Após dez dias de paralisação, a categoria dos vigilantes de Minas Gerais encerrou sua greve com um acordo na justiça. Reivindicando inicialmente aumento de 16,8% no salário e adicional de risco de morte de 30%, a categoria conseguiu um reajuste de 8% e o adicional pelo risco de morte subiu de 6% para 9%.
A greve dos vigilantes, que coincidiu com a greve dos rodoviários na cidade de Belo Horizonte, se espalhou por várias cidades do estado. Os trabalhadores se fizeram presentes principalmente nas ruas da capital mineira e com muita disposição, fazendo várias passeatas, interrompendo o trânsito, agitando e ganhando o apoio da população. Os trabalhadores passavam em frente aos bancos e incentivavam seus colegas ainda em serviço a se integrarem ao movimento. O resultado foi mais de 40 agências bancárias totalmente paralisadas só na capital, além da interrupção das atividades do Fórum da cidade.
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A greve chegou ao fim em reunião entre os sindicato dos trabalhadores e o sindicato patronal na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE). No encontro, que durou cerca de seis horas, ficaram acertados, além do reajuste de 8% no salário, o aumento do vale-alimentação, que foi para R$ 8,33, e o acréscimo de 9% no salário pelo risco de morte. O piso anterior da categoria era de R$1.026,86, tendo subido agora para R$1.109,00. O novo valor da cesta básica foi para R$78,20.
Romualdo Ribeiro, presidente do Sindicato dos Vigilantes, afirmou que o resultado não foi o que a categoria queria no início da greve, mas que se não tivessem paralisado, “o valor nunca seria esse”.
O comércio mundial de armas convencionais cresceu 24 por cento entre 2007 e 2011 em relação ao quinquênio anterior (2002-2006), de acordo com um relatório divulgado em Estocolmo pelo Instituto Internacional de Estudos para a Paz (Stockholm International Peace Research Institute – SIPRI). Os Estados Unidos continuam a ser os maiores vendedores, e à grande distância da concorrência, a Índia passou a ser o maior comprador e a China tornou-se mais exportador do que comprador. O maior negócio das últimas duas décadas foi o fornecimento de caças F-15SG pelos Estados Unidos à Arábia Saudita em 2011.
De acordo com o relatório, os cinco maiores exportadores mundiais de armamento – Estados Unidos, Rússia, Alemanha, França e Reino Unido – concentraram 75 por cento das vendas durante o período em análise . A quota dos Estados Unidos é de cerca de um terço do total (30 por cento) e subiu 24 por cento entre 2007 e 2011 em comparação com o período anterior.
Todos os principais importadores são agora países asiáticos: Índia (10 por cento), Coreia do Sul (seis por cento), Paquistão (cinco por cento), China (cinco por cento) e a minúscula Singapura (quatro por cento). De 2002 a 2011 a China passou de maior importador para quarto e tornou-se o sexto maior exportador, com um aumento de 95 por cento, situando-se agora a curta distância do Reino Unido. Pequim tem como principal cliente o Paquistão.
Por regiões, a Ásia e Oceania importaram 44 por cento do total, a Europa 19 por cento, o Médio Oriente 17 por cento, a América 11 por cento e a África nove por cento.
O maior negócio dos últimos 20 anos foi a compra pela Arábia Saudita aos Estados Unidos de 84 caças F-15SG, que incluiu a modernização de 70 comprados anteriormente. O valor envolvido foi calculado na altura em 60 mil milões de dólares.
As “Primaveras Árabes” não alteraram o fato de os Estados Unidos serem os maiores fornecedores do Egito e da Tunísia e a Rússia o da Síria – que se reforçou em 580 por cento.
A Rússia está com uma quota de mercado de 12 por cento e tem a Índia como melhor cliente, sendo também o principal fornecedor da Síria. A Alemanha subiu à terceira posição, ultrapassando a França, e tem a Grécia como principal destino das suas exportações. Atenas caiu do quarto posto como comprador em 2002-2006 para o 10º mundial em 2007-2001; no entanto, e apesar da crise, fez dois contratos de compra à Alemanha em 2011.
As importações de armas no continente americano cresceram 61 por cento no quinquênio em análise, com os Estados Unidos à cabeça, oitavo importador mundial. Na América do Sul os maiores importadores são o Chile e a Venezuela, mas o Brasil tem contratos em execução com a França e a Itália que o incluirão entre os maiores compradores. As despesas da Venezuela com armas convencionais cresceram 555 por cento, tornando o país o 15º importador mundial quando era o 46º entre 2002 e 2006.
O relatório do SIPRI considera que se registaram “aumentos significativos” de compra de armamento em regiões como o Norte de África, Sudeste Asiático e o Sul do Cáucaso.
O continente africano gastou mais 110 por cento em armas do que no quinquênio anterior, em especial devido à subida da quota do Norte do continente de 33 para 59 por cento, com um aumento de despesas de 273 por cento. Argélia, África do Sul e Marrocos são os maiores compradores; os gastos deste país aumentaram 443 por cento no último quinquénio analisado.
O Jornal A Verdade, dando prosseguimento a sua cultura de valorização e aproximação com seus leitores, sorteará um livro das Edições Manoel Lisboa. O livro será O que é o marxismo, de V. I. Lênin. O sorteio será pela conta do Twitter (@averdade_jornal). Para participar é necessário seguir a conta de A Verdade e retweetar a mensagem promocional.
OBS: Sorteio já realizado. O ganhador foi @DiegoViktor
A mensagem a ser retweetada pode ser acessada diretamente pelo link:
O que é o marxismo? Perguntam milhões de trabalhadores e jovens que não encontram a resposta do porquê são tão explorados e somente uma reduzida minoria de pessoas pode usufruir das riquezas produzidas pela sociedade, ao mesmo tempo que veem aumentar os ataques dos patrões capitalistas e de seus meios de comunicação ao socialismo científico.
Para responder a essa indagação, as Edições Manoel Lisboa reuniram três importantes artigos de V.I. Lênin, líder da revolução socialista russa e fundador da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. São eles: Karl Marx, uma exposição sobre o marxismo; Friedrich Engels e As três fontes e as três partes constitutivas do marxismo.
Lendo-os, os leitores poderão verificar o quanto continua verdadeira e atual a ciência fundada por Marx e Engels e por que o marxismo-leninismo é a única concepção que pode conduzir ao fim da miséria, da fome e da exploração do homem pelo homem no mundo e à construção de uma sociedade fraterna, na qual as pessoas vivam com fartura e em liberdade. Saberão, ainda, por que o socialismo desperta tanto o ódio da burguesia e de seus escritores e por que a doutrina de Marx é justa, harmoniosa e inconciliável com toda a superstição, com toda a reação e com toda a defesa da opressão burguesa.
Manoel Lisboa de Moura nasceu em 21 de fevereiro de 1944 em Maceió, Alagoas. Preocupado com os problemas sociais iniciou, ainda adolescente, suas atividades políticas organizando o grêmio do seu colégio, o antigo Liceu Alagoano, hoje Colégio Estadual. Foi diretor da União dos Estudantes Secundaristas de Alagoas (UESA) e aos 16 anos ingressou na juventude comunista. Já em 1964, com apenas 20 anos, foi impedido de continuar seu curso de medicina na Universidade Federal de Alagoas e teve seus direitos políticos cassados pelo governo militar. Em 1965, Manoel foi arbitrariamente preso, e solto após 16 dias de interrogatórios e torturas. A partir de então, passou a viver na clandestinidade. Em fevereiro de 1966, juntamente com Amaro Luís Carvalho (Capivara), Selma Bandeira e outros comunistas, fundou o Partido Comunista Revolucionário (PCR). Por sua firme atuação em defesa dos trabalhadores e da revolução, foi preso no dia 16 de agosto de 1973, numa praça pública situada no bairro do Rosarinho, no Recife, numa ação conjunta das polícias políticas de Pernambuco e São Paulo, comandadas pelos policiais torturadores Luís Miranda e Sérgio Paranhos Fleury.
Dez dias após sua prisão, Manoel foi visto ainda com vida por outros militantes, com o corpo cheio de queimaduras e semi-paralítico. No dia 5 de setembro é publicada nos jornais da burguesia uma nota oficial e mentirosa do governo da ditadura militar fascista, dizendo que ele havia sido morto em tiroteio com a polícia de São Paulo, juntamente com dois outros dirigentes do PCR, Emanuel Bezerra e Manoel Aleixo.
Desde então, Manoel tem sido reverenciado pelos seus companheiros do PCR por seu exemplo de bravura, firmeza, coragem e honestidade. No próximo dia 21 de fevereiro de 2000, o Centro Cultural Manoel Lisboa estará realizando em sua sede, no Recife, o lançamento do livro de depoimentos sobre a vida e a luta revolucionária de Manoel Lisboa. O livro tem dezenas de depoimentos de militantes comunistas que conviveram e trabalharam com Manoel Lisboa pela libertação dos trabalhadores brasileiros do jugo do capitalismo. A VERDADE publica, com exclusividade, um desses depoimentos, o de Maria do Carmo Tomáz, a última companheira do PCR a falar com Manoel, poucas horas antes de seu assassinato.
Manoel: Como é difícil falar sobre você, companheiro! As palavras para traduzir o Celso, o revolucionário que tivemos fisicamente por tão pouco tempo entre nós, parecem tão fracas diante do potencial que esse revolucionário representou e representa na memória de quem o conheceu e participou de sua prática revolucionária. Falar de você é falar de um mundo melhor, é sonhar com uma sociedade sem políticos corruptos e, conseqüentemente, de uma sociedade melhor: sem desemprego, sem fome, sem miséria…
Foi exatamente em 1971 que conheci Manoel Lisboa com o codinome de Celso. Não consigo até hoje compreender como uma pessoa que esperava a qualquer momento ser presa e morta, como realmente foi, podia ter tanta tranqüilidade, tanta alegria. Mesmo nos momentos em que falava dos riscos que corria pela sua prática revolucionária, a num momento em que era procurado pela polícia dos órgãos repressivos, ele muitas vezes comentava com humor. A única coisa que o tirava do sério era irresponsabilidade de companheiros; irresponsabilidade deixava-o nervoso e muito irritado. Certo dia, ele chegou a me dizer: “Se só minha vida fosse suficiente para fazer a revolução, eu a daria, não pediria a ninguém para lutar”. Manoel tinha certeza de que, ao cair nas mãos da repressão, estaria morto, mas falava de tudo isso com muita firmeza e determinação.
Foi exatamente no dia 15 de agosto, às 17 horas, numa quinta-feira, no bairro do Rosarinho, que a polícia política colocava a mão naquele revolucionário cujo único “crime” foi ter uma ideologia e lutar por ela: querer uma sociedade sem fome, sem desemprego, sem menor abandonado, sem opressores, sem oprimidos. Esse foi seu único “crime”, que lhe custou torturas físicas, as mais cruéis que se possa imaginar: pau-de-arara, choques por todo o corpo, cabo de vassoura introduzido no reto, queimaduras por todo o corpo e, finalmente, a morte, exceto a última não fui testemunha ocular. É muito difícil falar de tudo isso, mas para que fique registrado nas páginas da história, alguém tem que escrever, colocar fatos, e eu não posso fugir dessa responsabilidade: colocar no papel essa parte da história que vivemos na ditadura militar.
No dia 16 de agosto de 1973, às 06hs50, um dia depois ou uma noite depois da prisão de Manoel, estava eu também sendo presa ao entrar para trabalhar na Fábrica da Torre. Não entendia exatamente o que estava acontecendo. Como a polícia tinha me descoberto? Falava de Manoel: Manoel te entregou! Aquele safado! Eu não sabia quem era Manoel, o conhecia por Celso. Diante das acusações e daquela turbulência, me deu um clique de repente e lembrei que no dia anterior tinha mandado a companheira Fortunata ir ao encontro de Celso, pois eu tinha outro compromisso e não podia faltar. Foi nesse momento que comecei a entender o que realmente tinha acontecido: Manoel, o Celso, estava preso junto com Fortunata, e Fortunata, coitada! Não tinha condições de agüentar tanta selvageria e me entregou. Era uma pessoa sem experiência, uma operária simples, boa, maravilhosa. Apavorou-se com a monstruosidade como foi preso Manoel, ficou em estado de loucura e não hesitou diante do medo em dizer que eu trabalhava também na Torre.
Pobre Fortunata! Ainda dentro do DOI-CODI, tive a oportunidade de ganhar um abraço dela em prantos, me pedindo perdão. Não precisas me pedir perdão companheira! Fortunata contou que na hora da prisão de Manoel foi uma verdadeira operação de guerra. Não o colocaram no mesmo carro em que a colocaram. Porém, na praça ainda, começaram a bater nele como se fosse um bicho e o jogaram dentro de um carro, já desmaiado. Na hora em que se aproximou, na praça, um homem o interrogando, ele fez menção de pegar a Lili, apelido que ele dava à arma que conduzia. Foi inútil, de todos os lados da praça surgiam homens, eram muitos, ela não sabe exatamente quantos! Carros e carros surgiam naquele local, estava preso o Manoel que a repressão tanto procurava.
No dia em que fui presa, me colocaram frente a frente com ele (acareação – termo usado por eles). Estava totalmente nu, com bastantes hematomas. Ele fixou os olhos em mim e nada falou. Arrasei-me quando o vi, depois fiquei numa cela vizinha ouvindo os seus gritos. Durante muito tempo pensei que ia enlouquecer, não conseguia me libertar daqueles gritos de dor. Tinha pesadelos horríveis! O seu comportamento causou admiração até mesmo aos torturadores. Num certo dia do mês de setembro eu não estava mais sofrendo tortura física me levaram a uma câmara de tortura e me deram a triste notícia de que Manoel estava morto. É um momento que me dói muito lembrar, eu disparei num choro, para mim o mundo havia acabado, a esperança estava apagada, me senti num túnel sem luz, estava tudo escuro, foi uma dor muito grande. Ficaram me olhando e disseram: “Um igual aquele vocês não vão encontrar”. Senti vontade de cuspir na cara de cada um, me deu um ódio!
Manoel Lisboa, você foi um exemplo de um HOMEM sério, responsável, de um revolucionário de fibra, de coragem, de um amigo das horas difíceis e de todas as horas, de um revolucionário íntegro , respeitado, de um filho carinhoso. Isso se explica pela mecha do cabelo de sua mãe que carregava de lembrança em sua carteira, já que a ida clandestina não o deixava viver ao lado dela. PARABÉNS, MANOEL! O nosso país precisa de gente como você.
Maria do Carmo Tomáz Natal, 13 de abril de 1999
Admirador da obra do poeta e dramaturgo comunista Bertolt Brecht, Manoel sempre incentivava os militantes do PCR a conhecer os poemas e os trabalhos de Brecht. Um de seus poemas preferidos era Decisão, que publicamos aqui.
A Decisão Bertolt Brecht
Cada companheiro tem dois olhos;
O Partido tem mil.
O Partido conhece três continentes;
Cada companheiro conhece uma cidade.
Cada companheiro tem sua hora;
O partido tem mil vezes sua hora.
Cada companheiro pode ser destruído
mas o Partido não pode ser destruído.
Porque é a vanguarda das massas e dirige seu combate
Segundo os métodos clássicos, forjados
no conhecimento da realidade.
La Pasionaria. Apaixonada. A flor da paixão. Assim se sentia e assim era Dolores. Sensível às dores dos sofridos, repleta de amor. Um Amor de Humanidade. “Fogo que acende/fogo que alimenta/fogo que cresce, queima e apaixona”1.
Nasceu Isidora Dolores Ibárruri Gómez, Dolores, filha de trabalhador mineiro, no dia 9 de dezembro de 1895, na aldeia de Gallarta, na província basca de Biscaia. Foi uma criança altiva, inteligente. Ela mesma relata: “Sempre fui muito rebelde, desde pequenina. Diante da injustiça, sempre reagi violentamente. Se a minha mãe me castigasse sem um motivo, eu armava logo uma grande confusão”. Teve uma passagem brilhante pela escola, mas precisou se afastar para trabalhar em serviços domésticos e de costura, a fim de ajudar a família.
Seu pai, conservador, era carlista, movimento de apoio aos descendentes de Carlos de Borbón na disputa pela sucessão ao trono, travada com os descendentes do rei Fernando VII. Cansado, o pai mandava a garota para as reuniões, a fim de lhe transmitir as informações, os debates, e dessa forma Dolores começou sua atividade política.
Inclinou-se para a esquerda. Em 1916, casou com o operário mineiro socialista Julián Ruiz e ingressou na Frente Socialista, participou da greve geral de 1917, ano em que festejou a Revolução Bolchevique. Junto com o marido, rompeu com a Frente, que não aceitou se unir à Internacional Comunista criada por Lênin e participou, em 1920, da fundação do Partido Comunista Espanhol (PCE).
Boa escritora e oradora, impressionavam seus textos publicados nos panfletos e boletins do Partido. Os operários chamavam-na de mulher abençoada. Quando se mudou para Madri, em 1930, passou a escrever no jornal do PCE Mundo Obrero, com o pseudônimo Pasionaria, e agitar grandes massas com sua emocionante e vibrante oratória. O mito está se construindo. “Por tua voz, fala a Espanha das cordilheiras/dos braços pobres e explorados/crescem os heróis cheios de palmeiras/morrem saudando-te pilotos e soldados”2.
Dolores teve seis filhos (as), dos (as) quais quatro morreram ainda crianças e Rubén, nascido em 1921, piloto de combate das Forças Armadas Soviéticas, caiu em combate na Batalha de Stalingrado. Ela costumava andar sempre com roupas de cor preta, num luto permanente pela morte das pessoas queridas. Quando seu casamento terminou, ela se mudou para a capital espanhola.
No Pasarán!
Em 1931, cai a Monarquia. Espanha Republicana. Dolores vai para a Constituinte, eleita pelo Partido Comunista nas Astúrias. Em 1934, visita Moscou, conhece Stálin e preside o I Congresso das Mulheres Comunistas da Espanha. Espanha no coração/No coração de Neruda,/No vosso e em meu coração./Espanha da liberdade,/Não a Espanha da opressão./Espanha republicana:/ A Espanha de Franco, não!”3
A Frente Popular de Esquerda vence as eleições, mas a Direita não aceita a perda de poder e se lança à guerra para restaurar a Monarquia. O verão de 1936 marca o início da guerra (Leia Guernica, em A Verdade, nº 90). São três anos de luta com mais de 400 mil mortes. Dolores escreve, discursa, anima os combatentes nas frentes de batalha. Comunista, ela defende conventos de freiras e religiosos da sanha anticlerical de setores anarquistas da Frente. Amada e admirada, ela é a heroína da República e todos (as) vibram ao ouvir seus slogans: “Antes morrer de pé que viver de joelhos!”, “Os fascistas não passarão!”, “É melhor ser a viúva de um herói, que a mulher de um covarde!”.
A Divisão interna da Frente Popular Republicana (Comunistas x trotskistas x anarquistas) facilita a vitória das forças franquistas, que contam com apoio total dos nazistas alemães. No ano de 1939, Dolores, como tantos outros comunistas partem para Moscou.
Foram 38 anos de exílio, durante os quais, a revolucionária não descansou. Atuou com Dimitrov na Internacional Comunista (III Internacional), visitou países socialistas, foi eleita, em 1942, secretária-geral do PCE e, em 1960, sua presidenta.
Si! Si! Si! Dolores a Madrid
Com este grito, a multidão emocionada e entusiástica, recebeu Dolores de volta à pátria, em 1977, um ano após a morte de Franco, num momento de transição democrática. A velha revolucionária se aproximava dos 82 anos, mas não se aposentou. Foi novamente eleita para a Assembleia Constituinte, participou de vários eventos, escreveu suas memórias “O único Caminho”. “Quem não a segue?/Nunca ao vento deu uma bandeira mais paixão/ não ardeu mais intensamente um coração”4.
Morreu no dia 12 de novembro de 1989, aos 94 anos. No seu enterro, diante da multidão chorosa, Julio Anguita, falou para ela: “…Dizem, Dolores, que morreste! Que asneira! Vives em cada um dos que te amam, e são tantos! Comunista exemplar, és de todos: de todos que levantam o punho, de todo o povo; tu ensinaste que o Partido não se organiza para si próprio, mas para todos os oprimidos. Que exemplo para mulheres e homens, mulher cheia de ternura e de firmeza. Fecha os olhos e sonha com o teu povo! Dorme, companheira Ibárruri! Repousa, camarada Pasionaria.”.
E assim, Dolores “morreu como um pássaro: cantando.5
1Miguel Hernández, poeta espanhol, em PASIONARIA.
2Miguel Hernández, poema citado.
3 Manuel Bandeira, poeta brasileiro em No vosso e em meu coração.
4 Rafael Alberti, poeta espanhol, em Uma Pasionaria para Dolores
5 Miguel Hernández, obra citada
José Levino, historiador e membro do Conselho Editorial de A Verdade
Existe, em muitos companheiros e também no seio do povo, medo do exército burguês.
Muitos acham impossível vencê-lo e veem o exército exatamente como a ditadura quer: como uma coisa que está acima de nós.
Companheiros, antes de tudo, devemos pensar direitinho no que é o exército burguês. Esse exército (da burguesia) defende os interesses dos capitalistas, defende a propriedade privada (dos capitalistas) e oprime o povo contra qualquer revolta, pois nada temos para ser defendido pelo exército (da burguesia); apesar de a gente sempre ouvir dizer que o exército é o defensor da nação, O QUE VEMOS DE VERDADE É O EXÉRCITO DEFENDER OS INTERESSES DOS RICOS PARASITAS CONTRA O POVO TRABALHADOR.
Os capitalistas usam os órgãos de propaganda (rádio, jornal, televisão) e empregam a educação (o ensino) para fazer o povo acreditar que o exército defende os interesses da nação e não dos capitalistas. Querem convencer o povo de que o exército é honesto e defensor da nação, e fazer todos respeitá-lo, senão quem iria morrer nas guerras pela burguesia? Por isto, desde criança aprendemos a respeitar o exército, a propriedade dos ricos, o presidente da República e demais autoridades burguesas.
O exército da burguesia está realmente forte no momento, mas isto não significa que ele nunca será derrubado. Pensar assim é não conhecer a força da nossa própria classe; é não entender que a nossa união é uma grande força para destruir a força repressiva da burguesia. Com a nossa união e organização, podemos colocar no lugar deste exército burguês, antipopular, antinacionalista e lacaio dos interesses estrangeiros, isto é, devemos colocar no lugar desta corja um exército formado pelos melhores companheiros das classes trabalhadoras. Este, sim, será um exército realmente popular porque formado por pessoas do povo, por pedreiros, carpinteiros, torneiros, soldadores, serventes, tecelões, estudantes, sapateiros, camponeses, comer-ciários, etc. Será um exército popular e revolucionário porque defenderá os verdadeiros interesses do povo e lutará por uma sociedade melhor, uma sociedade mais perfeita e mais justa, luta por uma sociedade socialista.
O mais importante para um exército vencer e dominar é contar com o apoio do povo. A propaganda não pode ocultar a verdade nua e crua das desigualdades sociais, o desemprego, os salários baixos, a injustiça e todos os males do capitalismo. Eis a principal questão: eles têm armas, dinheiro, soldados, MAS NÃO TÊM O POVO. E como este exército da burguesia não é amado pelo povo brasileiro, nós devemos formar nosso exército. Para destruirmos este exército, que é da burguesia, temos que formar o nosso próprio exército, o exército do proletariado.
E como formar o nosso exército?
Ora, já vimos que quando estamos fracos temos que usar formas de luta mais simples para nos fortalecer. É justamente isto que falta cada companheiro compreender para colocar em prática estas questões. Já temos os exemplos do povo russo, do povo chinês, do povo cubano e exemplos de muitos outros povos, que organizados derrubaram os exércitos burgueses que ós oprimiam. No Vietnã está o mais belo exemplo de como um povo atrasado (economicamente) derrotou o exército francês e está derrotando o exército mais poderoso do mundo capitalista, as forças armadas america-nas. E o que fizeram os vietnamitas? Lutaram, se organizaram e incenti-varam os outros a se organizar como nós, do Conselho de Luta, estamos fazendo. Saíram, de boca em boca, ensinando a verdade sob uma ditadura pior e mais sangrenta do que a nossa. Com grandes dificuldades (para aprender mais), publicavam jornais debaixo do pano, explicando, incentivando e ensinando o povo a se organizar.
O que devemos fazer?
Para formar nosso exército, dependemos unicamente do nosso esforço. Do esforço de cada um que já tem consciência, em ir organizando as massas (o povo desorganizado) e ir dando consciência aos que quase nada sabem a respeito da luta de classes, da nossa luta, e ir aumentando o número de pessoas para nossa organização, e assim iremos formando nosso Partido e daí iremos criando o nosso exército, com as pessoas conscientes de todos os setores da população, desde os companheiros operários, que serão os dirigentes da nossa luta, até os camponeses, os estudantes, funcionários públicos, pessoas politicamente boas que existam dentro das próprias forças armadas do inimigo, enfim de todas as camadas exploradas da população e que apoiam de verdade as nossas ideias e nossos métodos de luta. Temos que conscientizar as pessoas e trazê-las para nós; assim teremos condições de criar nosso exército.
Bom, companheiros, existem muitas formas de luta; o que estamos precisando é a decisão e firmeza dos companheiros para continuar os trabalhos de panfletagem que temos feito dentro das fábricas e nos bairros, desenvolver o trabalho político com outros companheiros e participar do trabalho teórico, que é escrever para os nosso jornais. Todas estas formas de luta têm a finalidade de esclarecer e organizar o povo para que ele pegue em armas de maneira consciente.
Só na luta aprendemos a confiar em nós mesmos, em nossa força, porque defendemos os verdadeiros interesses do povo e lutamos pela justiça. É isto que nos dá certeza da vitória da LUTA OPERÁRIA por meio do exército revolucionário do povo, contra o exército mercenário (vendido) da burguesia.
Todo esforço no trabalho de conscientizar o povo, todo esforço no trabalho de educar para a luta os melhores elementos das classes traba-lhadoras e trazê-los para o Conselho de Luta Operária. Todo esforço nos trabalhos que levam a formar um Partido Operário, pois o exercito revolucionário do povo, só obedecerá a um único comando que será o Partido Operário.
Só com coragem, decisão e firmeza é que se luta.
Só na luta é que se forma o Partido Comunista Revolucionário.
Só na luta se constrói o exército revolucionário do povo.
* Escrito por Manoel Lisboa em agosto de 1973, um mês antes de ser assassinado pela Ditadura Militar, e publicado na revista do PCR Luta Operária, nº 10
Em 5 de outubro de 2011 morria Steve Jobs, dono da Apple. Os panegíricos e as hagiografias à sua pessoa pululavam até o aborrecimento em todos os mass media, como se fosse um santo, um gênio e um grande homem. Uma semana depois falecia Dennis MacAlistair Ritchie, cientista da computação estadunidense, e ninguém ficou sabendo. Enquanto do primeiro se falava em todos os meios de comunicação, o segundo apareceu apenas em alguns e como notícia secundária.
Dennis Ritchie é considerado um dos pais da computação moderna. Sua contribuição foi imensa: colaborou com a arquitetura e o desenvolvimento dos sistemas operacionais Multics e Unix, assim como com o desenvolvimento de várias linguagens de programação, como a C, tema sobre o qual escreveu um célebre clássico das ciências da computação junto com Brian Wilson Kernighan: A linguagem de programação C. Recebeu o Prêmio Turing de 1983 pelo desenvolvimento da teoria dos sistemas operacionais genéricos e sua implementação na forma do sistema Unix. Em 1998 lhe foi concedida a Medalha Nacional de Tecnologia dos EUA. No ano de 2007 se aposentou, sendo o chefe do Departamento de Pesquisa em Software da Alcatel-Lucent. Jobs, ao contrário, não foi “o maior contribuinte do mundo da informática”, como alguns o qualificaram. As contribuições de Jobs na área propriamente dita são simplesmente nulas.
A imprensa ianque ressaltava que Jobs teve “uma vida exemplar e extraordinária”; e a de outros países, não ficando para trás, lhe renderam cumprimentos como “um homem que quis dar seu amor e dedicação para satisfazer as massas”, “pioneiro”, “um grande criador de postos de trabalho” e “revolucionário”, entre outros alardes de servilismo e ignorância.
Jobs fez uma enorme fortuna (estimada em 8,5 bilhões de dólares) à base da utilização e exploração em benefício próprio de bens comuns sem os quais não alcançaria seus êxitos e, claro, da exploração de outros seres humanos (especificamente em Shenzen, na China, onde se exploram brutalmente os trabalhadores que têm jornadas de seis dias por semana, 16 horas por dia, e em condições militares em suas linhas de produção; onde se produzem suicídios e se assinam contratos nos quais se renuncia aos direitos trabalhistas e até penais, segundo publicou o jornal inglês Daily Mail). Existe um ambiente de terror bem-documentado na obra de Mike Daisey A agonia e o êxtase de Steve Jobs. A hostilidade de Jobs às classes trabalhadoras já era há muito conhecida, como expressa seu conselho a Obama para imitar a China, o que permitiria às empresas estadunidenses, na China e nos EUA, que “fizessem o que quisessem” [sic], sem nenhum tipo de proteção aos trabalhadores nem ao meio ambiente.
Também quiseram nos apresentar Jobs como um gênio que trouxe grandes avanços à tecnologia e ao design. Como já dissemos, não apenas não fez absolutamente nada como também se utilizou em benefício próprio de bens comuns, sendo que seus designs sempre foram questionados por serem plágios ou cópias descaradas do que outros criavam. (Algumas manchetes: O design do novo iMac… plagiado?, O Navegante, janeiro de 2002; Samsung acusa Apple de copiar design do Ipad, VidaDigitalRadio.com; Apple copia design de Kubrick…, Apple copia Android em seu iO5, etc., etc.).
Seu objetivo sempre foi acumular dinheiro – e, quanto mais, melhor. Para as corporações ianques e “empreendedores” do mundo capitalista ele era e ainda é o exemplo perfeito do que se deve ser; para as classes populares, para o proletariado mundial, é o paradigma do que devemos combater.
(Extraído do jornal Octubre, do Partido Comunista Espanhol Marxista Leninista)
Fui visitar Clara Zetkin no asilo encantador onde ela se encontra de passagem. Escolhi o dia em que ela completava setenta e um anos.
Estamos em Arkhangelskoié, a uns trinta quilômetros de Moscou, numa casa de repouso. Casa de repouso é a casa em que se pode trabalhar em paz. Quanto a repousar, depende do caráter do cliente, e não é pedido razoável, quando se trata de Clara Zetkin.
Ei-la, instalada em pleno ar, diante de uma pequena mesa. Há diante dela papéis, presos sob pedras, para evitar a ação do vento. Ela escreve. Escreve da manhã à noite. Explica-me que o médico lhe proibiu andar mais de um quarto de hora por dia, e por isto, ela escreve durante o resto do tempo, e, à noite dorme, mal, o que lhe permite pensar no que vai escrever no dia seguinte.
Não mudou nestes últimos anos: seu rosto rosado e cheio, a auréola celebre de seus cabelos brancos e sua voz patética. A fisionomia deste grande apóstolo da revolução (pode-se empregar a velha palavra apóstolo, quando se vivifica com um sentido novo) é bastante conhecida da multidão proletária da Europa Central e da URSS, onde, no ano passado, por ocasião das festas do X aniversário, a carreira magnífica da indomável militante foi consagrada pela confirmação solene da condecoração da bandeira vermelha. E é com fraternal veneração que os proletários de todos os países hoje a saúdam calorosamente.
Clara Zetkin cuida neste momento da organização do VI Congresso da Internacional Comunista. Quando terminar este trabalho, irá a Moscou, onde ficará enquanto durar o Congresso.
Clara Zetkin
Depois disto, que irá fazer? Muitos amigos aconselharam-na a escrever as suas memórias. Seria toda a história da onda revolucionária contemporânea, com seus tumultos e redemoinhos, e seus obstáculos destroçados, através de um olhar nobre e uma alma intrépida. Ela sente muita vontade de fazê-lo. Mas, toda vez que se dispõe a este trabalho, uma obrigação peremptória de “diretora de consciência” e de oradora irradiante arranca-a de seus projetos e lança-a na luta imediata. Não somente não se lastima, mas procura mesmo estas ocasiões para exercer uma ação útil pela palavra e outros meios de propaganda direta. É por isto que, depois deste congresso solene, de que ela será alma, ela pensa, quanto lhe permite a saúde, em falar às massas alemãs, que têm confiança nela. “Temos lá o que fazer”, disse-me ela, e isto significa, em sua boca: “É preciso fazê-lo” e “Eu o farei!”
E como seu espírito é vivo e agudo, e como se interessa de um modo intenso por todos os detalhes dos acontecimentos atuais, e pela grande luta mundial entre a reação, ainda tão poderosa e voraz, e a revolução em marcha!
É às vezes uma lembrança que remonta do passado antigo ou recente. Conta-me as peripécias de sua ultima viagem clandestina à França, e como quase por milagre pôde ela comparecer ao Congresso de Tours. Não tomou nenhuma precaução exterior. Desembarcou em Paris na estação de Este, sem prestar atenção nos policiais que estavam lá para espiar, já notificados da sua vinda. “Eu não estava disfarçada: tinha o vestido e o chapéu que me eram habituais e me tornavam reconhecível. Atravessei a plataforma bem tranquilamente, como boa burguesa, e tomei um táxi… Penso que, com sangue frio e calma, se despistam mais os melhores policiais, do que com máscaras.”
Não há figura mais alta entre os dirigentes revolucionários que a desta mulher, cuja vida foi um completo exemplo brilhante e ardoroso, e que parece tirar maravilhosamente novas forças da necessidade que se tem dela, neste período histórico emocionante: a passagem da velha à nova ordem de coisas.
Todos nós, proletários e intelectuais revolucionários, camaradas, irmãos ou simpatizantes, celebramos em nossos corações a gloriosa velhice de Clara Zetkin e sua eterna e preciosa juventude.
Extraído do Livro A Nova Rússia – 1932 de Henri Barbusse
*Nasceu em Asnières, na França, em 17 de maio de 1873, e morreu em Moscou, na URSS, em 30 de agosto de 1935. Foi um dos mais importantes escritores franceses do início do século 20.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 31% dos casos de gravidez no Brasil terminam em abortamento, ou seja, de cada dez mulheres grávidas três abortam de forma espontânea ou induzida. Segundo o Ministério da Saúde, todos os anos ocorre cerca de 1,4 milhão de abortos espontâneos ou inseguros.
O Código Penal prevê apenas duas exceções para a prática do aborto: risco de morte da gestante e gravidez resultante de estupro. O aborto, porém, envolve questões que se estendem para além de leis e concepções religiosas.
Hoje, em nosso país, o aborto é seguro apenas para as mulheres ricas que podem pagar por ele, embora ele seja ilegal. Quem tem condições de dispor de mais de R$ 3 mil consegue realizar um aborto com certa segurança.
Para as mulheres pobres, ao contrário, a situação é bastante diferente. Elas recorrem a clínicas clandestinas que não dispõem de condições adequadas de estrutura nem de pessoas capacitadas a realizar o procedimento. Nessas clínicas, utilizam-se medicamentos abortivos vendidos ilegalmente ou métodos mais arcaicos que ocasionam, recorrentemente, perfurações de útero e infecções.
Tais métodos, em geral, fazem que essas mulheres sejam levadas aos hospitais públicos para tratar as sequelas, situação que se agrava no aspecto legal, pois isso deixa de ser uma ação pessoal, privada, delas, e elas passam a ser passíveis de ser denunciadas e presas.
Não se trata de coincidência que estudos e pesquisas realizados demonstrem que,em alguns Estadosdas regiões Norte e Nordeste, o aborto clandestino é a principal causa de morte materna, enquanto, nas regiões Sul e Sudeste, ele ocupa o terceiro ou o quarto lugar nessa classificação. Nos Estados mais pobres, a possibilidade de acesso das mulheres a um aborto pago são bem menores.
As motivações para um aborto
Segundo a Pesquisa Nacional do Aborto divulgada em 2010, 15% das mulheres entrevistadas realizaram aborto uma vez na vida e, em 60% desses casos, são mulheres entre 18 e 29 anos.
Uma publicação do Ministério da Saúde intitulada “20 anos de pesquisas sobre aborto no Brasil”, de 2009, sintetiza dados de diversas pesquisas divulgadas sobre o assunto e traz importantes informações. Segundo esta publicação, a maior parte das adolescentes, cerca de 78%, que abortam, têm entre 17 e 19 anos e mais de dois terços dessas mulheres dependem economicamente dos pais ou do companheiro, têm uma relação estável e usam algum tipo de contraceptivo regularmente, ou seja, estão decididas a não terem um filho. A publicação revela também o impacto do nascimento de um filho na vida de mulheres adolescentes: 70% delas abandonaram os estudos até o primeiro ano de vida do filho e todas expressaram julgamento negativo sobre a gravidez ao final deste primeiro ano. Entre as mulheres adultas, este quadro se repete: a maioria mantém relação conjugal estável e é usuária de métodos contraceptivos, além de ter ao menos um filho.
Isso demonstra que a interrupção de uma gravidez indesejada, em geral, não vem de uma aventura sexual irresponsável, como se costuma alardear, mas tem muitas outras motivações, tais como: violência sexual ou mesmo casos de coerção não explícita, falta de apoio emocional e (ou) financeiro do parceiro; dificuldades de acesso a contraceptivos ou desconhecimento adequado para usá-los; falha do medicamento, já que nenhum método é 100% seguro; dificuldades econômicas ou sobrecarga de responsabilidades e tarefas familiares; medo de perder o emprego ou não se sentir apta para ser mãe devido à idade; ou a experiências pessoais.
Por isso, não é fácil, física nem psicologicamente interromper uma gravidez. A mulher que apela para essa ação o faz por entender que não há melhor saída, e as pobres, quando fazem, correm sérios riscos.
Os que defendem a criminalização do aborto falam de uma vida em potencial, que não tem culpa de ter sido gerada. Entretanto, nada dizem da vida da mulher a quem é imposta a maternidade indesejada. Defender uma vida em potencial sob quaisquer circunstâncias, sem a garantia mínima de condições estruturais e psicológicas da família que a deveria acolher é hipocrisia, pois a vida é muito mais que o fato de se estar presente neste mundo; envolve condições de dignidade humana não só para quem é gestado, mas também para quem gesta.
Por isso, a humanidade, independente do que digam as leis, pratica o aborto no mundo todo ainda que, em alguns países, seja ilegal, porém faz isso na clandestinidade e sem as condições adequadas.
Mas lutar pela legalização do aborto não significa, de forma alguma, desejar que ele se transforme em método contraceptivo, mas sim que a maternidade não pode ser uma imposição natural às mulheres. Por isso, defendemos o acesso a contraceptivos e informação adequada para seu uso, autonomia das mulheres para que tenham poder de dizer não ou impor condições aos parceiros em uma relação sexual – exigindo o uso de camisinha, por exemplo – e que, se necessário for, tenham direito de interromper uma gravidez indesejada como último recurso.
Todos nós que lutamos por um mundo melhor defendemos a vida e o direito de toda mulher de poder ser mãe quando quiser, e que tenha direito a um atendimento de saúde adequado para gerar e parir e de condições de criar seus filhos com igualdade de direitos e oportunidades para todos os seres humanos.
Nos dias 10 e 11 de fevereiro, realizou-se na cidade de João Pessoa, Paraíba, o lançamento da Conferência de Mulheres das Américas, que aconteceu durante o 1° Encontro Estadual do Movimento de Mulheres Olga Benário na Paraíba. O evento serviu também como preparação para escolha da delegação paraibana que participará da Conferência em São Paulo, no mês de junho.
Pela proximidade com a data de aniversário da revolucionária Olga Benário (12 de fevereiro de 1908), no início do evento, houve uma merecida homenagem a essa grande lutadora e militante comunista com exibição de trechos do filme Olga e da entrevista de sua filha, Anita Leocádia Prestes. A força do exemplo de Olga comoveu e serviu de estímulo para todos os presentes.
A abertura aconteceu no auditório do Hospital Universitário da UFPB e contou com a presença de cerca de 80 pessoas, a grande maioria mulheres que saíram de suas cidades, de seu trabalho, para participar deste importante momento de construção da luta feminina na Paraíba.
Na mesa inaugural estavam presentes Nézia Gomes, secretária de Mulheres de João Pessoa, Margareth Diniz, diretora do Centro de Ciências da Saúde da UFPB, Elisabeth Araújo, coordenadora nacional do Movimento Olga Benário, Heloisa de Sousa, da Marcha Mundial de Mulheres, Cândida Moreira Magalhães, da Secretaria da Mulher e da Diversidade Humana do Estado, Paula Frassinete, professora aposentada da UFPB e ex-vereadora de João Pessoa, Paula Virginia Colares, do Comitê Preparatório Internacional da Conferência de Mulheres das Américas e Vilma Rodrigues, vice-presidente do Sindicato dos Urbanitários da Paraíba. Os trabalhos de abertura foram dirigidos por Izabelle Gomes, representando o Movimento Olga Benário da Paraíba, que falou sobre o evento ao jornal A Verdade: “Foram dois dias de formação política com vídeos e debates sobre os direitos das mulheres, sobre a história do dia 08 de março. Tivemos grupos de debate sobre saúde, violência, creche, trabalho e geração de emprego e renda. Em todos os debates, ficou muito claro que as mulheres têm toda disposição em se organizar para lutar por seus direitos e por uma sociedade livre da exploração e opressão capitalistas, uma sociedade socialista.”
O lançamento da Conferência das Américas tem ocorrido em diversos estados, fortalecendo a organização local das mulheres e a preparação para a Conferência, em São Paulo.
Também participaram do evento, representantes dos DCEs e Centros Acadêmicos da UEPB e UFCG, do gabinete da deputada estadual Gilma Germano, do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), da União da Juventude Rebelião (UJR), do Partido Comunista Revolucionário (PCR), da Associação Paraibana dos Estudantes Secundaristas (APES-PB), do Movimento Luta de Classes (MLC), dos sindicatos da limpeza urbana, dos jornalistas e dos urbanitários, além de delegações de mulheres de Patos, Campina Grande, Guarabira, Bayeux e da própria capital, João Pessoa, além de representantes de vários estados do Brasil.
Em 1º de outubro de 2011, o Partido Comunista Revolucionário Voltaico (PCRV) completou 33 anos. Em 1º de outubro de 1978, os comunistas de Burkina Fasso (antigo Alto Volta, país africano limitado a oeste e a norte pelo Mali, a leste pelo Níger e a sul pelo Benin, e com 11 milhões de habitantes), munidos de uma coragem de ferro, fincaram as bases de seu partido. Depois dessa data, apesar da repressão, das torturas, das prisões, dos assassinatos, das pressões e intimidações de toda a sorte, maquinadas pelos poderes que se sucederam no país, esses comunistas efetuaram um longo e exaustivo trabalho – sem abdicar das ideias revolucionárias e comunistas – no seio da classe operária e das massas populares. O objetivo principal em que o partido está centrado é conscientizar, organizar em torno dele a classe operária, o campesinato, o povo oprimido em seu conjunto, a fim de derrubar a burguesia e substituir seu sistema neocolonial corrompido, falido, por um sistema de sociedade, mais justo e melhor, embasado nos valores do marxismo-leninismo, ou seja, o socialismo científico.
Hoje, o PCRV tem uma atuação nacional. Embora na clandestinidade, é temido pela burguesia nacional e pelas potências imperialistas instaladas no país. Seus posicionamentos sobre a vida política nacional são sempre aguardados com impaciência pelo povo. Ele está presente no cotidiano no seio das camadas populares do país, no seio dos operários das usinas e das minas, no seio da massa de trabalhadores oprimidos da administração nacional, no seio das mulheres e dos jovens, no seio das forças de defesa e segurança, no seio do campesinato e dos intelectuais do país, no seio da diáspora. Esta atuação nacional só foi possível graças a um trabalho minucioso e paciente embasado nos ensinamentos do marxismo-leninismo.
Os posicionamentos do PCRV encontram-se nas folhas volantes e no órgão político central Bug-Parga ou Takisse ou Jewo-Jema (que significa ‘centelha’ nas três principais línguas do país: moore, dioula e peulh). O PCRV publica igualmente um jornal para as forças de defesa e segurança, intitulado Le Clairon. É um jornal comunista para a formação de homens e mulheres no seio das forças de defesa e segurança. Ele constitui uma ligação entre este componente especial do povo e do proletariado. O PCRV é apoiado no trabalho por uma juventude corajosa, dinâmica e combatente organizada na União da Juventude Comunista Voltaica (UJCHV), que dispõe de seu próprio órgão de informação, O Clarté.
O PCRV é um partido de ação revolucionária
Burkina Fasso é um país neocolonial agrícola atrasado, dominado pelo imperialismo, notavelmente o francês, e é um dos mais pobres do mundo, com uma renda per capita inferrior a US$ 300. Parte integrante do sistema capitalista mundial é, portanto, atingido violentamente pela crise que devasta o sistema capitalista há tempos. Esta crise é tão aguda hoje que os dirigentes dos países capitalistas e seus ideólogos têm revelado ao mundo sua incapacidade de encontrar uma solução viável. A máquina está desgovernada e os condutores tentam inutilmente detê-la. Diante da barbárie desta situação, o proletariado mundial, os povos do mundo devem tomar sua responsabilidade. É neste contexto que o PCR afirma sem ambiguidade que a única via de transformação em favor das massas populares é a substituição do poder da IV República pela Revolução Nacional Democrática e Popular, mediante a Insurreição Geral Armada sob sua direção.
Como o país será governado após a vitória da insurreição e como os problemas institucionais serão resolvidos? Qual é o programa econômico, social e político que será posto em prática para as transformações econômicas, sociais e políticas a serem operadas no país a fim de sair da recessão e tomar a via do progresso social e da modernização?
A estas questões fundamentais e legítimas, que preocupam certa-mente todas as pessoas íntegras do país, o PCV propõe a instauração de um Governo Revolucionário Provisório (GRP). Este governo convocará uma Assembleia Constituinte na qual os membros serão eleitos democra-ticamente pelo povo, mediante eleições livres e transparentes. A Assembleia Constituinte, com todo o suporte do poder revolucionário, terá por tarefa colocar em prática os fundamentos institucionais de uma República Democrática Moderna (RDM), de traduzir por meio das leis as aspirações profundas da classe operária e do povo. Todas estas reflexões do PCR estão contidas no documento intitulado “A República Democrática Moderna” para transferência no sitewww.pcrv.net.
O PCRV é um partido internacionalista
O PCRV, desde seu nascimento, tomou consciência de que para pôr fim à burguesia nacional dominante no Alto Volta (Burkina Fasso), que tem o patrocínio material, financeiro e militar das potências imperialistas presentes no país (a França em primeiro lugar), ele precisa necessariamente do apoio dos proletários e dos povos do mundo inteiro. Isso porque, depois de 1978, ele não poupou esforços para desenvolver laços de solidariedade internacional em todo o mundo.
Assim, na região sul do oeste africano, apesar das diversas dificul-dades, desenvolveu relações de trabalho com os partidos irmãos do Benin ( Partido Comunista do Benin, PCB) e da Costa do Marfim (PCRCI). Com a situação caótica que vive a Costa do Marfim, depois de aproximadamente 10 anos, as relações entre o PCRV e o PCRCI demonstraram toda sua importância. Os partidos comunistas da região sul têm interesse de reforçar seus laços de fraternidade e de coordenar suas ações em vista do triunfo da revolução em seus respectivos países. A classe operária e o campesinato pobre dos países da região sul deparam-se com os mesmos problemas. Os partidos comunistas da região sul trabalham para o surgimento de partidos comunistas autênticos nos outros países. No nível africano, o PCRV conserva, depois de muito tempo, bons relacionamentos com o Partido Comunista dos Operários da Tunísia (PCOT). O PCOT, durante muitos anos lutou corajosamente contra o regime de Ben Ali. Ele pagou o preço vigorosamente. Ele tomou parte ativa no movimento popular que derrubou esse regime corrompido, sustentado pelas potências estrangeiras. No nível internacional, o PCRV contribui modestamente no reforço e na reorganização do Movimento Comunista Internacional (MCI), do qual um dos componentes atuais é a Conferência Internacional dos Partidos e Organizações Marxista-Leninistas (CIPOML). A CIPOML reagrupa os partidos e organizações marxista-leninistas da África, da Europa e da América Latina.
Extraído de La Forge, França.
Tradução: Alexandre Félix
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