O ator e escritor carioca Gregório Duvivier lançou, neste ano de 2013, seu segundo livro de poesia “Ligue os Pontos – Poemas de Amor e Big Bang”. Nacionalmente conhecido como um dos idealizadores e realizadores do projeto “Porta dos Fundos”, que se tornou, em menos de um ano de existência, o maior canal online de humor do mundo. Em Belo Horizonte para o lançamento do livro, Gregório Duvivier falou com exclusividade a A Verdade.
A Verdade – Você é ator, cronista, escritor, poeta, roteirista, produtor e diretor. Agora, lança um livro de poesias. Por que “lugar de poesia não é na academia de letras e sim na academia de ginástica”?
Gregório Duvivier – Cabe em todo lugar. Gosto muito de poesia, sempre gostei. Não é à toa que lanço agora esse livro. Quando digo que a poesia tem que estar na academia de ginástica é porque entendo que o fazer e o ler poesia tem que ser através de processos comuns, vindos de todos os lugares. Às vezes, parece que o povo não sabe, não quer ou não pode saber de poesia, fica algo muito distante. A minha geração foi formada assim. No meu livro de poesia tem o Doug Funny e o Pikatchu porque eles me influenciaram bastante na vida. Acho que produzir cultura, também poesia, tem que ser um processo natural e simples, como um debate ou uma roda de conversa com as pessoas no bar, no banheiro, na academia de ginástica ou na academia de letras. Tem de ser acessível para todos.
Como se dá seu processo criativo? Como consegue inspiração para tantas mídias e lugares?
Cada texto que escrevo tem uma inspiração. Para produzir material para o Porta dos Fundos não tem tempo de ter inspiração mirabolante porque eu escrevo dois textos por semana para lá. Então sou obrigado a forçar minha inspiração, minha imaginação. A mesma coisa da coluna da Folhade S.Paulo); sou obrigado a escrever, se não, sou demitido. Poesia não! De todas essas coisas foi a única que não veio por encomenda. E das coisas que escrevo é a única que não é obrigatória, é a que vem da minha inteira inspiração e é fruto da minha vontade. Por isso, eu gosto muito desse livro! O que não cabe no Porta, ou na coluna, o que é mais lírico, acaba cabendo no livro. Muita coisa que escrevi ficou de fora. Mas eu acho o prazo também muito bom. Às vezes, as coisas que fazemos por encomenda são muito boas, a criatividade funciona bem também por “cabresto”.
Há muita dúvida sobre se há ou não limites para o humor. O que você quer dizer quando afirma que “nem toda piada é válida”?
É uma ótima pergunta! Realmente se se tem limites para o humor, é uma grande questão da humanidade. Acho que limite é uma palavra muito forte. Não acho que tem limites, proibições. Mas o que tem é o bom senso, a educação quase, até inteligência um pouco. Acho que a responsabilidade existe ou tem que existir para tudo. No cinema você está comovendo as pessoas. Então, você não pode fazer aquilo sem noção do alcance que está tendo. No humor também. Por exemplo, no Porta dos Fundos parece que a gente não tem limites, mas a gente tem vários. Volta e meia vamos filmar alguma coisa e dizemos “Não… isso aí está sendo agressivo um pouquinho demais”, e a gente fala que passou do limite e não faz. Alguns esquetes já foram assim. Por que, assim, a gente pode rir de tudo? Eu não sei. Tem coisas de que não vale a pena rir. Das minorias, por exemplo. Ou rir de um sofrimento real das pessoas. Não tem graça rir dessas coisas. Tem graça você rir do poder, você rir do opressor, não do oprimido. O humor, muitas vezes, cai na “presa fácil”, fica chutando cachorro morto e batendo em quem já apanha há séculos e séculos. Não tem graça você rir de gay porque é homofóbico, não é mais humor, tem um momento em que deixa de ser, ou o racismo. Não porque é uma piada que você pode tudo e ela não tem salvo-conduto para você ser escroto. Se for assim, você mata alguém e diz “não, foi só uma piada”, é stand up. A piada tem que atender às mesmas responsabilidades que todo o resto. No Porta a gente fez um vídeo sobre o racismo chamado “KKK” que é todo mundo vestido de Ku-Klux Klan e a gente ali ri do racista e não do negro. Portanto, não existem temas proibidos, existem abordagens proibidas. Você pode falar de racismo, de negros; agora, tem que se rir do racista, o objeto a rir é ele, senão é bullying, se está caçoando sem nenhuma função social.
No Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher (25 de novembro), o Movimento de Mulheres Olga Benário participou na mesa de debate “Questão Social, violência, criminalização da pobreza e dos movimentos sociais” na Faculdade Integrada Tiradentes (FITS), na cidade de Maceió-AL, abrindo a Semana de Pesquisa e Extensão da faculdade e, ao mesmo tempo, dando início ao ciclo de debates do curso de serviço social. A companheira Indira Xavier representou o Movimento.
Cristiano Montenegro, professor do curso, presidiu a mesa e registrou, com pesar, que Alagoas é um dos estados recordistas em homicídios de mulheres, homossexuais e mendigos. Sua visão, “problema social se expressa na pobreza, na miséria, na fome. Todas essas mazelas aparentes são inatas à sociedade que vivemos, o capitalismo. Porém, quando a classe trabalhadora se mobiliza e articula politicamente é que esses problemas se transformam em questão social”, afirmou Montenegro.
Outro professor do serviço social, Albani de Barros, apresentou a crise do capitalismo aumenta a violência sobre a classe trabalhadora. “A cada ano, 16 milhões de crianças morrem por inanição, fome, e outras doenças de fácil tratamento. Em cinco anos, foram 80 milhões, o mesmo número de mortos da Segunda Guerra Mundial. Isso é uma grande violência”, afirmou o professor.
A coordenadora do curso, professora Silmara Mendes, iniciou seu discurso afirmando claramente que a preocupação do Estado hoje é jogar na cadeia os pobres e trabalhadores. “As políticas sociais estão sendo substituídas pela repressão”, afirmou Mendes.
Silmara continuou sua fala criticando a política do capital em querer reduzir a maioridade penal, demonstrando que prisão não resolve problema social. “Os EUA, onde as prisões são todas de segurança máxima e as penas são bastante severas, possui a maior população carcerária do mundo, e a violência não para de crescer”, completou.
Indira Xavier, militante do Movimento Olga, encerrou as intervenções da mesa demonstrando que a mulher, apesar de ser maioria na sociedade, assim como nas universidades, sofre ainda a violência do capitalismo dentro da própria casa. “A cada 15 segundos, uma mulher é agredida no Brasil e, a cada uma hora e meia, tem-se uma vítima fatal do machismo. Isso é fruto de uma sociedade em que o homem acredita ter a mulher como sua propriedade, com capacidade inclusive de determinar sua vida e sua morte”. Mas, concluiu Indira “Não podemos ver todos esses dados com derrotismo. Tem que nos servir de combustível para lutar dia a dia para pôr fim em toda a desigualdade”.
A luta das mulheres por liberdade, democracia e autonomia sempre foi marcada por combatividade e carregada de simbolismo.
Submetidas à opressão desigual e condenadas a arcar com todas as dificuldades do trabalho doméstico, as mulheres trabalhadoras têm mais dificuldades de romper com a barreira da invisibilidade e da exclusão. A cultura machista somente serve para reproduzir essa ideia de que lugar de mulher é dentro de casa e que ela não pode se “aventurar” por espaços que lhes garantam mais direitos.
Nosso país está em sétimo lugar, dentre todos os outros países do mundo, onde há mais mortes de mulheres. São milhares de agressões físicas, sexuais, psicológicas e morais todos os anos. Somente em 2013, 50 mil mulheres registraram queixa relatando que sofreram estupro. Sendo assim, considerando que as mulheres que prestam queixa ainda são apenas uma reduzida parcela, é possível afirmar que o número de estupros é muito maior.
Em homenagem a três mulheres lutadoras da República Dominicana que foram brutalmente assassinadas pela ditadura fascista daquele país – Pátria, Minerva e Maria Teresa Mirabal –, o dia 25 de novembro é hoje uma das mais importantes datas relembradas pelo movimento popular.
Conscientes das injustiças sociais e da truculência do governo, as irmãs Mirabal optaram por lutar pela emancipação de seu povo, dando exemplo a toda a América Latina. Perseguidas e presas, foram torturadas e violentamente assassinadas. Suas mortes viraram símbolo da luta do povo e das lutas femininas.
Todos os anos, seu exemplo fortalece a luta das mulheres que se dedicam a pôr fim a todas as formas de opressão e violência contra as mulheres trabalhadoras e demais camadas oprimidas.
O dia 25 de novembro simboliza a luta de milhares de mulheres que diariamente têm de conviver ou lutar contra situações de opressão. Esta data marca a urgência de que todas e todos se unam para acabar com a violência e a morte de tantas trabalhadoras.
O Movimento de Mulheres Olga Benário rende homenagens às combativas irmãs Mirabal, que, com seu exemplo de luta, contribuíram para escrever a história do povo combativo da América Latina e da emancipação das mulheres das correntes que as prendem.
É hora de lutar! Basta de violência contra as mulheres!
Diante dos alarmantes índices de violência e dos abusos sofridos constantemente, centenas de mulheres ocuparam as ruas do Centro do Rio de Janeiro, no último dia 25 de novembro, marcando o Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher.
A manifestação foi marcada durante encontro do Fórum Estadual de Combate à Violência contra a Mulher (FEM), em agosto. O FEM organizou plenárias em Duque de Caxias, na Zona Oeste e no Centro para preparar a ação do dia 25. Ao lado de outros movimentos e entidades, o Movimento de Mulheres Olga Benário participou ativamente da construção dessa importante atividade.
As mulheres marcharam da Candelária à Cinelândia, percurso histórico de manifestações políticas no Rio. Ao chegarem à Cinelândia, realizou-se um ato em que foram contadas histórias de violência contra mulheres, repetidas em voz alta pelas presentes. Ao final de cada história, todas gritavam: “Basta de violência contra as mulheres!”.
O dia 25 de novembro foi criado em homenagem às irmãs Mirabal, torturadas e assassinadas pela ditadura do general Trujillo, na República Dominicana, em 1960. As três lutavam pela liberdade e a democracia em seu país. Em 1981, durante o “1° Encontro Feminista Latino-americano e Caribenho” realizado em Bogotá, Colômbia, se declarou esta data como o Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher. A data marca também o início da campanha “16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher”.
Ser feliz nunca foi tão fácil: não importa como esteja o mundo ou sua vida, existe uma pílula específica para o seu caso. A psiquiatria moderna garante que sua infelicidade tem cura, e a um preço razoável.
Esta é a denúncia feita pelo médico estadunidense Ronald W. Dworkin, autor do livro Felicidade artificial: o lado negro da nova classe feliz, da Editora Planeta. Nesta obra, Dworkin revela que o consumo de antidepressivos e outras drogas psicotrópicas está aumentando, criando o que ele chama de felicidade artificial. Isto é, está se formando uma nova geração de pessoas que se sentem felizes independentemente do que façam com suas vidas. Não importa como vão o emprego, os problemas financeiros ou o relacionamento: é possível ser feliz à base de pílulas, apesar de tudo.
Desde meados do século passado, a infelicidade tem sido vista como uma doença. Essa tendência teve início nos EUA, quando os médicos de atenção primária simplesmente não sabiam como reagir aos problemas sociais e emocionais que eram levados aos consultórios por seus pacientes. A partir daí, sob a pressão de proporcionar alívio imediato ao sofrimento psíquico e com uma formação humanista extremamente deficiente, a estes profissionais se tornou atraente a linha de investigação que considerava as doenças psíquicas apenas segundo seus sintomas e seus aspectos mais superficiais.
Dentre todos os problemas psicológicos modernos, a depressão é o caso mais emblemático. Esta é uma das doenças que mais levam ao consumo de fármacos e, segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 350 milhões de pessoas sofrem de depressão atualmente, sendo a maioria mulheres. No Brasil gastou-se cerca de R$1,8 bilhão com antidepressivos e estabilizadores de humor no ano de 2012, um aumento de 16,29% em relação ao ano anterior, colocando o país na liderança mundial de venda dessas drogas. A depressão tem sido abordada pela atual psiquiatria como uma disfunção química do cérebro, como mera falta de seratonina.
Segundo o psicanalista britânico Darian Leader, autor do livro Além da depressão – novas formas de entender o luto e a melancolia (Editora BestSeller), a maioria dos historiadores da psiquiatria e da psicanálise concorda que a depressão foi criada como uma categoria clínica, entre outros motivos, por uma pressão para classificar os problemas psicológicos da mesma forma que os outros problemas de saúde, o que deu nova ênfase no comportamento superficial, deixando de lado os mecanismos mais profundos, inconscientes. Na década de 1970, após a revelação dos efeitos nefastos e viciantes dos tranquilizantes mais comuns para a depressão terem sido publicados, e seu mercado ter desmoronado, uma nova categoria diagnóstica foi criada – e, ao mesmo tempo, um remédio para ela. Como resultado, a indústria farmacêutica lucrou tanto com a ideia da depressão quanto com sua cura.
Ainda segundo Darian, existe hoje certo ceticismo em relação aos antidepressivos. Sabe-se bem que a maioria dos estudos sobre sua eficácia é financiada pela indústria farmacêutica e que, até recentemente, os resultados negativos raramente eram publicados.
O tratamento da depressão, quando vista como um “problema cerebral”, traz inúmeros riscos. A ingestão de paroxetina, por exemplo, aumenta o risco de suicídio. No entanto, de acordo com a chamada “mitologia cerebral” da atual psiquiatria, existe uma explicação bioquímica: essa substância causa apenas “pensamentos suicidas”. Dessa maneira, segundo Leader, tal explicação compartilha da crença de que nossos pensamentos e ações podem ser determinados bioquimicamente.
Pode-se identificar na base de tal concepção um problemático reducionismo associado ao chamado “materialismo vulgar” e ao positivismo. O surgimento da psicanálise, ao final do século 19, deu-se de certa maneira como uma alternativa diante das insuficiências de tal perspectiva. A psiquiatria moderna não considera, em grande medida, as especificidades de cada indivíduo, abstraindo deste apenas seus sintomas mais superficiais. A psicanálise, ao contrário, deu voz ao indivíduo. Não o considera como um objeto, não o examina sob as lentes de um microscópio, e considera a subjetividade e a história de cada indivíduo como únicas. É por isso que psicanalistas como Darian Leader defendem a necessidade de abandonar o atual conceito psiquiátrico de depressão e de considerá-la como um conjunto de sintomas que derivam de histórias humanas complexas e sempre diferentes, à luz dos conceitos freudianos de luto e melancolia. Assim, o tratamento psicanalítico da depressão buscará suas causas profundas na história de vida do indivíduo e em seu inconsciente, atacando as causas mais profundas, e não apenas os sintomas e seus derivados.
Os medicamentos têm se mostrado importantes no alívio temporário do sofrimento. Não sendo administrados, todavia, paralelamente a outras psicoterapias ou à análise psicanalítica, são incapazes de resolver definitivamente as causas dos problemas que atacam, além de causarem efeitos colaterais e oferecerem grande risco de dependência. O mito da depressão como uma doença exclusivamente biológica, não obstante seus ares de cientificidade, é um conceito altamente lucrativo para a indústria farmacêutica, mas de certa forma preocupante para seus consumidores.
Nesta segunda década do século 21, vemos confirmar-se inteiramente a Lei Geral da Acumulação Capitalista formulada assim por Karl Marx: “À medida que diminui o número dos potentados do capital que usurpam e monopolizam todas as vantagens deste período de evolução social, crescem a miséria, a opressão, a escravatura, a degradação, a exploração, mas também a resistência da classe operária.” (Karl Marx. O Capital).
Com efeito, segundo a Organização Internacional de Trabalho (OIT), mais de 200 milhões de trabalhadores estão desempregados no mundo. Apenas a União Europeia tem mais de 30 milhões de pessoas sem emprego e 127 milhões vivendo na pobreza extrema. Na França, mil empregos são destruídos por dia e cinco milhões estão sem trabalho.
Na América Latina e Caribe a taxa de desemprego entre os jovens é de 13,7%, ou 22 milhões; na Espanha, 56%, e na Grécia, 61%. Ainda de acordo com a OIT, 73 milhões de jovens estão desempregados e este índice continua crescendo.
Na Alemanha, um dos maiores exportadores do mundo e país mais rico da União Europeia, 30% da população vivem abaixo da linha de pobreza e 7,45 milhões de trabalhadores têm “miniempregos”, nos quais o trabalhador recebe 450 euros (R$ 1.200) por mês. Caso esses trabalhadores fossem somados à população desempregada, o desemprego pularia de 7% para 24%.
Na principal cidade dos Estados Unidos, Nova York, 50 mil trabalhadores moram em abrigos porque seus empregos são de baixa remuneração e na Espanha, até junho de 2013, 20 mil famílias foram despejadas de suas casas.
A fome continua sendo a principal causa de morte no planeta. Na década de 1950, 60 milhões de pessoas passavam fome. Atualmente, são quase um bilhão. Mas, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o número de pessoas com desnutrição – que sofrem de uma ou mais deficiências em micronutrientes (vitaminas e outros) – já alcança dois bilhões. Segundo Jean Ziegler, ex-relator especial para o Direito à Alimentação das Nações Unidas (ONU), 18 milhões morrem de fome por ano e, a cada 5 segundos, uma criança morre de fome.
Como vemos, o desenvolvimento do capitalismo não trouxe mais progresso nem uma vida melhor para a maioria da população, mas sim desemprego, fome e sofrimento.
Porém se a pobreza aumenta, cresce a riqueza de um punhado de capitalistas. Em 2000, 1% dos norte-americanos detinha 32,8% da riqueza do país; em 2013, passaram a abocanhar 40%. A superelite, apenas 400 indivíduos, tem riqueza igual à de 50% da população.
No mundo, de acordo com Mapa da Desigualdade em 2013, os 10% mais ricos do planeta detêm atualmente 86% da riqueza mundial. Destes, 0,7% tem US$ 98,7 trilhões de dólares e a posse de 41% da riqueza mundial, maior valor da história.
Com uma enorme soma de capital em suas mãos, um reduzido grupo de multimilionários, donos de grandes bancos, fundos de investimentos e monopólios espalhados pelo planeta, controla a indústria, o comércio e a agricultura.
Estudo realizado pelo Instituto Federal de Tecnologia da Suíça enfocando 43.000 empresas multinacionais concluiu que 174 empresas (na maioria bancos) controlam 40% da economia mundial. Nos Estados Unidos, maior país capitalista do mundo, apenas cinco bancos (JP Morgan, Goldman Sachs, Citigroup, Bank of América e Weels Fargo) têm ativos de 8,5 trilhões de dólares, cerca de 56% do PIB, e 10 empresas controlam 85% dos alimentos de base negociados no mundo. (http://www.canalibase.org.br)
Não bastasse, desde o início da crise, governos e bancos centrais repassaram mais de US$ 30 trilhões a essa oligarquia financeira, provocando o maior endividamento público da história. Somente o Tesouro dos EUA, segundo relatório do U.S. Government Accountability Office (U.S. GAO), entregou 16 trilhões de dólares em empréstimos a juros negativos às grandes empresas e bancos do país, embora tenha demitido milhares de funcionários públicos.
O resultado desses planos de ajuda aos bancos foi o crescimento exponencial das dívidas públicas, dívidas dos Estados, mas pagas pelos impostos cobrados dos trabalhadores. Em 2007, a dívida pública dos EUA era de 66,5% do PIB, e pulou para 106,5% em 2012, levando o país a viver em estado permanente de calote. A dívida pública do Japão é superior a 200% do PIB e a da França, segundo o próprio governo, chegará a 95,1% do PIB em 2014. Por sua vez, dados do FMI indicam que a dívida do governo central da China soma 46% de tudo o que o país produz.
Para pagar essas dívidas, a solução dos governos capitalistas são os chamados planos de austeridade, ou seja, jogar esse endividamento nos ombros dos trabalhadores. Por isso, medidas como redução de salários dos funcionários públicos, cortes das verbas para a saúde e educação, privatização de empresas públicas, eliminação de direitos trabalhistas, diminuição das aposentadorias e, consequentemente, destruição de pequenas e médias empresas.
Ao lado do crescimento da concentração de capital, do aumento de fusões e aquisições entre as empresas em todo o mundo, temos o aumento exponencial da especulação financeira.
Segundo relatório do Mackinsey Global Institute, em números absolutos, o estoque total de ativos financeiros – depósitos bancários, financiamentos, títulos de dívida privada e pública, ações de companhia – atingiu US$ 225 trilhões no ano passado. Um volume 10% maior que em 2007, ano de início da crise, e o equivalente a 312% da produção global. Já o montante dos derivativos no mundo atingiu US$ 600 trilhões em 2011, segundo números do Bank for International Serrlements (BIS).
É esta oligarquia financeira que impõe sua vontade e seus interesses em todos os países e obrigam os governos e os bancos centrais da Europa, América Latina, África ou da Ásia, a adotarem a mesma política de ampla proteção ao capital financeiro. Ocorre, assim, uma verdadeira fusão do Estado com o capital financeiro.
Dessa forma, a globalização da economia nada mais é que a extensão do domínio desse pequeno e poderoso grupo de bilionários dos países imperialistas em aliança com a grande burguesia dos demais países, para obter superlucros.
Aumentam as contradições e a luta de classes no mundo
Temos também o acirramento das contradições interimperialistas, isto é, entre EUA, Rússia, China, Alemanha, Japão, Inglaterra e França. Essas contradições ficam evidentes, quando verificamos que não existe um acordo comercial amplo no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC); prossegue a chamada “guerra cambial” ou a tentativa de impor o dólar e o euro como únicas moedas no mundo; bem como a feroz disputa pelo controle de regiões estratégicas do planeta, como se verifica na África, e em particular, no Oriente Médio, para ter a posse do petróleo, gás e de minérios estratégicos.
Por outro lado, as potências capitalistas realizam acordos e tratados comerciais, visando a enfraquecer concorrentes e redividir os mercados, como fica claro, nos acordos dos EUA com a União Europeia para formar uma área de livre comércio e com o Japão no Pacífico, procurando isolar a China; da França com a Alemanha na Europa, ou com os acordos comerciais e investimentos da China na África e na América Latina.
São ainda características da crise, além da destruição de empregos, elevação do preço dos alimentos e do custo de vida e o empobrecimento das massas, o enriquecimento da grande burguesia mundial, em particular da alemã e da norte-americana, o surgimento de um reduzidíssimo número de milionários na China e o aumento das intervenções militares e guerras para saquear nações e controlar suas riquezas.
Em resposta a essa situação, os trabalhadores e a juventude organizam greves gerais, enfrentam os governos e seus aparelhos de repressão e promovem protestos e lutas. Os levantes populares na Tunísia, Egito, e em outros países da África; as greves gerais na Europa, a revolta de junho em nosso país, etc., são exemplos claros dessa tendência. Também, em função das medidas econômicas adotadas pelos governos burgueses em favor de bancos e monopólios, cresce o descrédito das massas no Estado burguês e em suas instituições, como Parlamento, União Europeia, FMI, OMC e ONU.
Com sua base social cada vez mais reduzida, os governos burgueses ampliam os gastos militares visando a enfrentar as revoltas populares e manter este carcomido sistema econômico baseado na propriedade privada dos meios de produção. O orçamento militar dos Estados Unidos cresceu 90% nos últimos 13 anos. A Rússia, em 2011, aumentou orçamento militar em 9,7% e a China elevou em 11,2% os gastos militares no ano passado.
Em outras palavras, os governos capitalistas aumentam a repressão sobre as massas, criminalizam os protestos e os movimentos sociais e montam uma rede de espionagem mundial na telefonia e na internet, violando as mais elementares liberdades democráticas.
O fato é que, neste século 21, temos um aumento extraordinário das guerras e intervenções militares imperialistas, como no Mali, Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria e Haiti, e, em outros países ocorre um processo de fascistização dos governos com a supressão de vários direitos democráticos, comprovando, como afirmou Lênin em sua obra O Imperialismo, fase final do capitalismo, que este sistema, em sua fase imperialista, tende para a violência e o autoritarismo.
Em síntese, o plano da burguesia mundial é resolver a crise, aprofundando a exploração das massas trabalhadoras, invadindo países, dominando povos e se apoderando, por meio de guerras, das riquezas naturais e dos mercados para garantir uma nova partilha do mundo e a escravização de bilhões de pessoas por um minoria de exploradores capitalistas.
Portanto, diferente do que prometeu a burguesia mundial, o século 21 não é o século da paz nem da harmonia entre capital e trabalho. Pelo contrário, em vez do “estado do bem-estar social”, temos crises econômicas, fome, ampliação do comércio de drogas e da prostituição, e o acirramento da luta de classes em todos os continentes.
Ingressamos em um novo período de confrontos entre as classes, caracterizado, de um lado, pelo aumento da exploração dos trabalhadores, uma enorme destruição das forças produtivas, e o desencadeamento de novas guerras imperialistas e, de outro lado, pela resistência das massas exploradas e por um impressionante avanço das greves operárias e das lutas da juventude e demais oprimidos.
Os próximos anos serão, assim, anos de uma acirrada disputa por mercados e pelas riquezas naturais, como petróleo, minérios, pela água, e de grandes enfrentamentos entre as classes.
Porém, como afirma a Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxista-Leninistas (CIPOML), “os resultados da crise econômica capitalista dependerão das forças políticas atuantes e da sua inteligência para aproveitar a conjuntura. De uma crise econômica e uma guerra mundial surgiu a primeira revolução socialista, a de outubro de 1917 na Rússia, mas também, de uma grande crise econômica surgiu o fascismo alemão, o nazismo, encabeçado por Hitler. Quer dizer, a crise pode contribuir para a revolução, se existir uma força política com influência nas massas e capacidade para desenvolver os movimentos táticos que permitam derrubar os governos burgueses e pró-imperialistas”.
Portanto, caminhamos para duros combates entre os exploradores e explorados. As potências imperialistas não vacilarão e não têm vacilado em tudo fazer para salvar seu injusto sistema econômico e político e para que as riquezas continuem nas mãos de uma ínfima minoria, da oligarquia financeira internacional e seus sócios, embora isso signifique crianças morrendo de fome, milhões de operários desempregados, famílias vivendo sem casa, mais guerras e destruição do meio-ambiente.
Com efeito, a classe capitalista nunca ficou de braços cruzados vendo sua riqueza derreter, sempre agiu para proteger o lucro, a acumulação capitalista e a reprodução do capital. Não importa o que tenha que fazer nem quantas guerras tenha que realizar. Mas é verdade também que, por toda parte, avança a luta por uma vida nova, para libertar a humanidade das guerras e da exploração do capital e a perspectiva da revolução e do socialismo torna-se a cada dia mais concreta.
(Resolução sobre a situação internacional do 5º Congresso do PCR)
Há cinquenta anos aconteceu, na pequena cidade potiguar de Angicos, algo que para muitos era extraordinário: alfabetizar adultos e politizá-los em apenas 40 horas. O idealizador desse método revolucionário foi o educador Paulo Freire.
Nesse período desenvolviam-se, com intensidade, movimentos culturais por todo o País. Tais movimentos viam na produção cultural um instrumento de desenvolvimento da consciência política das massas trabalhadoras, um instrumento de transformação social.
Em 1960 é fundado no Recife, na gestão do prefeito Miguel Arraes, o Movimento de Cultura Popular (MCP) que tem em Paulo Freire um dos seus membros mais destacados. Em pouco tempo, o MCP estende sua influência a outros Estados, e círculos de cultura são articulados com o objetivo de promover a cultura, a politização do povo e sua alfabetização.
Já em fevereiro de 1961 é lançada, em Natal, pelo então secretário da Educação, Moacyr de Góes, a campanha “De pé no chão também se aprende a ler”– na gestão do prefeito Djalma Maranhão, entendendo-se a educação e a cultura como instrumentos de libertação.
Em 1962, Marcos Guerra, presidente da União Estadual dos Estudantes do Rio Grande do Norte, forma uma equipe de alfabetizadores, estudantes (em sua maioria universitários) que se deslocam a Angicos e realizam um levantamento sobre o vocabulário da população, preparando as condições para que se realizasse o projeto inovador. Já nos primeiros meses de 1963 os estudantes organizam círculos de cultura.
A realização do projeto foi viabilizada pelo governo do Rio Grande do Norte que estabeleceu parceria com a Aliança para o Progresso, de origem norte-americana. Apesar deste financiamento, o projeto contava com autonomia político-pedagógica, condição que Paulo Freire exigiu ao então governador potiguar, Aluísio Alves.
Eram 380 os moradores que começavam sua alfabetização no dia 24 de janeiro de 1963. Ao mesmo tempo em que se desenvolvia o projeto, eram realizadas reuniões com os 21 coordenadores (alfabetizadores) dos círculos de cultura para avaliação e reflexão de sua prática.
No início, a população se mostrou desconfiada, mas em pouco tempo a identificação dos alunos com os coordenadores era tanta que, ao surgir a necessidade de mudar alguns alunos de turma, devido à superlotação, muitos disseram que não queriam trocar e que, se fossem transferidos, não iriam mais.
Sempre utilizando referências e associações com coisas do cotidiano da população, os coordenadores desenvolvem o conceito de cultura e a consciência da relação entre homem e natureza. A capacidade transformadora do ser humano diante da natureza é compreendida com exemplos simples.
A partir daí inicia-se o processo de alfabetização com a apresentação das letras, sílabas, seu lugar na palavra etc., sempre se valorizando a participação ativa dos estudantes.
Nesse processo foram introduzidas discussões sobre temas que permitiam o desenvolvimento político como cidadania, a questão do voto, direitos, lugar social na produção, organização de classe, custo de vida etc.
Um documento importante em que podemos ver o desenvolvimento de todo esse processo é o diário-livro de Carlos Lyra, supervisor dos coordenadores, que traz toda uma narrativa do desenvolvimento da experiência de Angicos. Entre outras tantas coisas importantes são citadas a colocações dos alunos sobre os debates. Entre elas, uma que exemplifica a construção de uma consciência das injustiças sociais: “A gente constrói estrada, mas só come poeira”.
A 40ª hora (aula) foi dada pelo então presidente da República, João Goulart, com a presença de vários governadores do Nordeste e de representantes da Aliançaparao Progresso, e nela também falaram Aluísio Alves, Paulo Freire e o ex-analfabeto Antônio Ferreira. A aluna mais idosa, Maria Hermínia, entregou ao presidente cartas escritas pelos participantes do curso. Assim se formava a primeira turma de Angicos.
Com o término da experiência, saem os resultados da avaliação do aprendizado do experimento de Angicos: 300 participantes são considerados alfabetizados, com 70% de aproveitamento no “Teste de Alfabetização” e 87% no “Teste de politização”.
De fato a experiência de Angicos foi positiva e alcançou seu objetivo: em maio do mesmo ano, Angicos registra sua primeira greve e os proprietários rurais qualificam a experiência de Paulo Freire de “praga comunista”.
Entretanto, todo esse processo transformador foi interrompido pelo golpe militar fascista, em 1964, que manteve grande parte do povo brasileiro na escuridão por 21 anos. Paulo Freire foi preso e exilado. A repressão e a censura se abateram sobre o Brasil. Milhares foram presos, torturados e assassinados.
Mesmo com a redemocratização, a realidade ainda hoje é dura. A maioria dos municípios do Estado do Rio Grande do Norte tem 40% de seus habitantes analfabetos. Assim fica claro que as elites querem que o povo não tenha acesso à educação porque temem que os explorados e oprimidos saibam o porquê da miséria, do desemprego e das injustiças.
No dia 8 de novembro, na Câmara Municipal de Diadema, foi lançada a Comissão da Verdade desse município do ABC Paulista, criada pela vereadora Lilian Cabrera (PT). Segundo ela, “O que me motivou a criação da comissão foi uma necessidade, que percebi na juventude, de conhecer de fato como as histórias se consolidaram e quais os reflexos que nós temos hoje do período de uma ditadura no nosso país. Eu não fui torturada, não vivenciei as ações desse período, mas vejo muitos reflexos nas desigualdades de direitos. Nossa sociedade é composta por mulheres, negros, afrodescendentes, que sofrem violência e resquícios dessa repressão. Outro objetivo é ouvir a história por outro ângulo. De quem vivenciou e dos familiares que participaram de formas diferentes”.
Quem abriu a audiência foi Derly de Carvalho, seguido pelo depoimento de Ernesto José de Carvalho, o Ernesto Guevara, filho de Devanir José de Carvalho, morto no período da ditadura, e Any de Carvalho, companheira de Derly e também perseguida, presa e exilada política.
Derly, Joel, Jairo, Daniel e Devanir, junto com os pais, mudaram-se de Minas Gerais para São Bernardo do Campo, também no ABC, em 1960. Tornaram-se operários e em poucos anos se viram diante de uma ditadura militar. Derly, também representante do Centro de Memória da Associação dos Metalúrgicos Aposentados-Anistiados (AMA-A), conta o que significou para ele e os irmãos os anos da ditadura:
“Ingressamos de corpo e alma no movimento sindical. Entrei em 1961 na Associação de Metalúrgicos de São Brnardo do Campo, na época não havia sindicato, fundamos ele depois. Fazíamos parte da formação de uma nova classe operária no Brasil, com a industrialização, a chegada de várias montadoras, empresas americanas e europeias no país. Essa classe operária acumulava experiências políticas internacionais do Vietnã, Cuba, China e União Soviética. Assim que ingressei no sindicato, ingressei também no Partido, que, naquele momento, era o instrumento de representação política dos trabalhadores – e eu me joguei por inteiro. Com a cassação da nossa diretoria (do sindicato) eu e meus irmãos também fomos para a clandestinidade e começamos a ter uma participação ativa no processo de resistência armada, pois, para qualquer atividade política relacionada à organização dos trabalhadores, era preciso resistir, pois, afinal, podíamos ser presos a qualquer momento. Acho que, resumidamente, foi essa nossa participação. A Comissão da Verdade nos permite levar à nova geração tudo o que aconteceu neste país nos anos da ditadura militar e mostrar quem são os responsáveis pelas torturas e desaparecimentos. Eu acredito em uma coisa: o que realmente vai mudar cara do Brasil, do ponto vista democrático, no futuro, são as próximas gerações, como essa geração como a de vocês do jornal A Verdade e essa juventude que está ativa.”
A Comissão da Verdade de Diadema colherá depoimentos, todas as sextas-feiras, até a segunda quinzena de janeiro do próximo ano. Abrir os arquivos da ditadura, trazer à tona o nome de quem ela torturou, matou ou fez desaparecer, tantos jovens trabalhadores(as), também é algo que esperamos que o governo faça depois de todo esse esforço das comissões que funcionam em todo o Brasil.
A 5ª Conferência Nacional das Cidades, ocorrida entre os dias 20 e 24 de novembro de 2013, em Brasília, reuniu 2.600 delegados de todos os Estados, representando todos os segmentos da sociedade civil organizada.
Com o tema “Quem muda a cidade somos nós: reforma urbana já”, a Conferência fez um balanço dos dez anos de criação do Ministério das Cidades, discutiu temas relacionados ao Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano e elegeu os novos membros do Conselho Nacional das Cidades.
No segundo dia do evento, o Fórum Nacional de Reforma Urbana (FNRU) organizou uma grande manifestação que tomou a Esplanada dos Ministérios e terminou em frente ao Palácio da Alvorada, ao som de palavras de ordem em defesa da reforma urbana e contra os gastos com a Copa da Fifa.
Para Wellington Bernardo, da coordenação nacional do MLB, os movimentos populares fizeram da Conferência um momento de debate e crítica aos limites da política urbana do governo. “É preciso cobrar o efetivo compromisso do Governo Dilma com a reforma urbana e a promoção do direito à cidade”, afirmou. “Apesar da melhora nos indicadores de acesso aos serviços públicos essenciais, é indiscutível que as cidades brasileiras permanecem sendo espaços marcados por fortes desigualdades sociais onde os trabalhadores são obrigados a conviver com inúmeros problemas. A falta de habitação, a precariedade das condições de saneamento ambiental e a ausência de mobilidade urbana ainda marcam o cotidiano de milhões de brasileiros”, completou.
Na plenária final, os participantes da 5ª Conferência aprovaram 39 das 40 propostas discutidas, que agora passarão a ser prioridade do Ministério das Cidades nas áreas de saneamento ambiental, mobilidade urbana e trânsito, capacitação técnica, financiamento da política urbana, participação, controle social e conselhos, política de regularização fundiária e habitação.
Além das propostas aprovadas, a presidenta Dilma Rousseff assinou o decreto que institui o Plano Nacional de Saneamento e o Ministro das Cidades assinou portaria criando uma comissão para discutir a proposta de projeto de lei que cria o Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano.
O MLB participou da 5ª Conferência com a maior delegação de sua história (26 pessoas) e, ao lado da Central de Movimentos Populares (CMP), elegeu 11 membros no Conselho das Cidades. Coube ao MLB a indicação de dois conselheiros, os companheiros Wellington Bernardo e Serginaldo Santos, aumentando a presença do movimento nesse importante espaço de discussão da política urbana nacional.
A Assembleia Geral dos trabalhadores da construção civil de Caruaru aprovou greve geral por tempo indeterminado, a partir do dia 3 de dezembro, em todos os canteiros de obra de Caruaru.
Foi uma grandiosa e histórica assembleia geral que contou com a participação de trabalhadores de diversos canteiros de obras, realizada no dia 28 novembro, no auditório Gregório Bezerra, sede do Sintracon.
Era grande a empolgação dos trabalhadores que aguardavam o retorno dos diretores do sindicato que estavam no Ministério do Trabalho discutindo com os patrões a pauta de reinvindicações.
A empolgação transformou-se em indignação e tomou conta de todos os trabalhadores quando Zé Henrique, presidente do Sindicato, começou a falar que, há mais de um ano, os operários não recebem nenhum centavo de aumento de salário e que a data-base da categoria já passou faz tempo e que, apesar de três rodadas de negociação, os patrões não melhoram em nada sua proposta.
A última proposta colocada em mesa de negociação pelo patronal foi uma verdadeira provocação com o objetivo de humilhar os trabalhadores de Caruaru, deixando entender que somos profissionais inferiores aos de outras cidades quando ofereceram um salário menor do que os salários pagos em Recife, Santa Cruz, Petrolina e Garanhuns. Isso é um verdadeiro abuso!
O café da manhã regional, o feriado da segunda-feira de Carnaval e as melhorias das nossas condições de trabalho eles não querem nem discutir.
A resposta dos trabalhadores não demorou e veio num sonoro coro “GREVE. GREVE. GREVE!
No dia 25 de novembro, aconteceu a eleição do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Urbana do Rio Grande do Norte (Sindlimp-RN). Mesmo tendo um prazo de apenas dez dias (incluindo dois fins de semana e um feriado) para inscrição de chapa, a oposição conseguiu se inscrever e participar do processo. Não bastasse esse tempo para a inscrição, o período para campanha foi de apenas cinco dias para uma eleição estadual.
O objetivo da chapa de situação era claro: evitar o debate sobre os problemas da categoria, que se encontra abandonada pela direção do sindicato, impedindo, assim, que crescesse o sentimento de indignação. Outra manobra foi o roteiro de apenas seis urnas itinerantes, que favoreceram à chapa da situação.
A verdade é que a direção do Sindlimp-RN abandonou a luta dos trabalhadores, abraçou a conciliação com os patrões e, por isso, recorre aos métodos do sindicalismo amarelo para se perpetuar na direção da entidade. Na sua “campanha”, distribuiu cachaça, contratou dezenas de capangas e derramou dinheiro.
Mas foi com muita determinação e coragem que os companheiros e companheiras da chapa 02 enfrentaram tudo isso e realizaram um grande trabalho, debatendo com a categoria e correspondendo ao seu desejo de mudança e de luta.
A chapa de oposição obteve 21% dos votos, saiu fortalecida e com a certeza que, mais cedo ou mais tarde, os trabalhadores da limpeza urbana varrerão, de uma vez por todas, os pelegos de seu sindicato.
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