UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
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Chapa da oposição vence eleição do Sindipetro CE/PI

Durante os dias 14, 15 e 16 de janeiro, os petroleiros do Ceará foram às urnas para escolher a nova diretoria para o triênio 2014-2017 do Sindicato dos Petroleiros Ceará-Piauí (Sindipetro CE/PI).

Depois de uma intensa campanha realizada pela Chapa 2- TRANSPARÊNCIA E AÇÃO- (Movimento Luta de Classes e Independentes), ao final do processo, veio a vitória: 202 votos para a chapa 1 e 221 votos para a chapa 2.

Essa vitória foi importante para os petroleiros em todo o país, pois comprova a força de mobilização e consciência da categoria que não aguenta mais a exploração da PETROBRAS e os constantes leilões do petróleo. Nos postos de votação, o sentimento da categoria era de renovação e disposição para travar os enfrentamentos necessários, algo que não era estimulado pela gestão passada.

Membros e apoiadores da Chapa 2 comemoram o resultado da apuração.

O Presidente eleito, Carlos Oriá, ressaltou: “Temos independência e autonomia para cumprir a missão de defender a nossa categoria. Arrancamos a velha paralisia e colocaremos no seu lugar a vontade de lutar”.

Para Emanuel Menezes, diretor eleito e membro do Movimento Luta de Classes, os petroleiros optaram pela renovação. “Trabalharemos com total independência para defender a categoria diante dos desafios do dia a dia e contra as ameaças ao petróleo brasileiro”.

O jornal A Verdade parabeniza a vitória da Chapa 2 e deseja uma gestão de muita luta para o sindicato. Estaremos juntos na defesa do petróleo brasileiro e da categoria!

Redação CE

Fica Logado! realizada paralisação de teleatendentes em São Paulo

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DSC_4619No dia de ontem, 16 de janeiro, a Comissão de trabalhadores do telemarketing do Grande ABC – Fica Logado!- realizou uma manifestação em frente a duas empresas da região, a Atento e a Unitono, ambas na cidade de São Bernardo do Campo.

Um grupo de trabalhadores das duas empresas se direcionaram à sede do Ministério do trabalho na cidade. Apoiaram a paralisação diversas categorias organizadas pelo Movimento Luta de Classes (MLC), que se fizeram presentes também na organização dos trabalhadores em ações anteriores dos teleatendentes.

Além de solicitar nova negociação com as empresas, a Comissão Fica Logado! entregou um relatório com a denúncia de diversas irregularidades.

As principais reivindicações são aumento salarial para R$850,00, que foi determinado como salário mínimo no estado de São Paulo e revisão do vale alimentação para R$13,00. Hoje o valor do vale alimentação para a categoria é de R$5,50.

No mesmo dia a empresa Unitono recebeu a Comissão e as reivindicações foram passadas aos representantes da empresa. Os teleatendentes se mantém em estado de atenção e lutando contra a exploração da categoria.

Redação São Paulo

Banda Pontapé – Documentário sobre a demolição de casas na Mangueira

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Banda Pontapé – Documentário sobre a Demolição de casas na Mangueira

Campanha pela transformação do prédio do ex-DOPS/RJ em Espaço de Memória da Resistência

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O edifício inaugurado em 1910, localizado na Rua da Relação com Rua dos Inválidos, no Centro do Rio de Janeiro, foi construído para sediar a Repartição Central de Polícia. Ao longo dos anos, abrigou distintas polícias políticas responsáveis por coibir reações de setores sociais que supostamente pudessem comprometer a “ordem pública”. De 1962 a 1975, funcionou no prédio o Departamento de Ordem Política e Social do Rio de Janeiro (DOPS-RJ), um dos principais órgãos de perseguição política, tortura, morte e desaparecimento forçado de pessoas durante a ditadura civil-militar. Tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC), o prédio, hoje sob a administração da Polícia Civil, encontra-se em péssimo estado de conservação, com arquivos em deterioração, o que evidencia a destruição e o abandono do poder público para com o patrimônio histórico.

Frente ao inegável atraso do Brasil em matéria de Justiça de Transição, faz-se urgente a destinação do prédio, por parte do governador do estado, para a construção de um espaço comprometido com a memória da resistência e das lutas sociais, e que explicite a relação entre as violações cometidas pelo Estado no passado e no presente, estimulando medidas que impeçam a repetição de tais práticas. É preciso transformar o prédio em um espaço voltado para as políticas de Direitos Humanos, de modo que seja dinâmico e exclusivo, congregando aprodução, guarda e circulação de informações, documentações, acervos, projetos e propostas voltadas ao direito à memória, verdade e justiça. Para isso, os distintos movimentos sociais devem ser atores centrais na construção e gestão deste espaço.

A reparação dos danos causados pelo impacto da violência de Estado no conjunto da sociedade se faz através de medidas concretas, como a criação de suportes de memória, ou seja, a implementação de instrumentos que reivindicam o reconhecimento de um passado deliberadamente soterrado, esquecido e silenciado pelas versões oficiais da história, e contribuem com a formação de princípios éticos para a construção democrática do presente e do futuro. O Estado brasileiro e o governo do Rio de Janeiro têm esta dívida histórica pendente. Tornar público o que ocorreu em tempos sombrios fortalece a cidadania, revigora a democracia e pavimenta um futuro de mais justiça.

No intuito de fazer do prédio do antigo DOPS/RJ um marco na defesa e promoção dos direitos humanos no Rio de Janeiro, queremos a imediata transformação deste em um espaço de memória da resistência e das lutas sociais!

Anistia Internacional Brasil
Associação Nacional dos Anistiados Políticos, Aposentados e Pensionistas (ANAPAP)
Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis (CDDH – Petrópolis)
Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL)
Coletivo RJ Memória, Verdade e Justiça
Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil-RJ
Fórum de Reparação e Memória do Rio de Janeiro
Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro
Instituto Augusto Boal
Instituto de Estudos da Religião (ISER)
Justiça Global
Levante Popular da Juventude do Rio de Janeiro
Núcleo de Direitos Humanos da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
Partido Comunista Revolucionário (PCR)
Unidade de Mobilização Nacional pela Anistia (UMNA)

Vídeo: movimentos sociais derrubam aumento do IPTU em Montes Claros

No mês de novembro, a Prefeitura de Montes Claros encaminhou à Câmara Municipal um projeto de reforma tributária para a cidade. A reforma inclui um aumento da alíquota do IPTU em até 1.041% (mil e quarenta e um por cento) em alguns bairros. O projeto, além de ser encaminhado em regime de urgência, foi elaborado de forma arbitrária pelo prefeito Ruy Muniz (PRB), sem qualquer discussão com a população e com o Poder Legislativo. Além disso, não houve nenhum estudo que demonstrasse a real necessidade do aumento. A justificativa da Prefeitura foi de que, dado o alto índice de inadimplência da população, era preciso aumentar o imposto para “compensar”. Entretanto, sabemos que a inadimplência existe porque o povo mal consegue sobreviver com os baixos salários que recebe.

Acuada com a resistência dos movimentos sociais ao projeto, a bancada governista, blindada pelos seus capangas de atuação semelhante aos antigos jagunços do coronelismo, tentou, por quatro vezes, aprovar o projeto, desencadeando a ocupação da Câmara durante a quarta sessão, no dia 23 de dezembro. Os militantes da União Juventude Rebelião (UJR) foram linha de frete do ato, enfrentando forte repressão.

Mesmo com a violenta reação da Prefeitura, os movimentos sociais não abandonaram a luta e se articularam novamente, dispostos a impedir a imposição do projeto. Após muita luta, a Prefeitura retirou a reforma da pauta.

Mais uma vez, ficou provado que só com organização e luta o povo é capaz de conquistar seus direitos.

Jéssica Tolentino

A respeito da corrupção e do governo do AKP da Turquia

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EMEKNas últimas duas semanas, a corrupção do governo do AKP (Partido da Justiça e Desenvolvimento) encheu totalmente a agenda política da Turquia.

Na manhã de 17 de dezembro, 80 pessoas foram presas, entre as quais havia filhos de três ministros, também o diretor geral do Halkbank (um banco público) e o prefeito do distrito mais antigo de Istambul chamado Fatih, alguns empresários próximos ao governo, acusados de suborno, requalificação fraudulenta de terrenos através de ordens ilegais de autoridades governamentais, contrabando de ouro, evasão de impostos, etc.

Os Ministros de Indústria, de Urbanização e do Interior cujos filhos foram detidos, também estavam sob acusação. É evidente que os filhos de ministros dirigiam a corrupção em nome de seus pais, ou o faziam juntos. O Ministro da União Européia também é acusado por receber subornos. Enquanto isso, 24 dos detidos o foram pelo tribunal, entre eles há filhos de dois ministros – o do Ministro da Urbanização foi liberado – e o diretor do Halkbank.

O primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, qualificou a operação policial e judicial como um golpe de estado que atenta contra seu governo. Segundo o Primeiro-ministro, a organização religiosa cujo líder é Fethullah Gülen, um líder islâmico (sua organização é conhecido como “Cemaat ou Hizmet/el Serviço” antigamente aliado do governo) tinha dirigido a operação ilegalmente para derrubar o governo, obtendo apoio dos EUA e Israel com acusações falsas.

Rapidamente, o governo deslocou todos os oficiais de polícia implicados na investigação do caso de corrupção a diferentes postos; sob o pretexto de que estavam ligados à organização de Gülen. Cerca de 400 oficiais e chefes de polícia lhes atribuíram posições mais passivas. Por outra lado, desprezaram alguns fiscais e conferiram a outros o trabalho neste caso.

Neste processo diferentemente de anteriores, os meios de comunicação, exceto os jornais e televisões próximos ao AKP, informaram sobre este caso  e  o  público organizou protestos para pedir a demissão imediata dos quatro ministros e a execução da operação judicial contra a corrupção.

Embora nos primeiros dias Erdogan repetisse suas acusações de golpe de estado e afirmasse que não sacrificaria seus ministros, sucumbiu à pressão pública e exigiu a renúncia de três ministros.

Um dos ministros demissionários, o Ministro do Desenvolvimento Urbano, saiu acusando o Primeiro-ministro  e “Se o que fiz é ilegal, o Primeiro-ministro também é culpado porque minha assinatura está acompanhada pela sua em todos os documentos”, declarou. Enquanto mais seis deputados saíram do AKP.

O primeiro-ministro Erdogan afirmou que os fiscais e agentes de polícia implicados na investigação deverão  informar ao governo e os fiscais e a polícia deverão fazê-lo ao ministro do Interior, a respeito das investigações sobre seu filho.

Entretanto, estas posturas não estão só contra a lógica, mas também contra as leis. Um fiscal responsável por uma investigação secreta não tem que informar a ninguém e é ilegal que a polícia faça quaisquer tipos de comentários sobre a investigação.

Mas, o governo do AKP fez uma mudança no regulamento da Polícia Judicial, obrigando-a a denunciar todas as investigações realizadas aos superiores.

O órgão máximo de representação dos fiscais e dos juízes, HYSK, declarou que a emenda está contra a Constituição e que as investigações dos fiscais não devem sofrer interferências. O Conselho de Estado impediu a aplicação da emenda.

Em sua última declaração, o Primeiro-ministro disse que tudo se trata de um ataque por parte do Movimento de Gülen, porque estão preocupados com o impacto financeiro que teriam diante da tentativa do governo de fechar o setor “dershane” (cursos privados de preparação para os exames de ingresso aos institutos e às universidades, que é um setor grande e muito lucrativo onde o Movimento de Gülen tem muitos negócios).

A relação AKP e o Movimento de Gülen

O Cemaat de Gülen foi sócio do AKP no governo até recentemente. Nos últimos seis anos, através dos meios de comunicação, agentes de polícia e dos fiscais-juízes sob o controle de Gülen, encaminharam operações contra os políticos curdos, organizações de esquerda, contra setores nacionalistas e militares; foram liquidados alguns setores da oposição ao governo. Em troca, os quadros do Movimento Gülen ganharam importantes cargos dentro da burocracia governamental.

O Cemaat é uma operação semi-secreta onde são treinados jovens em idade escolar secundária e universitária em “dershane” e são colocados dentro do sistema como juízes, advogados, militares e agentes de polícia. Eles, em troca de servir a Cemaat atuam em seu próprio interesse quando for necessário.

O chefe do Cemaat, Fethullah Gülen vive nos EUA e há rumores de que trabalha sob o controle da CIA. O Cemaat tem centenas de escolas e de “dershane/cursos privados” na Turquia, Rússia, nos países da Ásia, África e  EUA. Algumas de suas escolas na Rússia e na Ásia foram fechadas por acusações de que “abrigam atividades de espionagem a favor dos Estados Unidos”.

A primeira rusga entre o Cemaat e o AKP foi a reunião entre representantes do PKK e da Agência Nacional de Inteligência (MIT) que atuava em nome do governo do AKP em Oslo/Noruega. Isto é considerado contrário à lei e o Subsecretário do MIT foi posto sob investigação.

O Primeiro-ministro, alegando que os oficiais, fiscais e policiais que investigavam pertenciam ao Cemaat, tinham como verdadeiro objetivo o próprio Primeiro-ministro, impediu a investigação modificando a lei do MIT, estabelecendo que para investigar qualquer Secretário é obrigatório ter a autorização do Primeiro-ministro. Em conseqüência, o governo fechou os Tribunais de Foro Especial alegando que estavam sob o controle de Gülen, e trocou os cargos de uma grande quantidade de agentes de polícia. Isto foi seguido por uma ação legal para fechar os cursos privados (dershane), os quais são centros de percepção de poder econômico e de formação dos quadros do Cemaat.

O Cemaat se opôs aos fechamentos e conseguiu que o governo desse um passo atrás, postergando os fechamentos por outros dois anos.

O filho de Erdogan também está na lista da corrupção

Embora a operação começasse em 17 de dezembro, os efeitos ainda se sentem, o Escritório da Fiscalização acionou o botão para uma nova ronda de detenções como parte da investigação. Apesar dos novos chefes da polícia não seguirem as ordens da fiscalização  para custódias e registros domiciliários. A polícia do Cemaat já tinha sido substituída pela polícia do AKP.

A desculpa dada pela polícia foi que a operação e a investigação teriam que ser reportadas à superintendente da polícia e ao governador, e era necessário uma permissão assinada por eles.

O fiscal filtrou os detalhes da investigação aos meios de comunicação. Desta vez, o filho do próprio Primeiro-ministro Erdogan também estava na lista de suspeitos. Da mesma forma que na primeira, nesta investigação, estão relacionados políticos do AKP, burocratas e empresários próximos sendo acusados de subornos e corrupção.

Milhares estão nas ruas

Hoje em dia, em muitos distritos e muitas cidades do país, as massas estão nas ruas exigindo a demissão do governo.

O novo ministro do Interior é conhecido por ordenar o brutal ataque realizado pela polícia nas manifestações em Gezi, o ano passado, e nos últimos dias tornou, uma vez mais, a utilizar uma força desproporcional contra as manifestações.

A investigação de corrupção realizada três meses antes das eleições municipais, levou o governo para baixo. O primeiro-ministro está debilitado como “pato manco”. É provável que antes das eleições apareçam mais notícias e investigações sobre a corrupção do governo do AKP, e as dissidências havidas no AKP poderão dar lugar a uma mudança de equilíbrio no parlamento.

Nosso partido e o Partido Democrático dos Povos, a aliança política que nosso partido participa, convocam a opinião pública para exigir a demissão do governo e aumentar a luta por uma mudança verdadeira em marcha ao poder popular.

Emek
Partido do Trabalho

Depoimento de uma moradora despejada pela polícia na Mangueira

Mulher relata ação de destruição de casas na Mangueira. “Aqui não mora bicho não, aqui mora ser humano”, afirma a moradora.

Ex-presos políticos relatam horrores do Doi-Codi

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A Comissão Nacional da Verdade e as Comissões estadual e municipal de São Paulo entraram na área onde funcionou a Oban e o Doi-Codi do II Exército, entre 1970 e 1977, na rua Tutoia, em São Paulo, para realizar o reconhecimento formal do local como um centro de tortura, morte e desaparecimento de pessoas, visando acelerar o tombamento do conjunto para que no local seja erguido um memorial em homenagem às vítimas da ditadura. 52 pessoas foram assassinadas no local, muitas ainda desaparecidas.

A diligencia teve a presença do secretário de segurança de São Paulo, Fernando Grella Vieira, e do secretário de Cultura de São Paulo, Marcelo Araújo, e de seis ex-presos políticos que, neste vídeo, contam às autoridades e peritos da CNV presentes o Inferno que se passava no Doi-Codi do 2 Exército, no bairro do Paraíso, em São Paulo.

A CNV está preparando um laudo de reconhecimento de local para atestar formalmente que aqueles edifícios hoje ocupados por três diferentes áreas da Polícia Civil de São Paulo integravam o Doi-Codi de SP, o maior centro de tortura do país, por onde se estima terem passado 5000 pessoas.

Memória e Justiça foram temas de debate em Salvador

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Memória e Justiça foram temas de debate em Salvador Em comemoração do aniversário de 14 anos do jornal A Verdade em Salvador, Bahia, ocorreu com um debate sobre a luta pela Verdade, Memória e a Justiça no País, no Auditório do SINASEFE, seção Bahia. A atividade começou com saudações de Emanuela Rodrigues, Secretária- Geral da FENET, Israel Santana, da União da Juventude Rebelião, UJR, Aroldo Félix, do Jornal A Verdade e Claudiane Lopes do Partido Comunista Revolucionário. Estiveram presentes ainda Georges Rocha, Coordenador- Geral do SINASEFE, Vitor Aicau da Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas de Feira de Santana, Franscico Elano da União dos Estudantes Secundaristas de Santo Amaro e o Grêmio Estudantil do IFBA – Salvador. 

O debate foi iniciado com a apresentação do vídeo “Os nossos heróis”. Em seguida a mesa foi composta Carlos Marighella Filho e Ernesto Marques, representando o Deputado Estadual Marcelino Galo e também membro da Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa da Bahia.

Ernesto Marques avaliou que apesar do Brasil ter sido último país a organizar a sua Comissão da Verdade, “é necessário que cada democrata verdadeiro ocupe os espaços da criação das comissões da verdade no país. Este não é um trabalho fácil, já que a maioria das documentações dos presos políticos se encontra desaparecida, e, assim, a forma que termos de recontar a história é por meio dos valiosos depoimentos que temos realizados na comissão da verdade na Assembleia Legislativa da Bahia.”

Carlos Marighella Filho fez um importante pronunciamento afirmando que “Contar a história de Carlos Marighella e de Manoel Lisboa nesse momento é fundamental para fortalecer a vidas desses camaradas. A maioria da população em particular, a juventude, não conhece a sua história. O jornal A Verdade tem papel fundamental em escrever a histórias desses homens a sociedade, pois saber a verdade dos fatos, e divulgar para sociedade é a nossa missão”.
Ao longo dos 14 anos de vida do jornal A Verdade além de divulgar todas as ações das comissões da verdade, de exigir a punição dos torturadores, tem uma página especial para contar a história dos comunistas e revolucionários que lutaram contra a Ditadura e pela revolução em nosso país.

Claudiane Lopes, Salvador, Bahia

GM demite mais de 300 trabalhadores

gm_201401Os patrões da General Motors deram um cruel presente de ano novo para seus funcionários neste fim de ano. Mais de 300 trabalhadores receberam em suas casas o aviso de que estariam demitidos a partir do dia 31 de dezembro de 2013. Essa é uma medida que visa aumentar os lucros dos capitalistas e jogar sobre as costas dos trabalhadores todo o peso da crise que vive o sistema capitalista em nível mundial.

A General Motors, fabricante das marcas Meriva e Celta, foi uma das empresas mais afetadas pela crise econômica de 2008 e esteve mesmo à beira da falência. Um grande pacote de financiamento, isenções e investimentos diretos realizado pelo governo dos EUA com o dinheiro público deu novo folego para a empresa que voltou a disputar posições no mercado mundial.

O governo brasileiro também se apressou em socorrer a fábrica da GM em São José dos Campos e, através das isenções no IPI e de linhas de crédito especiais junto ao BNDES, fez parte do esforço de garantir os superlucros da empresa. O montante da ajuda do governo federal é estimado em até R$ 6 bilhões desde 2008, no entanto, de 2012 a 2013 a empresa já havia reduzido em 1.500 o número de postos de trabalho.

Após ter estabilizado seus balanços e recuperado sua capacidade produtiva, a empresa faz o que o próprio dos capitalistas, embolsa o lucro e demite gerando desemprego e dificuldades econômicas para toda uma região. Os capitalistas mostram como são radicais quando está em jogo a defesa de seus próprios lucros. Foram demitidos trabalhadores que por lei têm estabilidade, que sofrem de lesões por trabalho ou que estão na fase da pré-aposentadoria.

Portanto, a resposta dos trabalhadores não pode ser menos contundente. É necessária uma mobilização geral, que conte com a solidariedade dos metalúrgicos de todo o estado para impedir esse golpe preparado pela GM. Uma nova assembleia dos demitidos foi convocada para o dia 8 de janeiro e deve organizar a luta e a resistência.

Solidariedade aos Metalúrgicos da GM!

Nenhum trabalhador demitido! Movimento Luta de Classes São Paulo – MLC

Vianinha: A Arte é essencial para a Revolução

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VianinhaOduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, nasceu no mundo das artes em São Paulo, no dia 4 de julho de 1936. Aos três meses, figurou no filme “Bonequinha de Seda”, feito por seu pai, Oduvaldo Vianna, teatrólogo e cineasta, militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Sua mãe, Deoclécia, também era artista.

O “filho”, aliás, foi acrescido informalmente. Por equívoco, na certidão de nascimento consta apenas Oduvaldo Vianna, o mesmo nome do pai. Por isso, no Dops (por preguiça ou negligência) foi encontrada apenas uma ficha com anotação de atividades dos dois como se fossem uma só pessoa. Não é de surpreender, pois o que esperar de uma polícia política que durante uma das exibições da peça Liberdade, Liberdade (Millôr Fernandes), foi ao teatro prender um subversivo de nome Sófocles?1

Estudou Arquitetura somente até o 3º ano. Em 1954, ingressou, junto com Gianfrancesco Guarnieri (leia A Verdade nº 76) no Teatro Paulista de Estudantes (TPE). Sua concepção de arte formou-se a partir da influência do pai e do PCB, consequentemente, transformando-o em agitador cultural, pensador e militante contra o imperialismo. Era o povo brasileiro, nossa realidade que devia estar no palco. Sua referência cultura histórica: Bertolt Brecht (leia A Verdade, nº 153). Gritava Vianinha:  É preciso um teatro de criação e não de imitação do real; um teatro otimista, direto, violento, sátiro e revoltado como deve ser o povo brasileiro.

Esta linha de ação o conduz à fundação do Teatro de Arena, junto com Augusto Boal (leia A Verdade, nº 106), que colocou o povo no palco. Em 1958 estreou como autor com a peça Bilbao, Via Copacabana, atuou em Eles não Usam Black-Tie, de Guarnieri e fez A Mais-Valia Vai Acabar, Seu Edgar para apresentação em sindicatos, entidades de bairros, favelas, etc.

O Arena teve grande importância no Movimento Cultural Brasileiro, mas teve limites. Colocou o povo no palco, mas não o levou ao teatro. Por isso, Vianinha saiu para fundar o Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE); da fundação, além dele, participaram nomes de expressão tais como Guarnieri, Leon Hirszman e Carlos Estevam Martins.2

O CPC levou a arte para os bairros populares, favelas, escolas, sindicatos, para as ruas. As apresentações eram uma festa multicultural, com teatro, cinema, música, literatura de cordel, etc. No chão, em cima de caminhões, onde quer que fosse. O principal era o conteúdo e a participação, não a estética; sem desprezar, porém, a qualidade artística. Era a arte buscando água terra adentro, se encharcando no lodo, “indo aonde o povo está.”3   Entre as obras mais importantes de Vianinha, dessa época, estão a peça Brasil Versão Brasileira (1962) e Quatro Quadras de Terra (1963), com a qual foi agraciado em Havana com o Prêmio Latino-Americano de Teatro da Casa de Las Américas.

Arte de Resistência

vianinha 02Mas a noite de agonia sobreveio com o golpe de Estado de 1964, que instalou a Ditadura Militar, extinguindo organizações sindicais, populares e culturais. A UNE teve sua sede incendiada. Mas a arte não se calou. Os artistas de esquerda criaram o grupo Opinião, tendo à frente Vianinha, Paulo Pontes4 e Armando Costa5 e, até a edição do AI-5, o golpe dentro do golpe (13/12/1968), mantiveram razoável ligação com as massas, apesar de já haver repressão e censura. O foco agora era a luta por liberdade de expressão e tinha como base não apenas o proletariado, mas também a classe média. Apesar de várias obras censuradas, antes do fechamento completo, Vianinha recebeu prêmios do Serviço Nacional do Teatro (SNT) e o Molière6,com peças que só serão apresentadas anos após a sua morte, com a “abertura lenta, gradual e segura”.

Após o AI-5, não há como fazer arte com as massas. Esta reflui para os palcos. Por conta da repressão e também de fatores econômicos, o Opinião acaba. Vianinha e Paulo Pontes criam o Teatro do Autor, que se mantém como articulação informal até 1973.

Era preciso sobreviver em todos os sentidos. Uma fresta se abre com o convite da Rede Globo de Televisão para teatrólogos de esquerda como Dias Gomes, Vianinha, Paulo Pontes. Estes aceitam, vendo como oportunidade de manterem a si próprios e à arte, e de levar alguma mensagem ao povo por esse canal visto por milhões de pessoas em todo o país. Claro, tudo com muita habilidade e sutileza, seguindo a recomendação de Gonzaguinha na música Geraldinos e Arquibaldos: “No campo do adversário, é bom jogar com muita calma, procurando uma brecha pra poder entrar…”.

Para a televisão, Vianinha adapta clássicos do teatro, como Medéia, e produz um seriado de muito sucesso, A Grande Família, junto com Paulo Pontes, Armando Costa e Max Nunes.­Há alguns anos, o seriado foi retomado, com alterações, e continua em exibição.

A obra-prima de Vianinha foi Rasga Coração, que ele terminou ditando para sua mãe, no leito de morte, que ocorreu prematuramente, aos 38 anos, vítima de câncer pulmonar, no dia 16 de julho de 1974. Para essa peça, ele deixou um prefácio, no qual afirma o que pretendia com ela: “…Rasga Coração é uma homenagem ao lutador anônimo político, aos campeões das lutas populares; preito de gratidão à velha guarda, à geração que me antecedeu, que foi a que politizou em profundidade a consciência do país. (….) Em segundo lugar, quis fazer uma peça que estudasse as diferenças entre o novo e o revolucionário. O revolucionário nem sempre é novo e o novo nem sempre é revolucionário”.

Paulo Pontes, grande parceiro e amigo, avaliou da seguinte forma a obra de Vianinha: “…Toda a vastíssima produção cultural saída desse período particularmente feliz da cultura brasileira, quando a melhor energia criadora do país se unia aos interesses sociais mais legítimos do povo, recebeu, de alguma forma, o sopro da inteligência criadora de Oduvaldo Vianna Filho. Eram dezenas de peças, peças curtas, filmes, espetáculos de rua, shows, debates e conferências nascidos da perspectiva de que o intelectual do país subdesenvolvido tem que refletir e criar sobre as condições reais da existência do povo. E, sem dúvida, Vianinha foi o grande arquiteto dessa perspectiva em sua geração, pensando e criando, discutindo e organizando, prevendo e estimulando”.

A Arte é essencial para a Revolução

Engana-se quem pensa que a adesão consequente das massas à revolução e à construção do socialismo dar-se-á apenas a partir das lutas pela solução dos problemas gerados pelo capitalismo, e pelo estudo da teoria marxista. Claro que estes são dois aspectos fundamentais. Mas não bastam. A adesão precisa contar também com o sentimento, com a emoção, como muito bem definiu Che Guevara, ao dizer que o revolucionário é movido por profundos sentimentos de amor. Amor pelo oprimido, amor que o faz sentir um arranhão imposto pelos opressores, pelas classes dominantes, a uma pessoa em qualquer parte do mundo.

E quem molda mais a emoção do que a arte, em todas as suas formas? Quem nunca chorou ou presenciou alguém chorar diante de uma tela de cinema, de televisão, ou no teatro, ante o sofrimento de uma personagem com quem se identifica?  Ou se alegrar com suas vitórias? Passar horas comentando o comportamento das personagens nas novelas?

Historicamente, a arte teve papel fundamental tanto nos períodos revolucionários como na construção do socialismo na União Soviética, na China, em Cuba, etc. Várias dessas experiências e de artistas revolucionários do teatro, do cinema, da poesia, do romance, temos lembrado no jornal A Verdade.

Mas tudo parece servir apenas de leitura, e nenhuma influência tem na prática. Por que as entidades estudantis, sindicais, populares, as organizações revolucionárias da juventude não realizam mais atividades culturais; não eventualmente, mas de modo permanente, estratégico? Onde estão os festivais de música, poesia, teatro e dança?  Cadê a agitação cultural?

A arte, entretanto, não morreu. Está mais viva do que nunca do centro à periferia, nas cidades e no campo. Só que, por falta de uma direção revolucionária, está sendo distorcida, manipulada, cooptada pela burguesia com seus poderosos meios de comunicação. A classe dominante não é besta; sabe que é preciso conquistar mentes e corações e prioriza isso tanto quanto o financiamento das campanhas eleitorais para eleger suas marionetes ou fortalecer o aparelho repressor. Ganha audiência e muito dinheiro com tudo isso e fortalece seu domínio na sociedade.

Que o exemplo de artistas como Vianinha contribua para esse despertar! Tarde, não é. E mesmo que fosse, diz a sabedoria popular que “antes tarde do que nunca”! Então, vamos estimular o desabrochar de mil flores para o jardim das artes e da cultura popular e socialista em nosso país!

José Levino,
historiador

Notas:

1 Sófocles foi um dramaturgo grego que viveu do ano 496 a 406 antes de Cristo, autor de Édipo Rei e Antígona, que retratam a ação da Nobreza e da Realeza na Grécia.

2 Carlos Estevam Martins nasceu em 1934, foi o primeiro diretor e autor do Manifesto de lançamento do CPC da UNE. É sociólogo, professor da USP.

3 Verso da composição Nos Bailes da Vida, de Milton Nascimento e Fernando Brandt

4 Paulo Pontes, dramaturgo paraibano, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde produziu várias peças e outros trabalhos com Vianinha, Chico Buarque e outros parceiros. Foi casado com Bibi Ferreira. Viveu de 1940 a 1976.

5 Armando Costa, Rio de Janeiro (1933-1984), escreveu várias obras em parceria com Vianinha e Paulo Pontes.

6   O PrêmioMolière foi criado em 1963 e existiu até 1991, premiando melhor diretor, autor, ator e atriz no Rio de Janeiro e São Paulo. Era patrocinado pela empresa aérea Air France e se constituía num marcante evento cultural.