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quinta-feira, 7 de julho de 2022

Trabalhadoras terceirizadas: o descaso da empresa Especialy em Campinas

PROTESTO – Trabalhadoras terceirizadas do setor de limpeza de Campinas protestam contra descaso da empresa (Foto: Reprodução/ Arquivo).

Trabalhadoras terceirizadas fizeram uma paralisação para reivindicar os direitos não atendidos pela empresa Especialy, em Campinas.

Patricia Kawaguchi

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CAMPINAS – A empresa Especialy terceiriza serviços de alimentação e limpeza nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país. Enquanto recebe grandes verbas públicas, repassa salários baixos. Além de baixos, muitas vezes os salários não chegam. Foi por isso que trabalhadoras se reuniram novamente em frente à Prefeitura Municipal de Campinas, interior de São Paulo, para cobrar seus direitos como vale transporte, salário e outras promessas não cumpridas pela empresa.

Essa não foi a primeira vez no ano que as trabalhadoras fizeram uma paralisação para reivindicar os direitos não atendidos pela empresa. Sem vale transporte, trabalhadoras da limpeza no setor de educação reuniram o dinheiro que não tinham para se locomover de suas casas até o Paço da Prefeitura para manifestarem sua indignação.

O Jornal A Verdade, junto à Unidade Popular (UP) e ao Movimento Luta de Classes (MLC), esteve presente em solidariedade à paralisação convocada pelo SIEMACO (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo) junto às trabalhadoras.

Lá, ouvimos as histórias que envolviam salários atrasados, promessas não cumpridas – tais como a não disponibilidade de materiais de EPI (Equipamento de Proteção Individual) para garantir a proteção contra a COVID-19 – além de desculpas esfarrapadas que não resolviam o problema.

De acordo com as trabalhadoras, a empresa acusava a prefeitura de não fazer o repasse e a prefeitura dizia que já tinha cumprido sua parte e que a responsabilidade de pagar era da empresa. Essa é uma consequência extremamente comum da terceirização: além de possibilitar a contratação por salários menores e em condições mais precarizadas, é frequente que a empresa terceirizada e sua contratante joguem a culpa uma para a outra quando há falha nos pagamentos.

Como apontado pela Cartilha do Movimento Luta de Classes (p. 11): “a terceirização se tornou uma realidade a partir da existência de governos neoliberais que destruíram vários direitos conquistados pela classe trabalhadora. Os trabalhadores que estão sob esse regime de contratação da força de trabalho são reconhecidamente mais explorados e têm seus direitos trabalhistas constantemente desrespeitados”.

É um absurdo que as trabalhadoras sofram com atrasos de salário e precisem pagar o transporte até o local de trabalho por não receberem o vale transporte, principalmente considerando que Campinas tem a segunda maior tarifa de ônibus do país.

O serviço de limpeza é essencial para o funcionamento das escolas, sobretudo em meio à pandemia, e as funcionárias devem ser tratadas com dignidade pela Especialy.

O pagamento do vale transporte foi feito somente após as manifestações, depois de sucessivos adiamentos e de um novo protesto que causou o fechamento de muitas escolas na cidade.

Permanecemos atentos em solidariedade às trabalhadoras da limpeza! Convidamos todas as trabalhadoras e trabalhadores a conhecerem o Movimento Luta de Classes (MLC) e a Associação Independente dos Trabalhadores e Trabalhadoras Terceirizadas (AIT)!

Lutemos contra a terceirização e a superexploração dos patrões gananciosos.

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