UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

quinta-feira, 26 de março de 2026
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Como a austeridade mata

Como a austeridade mataNo início do mês passado, um triplo suicídio foi noticiado na cidade costeira de Civitanova Marche, Itália. Um casal, Anna Maria Sopranzi, 68, e Romeo Dionisi, 62, estiveram lutando para sobreviver com sua pensão a mensal de 500 euros (mais ou menos R$ 1250,00), e caíram no aluguel.

Por conta dos cortes de austeridade no orçamento do governo Italiano que aumentaram a idade mínima para aposentadoria, o Sr. Dionisi, um trabalhador da construção civil, tornou-se um dos Italianos “esodati” (exilado) – trabalhadores em idade avançada, postos na miséria sem uma rede proteção social. No dia 05 de Abril, ele e sua mulher deixaram uma nota no carro do vizinho pedindo por perdão e se enforcaram na garagem de casa. Quando o irmão do Sr. Sopranzi, Giuseppe Sopranzi, 73, soube da notícia da morte dos familiares, afogou-se no mar Adriático.

A correlação entre desemprego e suicídio tem sido observada desde o século XIX. Pessoas sem emprego tem duas vezes mais chance de pôr fim às suas vidas do que aqueles empregados.

Nos EUA, a taxa de suicídio, que vinha crescendo lentamente desde o ano 2000, teve um salto após a recessão de 2007-2009. Em nosso novo livro, estimamos em 4.750 os suicídios “extras” – ou seja, o número de mortes acima da média anteriormente existente – ocorridos de 2007 a 2010. As taxas destes suicídios foram significativamente maiores nos estados que experimentaram as maiores perdas de postos de trabalho. As mortes por suicídio ultrapassaram o número de mortes por acidente de carro no ano de 2009.

Se os suicídios são uma inquestionável consequência das crises econômicas, esta seria apenas outra história sobre os custos humanos da Grande Recessão. Mas não é só. Os países que cortaram os orçamentos da proteção social e de saúde, como a Grécia, Itália e Espanha, viram nitidamente piores resultados na saúde em comparação a países, como a Alemanha, Irlanda e Suíça, que mantiveram sua rede proteção social e optaram por estímulos ao invés da austeridade (A Alemanha prega as virtudes da austeridade – para os outros).

Como pesquisadores de saúde pública e política econômica, assistimos horrorizados a forma como os políticos encerram o debates sobre as dívidas e os déficits, sem a mínima consideração sobre os custos humanos de suas decisões. Durante a década passada, analisamos uma grande quantidade de dados de vários países para entender como a economia impacta – da Grande Depressão ao fim da União Soviética até a crise financeira Asiática e a Grande Recessão – nossa saúde. O que encontramos foi que as pessoas não ficam inevitavelmente doentes ou morrem por conta de crises econômicas. A política fiscal, ao que parece, pode ser uma questão de vida ou morte.

Em um extremo, está a Grécia, que se encontra em meio ao desastre da saúde pública. O orçamento nacional para a saúde foi cortado em 40% desde 2008, parcialmente para alcançar as metas de redução orçamentária definidas pela chamada troika – o Fundo Monetário Internacional, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeia – como parte do pacote de austeridade de 2010. Algo em torno de 35000 médicos, enfermeiros e outros trabalhadores da saúde perderam o emprego. As internações hospitalares se elevaram após os gregos perderem as rotinas e os tratamentos preventivos por conta do longo tempo de espera e do auto custo dos remédios. A mortalidade infantil aumentou 40%. Novas infecções de HIV mais que dobraram como consequência do uso de drogas intravenosas – ao passo que o orçamento para o programa de doações de agulhas foi cortado. Após o corte no programa de doação de agulhas. Após os cortes no programa de pulverização anti-mosquito no sul da Grécia, foram registrados números significantes de casos de malária pela primeira vez desde a década de 1970.

Em contraste, a Islândia evitou um desastre na saúde pública mesmo experimentando, em 2008, a maior crise bancária da história em relação ao tamanho de sua economia. Após a falência dos três principais bancos comerciais, a dívida total subiu, o desemprego aumentou nove vezes, e o valor da moeda, a krona, entrou em colapso. A Islândia tornou-se o primeiro país europeu a pedir um empréstimo ao FMI desde 1976. Mas, ao invés de salvar os bancos e realizar cortes no orçamento, como demandava o FMI, os políticos da Islândia deram um passo radical: puseram a austeridade sob o voto. Em dois referndos, em 2010 e 2011, os Islandeses votaram majoritariamente pelo pagamento gradual ao credores internacionais,ao invés do pagamento imediato exigido pela política de austeridade. A economia da Islândia se recuperou bastante, enquanto a Grécia se aproxima do colapso. Ninguém perdeu cobertura de saúde ou acesso a medicamentos, mesmo com o crescimento do preço dos remédios importados. Não houve crescimento significativo no suicídio. Ano passado, no primeiro ranking da ONU “World Happiness Report” colocou a Islândia como uma das nações mais felizes.

Céticos vão argumentar sobre diferenças estruturais entre a Grécia e a Islândia. O fato da Grécia ser membro da eurozona fez a desvalorização da moeda impossível e deixou menos espaço político para rejeitar as imposições do FMI. Mas o contraste entre os dois países fortalece nossa tese de que uma crise econômica não tem que, necessariamente, envolver uma crise na saúde pública.

Os EUA estão em algum lugar entre estes dois extremos (Islândia e Grécia). Inicialmente, o pacote de estimulo de 2009 fez crescer a rede de seguridade. Mas haviam sinais de alerta – por trás das altas taxas de suicídio – que a situação da saúde pública piorava. O número de prescrições de anti-depressivos cresceu. 750 mil pessoas (particularmente homens jovens sem emprego) se tornaram alcoólatras. Mais de cinco milhões de estadunidenses perderam o acesso a tratamentos de saúde durante a recessão, pois perderam seus empregos. Visitas médica preventivas foram diminuídas, houve atraso no atendimento médico fazendo com que as pessoas terminem em salas de emergência (a Lei de cuidados com a saúde do presidente Obama expande a cobertura, mas apenas gradualmente).

David Stuckler, pesquisador senior em sociologia em Oxford, e Sanjay Basu, professor assistente de medicina e epidemiologista no Centro de Pesquisa em Prevenção em Stanford, ambos são autores do livro “The Body Economic: Porque a austeridade mata”.

Por David Stuckler e Sanjay Basu

Crise do capitalismo desemprega 73 milhões de jovens

Crise do capitalismo desemprega 73 milhões de jovensEm virtude da especulação no mercado financeiro e da anárquica produção capitalista, desde 2008 o mundo está mergulhado em uma profunda crise, demonstrando o fracasso geral do atual sistema político e econômico. De lá até agora todas as ilusões de que a liberalização do mercado internacional, a livre concorrência e os ideais de lucro a todo custo poderiam resolver os problemas da humanidade dissolveram-se no ar. O American Way of Life (O estilo de vida americano), antes propagado como o caminho da felicidade em filmes e canções, hoje deixa mais dez milhões de trabalhadores desempregados. O mesmo acontece com a Europa que antes era vista como o caminho para ter um trabalho certo, mas hoje, com a crise do capitalismo, países como a Espanha pontua as maiores taxas de desemprego desde 1970 e, segundo pesquisa realizada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), o índice de desemprego entre os jovens não deve cair para menos de 17% até 2016 nos países desenvolvidos deste continente.

Ainda segundo a mesma pesquisa realizada pela OIT que foi divulgada no último dia 08 são 73 milhões de jovens entre 15 e 24 anos que encontram-se desempregados no mundo, isto é, 3,5 milhões a mais que em 2007! Em 2012 este índice chegou a 54,2% na Grécia e 38,7% em Portugal. A imprensa burguesa tem dito que entre os motivos principais está a desistência na procura de empregos, incompatibilidade da atividade exercida com a especialização do empregado e a perda de potencial produtivo das economias, isto nos países desenvolvidos. Mas a verdade é que a burguesia, temendo a perda de suas riquezas, tem colocado milhões de trabalhadores nas ruas; naturalmente menos trabalhadores significa menos gastos para o patrão, que fará com que menos pessoas continuem produzindo mais em troca de um salário de miséria. Assim, continuará roubando a maior parte das riquezas produzidas pelos trabalhadores. O fato é que o capitalismo não tem mais nada a oferecer para os jovens do mundo, muito menos aos jovens brasileiros.

No ano passado foi divulgada uma pesquisa do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro que afirma: no Brasil 5,3 milhões de jovens entre 18 e 25 anos nem trabalham nem estudam. Este é o reflexo mais triste e real da crise do capitalismo, são milhares de famílias que não têm um lugar para morar, não têm o que comer e não sabem o que será do seu futuro.

Uma vez que a anarquia do capital financeiro internacional só nos tem colocado mais limitações para uma sociedade justa e feliz, em que é subtraído das pessoas até mesmo o direito sagrado de trabalhar, só resta transformar profundamente esta sociedade. Para por fim a esta situação calamitosa em que nos colocou o capitalismo precisamos nos unir, organizar todos os trabalhadores, jovens e oprimidos para que juntos tomemos de volta o que nós construímos.

Daniel Victor, Pernambuco

Golpe da Prefeitura de BH é frustrado na Conferência das Cidades

Apesar da tentativa de golpe da prefeitura de BH, Conferência das Cidades é adiadaNeste último sábado (18) mais uma tentativa de golpe por parte da prefeitura de Belo Horizonte foi desarticulada. A 5ª Conferência das Cidades, de Belo Horizonte, foi convocada pela prefeitura de forma arbitrária e sem a participação dos movimentos populares da cidade.

“A prefeitura de Belo Horizonte, desrespeitando o histórico das próprias outras quatro conferências, que tiveram média de mil participantes, limitou a participação a 300 pessoas”, disse Leonardo Péricles da Coordenação Nacional do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB. E não foram somente essas as irregularidades: “Além disso, a suposta comissão preparatória, eleita de forma anti-democrática pois na época de sua eleição, quase nenhum movimento foi avisado, aprovou um regimento que impedia entidades que não tem registro no município de participar da conferência e isso é ilegítimo, uma vez que se trata de uma etapa de uma conferência nacional e mais, a maioria das associações de bairro não têm registro, e nem por isso não são legítimas” argumenta Leonardo.

A desorganização e despreparo dos organizadores ficou evidente. Dezenas de pessoas ficaram mais de uma hora na fila para não conseguir nem se inscrever como observadores.

Nesse contexto, o MLB e a Ocupação Eliana Silva, juntamente com diversos movimentos presentes tentou entrar no espaço onde a suposta conferência estava sendo iniciada. A prefeitura de Belo Horizonte acionou a guarda municipal para tentar impedir a entrada dos movimentos: “Fomos recebidos com cassetetes e spray de pimenta da Guarda Municipal, isso contra trabalhadores lutando legitimamente por seu direito de participar da Conferência”, relata Poliana Souza da Coordenação da Ocupação Eliana Silva.

O Deputado Federal Nilmário Miranda destaca que a insatisfação não se deu só hoje, mas estava colocada desde o processo de credenciamento, que chegou a ser cancelado e depois reaberto. “A concepção da conferência é a participação. Tem que ter regras, regras democráticas, mas a presença deve ser acolhida, mesmo de quem não é observador ou delegado”, observa.

Nilmário aponta ainda que o objetivo da Conferência é discutir o direito à cidade, com tudo que isso inclui, como a moradia, transporte, segurança, meio ambiente, acesso aos bens e serviços essenciais, controle da especulação imobiliária, etc. “Por isso a participação popular é essencial. Quando ela é restringida, a conferência perdeu o sentido”, afirma (1).

Depois de muito enfrentamento e agressões por parte da Guarda Municipal, centenas de participantes, indignados com tamanha covardia da Prefeitura de Belo Horizonte, se juntaram aos movimentos e garantiram a entrada de todos.

Após o incidente foi feita a leitura do regimento que foi destacado por praticamente todos os movimentos presentes, e estes foram unânimes ao defender o adiamento da Conferência, o que foi aprovado pela maioria dos presentes. Ainda foi decidido pelos movimentos a organização de uma nova comissão preparatória com a participação de mais movimentos populares e a remarcação da Conferência com critérios democráticos que possibilitem a participação de todos os movimentos de nossa cidade.

“Essa foi uma vitória dos movimentos populares que impediram mais um golpe da prefeitura de BH. Agora é impedir que a prefeitura possa tentar outra fraude, pois quem deve mandar na conferência são os movimentos” disse Poliana.

Da Redação MG

NOTAS

(1) Entrevista com Deputado Nilmário Miranda foi retirada de matéria da Jornalista Joana Tavares do Portal Minas Livre.

O mito da liberdade sexual feminina

O mito da liberdade sexual femininaEm uma economia dominada por grandes monopólios, onde as pequenas iniciativas e o “empreendedorismo” individual ocupam cada vez menos espaço nas transações econômicas, os valores do liberalismo pequeno burguês que enaltecem os direitos e liberdades individuais, mesmo que imprescindíveis para a manutenção do capitalismo, são cada vez mais questionáveis do ponto de vista prático da economia.

Os desafios colocados hoje para o sistema já não passam mais pela necessidade de que se forjem meios para que mercadorias sejam produzidas. Hoje a disputa acontece para que se garantam as condições para o escoamento da megaprodução desordenada. É a era da “sociedade de consumo”.

Entretanto, o sexo ainda é campo fértil para a disseminação das ideias liberais. Nas primeiras décadas do século 20, foram desenvolvidas diversas teorias sobre uma forte cultura do sexo, adotadas por vanguardas artísticas e por meios de comunicação. Ali a cultura seria uma espécie de grau mais elevado do “instinto sexual”. Esta teoria de que o sexo seria a base de toda a cultura, bem como a terapêutica através da desinibição, formuladas por alguns psicanalistas, foi prontamente absorvida e comercializada pela cultura de classes.

Sendo assim, todos os meios de comunicação e publicidade imprimiram no ideário coletivo o mito de que o sexo é o último refúgio da soberania e liberdade individuais.

Escrava da “sociedade de consumo”, a mulher, em busca de prestígio e reconhecimento social, agora figura como a “compradora oficial do lar”. A publicidade “dignifica” a mulher, apresentando-lhe produtos que seduzem e estimulam também reconhecimento e atração masculinos, como se esta fosse uma forma de equiparação dos sexos na sociedade.

Concepções idealistas colocam o sexo da mulher como via de sua libertação. Esta corrente deixa de lado toda a História de exploração da força de trabalho feminina no seio do lar, bem como não leva em conta a estrutura familiar que pede agora à mulher uma entrega “voluntária” no casamento, para que viva permanentemente como usufruto daquele homem, maquiando sua condição de propriedade privada. Se toda mercadoria pode ser comercializada, a mulher e seu sexo deve também encontrar um comprador, e esta transação se dá tanto pela via do contrato matrimonial como pela prostituição.

A supervalorização da liberdade sexual como objetivo da luta das mulheres está intimamente ligada ao crescimento da “sociedade de consumo” e é uma corrente que fortalece o individualismo. Em termos práticos, desvia a atenção das mulheres da questão fundamental de classe. Elas deixam de fortalecer a luta pela coletivização das múltiplas jornadas, contra a divisão sexual do trabalho e da luta pelos espaços de poder proletário da sociedade. É importante ressaltar que estas ideias aparecem com força entre intelectuais, estudantes ou mulheres presentes nos meios culturais, que já atingiram certo prestígio ou posição social um pouco mais favorecida ou reconhecida, e que, em geral, não vivem as contradições e os problemas do trabalho doméstico na mesma intensidade das mulheres proletárias. Estes movimentos privilegiam uma moral privada, que se opõe à necessidade da criação de uma moral social proletária e, ao mesmo tempo em que reivindicam diretos das mulheres, incentivam resquícios históricos da poligamia, que sempre foi, na prática, poligamia para os homens e monogamia para as mulheres.

Sendo assim, a luta das mulheres trabalhadoras deve ser fortalecida. As mulheres devem lutar por sua libertação das diversas jornadas de trabalho, por uma sociedade verdadeiramente igualitária, onde não haja opressão de qualquer natureza. Enquanto as mulheres forem obrigadas a ceder e vender sua força de trabalho e estiverem, ao mesmo tempo, alijadas dos espaços de poder da classe, não conquistarão sua liberdade plena nem a total proletarização de suas consciências.

Raphaella Mendes,
Movimento de Mulheres Olga Benario – Minas Gerais

Professora condenada por “sabotagem” e “terrorismo” no Equador

O ódio e a descriminação correísta declararam culpada de "sabotagem e terrorismo" a professora Mery Zamora	Em mais um capítulo da política de perseguição e criminalização dos movimentos sociais no Equador, o governo de Rafael Correia reabriu, mesmo após ser arquivado por falta de provas, o processo contra a líder sindical Mery Zamora, condenando-a por “sabotagem e terrorismo”.

Segue nota no site do Movimento Popular Democrático do Equador, do qual Zamora é dirigente, denunciando mais essa arbitrariedade cometida pelo regime de Correia.

O ódio e a descriminação correísta declararam culpada de “sabotagem e terrorismo” a professora Mery Zamora

Um dia após o dia das mães, o Décimo Tribunal Penal de Guayas declarou culpada a professora Mery Zamora, ex-presidente da União Nacional dos Educadores (UNE) e atual subdiretora nacional do MPD (Movimento Popular Democrático), do suposto delito de sabotagem e terrorismo, com uma pena prevista de 8 a 12 anos de reclusão de acordo com o Art. 158 do Código Penal.

Para o Diretor Nacional do MPD, Luis Villacís Maldonado, esta sentença é uma expressão do ódio e da perseguição política aos dirigentes sociais, e reflete uma descriminação contra as valentes mulheres que levantaram sua voz contra os abusos do poder. A sentença contra Mery Zamora é a conclusão de uma campanha sistemática de mentiras e insultos, visto que o processo havia sido arquivado por falta de provas, mas foi reaberto por pedido presidencial, e agora, sem provas, condenaram essa professora de forma ilegal e inconstitucional. Assim funciona a justiça do Equador.

Luis Villacís acrescentou que a equipe jurídica do MPD apelará dessa sentença, adotará todos os recursos legais no país e recorrerá aàCorte Interamericana de Direitos Humanos para denunciar este caso de flagrante violação dos direitos humanos no Equador. O diretor do MPD convocou todos os setores sociais e populares a levantar a bandeira de solidariedade a Mery Zamora e todos os dirigentes sociais, jornalistas e ecologistas que são perseguidos judicialmente pelo regime: “Frente a perseguição é hora da mobilização popular”, setenciou Vilaccís.

A professora Mery Zamora reiterou sua decisão de seguir enfrentando a prepotência e o autoritarismo do regime, de continuar a luta em defesa das maiorias, e confirmou sua participação na Convenção Nacional Extraordinária do Movimento Popular Democrático que se realizará em 18 de maio de 2013, na cidade de Quito.

MPD – Movimento Popular Democrático do Equador

Da escravidão à ditadura: eles deram a vida pela liberdade

O Centro Cultural Manoel Lisboa e o MLB – Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas de Diadema organizarão no próximo sábado, 18, uma homenagem aos heróis e heroínas negros mortos e desaparecidos durante ditadura civil-militar de 1964 em nosso país. A atividade ocorrerá no Teatro Clara Nunes, centro de Diadema.

Também serão lembrados os negros africanos e descendentes de africanos torturados e mortos pelo regime colonial-imperial e a todos os jovens assassinados nas periferias de nossa cidade ainda hoje.

A história de luta e resistência do povo trabalhador é desconhecida e omitida. Com a história do povo negro isso é ainda maior. O Brasil precisa conhecer sua história e saber que camponeses, operários, mulheres e jovens negros deram suas vidas contra a opressão e a injustiça, assim como seus antepassados nunca se sujeitaram à escravidão. Porém estes companheiros geralmente estão entre os que menos são lembrados, devido a sua origem pobre, aos poucos recursos de suas famílias, ao medo e outros fatores. Por isso, muito de suas vidas e lutas permanecem no quase total anonimato.

Com esta atividade pretende-se reforçar e contribuir para a atual luta pela Pela Memória, Verdade e Justiça, desenvolvida por amplos setores sociais em nosso país, pelos familiares dos mortos e desaparecidos políticos, pelas entidades, sindicatos, partidos políticos de esquerda e movimentos sociais que têm tido um papel de destaque no contexto da Comissão Nacional da Verdade instituída para apurar os crimes da ditadura no Brasil.

A homenagem será feita através de apresentações culturais que contarão com a presença de CÍCERO DE CRATO, PEDRO MUNHOZ E PEDRO ROCHA, além de capoeira e dança afro. Entre uma música e outra, familiares de mortos e desaparecidos e militantes sociais darão depoimentos sobre o tema.

Da escravidão à ditadura: eles deram a vida pela liberdade

Manifesto em Apoio aos Trabalhadores e Trabalhadoras da MGS

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Manifesto em Apoio aos Trabalhadores e Trabalhadoras da Minas Gerais Administração e Serviços – MGSTrabalhadores e trabalhadoras da MGS: vocês não estão sozinhos e o povo mineiro vai saber da covardia que o governo está fazendo com vocês. Não aceitem demissões imotivadas, pois elas são ilegais. Para se demitir um trabalhador da MGS, é necessário que se abra um processo administrativo no qual o trabalhador tem amplas garantias, mas a empresa, a mando do governo do estado, não cumpre com as normas que ela mesma produziu.

Para facilitar a degola, o governo esboça o tal PDV – Plano de Desligamento Voluntário, que os próprios trabalhadores já chamam de “PDVai”! É uma maneira confortável que o governo encontrou de dar um pé-na-bunda dos trabalhadores concursados, colocando-os no olho da rua com o “consentimento” deles… Não aceitem pressão para aderir a nenhum plano de demissão, que de voluntários não têm nada.

É intenção do governo terceirizar setores inteiros do serviço público para economizar com a força de trabalho, pois os trabalhadores terceirizados trabalham em condições precárias, muitas vezes análogas à escravidão. A própria MGS foi criada pra isso: contratar trabalhadores regidos pela CLT e não estatutários, com cargos e funções precárias e mal remuneradas. Ainda assim os trabalhadores concursados da MGS buscam melhorias das condições de trabalho e salariais e não o “olho da rua” proposto pelo governo. Se o governo quer acabar com a MGS, que absorva os trabalhadores para o quadro do estado, pois eles já são concursados, competentes e experientes!

Ação Entre Amigos…

O SINDEAC, sindicato que se diz representante da categoria, “rifou” os trabalhadores num acordo absurdo feito com a direção da MGS no dia 16/04/2013, à surdina, com a mediação do Ministério Público do Trabalho – MPT. Ficou acordado que não haveria demissões em massa, sendo que até 270 demissões por mês a MGS poderia executar sem nenhum problema e que a partir de 271 demissões o sindicato seria apenas comunicado. Para as partes que fizeram a “ação entre amigos”, 270 demissões por mês não é considerado demissão em massa, pois é a média de demissões que já está ocorrendo há mais de 1 ano. Se uma carnificina dessas não é demissão em massa, o que mais pode ser? O SINDEAC sequer consultou os trabalhadores para tomar uma decisão tão séria como esta, um verdadeiro desrespeito! Resta aos trabalhadores se rebelarem contra esta falcatrua do sindicato e se organizarem para lutar contra as demissões.

Já estão sendo encaminhadas denúncias ao Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, ao Ministério Público do Trabalho – MPT e ao Ministério Público – MP, mas o fundamental agora é a categoria se preparar para a luta, paralisações e greve!

A LUTA DE UM É A LUTA DE TODOS!

Todos sabem que, ao tratar os trabalhadores, o governo de Minas é um carrasco.

O SINDEAC “rifou” os trabalhadores da MGSNa educação, esse mesmo governo reduziu os investimentos quase pela metade desde 2003, deixando as escolas na situação em que conhecemos e não como o governo mostra nas propagandas. Aos trabalhadores, não cumpre a lei federal que estabelece o piso salarial para os educadores, pagando uma miséria que muitas vezes é menor do que o salário mínimo.

Na CEMIG, demissões e sucateamento geral para gerar mais lucro para os acionistas que nada produzem, principalmente a Andrade Gutierrez (grande patrocinadora de campanhas eleitorais), que já levou mais de 1 bilhão de reais em 3 anos de farra. A conseqüência disso é o alto valor das tarifas; a queda na qualidade dos serviços prestados; o apagão técnico que existe na empresa, pois a CEMIG não faz concursos e esvazia seu quadro de trabalhadores e; a triste marca de 1 morte a cada 45 dias por acidente de trabalho, por causa da precarização provocada pela terceirização. Mas na propaganda, a CEMIG é a melhor energia do Brasil…

Na COPASA, o governo vem forte com a tal da PPP – Parceria Público-Privada, entregando o serviço e o patrimônio público para grupos gananciosos terem lucro com a água, um dos bens mais importantes para a vida humana.

Na segurança pública a situação é caótica e as polícias têm “enxugado gelo” para tentar resolver os problemas da crescente criminalidade. A falta de investimento na educação tende a piorar o problema, mas o governador pouco se preocupa, pois ele e seus pares moram em condomínios luxuosos, cercados por seguranças particulares e também do estado. Se fecham em condomínios para se sentirem seguros, mas na verdade estão presos em suas gaiolinhas de ouro…

Na saúde é o caos de sempre. Tem gente morrendo por dengue, uma doença tropical já antiga no Brasil, fácil de combater e de se tratar, desde que haja uma política séria, pois é necessário conscientizar a população para eliminar os focos com programas educacionais localizados (mais uma vez, educação) e não com propagandas vazias que só enchem o bolso das agências de publicidade.

Para os trabalhadores da saúde, arrocho salarial. A proposta de reajuste desse ano é de 5%, abaixo da inflação. Os servidores da justiça mineira amargaram a proposta de reajuste de 4,5%, bem abaixo da inflação, mas estão em luta para avançar nas conquistas. Esse mesmo índice foi proposto aos trabalhadores da CEMIG que estão sem Acordo Coletivo de Trabalho desde novembro de 2012.

Essa é a política do “desgoverno” de Minas: acabar com o serviço público e colocar bens e serviços essenciais nas mãos DELES MESMOS. São grupos políticos e grupos econômicos que compõem uma mesma elite, anti-popular, atrasada, conservadora e neoliberal, que massacra o povo e se apropria dos recursos públicos para viverem num conforto absurdo.

Agora é a tentativa de degolar os trabalhadores da MGS e a categoria não pode aceitar. Organize-se! Lute! Em defesa do emprego e de um estado forte, eficiente e para o povo, não esse estado que funciona para privilegiar os ricos e gananciosos.

Assinam este manifesto:

• MLC – Movimento Luta de Classes
• SINDMETAL de Mário Campos, Brumadinho e região
• SINDMASSAS de Contagem
• SINDADOS – MG
• SINDMETRO – BH
• SINDIELETRO – MG
• FNU – Federação Nacional dos Urbanitários
• Jornal A Verdade

Movimento Luta de Classes – MG

Atos contra os leilões do petróleo brasileiro

anpNa manhã desta segunda-feira (13/05), dezenas de pessoas ligadas ao MST, FENET, PCR, PSTU e SindiPetro/RJ ocuparam a sede da Agência Nacional do Petróleo (ANP), no Centro do Rio de Janeiro, em protesto à 11ª rodada de leilões para a entrega de 289 áreas de petróleo, que representam juntos uma riqueza de mais de 3 trilhões de dólares.

 

Para Esteban Crescente, diretor da UNE pela Oposição de Esquerda, o petróleo, que deveria ser do povo brasileiro, irá para as mãos de grandes empresas nacionais e estrangeiras. “Somos contra a privatização do petróleo, pois essa riqueza deve ser de todo o povo e não de uns poucos. É preciso fortalecer a luta pelo controle popular dos nossos recursos naturais, dizer não aos leilões e à privatização de nossas riquezas e reestatizar a Petrobras, que hoje tem seu capital controlado por empresas privadas”.

 

O leilão está marcado para este dia 14, e uma grande manifestação ocorrerá em frente ao antigo Hotel Nacional, em São Conrado, a partir das 09h, afim de barrar mais este crime contra o patrimônio nacional.

 

Não aos leilões do petróleo! O petróleo tem que ser nosso!

Por uma Petrobras 100% pública e a serviço do povo brasileiro!

Nova repressão da polícia às famílias das ocupações Eliana Silva, Camilo Torres e Irmã Dorothy

Repressão da polícia e da Prefeitura de Belo Horizonte às famílias das ocupações Eliana Silva, Camilo Torres e Irmã DorothyNa última quarta-feira (08) as comunidades Eliana Silva, Camilo Torres e Irmã Dorothy, localizadas na região do Barreiro, em Belo Horizonte, foram surpreendidas por um trator que, com o apoio do Batalhão de Choque, chegou de surpresa com o objetivo de realizar o seu despejo. A polícia militar alegou que foi realizar a derrubada (ilegal e sem mandato judicial) de apenas alguns barracos que estavam em construção.

Independentemente dos motivos alegados pela PM, sua imensa truculência gerou indignação nas mais de 700 famílias que vivem nas três comunidades debaixo de tensão diária de sofrer um despejo a qualquer momento. Elas responderam aos ataques policiais com intensa mobilização. Barricadas foram formadas em frente às comunidades pelos moradores e outras 14 viaturas policiais foram acionadas. Um enorme clima de medo e terror foi gerado. Junto ao aparato militar estavam 4 carros e um caminhão da Copasa.

Os policiais durante todo o tempo agrediram verbalmente os moradores com xingamentos, provocações e ameaças. Fortemente armados, exibiam suas metralhadoras, revólveres, sprays de pimenta e cassetetes, apontando-os para crianças, mulheres e idosos. Saíram correndo como “ratos” quando souberam da chegada de representantes da defensoria pública e de entidades do movimento sindical e de direitos humanos.

O que pudemos ver com essas ações é que a PM e a Prefeitura de Belo Horizonte estão tentando criar um clima de terror nas famílias. Sem exagero, estamos diante de uma verdadeira guerra contra os pobres. Há alguns meses diversas incursões da PM e da Prefeitura vem sendo realizadas na região. Barracos de alvenaria foram derrubados, famílias tiveram cortados água e luz e ocorreram sobrevoos de helicópteros gerando muita desinformação.

Com ações cada dia mais agressivas, a PM e a PBH podem estar prestes a promover uma verdadeira tragédia na região.

Informamos a todos que as famílias das três comunidades demonstraram, por mais uma vez, sua enorme disposição para luta e resistência. Nesse contexto, um processo de despejo das famílias acarretará um verdadeiro banho de sangue na região.

Estamos mobilizados e vamos defender o direito humano de morar dignamente de todas as famílias dessas ocupações. Convocamos todas as pessoas de bem, defensoras da democracia e dos direitos humanos a se juntar ainda mais à nossa luta.

No sábado à noite haverá um jantar em homenagem às mães da comunidade Eliana Silva que, no mesmo dia, no ano passado, receberam de presente da Prefeitura de Belo Horizonte o despejo da primeira ocupação.

Seguimos na luta pela moradia digna, pela reforma urbana e uma pátria livre e soberana!

MLB – Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MG

Trabalhadores da MGS são vítimas do desmonte do Estado

Trabalhadores da MGS são vítimas do desmonte do EstadoDurante a campanha eleitoral o governador Antônio Anastásia (PSDB) prometeu gerar empregos de qualidade em Minas Gerais. No entanto, o que se vê na prática é exatamente o contrário. O serviço público está sendo ainda mais sucateado e o funcionalismo vive um período de cortes de direitos e demissões.

O governador não cumpre a Lei Federal que estabelece o piso salarial dos professores e implanta na Copasa a Parceria Público Privada, uma forma de entregar o patrimônio público a empresários que só visam o lucro. O aumento da criminalidade mostra o caos da segurança pública, e o mesmo se observa na saúde e em vários setores da administração pública.

Precarização

A bola da vez são os servidores da MGS (Minas Gerais Administração e Serviços) que atuam na solução de serviços gerais, gerenciamento e apoio técnico operacional. A empresa é vinculada à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão.

A intenção do governo é acabar com a MGS e terceirizar setores inteiros do serviço público, precarizando ainda mais as condições e as relações de trabalho. Para o governo alcançar seus objetivos, a direção da MGS lançou um Programa de Demissão Voluntário (PDV) e está fazendo pressão para os trabalhadores aderirem. O mesmo está sendo feito com os eletricitários da Cemig Serviços.

Um acordo absurdo firmado sem consultar os trabalhadores, entre o governo e o Sindeac, sindicato que representa a categoria, com a mediação do Ministério Público do Trabalho, estabeleceu que não haveria demissões em massa e limitou a 270 dispensas por mês. Acima desse número, o sindicato seria apenas comunicado.

Resta saber o que eles entendem por demissões em massa. Os trabalhadores da MGS estão resistindo às pressões para aderir ao PDI e organizados contra as demissões. O Ministério do Trabalho e Emprego e ao Ministério Público do Trabalho recebeu denúncia das demissões na MGS.

Fonte: Sindieletro-MG

Por que os médicos cubanos assustam

Só em 2011, médicos cubanos recuperaram a visão  gratuitamente de2 milhões de pessoas em  35 países

Elite corporativista teme que mudança do foco no atendimento abale o nosso sistema mercantil de saúde

A virulenta reação do Conselho Federal de Medicina contra a vinda de 6 mil médicos cubanos para trabalhar em áreas absolutamente carentes do país é muito mais do que uma atitude corporativista: expõe o pavor que uma certa elite da classe médica tem diante dos êxitos inevitáveis do modelo adotado na ilha, que prioriza a prevenção e a educação para a saúde, reduzindo não apenas os índices de enfermidades, mas sobretudo a necessidade de atendimento e os custos com a saúde.

Essa não é a primeira investida radical do CFM e da Associação Médica Brasileira contra a prática vitoriosa dos médicos cubanos entre nós. Em 2005, quando o governador de Tocantins não conseguia médicos para a maioria dos seus pequenos e afastados municípios, recorreu a um convênio com Cuba e viu o quadro de saúde mudar rapidamente com a presença de apenas uma centena de profissionais daquele país.

A reação das entidades médicas de Tocantins, comprometidas com a baixa qualidade da medicina pública que favorece o atendimento privado, foi quase de desespero. Elas só descansaram quando obtiveram uma liminar de um juiz de primeira instância determinando em 2007 a imediata “expulsão” dos médicos cubanos.

No Brasil, o apego às grandes cidades

Dos  371.788 médicos brasileiros, 260.251 estão nas regiões Sul e Sudeste

Neste momento, o governo da presidenta Dilma Rousseff só está cogitando de trazer os médicos cubanos, responsáveis pelos melhores índices de saúde do Continente, diante da impossibilidade de assegurar a presença de profissionais brasileiros em mais de um milhar de municípios, mesmo com a oferta de vencimentos bem superiores aos pagos nos grandes centros urbanos.

E isso não acontece por acaso. O próprio modelo de formação de profissionais de saúde, com quase 58% de escolas privadas, é voltado para um tipo de atendimento vinculado à indústria de equipamentos de alta tecnologia, aos laboratórios e às vantagens do regime híbrido, em que é possível conciliar plantões de 24 horas no sistema público com seus consultórios e clínicas particulares, alimentados pelos planos de saúde.

Mesmo com consultas e procedimentos pagos segundo a tabela da AMB, o volume de clientes é programado para que possam atender no mínimo dez por turnos de cinco horas. O sistema é tão direcionado que na maioria das especialidades o segurado pode ter de esperar mais de dois meses por uma consulta.

Além disso, dependendo da especialidade e do caráter de cada médico, é possível auferir faturamentos paralelos em comissões pelo direcionamento dos exames pedidos como rotinas em cada consulta.

Sem compromisso em retribuir os cursos públicos

Há no Brasil uma grande “injustiça orçamentária”: a formação de médicos nas faculdades públicas, que custa muito dinheiro a todos os brasileiros, não presume nenhuma retribuição social, pelo menos enquanto não se aprova o projeto do senador Cristóvam Buarque, que obriga os médicos recém-formados que tiveram seus cursos custeados com recursos públicos a exercerem a profissão, por dois anos, em municípios com menos de 30 mil habitantes ou em comunidades carentes de regiões metropolitanas.

Cruzando informações, podemos chegar a um custo de R$ 792.000,00 reais para o curso de um aluno de faculdades públicas de Medicina, sem incluir a residência. E se considerarmos o perfil de quem consegue passar em vestibulares que chegam a ter 185 candidatos por vaga (UNESP), vamos nos deparar com estudantes de classe média alta, isso onde não há cotas sociais.

Um levantamento do Ministério da Educação detectou que na medicina os estudantes que vieram de escolas particulares respondem por 88% das matrículas nas universidades bancadas pelo Estado. Na odontologia, eles são 80%.

Em faculdades públicas ou privadas, os quase 13 mil médicos formados anualmente no Brasil não estão nem preparados, nem motivados para atender às populações dos grotões. E não estão por que não se habituaram à rotina da medicina preventiva e não aprenderam como atender sem as parafernálias tecnológicas de que se tornaram dependentes.

Concentrados no Sudeste, Sul e grandes cidades

Números oficiais do próprio CFM indicam que 70% dos médicos brasileiros concentram-se nas regiões Sudeste e Sul do país. E em geral trabalham nas grandes cidades. Boa parte da clientela dos hospitais municipais do Rio de Janeiro, por exemplo, é formada por pacientes de municípios do interior.

Segundo pesquisa encomendada pelo Conselho, se a média nacional é de 1,95 médicos para cada mil habitantes, no Distrito Federal esse número chega a 4,02 médicos por mil habitantes, seguido pelos estados do Rio de Janeiro (3,57), São Paulo (2,58) e Rio Grande do Sul (2,31). No extremo oposto, porém, estados como Amapá, Pará e Maranhão registram menos de um médico para mil habitantes.

A pesquisa “Demografia Médica no Brasil” revela que há uma forte tendência de o médico fixar moradia na cidade onde fez graduação ou residência. As que abrigam escolas médicas também concentram maior número de serviços de saúde, públicos ou privados, o que significa mais oportunidade de trabalho. Isso explica, em parte, a concentração de médicos em capitais com mais faculdades de medicina. A cidade de São Paulo, por exemplo, contava, em 2011, com oito escolas médicas, 876 vagas – uma vaga para cada 12.836 habitantes – e uma taxa de 4,33 médicos por mil habitantes na capital.

Mesmo nas áreas de concentração de profissionais, no setor público, o paciente dispõe de quatro vezes menos médicos que no privado. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar, o número de usuários de planos de saúde hoje no Brasil é de 46.634.678 e o de postos de trabalho em estabelecimentos privados e consultórios particulares, 354.536. Já o número de habitantes que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) é de 144.098.016 pessoas, e o de postos ocupados por médicos nos estabelecimentos públicos, 281.481.

A falta de atendimento de saúde nos grotões é uma dos fatores de migração. Muitos camponeses preferem ir morar em condições mais precárias nas cidades, pois sabem que, bem ou mal, poderão recorrer a um atendimento em casos de emergência.

A solução dos médicos cubanos é mais transcendental pelas características do seu atendimento, que mudam o seu foco no sentido de evitar o aparecimento da doença. Na Venezuela, os Centros de Diagnósticos Integrais espalhados nas periferias e grotões, que contam com 20 mil médicos cubanos, são responsáveis por uma melhoria radical nos seus índices de saúde.

Cuba é reconhecida por seus êxitos na medicina e na biotecnologia

Em sua nota ameaçadora, o CFM afirma claramente que confiar populações periféricas aos cuidados de médicos cubanos é submetê-las a profissionais não qualificados. E esbanja hipocrisia na defesa dos direitos daquelas pessoas.

Não é isso que consta dos números da Organização Mundial de Saúde. Cuba, país submetido a um asfixiante bloqueio econômico, mostra que nesse quesito é um exemplo para o mundo e tem resultados melhores do que os do Brasil.

Graças à sua medicina preventiva, a ilha do Caribe tem a taxa de mortalidade infantil mais baixa da América e do Terceiro Mundo – 4,9 por mil (contra 60 por mil em 1959, quando do triunfo da revolução) – inferior à do Canadá e dos Estados Unidos. Da mesma forma, a expectativa de vida dos cubanos – 78,8 anos (contra 60 anos em 1959) – é comparável a das nações mais desenvolvidas.

Com um médico para cada 148 habitantes (78.622 no total) distribuído por todos os seus rincões que registram 100% de cobertura, Cuba é, segundo a Organização Mundial de Saúde, a nação melhor dotada do mundo neste setor.

Segundo a New England Journal of Medicine, “o sistema de saúde cubano parece irreal. Há muitos médicos. Todo mundo tem um médico de família. Tudo é gratuito, totalmente gratuito. Apesar do fato de que Cuba dispõe de recursos limitados, seu sistema de saúde resolveu problemas que o nosso [dos EUA] não conseguiu resolver ainda. Cuba dispõe agora do dobro de médicos por habitante do que os EUA”.

O Brasil forma 13 mil médicos por ano em 200 faculdades: 116 privadas, 48 federais, 29 estaduais e 7 municipais. De 2000 a 2013, foram criadas 94 escolas médicas: 26 públicas e 68 particulares.

Formando médicos de 69 países

Estudantes estrangeiros na Escola Latino-Americana de Medicina
Estudantes estrangeiros na ELAM

Em 2012, Cuba, com cerca de 13 milhões de habitantes, formou em suas 25 faculdades, inclusive uma voltada para estrangeiros, mais de 11 mil novos médicos: 5.315 cubanos e 5.694 de 69 países da América Latina, África, Ásia e inclusive dos Estados Unidos.

Atualmente, 24 mil estudantes de 116 países da América Latina, África, Ásia, Oceania e Estados Unidos (500 por turma) cursam uma faculdade de medicina gratuita em Cuba.

Entre a primeira turma de 2005 e 2010, 8.594 jovens doutores saíram da Escola Latino-Americana de Medicina. As formaturas de 2011 e 2012 foram excepcionais com cerca de oito mil graduados. No total, cerca de 15 mil médicos se formaram na Elam em 25 especialidades distintas.

Isso se reflete nos avanços em vários tipos de tratamento, inclusive em altos desafios, como vacinas para câncer do pulmão, hepatite B, cura do mal de Parkinson e da dengue. Hoje, a indústria biotecnológica cubana tem registradas 1.200 patentes e comercializa produtos farmacêuticos e vacinas em mais de 50 países.

Presença de médicos cubanos no exterior

Desde 1963, com o envio da primeira missão médica humanitária à Argélia, Cuba trabalha no atendimento de populações pobres no planeta. Nenhuma outra nação do mundo, nem mesmo as mais desenvolvidas, teceu semelhante rede de cooperação humanitária internacional. Desde o seu lançamento, cerca de 132 mil médicos e outros profissionais da saúde trabalharam voluntariamente em 102 países.

No total, os médicos cubanos trataram de 85 milhões de pessoas e salvaram 615 mil vidas. Atualmente, 31 mil colaboradores médicos oferecem seus serviços em 69 nações do Terceiro Mundo.

No âmbito da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), Cuba e Venezuela decidiram lançar em julho de 2004 uma ampla campanha humanitária continental com o nome de Operação Milagre, que consiste em operar gratuitamente latino-americanos pobres, vítimas de cataratas e outras doenças oftalmológicas, que não tenham possibilidade de pagar por uma operação que custa entre cinco e dez mil dólares. Esta missão humanitária se disseminou por outras regiões (África e Ásia). A Operação Milagre dispõe de 49 centros oftalmológicos em 15 países da América Central e do Caribe. Em 2011, mais de dois milhões de pessoas de 35 países recuperaram a plena visão.

Quando se insurge contra a vinda de médicos cubanos, com argumentos pueris, o CFM adota também uma atitude política suspeita: não quer que se desmascare a propaganda contra o regime de Havana, segundo a qual o sonho de todo cubano é fugir para o exterior. Os mais de 30 mil médicos espalhados pelo mundo permanecem fiéis aos compromissos sociais de quem teve todo o ensino pago pelo Estado, desde a pré-escola e de que, mais do que enriquecer, cumpre ao médico salvar vidas e prestar serviços humanitários.

Fonte: Blog do Porfírio