UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 10 de abril de 2026
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Exército remodela centro de inteligência para monitorar movimentos sociais

xército remodela centro de inteligência para monitorar movimentos sociais
O ministro da Defesa, Celso Amorim (CE), visita com o comandante do Exército, Enzo Peri (E) e oficiais o Centro de Guerra Cibernética, no último dia 10. Foto: ABr

Por ordem do Alto Comando, o Centro de Informações do Exército (CIE) vai se reestruturar por completo. Já começou a reforçar as áreas de inteligência e de contra-inteligência e, o mais relevante, volta a ter papel a área de operações. O alvo prioritário do novo CIE são os monitoramentos de movimentos sociais em ebulição nas ruas.

Outra decisão do Alto Comando é que haverá também investimento em tecnologia no Centro de Guerra Cibernética, cuja sede é em Sobradinho (DF), diante da ameaça de terrorismo virtual na conjuntura atual.

A readequação era planejada há anos e surge na esteira da convulsão de atuações de black-blocs, sem-teto e sem-terra com atividades similares a guerrilhas urbanas e rurais, diante de provas de ligações destes grupos com organizações criminosas das grandes capitais.

Antigos oficiais de inteligência e de operações especiais, hoje na reserva, estão sendo convocados para treinar nos novos quadros do CIE.

CLIPPING

Há mais de 20 anos, segundo fontes, a atuação do CIE vinha se limitando a clippagem de notícias e investigações internas do Exército. Durante a ditadura militar, o CIE tinha total autonomia operacional na caçada aos adversários políticos do regime, formando uma espécie de governo paralelo.

DETALHES, NÃO

A assessoria do Exército confirma a reestruturação do Centro de Informações, mas, por motivos óbvios, não informa detalhes nem de como vai atuar daqui para a frente.

Fonte: Coluna Esplanada

Epidemia do vírus Ebola se agrava na áfrica ocidental

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Dr. Umar Khan
Dr. Umar Khan

Um boletim divulgado hoje pela Organização Mundial de Saúde – OMS relata o agravamento da epidemia do vírus Ebola na Libéria, Serra Leoa, Guiné e Nigéria. Já são 729 mortos e mais de 1300 casos confirmados do vírus que é altamente letal.

As péssimas condições de saúde pública nos países afetados têm provocado a rápida propagação do vírus e dificuldades para mapear o potência de propagação para outros países e, inclusive, outros continentes. O médico de Serra Leoa Umar Khan, 39 anos, um dos especialistas mais destacados no combate ao vírus em seu país, morreu ontem vítima da contaminação.

É de estranhar a pouca cobertura que vem sendo dada a essa epidemia na mídia internacional. Trata-se de uma tragédia humanitária de grande importância e um potencial de contaminação mais grave até do que a epidemia de gripe suína que se originou nos países asiáticos há alguns anos.

O Ebola é transmitido entre os humanos por meio do contato com fluídos corporais, mas mesmo pessoas que já se curaram da doença continuam a transmiti-la por por algumas semanas.

A OMS divulgou em seu site um vídeo informativo sobre o trabalho de combate ao vírus na Guiné:

https://www.youtube.com/watch?v=LRUA50yjTIg

Fonte:  Site da OMS

Da Redação

Historiador brasileiro lança livro sobre vitória soviética na 2ª Guerra Mundial

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Aço Vermelho: Os Segredos da Vitória Soviética na Segunda Guerra
Aço Vermelho: Os Segredos da Vitória Soviética na Segunda Guerra

João Claudio Platenik Pitillo pesquisa a participação soviética na Segunda Guerra Mundial há mais de 15 anos. Seu livro Aço Vermelho: os segredos da vitória soviética na Segunda Guerra Mundial é o primeiro escrito por um brasileiro ao longo dos 75 anos do início da 2ª Guerra Mundial. O livro revelará aos brasileiros os segredos da vitória soviética, omitidos pela “Guerra Fria”. Repleto de informações e curiosidades que demonstram o grandioso esforço dos soviéticos para derrotarem o nazismo. Foi escrito a partir de materiais soviéticos inéditos em nosso país. O mesmo é prefaciado pelo professor Francisco Carlos Teixeira da Silva (UFRJ) e apresentado pelo professor Celso Péricles Thompson (UERJ) e tem comentários do professor Luiz Edmundo Tavares (UERJ). O Livro será lançado no dia 22 de julho às 18:30 no auditório 91, 9º andar UERJ.

Aço Vermelho: Os Segredos da Vitória Soviética na Segunda Guerra

João Cláudio Platenik Pitillo revela com absoluta clareza, a contribuição fundamental do Exército Soviético para a vitória dos aliados na 2ª Guerra Mundial. Ao longo do tempo essa apreciável importância tem sido ignorada pelo Ocidente, mercê, entre outros aspectos, da profunda inuência dos Estados Unidos da América do Norte e dos seus seguidores sobre os meios de divulgação. A ‘’Guerra Fria‘’, sem dúvida, contribuiu para a manutenção desse ‘’equívoco‘’; que a ‘’Détente‘’ a ‘’Entente‘’ não conseguiram eliminar, exceto para pesquisadores da categoria de João Cláudio, incansável estudioso sobre o assunto, qualidade que o levou a produzir singular e necessária obra. Luiz Edmundo Tavares, professor de História da UERJ.

O livro de João Claudio Platenik Pitillo, é uma pesquisa profunda, detalhada, e extremamente bem documentada da participação da URSS na Segunda Guerra Mundial. A ausência dos estudos militares sobre a participação soviética, trata-se, entre nós, de uma tradição, oriunda da Guerra Fria, onde o papel da URSS deveria ser diminuído em função dos aspectos ideológicos. A obra de Platenik Pitillo, de boa leitura e com amplíssimo controle bibliográfico, devolve, tanto tempo depois do fim da Guerra Fria, o papel de direito de um dos seus atores centrais. Francisco Carlos Teixeira Da Silva Professor, Titular de História Moderna e Contemporânea/UFRJ/IUPE RJ, Professor Emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

João Claudio Platenik Pitillo tem 40 anos e nasceu na cidade do Rio de Janeiro. Licenciado em História pela UERJ e mestrando em História pela UFRJ, há mais de 15 anos se dedica a pesquisar a participação soviética na Segunda Guerra Mundial.

Para ver o livro no site da editora, clique aqui

Abelardo da Hora completa 90 anos nesta quinta

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O artista e comunista Abelardo da Hora, residente em Recife, completa hoje 90 anos de luta e arte. Em 2010 ele mandou uma mensagem ao Jornal A Verdade sobre o papel da mídia alternativa e independente.

Carta do EPL da Colômbia pela efetiva negociação de paz

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Carta do Exército Popular de Libertação (EPL) – Clamor pela Paz

Colômbia, Julho de 2014

Organizações e pessoas

Processo “Clamor pela Paz”

Germán Roncancio, Rota Social pela paz.

Luis Guillermo Pérez, Coletivo de Advogados “José Alvear Restrepo”.

Luis Sandoval, Redepaz.

Omar Fernández, Comosoc.

Y demais integrantes.

E. S. M.

Saudações fraternas e patrióticas

Compartilhamos o ânimo derivado d abertura da fase exploratória para os diálogos do governo com o Exército de Libertação Nacional (ELN). É um logro da persistência dos elenos e uma conquista dos setores sociais e políticos que pressionam e se esforçam por defender os direitos humanos.

Acreditamos que com esforço e ação política também se concretizará a abertura de diálogos com o EPL, para não dar espaço à ideia que, desde o Estado, se aplica uma estratégia de oposição à saída política ao conflito ao transformar o diálogo com partes da insurgência em um salvo conduto para impôr essas conclusões parciais ao resto das guerrilhas utilizando bombas e baionetas, perseguições, assassinatos e detenções, quando realmente o único que tem poder decisório é o povo e deve contar com as mais amplas e completas informações para debater e decidir.

Consideramos que podemos coincidir na decisão de exigir do Presidente Juan Manuel Santos o cumprimento do compromisso com a paz e justiça social proclamado no dia 15 de junho ante a pressão de muitos eleitores que votaram por Juan Manuel desesperados por lograr a paz, assim como em consignas e vozes pela paz de muitíssimos milhões de colombianos que, aspirando a contar com um país em paz, mas com outra visão de como alcançá-la, votaram em branco ou nulo, ou se abstiveram de chegar às urnas.

Destacamos a importância de seus esforços unitários pela paz desde o perfil social de suas atividades, algumas de larga trajetória e reconhecimento internacional. Esperamos que as sigam desenvolvendo com independência e autonomia frente ao Estado e às forças que o sustentam para fortalecer sua autoridade frente a Colômbia e a comunidade mundial de nações e povos.

Insistiremos junto a vocês no clamor popular por um imediato cessar-fogo bilateral e a aplicação cabal do Direito Internacional Humanitário, para deter de imediato a sangria e abrir credibilidade a uma agenda comum pela paz que não se circunscreva aos diálogos governo-guerrilha.

Confiamos em seguir coincidindo com vocês nos esforços para fazer com que os diálogos com toda a insurgência se converta em uma realidade convergente que ajude a canalizar todos os aportes surgidos desde o seio popular para lograr uma ideia de paz que necessitamos e os passos para alcançá-las, que conte com ampla aceitação e assim lograr a convocatória democrática de uma Assembleia Nacional Constituinte que plasme aos derrotistas do futuro país e permita suprimir as especulações sobre o ‘pós-conflito’.

Não sendo outras as motivações destas linhas, nos despedimos abrigando o desejo de estabelecer um diálogo estável e fluído com ‘Clamor pela Paz’ para manter uma iniciativa pela paz que cresça como um CLAMOR ORGANIZADO dos diferentes setores do campo popular.

Êxitos em suas tarefas pela paz com justiça social.

Comitê Executivo Central

Partido Comunista da Colombia (marxista-leninista)

Mando Central

Ejército Popular de Libertação – EPL 

Com cópia:

– Estado Maior Central das FARC-EP

– Comando Central do ELN

– Governo Nacional da Colômbia

Israel ataca escola da ONU em campo de refugiados e mata crianças que dormiam

General Pierre Krähenbühl
General Pierre Krähenbühl

O comissário da Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA, pela sigla em inglês), divulgou no dia de hoje uma nota condenando de forma veemente o ataque promovido por Israel a uma escola situada no interior de um campo de refugiados.

Diz a nota:

Na noite passada, crianças foram mortas enquanto dormiam junto aos seus parentes no chão de uma sala de aula em um campo de refugiados da ONU em Gaza. Crianças assassinadas enquanto dormiam! Isso é uma afronta para todos nós, uma verdadeira vergonha universal. Hoje, o mundo está em desgraça!

Nós visitamos o local e coletamos evidências. Analisamos os fragmentos, examinamos crateras e outros danos. Em um levantamento inicial, não há dúvidas de que foi a artilharia israelense que atingiu nossa escola, em um local onde 3.300 pessoas se refugiam. Acreditamos que aconteceram ao menos três impactos. Ainda é cedo para confirmar o número total de mortos. Mas sabemos de vários civis mortos e feridos, incluindo mulheres e crianças e os guardas da UNRWA estão tentando proteger o lugar. Isso aconteceu com as pessoas que foram instruídas por Israel a abandonar suas casas.

A localização precisa da Escola de Ensino Fundamental para garotas e fato de que o prédio estava abrigando milhares de refugiados foram comunicados ao exército de Israel dezessete vezes, para garantir sua proteção; o último aviso foi feito às 9:50h da noite passada, algumas horas antes do bombardeio fatal.

Eu condeno, nos termos mais fortes possíveis, esta séria violação da lei internacional pelas forças israelenses!

Essa é a sexta vez que uma de nossas escolas foi atacada. Nossos funcionários, a maioria pessoas dedicadas às causas humanitárias está sendo assassinado. Nossos assentados estão fugindo. Dezenas de milhares provavelmente estão vagando pelas ruas de Gaza, sem comida, água e sem teto se o ataque nessas áreas continuar.

Nós ultrapassamos a fronteira da questão humanitária apenas. Estamos vivendo uma situação de prestação de contas. Faço um chamado a toda comunidade internacional para que ponha as leis em ação para pôr um fim imediato nessa carnificina.

Fonte: http://www.unrwa.org/

Seminário Internacional de Quito teve abertura ontem

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10553577_322469547919917_4096525205711923305_nNa casa do professor da Cidade de Quito, ocorreu no dia de ontem – 28 de julho – a abertura do 18o Seminário Internacional da Revolução na América Latina. Este ano, é tema do seminário “O atual cenário internacional e as tarefas dos revolucionários” e certa de 400 pessoas se somaram às atividades.

O evento tem o propósito de analisar a situação do movimento social e entender como a esquerda revolucionária pode avançar, enriquecendo-se ao compartilhar experiências das distintas organizações presentes no encontro.

Oswaldo Palácios, porta-voz do Partido Comunista Marxista-Leninista do Equador – PCMLE, uma das organizações organizadoras do seminário, declarou que no evento estão presentes representantes de 15 países, com delegações de várias organizações sociais e populares de cada um destes.

Fonte:  http://ecuadorlibrered.tk/

Em congresso, MLB\MG reafirma luta pela reforma urbana e o socialismo

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MLB-MG realiza seu 3º congresso e reafirma luta pela Reforma urbana e o Socialismo 04

No dia 27 de julho, mesmo com a intensa chuva que já castigava por três dias a cidade de Belo Horizonte, 300 delegados e delegadas participaram do 3º Congresso Estadual do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB – de Minas Gerais. A atividade faz parte da etapa preparatória ao 4º Congresso Nacional do movimento que acontecerá em São Bernardo do Campo, São Paulo, no final de Agosto.

A mesa de abertura teve a presença de Frei Gilvander (Comissão Pastoral da Terra – CPT), Isabella Gonçalves (Brigadas Populares), Gonzaguinha Almeida (Sindicato dos Eletricitários de MG – Sindieletro) e da AMES-BH (Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas). Também participaram da mesa Marc Brito (União da Juventude Rebelião – UJR), Glauberth Reis, Raphaella Mendes (Movimento de Mulheres Olga Benário e Partido Comunista Revolucionário – PCR) e Juliete Pantoja, do Rio de Janeiro (Coordenação Nacional do MLB).

O Congresso homenageou o morador da ocupação Eliana Silva Dinei Delfino, que durante uma manifestação das ocupações, foi agredido por um Policial Militar com um golpe de espada que o deixou desacordado e com um corte no rosto, para o qual foram necessários 16 pontos. A firmeza na luta de Dinei emocionou todos os presentes.

Após a abertura, foi feita divisão em grupos para que todos os presentes pudessem estudar a tese formulada pela Coordenação Nacional do movimento ao seu 4º Congresso. “Essa tese é uma síntese do acúmulo que o movimento vem tendo nos últimos 15 anos sobre a luta pela reforma Urbana e o Socialismo e o papel do movimento popular para sua realização”, afirmou Juliete Pantoja.

MLB-MG realiza seu 3º congresso e reafirma luta pela Reforma urbana e o Socialismo 02

Para Poliana Souza, os debates foram bastante produtivos. “O estudo nos grupos foi importante para que todos os militantes do movimento possam ter maior formação política para poder enfrentar todos os desafios que se coloquem ao movimento no dia a dia”, afirma.

Com o resultado das discussões nos grupos, as propostas foram lidas e aprovadas pelo conjunto dos delegados e delegadas. Logo após, foi organizada uma animada mesa da qual participaram representantes de diversas ocupações da região metropolitana e do interior do estado, para apresentar a situação de cada lugar e propostas para atuação prática. Foi aprovado também um plano de lutas do MLB para os próximos meses.

O congresso indicou os nomes dos delegados para o congresso nacional, aprovou a tese do movimento e, com a mesa formada pelos militantes do movimento que mais se destacaram nos últimos meses, foi eleita uma nova coordenação estadual do MLB com 33 membros.

Redação MG

Projeto em votação no congresso quer isentar as dívidas dos clubes de futebol

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Paulo André
Paulo André

Está em discussão no congresso nacional o projeto de lei de Responsabilidade Fiscal no Esporte – LRFE que pode isentar até R$ 4 bilhões em dívidas dos clubes de futebol brasileiro. De tempos em tempos, os clubes brasileiros, que em sua maioria têm contas nada transparentes e acumulam uma séria de dívidas fiscais, batem as portas do governo solicitando ajuda pública. A última medida foi a implantação da Timemania, que tem parte de suas rendas revertidas aos clubes.

Reproduzimos abaixo o artigo de Paulo André, ex-jogador do Corinthians e um dos coordenadores do Bom Senso Futebol Clube:

Vou explicar porque sou CONTRA o projeto de lei de responsabilidade fiscal do esporte que propõe parcelar a dívida dos clubes. Do jeito que está, ele exige apenas a apresentação da CND (Certidão Negativa de Débito), uma vez por ano, como garantia “inquestionável” de uma gestão transparente no futebol nacional. Isso é uma vergonha e justifica o desespero dos dirigentes e a pressão da “bancada da bola” para aprová-lo urgentemente, como ficou claro na última sexta feira, quando os presidentes de clubes se encontraram com a Presidente Dilma.

Além disso, dói só de pensar que mais de R$ 4 bilhões sumiram no futebol e nenhuma alma será punida (exceção aos torcedores que são punidos diariamente por verem seus times capengando por aí). No caso específico dos débitos de que trata a LRFE, se o Governo aceitar parcelar a dívida, os dirigentes que cometeram irregularidades não mais poderão ser acionados por crime de apropriação indébita. Traduzindo burramente, se alguém deve dinheiro ao banco e a entidade, sabendo da dificuldade do devedor em quitar a dívida, resolver parcela-la, assunto encerrado. Basta a pessoa cumprir as condições propostas e o pagamento em dia que ninguém poderá acusá-la posteriormente.

Então é essa a discussão que você precisa entender.

Se o Congresso Nacional e a Presidente Dilma, que representam o povo nesse debate, optarem por tomar o caminho de parcelar a dívida e consequentemente isentar os dirigentes pela infração, que a decisão seja tomada pela certeza da GARANTIA de contrapartidas claras e severas, cuja fiscalização seja eficaz e a punição aos clubes e aos dirigentes seja direta.

Não caiam no papo do Sr. Vilson de Andrade, espertalhão, que diz que eles (dirigentes de clubes) defendem uma punição mais dura do que a que propõe o Bom Senso. “90% da proposta deles (jogadores) está incluída na dos clubes. Eles falam em perda de pontos, nós falamos em rebaixamento. Essa é a grande diferença”, disse, com gigantesca cara de pau, o atual presidente do Coritiba. Ele sabe que, do jeito que está, a LRFE não punirá ninguém. Dizer que há severidade em apresentar a CND uma vez por ano para garantir que os clubes que não pagarem em dia as parcelas do “financiamento” sejam rebaixados de divisão é coisa de quem está mal intencionado. E achar que isso é suficiente para moralizar o futebol brasileiro é uma ofensa à inteligência alheia.

Sr. Vilson, cadê o controle de déficit sob pena de punição esportiva? Cadê a garantia do cumprimento dos contratos de trabalho sob pena de punição esportiva? Cadê o limite do custo futebol sob pena de punição esportiva? Cadê a padronização das demonstrações financeiras e a reavaliação do endividamento sob pena de punição esportiva? Cadê o parcelamento da dívida trabalhista já transitada sob pena de punição esportiva? (Desculpe os termos técnicos mas são cinco pontos imprescindíveis, propostos pelo Bom Senso F.C e ausentes no projeto dos clubes).

Ora, chega de enrolação! Tratemos o assunto com a seriedade com que ele deve ser tratado. Vocês são presidentes de clubes de futebol, não estão acima do bem e do mal!

Então, amigo, Secretário do Ministério do Esporte, Toninho Nascimento, temos que correr para quê? “Tem clube que não chega ao final do ano se esse projeto não for aprovado”, disse ele. E daí? Há clubes que estão há sei lá quantos anos se apropriando do IR e INSS de atletas, usando esse dinheiro “sujo” para contratar mais jogadores e aumentar suas dívidas à espera do “perdão” do Governo e somos nós que temos que correr? O clube escocês do Glasgow Rangers, mais vezes campeão nacional no planeta, quebrou, recomeçou na quarta divisão e sua torcida não o abandonou por isso. O Napoli, a Fiorentina e o Racing também.

Se querem moralizar, façam direito. Parem de correr e pensem. Não é isso que se pede aos jogadores “brucutus”? Estamos tratando com alguns dirigentes “brucutus” então chegou a nossa vez de lhes pedir: Parem de correr e pensem. Será que vale tudo nesta terra de ninguém? É preciso restringir a possibilidade de erro, de corrupção e defender melhores práticas de gestão que refletirão diretamente na qualidade do produto final, dos clubes e do espetáculo do futebol brasileiro.

A Presidente e o Congresso Nacional estão entre a cruz e a espada: Ou se apoiam numa possível benção do voto do torcedor apaixonado (desprovido de razão) e deixam passar tudo como está (inclusive via MP – um absurdo), ou se aproveitam da maior oportunidade de se reformar e de se modernizar o futebol brasileiro, optando por incluir as emendas levantadas pelo Bom Senso à LRFE para garantir de verdade uma gestão melhor e mais transparente no nosso futebol. Esta decisão deverá sair esta semana e nós acompanharemos de perto para saber quem está jogando para quem. Que cada um escolha o seu lado, porque o meu, já escolhi.

Paulo André, jogador de futebol

Os 90 anos da Coluna Prestes – entrevista exclusiva de Anita Leocádia Prestes

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Anita Leocádia Prestes, doutora em História e filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benário
Anita Leocádia Prestes, doutora em História e filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benário

A professora e historiadora Anita Leocádia Prestes, filha dos revolucionários Luiz Carlos Prestes e Olga Benario, recebeu em sua casa, no Rio de Janeiro, a reportagem de A Verdade para uma entrevista sobre os 90 anos da Coluna Prestes, um dos movimentos políticos mais importantes da história brasileira no século 20.

Doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF), professora do Programa de Pós-graduação em História Comparada da UFRJ e presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes, Anita é uma grande conhecedora da experiência da Coluna. Na entrevista, ela explica as ideias defendidas pelos rebeldes e sua relação com a população pobre do interior do País, critica as tentativas de falsificação desta experiência e defende o legado do Cavaleiro da Esperança e de seus companheiros.

A Verdade: Neste ano, a Coluna Prestes completa 90 anos. Qual a importância deste movimento para a História do Brasil?

Anita Leocádia Prestes: A Coluna Prestes foi o único movimento de contestação do poder estabelecido que não foi derrotado no Brasil. Houve muitas lutas na história do País, tentativas de revolução, mas todas derrotadas. A formação histórica brasileira se deu de tal maneira que os 400 anos de escravidão e de grandes proprietários de terras tornaram as nossas classes dominantes extremamente poderosas e com força suficiente para derrotar todos os movimentos populares que ousassem contestar o poder.

A Coluna Prestes foi justamente o primeiro movimento que as classes dominantes não conseguiram derrotar. E por que foi possível acontecer isso? Tratava-se de uma tropa relativamente pequena, com apenas 1.500 homens desarmados (as poucas armas que tinham eram as que conseguiam retirar dos inimigos), sem uma logística militar, se contrapondo ao Exército brasileiro, a todas as Polícias Militares que o Governo mobilizou e aos jagunços dos coronéis do Nordeste, com os quais o Governo gastou muito dinheiro. Aliás, foram os jagunços que deram mais trabalho à Coluna, pois eles já tinham o hábito de lutar a cavalo, metidos no meio do mato, coisas a que as tropas oficiais do Exército não estavam acostumadas.

Foi a tática da guerra de movimento – que era uma grande novidade no Brasil e, em certo sentido, no mundo – que possibilitou à Coluna driblar as tropas governistas, derrotar 18 generais e nunca ter sido derrotada. Nós só podemos explicar esse êxito pela disposição de luta dos combatentes. As pessoas imaginam que a Coluna Prestes era formada por tenentes, mas, na realidade tinha apenas 12 oficiais. Os demais eram soldados, sargentos, cabos e muita população civil – trabalhadores, em sua maioria do campo. Também havia 50 mulheres.

Esse pessoal lutava com uma garra, um heroísmo, sem receber nada em troca. Desarmado, sem alimentação, comendo o que achava pelo caminho, atravessando desertos, pântanos, as maiores dificuldades, sempre sob fogo inimigo. Foram 53 combates, em nenhum dos quais o Governo saiu vitorioso; ao contrário, por vezes, acabava tendo que fugir por causa da tática da guerra de movimento e pela disposição de luta desses combatentes.

Em seu livro A Coluna Prestes você afirma que a Coluna era um exército diferente, com características populares. Esse certamente foi um dos motivos para ela nunca ter sido derrotada…

Justamente! A Coluna não era um exército elitista. Os comandantes levavam a mesma vida e passavam por mais sacrifícios que os soldados. Quando não havia cavalos suficientes, os que havia eram para os soldados, e o comandante ia a pé. Quando não tinha comida, a comida era para os soldados e não apenas para o comandante. Esse era o lema: o soldado da Coluna sabia que jamais seria abandonado. Quando ferido ou doente, sempre era levado no lombo do cavalo, e quando não tinha cavalo era carregado pelos companheiros. Essa disposição de luta tinha muito a ver com a confiança nas lideranças e com o acreditar no ideal, embora esse ideal fosse uma coisa bastante vaga para eles.

Os combatentes da Coluna acreditavam que precisavam derrotar o (presidente) Artur Bernardes, que, para eles, representava todos os males. Lutar contra o Bernardes era lutar por liberdade, e a Coluna fazia isso com o maior heroísmo, desmentindo essa história de que o brasileiro não é de luta, que o povo só gosta de samba, carnaval e futebol. A Coluna Prestes mostrou que os setores simples, pobres, do povo brasileiro lutam com muita garra quando acreditam na causa pela que estão lutando e encontram lideranças nas quais eles acreditam e confiam.

Qual era o programa da Coluna?

O programa era o mesmo dos tenentes. Nós não podemos isolar a Coluna do movimento tenentista. A Coluna foi o que durou mais daquele movimento, pois o Governo não o conseguiu derrotar. A Coluna Prestes correu 25 mil quilômetros pelo Brasil, atravessou 13 estados, derrotou 18 generais, durou mais de dois anos e nunca foi derrotada! O programa era, basicamente, o voto secreto, que era a grande reivindicação das oposições desde 1910, quando foi lançada na campanha civilista de Rui Barbosa, e que nunca foi conseguido na República Velha, pois isto era uma questão de princípios para as oligarquias agrárias que dominavam o País e que tinham interesse em continuar controlando o voto da população.

Tinha também a reivindicação de uma Justiça Eleitoral independente porque o processo eleitoral, além de ser fraudado, ainda passava pela chamada Comissão de Verificação de Poderes do Congresso Nacional, que era quem decidia quais candidatos eleitos podiam tomar posse.

De maneira geral, a Coluna cobrava que se cumprisse a Constituição Republicana de 1891. Os tenentes, em nenhum momento, pretendiam implantar uma ditadura militar. Ao contrário. Queriam entregar o poder a um político que fosse honesto, e nisso havia muita ingenuidade dos tenentes, sem dúvida. A ideia era bastante elitista, por sinal: não se tratava de mobilizar as massas populares nem organizá-las. Reforma agrária eles nem conheciam. Só quem falava de reforma agrária naquela época eram os comunistas, com os quais os tenentes não tinham contato.

Naquele contexto da década de 1920, quando o movimento operário estava em refluxo, pois saíra de derrotas muito sérias no final dos anos 1910, depois da grande greve de São Paulo, em 1917, e da insurreição anarquista no Rio de Janeiro, em 1918, as camadas médias urbanas estavam insatisfeitas com a impossibilidade de influir nas eleições, mas eram desorganizadas, sem lideranças, sem condições de realmente ter uma influência. Por isso, os tenentes acabam cumprindo esse papel de liderança de todos os movimentos de oposição.

Como a população recebeu essas propostas?

Havia muita simpatia, mas a massa popular estava desorganizada, e os tenentes também não estavam preocupados em organizá-las. A Coluna tinha uma visão substitutiva do povo, uma visão bem militar, de que eles fariam a revolução para o bem do povo. Não havia o objetivo de mobilizar as massas do campo, nem organizá-las ou conscientizá-las. A ideia era atrair as forças militares do Governo para o interior do País para, com isso, possibilitar os levantes tenentistas nas capitais. Prestes depois disse que os tenentes, como bons pequeno-burgueses, eram desorganizados, não sabiam conspirar, sempre eram descobertos pela Polícia, enfim, era um negócio muito bagunçado. Quem mais se organizou foi a Coluna, e o papel do Prestes teve muita importância nisso, pois conseguiu estruturar e organizar a tropa.

Em que momento surge a expressão “Cavaleiro da Esperança”?

Isso não surgiu no interior nem foi criação do Jorge Amado, diferente do que muitos pensam. No final de 1927, com a Coluna já na Bolívia, Astrojildo Pereira, na época secretário-geral do PCB, vai à Bolívia se encontrar com Prestes. Na volta, a entrevista que fez com Prestes é publicada no jornal Esquerda, do Rio de Janeiro, quando surge o epíteto de “Cavaleiro da Esperança”.

Nesse momento, o prestígio de Prestes era muito grande. O Governo de Washington Luís havia suspendido a censura da imprensa. A partir daí, ocorre uma explosão de informações sobre a Coluna, com repórteres sendo enviados à Bolívia para entrevistar Prestes. O prestígio da Coluna e de Prestes era tão grande que, quando a esquerda lança o epíteto de “Cavaleiro da Esperança”, isso pega.

Na condição de historiadora, como você define o papel de Luiz Carlos Prestes na história do País?

Começa pela Coluna. Todos que participaram dela reconhecem o papel destacado que Prestes desempenhou por ter sido responsável – não sozinho, mas principalmente – pela criação da tática da guerra de movimento, que foi algo extremamente inovador no Brasil e levou ao fracasso total da perseguição governista. Ao percorrer o interior do Brasil e se deparar com a miséria e a situação crítica das grandes massas, não só ele, mas todos os comandantes da Coluna, ficaram profundamente chocados. Prestes vai mais adiante que os outros e decide que tinha que fazer alguma coisa para modificar aquilo. É nesse momento que ele se aproxima do marxismo e descobre no comunismo a solução para os problemas que havia no Brasil.

Depois que a Coluna acaba, Prestes procura estudar e descobrir respostas. Estuda O Capital, de Marx, e as principais obras do marxismo, entrando, em contato não só com os comunistas brasileiros, mas com os comunistas latino-americanos, pois Buenos Aires (para onde Prestes foi depois de sair da Bolívia) era um centro do movimento comunista no continente.

Nesse processo, ele se aproxima do comunismo e lança o manifesto de maio de 1930, onde rompe oficialmente com os tenentes. Esse momento é muito importante não só na vida de Prestes, mas principalmente na história revolucionária brasileira, na história do Brasil. Isso porque as oligarquias dissidentes apostavam na figura de Prestes para fazer o movimento de 1930. Prestes, naquele momento, podia ter ocupado o lugar de Getúlio, pois tinha mais prestígio que Vargas. Basta pegar a imprensa da época para ver isso. Getúlio não era uma figura de grande destaque nacional; era no Rio Grande do Sul. Tinha sido ministro de Washington Luís, mas não tinha o prestígio que Prestes tinha naquele momento. Tanto que a campanha da Aliança Liberal para as eleições de 1º de março de 1930 foi feita sobre as bandeiras da Coluna, de Prestes e do tenentismo.
Prestes era a figura que realmente empolgava as massas. No Nordeste era um entusiasmo enorme. Ele podia ter naquele momento assumido o lugar de Getúlio. O poder foi oferecido na bandeja. À medida que ele entende que aquilo não ia ser a solução dos problemas brasileiros, ele adere ao programa do PCB, que defendia uma revolução agrária e anti-imperialista.

Prestes entende que, se participar do movimento de 1930, ficará inteiramente subordinado aos objetivos das oligarquias agrárias que estavam dirigindo o movimento. Então, não concorda com isso. Esse é um gesto que as classes dominantes nunca perdoaram, pois contavam com Prestes e sua liderança a serviço destes interesses [das oligarquias]. À medida que rompe com isso e se torna comunista, ele salta para o outro lado da trincheira da luta de classe e vai se colocar ao lado dos operários, dos trabalhadores, dos oprimidos e explorados, abandonando aquela banda das classes dominantes que estava apostando na liderança dele.

A insurreição de 1935 é um marco nessa história…

1935 é o renascimento da liderança de Prestes. Em 1930, com esse gesto de renunciar ao poder, ele fica como um general sem soldados, totalmente isolado. Porém, logo depois da vitória de Vargas e do movimento de 1930, o processo de desgaste do novo regime começa muito rapidamente. À medida que esse processo de desgaste acontece, principalmente entre os setores das camadas médias urbanas, movimentos sindicais, operários e dos próprios tenentes, eles começam a se voltar para o Prestes e dizem: “Até que Prestes tinha razão”. Todo o prestígio de Prestes começa a renascer, embora ele esteja longe, lá em Moscou. Quando chega ao Brasil, em 1935, o prestígio dele é muito grande. Antes de chegar, já tinha sido criada a Aliança Nacional Libertadora (ANL) e ele tinha sido aclamado como presidente de honra. A liderança de Prestes vai ser muito importante neste momento. Enfim, o século 20 tem duas figuras importantes: uma é Getúlio e a outra, Prestes.

Mas nas escolas brasileiras esses fatos são pouco estudados. Por quê?

Essa história é totalmente desconhecida. Eu acho que a atitude dele tomada em 1930, quando adere ao marxismo e ao comunismo, e sua fidelidade a essa direção pelo resto da vida foram imperdoáveis para as classes dominantes.

Após 1930, os outros comandantes da Coluna aderiram a Getúlio e foram ser ministros. Eles não estavam interessados em divulgar a história da Coluna, porque para falar dela tinham que falar de Prestes, e, como ele havia se tornado comunista, isso não interessava.

No Estado Novo esse assunto era totalmente proibido. Na época da legalidade se falou muito pouco. O partido estava muito ocupado com outras coisas. Havia no PCB, e nas esquerdas de maneira geral, um descuido muito grande com a história, uma falta de preocupação com a necessidade de conhecer a história, de educar as novas gerações conhecendo as lutas do passado. Isso também contribuiu. Mas o principal é que as classes dominantes não estavam interessadas em que essa história fosse conhecida.
Hoje em dia, a estratégia das classes dominantes já não é tanto caluniar o Prestes, pois já não cola tanto. Como não dá pra silenciar, a estratégia deles é falsificar a história e apresentar Prestes e outros comunistas, como Gregório Bezerra e outras figuras revolucionárias, integrados ao sistema, figuras assim pasteurizadas, que podem ser aceitas por todos; esvaziá-las de seu conteúdo revolucionário, até porque já estão mortos e não podem protestar nem falar mais. Então, se a gente não protesta, se a gente não procura mostrar a verdade, nos enganam muito. Isso [a falsificação] está sendo feito amplamente em relação ao Prestes.

Eu acho que o PCdoB está se especializando em se utilizar da imagem de Prestes. Exemplo: a devolução do mandato de senador de Prestes. Passaram-se 65 anos da cassação dos mandatos não só dele, mas de todos os parlamentares comunistas, e nunca esses senhores tomaram nenhuma iniciativa nesse sentido. Agora que tá todo mundo morto, não podem mais dizer nada, não representam mais nenhum perigo, se aproveitam do prestígio deles devolvendo os mandatos, fazendo uma encenação. Eu tenho certeza que se Prestes estivesse vivo ia botar a boca no trombone e não aceitaria isso.

Veja só, Renan Calheiros elogiando Prestes! É um negócio revoltante. Quem é Renan Calheiros para falar da vida de Prestes, fazer elogios?! Agora estão fazendo a mesma coisa com a Coluna. Já surgiu a ideia de institucionalizar a Coluna. Isso é integrar a Coluna na história oficial e esvaziá-la de seu conteúdo de luta, revolucionário.

Como deve ser o ensino da história da Coluna para as novas gerações?

Acho que tem que mostrar a história real da Coluna, não se trata de inventar nada. Apesar de todas as limitações, a Coluna lutou contra o poder, contra as classes dominantes, contra o poder estabelecido. E lutou com muita garra, se organizou para isso. Acho que isso é importante a gente mostrar: o caráter de luta. No fundo, acabava sendo uma luta de classes, embora eles não tivessem essa consciência. Nesse sentido é um exemplo. Prestes não era um herói nem um líder de todos os brasileiros, era um líder dos trabalhadores, dos revolucionários, daqueles que lutam para enterrar o capitalismo.

Os ideais revolucionários de Prestes e Olga continuam atuais?

Acho que continuam atuais, mas são muito pouco conhecidos e seguidos devido a essa repressão toda que houve no Brasil, à situação mundial, à derrota do socialismo real, enfim, uma série de fatores que aconteceram e que contribuíram para que a juventude hoje em dia conheça muito pouco. Mas acho que há interesse. Eu tenho, neste último ano, lançando meu livro – Luiz Carlos Prestes, o combate por um partido revolucionário –, viajado bastante pelo Brasil. Fiz muitas palestras em universidades, e há um interesse muito grande dos jovens.

Então você vê esperança na juventude?

Eu acho que tem esperança. Acho que a juventude tem principalmente ansiedade, está procurando uma resposta. As manifestações do ano passado revelaram isso. As pessoas, de repente, descobriram que precisam fazer alguma coisa, sair da pasmaceira, ir pra rua. E também viram que é possível conquistar alguma coisa. A responsabilidade das forças de esquerda, daqueles que realmente têm compromisso com as lutas populares, é tentar organizar – e acho que esse é o legado do Prestes também.

Por Heron Barroso e Pedro Gutman, Rio de Janeiro

Manifesto de Santo Ângelo

É chegada a hora solene de contribuirmos com nosso valoroso auxílio para a grande causa nacional.

Há 4 meses a fio que os heróis de São Paulo vêm se batendo heroicamente para derrubar o governo de ódios e de perseguições que só têm servido para dividir a família brasileira, lançando irmãos contra irmãos como inimigos encarniçados.

Todo o Brasil, de Norte a Sul, ardentemente deseja, no íntimo de sua consciência, a vitória dos revolucionários, porque eles lutam por amor ao Brasil, porque eles querem que o voto do povo seja secreto, que a vontade soberana do povo seja uma verdade respeitada nas urnas, porque eles querem que sejam confiscadas as grandes fortunas feitas por membros do governo às custas dos dinheiros do Brasil, porque eles querem que os governos tratem menos da politicagem e cuidem mais do auxílio ao Povo laborioso, que numa mescla sublime de brasileiros e estrangeiros, irmanados por um mesmo ideal, vive trabalhando honestamente pela grandeza do Brasil.

Todos desejam a vitória completa dos revolucionários porque eles querem o Brasil forte e unido, porque eles querem pôr em liberdade os heróis oficiais da revolta de 5 de julho de 1922, presos porque, num ato de patriotismo, quiseram derrubar o Governo Epitácio, que esvaziou criminosamente o nosso tesouro, e porque quiseram evitar a subida do Governo Bernardes, que tem reinado às custas do generoso sangue brasileiro.

Todos sabem hoje, apesar da censura da Imprensa e do Telégrafo, apesar das mentiras oficiais espalhadas por toda a parte, que os revolucionários têm recebido verdadeira consagração por onde têm passado e que até hoje não foram batidos.
(…)
De acordo com o plano geral, as tropas de Santo Ângelo talvez pouco demorem aqui, mas, durante este tempo, a ordem, o respeito, a propriedade e a família serão mantidos rigorosamente e, para isso, o governo revolucionário provisório conta com o auxílio da própria população.

Não queremos perturbar a vida da população, porque amamos e queremos a ordem com base no progresso. Podem, pois, estar todos calmos que nada acontecerá de anormal.
São convocados todos os reservistas do Exército a se apresentarem ao quartel do 1º Batalhão Ferroviário, e fica aberto o voluntariado.

Todos os possuidores de automóveis, carroças ou cavalos deverão imediatamente pô-los a disposição do 1º Batalhão Ferroviário e serão em todos os seus direitos respeitados.
Todas as requisições serão documentadas e assignadas sob a responsabilidade do Ministro da Guerra.

Pelo Governo Revolucionário do Brasil
Cap. Luiz Carlos Prestes 29/10/1924
(Trechos de um dos Manifestos da Coluna)

Sindicatos e movimentos sociais organizam encontro nacional de Educação no Rio de Janeiro

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enetopositeNos dias 8, 9 e 10 de agosto, na cidade do Rio de Janeiro, será realizado o Encontro Nacional de Educação (ENE), que pretende reunir mais de duas mil pessoas entre estudantes, professores, técnicos administrativos, militantes de movimentos populares e trabalhadores das mais diversas categorias para debater e construir um novo projeto para a educação brasileira.

O ENE acontece como resultados de inúmeras lutas em defesa da educação que têm sido realizadas nos últimos anos em nosso país, com destaque para a luta pelos 10% do PIB para a educação pública e para as sucessivas greves da rede federal e de diversas redes estaduais, bem como a luta pela federalização das universidades privadas falidas, como a Gama Filho e a UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todas essas mobilizações evidenciam que o projeto de educação colocado em prática no Brasil tem como meta somente a qualificação de mão-de-obra para o mercado, sem considerar, entretanto, a formação científica, histórica e política do nosso povo.

Os principais temas a serem debatidos no encontro são a privatização e mercantilização da Educação, o financiamento da Educação Pública, a precarização das atividades dos trabalhadores da Educação, a avaliação meritocrática, a democratização da educação, o acesso e permanência, passe livre e transporte público.

Para Katerine Oliveira, vice-presidente da UNE pela Oposição de Esquerda, “o ENE será um momento fundamental para repensarmos os rumos da educação no Brasil e construirmos um projeto alternativo de educação, que contribua para libertar nosso povo e desenvolver o país”.

Devido a isso, a UJR e as diversas entidades do movimento estudantil onde atuamos, assim como o MLC, MLB e o Movimento Olga Benario, estão participando ativamente do processo de construção do ENE, que certamente será um marco na história do movimento social brasileiro.

Felipe Annunziata, Rio de Janeiro