UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

domingo, 5 de abril de 2026
Início Site Página 686

Coronel da ditadura que confessou crimes é morto no Rio

O coronel reformado do Exército, Paulo Malhães, de 76 anos, foi encontrado morto hoje pela manhã (25) em seu sítio na zona rural de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. De acordo com a polícia, três homens invadiram a casa, amarraram a mulher e o caseiro, e procuraram armas. Durante a ação dos criminosos, o militar foi morto. O corpo do coronel Malhães está no Instituto Médico Legal de Nova Iguaçu, onde será determinada a causa da morte.

Ex-agente do Centro de Informações do Exército, o militar prestou depoimento no dia 25 do mês passado na Comissão Nacional da Verdade, quando admitiu ter torturado, matado e ocultado cadáveres de presos políticos durante a ditadura militar. No depoimento, ele disse não se arrepender de nada e contou como funcionava a Casa da Morte, em Petrópolis, na região serrana, centro clandestino de torturas, onde teriam sido assassinadas 20 pessoas.

O presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, Wadih Damous, disse que a morte precisa ser investigada com rigor, porque o coronel reformado foi agente importante da repressão política e detentor de muitas informações sobre a ditadura.

Fonte: Agência Brasil

Eletricitários fazem paralisação de dois dias em todo o Brasil

Eletricitários fazem paralisaçãoOs trabalhadores das empresas ligadas a Eletrobrás iniciaram neste dia 24 de abril uma paralisação de dois dias para exigir da holding o pagamento da PLR 2013.

A Eletrobrás alega que teve um prejuízo líquido no valor de R$ 6,287 bilhões no ano passado. Já em 2012, alega que também teve prejuízo de R$ 6,879 bilhões. O Conselho Nacional de Eletricitários argumenta, no entanto, que os trabalhadores não podem ser penalizados pelas perdas, pois o caixa da estatal estaria sendo prejudicado por decisões de sua direção e do governo – como o acordo de indenizações previstas na Medida Provisória (MP) 579, que estabeleceu as regras para a renovação das concessões que vencem entre 2015 e 2017.

“Todo ano, os trabalhadores recebiam participação nos lucros, mas, neste ano, não vai ter. A Eletrobrás não deu lucro, mas não é culpa dos trabalhadores. Temos metas a cumprir e entregamos todas essas metas cumpridas”, argumentou Emanuel Mendes Torres, diretor da Associação dos Empregados da Eletrobras (Aeel).

O pagamento de participação nos lucros é referente aos resultados verificados no ano anterior. Embora a estatal já tivesse registrado prejuízo em 2012, os funcionários conseguiram que a PLR fosse paga aos empregados no ano passado com base no princípio de cumprimento de metas.

O diretor da Aeel explicou que o pagamento de participação nos resultados prevê, tradicionalmente, o valor equivalente a duas folhas salariais do grupo para ser dividido entre todos os trabalhadores do Sistema Eletrobrás em forma de PLR.

O pagamento do PLR é a única reivindicação dos trabalhadores da estatal neste ano, cuja campanha salarial tem como data-base o mês de maio. No ano passado, a categoria fez um acordo para dois anos, sendo o reajuste salarial de 2014 de acordo com a inflação do período, medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor, do IBGE).

No próximo dia 30 está marcada uma manifestação em frente a sede da Eletrobrás, em Brasília, quando a holding estará realizando uma Assembleia Geral Ordinária.

Ato político em repúdio à Ditadura mobiliza estudantes de todo o país

ato 01No dia 21 de abril, foi realizado um grande ato político em repúdio à Ditadura Militar e em defesa do direito à memória, verdade e justiça no encerramento do 3º Encontro Nacional dos Estudantes de Escolas Técnicas (Enet), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília-DF. O evento, organizado pela Federação Nacional dos Estudantes do Ensino Técnico (Fenet), contou com cerca de 1.500 participantes, vindos de 24 estados, mais o próprio Distrito Federal.

No início do ato, foi feita uma homenagem aos militantes mortos pela Ditadura Militar, com a entrada no recinto, sob fortes aplausos, de estudantes carregando banners com as fotos de José Montenegro de Lima, Carlos Marighella, Nilda Carvalho, José Lima Piauhy, Emmanuel Bezerra e Manoel Lisboa. Montenegro, aliás, é o patrono da Fenet, pois, à época, foi preso e assassinado por organizar o movimento estudantil no setor de escolas técnicas em nível nacional. A plenária final também aprovou uma carta, endereçada à presidenta Dilma Rousseff e à Comissão Nacional da Verdade, para que se apurem as circunstâncias de sua morte e sejam punidos os responsáveis.

Falaram no ato, representando os militantes que combateram o regime, Amelinha Telles, ex-presa política e fundadora da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, e Carlinhos Marighella, advogado e filho do dirigente revolucionário Carlos Marighella. Ambos registraram a importância de reunir tantos jovens para debater o direito à memória, verdade e justiça, ampliando esta luta para várias localidades do país.

Amelinha fez um emocionante relato sobre as torturas que ela e sua família sofreram, inclusive seus filhos, ainda crianças. Já Carlinhos enfatizou a resistência aos regimes autoritários que se impuseram no país, desde o período em que seu pai teve cassado o mandato de deputado federal constituinte, em 1946, e posteriormente a resistência à Ditadura.

Redação

Luta dos terceirizados da UFRJ – 2014

0

Luta dos terceirizados da UFRJ – 2014

As condições mínimas de trabalho dos terceirizados na Universidade Federal do Rio de Janeiro vão de mal a pior. Ainda, os salários nunca são pagos em dia. O Movimento Correnteza encampa mais esta luta ao lado do trabalhador e prestador de serviço de uma das maiores universidades da América Latina.

Eijaa 2014 será na Turquia

Eijaa
Eijaa

Dos vários cantos do mundo
Falando diferentes línguas; nos entendemos um aos outros.
Verdes ramos dessa árvore que é o mundo;
Somos aquele povo que chama a sim mesmo juventude!

Nazim Hikmet (Poeta turco)

O Encontro Internacional da Juventude Antifascista e Anti-imperialista – Eijaa acontece em diferentes países a cada dois anos e é organizado por jovens de todo o mundo. Neste ano, nosso encontro se reunirá sob o tema: “a juventude do mundo unida por futuro e paz”; este acontecerá de 2 a 10 de agosto no distrito de Dikili, cidade Izmir, Turquia, com a participação de milhares de jovens turcos, da América Latina, Europa, Oriente Médio, África e Balcãs.

Apesar de toda a massa de riqueza produzida no mundo, milhões de jovens são confrontados com o desemprego e com a falta de acesso à educação, o que é apresentado aos jovens como um fato do destino. Os jovens do mundo que estão privados de um futuro vão unir-se por empregos, educação e lutar por seus sonhos e aspirações. Todas estas aspirações reunidas desta vez às margens do mar Egeu, serão espalhadas novamente pelos países de maneira rejuvelhecida.

Os jovens ousam sonhar que no Oriente Médio, Europa, América Latina e África continuarão a ocupar os espaços públicos exigindo um futuro melhor. Através de novas formas criativas de protesto, assim como através de greves escolares, atos públicos e ocupação das ruas, a juventude ganhou uma nova experiência. O Encontro Internacional vai combinar a experiência e o entusiasmo da resistência de Junho na Turquia (Protesto do parque Gezi) com as experiências e o entusiasmo das lutas da juventude de todo o mundo.

Milhares de jovens, estudantes e trabalhadores, virão de centenas de diferentes universidades, escolas e cidades industriais. Vários países, incluindo o Brasil, Espanha e Tunísia, que já começaram os preparativos. Também nosso país, que já está com os preparativos avançados, faz o seguinte chamado:

A juventude do mundo se encontra!

“Onde é o centro do mundo?” perguntaram uma vez para Nasreddin Hodja2. “É onde meu burro está parado. Se você não acredita, meça então o mundo” ele respondeu… O que ocorreria se fizéssemos essa pergunta para os jovens do mundo que vivem na pobreza, desemprego e incertos sobre seu futuro; para aqueles que são arrastados para guerras e obrigados a suportar todo o peso da crise econômica por falta de acesso à educação e por empregos altamente precários? Somos a juventude vinda de too o globo. Como dizia Nazim Hikmet1, somos os ramos verde dessa árvore que é o mundo. Temos sonhos e aspirações comuns. Vamos romper com a opressão a que somos submetidos e lutar por nossos sonhos e direitos. Sobre as sombras da depressão, suicídio e pessimismo, vamos acender a chama da esperança e espalhá-la por todo o mundo.

Nosso sonhos se tornarão realidade!

Juntos, produzindo e compartilhando conhecimento, mostraremos que um mundo sem guerras e exploração é possível. A cultura da solidariedade coletiva florescerá entre os jovens e trará junto com ela a cultura do trabalho, do papel do indivíduo na sociedade, e a política como ferramenta para transformar a vida; a cada novo dia, nosso sonhos se tornam realidade. O centro do mundo é onde estamos juntos cultivando nossas aspirações, compartilhando nossos anseios e discutindo nosso problemas. Há cada dois anos, o centro do mundo é onde a juventude se encontra, e este ano o centro do mundo é a cidade de Izmir, no coração do mar Egeu.

A juventude estará na linha de frente!

Concertos, produções teatrais, oficinas e seminários terão lugar em nosso encontro; ademais, serão várias oportunidades para compartilhar nosso problemas comuns em painéis; também acontecerão em grande e menor escala, fóruns com escritores, cientistas, intelectuais e artistas; comunidades de secundaristas e universitários terão a oportunidade de demonstrar suas produções coletivas; jovens que participarão nas lutas do Oriente Médio por emprego, paz e liberdade falarão de suas experiências. Às noites, teremos a oportunidade de conhecer diferentes culturas e socializar em nosso eventos, construindo fraternidade internacional e compartilhando riquezas e belezas culturais.

Este é nosso convite!

1 Nazim Hikmet:  Poeta e dramturgo Turco mundialmente conhecido. Foi militante do Partido Comunista da Turquia e viveu na União Soviética.

2 Nasreddin Hodja: Contista Turco do século XII. É conhecido na cultura popular por suas anedotas e fábulas.

Traduzido do sítio: http://internationalyouthcamp.net/

Começa 3º Enet em Brasília

0

plenaria curitibaCom mais de mil participantes em Brasília, iniciou-se o 3º Encontro Nacional dos Estudantes de Escolas Técnicas (Enet). O evento, de 18 a 21 de abril, é organizado pela Federação Nacional dos Estudantes do Ensino Técnico (Fenet) e debaterá importantes temas como a luta e a organização do movimento estudantil no setor, financiamento da educação, expansão da rede, assistência estudantil e os desafios da juventude na atual situação do país e do mundo.

O Enet foi convocado por uma plenária nacional de grêmios que ocorreu em fevereiro no Rio de Janeiro. Desde então, os diretores da Fenet têm viajado pelo Brasil para mobilizar o Encontro, contando com o empenho de diversos grêmios. Até agora, os informes dos estados demonstram um grande interesse pelo evento.

Nos últimos anos, tem ocorrido uma importante ampliação da rede de ensino técnico do país, em especial a federal, que hoje alcança mais de 500 campi em 38 institutos federais, doisCefets, uma universidade tecnológica e ainda 25 escolas vinculadas a universidades. Somando-se às redes estaduais, com destaque para os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, temos um contingente superior a um milhão de estudantes no ensino técnico.

Apesar de apenas três anos de existência, a Fenetconseguiu resgatar a história de luta e mobilização dos estudantes das escolas técnicas, cumprindo um importante papel na construção de pautas nacionais do movimento estudantil.

“Depois das gigantescas mobilizações de junho do ano passado, um grande golpe contra os direitos estudantis foi cometido no Congresso Nacional. A redução ao direito à meia-entrada é algo que não podemos aceitar. Esse Enet vai dar um novo impulso à luta para recuperarmos o direito à meia-cultural!”, declarou Bia Martins, estudante do Cefet-MG e coordenadora geral da Federação.

Realizando-se no mês em que se completam 50 anos do golpe militar no Brasil, esta pauta também não poderia ser esquecida e estará presente nas discussões e no ato político do Encontro. Como afirma Emmanuele Rodrigues, do Instituto Federal da Bahia, e 1ªsecretária da Fenet, “milhares de estudantes foram perseguidos, torturados e mortos por esse regime fascista que se implantou no Brasil. Rasgaram a Constituição e assassinaram jovens como José Montenegro de Lima, que era diretor da Uetni, e hoje é o patrono da Fenet. Queremos a apuração desses crimes e a devida punição a todos os responsáveis pela Ditadura Militar”.

Nessa campanha de preparação, a Federação ampliou sua representatividade, chegando a estados que ainda não participaramdos fóruns nacionais da entidade. Para Raphael Pena, estudante do IFRJ e coordenador geral da Fenet, “chegar em Santa Catarina e no Paraná e contar com a receptividade dos estudantes desses estados me deu ainda mais certeza da importância da luta dos estudantes e que estamos no caminho certo de resgatar a combatividade e a representatividade do movimento estudantil”.

Entre os vários temas a serem tratados no Enet serão debatidas a regulamentação do piso salarial técnico, a política de assistência estudantil e a expansão da rede técnica, a construção dos grêmios estudantis, a política esportiva e os megaeventos, a participação da mulher no mercado de trabalho e o machismo na sociedade, entre tantas outras questões que ocorrerão nos quatro dias de atividades.

Redação, com apoio blog da Fenet (www.fenetbrasil.blogspot.com)

Em Brasília, começa o 3º ENET com estudantes de todo país

Foi num clima de muita animação que o 3º Encontro Nacional dos Estudantes de Escolas Técnicas (ENET) iniciou, nesta sexta-feira (18/04), suas atividades no Instituto Federal de Brasília (IFB). O evento, organizado pela Federação Nacional dos Estudantes do Ensino Técnico (FENET), conta com a presença de cerca de 1.500 participantes, vindos de 24 estados, mais o Distrito Federal. A palavra de ordem “Isso que é federação, a FENET tá na rua pra mudar a educação” agitou o plenário e deu o tom da abertura.

IMG_0002

Uma mesa foi composta, presidida por Bia Martins, coordenadora-geral da FENET e estudante do CEFET-MG, contando com as presenças do professor Wilson Conciani, reitor do IFB; Alexandre Fleming, coordenador do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), que destacou a importância da união entre as lutas do movimento estudantil e sindical para efetivar uma educação de qualidade para toda a rede de institutos federais; Carlos Odas, coordenador da Coordenadoria de Juventude do Governo do Distrito Federal; Edival Nunes Cajá, ex-preso político e presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa, aplaudido de pé por seu discurso sobre a Ditadura Militar no Brasil; além dos grêmios estudantis dos Institutos Federais do Pará, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso e Paraná, representando as cinco regiões do Brasil.

Bia Martins dedicou a abertura do Encontro ao patrono da FENET, o estudante cearense José Montenegro de Lima, assassinado pela Ditadura Militar, quando já residia no Rio de Janeiro para liderar, em nível nacional, a organização do movimento estudantil nas escolas técnicas.

Abaixo, destacamos alguns dos principais trechos das saudações da mesa de abertura.

“Vivemos no Brasil o mais longo período de democracia ininterrupta. Já são 30 anos, mas ainda estamos longe de garantir participação e direitos a todos, e não apenas a uma parcela da população. Precisamos de organizações sociais mais fortes, pois a democracia não é só nos grandes atos e parlamentos, mas também nas pequenas ações, de baixo para cima. Por isso decidimos apoiar a realização do ENET, pois aqui podemos ver que foi construído um espaço amplo e democrático.” – Prof. Wilson Conciani, reitor do IFB

“É uma honra falar, nesta noite, da Tribuna José Montenegro de Lima, que foi um dos pioneiros na organização nacional dos estudantes de escolas técnicas, e foi semente para que, décadas depois, surgisse a FENET. Eles, os militares golpistas, pisaram as flores do nosso jardim, mas não puderam acabar com a primavera. Hoje lutamos em todo o país pelo direito à memória, verdade e justiça, para levar aos tribunais todos os torturadores e comandantes da Ditadura Militar, que assassinou mais de 500 brasileiros, sendo que cerca de 150 ainda não tiveram seus corpos devolvidos a suas famílias, baniu, exilou e torturou. A Ditadura ainda não acabou, pois ficou a impunidade, o entulho autoritário, a prática da tortura nas delegacias e as sequelas nas suas vítimas. Me orgulho de ter ingressado num partido político, o PCR, e ajudado a organizar a luta armada para resistir a tudo isso, e quero homenagear todos os que sofreram violências naquele período nos nomes de três estudantes: José Montenegro de Lima, Manoel Lisboa e Honestino Guimarães.” – Edival Nunes Cajá, ex-preso político

“Espero que cada um que está aqui se coloque nos Grupos de Debate para construirmos uma FENET com muita politização e cultura.” – Luane Motta, do grêmio do IFCE

“Temos que organizar mais lutas nos institutos, e acho que a juventude que veio até Brasília, enfrentando dez horas de barco, mais dois dias de estrada, já provou que está disposta. A nossa Região Norte é muito rica em cultura e bens naturais, mas é uma das mais atingidas pela falta de estrutura na educação e pelas mazelas do sistema.” – Jaqueliny Lopes do grêmio do IFPA

Redação

Morre o escritor Gabriel García Márquez, amigo de Fidel e da Revolução Cubana

0

fidel e gabo 02Faleceu, aos 87 anos, neste  17 de abril, o escritor colombiano Gabriel García Márquez, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1982. Teve câncer duas vezes: em 2002, anunciou que a doença tinha atingido seu sistema linfático e, em 2014, a família informou que pulmão, gânglios e fígado estavam comprometidos. Por causa de sua idade avançada, o escritor não passou por novo tratamento, recebendo apenas cuidados paliativos.

Amigo íntimo de Fidel Castro, Gabriel García Márquez era “um homem com bondade de criança e talento cósmico”, segundo o líder da Revolução Cubana, que o chamou de “um homem do amanhã, ao qual agradecemos por ter vivido esta vida para contá-la”.

Os dois se conheceram nos primeiros dias da Revolução, em janeiro de 1959, quando Gabriel desembarcou na ilha como jornalista para cobrir a chegada ao poder dos guerrilheiros comandados por Fidel.

Crítico das ditaduras e regimes autoritários na América Latina, García Márquez permaneceu sempre fiel à Revolução Cubana e ao amigo estadista. “Nossa amizade foi fruto de uma relação cultivada durante muitos anos, onde pudemos desenvolver centenas de conversações, sempre muito agradáveis para mim”, relatou Castro, em 2008, quando recebeu Gabo (apelido de Márquez) e sua esposa Mercedes, dois anos depois da crise de saúde que o levou a se afastar da direção do Partido e do Estado cubanos, em 2006.

García Márquez, que fixaria por longo tempo seu domicílio em Havana, participou, em 1959, da formação da agência cubana de notícias Prensa Latina e, em 1986, da criação da Fundação do Novo Cinema Latino-Americano e da Escola Internacional de Cinema de San Antonio de los Baños, a 30 km da capital.

Gabo, que recebia em seu lar frequentes visitas noturnas de Fidel, destacava no amigo “sua devoção às palavras, seu poder de sedução”. “Fatigado de conversar, descansa conversando”, escreveu sobre o líder cubano.

Sua história em comum poderia ter começado na Colômbia, já em abril de 1948: no dia seguinte ao assassinato do político liberal Jorge Eliécer Gaitán, Fidel Castro e Gabriel García Márquez, ambos com 21 anos, participaram da revolta que passou para a historia como “Bogotazo”. “Nenhum tinha notícias do outro. Não nos conhecíamos, nem sequer a nós mesmos”, recordou Castro em um artigo publicado em 2002 por ocasião do lançamento do livro “Viver para Contar”, do Prêmio Nobel de Literatura.

García Márquez serviu de emissário especial de Fidel junto ao presidente norte-americano Bill Clinton. Em 1994, participou da solução da crise que culminou em um acordo migratório entre Havana e Washington. Em 1997, Gabo levou a Bill Clinton uma mensagem de Fidel Castro em  que propunha aos Estados Unidos cooperação na luta contra o terrorismo. A cooperação Cuba-EUA foi efêmera. Em setembro de 1998, Washington aprisionou os lutadores antiterroristas cubanos que alertavam sobre os planos e  atentados criminosos que os extremistas de Miami organizavam contra a Ilha.

Gabo tinha muitos amigos, mas nenhuma amizade lhe marcou tanto como a que cultivou durante meio século com Fidel Castro. Eram tão próximos que, dizem, García Márquez mandava a Fidel os esboços de seus romances antes de publicá-los.

O escritor

Considerado o criador do realismo mágico na literatura latino-americana, García Márquez, apelidado pelos amigos de Gabo, foi um dos mais importantes escritores da América Latina. Nascido em 6 de março de 1927 na cidade de Aracataca, na Colômbia, morava no México havia mais de três décadas.

Autor de clássicos como Cem Anos de Solidão, O Amor nos Tempos do Cólera Crônica de uma Morte Anunciada, entre tantos outros, Gabo começou a escrever como jornalista, no jornal El Universal, em Cartagena. Foi correspondente internacional na Europa e em Nova York, onde foi perseguido pela CIA por suas críticas a exilados cubanos e suas ligações com Fidel Castro.

Em 1982, García Márquez foi escolhido o vencedor do Nobel de Literatura “pelos seus romances e contos, em que o fantástico e o real se combinam num mundo densamente composto pela imaginação, refletindo a vida e os conflitos de um continente”, segundo o comitê que organiza o prêmio. Foi o segundo latino-americano a receber o prêmio, tendo sido o chileno Pablo Neruda o primeiro.

Em 1958, após retornar da Europa, casou-se com Mercedes Bacha, um amor de infância, com quem teve dois filhos: Gonzalo e o cineasta Rodrigo.

Da Redação, com informações de La Jornada e Opera Mundi

Aumento da tarifa de energia prejudica milhões de brasileiros

imageOs reajustes variam de 11% a 28%. Até o fim do ano, todas as empresas de energia vão aumentar ainda mais as já altas tarifas pagas pelos consumidores.

A conta de luz vai ficar mais cara, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que aprovou nesta semana reajuste nas contas de luz dos estados do Ceará, Sergipe, Rio Grande do Norte e Bahia.

Em Sergipe, o aumento para clientes residenciais será de 12,17% e começa a valer em 22 de abril. No Rio Grande do Norte, a tarifa subiu em média 12,75%; 16,77% no Ceará e 15,35% na Bahia.

No começo do mês a Aneel já havia sido anunciado esse aumento para São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso, que terão suas contas reajustadas em 14,24%, 16,46% e 11,16%, respectivamente. Ao todo, 24,5 milhões de brasileiros serão prejudicados pelo reajuste.

Segundo o governo, a elevação dos preços da energia elétrica é para repor os gastos que as distribuidoras tiveram por causa da estiagem e da queda na produção das hidroelétricas, o que levou ao maior uso das usinas termelétricas, que produzem energia mais cara.

No ano que vem, além desse reajuste, a população também vai pagar um outro aumento. Dessa vez, as empresas vão cobrar de todos os consumidores do país um empréstimo de 11 bilhões de reais feito por elas. Ou seja, o dinheiro emprestado vai para as empresas, mas quem paga a fatura é o povo, que já sofre com uma das tarifas mais caras do mundo, desde que as empresas do setor foram privatizadas.

Apesar de reclamarem de despesas maiores e até de prejuízo, a verdade é que as empresas de energia não param de lucrar. Levantamento feito pela consultoria Economatica com 33 empresas do setor, revelou um faturamento de R$ 2,394 bilhões apenas no segundo semestre de 2013. Como se não bastasse, o governo ainda adota uma série de medidas para aumentar os ganhos das empresas, entre elas, uma “injeção” de R$ 12,4 bilhões no setor, deixando claro que a prioridade é garantir fabulosos lucros para uma minoria de grandes capitalistas que dominam o setor.

Redação Rio

Anexação econômica da Ucrânia pelo FMI

0

Anexação econômica da Ucrânia pelo FMITrinta dias após a posse do novo governo ucraniano, a União Europeia (UE) assinou com o primeiro ministro da Ucrânia, ArseniYatseniuk, um acordo de associação. Pelo tratado, a Ucrânia fica obrigada a abrir seus mercados para todos os bens e serviços produzidos pelos países europeus e aceitar “relações de assistência financeira e cooperação em segurança”. Segundo Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, o acordo dará aos ucranianos “o estilo de vida europeu”. Como os países capitalistas europeus vivem há anos uma profunda crise econômica e possuem cerca de 27 milhões de desempregados, os ucranianos não terão vida fácil pela frente.

Fruto dessa associação, na verdade, anexação, o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou no dia 27 de março, que irá emprestar US$ 27 bilhões à Ucrânia. Em troca, o país será obrigado a pagar juros; terá que aumentar os preços do gás em 50% para a população e em 40% para as indústrias, reduzir as já baixas pensões pagas aos aposentados, aumentar os impostos, demitir 10% dos funcionários públicos nos próximos meses e mais 20% após as privatizações das empresas públicas, além de permitir ampla liberdade para o capital financeiro e também para monopólios norte-americanos, como Monsanto. Na prática, os ucranianos serão governados pelos técnicos do FMI, que irão “monitorar” a economia e ter poder de veto sobre as autoridades econômicas.

Plano semelhante, conhecido pelo nome de “plano de resgate”, foi adotado na Grécia pelo FMI, levando o país à completa devastação econômica com o fechamento de milhares de empresas, aumento do número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza e causando o desemprego de 28% da população ativa. Em novembro de 2008, antes do plano do FMI, o desemprego na Grécia era de 7,5%.

Mas, no momento, o maior temor da população da população ucraniana é o drástico aumento das contas de gás determinado pelo FMI. A Ucrânia tem um inverno rigoroso e temperaturas abaixo de zero durante vários meses, o que torna o aquecimento vital para a população. Com a elevação do preço do gás e as demissões já anunciadas e apoiadas pelos EUA e pela União Europeia, muitos ucranianos irão literalmente morrer de frio. Em fevereiro de 2012, quando a Ucrânia enfrentou um grande onda de frio, cerca de 130 pessoas morreram de frio no país, que tem 45 milhões de habitantes. A tudo isso, o presidente Barack Obama em reunião da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), chamou de “vitória da liberdade sobre a tirania.”

A República da Crimeia

Em 1922, foi formada a República Autônoma Socialista da Crimeia e decidido por seu povo o ingresso na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Durante a Segunda Guerra Mundial, a Crimeia foi palco de uma das mais sangrentas batalhas da Grande Guerra Patriótica. Os invasores alemães tentaram várias vezes tomar a cidade de Sebastopol, que resistiu bravamente até 1942, quando, após grandes bombardeios, os alemães dominaram a cidade. Em 1944, o Exército Vermelho libertou Sebastopol e toda a Crimeia das bestas nazistas.

Em fevereiro de 1954, NikitaKruschev, para obter apoio dos ucranianos à sua política de reimplantar o capitalismo na URSS e de ataques a Stálin, e desrespeitando a vontade do povo da Crimeia, cedeu toda a península à Ucrânia. Até hoje, a maioria da população da Crimeia é de origem russa. Logo, embora realizado debaixo das tropas do fascista Putin, não foi uma surpresa que o referendo realizado no dia 16 de março, do qual participaram mais de 80% da população da Crimeia, 97% tenham decidido pela união com a Federação da Rússia, contra cerca de três por cento que desejam se manter na Ucrânia.

Lula Falcão, diretor de A Verdade

Metade das mortes na luta pela terra e o meio ambiente foram no Brasil

Casal José Claudio e Maria do Espírito Santo, assassinado no Acre

Segundo pesquisa divulgada pela ONG inglesa Global Witness no último dia 15 de abril, o número de mortes de defensores da terra e do meio ambiente chegou a 908 entre 2002 e 2013. O estudo destina um capítulo ao Brasil, país com o maior número de assassinatos de ativistas do meio ambiente e da terra (49,3% de todas as mortes levantadas na pesquisa, isto é, 448 óbitos). Em segundo vem Honduras, com 109 óbitos. É importante também ressaltar que a pesquisa se deu com relação a mortes ligadas ao ativismo especificamente da área do meio ambiente e da terra, diminuindo escandalosamente o número de mortes na Colômbia, país que mais mata sindicalistas no mundo.

O relatório traz mortes de ativistas em 35 países. A Global Witness reconhece que os números são maiores ainda, pois, na prática, a pesquisa trabalha apenas com dados oficiais. Além do grande número de mortes, a impunidade é algo marcante. Em apenas 1% dos crimes os culpados tiveram que responder na justiça e foram condenados. No Brasil existem casos históricos como o de João Pedro Teixeira, líder das Ligas Camponesas de Sapé, na Paraíba, assassinado pelo latifúndio em 02 de abril de 1962, e o de Chico Mendes, seringueiro que lutou contra a devastação da Floresta Amazônica e assassinado nos fundos de sua casa, em 22 de dezembro de 1988, no Acre.

A pesquisa destaca ainda a opinião do professor de História Contemporânea do Brasil da Universidade da Califórnia, Dr Clifford Welch. Ele avalia que o principal motivo é o modelo de utilização da terra, o latifúndio, a produção de commodities e a desvalorização da natureza e da floresta. “Isto desvaloriza as pessoas que vivem ao redor dos latifúndios, e a tendência é que elas sejam empurradas para fora do caminho dos latifundiários”.

Neste sentido, o principal problema das mortes de ativistas no Brasil está ligado à questão da terra e da reforma agrária, onde reina a impunidade e o desmando do latifúndio. É fundamental que os movimentos sociais da cidade e do campo estejam unidos para defender a reforma agrária e combater juntos neste conflito social, o qual não há dúvidas de que é um conflito de classes.

Daniel Victor e Redação