UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 3 de abril de 2026
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Privatização da Corsan já deixou o povo sem água e aumentou os preços

Mesmo com problemas de abastecimento, a Aegea anunciou o aumento da tarifa de água no Rio Grande do Sul para 2025, deixando claro que sua preocupação principal não é garantir um serviço de qualidade e acessível para o povo.

Nícolas Behrens Leal | Charquadas (RS)


BRASIL – Desde que a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) foi vendida para a Aegea, empresa privada líder em saneamento no Brasil, pelo governador Eduardo Leite (PSDB), o povo vem enfrentando diversas dificuldades em relação ao abastecimento de água e percebendo a piora da prestação deste serviço tão essencial. Apesar dessa realidade, a Aegea anunciou o aumento da tarifa de água para 2025, deixando claro que sua preocupação principal não é garantir um serviço de qualidade e acessível para o povo, mas precarizar cada vez mais os serviços da antiga estatal e lucrar cada vez mais em cima do desespero do povo e da desassistência às prefeituras.

Além da frequente poluição da água que chega às torneiras e do frequente desabastecimento, a prestadora sequer se compromete a prestar satisfações à população, não informando ou informando de maneira imprecisa o povo e o poder público sobre seus serviços. É o que vem acontecendo, desde janeiro, em diversos municípios gaúchos. Apenas para exemplificar: a Aegea já deixou mais de 56 mil pessoas sem abastecimento de água por três dias inteiros em Charqueadas e São Jerônimo, dois municípios próximos à Região Metropolitana de Porto Alegre.

Essa situação é recorrente em diversos locais do Brasil em que os serviços básicos à vida da população são precarizados em nome do aumento do lucro de alguns empresários, que compram empresas bilionárias construídas com dinheiro público por um valor muitíssimo abaixo do mercado. A verdade é que essa precarização é culpa do neoliberalismo econômico e político, que nada mais é do que uma série de medidas que servem para desfazer tudo o que é público e que garante qualidade de vida para todos os trabalhadores e substituir por empresas privadas que não se importam nem um pouco com a população.

Além disso, o processo de privatização da Corsan no Rio Grande do Sul foi extremamente antidemocrático, passou por cima de diversas irregularidades. Sob pressão de Eduardo Leite, contra a vontade do povo e ignorando os debates públicos, a empresa foi vendida por R$ 4,15 bilhões, mesmo sendo uma empresa pública altamente saudável na época da venda e avaliada em pelo menos R$7 bilhões, segundo estudo solicitado pelo Sindicato dos Técnicos Industriais de Nível Médio do Estado do Rio Grande do Sul (Sintec/RS). Durante o processo de privatização, deputados da oposição e o SindiÁgua apontaram outras irregularidades na ganhadora da licitação.

Tudo isso deixa claro que, para o governo do PSDB, a classe trabalhadora não é uma prioridade, ainda que seja a maioria da população. Esta é uma característica recorrente nos governos do sistema econômico e político em que vivemos, o capitalismo.

Todas as privatizações no brasil demonstram que o Estado burguês só serve para beneficiar os ricos e que a solução para isso é organizarmos nosso povo em luta para garantirmos uma nova sociedade e um futuro digno para os trabalhadores, que só pode ser construído com a edificação de um Estado socialista.

Matéria publicada na edição n° 311 do Jornal A Verdade.

Comunistas transformam prédio da tortura em lugar de memória

Ocupação do antigo prédio do DOPS-MG já dura mais de 50 dias e garante existência de espaço de memória em antigo local de tortura da Ditadura.

Rafael Morais | Belo Horizonte


BRASIL – Em 1958, no Centro da cidade de Belo Horizonte, foi construído o prédio que abrigaria o Departamento de Ordem Política e Social (Dops), criado para monitorar e reprimir as lutas que a classe trabalhadora e a juventude organizavam na capital mineira. A partir de 1964, o Dops se transformou em casa de tortura e morte, abrigando também o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), comandado pelas Forças Armadas. Por lá passaram as melhores filhas e filhos do povo brasileiro, que viveram seus piores dias, sob as condições mais desumanas possíveis e, mesmo assim, resistiram bravamente.

Quase seis décadas depois, no último dia 1º de abril, o antigo Dops foi ocupado, por homens e mulheres de todas as idades, mas que carregavam uma mesma ideia. Ideia esta que, durante os anos da ditadura fascista, tentaram destruir. A ideia da transformação da sociedade, do fim da fome e da exploração, a ideia que caracteriza os que a defendem pelo nome de COMUNISTAS.

A ocupação do prédio (que deveria ser um memorial sobre os fatos que ocorreram durante a ditadura militar fascista) tem uma significação enorme para todos nós que vivemos hoje em luta. O local guarda memórias difíceis, locais que transmitem a dureza e a desumanização que a burguesia é capaz de impor aos que ousam contrariar sua ordem. Salas de interrogatório e torturas assistidas, celas solitárias de todos os tamanhos.

Reocupar um local que servia para a dor, a tristeza, voltado a desmoralizar os militantes que passavam por lá e que agora passa a ser dirigido pelos comunistas, com suas salas recebendo leituras coletivas das obras do marxismo, suas paredes projetando filmes que relataram a luta contra a ditadura, é parte da luta pelo socialismo. Outro ponto de imenso orgulho é receber os ex-presos políticos que sobreviveram às violências no Dops e, desta vez, chegam ao local de cabeça erguida, orgulhosos de suas histórias, compartilhando com as novas gerações.

Honrar essa história e manter vivo este legado é tarefa de quem compreende o passado, sabe da responsabilidade do presente e de como tudo isso repercuti às gerações futuras. Por memória, verdade, justiça e reparação! Lutar para que nunca que se esqueça e não mais aconteça!

Matéria publicada na edição n° 311 do Jornal A Verdade.

Abril foi marcado pela luta por memória, verdade e justiça

Atos em todo país lembraram a luta contra a Ditadura Militar Fascista e exigiram punição para torturadores e golpistas.

Redação


BRASIL – No mês em que se completaram 61 anos do golpe militar de 1964, os militantes políticos que lutam por memória, verdade e justiça deram mais uma prova de como estas bandeiras seguem cada vez mais vivas. Atos em repúdio ao golpe foram realizados em praticamente todas a capitais brasileiras no dia 1º. Um destaque foi a ousada ação de militantes do Partido Comunista Revolucionário em Belo Horizonte (MG), que ocuparam (e ainda permanecem) a sede de um antigo centro de torturas (ver crônica abaixo).

No mesmo dia, aconteceu uma sessão especial do Conselho Superior da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), que aprovou um requerimento pela diplomação post mortem de três de seus ex-alunos assassinados pela ditadura: Manoel Lisboa de Moura (PCR), Gastone Lúcia Beltrão (ALN) e José Dalmo Lins (PCB). A dos conselhos ficou lotada de estudantes, militantes, professores, familiares e ex-presos políticos, entre eles, Edival Nunes Cajá, representando o Comitê Central do PCR, que fez uma exposição sobre a luta de Manoel Lisboa. Destaque também para a presença de Iracilda Moura, sobrinha de Manoel e professora da instituição. Em novembro, será realizada a solenidade de diplomação durante a Bienal do Livro da UFAL, em Maceió.

Já em João Pessoa (PB), nos dias 11, 12 e 13 de abril, realizou-se o 9º Encontro de Comitês e Comissões por Memória, Verdade e Justiça do Norte-Nordeste. O evento se deu num momento bastante propício na capital paraibana, pois o Ministério Público da Paraíba ajuizou uma ação civil pública para que a Prefeitura de João Pessoa e a Câmara Municipal adotem, no prazo de 90 dias, medidas legais para a renomeação de ruas, avenidas, edifícios e instituições públicas que ainda homenageiam pessoal ligadas à ditadura militar, seguindo as recomendações da Comissão Nacional da Verdade.

“O encontro foi um êxito completo. Todos os participantes trabalharam em cinco grupos temáticos para concluir, de forma unitária, inspirados nos heroicos exemplos de João Pedro Teixeira, de Nego Fuba, Pedro Fazendeiro e Elizabeth Teixeira (que com seus 100 anos de vida, foi homenageada no Encontro), exigindo do atual Governo Federal que aplique, sem vacilação, a Justiça de Transição. Isto é, que puna exemplarmente todos os golpistas de 1º de abril de 1964 e de 08 de janeiro de 2023, para que não se repitam nunca mais ditaduras militares a serviço do grande capital do Brasil e dos Estados Unidos e do fascismo. Durante 21 anos, um Estado terrorista assassinou mais de 10 mil brasileiros e brasileiras e tudo isso impune até hoje. Por isso, é urgente a reinterpretação da Lei da Anistia por parte do Supremo Tribunal Federal”.

O 9º Encontro foi concluído com a aprovação da Carta, já convocando o 10º Encontro. Ainda foi realizada uma visita ao Memorial das Ligas Camponesas em Sapé.

Matéria publicada na edição n° 311 do Jornal A Verdade.

Deputado Glauber Braga enfrenta golpistas que querem cassar seu mandato na Câmara Federal

Glauber Braga percorre o país denunciando a perseguição política patrocinada por deputados fascistas e do Centrão.

Felipe Annunziata | Redação


BRASIL – Desde abril do ano passado, o deputado socialista Glauber Braga (PSOL-RJ) é vítima de um processo de perseguição política liderado pelo ex-presidente da Câmara Federal, o latifundiário de direita Arthur Lira (PP-AL), em conluio com provocadores do Movimento Brasil Livre. O deputado socialista é acusado de ter quebrado o decoro parlamentar por ter reagido a agressões realizadas por um provocador fascista, que xingava sua mãe, à época, em condições de saúde críticas. A mãe de Glauber faleceu alguns dias depois do episódio.

Desde então, Lira, que é o principal líder do Centrão (grupo de cerca de 300 deputados de direita que vivem do esquema do orçamento secreto), articulou a aprovação da cassação de Glauber, que foi aprovada no Conselho de Ética da casa no último dia 9 de abril.

O relator do processo, deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), e os outros 13 membros do Conselho que votaram pela cassação foram, de acordo com fontes do Congresso Nacional ouvidas pela nossa reportagem, previamente contatados pelo ex-presidente da Câmara para garantir os votos necessários para dar seguimento à cassação. 

Durante a sessão do dia 09, os parlamentares que defendem o mandato democrático de Glauber tentaram obstruir a votação, mas os deputados do Centrão se utilizam de manobras regimentais para acelerar o processo.

“Vou permanecer aqui nessa sala da Comissão e no Congresso Nacional até o fim do processo e, a partir de agora, não vou me alimentar. Vou seguir aguardando aqui com uma decisão irrevogável de que não vou ser derrotado pelo orçamento secreto”, anunciou Glauber. Além da greve de fome, ele também agora recorreu à Comissão de Constituição e Justiça, último passo antes de o processo seguir ao plenário da Câmara. 

Agora, o deputado socialista percorre todo país denunciando a perseguição politica e mobilizando militantes e apoiadores para pressionar os deputados do Centrão a votarem contra a cassação. Glauber já percorreu sete estados do país e se prepara para percorrer as demais 20 unidades da federação.

Por que o perseguem?

O deputado, que está no seu quinto mandato, tem se destacado pela defesa de pautas históricas da classe trabalhadora. Sem ter vergonha de se apresentar como um militante socialista num Parlamento cheio de fascistas, ele tem defendido o fim das privatizações, a auditoria da dívida pública, as reformas agrária e urbana, além de uma série de pautas históricas da esquerda socialista. Além disso, Glauber defende a luta contra a escala 6 x 1, a redução do preço dos alimentos, o aumento do salário mínimo e a luta pela punição dos fascistas e golpistas.

Mais recentemente, o deputado tem enfrentado o esquema do orçamento secreto, que tira R$ 50 bilhões do orçamento público e entrega para deputados e senadores poderem utilizar em esquemas de corrupção espalhados pelo país. Já há mais de uma dezena de investigações da Polícia Federal apontando que deputados que receberam emendas do orçamento secreto utilizaram esse recurso para obras superfaturadas, projetos inexistentes e para compra de votos durante o período eleitoral. O próprio relator do processo contra Glauber está na lista de investigados da PF.

Esse esquema é hoje uma das principais bases de sustentação do controle do Centrão sobre o Congresso Nacional e várias áreas do Governo Federal. Glauber tem denunciado todos os dias o envolvimento de Arthur Lira e vários deputados do Centrão nesses esquemas. No plenário da Casa, em suas redes digitais e com agitações políticas nas ruas do Rio de Janeiro, o deputado tem apontado os nomes. A cassação, portanto, é uma resposta dos deputados milionários do Centrão à atuação de Glauber.

Impunidade para fascistas

Não bastasse toda a armação durante a sessão do Conselho de Ética, a hipocrisia dos deputados de direita e fascistas ficou ainda mais evidente com o avanço do processo de cassação. Ao contrário de Glauber, mais de uma dezena de deputados fascistas do PL não receberam nenhuma punição por defenderem a ditadura militar fascista e fazerem apologia à tortura e até ao nazismo. A deputada fascista Carla Zambelli, até hoje, não foi punida no Congresso por ter perseguido, com uma pistola, um homem negro nas ruas de São Paulo na campanha eleitoral de 2022.

O caso mais absurdo é de Chiquinho Brazão, acusado de ter mandado matar Marielle Franco e já condenado pela Justiça. Até agora, seu processo de cassação não foi votado no plenário da Câmara. 

O processo contra Glauber Braga é só um pretexto dos fascistas e do Centrão para perseguir quem defende propostas socialistas na sociedade. Na prática, o processo é um golpe contra a democracia e o voto de 78 mil eleitores do Estado do Rio de Janeiro. É preciso continuar a mobilização firme e combativa para barrar o processo de cassação.

Matéria publicada na edição n° 311 do Jornal A Verdade.

Montadoras de veículos no ABC Paulista apontam para mais uma onda de demissões em massa

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Trabalhadores do ABC Paulista enfrentam insegurança crescente com possíveis demissões em massa e paralisações em montadoras como Scania e Volkswagen. Empresas adotam férias coletivas e “stopdays” como medidas pautadas pela busca implacável por aumento dos lucros. Cenário histórico de cortes evidencia a urgência da organização operária contra a exploração capitalista.

Karol Vilela – MLC SP


A Scania, montadora de caminhões localizada no ABC Paulista, anunciou férias coletivas aos trabalhadores a partir do dia 10 de julho. Já na semana do 1º de maio, Dia Internacional dos Trabalhadores, a empresa implementou o chamado “stopday”, uma parada programada da produção durante 2 dias na semana, devido à queda do mercado e da arrecadação da multimilionária. Essas decisões são um indicativo de uma nova possível demissão em massa dos quase 6 mil funcionários, sendo 3000 diretamente ligados à linha de produção.

“O clima é de tensão” — contou uma trabalhadora da fábrica — “Todos nós percebemos a diferença entre o começo do ano e agora. Tínhamos uma previsão de trabalho no começo e agora no meio do ano não temos mais segurança de nada, não sabemos se vamos manter nossos empregos, se vamos conseguir sustentar nossas casas, colocar comida na mesa”, lamenta.

A empresa alega queda de 28% de produção devido ao agravamento das taxas de juros e baixa demanda, mas seguindo o padrão de outras montadoras, as paradas de produção para o patrão significam segurar os meios de produção e cortar funcionários para continuar explorando o máximo possível. Enquanto os trabalhadores não sabem como vão sustentar suas famílias no mês seguinte, os grandes empresários usam diversos recursos para manter suas fortunas e riquezas protegidas e crescendo. No mundo do trabalho no sistema capitalista, não há perdas para o patrão.

Cenário de alerta para o proletariado

Desde a última grande crise do sistema capitalista em 2008, que assolou a economia mundial e dizimou inúmeros postos de trabalho, temos acompanhado as suas sequelas ano após ano: saída das montadoras de veículos do território brasileiro, demissões em massa, corte de áreas produtivas, paradas “programadas” da produção, terceirizações. Conforme avança a exploração da classe capitalista internacional, o setor operário brasileiro não tem fôlego para recuperação e entra ano e sai ano temos notícias dos processos de cortes de funcionários aos montes.

Em 2022, a Mercedes-Benz anunciou o corte de 3600 funcionários da sua fábrica principal, o que representava 36% do seu quadro total de funcionários. A realocação dos funcionários foi conquistada na luta, mas diversos setores da fábrica foram fechados e alguns terceirizados. Em 2022, a Volkswagen também anunciou o corte de mais de 2300 funcionários da sua fábrica. A General Motors e a Bridgestone também anunciaram cortes de centenas de funcionários.

Em 2021, a Ford anunciou o encerramento das atividades no Brasil justificando uma reestruturação global para melhorar sua rentabilidade. Cerca de 5000 funcionários perderam os seus postos de trabalho o que significou para a empresa bilionária uma economia de 4,1 bilhões de dólares. O stopday, férias coletivas, aposentadoria voluntária são um prelúdio para o encerramento de contratos, como aconteceu nas outras montadoras. Apenas com a organização dos trabalhadores é possível mudar essa realidade.

Chão de fábrica é trincheira de batalha

A Scania, assim como a Volkswagen, é marcada pelo apoio à aparelhos de repressão desde o início da Ditadura Civil-Militar e perseguição aos trabalhadores com a “lista suja de subversivos”. A greve na Scania foi um importante passo no processo de redemocratização do Brasil após o regime militar e, assim como conta a série de reportagens produzidas pelo site Opera Mundi, “Scania e a ditadura militar”, os trabalhadores da Volks e da Scania lutam pelo processo de reparação da Verdade, Memória e Justiça desse período.

Assim como o fim da Ditadura Militar foi fruto da luta do povo, a soberania do setor operário nacional e a garantia dos postos de trabalho só serão garantidos com a dos próprios trabalhadores. Podemos conquistar a redução da jornada de trabalho, o aumento do salário-mínimo, criação de diversos postos de trabalho e a sociedade livre da exploração, a sociedade socialista. A classe operária tem nas mãos as ferramentas da libertação das garras desse sistema apodrecido que só pensa no lucro. Uma grande greve geral é o caminho para a mudança da sociedade, portanto é uma tarefa imediata de todos: organizar a classe trabalhadora para lutar pelos seus direitos e pelo socialismo.

CARTA | Na luta se encontra sentido para vida

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Em carta ao jornal A Verdade, brigadista argumenta: “Enquanto a burguesia defende que o sentido da vida é individual, meritocrático, minha história — e a história dos jovens e trabalhadores em geral — demonstra que a realidade é na direção contrária. Só a luta coletiva pode dar sentido à vida.”

Junior de Sousa | Suzano (SP) 


A periferia de Palmeiras está localizada na cidade de Suzano, no Alto Tietê, estado de São Paulo. É aqui que moro desde o dia em que nasci. Nunca foi fácil crescer por aqui — como não é em nenhuma periferia do nosso país.

A quebrada sempre foi um lugar onde a violência se impõe de todas as formas. Tudo começa com a ausência proposital de acesso à cultura, ao lazer, à saúde, ao saneamento e à educação — uma exclusão planejada pela burguesia. Aqui, a violência policial é regra, e o respeito à dignidade da classe trabalhadora, exceção.

Nesse contexto muito cedo comecei a minha buscar pelo sentido da vida.

Ainda criança, numa noite de domingo chuvosa, vi uma cena que me marcou profundamente. O céu estava escuro. Olhei pelo portão de casa e vi um senhor negro, retinto, de cerca de 50 anos, caminhando com dificuldade e recolhendo papelão em meio ao temporal. Ao ver sua expressão de sofrimento, fechei os olhos e desejei, com todas as forças, que aquela chuva parasse.

Pensei naquilo por meses. E concluí: a vida não fazia sentido. Se estar vivo era estar entregue à miséria e ao sofrimento, por que continuar vivendo?

No ano seguinte, encontrei um livro esquecido no fundo da biblioteca da escola — “Batismo de Sangue”, de Frei Betto. Foi minha primeira leitura revolucionária, aos 12 anos.

A obra narra a participação dos frades dominicanos na luta contra a ditadura militar, nos anos 1960 e 70. Eles apoiaram a resistência armada contra a ditadura através da Ação Libertadora Nacional (ALN), liderada por Carlos Marighella.

Terminei o livro e decidi fundar um grêmio estudantil. Queria ser como Marighella — mesmo sem talento para a poesia, nem para as letras. Ali começou a florescer minha consciência de classe. E o dia a dia tratou de fazer essa semente crescer e desabrochar: a vontade de lutar a batalha que é simplesmente existir em um mundo marcado pela exploração.

Ao ler sobre as prisões, torturas e mortes enfrentadas por esses revolucionários, compreendi que o sentido da vida deveria ser muito mais profundo do que eu imaginava. Aqueles camaradas me ensinaram que o sentido da vida podia — e devia — ser coletivo. Sem saber, eu havia descoberto ali um dos princípios da moral comunista. Essa nova moral se baseia na valorização do bem coletivo, na igualdade entre as pessoas, na solidariedade entre os trabalhadores e na rejeição da exploração do ser humano pelo ser humano. Como dizia o comandante Che Guevara, “o indivíduo se desumaniza aos poucos; acaba por se converter em uma engrenagem de uma máquina, perde sua condição de ser humano completo. Isso acontece no capitalismo. No socialismo, por outro lado, é preciso transformar as consciências, criar o homem novo.”

Com tudo isso na cabeça ainda em reflexão, o grêmio nasceu. E nos anos seguintes, vieram muitas lutas: as Jornadas de Junho de 2013; piquete estudantil na porta da escola que estudava, em 2014, pela destituição da direção escolar; as ocupações das escolas em 2015, contra o seu fechamento; a ocupação do Centro Paula Souza, em 2016, contra o roubo da merenda; as mobilizações pelo Fora Temer e contra as reformas trabalhista e da previdência, em 2017, e muitas outras.

Foi também em 2017 que, viajando num vagão da Linha 10–Turquesa (ABC Paulista), conheceria um militante chamado João, da UJR (União da Juventude Rebelião). Ele usava um colete branco com os dizeres: “Unidade Popular – Pelo Socialismo” e certamente contribuiria para os meus próximos passos.

Ao discursar habilmente em menos de três minutos, sendo direto e bolchevique, explicou como o capitalismo era incapaz de atender às necessidades da classe trabalhadora, a urgência de acabar com a exploração, de tomar os meios de produção, e a então necessidade existente de fundar um novo partido de esquerda radical, a Unidade Popular pelo Socialismo (UP). No fim, pediu que quem se interessasse pela legalização do partido assinasse uma ficha. Levantei a mão e assinei.

Por cinco anos, não acompanhei o desenrolar dos fatos.

Em 2022, atravessava o pior momento da minha vida. Enfrentava uma depressão severa, conflitos familiares graves, e estava à beira de desistir de tudo. Foi quando decidi voltar à luta, por meio das jornadas do “Povo na Rua, Fora Bolsonaro” impulsionadas pela UP.

Com muita alegria descobri que o partido cuja fundação eu havia apoiado havia realmente sido fundado. Conheci uma militante chamada Camu, que logo me convidou para um protesto do 7 de setembro na cidade de Mogi das Cruzes. Depois, participei de uma plenária de apresentação e, com muito orgulho, me filiei ao partido que eu mesmo havia ajudado a fundar.

No começo, os núcleos da minha região eram pequenos. Mas o trabalho cresceu em ritmo acelerado. Em poucos meses, assumi a tarefa de coordenador do núcleo na minha cidade — e desde então, inúmeras lutas foram travadas e seguem acontecendo. Os tempos mudam, nossas tarefas também. Logo menos um novo camarada estava em meu lugar.

Junto ao partido organizei e participei de várias ocupações, manifestações, panfletagens, brigadas do Jornal A Verdade, Greves, vi lutas nasceram, se desenvolveram e darem frutos.

Conheci a história de heróis que deram suas vidas pela revolução, e, pude começar a sentir orgulho de compor as mesmas fileiras de Manoel Lisboa de Moura, Amaro Félix, Amaro Luiz, Manoel Aleixo, Emmanuel Bezerra, Selma Bandeirae tantos outros.

Meus camaradas se tornaram minha família. Minha vida se fundiu à luta.

Sou grato por estar do lado certo da história, de lutar pelo poder popular e pelo socialismo.

No final de contas compreendi que nossa vida não tem sentido até que a gente dê um sentido para ela.

A luta cria o sentido para a vida, e, a vida cria o sentido para a luta.

Prefeitura de João Pessoa (PB) despeja famílias na Barra de Gramame.

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Gramame, bairro da zona sul de João Pessoa (PB) é alvo da especulação imobiliária e tem enfrentado uma série de perseguições por parte do governo local, que procura garantir aos empresários a terra, enquanto reprime os movimentos sociais e a sociedade civil organizada da região.

 

Redação Paraíba

 

Movimentos sociais resistem contra desmandos do governo local em Gramame, João Pessoa (PB)
Movimentos sociais resistem contra desmandos do governo local em Gramame, João Pessoa (PB). Foto: Redação JAV (PB)

 

LUTA POPULAR- O coletivo Nosso Lugar em Gramame, localizado na região sul da cidade de João Pessoa, é uma organização que protagoniza o debate socioambiental e o direito à moradia, promovendo atividades públicas na região do Parque do Cuiá e Barra de Gramame. Na manhã do dia 09/05, houve um violento despejo da sede da associação e residência de moradores da região, sendo mais um de vários que vêm acontecendo nos últimos meses, fruto do avanço da especulação imobiliária e da concentração fundiária na mão de poucos empresários da cidade. O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) têm se somado às mobilizações para fortalecer as lutas e fazer essa denúncia juntamente ao coletivo.

 

O Plano Diretor da cidade de João Pessoa, aprovado no fim do ano de 2023, decidiu pela entrega da região do bairro de Gramame à iniciativa privada, incentivando o processo de especulação imobiliária. Até então, o bairro fazia parte da zona rural da capital paraibana. Na época, a associação construiu uma resistência organizada, sendo uma das vozes mais ativas contra o plano. Recentemente, moradores denunciaram a atuação das grandes construtoras e grandes proprietários de terra do local, a exemplo de grilagem, expulsões arbitrárias, ataques ao meio ambiente e um absurdo acúmulo de terras[1].

 

Numa programação do Domingo Vermelho do MLB que ocorreu na sede do coletivo no dia 04/05 os mais de 30 moradores presentes discutiram os impactos da especulação imobiliária e o descaso geral da prefeitura ao bairro, que apenas recentemente passou a ser atendido de forma parcial com iluminação pública, e continua não tendo acesso à água, saneamento e aos transportes coletivos, que só realizam 3 viagens por dia. É preciso tornar evidente essa contradição: os moradores se organizam para garantir seus direitos à moradia e denunciar as condições precárias do bairro, e a prefeitura, que deveria estar à serviço de sua população, responde a essa organização com violência e despejo.

 

 

Despejos a serviço de quem?

 

A sede da associação já estava sob ameaça de despejo desde que o antigo interventor da reitoria da UFPB, Valdiney Gouveia, apresentou documentos que alegavam a posse da propriedade por sua família há mais de 35 anos. Mesmo com o coletivo ocupando e exercendo função social naquele terreno desde 2019, o processo de reintegração de posse não permitiu uma audiência para que os moradores e membros do coletivo pudessem apresentar os documentos comprobatórios da ocupação do terreno, mantendo assim, a ordem de despejo. Do mesmo modo, diversas famílias foram vítimas de despejo dos lugares em que vivem há anos, sendo, por vezes, intimidadas e agredidas pela presença de policiais civis e militares armados. Em um dos relatos, sem apresentar documentação apropriada ou processos de reintegração de posse, um suposto dono da propriedade e um policial militar demoliram uma moradia com um trator. O policial chegou a atirar e matar o cachorro dos moradores.

 

 

A luta continua!

 

Para o Jornal A Verdade, Manu Correia, cofundadora do coletivo Nosso Lugar em Gramame e militante do MLB, afirmou que “A nossa perspectiva é reconstruir uma nova sede, institucionalizar o coletivo, promover a alfabetização para as pessoas da Barra, aumentar as atividades educativas e de conscientização no Parque Natural Municipal do Cuiá, além de lutar com mais força por moradia digna. O MLB tem nos ajudado na assessoria jurídica, na conscientização política das pessoas, na construção de unidade entre a comunidade e no apoio às atividades pela luta por direitos.”

 

As atuações do MLB na Paraíba nos mostram que é possível propor um projeto diferente para o povo paraibano, do que o projeto burguês. Enquanto nos empurram o despejo, a especulação imobiliária e a gentrificação, nós respondemos com moradia popular, redes de apoio, e luta pelos direitos dos trabalhadores e pelo socialismo.

 

 

 

COM LUTA, COM GARRA, A CASA SAI NA MARRA!

PELO DIREITO À MORADIA, VIVA O MLB!

 

 

[1] Apenas um proprietário detém 841 propriedades na região.

Mesmo após perseguição, trabalhadores da SESÉ conquistam Assembleia

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Após perseguição e demissão de um trabalhador que lutava pelo direito dos terceirizados da Volkswagen, em São Carlos (SP), de serem representados na Comissão de Negociação, operários conquistam uma Assembleia. Isso porque nem o direito de eleger seus representantes vinha sendo permitido, o que só foi possível através da luta. A mobilização na categoria segue firme pela valorização dos terceirizados, contra a demissão injusta e pelo direito de se organizarem.

Redação SP


Após perseguição e demissão de um trabalhador que lutava pelo direito dos terceirizados da Volkswagen, em São Carlos (SP), de serem representados na Comissão de Negociação, operários conquistam uma Assembleia. Isso porque nem o direito de eleger seus representantes vinha sendo permitido, o que só foi possível através da luta. A mobilização na categoria segue firme pela valorização dos terceirizados, contra a demissão injusta e pelo direito de se organizarem.

A Assembleia Geral, que aconteceu nesta segunda-feira (12/5) devido à luta realizada pelos trabalhadores da SESÉ Logística juntos com o Movimento Luta de Classes (MLC), foi feita para eleger a Comissão de Negociação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) deste ano.

Fruto de muita luta, panfletagens, agitações e organização dos operários, os terceirizados conquistaram esse espaço, que aconteceu na troca entre o 1º e 2º turno da fábrica, para eleger um representante.

Isso representa uma vitória importante para a categoria que, como relatou o jornal A Verdade, se organiza desde o começo de abril contra a implementação de uma escala 6×1 na Volkswagen, além da associação do PLR a metas produtivas.

Trabalhadores organizados realizam panfletagens contra perseguição política. Foto: JAV/SP.
Trabalhadores organizados realizam panfletagens contra perseguição política. Foto: JAV/SP.

Porém, a categoria continua lutando por mais democracia nas Assembleias, contra a perseguição política que aconteceu na fábrica e contra a recente proposta de negociação recebida da SESÉ.

Terceirizados querem mais democracia nas Assembleias

Ronaldo*, operário da fábrica há vários anos, relata um descontentamento com a forma como a eleição aconteceu: “Essa Assembleia só aconteceu por conta da pressão dos trabalhadores e do MLC. Mas tinha que ter acontecido uma eleição com mais candidatos, o Alessandro já tinha se candidatado. Demitiram ele porque a empresa não queria ele como representante.”

Gabi*, que também trabalha na fábrica de motores de São Carlos, conta que faltou transparência na realização da Assembleia: “Queremos uma Assembleia às claras. Queremos que falem pra gente quando as coisas vão acontecer e como vão acontecer. Não queremos representantes que escondam nada da gente!”

De fato, essa Assembleia Geral, mesmo representando uma conquista muito importante dos operários em luta, foi convocada poucos minutos antes da troca de turno, pegando todos de surpresa.

E é claro que isso não beneficia os trabalhadores. Para a Assembleia ser verdadeiramente democrática, precisamos saber de antemão os pontos que serão discutidos, receber a convocação dias antes dela acontecer, e realizá-la em um horário em que estejam presentes todos os turnos.

Proposta da SESÉ para o PLR enfurece operários

Além disso, nesta quarta-feira (14/5), a SESÉ apresentou sua primeira proposta para o PLR deste ano. A amarração do sábado produtivo ao PLR foi barrada pela luta dos operários – mais uma conquista da classe em luta!

Porém, os gananciosos patrões da SESÉ apresentaram vários descontos no salário para o vale-refeição (VR) e o vale-transporte (VT), além de amarrarem o PLR à quantidade de atestados médicos que o trabalhador apresentar.

“Amarrar o PLR à quantidade de atestados médicos é um crime, isso não pode ser feito! O trabalhador não escolhe ficar doente, então por que a SESÉ quer descontar o que é nosso direito por causa disso?”, disse indignado Alessandro, operário da fábrica que sofreu perseguição política por lutar pelos terceirizados.

Outros operários notaram rapidamente que os descontos do VR e VT podem chegar a até 200% para alguns setores. Em média, os descontos representam 80% do valor anterior.

Num país onde a classe trabalhadora, por ganância dos capitalistas, está sofrendo com preços altos dos alimentos, esses descontos no salário representam um ataque à vida desses trabalhadores.

“Nosso ticket é muito baixo, não tem condição. Minha salvação é que minha filha mais nova parou de usar fralda. Antes, eu não sei nem como eu conseguia pagar as contas de aluguel, luz, água, comida e tudo mais. Meu VR ia inteiro pra fralda e leite”, lamenta Gabi.

A luta contra a perseguição política

A readmissão de Alessandro é mais um ponto que os terceirizados estão reivindicando. A Comissão de Negociação pode e deve exigir que esse operário, demitido por lutar pelo seu direito de ser eleito à negociação, seja readmitido.

A SESÉ demitir um trabalhador que estava se organizando para negociar melhores condições para si e seus colegas deixa bem claro o que essa empresa mais teme: a organização dos terceirizados, os trabalhadores se juntarem para exigirem aquilo que mais querem. É, no fundo, uma tentativa de intimidação aos operários.

É o que pensa Ronaldo: “O pessoal está com medo por causa da demissão, que foi proposital, foi um exemplo de perseguição política dentro da fábrica para intimidar os operários. Mas temos que exigir a readmissão do Alessandro. Aí vamos mostrar que não podem intimidar quem luta.”

* Nomes fictícios para proteger os trabalhadores

Movimento de Mulheres Olga Benário convoca seu 3º Encontro Estadual em São Paulo

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A coordenação estadual de São Paulo do Movimento de Mulheres Olga Benário faz sua convocação para o 3º Encontro Estadual nos dias 21 e 22 de junho para organizar e crescer o movimento revolucionário pelas mulheres no Brasil.

Coordenação Estadual do Movimento de Mulheres Olga Benário – São Paulo


MULHERES – A coordenação estadual do Movimento de Mulheres Olga Benário em São Paulo convoca todas as mulheres trabalhadoras, estudantes, mães, jovens, negras, indígenas e PCD a participarem do 3º Encontro Estadual do Movimento de Mulheres Olga Benário, que acontecerá nos dias 21 e 22 de junho, sob as palavras de ordem: mulheres em luta pelo fim da violência, da fome e da escala 6×1! Fora Tarcísio fascista! Pelo poder popular e o Socialismo!

Mulheres trabalham mais e sofrem mais com a exploração

A crise do sistema capitalista tem aprofundado as contradições entre os ricos e a classe trabalhadora, aumentando as desigualdades sociais, concentrando riqueza de um lado e fome, miséria e desemprego de outro. No Brasil, as mulheres são as mais exploradas: com a escala 6×1 e as terceirizações, com os menores salários, com a violência do Estado e do sistema que a cada 4 horas assassina uma mulher no país. São as mulheres negras que têm seus filhos violentados pela polícia todos os dias!

O Brasil é o 5º país do mundo que mais assassina mulheres, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada. São apenas 11 Delegacias da Mulher 24h no estado de São Paulo e os serviços de acolhimento estão sendo cada vez mais sucateados.

No estado de São Paulo, o governador fascista Tarcísio de Freitas desmonta os serviços públicos, quer terceirizar e privatizar serviços essenciais, acabando com a estabilidade das trabalhadoras e humilhando os que precisam do SUS, da educação e do transporte públicos, e da assistência social, como aconteceu com Lourivaldo Ferreira Silva Nepomuceno, 35 anos, esmagado na linha privatizada do metrô.

3º Encontro Estadual e encontros regionais

Por isso, o Movimento de Mulheres Olga Benário tem travado importantes batalhas contra o fascismo, organizando ocupações, manifestações, abaixo-assinados, cursos e núcleos para vencer a política de morte e construir o poder popular.

Em sua convocatória, afirma: “Com esta realidade, está posto que precisamos aumentar ainda mais nossa influência entre as mulheres trabalhadoras, fazer nosso movimento ser amplamente conhecido, ser porta-voz e instrumento de luta das mulheres da nossa classe”.

Ainda acrescenta: “Isso significa que precisamos desenvolver nossa organização, consolidar nossos núcleos, coordenações de núcleos e coordenação estadual e desenvolver nossos planejamentos e lutas sistematicamente! Não podemos mais nos contentar com os núcleos que existem, nem com a realidade que vivemos”.

Neste contexto e no ano que antecede os 15 anos do movimento, convoca seu 3º Encontro Estadual, com a tarefa de eleger uma nova coordenação estadual e aprofundar o debate sobre a forma de organização para fazer frente a essa conjuntura e a necessidade da construção diária, sistemática e contínua de seus núcleos de base e das lutas das mulheres.

A construção material e política dos encontros

O papel dos núcleos e suas coordenações nas regiões é muito importante para a totalidade do trabalho no estado, pois é através deles que o Movimento se ampliou para mais regiões do estado, chegando no litoral e em mais cidades do interior. Por isso, também serão organizados encontros regionais para ampliar a divulgação do movimento e poder construir encontros massivos nos bairros onde tem atuação.

A convocatória finaliza afirmando quais as tarefas de cada militante e núcleo do movimento na construção do encontro: “é papel de cada núcleo construir o Encontro Estadual, iniciando através da mobilização para os encontros regionais em que devemos divulgar amplamente com panfletagem, lambes e cartazes, convidar apoiadores para contribuírem com nossos debates, e levantar recursos de forma criativa”, como por exemplo, “apresentando o encontro para apoiadores, fazendo rifas, brechós, venda de materiais e outras atividades de finanças”. Por fim, o Movimento lança o desafio e a meta de cada núcleo do movimento arrecadar R$ 100 para garantir a estrutura do encontro estadual.

Assim, a construção do encontro já se iniciou por meio dos debates que o movimento tem realizado em cada um de seus núcleos, e que vai se desenvolver ainda mais com mais mulheres organizadas no movimento. A construção dos encontros é uma oportunidade para avançar a consciência de mais mulheres sobre a importância e a necessidade de um movimento de mulheres revolucionário, que luta em defesa das nossas pautas, mas principalmente pelo socialismo!

Mulheres organizadas no 2° Encontro Estadual do Olga, em 2021 (Foto: Thais Gasparini)

Calendário

Encontro Estadual: 21 e 22/06 
Encontros Regionais:
18/05 – Guarulhos, Vale do Parnaíba e Alto Tietê | Baixada | Ribeirão Preto
24/05 – ABC (SA, Mauá, SCS, RGS)
25/05 – ABC (SBC e Diadema) | São Paulo | São Carlos | Jundiaí
31/05 – Campinas
01/06 – Sorocaba

VIVA O MOVIMENTO DE MULHERES OLGA BENÁRIO! PELA VIDA DAS MULHERES E PELO SOCIALISMO!

Greve na Enfermagem de Recife denuncia “reajuste” de R$ 1,00

O Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Pernambuco (Seepe) decretou greve da categoria na cidade do Recife no último dia 08 de maio. A categoria realizou uma grande assembleia dia 05 e decidiu iniciar a mobilização após a Prefeitura propor um reajuste de 1,5% no salário e um vergonhoso aumento de R$ 1,00 (um real!) no vale-alimentação. Diversas categorias estão em greve na capital pernambucana, que, apesar de ser governada por um partido que leva o nome de “socialista” (PSB), está em situação crítica para os recifenses, que sofrem com um projeto privatista e antipopular. O jornal A Verdade acompanha as mobilizações e entrevistou Ludmila Outtes, presidente do sindicato. Clóvis Maia, Redação PE

A Verdade – Qual a pauta da greve e o que motivou essa mobilização aqui na capital?

Ludmila Outtes – A nossa data-base é em janeiro. Desde então, tentamos negociar com o prefeito João Campos, mas com muita dificuldade. A última proposta da Prefeitura de Recife, dada em abril, foi um reajuste de 1,5% e um aumento de um real no vale-alimentação, enquanto ele deu 33% de aumento para os secretários de sua gestão. Um absurdo!

Enfermeiros e enfermeiras aprovaram greve após a Prefeitura desmarcar a mesa de negociação no último dia 30 de abril, sem justificativa nenhuma. Realizamos uma assembleia histórica, com a presença de 220 enfermeiros do município e a greve se iniciou com grande adesão. 100% dos enfermeiros dos postos de saúde estão em greve, e as policlínicas de maternidade estão funcionando com 70%, por força da lei. Vamos seguir em greve até a Prefeitura retomar as negociações.

Várias categorias de servidores municipais de Recife estão em greve, como os professores. Qual é sua avaliação sobre essa conjuntura local?

Isso mostra a insatisfação da população, porque o servidor também faz parte da população do município. Mostra a precarização, que faz parte, inclusive, do projeto político dessa gestão de João Campos, que é privatizar. Então ele sucateia todo o serviço público, passando pela desvalorização dos servidores, para depois justificar privatizar tudo, como já fez com as creches, como está fazendo com os parques.

Existe também a expectativa de se privatizar postos de saúde aqui no município. A proposta está engavetada, mas, a qualquer momento, podem tirar da gaveta. Então é um projeto, e os servidores estão dispostos a não aceitar isso. Queremos valorização, queremos melhoria nas condições de trabalho, mais estrutura nas unidades de saúde e todas as categorias estão nesse mesmo clima.

 

 

Trabalhadores rodoviários de Teresina (PI) organizam greve por melhores salários

Motoristas e cobradores de ônibus iniciam greve em Teresina. Trabalhadores denunciam carga horária excessiva e baixos salários 

Celine Oliver Albuquerque | Teresina (PI)


TRABALHADOR UNIDO — Na manhã da sexta-feira (09), os motoristas e cobradores do transporte coletivo de Teresina deram início a uma paralisação, tendo os ônibus permanecido paralisados durante as primeiras horas do dia. Tendo sido anunciada na terça-feira (13), após assembleia geral, os rodoviários reivindicam um reajuste salarial de 15%, que não é atendido há três anos, além de R$900 em vale-alimentação e R$150,00 para auxílio saúde.

Durante o sábado e domingo, os ônibus circularam normalmente segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário do Estado do Piauí (Sintetro-PI) por conta do dia das mães e após diálogo com a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (STRANS), que afirmou que intermediaria um diálogo entre os trabalhadores rodoviários e os empresários dos consórcios.

Não foi, porém, formalizada qualquer proposta para a melhoria das condições dos trabalhadores. Sendo assim, na segunda-feira (12), iniciou-se uma greve que paralisará totalmente o transporte coletivo da capital por tempo indeterminado.

Transporte sucateado e falta de direitos trabalhistas

A mídia burguesa ressalta o prejuízo que isso causará aos usuários do transporte coletivo da capital, porém, não reconhecem a necessidade e a validade das reivindicações desses trabalhadores, visto inclusive os abusos sofridos por esses trabalhadores por parte das empresas, fora o que já é “normal” para o sistema capitalista. “Existem algumas empresas, que quando tem um acidente, elas estão cobrando a peça do trabalhador, tem trabalhador pagando 7 mil, 8 mil reais e ela coloca a peça de volta, a peça sendo velha.” como denuncia Antônio Cardoso, presidente do Sintetro-PI.

Denuncia ainda como funciona a justiça burguesa, que privilegia o empresário e põe em desvantagem o trabalhador “a justiça aqui no nosso país ela é muito boa, ela é muito boa quando é pra punir o trabalhador, pra punir a classe menos favorecida, mas absolver o rico é bem rapidinho comenta a respeito da decisão da desembargadora Liana Ferraz de multar diariamente o sindicato em 50 mil reais, enquanto a justiça ignora diversas denúncias de irregularidades por parte das empresas responsáveis pelo transporte coletivo da cidade.

É essencial perceber que a crise do transporte coletivo de Teresina se deve não por conta dos trabalhadores que cobram seus direitos, mas sim é fruto do domínio de empresas privadas sobre um serviço que deveria ser público. A não manutenção dos veículos, a frota insuficiente, além do descumprimento dos direitos e ameaças aos trabalhadores são resultado da privatização do transporte. Para garantir um transporte coletivo com qualidade, é necessário que esse se faça verdadeiramente transporte público, evidenciando-se mais uma vez a necessidade da estatização desse serviço.