Lutas e perspectivas dos diversos setores dos trabalhadores frente à crise
O capitalismo, em nível mundial, atravessa uma das mais profundas crises de sua história, fazendo recair sobre as costas dos trabalhadores o seu peso: demissões massivas, ataques generalizados aos sindicatos, cortes nos benefícios sociais, legalização de terceirizações, repressão e prisão de ativistas e dirigentes sindicais; tudo para impor suas medidas reacionárias.
Mas os trabalhadores e o conjunto dos povos desenvolvem a luta para deter esta ofensiva. Como parte da organização e unidade necessárias do conjunto dos trabalhadores da América Latina e do Caribe para compartilhar experiências, aprofundar nossas lutas e a tarefas internacionalistas e deter a ofensiva dos capitalistas e seus governos, vêm desenvolvendo um sindicalismo de classe na luta por nossa emancipação.
Nos dias 04, 05 e 06 de outubro de 2013, será realizado, na Cidade do México, o IX Encontro Latino-Americano e Caribenho de Sindicalistas, com o tema geral “Lutas e perspectivas dos diversos setores dos trabalhadores frente à crise”, com os subtemas: reformas trabalhistas, migrantes, jovens trabalhadores, mulheres trabalhadoras e privatizações.
Este encontro, ante a ofensiva da classe dominante e seus governos contra os trabalhadores é uma necessidade, no sentido de contarmos com uma instância de debate para a classe trabalhadora e os trabalhadores em nível continental, que possibilite discutir os problemas, as dificuldades e, ao mesmo tempo, as tarefas que temos para enfrentar a política neoliberal em cada um dos nossos países, emanada pelo imperialismo e aplicadas pelos diferentes governos burgueses, responsáveis pela miséria e a pobreza a que são submetidos a classe operária e os povos da América e do mundo.
Comitê Preparatório Internacional: União Geral de Trabalhadores do Equador (UGTE); Movimento Luta de Classes (MLC – Brasil); Coletivo Sindical Guillermo Marín (Colômbia); Movimento de Trabalhadores Independentes (MTI – República Dominicana); Movimento Gayones (Venezuela); Batalha Operária (Haiti); Coordenação Caribenha e Latino-Americana de Porto Rico; México: Aliança de Ferroviários do México, Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Nacional Autônoma do México (STUNAM), Coordenação Nacional de Trabalhadores da Educação, Sindicato Independente Democrático de Trabalhadores do Metrô, Movimento Nacional Petroleiro (UGTM), Sindicato Democrático de Trabalhadores da PGDF, Movimento Nacional Petroleiro Artigo 27, Sindicato Livre de Trabalhadores do Metrô, Sindicato Democrático do Heroico Corpo de Bombeiros, Grupo de Economia do Trabalho da Faculdade de Economia da UNAM, Movimento de Trabalhadores Revolucionários, União Geral de Trabalhadores do México, União de Trabalhadores Eventuais Industriais, Liga Sindicalista de Operários da Construção, Sindicato Único de Distribuidores de Bares e Cervejarias de San Blas Atempa, Sindicato Único de Trabalhadores do Serviço do Aglomerado Ricardo Flores Magon, Sindicato Único de Trabalhadores do Serviço de Hiperfiltração de Oaxaca Sergio Barrios, União de Trabalhadores do Serviço do Estado Brigadas Móveis, Coalizão de Agentes de Limpeza Urbana da Cidade de Oaxaca, Movimento Nacional Organizado “Aqui Estamos”, Frente Popular Revolucionária (FPR), Partido Comunista do México (marxista-leninista) (PC de M (m-l))
“Meninas e bonecas”. É assim que um grupo de garotas se apresenta pra pelada. Depois de serem expulsas da rua, ela retornam pro campinho improvisado e ocupam a pequena área. Roteiro e direção de Anderson Lima.
O Estado de Pernambuco foi condenado pela 1ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) a pagar uma quantia de R$ 100 mil por danos morais a Maria das Dores Gomes da Silva (ex-mulher do dirigente do PCR Amaro Luiz de Carvalho), por ter sido presa, estuprada e torturada durante a Ditadura Militar, no Recife. O valor ainda deve ser acrescido de juros e correção monetária, além de outros R$ 2 mil referentes ao pagamento das custas e honorários advocatícios.
Maria das Dores ficou presa durante 22 dias, depois de ter sido detida ilegalmente por agentes da Polícia em novembro de 1969, de acordo com o Tribunal de Justiça de Pernambuco.
Em 24 de agosto de 1971, ela voltou a ser presa pelo Departamento de Ordem Política e Social da Secretaria de Segurança Pública (DOPS) para prestar depoimento sobre a morte do seu marido. “Ela foi presa na época da repressão, foi estuprada na delegacia, fizeram miséria com ela. Ela era uma pessoa humilde, do campo, e estava como ativista fazendo companhia ao marido”, afirmou o advogado de Maria das Dores, Antônio Ferreira da Costa Neto. Ele acrescenta que a causa da morte de Amaro pode ter sido por envenenamento, enquanto também esteve preso.
O 19⁰ Grito dos excluídos foi construído em Natal a partir da constituição do Fórum Potiguar de Lutas. Diversos partidos de esquerda, entidades e movimentos sociais participam deste fórum e foram responsáveis pela organização das últimas manifestações realizadas no RN.
Por conta das mobilizações e com medo de protestos as chamadas autoridades diminuíram o percurso do desfile militar e retiraram os estudantes das escolas que tradicionalmente participavam dos desfiles do 7 de setembro.
A concentração do ato aconteceu às 9 horas da manhã do dia 7 de setembro em frente a catedral da cidade. Em seguida a passeata seguiu em direção a praça cívica, local do desfile, com cerca de 800 pessoas.
Entre falas e palavras de ordem as denuncias sobre a submissão do nosso país frente aos grandes monopólios, do domínio dos grandes bancos, pagamentos da dívida pública e dos leilões do petróleo deram o tom do ato. Também foram lembrados os companheiros e companheiras que defendendo a verdadeira independência do país lutaram contra a ditadura militar e por isso foram perseguidos e assassinados pelos lacaios do imperialismo.
Entretanto já próximo de ser encerrado o ato nos deparamos com a verdadeira face das “autoridades”. Como já era de se esperar a ordem não podia ser outra senão a repressão as manifestações como aconteceu em todo país. A polícia avançou sobre os chamados “mascarados” com toda truculência e o conjunto dos participantes do “Grito” agiu no sentido de proteger a todos que estavam construindo a luta e repudiou a repressão.
Mas ao contrário do que pensam os representantes dos ricos e grandes empresários o povo continuará na luta para defender um Brasil que seja realmente livre e soberano. Lutaremos até a vitória sobre o imperialismo que escraviza os povos e promove genocídios em nome de sua ganância sem limites. Lutamos por um Brasil socialista!
Motoristas e cobradores de ônibus da Região Metropolitana do Recife transportam cerca de 2,1 milhões de usuários diariamente. Trabalhando em veículos mal conservados, sem ar condicionado e recebendo baixos salários, a categoria decidiu deflagrar greve no dia 1º de julho, exigindo reajuste de 33% e melhores condições de trabalho.
Apesar do lucro dos empresários, motoristas, fiscais e cobradores recebiam apenas R$ 1.500, R$ 970 e R$ 690, respectivamente. O sindicato dos donos de empresas de ônibus oferecia aumento salarial de apenas 3%. Revoltados com a direção do seu sindicato de classe, que aceitou a proposta patronal contra a vontade da categoria, os trabalhadores resolveram entrar em greve por conta própria.
“A deflagração da greve foi por conta do percentual que os patrões passaram pra gente: eles só queriam dar 3%. Eles ficaram irredutíveis. Como o presidente do sindicato está mais para patrão do que para trabalhador, a categoria se rebelou e formou uma oposição para mostrar que não estava mais aceitando essa situação. A greve se prolongou porque eles não cederam nada”, declarou Edmilton Carneiro, 50 anos, trabalhador rodoviário.
No dia 2 de julho, o pleno do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6) decretou a ilegalidade do movimento grevista e determinou a volta dos profissionais ao trabalho. Por 11 votos a três, os desembargadores (que têm salário inicial em torno de R$ 21 mil) determinaram reajuste de 7% para os rodoviários, que passariam a ter piso salarial de R$ 1.605 (motorista), R$ 1.037 (fiscal) e R$ 738 (cobrador).
Mas a decisão do Judiciário não satisfez os trabalhadores. Segundo Aldo Lima, 29 anos, líder da greve e membro da oposição rodoviária ligada à CSP-Conlutas, “a classe chegou a um limite; por motivo de tanta revolta, a classe passou por cima da decisão judicial”. A categoria manteve o serviço apenas nos horários de pico e, mesmo assim, em menor quantidade.
Como a decisão do TRT não conteve a mobilização, os patrões acionaram o Governo do Estado, que mandou 800 policiais para as ruas com o objetivo de reprimir as manifestações de protesto organizadas pelos motoristas, fiscais e cobradores.
A greve só teve fim cinco dias após o seu início, com a celebração de um acordo, no qual o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Urbana-PE) se comprometeu a não demitir ou punir os grevistas nem descontar os dias parados. Porém, “a luta permanece até que o sindicato seja devolvido a toda a classe trabalhadora”, declarou Lima.
Além dos baixos salários e da forte pressão que sofrem para atingir as metas estabelecidas pelas empresas, os trabalhadores de telemarketing são vítimas de doenças ocupacionais físicas e emocionais. Cansados de tanta opressão, exploração e baixos salários, os funcionários da Contax, no Recife, uma gigante do setor de telemarketing do Brasil, aderiram ao chamado das Centrais Sindicais e do Sindicato dos Operadores de Telemarketing de Pernambuco (Sintelmarketing-PE) para a realização de um Dia Nacional de Luta da Classe Trabalhadora, convocado para 11 de julho, embalados pelas manifestações ocorridas durante todo o mês de junho pela juventude.
Cerca de duas mil pessoas se juntaram ao sindicato e muitas aderiram à greve, que teve início às 09h. Indignados com a forma como são tratados diariamente na empresa, os trabalhadores gritaram palavras de ordem e pintaram cartazes, como “Chega de suspensão. Não somos escravos”, “Trabalhador na rua. A culpa é do patrão” e “Abaixo a ditadura da Contax”.
Por telefone, os trabalhadores em greve receberam a saudação do companheiro Reneo Augusto, diretor do Sinttel-RJ, cuja mensagem em “viva-voz” foi amplificada com um megafone: “Os companheiros podem contar com a gente aqui no Rio de Janeiro para enfrentar a classe dos patrões que só visa ao lucro… Parabéns pela mobilização e pela greve!”, declarou.
O presidente da CUT-PE, Carlos Veras, esteve na frente da empresa, onde os trabalhadores estavam reunidos em assembleia, e declarou: “Essa categoria é muito explorada, recebe baixos salários e sofre muita pressão dos supervisores. A CUT declara total apoio aos trabalhadores que lutam contra a exploração e os baixos salários”.
Mesmo com as ameaças de suspensão e até demissão realizadas por alguns supervisores, os trabalhadores não se deixaram intimidar e continuaram na luta. “Hoje foi meu último dia na Contax, e pela primeira vez me orgulhei de alguns trabalhadores. Lutamos, e hoje a Contax não lucrou nas nossas costas! Parabéns a todos que resistiram à pressão dos supervisores e coordenadores e parabéns ao Sintelmarketing-PE pelo movimento legítimo e pacífico que foi realizado hoje em frente ao Site Santo Amaro!” – comentou a trabalhadora Patrícia Naiara, após a greve.
De lá, os trabalhadores partiram, às 14h, em passeata até a Praça do Derby, região central do Recife, onde se juntaram aos demais sindicatos para o ato do Dia Nacional de Luta. Sem se dispersar, o grupo continuou até a sede da Assembleia Legislativa, na Rua da Aurora. O funcionário Thomas Zuckermann também participou do ato e comentou: “Eu estava e amei; esse sindicato de fato representa os trabalhadores”.
Mas a luta não para por aí. O Sintelmarketing promete continuar batalhando pelo direito dos operadores: “Esta greve é só o começo. Isto mostra a força do trabalhador e a necessidade de lutar pelos nossos direitos”, afirmou o presidente do sindicato, Thiago Santos.
O pronunciamento da presidente Dilma Rousseff não foi o início: desde que começaram as especulações a respeito da “importação” de médicos (primeiro cubanos, depois de outros países)se iniciaram as polêmicas. O Conselho Federal de Medicina foi o primeiro a se pronunciar. A grande mídia conservadora veio logo em seguida. Muito foi falado, mas nada foi dito. Os argumentos (falhos) mudaram com o tempo para tentar responder os contra-argumentos:
1. “Não faltam médicos, falta estrutura.”
Segundo dados divulgados por jornais, revistas e blogs, isto é uma meia-verdade, pois, além de faltar estrutura, faltam sim médicos. Principalmente quando se analisa a má distribuição dos médicos no território: diferenças gritantes entre regiões, capitais e cidades do interior, centros e periferias, e até mesmo entre os serviços básicos e de ponta (estes últimos predominantemente privados).
A revista Carta Capital, por exemplo, mostra que o mapa de distribuição de médicos por mil habitantes mostra que, no Brasil, essa taxa é de apenas 1,8, enquanto em países como Portugal e Espanha esses valores são de 3,9 e 4, respectivamente; Cuba tem 6,4. Ainda comparando as regiões brasileiras, o panorama se torna mais grave quando se nota a diferença drástica entre o Rio de Janeiro, com uma taxa de 3,44 médicos por mil habitantes, e o Maranhão, com apenas 0,58 (Carta Capital, 17/07/13). Com dados como esses, fica difícil sustentar a afirmação de que não faltam médicos.
É fato também que os serviços públicos carecem de estrutura física, e isso se torna mais gritante nos postos de saúde das localidades mais distantes das capitais. Porém,no nosso País ainda há índices alarmantes de mortalidade infantil por diarreia e desnutrição, doenças que não necessitam de muita estrutura ou acesso a procedimentos sofisticados para seu diagnóstico.
2. “Não é possível garantir a qualidade dos médicos estrangeiros.”
Achar que médicos de fora não são aptos a exercer a medicina no Brasil é julgar que temos o melhor ensino do mundo. Isso é, de longe, uma mentira. Vários países têm uma medicina bem mais avançada que a nossa, a exemplo de Cuba.
Os cubanos são referência internacional de sistema de saúde (apesar do embargo econômico), tanto no campo da atenção básica quanto no tratamento de alta tecnologia. A própria Organização Mundial de Saúde (OMS), órgão da ONU, reconheceu a eficiência e eficácia da saúde cubana. Cuba possui a taxa de mortalidade infantil mais baixa das Américas, com 4,9 mortes por mil nascidos vivos, inferior à do Canadá e dos Estados Unidos. Isso sem contar o desenvolvimento de novas tecnologias em saúde, como as pesquisas recentes em vacinas contra o câncer de pulmão e hepatite B, além da cura para o Parkinson.
3. “Os médicos podem vir, mas têm que revalidar o diploma.”
O principal problema desse ponto é: quem atesta a qualidade dos médicos estrangeiros? Como se pode observar, existe um claro conflito de interesses do Conselho Federal de Medicina (CFM) com a vinda de médicos de fora. Isso se observa não só pelas declarações do CFM (que já seria por si só prova clara desse conflito), como também pelo histórico do Revalida (teste realizado pelo Conselho para revalidação do diploma estrangeiro e autorização do exercício da profissão no Brasil): comparado a outros países, inclusive da Europa, o Brasil é o país que menos aprova.
Em artigo publicado no Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), em maio deste ano, o médico Pedro Saraiva apresentou dados comparativos entre os exames de revalidação de diplomas daqui e de Portugal. “Na última leva, 60 médicos cubanos prestaram exame e 44 foram aprovados (73,3%). Fui procurar dados do Revalida, exame brasileiro para médicos estrangeiros e descobri que, no ano de 2012, de 182 médicos cubanos inscritos, apenas 20 foram aprovados (10,9%). Há algo estranho em tamanha dissociação. Será que estamos avaliando corretamente os médicos estrangeiros?”, escreveu Saraiva. Ele completa dizendo que, se o importante é a qualidade dos médicos que exercem atividade no País, seria justo que os profissionais formados no Brasil também passassem por esse exame (Cebes, 12/05/13).
A experiência venezuelana
Em 2008, um grupo de estudantes brasileiros da pós-graduação em saúde coletiva desenvolveu um trabalho sobre o sistema de saúde venezuelano, resgatando sua história. O resultado foi publicado no livro “Atenção primária em saúde na Venezuela: Misión Barrio Adentro I”.
Chamado Misión Barrio Adentro (MBA), o programa criado no governo bolivariano de Hugo Chávez tinha como objetivo reestruturar a saúde no País, com a implantação de um sistema público nacional, universal e gratuito que contemplasse a população. Uma das primeiras medidas do programa foi a parceria com Cuba para a contratação de médicos que pudessem ocupar os postos vagos nas regiões mais carentes da Venezuela, onde os médicos nacionais não queriam trabalhar.
Com a criação de um novo sistema de saúde, foi realizada, em 2003, uma chamada aos profissionais para assumir o novo programa do governo. Dos 50 médicos e médicas inscritos, 30 se negaram a entrar nos bairros, alegando que esse trabalho era muito perigoso. A parceria Cuba-Venezuela foi assinada em 2004 e entre as cláusulas do contrato havia uma segundo a qual Cuba disponibilizaria 15 mil profissionais médicos para atuar no MBA e contribuir com a formação de médicos venezuelanos para o setor.
A reação dos médicos, através da Federação Médica Venezuelana e dos meios de informação, foi de repúdio à decisão do governo, com ações que pretendiam impedir a concretização da parceria e até mesmo convencer a população de que tal medida seria prejudicial ao povo. A Federação Médica espalhou a informação de que os médicos cubanos não eram capacitados. Na prática, porém, o que se deu foi o aumento da cobertura de assistência médica, ações de prevenção de doença e melhoria nos índices de saúde da população mais carente. Os números mostraram que o MBA contribuiu para o descongestionamento em 30% das emergências dos hospitais públicos, através do impulso à atenção básica preventiva. Também houve redução da taxa de mortalidade infantil.
O real problema
Com todos esses elementos, seria muito fácil, então, criticar a categoria dos médicospor corporativismo e ganância, analisando que sua postura como entidade é a de manter o quadro atual de falta de médicos para garantir a manutenção de ofertas de emprego com salários cada vez mais altos. Essa, porém, é uma visão limitada do problema.
Existe, porém, gente muito mais poderosa por trás das tentativas de barrar o fortalecimento do SUS, que lucra alto fazendo da saúde humana um negócio:os capitalistas dos planos de saúde e da indústria farmacêutica. Para esse grupo, que ocupa cargos no governo e na mídia, é mais interessante que o SUS e, principalmente, a atenção básica, não avancem e se mantenham nesse patamar de sucateamento.
É preciso expandir o debate da saúde para outras áreas, pois esta sofre influência direta da economia e da política. Não se pode falar em sucesso de um sistema público de saúde, de caráter universal e equitativo, sem prever medidas de socialização dos recursos (ao menos na área da assistência à saúde) e estatização total dos serviços. Enquanto isso, precisamos apoiar as ações que visem a reduzir as desigualdades sociais tão presentes em nosso dia a dia.
Ludmila Outtes,
enfermeira e militante do Movimento Luta de Classes
Cansados de sofrer com as péssimas condições de moradia e com o preço dos aluguéis, cerca de 30 famílias organizadas pelo Movimento Social Via do Trabalho (MSVT) ocuparam, no dia 27 de maio, um terreno de 50 hectares no bairro da Santa Lúcia, região do Tabuleiro, parte alta da cidade de Maceió, capital alagoana.
Rapidamente a notícia se espalhou pelos bairros vizinhos e, ainda na primeira manhã da ocupação, mais de 500 famílias já se apresentavam para integrar a ocupação e lutar por moradia. Segundo Maria Ivone, uma das coordenadoras do MSVT, na primeira semana a ocupação tinha recebido mais mil famílias.
O terreno ocupado é de propriedade da Construtora Lima Araújo, estava abandonado há mais de 30 anos e servia como local de desmanche de veículos e cemitério clandestino. Mas o juiz Ivan Vasconcelos Brito Júnior, da 1ª Vara Cível da Capital, decidiu atender os interesses da construtora e emitiu uma ordem de reintegração de posse. No dia 18 de julho, a Polícia Militar mobilizou um efetivo de 500 soldados do Batalhão de Operações Especiais (Bope) para acabar com a ocupação e cumprir o mandado de reintegração. Foram lançadas balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo foram atiradas de helicópteros contra o povo pobre que organizou a resistência dentro dos barracos onde moravam.
Cerca de 30 pessoas ficaram feridas. A Polícia efetivamente não respeitou ninguém: idosos, crianças e doentes sofreram com a brutal repressão policial. O jovem Yago da Silva Santos, que tem déficit intelectual, foi espancado enquanto chorava e gritava. Também a dona de casa Maria Cícera nos relatou a agressão policial que sofreu: “Eu só pedi para retirar minhas coisas do barraco, quando recebi um tiro de bala de borracha no rosto e desmaiei”.
Entretanto, nem a decisão da Justiça nem a repressão policial conseguiram acabar com a luta das famílias. Logo após a desocupação, as famílias decidiram ocupar o prédio da Eletrobrás para exigir uma resposta do Governo. Em seguida, cerca de 500 famílias ocuparam um novo terreno, entre os bairros de Bebedouro e Fernão Velho, e outras 500 ocuparam dois prédios abandonados do INSS e realizaram uma grande ação de limpeza dos prédios e improvisaram uma cozinha coletiva, onde as refeições são servidas.
Nas visitas que realizamos à ocupação, diversas pessoas nos falaram sobre a realidade social que vivem. Rosicleide Silva, mãe de três filhos, entre eles uma criança de três meses, nos relatou que trabalha como faxineira e seu esposo é auxiliar de pedreiro. Disse que morava de favor na casa da sogra porque não tinha dinheiro para pagar aluguel. “Estou aqui para o que der e vier. Não vou desistir enquanto não conquistar minha casa. Não tenho medo de Polícia, pois não sou criminosa, sou trabalhadora”.
O País inteiro tem acompanhado com atenção as manifestações populares contra o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Ao longo das últimas semanas, centenas de pessoas têm literalmente tirado o sono do governador, ocupando por diversas vezes a frente do prédio onde mora no Leblon, bairro nobre da Zona Sul carioca, exigindo sua renúncia. O clamor pelo “Fora Cabral” é consequência de anos de um governo marcado pelo autoritarismo e a repressão ao movimento social.
Nos últimos anos, a população do Rio de Janeiro tem sofrido com uma sensível piora dos serviços públicos prestados. A educação, por exemplo, chegou a amargar a 26ª posição no ranking nacional de qualidade (hoje estamos na 16ª colocação), apesar de o Estado ser o segundo mais rico do País. A saúde está um caos e até hospitais foram fechados pelo Governo, a exemplo do Instituto de Assistência dos Servidores do Rio de Janeiro (Iaserj), que atendia funcionários e servidores públicos. Nem mesmo o Museu do Índio, patrimônio histórico e cultural, e os indígenas que o habitavam foram poupados, bem como o Maracanã, o nosso “Maraca”, que foi privatizado e hoje é privilégio de poucos.
A política de segurança pública, tida como a “menina dos olhos” do Governo, na verdade, tem como prioridade as áreas mais valorizadas, onde vivem as classes ricas, reservando às comunidades pobres o crescimento da violência e da repressão policial. De acordo com a OAB/RJ, na comparação com os seis primeiros meses de 2006 e 2007, o Governo registrou menos prisões (-23,6%), menos armas apreendidas (-14,3%) e mais mortes (33,5%) no Rio de Janeiro. A clara opção de classe da política de segurança de Sérgio Cabral é expressa pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, que, logo após uma operação policial que deixou 13 mortos nas favelas da Coreia e Taquaral, afirmou que “um tiro em Copacabana é uma coisa; um tiro na favela da Coreia é outra”.
O povo contra Cabral
Por tudo isso, e pelos constantes casos de corrupção e mau uso das verbas públicas, o governador Sérgio Cabral virou o principal alvo das manifestações que têm ocorrido no Rio de Janeiro. A resposta do Governo tem sido constantemente violenta, o que anima ainda mais os manifestantes a continuarem nas ruas e tem jogado cada vez mais a opinião pública contra o governador.
No dia 2 de julho, no complexo de favelas da Maré, mais de três mil pessoas protestaram contra a violência policial que matou 10 moradores durante uma operação do Bope. No dia 11 de julho, após a manifestação do Dia Nacional de Lutas convocado pelas centrais sindicais ser reprimida pela Polícia Militar, mais de duas mil pessoas foram ao Palácio Guanabara, sede do Governo, em repúdio à violência. Novos confrontos aconteceram, e até uma bomba de gás lacrimogêneo foi jogada pela Polícia num hospital. No último dia 22, mais uma manifestação na porta do Governo. Com o papa dentro do palácio, milhares de pessoas protestaram contra os gastos públicos com a Jornada Mundial da Juventude e contra a homofobia. Menos de 20 minutos após a saída do papa, novamente a Polícia Militar desatou uma feroz repressão contra os manifestantes.
Para intimidar as manifestações, o governador Sérgio Cabral chegou a nomear uma Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas (Ceiv), com poderes de quebrar os sigilos telefônicos e de internet dos “suspeitos” sem autorização judicial. Imediatamente entidades defensoras dos direitos humanos reagiram contra esta medida ilegal e fascista e conseguiram derrubar o decreto.
O povo tem ido às ruas exigir mais direitos; está cansado de toda essa violência e quer soluções verdadeiras. Exige o fim da atual política de segurança pública, que garante paz aos ricos e morte, terror e violência aos pobres; exige uma educação e saúde de qualidade, bem como transportes públicos decentes, o fim da corrupção, da privatização do Maracanã e o arquivamento de todos os processos contra os manifestantes.
A Comissão da Verdade Rubens Paiva, da Assembleia Legislativa de São Paulo, que vem sendo reconhecida como uma das mais atuantes do País, realizou reunião com seu Conselho Consultivo, no dia 17 de julho, para avaliar o andamento dos trabalhos e perspectivas para o próximo período.
O Conselho foi formado em fevereiro deste ano e conta com 55 membros de vários setores da sociedade, como juristas e militantes dos direitos humanos, com objetivo de garantir um maior acompanhamento e orientação dos trabalhos. Esta iniciativa pioneira motivou a Comissão Nacional da Verdade a criar também um Conselho Consultivo, mas esta proposta ainda não foi concretizada.
Durante a reunião, a Comissão paulista apresentou um breve balanço das atividades realizadas até agora. Foram 56 Audiência Públicas, onde foram tratados os casos de 67 mortos e desaparecidos. Oito audiências temáticas, um seminário de quase duas semanas dedicado aos filhos e filhas de militantes atingidos pela Ditadura e diversas coletas de testemunhos de mulheres e homens sobreviventes da repressão. Destacou-se a publicação da Sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos do Caso Araguaia, produzida pela Comissão, e o debate realizado sobre o tema, onde foi apresentada uma moção convocando a realização de uma campanha nacional pela punição aos torturadores.
“Muitas pessoas têm-nos procurado para fazer debates sobre a revisão ou reinterpretação da Lei da Anistia. Pessoas que nunca tiveram acesso a este nosso mundo querem saber e discutir o próximo passo. Os jovens, vereadores, estudantes, professores querem saber se é possível e como deve ser o caminho para punir os torturadores. Devemos ter um acúmulo de como pode e deve ser este passo. Eu acho que mesmo que haja iniciativas institucionais e parlamentares neste sentido, elas não sobrevivem sem um movimento popular articulado”, afirmou o deputado Adriano Diogo (PT), presidente da Comissão.
Uma das dificuldades enfrentadas para o desenvolvimento dos trabalhos é a falta de acesso a documentos para investigação e obtenção de novas informações sobre os casos. Informou também que a questão de retificação dos atestados de óbitos, reivindicação sempre reiterada pelos familiares de mortos, especialmente dos desaparecidos, está sendo tratada de forma muito morosa pela Comissão Nacional, que, até o momento, conseguiu alterar apenas o atesto de Vladimir Herzog, caso já publicamente reconhecido há muito tempo.
Além de apresentar o calendário das próximas audiências previstas, a Comissão anunciou que está produzindo uma publicação intitulada Verdade e Infância Roubada, idealizada a partir do Seminário realizado, que trará os depoimentos de filhas e filhos de perseguidos políticos.
Várias sugestões foram feitas pelos Conselheiros, que se dispuseram a participar e colaborar mais com a Comissão, entre elas o aprofundamento da discussão em relação à revisão/reinterpretação da Lei da Anistia, a realização de debates sobre a resistência cultural à Ditadura, e também a discussão sobre a violência policial ontem e hoje, trazendo à luz a discussão do genocídio da população, em especial jovem, pobre e negra, que vemos atualmente.
A cidade de São Paulo tem como artéria vital a rede de trens e metrôs. As duas redes transportam por dia cerca de 10 milhões de pessoas. Essa máquina abriga uma série de cartéis que tem como finalidade extrair o máximo de dinheiro à custa do povo paulistano, que é obrigado a utilizar um sistema precário, pequeno, caro, lotado e com elevado tempo de espera.
A denúncia foi feita ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por um ex-funcionário da Siemens e é fruto da competição nas licitações em áreas de manutenção, aquisição de trens e construção de linhas férreas e de metrôs.
No depoimento, o ex-funcionário afirma: “A Siemens, após vencer uma licitação, subcontratava uma empresa, sob seu comando, para simular seus serviços, e partir dela, realizar o pagamento de propina”. Em uma dessas operações, a Siemens repassou R$ 2,8 milhões para MGE (subcontratada) e, desse total,R$ 2,1 milhões repassados a políticos e diretores da CPTM e Metrô.
Entre os receptores são citados Carlos Freyze David, Décio Tambelli e Nelson Scaglioni, respectivamente ex-presidente, ex-diretor e ex-gerente de manutenção do Metrô. Scaglioni está na lista de pagamento da MGE há 10 anos e controla licitações lucrativas como as reformas dos motores de tração do Metrô.
Para essa operação ser “lavada” são utilizados os famigerados paraísos fiscais, por meio de empresas offshores (o termo significa “pirata”) de lobistas. Eles fecham contratos com a Siemens e as porcentagens do dinheiro público são reservadas para desvio destinados aos lobistas, políticos do PSDB e diretores das empresas de transportes.
Alstom, Bombardier, CAF, Siemens, TTrans e Mitsui organizaram as licitações através de um sistema de rotatividade dos ganhadores das licitações, e a empresa ganhadora subcontrata a derrotada.
A Rede Globo, mais uma vez, nada divulgou sobre esse caso de corrupção, mostrando que tem preferência política pelos partidos tradicionais da direita no Brasil. Os mesmos que apoiaram a Ditadura Militar fascista.
Esta denúncia reforçam os argumentos de que a corrupção na verdade é um meio importante da imposição do poder econômico da burguesia sobre os interesses do povo. Não adiantará reforma política ou pessoas de bem se não for mudado por completo o atual sistema econômico.
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