UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sábado, 11 de abril de 2026
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18 anos sem o malungo Chico Science

chico 2No último dia 2 de fevereiro, completaram-se 18 anos da morte de um dos maiores nomes de nossa cultura popular contemporânea: Chico Science. Com apenas 30 anos de idade e muito para contribuir com a nossa música, Francisco de Assis França partia em uma noite de 1997 em um trágico acidente automobilístico. Apesar de pouco tempo de carreira, ele deixava um novo caminho traçado na música popular brasileira, o “Manguebeat”, um movimento cultural estabelecido e um imenso vazio a ser preenchido.

A perda de Chico Science representou também a perda de um grande líder, como afirmou Lenine, ao dizer que “ele não se contentava apenas em estar no palco, queria dividi-lo com todos”. Sua figura demonstra a importância da formação política do artista, reforça a necessidade da organização coletiva, a ligação estreita com as grandes massas, bem como o papel do indivíduo na construção da história.

O líder do movimento Manguebeat representou, por meio de suas letras, necessidades sociais e humanas de um modo verdadeiramente inovador, com uma música que rompia com tudo que acontecia no país, ao mesmo tempo em que dialogava com diversas linguagens musicais, artísticas e culturais sem esquecer temas como desemprego, preconceito, consciência ambiental e as desigualdades sociais.

Como não bastasse apenas mostrar uma arte inovadora, sedimentou seu movimento, lançou um manifesto e, junto com outros grandes nomes como Fred 04 e Otto, apontaram uma direção a ser seguida para modificar a realidade da juventude de uma região, na época esquecida e entregue ao crime, ociosidade, preconceito e violência.

Criado em Rio Doce, subúrbio de Olinda, filho de um enfermeiro, ex-vereador e líder comunitário, Chico Science cresceu e formou sua identidade cultural entre os becos das casas populares e as manifestações de rua. “Antenado”, conseguiu interpretar a realidade e carências de uma geração recém saída de uma ditadura militar de 21 anos, que roubou, aprisionou e escondeu o que havia de mais avançado em nossa cultura até então. Com a censura e o controle dos meios de comunicação pelo regime, era difícil ter acesso até mesmo a discos e livros considerados “subversivos”, ausência que marcou a infância da geração de Chico (ele contava com 13 anos quando a censura foi extinta e decretada a Lei da Anistia).

Chico Science soube trazer para o centro do debate a necessidade de se valorizar a nossa cultura local de verdade. Ver a influência deixada por ele após a explosão do Manguebeat, e que se espalha até hoje, mostra o quanto sua obra teve profundidade, e o quanto ainda é moderna e atual. Chico cantou a cidade, o mangue, o morro, os anseios da juventude e hoje está mais presente do que nunca.

Chico Science Vive!

Cloves Silva, estudante de Letras da UFRPE e militante do MLC

*O termo malungo remete À história dos negros escravos, vindos para o Brasil nos chamados navios negreiros. Era assim que eles se chamavam, tanto nas embarcações quanto nos quilombos. O nome significa companheiro.

Servidores públicos federais lançam campanha salarial unificada

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As entidades dos servidores públicos federais encontraram-se, nos dias 31 de janeiro e 01 de fevereiro, em Brasília, para a reunião ampliada do Fórum de Entidades Nacionais dos Servidores.

Com a presença de 358 delegados, o Fórum debateu a situação dos trabalhadores brasileiros diante dos ataques aos direitos trabalhistas que começam a ser implementados pelo governo federal.

Ao todo, estiveram presentes 15 entidades nacionais, representando os diversos setores da administração pública federal, e mais três centrais (CUT, CTB e CST-CONLUTAS).

Na plenária, ficou claro pelas posições das centrais sindicais presentes que a composição dos titulares dos ministérios, em sua maioria ligados ao capital financeiro e ao agronegócio, e a emissão das Medidas Provisórias 664 e 665, que alteram a política do seguro desemprego e da aposentadoria no Regime Geral de Previdência, que o governo Dilma segue na direção da retirada de direitos dos trabalhadores para manter o lucro dos banqueiros, dos monopólios privados e dos latifundiários.

Mas, se a avaliação predominante na reunião foi de que os capitalistas avançam sobre os direitos dos trabalhadores, estes também estão começando a responder à altura. As manifestações dos movimentos contra o aumento das passagens e das centrais sindicais contra a retirada de direitos no dia 28/01 são demonstrações que o movimento popular está disposto a reagir à retirada de direitos e avançar em suas reivindicações por uma vida melhor.

Mobilização

A CONDSEF aprovou em seu Conselho de Entidades a seguinte agenda de mobilizações:

– 04/02 – Ato público das Centrais no Congresso Nacional para afirmar a agenda dos trabalhadores.

– 26/02 – Ato público das Centrais contra a retirada de direitos trabalhistas na Av. Paulista.

– 12/03 – Ato público em frente ao Ministério do Planejamento.

– Abril: Construção de uma grande marcha dos servidores federais a Brasília.

Na pauta dessas mobilizações destacam-se:

– Política salarial com correção das distorções;

– Reposição das perdas inflacionárias com o índice linear de 27,3%;

– Data-base em 1º de maio;

– Direito de negociação coletiva (convenção 151 da OIT);

– Paridade salarial entre ativos e aposentados;

– Retirada dos projetos de leis do congresso nacional que atacam os direitos dos servidores;

– Aprovação imediata dos projetos de interesse dos servidores;

– Isonomia dos benefícios.

Mais do que nunca, é fundamental construir um movimento de massas organizado que tome as ruas das grandes cidades, aliado aos movimentos da juventude combativa, às organizações populares do campo e da cidade que capaz de impedir o retrocesso nas conquistas históricas da classe trabalhadora e que avance nas demandas do povo brasileiro na luta por saúde, trabalho, moradia e serviços públicos de qualidade.

Victor Madeira, diretor da CONDSEF e militante do Movimento Luta de Classes (MLC)

Governo proíbe greve dos metalúrgicos na Turquia

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Após uma preparação de vários dias, os trabalhadores metalúrgicos da região de Birleşik, organizados em seu sindicato e na Confederação de Sindicatos Progresssistas da Turquia (DISK, por sua sigla em Turco), convocaram uma greve da categoria que teve início no dia 29 de janeiro.

A principal reivindicação da greve é a de suspender o acordo firmado entre o sindicato pelego Türk Metal e o sindicato patronal MESS, que estabeleceu o contrato temporário de três anos de trabalho, um verdadeiro contrato de escravidão que aprofunda a precarização do trabalho na Turquia.

A greve também levantou a reivindicação do aumento do salário mínimo nacional e combateu a imposição do governo de ilegalizar todas as greves no país, como aconteceu com os trabalhadores vidreiros, aeronautas e da indústria do chá.

Vinte e duas fábricas de dez cidades, totalizando mais de 15 mil operários paralisaram suas atividades na quinta e nesta sexta-feira.

O governo de Edorgan, do partido Justiça e Desenvolvimento, no entanto, declarou a ilegalidade da greve e proibiu sua realização baseado em uma lei do período do golpe militar de 1980 e argumentando questões de segurança nacional.

Abaixo, reproduzimos a nota da central sindical DISK sobre a ilegalidade da greve:

Declaração da Confederação de Sindicatos Progressistas da Turquia (DISK)

Greve dos metalúrgicos foi proibida na Turquia

O governo da Turquia emitiu um decreto de gabinete suspendendo a greve dos metalúrgicos realizada pela DISK/Birlesik Metal-Is. A greve atinge mais de 40 locais de trabalho com 15 mil trabalhadores da indústria metalúrgica da Turquia.

A lei turca sobre sindicatos e contratos de trabalho, em seu artigo 6356, prevê que “uma greve ou lock-out legal que foi convocada ou iniciada pode ser suspensa pelo Conselho de Ministros por 60 dias através de decreto se for prejudicial à saúde pública ou à segurança nacional. A suspensão deve forçosamente ocorrer na data de publicação do decreto”.

O decreto governamental, assinado pelo presidente Recep Tayyip Erdogan, pelo Primeiro-ministro Ahmet Davutoğlu e pelo gabinete de ministros inteiro, considera a geve dos metalúrgicos como “prejudicial à segurança nacional”.

“O direito de greve está previsto na constituição Turca. A aplicação desse decreto relembra os dias do golpe militar de 1980.” disse Arzu Çerkezoğlu, Secretário Geral da DISK, ” isto é um golpe conta os direitos fundamentais dos trabalhadores. A desculpa é a segurança nacional mas, na verdade, trata-se da segurança dos patrões e dos pelegos. Lutaremos contra isso!”.

“O direito de greve não existe mais na Turquia”, disse Kemal Özkan, assistente da secretaria geral do sindicato industriALL. “Esse direito fundamental, garantido pela constituição do país e pelas normas internacionais ratificadas pelo governo, exite apenas no papel, não na realidade”. Kemal Özkan também disse: “É vergonhoso que o governo da Turquia viole um direito fundamental de uma maneira tão imprudente. Em todo caso, nunca desistiremos de apoiar o sindicato dos metalúrgicos de Birlesik.

A lei também prevê que “se um acordo não é alcançado depois de expirada a data da suspensão da greve (60 dias), o Alto Conselho de Arbitragem resolve o litígio mediante a aplicação de qualquer das partes no prazo de seis dias úteis. Caso contrário, a competência do sindicato dos trabalhadores será nula”.

Isso significa, claramente, que a chamada “suspensão” é, na verdade, uma proibição que impede a greve de continuar mesmo depois do período de 60 dias. Birlesik Metal-Is irá, certamente, apelar ao Conselho de Estado pela anulação do decreto governamental para que a greve possa continuar. No entanto, a experiência na indústria do vidro em 2014 não foi positiva, pois o Conselho de Estado legislou em favor do governo e contra a jurisprudência anterior.

Da Redação

Abaixo, um vídeo de uma das assembleias de preparação da greve:

Kobane venceu: a derrota do Estado Islâmico no norte da Síria

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Curdistão

A região do norte da Síria e fronteiriça com a Turquia que vinha sendo vítima há vários meses dos ataques concentrados do Estado Islâmico se libertou dos invasores ontem. Trata-se de um a forte derrota militar para o chamado Estado Islâmico – EI – e uma vitória para a resistência curda e para as forças populares da região.

O EI foi expulso de quase toda a região, chamada pelo povo curdo de Rojava. Alguns combates ainda aconteciam na periferia da cidade de Maqtala. Uma declaração pública do comando central da Unidades de Proteção do Povo (YPG, pela sigla em curdo), afirmou:

“Hoje, a cidade de Kobane foi libertada completamente dos gangsteres invasores. Após 133 dias, nossas forças superaram as esperanças do nosso povo e da humanidade e realizaram uma luta épica contra o terror. Nossas forças cumpriram completamente a promessa de vitória. É uma vitória da revolução de Rojava, uma vitória humanitária da Síria democrática”. 

A vitória de Kobane foi comemorada por curdos e turcos em várias partes da Europa. Essa foi, também, uma vitória da solidariedade internacional que pressionou os governos dos EUA e UE para que realizassem bombardeios atrás das fileiras do EI e pressionou, também, o governo da Turquia para que permitisse a passagem de suprimentos para as forças do YPG.

A vitória de Kobane abre novas perspectivas para a luta do povo curdo pela sua autonomia nacional, fortalecendo a luta por um Curdistão livre e democrático.

Da Redação

Vitória da Coalizão de Esquerda na Grécia abre novas possibilidades para a luta social na Europa

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Os primeiros dados de apuração de votos dão conta de uma contundente vitória da Coalizão de Esquerda (Syriza, em grego) nas eleições para o parlamento grego. Essa expressiva votação deve eleger o líder da coalizão, Alex Tsipras, como novo primeiro-ministro do país.

A Grécia teve sua economia praticamente destruída não apenas pelos efeitos da crise econômica que abala a Europa desde 2008, mas também pelos supostos remédios para a crise receitados pelo Banco Central Europeu – BCE, Fundo Monetário Internacional – FMI e a Comissão Europeia. Esse trio de instituições, conhecido na Europa pela expressão russa troika, impôs uma verdadeira humilhação ao povo grego, obrigando cortes em todas a áreas sociais, demitindo funcionários públicos, reduzindo salários e aposentadorias.

Os governos do Partido Socialista Pan-Helênico (PASOK) e da Direita (Nova Democracia-ND) aplicaram como mansos carneirinhos os ditames da troika, caindo em desgraça na opinião pública. Enquanto isso, os banqueiros e monopólios, os ricos da Grécia, mantiveram seus privilégios fazendo crescer a desigualdade social no país.

Com mais de 90% das urnas apuradas, a Coalizão de Esquerda alcança 36% dos votos e 149 assentos no parlamento, faltando 2 deputados apenas para formar a maioria absoluta. Em segundo lugar fica o partido do governo, ND, com 27% dos votos e 77 parlamentares.

Outra boa notícia é a diminuição, ainda que pequena, dos votos do partido nazifascista Aurora Dourada. Depois de estar envolvido em vários atos de violência contra lutadores sociais e imigrantes, os fascistas obtiveram 6,3% dos votos, um deputado a menos que nas últimas eleições de 2012, ou seja, 17 deputados. Em quarto está outra agremiação de direita chamada “O Rio”, com o mesmo número de deputados do Aurora Dourada.

Ocupando o quinto lugar está o tradicional partido revisionista, KKE (Partido Comunista da Grécia), que cresceu 1% em relação às últimas eleições e pode jogar papel importante se entrar em acordo com o Syriza para a formação do novo governo, ocupando 15 assentos no parlamento.

O PASOK, que por vários anos governou a Grécia e se constituía como principal grupo de centro-esquerda desde o fim da ditadura militar, reduziu sua votação em quase 70% caindo para apenas 13 deputados no parlamento. É uma clara expressão do repúdio popular às traições cometidas por esse partido.

Causas e consequências da vitória

A vitória da Coalizão de Esquerda nestas eleições é o resultado direto de toda a luta travada pela classe trabalhadora e pelo povo grego nos últimos 5 anos. Nenhuma das chamadas medidas de austeridade que retiraram direitos e atacaram a dignidade dos gregos passou sem uma heroica resistência realizada pelo povo nas ruas. Foram dezenas de greves gerais; marchas multitudinárias; ocupações por casa para morar; manifestações de estudantes que desde 2008 honram a memória de Alexis Grigoropoulos.

Toda essa luta fez transformar a consciência do povo grego e teve consequências, também, na luta geral travada em outros países da Europa.

Uma vez no governo, o Syriza tem o desafio de fazer valer a vontade popular de romper com a União Europeia e seus organismos econômicos. Os capitalistas vão usar seus instrumentos de pressão, midiáticos e de terrorismo econômico para fazer a esquerda capitular. É preciso coragem e forte pressão popular para que o Syriza aplique de fato as medidas que enfrentem os capitalistas, começando pela suspensão do pagamento ao Banco Europeu e pela revogação das chamadas medidas de austeridade.

É preciso, além de tudo, enfrentar o fascismo que conta na Grécia com um partido organizado, militarizado, useiro e vezeiro em praticar a violência contra seus adversários. O perigo do fascismo não pode jamais ser subestimado e deve ser combatido com energia pelo novo governo.

Para o restante da Europa, e talvez do mundo, trata-se de uma vitória que anima a luta popular. Prova que é viável construir uma alternativa à esquerda e que não há nenhuma fatalidade que obrigue os partidos a seguirem o que mandam os bancos para vencer eleições. O resultado das eleições na Grécia repercutirá nas próximas eleições da Espanha, Portugal e outros países.

De fato, um novo capítulo se inicia na luta do povo grego pela sua libertação. Mais uma vez a luta popular e a organização da classe trabalhadora serão o caminho seguro para vencer.

Jorge Batista, São Paulo

Polícia ataca ato contra o aumento da tarifa em São Paulo

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Trabalhadores do McDonalds manifestam apoio à marcha contra a tarifa
Trabalhadores do McDonalds manifestam apoio à marcha contra a tarifa

O quarto ato contra o aumento da tarifa, realizado no centro de São Paulo na sexta-feira, 23, foi mais uma vez duramente reprimido pela polícia militar. Incapazes de responder às demandas populares por qualidade no transporte e sem querer enfrentar a máfia que comanda as empresas capitalistas de transporte da capital, o prefeito Hadad e o governador Alckmin resolveram que a luta contra o aumento deve ser resolvida como caso de polícia.

A disposição do movimento de não ceder às provocações da polícia é encarada com ironia por parte das forças de segurança. Enquanto a marcha segue organizada, com comissões de segurança e convencimento em toda a sua extensão de mais de quase 10 mil pessoas, a polícia cerca a marcha e espera o melhor momento para provocar um tumulto, dispersar a manifestação deter algumas pessoas.

Na última marcha, a assembleia aprovou um trajeto que percorria algumas ruas do centro e terminava na praça da república. O apoio da população mais uma vez foi massivo, com papel picado jogados dos prédios e várias pessoas se juntando a marcha após sair do trabalho. Nem uma grande chuva diminuiu a presença da marcha na altura do metrô São Bento.

Quando a marcha passava por trás do Teatro Municipal, a polícia resolveu provocar a partir do lançamento de um rojão por parte de um desconhecido. Muitas bombas de gás e balas de borracha conseguiram dividir a marcha em três partes que não puderam se reagrupar. Muitos manifestantes ficaram feridos.

No vídeo abaixo, podemos ver a polícia atacando uma aglomeração de manifestantes.

A decisão de barrar o aumento, no entanto, continua firme por parte do povo paulista. Na quinta-feira, 22, o MTST realizou atos em diversas regiões de São Paulo engrossando o caldo das manifestações. O 5º ato contra o aumento das passagens está marcado para a próxima terça-feira, 27, no largo da Batata, zona oeste de São Paulo.

Da redação, São Paulo

Eu sou a favor de um ajuste fiscal, e você?

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LevySou sim a favor de um ajuste fiscal. Governo nenhum pode permanecer por tempo indefinido gastando mais recursos do que o que realmente tem. Essa é uma situação insustentável. Para começar, como fazem as empresas sérias, vamos rever o contrato com todos os nossos credores.

Foi previsto no orçamento do ano passado o gasto de mais de R$ 1 trilhão com o pagamento de juros de dívidas públicas. Veja bem, não é a dívida, é apenas os juros dela. Em 2014, pagamos R$ 3 bilhões por dia desses juros e, ainda assim, a dívida cresceu. Não é responsável que 42% do orçamento federal seja gasto com tantos juros. Vamos auditar todos esses contratos (*dados aqui).

Auditar significa saber de onde essas dívidas vieram, por que cresceram e continuam a crescer tanto, e renegociar com quem cobra juro extorsivo. Qualquer pessoa ou empresa sensata faz isso com seus credores, como não? Ainda mais quando sabemos que uma ditadura militar, um governo ilegítimo, esteve no poder durante mais de 20 anos e contraiu várias dívidas igualmente ilegítimas. Vamos auditar tudo isso e parar o pagamento daquilo que é fraudulento!

É preciso cortar também. Vamos cortar os juros. O corte de pontos percentuais na taxa básica de juros pode significar uma economia, ainda que pequena, no pagamento da nossa dívida pública. Vamos cortar também do salário dos deputados, ministros, governadores, vereadores etc. Que todos eles recebam agora o mesmo valor do piso nacional dos professores. Ou não é justo?

É preciso, também, aumentar impostos. Mas é inútil aumentar imposto indireto (IPI, ICMS, CIDE, etc), pois esses vão para o preço dos produtos e acabam aumentando a inflação, jogando contra o ajuste fiscal. Vamos aumentar imposto de quem tem dinheiro sobrando para pagar. É o mais lógico.

No Brasil, 0,21% da população, apenas 420.000 pessoas, é dona de mais de 40% do PIB (*dados aqui ). Vamos cobrar 10% de imposto do patrimônio desse pequeno punhado de pessoas. Eles ainda vão ficar com 90% de um patrimônio bilionário, vivendo muito bem. Só com isso, o governo arrecada quase 100 bilhões de reais.

Também vamos dar um jeito na corrupção. É preciso punir os corruptos que roubaram a Petrobrás e têm grande culpa na falta de dinheiro que o Estado vive hoje. Donos de grandes empreiteiras, inclusive, estão presos por esse roubo. Isso trará para o orçamento R$ 7 bilhões (valor de mercado das empreiteiras envolvidas).

Vamos expropriar o patrimônio de todos os corruptos e corruptores. Fazer esse dinheiro voltar ao Estado para combater o déficit fiscal.

Todas essas medidas trarão de volta a confiança do povo no Brasil. Permitirão um maior investimento na educação, para que o país produza mais e aumente sua riqueza. Na saúde, para que o trabalhador mais saudável aumente a produtividade.

Confiante no futuro do Brasil, o povo terá unidade e disposição para enfrentar qualquer crise. Economia não é outra coisa senão a decisão de onde cortar e qual setor estimular em cada momento. A decisão econômica do momento trata portanto de saber quem vai pagar a conta de um ajuste fiscal, se serão os banqueiros e monopólios que geraram essa crise ou se serão o povo e os trabalhadores.

O governo Dilma e sua patota do mercado nos ministérios têm decido fazer o que mandam os banqueiros e monopólios.  Essa é uma escolha consciente, de livre-arbítrio. Dilma tem sim escolha e nenhuma fatalidade obriga a fazer um ajuste fiscal que beneficie os ricos, gerando tormento e miséria para os trabalhadores.

Jorge Batista, São Paulo

Imposto sobre grandes fortunas poderia arrecadar R$ 20 bilhões

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Eleita pela maior o povo pobre do Brasil, a presidente Dilma Rousseff (PT), no entanto, tem governado para os mais ricos, escolha refletida na composição de seu ministério e nas medidas conservadoras de sua equipe econômica.

Os cortes de investimentos e os aumentos de impostos adotados pelo ministro Joaquim Levy não são meras “decisões técnicas” de um economista competente querendo “equilibrar as contas públicas”, aumentando receitas e diminuindo despesas. A técnica não é neutra, é utilizada para atingir determinados fins sociais, que são frutos de decisões políticas. E a decisão política adotada pelo Governo Dilma foi de, diante do atual quadro de agudização no Brasil dos impactos da crise capitalista global, manter intocados os interesses dos mais ricos à custa dos poucos avanços alcançados no padrão de vida das classes trabalhadoras brasileiras e da classe média.

Senão fosse assim, em vez de elevar alíquotas de impostos sobre áreas de grande impacto sobre a economia popular e restringir o acesso a benefícios trabalhistas, o Governo Dilma teria optado, por exemplo, por utilizar uma ferramenta que foi mantida quase escondida na Constituição de 1988: o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF). O artigo 153 da Constituição Federal determina: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (…) VII – grandes fortunas, nos termos de lei complementar”.

Este inciso da Constituição carece de regulamentação há 26 anos. Ou seja, nunca saiu do papel. A preferência sempre foi por cobrar os impostos diretos sobre o consumo, que assaltam diariamente os bolsos das classes populares – onerando os preços de produtos de extrema necessidade, como a cesta básica.

Segundo Ladislau Dowbor, economista e ex-assessor da ONU, 56% da carga tributária brasileira é cobrada da mesma forma, seja ao contribuinte rico seja ao pobre. Isto é extremamente injusto porque, enquanto R$ 100 pagos em impostos não comprometem em nada a conta bancária de um ricaço, o mesmo valor é um verdadeiro assalto no orçamento de um trabalhador que vive com um salário mínimo para fazer a feira e pagar aluguel, transporte, água, luz, etc.

A última proposta no sentido de taxar os ricos foi apresentada em 2008 por Luciana Genro (PSOL), então deputada federal. O projeto cria cinco faixas de patrimônios para taxação, começando com R$ 2 milhões. Um relatório do Banco Credit Suisse calcula que, no ano passado, eram 1.900 os brasileiros com patrimônio superior a US$ 50 milhões (cerca de R$ 130 milhões).

Em uma estimativa comedida, caso a proposta de Luciana Genro estivesse em vigor, a tributação sobre o patrimônio dessa camada mais privilegiada renderia à União R$ 12,35 bilhões anuais, ou seja, mais da metade dos R$ 20 bilhões que o Governo brasileiro pretende arrecadar com os aumentos de impostos anunciados recentemente.

Este debate ganha agora mais relevância com o relatório da organização internacional Oxfam, que aponta que, em 2016, 1% da população mundial vai controlar mais da metade da riqueza produzida no mundo.

As medidas adotadas pelo Governo Dilma II intensificam o caráter regressivo da estrutura tributária brasileira: quanto mais pobre, mais se paga imposto. E o pior é que os que mais pagam impostos são os que menos usufruem dos gastos do Governo. Na hora de cortar verbas, sempre sobra para os serviços públicos e as políticas sociais que mais interessam ao povo.

O Governo deveria aplicar uma política tributária progressiva, em que os ricos pagassem altos impostos enquanto os pobres pagassem impostos menores, e mesmos contassem com subsídios sobre os produtos e serviços de primeira necessidade para aliviar seu impacto sobre o orçamento das famílias trabalhadoras.

Na democracia burguesa, porém, o compromisso dos governantes, em geral, não é com a maioria do povo que os elege, mas sim com a minoria rica que financia suas campanhas e que controla os grandes meios de comunicação.

A única alternativa para as classes e camadas oprimidas pelas políticas antipopulares é se organizar para enfrentar estes ataques com greves, passeatas, ocupações de terras e prédios.

Clodoaldo Gomes, jornalista

Governo Federal pratica velha política econômica

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Levy, Kátia e Armando
Levy, Kátia e Armando

Em seu comentário matutino na CBN, neste dia 23 de janeiro, o jornalista Carlos Alberto Sardenberg, comentarista especializado em economia das Organizações Globo, rasgou elogios ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, a quem atribui o mérito por uma suposta “nova política econômica”.

O ministro está em Davos, na Suíça, no Fórum Econômico Mundial, onde, segundo o jornalista, tem circulado com desenvoltura e até se reuniu a portas fechadas com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, que disse “estar encantada” com o brasileiro. Ele foi também elogiado pelo ministro colombiano, Mauricio Cárdenas, que destacou “a liderança de Levy na América Latina”, sendo ainda chamado pelos participantes do evento como “Davos Man”, ou seja, um homem com o espírito do Fórum Mundial.

Não é para menos. Levy foi dirigente do FMI, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Bradesco. Em Davos, representa não o Brasil, o seu povo, mas sim os interesses do grande capital financeiro nacional/internacional.

A ironia é que, em dezembro de 2005, o Governo Lula I fez alarde de que o Brasil se livrara da dependência do FMI, pagando ao órgão US$ 15,5 bilhões de sua dívida. Agora, com a “nova política econômica” do Governo Dilma II, o FMI é quem está com a caneta da nossa economia nas mãos.

E tem mais

O Ministério da Fazenda nas mãos dos banqueiros; o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio nas mãos da burguesia industrial (Armando Monteiro – PTB); o Ministério da Agricultura nas mãos dos latifundiários (Kátia Abreu – PMDB); o Ministério dos Esportes nas mãos da bancada evangélica (George Hilton – PRB); o Ministério das Cidades nas mãos da “nova direita” (Gilberto Kassab – PSD); o Ministério da Educação nas mãos da oligarquia cearense (Cid Gomes – PROS; mandou a PM bater nos professores em greve, em seu segundo mandato como governador do Ceará).

Dilma afirmou em seu discurso de posse: “nenhum direito a menos!”. Logo de cara, vieram a restrição do acesso ao FGTS e às pensões, o aumento dos juros para financiamento imobiliário, a proposta de abertura do capital da Caixa Econômica Federal e novas denúncias de corrupção dentro da Petrobras.

A maioria da população votou em Dilma para impedir o retrocesso do PSDB, da direita escancarada, mas, na prática, a cúpula petista e seus aliados de direita têm mesmo é praticado da velha política econômica dos tucanos e seus antepassados.

Rafael Freire, jornalista

Esquerda revolucionária convoca convenção nacional na Venezuela

siguarayaA situação econômica se agrava na Venezuela frente a reiteradas tentativas dos capitalistas de impor o desabastecimento a grande parte da população. Do ponto de vista político, o próprio partido no governo, o PSUV, se vê em uma forte divisão interna e muito suscetível às pressões dos capitalistas para fazer as mudanças necessárias no país e avançar para o socialismo.

Como resposta a essa situação, a esquerda revolucionária venezuelana reforça seus laços de unidade e ação conjunta. Desde a formação da Unidade Popular Revolucionária e Anti-imperialista – UPRA, várias organizações sociais vêm trabalhando coordenadamente no sentido de preparar a classe trabalhadora da Venezuela para avançar revolucionariamente.

Para aprofundar essa unidade, foi convocada uma convenção nacional que ocorrerá em Caracas no dia 31 de janeiro. Abaixo, reproduzimos a carta de convocação da convenção:

CONVENÇÃO NACIONAL DA ESQUERDA REVOLUCIONÁRIA

A Convenção Nacional da Esquerda Revolucionária é um espaço de encontro promovido pela Unidade Popular Revolucionária Anti-imperialista – UPRA para propiciar o debate entre as diversas organizações que reivindicam a esquerda revolucionária venezuelana. Até agora temos desenvolvido nossa ação política de forma dispersa mas sempre conscientes da necessidade histórica de assumir o trabalho conjunto ou, pelo menos, coordenado, para superar dificuldades e avançar com passo firme rumo ao socialismo.

Temos trabalhado para gerar as condições adequadas para a coordenação, por isso abordamos, no primeiro momento, o Encontro Nacional de Organizações Revolucionárias, em Outubro de 2014 onde, reconhecendo nossa diversidade, mas também sabendo do interesse comum de trabalho, realizamos uma jornada com delegados das organizações integrantes da UPRA com o objetivo de analisar os seguintes temas: 1) Situação internacional e nacional; 2) Elementos centrais para a transição; 3) Ofensiva da direita e a tática comum para o atual perído; 4) Plataforma de luta, tendo como centro a unidade popular revolucionária. Trabalhamos para gerar acordos e alianças necessários para nos orientar acertadamente no complexo panorama atual e no período que se avizinha.

As organizações integrantes da UPRA assumiram o compromisso de realizar todos os esforços para consolidar uma referência nacional. Uma rede que em todas regiões, na capital e nos estados possa enfrentar as complexas tarefas que significam abordar seriamente a construção do socialismo, defender a independência nacional e derrotar as tentativas dos imperialistas sob todos os signos, que hoje, mais do que nunca, tratam de apropriar-se dos recursos nacionais e da força de trabalho dos países dependentes para tentar diminuir os efeitos da crise do capitalismo.

O Encontro Nacional de Organizações Revolucionárias, realizado em Barquisimeto em Outubro do ano passado como espaço interno da UPRA, serviu para assentar as bases de um debate mais amplo, com mais organizações, na forma de uma Convenção Nacional da Esquerda Revolucionária. Aspiramos que este seja um ponte de inflexão na construção de uma referência política e social da esquerda proletária, popular e revolucionária que requer o povo da Venezuela para orientar-se ante o panorama complexo que se vislumbra no horizonte. Esta referência requer ideias claras, disposição de luta e estruturas organizativas se queremos, realmente, derrotar a burguesia para instaurar uma sociedade da classe operária, dos camponeses e do povo, sociedade de justiça que deve eliminar as relações que que permitem aos exploradores manter seu modo de opressão contra as maiorias.

Por estas razões, todas e cada uma das organizações integrante da UPRA convidamos para o dia 31 de janeiro, na cidade de Caracas, os que sintam a necessidade de preparar-se para o esforço decisivo de superação da sociedade burguesa. Faremos um grande debate demostrando que nas bases do povo existe sim a verdadeira reserva capaz de insuflar o ânimo requerido para consolidar a sociedade de igualdade, unidade e combate que destrua as bases da exploração capitalista-imperialista e coloque a classe operária e os explorados à cabeça das grandes mudanças que o mundo atual exige.

QUEM PODE PARTICIPAR

Todas as organizações sociais, partidos políticos, associações, movimentos e coletivos que se coloquem nas filas da esquerda revolucionária, que combatam o capitalismo, imperialismo e o reformismo, que tenham um trabalho político, teórico, militar, social, comunitário ou de qualquer outra índole, sempre destacando a necessidade de destruir o capitalismo em sua expressão nacional ou internacional, o imperialismo, e toda a forma de exploração como via para construir o socialismo.

A Conferência se realizará no sábado, 31 de janeiro, a partir das 8h no Liceu Antonio Caro, próximo à estação de Metrô Gato Negro. As mesas de discussão e as deliberações tratarão de quatro pontos centrais: 1) Análise da Conjuntura Nacional e Internacional; 2) Sobre a transição ao socialismo e a tática para o período atual; 3) A Unidade Popular Revolucionária; 4) Plataforma de luta (Eixo transversal).

Luta contra o aumento da tarifa do transporte esquenta em São Paulo

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FotoO segundo ato contra o aumento da tarifa de ônibus, trens e metrôs da região metropolitana de São Paulo começou quente na sexta-feira, 16. O movimento contou com a sorte e mais uma vez a chuva não deu as caras, como é comum em um final de tarde de janeiro no centro de São Paulo. Mas o calor vinha mesmo da indignação das mais de 20 mil pessoas contra a repressão promovida pela PM no primeiro ato.

Muitas centenas de policiais com armas ostensivas, viaturas, motos e um helicóptero garantiam que o clima de tensão permanecesse elevado. No cruzamento da Avenida Paulista com a Consolação a assembleia popular que precede o ato teve início, com a votação sobre o trajeto que a manifestação devia percorrer.

Em comparação com as mobilizações de junho de 2013, é visível o avanço organizativo e político do movimento atual, ainda que permaneçam vários limites. O debate político sobre o trajeto que tem começo, meio e fim; a organização das correntes e grupos partidários em colunas; e a segurança da faixa dianteira com um cordão de militantes são exemplos das lições aprendidas pelo movimento com tudo que ocorreu em junho.

No debate sobre o trajeto foram defendidas cinco propostas diferentes. Venceu, contra a vontade dos dirigentes do MPL, a proposta de marchar à prefeitura e depois até a secretária de transporte para cobrar do prefeito Hadad e do governador Alckmin a revogação do aumento da tarifa.

O repúdio às tentativas do prefeito de desmobilizar o movimento também esteve marcado. Na noite anterior, Hadad se reuniu com representantes da direção majoritária da UNE e de outras entidades estudantis para “negociar” pontos do passe-livre estudantil. A assembleia respondeu unânime que o objetivo da luta é revogar o aumento e conquistar a a tarifa zero no transporte.

Na descida da Consolação foi possível ver toda a força e organização do movimento que fazia uma marcha bonita, numerosa e politizada. Várias casas demonstravam apoio à marcha com cartazes e acenos aos manifestantes.

No cruzamento da Consolação com a Dona Antônia a polícia fez a primeira provocação. Bombas de gás e pimenta foram jogadas bem no meio da marcha com o objetivo de dividir e dispersar parte dos manifestantes. Não conseguiram. No final da praça Roosevelt a marcha estava ainda maior, com novas adesões das pessoas que saiam do trabalho.

Em frente à prefeitura, a polícia fez formação praticamente cercando a marcha. Um ato político foi realizado com projeções na fachada da prefeitura, jograis e palavras-de-ordem. A denúncia da violência da PM teve grande destaque.

Quando a marcha se preparava para seguir até a secretaria de transporte, a PM usou de artilharia pesada. Muitas bombas de gás, de efeito moral e balas de borracha tornaram a dispersão inevitável. A PM desatou a repressão levando à detenção pelo menos 8 pessoas.

A luta contra o aumento da tarifa em 2015 mostra ter tanta vitalidade e adesão quanto a de 2013. Mais uma vez, a repressão policial não parece intimidar quem sai às ruas contra a máfia dos transportes. A consequência de tentar calar a mobilização popular é, como sempre, imprevista.

O terceiro ato contra o aumento será na próxima terça-feira, 20, às 17 horas, com concentração próximo ao metrô Tatuapé, na Zona Leste.

Da Redação.