UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

domingo, 1 de fevereiro de 2026
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Giap acabou com mito da invencibilidade dos Estados Unidos

O general Vo Nguyen Giap nasceu em 25 de agosto de 1911, em Annan, protetorado da Indochina francesa. No colégio de Hue, a leitura do Processo da Colonização Francesa, de Ho Chi Mihn, transtorna-o. Em 1934, forma-se em professor e ingressa no Partido Comunista, clandestino. A partir de então sua vida é dedicada a libertar sue povo e vive três décadas de intensos combates pela independência, em setembro de 1945; contra o ocupação francesa da Indochina, até 1954 e contra os invasores norte-americanos, expulsos em 1975.

Junto com Ho Chi Minh formulou o conceito de “guerra popular prolongada”: um exército de camponeses firmemente apoiado na população. Para Giap, a guerra revolucionária comportava três fases: a defesa estratégica, a guerrilha e a contra-ofensiva.

Segundo um de seus biógrafos, Cecil B. Currey, Giap foi “talvez o único gênio militar do século 20 e um dos maiores de todos os tempos” – porque “desencadeou uma batalha contra seus inimigos a partir de uma situação de grande fraqueza, começando quase sem tropas, porém capaz de vencer sucessivamente os vestígios do império japonês, os exércitos da França (à época segundo império colonial) e os Estados Unidos, duas das grandes potências capitalistas. Veja documentário do cineasta Silvio Tendler sobre Giap.

Polícia desocupa Parque do Cocó, em Fortaleza

Polícia desocupa Parque do Cocó em Fortaleza 5O Batalhão de Choque da Polícia Militar do Ceará (BPCHOQUE) realizou ontem (4) mais uma desocupação. Desde o dia 12 de julho, diversos setores dos movimentos sociais, ambientalistas, estudantes e professores permaneciam acampados no Parque do Cocó, área verde de Fortaleza, como resposta à tentativa da Prefeitura de Fortaleza e Governo do Estado de derrubar árvores para construir um viaduto no local.

O Parque do Cocó é um dos poucos espaços verdes de Fortaleza. Considerado Área de Preservação Ambiental (APA), sofre com a constante especulação imobiliária e o crescente número de construções ilegais, como é o caso do Shopping Iguatemi, de propriedade do ex-senador Tasso Jeressaiti, erguido sob um dos mangues que cortam o Rio Cocó.

A Polícia Militar mostrou mais uma vez seu caráter fascista, e um efetivo de 300 policiais, com apoio de carros, motos, caminhões, e até helicóptero invadiu o parque expulsando violentamente os manifestantes, que resistiram atirando pedras contra o cordão de isolamento do Choque. Ao final, 15 pessoas foram presas e conduzidas à delegacia, e muitas ficaram feridas.

Maioria da população é contra a construção dos viadutos

Essa não foi a primeira desocupação do local. Na madrugada do dia 8 de agosto, cerca de 100 homens do Grupo de Operações Especiais (GOE), da Guarda Municipal de Fortaleza, mesmo sem nenhuma autorização judicial, entraram no parque e com bombas de efeito moral, choques elétricos e cassetetes expulsaram os manifestantes que lá estavam.

No entanto, a Justiça Federal embargou a obra e os manifestantes voltaram mais uma vez para o parque. Diversas atividades aconteceram no local, incluindo a apresentação de projetos alternativos para a melhoria do trânsito local, sem a necessidade da derrubada de árvores do parque. Professores da UFC (Universidade Federal do Ceará) apontaram inúmeras soluções mais econômicas e sustentáveis. O valor da obra, segundo a prefeitura, é de 17,5 milhões de reais.

Fica claro que para garantir o alcance dos seus objetivos (no caso do Cocó, retribuir às construtoras o aporte recebido na campanha eleitoral), os governos capitalistas, com o apoio da justiça burguesa, desrespeitam leis, de qualquer natureza, e destroem o meio ambiente, utilizando toda a força repressiva do seu aparato policial.

Redação Ceará

Morre o lendário general comunista Vo Nguyen Giap, herói do povo Vietnamita

Vo Nguyen GiapMorreu hoje aos 102 anos de idade o General Vo Nguyen Giap, importante revolucionário da vitória na Guerra do Vietnã, segundo fontes militares e familiares.

O General morreu de causas naturais no Hospital Militar 108 em Hanoi, disse uma fonte militar no centro do país.

“Ele morreu para a sua idade, e não por causa de qualquer doença”, disse a fonte sob condição de anonimato.

Este lendário general vietnamita nasceu na aldeia de An Xa, província de Quang Binh em 25 de agosto de 1911. Filho de um fazendeiro sem terra, sabia ler e escrever e lutou toda a sua vida contra o domínio colonial imposta em seu país.

Em 1926, quando ainda muito jovem, ele começou a lutar pela libertação do Vietnã na escola onde ele estudou. Ingressou Viet Tan Dang Menh e dois anos mais tarde, Quoc hoc, organizações clandestinas que conduzem a agitação contra a ocupação estrangeira.

Em 1930, ele foi preso e condenado a três anos de prisão, mas foi libertado alguns meses mais tarde.

Em 1933 ingressou na Universidade de Hanói, mas dois anos depois foi expulso por fazer agitação revolucionária.

Na faculdade, ele conheceu Dang Xuan Khu, que mais tarde adotaria o pseudônimo de Truong Chinh, o principal ideólogo do comunismo vietnamita. Foi ele que recrutou Giap para o Partido Comunista da Indochina.

Em 1937, ele conseguiu terminar seus estudos de Direito na universidade e começou a ensinar história em uma escola em Hanói, na escola ele organizava os professores e estudantes na luta revolucionária.

Em 1939, ele publicou seu primeiro livro, juntamente com Truong Chinh, intitulado ”A questão camponesa” que abordou o papel a ser desempenhado pelos trabalhadores agrícolas vietnamitas como aliados do proletariado no processo revolucionário.

No ano anterior, ele havia casado com uma tailandesa, Dang Thi Quang, que também é militante comunista, e quando o ano seguinte, o Partido Comunista da Indochina foi banido, Giap fugiu para a China, onde conheceu e estudou com Ho Chi Minh teses de Mao Zedong em “guerra popular prolongada e a guerra de guerrilha”, em seguida, aplica habilmente seu próprio país.

Mas a polícia francesa deteve sua esposa e sua irmã e usou-os como reféns para pressionar Giap e fazê-los render. A repressão foi feroz: a sua irmã foi guilhotinada e sua esposa condenada à prisão perpétua, morrendo na prisão depois de três anos por causa de tortura brutal. Carrascos também mataram o seu filho recém-nascido, seu pai, duas irmãs e outros parentes.

Em maio de 1941 na Conferência Chingsi (China), juntamente com Ho Chi Minh fundou o Dong Minh (Liga para a Independência do Vietnã), mais conhecido como o Vietminh, para agrupar as forças anti-imperialistas numa única frente de libertação nacional.

Giap Nesse mesmo ano mudou-se para as montanhas do interior do Vietnã para começar a guerra de guerrilha. Ele estabeleceu uma aliança com Chu Van Tan, dirigente do Tho, grupo guerrilheiro de uma minoria nacional nordeste do Vietnã. Giap iniciou a construção do Tuyen Truyen Giai Phong Quan, um exército capaz de expulsar o ocupante.

Ele começou uma campanha de dois anos de propaganda armada e de recrutamento, transformando os agricultores em guerreiros com uma combinação de treinamento militar e comunista educação política. Em meados de 1945 já tinha 10 mil homens sob o seu comando e foi capaz de ir para a ofensiva contra os japoneses que ocupavam todo o sudeste da Ásia.

Junto com Ho Chi Minh, Giap conduziu suas forças para Hanói, em agosto de 1945, e em setembro ele Ho Chi Minh proclamou a independência do Vietnã, com Giap comandou o exército revolucionário.

Vo Nguyen GiapNa guerra subsequente contra o colonialismo francês, Giap demonstrou a superioridade da guerra contra as forças imperialistas obtendo uma vitória espetacular em 7 de Maio de 1954 na decisiva batalha de Dien Bien Phu, um vale localizado a cerca de 300 quilômetros a oeste de Hanoi que tinham entrincheirado forças de ocupação francesas, confiantes na proteção das montanhas e ficando batida quando forças revolucionárias descendentes.

Dos 15.094 mercenários franceses que se reuniram em Dien Bien Phu, depois de quase seis meses de luta, apenas 73 conseguiram escapar do cerco, enquanto que 5.000 morreram e 10.000 foram capturados. Denhg e o general Giap lançou um ataque frontal contra a guarnição jogou definitivamente os colonialistas franceses na Indochina.

Denhg e Giap derrotaram os imperialistas, com o acúmulo de logística extraordinária e a utilização eficaz de artilharia bem protegido. Os 60 norte-americanos B-29 bombardeiros que vieram em apoio à guarnição francesa, não alcançou seu objetivo, obrigando o projeto criminoso imperialista de um plano desenvolvido pelo almirante americano Radford e general francês Navarre consistindo de deixar cair bombas nucleares contra as forças revolucionárias.

A campanha de Dien Bien Phu foi a primeira grande vitória de uma vila colonial e feudal, com uma economia agrícola primitiva, contra um experiente exército imperialista apoiado por uma indústria próspera e guerra moderna. Generais francês (Leclerc, De Lattre de Tasigny, Juin, Ely, Sulan, Naverre) falhou um após o outro na frente de uma tropa composta de camponeses pobres, mas determinado a lutar até o fim por seu país e pelo socialismo. Os governos Franceses foram também caindo como seus generais foram derrotados, expondo a fragilidade da IV República.

O Vietnã foi dividido e Giap foi nomeado ministro da Defesa do novo governo do Vietnã do Norte que, embora a guerra continuasse, ele lutou para construir uma nova sociedade socialista.

Como comandante do novo exército, Giap liderou a luta na Guerra do Vietnã contra os novos invasores da America do norte, que mais uma vez começou na forma de guerra de guerrilha. Os primeiros soldados americanos morreram no Vietnã, quando o 08 de julho de 1959 os Vietcongs atacaram uma base militar em Bien Hoa, a nordeste de Saigon. Este ano, mais de 1.000 lacaios imperialistas americanos foram mortos pelo Vietcong em 1961 outros 4.000 tinha caído.

Quatro presidentes norte-americanos lutaram contra o Vietnã, deixando o rastro de sangue de 57.690 mercenários americanos mortos. 600 mil mortos combatentes vietnamitas, mas eventualmente os Estados Unidos foram forçados a deixar o país em 1973. Dois anos depois, o país foi reunificado, quando um tanque do exército revolucionário destruiu o muro da Embaixada dos EUA, enquanto os últimos imperialistas fugiram às pressas por helicóptero do telhado do edifício.

Posteriormente, Giap continuou com ministro da Defesa do Vietnã e membro da direção do Partido Comunista do Vietnã, onde atuou até 1992 quando renúncia contra o revisionismo do Partido Comunista Vietnã.

General Giap não foi apenas um mestre na arte de dirigir a guerra revolucionária, mas também escreveu sobre isso em sua famosa “Guerra do Povo, Exército do Povo”, de 1961, um manual de guerrilha baseado na sua própria experiência. Ele fornece os três fundamentos básicos que você deve ter um exército do povo para a vitória na luta contra o imperialismo: a gestão, organização e estratégia. A liderança do Partido Comunista, uma disciplina militar de ferro e linha política adequada para o desenvolvimento social e político do país.

Ele definiu a guerra como “uma guerra travada para o povo e pelo povo, a guerra de guerrilha é simplesmente um método de combate”. Como bom guerrilheiro Giap sabia que o sucesso da vitória, quando em grande desproporção de forças, é baseado na iniciativa, ousadia e surpresa, que exige o exército revolucionário deve ter continuamente. Giap destacou-se como um gênio da logística, capaz de mobilizar continuamente grandes contingentes de tropas, seguindo os princípios de guerra. Fez contra os colonialistas franceses em 1951, infiltrando um exército através das linhas inimigas no rio Mekong, e novamente à frente do Tet 1968 na ofensiva contra os norte-americanos, quando colocado milhares de homens e toneladas de suprimentos para um ataque simultâneo de 35 centros estratégicos do sul.

Ainda hoje, as táticas de guerrilha de Giap são uma das fontes militares estratégias de estudo em todo o mundo.

Fonte: Cuba Debate

Central de Movimentos Populares de Pernambuco realiza 3º congresso

Com muito entusiasmo, foi realizado no dia 14 de setembro, no CAIC de Olinda, Pernambuco, o III congresso da CMP/PE. Os delegados e delegadas presentes ressaltaram a importância da organização e luta pela reforma urbana e contra as injustiças em Pernambuco e no Pais, que causa a fome, miséria e outras mazelas sociais. A CMP tem uma tarefa fundamental de reunir os movimentos populares com o MLB, MLT, MLRP, MNU, PAPA CULTURA, OLGA BENÁRIO, FLOR DO CARMELO, SOS CRIANÇAS, para que, em conjunto, defina suas formas de lutas. Na plenária final, foram aprovadas as propostas e a nova Coordenação Estadual, eleitos os delegados que vão participar do V Congresso Nacional da CMP que será realizado em outubro em Ipatinga – MG. Estiveram presentes no congresso Welington Bernado e Eduardo Cardoso da direção nacional da CMP, além de lideranças políticas como o vereador de Olinda Marcelo Santa Cruz (PT).

Kleber dos Santos, MLB

Estudantes da USP ocupam reitoria contra autoritarismo

Estudantes da USP ocupam reitoria contra autoritarismoNesta terça-feira, 01/10, os estudantes da USP, reunidos na Cidade Universitária (Capital), deram um passo importante para pressionar o reitor Rodas e o Conselho Universitário (CO) pela abertura do processo democrático na principal universidade do Brasil.

Inicialmente, foi organizado pelo DCE, pela Associação de Docentes (Adusp) e pelo Sindicato de Funcionários (Sintusp), um ato em conjunto das três categorias denominado Dia D pelas Diretas. O ato iniciou às 14h e contou com cerca de 500 pessoas que passaram a tarde em frente à reitoria pressionando enquanto do lado de dentro acontecia uma reunião do CO para definir qual o formato das eleições para reitor que ocorrerão ainda este ano.

Regimento relembra a Ditadura

A USP é grande referência para todas as universidades brasileiras e a forma de organização da universidade também. Várias instituições seguem o modelo da USP de eleições indiretas e lista tríplice. No caso da USP, somente uma pequena parcela pode votar nos candidatos a reitor e os três mais votados têm seus nomes encaminhados ao governador, que escolhe o que mais lhe agrade.

Foi assim no caso de Rodas (atual reitor). Mesmo sendo o segundo mais votado, foi eleito por ter a preferência do governador Geraldo Alckmin (PSDB), ou seja, por fazer o jogo do governo de São Paulo de construir uma USP elitista, racista, excludente e privatizada. Foram várias decisões ao longo dos anos de gestão, que mostraram o perfil do reitor.

Nos últimos meses, Rodas tentou aplicar um golpe na comunidade da USP, chamando um “debate” e aceitando propostas de modelos para eleição para reitor. Foram algumas propostas enviadas para uma página criada pela reitoria, mas a proposta conjunta enviada pela comunidade da USP só foi inserida na página nos últimos dias, depois de muita pressão.

Hoje, 01/10 foi realizada uma reunião do CO para definir o formato de democracia para as eleições. Os estudantes propuseram que o CO fosse realizado abertamente com acompanhamento de todos, mas a proposta foi rejeitada alegando que precisaria ser remarcada e publicada no Diário Oficial, o que atrasaria a eleição. Depois foi votada a realização de uma Estatuinte para reformar o estatuto da USP – que foi reformado pela última vez na época da Ditadura – e embora tenha havido vitória dos estudantes e trabalhadores por 58 a 47 votos, a Estatuinte não foi aprovada pois precisava de 2/3 dos cerca de 150 votos dos membros do CO.

Ocupação da Reitoria

Uma parte dos representantes discentes (estudantes eleitos nos cursos) abandonaram a reunião antes do término e relataram os problemas para os estudantes que aguardavam do lado de fora. A partir daí os estudantes ocuparam o saguão da reitoria e realizaram uma plenária.

À noite foi realizada uma assembléia com cerca de 800 estudantes que determinou pela continuidade da ocupação e greve imediata. Foram realizadas outras votações sobre os eixos e bandeiras da greve e da ocupação.

A partir de agora, as mobilizações que já haviam deflagrado greve na Faculdade de Direito por falta de matrículas em diversas matérias e na EACH (Escola de Artes e Ciências Humanas) na Zona Leste de São Paulo por causa da contaminação do terreno onde o campus foi construído, passa a ser geral.

Já nesta quarta-feira, os cursos farão assembleias para divulgar as informações para os estudantes e ampliar a mobilização.

A maior universidade de São Paulo sai do seu estado de inércia, que até então deixava os estudantes afastados e passa para uma grande mobilização que promete sacudir a estrutura de poder e conseguir uma grande vitória pela democracia e por mais direitos para toda a comunidade da USP.

Redação SP

Partido fascista grego promove assassinato do rapper Pavlos Fissas

Pavlos FissasParlamentares e dirigentes do partido fascista grego, Aurora Dourada, foram presos no dia 28 de setembro acusados de responsabilidade na morte, por esfaqueamento, do cantor de rap Pavlos Fyssas. O cantor foi vítima de várias provocações e ameaças até ser atacado por um dos militantes do Aurora Dourada.

O partido fascista tem agido na Grécia como tropa de choque das medidas repressivas e do ajuste econômico. Partidário da violência contra imigrantes, os fascistas cresceram em número de votos através de um discurso nacionalista e do financiamento oferecido por bancos e grandes empresas da Grécia e da Europa.

O governo e a polícia gregas, sempre muito dispostos a reprimir e perseguir os movimentos populares, se nega a reprimir as atividades violentas do partido. A prisão de seus líderes só foi realizada após vários dias de comoção e por força da pressão popular.

Na medida em que o povo grego vai se afundando em uma grave crise social, fruto dos ajustes econômicos impostos pelo FMI e pelo Banco Central Europeu, as contradições de classe vão ficando cada vez mais agudas. É urgente a necessidade de se encontrar uma saída em benefício da classe trabalhadora.

Redação SP

Professores do Rio de Janeiro são agredidos por policiais

Cerca de 200 profissionais de educação da rede municipal em greve ocuparam a câmara de Vereadores do Rio na última quinta-feira. A  ocupação foi realizada para garantir que não fosse votado um plano de carreira que foi encaminhado sem discussão com a categoria.  No sábado a noite o Batalhão de Choque da PM invadiu a Câmara agredindo com muita violência os professores. Usaram spray de pimenta e bombas de gás contra os manifestantes, inclusive os que estavam do lado de fora. Vejam o vídeo gravado por um dos ocupantes.

Força e União no Sindicato dos Moto-taxistas

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A chapa Força e União, organizada pelo Movimento Luta de Classes (MLC), tomou posse, no dia 24 de agosto, no Sindicato dos Moto-taxistas, Moto-boys e Moto-fretes de Caruaru, num clima de grande entusiasmo, confraternização e espírito de combatividade, com a presença de dezenas de membros da categoria e de várias lideranças sindicais como José Henrique, presidente do Sintracon, Antônio Lira, presidente do Sindlimp, Samuel Timóteo, coordenador do Movimento Luta de Classes (MLC), Afonso Costa, coordenador do MLB, José Honório, presidente da Associação dos Moradores do Novo Mundo e Gleison Rodrigues, presidente da União dos Estudantes Secundaristas de Caruaru. A festa foi animada pelo cantor Costa Júnior, amigo do nosso movimento.

A eleição aconteceu no dia 18 de julho e, apesar da tentativa de um pequeno grupo patrocinado pelo DEM e pelo que existe de mais atrasado na política local, estes não conseguiram convencer ninguém a participar de sua chapa e, portanto, não se inscreveram para disputar o pleito.

Votaram 202 eleitores pela continuidade da luta na direção do sindicato, que agora se renova com mais membros e com a representação na direção de todos os setores da categoria e a importante presença da companheira Valeria Pires, que muito bem representa a mulher nesta nova diretoria.

Movimento Luta de Classes (Caruaru)

 

Humilhação e baixos salários na limpeza urbana

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limpezaSegundo a Constituição Federal (incisos I e V do art. 30), é atribuição municipal a organização de seus serviços públicos, ou seja, cabe ao Município o gerenciamento dos serviços de limpeza urbana. Mas o que prevalece entre as prefeituras é repassarem a responsabilidade total ou parcial do serviço de coleta de lixo a empresas privadas, precarizando as relações de trabalho e retirando direitos dos trabalhadores.

Essa prática não é nova. Durante o Império, um senhor chamado Pedro Aleixo Gary assinou o primeiro contrato de limpeza urbana no Brasil. O acordo foi celebrado no dia 11 de outubro de 1876 entre o sr. Gary e o Ministério Imperial para organizar o serviço de limpeza da cidade do Rio de Janeiro.

Aleixo Gary reunia funcionários para limpar as ruas após a passagem de cavalos. Os cariocas sempre mandavam chamar a “turma do Gary” para assegurar a limpeza do passeio público. Daí a origem do termo “gari” para designar os trabalhadores do serviço de limpeza urbana.

O contrato previa também a remoção de lixo das casas e praias e o transporte para a Ilha de Sapucaia, onde hoje fica o bairro Caju. Em 1891, encerra-se o contrato de Aleixo Gary e em seu lugar assume seu primo Luciano Gary. Em 1906, a Superintendência de Limpeza Pública e Particular da Cidade possuía 1.084 animais empregados na remoção de 560 toneladas de lixo.

Atualmente, estima-se que cidades de até 30 mil habitantes geram, diariamente, cerca de 0,5 kg de lixo por habitante, ao passo que as cidades com mais de 5 milhões de habitantes podem produzir até 1 kg de lixo por habitante ao dia. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), produzem-se cerca de 250 mil toneladas de lixo por dia no Brasil.

Para cortar despesas com salários e encargos sociais – e, assim, aumentarem seus lucros –, as empresas atuam com o quadro de empregados sempre o menor possível e, por isso, seus funcionários são obrigados a fazer horas extras. É comum trabalhadores dessas empresas efetuarem até 16 horas de trabalho por dia. Assim, o intervalo interjonada de 11 (onze) horas previsto no art. 66 da CLT não é respeitado.

O mesmo ocorre em relação ao intervalo intrajornada: via de regra, não há parada de uma hora de intervalo para refeições e, quando existe, é parcial, no meio da rua e sem qualquer estrutura.

E não para por aí: os salários pagos aos funcionários das empresas de limpeza urbana gira em torno de R$ 678 (Recife) e R$ 701 (São Paulo).

O fato é que a situação em que vivem os agentes de limpeza urbana em todo o País é de extrema exploração e péssimas condições de trabalho. Faça chuva ou faça sol, esses trabalhadores cuidam para que o lixo não fique acumulado nas nossas cidades, provocando transtornos diversos como alagamentos e a proliferação de pragas e doenças.

Somente quando há interrupção na coleta do lixo é possível chamar a atenção do poder público para os graves problemas que enfrentam os trabalhadores, como ocorreu este ano na Região Metropolitana de Fortaleza, no mês março, em movimento organizado pelo Sindlimp-CE; no Recife, no mês de abril, sob o comando do Sindlimp-PE; e na Região Metropolitana de João Pessoa, onde, depois de dois dias de greve, a categoria arrancou dos patrões 10% de reajuste salarial e 20% no vale-alimentação, graças à greve organizada pelo Sindlimp-PB.

Por isso, o Movimento Luta de Classes organiza os trabalhadores da limpeza urbana e convoca todos os companheiros à luta por melhores condições de trabalho e melhores salários e por uma sociedade sem humilhação.

Jailson Davi, MLC Pernambuco

A cadeia de comando da repressão da ditadura

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Doi CodiEm audiência conjunta entre as Comissões da Verdade Nacional e do Estado de São Paulo, no dia 19 de agosto, as famílias Teles e Merlino entregaram peças dos processos judiciais que moveram contra o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra.

A audiência, solicitada pelos familiares, foi realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo e teve grande participação de público e uma mesa composta por Adriano Diogo, presidente da Comissão Estadual; Rosa Cardoso, até aquele momento ainda coordenadora da Comissão Nacional; Aníbal Castro de Souza, advogado das famílias junto de Fábio Konder Comparato, e a deputada federal Luiza Erundina, além de Amelinha Teles e Ângela Mendes de Almeida.

No processo movido pela família Teles, julgado em segunda instância, Ustra é condenado como torturador, e, no processo da família Merlino, ele é condenado a pagamento de uma indenização por danos morais pelo assassinato de Luiz Eduardo Merlino. Os dois processos representam um importante passo na responsabilização dos agentes da repressão durante a ditadura no Brasil.

As famílias alegaram que o pedido da audiência para entrega dos processos foi devido à discordância que têm em relação à forma em que foi realizada a oitiva de Ustra na Comissão Nacional, realizada em maio deste ano, quando o coronel afirmou que não havia torturas, que ninguém havia sido assassinado nas dependências do Exército, entre outras mentiras e afrontas. Para elas, os processos são prova de que não há dúvidas sobre a participação e responsabilidade de Ustra nas torturas e mortes que aconteceram no DOI-Codi (antes Oban) quando estavam sob seu comando e é na condição de condenado e não de suspeito que ele deve ser convocado.

Rosa Cardoso acatou as críticas feitas à CNV e disse que se esforçará para que nova convocatória seja feita, mas disse também que antes as vítimas serão ouvidas para auxiliar a condução dos trabalhos.

Para o presidente da Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva, Adriano Diogo, a audiência foi de grande importância. Segundo ele, “hoje começamos a enfrentar a cadeia de comando da repressão, na figura de Ustra, que não agia nos porões, era figura de comando do Exército”.

Vivian Mendes, assessora da Comissão da Verdade de SP e militante do PCR

Quarenta anos da imortalidade de nossos heróis

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Um homem de verdade

Heróis capa“… Pelo conjunto de sua obra, demonstrou ser o produto da elaboração histórica que em sua forja misteriosa elabora de tempos em tempos homens que sintetizam as qualidades mais nobres da espécie…”1. Ele não veio ao mundo em tempo de paz. O ano em que nasceu marca a ofensiva do Exército Vermelho Soviético, que derrotará os invasores nazistas. E não seria a paz a sua missão, pois o tempo era (como continua sendo) de luta de classes, de opressão da grande maioria – os operários, os camponeses, os excluídos – pela minoria que detém em suas mãos a propriedade e os seus frutos. “Meu despertar para as questões sociais apareceu quando eu tinha 17 anos… aos 19 anos, considerei-me marxista-leninista”2.   É claro que você já identificou este ser especial – Manoel Lisboa de Moura. Mas pode chamá-lo também de Mário, Celso, Zé, Galego. Por que tantos nomes?

O golpe civil-militar de 1964 encontrou Manoel Lisboa militando no Partido Comunista do Brasil, estudando Medicina na Universidade Federal de Alagoas. Ele nascera em Maceió, em fevereiro de 1944. Participou ativamente do movimento secundarista, cultural, universitário, ingressou no PCB, mas saiu deste para o PCdoB por considerar reformista a estratégia do “Partidão”. Foi preso várias vezes em 1964, 1965, 1966. Teve de ingressar na clandestinidade e se desencantou também com o Partido Comunista do Brasil, avaliando que o rompimento com o revisionismo havia sido apenas teórico. Junto com um grupo de companheiros fundou o Partido Comunista Revolucionário (PCR), em 1966. Embora as condições fossem inteiramente adversas, o trabalho do PCR se estendeu por todo o Nordeste, o que tornou seus dirigentes, especialmente o Galego, alvo da mais feroz perseguição.

Os tentáculos da ditadura acabaram encontrando-o no dia 15 de agosto de 1973, quando conversava com uma operária, Fortunata, na Praça Ian Flaming, no Rosarinho. “Ele tentou sacar a arma, mas não teve tempo”. Seu calvário foi longo, mas ele nada cedeu, coerente com a tese que defendia junto aos militantes: “delação é traição”. Morreu no dia 4 de setembro. Companheiros presos que conseguiram vê-lo no DOI-Codi do IV Exército ainda com vida e podendo falar, ouviram dele: “Minha hora chegou. Continuem o trabalho do Partido”.

“…Passou por todos os sofrimentos físicos e psicológicos, possíveis e imagináveis. Assistiu por dias e dias à sua própria agonia. Se viu e sentiu morrer lentamente. Superou tudo. Derrotou tudo – a tortura, o medo, a própria morte… Lembramos sempre dele. Com saudade, com tristeza, com alegria, com emoção. Às vezes, com uma lágrima solitária por sua memória. E em alguma madrugada, tenho vontade de sair pelas ruas, pichando em sua homenagem seu slogan favorito: “O PCR vive e luta!”3

O grande dia chegará!

“Eu vos contemplo, gerações futuras, herdeiros da paz e do trabalho. O grande dia chegará. Meus soldados não se rendem”4.

Nem você se rendeu, bravo companheiro Emmanuel Bezerra dos Santos, quando, em meados de agosto de 1973, ao regressar de missão no Chile, a Operação Condor(ver A Verdade, nº 7) o interceptou na fronteira. Entregue ao DOI-Codi, você, como Manoel Lisboa, era coerente com o que defendia e nada delatou.

Certamente, enquanto se retorcia de dor, lembrou sua família humilde de pescadores da praia de Caiçara, Município de São Bento do Norte (RN), onde nasceu no dia 17 de junho de 1943. Lembrou o Atheneu, onde começou sua liderança estudantil, da Fundação José Augusto, onde cursou Sociologia. Recordou, sem dúvida, a Casa do Estudante de Natal, onde moravam os estudantes pobres do interior, e que você presidiu. Como esquecer os movimentos culturais natalenses dos quais participou como poeta, crítico literário e organizador de grupos e associações.

Mas inesquecível mesmo foi o Congresso da UNE em Ibuúna (SP), 1968. Você não entendia como se realizar um congresso daquele porte no interior, numa área isolada. Mas organizou entusiasticamente a bancada potiguar. Foi preso e teve seus direitos estudantis e políticos cassados com base no famigerado decreto nº 477, da Ditadura Militar, que proibia aos estudantes o exercício de atividades políticas nas escolas e universidades. A prisão de seis meses não te enfraqueceu; muito pelo contrário. Ao sair, ingressou no Partido Comunista Revolucionário (PCR). Dirigiu o comitê universitário, passou a atuar na clandestinidade em Pernambuco e Alagoas, e, em pouco tempo, integrou o Comitê Central, dada a sua “dedicação, honestidade, firmeza ideológica e aprofundamento dos conhecimentos teóricos”.

No início de agosto de 1973, o PCR enviou-o para Argentina e Chile, com o objetivo de contatar revolucionários brasileiros e organizações de esquerda latino-americanas, a fim de construir um processo de unificação do movimento anti-imperialista no continente. Caiu ao regressar.

Como costumavam fazer, os órgãos da repressão montaram uma farsa. Divulgaram nota publicada pela imprensa burguesa, dizendo que ele morrera num tiroteio com a Polícia no momento em que se encontraria com Manoel Lisboa em São Paulo. Tudo mentira. Emmanuel encontrar-se-ia com Manoel Lisboa no Recife, no dia 15 de setembro, quando estaria chegando da Argentina. Porém, Manoel fora preso no dia 15 de agosto, tendo sido também barbaramente torturado e assassinado nos porões da repressão. A mentira, como de praxe, era confirmada pelo falso laudo elaborado pelo já desmascarado médico-legista Harry Shibata. A transferência do cadáver de Manoel Lisboa para São Paulo fez parte da montagem da farsa.

Quando saiu a notícia plantada pela Polícia Política acerca do “tiroteio”, no dia 4 de setembro, os corpos de ambos já estavam sepultados numa vala comum do Cemitério Municipal Dom Bosco, no Distrito de Perus, em São Paulo. Isto é certo, tanto que dona Iracilda Lisboa, mãe de Manoel, foi a São Paulo no mesmo dia em que foi divulgada a notícia. Lá, a Polícia Política mostrou-lhe duas covas em outro cemitério, dizendo já ter ocorrido o sepultamento. Só restou-lhe colocar duas coroas de flores, mesmo desconfiando não se tratar da sepultura do seu filho e do companheiro e amigo, Emmanuel, fato que veio a ser comprovado posteriormente com a abertura da vala comum por ordem da então prefeita Luiza Erundina.

Quando seus restos mortais foram localizados e conduzidos para sepultamento na sua terra de origem, a homenagem foi muito bonita, emocionante, companheiro. Josivan Ribeiro, membro de tua Comunidade, fez uma saudação para não ser jamais olvidada: “Seus restos mortais nos trazem vida; seus ossos suplantaram mais de vinte anos de mentira. Eles pensaram que lhe tinham exterminado, no entanto a força de sua ideologia e de tantos outros que se foram exterminou a ditadura, e mais uma vez fica como exemplo”. 

Teu Sangue Será Adubo

Nosso orgulho pela tua coragem,

tua bravura, teu espírito de luta,

tua dignidade, teu heroísmo.

Soubeste construir faróis para iluminar a escuridão.

Foste luz no túnel

Teu sangue será adubo

Tua alma já é semente

No fulgor da aurora

De um novo tempo

Tu brilharás

Certeza tenho

Manuel manual de amor

Justiça- liberdade – paz

Na dor de hoje, na dor de sempre,

Teus companheiros te homenageiam

Presença viva, na esperança

Cantaremos todos, ea ti

O novo sol

És o futuro

O amanhã virá!

Selma Bandeira, companheira de Manoel Lisboa, em 14/9/1983

Da força cortante dos canaviais

Trazia nas veias o sangue de Zumbi dos Palmares, o anseio de libertação de centenas de gerações de oprimidos desde que a burguesia europeia invadiu o Brasil e escolheu o Nordeste para implantar a monocultura da cana-de-açúcar, adoçando sua vida com o suor e o sanguedos trabalhadores escravizados.

Amaro Luiz de Carvalho (Palmeira, Capivara) nasceu em Joaquim Nabuco, Zona da Mata de Pernambuco, em junho de 1931. Camponês e operário, em nenhum lugar ou profissão aceitaria a exploração. Mas foi na Zona Canavieira, seu berço, que mais brilhou a atuação do herói, criando Ligas Camponesas e Sindicatos, mobilizando e organizando os camponeses e assalariados rurais. Em 1961, foi a Cuba conhecer os primeiros passos da Revolução (1959) e gostou. “Vi a força da Revolução e a capacidade criadora do povo trabalhador do país irmão”, testemunhou. Após o golpe de 1964, passou a atuar na clandestinidade, priorizando os Municípios de Jaboatão dos Guararapes, São Lourenço da Mata, Sirinhaém e Moreno.

Militou no PCB, mas, não aceitando o reformismo deste, ingressou no PCdoB. Participou de um curso de formação política e militar na China, durante o qual refletiu bastante, concluindo também que o PCdoB rompera com o revisionismo apenas formalmente. Retornando, integrou o grupo de fundadores do PCR, juntamente com Manoel Lisboa.

Preso em janeiro de 1970, sobreviveu às torturas, foi julgado e condenado a dois anos de prisão. Às vésperas de ser libertado, foi covardemente assassinado na Casa de Detenção do Recife, por envenenamento e pauladas em 22 de agosto de 1971. Sua morte foi tramada pela cúpula dos usineiros de Pernambuco. Pensavam que a tranquilidade voltaria ao campo, proclamando “o fim do terror” (Diário de Pernambuco, 24/08/1971). A paz, naturalmente, não veio, pois não pode existir em meio à opressão e exploração que continuaram operando.

Amaro Luiz de Carvalho anunciava em sua própria experiência a sociedade comunista do futuro em que será eliminada a divisão do trabalho manual e intelectual. Um camponês analfabeto que aprendeu a ler e escrever por sua própria iniciativa, com apoio e estímulo do Partido, tornou-se um estudioso de primeira linha, combinando a militância com a leitura e a pesquisa. Escreveu uma obra que reúne pesquisa histórica, análise sociológica e estratégia política, denominada As Quatro Contradições da Zona Canavieira de Pernambuco. Um homem imprescindível, na definição de Bertolt Brecht.

A ligeireza da ventania e a firmeza da baraúna

Nascido numa família de ex-escravos, Manoel Aleixo (Ventania, Baraúna) jamais seria escravo de ninguém e se engajou na luta para libertar os trabalhadores da escravidão assalariada, cuja forma implantada na Zona Canavieira não diferia muito da anterior. Seu nascimento ocorreu em São Lourenço da Mata (PE), Engenho Cova da Onça, em junho de 1931.

 Ainda criança, sentiu a dureza do trabalho na cana, de domingo a domingo, juntamente com seu pai, para ter direito à comida e a tosco vestuário. Não teve tempo de frequentar escola, mas aprendeu as histórias de homens valentes, que o impressionavam muito, principalmente a de Zumbi dos Palmares.

Em 1955, com 24 anos, presenciou as grandes passeatas das Ligas Camponesas, reivindicando terra “na lei ou na marra” e sentiu que o caminho da libertação era aquele.

O golpe de 64 encontrou-o lutando. Com o recrudescimento da repressão, passou a agir clandestinamente, em engenhos distantes, fazendo pequenas reuniões, organizando cocos de roda com letras politizadas para despertar a consciência dos camponeses e assalariados. No início de 1967, um ano após a fundação do PCR, reencontra Amaro Luiz de Carvalho, que o convida a ingressar no Partido. Aleixo não vacilou um instante.

O ano de 1973 marcou o cerco à direção do Partido Comunista Revolucionário. Manoel Aleixo foi sequestrado de sua casa, em Joaquim Nabuco, na madrugada do dia 29 de agosto, fato testemunhado por Izabel Simplício da Conceição, sua companheira, conduzido numa Veraneio do Exército até a sede do comando do IV Exército, no Parque 13 de Maio – Recife, e assassinado provavelmente junto com Manoel Lisboa e Emmanuel Bezerra. Certamente temendo o impacto da divulgação do assassinato de três grandes revolucionários num só dia, 04 de setembro, e também para dificultar o esclarecimento do seu hediondo crime, decidiram divulgar em dois dias diferentes, locais falsos e circunstâncias totalmente mentirosas.

“Na sala de torturas, comportou-se como um autêntico herói nascido do povo; diante das torturas mais atrozes, cerrou os dentes, nada falou aos sádicos policiais. Morreu como herói do povo, um combatente do Partido, digno e firme como uma rocha”. (Editorial do jornal A Luta, nº 18, dezembro de 1974).

Torturado e morto

Nascido em 1929, na cidade de Rio Formoso, em Pernambuco, Amaro Félix Pereira tornou-se um dos principais líderes rurais do Estado. Foi um ativo sindicalista dos trabalhadores rurais, sendo conhecido e odiado pelos usineiros da região, em especial a Usina Central Barreiros, por conta de sua liderança no Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Município.

Era conhecido no PCR como Procópio e atuava junto com Amaro Luiz de Carvalho e Manoel Aleixo. Foi preso por várias vezes após o golpe de estado de 1964. Sua última detenção legal se deu de 20 de janeiro a 24 de novembro de 1970. Seu sequestro e desaparecimento (eufemismo para a palavra assassinato) se deu em 1972. Não há registro de prisão. Pedro Bezerra da Silva, trabalhador rural que o conhecia, afirma tê-lo visto amarrado embaixo do banco de um jipe placa branca, escoltado por policiais. Seu filho mais velho, Elias, ouviu rumores de que o cadáver do seu pai foi jogado na caldeirada usina ou no Rio Una. Certamente foi barbaramente torturado e morto como os demais companheiros. 

A homenagem maior

Nada há de melhor para homenager os heróis do PCR, heróis do povo brasileiro, na passagem dos 40 anos de seu martírio, que aquela já feita no editorial do jornal A Luta, edição de nº 18: “… Continuar o trabalho pelo qual deram suas vidas: desenvolver, até a vitória, o trabalho revolucionário que conduzirá o Brasil a ser livre da exploração estrangeira, à democracia, ao socialismo e, finalmente, ao mais belo sonho dos homens, o comunismo”.

Acrescentamos, porém, neste momento, a importância de levantarmos a bandeira do direito à Justiça, pelo fim da impunidade de todos os torturadores e assassinos da Ditadura Militar!

A luta pelo direito à Verdade e à Justiça

Desde o fim da Ditadura Militar (1985), os familiares de desaparecidos políticos (mortos sob torturas nos porões do DOI-Codi e enterrados como indigentes ou incinerados; ou ainda assassinados a sangue frio e jogados em rios ou enterrados nas matas), conseguiram algumas vitórias: reconhecimento da responsabilidade do Estado pelas mortes de seus parentes, indenização às vítimas e seus familiares, localização de alguns restos mortais.

Para investigar os fatos ocorridos, o governo de Dilma Rousseff criou a Comissão Nacional da Verdade, com poder de examinar todos os arquivos e ouvir os envolvidos, mas que, entretanto, não tem poder punitivo. A alegação é a de que a Lei da Anistia perdoou os envolvidos na luta contra a Ditadura, mas também os agentes do Estado que cometeram crimes contra a população.

A interpretação de que a Lei “perdoa” os dois lados é um erro histórico, porque a ausência de punição incentiva a repetição do crime. Por outro lado, os organismos internacionais de direitos humanos, inclusive os ligados à ONU, já manifestaram que tortura é crime imprescritível, pois fere toda a Humanidade, além de que crimes de sequestro/assassinato em que não se apresentam os corpos continuam sem solução, portanto, considerados como ainda estão em curso.

Mesmo em relação aos fatos e às informações que possam identificar o que aconteceu, a Comissão Nacional da Verdade não tem obtido nenhum avanço significativo. E podemos afirmar que não avançará enquanto a bandeira da Verdade e Justiça, com a punição dos torturadores e golpistas, não for assumida pelo povo, não se tornar bandeira nas suas mãos, na sua voz, e for levada para as ruas.

Punição aos torturadores já!

Notas:

1Trecho de depoimento de Valmir Costa, médico veterinário, companheiro de militância e amigo pessoal de Manoel Lisboa, publicado no livro A Vida e a Luta do Comunista Manoel Lisboa – Depoimentos. Edições Centro Cultural Manoel Lisboa, Recife, 2008.

2Trecho do depoimento de Manoel Lisboa na sua  primeira prisão, em 1964.

3Trecho do depoimento de José Nivaldo, publicitário, aliado e amigo de Manoel Lisboa. Em Obra Citada.

4Trecho do poema Às Gerações Futuras, de Emmanuel Bezerra, escrito na Base Naval de Natal, durante sua prisão pela participação no Congresso da UNE em Ibiúna-SP, 1968.

Esta matéria é uma compilação de artigos escritos por Luiz Alves e Edival Cajá, publicados em diversas edições do jornal A Verdade.

Zé Levino, historiador