UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sábado, 29 de novembro de 2025
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27 de Janeiro: O Dia em que o Exército Vermelho libertou Auschwitz

Soviéticos libertaram aprisionados em AuschwitzO dia 27 de Janeiro de 1945 entrou para a história da humanidade como um dia especial. Um dia em que o campo de concentração nazista, Auschwitz-Birkenau, foi fechado pelos Aliados – que libertaram os milhares de prisioneiros que ali se encontravam, sobreviventes que os nazistas em debandada não quiseram levar com eles para outros campos por estarem muito fracos ou doentes. Os libertadores de Auschwitz eram ninguém mais, ninguém menos, do que os Soldados do Exército Vermelho.

Auschwitz foi o maior campo de concentração nazista da Segunda Guerra Mundial. Era, na verdade, um complexo de vários campos. Foi criado em 1940, 1 ano após os nazistas terem invadido e ocupado a Polônia, que é aonde o campo ficava. A maioria dos prisioneiros eram judeus, mas também existiam políticos poloneses, membros da resistência antinazista, ciganos, homossexuais, elementos antissociais e – é claro – comunistas. Soviéticos que tinham sido aprisionados pelos nazistas como prisioneiros de guerra e levados ao campo formaram o quarto maior segmento de vítimas do campo de Auschwitz.

À entrada de Auschwitz lia-se (e ainda hoje se lê, no memorial) as palavras: “Arbeit macht frei” (o trabalho liberta). De fato, como em todos os campos de concentração nazista, os prisioneiros eram forçados a trabalhar. Os que eram muito fracos para isto eram mortos imediatamente, em câmaras de gás disfarçadas de chuveiros coletivos. Estima-se que 1.1 milhão de pessoas tenham sido mortas no campo. Entre vários nazistas conhecidos que trabalharam no campo estão Josef Mengele, O Anjo da Morte, médico que fez experimentos horríveis com seres humanos (e mais tarde morreu afogado no Brasil), e as oficiais da SS Maria Mandel (responsável direta pela morte de milhares de mulheres prisioneiros) e Irma Greese (sádica, costumava atacar as presas com chicote). Eric Brown, um oficial britânico que interrogou vários criminosos nazistas após a guerra, iria mais tarde descrever Greese como “O pior ser-humano que eu já conheci”.

Com a derrota em Stalingrado e em Leningrado, e com o Dia D na Europa Ocidental, o Terceiro Reich começa a ruir. Em 27 de Janeiro de 1945, Soldados do Exército Vermelho – organizados no Primeiro Exército da Frente Ucraniana, do Marechal Ivan Konev (mais tarde ele iria avançar sobre Berlim, junto do Marechal Zhukov), entram no campo e libertam milhares de prisioneiros. O campo estava vazio, pois com o avanço dos soviéticos os nazistas o tinham abandonado – e levado dezenas de milhares de prisioneiros junto com eles, deixando apenas os doentes e os que eram fracos demais para marchar até outros campos de concentração. A capital alemã, Berlim, iria cair meses depois – em 9 de Maio de 1945, “Dia da Vitória” – para os mesmos soldados soviéticos.

27 de Janeiro é também o Dia Internacional para Relembrar o Holocausto – um evento ainda maior no qual 12 milhões de pessoas morreram. Destes, 6 milhões eram judeus. Entre os outros milhões, a maioria é composta de pessoas que simplesmente ousaram se opor a Hitler – incluindo muitos comunistas – e prisioneiros de guerra dos alemães em toda a Guerra. A maioria, soviéticos de diversas nacionalidades.

Davi Dias

Solidariedade às vítimas da tragédia de Santa Maria

Foi com muito pesar que, na manhã deste domingo, 27 de janeiro, recebemos a notícia da morte de 230 jovens na cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, deixando ainda 92 hospitalizados. Santa Maria tem pouco mais de 260 mil habitantes e é uma “cidade universitária”, sediando oito instituições de ensino superior, entre elas a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que possui mais de 27 mil estudantes.

Numa noite que deveria ser de festa na boate Kiss, um incêndio mudou o futuro dos cerca de 1.500 jovens presentes, seus familiares e de toda a população da cidade e do Brasil. As vítimas, em sua maioria, eram estudantes universitários.

Notícias veiculadas pela imprensa dão conta de que o alvará de funcionamento da boate estaria vencido e de que casa estava superlotada no momento do incêndio, além de não possuir saídas de emergência.

Nós, diretores da União Nacional dos Estudantes (UNE) eleitos pela tese Rebele-se, solidarizamos-nos com as famílias das vítimas dessa tragédia, e exigimos a devida apuração e punição dos responsáveis.

Yuri Pires – 1° Vice-Presidente

Matheus Malta – Dir. de Relações Internacionais

Jardel Wadson – Vice-Presidente PB/RN

Claudiane Lopes – Dir. Mulheres

Ricardo Senese – Dir. Ciência e Tecnologia

Esteban Crescente – Dir. Assistência Estudantil

Partido de Angela Merkel sofre 12ª derrota consecutiva

Partido de Merkel sofre 12ª derrota consecutivaA direita alemã de Angela Merkel sofreu a 12º derrota regional consecutiva ao perder as eleições para o Parlamento da Baixa Saxônia para a coligação entre social democratas (SPD) e Verdes por 0,4 pontos percentuais.

A chanceler qualificou a derrota como “dolorosa” acrescentando que, no entanto, “já sofremos derrotas piores”.

O dirigente do SPD, Sigmar Gabriel, considera que o resultado demonstra que “a eleição federal (de setembro próximo) está em aberto, vamos lutar e vamos repetir em todo o país o que aconteceu aqui na Baixa Saxônia”.

Stephen Weil, candidato da oposição SPD/Verdes venceu por 46,3 por cento, contra 45,9 por cento da CDU de Merkel, juntamente com os liberais. Estes foram a surpresa das eleições, conquistando 9,9 por cento, quase o dobro das previsões das sondagens, disfarçando a queda de seis pontos da CDU, que somou 36 por cento.

A Baixa Saxônia é o quarto mais importante Estado federal. Com estes resultados a coligação Social Democrata e Verde dispõe agora de uma forte maioria na câmara alta do Parlamento (Bundesrat), o que lhe permite um apreciável controlo sobre o processo legislativo.

O Die Linke (A Esquerda) não atingiu os cinco por cento, limiar para obter representação parlamentar.

Apesar da 12ª derrota consecutiva no plano regional, a chanceler Merkel continua com elevados índices de popularidade na perspetiva das eleições gerais de setembro, que serão antecedidas em duas semanas pelas regionais da Baviera.

Fonte: BE Internacional

A economia alemã à beira da recessão

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A economia alemã à beira da recessãoA economia alemã continua praticamente estagnada e à beira da recessão, de acordo com o Gabinete Oficial de Estatísticas, que divulga dados contrariando muito em baixa as previsões oficiais do governo de Angela Merkel.

A economia alemã cresceu apenas 0,7 por cento em 2012 e a atividade econômica sofreu mesmo uma contração de 0,5 por cento no último trimestre do ano. O governo previra um crescimento bastante superior, de 1,6 por cento, e o valor do ano passado fica muito aquém do crescimento oficial de 3,1 por cento em 2011, já corrigido por todos os ajustamentos.

Ainda antes de o governo anunciar as suas previsões para 2013 o Bundesbank, banco central, limitou para já as do crescimento econômico a 0,5 por cento. As quedas de 2012 foram as mais elevadas desde o período de recessão de 2009, admitindo-se que a Alemanha consiga escapar ao resto da recessão, ao contrário do resto da Zona Euro, devido aos últimos registos sobre a subida de confiança dos empresários. Essa tendência pode no entanto ser contrariada pelo efeito devastador dos projetos do governo Merkel de cortar mais seis mil milhões de euros no setor público em 2013, com novos aumentos de impostos, o que irá atingir em cheio o já debilitado consumo privado, salários e emprego. A chanceler afirma que o objetivo é atingir o “déficit zero” a todo o custo.

A quebra de atividade da economia alemã decorre, segundo os dados divulgados no país, da crise da Zona Euro, cuja existência foi negada pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, nas suas mais recentes declarações em Portugal.

Devido à situação econômica na Eurozona, e sobretudo aos efeitos da austeridade, as exportações alemãs cresceram o ano passado apenas 4,1 por cento, contra 7,1 por cento em 2011; as importações cresceram ainda menos, não foram além de 2,3 por cento.

O consumo privado cresceu 0,8 por cento, menos de metade do que em 2011; o investimento recuou, sobretudo em bens de equipamento, cuja queda foi de 4,4 por cento.

Fonte: BE Internacional

União bancária: governos obrigados a salvar os bancos

União bancária: governos obrigados a salvar os bancosOs governos nacionais serão obrigados a recapitalizar os bancos em dificuldades a par do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MES) de acordo com documentos do Eurogrupo em debate no processo de criação da união bancária.

O Conselho Europeu, nos termos de documentos divulgados pelo Wall Street Journal, defende que os bancos com problemas só poderão receber apoio direto no caso de os governos nacionais terem capacidade para cobrir esse apoio ou se as suas eventuais falências tiverem repercussões a nível interno ou em toda a Zona Euro.

Outra condição para que os bancos possam aceder a financiamento para recapitalização será a de terem capitais próprios equivalentes a pelo menos 4,5 por cento dos instrumentos financeiros inscritos nas suas contas.

Os documentos em discussão no Eurogrupo sugerem que no sentido de os governos nacionais assumirem as perdas dos bancos os Estados membros devem “fazer contribuições de capital ou dar garantias equivalentes a uma certa percentagem do Mecanismo de Estabilidade”.

Fonte: BE Internacional

Padre Haroldo Coelho, fé e luta

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Padre Haroldo CoelhoNa sexta-feira, 11 de janeiro, morreu em Brasília, vítima de um quadro de infecção generalizada, o Padre José Haroldo Bezerra Coelho, de 77 anos, militante político e defensor das causas sociais. Padre Haroldo nasceu em Fortaleza, no dia 24 de março de 1935. Era o quinto filho de uma família de seis homens e duas mulheres. A mãe era dona de casa e o pai, funcionário dos Correios.

Padre Haroldo iniciou os estudos religiosos aos 14 anos, no Seminário Menor dos Padres Lazaristas. Ordenou-se diácono pela diocese de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, em 1963. No ano seguinte, na mesma diocese, recebeu ordenação presbiteral. Sua ordenação definitiva veio em novembro de 1964, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Fortaleza. Cursou a Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira, em São Paulo, e licenciou-se em Ciências Sociais. Fez pós-graduação na Universidade de Sorbonne, na França.

Em 1986, padre Haroldo se candidatou ao Governo do Estado do Ceará pelo PT (Partido dos Trabalhadores), mesmo contra a vontade dos setores conservadores da igreja católica, e disputou o governo com o coronel Adauto Bezerra e o empresário Tasso Jereissati. Sua campanha ganhou bastante simpatia dos trabalhadores, camponeses, donas de casa, estudantes e de todos os setores oprimidos da sociedade, tendo adotado o título de “O governador do Povo”. Insatisfeito com os rumos do PT, Padre Haroldo militava atualmente no PSOL (Partido Socialismo e Liberdade).

Nas palestras e rodas de discussões, sempre quando abordado sobre religião, dizia: “Jesus foi um revolucionário, por enfrentar o Alto Clero judaico, que fez da religião um instrumento de exploração do povo”. As missas realizadas pelo Padre Haroldo fugiam dos padrões convencionais e eram espaços de muitas denúncias políticas, como o desemprego. “O que é que adianta mandar levantar a carteira de trabalho? Adiantaria dizer: ‘Vamos rezar e viver muito bem, mas vamos nos organizar, até mesmo porque emprego não cai do céu”’. Além do amor à luta, Padre Haroldo tinha outra paixão: o futebol. Era torcedor do Ferroviário Atlético Clube.

Padre Haroldo foi um exemplo de luta e dedicação às transformações sociais. Nunca se intimidou perante os interesses dos mais ricos, e realmente cumpriu os verdadeiros ensinamentos de Jesus Cristo e lutou pelos direitos roubados dos mais pobres. Homem de coerência, compromisso e resistência, seu corpo foi sepultado no cemitério Parque da Paz, em Fortaleza, no dia 13 de janeiro.

Da Redação Ceará

Paralisação no telemarketing: AeC trata trabalhadores com descaso

Paralisação AeCA empresa de call center AeC, instalada em Belo Horizonte, MG, encerrou seu contrato da central de atendimento 135 da Previdência Social no dia 21 de dezembro, após 2 anos de contrato, ação com a qual demonstrou a total falta de respeito com que trata seus trabalhadores.

A empresa confirmou o fim da operação com aproximadamente 25 dias de antecedência. A partir de então a AeC começou uma série de arbitrariedades. Coagiram os trabalhadores individualmente a assinar uma lista em sala fechada com coordenadores, onde foi informado a mudança para a operação de TV por assinatura SKY. Com isso, a escala de trabalho, que era 6 por 1 com folga aos domingos e em feriados nacionais, mudou para uma escala de 5 por 1 com uma folga no domingo por mês e trabalhando em todos os feriados nacionais. Além disso a lista não tem nenhum valor jurídico, sendo o objetivo da empresa simplesmente forçar os trabalhadores a se submeterem à sua vontade. Como se não bastasse, a AeC teve a coragem de dizer que os trabalhadores que não assinassem a lista estariam cometendo uma “fraude”. Houve ainda ameaças de transferência para operações de telefonia ou demissões (mas só se o operador pedisse conta), agindo com uma total falta de diálogo com os operadores.

Com tudo isso, no dia 21 de dezembro o sindicato da categoria – Sinttel-MG -, junto ao Movimento Luta de Classes (MLC) articularam uma paralisação em protesto a essa total falta de respeito. A paralisação contou com o apoio de 100% dos trabalhadores. Ninguém entrou para trabalhar mesmo com a reclamação dos gerentes da empresa. Por cerca de uma hora todos permaneceram na porta da AeC gritando palavras de ordem e lutando por seus direitos. Com a paralisação foi conquistado um bônus de 300 reais pago em duas vezes e um aumento real de 3% a todos trabalhadores.

Assim ficou clara a necessidade dos trabalhadores se organizarem para conquistarem seus direitos. Apenas com a mobilização e decisão de luta transformaremos nossa realidade, superando todas as dificuldades que um trabalhador do call center conhece muito bem.

Movimento Luta de Classes – MG

População reergue estátua de Stalin na Geórgia

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 Moradores reerguem estátua de Stalin na GeórgiaDois anos atrás, após ganhar cerca de 150 euros num trabalho temporário, o aposentado Lazarishvili pagou cerca de 40 euros para restaurar a pintura e o bronze de uma estátua de Stalin que ficava em sua cidade natal, Telavi, na parte oriental da Geórgia. Não muito tempo depois, o governo de direita de Saakashvili confiscou a estátua sob a alegação de que ela representava “ideais soviéticos”.

Para Lazarishvili isso foi um tapa em seu rosto. “Stalin foi a pessoa mais humana”, disse Lazarishvili contemplando outra estátua de Stalin, esta na cidade de Zemo Alvani. “Ele amparava as pessoas pobres e nunca puniu nem 1% (um por cento) daqueles que mereciam punição. Deveríamos imita-lo no seu cuidado com as pessoas”.

Naquele dia a cidade de Zemo Alvani celebrava o aniversário de Stalin com o retorno da estátua, mas em 2011 a mesma campanha anti-soviética removeu também este monumento, além de vários outros em diversas cidades. Os cidadãos de Alvani esconderam a estátua em uma fábrica de sorvetes abandonada mas acabaram danificando-a no processo.

Após as eleições de outubro último, que varreram o partido direitista de Saakashvili do poder, os cidadãos de Zemo Alvani se sentiram livres para restaurar a estátua e retorna-la para o que consideravam seu devido lugar.

Eles coletaram dinheiro e reinauguraram o monumento no dia do aniversário de Stalin.

Entre o público presente havia pessoas que viveram durante os anos de Stalin. Alguns dedicaram poemas ao líder bolchevique, lembrando a educação gratuita no período soviético.

Havia também diversos jovens que nem chegaram a conhecer o governo soviético, menos ainda a liderança de Stalin, mas demonstrando enorme entusiasmo.

Levan Otiuridze, um estudante de direito de 22 anos da Universidade de Tbilisi, afirmou que a juventude foi a força motriz neste processo de restauração.

“Sabemos que toda essa informação negativa sobre Stalin é fabricada”, afirmou. “Esperamos que este novo governo respeite nossa posição, caso contrário os tiraremos de lá”.

“Eu vim aqui porque eu amo Stalin e amo o meu povo”, disse Phatima Patishvili, moradora de Zemo Alvani. “Eu me lembro quando tinha 12 anos o quanto minha avó chorou quando Stalin morreu”.

A vontade do povo

Enquanto a cidade de Zemo Alvani celebrava a restauração do monumento, a cidade de Gori, berço de Stalin, estava em meio à reconstrução de um parque que irá abrigar sua própria estátua do líder soviético – a mesma que foi removida da praça principal em 2010 sob protestos da população.

Esta estátua, erigida em 1952, um ano antes da morte de Stalin, foi movida então para o Museu Joseph Stalin, em Gori.

Soso Vakhtangishvili, parlamentar eleito no ano passado, afirma que se os moradores estão exigindo a restauração da estátua então isso deve ser uma prioridade para o governo local.

“Se as pessoas querem a estátua de Stalin de volta o governo local deve encaminhar essa questão”, disse.

O aposentado Lazarishvili retornou à sua cidade, Telavi, na noite seguinte à comemoração do aniversário de Stalin em Zemo Alvani.

“Olhando para aquela estátua eu sinto que Stalin e suas ideias estão vivas”, afirmou.

Glauber Ataide

Não à intervenção militar francesa no Mali!

Tropas francesas no MaliO governo francês decidiu intervir com suas tropas no Mali.

Depois da Costa do Marfim e Líbia, agora Mali. É uma decisão que põe a França em guerra contra uma de suas antigas colônias.

Desde que o norte do Mali se encontra em poder de grupos armados islamitas, esta foi a única opção adotada.

Desde o princípio, François Hollande vem se mobilizado junto à ONU por um sinal verde para uma intervenção militar, enquanto o Estado Maior e a diplomacia francesa organizavam as medidas concretas.

Personagens como Ouattara, empossado na Costa do Marfim por meio de uma intervenção militar em que a França desempenhou o papel principal, Campaoré, a frente da Burkina Fasso, que nunca deixou de servir aos interesses do imperialismo francês na região fosse qual fosse o governo empossado em Paris, e Yayi Bone, o autocrata beninês, servem de anteparo “africano” a essa intervenção militar. Quem pode acreditar que a Cedeao (Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental) está em condições de formar uma força independente do exército francês? Do contrário, o que está claro é que o efetivo militar francês a postos na África recentemente foi mobilizado para essa operação.

Utilizam para justificar essa intervenção militar francesa o pretexto de lutar contra os grupos armados islamitas que controlam uma parte do território malinês, ameaçam a integridade do Mali e impõem terror nas zonas que controlam. Entretanto, a presença e a facilidade com que se implantam as tropas francesas trazem à tona os profundos problemas sociais, econômicos e políticos, que os regimes que já passaram pelo poder no país foram não só incapazes de resolver, mas, muitas vezes, tornaram ainda piores. Uma intervenção militar, e pior, uma intervenção militar estrangeira, não resolverá nenhum desses problemas, pelo contrário, os agravará.

As forças malêsas denunciaram essa situação e rechaçaram desde o principio uma intervenção militar estrangeira; pronunciaram que a questão da integridade territorial de Mali é responsabilidade do exército malês. Eles não foram ouvidos.

A operação militar é complicada e necessitará de tempo e grandes investimentos. As vítimas são, antes de tudo, as populações civis presas entre o fogo cruzado.

A intensificação do plano “vigipirate” faz parte da estratégia de tensão e convencimento da população francesa de que ela pode ser alvo de atentados e de que os autores estão ligados de uma forma ou outra aos grupos islamitas que agem no Mali. A intenção do governo francês é criar um sentimento de unidade nacional, ao mesmo tempo em que implementa uma agressiva política de austeridade que golpeia as camadas populares.

Por trás dessa intervenção está o objetivo de controlar uma área rica em matérias primas estratégicas, notadamente o urânio, que é explorado pela Areva no país vizinho, a Nigéria, e também se encontra no solo malês.

Por todos esses motivos, por que as guerras na Costa do Marfim, no Afeganistão e na Líbia já demonstraram amplamente que a justificativa de lutar contra o terrorismo e pela defesa da democracia não é mais que uma grande mentira, manifestamos nosso total desacordo com a intervenção militar da França no Mali.

Reafirmamos a necessidade de acabar de vez com a política conhecida pelo termo “françafrique”, uma política de dominação econômica e ingerência política e militar.

Afirmamos que cabe ao povo malês, às suas forças democráticas e patrióticas, encontrar a via para uma solução política à crise que atravessa seu país.

Paris, 12 de Janeiro de 2012
Partido Comunista dos Trabalhadores da França (PCOF)

Greve da Normatel é exemplo de união e luta dos trabalhadores

Greve Normatel EngenhariaDurante 20 dias, os trabalhadores contratados da empresa NORMATEL ENGENHARIA (terceirizados de uma das subsidiárias da Petrobras chamada LUBNOR – Lubrificantes Derivados do Nordeste) realizaram uma combativa paralisação para garantir o direito do reajuste nos salários de 8% previsto pelo Acordo Coletivo 2012. Desde junho do ano passado, o dono da empresa se nega a pagar o que o seu próprio sindicato (patronal) havia acertado com o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil. Exatamente por isso, este último encaminhou à Delegacia Regional do Trabalho uma denúncia e abriu processo na Justiça do Trabalho contra a NORMATEL, ainda em agosto, para garantir o pleno direito dos funcionários.

No período do processo, infelizmente, o Sindicato da Categoria sequer informou aos trabalhadores o que estava acontecendo, o que gerou imensa revolta de todos. No final de 2012, os membros da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) e outros companheiros procuraram o Movimento Luta de Classes após verem uma paralisação dos petroleiros organizada pelo Sindpetro. A partir de então o MLC, junto com uma comissão dos trabalhadores da empresa, encaminhou uma assembleia da categoria no dia 21 de dezembro e realizou uma paralisação de advertência de 1 dia para pressionar o patrão. Na ocasião, a direção da LUBNOR e da NORMATEL bloqueou os crachás de todos e os impediram de entrar após o feriado de NATAL. Vendo o desrespeito da empresa, os mesmos trabalhadores, profundamente indignados, decidiram parar as atividades até o dia 7 de janeiro. Esse era o fim do prazo dado pela Justiça do Trabalho para os patrões apresentarem uma proposta para pagar o aumento.

Mesmo assim, sem nenhuma preocupação com o processo, o patrão marcou a reunião somente para o dia 9 de janeiro. Todos decidiram, então, aguardar a notícia da negociação na porta da empresa. Numa demonstração de muita coragem e combatividade, os 94 funcionários realizaram uma assembleia na entrada do prédio com muita agitação e aguardaram durante 3 horas o resultado da reunião com os responsáveis da empresa. Na mesa de negociação, que contou com a participação de 5 trabalhadores democraticamente eleitos pela assembleia, num ato de cinismo e irresponsabilidade, os representantes da NORMATEL ENGENHARIA informaram que não pagariam o reajuste e esperariam a decisão da justiça. Em virtude da pressão, no entanto, informaram que não cortariam os salários nem a participação no lucro dos empregados e negociariam os dias parados, o que já representou uma vitória.

Fica clara a sede de lucro desse patrão MISERÁVEL! Embora o contrato com a LUBNOR seja de R$ 7 milhões, não se dispôs a pagar sequer o aumento salarial, o que não representa nem 2% do valor total desse mesmo contrato. Outra coisa muito importante: a própria LUBNOR sequer autuou ou penalizou essa empresa. Por que será? Mas, o dono da NORMATEL não perde por esperar! Os trabalhadores continuarão mobilizados para garantir seus direitos.

Por fim, é importante ressaltar que o mais importante foi a UNIÃO dos trabalhadores resultante dessa paralisação. A consciência de todos ficou ainda maior e puderam perceber que não é possível confiar em patrão e, portanto, o único caminho para a categoria, assim como para todas as outras, é muita LUTA.

Serley Leal (MLC) e Emanuel Oliveira (SINDPETRO), Fortaleza, Ceará

Rubens Paiva foi assassinado no Exército

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rubens paiva

“Rubens Paiva foi assassinado no Exército”.  A afirmação é do coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Claudio Fonteles, que, nos próximos meses, divulgará documento de sua autoria elucidando, com provas, que o deputado federal Rubens Paiva foi morto sob torturas por agentes da Ditadura Militar no interior do DOI-Codi do Rio de Janeiro, em janeiro de 1971, aos 41 anos de idade. A versão oficial que o Exército mantém até hoje é que Paiva fugiu das mãos dos militares.

Claudio Fonteles informa, no entanto, de que ainda não há pistas sobre a localização do corpo do ex-deputado. Em novembro, a Folha de São Paulo revelou que documentos entregues à Polícia Civil do Rio Grande do Sul pela família do coronel Júlio Miguel Molinas Dias, morto a tiros quando chegava a sua casa, em Porto Alegre, ajudariam a confirmar a morte de Paiva nas mãos da Ditadura Militar. Dias comandou o DOI-Codi do Rio de Janeiro no fim da década de 1970 e início dos anos 1980.