UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 17 de abril de 2026
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No olho do furacão – (Carta aos netos)

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Escrevo esta carta com esperança de ser lido novamente daqui a alguns anos, por vocês, meus netos (Maria Clara, Pedro, Isabella, João e Lucas), os quais chegaram a este mundo agora recentemente; e pouco ainda sabem dos mistérios da vida neste lindo planeta azul.

Todavia, espero que, aí por volta de 2030, a geração dos meus netos possa avaliar se, enfim, triunfou a estupidez humana ou se conseguimos, pelo menos, manter viva a esperança. Prestem atenção! Neste início de milênio, não estamos atravessando apenas mais um momento de turbulência. Estamos dentro do olho do furacão.

A história contemporânea nos levou ao término da onda industrial, à drástica diminuição do Estado, à universalização da sociedade da informação (dominada pelo grande capital financeiro internacional), ao crescimento extraordinário dos fundos de previdência e aos lucros astronômicos das grandes instituições financeiras, fenômeno que fez explodir o estoque de recursos financeiros disponíveis, dos quais uma boa parte tem se destinado a perigosas especulações de curtíssimo prazo.

Falo do “capital volátil”. Um dinheiro sem pátria, ganancioso, sem coração, que quer ganhar muito e, se possível, muito rapidamente. Algumas fontes chegam a estimá-lo em mais de 30 trilhões de dólares. Especulação financeira pura e simples, que vai para onde os juros estão altos.

Nada desse dinheiro é investido para melhorar a qualidade de vida, não há interesse em acabar com a fome, nem preservar o meio ambiente, nem desenvolver qualquer economia, além de ser incontrolável.

Além disso, é preciso não esquecer a virulência da política externa da (por enquanto) maior potência do planeta, agora estimulada pela “vitória” na guerra contra um inimigo que não existia nem tinha armas nucleares: o Iraque. Para quem não sabe, Bin Laden era da Arábia Saudita, não era iraquiano.

Para manter os lucros do complexo industrial-militar e para conquistar reservas estratégicas de minérios, petróleo, entre outras; a guerra contra o Iraque bem não acabou e já estão preparando outras invasões.

As vendas do complexo industrial-militar não podem parar. São muitas indústrias multinacionais, faturando bilhões de dólares em aviões, helicópteros, veículos blindados, mísseis, armamentos, bombas, minas, munições, uniformes, alimentos, medicamentos, a lista é imensa.

Ah! O terrorismo deve ser incluído como ingrediente desse molho. Semana passada, uma nova série aparentemente coordenada de explosões acordou Bagdá e cercanias na manhã do aniversário de dez anos da Guerra do Iraque. São mais de 2.000 mortos e feridos apenas em 2013, que começa a ser um dos anos mais violentos no País desde a retirada das últimas tropas norte-americanas.

Na mesma sequência de ações de guerra, vimos caças de Israel bombardear alvos dentro da Síria. Segundo o New York Times, o carregamento era de mísseis terra-terra de última geração que vinham do Irã.

Será o início do indesejado (?) triunfo da estupidez humana?

Relembro: para depor Saddam Hussein, Bush mentiu e sacrificou a vida de milhares de iraquianos (mártires, na visão árabe); desrespeitou a ONU, a Otan (aliança militar ocidental), a coalizão antiterror; comprometeu a imagem dos EUA perante o mundo; destruiu monumentos e milhares de relíquias do berço da civilização e a própria noção de que a humanidade progride, ou deveria estar evoluindo.

Bush inaugurou a barbárie contemporânea. Aparentemente, o mundo caminha, perigosamente, sob uma estúpida hegemonia, no médio prazo, para a barbárie de alta tecnologia.

Cá no meu canto, ingenuamente, como queria Agostinho (354 a 430 d.C.), eu persisto com a Esperança, ao lado de suas duas filhas lindas: a Indignação e a Coragem de continuar lutando por um mundo melhor. Na estação futuro, vocês, Maria Clara, Pedro, Isabella, João e Lucas, poderão tirar a limpo se valeu a pena este avô haver sonhado com a Estrela da Manhã; ou se a estupidez humana triunfou.

Saibam que torço e vibro para que, com os pés bem firmes no chão, toda a geração dos meus netos possa ter os olhos, o coração e a mente nas estrelas. E que possam encontrar motivos para continuar gostando da vida como ela é.

Rinaldo Barros

Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com

 

Relatório denuncia terror contra índios

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terror_indioNuma de suas famosas canções, Renato Russo, líder da banda Legião Urbana, escreveu:

“Terceiro mundo, se foi,/ Piada no exterior,/ Mas o Brasil vai ficar rico,/ Vamos faturar um milhão,/ Quando vendermos todas as almas,/ Dos nossos índios num leilão,/
Que país é esse?”.

A música Que país é esse? foi lançada em 1989, mas continua atual, em todos os sentidos. Afinal, os índios sofrem até hoje os males da sociedade moderna. Têm visto há séculos suas terras, suas vidas e suas almas serem tomadas à força desde que o primeiro europeu por aqui chegou, em 1500. Além do mais, historicamente tiveram sua população dizimada. Mais que isso, foram forçados (em muitos casos) a esquecer suas tradições em troca da “civilização”.

E é justamente isso que ratifica o então “recém-descoberto” Relatório Figueiredo, que traz uma série de acusações contra o Serviço de Proteção aos Índios (SPI), órgão criado, em 1910, para supostamente proteger os índios e seus direitos e operou em diferentes formatos até 1967, quando foi substituído pela Fundação Nacional do Índio (Funai), que vigora até os dias de hoje.

O documento de mais de sete mil páginas foi elaborado pelo então procurador Jáder de Figueiredo Correia, que, em 1967, coordenou uma investigação que denunciou uma série de atentados ao povo indígena, como escravidão, tortura e morte. Nas palavras do próprio Figueiredo: “O Serviço de Proteção ao Índio degenerou-se a ponto de persegui-los até o extermínio”.

Em uma das inúmeras passagens brutais do texto, um instrumento de tortura apontado como o mais comum nos postos do SPI à época, chamado “tronco”, é descrito da seguinte maneira: “Consistia na trituração dos tornozelos das vítimas, colocadas entre duas estacas enterradas juntas em um ângulo agudo. As extremidades, ligadas por roldanas, eram aproximadas lenta e continuamente”.

Ainda podemos ver em suas páginas que o sofrimento de nossos índios ia além do sofrimento físico, pois, afora os maus tratos, tinham suas posses tomadas, como o procurador reitera: “O patrimônio indígena é fabuloso. As suas rendas alcançariam milhões de cruzeiros novos se bem administradas. Não requereria um centavo sequer de ajuda governamental e o índio viveria rico e saudável em seus vastos domínios”.

Tudo isto consta do relatório que está sendo analisado pela Comissão da Verdade, mas, em termos práticos, não deve mudar em nada a situação dos índios, que continuam sendo explorados e exterminados.

Ao menos o relatório serve para mostrar a realidade do povo indígena brasileiro, que estava escondida no esquecimento da opinião pública por mais de quatro décadas graças ao regime militar. A leitura de toda essa história de pura desumanidade contra um povo inocente que teve tudo roubado sem nada fazer só serve de exemplo para mostrar que onde o capitalismo aporta deixa destruição e desigualdade. Um sistema que só pensa, como disse Renato Russo, em “vender todas as almas de nossos índios num leilão”.

Lene Correa, Recife

Ocupação em Diadema conquista vitória

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Diadema 2Cerca de 200 famílias organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) de Diadema realizaram uma ocupação de protesto, no dia 4 de maio, no bairro de Eldorado. A ocupação recebeu o nome de Lucineia Xavier, uma lutadora do movimento falecida em 2010.

O MLB organizou a primeira ocupação na cidade em 2008 e uma segunda em 2010 e, desde então, abriu negociação com a Prefeitura, debatendo um projeto que atendesse a famílias pobres da região. Atualmente, o processo de desapropriação já conta com depósito judicial de R$ 500 mil, referente ao pagamento do valor venal da área, faltando apenas concluir o depósito da diferença da avaliação judicial. Para tal, já existe verba aprovada de forma unânime pelos conselheiros do Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social (Fumhabis). Desde o começo do ano, porém, a atual gestão da Prefeitura – do Partido Verde – pediu dois adiamentos desse projeto.

Por isso, cansadas de esperar e temendo que a Prefeitura voltasse atrás em relação às conquistas que o Movimento já obteve, as famílias decidiram realizar a ocupação, que durou quatro dias. Nos dois primeiros dias, a Polícia agiu com truculência, impedindo que as pessoas que haviam saído, e até mesmo as crianças que iam usar o banheiro, entrassem novamente no terreno. Os alimentos eram revistados com muita brutalidade, sendo colocados muitas vezes no chão.

No entanto, a ocupação também contou com enorme solidariedade: os vizinhos ao redor do terreno cederam água e alimentos. A Central de Movimentos Populares (CMP) esteve presente em todos os momentos, desde a ocupação até o final. Alguns vereadores deram apoio, em especial Orlando Vitoriano (PT). A Defensoria Pública do Município, a OAB e o Conselho Tutelar também estiveram lá para defender as famílias.

Já no dia 6, o movimento realizou um grande ato ecumênico em apoio à ocupação. Centenas de pessoas participaram. Neste mesmo dia, o Movimento foi atendido pelo prefeito Lauro Michels, pelo secretário de Habitação e pelo secretário de Assuntos Jurídicos, entre outros. Nessa reunião ficou acordada a continuidade do projeto, bem como todos os trâmites necessários até a construção das moradias. O prefeito foi até o terreno para se comprometer pessoalmente.

Este processo, que culminou com a ocupação, foi uma grande prova de que apenas organizado e em luta é que o povo pode conquistar o que necessita. A ocupação, nesses poucos dias, já tinha cozinha coletiva, banheiros, pia para lavar a louça, ruas e um espaço para as assembleias, que ocorriam diariamente, pela manhã e à noite.

A ocupação era composta, em sua maioria, por mulheres, que, com seus filhos no braço ou correndo e brincando, construíram barracos, cozinharam, enfrentaram a Polícia e se fizeram ouvir nas assembleias e reuniões. A ocupação também mostrou que os trabalhadores são imensamente solidários. Todos se tornam responsáveis pelas crianças; todos dividiram o alimento, cobertores, ferramentas. Deram demonstrações de enorme criatividade, improvisando infraestrutura necessária para se viver dignamente sob barracos de madeira e lona.

Está aí uma demonstração de que uma nova sociedade, igualitária, fraterna, justa e solidária, é possível. Os trabalhadores e trabalhadoras que estiveram na Ocupação Lucineia Xavier, enfrentando frio, ventania e chuva, agora têm certeza disso.

Carol Vigliar, São Paulo

Estudantes baianos fundam entidade em Juazeiro

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DSC01222Os estudantes de Juazeiro, na Bahia, fundaram, no último dia 10 de maio, a União Municipal dos Estudantes  Secundaristas (Umes), reunindo no auditório do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães mais de 100 pessoas, entre as quais estudantes do Centro Territorial de Educação  Profissional (Cetep), única escola técnica da cidade.

O encontro contou com representantes de várias entidades, representadas por Luan Fonseca, presidente do Diretório Acadêmico de Engenharia Agronômica da Univasf, Tomas Mateus, diretor da Federação Nacional dos Estudantes do Ensino Técnico (Fenet) e Sammara Oliveira, presidente de União dos Estudantes Secundaristas de Petrolina (Uesp).

O debate inicial abordou a expansão do ensino técnico brasileiro, quando os estudantes puderam avaliar as dificuldades encontradas, a exemplo da atual situação do Cetep, que sofre com a falta de investimentos por parte do governo estadual baiano.

Em seguida, ocorreu uma rica discussão sobre o movimento estudantil e seu papel, e, como resultado desse debate, os estudantes vindos do Colégio Estadual Ruy Barbosa, Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães e Escola Pedro Raimundo Moreira Rego, decidiram pela fundação da Umes de Juazeiro.

É hora de consolidar essa reorganização do movimento estudantil em Juazeiro, convocando os estudantes para lutar por uma educação pública de qualidade. Para Leonildo Santos, presidente eleito no encontro, “agora os estudantes podem contar com uma entidade de luta e combativa. Esta será a Umes, em defesa de uma educação pública de qualidade”.

Cloves Nascimento, UJR

Estudantes de Varginha saem às ruas por seus direitos

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Os estudantes da Universidade Federal de Alfenas (Unifal) e do Cefet-MG, em Varginha, organizados pelo Diretório Acadêmico Florestan Fernandes (Daff) e pelo Grêmio Estudantil, realizaram uma manifestação pelo meio-passe universitário, passe-livre para o Cefet, redução da tarifa do transporte coletivo e retorno da tarifa social nos domingos e feriados.

A manifestação teve a participação de mais de 500 estudantes e foi consequência da irresponsabilidade do prefeito Antônio Silva (PTB), que, desde a eleição municipal, tem evitado o diálogo com os estudantes, chegando a desmarcar uma audiência prevista para o dia 16 de maio. Além disso, no retorno às aulas, os alunos do Cefet foram surpreendidos com o cancelamento do passe-livre nos transportes.

Durante a passeata, com muita agitação, apitos, cartazes, tambores e caras pintadas, a população se sensibilizou com aplausos e declarações de apoio.

Ao chegar à prefeitura, os estudantes foram impedidos de entrar pela Polícia Militar e pela Guarda Municipal. Funcionários foram orientados a dizer que o prefeito havia viajado e que, dessa forma, não receberia ninguém. Mas, na verdade, ele se encontrava no município, segundo o presidente da Câmara, e se escondeu dos estudantes, sendo apelidado na cidade de “O Furão”.

Os estudantes retornaram ao centro da cidade e trancaram as avenidas principais. Alunos de outras escolas se sensibilizaram e se juntaram à manifestação, aumentando a participação e intensificando o “trancaço”.

A Polícia Militar então agiu com brutalidade, agredindo manifestantes com cassetetes e sprays de pimenta, mas não impediu a continuidade da manifestação. A PM agiu com mais violência ainda e prendeu os estudantes da Unifal Rossi Henrique e Gustavo Noronha, militantes da UJR, e os sindicalistas Antônio Amorim, da CUT-MG, e Abdon Geraldo, do SIND-UTE MG. Nesse momento, um carro entrou em alta velocidade na manifestação, atropelando três estudantes e quebrando o pé do aluno da Unifal e diretor do Diretório Acadêmico Florestan Fernandes, Guilherme Silva, tendo o motorista fugido sem prestar socorro. Os estudantes anotaram a placa do automóvel e entrarão com um processo contra o agressor. Mesmo com o forte aparato policial no local, a PM alegou que não encontrou o infrator.

Apesar da vergonhosa ação da PM, os estudantes não abandonaram a manifestação, dirigindo-se até a Câmara Municipal, onde, em assembleia, decidiram encaminhar denúncias contra os abusos da PM à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado, à própria Câmara, ao Ministério Público e à Corregedoria da PM, além de aumentar a pressão contra a prefeitura até conquistar as pautas do movimento.

No dia seguinte, pais de alunos do Cefet se reuniram com a presença da direção da instituição, do Grêmio e do Daff, decidindo aumentar as lutas e a pressão sobre a prefeitura e encaminhar as denúncias contra a ação abusiva da Polícia contra os jovens, que, em maioria, eram menores de idade. Nova manifestação já está sendo preparada e a luta pelos direitos dos estudantes ao passe-livre secundarista e ao meio-passe universitário continuará.

 

 

 Rafaela Carvalho, presidente do Daff-Unifal

Manifestação paralisa escolas de Belo Horizonte

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bandeiraA situação da educação em Minas Gerais é cada vez pior, contrariando a campanha milionária do senador Aécio Neves, do governador Antônio Anastasia e do prefeito da capital, Márcio Lacerda. Os servidores da rede municipal de Belo Horizonte estavam em greve por melhores salários e condições de trabalho, contra uma prefeitura que não dialoga, e os da rede estadual têm indicativo de greve para o início de junho, pois o governo do Estado se nega a negociar e a pagar o Piso Salarial Nacional da categoria, que já é lei em vigor na maioria dos Estados do País. Como se não bastasse, a Prefeitura de Belo Horizonte não garante o meio-passe para todos os estudantes, direito conquistado após 25 anos de luta.

Para dar resposta a essa situação, no dia 22 de maio, mais de mil estudantes organizados pela Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas da Grande Belo Horizonte (Ames-BH), saíram às ruas para defender uma educação pública, gratuita e de qualidade, e o meio-passe para todos os estudantes. A manifestação parou o Centro da cidade e os estudantes caminharam até o Minascentro, onde estavam o governador Anastasia e a secretária estadual de Educação, Ana Lúcia Gazzolla, no lançamento do Programa Reinventando o Ensino Médio. Vários diretores de escola saíram à porta do evento para se solidarizar com a luta dos estudantes, apoiando suas reivindicações.

O protesto também passou pela prefeitura, onde os estudantes exigiram o fim da burocracia e a aplicação integral da Lei do Meio-Passe Estudantil. O resultado veio logo no dia seguinte, quando a prefeitura reuniu o Conselho de Auxílio ao Transporte Escolar (Comate), que conta com a participação dos estudantes, e anunciou a volta das inscrições para o benefício, suspensas desde o início do ano. Além disso, a Ames exigiu que os estudantes já beneficiados não fossem cortados.

Ao fim da manifestação, Lincoln Emmanuel, presidente da Ames-BH, afirmou que “ainda há muito o que conquistar e que a luta vai continuar até a garantia do cumprimento completo da lei que beneficia os estudantes de Belo Horizonte”.

Redação BH

A violência e a redução da maioridade penal

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reducao-da-maioridade-penal-4-por-latuffTemos visto uma forte campanha da mídia de todo o País pela redução da maioridade penal. Fala-se muito sobre os crimes cometidos por crianças e adolescentes, que são chamados até de “pequenos delinquentes”, mas estes crimes correspondem apenas a 5% do total. Acontece que essa mesma mídia e seus ditos “especialistas” se esquecem de relacionar essa situação à dura realidade vivida pela juventude e à falta de assistência do Estado, que leva muitos jovens para a criminalidade. Um dos fatores que mais contribuem para que isso aconteça são os traumas da violência infantil.

Vinte e três anos depois da promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), centenas de cidades brasileiras ainda não têm nenhuma estrutura para atender às denúncias de crimes contra a população infantil. Dessas, metade está em Minas Gerais. O Estado que, sob o governo de Antônio Anastasia (PSDB), hoje comemora os cinco anos da campanha “Proteja Nossas Crianças”, não tem nada que comemorar. Apenas nos últimos cinco anos, registraram-se 14,7 mil denúncias de violência contra crianças e adolescentes, e centenas não tiveram o devido tratamento. Basta olhar para a Capital mineira, Belo Horizonte, onde, nos últimos três anos, o número de crimes contra a criança e o adolescente triplicou (só o número de estupros de vulnerável passou de 102 para 356 ao ano). Enquanto isso, o número de órgãos de defesa, que deveria ser 24, é de apenas nove.

Mas essa realidade não é um caso particular de Minas Gerais, ela atinge todo o País. Doze por cento dos 55,6 milhões de crianças brasileiras menores de 14 anos são vítimas anualmente de alguma forma de violência doméstica. Ou seja, por ano, são 6,6 milhões de crianças agredidas, chegando-se à média de 18 mil crianças vitimizadas por dia (dados da Sociedade Internacional de Prevenção ao Abuso e Negligência na Infância). E a falta de estrutura para o atendimento das denúncias só torna mais difícil o combate à violência.

De acordo com Iracema Santos, conselheira tutelar de Feira de Santana, na Bahia, “os conselheiros enfrentam no dia a dia várias dificuldades. Faltam carros para atender as denúncias, telefones… A nossa ação fica prejudicada”. Mas, para além da falta de estrutura nos conselhos, a situação enfrentada por essas crianças no dia a dia também reflete o descaso dos governos com a juventude. “Muitas crianças não têm acesso à escola, passam boa parte do dia na rua, sem ter a chance de estudar, e ficam à mercê do crime e do tráfico de drogas”, afirma Iracema.

Está mais do que claro que a proposta de redução da maioridade penal para 16 anos não trata a raiz do problema – que é a violência do sistema contra as pessoas, a miséria, a falta de acesso à educação e à cultura –, e sim o seu reflexo. O dever do Estado é o de criar condições para que nenhum jovem mais esteja no crime, mas esteja, sim, seguro e com vida digna garantida.

Júlia Raffo, tesoureira da Ames-BH

Comunicado do PCR sobre as manifestações de rua no País

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O Partido Comunista Revolucionário (PCR) disponibilizou na internet um vídeo onde mostra sua opinião sobre a onda de manifestações que se seguem na Nação.

Congresso da UNE - UJR

PM atira no rosto de manifestantes em Fortaleza

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A Polícia Militar de Fortaleza mostrou mais uma vez para qua existe. Na manifestação do dia 19, a PM chegou a atirar à queima-roupa no rosto de manifestantes. Vários foram hospitalizados.

Romário manda Pelé calar a boca após apoiar a FIFA

Em coletiva, Romário diz que Pelé tem que calar a boca, ao ser perguntado sobre a declaração de Pelé em que o “rei” se mostra descontente com as manifestações pelo Brasil e pede para todos assistirem aos jogos.

 

MLC realiza encontro estadual na Paraíba

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enc est mlc pbO Movimento Luta de Classes (MLC) da Paraíba realizou seu primeiro encontro estadual do ano, no último dia 19 de maio, na sede do Sindicato dos Urbanitários da Paraíba (Stiupb), em Campina Grande. Participaram da atividade 30 companheiros e companheiras, de 18 frentes de atuação, contando com a presença de seis entidades sindicais.

Na avaliação de Wilton Maia, presidente do Stiupb, “este encontro serviu para unificar ainda mais a linha de pensamento e de ação do MLC para o movimento sindical da Paraíba. Estamos crescendo em número de militantes, simpatizantes e lideranças de base que nos procuram para pedir apoio, para organizar um sindicato ou uma oposição sindical, e isto é fruto da forma correta com que temos travado as lutas nos sindicatos onde já atuamos”.

Além da exibição do curta-metragem animado “Maio, nosso Maio”, sobre a história do Dia Internacional dos Trabalhadores, foram debatidas duas pautas: conjuntura e demandas específicas das categorias, destacando-se as discussões sobre as lutas da classe operária em todo o mundo contra as consequências da crise capitalista; a necessidade de combinarmos luta econômica e luta política; a defesa do direito à verdade, memória e justiça sobre os crimes da ditadura militar no Brasil; a divulgação do jornal A Verdade; o envolvimento das mulheres no movimento sindical; as ações prioritárias do MLC para os próximos meses.

Estiveram presentes ao encontro trabalhadores urbanitários (água e energia), da limpeza urbana, jornalistas, motoristas, motoboys, agentes de trânsito, servidores públicos (de nível federal, estadual e municipal) da educação e da saúde, professores, operadores de telemarketing e enfermeiros.

Redação PB