Teve início na porta das empresas de telemarketing do grande ABC, o plebiscito para montar a pauta da campanha salarial de 2014. A Atento São Bernardo, com mais de 8 mil funcionário e a CB Contact Center, com cerca de 3 mil funcionários, foram as primeiras e a votação foi massiva.
A grande participação dos trabalhadores está mostrando a disposição de luta da categoria e temos apostado na união e organização dos trabalhadores para conquistar a valorização dessa categoria tão explorada em nosso país.
Contamos com o apoio do SINDSERV-SBC, da CUT, e, em particular, com a presença do seu Diretor Glauco durante o Plebiscito na Atento SBC.
Na próxima semana teremos a divulgação dos resultados do plebiscito e com a pauta decidida vamos encaminha-la para as empresas e iniciar as mobilizações.
Em 2014, o jornal mais conhecido do Rio Grande do Sul, Zero Hora, completa 50 anos, os mesmos 50 anos do início da Ditadura Militar brasileira. Coincidência? Não. E quando lemos sua primeira edição não restam dúvidas sobre o tipo de relação existente entre ZH e o regime.
Na capa de seu primeiro número, o jornal se identifica como independente e democrático, sem vínculos ou compromissos políticos. Afirma ter como objetivo servir ao povo, defender seus direitos e reivindicações. Apenas um mês após o golpe, porém, a publicação tenta justificar a quebra de direitos imposta pela ditadura. Na reportagem da página 4, intitulada “Pedida suspensão dos direitos políticos dos ex-ministros de Jango”, comemora o expurgo de policiais contrários à ditadura e a prisão de todos secretários de Estado do Rio de Janeiro que apoiavam João Goulart. Ainda declara que os ministros de Jango são acusados de participar de atividades contrárias ao regime democrático, e repudia as reformas sociais que Jango começava a instalar no País.
Hoje sabemos que o discurso utilizado pelo ZH condizia com o discurso militar, sendo um dos principais veículos voltados a enganar o povo, fantasiando o golpe de avanço para os brasileiros. Ainda cumpriu o papel de distorcer por completo ideologias de esquerda como o marxismo, chamando os militantes desta teoria de terroristas e ditadores, com o objetivo de fazer a população repudiá-los. Na verdade, os marxistas estavam do lado da luta para que fosse aprofundada a democracia no Brasil
Ano passado, com o retorno de lutas populares nas manifestações de rua,foi flagrante o poder que o jornal tem. No mês de junho, quando as passeatas caminharam rumo à Avenida Ipiranga com a intenção de protestar em frente à sede da Zero Hora (Grupo RBS), grande contingente da Brigada Militar já estava lá, armada, dispersando os manifestantes com muitas bombas de gás lacrimogêneo e cumprindo ordem para que nada acontecesse ao prédio.
Fica a prova de que os órgãos de “segurança” apenas defendem as grandes empresas e só obedecem a seus desmandos de poder, enquanto o povo é ignorado. Não foi por conta própria que a Brigada foi defender a tão amada sede do seu jornal favorito. Cumpriu ordens de quem realmente comanda o Estado, os grandes empresários, que foram os principais questionados nos protestos, já que controlam o transporte “público” no País, seu preço e sua qualidade.
A influência do grupo RBS, afiliado à Rede Globo, sobre o povo gaúcho também acontece nas eleições. O primeiro caso conhecido foi o do antes comentarista, apresentador e diretor de telecomunicação Antônio Britto (PMDB). Eleito, em 1994, governador do Rio Grande do Sul, Britto iniciou um intenso processo de privatização. Diminuiu o patrimônio público dos gaúchos, vendendo boa parte do Estado para multinacionais. Passaram-se anos de grande indignação por parte da população a esse tipo de política neoliberal, mas, por conta dessa mídia manipuladora, nunca conseguimos ter as condições de intervir como autores da nossa política.
Nas eleições de 2006, caímos no mesmo buraco: outra ex-funcionária da RBS, Yeda Crusius (PSDB), foi eleita governadora do Estado. De comentarista do telejornal noturno para porta-voz das grandes empresas. Com uma gestão conhecida por tratar os movimentos sociais como criminosos. Repetiu a política de Britto.
Outros políticos foram eleitos com as mesmas características. Saem da imprensa com sua candidatura, usando sua fama para arrecadar patrocinadores. São os casos de Mendes Ribeiro (PMDB), Sérgio Zambiazi (PTB), Paulo Borges (DEM), etc.
Nestas eleições, o histórico se repete: Lasier Martins (PDT), comentarista do Jornal do Almoço, da RBS, quer repetir o que, há quatro anos, aconteceu com Ana Amélia Lemos (PP). Sai dos comentários da TV com a defesa mais escancarada do agronegócio e vai direto para a campanha ao Senado cheio de coronéis nas suas costas. Para sua eleição ao Senado, em 2010, a ex-repórter Ana Amélia, que hoje se candidata a governadora, teve um total de 82% do financiamento de campanha ligado a doações de empresas privadas, segundo o sítio Donos do Congresso. E não será diferente neste ano, na candidatura ao Senado de Lasier.
Com financiamentos gigantescos, rostos conhecidos da televisão e discursos enganadores, dão passos largos para praticarem a política reacionária de criminalização dos movimentos sociais e privilégios da burguesia. A afirmação: não existe mais direita e esquerda – utilizada pelos dois – vem comprovar a tentativa de subestimar a inteligência da população.
Tanto na ditadura, nas manifestações de rua e nas eleições, o papel da nossa mídia hoje é defender a manutenção da ordem, a despolitização do povo, o lucro dos patrões (que financiam os seus jornais, rádios e TVs) e todos os candidatos que façam o mesmo. É o que Lasier Martins, Ana Amélia e o Grupo RBS realmente deveriam assumir, assim como a Rede Globo e seu candidato a presidente, Aécio Neves (PSDB).
O 20º Grito dos Excluídos ocorreu em várias cidades do Brasil como resposta dos movimentos sociais a chamada semana da pátria e a nossa tão propagandeada “independência”. Com o tema “Ocupar Ruas e Praças por Liberdade e Direitos”, a realização do 20º evento em Pernambuco contou com a participação de milhares de militantes dos movimentos sociais organizados (CUT, MST, MLB, movimento de mulheres Olga Benário, partidos de esquerda, sindicatos, etc.) mesmo com a forte chuva que caiu no início do ato, milhares de pessoas participaram até o fim do evento.
Na ocasião, foi realizada mais uma brigada do jornal A Verdade, levando o debate sobre as eleições desse ano, onde foram vendidos dezenas de exemplares ao fim do evento. As brigadas do jornal A Verdade tem muita importância para propaganda do socialismo e denunciar a dura realidade dos trabalhadores. Nesta edição de numero 165, foi destacada a entrevista com a candidata Luciana Genro, que serve de subsidio para tratar do debate sobre as eleições no Brasil. A brigada é mais uma das muitas atividades que iremos realizar como preparo para a festa de nosso jornal, e sempre temos participado do Grito dos Excluídos, um evento que reúne os diversos seguimentos dos movimentos sociais e é um espaço aberto para a imprensa popular, com a venda de dezenas de jornais.
A 20ª edição do Grito dos Excluídos no ano de 2014, em Recife – PE lembrou as manifestações populares do mês de junho de 2013, com a presença marcante da juventude crítica e ativa, ocupando as ruas e praças. Segundo os organizadores, o desafio é exigir o “padrão FIFA” não só para estádios, infraestrutura e eventos, mas para os direitos básicos da população de baixa renda como: terra, trabalho, educação, saúde, transporte, moradia, segurança, alimentação de qualidade, entre outros.
No dia 04 de setembro de 1973, cerca de 41 anos atrás, foi assassinado brutalmente Manoel Lisboa de Moura, após 15 dias de bárbaras torturas sofridas pelos agentes da ditadura militar foi assassinado. Sua conduta de vida foi exemplar, até no momento mais difíceis e doloroso ele suportou as mais terríveis torturas, despido, pendurado no pau de arara, espancado por todo corpo, choques elétricos no pênis, nas mãos, nos pés, nas orelhas, queimado com vela, logo nos primeiros dias perdeu a sensibilidades dos membros inferiores, e nada disso fez entregar seu companheiros para os carrascos da ditadura.
“Eles te mataram, estás vivo”
Como bem coloca o poema Herói comunista de Valmir Costa, tentaram matar suas ideias, seu exemplo, mas ele está vivo em cada novo jovem que ingressa no Partido Comunista Revolucionário, está vivo em cada operário que decide lutar contra a exploração da burguesia, está vivo e inspirando cada vez mais pessoas a dedicarem suas energias para lutar por um mundo onde não tenha a exploração do homem pelo homem, o mundo da sociedade socialista.
No dia 5 de Setembro de 2014 as ruas da cidade do Recife-PE, amanheceram com os dizeres “Manoel Lisboa vive!” e o “PCR vive e luta”, homenagem realizada por militantes da União da Juventude Rebelião – UJR ao grande revolucionário que inspiram a juventude até hoje.
Publicamos abaixo um poema em sua homenagem:
Herói comunista
Eles te sangraram
Te queimaram
Nunca te curvaram
Eles dilaceraram
Teu corpo
Nunca tua alma.
Ele venceram
Teu corpo
Nunca tua vontade
Eles te mataram
Está vivo…
Eles monstros fascistas
Tu herói comunista
Protótipo da humanidade futura
Eles, vermes anônimos
Tu, Manoel Lisboa de Moura
(Valmir Costa, publicado no jornal A LUTA, em dezembro de 1974, assinado por Lucas).
Desde o primeiro momento em que notei que a palavra “sororidade” estava sendo difundida nos discursos das feministas, devo admitir que me causou um certo desconforto e, de fato, despertou em mim uma real preocupação referente ao uso constante deste termo, visto que os termos e conceitos não terminam em si, mas servem como ferramentas de reflexão para a compreensão de um determinado fenômeno.
Devido a isto, encaro como um fator limitador da construção da ação prática deste movimento – histórico e que não existe isolado – o uso constante de palavras análogas à “sororidade”.
A palavra sororidade vem do latim soror, que significa irmã e faz referência ao tratamento dado às freiras. Pois bem, alguns termos como “irmandade feminina” e “compaixão feminina” abrem espaço para generalizações que consequentemente levam à invisibilidade de mulheres que se diferenciam em questões de classe, cor e mesmo de identidade de gênero (mulheres trans), por exemplo, e por isso mesmo vivenciam as opressões de modo diferente.
A ideia de solidariedade que esta suposta “universalidade da mulher” insere neste contexto acaba se tornando uma falácia, pois esta mulher universal não existe. Nossas diferenças nos marcam e muitas vezes isto ocorre de forma violenta. Exemplo é a marginalização histórica das mulheres negras, que quando falamos de condições econômicas, são as mais afetadas.
Quero dizer com isto que não considero que o feminismo abarque a todas nós, apenas por sermos mulheres, mas por uma decisão política que tomamos. O feminismo não existe isoladamente, mas está inserido em diferentes contextos históricos. Para que o feminismo possa existir enquanto um movimento orgânico é necessário que ele possua diferentes dimensões, visto que está inserido em uma sociedade cindida em classes sociais que se diferenciam e ocupam lugares distintos, podendo ser privilegiadas ou não.
Diferenciar é importante porque além de humanos somos seres sociais e possuímos necessidades diferentes. É possível seguir esta mesma linha de raciocínio quando a questão é a luta das mulheres pelo direito à cidade. O papel da mulher neste debate é fundamental, visto que se fôssemos pensar apenas a população de modo geral, esta luta não incorporaria outras dimensões que dizem respeito às necessidades específicas das mulheres, que apesar de serem a maioria da população, são as que mais sofrem com a falta de políticas públicas.
Sei que não sou dona do termo “sororidade” e por isso mesmo não me proponho aqui a esgotar nenhum debate. Também não me proponho a atacar alguém em particular. Sei que podem existir diferentes concepções acerca de um mesmo termo ou conceito. Escrevo este texto para me posicionar politicamente sobre o uso de categorias simplistas que a meu ver podem prejudicar mais do que agregar.
Isto não significa, no entanto, que eu não respeite outras dimensões do feminismo. Meu intuito é que possamos refletir juntas sobre o uso indiscriminado de termos e também sobre problemas analíticos que podem surgir a partir disto.
Se o emprego deste termo não abrisse espaço para questionamentos, talvez não encontrássemos por aí tantas mulheres feministas assumindo posições contrárias à ideia de “irmandade” feminina. O uso de termos e conceitos genéricos pode ser perigoso devido à capacidade que estes possuem de simplesmente apagar alguns sujeitos. Além disso, muitas mulheres se sentem “pisando em ovos” ao tentar dialogar sobre questões como esta com outras feministas, que encaram o movimento como se fosse algo uno, que caminhasse dentro de uma linearidade e cujo processo de construção não abarcasse questões contraditórias e conflituosas.
Há mulheres que não se sentem contempladas com o uso de alguns termos – neste caso específico “irmã” – e isto por si só já é algo que merece devida atenção de feministas que acreditam que este movimento deve ser constantemente construído e dinamizado e que o uso de termos genéricos implica em perdas na capacidade de mobilização. Devemos procurar ser mais cuidadosos e menos românticos quando nos articulamos politicamente.
“Hoje, abarcar a diversidade, reconhecer as diferenças, falsas simetrias e privilégios existentes entre diferentes grupos de mulheres é fundamental para fazer o feminismo avançar. A mulher pode ser oprimida ou opressora, tudo vai depender do contexto em que está inserida. Reconhecer isso significa sair de um amontoado de pequenas questões pessoais para enxergar o quão complexo é o terrível patriarcado. Porém, vale sempre lembrar, não é ele nosso único inimigo” (Trecho retirado do site www.srtabia.com).
Se existe um debate que de fato é perigoso para os setores que se interessam em manter uma sociedade de classes e com desigualdade de direitos entre gêneros, é exatamente o debate sobre a igualdade. Reconhecer as diferenças deve fazer parte de um processo de emancipação.
A ideia de que somos mulheres e justamente por isto somos irmãs me remete a algo parecido como sairmos andando de mãos dadas por aí, de forma romântica, como se não houvesse a possibilidade de sermos esmagadas por uma outra “irmã” burguesa e que ocupa um lugar privilegiado na sociedade. Acredito em solidariedade entre mulheres, apoio mútuo, ouvir umas às outras, desconstruir coletivamente o machismo que ainda existe dentro de cada uma, com respeito, e na construção de espaços onde mulheres que sofreram opressões possam estar cercadas por outras mulheres que também sofreram opressões e que por meio da troca de experiências e ideias criativas e criadoras possam somar na luta contra o capital, o patriarcado e na construção de uma sociedade mais justa, com igualdade entre gêneros e sem classes, a sociedade socialista.
A Frente Popular pela Libertação da Palestina organizou, na cidade de Gaza, uma manifestação de massas e militar com milhares de quadros, membros e apoiadores da Frente e centenas de guerrilheiros das Brigadas Abu Ali Mustafa. O evento aconteceu em celebração da vitória do povo Palestino em Gaza na recente agressão e em lembrança do 13o aniversário do assassinato de Abu Ali Mustafa, secretário geral da FPLP, morto em 27 de agosto de 2001 por um míssil fabricado nos EUA e lançado pelas forças sionistas contra seu escritório em Ramallah.
Os manifestantes carregaram bandeiras palestinas, banners da FPLP e imagens da resistência na região e ao redor do mundo, saudando a resistência libanesa e latino-americana, povos que apoiam de maneira resoluta a causa palestina.
Camarada Jamil Mizher, membro da Comissão Política e líder do comitê da FPLP em Gaza, saudou o povo palestino e definiu o sentido da resistência e da luta contra a máquina de guerra sionista, seu massacre genocida e sua destruição sistemática, matando e desalojando a milhares.
Também saudou o apoio ofertado pelos palestinos a Ahmad Sa’adat, Secretário Geral da FPLP, Abu Ahmad Fouda, Deputado do parlamento, e a camarada Khalida Jarrar, líder da FPLP e membro do parlamento que resistiu a uma ordem injusta de expulsão em Ramallah.
Mizher disse que a “lendária persistência de nosso povo e sua valente resistência que continua por 51 dias, provocou uma mudança estratégica na luta Árabe-Sionista e elevou nossa ação política e militar a um novo nível, apesar dos bombardeios e da destruição da agressão sionista por terra, ar e mar”.
Ele saudou os 2143 mártires que lavaram com seu sangue a estrada da vitória, dentre os quais citou Mohammed Abu Shamala, Raed al-Attar, Mohammed Barhou, Daniel Mansour, Salah Abu Hassanein, Shaaban Dahdouh, Zakaria Abu Daqqa e os guerrilheiros das brigadas Abu Ali Mustafa, Mohamoud Osama Abbas, Abu Omrein e Abdul Rahman Hadayed. “Os exércitos da resistência da resistência permanecerão e qualquer tentativa de removê-los falhará”, disse Mizher.
A vida é o direito mais sublime do ser humano. Foi concedido por Deus. Só ele pode tomá-lo de volta. Não foi assim com Pedro Inácio de Araújo (Pedro Fazendeiro) e João Alfredo (Nego Fuba). Dois líderes camponeses cuja luta tinha como objetivo assegurar os direitos dos trabalhadores e a concretização da Reforma Agrária no Brasil. Para isso, fazia-se necessário que o homem do campo tivesse uma entidade que os assistisse e, em 1958, foi fundada a Liga Camponesa de Sapé, que tinha como lideranças João Pedro Teixeira; Pedro Fazendeiro, Nego Fuba, Assis Lemos, Severino Barbosa e outros.
Pedro Fazendeiro, homem de caráter, carismático, destemido, pacífico. Consciente da exploração do homem do campo, tinha o perfil perfeito para conscientizar o trabalhador na luta por seus direitos. Fazia o trabalho de base, era o alicerce das Ligas no campo. À medida que a Liga de Sapé crescia, crescia também a aversão dos latifundiários por ele e seus companheiros. Há época, o coronel Luiz de Barros, delegado do Município de Sapé, era o “carrasco dos trabalhadores”.
Com o Golpe Militar de 64, covardes, assassinos, psicopatas e detentores do poder deram vazão a seus piores instintos de crueldade. Pedro Fazendeiro foi preso no 15º Regimento de Infantaria, em Cruz das Armas. Órgão das Forças Armadas do Exército Brasileiro, na época sob o comando de José Benedito Montenegro de Magalhães Cordeiro, o major Cordeiro, capacho dos usineiros.
Lá, Pedro Fazendeiro foi torturado física e psicologicamente até o dia 07 de setembro de 1964, data em que, na calada da noite foi simulada uma soltura e Pedro Fazendeiro, juntamente com João Alfredo, foram levados pelos agentes. Hoje, 07 de setembro de 2014 – data que simboliza liberdade –meio século se passou, eas gerações de Pedro Fazendeiro e Nego Fuba vivem presas à eterna tortura e a sentimentos de saudade, espera, dor, dúvida, desesperança, revolta, injustiça por conta da impunidade que se arrasta.
Pedimos que seja revista esta Lei da Anistia: não pode um torturador, um criminoso ser anistiado. Pedimos que o silêncio seja quebrado. As gerações atuais e futuras têm direito à verdade. É uma parte podre da História do Brasil que deve ser conhecida em toda sua totalidade. Pedimos que abram os arquivos da Ditadura. Não podemos continuar como Eternos Filhos do Silêncio. Queremos os restos mortais dos dois líderes para dar-lhes ao menos um sepultamento digno. Nossas entranhas clamam por justiça!
José Marinardi de Araújo Josineide Maria de Araújo Nadieje Maria de Araújo (in memoriam) Naúgia Maria de Araújo Walter de Araújo ____________________________ Filhos de Pedro Fazendeiro
Uma greve dos trabalhadores das redes de comida rápida dos Estados Unidos (McDonald-s, KFC, Burguer King etc.) ocorreu ontem na cidade de Nova Iorque e mais 150 cidades do país. Na principal economia capitalista do mundo, os trabalhadores reivindicam o direito de se organizarem livremente em sindicatos e receberem um salário mínimo vital.
O Estado dos EUA, que se gaba de ser o maior defensor mundial da democracia, reprimiu os trabalhadores. Apenas em Nova Iorque, 19 trabalhadores foram presos ao exercer seu legítimo direito de greve e manifestação.
Para os grevistas, o salário mínimo de 7,5 dólares por hora que os trabalhadores recebem não permite o pagamento do aluguel e outras necessidades básicas desde o custo de vida vem crescendo de maneira absurda nos EUA a partir da crise de 2008. O movimento reivindica o salário de 15 dólares por hora.
O movimento dos trabalhadores em restaurantes de fast food vem crescendo bastante nos EUA desde o lançamento da campanha Low Pay is not Ok (Baixos salários não estão legais, em tradução livre), no ano de 2012. São, em sua maioria, trabalhadores negros, latinos e imigrantes que experimentam nos Estados Unidos toda a mentira do capitalismo como solução para os problemas sociais.
No dia 04 de Setembro de 2014, completaram-se 41 anos da prisão, tortura e assassinato de de Manoel Lisboa de Moura, fundador do Partido Comunista Revolucionário. Este texto é em sua homenagem.
Era bonito aquele sorriso. Por mais que já tivesse olhado para aquela fotografia zilhões de vezes, não conseguia acostumar-se com um sorriso tão bonito e surpreendia-se sempre. Analisando friamente, não era um sorriso retilíneo, tampouco era de uma brancura exemplar; havia mesmo pontos amarelados pelo cigarro, mas era muito bonito, mesmo assim. Talvez fosse aquele jeito de sorrir com os olhos.
E era amor. Sim, definitivamente aquele sorriso transparecia amor. Pela vida, pelos amigos, pelo futebol no domingo. Por Maria Lúcia, namoradinha de colégio e de faculdade. Amor pelo futuro. Era exatamente isso, conseguia enxergar naquele sorriso as suas fantásticas projeções para o futuro; sempre buscara imaginar onde é que ele arrumava tanta criatividade para sonhar.
E ele dizia. Dizia que no futuro não haveria meninos dormindo embaixo das marquises, nem vendendo chicletes nos sinais. Dizia que as pessoas poderiam descobrir que estavam doentes antes dos sintomas tomarem conta do corpo, através de exames moderníssimos; que não seria apenas para os endinheirados, todos teriam acesso a essa tecnologia, porque assim seria com os trabalhadores na dianteira desse país. O sonho era tão bonito quanto aquele sorriso.
Chegara a sua vez. Guardou a foto na bolsa e caminhou em passos firmes. No caminho as lembranças iam surgindo como num filme: os tempos de escola, a primeira namorada e o primeiro arranca-rabo com o pai por chegar em casa após a meia-noite. Depois veio a faculdade, queria ser advogado, dizia que o problema eram os homens da lei. Se o povo mudasse as leis, criariam homens da lei a favor do povo, tudo se concertava, era questão de tempo. Sonhava bonito aquele sorriso.
Um dia chegou alvoroçado.
– Mãe, eles rasgaram as leis – gritou do portão da rua abanando um jornal amassado.
– Eles quem menino? Deixa isso quieto, vamos almoçar! – disse-lhe, em sua ordem de prioridades: “primeiro todo mundo bem alimentado, depois a gente junta os pedaços dessa lei rasgada e dá um jeito de emendar.”
Depois disso houve muita confusão. Nunca vira tanta cavalaria nas ruas, noite e dia. E onde houvesse passeata e protestos, lá estava a cavalaria e lá estava metido também aquele sorriso inconfundível e aqueles lindos sonhos. E o pai não brigava mais, porque todo dia chegava depois da meia-noite em casa, sempre muito silencioso; no começo pensava que era para não acordar o pai, depois descobriu que estava se escondendo dos mesmos homens que tinham rasgado as leis.
Até que um dia não apareceu mais. Os amigos não sabiam do paradeiro. Só teve notícias suas meses depois. Maria Lúcia que trouxe. Disse que estava bem, que estava escondido porque os homens que rasgaram as leis queriam pegá-lo, e estavam vigiando a casa agora mesmo, e que mesmo Maria Lúcia corria risco sendo vista ali. Disse que amava-a muitíssimo, que morria de saudades e pediu que continuasse a vida, porque logo chegava o futuro e levava todos esses rasgadores de leis e de sonhos para bem longe. E ela podia imaginar aquele sorriso em meio a todas essas palavras.
Alguns anos depois Maria Lúcia apareceu de novo. Não trazia boas notícias. Disse que houve choques elétricos, pau-de-arara, pauladas e pontapés. Disse que procuravam informações, nomes, endereços, queriam saber o que fazia e onde se escondiam aqueles sonhos todos. E por conta disso, não havia mais aquele sorriso que tanto amava, a tortura tinha-lhe arrancado os dentes e a alegria, mas o certo é que não houve informações. Não puderam encontrar os nomes que queriam, os endereços, não sabiam onde é que escondiam-se os sonhos. Também sabia ser durão aquele belo sorriso. Maria Lúcia chorava muito. Disse que jogaram o corpo no fundo do mar. Disse que isso não era coisa que se fizesse, que era covardia, que eles pagariam caro.
Enfim chegara o momento de depor na tal comissão da verdade. Era preciso contar tudo, depor contra aqueles que mataram homens, sequestraram e torturaram sonhos, destruíram sorrisos. Sim, eram os mesmos rasgadores de leis. Nenhum detalhe ficou de fora, podia-se pegar o ar com a mão naquela sala de reunião. Homens e mulheres ouviam e anotavam, e era possível ver a indignação crescendo nos olhos daqueles homens e mulheres.
O chefe da comissão pediu desculpas, em nome do Estado, pelos bárbaros crimes cometidos. Um jovem disse alto que era preciso punir os responsáveis pelas atrocidades, pois as leis, outrora rasgadas, estavam vigentes novamente e era preciso fazer valer o direito, o direito dos humanos. Houve um silêncio constrangedor. Quem seria capaz de discordar? Esse mesmo jovem falou que naquele exato momento outros jovens organizavam manifestações e protestos em todo o país, exigindo a punição de torturadores e carrascos. E quem poderia ser contra a juventude, tão cheia de sorrisos?
Voltando para casa, em um táxi, repassava mentalmente tudo o que ocorrera-lhe naquele dia. Esta memória misturava-se com o quarto arrumado igual como ele deixara, durante anos a fio, décadas.
Retirou a foto da bolsa, queria olhar uma vez mais aquele sorriso bonito carregado de esperança, nesse tal futuro, que ele tanto falava. E apesar do amarelo e da data impressa no canto da foto, percebeu que sorrisos não envelhecem… e parece que os sonhos também não.
Organizados pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Limpeza Urbana no Estado de Pernambuco – SINDLIMP – PE, os funcionários da Coelho de Andrade Engenharia LTDA (CAEL), empresa da cidade de Olinda – PE, Região Metropolitana do Recife-PE, com cerca de 300 trabalhadores cruzaram os braços numa paralisação que começou por volta das 6h da última terça-feira, dia dois de setembro e se estendeu até a noite.
Entre outras reivindicações como melhorias no banheiro e o pagamento de férias atrasadas, os trabalhadores se queixavam principalmente pelo atraso no ticket-alimentação, que deveria ser pago desde o dia 20 de agosto. “ Quando saio de casa meu filho de 4 anos me pergunta se hoje eu vou trazer comida pra ele ”, declarou emocionado, um dos trabalhadores que estavam no piquete em frente a empresa. Durante todo o dia se fizeram presentes representações e lideranças de outras categorias como Roberto Carlos, líder da oposição dos rodoviários, Rodrigo Rafael, presidente do sindtêxtil-Ipojuca, Manoel Pedro diretor do Sindcalçados de Carpina e região, além de Carlos Veras, presidente da CUT-PE.
Assim, durante 24 horas a CAEL, umas das maiores empresas do ramo da limpeza urbana da região metropolitana do Recife e que paga o ticket-alimentação de apenas R$ 80,00, o menor valor no estado em comparação com os R$360,00 pagos em media pelas outras empresas que prestam o mesmo serviço, não recolheu sequer um saco de lixo.
Os patrões e a prefeitura Municipal de Olinda acionaram a Policia Militar, mas o piquete na garagem prosseguiu com a união da categoria. Fruto da disposição e combatividade da categoria os tickets-alimentação já foram pagos e uma audiência com a empresa foi marcada para negociar o desconto do dia parado e outros pontos da pauta de reivindicação apresentada.
Após 12 anos no governo, o PT vive um momento de grande desgaste. Por não querer contrariar os interesses dos capitalistas, especuladores e ruralistas, os governos de Lula e Dilma gerenciaram a economia durante a última década garantindo os super-lucros dos setores privilegiados. Na área social, o governo procurou atender alguns setores com reformas e ampliação do crédito, mas que não tocaram, de fato, na principal contradição que é a enorme desigualdade social que existe no Brasil somada às péssimas condições dos serviços públicos.
Em junho de 2013, ficou evidente para quem ainda não queria ver o grande descontentamento do povo para com essa política de conciliação. A classe trabalhadora, com amplas parcelas da juventude à frente, foi às ruas para gritar em alto e bom som toda a sua revolta. O número de greves é o maior desde a década de 90 e, mesmo que seja necessário enfrentar as direções sindicais, os trabalhadores escolhem parar e exigir seus direitos.
No momento das eleições, toda essa revolta se expressou em uma importante rejeição à candidata do PT ao executivo nacional, até porque Dilma não apresentou nenhuma proposta que representasse um enfrentamento aos problemas do país. Dilma se propõe a ficar mais quatro anos no governo fazendo mais do mesmo.
Belo Horizonte, Junho 2013
No entanto, todo o trabalho das organizações populares durante os anos de governo do PT não foi em vão. O povo brasileiro cresceu sua consciência política ao ponto de ver claramente que o PSDB é um partido que governa apenas para os ricos e de nenhuma maneira expressa uma mudança que beneficie os trabalhadores. Aécio Neves, candidato do PSDB, permanece com uma quantidade ridícula de intenções de voto para quem conta com o apoio total e irrestrito da mídia dos monopólios e dos banqueiros.
A rejeição ao PT, no entanto, está desaguando em uma candidatura que vem se mostrando tão reacionária quanto a do PSDB.
Após a morte de Eduardo Campos, Marina Silva assumiu candidatura a presidente se apresentando como portadora da novidade. Por ser mulher, negra, de origem nas lutas populares e por ter se desvinculado do PT em 2010, Marina conseguiu capitalizar o sentimento de transformação social e a fé na mudança política, principalmente, das parcelas mais jovens do povo. A história que Marina não conta, no entanto, é como ela conseguiu chegar lá, quem a apoia, financia, e quem está por trás de seu verdadeiro projeto político, projeto esse que ela prefere esconder ou desconversar.
Itaú e Natura, uma aliança das elites
Foi a associação com dois grandes capitalistas que deu a Marina Silva a estrutura para iniciar a construção de seu partido (Rede Sustentabilidade) e impulsionar suas duas candidaturas a presidente. Neca Setúbal, herdeira do Banco Itaú, e Guilherme Leal, bilionário dono da marca de cosméticos Natura e candidato a vice na chapa de Marina, em 2010, uniram-se para dar a ela todo o dinheiro necessário para a construção da “nova política”.
O programa de Marina Silva e da Rede é dúbio e tergiversa sobre diversos pontos, menos no que diz respeito à manutenção da atual política econômica, que significa a retirada de dinheiro da saúde, educação e áreas sociais para pagar a dívida pública mantendo altos índices de juros. O próprio banco Itaú, além de ser devedor do fisco, é dono de muitos títulos da dívida brasileira.
Marina é, dessa maneira, apenas uma nova cara utilizada pela extrema-direita para expressar seu já velho e surrado programa de privatizações, aumento do controle dos financistas sobre a economia, arrocho salarial, ataque aos direitos trabalhistas e submissão do Brasil aos interesses dos países imperialistas.
Marina tenta se apropriar de tudo que cheire a novidade ou que represente a última moda, com o objetivo de disfarçar a velhice de seu programa. Caiu como uma luva sua religião evangélica, a mesma que está em crescimento no Brasil com o declínio da Igreja Católica em número de fiéis. Assim, a candidata não hesita em se dobrar diante de ameaças de pastores reacionários como Silas Malafaia, por exemplo.
A defesa do meio ambiente também é uma bandeira da moda que a candidata empunha sem disfarçar oportunismo. Não se encontra em seu discurso uma única crítica ao uso intensivo de agrotóxicos pelos ruralistas do agronegócio, um verdadeiro veneno que é posto em nossa mesa, e a defesa da reforma agrária também é um ponto esquecido.
Sobre todo o resto, não é possível ter certeza quem vai de fato governar. Se é Marina Silva, que não conta com um partido legalmente constituído ou uma base social capaz de gerenciar o governo, ou se são os capitalistas que financiam e formulam sua campanha, e estão acostumados há anos na gestão do Estado.
Debater e explicar para a juventude
Fazer vencer o projeto da classe trabalhadora, o socialismo, significa também derrotar, do ponto de vista ideológico, o conteúdo e a forma da ideologia reacionária. É preciso explicar e debater com todos, mostrando que Marina é a nova cara do programa da extrema-direita, que foi derrotado na consciência de grande parte das pessoas e agora quer ressurgir com novos slogans e velhas práticas.
É preciso debater e explicar, em especial à juventude, que a novidade não está na forma do discurso, mas no conteúdo das ideias. São as ideias de igualdade social, fraternidade entre as pessoas e combate à exploração e ganância que representam o futuro, e não a velha proposta de manter a política econômica que beneficiou e vai continuar beneficiando os muito ricos.
Nesses pouco mais de 30 dias que faltam para as eleições, não podemos fingir que esse debate está acontecendo fora da nossa base social e que não nos diz respeito. Desmascarar a candidatura de Marina é desmascarar a nova cara que a extrema-direita pretende assumir no Brasil.
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