UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 4 de abril de 2025
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Comunidade de Tito Silva em João Pessoa, na Paraíba, conquista biblioteca

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O dia 7 de fevereiro foi um marco para a comunidade Tito Silva, em João Pessoa (PB), O Centro de Integração Comunitária e Cidadania São Francisco de Assis (Ceifa), o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e o Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Urbana da Paraíba (Sindlimp-PB), contando com o financiamento do Fundo Municipal de Cultura (FMC), realizaram o que muitos chamaram de ousadia, outros de uma boa iniciativa, no que foi, de fato, uma lição de luta e cidadania. Nesta data, foi inaugurada a Biblioteca Comunitária Antônio Soares de Lima, numa comunidade onde quase 65% da população não sabe ler nem escrever ou tem grande dificuldade por ter frequentado apenas os primeiros anos do ensino fundamental.

 “Um movimento social capaz de criar uma biblioteca comunitária é um importante contraponto aos megaeventos – sabidamente as Bienais e Salões do Livro que fomentam a concentração de lucros dentro do mercado do livro, geralmente deixando nada ou muito pouco para as populações locais. Menos ainda para os escritores, escritoras e agentes promotores do livro e da leitura. Portanto, cabe aqui uma breve reflexão acerca do que significa hoje o mercado do livro no Brasil para as políticas públicas de leitura. Nosso país é o décimo maior produtor de livros do mundo. O Ministério da Educação é o terceiro maior comprador de livros do mundo. No entanto, o mercado do livro está mais neoliberal que nunca. Silenciosamente foi concentrando sua imensa lucratividade em conglomerados editoriais cada vez mais concentrados. Sem alarde, foi permitindo a compra de editoras brasileiras tradicionais como a Editora Moderna, por corporações internacionais. Apesar de tudo, parece que não está acontecendo nada. Portanto, a comunidade Tito Silva recebeu no dia 07 de fevereiro a semente de uma pequena revolução”, afirmou Lau Siqueira, poeta e parceiro da Biblioteca e do MLB.

O nome da biblioteca

Antônio Soares de Lima, conhecido como “Chuá”, foi o fundador do Centro Comunitário local. Letrado nas lutas populares, analfabeto formal, mas jamais um analfabeto político. Morreu em 2011. Ano passado, quando já estava enfermo, pediu desculpas por não saber ler e escrever, entendendo que, por isso, não tinha feito mais pela comunidade, relata Rosilene Santana, presidente do Ceifa e integrante do MLB. E ela finaliza: “Agora, para lhe prestar uma homenagem, colocamos seu nome na Biblioteca. Acredito que as noites de João Pessoa ficaram mais belas depois desse dia”.

Redação-PB

Famílias do MLB ocupam terreno da UFPE em Recife

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Trezentas famílias organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros Vilas e Favelas (MLB) ocupou um terreno da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que estava desocupado há 30 anos e fica localizado no Bairro do Engenho do Meio, Recife, cidade que tem um déficit habitacional de 80 mil moradias.

A ocupação aconteceu no dia 31 de janeiro e após um mês de resistência foi batizada pelo nome de  Ruy Frazão Soares. Hoje, funciona com cozinha coletiva, banheiros, creche, segurança, portaria, ruas com coordenadores e assembleias diárias. Três reuniões foram realizadas com a reitoria da UFPE e a última teve a presença de um representante da União.

Mas quem são os moradores da Ruy Frazão e por que eles decidiram participar de uma ocupação?

Mulher de um sorriso contagiante, Josefa Izaura da Silva Gomes, 45 anos, vive de vender empadas e seu único bem é uma bicicleta velha que utiliza para carregar e vender seus salgados. Quando conheceu o MLB, começou a participar de várias reuniões e logo veio a decisão de ocupar. “Tenho 25 anos de casada, uma filha de 18 anos. Morava com meu marido em um terreno numa casa que é herança de sete irmãos; durante esse tempo, sofri ameaças e agressões; quando ocupei, ele não gostou e para se vingar deu fim a tudo que tinha, só sobrou a bicicleta que estava na casa do vizinho. Hoje, em primeiro lugar é Deus, depois minha família da ocupação. Quando a gente começou a limpar o mato e o dia começou a raiar, eu só pensava aqui agora é minha casa.”

A luta não tem idade. Lindalva Nunes de Oliveira, 53 anos, viúva, mãe de dois filhos, sobrevive cuidando de idosos e passou os últimos seis meses na reunião de preparação da ocupação. “O dia da ocupação foi emocionante porque nunca participei de nada parecido; hoje eu olho e digo: meu Deus, eu sou uma mulher muito corajosa, estou feliz, apesar da minha saúde; quando preciso dormir fora, fico o tempo todo pensando no meu barraquinho, acredito que agora é só vitória”

Sulamita Ramos da Silva, 44 anos, casada e mãe de três filhos, decidiu participar da luta por moradia, na Associação de Moradores do Bairro do Joana Bezerra. “Fiz minha inscrição e comecei a participar, foram cinco meses de reuniões. No começo fiquei com o pé atrás, pois minha irmã tinha participado de uma ocupação com outro grupo, que tinha tráfico, muita violência, até o dia que ela desistiu; com o passar do tempo, todos começamos a participar das reuniões do MLB e a acreditar no movimento, porque para dar certo primeiro você tem que acreditar.”

Mãe de seis filhos, Roseane Bezerra da Silva, 28 anos, vive na ocupação com sua filha caçula, a pequena Clarise Stefane, de seis meses. Conheceu a ocupação de Mulheres de Tejicupapo; na época não pode participar e ficou numa lista para uma nova ocupação do movimento. Participou de reuniões por sete meses. “É a situação que faz a gente ocupar,  na hora da entrada eu fiquei desesperada, quando vi cobra, bichos, pensei não vou agüentar!  Hoje, tudo tá valendo a pena, porque pagar aluguel não é fácil não, meu marido tem mais dois filhos e paga pensão, ele dizia que não ia dar certo, eu ia sozinha. Quando ele viu que eu não ia desistir, que era sério, começou a lutar comigo.”

Com uma barriga de sete meses,  Priscila Moura Francisco, 20 anos, já participava das reuniões a seis meses. Soube por vizinhos da Iputinga que estava acontecendo uma reunião no Casarão do Barbalho. “No começo, pensei em representar minha mãe, já que moramos juntas de aluguel, mas fiquei grávida, desisti por um tempo, aí foi ela que me chamou para voltar; na noite que ocupamos, só estávamos nós duas, nem meu pai ou o pai de minha filha vieram. Tive medo que pudesse acontecer algo de errado, mas hoje tá tudo tranqüilo acredito na vitória, terei minha casa com um quartinho para minha filha.”

O desejo de realizar o sonho de ser mãe fez com que Daniela Rodrigues da Silva, 28 anos, casada, começasse a participar das reuniões do Movimento.   “A necessidade faz a gente aprender muita coisa. Quero muito ter um filho, mas penso, como? Se tudo é tão caro, pagamos aluguel e não sobra nada. No dia que ocupamos, senti medo, não sabia o que me esperava, mas quando o muro caiu, eu pensei: é minha casa e vou atrás agora; o maior patrimônio do pobre é sua casa.”

As razões que levam uma pessoa a participar de uma ocupação, como vimos, são muitas: desejo de libertar-se de vários tipos de violência, consolidar uma família, envelhecer com tranqüilidade, etc. Ao povo, nada ou quase nada sobra na divisão dos recursos do governo. Resta ao povo apenas a luta, a resistência.

Elizabeth Araújo, Recife

Veja vídeo de matéria feita pela jornalista Amanda Miranda para o NE10.

Cerca de 350 famílias ocupam terreno em Mossoró

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O povo brasileiro enfrenta a cada dia o imenso desrespeito aos direitos fundamentais à vida, como a saúde, a educação e a moradia. Apesar de constitucional, o direito à moradia é arrancado das pessoas por diversas formas: inexistência de políticas habitacionais nas cidades e desocupações desumanas.

Cansadas da humilhação de morar de favor na casa de parentes ou do constrangimento de ser despejadas por não ter o dinheiro do aluguel, cerca 350 famílias ocuparam, no dia 29 de janeiro, um terreno inutilizado, em Mossoró, segunda maior cidade do Rio Grande do Norte. Essa ação se deu, espontaneamente, por um grupo de famílias que atraiu outras até o dia da ocupação.

No mesmo dia da ocupação, as famílias foram surpreendidas pela Polícia Militar, que, com muita violência, derrubou os barracos, queimou os materiais, bateu nos ocupantes – até em mulheres e deficientes – e retirou todas as pessoas do local. Segundo os moradores, os militares agiram sem nenhuma determinação judicial ou documentação comprobatória. As famílias, assustadas e receando as ameaças dos “defensores da lei”, voltaram a seus locais de origem, mas entraram com um processo na Justiça para terem direito à terra.

Os ocupantes tentaram, por mais três vezes, se instalar no terreno, sendo retirados em todas as tentativas. Os policiais, em tom ameaçador, “aconselharam” os moradores a não tentarem mais, dizendo que a (suposta) proprietária do terreno mandara fixar uma cerca em torno de toda a área e estava pagando R$ 200 a eles para que não permitissem novas ocupações. Por isso, fariam ronda no local todos os dias. Integrantes do movimento, porém, fizeram pesquisas e existe a suspeita de que o terreno seja público.

Para ajudar a organização desse movimento, integrantes do Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas do Rio Grande do Norte (MLB-RN) promoveram reuniões e assembleias e planejaram ações ao lado dos ocupantes.

Assim, no dia 15 de fevereiro, um grande ato de protesto marcou o retorno dos trabalhos dos vereadores em Mossoró. Com faixas e cartazes que estampavam dizeres como “Casa popular dá pra pagar” e “Polícia é pra ladrão e não pro cidadão”, além de um carro de som, os ocupantes, liderados pelo MLB, cobraram da Prefeitura Municipal de Mossoró, e dos próprios vereadores, uma audiência para discutir a situação das 350 famílias. O ato teve grande repercussão na cidade e nos meios de comunicação locais, e foi apoiado por setores da sociedade como o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mossoró e a Federação dos Trabalhadores em Administração Pública Municipal do RN – Fetam-RN.

A prefeita da cidade, Fafá Rosado, que se encontrava na Câmara, não recebeu os manifestantes, mas uma comissão foi recebida pelo presidente da Câmara, vereador Francisco José Júnior, e por mais quatro vereadores. Os manifestantes, por sua vez, avisaram que, se nada fosse resolvido, uma nova ocupação seria organizada.

Samara Martins e Marcos Antônio, de Natal

O sucateamento da educação no Brasil

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De acordo com a Constituição brasileira, em seu artigo 205, “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Assegura ainda, no artigo 206, a “igualdade de condições para o acesso e permanência na escola.”

Não é preciso ser nenhum grande estudioso da educação para ver que essas belas palavras da lei não são praticadas na vida real. No dia a dia, todos nos deparamos com uma educação extremamente atrasada e elitista que visa reproduzir a mesma lógica de dominação da sociedade capitalista.

Uma prova clara desse descomprometimento dos governos com a educação se dá no tocante à remuneração dos profissionais da educação pública. Os trabalhadores de administração escolar recebem, na prática, um salário mínimo, e mesmo os professores, que passaram por anos de estudo e aperfeiçoamento para estar em sala de aula, recebem baixíssimos salários.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em levantamento realizado no final do ano passado com 40 países desenvolvidos e em desenvolvimento, o Brasil paga o terceiro pior salário, menos de 5 mil dólares por ano, no início de carreira.

Profissionais de países como Alemanha, Suíça e Portugal ganham, em média, cinco vezes mais que os brasileiros, no chamado topo da carreira. Na nossa vizinha Argentina, os professores recebem o dobro da remuneração do Brasil. A desproporção é tão grande que, mesmo numa comparação com a Coreia, os professores primários de lá ganham seis vezes mais que os brasileiros para orientar e dar os primeiros passos na educação das crianças. Tudo isso no país que é a sexta maior economia do mundo.

Quanto à questão educacional, a pesquisa ainda revela que a relação professor-aluno do Brasil é muito alta, chegando a termos em média, 30 alunos por turma, o que prejudica a compreensão e a aprendizagem das crianças.

Essa baixa remuneração traz como consequência uma “fuga” dos jovens estudantes dos cursos de licenciatura, que servem para formar os professores da educação básica. Esses cursos, por sua vez, estão entre os de maior evasão nas universidades e recebem pouco apoio por parte do governo para garantir a formação de mais professores.

Dessa forma, é extremamente comum, em todo o país, a contratação de professores sem o grau mínimo de formação nas salas de aula brasileiras. Segundo o próprio MEC, através do Censo Escolar, 32% dos professores do ensino infantil, fundamental e médio não possuem curso superior, um total de 636 mil professores, sendo esse um número crescente. No curso de Matemática, por exemplo, não passa de 20% o índice de professores com diploma de licenciatura.

Acontece que há cerca de 30 ou 40 anos iniciou-se um movimento de avanço do setor privado na educação básica, e o crescimento das escolas particulares só se fez possível com a queda nos serviços públicos oferecidos à população. Na prática, os governos trilharam o caminho para a privatização do ensino em todas as esferas, e essa situação dos professores é consequência direta dessa exclusão. Quem pagaria uma escola particular tendo uma educação pública, gratuita e com qualidade?

O sucateamento da educação não representa apenas um descompromisso, ou irresponsabilidade dos governos. É, sim, uma forma lucrativa de estabelecer um setor bilionário que se mantém graças às carências da educação pública.

Mas os trabalhadores e a juventude resistem a tudo isso e lutam por uma educação de qualidade. Só em 2011 os professores realizaram greves em 12 estados, lutando por melhores condições de trabalho e remuneração digna. Só mediante a luta da sociedade teremos direito a uma educação de qualidade, e é fundamental uma intensa mobilização para pôr fim ao lucro na educação e avançar no acesso ao conhecimento, pois manter o povo brasileiro distante da compreensão dos problemas da sociedade é mais uma estratégia das classes dominantes. Como bem disse José Martí, “ser culto para ser livre”.

Rafael Pires, membro da coordenação nacional da UJR

Meio-passe em Belo Horizonte é ampliado, mas ainda falta mais!

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Fruto da pressão da Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas da Grande Belo Horizonte (Ames-BH), no dia 6 de fevereiro, a Prefeitura da Capital mineira anunciou que todos os estudantes do ensino médio poderão ter meio-passe, acabando, assim, com a regra de que só estudantes atendidos por algum programa social poderiam ter garantido este direito. Essa foi uma importante vitória do movimento estudantil frente à burocracia criada pela Prefeitura para não tirar do papel a Lei Municipal 10.106, de 21 de Fevereiro de 2011, que garante meio-passe para todos os estudantes, seja de ensino fundamental, médio ou superior, de instituição pública ou particular.

Porém, nem tudo está resolvido. Mesmo com esse avanço, ainda existem muitas questões pendentes. A Prefeitura anunciou financiamento para 16 mi alunos, mas quer, com isso, enganar a sociedade, já que só no ensino médio público de BH são mais de 90 mil jovens. Além de não cumprir a lei do meio-passe para todos os estudantes, a PBH ainda mantém o aumento absurdo das passagens.

Diante dessa situação, no último dia 16, mais de 500 estudantes organizados pela Ames e diversos grêmios estudantis pararam as ruas do Centro de Belo Horizonte, realizando mais uma manifestação pelo MEIO-PASSE ESTUDANTIL PARA TODOS OS ESTUDANTES e contra o aumento das passagens.

Redação MG

Lideranças são presas dentro de escola em BH

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Júlia Raffo, presidente do Grêmio

O Grêmio do Estadual Central tem importância histórica no Estado de Minas Gerais e no movimento estudantil brasileiro. Foi palco de grandes lutas contra a Ditadura Militar, pelas Diretas Já!, e na campanha do Impeachment do ex-presidente Collor de Mello. Além disso, teve entre seus diretores o guerrilheiro Idalisio Soares Aranha e até a atual Presidente da República, Dilma Roussef. Até hoje, organiza lutas que são referência em todo o país, chegando a ser a principal escola na recente conquista do meio passe em Belo Horizonte. Porém, a direção da escola ainda reproduz os mesmos métodos fascistas do período em que o Brasil vivia sob o regime militar que governou o nosso país durante 21 anos, fazendo o possível para acabar com as mobilizações dos trabalhadores e da juventude e impedindo, através da repressão a livre organização dos estudantes.

No último dia 15 de fevereiro, diretores do Grêmio e da AMES-BH (Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas da Grande BH) estavam nas dependências da escola, mobilizando os estudantes para a manifestação realizada no dia seguinte, quando foram agredidos verbal e fisicamente por funcionários da escola que queriam impedir a mobilização estudantil. Os estudantes não aceitaram as ameaças, por se tratar de abuso de poder e ação ilegal da direção da escola.

Como se não bastasse, a direção da escola chamou a policia militar para agredir e prender dentro da instituição, estudantes e menores de idade, e para dar guarida para os agressores continuarem sua truculência e tirar à força os diretores da AMES-BH e ex-diretores do Grêmio – Julia Raffo e Bruno Duarte.

Infelizmente, esse acontecimento absurdo, que nos faz lembrar os estudos sobre ditadura militar das aulas de história, não é um fato isolado no Estadual Central. Há anos, a direção da escola e alguns funcionários vêm cometendo diversas arbitrariedades e promovido atos autoritários, mostrando sua sede de controlar a consciência dos estudantes.

Mas essa política truculenta começou a ganhar espaço desde o primeiro governo do atual senador Aécio Neves e agora segue aumentando no governo de Antônio Anastasia, com o objetivo de criminalizar os movimentos sociais e as organizações populares. Ninguém pode esquecer que é este mesmo governo que se recusa a pagar o Piso Salarial nacional aos professores de Minas Gerais e que, na última greve, que durou 113 dias (quase quatro meses), gastou rios de dinheiro em propaganda mentirosa contra o SindiUTE-MG para desmoralizá-lo diante da sociedade. É essa mesma orientação que segue o Prof. Jeferson em relação ao grêmio.

O grêmio livre é lei conquistada há anos pelos estudantes. Além disso, a Ditadura Militar já acabou e junto com ela foram derrotadas também as leis que defendiam prisão de estudante que faz movimento estudantil. O Grêmio do Estadual Central e os estudantes da escola, junto com diversas outras entidades que já se solidarizaram, cobrarão das autoridades competentes respostas e soluções sobre os acontecimentos dentro da escola, que mais uma vez passaram dos limites do absurdo.

Grêmio Estudantil do Estadual Central, Belo Horizonte

Alunos se rebelam contra o aumento das mensalidades na PUC-Minas

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Estudantes deixam recado à Universidade

Nos dias 16 e 17 de fevereiro, mais de 300 alunos de todos os cursos e turnos manifestaram-se na PUC Minas, Unidade São Gabriel, em Belo Horizonte, em um protesto contra o aumento de 9,8% nas mensalidades dos cursos de graduação. Este aumento é 50,76% superior ao aumento da inflação registrado no período, e foi imposto pela pró-reitoria financeira da instituição sem nenhum tipo de discussão com as entidades estudantis. Nem mesmo uma planilha de custos, que obrigatoriamente deve ser apresentada para justificar o aumento de mensalidade, foi apresentada. Nos últimos três anos, a mensalidade da PUC subiu 23,6%, enquanto a inflação oficial somou 16,72%.

Esse reajuste impossibilita que estudantes continuem a estudar. Por exemplo, a estudante do 9º período de psicologia Laila Resende, de 27 anos, que paga suas mensalidades vendendo roupas, diz que tem tido dificuldade em manter o compromisso. Por isso, para o período em curso, teve que abrir mão de três disciplinas. “Todo semestre a gente vive na corda bamba. A universidade encara a educação como um negócio”, afirma Laila.

Esse aumento veio como estopim de uma série de problemas apontados pela comunidade acadêmica da instituição, aos quais ainda se somam a falta de infraestrutura adequada para os estudantes, como salas de aula confortáveis, biblioteca defasada e com acervo reduzido em relação ao número de estudantes, falta de vagas no estacionamento, falta de uma assistência estudantil que contemple os interesses dos estudantes e não os da universidade, má remuneração dos professores e funcionários, o baixo valor pago nas bolsas de monitoria e extensão, falta de professores e um quadro de professores despreparados para a formação acadêmica dos estudantes.

Cansados dessa exploração por uma universidade que se diz “filantrópica” apenas para se isentar do pagamento de impostos e ter sua margem de lucro ainda maior, os estudantes decidiram em assembleia, na qual estiveram presentes mais de 500 estudantes, ocupar a reitoria da unidade em ato de protesto. Com palavras de ordem como “Eu pago, não deveria! Educação não é mercadoria!”, e muito espírito de luta e combatividade, os estudantes se colocaram contra essa administração que só visa ao lucro de seus mantenedores.

Outra crítica dos universitários é que as bolsas de monitoria, extensão e pesquisa não tiveram reajuste nos últimos seis anos. O valor nesse período permanece congelado em R$ 300, o que é claramente insuficiente para arcar com as despesas de transporte e alimentação. Aliás, outra antiga reivindicação dos estudantes é a implantação de um restaurante universitário, haja vista que as lanchonetes cobram valores altíssimos por uma alimentação de má qualidade.

Pressionado pelos estudantes, o pró-reitor da unidade, professor Miguel Alonso, recebeu um grupo de representantes. Mas o pró-reitor não deu garantias de nada e ainda tentou desarticular o movimento, demonstrando mais uma vez o seu compromisso com a lucratividade da instituição.

É necessário que a luta e a rebeldia não cessem nas universidades pagas brasileiras, onde a mercantilização da educação – direito fundamental de todo cidadão – atinge seus níveis mais exorbitantes!

Maurício Vieira, Belo Horizonte

SAE-AL realiza seminário sobre educação pública em Alagoas

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Com o objetivo de debater a realidade da educação pública em Alagoas e preparar a categoria para a campanha salarial que se aproxima, o Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar do Estado de Alagoas (SAE-AL) realizou no dia 14 de fevereiro, no auditório do Sindipetro AL/SE, o seminário A Organização e a Luta dos Funcionários de Escola Diante do Desmonte da Educação Pública.

O seminário teve a presença de 50 trabalhadores que participaram ativamente da atividade, intervindo e apresentando propostas de luta para a categoria.  A mesa foi composta por Emerson Silva, do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Alagoas (Sintufal), George de Souza, da Secretaria Estadual de Educação e Esporte, e Magno Francisco, presidente do Sindsuper.

Daniel Calisto, presidente do SAE-AL, abriu o seminário fazendo um histórico da luta dos funcionários de escola e da importância do apoio do Movimento Luta de Classes nesta construção.

George de Souza, representante da Secretaria de Educação, falou dos direitos dos funcionários de escola e da urgência de se resolverem os problemas apresentados pelos trabalhadores. Emerson Silva, diretor do Sintufal, parabenizou a categoria pela construção do sindicato e fez um relato da luta sindical enfrentada pelos trabalhadores das universidades contra a privatização, terceirização e congelamento de salários. Emerson destacou ainda que a realidade enfrentada pelos funcionários de escola da rede estadual é bastante similar a dos funcionários da universidades.

Manoel de Assis, presidente do Sindipetro AL/SE, fez uma saudação aos trabalhadores, destacando a boa participação da categoria no seminário, e se colocou solidário à luta dos funcionários de escola contra o governo de Alagoas.

Após o debate em plenário, foram aprovadas as propostas do Seminário, que indicaram a composição de uma comissão de trabalhadores para apoiar as negociações do sindicato, a luta contra a terceirização e a defesa do concurso público.

Professores de universidades particulares tem direitos desrespeitados

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O descaso com a educação e a desvalorização do professor são problemas que não se restringem aos professores da rede pública de ensino. Diversas universidades particulares estão com a remuneração dos docentes atrasada, bem como desrespeitam vários direitos trabalhistas.

Exemplo disso é a Universidade Camilo Castelo Branco (Unicastelo), que impôs um novo plano de carreira aos professores, conduzindo a uma grave redução salarial de até 60%. Além disso, há problemas, ainda, de atrasos no pagamento do FGTS e do décimo terceiro salário de 2010 e 2011.

Os professores se mobilizaram, reivindicando o pagamento dos atrasados, bem como se manifestando contra a redução dos salários. E, em represália, 16 professores que participavam das mobilizações e da organização sindical foram arbitrariamente demitidos.  Ressalte-se que tais professores nem sequer chegaram a receber as verbas rescisórias.

Outras universidades também sofrem com problemas semelhantes. É o caso da UniSant’Anna, na qual os professores  tiveram problemas com atrasos de salário desde novembro do ano passado, bem como com a segunda parcela do 13º e do FGTS atrasado. Também na UniSant’Anna ocorreram diversas demissões.

Na assembleia realizada a portas fechadas no câmpus da universidade, foi firmado acordo na qual a universidade se comprometia a efetuar os pagamentos atrasados até o dia 20 de fevereiro, e os recolhimentos do FGTS em até 30 dias, bem como se comprometia a não mais atrasar os pagamentos.

Contudo o acordo não foi cumprido, segundo o Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP): os pagamentos não foram efetuados.

Problemas como estes também estão ocorrendo na Universidade São Marcos e na Universidade Ibirapuera, em que os professores continuam sem receber salário desde novembro, assim como o 13°, e os valores do FGTS continuam sem ser recolhidos

Na Universidade Anhanguera o caso foi de demissãoem massa. Emtodo o Estado de São Paulo as demissões atingem 1.500 trabalhadores.

Assim, observa-se o caos total em que vive a educação em nosso país. Como sempre, quem sofre são os estudantes submetidos à péssima qualidade do ensino privado. Também os trabalhadores, que veem seus direitos, conquistados ao longo de tantos anos de luta, totalmente desrespeitados.

Este é um dos resultados da mercantilização da educação neste país: cada vez mais lucros para as empresas, educação de pior qualidade e precarização do trabalho dos professores.

Raquel Brito, São Paulo

Trabalhadores recolhem lixo do carnaval

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Garis limpam a sujeira do carnaval

O carnaval do Recife deste ano, como ocorre há 35 anos, começou com o Galo da Madrugada, no dia 18 de fevereiro, às nove da manhã. Às quatro da tarde,  enquanto os trios elétricos ainda arrastavam uma multidão, cerca de 500 garis entravam em ação para recolher o lixo produzido por dois milhões de pessoas –  ou seja, um gari para 4.000 pessoas.

 Às cinco da manhã do domingo (19), haviam sido recolhidas 150 toneladas de lixo e entulhos. Além disso, às duas da madrugada (do sábado para domingo), a operação limpeza começou com a lavagem do local de desfile do Galo, do Recife Antigo, dos polos descentralizados e dos polos comunitários.

 Cerca de 670 mil pessoas circularam diariamente pelo Bairro do Recife e polos descentralizados, enquanto 1.027 trabalhadores cuidavam da limpeza da cidade, ou seja, um gari para cada 651 foliões! Para assegurar a eficiência do bloco da limpeza urbana, nada de contratar mais funcionários. A solução encontrada foi utilizar 39 veículos leves e 14 motocicletas para fiscalizar os trabalhadores.

Números recordes em todos os segmentos: 710 mil visitantes (20 mil a mais que 2011); R$ 32 milhões de investimentos em patrocínios e recursos próprios; e 394 toneladas de lixo (duas toneladas a mais que no ano passado), além de 4,1 toneladas de resíduos recicláveis.

O incremento econômico na economia da cidade foi de R$ 595 milhões (superando em 15% o incremento econômico gerado pelo carnaval de 2011). O custo total para manter a cidade limpa durante o carnaval: R$ 650 mil.

Para os trabalhadores da limpeza urbana, o saldo da folia, somente no Galo da Madrugada, foi de 300 quilos de lixo removido por cada funcionário. A média de remoção de resíduos por trabalhador envolvido na Operação Carnaval foi de 387,64 quilos de lixo por agente de limpeza, entre o sábado e a Terça-Feira Gorda.

Em Olinda, na Região Metropolitana do Recife, cidade que é Patrimônio Cultural da Humanidade (segundo a Unesco), foram recolhidas aproximadamente 200 toneladas de lixo do Sábado de Zé Pereira até a terça-feira. A operação envolveu cerca de 360 agentes de limpeza urbana, ou seja, uma média de 556 quilos de lixo removido por cada funcionário nos dias de folia! Para completar, 90 homens cuidaram da higienização de 273 cabines sanitárias durante os quatro dias de carnaval.

Em quatro dias de carnaval, um turista hospedado no Recife gastou R$ 1.912, enquanto um agente de limpeza continua ganhando míseros R$ 639,12 por mês para deixar a cidade limpa, durante o ano todo.

A verdade é que pouco mais de mil homens e mulheres limparam as nossas cidades para milhares de foliões. Entretanto, eles não viram a cor do chamado “incremento econômico” gerado nos dias de carnaval e, do Reinado de Momo, muito menos as receitas destinadas aos investimentos nos dias de festa. Somente unidos para lutar por melhores salários, mais contratações e melhores condições de trabalho é que poderemos acabar com a superexploração dos trabalhadores que cuidam da limpeza das nossas cidades.

Thiago Santos, Recife

PCR realiza 6º Ativo Sindical

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Com a participação de 80 militantes, o Partido Comunista Revolucionário realizou, nos dias 3, 4 e 5 de fevereiro, em Maceió, o 6º Ativo Sindical. A atividade teve como objetivo avaliar o crescimento do PCR e do Movimento Luta de Classes entre os trabalhadores, estudar o marxismo-leninismo e preparar o partido para o enfrentamento das consequências da crise econômica que o  capitalismo espalha pelo mundo.

Na sexta-feira, dia 3, foi exibido o filme “A História do Movimento Sindical Brasileiro”, que permitiu a todos os presentes conhecer a origem e o desenvolvimento da luta sindical em nosso país, como a greve dos 300 mil que conquistou importantes leis trabalhistas.

Também no dia 3, o plenário foi dividido em grupos para o estudo do  livro “Células de Empresa”. Todos os presentes destacaram a importância deste estudo, que permitiu identificar os passos necessários para fazer crescer o Partido e organizar os coletivos.

A noite da sexta-feira teve uma exibição de capoeira, que animou a todos os presentes e resgatou a memória de Zumbi dos Palmares e da luta do povo negro pela libertação.

No segundo dia do ativo, o camarada Luís Falcão, membro do Comitê Central do PCR e diretor do jornal A Verdade, apresentou um informe sobre a conjuntura nacional e internacional, destacando a incapacidade do capitalismo de acabar com as crises econômicas e a necessidade da construção mais acelerada das células comunistas nas fábricas e empresas, assim como a importância da atuação junto às mulheres trabalhadoras. “Para fazer uma Revolução, precisamos crescer e assumir a direção dos trabalhadores, pois a classe operária é a única classe verdadeiramente revolucionária e capaz de vencer os patrões”.

Ainda no dia 4, o Ativo recebeu a presença do camarada Edival Cajá, também integrante do Comitê Central do PCR, que falou sobre a atuação sindical do PCR durante a ditadura militar. O camarada Cajá destacou a atuação de Amaro Luís de Carvalho entre os camponeses, de Manoel Lisboa entre os operários, as dificuldades de atuar na clandestinidade e a abnegação dos militantes do PCR na construção do Partido na classe operária.

Após os informes, o plenário foi divido nos seguintes grupos: Serviços, Mulheres, Indústria e Serviço Público. O debate realizado nos grupos permitiu a troca de experiências das atividades desenvolvidas nos Estados e identificou o crescimento do nosso trabalho no movimento sindical.

A apresentação cultural desse dia ficou por conta do grupo de maracatu Afro-Caeté, que tocou belas canções, agitando todos os participantes do Ativo.

O dia 5, último dia do Ativo, foi dedicado aos informes do trabalho entre as mulheres, serviço público e registro sindical.Após os informes, os grupos voltaram a se reunir para estudar o documento da Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxista-Leninistas (CIPOML): “O Movimento Operário, nossas responsabilidades e tarefas”.

Na plenária final, foram votadas as propostas e resoluções que reafirmaram a necessidade da Revolução Socialista, diante da continuidade da crise do sistema econômico e político da burguesia, o capitalismo, que já deixou mais de 200 milhões de trabalhadores desempregados, um bilhão de pessoas passando fome e aumentou o número de pobres em todo o planeta, bem como o número de guerras.

As resoluções políticas do 6º Ativo Sindical do PCR ainda apresentaram o avanço das lutas dos trabalhadores no Brasil. Em 2011, realizaram-se mais de 600 greves em diversas categorias, numa demonstração da combatividade e da disposição de luta dos trabalhadores em nosso país.

Entre as tarefas principais, foi apontado o dever dos comunistas revolucionários de participar ativamente de cada greve, de cada passeata, levando o jornal A Verdade e a mensagem do PCR e do Movimento Luta de Classes (MLC). Porém, não basta organizar e apoiar as lutas sindicais. A libertação dos trabalhadores só irá ocorrer com o fim da propriedade privada dos meios de produção e com a criação da sociedade socialista. Por isso, uma de nossas tarefas é fazer crescer o PCR entre os trabalhadores, recrutando e organizando células e denunciando a exploração dos patrões e as injustiças do capitalismo.

Após a votação das propostas e resoluções, foi realizada uma avaliação da atividade, na qual se destacou, de forma unânime, a importância da realização do Ativo para ampliar o crescimento do PCR no movimento sindical e ganhar a classe trabalhadora para a Revolução. Ao final, foi entoado o Hino dos Trabalhadores, a “Internacional”, e o 6º Ativo do PCR terminou num clima de muita combatividade, disposição, camaradagem e fé na Revolução.

Redação