UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 10 de abril de 2026
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Venezuela: “Organização e unidade devem ser mais que uma bandeira”

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VENEZUELA-CHAVEZ-REMAINSA agressão dos imperialistas estadunidense contra a Venezuela não tem quartel. O bolso dos venezuelanos está sendo golpeado com extrema contundência, por meio de um desenfreado aumento dos bens e serviços, sobretudo dos produtos de primeira necessidade.

A especulação, retenção e outras expressões de pilhagem econômica dos capitalistas recrudescem à medida que os infiltrados no processo aumentam a sabotagem para fazer crer que esta delicada situação é culpa da “ineficácia do governo”. Ao mesmo tempo, se criou uma forte matriz de opinião nos meios de comunicação, mas, sobretudo nas redes sociais, que faz eco nas universidades, centros de trabalho, ruas, etc.

Isto criou, como é natural, um relativo descontentamento de alguns setores com o processo bolivariano. Porém, esse “descontentamento” é passageiro, pois depende das medidas que tome o governo contra os capitalistas para que o apoio retorne.

Em agosto passado, o governo fechou a fronteira com a Colômbia e empreendeu ações efetivas que conduziram ao confisco de centenas de toneladas de produtos e prisão dos chamados “bachaqueros” (atravessadores). Estas ações foram vistas de maneira muito positiva pelos venezuelanos patriotas.

Mas, além do “toma lá da cá” econômico entre o governo bolivariano e a burguesia, os revolucionários devem ter sempre presente que a saída para a atual situação só é possível com medidas radicais que só a classe operária, o campesinato e as massas populares são capazes de empreender.

Estamos numa conjuntura em que se fazem iminentes os choques de classes mais agudos, e para sair vitoriosos os revolucionários da Venezuela devem trabalhar na unidade dos distintos setores operários, camponeses, conselhos comunais, estudantis, etc., através da Frente Popular onde trabalham as mais diversas organizações, partidos, coletivos e movimentos de esquerda. Devemos deixar de lado as diferenças grupais e enfrentar o inimigo comum: a burguesia e o imperialismo.

As ações da burguesia contra nosso país, que golpeiam os mais necessitados, são efetivadas com esta burguesia unida. Apesar das diferenças que têm os capitalistas entre eles, quando se trata de enfrentar as massas populares atuam em conjunto e com inaudita crueldade, sem importar as mortes, desastres, danos e sangue que deixam na sua passagem, utilizando para isso todas as armas a seu alcance: polícias, tribunais, assassinos, vândalos, etc.

Por isso, é necessário o trabalho organizativo imediato para a unificação popular, caso contrário, a burguesia não terá problemas em assassinar-nos e eliminar-nos a cada um separadamente, como fez no Chile em 1973, fato que em neste mês de setembro completou 41 anos e que se converte em um terrível espelho de nossa realidade, nos mostrando o que poderá se passar em nossa pátria se não tomarmos ações imediatas de unificação revolucionária.

Extraído do jornal Voz Proletária, órgão oficial da Organização Gayones, Venezuela. Setembro de 2014.

 

Morre, aos 90 anos, o artista plástico Abelardo da Hora

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abelardo moçaMorreu nessa terça-feira (23/09), em Recife, o artista plástico pernambucano Abelardo da Hora, 90 anos, em consequência de uma insuficiência cardiorrespiratória.

Escultor, desenhista, ceramista, gravurista e poeta, Abelardo da Hora dedicou sua vida à arte e à luta do povo brasileiro por justiça e igualdade social. Comunista por convicção, Abelardo foi preso diversas vezes durante a ditadura militar. Leitor assíduo do jornal A Verdade, em suas obras sempre buscava retratar a realidade dos mais pobres, denunciar a fome e a pobreza e promover a verdadeira cultura popular.

Nascido em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife, Abelardo da Hora é autor de mais de 1.800 obras, entre esculturas, cerâmicas e desenhos, além de ter sido um dos fundadores do Movimento de Cultura Popular (MCP).

Com sua morte, a arte brasileira perde um de seus representantes mais importantes.

Nas centenas de obras espalhadas pelo Recife, Abelardo da Hora sempre viverá!

Redação

Debate em São Paulo aborda repressão policial contra advogados e jornalistas

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As liberdades democráticas e a atuação da advocacia, esse foi tema do debate e do ato de desagravo ocorridos na noite de ontem, 18 de setembro, no Sindicato dos Advogados de São Paulo (SASP).

Com o auditório repleto, o ato contou com o depoimento de uma das advogadas que teve suas prerrogativas jurídicas cerceadas durante manifestações. Raquel Brito, diretora do SASP e membro da Comissão de Direitos Humanos da entidade foi detida na manifestação de 25 de janeiro, “Se não tiver direitos, não vai ter Copa”. Ela estava entre as pessoas que se abrigaram no saguão de um hotel após os manifestantes terem sido cercados pela tropa de choque.

“A polícia criou uma cena de horror no hotel, para a atuação de advogados, é necessário um mínimo de diálogo, o que não aconteceu de fato naquele dia. A atuação deles demonstrou termos muitos resquícios da ditadura militar nessas corporações.”, afirmou a advogada.

Raquel Brito ainda lembrou que os setores judiciário e legislativo também veem tendo atuações que ferem a garantia dos Direitos Humanos, tanto com julgamentos quanto com projetos de lei que criminalizam manifestações e os movimentos sociais.

O outro depoente do ato foi José Augusto de Oliveira Camargo, Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do estado de São Paulo. Ele representou todos os profissionais de comunicação que também foram agredidos e tiverem sua ação profissional restringida pela atuação da polícia. E apresentou a campanha #cegamasnaocala , pelo projeto de lei que indica a restrição de uso de bala de borracha.

Na sequência os debatedores Adriano Diogo, Deputado estadual; Nivaldo Santana, Sindicalista; Kenarik Boujikian Felippe , Desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo, comentaram a repressão policial contra advogados que atuam pelos Direitos Humanos e em defesa do direto de manifestação e dos movimentos sociais.

Adriano Diogo, também Presidente da Comissão Estadual da Verdade da Assembleia Legislativa de São Paulo, destacou que a repressão aos profissionais advogados e jornalistas são reflexo da manutenção de três poderes que vigoram desde a ditadura militar: poder da mídia, a militar e o poder econômico.

A ação conjunta destes poderes influenciando a democracia, é que impede que os Direitos Humanos sejam garantidos, concluiu Adriano.

Redação, São Paulo

Comunidade se revolta contra despejos em Nova Lima, MG

Despejo em Nova Lima, MGA população do bairro Nossa Senhora de Fátima, em Nova Lima, indignada com a falta de política de moradia e os constantes despejos feitos pela prefeitura municipal, fechou a rodovia MG30 na última quarta-feira com pneus e madeiras em chamas para protestar contra mais um despejo.

O morador que teve a casa demolida, Hebert Duarte, conta que não recebeu nenhuma notificação e no momento do despejo estava em viagem, trabalhando. “Moro aqui há mais de 20 anos e só nesta casa havia cerca de 13 anos. Não recebemos comunicado da prefeitura e por pouco eles não derrubavam com meus móveis dentro. Meus amigos que retiraram os móveis num momento em que o trator atolou.” A prefeitura disse que a área será utilizada para construção de uma Unidade Básica de Saúde, mas não apresentou nenhum projeto e não fez nenhum debate com a população. Os moradores não acreditam na promessa e ainda que fosse de fato construída a Unidade de Saúde, os moradores despejados deveriam ter garantido o direito constitucional à moradia.

Outra residência foi ameaçada de despejo, também sem ordem judicial, mas os moradores garantem que não irão deixar acontecer, mesmo que tenham que ir para o confronto com a polícia e fazer novas manifestações. Na manhã de hoje, 19/09, os moradores aguardam organizados a chegada da polícia e dos fiscais da prefeitura, que ameaçaram o morador Ronivon Souza de despejo. Segundo ele, “o investimento na construção foi alto, cerca de 60 mil reais. Isso são anos de trabalho e já estava sonhando com a minha casa totalmente pronta”. Roni, como é conhecido pelos amigos, disse que não vê sentido em aceitar um despejo desses e que irá resistir até a morte se for o caso, pois não tem pra onde ir.

O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB – acompanha esta luta e auxilia os moradores a organizar a resistência, com a experiência de mais de 15 anos de luta pela moradia, pela reforma urbana e contra os despejos. O direito à moradia é garantido na constituição e se o poder público não respeita esse direito por bem, vai ter que respeitar na marra!

Povo do Equador foi às ruas neste 17 de Setembro

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MarchoO 17S ficou marcado no processo de luta de classes que ocorre no Equador. Após a eleição do governo de Rafael Correa a partir de uma corrente progressista e popular; após a aprovação de uma constituição avançada e que garante direitos fundamentais; Após a traição do governo que passou a perseguir os movimentos sociais e um certo recuo do processo de mobilização, a luta popular retomou a ofensiva.

A Frente Unitária dos Trabalhadores – FUT, que reúne as principais centrais sindicais, juntamente ao movimento estudantil, entidades de camponeses e indígenas realizaram uma marcha multitudinária nas principais províncias do país.

Rafael Correa procurou  responder organizando uma contra-marcha que se concentrou em frente ao palácio do governo, no mesmo horário em que mais de 30 mil pessoas marchavam em repúdio às medidas governistas pelas principais ruas de Quito. Várias foram as denúncias de que militantes pagos e funcionários do governo compunham a maioria da concentração oficialista.

Além de perseguir fortemente todos os setores do movimento popular que estão na oposição, o governo de Correa ainda quer implantar várias medidas de corte neoliberal, como realizar uma reforma sindical que ataca a livre organização dos trabalhadores; abrir espaço para os monopólios capitalistas na exploração da água, petróleo e mineiros através de Parcerias público-privadas; e retirar o direito ao livre acesso à universidade, implantando um vestibular.

A repressão policial também foi um método usado pelo governo para enfraquecer a marcha. Ao chegar na praça de São Francisco, no centro de Quito, estudantes foram atacados pela polícia de choque deixando um saldo de vários feridos e quase uma centena de presos.

Segundo o repórter Guido Proaño, “o problema para o governo está se estendendo para todo o país, evidenciando que o descontentamento é generalizado e que o discurso do medo e da chantagem não dá mais resultados. Esta jornada do 17S pode marcar um antes e um depois no comportamento do movimento sindical e popular organizado, mas também na capacidade de manobra política e de controle social por parte do governo. Correa sofreu uma nova derrota política e o mais grave é que isso ocorreu com o povo nas ruas e com o movimento sindical sendo o protagonista principal”.

Da Redação

 

 

 

 

 

 

Manifestação unitária dos movimentos sociais acontece hoje em Quito

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Quase todas centrais sindicais do Equador, as principais entidades do movimento estudantil, camponês e dos indígenas, convocaram para hoje uma jornada nacional de mobilização. A mobilização promete ser uma das mais importantes desde a virada à direita do governo de Rafael Correa. Reproduzimos abaixo matéria do site Ecuador Libre Red:

Acontece nesta quarta-feira, 17 de setembro, a Jornada de Mobilização Nacional convocada pela Frente Unitária de Trabalhadores, esta mobilização foi respaldada por vários setores sociais.

É uma mobilização que expressa o repúdio dos trabalhadores ao Código Orgânico Laboral, código que retira a estabilidade dos trabalhadores, a livre sindicalização e a livre contratação. Os trabalhadores das empresas telefônicas privadas vão exigir que o governo respeite seus direitos sociais tal como dispõe a atual legislação. Os professores, por sua parte, participarão em rechaço ao congelamento dos salários por 3 anos consecutivos.

A juventude secundarista e universitária critica a eliminação dos subsídios ao transporte por parte do governo e rechaça a pretensão de eliminar a tarifa preferencial para estudantes.

Marcha_por_el_Agua_Frente_PopularOs dirigentes e a base da ECUARUNARI, principal entidade dos indígenas do país, afirmam que participarão ativamente desta marcha nacional, como um ato de resistência ante às políticas autoritárias, leis e decretos inconstitucionais executados pelo regime de Correa, para exigir seus direitos como a educação intercultural bilingue, o fechamento de escolas comunitárias e  o rechaço ao Tratado de Livre Comércio – TLC com a União Europeia.

A Mobilização Nacional é a expressão do rechaço à política equivocada de um regime  que beneficia os mesmos de sempre, à mesma direita que hoje se encontra no Governo. Os povos do Equador chegaram a respaldar o processo democrático em seu início, quando o governo não era nem autoritário nem perseguidor. Vamos defender e exigir direitos garantidos na Constituição de Montecristi, a qual hoje é dificilmente cumprida e, por isso, o governo quer reformá-la contra a vontade dos equatorianos.

Esta jornada é dos setores populares, professores, pequenos comerciantes, trabalhadores, mulheres, ambientalistas, médicos, estudantes, indígenas e camponeses, das organizações sociais, da esquerda revolucionária, pela exigência de uma vida digna, pelo direito de resistência e de luta por um Equador de todos.

Fonte:  www.ecuadorlibrerede.tk

Agentes de Saúde estão em mobilização pelo pagamento do piso salarial

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Agentes comunitários de Saúde de Itapebi-BAA partir de amanhã até o dias das eleições, 05 de outubro, a MNAS – Mobilização Nacional dos Agentes de Saúde, juntamente com os agentes comunitários e de combate às endemias de todo o Brasil estarão se manifestando nas redes sociais contra o descumprimento da lei 12.994/14, que garante o Piso Nacional dessas categorias.

Cada município recebe R$ 1.014 do Governo Federal para custear o salário base dos agentes de saúde e, infelizmente, em sua maioria, os prefeitos estão desviando tais recursos de suas finalidades, um verdadeiro escândalo nacional. Em face dessa situação, MNAS, estará comandando manifestações nas redes sociais (Twitter, Facebook, WhatsApp, Youtube etc).

Entre as diversas Mobilização Nacionais, feitas pela MNAS, a ocorrida no início de 2013, contou com a participação de quase um milhão e meio de trabalhadores da saúde. A MNAS está presente em 17 estados brasileiros No Twitter a MNAS conta com mais de 200.000 seguidores em diversos perfis, no Facebook, ela administra o FanPage do Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil cujo alcance de suas publicações já alcançaram mais de um milhão de visualizações, no Blogger, os acessos registrados, até o momento, marcam mais de 1.580.070 (mais de um milhão e meio). Durante a realização da Copa do Mundo, realizamos o 1º #Ocupe a FanPage da Presidente Dilma. Foi algo espetacular, cujo objetivo era a sanção do PL do Senado (270/2006). Realmente ele foi sancionado, dando origem a lei 12.994/14, que, agora, não é cumprida pelos prefeitos, pelo que parece, cumprindo orientações da Confederação Nacional dos Municípios – CNM.

Samuel Camêlo, Coordenação Geral da MNAS – Mobilização Nacional dos Agentes de Saúde

 

PM de São Paulo joga nuvem de gás lacrimogênio no centro

Violência_são_joãoFoi um dia de provocações da Polícia Militar hoje no centro de São Paulo. Após promover o despejo de 200 famílias que viviam em um edifício ocupado na avenida São João, zona central de São Paulo, policiais iniciaram uma operação de terror a pretexto de combater supostos vândalos que atiravam pedras, incendiaram um ônibus e sacos de lixos. Em todas as imagens divulgadas em tempo real pela mídia dos monopólios, os “vândalos” não passavam de 15 gatos pingados.

A verdade é que a polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral e balas de borracha a torto e a direito. Vários relatos dão conta de que pessoas eram afetados com efeito do gás a quilômetros de distância do tal confronto. Como prova o vídeo abaixo gravado por celular na rua Capitão Salomão, a PM se colocou na esquina de ruas onde estão cortiços e bares populares e atirou a esmo, procurando provocar a população.

https://www.youtube.com/watch?v=H72WHWujGuk

O relato abaixo foi feito por Bruno Torturra, do site Fluxo :

“Mais de 10 cartuchos de gás são disparados no meio da rua. Crianças, idosos, trabalhadores, apartamentos, lojas, motoristas… todos envolvidos pela fumaça cancerígena, abortiva, altamente tóxica do gás CS. Bombas de efeito moral. Balas de borracha disparadas aleatoriamente por policiais ao longe. O Choque avança. E atira mais gás agora na Cap. Salomão, onde não havia nenhum. Repito, nenhum distúrbio. Botequins tomados de gás. Um hotel popular tomado de gás na portaria”.

Várias pessoas, principalmente os mais jovens, procuraram responder na mesma moeda, resistindo à truculência da PM.  Sempre que há injustiças nos bairros populares, como o assassinato de inocentes, a população responde com fechamento de ruas e enfrentamento à polícia. Dessa vez não foi diferente.

A luta por moradia

A ocupação da Frente de Luta por Moradia – FLM na rua São João é uma das centenas de ocupações que existem hoje na cidade de São Paulo. Apenas na cidade, são mais de 400 mil imóveis abandonados, sem função social, a grande maioria no centro. Alguns prédios estão abandonados há mais de vinte anos, como é o caso do edifício da Avenida São João, antes um hotel.

A causa de tanta casa sem gente e tanta gente sem casa é a especulação imobiliária. O lucro que se pode  auferir em cima da propriedade de um edifício é mais importante do que o direito mais básico e fundamentalmente humano que é o de uma família ter um teto para se abrigar do frio, da chuva e poder viver.

O poder judiciário, o mesmo que no dia de hoje aprovou o pagamento de auxílio-moradia para todos os juízes federais, é célere em expedir mandatos de reintegração de posse quando os prejudicados são as famílias mais pobres. Mas esse mesmo poder judiciário é mansinho e faz vista grossa para shoppings e outras construções luxuosas que roubam terras devolutas, constroem sobre mananciais e usam mão-de-obra escrava em seus canteiros.

É preciso uma transformação profunda, que acabe com tanta injustiça. É preciso enxergar para além da fumaça do gás lacrimogêneo.

Jorge Batista, São Paulo

Investigação na vala de Perus é retomada

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Cemiterio perusNo dia 04 de setembro a Comissão Estadual da Verdade “Rubens Paiva” realizou uma audiência pública, para marcar a retomada dos trabalhos de investigação e identificação dos restos mortais resgatados de uma vala clandestina no cemitério Dom Bosco, no Bairro de Perus, São Paulo/SP.

O Cemitério Municipal Dom Bosco foi parte integrante do sistema de repressão, durante a ditadura militar. Foi construído em 1971, na gestão do então prefeito de São Paulo, o Sr. Paulo Maluf, e utilizado para indigentes e vítimas do regime ditatorial. Fazia parte do projeto original a construção de um crematório, o que causou estranheza e suspeitas, pois havia inclusive impedimento legal para cremar cadáveres de indigentes.

O projeto do crematório foi abandonado em 1976 e no mesmo ano as ossadas que haviam sido exumadas em 1975 e amontoadas no velório do cemitério, foram enterradas na vala comum clandestina.

Em 04 de setembro de 1990 essa vala foi aberta e descobertas 1.564 ossadas de indigentes, presos políticos e vítimas dos esquadrões da morte. Posteriormente esse número foi reduzido a 1.049, por serem de crianças, portanto mais frágeis, e que deterioraram muito a ponto de ser impossível a identificação.

Argumenta-se que essas ossadas de crianças foram colocadas na vala clandestina por se tratarem de crianças vitimadas pela meningite em uma epidemia da doença que as autoridades tentavam esconder. Há também possibilidade de, dentre essas ossadas, estarem a de adolescentes vítimas do esquadrão da morte.

Estima-se que dentre as 1.049 ossadas restantes possam estar os restos mortais de pelo menos quatro desaparecidos políticos, cujos nomes estão no livro do cemitério, sendo eles Francisco José de Oliveira, Grenaldo de Jesus da Silva, Dimas Casemiro e Hiroaki Torigoi.

Na audiência ficou claro a desídia com que as autoridades trataram o tema até hoje. Isso porque as ossadas foram diversas vezes transportadas e acomodadas de forma totalmente indevida, o que as deixou em péssimas condições. Passaram pela UNICAMP e pela USP, sem que as investigações fossem concluídas, e em tais locais foram armazenadas de forma totalmente indevida, em sacos plásticos ou de tecido, sem temperatura adequada, sofrendo inclusive enchentes, cuja umidade era mantida devido ao armazenamento em sacos, enfim, não houve nenhum cuidado para que se as ossadas não se deteriorassem ainda mais, e assim a identificação pudesse de fato ocorrer.

Até esse momento o processo de busca da identificação das ossadas estava paralisado. Porém a constante luta dos familiares de mortos e desaparecidos políticos e dos movimentos sociais impulsionou a retomada dos trabalhos e a união de esforços da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”.

As denúncias com relação à ausência de iniciativas de resolução da questão da vala de Perus já vinham sendo feitas pelos familiares há anos e, depois de muita luta, juntamente com a Comissão da Verdade, foi possível uma parceria com a UNIFESP, e a criação de um Centro de Antropologia e Arqueologia Forense, o primeiro do Brasil com características de multidisciplinaridade, e com a colaboração de sete peritos de institutos de antropologia forense da Argentina e do Peru.

No ato também foi relembrado o valor histórico da retomada dos trabalhos da vala de Perus buscando a identificação dos restos mortais lá encontrados, pois ainda hoje existem valas comuns, pessoas desaparecendo, grupos de extermínio, principalmente nas periferias, ou seja, ainda há muitos resquícios da ditadura.

Além disso, é uma dívida que o Estado Brasileiro tem com os familiares que tiveram seus entes violentamente torturados e assassinados e jogados numa vala comum, sem sequer a possibilidade de fazer um sepultamento digno a eles. Além disso, órgãos como o Instituto Médico Legal não fornecem documentos que tem a posse e que poderiam auxiliar os familiares na procura pelos restos mortais.

A vala clandestina de Perus é mais um capítulo tenebroso da Ditadura Militar ainda não esclarecido, e que reafirma como ainda há muito a se conquistar na luta por memória, verdade e justiça, como a punição aos torturadores e a imediata abertura de todos os arquivos!

Assista o documentário Mártires Anônimos e conheça mais da história da vala de Perus:  Documentário

Raquel Brito, assessora da Comissão da Verdade Rubens Paiva

Sobre medo e fascismo

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1948095_280639718769567_8783289246558752228_n“Se eu fosse querer parar o jogo a cada vez que me chamassem de macaco ou crioulo, todos os jogos iriam parar. O torcedor grita mesmo”. 
Essa frase foi proferida por Edson Arantes, outrora conhecido como Pelé, em entrevista no dia 10 de setembro. É uma frase que tem um claro objetivo: naturalizar o racismo e a repressão ao negro, pregando a resignação. Foi uma frase emitida na mesma semana em que a agressora do goleiro Aranha, Patrícia Moreira, percorreu os principais programas de auditório da TV da família Marinho, se fazendo de vítima.

O objetivo maior é propagar o medo. Neste 11 de setembro, um Centro de Tradições Gaúchas – CTG da cidade de Santana do Livramento – RS que realizaria a celebração de um casamento coletivo onde um dos casais é gay, foi incendiado após ameaças. Outra casal gay desistiu da cerimônia em virtude das ameaças.

No dia 10 de setembro, na região metropolitana de Goiânia, o jovem João Antonio Donati, de 18 anos, foi sequestrado, torturado, teve as duas pernas e o pescoço quebrado e morreu como resultado da tortura. Os assassinos deixaram em sua boca um bilhete: “Vamos impedir que essa praga se espalhe”. O crime de João Antonio era ser gay.

Quase sempre, um novo Amarildo desaparece nas mãos da polícia militar. No dia 29 de Agosto, foi o jovem Davi da Silva, 17 anos, morador do bairro Benedito Bentes, em Maceió – AL. Sua mãe declarou: “Não sei mais o que fazer, nem a quem recorrer. Meu filho morava comigo e era a única companhia que eu tinha. Sei que ele estava errado quando foi abordado pelos policiais, porque estava com maconha, mas a função da polícia é prender, e não fazer com que uma pessoa desapareça deixando a família aflita.”

Negros, gays, moradores da periferia vivem sob o medo e a polícia e a mídia querem que eles se resignem, se escondam e se enquadrem na “moral e bons costumes”. Há os que comemoram tantas mortes e violência, dizendo que isso é normal. Mas há, também, os que olham para o lado e fingem não ver, abrindo mão de lutar de maneira resoluta contra o racismo, o machismo e a homofobia.

A verdade é que o clima de negação dos direitos civis mais básicos, somado ao medo e à resignação social são o melhor caldo para o desenvolvimento do fascismo. O fascismo ganha a consciência de grande parte da sociedade quando consegue convencer que a solução para os problemas sociais é prisão, repressão, perseguição e ordem, quando, muito pelo contrário, o Brasil só poderá resolver seus problemas com mais direitos, igualdade social e liberdade de organização e expressão.

Quem se abstêm de combater pelos direitos civis no Brasil leva água ao moinho do fascismo.

Jorge Batista, São Paulo

A não representação da mulher negra na mídia

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No dia 16 de setembro, a Globo estreia o seriado “Sexo e as negas”, de autoria de Miguel Falabella. O autor sugere que o programa é uma paródia ao seriado estadunidense “Sex and the City”. No lugar de Nova York, a versão brasileira tem como cenário a cidade alta de Cordovil, subúrbio carioca. No lugar de quatro mulheres brancas bem sucedidas, estão as negras Tilde (Corina Sabbas) uma operária, Zulma (Karin Hills) camareira, Lia (Lilian Valeska) costureira e Soraia (Maria Bia) é cozinheira.

Nem mesmo foi ao ar e o programa já recebe críticas contundentes do movimento de mulheres negras, que o consideram racista e machista. Indo na contramão do que deveria propor uma emissora que se utiliza de concessão pública, o programa reforça uma série de estereótipos a cerca da mulher negra como sua associação à pobreza, a empregos mal remunerados e à hiperssexualização de seus corpos.

É claro que existem mulheres negras camareiras, costureiras, mas também há as advogadas, arquitetas, professoras, ou seja, “a realidade da mulher negra vai além desses estereótipos que o Miguel Falabella vai reportar”, afirma Gabi Porfírio, no episódio 1 do programa “#As nega real”, iniciativa do Blogueiras Negras.

Para além da representação negativa da mulher negra na mídia, o seriado é escrito por um homem branco e narrado por uma personagem branca – Jesuína, interpretada pela atriz Cláudia Jimenez, dona de um bar onde as amigas se encontram para discutir seus problemas e de onde saem para trabalhar e se relacionar. Esses dois elementos acabam por tirar o protagonismo das mulheres negras, enquanto autoras e narradoras de suas próprias histórias. Dizer, portanto que “Sexo e as negas” é um seriado protagonizado pro negras não cabe nesse contexto.

Na coletiva de imprensa do seriado, Falabella tentou se explicar: “eu já vi as críticas na internet. Só no Brasil as pessoas falam do programa antes de assistir. Eu escolhi esse nome como uma prosódia do jeito carioca de falar, inclusive por isso não tem o ‘r’ em negras. Por esse motivo também tinha que ser eu mesmo falando o nome no final da vinheta. As pessoas precisam encarar com humor. Mas é isso, as pessoas têm que protestar mesmo. Este país precisa de protestos”.

Menos de uma semana da estreia do seriado, já há boicote organizado na internet e a Secretaria Especial da Promoção da Igualdade Racial recebeu três denúncias de racismo contra o programa. A Secretaria se comprometeu a averiguas as denúncias e notificará a emissora, se julgar necessário. No Facebook, a página intitulada Boicote Nacional ao programa “Sexo e as negas” da rede Globo, estimula as pessoas a não assistirem ao programa e recebe depoimentos de mulheres negras que revelam suas profissões e afirmam não serem representadas pelo programa.

Em tempos nos quais todos os dias temos notícias sobre racismo, é louvável as mulheres negras se articulares dessa maneira para afirmarem que não aceitam mais serem tratadas de forma estereotipada pela mídia e que querem contar suas histórias da maneira que julgarem mais apropriada. Toda a solidariedade à luta de nossas companheiras negras.

O assunto está sendo coberto pelo Blogueiras Negras, vale a pena acompanhar.

Luciana Mendonça, São Paulo