, que foi internada para um procedimento de retirada da vesícula no dia 14 de fevereiro. Durante sua internação, uma saga horrível de sofrimento se iniciou, que culminaria na morte da paciente. Primeiro, a pele ao redor do corte cirúrgico sofreu necrose. Depois disso, todos os pontos de seu corpo em que foram inseridas agulhas para aplicação de medicamentos e os curativos apresentaram o mesmo problema. 

Em extrema angústia, durante uma visita no dia 8 de março, Shirley relatou para sua cunhada que “se sentia podre” em vida. No dia 9, ela foi transferida para o Hospital de Piedade, onde permaneceu internada por semanas em estado grave enquanto os médicos tentavam salvar sua vida. Infelizmente, Shirley não resistiu.

Vemos aqui o que a entrega da gestão da saúde pública para a iniciativa privada provoca na população: descaso, sofrimento e morte. Uma trabalhadora saudável que fez um procedimento que deveria ser simples teve sua vida ceifada pela ganância de empresas terceirizadas.

Superexploração dos terceirizados

Um dos piores cenários dessa unidade de saúde é vivido pelos profissionais da limpeza empregados pela Construir Arquitetura e Serviços Ltda, uma empresa especializada em terceirização. De acordo com funcionários e pacientes do hospital, os trabalhadores da empresa ficaram mais de dois meses sem salário.

Entre dezembro e janeiro, a empresa não pagou os trabalhadores, deixando-os sem condições de arcar com suas contas. As denúncias demonstram ainda que a empresa mal se importa com a vida dos empregados, pois nem o vale alimentação é pago integralmente. 

No entanto, a empresa continua a receber verbas da Prefeitura, De acordo com o portal Contas Rio, só no ano de 2024 a Construir recebeu da Prefeitura R$ 1,5 milhão direcionados exclusivamente aos serviços prestados no Hospital Municipal Francisco da Silva Telles.

Para piorar, as denúncias recebidas pelo jornal A Verdade indicam que os funcionários acumulam até 10 anos de férias não pagas, além de não serem pagos o adicional de insalubridade, o décimo terceiro salário e com parcelamento em até vinte vezes os valores devidos a trabalhadores demitidos, sempre se recusando a fornecer qualquer explicação plausível sobre a situação caótica. 

Os trabalhadores relatam que não possuem acesso a EPIs e materiais básicos para executar suas funções. São, inclusive, obrigados a assinar a folha de recebimento dos equipamentos de proteção sem os receber. Até mesmo os insumos mais primários, como luvas e desinfetantes, não são entregues. Quando possível, os trabalhadores levam estes itens de suas próprias casas para garantir a higienização dos ambientes hospitalares. Os materiais de limpeza precisam ser diluídos em água para render mais. O mesmo ocorre com a equipe de enfermagem de outras empresas terceirizadas: são obrigados a trabalhar com materiais sujos, a não ser que paguem do próprio bolso pelas ferramentas de trabalho. A empresa assume o risco de prejudicar a saúde dos pacientes ao não fornecer sequer os produtos essenciais para a limpeza de espaços tão sensíveis.

Os funcionários frequentemente são coagidos e sofrem assédio moral. Em caso da impossibilidade de comparecer a um dia de trabalho por qualquer problema, por mais grave que seja, como doença ou alagamento na região onde residem, os trabalhadores são punidos e obrigados a executar suas funções em unidades de saúde muito distantes de seus locais de moradia. Ao tentar organizar uma greve para lutar por seus direitos, muitos funcionários são demitidos por justa causa. 

A Construir se aproveita da fragilidade de muitas mulheres trabalhadoras com uma idade, formação e gênero que as dificulta de conseguir emprego e se veem condenadas a trabalhar apesar da incerteza de recebimento de seus salários, porque a outra alternativa é a certeza do desemprego.

Em suas redes sociais, a empresa reproduz discursos claramente exploratórios, como um vídeo promocional com o título “Por que a terceirização é o melhor caminho”, onde reforçando as vantagens da terceirização para empresas, cita a “ausência de encargos trabalhistas” e “desburocratização de contratação” como benefícios para os grandes empresários. Enquanto isso, continua tratando seus funcionários com crueldade, ameaçando o sustento e a saúde daqueles que precisam do emprego para sobreviver.

Por conta da falta de limpeza e manutenção, a unidade de saúde está decadente e imunda. Recebemos relatos de um membro da equipe de enfermagem denunciando “o estado absolutamente insalubre dos ambientes hospitalares. Há sujeira por todos os lados e os materiais para manejo dos pacientes internados, como equipamentos para banho e limpeza pessoal, não são devidamente higienizados e esterilizados”.

Revolta dos trabalhadores

No dia 22 de janeiro, revoltados com a falta de dignidade imposta pela Construir, os trabalhadores da limpeza do Hospital organizaram de forma espontânea uma importante greve para pressionar os empregadores a quitarem os salários devidos.

Em apoio e solidariedade à luta, a Unidade Popular e o MLC promoveram um ato com agitação na porta do Hospital para fortalecer a paralisação, denunciando os absurdos que a empresa vem repetindo continuamente e exigindo o pagamento dos salários. No mesmo dia, conversamos com trabalhadores da Construir que estavam no local prestando serviços para a empresa. 

Joana (nome fictício) revelou que a empresa recrutou trabalhadores de outras unidades para garantir a limpeza, pagando as diárias. “Como que pode eles terem dinheiro pra nos pagar R$ 250,00 por uma diária, mas não tem para pagar os salários dos nossos colegas? É um absurdo o que eles fazem. Mas eu também preciso, por isso vim. Amanhã estão oferecendo mais R$ 250,00 para quem vier, estou pensando se venho novamente”, relatou a terceirizada.

Após o ato e a paralisação, a Construir pagou apenas metade do salário aos funcionários, evidenciando seu desprezo e escárnio pela vida dos trabalhadores, além da certeza da impunidade ao repetir a desumanização e a crueldade que pratica há anos. O Estado sempre mantém protegidos os interesses e privilégios da burguesia ao permitir que este drama se perpetue.

No mês seguinte, a empresa parecia ainda acreditar, muito ingenuamente, que os atos e as paralisações realizados até o momento seriam apenas ações isoladas e transitórias: atrasou mais uma vez os salários. Novamente, os trabalhadores foram à luta: novas mobilizações foram tocadas e um grande ato na porta da empresa foi planejado. O pavor que se instaurou foi tamanho que, um dia antes do ato, a Construir colocou o pessoal de seu escritório para trabalhar na limpeza do Hospital, além de pagar os salários que haviam atrasado.

Essas conquistas são fruto da luta dos trabalhadores em união com a Unidade Popular, mas ainda há muito pelo que se lutar: Os profissionais ainda estão sem receber os pagamentos de férias e adicionais de insalubridade, recebem um valor abaixo do devido no vale alimentação, continuam sofrendo ameaças de demissão caso se mobilizem e os materiais de limpeza não são garantidos. 

Após mais investigações, descobrimos que trabalhadores da Construir de outras unidades, como o Hospital Maternidade Alexander Fleming, em Marechal Hermes, na Zona Norte estão passando pela mesma situação. Com isso, também expandimos nosso trabalho de base para este local, envolvendo mais núcleos da Unidade Popular e abrindo novos pontos de brigada.

Manteremos nossa luta em conjunto com os trabalhadores do Hospital pelo tempo que for necessário, denunciando as condições degradantes que a privatização dos setores públicos gera na vida de tantos. Só a luta organizada e constante pode gerar vitórias para a classe trabalhadora!

Matéria publicada na edição n°311 do Jornal A Verdade.