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sábado, 11 de abril de 2026
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Escola não é fábrica

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Linha de produçãoA propaganda absurda da Prefeitura do Rio de Janeiro, publicada na segunda-feira (08/12) em página inteira no Jornal O Globo, mostra da forma mais descarada possível o pensamento neoliberal para a educação. Me nego a chamar a propaganda de infeliz, como deve ter gente dizendo. O termo infeliz traz uma conotação nesses casos de uma ação frustrada realizada na tentativa de acertar, mas sabemos que a idéia passada pela imagem não é desconexa à política educacional da Prefeitura do Rio de Janeiro, mas sim a mais fiel representação do projeto de Eduardo Paes e seu secretário de educação. Pior, podemos ampliar essa representação para todo o estado do Rio de Janeiro e, ainda mais, para a grande maioria dos munícipios e estados brasileiros.

Uma política material, mas também ideológica. Vejamos.

Em Minas Gerais, junto a prefeitos e governadores, o ex-senador Aécio Neves se regozijava pelos bons resultados do estado na educação pela medição do IDEB. De fato o estado empatava de forma geral com São Paulo, Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul, de acordo com a faixa de ensino avaliada. Mas isso demonstra uma educação de qualidade? Não!

O que é necessário para que a rede de ensino tenha uma boa avaliação no IDEB? Um alto rendimento escolar e o sucesso na “Prova Brasil”. Sucesso na Prova Brasil a gente entende, os estudantes fazem uma prova – apenas de matemática e português – de alternativas que pode ser resolvida com conhecimento ou sorte. Mas e o rendimento escolar, mede conhecimento do aluno? Não!

O rendimento escolar mede o número de aprovações, reprovações e abandonos dos estudantes. A cada vez que um estudante abandona a escola ou é reprovado, a nota do estado cai no IDEB e fica mais difícil alcançar as metas estabelecidas a cada dois anos, até 2021. No geral o Brasil ficou abaixo da meta de crescimento esperado no IDEB para os anos finais do ensino fundamental (6º a 9º anos) e no ensino médio.

Aí que entra a jogada que ficou escrachada na propaganda fluminense. A imagem de estudantes sentados em carteiras sobre uma esteira mecânica era acompanhada pela seguinte frase: “Nossa linha de produção é simples: construímos escolas, formamos cidadãos e criamos futuros”. Teria como expressar a política educacional atual melhor do que com essa imagem e frase? Devemos louvar a coragem da Prefeitura do Rio em sua honestidade de apresentar como trata a educação de forma mecanizada.

Mas voltando ao IDEB. Essa “linha de produção” tem alguns pontos principais:

1) O índice de aprovação: A tal progressão automática do Alckmin é fruto dessa visão. O estudante é aprovado mesmo com deficiências e sem cumprir todos os requisitos necessários para chegar à série seguinte. Por isso que no final do ensino médio temos estudantes se formando sem saber ler e escrever ou fazer as operações básicas de matemática e sem dominar as diversas ciências.

Em São Paulo, onde o modelo neoliberal do PSDB destruiu a educação ao longo dos últimos 20 anos, os professores são tentados a aprovar os estudantes de qualquer jeito em troca de um bônus. Já na Prefeitura, denúncias apontam que em setembro os estudantes aprovados já haviam sido definidos, mesmo com três meses de aula pela frente.

2) Construção de escolas: Essa medida da prefeitura, segundo professores e funcionários, se dá pela falta de vagas. Afinal, quem pode citar uma escola sendo construída na cidade de São Paulo? E isso se repete por todo o país. Escolas caindo aos pedaços, literalmente. Lousas em que é impossível ler ou escrever, salas sem carteiras e cadeiras, falta de laboratórios e quadras esportivas, entre outras deficiências.

Chama a atenção também a tentativa de transformar a construção de escolas pré-moldadas, que não levam em conta as necessidades dos estudantes, com desenvolvimento da educação. Mas todas as crianças e jovens são iguais? Todas as comunidades tem o mesmo perfil para possuírem escolas iguais? Não!

3) Controle da evasão: Com um ensino que não atrai o estudante e uma escola que não dá condições materiais e físicas e que não é acolhedora, muitos optam por “tocar a vida” ao invés de “perder tempo” dentro da escola. Cada vez que um estudante abandona a sala de aula o país perde em desenvolvimento, teremos mais um homem ou mulher analfabeto(a) ou iletrado(a). Mas para os neoliberais, eles perdem um número. E com isso perdem dinheiro de fundos nacionais e internacionais e, até, perdem votos (mesmo que isso seja desmentido em São Paulo). Com isso cria-se a tática do dois pra lá, dois pra cá. As escolas ficam trabalhando para convencer os estudantes a mudarem de escola para que esses alunos sejam indicados como transferência e não como abandono, evitando que o índice da escola caia. No final do ano podemos conferir nas listas de presença salas com mais de 10 ou 15 transferências.

Outros pontos também afetam o IDEB, mas tem menor peso na nota final.

Uma avaliação simples como a feita aqui sobre as políticas e modelos educacionais aplicados no Brasil demonstra como a propaganda da prefeitura do Rio não foi mera infelicidade ou azar, mas a representação fiel da proposta pedagógica que é a seguinte: Colocar estudantes na sala de aula para cumprir a meta da LDB e de outras leis; aprovar o maior número possível, ignorando os casos mais absurdos e as necessidades dos estudantes para não sobrecarregar a linha; entregar o diploma para o estudante abrindo vaga para os que vêm a seguir. Um carro possui um tempo estipulado para ficar pronto. A escola tem como meta entregar o estudante “formado” em 12 anos. Depois fica o custo para a sociedade ou a universidade – caso ele tenha sorte – fazer o recall.

E não podemos deixar passar que no fim da linha de montagem temos produtos sempre iguais. Portanto não é à toa que vemos a luta constante para diminuir a quantidade de aulas de matérias que podem produzir um pensamento contestador. Também não é à toa que vemos direções de escolas sendo entregues aos militares. Para pensar é preciso sair da linha e escolher um caminho alternativo, e os poderosos não querem permitir isso. Crianças criativas são doentes que precisam de Ritalina e jovens contestadores são problemáticos que precisam de um bom corretivo.

O que precisamos tirar de aprendizado, já que a vida é uma grande escola, é que não podemos esperar dos governos atuais mudanças satisfatórias nas políticas para educação. Escolas de tempo integral, dois professores em sala, entrega de uniformes, etc. são apenas medidas que tentam passar uma boa impressão para a sociedade.

Assim como a pintura dos muros das escolas e o cheiro de tinta fresca que encontramos nas salas no início do ano, mas que no final estão iguais ou piores que no ano passado, essas medidas não resolvem o problema, que exige uma transformação radical, uma verdadeira derrubada dos muros das escolas (em sentido figurado ou não). Sabemos que a proposta anarquista de uma sociedade sem escolas é absurda, mas a educação não pode perder sua capacidade contestadora e seu papel revolucionário.

E sabemos que em uma revolução o novo surge do velho, mas antes é preciso questionar tudo o que é velho e destruir o que não nos serve mais, até que não fique pedra sobre pedra.

Lucas Marcelino, professor da rede estadual de São Paulo.

Petrolão: governo tem que confiscar bens das empreiteiras e dos corruptos

lava jato capa

Quando são perguntados sobre como ficaram ricos e construíram fortunas, os empresários sempre respondem que foi com “muito trabalho”. Escondem, assim, tanto a exploração que realizam do trabalhador quanto o roubo que fazem dos cofres públicos por meio de fraudes em licitações, contratos superfaturados, empréstimos que recebem de bancos estatais com juros subsidiados e até mesmo as milagrosas ajudas do Estado para comprar outras empresas ou salvá-los da falência. Mas, a mentira tem perna curta.

De fato, a Operação Lava Jato da Polícia Federal (PF) deixa bastante claro que as maiores empreiteiras do país se tornaram grandes empresas não com o trabalho de nenhum dos seus donos, mas com o roubo descarado que realizaram da nação brasileira, em particular, da maior empresa pública do país, a Petrobras. Segundo a PF, as empreiteiras Camargo Correa, OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Iesa, Engevix, UTC e Toyo Setal formaram um cartel para fraudar licitações, impor altos preços nos contratos, corromper funcionários da estatal, e ganhar rios de dinheiro.
Embora somente este ano o esquema tenha sido revelado, o cartel das empreiteiras vem há décadas manipulando licitações, dividindo as obras entre as empresas e superfaturando os preços. Já está comprovado até o momento que o cartel agiu em contratos que superam 59 bilhões de reais.

Vejamos alguns exemplos da ação do cartel das empreiteiras. A construção da Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco foi aprovada custando US$ 2,5 bilhões de dólares; após alguns anos, seu custo foi elevado para US$ 18,5 bilhões. A obra da Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Coperj)), localizada no município de Itaboraí, inicialmente orçada em R$ 6,5 bilhões, agora, custa R$ 13,5 bilhões.

O lobista Fernando Soares, delatado por Alberto Youssef como o operador do PMDB no esquema, conseguiu que sua empresa assinasse 86 contratos com a Petrobras num valor total de R$ 131,6 milhões. Esse mesmo Fernando Soares recebeu da empresa Toyo Setal, segundo acusou um diretor, US$ 40 milhões, depositados em contas do lobista no Banco Winterbothan no Uruguai. Em troca, a Petrobras comprou sondas de perfuração da Toyo com preço acima do mercado.

O resultado dessa roubalheira, além de causar prejuízos bilionários à Petrobras e tornar nosso país mais pobre, aumentou de forma gigantesca os lucros dessas empreiteiras. Com efeito, balanços divulgados pelas empresas que formam o cartel mostram que elas faturaram juntas US$ 56 bilhões em 2013.

Para realizar esses crimes contra a Petrobras e o povo brasileiro, as empreiteiras se reuniam, combinavam que obra cada uma iria fazer, decidiam que valor cobrar e acrescentavam um percentual para corromper diretores e funcionários da estatal e para financiar os partidos políticos da base aliada do governo – PT, PP e PMDB. O dinheiro desviado para os funcionários da Petrobras e para os partidos era transferido por meio de empresas de consultoria que assinavam contratos com as empreiteiras, depositado em contas secretas no exterior ou como doações legais de campanha. Como informa despacho do juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela investigação e considerado um dos maiores especialistas em lavagem de dinheiro: “o produto do crime decorrente do ajuste dos procedimentos licitatórios e do preço foi, sucessivamente, lavado pelas empreiteiras por meio do doleiro Alberto Youssef”.

O navio afunda, mas o rato se salva

Assim que ocorreram as primeiras prisões, os ratos começaram a brigar para ver quem seria o primeiro a pular do navio (ou seria da plataforma?). Um após outro foram assinando acordos de delação premiada (benefício concedido a um criminoso delator, que aceite colaborar na investigação, entregando os outros criminosos em troca de não ficar na cadeia ou ter sua pena reduzida). Entre os que fizeram acordos de delação premiada, estão o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef, dois executivos do grupo Setal – Júlio Camargo e Augusto Ribeiro de Mendonça Neto – e o engenheiro Pedro Barusco, gerente-executivo de engenharia da Petrobras. Segundo a Polícia Federal, também fazem parte do esquema, Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional e Renato Duque, diretor de serviços da Petrobras.

Na delação premiada, os criminosos se comprometem a devolver parte do que roubaram. Os números do que cada um desses criminosos desviou para as suas contas pessoais dão ideia de como surge um milionário, de onde vêm os milhões que os partidos burgueses e pequeno- burgueses gastam na campanha eleitoral e como as grandes empresas se tornaram multinacionais bilionárias.

O Paulo Roberto Costa se comprometeu a devolver R$ 70 milhões, mas, depois disso foram descobertos 23 milhões de dólares em seis contas que possui na Suíça. O engenheiro Pedro Barusco, gerente-executivo de engenharia da Petrobras, devolverá a bagatela de R$ 252 milhões, mas continuará de posse de sua casa avaliada em R$ 8 milhões, bem como do que estiver depositado em contas de familiares. O doleiro Alberto Youssef assumiu restituir R$ 55 milhões.

Corrupção ou extorsão?

Para tentar diminuir as penas dos corruptores, famosos advogados dos grandes escritórios de advocacia estabeleceram como linha de defesa de seus milionários clientes a tese de que os donos das empreiteiras foram vítimas de extorsão dos funcionários da Petrobras e dos partidos burgueses. Vejamos o que disse o advogado do vice-presidente da gigante Mendes Júnior: “A empresa que não fizesse pagamento não receberia a fatura a que teria direito legalmente”.

Também, os grandes meios de comunicação do país, TV Globo à frente, tentam apresentar as empreiteiras como vítimas de extorsão dos diretores da Petrobras ou dos partidos políticos que indicaram esses diretores.

Lava Jato 2É claro que sem a ajuda dos diretores da Petrobras denunciados e sem o apoio dos partidos políticos que influenciaram nas escolhas dos diretores da estatal, não teria sido possível nenhum crime contra o patrimônio nacional. Porém, como bem questionou o Procurador-Geral da República Rodrigo Janot, “É muito difícil acreditar que atividades empresariais dessa estatura possam ter sido alvo de concussão¹ que as levasse a fraudar licitação e dividir mercado para obter um lucro excelente como resultado. Ninguém é obrigado a ganhar dinheiro e a lucrar com uma atividade ilícita. Como a concussão te obriga a fazer um cartel, fraudar licitação e ganhar um dinheirão? Está sendo extorquido para ganhar dinheiro, para botar 100 milhões no bolso?”

Entretanto, o cartel das empreiteiras não atua apenas na Petrobras, mas em todos os estados e empresas públicas do país. É só observar que são sempre as mesmas empresas que constroem estações de metrô, viadutos, rodovias, enfim, que realizam as obras públicas. Não bastasse, somente nas eleições desse ano, essas mesmas empresas do cartel que atua na Petrobras repassaram R$ 53,3 milhões para a campanha de Dilma Roussef (PT) e R$ 19,2 milhões para a campanha de Aécio Neves (PSDB). Doações legais, mas, sem dúvida, imorais.

Uma história de corrupção

A verdade é que as empreiteiras se tornaram gigantes por terem sugado e espoliado o Estado e as empresas públicas. Quando da Ditadura Militar, a maioria delas eram pequenas empresas, mas graças à colaboração que deram ao regime militar, ganharam concorrências de grandes obras como a Ponte Rio-Niterói, a Transamazônica, as hidrelétricas de Itaipu e Tucuruí, as usinas nucleares de Angra, a Ferrovia do Aço, etc.

Após a redemocratização, o esquema continuou funcionando, pois a propriedade privada dos meios de produção continuou sendo santificada em nosso país. Essas mesmas empreiteiras, em particular, OAS, Odebrecht, Camargo Correa e a Andrade Gutierrez, passaram a financiar os partidos burgueses para ganhar as eleições e em recompensa recebiam obras superfaturadas para executar. Com as privatizações das estatais no governo de FHC, as empreiteiras se tornaram proprietárias de lucrativas empresas estatais como petroquímicas, empresas de telefonia, de energia elétrica, de água, etc.

Associadas a grandes bancos e sempre apoiadas pelo sucessivos governos federais de 1995 até hoje, estenderam seus tentáculos para vários países da África e da América Latina. Mesmo assim, como mostra a Operação Lava-Jato, e apesar de todo discurso contra a intervenção do Estado na economia, elas não dispensam nenhuma obra pública, como fica evidente na construção dos estádios para a Copa do Mundo, nas hidrelétricas de Jirau e Belo Monte, na transposição do Rio São Francisco, na Transnordestina, etc.

Diante de todo esse escândalo e roubo do patrimônio nacional, é de se lamentar a postura da presidenta Dilma, que acabou de ser reeleita pelo povo brasileiro. Falando sobre o caso, disse somente que “Isso pode mudar o país para sempre”, e que “as investigações vão continuar”. Ora, é preciso mais que palavras, é preciso ação; o governo deve adotar imediatamente medidas efetivas para proteger os interesses nacionais, declarar, como pediu o Procurador-Geral da República, as empreiteiras como empresas inidôneas, isto é, impedidas de participar de licitações ou de fechar contratos com a administração pública federal, do contrário, as fraudes continuarão. Mais: confiscar todos os bens dessas empresas e de seus executivos, obtidos, como está provado, por corrupção, e que o dinheiro seja usado na saúde, na educação, no saneamento e para garantir teto, escola e vida digna para todas as crianças pobres do Brasil.

Mas por que tudo isso acontece?

Portanto, diferente das afirmações dos economistas e políticos burgueses de que os investimentos privados são essenciais para garantir o crescimento econômico, o que ocorre é que a classe capitalista constrói suas fortunas promovendo um grande assalto ao Estado e às empresas estatais. É graças a esse roubo que as empresas privadas conseguem obter enormes lucros e se tornam grandes empresas. Sem os repasses do Estado para os empresários por meio de obras superfaturadas, pagamento dos títulos da dívida pública, empréstimos com juros subsidiados, isenções fiscais, como no caso das montadoras de automóveis, ou mesmo de privatizações de empresas públicas, aeroportos e rodovias, construídos com dinheiro público, a chamada “iniciativa privada’ não passaria de um castelo de areia.

Assim, em vez de empreendedorismo e da falácia de que a propriedade privada é fundamental para desenvolver a economia e garantir os empregos, o que realmente ocorre é que os monopólios privados são um entrave para o desenvolvimento do país; basta verificar quantas casas populares, quantos hospitais, quantas universidades, quantas refinarias poderiam ser construídos com esses bilhões que as empreiteiras roubaram da Petrobras.

Em outras palavras, a grande empresa privada é um câncer em qualquer sociedade moderna. Enquanto ela existir, continuará acontecendo o roubo das riquezas nacionais e a corrupção. Pior, além de assaltarem o patrimônio público, os empresários também expropriam o trabalhador. Com efeito, o operário recebe um salário miserável, embora o que ele produz com o seu trabalho seja muito superior em valor ao que ele ganha, como afirma Marx: “o operário não produz para si, mas para o capital”.

Resumindo, as grandes empresas privadas, além de depenarem a Petrobras e nossas riquezas, como o pré-sal, para aumentar suas fortunas, também enganam o trabalhador, massacram-no e o obrigam a trabalhar mais que um burro de carga. Essas são as principais razões para o crescimento das riquezas capitalistas, para surgirem os milionários em nosso país e não a “visão do futuro” ou o “espirito animal dos empresários”. Até porque, o trabalho das empreiteiras é realizado pelos operários e não pelos seus donos.

Tudo isso ajuda a entender bem quais são as diferenças de um partido comunista revolucionário para um partido burguês ou pequeno-burguês, isto é, enquanto os partidos burgueses e pequeno burgueses consideram essencial a propriedade privada para desenvolver a economia, têm uma relação promíscua com a classe capitalista e ajudam-na a acumular cada vez mais capital, o partido da classe operária e os comunistas revolucionários lutam pelo fim da propriedade privada dos meios de produção e o estabelecimento da propriedade social e por uma revolução socialista que destrua o Estado burguês e construa o Estado da classe operária e dos camponeses. Com a propriedade coletiva dos meios de produção, todas as riquezas produzidas passam a pertencer à sociedade e não a uma minoria de pessoas, acaba a divisão entre ricos e pobres e, consequentemente, o egoísmo e a ganância, pois todos terão os mesmos direitos e os mesmos deveres.

Lula Falcão, diretor de A Verdade e membro do comitê central do PCR

¹ Concussão: o ato de exigir para si ou para outrem, dinheiro ou vantagem em razão da função, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida.

7º Congresso da Uesp debate educação e promove a cultura

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diretoria eleitaNo dia 29 de novembro de 2014, realizou-se o 7° Congresso da União dos Estudantes Secundaristas Potiguares (Uesp). A atividade ocorreu no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), campus Central, em Natal, e contou com representações de 12 escolas, de 3 cidades.

Pela manhã, a mesa de abertura contou com a presença de Alex Feitosa, do Centro Cultural Emmanuel Bezerra, Taylinne Silva, da União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (Uespe), Ricardo Ferreira, da Associação Paraibana dos Estudantes Secundaristas (Apes), Matheus Peixoto, da Federação Nacional dos Estudantes do Ensino Técnico (Fenet), Marcos Antônio, do Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), Wellington Bernardo, da Central de Movimentos Populares (CMP), Islan Holland, da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Arnóbio Araújo, diretor-geral do IFRN – campus Central, e Samara Martins, da União da Juventude Rebelião (UJR).

Após as falas da mesa saudando o Congresso, o debate se concentrou sobre a história do movimento estudantil, particularmente, no período do regime militar fascista (1964-1985), época em que a violência e a censura se abateu sobre as lutas da juventude e da classe trabalhadora. Os estudantes que se inscreveram falaram da importância da organização e a capacidade de mobilização que os estudantes têm para defender seus direitos e construir uma sociedade mais justa. Logo em seguida, houve apresentações culturais de alguns estudantes (poesias, músicas) e, com muita animação, foi concluída a primeira fase do Congresso.

À tarde, os participantes se dividiram em quatro grupos para debater temas sobre cultura e o incentivo ao esporte, combate às opressões, sustentabilidade, movimento estudantil e escolas técnicas. Todos tiveram a oportunidade de se expressar e de relatar suas experiências, fundamentando o papel que a Uesp tem de organizar os estudantes no Estado.Terminando os debates, os estudantes assistiram a uma apresentação do grupo de dança da EE Winston Churchil, Nine Girls.

Na plenária final, foram aprovadas várias propostas vindas dos grupos de debate e foi eleita a nova diretoria da entidade. Os jovens que participaram do evento estão certos de que 2015 será um ano de grandes lutas e organização do movimento estudantil no estado, certos de que esse é o caminho para uma educação pública, gratuita, sem preconceitos, e de qualidade para todos!

Com muita empolgação e animação, encerrou-se o Congresso da Uesp com muita música, hip-hop e poesia pela banda Café Literário, da escola Cenep.

Islan Holland, presidente eleito no VII Congresso da Uesp

Estudantes de Odontologia da UFRN fazem atendimento em ocupação de Natal

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Odonto MLB 1Estudantes de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) resolveram “adotar” a Ocupação 8 de Março, em Natal, coordenada pelo Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), para realizar atendimentos odontológicos. Nas discussões de sala de aula em várias disciplinas, perceberam a importância de atender quem mais precisava do serviço.

Os estudantes saíram do seu “lugar comum”, saíram dos muros da universidade e identificaram os problemas daquela comunidade, constataram suas necessidades e carências e resolveram atuar. Com o entendimento de que o cuidado em saúde não deve ser focado apenas na boca, que o atendimento deve ser ampliado, mais humanizado, enxergando o paciente como um todo, com suas individualidades e com sua história e contexto social, cerca de 160 moradores da ocupação foram atendidos, entre idosos, adultos, adolescentes e crianças. Os dentistas em formação levaram para essa ocupação a ideia de que todos têm o direito à saúde bucal gratuita e de qualidade. A intervenção também levou os estudantes a pensarem mais sobre a função social da profissão que escolheram.

2014-10-02 19.26.31Com o apoio de professores das disciplinas de Cariologia, Clínica I e Saúde Bucal Coletiva I, da Coordenação do Departamento de Odontologia e do Centro de Ciências da Saúde e dos estudantes da turma 101, a Odontologia fortaleceu a relação que deve existir entre a academia e a comunidade.

A saúde bucal no Brasil

A cárie dentária ainda constitui um importante problema de saúde pública (CYPRIANO et al., 2004). Ela permanece com elevada prevalência em quase todas as faixas etárias e constitui um problema crítico das condições de saúde geral. A cárie possui origem microbiana, porém,  a sua  determinação social  é muito forte. Fatores como acesso à informação e serviços e questões socioeconômicas determinam o adoecimento ou a saúde. Isso se percebe em exemplos simples: pessoas mais pobres têm mais doenças bucais, perdem mais dente, tem mais dificuldade de atendimento por falta de cobertura dos postos de saúde e por tratamentos particulares serem bastante caros.

Apesar dos avanços obtidos em relação à saúde bucal com a implementação do Brasil Sorridente (2004), da fluoretação coletiva da água em alguns estados e de o número de dentes cariados, perdidos e obturados (CPO-D) da população ter diminuído, no geral, nos últimos anos, há grupos populacionais em que a situação de saúde bucal ainda é bastante precária. Infelizmente, isso se deve à existência de desigualdades regionais dentro das cidades e entre as regiões do país. As capitais apresentam melhores condições do que as cidades do interior, e as regiões Sul e Sudeste possuem melhores condições do que o Norte e o Nordeste. Essa desigualdade também se percebe na avaliação de que, nas classes mais ricas, a cárie praticamente desapareceu, no entanto, nas classes mais pobres, ela ainda é prevalente e provoca interferência na qualidade de vida das pessoas, causando sofrimento, dor, mutilação e também comprometimento estético, o que dificulta a sociabilidade, a conquista do emprego e a autoestima.

O Sistema Único de Saúde (SUS, preconiza que o serviço de saúde deve garantir a universalidade, integralidade e equidade. Garantir a saúde a todos (universal), em todos os níveis/ especialidades (integral) e de forma equitativa (dar mais e mais rápido a quem mais precisa).

Samara Martins, estudante de odontologia da UFRN

Referências:

COSTA, Simone de Melo.  Determinantes sociais da cárie dentária em adultos de municípios do entorno de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. 2012.

BASTOS, João Luiz Dornelles. GIGANTE, Denise Petrucci. PERES, Karen Glazer. NEDE, Fúlvio Borges. Determinação social da odontalgia em estudos epidemiológicos: revisão teórica e proposta de um modelo conceitual. Ciência & Saúde Coletiva, 12(6):1611-1621, 2007.

Projeto SBBrasil 2010. Relatório Final.

Mulheres dominicanas organizam entidade para lutar por direitos

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Congresso 3Num clima de muito entusiasmo e muita firmeza revolucionária, realizou-se, em 30 de novembro, em Santo Domingo, o Congresso de Fundação do Movimento de Mulheres Trabalhadoras da República Dominicana, com a participação de 700 mulheres vindas de todas as partes do país, representando grupos organizados de mulheres e sindicatos de classe. O Congresso teve ainda a presença de uma representante do Movimento de Mulheres Olga Benario, do Brasil, e uma representação das mulheres do Saharaui, uma região localizada no deserto do Saara, e que vive há 40 anos ocupada pelo Marrocos e pela Argélia. Várias organizações de mulheres de outros países enviaram saudações escritas.

O processo de construção deste evento teve início há dois anos com a fundação de grupos de mulheres em todo país e sindicatos de empregadas domésticas para lutar contra a opressão machista e a exploração de classe na República Dominicana.  A realização do 1º Congresso foi o fechamento deste ciclo.

Referenciando-se em suas mártires: as irmãs Mirabal, assassinadas por se oporem e lutarem contra a ditadura do presidente Trujillo; Mama Tingó, camponesa que foi assassinada por lutar pela terra para os povos; e Mayra Hernández, militante do movimento de  mulheres dominicanas e uma das organizadoras do evento, que faleceu neste ano, as mulheres trabalhadoras dominicanas reafirmaram a luta por uma sociedade mais justa e igualitária, exigiram a paridade de 50% entre homens e mulheres em todos os espaços públicos, a legalização do aborto, acesso aos serviços de saúde, direito à terra e moradia digna.

Luz Eneida Mejia, presidente eleita do Movimento de Mulheres Trabalhadoras da República Dominicana, contagiou todas as presentes ao encerrar o  Congresso com estas palavras: “Assumamos a igualdade de gênero, a solidariedade, a justiça, a paz, os direitos econômicos, políticos e sociais, o internacionalismo, a diversidade cultural, como valores com os quais iniciaremos nossas demandas políticas e sociais e o relacionamento com as organizações de mulheres e trabalhadoras aqui e no mundo.”

Indira Xavier, Movimento de Mulheres Olga Benario

Paralisação de 24h conquista maior reajuste salarial entre os têxteis do Brasil

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sindtextilA negociação da campanha salarial no setor de fiação e Tecelagem conduzida pelo Sindtêxtil-Ipojuca e pela Federação dos Trabalhadores da Indústria de Fiação e Tecelagem do Norte e Nordeste obteve importantes conquistas. Apesar de o salário ainda ser baixo (tendo em vista que o salário mínimo do Dieese é de R$ R$ 2.967,07), os trabalhadores conquistaram o maior índice de aumento salarial da categoria em todo o País: 7,35%; um aumento no piso de 8%; e um percentual de reajuste na cesta básica maior que muitas categorias na Região Nordeste (12,75%).

Segundo Rodrigo Rafael, presidente do Sindtêxtil-Ipojuca, “nossa paralisação foi fundamental para as conquistas na mesa de negociação”. A paralisação ocorreu no dia 25 de setembro, e as negociações se estenderam até o dia 27 de novembro.

Apesar de o Sindtextil e a Federação terem tido opiniões diferentes ao longo do processo de negociação, prevaleceram as conquistas e a unidade.  “A divergência foi sobre a greve. O Sindtêxtil defendeu que seria uma demonstração maior ainda de força da nossa categoria e uma resposta à intransigência dos patrões. Infelizmente, não aconteceu por falta de unidade”.

Antes da fundação do Sindtêxtil, a categoria recebia apenas a reposição do índice de inflação, não tinha cesta alimentação e ainda estava submetida à Convenção Coletiva de Recife, que está muito aquém das que foram negociadas após a fundação do sindicato, que, apesar de não ter o registro sindical, consegue negociar junto com a Federação.

“Agora é hora de lutarmos pelo Acordo Coletivo específico da nossa empresa. O Sindtêxtil e o Sindpetroquímica estarão juntos na luta pelo Acordo Coletivo da Petroquímica Suape. Vamos seguir fortes na luta”, declarou Rodrigo.

Movimento Luta de Classes – PE

Comissão Nacional da Verdade pede punição aos agentes da Ditadura

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fta20140331014O relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), apresentado hoje (10/10/2014), em Brasília, propõe uma série de recomendações e reformas na estrutura do Estado brasileiro com o objetivo de punir os responsáveis pelas violações aos direitos humanos cometidos durante a Ditadura Militar (1964-1985), bem como evitar a repetição de tais práticas que, segundo o documento, continuam presentes no país.

Para tanto, a CNV propõe, entre outras coisas, que a Lei da Anistia (Lei nº 6.683/79) não seja aplicada aos agentes do Estado envolvidos com tais violações.

O texto da Comissão é claro ao afirmar que “levando em conta as conclusões acima expostas e com o intuito de prevenir graves violações de direitos humanos, assegurar sua não repetição e promover o aprofundamento do Estado democrático de direito, a CNV recomenda a adoção de um conjunto de dezessete medidas institucionais e de oito iniciativas de reformulação normativa, de âmbito constitucional ou legal, além de quatro medidas de seguimento das ações e recomendações da CNV. Esse rol de 29 recomendações foi concebido a partir, inclusive, de sugestões emanadas de órgãos públicos, entidades da sociedade e de cidadãos, que as encaminharam por intermédio de formulário especificamente disponibilizado com essa finalidade no site da CNV. Por meio desse mecanismo de consulta pública, foram encaminhadas à CNV, em agosto e setembro de 2014, 399 propostas com sugestões de recomendação”.

A íntegra do Relatório pode ser acessada no site da CNV (www.cnv.gov.br).

Veja os itens com as recomendações apresentadas pela CNV:

1. Reconhecimento, pelas Forças Armadas, de sua responsabilidade institucional pela ocorrência de graves violações de direitos humanos durante a ditadura militar (1964 a 1985).

2. Determinação, pelos órgãos competentes, da responsabilidade jurídica – criminal, civil e administrativa – dos agentes públicos que deram causa às graves violações de direitos humanos ocorridas no período investigado pela CNV, afastando-se, em relação a esses agentes, a aplicação dos dispositivos concessivos de anistia inscritos nos artigos da Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979, e em outras disposições constitucionais e legais.

3. Proposição, pela administração pública, de medidas administrativas e judiciais de regresso contra agentes públicos autores de atos que geraram a condenação do Estado em decorrência da prática de graves violações de direitos humanos.

4. Proibição da realização de eventos oficiais em comemoração ao golpe militar de 1964.

5. Reformulação dos concursos de ingresso e dos processos de avaliação contínua nas Forças Armadas e na área de segurança pública, de modo a valorizar o conhecimento sobre os preceitos inerentes à democracia e aos direitos humanos.

6. Modificação do conteúdo curricular das academias militares e policiais, para promoção da democracia e dos direitos humanos.

7. Retificação da anotação da causa de morte no assento de óbito de pessoas mortas em decorrência de graves violações de direitos humanos.

8. Retificação de informações na Rede de Integração Nacional de Informações de Segurança Pública, Justiça e Fiscalização (Rede Infoseg) e, de forma geral, nos registros públicos.

9. Criação de mecanismos de prevenção e combate à tortura.

10. Desvinculação dos institutos médicos legais, bem como dos órgãos de perícia criminal, das secretarias de segurança pública e das polícias civis.

11. Fortalecimento das Defensorias Públicas.

12. Dignificação do sistema prisional e do tratamento dado ao preso.

13. Instituição legal de ouvidorias externas no sistema penitenciário e nos órgãos a ele relacionados.

14. Fortalecimento de Conselhos da Comunidade para acompanhamento dos estabelecimentos penais.

15. Garantia de atendimento médico e psicossocial permanente às vítimas de graves violações de direitos humanos.

16. Promoção dos valores democráticos e dos direitos humanos na educação.

17. Apoio à instituição e ao funcionamento de órgão de proteção e promoção dos direitos humanos.

18. Revogação da Lei de Segurança Nacional.

19. Aperfeiçoamento da legislação brasileira para tipificação das figuras penais correspondentes aos crimes contra a humanidade e ao crime de desaparecimento forçado.

20. Desmilitarização das polícias militares estaduais.

21. Extinção da Justiça Militar estadual.

22. Exclusão de civis da jurisdição da Justiça Militar federal.

23. Supressão, na legislação, de referências discriminatórias das homossexualidades.

24. Alteração da legislação processual penal para eliminação da figura do auto de resistência à prisão.

25. Introdução da audiência de custódia, para prevenção da prática da tortura e de prisão ilegal.

26. Estabelecimento de órgão permanente com atribuição de dar seguimento às ações e recomendações da CNV.

27. Prosseguimento das atividades voltadas à localização, identificação e entrega aos familiares ou pessoas legitimadas, para sepultamento digno, dos restos mortais dos desaparecidos políticos.

28. Preservação da memória das graves violações de direitos humanos.

29. Prosseguimento e fortalecimento da política de localização e abertura dos arquivos da ditadura militar.

Da Redação

Recomendações da CNV sobre os militantes do PCR assassinados pela Ditadura Militar

paraA Comissão Nacional da Verdade (CNV) divulgou hoje seu relatório final, resultado de mais de 2 anos de investigações sobre os crimes cometidos por agentes do Estado durante a Ditadura Militar (1964-1985).

No relatório, várias questões ficaram ainda sem respostas, porém, abre-se agora uma nova etapa na luta por memória, verdade e justiça.

O documento da Comissão será mais uma arma na luta pela punição de todos os responsáveis por perseguir, sequestrar, torturar, estuprar e assassinar centenas de revolucionários que deram suas vidas pela liberdade no Brasil.

A íntegra do Relatório pode ser acessada no site da CNV (www.cnv.gov.br).

A seguir, as conclusões e recomendações da CNV sobre os casos dos militantes e dirigentes do PCR mortos pelo governo fascista brasileiro entre 1971 e 1973.

Manoel Aleixo da Silva, líder camponês assassinado em 1973:

1509740_691880660926187_7416767549523344324_n“Diante das investigações realizadas, conclui-se que Manoel Aleixo da Silva foi morto em decorrência de ação praticada por agentes do Estado brasileiro, restando desconstruída a versão oficial de tiroteio divulgada à época dos fatos. Essa ação foi cometida em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela Ditadura Militar, implantada no Brasil em abril de 1964.

Recomenda-se a emissão da certidão de óbito, se for o caso, assim como a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso, para a identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos”.

Emmanuel Bezerra dos Santos, líder estudantil potiguar assassinado em 1973:

10847931_691879697592950_1170111623929519307_n“Diante das circunstâncias do caso e das investigações realizadas, conclui-se que Emmanuel Bezerra dos Santos morreu em decorrência de ação perpetrada por agentes do Estado brasileiro, em um contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovido pela Ditadura Militar implantada no país a partir de abril de 1964.

Recomenda-se a retificação do atestado de óbito de Emmanuel Bezerra dos Santos, assim como a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso, e identificação dos demais agentes envolvidos e suas responsabilizações”.

Amaro Félix Pereira, liderança camponesa assassinado entre 1971 e 1972:

10857988_691878397593080_5480865037963229570_n“Diante das circunstâncias do caso e das investigações realizadas, pode-se concluir que Amaro Félix Pereira foi sequestrado e desaparecido, entre os anos de 1971 e 1972, na região de Rio Formoso (PE), em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela ditadura militar, implantada no país a partir de abril de 1964.

Recomenda-se a retificação da certidão de óbito de Amaro Félix Pereira, assim como a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso, para a localização de seus restos mortais e identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos”.

Amaro Luiz de Carvalho, dirigente das Ligas Camponeses assassinado em 1971:

Amaro-Luiz-de-Carvalho“Diante das investigações realizadas, conclui-se que Amaro Luiz de Carvalho morreu em decorrência de ação perpetrada por agentes do Estado brasileiro, de causa não natural, sendo falsa a versão de morte por envenenamento, divulgada à época dos fatos. Essa ação foi cometida em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos perpetradas pela ditadura militar implantada no país a partir de abril de 1964.

Recomenda-se a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso para a retificação de todos os documentos que atestem falsa causa mortis, bem como para identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos”.

Manoel Lisboa de Moura, principal dirigente do PCR, assassinado em 1973:

10563207_691871844260402_500893528772860982_n“Diante das circunstâncias do caso, pode-se concluir que Manoel Lisbôa de Moura foi preso, torturado, morto e teve o seu cadáver ocultado por agentes do Estado brasileiro, sendo desaparecido político até a identificação e entrega dos seus restos mortais à sua família, em um contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela ditadura implantada no país a partir de 1964.

Recomenda-se a retificação da certidão de óbito de Manoel Lisbôa de Moura, para que passe a constar que a morte decorreu de lesões e maus tratos sofridos em dependências do Estado, assim como a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso, para a localização de seus restos mortais e identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos”.

Da Redação

Entrevista com o jornalista Flávio Gomes: “O futebol brasileiro tem um dono, a rede Globo”

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flavio gomes espn 2Flavio Gomes é jornalista,escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, “Quatro Rodas Clássicos” e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Além disso, é um crítico ferrenho do processo de elitização do futebol brasileiro, onde os times pequenos vão morrendo por inanição. O jornalista concedeu ao Jornal A Verdade um rápida entrevista sobre o futebol brasileiro, seus problemas entre outros assuntos.

A Verdade – O futebol é um ambiente milionário num país de muitas desigualdades.Qual sua opinião em relação aos salários pagos atualmente nos grandes clubes brasileiros?

Flávio Gomes – São exagerados, e por causa deles estão todos quebrados. Claro que os jogadores são os menos culpados. Dirigentes de clubes não se importam com as contas, porque o dinheiro não é deles. Enquanto não houver uma lei que responsabilize dirigentes pela quebradeira geral, isso não vai mudar.

Vivemos em 2014 a Copa do Mundo no Brasil, na sua opinião, qual o legado da Copa em termos técnicos do futebol e em termos políticos para o país?

Foi uma boa Copa. Mas não houve legado técnico e esportivo nenhum. A derrota para a Alemanha por 7 a 1 deveria ser um divisor de águas. Deveria ter resultado na queda de toda a cúpula do futebol brasileiro, numa reformulação geral. Não aconteceu nada. Temos alguns bons estádios, e é só.

Na sua opinião qual é o principal problema do futebol brasileiro?

A distribuição de receita obscena por parte da TV. O descaso com os clubes pequenos, com o futebol do interior, a falta de um calendário que permita que todos joguem o ano todo, a gestão da CBF, tudo é muito ruim. Um grande simpósio, talvez até promovido pelo governo federal, deveria ser realizado. Está tudo muito ruim, e ninguém se importa com a morte dos clubes que sempre foram a base do futebol brasileiro, formando jogadores e envolvendo suas cidades. Uma revisão da Lei Pelé também é necessária, para proteger os clubes e estimulá-los a formar jovens atletas. E o fim do STJD.

Existe já algum tempo, um processo de profissionalização do futebol. Os clubes estão cada vez mais virando empresas. Qual sua opinião sobre as consequências disto?

Nenhum está virando empresa. Eles estão movimentando muito dinheiro, mas são administrados com total irresponsabilidade, como sempre foi.

Qual sua opinião sobre o papel atual da CBF no futebol brasileiro?

A CBF não zela pelo futebol. Se preocupa apenas com a seleção e seus contratos. Não faz nada de útil.

Vivemos já há algum tempo um processo de elitização do futebol brasileiro. Qual sua opinião sobre as consequências que isso acarreta?

Como já dito, a morte dos clubes menores. Um tiro no pé. E tudo porque o futebol tem um dono, a Globo, que distribui dinheiro segundo seus interesses.

Alguns jornalistas dizem que o futebol brasileiro está em crise, qual sua análise sobre isso?

É visível. Estádios vazios, poucos craques, times ruins, clubes falindo. E a seleção levando de 7 na Copa em casa. Mais crise do que isso, impossível.

Os times mineiros, Cruzeiro e Atlético, venceram os campeonatos nacionais realizando um feito inédito para o estado de Minas Gerais. Na sua opinião qual é o motivo deste sucesso?

Bom planejamento, nada mais. Profissionais competentes e gestão responsável.

Renato Campos

Comissão da Verdade apresenta relatório final neste dia 10

Comissão da Verdade
Comissão da Verdade

Um novo momento no processo de luta pela memória, verdade pela justiça aos torturadores e assassinos do período da ditadura militar brasileira será iniciado no próximo dia 10. A Comissão Nacional da Verdade convocou a sociedade civil e a imprensa para divulgar a versão final de seu relatório no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil de Brasília, às 11 horas.

Após dois anos e sete meses de atividade, muita expectativa gira em torno do documento de mais de 2 mil páginas que será entregue pela comissão. Familiares das vítimas e militantes dos direitos humanos atuam no sentido de se inaugurar o momento da punição aos torturadores, enquanto setores do exército pressionam para que o relatório permaneça como letra morta.

Muito se espera também sobre a profundidade das revelações em relação a atores políticos que continuam em evidência nos dias atuais, como os grandes monopólios de comunicação formados a partir do golpe e outros empresários que financiaram, apoiaram e se beneficiaram com o regime.

O ato de divulgação do relatório será transmitido ao vivo pela internet no endereço:  www.cnv.gov.br

Da Redação

Cresce a luta por moradia no ABC Paulista

22Após sofrerem a desocupação violenta por ação da Guarda Civil de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, sem mandato judicial, em um terreno privado no dia 29 de novembro, as famílias organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) da Ocupação Devanir José de Carvalho continuam firmes na luta pelo direito à moradia.

Infelizmente, essa desocupação violenta não foi um caso isolado. Apenas no último mês, outras duas ocupações foram desmontadas da mesma forma na Cidade, a do MLB, porém foi a primeira que resistiu organizadamente.

No dia 03 de dezembro, as famílias foram até a Câmara de Vereadores de São Bernardo do Campo. Após muita discussão, os vereadores receberam uma comissão, que além de representantes das famílias contava com Marcelo Buzetto da Direção do MST e Toninha Carrara da Pastoral Operária da Igreja Católica.

No dia 05, foi realizado um ato político em apoio a Ocupação Devanir José de Carvalho e contra o despejo violento, que contou com a presença de movimentos, sindicatos e partidos como o MST, Movimento de Mulheres Olga Benário, MLC, MPL,SINDSERV, SINDEMA, SINPRO-ABC, Movimento Negro, APEOESP, UJR, UJS, UP, PSOL, PCR, além de diversos Militantes e tendências internas do PT.  Em sua fala, Vanderlei Salatiel, ex-presidente do PT de São Bernardo, pediu desculpa em nome do seu Partido (que está no comando da prefeitura) e foi apoiado por outros militantes petistas presentes.

Outra importante presença foi do produtor cultural Ernesto Guevara, filho do Devanir José de Carvalh,o que emocionou todos com sua fala: “Meu pai morreu com 25 anos, era um grande revolucionário, mas jovem. Quando vejo lideranças jovens, firmes e decididas, que em uma sexta à noite poderia estar na balada como a maior parte das pessoas de sua idade, aqui, organizando as pessoas para lutar pela moradia, vejo a continuidade da luta do meu pai”.

No Ato, Gabriela Soares Valentim, da Coordenação do MLB leu uma nota com as reivindicações do movimento: Fim imediato das desocupações por ação da GCM, em particular quando não houver ordem judicial; Demissão do Secretário de Segurança de São Bernardo do Campo Urbana Benedito Mariano e do Comandante da GCM Cícero Silva; Proibição do uso de armas de fogo e bombas de efeito moral pela GCM de São Bernardo do Campo; Fim da Tropa de Choque da GCM de São Bernardo do Campo; Desmilitarização imediata da PM de São Paulo e das PMs dos outros Estados; Desapropriação do terreno da Estrada Samuel Aizemberg, S/N, esquina com a Fukutaro Yida pela prefeitura para construção de moradias pelo MLB através Programa Minha casa minha vida entidades; Inclusão das famílias da Ocupação Devanir José de Carvalho ainda não contempladas no Bolsa-aluguel durante o período da construção das moradias; Nenhum corte nas Áreas Sociais para 2015 por nenhuma esfera de governo.

Foi convocada ainda uma passeata para quarta feira, dia 10 de dezembro, com concentração na Praça da Matriz “Pela Garantia e ampliação dos direitos do povo”.

O MLB segue organizando as famílias, inclusive as que foram vítimas de outras desocupações e chamando o povo para lutar pela reforma urbana e pelo socialismo.

Da Redação, São Paulo