Sem Metrô, São Paulo pára. Mas a maior cidade do país pode efetivamente parar na próxima quinta-feira, dia 05 de junho, por conta da irresponsabilidade e intransigência do governo do Estado de São Paulo. A campanha salarial dos trabalhadores metroviários segue firme e pode decidir pela greve geral da categoria em assembleia que será realizada amanhã.
Após anos de direitos negados, os metroviários estão decididos a conquistar a pauta de reivindicações que é fundamental para a qualidade do sistema de transporte paulistanos. Entre as reivindicações, está a exigência de novas contratações pois praticamente todas as estações trabalham com um quadro reduzido de profissionais, resultando em situações de perigo para os usuários do Metrô. Os trabalhadores também exigem o pagamento de adicional de periculosidade para quem lida com estações superlotadas e atende a milhares de usuários todos os dias.
Preocupados com o atendimento à população, os metroviários decidiram em assembleia trabalhar durante a greve, desde que o governo do estado libere as catracas, estabelecendo o passe-livre no transporte enquanto o movimento paredista durar. A resposta do governo do estado, no entanto, foi negativa, provando que seu compromisso é apenas com o lucro e não em oferecer transporte para todos que precisam.
A greve dos metroviários se somará às greves de dezenas de outras categorias que ocorreram ou ainda ocorrem em São Paulo, como os Rodoviários, trabalhadores da Limpeza Urbana e professores da Rede Municipal.
A notícia pegou a todos de surpresa. A ressaca eleitoral ainda seguia dando o que falar às elites políticas enquanto um dos partidos da oligarquia, o PSOE, se debate na realização de um Congresso Extraordinário e um processo de eleições primárias para estancar a sangria de votos. Tudo parece indicar que o regime formado sobre a constituição de 1978 vai desmoronando em um ritmo frenético.
O 22 de março é um marco,quando centenas de milhares de pessoas inundaram as ruas de Madri no acontecimento político mais importante para a esquerda de nosso país nos últimos anos: as marchas da Dignidade; Colunas de trabalhadoras e trabalhadores, vindos de todos os rincões da Espanha, confluíram na capital. A unidade popular foi construída em torno das demandas de Pão, Teto e Trabalho. Um inimigo estava identificado, o regime.
Um dia depois, morria Adolfo Suárez, pai da Transição e um dos protagonistas (junto com Juan Carlos I) da consolidação do novo Estado saído do franquismo: uma monarquia parlamentar com uma democracia de baixa intensidade, que deixava assegurado o poder da oligarquia espanhola. Todos os burgueses fizeram fila ante o cadáver de Suárez em uma encenação a qual ninguém mais acreditava. A farsa do regime ficava evidente ante milhões de cidadãos.
Por último, as eleições europeias significaram um duro golpe nas aspirações da oligarquia. Seus partidos, PP e PSOE, já não somam nem a metade dos votos, fato inédito desde o início desta monarquia parlamentar. Além do que, as forças da esquerda e do campo popular irromperam com uma grande percentagem dos votos, abrindo caminho para um futuro eleitoral exitoso para as organizações democráticas e progressistas. Da mesma maneira, os partidos soberanistas se impuseram na Catalunha (Barcelona) e no país Basco (Euskadi), dinamitando o debate territorial.
Após a renúncia do rei, as pessoas perguntam: o que vem depois? É evidente que estamos diante de um momento de exceção no país. Os consensos políticos que durante mais de 30 anos imperaram na Espanha ficaram caducos. As vozes que exigem mudanças se tornaram um clamor. No entanto, devemos estar prevenidos e evitar um possível passo em falso. Não podemos permitir uma segunda transição que passe pela nomeação de Felipe VI como rei da Espanha, nem tampouco da formação de uma grande coalizão entre as forças políticas do regime que dê uma saída ao colapso, possibilidade mais que real após as declarações dos dirigentes do PP e do PSOE.
É a hora do povo e da classe trabalhadora. Só com a unidade poderemos dar um golpe definitivo e derrubar o regime. É o momento de abrir um processo constituinte onde seja possível mudar tudo: a forma do Estado, o modelo territorial, o avanço dos direitos democráticos, o sistema econômico. Em definitivo, é o momento de decidir nosso futuro.
A Terceira República se aproxima: Depende de nós que se converta em um grito unânime!
A Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva- SP realizou no dia 30 de maio uma audiência pública sobre os problemas causados à educação brasileira pela ditadura militar brasileira. O objetivo foi o de mostrar a atuação de educadores a serviço da visão fascista da ditadura e dos formuladores de uma política autoritária e elitista, que atingiu profundamente as gerações futuras da nossa sociedade.
No período da manhã, o Prof. Dr. Luis Antônio Cunha fez um destaque importante sobre a simbiose entre Estado e Capital na educação, lembrando que isto não foi inventado pela ditadura, mas foi intensificado neste período, com politicas públicas que tem seus efeitos até hoje, como o próprio PROUNI, em que se paga com dinheiro privado a escolas particulares, sob a alegação de favorecer os jovens que não conseguem acesso nas universidades públicas (mas caso se levassem estes recursos líquidos para as universidades federais, seria possível dobrar o número de vagas ofertadas) entre outras questões, citou também a compulsória profissionalização do Ensino Médio ocorrida no período.
A Prof.ª Dr.ª Circe Bittencourt (USP/PUC-SP) falou sobre “Ensinar História após a ditadura militar” e destacou como primeira medida da ditadura contra o estudo mais crítico da história a prisão de todos os autores da Coleção História Nova. Citou também a prisão de tantos professores como Caio Prado Junior. A professora fez uma análise de como isso reflete hoje no papel do professor em sala de aula, que não é mais um intelectual, mas que muitas vezes, segue na íntegra, o material didático que lhe é ofertado, por pior que seja o material. Este quadro de “deformação” na formação de professores, leva anos, para ser revertido.
No período da tarde, todas as falas convergiram na tentativa de demonstrar de que maneira foi engendrada a inserção das doutrinas e dos princípios elaborados pelos militares com uma finalidade: regenerar moralmente, por meio da via Educacional, os indivíduos e combater o inimigo. E quem era esse inimigo: o comunismo.
Tratava-se da tentativa de extirpar, através da introdução das disciplinas de Educação Moral e Cívica, Organização Política e Social Brasileira e dos Estudos Sociais, a ideologia comunista. Portanto, era urgente proteger o Brasil, pois se tratava de um risco à ordem, à moral, à disciplina, às famílias e à propriedade. Enfim, era um risco ao projeto elitista e excludente, que ainda está em curso nos dias atuais.
Sendo assim, os militares aniquilaram os movimentos educacionais e populares que estavam em curso naquele momento histórico. Além disso, consolidaram a já existente Escola Superior de Guerra, com o intuito de elaborar conteúdos que tivessem “embasamento e força de ciência”, para respaldar o monopólio da força utilizada para efetivar a “limpeza” do Brasil.
Em audiência na Comissão da Verdade Rubens Paiva, da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), no último dia 30 de maio, o professor da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Wagner da Silva Teixeira, apontou os danos causados pelo golpe de 1964 na educação brasileira. De acordo com ele, a tomada do poder pelos militares interrompeu a alfabetização de adultos no país por dois anos, o que só voltaria a ocorrer em 1966.
O Plano Nacional de Alfabetização (PNA) do Governo João Goulart estava para ser implementado, em fase de treinamento de aproximadamente mil monitores. Com o golpe, o PNA foi cancelado e os mentores passaram a ser perseguidos. Segundo o professor, o objetivo do governo eleito era alfabetizar, em 1964, 5 milhões de brasileiros.
“Obviamente isso assustou setores mais conservadores da sociedade. Qual seria o impacto das eleições presidenciais de 1965, com mais cinco milhões de eleitores, o que elevaria o número de eleitores de 12 milhões para 17 milhões?”, indagou Teixeira à Comissão da Verdade.
Mas não só o plano de alfabetização foi cancelado. Movimentos sociais que realizavam programas de alfabetização foram reprimidos, sob a justificativa do regime então vigente, de que eram subversivos e doutrinavam a população com ideais de esquerda. Entre os movimentos perseguidos – nos quais o PNA de Jango se apoiou – estavam o Movimento de Cultura Popular (MCP), encabeçado pelo então governador de Pernambuco, Miguel Arraes; e a campanha “De pé no chão se aprende a ler”, fruto da ação do prefeito de Natal, Djalma Maranhão.
De acordo com o pesquisador, no dia do golpe, dois tanques foram colocados no Sítio Trindade, sede do MCP. O local foi invadido, depredado, o material pedagógico apreendido como prova de subversão e instaurado um inquérito policial militar.
“Um grande dano foi esse: a destruição de toda essa experiência riquíssima. Uma segunda consequência foi a prisão, o exílio de diversos educadores e de lideranças ligadas aos movimentos. Pessoas que eram comprometidas com a alfabetização de adultos. A prisão do Paulo Freire é um exemplo, mas há outros que foram expulsos ou não atuaram mais na alfabetização de adultos”, destacou.
Logo depois do golpe, o ministro da Educação de Jango, Júlio Furquim Sambaquy, teve os direitos políticos cassados, e todas as portarias do ministério foram revogadas, “dizendo que a política de educação do Governo Goulart era subversiva e não servia ao novo governo”, ressaltou o pesquisador.
“Houve paralisação completa, por dois anos, de qualquer ação do governo federal no âmbito da alfabetização de adultos. De 1964 a 1966 o governo federal não fez nada, tamanha a preocupação de setores conservadores nessa área. Precisou a ONU e a Unesco chamarem a atenção do governo para que em 1966 passasse a apoiar a Cruzada ABC de Alfabetização e, em 1967, criasse o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral).
Na última quinta-feira, 22 de maio, com auditório lotado em um dos maiores centros de referência da área jurídica no país — a Faculdade de Direito da UFRJ — o caso da morte de Santiago Andrade foi rediscutido em um júri simulado com personalidades do direito penal e da sociedade carioca Fábio Raposo e Caio Souza ambos com 22 anos, um residente do Méier, outro de Nilópolis, foram denunciados por crimes de explosão e homicídio doloso triplamente qualificado com impossibilidade de defesa da vítima e com emprego de explosivo.
Após um julgamento midiático ferrenho, linchamento público e a criminalização direta das manifestações, a situação amplamente divulgada pela mídia levou o Senado a acelerar a votação da Lei Antiterrorismo, que poderia dar pena de até 40 anos a manifestantes violentos.
Por mais de 4 anos, a justiça do Equador, manipulada pelo presidente Rafael Correa, perseguiu a professora e ex-presidente da União Nacional dos Educadores – UNE, Mery Zamora. Sob o pretexto dos acontecimentos de 30 de Setembro de 2010, quando uma manifestação popular ocorrida em várias provinciais pôs em cheque o governo, buscava-se calar a voz de uma mulher, mãe e professora que desafiou o poder quando foi presidente da UNE e dirigente do Movimento Popular Democrático – MPD. Hoje, essa mesma justiça, através do Tribunal da Corte Nacional de Justiça, extingue a ação declarando a inocência de Mery Zamora.
Segundo Luís Villacis, presidente do MPD, Mery Zamora sempre foi inocente. Imputaram-lhe um delito que não cometeu em um claro exemplo de criminalização dos lutadores sociais, uma política de Estado no país. Fica desmascarado a submissão da justiça que, a amigos do Presidente, ex-ministro acusados de corrupção o sentenciam a apenas 3 meses e multa de 190 dólares pelo crime de peculato, enquanto o mesmo Tribunal Penal de Guayas havia condenado Zamora a 8 anos de prisão.
Mery Zamora é uma professora que nos ensinou com o exemplo. Sua inocência deixa claro a justeza da lua do MPD e dos dirigentes sociais perseguidos. Luís Villacis agregou que em várias cidades como Guayaquil, Machala, Portoviejo, Cuenca, etc se realizaram plantões de solidariedade com Mery Zamora. Segundo Vilacis, o MPD está hoje mais unido e disposto a continuar com o exemplo de homens e mulheres valente que não têm medo do poder, a luta continua em defesa dos presos e perseguidos políticos do governo de Correa, pela educação e saúde, em defesa da água, contra a política extrativista, em defesa dos direitos humanos, por el Yasuni, etc.
Para Zamora, “em mais de uma ocasião demonstrei a Rafael Correa minha dignidade e valentia para enfrentar as agressões de um estado autoritário, o ódio político de um presidente que pretende eternizar-se no poder e que hoje, a revolta popular, as contantes denúncias de violação dos Direitos Humanos, a resistência e a luta dos que pensam diferente vêm dando seus frutos”.
Em assembleia geral dos motoristas e cobradores de ônibus na cidade de Salvador ocorrida na última terça-feira, dia 26 de maio, os trabalhadores rodoviários decidiram pela deflagração da greve da categoria.
A partir das 15h, a diretoria do Sindicato dos Rodoviários, reuniram–se no auditório do Sindicato dos Eletricitários da Bahia – SINERGIA, para discutir a proposta dos empresários de ônibus e da Prefeitura.
Nesta mesma hora, vários trabalhadores estavam no estacionamento esperando a diretoria debater com todos à proposta para ser levada à reunião que aconteceria logo mais com sindicato patronal. Com muita disposição erca de quatro mil trabalhadores estavam presentes e continuaram no local até noite.
A assembleia ocorreu e foi organizada pelos próprios trabalhadores sem a presença da direção do sindicato. Por volta das 18h, os trabalhadores ouviram através de uma entrevista em uma rádio que o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Hélio Ferreira, fechou uma proposta rebaixada que não foi pleiteada pela categoria.
Revolta, indignação e desrespeito foram às palavras que vários trabalhadores descreveram sobre o acordo que foi fechado com empresários. Diante disso decretaram greve por tempo indeterminado. A partir das 19 horas foi iniciado o processo de paralisação dos ônibus e os motoristas e cobradores se encaminharam para o local da assembleia.
O motorista Renivaldo Santana relata assim a situação: “Cheguei ao local no horário que assembleia foi marcada, às 15h, a diretoria do sindicato estava no auditório, eles saíram com vários seguranças e não falaram com a categoria e mais tarde nós recusamos a proposta do patronal, pois não atendia as nossas reivindicações”, afirma.
Os rodoviários reivindicam 15% de aumento salarial, o valor de R$ 22,00 reais no ticket alimentação, a diminuição da jornada de trabalho de 8 para 6 horas e a retirada do intervalo de 1 hora. O sindicato fechou a proposta de um aumento salarial de 9%, a diminuição da jornada de trabalho de 8 para 7 horas, e um aumento de 0,85 no ticket alimentação.
A partir das 21 horas todos os ônibus já estavam parados na cidade soteropolitana, a maioria da população foi embora para suas casas de mototáxi, a pé ou de carona. A assembleia continuou e os trabalhadores estavam esperando algum representante do sindicado para explicar o acordo que foi fechado com os empresários.
A partir das 22 horas com o estacionamento lotado, apareceram dois advogados do sindicato para dar informe da reunião que ocorrera a tarde. O informe que foi dado foi apenas para justificar a atitude que os diretores do sindicato cometeram, além de deram várias justificativas jurídicas para confundir e amedrontar os trabalhadores dizendo que se a greve continuar teria encaminhamentos para a justiça.
Os trabalhadores não foram convencidos pelos advogados e reafirmavam todo momento com palavras de ordem, “O rodoviário parou, O rodoviário parou”. A maioria dos motoristas chamou o presidente do sindicato de traidor.
“Estou na greve pela minha insatisfação nas condições de trabalho e a luta dos meus companheiros”, disse Juliana Marques cobradora de ônibus. O sentimento de união e de solidariedade é muito grande no movimento grevista.
Pela manhã, não foi visto nenhum ônibus circulando pela cidade. Os rodoviários continuam em assembleia permanente no mesmo local, e até o instante não tem nenhuma reunião marcada com o movimento grevista e os empresários de ônibus. Em outras palavras, a greve continua!
Fruto de ensaios e experimentações, Espelhos traz uma reflexão sobre o fazer teatral, a partir das experiências, desejos e questionamentos dos próprios membros do grupo, que buscaram assim desenvolver uma dramaturgia própria. Os atores são eles mesmos, atores num processo de montagem/ensaio, e são outros que aparecem e desaparecem no decorrer do espetáculo. As apresentações acontecem nos dias 30 e 31 de maio, às 20h, no Mini-Teatro Paulo Pontes (anexo ao Teatro Municipal Severino Cabral) em Campina Grande.
“Espelhos” é o primeiro espetáculo fruto do MASKE – Núcleo de Pesquisa e Experimentação Teatral – fundado em Campina Grande, em 2012. O espetáculo trabalha com a narração e a interpretação, o mostrar e o contar são mesclados o tempo inteiro em cena, e como se trata de um espetáculo que fala de teatro, são utilizados tipos que podemos encontrar no meio teatral, bem como na vida de uma forma geral, assim temos a grande DIVA do teatro, O GRANDE ATOR, A QUE SONHA tornar-se uma grande atriz, O QUE BUSCA a experiência teatral, AQUELE QUE NÃO SABE ainda o que faz neste meio, o QUESTIONADOR que está em permanente provocação de reflexões sobre o fazer teatro, e o DIRETOR.
Todos esses tipos se mesclam também a personagens, como o pai que questiona a escolha do filho em prestar vestibular para Artes Cênicas, o jogo com máscaras brincando com os tipos da Comédia Dell’art, além do jogo com as energias da queixa e do samurai, exercícios de trabalho teatral ligados a Antropologia Teatral proposta por Eugênio Barba.
Os atores em cena expressam seus anseios, seus desejos, alegrias e frustrações de uma maneira poética utilizando do teatro para falar de si mesmo e do próprio teatro, questionando suas formas e técnicas, utilizando assim a metalinguagem.
O MASKE é formado pelo encenador Claudivam Barbosa, pelos atores Gedeão Ferreira, Irene Ponciano, Rodrigo Yankovic, Rumennig Tavares, Samantha Pimentel, Marcos Moraes, Ivanneide Ouriques, pelos colaboradores Jefferson Souza (figurino) e Mayara Silveira (Design gráfico e fotografia).
Os ingressos para as apresentações custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada).
Os jovens Heitor Aquino, Ian Caetano, e João Marcos, militantes da Frente de Luta pelo Transporte de Goiás, foram presos de maneira arbitrária na última sexta-feira (23) e se encontram presos até hoje. Outro membro da Frente, Tiago Madureira, teve prisão decretada pela mesma operação desatada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (D.R.A.C.O). A operação se chama 2,80 em referência à luta contra o aumento da passagem.
Nenhuma prova material foi apresentada pelos policiais para a detenção dos militantes. Apenas panfletos e materiais de propaganda foram encontrados nas casas. As duas testemunhas listadas pelo delegado na ação que pede a prisão preventiva dos acusados são dois funcionários das próprias empresas de ônibus que aumentaram o preço da tarifa e eram alvos das manifestações.
Na verdade, essas prisões se inserem no clima de terror social que o Estado quer implantar durante todo o período de realização da Copa, para que as manifestações populares, greves e reivindicações seja intimidadas.
É preciso realizar a solidariedade com os militantes presos para barrar o crescimento da repressão e da criminalização dos movimentos sociais em nosso país. Abaixo, anexamos a cópia do mandato de prisão expedido pela sétima vara criminal de Goiânia, onde está expressa a tentativa de tornar crime o protesto social.
No dia 23 de maio, o Sindicato dos Trabalhadores nas empresas de Limpeza Urbana do Estado de Pernambuco (Sindlimp-PE) paralisou as atividades da empresa Vital Engenharia Ambiental (responsável por 80% dos serviços de limpeza na capital pernambucana). O motivo foi a demissão de um dos diretores do Sindlimp-PE, Júlio Eugênio da Silva. A manifestação começou às 5h e durou até às 8h, impedindo a saida de caminhões e das equipes de limpeza e varrição.
Júlio Eugênio da Silva é funcionário da empresa Vital Engenharia Ambiental e diretor do Sindlimp-PE. Durante a greve dos garis, que ocorreu em março deste ano, ele foi escolhido pelos seus colegas de trabalho para representá-los na comissão de negociações com a empresa, já que os patrões se recusavam a negociar com o Sindlimp e fecharam o acordo com o sindicato de asseio e conservação (Stealmoaic). Acontece que, assim como a maioria absoluta dos funcionários, Júlio denunciou a traição do Stealmoaic que aceitou apenas 2% de reajuste salarial e foi contra o acordo. “A justificativa dada foi a diminuição do quadro de funcionários, mas, o motivo verdadeiro é que eu lutei pelo salário justo dos funcionários, confrontei os representantes da Vital nas reuniões. Por ter falado a verdade eles me demitiram”, declarou Júlio.
A demissão ocorreu no dia 7 de maio e segundo José Alexandre, presidente do Sindlimp-PE, a empresa tem até o dia 12 de junho, abertura dos jogos da Copa do mundo para reintegrar o diretor do sindicato, “caso contrário, vamos paralisar as atividades. Não interessa se é Copa ou não”.
A manifestação contou com a solidariedade de vários dirigentes sindicais e lideranças populares. Estiveram presentes representantes do sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Urbana da Paraíba, Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Fiação e Tecelagem de Ipojuca-PE, Sindicato dos Trabalhadores no Comércio Informal de Recife, Sindicato dos Operadores de Telemarketing de Pernambuco-PE, Sindicato dos Motoristas e Auxiliares de Entrega da Paraíba e CUT-PE. O protesto também contou com o apoio de diretores da União dos Estudantes de Pernambuco e militantes do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas.
Os trabalhadores aproveitaram ainda a ocasião para denunciar que a Vital Engenharia tem negociado com o Stealmoiac contra a vontade dos funcionários: “Nosso sindicato existe há 12 anos e esse ano a justiça reconheceu nosso direito em representar a categoria. Infelizmente, o Ministério do Trabalho ainda não cumpriu a decisão da justiça e a Vital está negociando apenas com o Stealmoiac, que tem compactuado com as decisões dos patrões”, disse o presidente do Sindlimp-PE.
Ao final do protesto os trabalhadores encerraram dizendo que “o Recife poderá passar os jogos do Mundial dentro do lixo”!
Thiago Santos Coordenador do Movimento Luta de Classes (MLC)
O militante dos Direitos Humanos Roberto Monte e o Comitê Estadual pela Verdade do Rio Grande do Norte lançarão no próximo dia 30 de maio, às 18 horas, no Instituto Federal do Rio Grande do Norte – IFRN (Campus Cidade Alta), o vídeo que conta a história de Emmanuel Bezerra dos Santos, dirigente do Partido Comunista Revolucionário, sequestrado e assassinado pela ditadura militar.
Na praia de Caiçara, município de São Bento do Norte (RN), dia 17 de junho de 1943, nasceu Emmanuel Bezerra dos Santos, filho do pescador Luís Elias dos Santos e Joana Elias Bezerra. Líder estudantil no Colégio Atheneu e na Fundação José Augusto, onde cursou Sociologia, foi também presidente da Casa dos Estudantes de Natal, onde moravam os estudantes pobres do interior que iam tentar a continuidade dos estudos. Teve presença marcante não apenas pela militância política. Atuou na vanguarda dos movimentos culturais natalenses como poeta, crítico literário e organizador de grupos e associações.
Emmanuel organizou a bancada potiguar ao histórico congresso da UNE de 1968, em Ibiúna (SP). Nesse congresso foi preso e teve seus direitos estudantis e políticos cassados com base no famigerado decreto nº 477, da ditadura militar, que proibia aos estudantes o exercício de atividades políticas nas escolas e universidades. A prisão de seis meses não enfraqueceu o jovem líder, que manteve elevados o ânimo e a certeza na mudança da sociedade ( V. no box, poesia de sua autoria, escrita no cárcere).
Tão elevados que, ao sair, ingressou no Partido Comunista Revolucionário – PCR. Dirigiu o comitê universitário, passou a atuar na clandestinidade em Pernambuco e Alagoas, e em pouco tempo integrou o Comitê Central, dada a sua “dedicação, honestidade, firmeza ideológica e aprofundamento dos conhecimentos teóricos”.
Unir os movimentos anti-imperialistas
No início de agosto de 1973 o PCR enviou-o para Argentina e Chile, com a missão de contatar revolucionários brasileiros e organizações de esquerda latino-americanas, com o fim de construir um processo de unificação do movimento anti-imperialista no continente. Foi preso na fronteira, em meados de agosto, provavelmente pela Interpol e pela polícia brasileira (na época as polícias políticas sul-americanas agiam articuladamente, através da Operação Condor (V. A Verdade n.º 7 ). Nas mãos do DOI/Codi, órgãos da repressão política do Exército, padeceu violentas torturas, até ser morto. Não deu uma informação, sequer. Coerente com o lema que defendia, “delação é traição”, morreu como herói do povo para manter vivo o Partido.
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