UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

domingo, 1 de fevereiro de 2026
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Vídeo: Maracanã e os Donos do Rio

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O vídeo ‘Maracanã e os Donos do Rio’ revela o controle da cidade do Rio de Janeiro pelas grandes empreiteiras, tendo o estádio como caso emblemático das ligações perigosas entre empresários e governantes.

O vídeo faz parte da campanha “Quem são os Proprietários do Brasil?”, realização Instituto Mais Democracia, apoio Fundação Rosa Luxemburgo.

Para proteger Copa, Fifa faz registro até mesmo de marca ‘pagode’

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Para proteger Copa, Fifa faz registro até mesmo de marca pagodeDesde o anúncio da Copa no Brasil, a Fifa já conseguiu através de pedidos no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual), autarquia do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o registro de mais de 1.000 marcas. O objetivo da entidade com a prática é proteger os seus interesses e resguardar comercialmente o Mundial no País.

Nenhum dos pedidos realizados pela federação chamou tanto a atenção, no entanto, quanto a solicitação de exclusividade no uso da expressão ‘pagode’.

No último dia 3 de setembro, a revista do INPI anunciou a concessão do termo com base na Lei Geral da Copa, sancionada pela presidente Dilma Rouseff em 2012 e que prevê benefícios como maior rapidez na avaliação e registro no instituto a propriedades ligadas ao Mundial. Ainda foi concedida à marca o status de alto renome, deixando em aberta, assim, a possibilidade de ser impedido legalmente que outras empresas façam uso do nome para qualquer atividade mercadológica.

O responsável pelo registro foi o escritório Montaury Pimenta, Machado & Vieira de Mello. Em contato com a reportagem do ESPN.com.br, ele não soube informar o motivo do pedido e disse apenas “receber instruções da Fifa e cumpri-las”.

Um advogado que presta serviço para a entidade no Brasil considerou a solicitação “apelativa” e realçar a sua “obsessão por proteger” a Copa.

A princípio, como se trata de uma denominação de alto renome, a Fifa poderia impedir até mesmo a divulgação de uma peça publicitária de uma casa de show com a palavra ‘pagode’ e aumentar ainda mais a polêmica em torno de seu poder o País. Até aqui, não foi identificado nenhum movimento nesse sentido, contudo.

Registrada na categoria de fontes tipográficas, a marca representa nada mais do que o nome da fonte utilizada pela entidade em todo o material impresso do Mundial 2014. Ou seja, qualquer tentativa de copiá-la em cartazes pode resultar em uma notificação por parte do presidente Joseph Blatter e companhia.

Em caso de não cumprimento da lei, a pena é de três meses a um ano de detenção ou multa.

Na Copa de 2010, a Fifa se envolveu numa batalha judicial com a companhia aérea Kulula depois de a empresa anunciar voos entre as cidades-sedes da África do Sul ao lado do ano ‘2010′, registrado pela federação como marca. Em resposta, os sul-africanos lançaram uma campanha com a frase “nem no próximo ano, nem no ano passado, mas em algum lugar entre os dois”.

Marcus Alves
Fonte: ESPN

Doenças do trabalho afetam 160 milhões trabalhadores

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Acidente de TrabalhoSegundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a cada 15 segundos, 160 trabalhadores são vítimas de acidentes de trabalho e, destes, um morre. O número total chega a 2,3 milhões de mortes por ano: cerca de dois milhões devido ao desenvolvimento de doenças e 321 mil resultado de acidente de trabalho – ou seja, uma morte por acidente para cada seis mortes por doença. No Brasil, o cenário é o mesmo: a cada sete benefícios concedidos por afastamento por doença relacionada ao trabalho, um é pago por acidente.

Dados do último Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho, realizado pelo INSS, mostram que as notificações de acidente de trabalho diminuíram em 2010. Contudo, o número de mortes cresceu 11,4% em relação ao ano anterior. A maior parte das vítimas é de jovens entre 25 e 29 anos. O Brasil ocupa o 4º lugar no ranking mundial de mortes por acidente de trabalho, perdendo apenas para a China, Estados Unidos e Rússia (OIT, 2013).

Um estudo desenvolvido por Claudio Goldman, em 2002, constatou que as categorias com maior número de acidentes de trabalho são metalúrgicos (22,64% dos acidentes), operadores de máquina (10,36%), industriários (9,24%) e soldadores (3,52%). Dentre os acidentes ocupacionais, os mais frequentes são as fraturas, as luxações e as amputações.

O Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS) divulgou, oficialmente, a concessão de benefícios acidentários, no período de janeiro a julho deste ano, para 11.801 pessoas que sofreram acidente de trabalho, sendo 96,3% na área urbana e 3,7% na área rural. No mesmo período, foram concedidas 290 pensões por morte relacionada ao trabalho e 6.770 benefícios por invalidez.

Só na cidade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, os acidentes de trabalho contabilizaram, até meados de setembro, 1.806 atendimentos – uma média de 225 casos por mês – sendo a segunda maior causa de atendimento do Hospital da Santa Casa. Em São Paulo os números são mais alarmantes: foram realizados 25.468 atendimentos ambulatoriais ou emergenciais por acidente de trabalho no ano de 2012 – cerca de 70 por dia. Dados do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador apontam 444 mortes registradas decorrentes de acidentes de trabalho em São Paulo no ano passado (Agência Brasil, agosto 2013).

Vale lembrar que esses benefícios só são computados como acidente de trabalho quando é realizada a notificação pela empresa através da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), e há que se levar em conta a existência da subnotificação. Além do mais, o benefício só é concedido aos trabalhadores contribuintes da Previdência Social, realidade ainda limitada no Brasil. Segundo os dados do último Censo do IBGE (2011), dos 56.939.019 trabalhadores empregados, apenas 36.232.559 tinham carteira assinada. Por isso, é provável que o real número de acidentes de trabalho no Brasil seja bem maior que os apresentados.

Doenças ocupacionais

Outra condição preocupante, mas ainda subestimada, é a doença ocupacional, definida pela OIT como sendo “males contraídos como resultado da exposição do trabalhador a algum fator de risco relacionado à atividade que exerce”. Para isso, é necessário o estabelecimento de uma relação causal entre a doença e a atividade profissional.

Estima-se o surgimento, por ano, de 160 milhões de casos de doenças relacionadas ao trabalho no mundo, ou seja, 2% da população mundial é acometida por alguma enfermidade devido à sua ocupação profissional. Dentre estas, as mais comuns são as doenças pulmonares, musculoesqueléticas e mentais (OIT, 2013).

No Brasil, aproximadamente 6,6 milhões de trabalhadores estão expostos a partículas de pó de sílica (matéria-prima do vidro e um dos componentes do cimento). A inalação prolongada dessa poeira é responsável por doenças pulmonares, resultando em falta de ar e possível falência respiratória. A silicose (nome dado à doença pulmonar resultante da inalação do pó de sílica) é responsável por um grande número de mortes em trabalhadores de mineração e indústria de construção. Porém, muitas vezes, a morte não é relacionada ao trabalho, pois pode levar anos para acometer o trabalhador. Estudos realizados na América Latina revelaram uma taxa de prevalência de silicose em 37% dos trabalhadores de minas, subindo para 50% se a idade for superior a 50 anos. Outras substâncias que causam doenças pulmonares ocupacionais incluem o carvão e o amianto (OIT, 2013).

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que mais de 10% dos casos de incapacidade por perda de movimentos associados ao trabalho são problemas em nervos, tendões, músculos e coluna. Estas são decorrentes da postura inadequada, má estrutura física nos postos de trabalho e movimentos repetitivos (a exemplo da LER/DORT – Lesão por Esforço Repetitivo e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), causadas principalmente pela mecanização do trabalho. Na União Europeia as perturbações musculoesqueléticas constituem o mais comum problema de saúde relacionado com a atividade profissional, correspondendo 59% das doenças ocupacionais.

Os transtornos mentais representaram, em 2012, quase 10% dos benefícios concedidos por auxílio-doença pelo INSS. A depressão figura no topo da lista, com mais de 5,5 mil casos, decorrendo do estresse, pressão profissional e financeira, além do assédio moral sofrido diariamente pela grande maioria dos trabalhadores. É importante frisar que o estresse também está relacionado com doenças musculoesqueléticas, cardíacas e do sistema digestivo.

O papel da Cipa e dos sindicatos

Os números mostram uma realidade já denunciada pelo jornalA Verdade: as péssimas condições a que os trabalhadores são submetidos. A modernização das fábricas e o emprego de tecnologias nas empresas são utilizadas não para melhorar a segurança do trabalhador, mas para aumentar a riqueza do patrão.

A quase totalidade dos acidentes é previsível, podendo, portanto, ser prevenida. As empresas são obrigadas por lei a terem uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), composta por empregados e empregadores, cuja função é fiscalizar as condições de trabalho e garantir a segurança dos funcionários, minimizando os riscos de acidente. É fundamental a participação ativa dos trabalhadores na Cipa, atuando como atores do processo de melhoria estrutural e dos equipamentos de proteção.

Da mesma forma, os sindicatos são peças-chaves para a conquista de direitos trabalhistas, como o intervalo no horário de trabalho e a ginástica laboral, além de combater práticas de assédio moral que tanto afetam a saúde mental dos funcionários.

Ludmila Outtes, São Paulo

O mal-estar nas páginas de Veja

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Veja menteO mal-estar que a grande imprensa demonstra em relação a qualquer iniciativa de regulamentação da mídia é gritante. Em editorial, a revista Veja, símbolo maior de manifestações reacionárias de nosso jornalismo, condena veementemente as medidas aplicadas na Inglaterra após o escândalo do jornal News Of The World, de Hupert Murdoch.

Como o diabo foge da cruz, Veja se esquiva das questões e prega aos quatro ventos a liberdade de expressão que se pode perder com tais medidas. Entretanto, a publicação se esquece de mencionar sua demasiada contribuição em prol de que tudo continue da mesma maneira. Esquece que é o maior bastião conservador de um país de 200 milhões de habitantes. Em sua “cruzada” contra qualquer marco regulatório, declara-se em luta a favor das liberdades dos meios de comunicação, uma vez que a maioria dos países do norte já o fizeram há muito tempo.

A contradição da revista é tão grande que, em sua tentativa de demonizar setores tradicionais da esquerda, como o Movimento Sem Terra (MST), não lembra que nos Estados Unidos a reforma agrária já foi feita há mais de um século.

Ainda no editorial, a publicação desqualifica o organismo regulador inglês recentemente criado, enxerga de maneira mesquinha a iniciativa ao citar que é composto por “cidadãos sem ligação com os meios de comunicação, com o governo ou com partidos políticos”. Ora, cá entre nós, Veja concebe os meios de comunicação como uma espécie “Clube da Luluzinha”, na qual somente meia dúzia de contemplados podem decidir, opinar e lucrar.

O mal-estar de Veja não é solitário, outros veículos e grupos ainda maiores do que o conglomerado dos Civita defendem a mesma ideologia. Prefiro ficar com a opinião dos pobres, do povo, de quem não tem voz, mas tem sabedoria, e com o pertinente ditado popular: “quem tem, tem medo”.

 Ronaldo S. Lages, São Paulo

25 de novembro é dia de luta contra a violência

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violência mulher 01O ano de 2013 tem sido marcado pelo crescimento dos índices de violência cometida contra as mulheres em todos os principais estados do País, sobretudo contra as mulheres negras e pobres. É possível perceber que as notícias sobre o tema abriram novas frentes de discussão e, neste mês de novembro, quando se relembra, no dia 25, a luta internacional pelo enfrentamentoà violência contra a mulher, muito há o que fazer. São muitos os casos de assassinatos violentos, agressões, estupros, polêmicas na mídia sobre a disseminação do ideário machista e diversos embates em que entram concepções religiosas que se impõem sobre a vida das mulheres.

Não houve avanços na política prometida pelo Governo Federal para construção de creches, importante instrumento para garantir condições de independência econômica das mulheres impedidas de trabalhar por não terem com quem deixar os filhos. Não houve aumento significativo do número de delegacias especializadas no combate à violência contra as mulheres nem de casas-abrigos.

Prova disso é que segundo o Ministério da Justiça, até agosto de 2012,havia 475 Delegacias ou Postos Especializados de Atendimento à Mulher em funcionamento no país para um total de 5,5 mil municípios existentes no Brasil.

Afinal, até onde vai a violência contra as mulheres? Até onde elas serão consideradas objetos culpados por sua própria situação de opressão? Que fazer para combater a cultura machista, violenta e sexista?

Não se calar! Unir-se, organizar-se e lutar contra a violência e sua causa, um sistema que coloca o lucro acima de tudo e quer transformar a mulher em objeto sexual e mercadoria. O dia 25 de novembro é o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Violência contra a Mulher.

Organize-se e participe na sua cidade!

Movimento de Mulheres Olga Benário 

Che Guevara nas camisas do Madureira

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Che Guevara nas camisas do MadureiraO Madureira Esporte Clube, tradicional equipe de futebol do Rio de Janeiro, lançou recentemente a camisa do seu time de Futebol de 7. A novidade fica por conta do homenageado, Che Guevara.

O clube carioca resolveu celebrar os 50 anos da expedição que fez a CUBA, quando foram recepcionados na Ilha Socialista pelo então Ministro da Indústria, Che Guevara. Na ocasião, o Madureira fez 5 jogos e venceu todos.

A camisa de jogo é grená com gola polo e possui a imagem do revolucionário argentino na parte frontal à direita. Já a camisa de goleiro representa a bandeira de Cuba e também traz a famosa imagem clicada pelo fotografo Alberto Korda. Ambas as camisas trazem a famosa frase de Che: “Hasta La Victoria Siempre”.

A repercussão da nova camisa foi tão grande que a equipe de marketing do clube já pensa em utilizá-la para a equipe profissional de futebol de campo, que ano que vem completará 100 anos de fundação.

Che Guevara nas camisas do MadureiraO sucesso de vendas superou as expectativas dos administradores do clube. No Brasil, os pedidos são feitos de praticamente todas as regiões. Fora dele, o interesse também é grande. De acordo com a assessoria do clube, cerca de mil pessoas que desejam adquirir a camisa estão na fila de espera. Entre elas, moradoras da Espanha, Colômbia, Venezuela, Rússia, Itália, Turquia, Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Chile e Argentina.

O preço da camisa é R$ 80,00, podendo ser adquirida na loja oficial do clube, que fica na Arena Akxe, Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Pela internet, os pedidos são feitos através do email loja@madureiraec.com.br

Um reino chamado Muquém

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muquemO espetáculo de dança afro “Remanescentes: Um reino chamado Muquém”, aprovado no edital Prêmio Funarte Petrobras de Dança Klauss Vianna 2012 na categoria circulação e que tem como fonte de pesquisa a comunidade quilombola Muquém.

Descendentes de reis, dos guerreiros e guerreiras que lutaram, resistiram e instituíram o maior símbolo de organização política desse país: o Quilombo dos Palmares. Nesse contexto, o espetáculo mistura ficção e realidade, criando uma nova e possível versão para a existência de Dandara e de tantas outras mulheres do Quilombo dos Palmares que se refugiaram em Muquém, onde viveram por muito tempo no anonimato, instituindo, assim, um reino sem rainha.

É nesse enredo lúdico, cheio de lendas, crenças e mistérios que a montagem se inspira e concebe um espetáculo cuja proposta é despertar no público o interesse em se questionar: O que, de fato, seria uma ficção ou realidade? Quem são nossos antepassados? A que lugar eu pertenço? Por que Muquém existe e seu povo ainda vive?

O espetáculo de dança Muquém é uma prova viva da força e profundidade da nossa cultura popular.

Redação Alagoas

Mulheres no ritmo dos chocalhos

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Resgatando, de forma criativa, a tradição da presença feminina nas rodas de samba carioca, um grupo de mulheres, ativistas do movimento popular e sindical, encontrou no toque do chocalho, sua entrada e permanência nesse espaço de hegemonia da presença masculina.

Fazendo alusão ao instrumento de percussão referente à cauda da cobra cascavel, o grupo se autodenominou “As Cascavéis” e, todo segundo sábado de cada mês, lá estão elas com seus instrumentos, seus gingados cadenciados e suas vozes em coro, na roda de samba do Bloco Carnavalesco Samba Brilha.

O evento acontece, há oito anos, no entorno da Cinelândia, palco dos principais acontecimentos políticos, no Centro do Rio de Janeiro, e sempre com uma motivação política de esquerda: o jornal A Verdade, representando a imprensa popular, já foi homenageado pelos sambistas e, está sempre presente nas rodas de sábado à tarde.

O grupo de chocalheiras começou com as quatro mulheres mais atuantes: Andréa Figueira, Márcia Leite, Irany Pinto e Carlinha. Hoje, já são dez ritmistas femininas garantindo seu espaço. Com exceção do componente Roberto, que é o único homem cascavel,

E esse número cresce a cada roda. Como diz Andréa Figueira: “nós percebemos que em vários momentos os companheiros eram convidados a tocarem na roda, e as mulheres ficavam um pouco destacadas. Então, surgiu a ideia de nos aglutinarmos com nossos chocalhos, até por ser um instrumento leve e fácil de tocar”.

Numa roda de samba que prima pela preservação da cultura popular, esse grupo de mulheres homenageia, também, as antigas cabrochas dos sambas cariocas, mas afirma sua condição de chocalheiras. Dessa maneira, chamam a atenção para a presença feminina no Samba Brilha. Os homens podem e devem participar. Mas, o toque especial fica por conta das cascavéis.

 Denise Maia, Rio de Janeiro

Crise e guerra no mundo

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Boys gather near the wreckage of car destroyed last year by a U.S. drone air strike targeting suspected al Qaeda militants in AzanDesde 2008, passamos por uma profunda crise econômica que tem abalado todo o mundo. Em meio a toda essa crise, mais uma vez, podemos ver os Estados Unidos da América (EUA) preparar terreno para mais uma intervenção militar, agora na Síria, um país com grandes fontes de uma matéria-prima essencial para o capitalismo, o petróleo.

Nos últimos 30 anos, o mundo já passou por diversas crises econômicas, e, por diversas vezes, as medidas que os países imperialistas tomam para poder sair dessas crises mais fortalecidos têm sido as mesmas: arroxo salarial imposto aos seus trabalhadores, injeção monetária para salvar bancos falidos, corte de gastos do Governo com áreas sociais e aumento dos gastos governamental no setor bélico.

Desde o final dos anos 1970, a economia dos EUA se baseia em um modelo de crescimento econômico da corrente monetarista formulada por Friedman, resumindo-se em cinco pontos principais que mais se parecem com um pentagrama[1]: juros altos, inflação de demanda, desemprego, recessão e corte do investimento público. Formando, assim, um verdadeiro inferno para a classe trabalhadora.

Observando a taxa de variação do PIB[2] dos EUA de 1975 a 2005, notam-se três ciclos[3] distintos: 1) 1975 a 1983; 2) 1984 a 1992; 3) 1993 a 2002; em 1983, há a maior recessão da série, de 1,93%. Os outros anos de recessão foram: 1976 (0,19%), 1981 (0,22%), 1991 (0,16%) e a maior taxa de crescimento se dá em 1985 (7,18%). Observando sua média, o ritmo de crescimento do PIB norte-americano parece estancar-se em 3,5 e 4% ao ano. O que reforça a tese de Karl Marx que o crescimento econômico no sistema capitalista se dá após crises de superprodução, não conseguindo ser contínuo.

No primeiro ciclo encontramos os períodos da queda do sistema de Bretton Woods e a segunda crise do petróleo; já o segundo ciclo, coincide com o período da crise da dívida externa do terceiro mundo; e no terceiro ciclo temos o processo de abertura econômica especialmente nos países da América Latina, com a expansão do neoliberalismo.

Estes ciclos marcam a mudança de depressão-crescimento-depressão dessa economia, comprovando a falência desse sistema, que sustenta seu crescimento em gastos militares e espoliação de economias subdesenvolvidas. Todos os governos que passaram por esses ciclos, democratas e republicanos, adotaram as mesmas medidas anticíclicas do modelo de Friedman. Porém, os gastos públicos foram reduzidos principalmente nos setores de saúde e seguridade social, enquanto o Governo aumentava cada vez mais seus gastos militares em longas campanhas como a guerra Irã-Iraque, na guerra do golfo, a invasão da ilha Granada em 1983, e já nos anos 2000 nas campanhas “contra o terrorismo”.

Para entendermos esse processo de crise econômica e de intervenção militar é necessário saber quais são as principais características do imperialismo. Segundo Lenin, quando o capitalismo atinge o imperialismo ocorre a formação de grandes excedentes de capitais nos países industrializados, capitais esses que precisam ser exportados, tornando a exportação de capitais mais importante que a exportação de mercadorias. Além disso, outra característica do imperialismo é a necessidade de as grandes potências de garantir mercados e fontes de matéria-prima e a luta (por meio de guerra) pela repartição territorial das esferas de influência e das áreas coloniais e semicoloniais.

Para que possamos resolver o problema das crises econômicas, é necessário resolvermos o problema do que fazer com o excedente econômico, termos um Estado soberano que planifique a economia, garantindo que mais recursos serão destinados a saúde, educação e geração de empregos dignos e por fim nesse sistema anárquico de produção capitalista, que se sustenta com a miséria dos trabalhadores, gerando guerras e crises. Para tanto, é necessário a união da classe trabalhadora de todos os países para que possam enfrentar os ataques do imperialismo.

Emanuel Lucas de Barros, Maceió

Referências

Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxista-Leninistas (2013). A Situação Internacional. documentos 5º congresso PCR.

Sandroni, P. (1994). Novo Dicionário de Econmia.São Paulo: best seller.

Schincariol, V. E. (2009). Ensaios sobre a economia dos Estados Unidos. São Paulo: LCTE editora.

Souza, L. E. (2009). A economia dos EUA, 1981-2005: uma visão agregada. São Paulo: LCTE editora.

 

[1] Chamado por Luiz Eduardo Simões de Souza de pentagrama de Friedman em seu livro “A economia dos EUA 1981-2005 Uma visão agregada” ed. LCTE.

[2] PIB: Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no país.

[3] Ciclo Econômico: Flutuação periódica e alternada de expansão e contração de toda atividade econômica de um país ou de um conjunto de países.

Privatização dos presídios avança no Brasil

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Prisões no brasilPor meio de uma parceria público-privada, o Governo do Estado de São Paulo (Geraldo Alckmin/ PSDB), está preparando edital para disponibilizar terrenos para a construção de unidades prisionais que serão administradas por empresas privadas. Inicialmente, o Governo pretende abrir 3,3 mil vagas para regime semiaberto e 7,2 mil vagas para regime fechado. A parceria consiste no seguinte: as empresas constroem, administram e fiscalizam, e o Estado paga. Ou seja: mais um negócio que vai beneficiar o interesse privado à custa dos cofres públicos.

Mas esta não é a única experiência de privatização. Este ano foi inaugurado o Centro de Detenção de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, pelo governo de Antônio Anastasia (PSDB). Outros estados brasileiros também têm adotado esta política. O Estado do Paraná, por exemplo, chegou a ter seis unidades terceirizadas. A penitenciária de Guarapuava, inaugurada em 1999, a 300 km de Curitiba, era elogiada por oferecer trabalho, estudo, assistência jurídica e médica aos detentos. Em seguida, contrataram uma empresa de segurança terceirizada. Substituíram os carcereiros, que têm – ou deveria ter – um papel de ressocialização, por seguranças privados. O gasto público ficou muito superior e o sistema já não cumpria seu papel social. No início de 2006, o Estado do Paraná retoma a administração das unidades prisionais. Em 2013, o Cearátambém reassumiu três penitenciárias que haviam sido terceirizadas.

A privatização é muito defendida pelos capitalistas, pois é uma forma de obter um lucro altíssimo à custa do investimento público. Mas, nesse caso, há um agravante, pois é dever do Estado não só fazer as leis, mas também aplicá-las. Privatizar os presídios é transformar o poder da Polícia do Estado em mercadoria, aumentando, assim a corrupção policial e judiciária. Temos visto que a Polícia do Estado não defende os interesses da população, e sim de alguns poucos. Porém, esta privatização significa que estes alguns poucos tomarão de vez em suas mãos esta tarefa.

O objetivo do encarceramento, hoje, é tentar “ressocializar e educar o encarcerado”, fazendo com que ele estude e trabalhe no período em que fica recluso. Porém, a realidade de quem vive na cadeia é bem diferente. As cadeias são superlotadas, a alimentação é de péssima qualidade e não há condições mínimas de higiene. O Estado deve, portanto, prestar um serviço de qualidade e que cumpra seu dever social e não fazer um contrato no qual o alvo é o encarcerado, para uma empresa ter lucro.

A farsa do sistema prisional norte-americano

Na lógica de um presídio privado, quanto mais tempo uma pessoa ficar detida, mais dinheiro a empresa consegue sugar do Estado. E quanto mais gente presa, mais lucro e mão de obra barata ela terá. Nos EUA a população carcerária passa de dois milhões e um a cada 37 americanos já foi preso. De cada quatro cidadãos negros, um está encarcerado. Este é o melhor exemplo de sistema criminalizador e racista que pune os pobres por ser pobres. E é justamente este sistema que é tido por muitos como referência, mesmo sendo acusado de usar trabalho semiescravo dos detentos, que recebem US$ 0,28/hora enquanto o salário mínimo é de US$ 5,00/hora. Ao mesmo tempo, ocorre que, no Texas, por exemplo, um preso que, em 1980, custava para o Governo US$ 13/dia, hoje custa US$ 45/dia.

Por um sistema de inclusão eficiente e contra a militarização da Polícia

Todas as privatizações têm, até agora, se mostrado ineficientes, pois seu único objetivo é satisfazer a ganância da burguesia. O Estado, no lugar de cumprir o seu papel, investindo em educação pública de qualidade, cultura, saúde e gerar emprego descente para a juventude, opta por uma política fascista de militarizar a Polícia, aumentando a repressão, principalmente à juventude negra, movimentos sociais e todo aquele que é contrário ao sistema.

Com os usuários de drogas e moradores de rua o tratamento é semelhante ao da Ditadura Militar fascista. Até armas de choque elétrico são permitidas. Com os movimentos organizados e moradores das periferias não é diferente: acontecem despejos truculentos em defesa do capital privado, e a última novidade é chamar o Exército para garantir a privatização do nosso petróleo.

Como vemos, a luta pelos direitos humanos deve estar na nossa pauta, pois, nem o sistema capitalista nem o Estado, que é controlado pelos capitalistas, estão preocupados com a vida de nenhum ser humano.

Thainá Siudá, militante do MLB-SP

Por que as pessoas se suicidam?

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SuicídioNossa sociedade está doente. Afirmamos isso com plena convicção. E quando falamos de doença não nos referimos “apenas” às patologias fisiológicas, falamos, sobretudo, do adoecimento psicológico e emocional que vivemos. E sabemos o que causou demasiado desajuste nas pessoas e nas suas relações: o sistema capitalista. Pode parecer que não, aos nossos olhos, pensamos que a sociedade está desse jeito porque as pessoas simplesmente foram sempre assim, mas, se lançarmos um olhar mais profundo sobre essa problemática, vamos compreender o porquê de estarmos tristes, deprimidos e insatisfeitos a todo o momento.

O homem da atualidade está sofrendo pela porosidade de sua alma, de sua existência.  O seu ser está sufocado pelo ter. Em nossa cultura ocidental prevalece a estética sobre a ética, há um culto à forma, à beleza, ao poder. Vivemos a ditadura do seja sempre melhor, seja excelente, mesmo que, para que isso ocorra, você precise pisar, esmagar, ser cruel e danoso com outro semelhante. O modelo político social vigente nas sociedades são os grandes causadores desse problema. O capitalismo potencializa o sofrimento humano. O psicanalista Charles Melman tem a seguinte premissa: “A relação com o outro se sustenta em uma concorrência agressiva, autorizando os golpes ao estado de violência atual: homens devorando homens”. É isso que o capitalismo promove: antropofagia (comer carne humana) simbólica e real.

O capitalismo, na sua ótica mercadológica, transforma tudo em mercadoria, como já dizia Marx, onde o que importa é ter, e, nessa lógica, tudo é comprável, inclusive o carinho, o afeto, a amizade de outras pessoas. O ser fica de lado, não importando quem você é, mas sim o que você tem. E nessa desvalorização do ser e na valorização do ter, a maioria das pessoas que não podem ter ficam nessa angústia de viver em uma sociedade na qual o que é valorizado elas não possuem.

Várias são asfalsas saídas a esse modelo político-econômico, muitas delas trágicas para aqueles que estão na base desse sistema. O suicídio é infelizmente uma delas. O suicídio é um problema social e de saúde pública que tira a vida de um milhão de pessoas por ano, é uma vida a cada 40 segundos, em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Um dado interessante é que a terceira causa de morte entre os homens jovens de 15 a 44 anos de países desenvolvidos e em desenvolvimento é o suicídio.É o que mata 26 brasileiros por dia, um número surpreendente e que nos leva a pensar porque isso ocorre. Essa taxa não é alta só no Brasil, mas em vários países do mundo e, com o passar dos anos, só tem aumentado. Uma lista¹ dos 10 países que apresentam os maiores índices de suicídio do mundo aponta em primeiro lugar a Coreia do Sul, com 31,7 pessoas a cada cem mil habitantes, em segundo lugar, a Lituânia, com 31,6, e em terceiro a Guiana, com 26,4. A China está em sexto, com um índice de 22,23, o Japão, que é uma das maiores economias do mundo, está em sétimo lugar, com 21,9. O Brasil não aparece entre os dez, mas tem um índice elevadíssimo como vimos acima.

O modo de produção capitalista não proporciona as mínimas condições para a maioria da população do mundo e também do Brasil viverem. A maioria das pessoas não tem direito a moradia, a um trabalho digno e que traga satisfação e felicidade, a uma educação de qualidade, a saúde, a lazer, enfim, tantas coisas que deveriam estar presentes na vida das pessoas, mas não estão. É por essas carências que muitas pessoas desistem de viver. Sabemos que quando uma pessoa se suicida ela não quer acabar com sua vida, ela quer acabar com aquilo que lhe faz sofrer. O que faz uma pessoa sofrer no Brasil? Educação precária, saúde pública em estado deteriorado, pessoas que passam fome, patrões tirânicos, insatisfação e tristeza no trabalho, essas e muitas outras são a causa do sofrimento da classe trabalhadora brasileira.

Por esses e outros sofrimentos que o capitalismo causa nas pessoas, precisamos nos organizar e lutar para acabar com esse sistema caduco que não nos serve mais e colocar no seu lugar o socialismo, que vai nos proporcionar uma vida mais digna na medida em que prioriza o ser humano e suas necessidades, acabando com a exploração do homem pelo homem e mudando os valores egoístas que hoje em dia são pregados nessa sociedade em que vivemos.

Emanuela Nascimento e Tainan Amaral, estudantes de psicologia e militantes do MLC

¹Fonte: http://top10mais.org/top-10-paises-com-maiores-indices-de-suicidio-no-mundo/#ixzz2if3AeGPu