A noite do dia 10 de Dezembro teve um tom todo especial, pois foi cenário da 13º edição da medalha de direitos humanos Dom Helder Câmara. O evento é realizado pela Comissão de Diretos Humanos da Câmara Municipal de Olinda e foi idealizado pelo vereador Marcelo Santa Cruz – PT.
Todos os anos três personalidades ou entidades são escolhidas para receber a medalha. Este ano os homenageados foram Marieta Borges, escritora e poeta que trabalhou com Dom Helder; o Centro Cultural Manoel Lisboa, por sua trajetória de luta na defesa dos direitos humanos, no resgate a memória, verdade e justiça dos desaparecidos políticos; e Elzita Santa Cruz, que no último dia 14 de outubro completou 100 anos, conhecida por todos como “a mãe dos anistiados”, e que luta até hoje para encontrar os restos mortais do seu filho Fernando Santa Cruz. A história desta luta está escrita nas páginas do livro “Onde Está Meu Filho?” – que registra a saga dessa mulher para encontrar o seu filho Fernando Santa Cruz e, ao mesmo tempo, denuncia as atrocidades da Ditadura Militar.
Nas palavras do seu idealizador, “a medalha Dom Helder Câmara é um símbolo de paz e de justiça social, uma luta pelos direitos humanos na atualidade”. A noite foi abrilhantada pela poesia de Chico de Assis, ex-preso político, e pela presença de dezenas de personalidades e entidades, que aguardaram ansiosos até o final pelas palavras de Elzita, a qual leu um trecho de um poema que, além de denunciar as mazelas de um regime opressor, declara o amor a todos, e em especial ao seu filho.
A morte de Nelson Mandela precipitou uma enxurrada de interpretações sobre sua vida e sua obra, as quais o apresentam como um apóstolo do pacifismo, uma espécie de Madre Teresa da África do Sul.
Trata-se e uma imagem premeditadamente equivocada, a qual esconde que logo após a chacina de Sharpeville, em 1960, o Congresso Nacional Africano (CNA) e seu líder, precisamente Mandela, adotaram a via armada e a sabotagem a empresas e projetos de importância econômica, embora sem atentar contra vidas humanas.
Mandela recorreu a diversos países da África, em busca de ajuda econômica e militar para sustentar essa nova tática de luta. Foi preso em 1962 e, pouco depois, condenado à prisão perpétua, que o manteria jogado em uma cela de dois por dois metros, durante 25 anos, à excessão dos dois últimos, por conta de uma enorme pressão internacional por sua libertação, que contribuiu para melhorar suas condições na prisão.
Mandela, portanto, não foi um “adorador da legalidade burguesa”, mas um extraordinário líder político cuja estratégia e táticas de luta foram variando segundo as mudanças das condições sob as quais enfrentava suas batalhas.
Diz-se que foi ele o homem que acabou com o odioso apartheid sulafricano, o que não passa de uma meia verdade. A outra metade do mérito, de fato, foi de Fidel Castro e da Revolução Cubana que, com sua intervenção na guerra civil de Angola contribuiu para selar a sorte dos racistas, ao derrotar as tropas do Zaire (hoje, República Democrática do Congo), do exército sulafricano e dos exércitos mercenários angolanos organizados, armados e financiados pelos EUA, através da CIA.
Graças a sua heroica colaboração, na qual uma vez mais demonstrou-se o nobre internacionalismo da Revolução Cubana, logrou-se manter a independência de Angola, assentando-se as bases para a independência da Namíbia e disparando-se o tiro de misericórdia contra o apartheid sulafricano. Por isso, ao tomar conhecimento do resultado da batalha crucial de Cuito Canavale, em 23 de março de 1988, Mandela escreveu, da prisão, que o resultado daquele grande feito, que se passou a chamar “a Stalingrado africana”, foi “o ponto de inflexão para a libertação de nosso continente, e de meu povo, do flagelo do apartheid”.
A derrota dos racistas e seus mentores estadunidenses assestou um golpe mortal na ocupação sulafricana na Namíbia e precipitou o início das negociações com o CNA que, em pouco, terminariam por desmontar o regime racista sulafricano, obra conjunta daqueles dois gigantescos estadistas e revolucionários. Anos mais tarde, na Conferência de Solidariedade Cubano-Sulafricana, de 1995, Mandela disse que os “cubanos vieram a nossa região como doutores, mestres, soldados, especialistas em agricultura, mas nunca como colonizadores. Compartiram conosco as mesmas trincheiras na luta contra o colonialismo, o subdesenvolvimento e o apartheid…Jamais esqueceremos este incomparável exemplo de internacionalismo desinteressado”. É uma boa rememoração, para aqueles que falam da invasão cubana em Angola.
Cuba pagou um elevado preço por esse nobre ato de solidariedade internacional que, como recorda Mandela, foi o ponto de inflexão da luta contra o racismo na África.
Entre 1975 e 1991, cerca de 450 000 homens e mulheres de Cuba colaboraram com Angola, jogando nisso todas as suas vidas. Pouco mais de 2600 perderam a vida lutando para derrotar o regime racista de Pretória e seus aliados. A morte deste extraordinário líder que foi Nelson Mandela é uma excelente ocasião para rendermos homenagem a sua luta e, também, ao heroísmo internacionalista de Fidel e da Revolução Cubana.
Atílio A. Boron, Diretor do PLED, Centro Cultural de la Cooperación Floreal Gorini Tradução: João Augusto de Lima Rocha
Entrevista de Nelson Mandela ao sair da prisão, concedida a vários meios de comunicação nacionais e internacionais. Mandela cumpriu 27 anos de uma pena que inicialmente era prisão perpétua.
Como reflexo das jornadas de junho e da pressão dos movimentos sociais, o prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda (PSB) afirmou que não haverá reajuste de passagens para o ano de 2014. O anúncio é uma importante vitória, pois o reajuste anual de tarifa faz parte das negociatas das prefeituras com a máfia de transporte que explora o serviço nas cidades.
O último reajuste ocorreu em dezembro de 2012 e as passagens passaram de R$2,65 para R$2,80 nas principais linhas da cidade. O aumento foi revogado pela pressão das manifestações de junho, entretanto a opção foi pela desoneração dos empresários, com redução do Imposto Sobre Serviços (ISS), retirada do valor do Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Atualmente a passagem na capital mineira é R$2,65.
O prefeito afirmou que só haverá reajuste quando forem concluidos os trabalhos de auditoria para revisar os contratos de concessão do transporte público.Apesar da auditoria nas contas ser uma reivindicação apresentada na ocupação da Câmara Municipal de BH em julho, as reuniões estão acontecendo sem participação popular e não há compromisso com a divulgação das planilhas e do lucro dos empresários. A caixa-preta do transporte continua fechada.
Além disso, a prefeitura se nega a garantir o passe-livre e dificulta o acesso ao meio-passe conquistado pelos estudantes secundaristas através das lutas da Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (AMES-BH). Para Lincoln Emanuel, presidente da AMES-BH é preciso aumentar a pressão pelo passe-livre e pela reestatização do transporte em BH. “A juventude precisa continuar ocupando as ruas para acabar de vez com a farra dos empresários”, afirma.
“Vocês patrocinam o apartheid brasileiro, bando de racistas”, afirma
Em uma demonstração de compromisso e indignação com a situação do país, o rapper Gog recusou convite da Rede Globo e da FIFA para fazer uma apresentação em show da Copa do Mundo. O evento ocorrerá em conjunto com o jogo Suíça e Equador, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.
Gog ou Genival Oliveira Gonçalves nasceu em Sobradinho, DF, e é um dos pioneiros do movimento rap nacional. Por suas composições elaboradas e ricas de imagens e rimas ganhou apelido de Poeta no inicio de sua carreira. Seu primeiro disco de carreira foi gravado no ano de 1992 e seu mais recente trabalho é o DVD Cartão Postal Bomba, lançado em fevereiro de 2009.
Gog anunciou sua decisão através de seu perfil no facebook:
“A Rede Globo me mandou outro convite: querem que eu suba ao palco na Esplanada dos Ministérios no 15 de junho de 2014, num evento produzido em parceria com a FIFA e outros mais com transmissão para todo o planeta.
Gostaria dar minha resposta em cadeia mundial, aqui e agora, dia 06/12/13, dia do sorteio dos grupos para a Copa.
NÃO ACEITO O CONVITE, NÃO NEGOCIO COM VOCĒS, NÃO ME PROCUREM MAIS,
ESQUEÇAM O MEU NOME!
Ah, vocês patrocinam o apartheid brasileiro.
Bando de Racistas!!!!!
Tirem o nome de Nelson Mandela dos noticiários sujos de vocês!
Ufa!!!
Me sinto melhor agora.”
Brasil Com P (Gog)
Pesquisa publicada prova
Preferencialmente preto
Pobre prostituta pra polícia prender
Pare pense por quê?
Prossigo
Pelas periferias praticam perversidades parceiros
Pm’s
Pelos palanques políticos prometem prometem
Pura palhaçada
Proveito próprio
Praias programas piscinas palmas
Pra periferia
Pânico pólvora pa pa pa
Primeira página
Preço pago
Pescoço peitos pulmões perfurados
Parece pouco
Pedro Paulo
Profissão pedreiro
Passatempo predileto, pandeiro
Pandeiro parceiro
Preso portando pó passou pelos piores pesadelos
Presídio porões problemas pessoais
Psicológicos perdeu parceiros passado presente
Pais parentes principais pertences
Pc
Político privilegiado preso
parecia piada (3x)
Pagou propina pro plantão policial
Passou pelo porta principal
Posso parecer psicopata
Pivô pra perseguição
Prevejo populares portando pistolas
Pronunciando palavrões
Promotores públicos pedindo prisões
Pecado!
Pena prisão perpétua
Palavras pronunciadas
Pelo poeta Periferia
Pelo presente pronunciamento pedimos punição para peixes pequenos poderosos
pesos pesados
Pedimos principalmente paixão pela pátria prostituída pelos portugueses
Prevenimos!
Posição parcial poderá provocar
protesto paralisações piquetes
pressão popular
Preocupados?
Promovemos passeatas pacificas
Palestra panfletamos
Passamos perseguições
Perigos por praças palcos
Protestávamos por que privatizaram portos pedágios
Proibido!
Policiais petulantes pressionavam
Pancadas pauladas pontapés
Pangarés pisoteando postulavam prêmios
Pura pilantragem!
Padres pastores promoveram procissões pedindo piedade paciência Pra população
Parábolas profecias prometiam pétalas paraíso
Predominou o predador
Paramos pensamos profundamente
Por que pobre pesa plástico papel papelão pelo pingado pela passagem pelo pão?
Por que proliferam pragas pelo país?
Por que presidente por quê?
Predominou o predador
Por quê? (3x)
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Paraíba e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) vêm a público manifestar seu mais veemente repúdio às declarações preconceituosas, machistas, caluniosas e violentas proferidas pelo radialista Fabiano Gomes nas edições dos dias 04 e 05 deste mês do programa Correio Debate (Rádio Correio – 98.3MHz).
No primeiro episódio, Fabiano usou de toda uma sorte de baixas palavras para se referir às mulheres, incitou a violência física, moral, de gênero e revelou seu absoluto despreparo profissional para atuar como radialista, profissão da qual se exigem preparo técnico e intelectual, compromisso com a verdade, com a ética e com os direitos humanos.
Imediatamente, o jornalista Rafael Freire, que é presidente do Sindicato dos Jornalistas da Paraíba e vice-presidente regional da Fenaj, transcreveu em sua página pessoal no Facebook um pequeno trecho do comentário que o radialista acabara de fazer ao vivo. A reação na rede social foi imediata, gerando centenas de compartilhamentos e grande revolta entre o público em geral, mas especialmente em dezenas de jornalistas, que condenaram a atitude de Fabiano.
Já no dia seguinte, o apresentador usou os dez primeiros minutos do programa para, de maneira absolutamente hipócrita, desculpar-se com os ouvintes e as mulheres que se sentiram ofendidas com seus comentários no dia anterior. Logo em seguida, após o intervalo comercial, esta mesma pessoa, que acabara de falar em tom manso e que até mesmo se colocara como vítima de preconceito, atacou, aos gritos, de forma mentirosa e violenta,o jornalista Rafael Freire, chamando-o de vagabundo, invejoso, “babão”, afirmando que não representava a categoria e que seu diploma universitário de jornalista não vale nada porque lhe falta talento.
Por fim, afirmou que a postagem no Facebook era mentirosa e que se fosse provado que correspondia ao que ele dissera no dia 04, retiraria tudo o que dissera no dia 05.
Muita coisa poderia ser dita sobre o companheiro Rafael Freire, mas vamos nos limitar a afirmar que, em seus 12 anos de militância política, tem se dedicado integralmente às lutas estudantis e do povo trabalhador, contribuindo (com sua formação política e profissional) em inúmeras ações para a transformação social do nosso país, sonho de qualquer homem ou mulher de bem. Além disso, Rafael se formou em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela UFPB, em 2006, e, desde então, exerceu diversos trabalhos como assessor de imprensa em entidades sindicais, como repórter-fotográfico e como jornalista responsável pelo periódico A Verdade.
Os gravíssimos fatos aqui relatados são um ataque frontal à cidadania. O mau uso dos veículos de comunicação na Paraíba e no Brasil está institucionalizado e deve ser combatido por toda a sociedade, que sofre com este tipo de comunicação sensacionalista, grotesca, venal, tendenciosa e antijornalística. Infelizmente, isto tudo não é consequência apenas do comportamento isolado de uma pessoa. É fruto de uma estrutura das comunicações cada vez mais monopolizada, preocupada apenas com seus interesses comerciais e sem nenhum compromisso com o interesse público e a transformação social.
No mais, queremos responsabilizar também o Sistema Correio de Comunicações por tudo que é publicado e veiculado por suas empresas, uma vez que o rádio é uma concessão pública, cedida pela União/Governo Federal. Ou seja, a liberdade de expressão vai até o limite do respeito e das leis vigentes, limites frequentemente transgredidos por este sistema, já que responde na Justiça por ter exibido num programa do apresentar Samuka Duarte uma cena de estupro e porque, no último mês de setembro, foi autuado pela fiscalização do Ministério do Trabalho (a partir de denúncia feita pelo Sindicato), em 23 infrações diferentes por descumprimento da legislação trabalhista (especialmente pela falta de pagamentos de horas extras), e isso apenas em relação aos profissionais do jornal Correio da Paraíba.
Incitar à violência, incidir em preconceito, caluniar, xingar é crime. Exigimos o direito de resposta a Rafael Freire no referido programa, com o mesmo tempo de duração do comentário danoso, e declaramos que vamos buscar os meios legais para que mais este fato não fique impune e que não se repita.
João Pessoa, 06 de dezembro de 2013 Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Paraíba (Sindjor-PB) Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)
Para ouvir os ataques de Fabiano Gomes à dignidade das mulheres e ao presidente do Sindjor-PB, acessem:
A Rede Globo de Televisão é de propriedade da família Marinho, e é uma das principais controladoras dos veículos de comunicação no Brasil. Só em 2012, a Globo teve um lucro de R$ 3 bilhões, e está entre as 50 maiores empresas do Brasil (Revista Exame, 2012).
A Rede Globo também tem o monopólio das transmissões esportivas no Brasil, principalmente do Campeonato Brasileiro de Futebol, além de já ter comprado os direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2018 e 2022. Mas não para por aí. Além de a Globo ter esse poderoso mecanismo de manipulação da opinião pública, ao longo do tempo, tem interferido diretamente nas estruturas desportivas no Brasil.
As denúncias variam desde mudanças das tabelas de jogos de acordo com sua grade de programação até a mudança de horários do início dos jogos. O jogador de futebol Alex, do Coritiba, em entrevista ao Lance, disse “que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não tem uma interferência tão grande, ela cuida mais da Seleção Brasileira. Quem cuida do futebol brasileiro é a Globo”, para o atleta, a emissora prejudica o futebol impondo horários ao público que trabalha. Os jogos durante a semana (quartas-feiras) só começam às 22h, depois da novela, ou seja, ela determina quais os horários que os jogos poderão começar para não atrapalhar sua “rica” programação instrutiva. Ainda na entrevista, o jogador disse que “um dos motivos dos estádios brasileiros estarem vazios é porque as pessoas vão assistir aos jogos às 22h, aí voltam para casa à meia noite, para trabalhar cedo no dia seguinte. Não podemos esperar o último beijo da novela para começar o jogo”.
Agora é a vez do vôlei
Com o intuito de diminuir o tempo de jogo e não prejudicar a grade de programação, a Rede Globo, também “dona” dos direitos de transmissão do vôlei brasileiro, encaminhou um pedido de redução do número de pontos disputados em cada set à Federação Internacional de Voleibol (FIBV), presidida por Ary Graça, “ex-dono”, quer dizer, ex-mandatário da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e com forte relação com os monopólios midiáticos. Questionado por jogadores e treinadores, o mandatário disse que não iria contra a exigência da TV, e aceitou o pedido de redução do número de pontos disputados em cada set, que era de 25, e passou a ser de 21 pontos. Na Itália e na Rússia, principais campeonatos de vôlei do mundo, a solicitação da FIVB não foi atendida, e os sets são jogados em 25 pontos. O Brasil, porém, é uma exceção, graças ao poder e principalmente à necessidade de adequar as modalidades esportivas aos interesses da Globo.
Até quando vamos ficar reféns aos mandos e desmandos da Rede Globo?! O esporte não pode servir também como fonte de lucro dos monopólios midiáticos. O esporte deve ser parte integrante e inseparável da educação do ser humano, e não servir como fonte de riqueza de alguns punhados de capitalista.
Rodrigo Rafael, presidente do Sindicato Têxtil de Ipojuca – PE e militante do MLC
Partidos revolucionários da Argentina, Brasil, Equador, Uruguai e Paraguai defendem poder para os trabalhadores
Por ocasião do 9º Encontro de Organizações Anti-imperialistas e Revolucionárias da América do Sul, realizado entre 28 e 30 de novembro em Buenos Ares, na Argentina, as organizações participantes, demonstrando grande sensibilidade em relação ao desenvolvimento da crise geral que o capitalismo vive desde 2007 e suas graves consequências para as economias locais, redigiram declaração conjunta analisando a situação e convocando os povos a lutar pela tomada revolucionária do poder como única alternativa.
Declaração do 9º Encontro de Organizações Anti-imperialistas e Revolucionárias da América do Sul
Os efeitos da crise econômica internacional, desencadeada em 2007, persistem com distintas manifestações de agudeza em todo o planeta. Estalou primeiro nos EUA e se deslocou para a Europa, sendo os países capitalistas mais desenvolvidos os mais afetados pelos seus desdobramentos. Naqueles países que vinham experimentando altos índices de crescimento, como China, Índia e Brasil, suas taxas de crescimento diminuíram. As classes dominantes tomaram medidas para descarregar a crise sobre os trabalhadores e os povos, que provocaram grandes e variadas modalidades de luta da classe operária e dos povos em todo o mundo para impedir a liquidação de conquistas obtidas ao longo de muitos anos.
Essa ofensiva contra os trabalhadores foi acompanhada de medidas e ações políticas repressivas, como leis “antiterroristas” e o desenvolvimento de movimentos racistas, xenófobos e fascistas como nos EUA, França e Grécia.
A crise provoca um aguçamento das contradições interimperialistas e um dos maiores e recente exemplo é o comportamento dos países capitalistas frente à situação na Síria. Também aumentam as intervenções imperialistas diretas, como a da França em Mali, para garantir o controle de matérias primas.
A crise internacional se expressou de diversas maneiras na América Latina, sem adquirir até agora a gravidade que teve em outras zonas do mundo. Todos os países da região contaram, desde 2002, com um período de crescimento econômico, devido principalmente à alta do preço das matérias primas no mercado internacional (alimentos, minerais, combustíveis, etc.) e ao fluxo de capitais internacionais. Este “vento de popa” favoreceu a situação econômica desses países, independentemente das características de seus governos. Entretanto, há que se levar em conta que a economia destes países não se encontra blindada e a qualquer momento poderão desmoronar os preços das matérias primas por efeito dos problemas da economia a nível mundial.
Parte do fluxo de capitais é destinado aos investimentos em mineração, combustíveis, etc., aproveitando as medidas econômicas de desnacionalização e concessões de todo tipo que se estabeleceram no período do chamado neoliberalismo, e que seguem vigentes até hoje na maioria dos países da região.
Como adverte a CEPAL em seu informe sobre investimento estrangeiro direto na América Latina: estes investimentos tendem a reforçar a especialização produtiva da região como fornecedora de matérias primas.
Assim, constatamos o desenvolvimento de projetos de mineração em grande escala e a céu aberto, a entrega de concessões a empresas petroleiras de triste fama – como a Chevron -, que desnacionalizam a economia e afetam o meio ambiente. A isto se soma a intensificação da monocultura de soja, em detrimento de cultivos alimentícios tradicionais e economias regionais, que também traz junto a contaminação pelo uso de agrotóxicos e a tendência a uma maior concentração da terra e expulsão de pequenos camponeses e populações originárias.
Desde fins do século XX e inícios do século XXI houve grandes levantamentos populares na América Latina, como o zapatista no México, os movimentos que derrubaram governos entreguistas no Equador e na Argentina, as denominadas guerras da água e do gás na Bolívia, que possibilitaram a mudança de governo nesse país, e as mobilizações que frearam o golpe de estado na Venezuela. Isto em um processo de auge de lutas operárias, camponesas, estudantis e populares que obteve diversas conquistas e fez com que a região se tornasse, em um momento, no centro de grandes combates e conflitos sociais.
Estes grandes movimentos de luta que se desenvolveram na América Latina e que em alguns casos derrocaram governos, etc., não tiveram um final revolucionário por diversos fatores, principalmente pela debilidade das forças revolucionárias.
Sobre este marco surgiram novos governos que se apresentaram como alternativa às chamadas “políticas neoliberais” predominantes nos anos 90, alguns deles com programas nacionalistas e reformistas e que teorizam uma via pacífica ao socialismo no século XXI. Outros que ainda hasteando parte desses programas expressaram ou se subordinaram a setores da grande burguesia e dos latifundiários associados a distintos imperialismos, tomando em geral distância dos EUA.
Embora o imperialismo ianque ficasse debilitado nesta região por sua própria crise, pelo auge das lutas populares, pelo surgimento de governos que resistem a algumas de suas políticas, e pela maior presença de seus rivais imperialistas europeus, russos e chineses, ele segue sendo o principal inimigo dos povos da América Latina. Apoiou os separatistas bolivianos, promoveu o golpe de estado em Honduras, impôs sete bases militares na Colômbia e Costa Rica, intervém no narcotráfico no México, pôs em operação a 4ª frota no Atlântico Sul, apoia a oposição ao chavismo na Venezuela, continua com o bloqueio contra Cuba, impulsiona a chamada Aliança do Pacífico de recente conformação (integrada pelo Peru, Colômbia, México e Chile) e apoia o governo de Cartes no Paraguai.
Devido ao desenvolvimento desigual dos países imperialistas, a penetração da China, que avança em muitas regiões do mundo, também cresceu no continente. Os investimentos chineses diretos chegam a 50 bilhões de dólares. O comércio bilateral, segundo a CEPAL, alcançou, em 2012, 261 bilhões de dólares. É a maior sócia comercial do Brasil, mantém um ativo comércio com Chile e Peru. É a principal compradora de azeite e soja da Argentina e foi a principal investidora estrangeira em 2010. Compra sob a exigência, como no caso da Argentina, de que compremos manufaturas, como vagões ferroviários, em detrimento da indústria nacional.
Em geral, a chamada “diversificação da dependência” aprofundou em muitos países a dependência, com mais internacionalização e concentração monopolista. Além disso, reforçou-se a dependência da região em relação à exportação de produtos primários e ao extrativismo em detrimento da indústria nacional.
A grande explosão da luta de massas no Brasil em junho deste ano, que começou com o rechaço ao aumento das tarifas de transporte e se estendeu a reivindicações em todo o país pela situação da saúde e da educação, foi precedido por grandes greves operárias particularmente na construção das centrais hidrelétricas na Amazônia e nos estádios que se preparam para o mundial de futebol. Em centenas de cidades houve manifestações que alcançaram a milhares de pessoas nas capitais e experiências de constituição de assembleias populares. A luta contra a entrega do petróleo e outras riquezas do país tomou um novo impulso.
Também no Paraguai se realizaram grandes manifestações exigindo um programa de reivindicações ao novo governo, demonstrando que a luta pela reforma agrária com a ocupação de terras segue viva apesar das provocações, da criminalização e da crescente repressão contra o povo.
Na Colômbia, o movimento popular se desenvolve e uma expressão disso foi a greve e a marcha agrária.
No Chile, já são vários anos de aprofundamento da luta pela educação igualitária, pública e gratuita.
No Uruguai, há grandes lutas protagonizadas pelos docentes e trabalhadores públicos por salários, aposentadorias e orçamento. Continua a luta contra as privatizações.
Na Argentina, os camponeses pobres realizaram grandes lutas por terra e insumos, os povos originários resistem às políticas de despejo de suas terras. Houve ocupações de terra para moradia nas cidades desafiando a repressão. O movimento operário segue brigando por reajuste de salários e aposentadorias, contra o trabalho precário e a demissão. Em todas estas lutas há grande participação de mulheres e jovens.
Na Venezuela, a decisão do governo de regular a margem de lucro dos importadores permite que setores organizados do movimento sindical inspecionem e denunciem as práticas abusivas e os especuladores de setores que procuram a queda do governo Estas medidas tiveram grande apoio popular.
O movimento popular no Equador combate a um governo que inicialmente se apresentou como progressista, mas que experimentou um acelerado processo de direitização. Toma força a luta contra a política extrativista que entrega os recursos naturais ao capital estrangeiro, afeta o meio ambiente e os direitos dos povos; combate a criminalização do protesto popular e exige o respeito aos direitos dos trabalhadores violados por uma política governamental antioperária.
As organizações participantes veem com alegria e otimismo o desenvolvimento da luta dos povos em nossa região. Neste cenário ratificamos nosso compromisso de organizar as mulheres, os estudantes, os trabalhadores, os camponeses, e povos originários em processos que desemboquem na conquista do poder para os trabalhadores e os povos.
Novembro de 2013
Partido Comunista Revolucionário – Brasil Partido Comunista Marxista Leninista do Equador Partido Paraguai Pyahura Partido Comunista Revolucionário do Uruguai Partido Comunista Revolucionário da Argentina
Todos sabem a importância de Paulo Freire para educação, mas ainda poucos conhecem sua experiência na cidade de Angicos.
Angicos é uma cidade pequena do Rio Grande do Norte, na qual Paulo Freire implementou um projeto de alfabetização para 380 trabalhadores, que ficou conhecido como “Quarenta horas de Angicos”.
Paulo Freire foi convidado para este trabalho em 1962 e em 24 de janeiro de 1963, houve a primeira aula regular do projeto sobre o tema: “Conceito antropológico de cultura”, iniciando a primeira das “Quarenta horas de Angicos”.
Em 2 de Abril, houve a quadragésima hora de aula dada, com a presença do presidente da República João Goulart.
Para Freire, primeiro vem a leitura do mundo e depois a formação das palavras. O diálogo é parte essencial do processo educativo, e não a aula discursiva. A educação é vista como uma forma de desocultar a ideologia dominante.
Em maio de 1963, houve a primeira greve em Angicos. Os fazendeiros chamavam a experiência de Paulo Freire de “praga comunista.”
A experiência de Angicos foi levada para outras cidades como “projeto-piloto” do Programa Nacional de Alfabetização que seria iniciado em 1964.
Este exitoso projeto foi interrompido pelos carrascos do Golpe Militar de 1964. Freire partiu para o exílio no Chile no mesmo ano. Em Angicos, com medo, muitos educandos e educadores queimaram e enterraram seus cadernos. A experiência foi encerrada. Algumas pessoas que participaram dela também foram presas durante a Ditadura Militar.
Antes de partir para o exílio Paulo Freire foi preso e passou 70 dias na cadeia, acusado de “comunista e subversivo”. Na prisão, um dos oficiais responsáveis pelo quartel solicitou a Paulo Freire para alfabetizar alguns recrutas e ele explicou que estava preso por alfabetizar.
Angicos nos lembra que ainda em 2013 o analfabetismo não foi erradicado em nossa nação. Angicos nos lembra que os algozes da Ditadura que tanto mal fizeram ao país ainda conseguiram acabar com o projeto de alfabetização que Paulo Freire tinha para o país. Aos que defendiam a ditadura e aos que a defendem até hoje, o importante é que a os trabalhadores permaneçam de olhos vendados.
Prevista para abrigar a abertura da Copa do Mundo da FIFA em 2014, a Arena Corinthians, mais conhecida como Itaquerão, foi palco de um triste acontecimento na manhã desta quarta-feira (27.11), a morte de três operários em um acidente com um guindaste. Em nota a FIFA disse que “a segurança de todos os trabalhadores tem sido sempre de suma importância para todas as companhias encarregadas da construção dos doze estádios da Copa.” No entanto, não é o que diz o laudo do Ministério Público, que foi emitido em agosto do ano passado.
O laudo do MP apontava nada menos do que 50 irregularidades a serem corrigidas com urgência para que a obra pudesse seguir com segurança. A medir pela insegurança que causou a morte dos operários, as recomendações do MP não foram seguidas. O promotor José Carlos de Freitas afirmou que solicitará um parecer do Corpo de Bombeiros sobre o acidente desta quarta-feira.
As entidades sindicais e os comitês populares da Copa já vem denunciando irregularidades na preparação deste megaevento há muito tempo. São despejos forçados, repressão policial, greves e paralizações nas obras. As reivindicações centrais dos operários que trabalham nas obras da Copa, são sempre por melhores salários e condições de trabalho. Em 2011, durante uma greve de operários do Maracanã o então ministro dos esportes Orlando Silva (PCdoB-SP) pediu que os operários fossem patriotas e torcessem para o Brasil e para que os prazos fossem cumpridos.
Há dias que a imprensa esportiva pede pressa nas obras da Copa. A FIFA por sua vez, faz do atual ministro dos esportes Aldo Rebelo (PCdoB-SP) um fiscal de obras, exigindo celeridade nas mesmas. O governo aperta as construtoras para que estas “andem mais rápido”. Daí já viu onde esse jogo de pressão vai estourar né? Nas costas dos operários, que além de ganharem mal, trabalham em condições insalubres e tem que trabalhar com prazos apertados. O resultado disso? Ontem foram três mortes, três famílias que não terão mais seus entes queridos para as festas de final de ano. Até a Copa não se sabe o saldo, mas parece que já começamos a ver o tão falado legado da Copa.
Desse jeito, a FIFA, a CBF, as empreiteiras e os patrocinadores enchem seus cofres e os operários trabalham feito loucos para isso, vendo seus companheiros morrerem em acidentes. É, desse jeito fica muito difícil ter patriotismo.
O ator espanhol Antonio Banderas surpreendeu os telespectadores da CNN ao criticar o presidente Barack Obama e sugerir que os países europeus e os EUA apliquem as mesmas medidas econômicas aplicadas por Hugo Chávez na Venezuela.
Durante sua conversa com a jornalista Ana Pastor, Banderas foi questionado sobre diversas pontos em relação à atual crise financeira e possíveis soluções para ela.
Banderas criticou os “mercados, os lobbies, as grandes corporações” e disse que, embora sejam eles que de fato governam, eles não tem, entretanto, que “dar a cara” quando países e governos passam por crises.
“Não estamos sendo governados por aqueles em quem votamos”, disse.
“Como parar isso?”, perguntou a repórter.
“Você para isso como fez Hugo Chávez, você pega todas as grandes empresas e as nacionaliza”, respondeu Banderas em meio a um silêncio ensurdecedor.
“Não há outra saída”, concluiu.
O ator de Hollywood também criticou Barack Obama por não cumprir suas promessas de campanha e por sucumbir à pressão dos grandes negócios e do mercado financeiro.
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