UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 10 de abril de 2026
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4º Congresso Nacional do MLB será de 22 a 24 de agosto em São Bernardo do Campo

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575354_558552114231850_525669467_nMorar dignamente é um direito humano. Esse será o tema central do 4º Congresso Nacional do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), que acontece em São Bernardo do Campo (SP), entre os dias 22 e 24 de agosto. Esse será um momento de celebração dos 15 anos de luta do movimento e de reafirmação da política de que a reforma urbana será resultado da pressão e da mobilização do povo pobre, especialmente das famílias sem-teto.

Estão sendo esperadas mais de 400 pessoas dos estados do Pará, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Bahia, Amazonas, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, além de São Paulo. Paralelo ao evento, acontecerá o 1º Encontro dos Sem-Tetinhos, que reunirá as muitas crianças do MLB que moram nas ocupações e crescem acompanhado seus pais na luta pela moradia.

Para qualificar a preparação política dos participantes do congresso, a coordenação nacional do MLB lançou o documento As propostas do MLB para a Reforma Urbana, onde expostas as principais características e objetivos da reforma urbana defendida pelo movimento para transformar as cidades brasileiras: uma reforma urbana que enfrente e resolva os graves problemas urbanos, ponha fim à ação nociva da especulação imobiliária, promova o direito à cidade e caminhe lado a lado com a luta da classe trabalhadora pelo socialismo.

Essa, aliás, é uma questão fundamental. A luta pela reforma urbana não pode estar separada da luta pelo poder popular e pelo socialismo. Por isso, o 4º Congresso do MLB também reafirmará o compromisso do movimento de construir, ao lado de outras organizações combativas dos trabalhadores, uma nova sociedade.

Na programação também serão debatidos questões relativas ao programa Minha Casa, Minha Vida, à criminalização dos movimentos populares, aos megaeventos, à organização popular nos bairros pobres, à luta pela saúde e educação e ao movimento de mulheres. Destaque especial terá a discussão sobre as experiências do MLB na organização das ocupações e a realização de uma grande jornada nacional de luta pelo direito à moradia digna ainda este ano.

“A participação do máximo de companheiros e companheiras do MLB no congresso é muito importante para fortalecer a luta do movimento e barrar as tentativas de privatizar as cidades, pois não podemos permitir que os direitos à moradia, ao transporte público, barato e de qualidade, à educação, à saúde, à cultura, ao saneamento básico, a um meio ambiente preservado, ao esporte e lazer da população sejam comprometidos em nome da cidade-negócio dos capitalistas, elitista e antidemocrática. A cidade é do povo!”, afirma Wellington Bernardo, coordenador nacional do MLB.

Da Redação

 

Sem nenhuma prova, Fábio Hideki permanece preso em Tremembé

Helena Harano, mãe de Fábio Hideki.
Helena Harano, mãe de Fábio Hideki.

As prisões de Fábio Hideki e Rafael Lusvarghi completam hoje 45 dias sem que nenhuma prova tenha sido apresentada para incriminar os dois ativistas que se converteram, de fato, em presos políticos do governo Alckmin. Fábio Hideki é funcionário da USP e militante do movimento sindical.

Na segunda-feira, dia 04, os advogados de defesa tiveram acesso a pericia realizada pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) e pelo Instituto de Criminalística de São Paulo que comprovam que nem Rafael nem Fábio portavam qualquer artefato explosivo, contrariamente ao que alega a Polícia Militar e confirmando o depoimento de todos que presenciaram o momento da detenção.

Na última sexta-feira, ao negar novamente um pedido de habeas corpus aos presos, o juiz Marcelo Matias Pereira, da 10º  Vara Criminal de São Paulo, mostrou todo caráter ideológico das prisões. Ele escreveu em sua sentença que um dos motivos para não conceder o direito de responder em liberdade ao processo aos dois ativistas consiste no fato de que os dois pertencem a “esquerda caviar” que, para o juiz, é um grupo de pessoas que discursa contra o capitalismo mas usa de seus benefícios que são os celulares, roupas de marca, etc.

Essa expressão – “esquerda caviar” – vem sendo usada pelos colunistas mais reacionários e de corte fascista da mídia monopolizada brasileira. É um discurso que tem por objetivo atacar os setores mais débeis do movimento popular com objetivo de criminalizar e estigmatizar todo o protesto social e justificar a ação violenta da polícia.

A prisão arbitrária de ativistas pode se tornar um fato rotineiro se nada for feito. É preciso unificar todo movimento popular e defender a liberdade de manifestação para que os fascistas não tenham sucesso em impôr o silêncio e a cadeia para quem luta contra as injustiças sociais.

Jorge Batista, São Paulo.

 

Greve da USP já dura 70 dias contra descaso do governo Alckmin

Funcionários da USP em assembleia.
Funcionários da USP em assembleia.

Nesta quarta-feira, a greve da USP de professores, funcionários e estudantes chega ao seu 72º dia, mas para a reitoria da universidade e para o governo do estado, parece que tudo está normal.

A última segunda-feira, 4 de agosto, deveria ser o dia de retorno às aulas na universidade, mas – exceto para algumas unidades tradicionalmente conservadoras – foi o dia de refortalecer a luta por transparência, democracia, cotas e contra a crise financeira e política da USP.

Já para o governador Geraldo Alckmin, e o reitor, Marco Antonio Zago, foi dia de fingir que a Cidade Universitária funciona normalmente. Na mensagem enviada por e-mail à comunidade o reitor sequer cita a crise atual que levou a esta que já é uma das mais longas greves da história da universidade.

Pelo contrário, dá as boas-vindas ao segundo semestre afirmando que está tomando medidas para manter a USP como a maior da América Latina. Não economiza na cara-de-pau ao afirmar que “temos que comemorar, pois começamos o segundo semestre sob a égide de uma ótima notícia: a volta da EACH ao campus da USP Leste”, sem dizer que o campus continua contaminado com terras do Templo de Salomão. Ressalta com grande destaque que a USP “tem proporcionado, a mais de 6500 alunos, acesso a diferentes modalidades de bolsas, que permitem sua manutenção na universidade e consolidam as políticas de assistência estudantil”, sem dizer que a USP conta com cerca de 80 mil estudantes, sendo que nenhum dos calouros de Medicina é negro e que até hoje o prédio da antiga reitoria não foi devolvido à moradia estudantil.

Outro e-mail traz vídeo gravado com o vice-reitor, que até cita a crise, mas coloca que a superação depende de toda comunidade. Da parte da comunidade ele indica aceitar os cortes, se contentar com o reajuste de 0%. Afirma claramente: “…O que devemos realizar, e já estamos realizando, é não ampliar a nossa folha de pagamento e reduzir as despesas de custeio…”. Por parte do governo e da reitoria ele afirma: “O governo respondeu que cumpre de forma efetiva o repasse estipulado pela Assembleia Legislativa. O que podemos (reitoria) afirmar…” em resposta aos questionamentos justos sobre o repasse do ICMS que sustenta a USP. Não é demais lembrar que o governador Alckmin é acusado de não repassar as verbas públicas para a Santa Casa, que chegou a fechar o Pronto-Socorro.

Os trabalhadores, professores e estudantes por outro lado não tem medo de defender a greve e dizer o que é preciso fazer para resolvê-la. Todos os dias, em todas as assembleias e nas atividades que foram organizadas para o reinício das “aulas” a mensagem é uma só: Alckmin, aumente o repasse de verbas para a USP. Zago, negocie um reajuste salarial de verdade! Ou a USP ficará parada.

A adesão à greve só cresce. São piquetes feitos nas unidades, trancaços no P1 (portão principal da Cidade Universitária que dá acesso ao Campus e é utilizado pela população que circula pela Marginal e por rodovias da região), salas de aula fechadas e professores dando aulas sobre democracia e crise nos auditórios e até mesmo as Congregações das unidades reforçando o coro contra a falta de reajuste salarial. A Congregação da FFLCH enviou por e-mail uma carta aberta em que o Diretor da unidade e 11 chefes de departamento dos cursos de História, Geografia, Ciências Sociais, Filosofia e Letras, cobram da reitoria que deixe de citar apenas a falta de verbas e passe a apresentar planos e propostas de saída para a crise, além do detalhamento dos gastos da universidade.

A reitoria afirma que só voltará a falar sobre o assunto na próxima reunião de negociação, marcada para setembro e ameaça cortar o salário dos grevistas. Até lá a USP continuará em greve. E os três setores da comunidade, esse sim, unidos na luta por uma USP que honre seu passado de 80 anos, alcançando um futuro de democracia, remuneração justa, cotas sociais e raciais, gratuidade e excelência no ensino.

Lucas Marcelino, estudante do curso de Letras da USP e diretor da União Nacional dos Estudantes – UNE.

Movimentos sociais organizam novo partido

Plenaria novo partidoNo ultimo dia 2 de agosto, a exemplo do que vem ocorrendo em diversos estados do Brasil, vários movimentos sociais se reuniram no auditório da casa do estudante de Pernambuco, palco de históricas lutas do movimento estudantil desde os anos 30 e de diversas lutas do povo brasileiro. Na ocasião foi discutida a conjuntura política no país e as conseqüências da atual crise econômica do capitalismo iniciada em 2008 e que tem jogado nas costas de milhões de homens e mulheres fome, morte e desemprego, enquanto uma ínfima minoria se apossa de tudo, mesmo com inúmeros bancos e multinacionais decretando falências.

Entidades estudantis e sindicais, lideranças dos movimentos populares nos bairros e de mulheres debateram a necessidade de se criar um novo partido, uma organização capaz de agregar aqueles que estejam dispostos a se colocarem a disposição das camadas menos favorecidas, encabeçando e fortalecendo uma alternativa para a apatia e o abandono das históricas bandeiras de lutas, antes erguidas por diversos partidos no país, muitos deles surgidos no seio da classe trabalhadora.

O problema é que, a maioria desses partidos está entregue, quase que exclusivamente, ao mero pragmatismo eleitoral e só aparecem em época de pedir voto”, afirmou Arison Fernandes, estudante de direito e presidente do DCE da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP). Segundo Edival Nunes Cajá, sociólogo, ex-preso político durante a ditadura militar no Brasil e presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa (CCML), afirmou que “a criação de um partido que, de fato, represente e defenda os interesses da classe trabalhadora é um passo importante na luta por uma verdadeira democracia no país”, o mesmo fez uma exposição sobre a situação da crise no país.

Ao final do encontro foi votada a proposta de se criar o novo Partido que defenda o Socialismo e encaminhadas sugestões do que seria necessário para acelerar a criação desse novo instrumento de luta da classe trabalhadora no país, além de contribuições para serem analisadas na sua fundação, a exemplo do que já ocorreu nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e mais dez outros estados do Brasil.

Cloves Silva, Estudante de Letras da UFRPE.

 

Urbanitários encerram greve após quase 50 dias de paralisação

Urbanitários da PB encerram greve após quase 50 dias de paralisação 03

Em assembleia realizada na noite da última sexta-feira (1), os trabalhadores da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (CAGEPA) decidiram que irão recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) da decisão do Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba (TRT-PB), que decretou abusiva a greve da categoria. Os trabalhadores, que estavam de braços cruzados desde o dia 16 de junho, decidiram pelo fim da greve nesta assembleia, realizada na sede do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas da Paraíba (Stiupb) em Campina Grande.

Em clima de muita revolta contra a decisão judicial que penalizou o movimento paredista de quase 50 dias, os trabalhadores renovaram seus votos com o Stiupb de se manterem firmes na luta, depositando suas esperanças numa decisão do TST para que possa ser revertido o julgamento do pleno do TRT da Paraíba e, assim, seja discutido o dissídio coletivo da categoria.

Os trabalhadores exigiam 15% de reajuste salarial e 27% no ticket alimentação, além de mudanças e retorno de cláusulas sociais perdidas nos últimos anos no acordo coletivo da categoria.

Entenda o caso

Os trabalhadores da CAGEPA, em greve desde o dia 16 de junho, tiveram o movimento judicializado pela empresa, que conseguiu uma liminar junto ao TRT-PB, restringindo o direito de greve a 50% do efetivo da empresa como divulgado pela versão impressa do jornal A Verdade do mês de julho.

Em audiência com o pleno do TRT no dia 04 de julho, foi sugerido ao movimento um acordo com a empresa que estabelecia algumas mudanças nas cláusulas sociais, não tendo, porém, nenhum avanço quanto às cláusulas econômicas, onde a empresa manteve a sua proposta de reajuste de 6,54% no salário dos trabalhadores. O movimento rejeitou a proposta e, mesmo com uma greve fragilizada por conta da decisão da Justiça para que se mantivesse o efetivo de 50%, decidiu pela sua continuidade, enfrentando, inclusive, a possibilidade de corte de ponto.

Com a decisão final do pleno do TRT do último dia 30 de julho fica a empresa autorizada a realizar o corte de ponto dos grevistas pela CAGEPA. Para o relator do processo de dissídio de greve, desembargador Dr. Leonardo Trajano, a greve não foi aprovada em assembleia convocada para este fim pelo sindicato. O sindicato, no entanto, contesta e irá recorrer ao TST para mostrar que todo o procedimento legal foi tomado para que não houvesse esse tipo de questionamento jurídico.

“A empresa ainda apresentou uma nova proposta de acordo coletivo no dia seguinte ao julgamento de dissídio, alterando novamente algumas cláusulas sociais, mas, no entanto, só serão discutidas após a garantida do abono dos dias parados; foi o entendimento e a decisão da categoria na assembleia que realizamos na última sexta”, afirmou Wilton Maia, presidente do Stiupb.

Por fim, o presidente do Stiupb afirmou que “a lição a tirar dessa greve é que nunca vamos abaixar nossas cabeças para a direção da empresa. Vamos seguir firmes e fortes, pois só conquista quem luta!”, finalizou.

Emerson Lira

Declaração final do Seminário de Quito

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PaginaClausuraSIPRALEm meio de grande alegria e entusiasmo se encerrou a décima oitava edição do Seminário de Quito Problemas da Revolução na América Latina. O evento contou com a participação de 28 organizações de 15 países. Cerca de 1500 pessoas participaram das diferentes sessões do seminários em seus 5 dias.

Declaração final do XVIII Seminário Internacional Problemas da Revolução na América Latina.

O atual cenário internacional e as tarefas dos revolucionários

Com um ar de aparente tranquilidade e otimismo, os analistas econômicos da burguesia internacional anunciaram ao mundo que a crise econômica que se instalou em 2008 havia chegado ao fim e que se vislumbrava um período de recuperação do capitalismo. Efetivamente, manifestações de uma pequena recuperação econômica estão evidenciadas em alguns países, como Estados Unidos e Alemanha, mas, ao mesmo tempo, outras economias sofrem recaídas. Em todos esses anos, o centro da crise está se deslocando para uma outra região, seus efeitos econômicos ainda estão presentes em todo o mundo, acompanhados da agudização de conflitos políticos e sociais.

O mundo é cenário de uma aguda confrontação político-social entre povos e classes dominantes, entre países dependentes e estados imperialistas, e entre potências imperialistas que disputam ferozmente entre si o controle das zonas de influência, mercados, recursos naturais dos países dependentes, etc. Assim se explicam os conflitos político-militares que se produzem em vários pontos do planeta como na Ucrânia, Síria ou no Oriente Médio.

Neste mundo agitado, os trabalhadores, a juventude e os povos em geral avançam em suas luas, buscando afirmar o protagonismo histórico que lhes correspondem.

A movimentação do capital de descarregar a crise sobre as costas dos trabalhadores se chocou com a resposta combativa dos povos da Europa. Desde o outro lado do oceano, nós os latino-americanos, temos visto com alegria e otimismo as greves gerais, mobilizações de rua e jornadas combativas que se estenderam na Espanha, Grécia, Portugal, Itália, Alemanha e praticamente todo o velho continente. Nesse exercício da luta de massas, as organizações revolucionárias redobram seus esforços para dar um rumo correto a esses combates, disputando com forças de direita e oportunistas que vêem nessas circunstâncias a oportunidade para dar soluções políticas a crise sem afetar o marco da institucionalidade burguesa.

Frente aos selvagens mecanismos e níveis de exploração capitalista na Ásia e África, a resposta dos trabalhadores é a greve. Milhares de operários e operárias, de mineiros e trabalhadores agrícolas paralisam o trabalho nas empresas que, em sua maioria, são subsidiárias de transnacionais imperialistas.

O continente americano, que em outros momentos da história se alçou em armas para derrotar a dominação colonial, também é cenário de protestos populares, de agudas confrontações políticas e de disputas interimperialistas.

O ciclo dos chamados governos progressistas apresenta graves problemas. A obra pública e social que puderam desenvolver nos anos anteriores graças a novos ingressos econômicos adquiridos pela venda de suas matérias primas no mercado internacional, agora tem dificuldade de se manter contínua: os problemas econômicos provocam estragos. Em sua busca por recursos, optaram pelo tradicionalmente aplicado pela burguesia no poder: prostrar-se ante o capital financeiro internacional e meter a mão no bolso dos trabalhadores.

Capitais chineses, russos, canadenses e estadunidenses fluem para esta região para empreender projetos mineiros, petroleiros e energéticos. Ou, através de empréstimos que, em um ou outro caso, afirmam uma dependência econômica já existente. Vários desses governos “progressistas”, em nome de uma suposta atitude anti-estadunidense, na realidade levam adiante uma renegociação da dependência com a China, de maneira particular.

Em muitos aspectos do exercício econômico e político, não existe muita diferença entre os governos ‘progressistas’ e os abertamente de direita. Em ambos são aplicadas leis para restringir e até eliminar direitos dos trabalhadores e dos povos; com distintos discursos – mas com idênticos propósitos –  se aprovam leis ‘anti-terroristas’ que buscam impedir o protesto popular através de sua criminalização; coincidem com o impulso extrativista e agroenergético que saqueiam nossas riquezas e provocam funestas e irreversíveis consequências na natureza.

Existem muitos exemplos da aplicação de políticas anti-populares e antinacionais, por isso o descontentamento e a luta dos trabalhadores, da juventude e dos povos cresce… e a repressão também. Na América, como em outras partes do planeta, a fascistização do Estado é um fato que se choca com a luta dos povos através das mais diversas formas.

Frente a esta realidade  e tendo em mente que a razão de ser das forças revolucionárias é organizar o protagonismo das massas na revolução, os participantes deste Seminário Internacional proclamam o compromisso de nossa luta, a defesa dos interesses imediatos e estratégicos dos trabalhadores e povos, e a defesa da soberania nacional, sob o signo da independência de classe.

Ratificamos o princípio da unidade dos trabalhadores e do povo como base fundamental para derrotar aos inimigos comuns, unidade antiimperialista para levar a um bom final nossa luta.

Trabalhamos pra que as idéias revolucionárias ganhem espaço e se afirmem na consciência dos povos, para isto, é fundamental confrontar e derrotar as classes dominantes e o imperialismo no terreno ideológico. Não basta combateras posições abertamente reacionárias e de direita; é fundamental desmascarar as teses e posições pseudo-esquerdistas e oportunistas que atuam no movimento popular para fazer deste funcional aos projetos capitalistas em nome de supostas revoluções do século XXI.

As lutas dos trabalhadores e dos povos que se desenvolve em qualquer parte do planeta, fazemos sentir como nossas e nos solidarizamos com elas. De maneira particular, levantamos nossa voz e nosso punho de indignação frente ao genocídio realizado pelo Estado sionista de Israel com o apoio yanqui contra o povo palestino: nossa solidariedade com a heróica luta palestina para recuperar seu território e seu direito a autodeterminação. Nossa voz de alento ao povo venezuelano que luta por defender as conquistas democráticas obtidas nesses anos e nossa condenação à ação intervencionista e desestabilizadora do imperialismo estadunidense e da burguesia desse país. Somos solidários ao povo da Ucrânia, vítima da ambição de grupos corruptos e reacionários internos e da disputa entre potências estrangeiras.

Exigimos a liberdade dos lutadores populares, dos presos políticos e prisioneiros de guerra e de todas as vítimas da repressão processadas por suas convicções em distintas partes do planeta.

Estas opiniões são fruto de um debate franco e respeitoso desenvolvido nas sessões do XVIII Seminário Internacional Problemas da Revolução na América Latina, realizado em Quito e as expomos aos povos do mundo.

Nosso objetivo é a revolução social e nacional, a libertação de toda a humanidade do julgo do capital: nesse propósito desprendemos nossos melhores esforços.

Quito, 1 de agosto de 2014

Assinam:

Partido Comunista Revolucionario da Argentina

Partido Revolucionario Marxista Leninista da Argentina

Coordinadora de Unidade Barrial / Movimiento Teresa Rodríguez –  Argentina

Partido Comunista Revolucionário do Brasil

Movimento de Mulheres Olga Benário – Brasil

Movimiento Luta de Clases – Brasil

Movimento Constituinte Democrática – Colombia

Partido Comunista da Colômbia (marxista-leninista)

Partido Comunista da Colômbia (Maoísta)

Partido dos Comunistas dos Estados Unidos

Partido Comunista da Espanha (marxista-leninista)

Frente Democrático Nacional das Filipinas

Frente Popular Revolucionaria – México

Partido Comunista do México (marxista-leninista)

Partido Comunista Peruano (Marxista-Leninista)

Coordenação Caribenha y Latino-americana de Porto Rico

Partido Comunista bolchevique (Rússia)

Partido Comunista bolchevique (Ucrânia)

Organização Revolucionária 28 de Fevereiro – Uruguai

Partido Comunista do Trabalho – República Dominicana

Asociação Dominicana de Professores

Partido Comunista  Marxista Leninista do Equador

Frente Popular – Equador

Movimento Popular Democrático

Juventude Revolucionária do Equador

Confederação Equatoriana de Mulheres pela Mudança

Frente Revolucionária de Esquerda Universitária

Partido do Trabalho da Turquia

Albert Einstein já havia alertado sobre o avanço do fascismo em Israel

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Albert Einstein já havia alertado, em 1948, sobre o avanço do fascismo em Israel

Contexto da denúncia de Albert Einstein sobre o avanço do fascismo em Israel

Em 1948, quando da visita do líder ultra-conservador israelense Menachem Begin aos Estados Unidos, uma série de proeminentes judeus se manifestaram sobre o avanço do ultra-conservadorismo na construção do Estado de Israel e no movimento sionista.

Já nessa época, estas importantes figuras da ciência já percebiam o que depois se tornou realidade: com o apoio dos EUA, Israel se tornou um Estado Fascista.

Com explica a carta de Einstein, Menachem Begin era uma das lideranças do Herut, o partido sionista de extrema-direita na época, na então Palestina. Begin também foi membro do Irgun, uma organização paramilitar terrorista e, como tal, um dos responsáveis pelo atentado a bomba no Hotel King David em Jerusalém, que matou 91 e feriu mais 45 pessoas.

Em 1973, o mesmo Menachem Begin ajudou a construir a aliança de vários partidos de direita, conservadores e liberais, que adotou o nome de Likud (Fusão). Em 1988 o Likud se tornou um partido político.

Em 1977 Begin se torna primeiro-ministro de Israel, pelo Likud, que teria vários de seus membros essa posição. O atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, também é do Likud.

Para se ter uma ideia do poder que a visão fascista ganhou dentro do governo de Israel, em 1995, uma avenida de Jerusalém recebeu o nome de “Gal”, em homenagem de Joshua “Gal” Goldschmidt, um dos autores do atentado a bomba no Hotel King David. Em 2006, o próprio Netanyahu participou de um evento para comemorar o atentado, inaugurando um placa no local do ataque em homenagem ao Irgun.

Já passou da hora de superar o fascismo no mundo. É necessário restabelecer a Palestina livre, laica, democrática e soberana, onde todos os povos da região possam viver em paz. É o único caminho.

Confira abaixo a íntegra da carta.



Carta aos editores do The New York Times

Entre os mais perturbadores fenômenos políticos de nossos tempos está a emergência do “Partido da Liberdade” (Tnuat Haherut) no recentemente criado Estado de Israel. Um partido político muito próximo em organização, métodos, filosofia política e apelo social aos partidos Nazistas e Fascistas. Ele foi formado a partir dos membros e seguidores do extinto Irgun Zvai Leumi1, uma organização terrorista, conservadora e chauvinista na Palestina.

Einstein_Letter_NYT_4_Dec_1948_0000A atual visita de Menachem Begin, líder desse partido, aos Estados Unidos é obviamente calculada para dar a impressão do apoio dos EUA a esse partido nas eleições de Israel que estão por vir e para cimentar laços políticos com os elementos Sionistas conservadores dos Estados Unidos. Vários americanos de reputação nacional tem emprestado seus nomes para acolher sua visita. É inconcebível que aqueles que se opõem ao fascismo em todo o mundo, se estão corretamente informados sobre a história política e as perspectivas do Sr. Begin, poderiam acrescentar seus nomes e apoio ao movimento que ele representa.

Antes que seja feito um dano irreparável pela via da contribuição financeira, manifestações públicas a favor de Begin e a criação na Palestina de que um grande segmento da América apóia os elementos fascistas em Israel, o público americano precisa ser informado sobre o histórico e os objetivos do Sr. Begin e seu movimento.

As promessas públicas do partido de Begin não condizem de nenhuma forma com seu caráter real. Hoje eles falam em liberdade, democracia e anti-imperialismo enquanto até recentemente pregavam abertamente a doutrina do Estado fascista. É em suas ações que esse partido terrorista denuncia o seu caráter real. A partir de suas ações do passado é que podemos julgar o que eles farão no futuro.

Ataque à aldeia árabe

Um exemplo chocante foi seu comportamento na aldeia árabe de Deir Yassin. Esta aldeia, distante das principais estradas e circundada por terras judaicas, não tomou nenhuma parte na guerra e chegou a contrariar o lado árabe que queria usar a vila como sua base. Em 9 de abril2, bandos terroristas atacaram esta pacífica vila, que não era um objetivo militar na luta, matando a maioria de seus habitantes (240 homens, mulheres e crianças) e manteve alguns deles vivos para desfilar como cativos pelas ruas de Jerusalém. A maioria da comunidade judaica ficou horrorizada com a a ção e a Agência Judaica enviou um telegrama de desculpas ao Rei Abdullah, da Trans-Jordânia. Mas os terroristas, longe de se envergonharem por seu ato, ficaram orgulhosos desse massacre, divulgando-o amplamente e convidando todos os correspondentes internacionais presentes no país para dar uma olhada nos cadáveres e na devastação em Deir Yassin.

O incidente Deir Yassin exemplifica o caráter e as ações do Partido da Liberdade.

Dentro da comunidade judaica eles têm pregado uma mistura de ultra nacionalismo, misticismo religioso e superioridade racial. Como outros partidos fascistas, eles têm sido usados ​​para acabar com as greves e têm pressionado pela destruição de sindicatos livres. Em seu lugar eles têm proposto sindicatos corporativistas no modelo fascista italiano.

Durante os últimos anos de violência anti-britânica esporádica, o IZL e o grupo Stern inauguraram um reino de de terror na comunidade judaica da Palestina. Professores foram espancados por discursarem contra eles, adultos foram baleados por não deixarem seus filhos juntarem-se a eles. Pelo método dos gangsters, espancamentos, quebra de janelas e roubos em larga escala, os terroristas intimidaram a população e exigiram um pesado tributo.

As pessoas do Partido da Liberdade não tem nenhuma parte nas realizações construtivas na Palestina. Eles não reivindicam nenhuma terra, nenhuma construção de habitações e apenas depreciam a atividade defensiva judaica. Seus esforços de imigração muito propagandeados foram diminutos e devotados principalmente para atraírem compatriotas fascistas.

As discrepâncias observadas

As discrepâncias entre as afirmações arrojadas feitas agora por Begin e seu partido e o registro do seu desempenho passado na Palestina não trazem a marca de um partido qualquer. Esta é a marca inconfundível de um partido fascista, para quem o terrorismo (contra judeus, árabes e britânicos igualmente) e deturpação são meios, e um “Estado líder” é o objetivo.

À luz das considerações anteriores, é imperativo que a verdade sobre Sr. Begin e seu movimento seja conhecido neste país. É ainda mais trágico que a liderança do sionismo americano recusou-se a fazer campanha contra os esforços de Begin ou mesmo para expor aos seus elementos os perigos para Israel do apoio a Begin.

Os abaixo assinados, portanto, vem por meio desta levar a público alguns fatos notáveis a respeito de Begin e seu partido e recomendam a todos os interessados ​​a não apoiarem esta última manifestação do fascismo.

Isidore Abramowitz
Hannah Arendt
Abraham Brick
Rabbi Jessurun Cardozo
Albert Einstein
Herman Eisen, M.M.
Hayim Fineman, M. Gallen, H.D.
H.H. Harris
Zelig S. Harris
Sidney Hook
Fred Karush
Bruria Kaufman
Irma L. Lindheim
Nachman Maisel
Seymour Melman
Myer D. Mendelson, M.D.
Harry M. Oslinsky
Samuel Pitlick
Fritz Rohrlich
Louis P. Rocker
Ruth Sagis
Itzhak Sankowsky
I. J. Shoenberg
Samuel Shuman
M. Singer
Irma Wolfe
Stefan Wolfe

Nova Iorque, 2 de dezembro de 1948

Fonte: Livre Pensamento

Encontro Internacional da Juventude Antifascista tem início na Turquia

EIJAATeve início no dia 02 de agosto o 24º Encontro Internacional da Juventude Antifacista e Antiimperialista (EIJAA), no distrito de Dikili, na cidade de Izmir, na Turquia. O evento, que ocorre a cada dois anos, tem a participação de 16 países de diferentes continentes, como Alemanha, Brasil, Equador, Inglaterra, Dinamarca, Síria, França, Paquistão, México, Grécia, Curdistão, etc, além de quase 2 mil jovens turcos. Como membro do Comitê de Preparação Internacional, a União da Juventude Rebelião (UJR) é responsável por representar o Brasil.

Durante todo o dia chegaram diversas delegações e à noite houve uma grande plenária geral, com saudações de vários países, da juventude do Partido do Trabalho da Turquia e de sua presidente. Em seguida ocorreu a parte cultural, com apresentação de bandas de música turca e curda.

Bruno Melo,  delegação brasileira no EIJAA

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Edições CCML lança livro “A Unidade Operária Contra o Fascismo”

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Livro Dimitrov - A Unidade Operária contra o fascismo
Capa do livro “A unidade operária contra o fascismo”, de G. Dimitrov

As Edições Manoel Lisboa acabam de lançar o livro A Unidade Operária Contra o Fascismo. Trata-se do histórico informe apresentado pelo camarada George Dimitrov, secretário-geral do Partido Comunista da Bulgária, no 7º congresso da III Internacional, em 2 de agosto de 1935.

Dimitrov inicia sua exposição apresentando o avanço da ofensiva do fascismo no mundo como resultado da profunda crise do capitalismo e do interesse da burguesia em preparar uma guerra imperialista e barrar o desenvolvimento do movimento revolucionário dos trabalhadores contra o capitalismo.

A análise de Dimitrov sobre a preparação de uma guerra imperialista se confirma poucos anos depois com a Segunda Guerra Mundial, cujo objetivo, por parte das potências imperialistas, era o de conquistar novos mercados e colonizar povos, partilhando todo o globo e descarregando sobre os trabalhadores o peso de sua crise.

O caráter de classe do fascismo também é revelado por Dimitrov, que o caracteriza como o ajuste terrorista do capital financeiro contra a classe operária. Resultado do temor das revoluções proletárias, o setor mais reacionário da burguesia rompe com a democracia burguesa e o parlamentarismo e instaura o poder por meio do terror, do exercício da bestialidade contra os povos.

Apontando as diversas expressões do fascismo, Dimitrov coloca que este regime apresenta formas diferentes em diversos países e nem sempre é instalado a partir de uma ruptura imediata com a democracia burguesa; em muitos casos, há uma combinação de aparente legalidade com a instauração do terror.

Essa aparência democrática do fascismo foi endossada até mesmo pelos chefes da socialdemocracia, que, muitas vezes, negaram-se a combater as medidas mais reacionárias apresentadas no Parlamento, ocultando, assim, o verdadeiro caráter de classe do fascismo. Dimitrov alerta ainda para a forma como o fascismo surge e conquista influência sobre as massas, destacando o apelo demagógico sobre as necessidades mais candentes dos trabalhadores, bem como pela incitação aos antigos preconceitos alimentados pela ideologia burguesa sobre o proletariado, utilizando-se, inclusive, do termo socialismo, como foi no caso do Partido nazista alemão, que se chamava Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães.

O fascismo, destaca Dimitrov, é demagógico, está a serviço do imperialismo e consegue unificar os setores mais reacionários da burguesia para instaurar a corrupção, chamando a atenção pela violência cínica do seu discurso em defesa de um governo honrado e contra a corrupção. Promete às massas melhores condições de vida, mas proporciona, na realidade, o aumento da sua exploração, empurrando a classe trabalhadora para a sarjeta.

Combatendo a política de divisão da socialdemocracia, Dimitrov defende a unidade sindical dos trabalhadores por meio dos sindicatos únicos para cada ramo de produção, através de uma única central sindical por país e de uma única central sindical mundial. Desta forma, ensina Dimitrov, os revolucionários devem desenvolver uma política classista que unifique os trabalhadores para desmascarar e deter os ataques burgueses em todos os sentidos.

Na mesma direção, orienta a criação de Associações Antifascistas para o trabalho da juventude e de mulheres. Os jovens e as mulheres estão entre os que mais sofrem com a crise econômica, com o desemprego e a miséria em que são lançados. Por outro lado, por seu espírito de combatividade rebelde, cumprem um papel decisivo na luta de classes, assim como as mulheres, que demonstram grande disposição para lutar por seus direitos sempre que são convocadas.

Os comunistas, ensina, não podem abandonar jamais a luta ideológica contra o fascismo. Não podem vacilar em defender as tradições de lutas dos povos, tampouco podem deixar passar sem luta ideológica qualquer sentimento de nacionalismo, comumente convertido pelos fascistas em retórica para ludibriar os trabalhadores. É preciso deixar claro para o proletariado que os comunistas são os maiores defensores da pátria e que os interesses do proletariado não são apenas nacionais, mas internacionais.

Diante da atual conjuntura política, marcada pela maior crise econômica do capitalismo em décadas, pelo acirramento da luta de classes, pelo avanço das mobilizações dos trabalhadores em todo o mundo e pela contraofensiva fascista, esta obra de Dimitrov apresenta uma enorme atualidade e traz vários ensinamentos que devem ser seguidos por todos os comunistas revolucionários. Nisto reside a grande importância da leitura desta obra.

Magno Francisco, Maceió

Fim do jornal italiano l’Unità, fundado por Antonio Gramsci em 1924

Jornal italiano l'Unità

No dia 30 de julho circulou na Itália a última edição do jornal l’Unità. Fundado por Antonio Gramsci em 12 de fevereiro de 1924 e órgão oficial do Partido Comunista Italiano, l’Unità passou nos meses anteriores por sua última crise, 90 anos após sua primeira edição.

Fundado apenas um ano depois que Mussolini chegou ao poder na Itália, l’Unità sobreviveu ao período fascista como um jornal clandestino, e então conseguiu se estabelecer na nova república italiana após a Segunda Guerra Mundial. Mesmo quando o Partido Comunista Italiano mudou de nome e o jornal se tornou órfão, l’Unità conseguiu se reestruturar e continuou sua publicação diária.

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Edição histórica de 1953, noticiando a morte de Stálin (clique para ampliar)

Na década de 1990 o jornal atravessou outra grande crise, quando o refluxo do movimento socialista no leste europeu não oferecia um ambiente favorável às publicações de esquerda. Ainda assim o jornal seguiu em frente.

Mas dessa vez, no entanto, a situação financeira se tornou insustentável. Vários jornalistas trabalharam sem salários nos últimos três meses. O jornal acumula uma dívida de 20 milhões de libras, segundo o jornal britânico The Independent. Sua última edição teve apenas três páginas impressas, com a seguinte manchete: “Fim da linha. Depois de três meses de batalha, eles conseguiram. Mataram l’Unità.”

Mário Lopes