UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 4 de abril de 2025
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A luta pela moradia digna na Áustria

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Depois da Primeira Guerra Mundial, o Partido Social-Democrata (na época um partido combativo e de inspiração marxista) chegou ao governo de Viena e iniciou um programa de habitação social progressista que é exemplo até hoje. A época dos anos vinte e do início dos anos trinta do século passado ficou conhecida como “Viena Vermelha” e fez pela primeira vez moradia de qualidade acessível para muitos trabalhadores da cidade. 

Em 1918, havia um grande déficit habitacional em Viena, capital da Áustria.  A imigração dos países da monarquia austro-húngara levou a um forte crescimento populacional e o número de habitantes subiu para mais que dois milhões de pessoas em poucas décadas. Para abrigar os trabalhadores imigrantes e suas famílias, um grande número de cortiços privados foi construído. Mas, neles, 92% dos apartamentos não tinham banheiro próprio, 95% eram sem água, 86% sem gás e 93% sem eletricidade. Devido à especulação imobiliária, os alugueis eram altos e a maioria dos apartamentos, superlotados. Cerca de 300.000 pessoas não possuíam moradia própria e quase 90.000 conseguiram apenas alugar uma cama para dormir por algumas horas cada dia.

Depois da Primeira Guerra Mundial, surgiu um movimento de moradia que começou a erguer construções ilegais nos arredores da cidade. Várias cooperativas e mutirões foram organizados e exigiram da prefeitura de Viena um apoio financeiro e a aprovação da urbanização de terrenos. Com as eleições municipais depois da guerra, Viena obteve pela primeira vez uma administração socialdemocrata e esta começou a subsidiar o movimento pela moradia. Geralmente os futuros moradores participavam ativamente do processo de construção das casas e da infraestrutura comunitária. Em poucos anos, cerca de 15.000 unidades habitacionais foram construídas em 50 conjuntos que eram administrados pelos moradores de forma participativa.

Em 1922, Viena ganhou status de governo estadual, deixando de ser apenas um município e podendo, a partir de então, introduzir novos impostos como os incidentes sobre imóveis, restaurantes luxuosos, empregados domésticos e automóveis. Estes novos recursos foram usados para financiar um programa de habitação social próprio para melhorar as condições de moradia para os trabalhadores. A maioria dos apartamentos construídos nesse programa do governo era pequena, mas equipada com um banheiro, água e energia. Várias unidades tinham também uma varanda e acesso a pátios verdes e bem-iluminados. As mais importantes características dos conjuntos eram a densidade construtiva baixa e a infraestrutura coletiva com lavanderias, piscinas, creches, instituições de saúde, bibliotecas, áreas verdes e de lazer. A distribuição dos apartamentos ocorria de acordo com um sistema de pontuação e o aluguel era de cerca de 4%  da renda de um trabalhador da época. Até 1934, foram construídos 66.402 apartamentos em 390 conjuntos habitacionais – entre eles os grandes conjuntos Reumannhof, Karl-Marx-Hof, Friedrich-Engels-Platz e Karl-Seitz-Hof. Na época, aproximadamente um décimo da população vienense já morava nesses apartamentos estatais. 

Com o início do fascismo, o programa habitacional foi interrompido e pôde ser retomado somente depois da Segunda Guerra Mundial. Um crescente déficit habitacional levou à implantação de um programa de construção em grande escala a partir de 1950. Nos anos 60 e 70, foram construídos vários conjuntos novos na periferia de Viena, que atenderam às necessidades de 9.000 famílias, mas possuíam cada vez menos infraestrutura comunitária, instituições coletivas e espaços de lazer.

Desde os anos 90 está suspensa a construção de apartamentos estatais. Agora, a prefeitura de Viena financia a construção de conjuntos habitacionais por construtoras. Mesmo assim, ainda hoje, cerca de 25% das moradias em Viena pertencem à prefeitura. Mas a administração desses conjuntos, com cerca de 220.000 apartamentos e 6.000 escritórios e lojas, se tornou um empreendimento desincorporado da prefeitura. Em 2000, foi retirado do controle da Câmara Municipal para trabalhar de forma “moderna, eficaz e econômica”. Sendo assim, a submissão às leis de mercado alcançou também a administração dos apartamentos estatais. Como consequência, a distribuição e o valor dos alugueis para os apartamentos lamentavelmente já não são mais tão acessíveis como na época da “Viena Vermelha”.

Mas é um fato que especialmente os habitantes mais pobres da cidade ainda necessitam de moradia mais acessível. Isto é comprovado pela grande demanda como também pelo tempo longo de espera de vários anos para poder morar nos conjuntos da prefeitura. Dados atuais mostram que famílias com despesas mensais de até 1.634 euros gastam em média 42,9% – quase a metade das despesas totais – para moradia e energia. Os imigrantes são particularmente atingidos por condições de habitação precárias. Por isso, diversos grupos e organizações – como a iniciativa “Construir juntos, morar juntos“ – lutam ativamente por formas alternativas de realizar a moradia própria e construir o ambiente em que vivem. Nos últimos meses, estudantes e jovens passaram também a ocupar vários prédios na cidade para mostrar o seu descontentamento com o acesso a imóveis, meramente definido pelo mercado imobiliário capitalista, e iniciar projetos de moradia e cultura desenvolvidos e promovidos pelos moradores de forma coletiva.

Sob condições capitalistas, a comercialização de apartamentos segundo interesses de lucro nunca poderá ser eliminada totalmente. Mas a volta para um programa de habitação social de qualidade e financeiramente acessível com recursos públicos do próprio Estado – com o controle democrático e participação ativa dos moradores – poderia significar uma vida mais digna para muitos que hoje precisam. As influências dominantes do capital, dos bancos e da especulação imobiliária precisam ser combatidas. Ao mesmo tempo, devem ser promovidas discussões e ações na sociedade referentes a questões como: de que forma deveria se organizar na atualidade um modelo de habitação social de verdade? Quais grupos sociais deveriam ser atendidos? Como a moradia pode se tornar financeiramente mais acessível? Enfim, como seria possível garantir moradia de qualidade também às amplas massas trabalhadoras?

Katharina Kirsch. correspondente de A Verdade na Europa

A força da indignação popular

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Para garantir os lucros dos empresários, o prefeito de Teresina anunciou em dezembro um novo aumento, que entrou em vigor no dia 1° de janeiro passado. Em contrapartida, os estudantes também não ficaram parados e deram continuidade ao movimento contra o aumento, que desta vez tem sido duramente reprimido desde o primeiro dia de manifestação.

Surpreendendo os empresários e o prefeito Helmano Ferrer, mais de cinco mil estudantes foram às ruas durante uma semana, puxando palavras de ordem como “Helmano, eu não aguento, a R$2,10 eu vou andar é de jumento” e “Estudo, trabalho, dou duro o dia inteiro, Helmano anda de carro e ainda rouba o meu dinheiro” – mostrando sua indignação.

O estopim da repressão aconteceu no 9 de janeiro, quando cerca de 50 estudantes ocuparam pacificamente uma via da Avenida Frei Serafim, principal da cidade, e foram surpreendidos com a chegada de mais de 300 policiais militares, Rone, cavalaria, seguranças particulares e mais de 100 policiais do batalhão de choque – uma cena que nunca imaginaríamos ver na nossa tão amada cidade. O resultado foram estudantes presos e muitos feridos (um em estado grave).

Os teresinenses há mais de oito anos pagam por uma integração fantasma e contam com o serviço de uma frota de coletivos sucateada, com ônibus antigos e sem nenhum tipo de acessibilidade para idosos, deficientes visuais e cadeirantes. São poucas linhas e em algumas só há dois ônibus, fatos que acaba submetendo a população a intermináveis horas de espera.

Rayça Andrade, militante da UJR e diretora da Ames-Teresina

Movimento Olga Benário é organizado em Patos

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Com a participação de estudantes, sem-teto, professoras e, enfim, de mulheres em busca de uma sociedade de igualdade de direitos, foi organizado na cidade paraibana de Patos, o Movimento de Mulheres Olga Benário. O movimento já existe em diversos Estados do Brasil e no ano passado enviou representantes à Conferência Mundial de Mulheres de Base, em Caracas, onde foram definidas estratégias para o avanço da organização das mulheres.

Os dados da discriminação e violência contra as mulheres são alarmantes. Estima-se que, no Brasil, a cada dois minutos cinco mulheres são agredidas e que seis em cada 10 brasileiros conhecem alguma mulher que foi vítima de violência doméstica. As mulheres buscam se organizar não só para enfrentar a violência, como também para lutar contra a falta de espaço em setores da sociedade que as discrimina – principalmente as mulheres pobres.

A homenagem a Olga Benário na criação do Movimento de Mulheres constitui mais uma a oportunidade de a sociedade conhecer essa notável revolucionária – em todos os sentidos da palavra. Olga Benário Prestes foi uma jovem militante comunista alemã, de origem judaica, deportada para a Alemanha durante o governo de Getúlio Vargas, sendo lá executada pelo regime nazista, numa câmara de gás de um campo de concentração. Sua história é narrada no célebre livro Olga, de Fernando Morais, que originou o filme de nome idêntico, lançado em 2004.

Gerluzia Vieira

Prefeitura de Diadema promete desapropriação após carnaval

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O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas, presente desde 2008 na cidade de Diadema, São Paulo, tem travado importantes batalhas e, hoje, organiza cerca de 500 famílias em núcleos que se reúnem semanalmente, debatendo e discutindo não somente o problema da falta de moradia, mas também da saúde, da educação e do transporte.

Importantes vitórias foram alcançadas por meio da luta popular desde a ocupação Lucineia Xavier, em novembro de 2010. Foram oito dias de ocupação debaixo de lona, enfrentando chuva, sol e a repressão da polícia, que cercava a ocupação e impedia até a entrada de água e leite para as crianças. Mas a determinação do povo conseguiu arrancar da Prefeitura o compromisso da destinação de uma área para a construção de moradias para as famílias organizadas pelo Movimento.

No ano passado, em junho, foi assinado o decreto de utilidade pública desta área e, diante de muita pressão, no segundo semestre conseguimos aprovar na Câmara de Vereadores da cidade a mudança no zoneamento, transformando a área em Área Especial de Interesse Social (Aeis).

Mas como nada vem fácil para o povo trabalhador na sociedade capitalista, até hoje a desapropriação não ocorreu. Temos o terreno, que é uma área abandonada há anos sem cumprir a sua função social; temos os recursos para a desapropriação – avaliada em cerca de 1 milhão de reais – que já foram aprovados pelo Fundo Municipal de Apoio à Habitação de Interesse Social (Fumapis), mas ainda assim a desapropriação não acontece.

Em reunião no dia 25 de janeiro deste ano, com a presença de quase 30 lideranças do Movimento, o secretário de Habitação, Milton Nakamura, e o secretário de Assuntos Jurídicos da Prefeitura, Airton Germano, afirmaram que no dia 22 de fevereiro a prefeitura dará definitivamente entrada na reintegração de posse judicial da área, no fórum da cidade, e, segundo Germano, em 45 dias teremos a imissão da posse do terreno.

A experiência da classe trabalhadora, acumulada com muitos anos de resistência e luta, nos mostra que não podemos ficar esperando passivamente por nossos direitos. Por isso, o MLB convocou uma Assembleia-Geral para dia 11 de fevereiro, na Escola Municipal Fabíola de Lima Goyano, no Jardim Inamar, em Diadema, pois sabemos que só com muita organização e força vamos garantir a desapropriação. Estamos preparando também o bloco de Carnaval Eu não tenho onde morar para cobrar a morosidade no cumprimento das promessas da prefeitura.

Redação São Paulo

Prefeitura e empresários aumentam passagem em Belo Horizonte

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No penúltimo dia do ano passado, a população de Belo Horizonte foi surpreendida por mais um aumento abusivo das passagens no transporte coletivo na Capital e Região Metropolitana. O reajuste pegou toda a população de surpresa, pois neste período ocorrem as festividades de fim de ano. O preço das passagens subiu de R$ 2,45 para R$ 2,65.

Em decorrência disso, a Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas da Grande Belo Horizonte (Ames) convocou diversas entidades do movimento social e sindical e organizou manifestação, no dia 19 de janeiro, nas ruas centrais de Belo Horizonte para protestar contra o aumento abusivo das passagens, em defesa do meio-passe para todos os estudantes e pela estatização e melhoria na qualidade do transporte coletivo.

O ato reuniu mais de duzentas pessoas, a maioria de estudantes, que se concentraram na Praça Sete, denunciando a política do prefeito Márcio Lacerda (PSB). Foram realizados trancaços na Avenida Afonso Pena e a Rua da Bahia, em frente ao prédio da PBH (Prefeitura), depois os manifestantes retornaram à Praça Sete e fecharam as avenidas Afonso Pena e Amazonas.

Mais uma vez, estudantes unidos aos trabalhadores mostraram sua força e realizaram um grande protesto. Segundo Lincoln Emanuel, diretor da Ames, “essa foi a primeira manifestação de muitas que serão realizadas em 2012 para combater esse aumento e garantir a ampliação do direito do meio-passe estudantil para todos os estudantes”.

Em Belo Horizonte, cerca de cinco famílias controlam todas as empresas de transporte da cidade e chegam a lucrar mais de cinco milhões por dia por um serviço de péssima qualidade, com ônibus desconfortáveis, lotados e atrasos constantes.

Tudo isso só demonstra que não existe nenhum compromisso das empresas de ônibus em prestar um serviço de qualidade para os usuários. O único objetivo é o lucro!

Nesses momentos, também fica claro que vereadores e Prefeitura são os maiores cúmplices da máfia dos transportes na cidade, sendo que muitos são financiados por esses mesmos empresários. Essa combinação de políticos corruptos e empresários é também responsável pela não expansão do sistema de Metrô, impedindo a implantação de alternativas para desafogar o caos do transporte em BH.

Gladson Reis, Presidente da AMES-BH

PM de Pernambuco ressuscita Ditadura

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O lucro acima de tudo. Esse foi o motivo que levou os empresários do transporte coletivo em Pernambuco a aumentar o valor das tarifas de ônibus no dia 20 de janeiro. Em resposta, no mesmo dia, cerca de 400 estudantes organizados por diversas entidades estudantis como a Uespe, DCEs da UFPE, UFRPE e Unicap, além da Federação Nacional dos Estudantes de Escolas Técnicas (Fenet), além da União da Juventude Rebelião (UJR), fizeram uma manifestação contra o aumento durante a reunião do Grande Recife Consórcio Metropolitano de Transportes, realizada a portas fechadas sob a proteção da Polícia Militar de Pernambuco.

A manifestação começou pela manhã com concentração em frente  ao Ginásio Pernambucano, seguindo em passeata pelas principais avenidas do Centro do Recife, denunciando a proposta de 17,2% feita pelos tubarões do transporte.

A repressão por parte da Polícia Militar e do Batalhão de Choque foi, mais uma vez, selvagem, e fez a população recifense recordar os tempos da Ditadura Militar. A manifestação foi alvo de balas de borracha, bombas de gás e spray de pimenta, além de muita pancada. Estudantes foram feridos, outros presos e até uma trabalhadora que demonstrou apoio à passeata foi detida.

No início da tarde, ainda não satisfeitos com diversos presos e feridos, a Polícia deu início a  uma perseguição aos estudantes pelo Centro da cidade até chegar a Faculdade de Direito da UFPE, onde se reorganizavam todos os manifestantes que foram cercados e impedidos de sair pelo Batalhão de Choque, que continuou disparando bombas de gás e balas de borrachas contra os estudantes que ali estavam na esperança de que se protegiam.

Tais ações só fazem crescer a indignação da população diante de mais um ato de desrespeito e violência contra o povo. A comerciante Maria Elizete de Oliveira, 49 anos, que assistiu à violência fascista da PM declarou: “É um absurdo o comportamento da Polícia. Eles parecem que estão em uma guerra. Os estudantes estão numa passeata organizada, pacífica, desarmados, sem nada, e a Polícia chega dando tiro, como se eles fossem bandidos. Se a passagem aumentou, e isso prejudica todo mundo, eles têm o direito de se manifestar, e a Polícia tem que respeitar”.

Após várias manifestações, os estudantes impediram o reajuste de 17,5% pretendido pelos empresários, embora a passagem tenha sido reajustada em 6,5%. Agora, a luta continua contra a repressão, pela estatização do transporte público e pelo congelamento das passagens.

Jailson Davi Nunes, militante da UJR

Ensino técnico: sonho x mercado

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O governo do estado de Pernambuco tem realizado uma intensa campanha de propaganda de seus feitos no cenário social e econômico: as empresas instaladas em Suape, o Estaleiro Atlântico Sul, as obras da Copa, o anúncio de um novo estaleiro na zona da mata norte, instalação de novas empresas, etc. Para acompanhar o ritmo de desenvolvimento e com o discurso de valorizar o trabalhador pernambucano qualificando a mão de obra, o governo inaugurou várias escolas técnicas estaduais no Estado.

 Mas o que era uma reivindicação antiga dos estudantes pernambucanos, a abertura de várias outras escolas técnicas, e que graças à suas lutas conquistaram a manutenção de uma das mais tradicionais escolas técnicas estaduais, o Etepam, tem se transformado em alvo de mais uma preocupação, as escolas oferecem uma quantidade insignificante de cursos, além de pouquíssimas vagas.

Nos dias 22 e 23 de janeiro foram realizadas as provas de seleção das Escolas Técnicas Estaduais. Ao todo, se inscreveram aproximadamente 14 mil estudantes que disputaram apenas 5.445 vagas em todo o estado. A prova foi dividida em duas etapas: dia 22 para os cursos técnicos subsequentes e no dia 23, o técnico integrado.

Não é difícil perceber que centenas de estudantes vão ser excluídos do direito à formação profissional através de um curso técnico por falta de vagas. Diante disso, o que parecia ser um alento, transforma-se em mais uma decepção. Não bastasse terem que abrir mão de seus sonhos de formação profissional em nome das necessidades de mercado, sim, pois afinal tomemos como exemplo a Escola Técnica Estadual de Carpina, quem quiser alimentar o sonho de ter um curso de nível técnico e não puder arcar com os custos de deslocamento e manutenção fora da cidade para buscar outras opções de curso, tem que contentar-se com a oferta dos cursos de manutenção de computadores e comércio, e ainda tem que enfrentar uma injusta seleção por falta de vagas. O estudante Lourival Andrade, 16 anos, da Escola Dom Pedro Bandeira de Melo, que fez a prova, falou a A Verdade que estava sem muita expectativa de ser aprovado por causa  do número de concorrentes: “A disputa foi muito grande para poucas vagas oferecidas, mas tenho objetivo de entrar porque sempre quis fazer um curso técnico para ter um pouco mais de qualificação já que as escolas estaduais não são de qualidade e o técnico já é um pouco melhor. Se não passar vou ter que ter dinheiro pra fazer um curso privado”

Assim, muitos estudantes, mesmo sem ter condições financeiras para pagar um curso particular, quando não conseguem passar vão fazer um curso técnico ou superior privado, porque o nosso estado não oferece qualidade e quantidade.”.

Pauta permanente nas discussões das entidades estudantis, as reivindicações acerca da disponibilidade de vagas e da construção de novas escolas técnicas estaduais, que supram as necessidades dos estudantes e possibilitem o acesso à educação profissional, farão parte do debate do Encontro Pernambucano de Estudantes de Escolas Técnicas, que será promovido pela União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (Uespe) neste ano de 2012, na perspectiva de aprofundar o debate sobre as reivindicações estudantis e as demandas do mercado.

Jéssica Nathália, diretora da Uespe

A importância do Encontro latino-americano de sindicalistas

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Com a participação de centenas de trabalhadores e trabalhadoras revolucionários, realizou-se com grande êxito o VIII Encontro Latino-Americano e Caribenho de Sindicalistas (ELACS) na República Dominicana. O principal objetivo do Encontro foi debater as consequências da crise do capitalismo sobre os trabalhadores e a necessidade de fortalecer e consolidar a ideologia revolucionária nos trabalhos dirigidos por sindicatos classistas.

Nesse sentido, resoluções importantes foram elaboradas para edificar a luta dos trabalhadores diante de mais uma crise do capital com as suas demissões em massa e a retirada dos direitos conquistados pelos trabalhadores, como aposentadoria, férias e salários dignos. Essas mazelas ocasionadas por esse sistema econômico injusto, em que impera esse modo de produção que se caracteriza por uma produção coletiva, mas com a sua apropriação individual, permeia e toma conta desse debate internacional, no qual várias línguas se unem para lutar e mudar a situação dessa sociedade desigual.

A delegação brasileira presente ao encontro, representada por companheiros do PCR e do MLC, demonstrou de forma firme e camarada a linha política defendida e fomentada nos diversos campos de trabalho, como na área sindical.

Uma iniciativa importante foi a realização de uma reunião com as mulheres presentes para debater a situação das trabalhadoras na sociedade. As diversas formas de repressão num sistema econômico em que a maioria da força de trabalho é de mulheres, mas que recebe por parte do mercado um tratamento discriminatório e injusto, pois ganha apenas  metade do salário pago aos homens embora desempenhando a mesma função. Outras questões foram discutidas como o assédio moral e a pressão da sociedade para que as mulheres sintam culpa por deixar a sua casa e os filhos para ir à rua trabalhar – ou seja, a luta para recuperar a autoestima diante de tanta pressão e desvalorização da parte dessa sociedade mesquinha e exploradora.

Também participamos de forma coesa das resoluções finais que, entre outras coisas, reafirmaram a necessidade de defender e consolidar os nossos trabalhos sindicais, em conformidade com a linha marxista-leninista, como a única solução para os diversos problemas e adversidades por que passam os povos.

O retorno de uma viagem desse porte significa a renovação da alma, a ratificação da opção ideológica, a disposição de jogar a mesquinhez no lixo e o pensar para frente; essa intensa e constante luta pela libertação dos nossos corações e mentes; e a junção da nossa alma e dos nossos punhos na construção de um novo homem, para uma nova vida coletiva.

Denise Maia, Rio de Janeiro

Agentes de trânsito criam Sinatran

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Os agentes de trânsito dos municípios do Sertão paraibano fundaram no auditório do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Patos, o Sindicato Intermunicipal dos Agentes de Trânsito da Paraíba – Sinatran. Com o sindicato, profissionais ligados às superintendências de trânsito e transporte público dos municípios terão maior representatividade nas suas lutas por melhores condições de serviço e salários.

O Sinatran vai representar em média 40 cidades localizadas no Sertão da Paraíba. Seu primeiro desafio será lutar para que as várias cidades que já têm condições de ter agentes de trânsito comecem a fazer operar essa categoria e suas respectivas superintendências ou mesmo secretarias ligadas ao trânsito. Cidades como Piancó – em que o trânsito já foi municipalizado, mas não tem agente de trânsito – Itaporanga, Conceição e várias outras ainda não têm seu trânsito municipalizado. A municipalização traria benefícios ao trânsito, além de recursos para esses municípios.

Antônio Coelho foi escolhido por unanimidade, pela assembléia, para representar a categoria através do Sinatran. Ele foi um dos pioneiros na organização da categoria em Patos e ganhou destaque nacional pela luta em prol do reconhecimento  constitucional da categoria como profissão na Constituição Federal, através da PEC 55, de autoria do deputado federal Hugo Mota. Coelho também era o presidente da Associação de Lutas Trabalhistas dos Agentes Municipais de Trânsito de Patos – Altrans. Para vice-presidente foi eleito Adriano Fernandes, agente de trânsito da cidade de Pombal. “Somos uma categoria pequena, porém temos muita importância diante do crescimento do trânsito por todo o país”, disse Antônio Coelho à reportagem de A Verdade.

Jozivan Antero (Patos-PB)

CPTM: transporte de risco

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No dia 27 de novembro do ano passado, entre as estações do Brás e Tatuapé, três trabalhadores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foram atropelados por uma composição. No dia seguinte, mais dois funcionários da mesma companhia foram também atropelados, no trecho entre as estações Júlio Prestes e Itapevi. Todos estes profissionais habilitados a trabalhar na ferrovia morreram. Segundo declarações da empresa, os funcionários “descumpriram normas de segurança”.

A Lei, no entanto, é clara sobre as obrigações do empregador, para que não ocorram casos como esses. Cumprir e fazer cumprir as disposições legais e regulamentares sobre segurança e medicina do trabalho, elaborar ordens de serviço sobre segurança e saúde no trabalho, informar aos trabalhadores os riscos profissionais que possam se originar nos locais de trabalho, todos estes procedimentos são deveres das empresas, que parecem não terem sido cumpridos neste caso recente da CPTM.

Agora as perguntas que ficam são: a empresa fiscalizou adequadamente as ações realizadas por esses trabalhadores? Disponibilizou equipamento de segurança para a equipe de trabalho? O número de funcionários escalados para essas funções era suficiente? Todo o sistema de trens foi notificado das ações em andamento?

Em setembro de2011, aCPTM assinou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), imposto pelo Ministério Público do Trabalho, para cumprir a Portaria nº 3.214/78 do Ministério do Trabalho e Emprego. Esse termo trata do Serviço Especializado de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT). Nesse mesmo termo, a empresa se comprometia a inspecionar pontos de trabalho por técnicos e engenheiros de Segurança do Trabalho. Se isso estivesse sendo cumprido pela CPTM, provavelmente os acidentes, e consequentemente as mortes dos cinco trabalhadores, não teriam ocorrido. O termo deixa explícito que a empresa deveria tomar providências que neutralizassem fatores imediatos e remotos causadores de acidentes do trabalho.

Segundo o sindicato, o acidente decorreu de um erro grave da empresa. Um trabalhador só coloca em risco sua vida quando há pressão sobre as condições de trabalho. Para o sindicato, há um procedimento que diz quantos trabalhadores devem fazer qualquer tipo de operação na via, e no caso, faltaram dois ou mais trabalhadores para sinalizar ao maquinista e aos próprios funcionários que estavam na via.

Assim é possível concluir que a real causa dos acidentes que causaram a morte dos cinco trabalhadores foi a falta de funcionários para sinalização na via e não o alegado descumprimento das normas de segurança do trabalho por parte dos funcionários.

Construção civil

No último dia 12 de janeiro, outro trabalhador morreu e 11 ficaram feridos, em decorrência de acidente de trabalho, em obra para construção da Fábrica de Cultura da Brasilândia, realizada pela Construtora Ubirajara, para a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.

Neste caso, parte da laje de 27 m de altura e 300 m² de superfície desabou sobre os trabalhadores, que caíram 5 metros até a laje do andar inferior. O acidente feriu 12 e matou o operário Nivaldo Rodrigues da Silva, 38 anos, que há 18 anos trabalhava na empresa, e que foi atingido por escombros.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), dos 355 mil acidentes mortais de trabalho que acontecem todo ano no mundo, 60 mil ocorrem em obras de construção. Isso ocorre porque, no referido setor, normalmente os serviços são contratados por subempreitada (na qual é contratada uma empresa especializada), que tem como característica o alto índice de rotatividade de trabalhadores, a baixa qualificação de mão de obra, devido à ausência de treinamentos adequados, e as péssimas condições de trabalho, o curto tempo para conclusão das obras e o número insuficiente de trabalhadores.

No dia 27 de janeiro, novo acidente: um choque entre dois trens no trecho da Linha 8 – Diamante, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), deixou sete pessoas feridas. Como em tantos outros casos, a empregadora não assume sua responsabilidade quando da ocorrência de  acidentes, jogando toda a responsabilidade nas costas dos trabalhadores.

A verdade é que a falta de funcionários, as terceirizações de algumas áreas como a segurança e as inúmeras tentativas de privatização, tudo isso são indicativos da ganância dos patrões na busca por lucro a qualquer preço, o que coloca os trabalhadores em situação cada vez mais vulnerável.

Estes casos mostram o que já sabemos: no sistema capitalista é exigido o máximo da classe trabalhadora, não importando os riscos que possa haver para a vida desses trabalhadores. A CPTM, que é administrada pelo Governo do Estado de São Paulo, tem, sim, culpa nesses acidentes, e não pode se eximir dessa responsabilidade. Tanto a empresa quanto o Estado de São Paulo devem explicações aos familiares desses trabalhadores, que merecem o nosso respeito e a nossa solidariedade.

Raquel Oliveira Brito e Valdemar de Oliveira, São Paulo

O tráfico de drogas é uma empresa capitalista

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O nome da droga é crack. Produzida com os restos da pasta-base da cocaína (derivada da folha da coca) adicionada ao bicarbonato de sódio além de uma série de outros elementos químicos, o crack é levado ao forno e se transforma em uma pedra que torna viciadas entre 60% e 80% das pessoas que a fumam. No Brasil de hoje, o crack e suas cracolândias são a expressão concreta de um país marcado por profundas injustiças sociais.

Foi-se o tempo em que o crack era um problema restrito aos grandes centros urbanos. O número de viciados cresce em todo o País desde o início deste século. O que não cresce, no entanto, é o número de centros de tratamento e recuperação para viciados, que não contam com investimentos do poder público. Hoje, não passam de 400 as vagas para internação de dependentes em todo o Estado de São Paulo e é uma única a clínica do Serviço de Atenção Integral ao Dependente – Said.

A produção e a venda do crack, assim como a de qualquer droga lícita ou ílicita, têm por objetivo o lucro. O vício do crack não é transmitido pelo ar, como nas epidemias, mas é vendido e estimulado por indivíduos que lucram milhões com esse negócio de escala internacional. O tráfico é, portanto, uma empresa capitalista.

Não por acaso, foi exatamente no coração do capitalismo mundial, os EUA, que o crack nasceu. No início da década de 80, o tráfico resolveu vender uma droga mais pesada para os mais pobres, já que a cocaína era considerada uma droga cara, restrita aos ricos. A distribuição de drogas altamente viciantes e destruidoras da consciência e da saúde nas periferias cumpre o duplo objetivo de amortecer as classes populares e de movimentar o mercado e o lucro com a droga.

Desde o início de janeiro, o governo de São Paulo, do PSDB, vem adotando a repressão aos usuários como forma de combater as drogas.  No dia 3 de janeiro foi desatada uma operação baseada em uma doutrina denominada dor e sofrimento que, nas palavras do governador, acabará com a cracolândia em São Paulo.

O próprio governador admitiu que a cracolândia paulistana chega a reunir mais de 1.000 dependentes por dia nas ruas do Centro de São Paulo. A atitude de reprimir com violência os usuários, passando a impressão de que o governo está fazendo alguma coisa, não passa de um objetivo midiático em pleno ano eleitoral.

A busca do lucro privado dos traficantes, aliada à falta de perspectivas do povo, é o motivo que faz o mercado da droga sempre crescer em lucratividade e extensão em quase todos os países capitalistas do mundo, apesar de todo o discurso de guerra às drogas.

No momento atual, é necessária uma política de investimentos em saúde pública e redução de danos que aponte um caminho de saída para os dependentes. O governo do PSDB, no entanto, só entende de polícia, repressão, bombas e cassetetes, como provaram as ações na USP, na comunidade do Pinheirinho e no Centro de São Paulo. Já os verdadeiros financiadores da droga e traficantes internacionais, vestindo terno e gravata e frequentando os palácios, seguem impunes.

Redação São Paulo