Mais um jovem, negro e pobre, da periferia de Maceió, desapareceu após uma abordagem policial. Desaparecido a quase três meses, todos se perguntam onde pode estar esse garoto que foi levado pela polícia militar, portanto, sob a custodia do Estado, que evaporou no ar como fumaça.
O jovem Davi da Silva, de apenas 17 anos de idade, desapareceu no dia 25 de agosto, após entrar numa viatura policial no Benedito Bentes, um dos bairros da periferia mais populoso e também um dos mais violentos da capital.
A família procurou Davi nas delegacias e nos hospitais, mas até agora, nenhuma notícia. Angustiados, familiares e vizinhos já realizaram protestos e foram à imprensa denunciar o sumiço.
Algo muito curioso é que a mãe de Davi, Maria José, que apareceu na TV cobrando da polícia uma resposta sobre o que tinha acontecido com seu filho, foi a alguns dias vítima de uma suposta (porém conveniente para a polícia) “bala perdida”, durante um tiroteio no mercado da produção, onde trabalha vendendo coentro. O disparo a atingiu na cabeça, de raspão. O projétil ainda está alojado no rosto, mas ela recebeu alta e está bem.
O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais e com a cobertura da imprensa. A Comissão de Direitos Humanos da OAB, também entrou na discussão e agora cobra do governador, que pela constituição é o chefe da polícia militar, uma ação mais enérgica e traga luz aos fatos que hoje se encontram numa treva mais profunda que uma tumba.
Magno Francisco, primo do Davi e coordenador do Movimento Luta de Classes em Alagoas, denunciou práticas criminosas que ocorrem nas periferias contra os pobres. “Hoje quase três meses depois do desaparecimento do Davi, não há nenhuma explicação sobre o caso. Apesar de haver investigação, mas não vemos resultado nenhum. A impunidade faz com que a Polícia Militar, que levou Davi, continue se envolvendo em casos de outros jovens da periferia de Maceió estão sendo assassinados”.
O extermínio de Estado
Casos como o de Davi já viraram rotina da periferia. Quem não se lembra de ajudante de pedreiro Amarildo que foi preso, torturado, morto e depois a PM deu “chá de sumiço” no corpo?
Em Alagoas, desta vez no bairro do Jacintinho, no dia 30 de setembro, três adolescentes, de 13, 14 e 19 anos, foram assassinados dentro de uma casa em construção que a polícia taxou como “boca de fumo”. Sem nenhuma abordagem, diversos disparos foram feitos.
A comunidade reagiu, fechou a avenida principal do bairro e protestou acusando a polícia militar pelos assassinatos. Mesmo sem haver comprovação do envolvimento dos jovens com ilícitos, casos como esses são arquivados, sob essa justificativa sem o indiciamento dos responsáveis.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os policiais brasileiros mataram, entre 2009 e 2013, uma média de 6 pessoas por dia. Apesar desses serem dados oficiais, o número deve ser bastante superior considerando que apenas 11 dos 27 estados do país têm o controle de letalidade policial. Sem falar dos assassinatos que não entram nas estatísticas.
A prisão, a tortura e os “desaparecimentos” são heranças da Ditadura Militar Fascista que dominou o Brasil de 1964 a 1985 e que, com a impunidade, continua presente até hoje. De acordo com o livro “Direito à memória e à verdade”, no período militar, 475 pessoas desapareceram por motivos políticos no Brasil. Militantes que lutavam por liberdade e democracia.
Capitalismo mata
O capitalismo odeia o pobre, o preto e o comunista. Esse ódio das classes dominantes faz com que o Estado não se importe em exterminar pessoas humildes. A lógica do poder econômico elimina vidas de maneira direta ou indireta, como a fome e a falta de saúde. Não há justiça para os pobres, a desigualdade impera.
Para haver justiça, o poder judiciário precisa de juízes eleitos pelo povo o sob o controle desses. Maletas de dinheiro não podem valer mais do que a lei que está no código civil, penal e até mesmo a constituição da república. E essas leis, não podem ser alteradas pela conveniência de um parlamento corrupto.
Mudar a lógica do Estado e colocá-lo uma perspectiva mais humana e socialista é necessário para salvar vidas, para que negros, brancos, homens, mulheres, enfim, todos sejam vistos de forma igual.
Colabore
Todos os serem humanos que defendem a vida e a justiça social podem contribuir para desvendar o que aconteceu com Davi e outros jovens desaparecidos sob custódia da polícia. Compartilhe a imagem do cartaz nas redes sociais, assine a petição online (http://www.change.org/p/secretaria-de-defesa-social-de-alagoas-investigue-e-esclare%C3%A7a-o-desaparecimento-de-davi-da-silva#share) e use a #CadêoDavi para dar mais força a esse caso e quem sabe chamar a atenção das autoridades nacionais para que elas também entrem nessa discussão.
Lembrem-se que poderia ser você ou alguém que você conhece. Pratique a solidariedade, ajude a ecoar a voz de uma mãe que já está rouca de tanto gritar: ONDE ESTÁ MEU FILHO!
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
(Bertold Brecht)
A guarda nacional foi chamada e o estado de emergência foi decretado no estado do Missouri, EUA, para conter as manifestações que são esperadas no julgamento do assassinato do jovem Michael Brown. Brown, jovem negro de 18 anos de idade, foi assassinado a tiros pelo policial branco, Darren Wilson, no dia 09 de agosto na cidade de Ferguson.
Após o assassinato de Brown, uma grande jornada de manifestações teve lugar em Ferguson, em especial nos bairros do subúrbio de Saint Louis. As manifestações denunciavam o racismo existente nos EUA, o aumento da pobreza no país que afeta em especial os negros, e a violência policial nos bairros da periferia.
Durante as manifestações de agosto e setembro, a guarda nacional já havia autuado determinados pontos da cidade, a pedido do governador do estado. Agora, no período que durar o estado de emergência, a guarda nacional está autorizada a realizar prisões e outras ações que intimidem as manifestações.
O caso do assassinato de Ferguson demonstra o grande crescimento das injustiças sociais nos EUA, seguidas do aumento do racismo e da violência contra os mais pobres. Grande parte da população não acredita em um julgamento realmente imparcial na justiça do Missouri e revindica que uma investigação federal se realize.
O Equador está prestes a aprovar no seu Congresso a reeleição ilimitada para presidente da República. A mídia dos ricos no Brasil, no entanto, não fala no assunto nem grita contra o bolivarianismo no Equador. Saiba por que neste artigo de Marcelo Rivera, ex-presidente da Federação dos Estudantes Universitários do Equador – FEUE e preso político durante mais de quatro anos do governo Correa.
Com um teleprompter a frente e utilizando um discurso aparentemente acadêmico, o Presidente da República do Equador, Rafael Correa, fez o anúncio das reformas trabalhistas, no dia 15 de novembro de 2014, no marco celebração dos 92 anos da primeira greve operária no Equador.
Marcelo Rivera
É indubitável que o governo, ao reconhecer “certa inflexão” (como manifestou Augusto Barrera, membro do Birô Político da Aliança País, em entrevista ao jornal El Comércio) ou desgaste em certos setores da população, como resultado da aplicação de suas políticas direitistas, que têm como resposta as mobilizações dos trabalhadores e de vários setores populares, se vê obrigado a deixar de lado sua inicial proposta de novo código de trabalho, que continha serias regressões aos direitos dos trabalhadores.
Suas reformas giram em torno de 5 eixos que contêm algumas propostas que já se conheciam: eliminar o contrato de prazo fixo; proibir a demissão para as mulheres em estado de gestação e para os dirigentes sindicais; o pagamento mensal dos salários de forma voluntária; e a eleição dos dirigentes sindicais por votação direta, entre outros aspectos.
Correa não se atreveu a insistir nas propostas iniciais que continham o código do trabalho elaborado pelo Ministério das Relações Trabalhistas, no qual se estabelecia: a eliminação do direito de greve no interior das empresas; a flexibilização da jornada de trabalho, o que significaria trabalhar de segunda a sábado ou de terça a domingo; acabava com o direito de contratação coletiva; se estabelecia o direito de contrato temporário de 3 meses, 6 meses ou 1 ano; eliminava o direito de aposentadoria patronal, transformando-a em um fundo de poupança; eliminava o direito a centros médicos nos locais de trabalho.
Se analisamos as coisas em um contexto adequado, Correa convocou um grande ato para ratificar a vitória alcançada pela luta dos trabalhadores agrupados na Frente Unitária dos Trabalhadores – FUT; as mobilizações dos trabalhadores e da juventude do dia 17 de setembro alcançaram uma vitória, deram resultados; no entanto, Correa buscará melhores condições para voltar à carga com suas propostas reacionárias de reforma trabalhista.
Estes anúncios acontecem quando o governo está por enfrentar uma nova mobilização de trabalhadores anunciada para o dia 19 de novembro, marcha que se articula em rechaço às emendas constitucionais com que Correa pretende eternizar-se no poder via reeleição ilimitada.
A aprovação das emendas constitucionais em uma Assembleia Nacional desprestigiada não é fácil para o governo. Estão conscientes do desgaste que vêm sofrendo e tratam de se recompor, para gerar melhores condições que lhes permitam diminuir as tensões sociais e iniciar na ofensiva a campanha eleitoral rumo a 2017.
Por outro lado, repetiu sua desgastada cartilha sobre o suposto “golpe branco”, tudo isto com intenção de vitimizar-se e mostrar a si como parte de um governo constantemente acossado pela direita. O regime sabe que fazer um discurso com uma fraseologia esquerdista lhe dá resultado, pelo profundo sentimento de mudança que existe na população, por isso mencionou em três ocasiões a palavra burguesia e uma vez o quase esquecido “socialismo do século XXI”.
“Nunca quis aprovar a reeleição indefinida… mas podemos perder muito do que ganhamos…” disse Correa. É claro que o governo vê em risco o seu poder, mas de 73% da população exige a consulta popular para as emendas à constituição. As escandalosas denúncias de corrupção, a prepotência, a repressão aos jovens estudantes, a perseguição, tudo isso retirou credibilidade e fez baixar o apoio popular ao governo.
Correa terminou seu extenso discuros com a seguinte setença: “Nos esperam tempos duros mas, estando preparados, seremos mais, muito mais…”; Correa está na defensiva e busca sair dessa condição para passar à ofensiva, recuperar o terreno perdido e lograr que as emendas sejam aprovadas sem protesto social.
O efeito que tem a mobilização popular é tão poderoso que é capaz de obrigar a um governo aparentemente “forte” a redefinir suas estratégias; dias antes anunciou a criação da CUT governista, com o Ministério da Educação, conquistou a criação de um coletivo de estudantes secundaristas, reuniu no salão amarelo do Palácio de Carondelet a um grupo de presidentes de duas ou três filiais da FEUE, gasta milhões de dólares no ato de Guayaquil mobilizando tudo que pode.
Agora está em pauta a marcha das organizações sociais e populares, a diferença é que será uma ação em todo país, que colocará em movimento aos setores mais avançados dos trabalhadores e da população em geral. Com segurança, as estratégias do regime não logrará diminuir a reanimação do movimento social, por que ainda estão pendentes temas-chave como as emendas que põem em risco os direitos dos trabalhadores do setor público e, ademais, está a reeleição ilimitada, tema de capital importância para o correísmo, na perspectiva de sustentar seu projeto político reformista.
A estratégia governamental para diminuir o apoio popular à convocação de uma consulta que aprove ou não a reeleição ilimitada é clara: busca personalizar Guillermo Lasso como a liderança política da iniciativa e assim argumentar que essa é exigência é promovida pela direita e, dessa maneira, polarizar o debate entre o governo e esses setores da oligarquia, deixando de fora a oposição popular, lugar de onde surgiu a exigência de uma consulta popular.
A direita tenta se aproveitar do crescente sentimento popular de rechaço ao propósito governamental de impor a reeleição ilimitada. O despertar “democrático” desse setor, acostumado também – como ocorre agora – a impor de cima suas decisões políticas assumidas entre quatro paredes, não é mais do que uma estratégia política frente às eleições de 2017, para pescar em rio revolto em um cenário em que o governo perde força.
Esta circunstância, no entanto, não pode levar o movimento popular a desistir da exigência da consulta, ainda que, para isso, não se some na coleta de assinaturas, até por que, de antemão, se conhece tudo que o Conselho Nacional Eleitoral fará para impedi-la e também por que devemos manter independência frente a todos os setores da direita.
O caminho do movimento popular para impor a consulta é a luta aberta nas ruas. As manifestações devem continuar através de diferentes meios e formas, de maneira que a força do movimento de massas encurrale o governo e suas pretensões antidemocráticas. A jornada de luta convocada para 19 de novembro é um momento importante para demandar esta exigência, mas não é o único espaço. Cada setor, cada organização popular deve levantar desde seu próprio local e junto suas reivindicações particulares esta bandeira política. Só assim enfrentaremos as intenções do governo.
O segundo turno das eleições para presidente da República provocou uma das maiores mobilizações políticas já ocorridas em nosso país. Ao final, a candidata do PT, Dilma Rousseff, venceu o candidato do PSDB, Aécio Neves, com 51,64% dos votos válidos (54 milhões e 501 mil votos) contra 48,36% (51 milhões e 41 mil votos). A vitória de Dilma garantiu ao PT mais quatro anos na Presidência, totalizando, ao final do seu mandato, 16 anos de hegemonia, impedindo pela quarta vez seguida a volta da extrema-direita ao governo e de sua política neoliberal. Com efeito, uma vitória de Aécio Neves levaria o Brasil à política externa de “falar grosso com a Bolívia e fino com os EUA” (Chico Buarque), ao fim da valorização do salário mínimo e se constituiria numa real ameaça a vários direitos conquistados pelos trabalhadores, como carteira assinada, FGTS, além da implantação da terceirização em toda a economia.
Embora a diferença em favor de Dilma Rousseff tenha sido de apenas 3,28% (3 milhões e 400 mil votos), − em 2010, a diferença entre Dilma e Serra foi de 12,1% − foi uma vitória significativa se levarmos em conta que o candidato do PSDB contou com o apoio da maior parte dos grandes meios de comunicação do Brasil e do exterior e que o PT, após ter realizado privatizações de aeroportos, rodovias e leilões do petróleo brasileiro, não pôde denunciar as escandalosas privatizações realizadas pelo governo do PSDB, como fez em outras campanhas.
O PT e parte de setores da esquerda que o gravitam consideram que a diferença de apenas três milhões de votos se deveu unicamente à campanha de desconstrução do PT que a mídia vem realizando desde o “mensalão” (ou Ação Penal 470), julgado pelo Superior Tribunal Federal (STF), composto por ministros em sua ampla maioria indicados pelo presidente Lula e pela presidenta Dilma, e que levou para prisão dirigentes históricos do partido como José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, além de Roberto Jefferson (PTB), Valdemar Costa Neto (PL), Pedro Corrêa (PP) e do publicitário Marcos Valério. Acreditam ainda que a operação Lava Jato e as denúncias de corrupção na Petrobras, com a delação premiada do ex-diretor de abastecimento da empresa, Paulo Roberto Costa, confirmando que fraudou licitações e revelando nome de diretores de empreiteiras, funcionários e partidos que recebiam dinheiro, foi outro elemento utilizado pela mídia e que causou a redução da votação do PT nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste.
Não há dúvida de que essas denúncias e a utilização delas pelos grandes meios de comunicação têm causado grandes estragos ao PT. Mas não há dúvida também de que tais fatos ocorreram e que não são nenhuma fantasia. Prova disso é a confissão, após as eleições, do diretor da empresa Toyo-Setal, Julio Camargo, confirmando que fez acordo com diretores da Petrobras para ganhar licitação e doar R$ 6,7 milhões a partidos políticos entre 2006 e 2014, tendo doado ao PT R$ 2,56 milhões. Como ninguém elegeu o PT para cobrar propina na Petrobras, mesmo que o dinheiro seja para financiar a campanha eleitoral, tal prática, entre outras, vai afastando eleitores e até filiados do partido. Há, porém, outras causas mais importantes, até porque em matéria de corrupção o PSDB é campeão disparado, como mostra a corrupção no Metrô de São Paulo, as privatizações no governo de FHC, o Proer, etc.
“Dinheiro pra que dinheiro”
Embora tenha tido cada vez mais recursos financeiros para suas campanhas eleitorais, o PT vem reduzindo sistematicamente sua bancada na Câmara dos Deputados: em 2002, elegeu 91 deputados federais; em 2006, 83; em 2010, 88 e, em 2014, 70. Além disso, embora a campanha de Dilma Rousseff tenha declarado gastos oficiais de R$ 330 milhões, maior gasto de um candidato desde 1989, perdeu em 15 capitais de um total de 27, e em cidades como São Bernardo do Campo, berço histórico do PT.
De onde vem esse dinheiro? Numa sociedade capitalista, a posse do capital, do dinheiro, está nas mãos de grandes empresas e bancos. Logo, são os donos dessas empresas e bancos que financiam as campanhas dos partidos que gastam milhões nas eleições. Levantamento realizado em setembro revelou que o financiamento das campanhas eleitorais dos três principais candidatos à presidência (Dilma, Aécio e Marina) veio de apenas 19 empresas. Encabeçando a lista, estão bancos, construtoras e mineradoras, tais como: JBS, Construtora OAS, Bradesco, Vale e Ambev. A JBS, dona das marcas Friboi, Seara e Vigor, por exemplo, doou R$ 20 milhões para a campanha de Dilma, R$ 6 milhões para a de Marina e R$ 5 milhões para a de Aécio. Mesmo em 2013, um ano que não teve eleições, o PT recebeu legalmente R$ 60 milhões de grandes empreiteiras como a Camargo Correa, OAS, Queiroz Galvão, Odebrecht e Grupo Solvi.
Não passa pela cabeça de ninguém que essas empresas financiem partidos que após vitoriosos venham defender a estatização ou não as favoreçam em licitações. Muito pelo contrário, tanto os bancos quanto as empresas que contribuem têm certeza de que serão muito bem recompensados. Uma mão lava a outra, dizem. Por isso, durante a campanha, os candidatos prometem mudanças, mas, após a vitória, governam para os ricos que os financiaram. Em síntese, falam uma coisa, mas fazem outra. Agora mesmo, alguns dias depois da eleição, o governo Dilma aumentou a taxa de juros e admitiu desistir da proposta de fazer um plebiscito para a reforma política.
Os partidos e as classes sociais
Na verdade, os partidos são a expressão política de determinadas classes sociais ou de frações de classes existentes na sociedade. Pois bem, que classes o PT representa?
Embora tenha surgido se afirmando como um partido das classes trabalhadoras, o PT, ao longo de sua história, foi se descomprometendo com os interesses fundamentais da classe operária e assumindo claramente a defesa do sistema capitalista. O próprio Lula afirmou que “o PT que chegou ao poder comigo, em 2002, não era mais o PT de 1980, de 1982”. (Estado de S. Paulo, 19/02/2010).
Que novo PT é esse? Hoje, o PT se constitui num verdadeiro partido socialdemocrata, isto é, sua proposta não é acabar com o capitalismo e implantar o socialismo, mas harmonizar os interesses dos capitalistas com os da classe operária, é promover o crescimento da economia mantendo intacta a propriedade privada dos meios de produção e a exploração da classe operária pela burguesia. Defende melhorias parciais para os trabalhadores desde que a riqueza (os meios de produção e o capital) continue nas mãos das classes dominantes.
Tal política fica muito clara nas prioridades econômicas do governo, como a de utilizar bilhões de recursos públicos para financiar a formação de grandes monopólios nacionais como JBS Friboi, Oi, Ambev, entre outras chamadas “multinacionais verde-amarelas” ou na agricultura, ao priorizar o agronegócio em vez da reforma agrária. Mas não só. O capital financeiro teve ampla liberdade de ação e (de especulação) nos últimos 12 anos, como provam os lucros astronômicos dos bancos privados e as operações de salvação do Pan-Americano e do Votorantim.
Dívida pública, juros e a aristocracia financeira
Ora, na moderna sociedade capitalista, um dos principais meios de repassar o patrimônio público e o dinheiro do Estado para a classe capitalista é a dívida pública. Os bancos e grandes capitalistas compram os títulos públicos e o Estado remunera esses títulos com o pagamento religioso de juros altíssimos. É como uma bola de neve: quanto mais alto for a taxa de juros maiores são os rendimentos dos donos dos títulos e mais cresce também a dívida pública. Hoje, o Brasil compromete mais de 40% de seu Orçamento com o pagamento dos juros e, mesmo assim, segundo a Auditoria Cidadã da Dívida, a dívida pública já atingiu R$ 2 trilhões e 986 bilhões. É claro que o nosso povo viveria muito melhor se estes 40% do Orçamento gastos com juros fossem investidos na construção de casas populares, em Saúde, Educação ou no Transporte Público, em vez de ir para os bolsos dos capitalistas.
Pois bem, quem são os donos desses títulos da dívida pública que ganham bilhões sem nada produzir? Primeiro os bancos, mas também grandes empresas. Na realidade, bancos e grandes empresas são, no essencial, a mesma coisa, pois, todos os bancos são donos de empresas e todos os donos de grandes empresas aplicam parte de seu capital na especulação financeira, em particular, nos títulos da dívida pública. Não há nenhum setor importante da economia em que essa lei não se aplique. Por isso, os donos dos meios de comunicação pressionam tanto pelo aumento dos juros e comemoram quando ele ocorre. Também os bancos ganham muito dinheiro quando a taxa de juros sobe, pois isso permite elevar ainda mais os juros que cobram dos clientes e dos que usam cartão de crédito ou cheque especial. Em setembro, os juros médios do cheque especial foram de 183,28% ao ano, maior percentual nos últimos 15 anos.
Nesse sentido, embora os grandes meios de comunicação pertençam a algumas poucas famílias bilionárias; elas também possuem títulos, têm dívidas com os bancos ou os bancos possuem parte das ações dessas empresas. Em suma, não adianta culpar a mídia e esconder a verdadeira causa de ela agir assim: os gigantescos meios de comunicação fazem a política da aristocracia financeira porque esta é também a sua política, este é o interesse da sua classe, a burguesia.
O que é preciso mudar?
Mas o que isso quer dizer, na prática? Que não é possível nenhuma efetiva transformação econômica e social no Brasil sem resolver em profundidade a questão da dívida pública e sem a estatização dos bancos. Por outro lado, também não é possível democratizar os meios de comunicação sem acabar com a propriedade privada dos meios de comunicação. A resolução de ambos os problemas passa pela adoção de medidas econômicas revolucionárias, o que só é possível com um governo revolucionário que tenha amplo apoio da população brasileira e credibilidade moral na sociedade. Não será um governo que prega a conciliação entre a burguesia e o proletariado, que defende o crescimento capitalista e se curva ao capital financeiro, que diz uma coisa e faz outra, que adotará essas medidas.
Crê o PT que a regulação dos meios de comunicação e uma reforma política diminuiriam o peso dos capitalistas nas eleições e terminariam com a corrupção eleitoral. Bem, o PT já está há 12 anos no governo e até hoje não realizou nenhuma dessas duas reformas. Além do mais, o PT tinha outras reformas em seu programa, que eram compromissos históricos do partido, como a Reforma Agrária e o fim das privatizações, − e também não as realizou. Terá agora mais quatro anos. Seu principal aliado é o PMDB, de Renan Calheiros, José Sarney e Michel Temer. Não custa nada ter fé! Porém, o malfeito está feito.
De fato, em nenhum dos seus governos, o PT pressionou para taxar as grandes fortunas, reestatizar as estatais privatizadas, controlar a remessa de lucros das multinacionais, limitar a ação do capital financeiro, o acelerado processo de privatização do petróleo brasileiro, a privatização da saúde ou a mercantilização da educação. Nesses 12 anos, o que vimos foi a ampliação do domínio do capital estrangeiro, a desindustrialização e o retorno da economia nacional à condição de exportadora de matéria-prima e produtos agrícolas (primários), característica do período colonial, denominada hoje em economês, de reprimarização.
É fato também que, passados três dias das eleições, o governo aumentou a taxa de juros para 11,25%, e, achando pouco, o Banco Central (BC) anunciou que é possível um novo aumento até o fim do ano. Por que este aumento? A justificativa para a nova elevação da taxa Selic é impedir o crescimento da inflação. Ora, em abril de 2013, a taxa de juros era de 7,25%. Desde então, o BC vem aumentando a taxa de juros. Foi agora para 11,25%, mas a inflação, como todos veem, só faz subir em vez de diminuir. A bem da verdade, o aumento dos juros teve como verdadeiro objetivo beneficiar o capital financeiro ou, em palavras menos ofensivas, sinalizar ao “mercado” que seus interesses continuarão sendo defendidos no novo governo e que nenhuma medida ameaçará as riquezas fictícias da aristocracia financeira (a não ser o próprio capitalismo e sua crise). Em outras palavras, embora defenda a conciliação entre o capital e o trabalho, é o capital, e não os trabalhadores, o filho privilegiado.
Lembremos que durante a campanha eleitoral, a aristocracia financeira promoveu uma permanente especulação na bolsa e na cotação do dólar contra a campanha de Dilma: toda vez que Dilma subia nas pesquisas, a bolsa caía, e o dólar subia, um verdadeiro “terrorismo econômico” nas palavras do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Tal “terrorismo econômico” é possível porque no capitalismo imperialista os grandes bancos se fundem com a bolsa, pois são donos também das empresas, o que facilita a venda e compra de ações num só dia. Entretanto, em vez de serem castigados por esse verdadeiro crime eleitoral, os banqueiros receberam um presente de Natal antecipado.
A consequência dessa política de afirmar uma coisa e fazer outra leva cada vez mais setores de massas a perderem a ilusão no PT. Além disso, o PT se afastou das lutas de massas, uma vez que estas lutas as colocam diretamente em confronto com o governo que não atende suas reivindicações ou com os patrões que financiam suas campanhas eleitorais. Tal situação ficou evidente nas jornadas de junho de 2013, das quais o PT esteve completamente ausente, bem como os chamados partidos da base aliada. Infelizmente, essas questões, em vez de serem apresentadas abertamente, são ocultadas por determinadas forças políticas de esquerda, que preferem ser avestruzes a ter que encarar a realidade tal como ela é. Resultado, parcelas da população, principalmente das camadas médias, mas não só, deixaram de votar no PT e se deslocaram para o voto nulo ou branco ou buscam uma alternativa. Constitui-se, assim, um grande equívoco acreditar que o PT tirará nosso país da crise em que se encontra ou mesmo que terá forças e coragem para evitar o retrocesso, dado seu alto grau de compromisso com a grande burguesia nacional.
O caminho é desenvolver a luta dos trabalhadores
Por outro lado, o enorme número de pessoas que votaram num dos dois candidatos, cerca de 105 milhões de eleitores, deixa claro o quanto é equivocada a política de se abster das eleições, de não ir às ruas disputar as massas e trabalhar para a elevação de sua consciência política. Entretanto, vale ressaltar também que um contingente de 37 milhões de pessoas não se sentiu representado em nenhuma das duas candidaturas que disputaram o segundo turno: 30.137.479 eleitores se abstiveram (21,10%); 1.921.819 votaram em branco e 5.219787 milhões votaram nulo (4,63%). Levando em conta que a campanha de Dilma tinha como slogan Mais Mudanças, e que o candidato da direita afirmava que iria mudar o Brasil, as eleições de 2014 revelaram que o povo brasileiro não está satisfeito com a atual situação política e econômica e querem transformações. Essa realidade coloca perante os revolucionários a importância de crescer seu trabalho de agitação, propaganda e de organização em todas as regiões do país para dirigir esse profundo sentimento de mudança no caminho de uma revolução social e não de um retrocesso.
Com certeza, apesar de algumas conquistas importantes, é fato que os trabalhadores brasileiros recebem baixos salários, têm péssimas condições de trabalho, sofrem constantes acidentes de trabalho e uma superexploração dos patrões, além de morarem mal, pagarem caro por um transporte público de péssima qualidade e praticamente não terem direito ao lazer e à saúde pública, vivem numa crise sem fim, enquanto que um pequeno grupo, 1% da população, abocanha todas as riquezas do país.
Desse modo, as eleições impõem a urgência dos revolucionários terem um instrumento político que possa efetivamente disputar esses milhões de eleitores e levar até eles uma mensagem revolucionária, de transformações, um partido que efetivamente não seja apenas eleitoral, mas que se apresente em todas as lutas dos trabalhadores e do povo, que seja reconhecido por eles e faça das eleições uma alavanca para a emancipação do proletariado, para a revolução, como defende a Unidade Popular pelo Socialismo.
Por fim, as eleições mostraram o quanto ainda é pequena a influência da esquerda revolucionária sobre as massas e colocam para os comunistas revolucionários a necessidade de aumentar o ritmo de trabalho para alcançar o desenvolvimento político e a organização dos trabalhadores. E, como sabemos, tal tarefa só é possível com o avanço das lutas econômicas e políticas das massas populares e por um longo trabalho realizado com determinação e coragem junto à classe operária. Afinal, uma das condições para a vitória da revolução é o partido revolucionário ter a capacidade de “ligar-se, aproximar-se e até, certo ponto, se quiserem, de fundir-se com as mais amplas massas trabalhadoras, antes de tudo com as massas proletárias, mas também com as massas trabalhadoras não proletárias”. (Lênin. O Esquerdismo, doença infantil do comunismo). Numa frase, fundir o movimento revolucionário com o movimento de massas. Este é o único caminho para impedir o retrocesso e levar o Brasil ao socialismo.
Lula Falcão (Publicado em A Verdade, nº 167, novembro de 2014)
A operação lava-jato é uma investigação da Polícia Federal que está em curso desde março deste ano para punir a quadrilha que, através do pagamento de propinas, viciou contratos e licitações da Petrobrás, beneficiando empreiteiras que prestam serviço para a petroleira. São peças-chave nessa investigação o ex-diretor executivo da empresa, Paulo Roberto Costa, preso em março, e o doleiro Alberto Youssef. Ambos estão tentando diminuir suas penas através do sistema de delação premiada.
Durante as eleições, a mídia dos monopólios tentou influenciar a opinião pública divulgando de maneira seletiva o envolvimento de políticos no recebimento de propinas sobre os contratos das empresas. A intenção era enfraquecer o governo e fortalecer o candidato da direita nas eleições, mas o tiro saiu pela culatra quando ficou claro que políticos de todos os principais partidos, inclusive do PSDB, estavam envolvidos no recebimento ilegal de milhões de reais.
Com o seguimento das investigações, a face mais importante da corrupção acaba de ser revelada, e é exatamente a face que a grande mídia se esforça em esconder. No congresso, as cúpulas dos principais partidos fizeram um grande acordo para abafar as investigações, percebendo que o envolvimento afetava a todos.
Os verdadeiros beneficiados com a corrupção são os corruptores, ou seja, os capitalistas que também são chamados de executivos. São eles quem pagam a propina para verem suas empresas beneficiadas em contratos e licitações. Os nomes dos corruptores e de suas empresas dificilmente são destacados nas matérias da televisão. Os políticos e seus testas-de-ferro que recebem a propina para beneficiar as empreiteiras não passam de marionetes nas mãos desses corruptores.
Na manhã dessa sexta-feira, 14, a Polícia Federal começou a cumprir 85 mandatos de prisão e de busca e apreensão contra os corruptores da Petrobrás, verdadeiros beneficiados com o esquema. A lista de presos e de empresas envolvidas revela que grande parte do PIB nacional está ligado à corrupção, e que as empreiteiras que mais fazem doações aos partidos nas eleições são, também, as mais corruptas.
Uma dessas empreiteiras é a OAS, empreiteira ligada aos interesses da família Magalhães da Bahia. Seis de seus diretores executivos e funcionários tiveram prisão decretada hoje, entre eles, seu presidente, José Aldemário Pinheiro Filho.
A Camargo Corrêa também teve seu presidente, Dalton dos Santos Avancini, com prisão decretada, assim como o presidente do Conselho de Administração, João Ricardo Auler, além do seu vice-presidente.
A Queiroz Galvão teve a prisão de seu diretor-presidente decretada, Idelfonso Colares Filho, assim como de seu diretor de assuntos comerciais.
As empreiteiras UTC e Engefix tiveram 6 de seus diretores executivos com prisão decretada. Diretores da IESA Óleo e Gás, empreiteira Mendes Júnior, Oderbrecht e Galvão Engenharia também estão envolvidos.
A operação lava-jato é mais uma comprovação que a corrupção está na própria raiz do sistema capitalista, do financiamento privado de campanhas eleitorais e na relação promíscua entre o interesse público e o lucro privado.
Este artigo é parte de uma série que será publicada no Jornal A Verdade durante a Semana da Consciência Negra
Cutucar insistentemente uma página sangrenta da história do nosso povo não me incomoda nem um pouco. Para entender o porquê da necessidade de se resgatar a história do povo negro e de todos os povos oprimidos, basta olhar para os dias de hoje e associar nossa realidade à realidade de 6 ou 7 gerações passadas.
Há pouco mais de 100 anos, os negros não eram considerados cidadãos. Não era crime matar um escravo. Um ser humano de pele negra era comprado em mercados ou trocado por outras mercadorias e animais. Parece absurdo, mas essa era a realidade. E isso não é e nunca foi uma lógica natural. É essa lógica da dominação, da exploração dos povos, da submissão forçada de uma raça ou classe que nós não podemos perder de vista, nem omitir e muito menos negar.
Quando aqui chegaram e trouxeram a lógica euro-centrista, com toda sua milenar cultura de dominação imperial, os portugueses e espanhóis massacraram todos os povos da América Latina. Alguns livros, aberrações que lemos nas escolas, dizem que os índios não foram escravizados por que eram indolentes e preguiçosos, resistentes ao trabalho. Na verdade, eles não trabalharam e resistiram à cultura de dominação servil europeia por um simples motivo: os índios eram livres.
Pior sorte tiveram os negros. Não somente eram escravizados em suas terras, como eram comercializados mundo afora como mão de obra servil. Quantos não aportaram nas terras tupiniquins, arrancados de suas tribos, para trabalhar de graça para quem os odiava e mal lhe davam de comer, para se manterem vivos apenas para trabalhar? Quantos já nasceram com o destino marcado para ser objeto de um senhor que diante do menor vacilo lhe cortava a carne na chibata? Quantos não viram seus pais e avós sendo mortos pelo simples fato de que quando envelheciam ou adoeciam, não serviam mais pra trabalhar? Quantos foram os filhos bastardos de mães escravas estupradas por seus senhores que tinham no pai o seu algoz? Quantos viviam sob o risco da forca, sem condições mínimas de saúde, sem algo que possamos chamar de educação e quantos conseguiram sair dessa condição e alçar o mesmo patamar de vida dos euro-descendentes?
Aí veio a “libertação”. A abolição da escravatura. O que iriam fazer os escravos sem terras, sem fábricas, sem dinheiro e sem estudo, que só sabiam trabalhar pra viver? Fora das fazendas, lhes sobraram os centros urbanos. Os centros urbanos não lhe cabiam. As cidades nunca foram lugar para escravos. Suas acomodações eram porões e senzalas, nunca casas. Lhes sobraram os arredores, a “periferia”, os morros. Nos grandes centros, apenas os euro-descendentes, sangue dos mesmos que séculos antes chegaram nessas terras e, ”ignorando” seus habitantes, tomaram-nas para si. O que mudou na periferia de ontem e de hoje? O que mudou nos grandes centros? Não era crime matar um negro naquela época. E agora? Os autos de resistência estão aí pra mostrar que os homicídios em áreas pobres do Brasil, em grande maioria, sequer são investigados. Foi só mais um preto e provavelmente tinha algum envolvimento com o tráfico, não é mesmo? E vivendo nas periferias, sob o risco da bala, sem algo que a gente possa chamar de educação, sem a mínima estrutura que garanta sua saúde, sem qualquer condição adequada que lhes permita chegar ao patamar de vida dos euro-descendentes, como poderemos mudar esse quadro histórico e finalmente dizer, sem demagogias ou romantismos de classe (muito utilizados nos últimos dias por sinal), que de fato somos iguais e o amor deve prevalecer ao invés da indignação e a revolta de quem sofre como o povo negro ou pelo menos tem empatia com sua luta?
Não devemos passar a borracha na nossa história e justificar a realidade atual com a meritocracia furada de sempre. O negro foi escravizado, surrupiado em sua dignidade e isso não se recupera com a assinatura de uma lei. Cultura se muda com a contracultura, com a mudança material da realidade. O povo negro está num genocídio secular bem na nossa cara e não há exagero nenhum em dizer isso e sim em negar isso. A meritocracia branca de hoje foi conquistada sob o fio da espada de ontem.
Ahh! Sobre as cotas! Estava quase me esquecendo. Algumas pessoas tentam fazer coisas para ajudar os povos explorados a se libertarem e mudarem sua condição um pouco mais rapidamente. As cotas têm essa intenção. Mas tem gente que, negando a história para garantir sua hegemonia ou por pura desumanidade mesmo, insiste em colocar pedras no caminho.
Jobert Fernando de Paula Diretor do Sindieletro-MG e do Movimento Luta de Classes
eu sube, de um cumpadi meu aqui da minha terra, que viu nas tevê daí da capital, que o sinhô ficou aborrecido com o resultado das eleição pra presidente do nosso Brasil, e chamou a gente daqui do norte de boi.
Sinhô Mainardi, nóis semo boi sim, mas também somo vaca. Porque as muié da gente trabaia junto com nóis pra poder criar os fi com muita dificuldade. No tempo do meu pai é que os home dizia que muié não trabaiava. Besteira! Trabaia duas vez, em casa e na roça do patrão… e com salário menor!
O sinhô também chamou nóis de atrasado. Sinô Mainardi, nóis num atrasa nem um minuto todo dia pra ir pra roça trabaiá. Os patrão, seus amigo, é que vez quase sempre atrasa o pagamento do nosso salariozinho.
Eu nem quero fazer briga com o sinhô, porque o sinhô é moço letrado, estudado e mora até nas Europa. Eu só quero ajudar o sinhô, porque Do tempo que o cumpadi Lula foi presidente pra cá nóis mora numa casa nossa e recebe a tal bolsa família que ajuda muito no dia-a-dia da gente. Não resolve os pobremas não, mas que ajuda, ajuda. Nóis ficamu sabendo também que vóis mecê e seus colega são contra as nossas bolsa. Encarecido sinhô Mainardi, deixe disso! As bolsa é boa, e quando nóis não precisá mais nóis passa pra outro companheiro mais necessitado. Num se aperreie não, sinhô Mainardi, que essas bolsa num vai prejudicá nem o sinhô, nem os seus amigos.
Incrusive, sinhô Mainardi, nóis ficamo sabendo que a cidade que o sinhô mora tá afundando e os seus amigo da Veneza tão preocupado com a situação. Mas não se preocupe não, sinhô Mainardi, porque os nossos companheiro trabaiadores daí das Veneza não vão deixar essa cidade tão linda afundá. Até porque foram eles que construíram ela, num é sinhô Mainardi?
De qualquer jeito, nóis aqui do norte ficamo muito satisfeitos com a vitória da presidenta Dilma, e tamo confiante no futuro da gente. Hoje, nóis ganha o bolsa família, amanhã vamos conquistá nossa reforma agrária e depois mais mudança pro povão do Brasil. E um dia, como disse o cumpadi Julião, das Liga, nóis faz a revolução. Aí é que vai ficá bão!!
Movimentos sociais convocaram um ato unitário com concentração para esta quinta-feira, 17 horas, no Masp, avenida paulista. Entre os movimentos que convocaram o ato, está o Movimento dos Trabalhadores Sem-teto, MTST, que pretende cobrar do governo federal a aplicação de medidas de interesse popular por parte dos governos estadual e federal.
Logo após a divulgação dos resultados da eleição, a extrema direita paulista procurou se organizar e, liderada por deputados como Bolsonaro filho e Coronel Telhada, passou a ocupar as ruas alimentando intenções golpistas e falando, inclusive, em intervenção militar golpista no Estado. Mesmo que essas intenções possam parecer lunáticas, o papel do movimento popular de se manter alerta e nas ruas para exigir direitos é premente.
A manifestação defenderá a punição aos torturadores da Ditadura e dos dias atuais, as reformas urbana e agrária, imposto sobre as grandes fortunas, a democratização das comunicações, e a mudança no sistema político nacional.
Combater o ajuste econômico
Não apenas em São Paulo, mas em todo o Brasil é necessário que os movimentos sociais ocupem as ruas exigindo que o governo federal cumpra o mandato de esquerda para o qual foi eleito. Mídia, banqueiros, grandes capitalistas e políticos corruptos manejam para fazer com que o governo do PT implante o programa de seus adversários de direita, neoliberal e de ajuste econômico contra os trabalhadores.
Vários acontecimentos políticos recentes dão sinais de que o governo Dilma se renderá a tese do ajuste e fará um novo arrocho econômico. São eles: a subida de juros, três dias após as eleições; aumento linear da gasolina; promessas, por parte do ministro Mantega, de corte nas pensões e no seguro-desemprego; possibilidade de indicação de um banqueiro para o ministério da fazenda. Até agora, o governo não deu nenhum sinal de que atenderá as pautas da esquerda, bravamente defendida por vários militantes nas ruas durante o segundo turno das eleições.
Contra o lobby político e financeiro que os capitalistas realizam nos bastidores, a resposta não pode ser outra senão a rua, a mobilização e a luta de massas para exigir nossos direitos.
O crime que vitimou 43 jovens no povoado de Iguala, estado de Guerrero, no México ocorreu há mais de um mês. No início, a estratégia do governo e da mídia foi a de vincular os jovens com o cartel de traficantes da região, conhecido pelo nome de “Guerreros Unidos”. A mobilização popular por justiça e punição dos assassinos, no entanto, comprovou as ligações do governo local com o narcotráfico e quando os policiais acusados de praticar os assassinatos foram presos, o cartel realizou ataques exigindo que fossem libertados.
O povo mexicano decidiu dar um basta às milícias, ao uso do narcotráfico para amedrontar a população e à violência oficial do Estado. Neste último mês, sedes de governos e prefeituras foram ocupados, grupos de autodefesas foram formados, marchas multitudinárias foram realizadas na capital do país e em outras importantes cidades e uma greve geral está sendo preparada para o início de Dezembro. Uma verdadeira corrente de solidariedade se fortalece em todo país exigindo que a morte dos jovens de Iguala não seja em vão.
Nem a distância geográfica, nem a falta de informações mais profundas por parte da grande mídia pode nos fazer pensar que estamos longe da realidade do México. É verdade que a televisão brasileira fez mais reportagens nesse período sobre eventuais problemas climáticos nos Estados Unidos do que sobre a tragédia que ocorre com nossos irmãos da América Latina. Mas a chacina que ocorreu em Belém na madrugada do dia 05 de novembro talvez nos faça atentar para a realidade.
Há relatos que dão conta de até 35 mortes nos bairros de Guamá, Terra Firme e Jurunas, periferia de Belém. Até agora, o governo do estado confirma apenas 10 mortes. Entre essas pessoas está um jovem de 16 anos – Eduardo Galucio Chaves – que voltava da escola. Uma pessoa com necessidades especiais foi alvejada com cinco tiros e morreu após se assustar com o barulho e correr, conforme denúncia de Francisco Batista da Comissão de Justiça e Paz.
A estratégia do governo e da mídia brasileira é similar a de seus pares mexicanos: vincular as mortes ao envolvimento com o tráfico. É muito óbvio, no entanto, encontrar os verdadeiros responsáveis uma vez que a chacina teve início como vingança após o assassinato de um cabo da Polícia Militar. A chacina foi abertamente organizada e propagandeada pelos policiais através de diferentes redes sociais mas, até hoje, ninguém foi preso.
Diferente do que ocorreu no México, a chacina de Belém não despertou a mobilização social contra o assassinato de inocentes. A revolta permanece surda e restrita aos lugares impactados pelas mortes.
O que a chacina de Belém talvez nos faça ver é que México e Brasil vivem situações muito parecidas. Em ambos países existe um forte poder econômico nas mãos do narcotráfico, este mesmo narcotráfico está profundamente ligado aos órgãos estatais através das milícias e grupos de extermínio, e os governos manejam com narcotráfico e milícia para impôr o medo à população. O povo do México percebeu que a luta social é a forma de dar um basta a essa situação. Quantas chacinas como a de Belém serão necessárias para que os brasileiros tomem a mesma decisão?
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