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sábado, 11 de abril de 2026
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EUA escondem a verdade sobre atentados de 11 de setembro

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11 de setembro02Emergem de certo esquecimento os acontecimentos de 11 de setembro de 2001, quando dois aviões comerciais se chocaram contra as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York. Um estado de comoção tomou conta do mundo. O presidente dos EUA, George W. Bush, apressou-se em declarar “guerra ao terrorismo”, elegendo como alvo a Al Qaeda, organização chefiada por Osama Bin Laden, terrorista formado pela CIA para enfrentar os soviéticos que haviam ocupado o Afeganistão, em 1979.

No entanto, para muitos, o atentado às torres gêmeas não foi devidamente esclarecido. Várias questões duvidosas a seu respeito não foram respondidas, e até hoje pairam no ar como uma nuvem de fumaça a ameaçar o grande castelo de mentiras, assassinatos, chantagens, censuras e podridão moral que se transformou o governo imperialista norte-americano.

Contradições que revelam a verdade

Fruto das contradições que se acentuam atualmente entre Rússia e EUA devido ao bloqueio econômico imposto ao país após a anexação da Crimeia e o apoio aos rebeldes separatistas da Ucrânia, o presidente russo Vladimir Putin tem retomado a discussão sobre o atentado como barganha para frear os intentos norte-americanos na região.

Putin diz possuir imagens de satélite que demonstram que o governo Bush (e seus sucessores como cúmplices) está envolvido na morte de mais de 3.000 pessoas pelo único motivo de salvar a indústria bélica norte-americana do buraco em que se encontrava na época. Além disso, era necessário alavancar a indústria petrolífera estadunidense. O episódio serviu para devastar o Afeganistão a procura de Bin Laden e pilhar os milhões de litros de petróleo dos campos do Iraque, sob a acusação de que Saddan Hussein possuía armas químicas de destruição em massa. Bin Laden foi morto dez anos depois, e os imperialistas foram obrigados a admitir que mentiram sobre a existência de armas químicas de Saddan.

Em 2006, os jornalistas brasileiros Marcelo Csettkey e Marcelo Gil, após quatro anos de pesquisas, lançaram o livro Crime de Estado – A verdade sobre o 11 de setembro, e chegaram, naquela época, à mesma conclusão que está vindo à tona a partir do acirramento das disputas entre os estados imperialistas por mercados e posições militares estratégicas.

O que descobriram?

1) Os órgãos de inteligência norte-americanos (CIA, FBI, NSA, CSG), o Pentágono e a Casa Branca estavam amplamente informados, meses antes de 11 de setembro, da presença de terroristas ligados a Al Qaeda em território nacional e com objetivos claros de promover um atentado ao WTC. Três relatórios determinantes foram abafados, engavetados, ou mesmo adulterados, para que as investigações não fossem adiante.

2) O presidente do Egito, Hosni Mubarak, o ministro do Interior Afegão, Ahmed Wakil Muttawakil, e o Mossad (serviço secreto de Israel), alertaram o governo Bush sobre a possibilidade de atentados, sequestros de aviões e mortes em massa.

3) Nenhum dos quatro voos que mudaram de rota no dia 11 foram interceptados ou mesmo abatidos pelo sistema de defesa dos Estados Unidos, procedimento considerado obrigatório. Entre a decolagem do primeiro avião e o choque com a torre, houve um intervalo de mais de 30 minutos, tempo suficiente para a interceptação, aviso de retorno à rota original e tomada de decisão pelo alto comando para abatê-lo.

4) Apesar de a imprensa norte-americana ter acompanhado as investigações prévias e denunciado a omissão das autoridades, ela muda completamente seu comportamento e deixa de questionar o governo a respeito das investigações posteriores aos atentados, pois se submeteu à censura explícita do Estado, ganhando como recompensa a alteração da legislação que regula o mercado de comunicações no país, favorecendo o monopólio da mídia. Os principais beneficiados por essa medida foram os seis grandes conglomerados midiáticos ianques: Time Warner (CNN), CBS, Disney (ABC), General Eletric (NBC), Universal e Fox.

5) Da mesma forma, o Senado norte-americano se absteve de tomar as medidas necessárias frente aos relatórios e denúncias recebidas pela comissão estabelecida para estudar toda a situação. Conforme Deonísio da Silva, na apresentação do livro, “se, como disse Engels, ‘a ciência é a eliminação progressiva do erro’, a mídia parece empenhada, em momentos decisivos, na eliminação progressiva da verdade”.

Novas revelações

Recentemente, uma equipe de oito pesquisadores liderados pelo professor Niels Harrit, da Universidade de Copenhagen (Dinamarca), comprovou a existência de explosivos altamente tecnológicos em amostras dos escombros das torres gêmeas e do prédio 7.

Essa descoberta pode explicar a queda livre dos prédios num processo de demolição implosiva controlada. Os aviões não poderiam derrubar as torres gêmeas devido à temperatura do combustível não ser suficiente alta para derreter aço. O impacto também não podia ter afetado a estrutura tal como afirmado pelo governo norte-americano, uma vez que o prédio foi projetado para suportar aviões daquele tamanho. Ferro derretido na base dos prédios ficou vivo por várias semanas. E por três meses, fotos infravermelhas de satélites mostraram bolsões de alto calor nas torres.

Além disso, o empresário Larry Silverstein, em 24 de julho de 2001, adquiriu todo o complexo do WTC, dois meses antes do “ataque”, e segurou os prédios em dois bilhões de dólares contra ataque terrorista, algo como todos sabemos um tanto incomum.

Como não se consegue sustentar uma grande mentira por muito tempo, além da ameaça de Putin, outras evidências da farsa que foi o 11 de setembro vão aparecendo e provando a tese de que o governo Bush foi mentor e articulador dessa barbaridade contra seu próprio povo e a humanidade.

Marcos Villela, Rio de Janeiro

Encontro internacional de sindicalistas acontecerá no Rio de Janeiro

cartaz ElacsNos dias 30 e 31 de outubro e 1º de novembro de 2015, ocorrerá a décima edição do Encontro Latino-Americano e Caribenho de Sindicalistas (ELACS), na cidade de Miguel Pereira, região Serrana do Rio de Janeiro. As atividades do encontro ocorrerão na Colônia de Férias Graham Bell, do Sinttel-RJ, e deverão participar delegações de Porto Rico, República Dominicana, México, Venezuela, Equador, Colômbia, Peru, Argentina e Uruguai, além dos delegados de todas as regiões do Brasil.

Iniciado em 1988, na República Dominicana, o ELACS é um espaço de articulação da classe trabalhadora contra os monopólios capitalistas e o imperialismo. O desafio de sua décima edição é preparar a mobilização contra a retirada de direitos previdenciários e as reformas trabalhistas, que significam descarregar as consequências da crise mundial sobre as costas dos trabalhadores; denunciar a criminalização às lutas sindicais e a perseguição aos dirigentes; e preparar a luta contra a terceirização, a precarização e a falta de segurança e saúde.

A Coordenação Internacional do 10º ELACS está a cargo do Movimento Luta de Classes (Brasil), da União Geral dos Trabalhadores do Equador (UGTE) e do Movimento dos Trabalhadores Independentes (MTI), da República Dominicana. É a primeira vez que nosso país vai sediar o evento.

Nosso desafio (além de receber as delegações estrangeiras) é organizar bancadas de sindicalistas combativos de várias categorias, nos diferentes estados da federação, para que o maior número possível de companheiros e companheiras possa viver a experiência de participar de um encontro internacional como este.

Por isso, mãos à obra na construção do 10º ELACS!

Thiago Santos, da Coordenação Nacional do MLC

Unidade Popular pelo Socialismo realiza plenária em Recife

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up recife (3)

No final de fevereiro, a Unidade Popular pelo Socialismo (UP) realizou uma plenária estadual para lançamento oficial do partido em Pernambuco. A plenária aconteceu na Câmara Municipal do Recife e contou com a participação de mais de 100 pessoas e lideranças de vários movimentos sociais que apoiam a campanha pela legalização do novo partido.

Estiveram presentes, dentre outros, o economista e ex-professor da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) José Fernandes, o vereador de Olinda, , Marcelo Santa Cruz (PT), o membro do Partido Comunista Revolucionário (PCR), Edival Cajá, a coordenadora nacional do Movimento de Mulheres Olga Benário, Guita Marly, integrantes da Esquerda Marxista e do vereador do Recife, Luís Eustáquio.

Em meio à análise de conjuntura política e econômica pela qual passa o Brasil e o mundo, foi reafirmada a necessidade de um instrumento institucional legal e popular que represente os trabalhadores no governo. Um exemplo lembrado pelo companheiro Josivaldo, integrante da Esquerda Marxista, foi o Syriza, partido de esquerda que ganhou destaque na Grécia nas últimas eleições e que tem implementado algumas medidas econômicas em favor dos trabalhadores.

“Muitos querem explicar que a causa da grande crise que ocorre hoje é culpa do PT, do atual governo (…) acontece que a corrupção, a exploração e a opressão não nasceram agora, nasceram junto com o sistema capitalista. (…) A administração brasileira tem que ser passada às mãos da classe trabalhadora, o Estado tem que ser administrado por quem produz! Então é uma felicidade ver nascer esse novo partido que não se engana com a propaganda dessa mídia capitalista”, concluiu Cajá, em apoio às bandeiras de luta da UP.

Thiago Santos, coordenador estadual da UP, ressaltou a importância do trabalho coletivo na construção do novo partido. “Temos a tarefa de organizar os trabalhadores na disputa pelo governo. E temos sido bem recebidos, estimulados e apoiados pela população e pelas lideranças dos movimentos sociais. O trabalho conjunto de toda a militância e dos aliados vai garantir que consigamos atingir as assinaturas exigidas pelo Tribunal Superior Eleitoral para legalização do partido”, destacou.

Ludmila Outtes, Recife

Legado de Dorothy Stang permanece vivo nos povos da Amazônia

A file photo of Missionary sister Dorothy Stang in Brazil's Amazon

Em 12 de fevereiro de 2005, foi assassinada, aos 73 anos, a missionária Dorothy Stang, conhecida como Irmã Dorothy. A vítima levou com sete tiros numa emboscada na zona rural de Anapu, a 500 km de Belém do Pará. Os mandantes, Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, e Regivaldo Galvão, o Taradão, latifundiários com terras ao longo da transamazônica, tinham o intuito de eliminar a missionária e acabar, pelo medo, a luta pela reforma agrária na região. Contudo, a crueldade e a covardia que envolveu o homicídio ganhou notoriedade nacional e internacional e gerou protestos em várias partes do mundo.

Para relembrar os dez anos de martírio da Irmã Dorothy, centenas de pessoas participaram, no último dia 12 de fevereiro, em Belém, de um ato ecumênico em sua memória. Logo após, os presentes e demais ativistas sociais dirigiram-se à Praça dos Mártires de Abril (referência ao massacre dos 21 trabalhadores rurais em El Dorado dos Carajás), onde realizaram ato público, que contou com a presença da CNBB, do MST, da SDDH, do Comitê Dorothy, que declarou: “Dorothy lutou pelo projeto de desenvolvimento sustentável, na região de Anapu, Oeste do Pará, e morreu lutando pela sua implantação, conquistando a criação de dois projetos, o Virola Jatobá e o Esperança, em torno do mesmo município. Os projetos continuam vivos, produzindo e mantendo vivo o legado de Dorothy, e os agricultores mantém hasteada a bandeira da reforma agrária”. O coordenador geral da CPT, padre Paulo Joanil da Silva, declarou: “Infelizmente as mortes continuam a ocorrer e a impunidade persiste. Muitos casos não são julgados. Falta vontade política para fazer reforma agrária e para fazer justiça”.

Amazônia e reforma agrária

A disputa pela posse da terra na Amazônia agravou-se após o golpe militar de 1964. Com o objetivo de explorar as riquezas e aumentar a densidade demográfica na região, a ditadura fascista criou programas para atrair imigrantes camponeses, principalmente das regiões Nordeste e Sul. Porém, ao chegarem à região, depararam-se com poucos loteamentos disponíveis, apesar da vastidão de terras. Nesta situação atuaram (e continuam atuando) os grileiros, que falsificam escrituras para tomar as terras públicas e os lotes concedidos a uma parte dos trabalhadores, contando com o apoio das superintendências administrativas e policiais.

Em 1966, Dorothy deixou os Estados Unidos, sua terra natal, com destino à Amazônia (primeiramente o Maranhão e posteriormente o Pará) para atuar como missionária a serviço da congregação católica Irmãs de Nossa Senhora de Namur. Seus primeiros contatos a revelaram uma situação de extrema miséria à qual são submetidas as famílias campesinas, e imediatamente ela integra-se à luta pela reforma agrária e por justiça social no campo, integrando a Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Já no Município de Anapu, Dorothy trabalha como professora e ajuda a construir a primeira escola de formação de professores da zona rural, a Brasil Grande, e defende, com voracidade, projetos de uso sustentável da terra sob o controle de associações de trabalhadores rurais. Algumas áreas são conquistadas pelos trabalhadores por meio da luta, o que gera o ódio dos latifundiários da região.

Uma das áreas coletivizadas distanciava apenas alguns quilômetros da rodovia transamazônica,, e a administração coletiva da terra aumentou sua produtividade e melhorou os pontos de acesso onde antes era mata fechada. Os latifundiários, tendo à frente Vitalmiro e Regivaldo, com a intenção de expandir suas fazendas, adulteraram inúmeros documentos e escrituras para tomar a terra dos trabalhadores. Porém, através de denúncias e mobilizações, encabeçadas pela missionária Dorothy, a terra permaneceu sob controle popular, mas ela passou a receber inúmeras ameaças de morte.

A Justiça Federal chegou a oferecer, formalmente, proteção, entretanto, Dorothy intervém com a seguinte frase: “Aceitarei a proteção policial somente se forem protegidas todas as famílias da associação, caso contrário, agradeço, porém rejeitarei a oferta”. A justiça nega proteção coletiva e demonstra negligência, que termina por favorecer os latifundiários. Eis uma das últimas declarações da missionária: “Não vou fugir nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta”.

No dia da emboscada, uma testemunha relatou que, antes de receber os disparos que lhe ceifaram a vida, ao ser indagada se estava armada, Irmã Dorothy afirmou “eis a minha arma!” e mostrou a Bíblia.

O mandante do crime, Vitalmiro, foi condenado a 30 anos de prisão, depois inocentado, e novamente condenado a pena máxima, porém já encontra-se em regime semiaberto e a qualquer momento pode conseguir liberdade plena. A negligência, por parte da Justiça, em relação à investigação ao segundo mandante, o fazendeiro Regivaldo Galvão, o Taradão, tem gerado reclamações. Julgado e condenado, o fazendeiro recorreu e conseguiu um habeas corpus, o qual o permitirá aguardar o fim do processo em liberdade. Também existe a possibilidade de ter havido um acordo entre latifundiários e empresários da região por trás da morte da missionária, porém a Justiça negou uma investigação aprofundada da suspeita.

O caso Dorothy é um dos muitos que assolaram a sociedade, criaram mártires e levaram a opinião pública a debater sobre os conflitos fundiários, as ameaças aos trabalhadores rurais, a lentidão da Justiça e a necessidade de uma transformação profunda das relações no campo.

Debora Monteiro e Matheus Nascimento, Belém

Stiupb começa a Campanha Salarial 2015 da Cagepa

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assembleia stiupb

A campanha salarial dos trabalhadores e trabalhadoras da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), em 2014, confirmou-se como uma das mais difíceis dos últimos anos. Contudo, 2015 já começou com mobilizações construídas pelo Sindicato dos Urbanitários da Paraíba (Stiupb), desde fevereiro, a partir de reuniões com os diretores regionais e delegados sindicais. Assim, desde o dia 25 de março, assembleias estão sendo realizadas em todo o Estado, como em Campina Grande, Patos, Pombal, Sousa, Cajazeiras, Monteiro, Guarabira e Picuí.

“Estamos felizes com a participação da categoria, sinalizando com um bom grau de maturidade de classe. Neste ano, estamos lutando por 13% de reajuste salarial, tíquete-alimentação de R$ 800,00 e diminuição do valor que os trabalhadores pagam para ter direito ao plano de saúde”, declarou Wilton Maia, presidente do Stiupb.

Neste ano, o tema da campanha é “Agora é a nossa vez! Vem pra luta”, em referência às mobilizações populares que têm ocorrido no país desde 2013. “Agora, é hora de os cagepeanos levantarem suas bandeiras e exigirem que suas reivindicações sejam atendidas. Os direitos não são dados, mas conquistados com a unidade da categoria, que decide coletivamente suas ações”, finaliza Wilton.

Redação PB

Exército colombiano ataca o processo de paz

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As FARC – Forças Armadas Revolucionária da Colômbia – acabam de lançar um SOS pela manutenção da trégua com o Exército colombiano, declarada em 20 de dezembro de 2014. Ao mesmo tempo, ordenam às suas tropas que se alinhem e estejam preparadas para combater a ofensiva do Exército Nacional. O presidente Juan Manuel Santos, por sua vez, utiliza a ofensiva militar para pressionar a delegação das FARC em Havana a assinar um protocolo de paz agachado, covarde, submetido apenas aos interesses do governo. Em comunicado anterior, a delegação de paz das FARC já havia anunciado que “manifestamos ser impossível um acordo que preveja um só dia de prisão para qualquer guerrilheiro pelo fato de ter exercido o direito à rebelião, de alto valor humanitário, para acabar com as injustiças que nosso povo padece”.

Leia o manifesto em defesa da manutenção da trégua:

“Alertamos nossas forças guerrilheiras em todo o país sobre a grave situação:

A partir de 20 de dezembro setores belicistas continuaram em seus esforços para sabotar o cessar-fogo unilateral e o processo de paz, operando a partir de instituições do Estado e do comando do exército em particular.

Em todo o território nacional se intensifica a ofensiva militar. O envio de tropas acompanhado por bombardeios, desembarques e agressões, causou até o momento seis guerrilheiros mortos, seis feridos, 2 capturados, e também o lamentável saldo de 14 soldados mortos e cinco feridos.

Presidente Santos, no meio de um processo que busca a reconciliação, é incoerente provocar dessa maneira o reinício do fogo e o ataque à infraestrutura econômica do Estado, em vez de promover o calar das armas. Essa irresponsabilidade tem rarefeito a atmosfera, tornando-se cada vez mais insustentável o cessar-fogo unilateral.

Em Chocó, Sr. Presidente, estão distribuindo folhetos com fotos de nossos porta-vozes de Paz, incitando à deserção dos guerrilheiros com a falácia de que seus comandantes estão em férias em Havana. Em vez de distribuir propaganda suja, e de perseguir e assassinar líderes populares, faça alguma coisa para gerar condições favoráveis à paz. Não custa nada responder à guerrilha com reciprocidade e grandeza.

Você rejeitou o cessar-fogo bilateral argumentando que a guerrilha utiliza a trégua para se fortalecer política e militarmente, mas o que estamos vendo é o exército se aproveitando do cessar fogo unilateral de nossas ações ofensivas para tirar vantagem militar, como a de patrulhar tranquilamente em áreas onde não poderia fazê-lo, pela presença de uma guerrilha combativa.

Ao mesmo tempo em que alertamos nossas forças guerrilheiras em todo o país sobre a situação, lançamos um SOS ao movimento social e popular na Colômbia, à Frente Ampla pela Paz, aos povos e países amigos, para que defendam esse processo e exijam o fim da provocação de setores belicistas, que buscam, com mesquinhez, murchar a esperança de paz”. 

Redação Rio

Resolução do PCR sobre a conjuntura

passeata maceióLutar contra o retrocesso na política e na economia, construir a UP, desenvolver a consciência de um revolução popular nas massas e ampliar as lutas dos trabalhadores, das mulheres e da juventude

  1. Como sabemos, a vitória de Dilma e do PT na última eleição para presidente da República foi uma das mais apertadas da história recente do país. Do total de votos válidos, Dilma obteve 54,5 milhões, enquanto Aécio, 51,041 milhões, ou seja, uma diferença de apenas 3,4 milhões. Além disso, 30,14 milhões de pessoas não votaram em nenhum dos dois candidatos.
  1. Esse resultado expressou um fortalecimento da direita e o crescimento do desgaste do PT junto a setores da população que, em eleições anteriores, votaram neste partido. De fato, somados os votos em Aécio e as abstenções/nulos/brancos, mais de 80 milhões de pessoas não votaram na candidata do PT e de Lula. Destaque-se ainda que o problema não foi falta de dinheiro para a campanha, uma vez que Dilma gastou R$ 330 milhões. O mesmo, porém, vale para o PSDB, pois 84 milhões de brasileiros rejeitaram sua volta à Presidência. As eleições demonstraram, portanto, um certo equilíbrio entre essas duas forças.
  1. Expressão ainda deste desgaste foi a redução da bancada do PT na Câmara dos Deputados: em 2002, elegeu 91 deputados federais; em 2006, 83; em 2010, 88; em 2014, caiu para 70, além de ter perdido em 17 das 27 capitais do país.
  1. O enfraquecimento do PT é resultado do seu processo de degeneração e de direitização que vem ocorrendo desde que o partido aprofundou seus vínculos com a grande burguesia nacional (José Alencar) e com o capital financeiro (Carta aos Brasileiros), mudou sua posição sobre as privatizações e a dívida pública, e, após ter assumido o governo, não realizou nenhuma mudança estrutural na economia do país, nem adotou medidas importantes, como a reforma agrária, a suspensão dos pagamentos dos juros da dívida pública, nem nacionalizou nenhuma das empresas privatizadas por FHC, diferente do que fizeram os governos da Bolívia e da Venezuela, etc. Junte-se a isso o envolvimento cada vez maior do PT em escândalos de corrupção, como é o caso da Operação Lava-Jato.
  1. Após as últimas eleições, esse desgaste se acelerou devido às concessões feitas à direita, como a nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda (indicado pelo dono do Bradesco), de Katia Abreu para o Ministério da Agricultura (indicada pelo agronegócio), entre outros. Mais grave foram as medidas de ajuste fiscal para obter o superávit primário (garantia para pagar os juros da dívida pública), as MPs 664 e 665, que reduzem o direito ao seguro desemprego e ao abono salarial de milhões de trabalhadores e o corte de verbas da educação. Ainda retirou de milhões de famílias o direito à redução das contas de energia e aumentou estas tarifas, assim como fez com o preço da gasolina, além de permitir que grandes redes de supermercados realizassem uma onda de aumentos nunca vista nos últimos anos no país. Tais medidas, contrárias ao que pregou na campanha eleitoral e criticou nos seus adversários, fez a presidenta Dilma perder credibilidade e autoridade perante grande parte da população, além de colocar na defensiva partidos e forças políticas de esquerda que a apoiaram, gerando desconfiança nas massas trabalhadoras e fortalecendo ainda mais a direita e seu discurso.
  1. Ao mesmo tempo, desde a posse do novo governo, cresceu a disputa interna dentro do PT, e o ex-presidente Lula passou a fazer publicamente críticas a ministros e ao modo Dilma de governar, reunindo-se com o PMDB e dando razão aos seus achaques e à sua pressão por mais espaço no governo. Tal comportamento enfraqueceu ainda mais a presidenta e sua autoridade junto ao PT, ao PMDB e a toda chamada base aliada. O fato é que o governo perdeu a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados e votações no Congresso, o que aumentou a desconfiança dos setores da grande burguesia em relação à sua capacidade de seguir governando.
  1. As forças de esquerda que apoiaram a reeleição, vendo as medidas de ajuste fiscal impostas pelo governo, tentaram se mobilizar para revertê-las, convocando as massas para irem às ruas. Entretanto, como o desgaste do governo se acelerava e a extrema-direita continuava se fortalecendo e ameaçando com um impeachment, as manifestações, que inicialmente tinham como reivindicações o repúdio ao corte de direitos e às MPs 664 e 665, a defesa da Petrobras e da democratização dos meios de comunicação, etc., transformaram-se principalmente em atos de apoio ao governo Dilma.
  1. No total, segundo a CUT, as manifestações do último dia 13 de março reuniram entre 150 e 200 mil pessoas em todo país. Embora tenham sido importantes, representam um número pequeno num país do tamanho do Brasil, ainda mais por serem atos convocados por partidos de esquerda, parlamentares, prefeituras e entidades como CUT, MST e UNE, em apoio a um governo eleito há menos de cinco meses com mais de 54 milhões de votos. Lembremos que as manifestações de junho de 2013 reuniram mais de três milhões de pessoas.
  1. Por outro lado, a direita, com total apoio dos grandes meios de comunicação, realizou, no dia 15 de março, atos contra a corrupção e contra o governo, que, segundo o Instituto do DataFolha, levaram às ruas mais de 500 mil pessoas, sendo 72% dos participantes desses atos eleitores do PSDB e, em sua maioria, provenientes das camadas médias e ricas da população. Mesmo assim, esses atos mostraram a ofensiva da direita e de sua capacidade de mobilização de setores mais privilegiados da população e, caso continuem, podem influenciar setores populares. Após o dia 15, um relatório da Secretaria de Comunicação Social da Presidência assim descreveu o estado de espírito da direita e dos membros do PT: “Ironicamente, hoje são os eleitores de Dilma e Lula que estão acomodados com o celular na mão, enquanto a oposição bate panela. Dá para recuperar as redes, mas é preciso, antes, recuperar as ruas”.  E: “Não adianta falar que a inflação está sob controle quando o eleitor vê o preço da gasolina subir 20% de novembro para cá ou sua conta de luz saltar em 33%. O dado oficial IPCA conta menos do que ele sente no bolso. Assim como um senador tucano (Antonio Anastasia, MG) na lista da Lava Jato não altera o fato de que o grosso do escândalo ocorreu na gestão do PT”, afirma.
  1. Cabe aqui notar que nem o dia 13/03 nem o dia 15/03 tiveram a massividade e o caráter combativo das manifestações de junho de 2013, que enfrentaram uma feroz repressão e obtiveram conquistas como a redução dos preços das passagens em várias capitais e cidades do país, e sem contar com apoio de nenhum governo ou meio de comunicação.
  1. No momento, embora uma minoria reacionária deseje um golpe militar contra o governo e a volta da ditadura, não há correlação de forças para isso, pois nosso povo conquistou a democracia burguesa graças à luta das massas e de revolucionários como Manoel Lisboa, Carlos Marighella e Sônia Angel e não admite a volta do fascismo. Em suma, os golpistas não passarão! Mas há sim a possibilidade de um golpe institucional, ou seja, de um impeachment, haja vista que o governo segue fazendo concessões à direita e não abre mão de adotar um ajuste fiscal que prejudica os mais pobres nem de demitir seus ministros que representam os interesses das classes ricas. Além disso, seu principal aliado no Congresso Nacional, o PMDB, não tem nenhum princípio.
  1. Para barrar o crescimento da direita e reconquistar o apoio popular, o governo precisa mudar, governar para as massas trabalhadoras e não para as classes ricas, fazer os ricos pagarem pela crise e não os que trabalham e ganham baixos salários. Taxar as grandes fortunas, controlar as remessas de lucros, suspender o pagamento dos juros, controlar os preços, colocar a Polícia Federal para investigar as privatizações e parar de fazer concessões selvagens, privatizações de rodovias, aeroportos e leilões do petróleo. Se o governo continuar jogando nos setores populares a conta da crise, permitindo que as grandes empresas sigam demitindo em massa, eliminando direitos conquistados pelo povo, a direita, com sua demagogia e seus meios de comunicação, atrairá mais e mais apoio junto à população.
  1. Diante desse quadro, não devemos ficar indiferentes. Devemos repudiar todas as tentativas de golpe, denunciar os crimes da ditadura militar, exigir punição para os torturadores, desmascarar quem é o PSDB e o DEM, o que fizeram contra o povo. Ao mesmo tempo, devemos deixar claro que não concordamos com a política econômica do governo, com o ajuste fiscal, com as privatizações e com os privilégios para o capital financeiro. Enfim, o governo precisa dar uma guinada à esquerda e tomar medidas firmes como o congelamento dos preços, a suspenção do pagamento da dívida pública, reestatizar as empresas privatizadas, reduzir o valor da conta de luz e dos aluguéis, taxar as grandes fortunas, diminuir os impostos sobre os trabalhadores, etc. Devemos ainda defender a imediata demissão de Joaquim Levy e Kátia Abreu, mais verbas para a saúde e a educação, e afirmar que nenhuma crise no Brasil pode ser solucionada com a burguesia no governo, além de propagandear nosso programa revolucionário. O fato é que o povo só vai às ruas defender um governo quando este está ao seu lado, e não ao lado dos ricos, ou quando há um risco de golpe fascista e de implantação de uma ditadura no país.
  1. Camaradas, o momento exige firmeza e combatividade de todos os militantes do Partido Comunista Revolucionário. Mais do que nunca, necessitamos crescer a influência do nosso partido sobre as massas trabalhadoras, organizar e apoiar greves, recrutar centenas de militantes, organizar células nos bairros, nas fábricas, nas escolas e universidades, organizar brigadas do jornal A Verdade todas as semanas, conquistar sindicatos, DCEs, realizar ocupações, passeatas e ensinar ao povo que só conquista quem luta. Elevar a consciência das massas sobre a necessidade de uma revolução popular e sobre o que é uma sociedade socialista.
  1. Por fim, não podemos esquecer, porém, que temos também uma grande tarefa neste ano de 2015, que é conquistar a legalização da Unidade Popular pelo Socialismo. É preciso sair da defensiva e colocar como nossa prioridade a coleta de apoiamentos para a UP, ter metas diárias e organizar os dias nacionais para coleta de assinaturas.

 O PCR vive e luta!

22 de março de 2015

Secretariado Nacional do Partido Comunista Revolucionário (PCR)

“É necessário continuar a luta pelo fim da impunidade dos agentes da ditadura”

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Cajá 01Em entrevista ao jornal A Verdade, o sociólogo Edival Nunes Cajá analisa a publicação do relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV), pela ótica de quem viveu diretamente a luta contra a ditadura militar. Cajá foi preso em Recife, por duas vezes, entre 1978 e 1979, totalizando quase um ano de cárcere, sob a acusação de ser militante do PCR. Sofreu diversas torturas, mas uma grande mobilização social assegurou sua vida e sua posterior libertação. Atualmente, é presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa m coordenador do Comitê pela Memória, Verdade e Justiça de Pernambuco e membro do Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário (PCR).

A Verdade –Qual a importância do relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV)?
Edival Cajá – O Relatório da CNV é da maior importância para a nossa luta contra a impunidade dos golpistas e torturadores de 1964. Isto não quer dizer que não há defeitos no Relatório. Nele existem várias insuficiências. Primeiro, em função do pouco tempo que teve a CNV, (apenas dois anos para pesquisar e ouvir vítimas e algozes ao longo de um largo período – 1946 a 1988), depois, pelas limitações que remontam à sua origem, como o caráter de classe do governo que lhe deu origem, a sua composição, e ainda devido ao longo tempo entre o cometimento dos crimes e sua instalação. Ainda assim, é tremendamente importante para nós, os sobreviventes das câmaras de tortura da ditadura militar, os familiares dos mortos e desaparecidos políticos e as forças verdadeiramente democratas, pois, trata-se de um verdadeiro libelo acusatório. São provas irrefutáveis dos crimes cometidos por agentes do Estado no decorrer daquele governo fascista, implantado pelo golpe militar de 1964. Sua importância é maior por se tratar de um documento elaborado por um órgão do Estado. É aí que reside a grande diferença entre o Relatório e outros documentos até mesmo mais precisos, com números mais cabalísticos. Porém, agora, é uma peça de autoacusação do Estado, necessitando tão somente da devida responsabilização criminal e penal dos autores materiais e intelectuais para que se ponha fim a esta longa e acintosa impunidade, que é, certamente, uma das principais causas da violência imperante nos dias de hoje na nossa sociedade.

O relatório apresenta 29 recomendações e defende expressamente a punição para agentes do Estado que praticaram, durante a ditadura, graves violações aos direitos humanos, como detenções ilegais, tortura, execuções, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres. Que outros pontos você destaca no relatório?

Merecem destaque o reconhecimento e a inclusão dos cinco generais ditadores-presidentes (Humberto de Alencar Castello Branco, Arthur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo) na lista de 377 agentes públicos e pessoas a serviço do Estado envolvidas em graves violações de direitos humanos, bem como a recomendação de responsabilização das Forças Armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica –, “dado o protagonismo da estrutura militar” verificado em toda a cadeia de comando da repressão política no Brasil, partindo do porão da tortura ao gabinete da Presidência da República no período governado pelos generais ditadores.

E por que a CNV chegou a esta gravíssima conclusão? Não havia como fugir desta cristalina constatação, sobretudo, depois de ouvir 1.121 depoimentos, sendo 132 deles de agentes públicos, visitar 20 unidades da federação, 7 unidade militares e locais usados para a prática de tortura, centenas de diligências investigativas, periciar centenas de atestados de óbitos falsos de opositores do governo militar assassinados, de terem descoberto 30 tipos diferentes de práticas de torturas realizadas pelos agentes da ditadura pertencentes ao Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Federal, Militar, Civil, praticadas no interior de diversas unidades da estrutura do Estado ou em casas, fazendas e usinas de grandes empresários cúmplices da ditadura, como a “casa da morte”, em Petrópolis. Ora, depois de estudar a atuação criminosa da repressão política no interior do país e suas ligações com o exterior, se deram conta de documentos que provam a aliança política e ideológica entre os generais ditadores do Brasil com os do Chile, Bolívia, Argentina, Uruguai e Paraguai para formar a organização criminosa denominada “Operação Condor”, com o objetivo de eliminar os notórios opositores das ditaduras militares na América do Sul.

O que os perseguidos pela Ditadura e suas famílias esperam agora da presidenta Dilma?
Como a presidenta Dilma, na sua juventude, também se destacou na luta contra o Estado policial da ditadura militar e enfrentou com altivez o horror do sequestro, da tortura e do encarceramento, só podemos esperar que ela procure viabilizar, com urgência, o cumprimento das recomendações de responsabilização dos perpetradores das inúmeras e gravíssimas violações dos direitos humanos encaminhadas pela CNV. Para isso, basta levar em conta o caráter vinculante das resoluções dos tribunais internacionais dos quais o Brasil é membro, como as resoluções da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que condena o governo brasileiro por não punir os torturadores da ditadura no Brasil. Ademais, a CNV também solicitou o fim da prescrição da anistia dos crimes cometidos pelos agentes do Estado, pois, juridicamente, não se pode anistiar quem não foi sequer processado; pelo contrário, eles foram elogiados e condecorados por ter “prestados relevantes serviços” ao Estado. Se não houve nenhuma condenação a eles, como se pode aplicar a eles a lei da anistia?

Assim, só podemos esperar o fim da impunidade dos torturadores, seus julgamentos e prisões, bem como a localização dos restos mortais dos nossos patriotas e verdadeiros heróis da liberdade, da democracia e do socialismo, como Manoel Aleixo, David Capistrano, Maurício Grabois, Paulo Wright, entre outros que, um dia, não muito distante, serão recebidos, com certeza, no mais belo Panteão dos heróis da classe operária do Brasil.

Qual será agora o papel das Comissões Estaduais da Verdade, dos Comitês e da luta pela memória, verdade e justiça?
É grande o papel dos Comitês de luta pelo direito à Memória, à Verdade e à Justiça (CMVJ) e das Comissões da Verdade nos estados e de setores específicos, como Correios, universidades, etc. Podemos citar vários exemplos, como a necessidade de continuar a busca dos desaparecidos políticos, pela criação de um órgão de Estado no lugar da CNV para continuar o trabalho ainda inconcluso de investigação e procedimentos para viabilizar, de fato, a justiça de transição em nosso país. Pela construção e preservação da memória dos nossos heróis tombados pela causa da liberdade e do socialismo. Continuar a luta pela abertura dos arquivos da ditadura ainda de posse das forças armadas, a luta pela revogação da famigerada Lei de Segurança Nacional, extinção da Justiça Militar e seus Tribunais e Auditorias Militares, que ainda funcionam nos dias de hoje, no estilo de tribunais de guerra e todo um caríssimo aparato de funcionários e logística, sem ter nenhuma função que não possa ser cumprida pelo sistema judiciário brasileiro. Desmilitarização das polícias militares estaduais, pois, trata-se de uma maldita herança da ditadura militar, que atribuiu às polícias militares um caráter militar próprio de força de combate para a guerra, bem como a sua vinculação às Forças Armadas e isto tudo agrava o seu caráter violento. Os Comitês e Comissões da Verdade devem continuar a luta pelo fim da repressão às manifestações reivindicatórias dos movimentos sociais populares, sua criminalização e perseguição; pelo fim da tortura aos presos comuns nas delegacias da periferia, presídios e instalações militares (e isto se deve à impunidade dos torturadores da ditadura). Por fim, devemos articular a realização de debates e seminários nos sindicatos, escolas e universidades para conquistar a consciência da classe trabalhadora e da juventude para alcançarmos estes sagrados objetivos.

Da Redação

20 mil protestam na Alemanha contra nova sede do Banco Central Europeu

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A policeman stops a 'Blockupy' anti-capitalist protester near the ECB building before the official opening of its new headquarters in Frankfurt

Cerca de 20 mil pessoas participaram de um protesto contra a inauguração da nova sede do Banco Central Europeu (BCE) em Frankfurt, na Alemanha, na última quarta-feira (18). O ato foi convocado pelo movimento anticapitalista Blockupy, que agrega cerca de 90 organizações.

Germany Protests ECB

Enquanto a Grécia e todo o sul da europa encontram-se sufocados pelas medidas de austeridade da troika – da qual o BCE faz parte – e mais de 6 milhões de espanhóis não possuem emprego, os novos prédios do BCE custaram a bagatela de 1,3 bilhão de euros, o que gerou grande indignação popular.

Policemen stand in front of 'Blockupy' anti-capitalist protesters near the ECB building before the official opening of its new headquarters in Frankfurt

A manifestação foi marcada pela violência policial, que usou bombas de gás lacrimogêneo, canhões d’água e spray de pimenta contra os manifestantes. Em resposta, automóveis foram incendiados, policiais agredidos e diversas barricadas foram espalhadas. Cerca de 350 manifestantes foram presos e 200 ficaram feridos. Dentre as forças da repressão cerca de 88 policiais também se feriram, sendo que a maioria desses apenas passou mal ao ingerir o próprio gás lacrimogêneo.

Germany Protests ECB

Em entrevista ao jornal alemão Neues Deutschland, Martin Schmalzbauer, um dos líderes do movimento, disse que a manifestação fez história, pois “no dia da Comuna de Paris (18 de março), um movimento forte, contra a política de austeridade e por uma Europa solidária foi às ruas e exatamente na Alemanha, a força principal dessas medidas de austeridade.”

Germany Protests ECB

O ato foi boicotado por grande parte da imprensa, que preferiu cobrir a “violência” do protesto ao invés de abordar suas pautas. Christoph Kleine, ativista do Blockupy, ressaltou: “Quando falamos sobre violência, devemos falar antes de tudo sobre a mortal e existencial violência contra as pessoas na Grécia. E devemos falar sobre a violência policial, sobre o uso massivo de granadas de gás lacrimogêneo e canhões d’água.”

A street blockade of anti-capitalist protesters burns near the new ECB headquarters in downtown Frankfurt

Glauber Ataide

Vídeo: Equatorianos marcham contra autoritarismo

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No último dia 19 de março, mais de 200 equatorianos marcharam em várias cidades do país contra o autoritarismo do governo do presidente Rafael Correa. Confira o vídeo.

Governo da Venezuela envia carta ao povo norte-americano

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VENEZUELA-CHAVEZ-REMAINS

O governo bolivariano da Venezuela publicou nesta terça-feira (17/03) uma carta ao povo dos Estados Unidos no jornal “New York Times” onde desmente a afirmação feita pelo presidente Obama de que o país seria “uma ameaça à segurança nacional dos EUA” e exige a revogação das sanções recentemente impostas pela Casa Branca numa clara tentativa de se meter nos assuntos internos da Venezuela. Confira a carta assinada pelo presidente Nicolás Maduro.

Carta ao povo dos Estados Unidos: A Venezuela não é uma ameaça

Somos o povo de Simón Bolívar, que acredita na paz e no respeito a todas as nações do mundo.

Liberdade e Independência

Há mais de dois séculos, nossos pais fundaram uma República sobre a base de que todas as pessoas são livres e iguais perante a lei.

Nossa nação sofreu os maiores sacrifícios para garantir aos americanos do sul o direito de hoje eleger seus governantes e aplicar suas próprias leis.

Por isso, sempre recordamos o legado histórico de nosso mestre Simón Bolívar, homem que dedicou sua vida para que nós herdássemos uma Pátria de justiça e igualdade.

Acreditamos na Paz, na Soberania Nacional e na Lei Internacional

Somos um povo pacífico. Em dois séculos de independência nunca atacamos outra nação. Somos um povo que vive numa região de paz, livres de armas de destruição em massa e com liberdade para praticar todas as religiões. Defendemos o respeito à lei internacional e à soberania de todos os povos do mundo.

Somos uma sociedade aberta

Somos um povo trabalhador, que cuida de sua família e professa a liberdade de culto. Entre nós vivem imigrantes de todo o mundo, que são respeitados em sua diversidade. Nossa imprensa é livre e somos entusiastas usuários das redes sociais da internet.

Somos amigos do povo dos Estados Unidos da América

A história de nossos povos tem estado conectada desde o início de nossas lutas para conquistar a liberdade. Francisco de Miranda, herói venezuelano, compartilhou com George Washington e Thomas Jefferson, durante os primeiros anos da nascente nação estadunidense, os ideais de justiça e liberdade, que foram conceitos fundamentais em nossas lutas independentistas. Nós compartilhamos a ideia de que a liberdade e a independência são elementos fundamentais para o desenvolvimento de nossas nações.

 As relações entre nossos povos sempre foram de paz e respeito. Historicamente temos compartilhado relações comerciais em áreas estratégicas. A Venezuela tem sido um fornecedor responsável e confiável de energia para o povo norte-americano. Desde 2005, a Venezuela proporciona “heating oil” (petróleo usado para aquecimento. NT) subsidiado para comunidades pobres nos Estados Unidos por meio de nossa empresa CITGO. Este aporte tem ajudado dezenas de milhares de cidadãos estadunidenses a sobreviver em condições difíceis, dando-lhes um alívio muito necessário e um apoio em tempos de necessidade, mostrando como a solidariedade pode construir alianças poderosas além das fronteiras.

Entretanto, incrivelmente, o governo dos EUA nos declara uma ameaça para a segurança nacional e a política exterior do país

Em um ato desproporcional, o governo de Obama se declarou em emergência porque considera a Venezuela uma ameaça para sua segurança nacional (Ordem Executiva, 15/09/2015). Essas ações unilaterais e agressivas realizadas pelo governo dos Estados Unidos contra nosso país não apenas são infundadas e violam os princípios básicos da soberania e a livre determinação dos povos sob a lei internacional, como também têm sido rechaçadas por unanimidade pelos 33 países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e pelos 12 Estados membros da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL). Em uma declaração feita em 14 de março de 2015, a UNASUL reiterou seu firme rechaço a estas medidas coercitivas que não contribuem para a paz, a estabilidade e a democracia em nossa região, e exigiu que o presidente Obama revogue sua ordem executiva contra a Venezuela.  

Rechaçamos o unilateralismo e a extraterritorialidade

O presidente dos Estados Unidos, sem autoridades para intervir em nossos assuntos internos, de forma unilateral iniciou uma série de sanções contra funcionários venezuelanos e abriu as portas para continuar com este tipo de sanções, interferindo em nossa ordem constitucional e em nosso sistema de justiça.

Defendemos um mundo pluripolar

Acreditamos que o mundo deve reger-se pelas normas do Direito Internacional. Sem intervenções de outros países nos assuntos internos dos demais. Com a convicção de que relações de respeito entre as nações são o único caminho para consolidar a paz e a convivência, bem como consolidar um mundo mais justo.

Honramos nossas liberdades e manteremos nossos direitos    

Nunca antes na história de nossas nações um presidente estadunidense tentou governar os venezuelanos por decreto. É uma ordem tirana e imperial que nos arrasta aos dias mais obscuros das relações dos Estados Unidos com a América Latina e o Caribe.

Por nossa longa amizade, alertamos aos nossos irmãos estadunidenses, amantes da justiça e da liberdade, da agressão ilegal que está cometendo o governo em seu nome. Não permitiremos que nossa amizade com o povo dos Estados Unidos seja afetada por esta decisão absurda e sem fundamento do presidente Obama.

Por isso, demandamos:

  1. Que cessem as ações hostis do governo dos EUA contra o povo e a democracia na Venezuela.
  2. Que se revogue a ordem executiva que declara a Venezuela uma ameaça, como solicitou a União de Nações Sul-Americanas (UNASUL).
  3. Que se suspendam as injuriantes sanções contra honrados funcionários venezuelanos que apenas obedeceram nossa Constituição e nossas leis.

Nossa soberania é sagrada

O lema dos fundadores dos Estados Unidos é repetido hoje com a mesma dignidade pelo povo de Simón Bolívar. Em nome de nosso amor em comum pela independência nacional, esperamos que o governo do presidente Obama reflita e retifique este passo em falso.

Estamos convencidos que a defesa de nossa liberdade é um direito ao qual não renunciaremos jamais, pois aqui também está o futuro da humanidade. Como bem dizia Simón Bolívar, “a liberdade do Novo Mundo é a esperança do universo”.

“A Venezuela não é uma ameaça, é uma esperança” – Simón Bolívar

“Independência ou nada”.

Nicolás Maduro Moros, presidente da República Bolivariana da Venezuela