Desde que assumiu seu mandato o prefeito de Contagem MG Carlin Moura (PCdoB) optou por governar em favor dos grandes empresários que financiaram sua campanha, em contrapartida seu mandado não realizou as grandes mudanças que a cidade realmente precisa, como investimento nas áreas de habitação, educação ou saúde.
E nesta semana a prefeitura anunciou o fim das atividades em algumas escolas da cidade, uma delas é a Escola Municipal Ligia de Matos localizada na Vila Frigo Diniz. Esta escola existe há cerca de 30 anos e atende as crianças da comunidade e região. Mas sem nenhuma grande justificativa as atividades da escola estão previstas para serem encerradas nesta sexta-feira 20.
Segundo a prefeitura o prédio em que funciona a escola se encontra com problemas estruturais e se encontra condenado, mas segundo país dos próprios alunos a escola foi reformado no último ano.
Moradores não aceitam imposição da prefeitura
Decididos a não aceitarem a imposição arbitrária da prefeitura, os moradores da vila decidiram por fechar a BR 381 uma das mais movimentadas da região metropolitana de BH, queimando pneus e aos gritos de “QUEREMOS A ESCOLA” mostraram um grande espírito de combatividade e forçaram a prefeitura a rever os planos de fechamento da escola.
Segundo os moradores, não existe outra escola perto da vila que atendam as crianças, isso causaria um grande transtorno as famílias que não teriam condições de pagar por transporte que levariam as crianças até outras escolas, logo como elas poderiam continuar seus estudos? A estas e outras questões como a desapropriação da vila para criação de vias para desafogar o transito não são discutidas de maneira efetiva pelo povo.
O exemplo de hoje dos moradores da Vila Frigo Diniz deve ser seguido por todos aqueles que passam por situações onde a injustiça impera.
Cerca de 100 estudantes do Centro Universitário UNA, em Belo Horizonte, organizados pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), fizeram um ato em frente à instituição na Unidade Liberdade para protestar contra os cortes de verbas na educação e, consequentemente, com os problemas que estão afetando os estudantes que fazem parte do FIES, programa de iclusão financiado pelo governo federal. Os estudantes também criticaram o aumento das mensalidades praticados pela UNA, que ficou acima da inflação, e a falta de transparência e diálogo por pate da direção da universidade.
O problema vem ocorrendo desde o início do ano, quando foi anunciado um corte de verba de R$ 7 bilhões da educação, o que atingiu de forma direta as universidades públicas, e de forma indireta alunos das instituições privadas de ensino, principalmente, porque estabelece novas exigências e novas regras para aquisição do FIES. Um dos maiores problemas é que estão dificultando a manutenção dos contratos antigos e impedindo que novos sejam abertos. Para Marcílio Mendes, presidente do DCE, “os estudantes não podem pagar pelo ajuste que o governo vem promovendo para fazer superávit primário e desviar recursos do Orçamento da educação para beneficiar o sistema financeiro, em detrimento dos programas sociais.” Diante da situação atual Marcílio afirmou: “vamos continuar organizando as lutas em defesa da educação e dos nosso direitos.”
Uma das novas exigências para que as instituições possam permanecer com o FIES é que o valor da mensalidade não tenha aumentado mais do que a inflação (6,4%). O Centro Universitário UNA, como de costume, aumentou acima da inflação, sendo a média do aumento de 8,1%, ou seja, a instituição traz assim mais uma barreira para que os estudantes possam estudar com o FIES. Como saída para esse problema a instituição decidiu jogar a responsabilidade em cima do aluno, fazendo o aditamento no valor da inflação e cobrando dele a diferença que dá com a porcentagem de aumento.
Os estudantes cobram mais responsabilidade do governo federal com a educação e a redução do índice nas mensalidades por parte da instituição, cobrando assim um valor justo pelos cursos que ela oferece, pois neste embate entre governo e instituições privadas quem sai perdendo é apenas os estudantes.
Em discurso na 1ª reunião ministerial do seu segundo mandato, a presidenta Dilma Roussef justificou as novas medidas econômicas do governo afirmando que a economia brasileira sofreu com um choque externo e com um choque interno; disse a presidenta: “Nós reduzimos nosso resultado primário para combater os efeitos adversos desses choques sobre nossa economia e proteger nossa população. Agora, atingimos um limite para isso”.
No mesmo sentido, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, que, devido à redução dos preços das commodities (produtos agrícolas e minérios que o Brasil exporta), o processo de criação de empregos e de inclusão social começou a desacelerar nos últimos dois anos, e que “para ter investimento é preciso ter confiança. Por isso, tomamos a decisão de adotar medidas para aumentar a confiança na economia”.
Mas, apesar da retórica da presidenta Dilma e do ministro da Fazenda para explicar as medidas adotadas visando a garantir um superávit primário de 1,2% do PIB para pagar a dívida pública, a realidade insiste em mostrar que, em vez de melhorar, a vida dos trabalhadores e do povo, o ajuste fiscal vai agravar a crise na economia brasileira.
Com efeito, os preços dos alimentos e dos combustíveis e as tarifas de água e de eletricidade continuam subindo e causando a diminuição real dos salários e do poder de compra das massas trabalhadoras. Além disso, o desemprego está crescendo; no ano passado, a indústria demitiu 216 mil operários, e a construção, 73 mil, e, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o número de famílias endividadas já é de 57,8%. O próprio ministro Joaquim Levy declarou, dessa vez em Nova Iorque, no dia 18 de fevereiro, diante de uma plateia de 185 investidores estrangeiros, que o crescimento econômico de 2014, que tinha sido anunciado de 0,2%, pode ter sido negativo, isto é, não houve crescimento nenhum.
Como é sabido, o objetivo do chamado ajuste fiscal é economizar R$ 66,3 bilhões. Porém, a estratégia do governo para obter essa economia não foi cortar aquela que é a sua principal despesa: o pagamento de juros aos donos dos títulos da dívida pública, e sim reduzir direitos e benefícios dos trabalhadores brasileiros, como deixam claro as Medidas Provisórias 664 e 665, que mudam as regras do seguro-desemprego, do abono salarial, de pensão e o auxílio-doença, além de cortes nos orçamentos de vários ministérios.
Rotatividade
Com a nova regra, o trabalhador, para ter direito ao seguro-desemprego pela primeira vez, terá de comprovar que trabalhou 18 meses, já para a segunda solicitação, um mínimo de 12 meses. Somente na terceira vez, a carência voltará a ser de seis meses.
Ora, uma das principais características do mercado de trabalho no Brasil é exatamente a grande rotatividade, pois os patrões têm por política demitir para, em seguida, contratar outro trabalhador com um salário menor. De fato, estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que, de cada 100 trabalhadores, 55 não chegam a completar nem um ano com o mesmo empregador. Portanto, mais da metade dos trabalhadores jovens que ingressarem no mercado de trabalho perderão direito ao seguro desemprego, e passarão a viver à mingua até conseguirem um novo emprego. Tal política, sem dúvida, economizará alguns poucos bilhões ao governo, mas tornará ainda mais difícil a vida da juventude trabalhadora brasileira.
Porém, se quisesse, o governo poderia seguir outro caminho. De acordo com a Auditoria Cidadã da Dívida, o Orçamento Federal reserva para o pagamento da dívida R$ 1,356 trilhão, ou 47% de tudo que o Brasil arrecada. Bastaria, por exemplo, reduzir em dois pontos percentuais a taxa básica de juros, a Selic, para se ter uma economia de R$ 60 bilhões, o que tornaria dispensável qualquer ajuste fiscal à custa dos trabalhadores. Em vez disso, entretanto, o Banco Central eleva seguidamente os juros favorecendo ao Bradesco ter um lucro de R$ 15,8 bilhões e o Itaú de mais de R$ 20 bilhões em 2014, e, assim, transferindo renda dos mais pobres para os mais ricos.
Também, se tivesse coragem para enfrentar as classes ricas, o governo poderia fazer valer a Constituição brasileira e regulamentar o Imposto sobre as Grandes Fortunas.
Na realidade, o governo tornou-se completamente submisso ao capital financeiro. A própria nomeação do ministro da Fazenda mJoaquim Levy, só ocorreu após reuniões e contatos com grandes empresários e, em particular, com o dono do Bradesco, Lazaro Brandão. Porém, pior que nomeá-lo foi levar à prática a receita neoliberal de austeridade fiscal: reduzir direitos dos trabalhadores; aumentar os juros para diminuir o consumo da população e endividá-la ainda mais e diminuir os investimentos sociais, tudo para obter um superávit primário e atender à vontade da oligarquia financeira.
Portanto, embora o governo arrecade dinheiro principalmente da população trabalhadora e não dos ricos, destina a maior parte desses recursos para proteger a burguesia¹. Prova disso é que centenas de grandes empresas de 56 setores da economia foram beneficiadas, nos últimos anos, com o não pagamento de impostos, embora tal privilégio não tenha sido dado a nenhum trabalhador. As montadoras de automóveis, por exemplo, receberam, entre 2008 e 2012, cerca de R$ 11,3 bilhões em renúncia fiscal (direito para não pagar impostos). Mesmo assim, como estamos vendo, demitem milhares de trabalhadores.
Pobreza e condições de vida
Para a população pobre, a grande maioria dos brasileiros, sobra um pequeno percentual do total arrecadado pelo governo. Com certeza, somente em 2014, o governo entregou R$ 251,1 bilhões aos credores da dívida pública, e com o Bolsa Família gastou apenas R$ 25,2 bilhões.
A situação da saúde pública é grave em todo o país; hospitais públicos com doentes amontoados nos corredores e pacientes morrendo por não conseguir realizar uma cirurgia. Na educação, o corte de verbas já afeta nas universidades federais serviços como os de segurança, limpeza e transporte, além de atraso de salários de trabalhadores terceirizados e das bolsas estudantis.
O próprio salário mínimo, mesmo com o aumento real de 73% nos últimos 12 anos, é de R$ 788,00, valor muito abaixo das necessidades de um trabalhador e de sua família. Na América Latina, embora seja um salário maior que o pago no Peru (R$ 643,36) e na Colômbia (R$ 685,61), é menor que o do Chile (R$ 938,21) e o da Argentina (R$1.438,85).
Apesar de toda a propaganda sobre milhões de famílias que saíram da pobreza, temos muitos mais milhões de pessoas morando precariamente, se alimentando mal e sem direito à cultura e ao lazer. Resultado da grave crise social que o Brasil vive, os presídios estão abarrotados com mais de 600 mil presos amontados em condições desumanas e imorais.
Infelizmente, graças às novas medidas econômicas, esse quadro vai se agravar, pois um dos objetivos do chamado ajuste fiscal é diminuir o consumo da população e gerar desemprego para tornar a força de trabalho do operário brasileiro mais barata, e dessa forma aumentar o lucro dos capitalistas.
Em outras palavras, a crise que atravessa a economia brasileira não é consequência do aumento do consumo, como quer dar a entender o governo com as seguidas altas dos juros realizadas pelo Banco Central. Pelo contrário, o que entrava a economia são os baixos salários, são milhões de trabalhadores excluídos do mercado formal de trabalho ou sem carteira assinada, e, principalmente, o fato de todas as riquezas produzidas no campo e na cidade serem apropriadas e servirem ao enriquecimento de uma pequena minoria². Reduzir salários, desempregar trabalhadores, eliminar direitos e aumentar juros, em vez de ampliar os investimentos na economia, irá diminuí-los, pois os capitalistas só investem para ter lucro, e, para ter lucro, necessitam, além de explorar o operário, vender as mercadorias produzidas.
Ora, segundo o IBGE, 44,8% das famílias brasileiras, isto é, 108 milhões de brasileiros, sobrevivem com até um salário mínimo per capita, e 72% dos trabalhadores ganham até dois salários mínimos. Acontece que grande parte desse salário está comprometido com aluguel e alimentos, com o que é necessário para sobreviver, e, ainda, com o pagamento de dívidas. Assim, vive-se um esgotamento, pois o salário tem seu limite e o endividamento da população também. Mas trata-se de um esgotamento relativo, pois, se os salários fossem maiores, se poderia consumir mais. Logo, era preciso aumentar os salários, reduzir a jornada de trabalho para 40 horas, congelar os preços dos alimentos, reestatizar todos os setores estratégicos da economia, como água, energia, transportes, minérios e petróleo, enfim, ter como prioridade ampliar os direitos e melhorar as condições de vida da população.
Acontece que a classe dominante, a burguesia que controla o Congresso Nacional e também o governo, resiste a qualquer medida que signifique elevar o poder de compra dos trabalhadores porque isso significa reduzir a taxa de exploração, a mais-valia, e, consequentemente, seu lucro.
Concentração da riqueza
Como os capitalistas resistem a essas mudanças e usam de todos os meios que possuem para impedi-las, as crises econômicas nunca são resolvidas profundamente no capitalismo, e provocam uma enorme destruição das forças produtivas, falência de milhares de empresas e demissão de milhões de trabalhadores; a economia é mergulhada na recessão.
Tal situação é cíclica e ocorre em qualquer país capitalista, seja ele muito ou pouco desenvolvido, imperialista ou dependente. Prova disso é a atual crise que vivem os países capitalistas europeus, os próprios Estados Unidos e até a China, que, depois de décadas seguindo o caminho de “enriquecer é glorioso”, começa a enfrentar o esgotamento característico do modo de produção capitalista. Em resumo, não existe crescimento sustentável ou duradouro no capitalismo; sempre após um período de crescimento, vem um período ainda maior de crise, de desemprego, de inflação, de arrocho salarial e fechamento de indústrias e lojas.
Em outras palavras, o objetivo principal numa economia capitalista não é satisfazer as necessidades da população e sim garantir que a classe capitalista, a classe dos donos dos meios de produção, tenha lucro e acumule capital. Para obtê-lo, o capitalista precisa pagar ao trabalhador um salário menor do que o valor da mercadoria que ele produz e vender o que foi produzido. Só que, para vendê-las, é preciso ter compradores, e com os salários baixos que as massas consumidoras recebem não é possível, muitas vezes, adquirir até mesmo um quilo de carne ou uma roupa nova para o filho.
Vejamos dois exemplos. Segundo a União Brasileira de Avicultura (Ubater), o consumo do brasileiro de carne de frango caiu de 45 quilos por habitantes em 2012, para 41,8 quilos em 2013. As montadoras de automóveis, um dos setores da economia que mais recebeu benesses do governo, vão produzir, este ano, 5,6 milhões de unidades, mas a demanda prevista é de apenas três milhões. Isto significa que o setor terá 53% de sua capacidade ociosa. O limite, portanto, não é do governo, mas do povo.
Portanto, para resolver os problemas de uma economia capitalista, é necessário resolver as contradições do sistema capitalista, em particular, a principal contradição existente, a contradição entre o desenvolvimento das forças produtivas e as relações de produção capitalistas, isto é, estabelecer a propriedade coletiva dos meios de produção em vez da propriedade privada, retirar o poder das mãos da burguesia e substituir o capitalismo pelo socialismo.
Por isso, ou os trabalhadores se organizam para lutar por seus direitos e para pôr fim ao atual sistema econômico e político ou continuarão sofrendo uma brutal exploração e opressão.
Ademais, diferente do que pregam alguns economistas pequeno-burgueses, a burguesia não quer o fim do seu Estado, mas que ele a sirva com exclusividade. Por isso, exige e reclama a todo momento para que o Estado implemente políticas em seu favor – aumente impostos pagos pelos trabalhadores e lhe dê isenção fiscal, corte benefícios dos trabalhadores, como o seguro-desemprego, privatize as empresas que são lucrativas, e flexibilize as leis trabalhistas, enfim, luta para o Estado proteger seus interesses. Por isso, não vimos na atual crise mundial nenhum burguês propor que o Estado acabasse, mas sim que os recursos públicos fossem usados para salvar monopólios e grandes bancos. Chegaram ao ponto de aplaudir a estatização de algumas empresas e bancos porque elas eram essenciais para evitar uma quebradeira generalizada, como ocorreu em 1929.
Mas, para esconder esse real objetivo das medidas econômicas do governo, as autoridades usam da eloquência e de pomposas palavras, como “reduzimos nosso resultado primário para combater os efeitos adversos” ou “para ter investimento é preciso ter confiança”.
Qual a saída para a crise?
Desse modo, embora a proposta de realizar uma reforma política tenha um caráter progressista, ela é insuficiente para resolver a atual crise que vive o Brasil. Na realidade, é um desserviço ao desenvolvimento da consciência das massas trabalhadoras, e em particular, da classe operária, propagar que uma reforma, por mais importante que seja, vai salvar o povo e a nação, mantendo, entretanto, a posse dos meios de produção, das fábricas, da terra, das máquinas, dos bancos, e até do governo, nas mãos da grande burguesia e do capital financeiro. Antes de tudo, é necessário deixar claro que, para solucionar verdadeiramente seus problemas, os trabalhadores brasileiros necessitam realizar uma autêntica revolução popular, conquistar o poder político e transformar profundamente a estrutura econômica do país. Dito de outro modo, a contradição existente na sociedade brasileira não é nem nunca foi entre uma elite má e uma burguesia nacional do bem, mas entre, de um lado, a grande burguesia nacional e estrangeira, que se apossou do conjunto dos meios de produção, e, de, outro, os trabalhadores, a classe operária e os camponeses, verdadeiros produtores das riquezas do país, mas que nada possuem, além do miserável salário que recebem.
Dizem que a revolução é uma palavra de ordem muito radical e que não temos correlação de forças para realizá-la já, e, assim, temos que ter uma tática que nos permita alcançar o que é possível, pois a direita está na ofensiva. Ora, a direita cresceu exatamente devido a essa tática do “fazer o que é possível” e por partidos ditos de esquerda passarem a se comportar da mesma forma que os partidos de direita, receberem generosos financiamentos das grandes empresas capitalistas, seus quadros criarem escritórios de consultoria para receber milhões dos capitalistas e pregar que o capitalismo interessa tanto ao empresário quanto ao operário, que não é possível crescer sem investimento privado ou estrangeiro no país e fazer reforma da previdência em vez da reforma agrária³. Mas também por afirmar na campanha eleitoral que não vai privatizar e depois privatizar aeroportos, rodovias, realizar leilões do nosso petróleo; permitir que o capital estrangeiro compre hospitais e forme empresas na área da Saúde e tenha participação acionária no Banco Brasil ou anunciar que vai privatizar parte das ações da Caixa Econômica Federal. Como se não bastasse, entregar todos os ministérios importantes ao comando de banqueiros e da grande burguesia agrária e adotar um pacote de medidas econômicas contrárias aos interesses dos trabalhadores.
Por fim, o fato de ainda não termos correlação de forças para realizar uma revolução não dá o direito a ninguém de deixar de dizer qual é a verdadeira solução para a crise que vive o nosso país desde o golpe militar de 1964, pois, como disse o comandante Che Guevara, “a melhor maneira de educar um povo é fazê-lo entrar em revolução”.
Lula Falcão, membro do Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário – PCR
Notas
¹ Segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), os 10% mais pobres do Brasil pagam 44% mais impostos do que os 10% mais ricos.
²De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Brasília (Incra), apenas 2,3% dos proprietários rurais controlam 47,2% de todas as terras existentes no Brasil e números da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) apontam que 0,9% mais ricos do País detêm entre 59,90% e 68,49% da riqueza dos brasileiros.
³Nas palavras de Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula, a maneira de receber dinheiro das grandes empreiteiras que tinham contratos milionários e superfaturados na Petrobras, como a UTC, a OAS, a Odebrecht, a Queiroz Galvão, entre outras, funciona assim: “As empresas estão ganhando dinheiro. Ninguém precisa corromper ninguém. Funciona assim: ‘Você está ganhando dinheiro? Estou. Você pode dar um pouquinho do seu lucro para o PT? Posso, não posso.’ É o que espero que ele (João Vacari Neto, tesoureiro do PT) tenha feito”.
Mobilizados pelo Fórum das Ocupações da Região Metropolitana, do qual fazem parte vários movimentos e associações de moradores, como MLB, MTST, Associação do Porto Seco, Frente Quilombola e demais, centenas de famílias realizaram uma jornada de luta na defesa do direito humano à moradia nesta última segunda-feira (16).
A jornada teve início as 11 horas em frente à prefeitura de Porto Alegre, onde os moradores de diversas ocupações tomaram a praça municipal cantando palavras de ordem como “Fortunati ladrão, mais moradia menos corrupção”.
A marcha à prefeitura é justificada pelo veto que o prefeito José Fortunati deu ao projeto de lei que dá formação às Áreas Especiais de Interesse Social (AEIS) previstas no Plano Diretor de Porto Alegre.
O projeto, encaminhado pela bancada do PSOL, propõe a regulamentação de 14 AEIS das comunidades Bela Vista, Capadócia, Continental, Cruzeirinho, Dois Irmãos, Império, Marcos Klassmann, Moradas dos Ventos, Nossa Senhora, Oscar Pereira, Progresso, São Luiz, Sete de Setembro e 20 de Novembro, e seria uma garantia de construção de moradia popular nessas 14 áreas, priorizando as famílias já moradoras dos locais.
Durante o processo para aprovação das AEIS vários foram os empecilhos postos para que não houvesse sua aprovação, desde argumentos técnicos, que foram derrubados um a um, até que não restasse outro argumento a não ser o posicionamento político claro. Posicionamento político este de defesa da sagrada propriedade privada e do lucro dos capitalistas que os governantes colocam acima de qualquer direito do povo e da classe trabalhadora.
Após o ato na prefeitura, os manifestantes e movimentos sociais por moradia seguiram em direção ao Palácio Piratini para exigir do governador José Ivo Sartori a retirada da Brigada Militar da ocupação Dois Irmãos, em perigo de despejo a qualquer momento.
De forma compulsória, as remoções são feitas usualmente de forma violenta, colocando mulheres, crianças e idosos em risco, prática comum em diversos Estados brasileiros. Em solidariedade e apoio à ocupação em risco de despejo os manifestantes gritavam “a dois irmãos é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo”.
O governador não recebeu as lideranças da comunidade, mas enviou assessores para tratar da questão.
O ultimo passo da jornada de lutas foi uma marcha à câmara de vereadores de Porto Alegre, onde o projeto vetado por Fortunati seria votado pelos vereadores. Segundo a Lei Orgânica da cidade, os projetos vetados pelo prefeito retornam para resolução da câmara, cujos vereadores decidem pela revogação ou aprovação do veto.
André Luiz, morador da comunidade Marcos Klassman, uma das comunidades entre as 14 áreas do projeto que cria as áreas especiais de interesse social fala sobre a importância dos vereadores derrubarem o veto do prefeito Fortunati: “Se não derrubarem o veto vamos ser expulsos, falaram que estavam com nós e agora estão dando pra trás. É importante porque se nos tirarem de lá não teremos para onde ir. Meu filho mora lá. Já estamos lá há 3 anos”.
Havia uma grande lista de projetos a serem votados na frente do da AEIS, mas como da luta do povo ninguém se cansa, nenhum companheiro se desmobilizou e o povo permaneceu na câmara até que o veto fosse derrubado. Foram 19 votos a 15.
Este foi mais um exemplo de que só a luta e a organização dos trabalhadores e do povo pobre é capaz de enfrentar os interesses dos poderosos, a especulação imobiliária, o déficit habitacional, bem como defender a construção de mais moradias e uma profunda Reforma Urbana.
Marzeni Pereira, uma das lideranças da oposição sindical na Sabesp
Desde o mês de novembro do ano passado, um verdadeiro clima de terror se instalou em todas as áreas da Companhia Paulista de Saneamento, a Sabesp. Até o momento, mais de 400 trabalhadores e trabalhadoras foram demitidos afetando a sobrevivência de centenas de pessoas e atacando a qualidade dos serviços de fornecimento de água e tratamento de esgoto no Estado de São Paulo.
Entre os demitidos está Marzeni Pereira, funcionário da empresa há 22 anos e uma das lideranças da oposição à atual diretoria do Sindicato. A demissão de Marzeni às vésperas da greve da categoria convocada para a próxima quinta-feira, 19 de Março, é uma prova das perseguições políticas que Alckmin e o PSDB estão promovendo na empresa.
O Movimento Luta de Classes – MLC, se solidariza com o companheiro Marzeni e com todos os outros demitidos e se soma à luta pela readmissão imediata. As demissões na Sabesp, assim como as demissões no Metrô de São Paulo, são políticas e serão revertidas na luta conjunta dos trabalhadores.
No caso da Sabesp, as demissões têm ainda o objetivo de enxugar os custos da empresa para garantir os lucros dos capitalistas donos de ações na bolsa de Nova Iorque. Mais uma vez, Alckmin e o PSDB priorizam o lucro dos capitalistas ao invés de garantir um serviço de fornecimento de água adequado para a população.
Com tantos demitidos, o número de vazamentos de água crescerá e a manutenção da rede de água e esgoto será seriamente prejudicada. O número de empresas terceirizadas também tende crescer, aumentando dessa maneira os casos de corrupção na empresa, já que os gerentes e superintendes da Sabesp utilizam esses contratos com terceiros para receber comissões e enriquecer ilicitamente.
A atitude radical de destruição da empresa por parte de Alckmin e do PSDB acontece no momento em que o Estado vive uma grave crise de abastecimento, momento em que é necessário mais investimento, funcionários experientes no trabalho e estatização completa da empresa para que ela cuide do suprimento de água de maneira estratégica e não objetivando o lucro. Não resta à categoria outra atitude se não a mobilização e a greve para barrar esses ataques do governo.
Solidariedade aos trabalhadores da Sabesp!
Readmissão de todos os demitidos!
Por uma Sabesp 100% público!
Não à privatização da água!
Coordenação Nacional do Movimento Luta de Classes – MLC
Dia 13 de março foi marcado por uma grande manifestação que reuniu pelo menos 5.000 pessoas na região central de Belo Horizonte. O ato convocado pela CUT, CTB, MST, entre outras entidades, apresentou como pauta a necesssidade de uma reforma política, o fim das Medidas Provisórias 664 e 665 – que retiram importantes direitos dos trabalhadores, a defesa da Petrobrás. Também foram alvo dos manifestantes o combate à corrupção e a defesa da democracia, numa clara referência aos setores de direita que defendem o Impeachment da presidente Dilma Roussef.
As manifestações começaram desde cedo, quando um grupo de trabalhadores petroleiros, em conjunto com integrantes do Movimentos dos Atigindos por Barragens (MAB) promoveram ato em frente à Refinaria Gabriel Passos (Regap) da Petrobrás, na cidadede Betim, região metropolitana de Belo Horizonte.
Às 16 horas, a Praça Afonso Arinos, em frente à Faculdade de Direito da UFMG, foi sendo ocupada por manifestantes que seguiram em passeata até a Praça Sete. O ato mesclou momentos de defesa aberta do governo Dilma e de combatividade, com palavras de ordem e canções de protestos, destacando a pauta apresentada pelos sindicatos e movimentos sociais.
Durante a manifestação a presidente da CUT, Beatriz Cerqueira, cobrou dos parlamentares da base do governo presentes “que tenham compromisso e não votem em favor da retirada de direitos dos trabalhadores”. Além disse, Beatriz foi enfática ao falar a todos os que ocupam cargos públicos nos governos federal e estadual, numa referência direta ao governo de Minas Gerais (hoje governado por Fernando Pimentel, do Partido dos Trabalhadores), para que não percam os rumos nem adotem políticas contrárias aos interesses populares. Entre as dezenas de lideranças que se pronunciaram esteviram Leonardo Pericles, que falou em nome da Unidade Popular pelo Socialismo (UP). Leonardo destacou a importãncia de se fazer mudanças estruturais no pais, como a Reforma Agrária, suspensão do pagamento da dívida, prisão para empresas corruptoras e políticos corruptos, a reestatização de todas empresas estatais privatizadas, a Petrobrás 100% pública, entre outras medidas necessárias para o avanço econômico do Brasil. Já Mariana Ferreira, da AMES-BH, falou que o governo federal não deve retirar recursos da educação para financiar banqueiros e exigiu a cadeia para todos os que cometeram crimes durante a ditadura militar.
Para grande parte dos presentes na manifestação é preciso manter as mobilizações de rua e reforçar a construção uma unidade de forças populares mais à esquerda, consequente e combativa em defesa do Brasil, das liberdades democráticas e dos direitos.
Em um ato público, realizado na manhã da última sexta-feira, 13 de março, no Teatro Linda Mascarenhas, em Maceió, Alagoas, cerca de 100 sindicalistas de vários estados do Brasil aderiram ao partido Unidade Popular pelo Socialismo (UP). A nova organização é uma ferramenta para avançar a luta da classe trabalhadora brasileira.
Esteban Crescente, membro da Executiva Nacional Provisória da UP, declarou que a adesão dos companheiros e das companheiras do Movimento Luta de Classes (MLC) e demais sindicalistas é fundamental para implementar o projeto histórico da classe trabalhadora.
“A UP existe porque ela tem um projeto claro para a sociedade, que é defender a bandeira do socialismo. Não se defende esta bandeira sem ter uma forte base na classe trabalhadora. Sem os trabalhadores não vai haver a construção desse projeto e nem da UP”, disse Esteban, que é servidor da UFRJ.
Esteban Crescente, membro da Executiva Nacional Provisória da UP
A mesa foi composta por representantes de sindicatos classistas e de luta, como o dos professores do Rio Grande do Sul (CPERS), o dos urbanitários da Paraíba (STIUPB), o dos trabalhadores da construção civil de Caruaru, dos jornalistas da Paraíba, dos trabalhadores em telecomunicação do Rio de Janeiro (Sinttel) e o dos trabalhadores em informática e processamento de dados de MG (Sindados-MG), entre outros.
Presença massiva de trabalhadores lotou o auditório
Para Wilton Maia, presidente do Sindicato dos Urbanitários da Paraíba, “a UP vem para ocupar o espaço dos que abandonaram as lutas populares, abriram espaço para fazer concessões profundas para o capital e para a corrupção. A UP deve ser construída unindo vários militantes sérios que estão desiludidos e pela maioria da classe trabalhadora e popular desse país. Nós temos um partido para avançar a luta dos que mais sofrem”.
Wilton Maia, presidente do Sindicato dos Urbanitários da Paraíba
A crítica ao atual governo e à direita não passaram em branco na atividade. Camila Áurea, que é diretora da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações e Pesquisa – FITRATELP, afirmou que a classe trabalhadora já não mais se engana com a falácia do governo e que sente na pele as medidas desse ajuste fiscal, mas que é preciso construir uma saída de esquerda para a crise.
“Não podemos permitir que essa crise do governo caia na mão da direita e aprofunde ainda mais as condições de vida do povo brasileiro, avançando a terceirização do trabalho e reduzindo direitos. O país precisa enfrentar os ricos e os monopólios que são os responsáveis pela exploração do povo”, denunciou Camila.
Indira Xavier, do Movimento de Mulheres Olga Benário, também aderiu à UP
O representante da Executiva da UP fez um chamado para todos se dedicarem à luta pela construção da nova organização. “Aqueles que estão vendo nossa mensagem sintam-se à vontade para aderir a uma opção que não abandonou o projeto da classe trabalhadora, construído na história da luta de classe. Não interessa às elites que tenhamos o nosso partido. Por isso, temos que seguir o exemplo da classe trabalhadora e trabalhar duro para coletar assinaturas em cada manifestação, em cada ato e nos bairros populares, porque é aí que queremos construir a nossa organização”, concluiu Esteban.
A Unidade Popular Antiimperialista (UPRA) insta as forças revolucionárias a manter-se alertas e a se preparar para combater as medidas do governo norte-americano no terreno que corresponda com o fim de defender a pátria do povo venezuelano ante a ingerência descarada do governo dos Estados Unidos, que aprofundou sua escalada agressiva a fim de dobrar os filhos e filhas de Ana Soto, Imperatriz Guzmán, de Guaicaipuro, José Leonardo Chirino, Miranda, Bolívar e Chávez, a quem nos corre sangue Caribe pelas veias, e que através da história demonstramos nosso espírito revolucionário tornando realidade os princípios de combatividade e heroísmo.
A classe dominante dos Estados Unidos, que durante séculos mantém submissos os povos da América Latina amparada sob a DOUTRINA MONROE “América para os Americanos”, pretende seguir mantendo a opressão sobre o proletariado de seu próprio país e sobre os povos do mundo por meio da manipulação midiática, das ameaças, chantagens, medidas econômicas e políticas como bloqueios e agressões militares, mas hoje como antes, encontrará a resistência de um povo unido que, ainda em condições de grande assimetria tem combatido valentemente, mantendo alto as reivindicações populares, e infringindo-lhes grandes derrotas, quando mantemos nossas forças unidas como um só punho.
O princípio da unidade popular que levanta a UPRA é a pedra angular para a resistência, para o avanço e para o triunfo do proletariado, em momentos de luta frontal contra o imperialismo tem sido uma receita infalível. Como demonstrou o povo venezuelano ao mobilizar-se pelo regresso de Chávez; como os vietnamitas contra a invasão francesa e ianque; como os cubanos contra os EUA e como demonstrado pela URSS na grande guerra pátria contra o fascismo nazi, a Unidade é a única possibilidade de triunfo, mas requer que essa unidade se construa com base nas qualidades da vanguarda revolucionária, clara, mobilizada e disciplinada, impregnada da audácia revolucionária da classe operária, do campesinato, com a energia inesgotável da juventude, das mulheres e do povo no nobre objetivo de defender seu projeto estratégico.
Ante a grave ameaça que paira sobre nosso povo, é necessário ratificar uma e mil vezes a necessidade da unidade popular revolucionária. Unidade das diferentes tendências, movimentos e partidos proletários, revolucionários e patrióticos, unidade em torno do Governo Bolivariano que tem a responsabilidade de dirigir nosso país, sem vacilações nem conciliação com a burguesia, neste difícil momento; unidade em torno àqueles que entendem que só por meio do socialismo poderemos superar o complexo caminho que nos impõe a burguesia com seu projeto reacionário e fascista, entendendo que a luta contra o imperialismo deve ser acompanhada necessariamente da reivindicação do socialismo; por tal razão, a partir da UPRA ratificamos como aporte na conquista de um indubitável triunfo ante as forças do terrorismo reacionário as conclusões da I Convenção Nacional da Esquerda Revolucionária e a energia das organizações que conformam esta plataforma para assumir o lugar de combate que nos impõe neste momento a luta revolucionária.
COM A UNIDADE POPULAR REVOLUCIONÁRIA ANTIIMPERIALISTA DERROTAREMOS A AGRESSÃO FASCISTA!
NEM COM GOLPE, NEM FASCISMO, DETERÃO O SOCIALISMO!
CONTRA O IMPERIALISMO NÃO HÁ CONCILIAÇÃO SENÃO A VITÓRIA DA REVOLUÇÃO!
Coordenação Nacional da Unidade Popular Revolucionária Antiimperialista (UPRA)
Ao contrário do que muitos podiam pensar, a marcha da sexta-feira, dia 13 de março, convocada principalmente pela Central Única dos Trabalhadores – CUT, teve grande adesão popular em muitas das principais cidades do país. A mobilização teve como pautas principais a defesa da Petrobrás como empresa 100% pública e livre da corrupção, a exigência da retirada das medidas provisórias 664 e 665 decretadas pelo governo federal e o combate às pretensões anti-democráticas da extrema direita.
Em São Paulo, na Avenida Paullista, ocorreu a manifestação mais numerosa. Ao fim do ato, a CUT publicou em seu site oficial: “100 mil pessoas exigem mudanças na política econômica, mas sem golpe à democracia. CUT e movimentos criticam visão do governo sobre economia e defendem direitos dos trabalhadores”.
Durante a semana, muitas idas e vindas marcaram a convocação desta marcha. Porta-vozes e representantes do governo Dilma pediam calma e propunham o cancelamento do ato. Alguns setores da esquerda se negaram a participar, colocando nos milhares de manifestantes a pecha de governistas e lançando a palavra de ordem de não sair às ruas nem no dia 13 nem no dia 15.
Ao final, a manifestação provou a disposição de luta da classe trabalhadora brasileira, seja para lutar contra o ajuste que beneficia aos ricos, promovido pelo governo federal, ou seja para enfrentar uma extrema direita que quer privatizar toda a Petrobras e chegar ao governo contra a vontade popular, acabando até mesmo com as menores políticas sociais que vem sendo implementadas.
É de grande importância a realização de uma marcha popular às vésperas de uma manifestação convocada por partidos e organizações de direita, financiada por capitalistas donos de grandes corporações (a exemplo de Jorge Paulo Lemann, dono da Ambev) e promovida por quase todos os veículos da mídia monopolista, como a que está marcada para o próximo domingo, 15 de março.
É importante primeiro por tirar da extrema direita a imagem de ser a principal redentora dos problemas do país. Frente aos fatos da realidade, a grande maioria do povo brasileiro já percebeu que as medidas do governo em economia e política estão no fundamental equivocadas. O povo na rua com pautas clara de luta e com críticas ao ajuste econômico neoliberal dá autoridade às organizações populares para defender um programa de esquerda como saída para a crise.
Por outro lado, é importante também por desmascarar o real caráter da manifestação do dia 15. Há a tentativa de realizar uma forte manipulação midiática para atrair setores da classe trabalhadora a marchar juntos com a direita. Essa manipulação, travestida de discurso contra a corrupção, é de triste memória na história do Brasil mas também pode ser observada em eventos mais recentes em outros países como o “Maidan” na Ucrânia, os sucessivos golpes militares no Egito e na guerra civil instalada na Líbia.
Não é possível barrar o ajuste econômico que beneficia aos ricos e barrar o avanço da extrema direita sem uma grande unidade popular. A unidade popular é necessária, imprescindível, e foi ela quem ganhou com a marcha do dia 13. É uma unidade que se dá na luta concreta da classe trabalhadora em defesa de seus interesses concretos. Na realização dessa luta, marchar juntamente com organizações do movimento social que declaram apoio ao governo não é a mesma coisa que marchar com o governo. Marchando juntos, devemos levantar bem alto nossas bandeiras do socialismo, do poder popular e da revolução social como únicas saídas seguras para vencer a crise atual.
Chegou o momento de desenvolver essa unidade popular ainda mais nas lutas que virão. É preciso dar total apoio à greve dos garis do Rio de Janeiro, dos professores de São Paulo e à possível greve dos trabalhadores da Sabesp, além de estimular que em suas pautas sejam incluídos temas de luta econômica contra as medidas do governo, como a revogação das MP´s 664 e 665. Também é preciso organizar um grande dia nacional de luta pela educação no dia 26 de março, com atividades em todas as escolas e universidades contra o corte de verbas de R$ 14 bilhões nas verbas da educação além de participar ativamente das mobilizações dos Servidores Públicos Federais que estão em campanha salarial unificada.
Circula pelas redes sociais da internet um anúncio que pede “Stedile vivo ou morto”. Apresentando-o como líder do MST e “inimigo da Pátria”, o autor oferece uma recompensa de R$ 10 mil para quem atender o seu pedido. Em outras palavras, está incentivado e prometendo pagar para matar uma pessoa, no caso João Pedro Stedile, da coordenação nacional do MST.
Há indícios que a ação criminosa partiu da conta pessoal no facebook de Paulo Mendonça, guarda municipal de Macaé (RJ). E foi, imediatamente, reproduzida pela maioria das redes sociais que diariamente destilam ódio contra os movimentos populares, migrantes, petistas e agora, especialmente, contra a presidenta Dilma Rousseff. São as mesmas redes sociais, em sua maioria, que estão chamando a população para os atos do dia 15/3, para exigir a saída de Dilma do cargo de Presidenta da República, eleita legitimamente em 2014.
Já foram tomadas as providências, junto às autoridades, para que o autor do cartaz e todos os que estão fazendo sua divulgação, com o mesmo propósito, sejam investigados e responsabilizados criminalmente, uma vez que são autores do crime de incitação à pratica de homicídio.
Mas o panfleto é apenas um reflexo dos setores da elite brasileira que estão dispostos a promover uma onda de violência e ódio, com o intuito de desestabilizar o governo e retomar o poder, de onde foram afastados com a vitória petista nas urnas em 2002.
Para estes setores não há limites, nem sequer bom senso. Recusam-se a aceitar a vontade da população manifestada no processo democrático de eleger seus governantes.
Deixam-se levar por instintos golpistas, embalados pelo apoio e a conivência da mídia conservadora e anti-democrática. Usam a retórica do combate a corrupção e da necessidade de afastar os que consideram estar destruindo o país, para flertar com a ruptura democrática. Posam de democráticos esquecendo que os governos da ditadura militar também diziam ser.
São os mesmo que cometeram, impunemente, o crime de lesa-pátria com a política de privatizações, na década de 1990.
O panfleto, e o que se vê nas ruas e redes sociais, é reflexo, sobretudo, de uma mídia partidarizada, que manipula, distorce e esconde informações, ao mesmo tempo que promove o ódio e o preconceito contra os que pensam diferente. O teólogo Leonardo Boff tem razão quando responsabiliza a mídia, conservadora, golpista, que nunca respeitou um governo popular, pela dramaticidade da crise política instalada no país. E corajosamente nomina os promotores do caos em que querem jogar o país: é o jornal O Globo, a TV Globo, a Folha de S. Paulo, o Estado de S. Paulo e a perversa e mentirosa revista Veja.
Um poder midiático que tem a capacidade de sequestrar partidos políticos e setores dos poderes republicanos.
Essa mídia, órfã de ética e de responsabilidade social, é que forma seus leitores com a mentalidade do autor que fez o criminoso cartaz sobre Stedile. É quem alimenta as redes sociais com os valores mais anti-sociais e incivilizatórios.
Os tucanos, traindo sua origem socialdemocrata, fazem oposição ao governo alimentando um ódio coletivo inicialmente restrito à classe alta, mas agora espraiado em todos os segmentos sociais, contra um partido político e a presidenta eleita. Imaginam que serão beneficiados com o caos que querem instalar, envergonhando, com essa política rasteira, os seus que os antecederam.
Um monstro foi criado pela forma como os tucanos escolheram fazer oposição ao governo petista e pela irresponsabilidade da mídia empresarial. A violência e o ódio estão se naturalizando pelas ruas. Essa criatura já escolheu suas vítimas primeiras: os casais homossexuais e seus filhos, os imigrantes, pobres das periferias, dirigentes de movimentos populares e militantes políticos de esquerda. Mas não raras vezes, essas criaturas, sempre ávidas de violência e intolerância, não poupam sequer seus criadores e os que hoje os acompanham.
Haverá uma longa jornada para superar as dificuldades criadas pelos que se opõe a construir um país socialmente justo, democrático e igualitário.
A começar por uma profunda reforma política, que nos leve a uma nova Assembleia Nacional Constituinte, exclusiva e soberana. É preciso taxar as grandes fortunas e enfrentar o poder dos rentistas e do sistema financeiro. Batalhas tão urgentes e necessárias quanto as de enfrentar o desafio de democratizar comunicação para assegurar, igualmente, a liberdade de expressão e o direito à informação, direitos bloqueados pelo monopólio da comunicação existente no país.
Somente assim, os saudosistas dos governos ditatoriais serão derrotados, e o povo terá a consciência de que defender o pais é lutar pela democracia, e não o contrário, como imagina hoje o autor do cartaz criminoso.
Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST São Paulo, 12 de março de 2015
Centenas de pessoas se reuniram hoje (13/03) em frente à Refinaria Duque de Caxias (REDUC) durante ato do Dia Nacional de Luta em Defesa dos Direitos da Classe Trabalhadora, da Democracia e da Reforma Política.
A manifestação, convocada pelo Sindipetro Caxias, pela FUP/CUT e por diversos movimentos sociais, como MST, MLB, MAB e UJR, começou às 6 horas da manhã e teve grande adesão da categoria petroleira.
Com faixas, cartazes e palavras de ordem em defesa da Petrobrás, os manifestantes denunciaram a gigantesca campanha de desmoralização da empresa e de seus trabalhadores levada a cabo pela grande mídia, que planeja com isso pavimentar o caminho para a privatização definitiva da Petrobrás.
“Estamos aqui hoje para dizer a todo mundo que não permitiremos que as grandes empresas estrangeiras ponham a mão na Petrobrás. O povo brasileiro deu seu sangue e seu suor para construir essa empresa, e vamos defendê-la até o fim, custe o que custar”, afirmou Simão Zanardi, presidente do Sindipetro Caxias.
#Dia13DiadeLuta
Outros atos similares estão sendo organizados em todas as capitais do país para marcar o Dia Nacional de Luta convocado pela CUT e pela FUP. No Rio de Janeiro, a manifestação será na Cinelândia, a partir das 15h, e reunirá milhares de pessoas em defesa da democracia e dos direitos da classe trabalhadora.
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