UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 3 de abril de 2026
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Basta de feminicídio! Gabriela Mariel vive!

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Por que eu não posso ver a minha mãe? Eu quero me despedir da minha mãe”, essas foram as últimas palavras de uma filha para sua mãe prestes a ser enterrada.

Movimento de Mulheres Olga Benario


MULHERES| No dia 2 de junho, Gabriela Mariel Silvério, 33 anos, uma das principais lideranças do Movimento de Mulheres Olga Benario e militante da Unidade Popular pelo Socialismo (UP), foi vítima de feminicídio, brutalmente assassinada por seu marido na cidade de Mauá, na região do ABC Paulista, no estado de São Paulo.

Mãe solo, trabalhadora da escala 6×1 no shopping de São Caetano, outra cidade da região do ABC e PCD. Gabi deixou sua filha de 9 anos, também Pessoa Com Deficiência.

O crime aconteceu na manhã de segunda-feira (02) e foi notificado somente na terça-feira, durante a tarde. Então, no dia 03 de junho, uma parte da militância se reuniu e foi aprovado com unanimidade uma manifestação cobrando justiça por Gabriela às 05 horas da manhã do dia seguinte (04) em frente à estação de trem, região central da cidade.

Ato por Justiça para Gabriela Mariel (Foto: JAV/SP)

A manifestação contou com a participação de mais de 160 pessoas em um ato simbólico com falas emocionantes, intervenções culturais e velas espalhadas pelo local. Inúmeras trabalhadoras e trabalhadores que passaram por ali se solidarizaram, das quais algumas relataram ser amigas e conhecidas de Gabriela. Em seguida, o ato percorreu uma caminhada até o Cemitério Municipal Santa Lídia, onde ocorreu o velório e o sepultamento com caixão lacrado, com o final marcado pelo grito aguerrido de seus camaradas: “GABRIELA MARIEL PRESENTE AGORA E SEMPRE!”.

Por que eu não posso ver a minha mãe? Eu quero me despedir da minha mãe”, essas foram as últimas palavras de uma filha para sua mãe prestes a ser enterrada. Ela tem, entretanto, a memória de uma Gabriela forte e guerreira, que nunca desistiu de lutar, mesmo em meio a uma realidade cruel imposta por este sistema, onde as mulheres desde novas são obrigadas a cuidar da casa e assumir grandes responsabilidades como o cuidado das crianças e dos idosos, e, que há 6 meses, tomou a decisão de não mais individualizar sua luta diária, mas dedicar sua vida para destruir o capitalismo e construir uma nova sociedade, a sociedade socialista:

As mulheres, elas são as mais afetadas pelo capitalismo e pelas suas contradições, né, as mulheres são as que mais sofrem com locomoção… E com uma revolução socialista as mulheres têm um papel fundamental, começam a participar devidamente da sociedade, não sendo menosprezada dentro da sociedade. A gente tem uma equivalência dentro da sociedade com os homens e nós temos os nossos direitos garantidos dentro de uma sociedade socialista” relatou Gabi em uma entrevista dada no dia 22 de Março de 2025, durante o ato do 8 de Março na região do ABC.

Gabriela foi coordenadora da Ocupação da Mulher Operária Alceri Maria Gomes da Silva em São Caetano (SP) e esteve na linha de frente na luta pela Delegacia da Mulher 24 horas em Mauá, pelos serviços de atendimento às vítimas de violências e pelo direito das mulheres e das crianças.

Esse foi o 6° feminicídio notificado na região do ABC Paulista apenas no primeiro semestre de 2025 – 50% a mais do que em comparação com o ano inteiro de 2024. O que matou Gabriela Mariel foi a violência doméstica, mas principalmente a violência e a ausência do Estado, que tantas vezes se omite frente a realidade brutal que vivem as mulheres trabalhadoras.

Segundo o IBGE, no Brasil 1 em cada 5 pessoas moram de aluguel. Gabriela era uma das pessoas da lista para ser beneficiada no programa Minha Casa, Minha Vida Entidades, que foi conquistado pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas através das ocupações Manoel Aleixo e Antônio Conselheiro, realizadas na cidade.

Acontece que durante o período em que Gabi se inseriu na luta até o seu assassinato, foi impedida de acessar sua moradia conquistada, graças a burocratização do Governo Federal e da prefeitura com o processo de documentação para viabilizar a construção das casas, mais um fator que poderia ter impedido este assassinato.

Ato por Justiça por Gabriela Mariel é recebido na porta da prefeitura com GCM, ROMU e ROTAM. (Foto: JAV/SP)

Na sexta-feira (06), dando continuidade ao calendário de lutas, foi realizado um grande ato partindo da estação de trem rumo ao teatro da cidade de Mauá, localizado ao lado da prefeitura, onde mais cedo 5 companheiras, ao cobrar respostas do então prefeito Marcelo Oliveira (PT), foram recebidas com repressão da Guarda Civil Municipal na prefeitura que possui os escritos “A Casa do Povo”.

No teatro acontecia o evento “Plano Plurianual Participativo”, que em teoria deveria envolver a participação da sociedade na definição de prioridades e diretrizes do governo para um período de quatro anos. Na prática, os portões do teatro estavam fechados com cadeado e à sua frente haviam inúmeras viaturas da GCM e da Romu na tentativa de amedrontar as mulheres e impedir que os manifestantes acessassem ao teatro para falar com o prefeito.

No sábado (07), dia de Brigada Nacional do Jornal A Verdade, o clima de lutas garantiu uma banquinha na estação de trem de Mauá com a venda de 110 jornais, sendo 10 a mais que a meta, em homenagem à companheira Gabriela. “Gabi se destacava como brigadista do Jornal A Verdade, sempre que pegava um uber, esperava o ônibus, apresentava as ideias do Jornal e sempre vendia. Ela não tinha defensivas e falava com o povo sobre o socialismo sempre!”, afirma Maria Clara, coordenadora do Olga em Mauá e também companheira de luta da Gabriela.

Todo o conjunto da militância se encontra em profundo luto e tristeza. Gabriela Mariel foi vítima desse sistema capitalista, em que milhões de mulheres trabalham numa escala de trabalho desumana para receber salários miseráveis que não permitem pagar o aluguel, se alimentar, sustentar suas filhas e filhos e por isso, precisam morar com seus agressores para dividir as contas.

Apesar disso, no último domingo, realizaram uma assembleia com toda a militância do Olga e da UP para debater os próximos passos da luta. O clima é de combatividade e muita disposição para encontrar mais mulheres e travar uma luta ainda mais consequente, para que cada vez mais se avance rumo à destruição do capitalismo, essa sociedade que não permite que as mulheres vivam. Estar viva e passando fome; desempregada; morando ao lado de esgoto a céu aberto; vendo seus filhos serem assassinados pela polícia; sofrendo violência doméstica; tendo medo de ficar sem casa a cada gota que cai do céu, não é viver, é sobreviver.

Assim, o Movimento de Mulheres Olga Benario no estado de São Paulo lançou a campanha “Basta de feminicídio! Nenhuma a Menos! Justiça por Gabriela Mariel!” para que cada núcleo organize atos denunciando os casos de feminicídio nas regiões do estado e chame mais mulheres para a luta pelo fim dos feminicídios e pelo socialismo.

Para que as mulheres e crianças possam viver com dignidade, com educação, livre da violência e da exploração: somente na sociedade socialista! Gabriela sabia disso e agora, fruto de sua luta e memória, muitas mais saberão!

O Movimento de Mulheres Olga Benario, a Unidade Popular pelo Socialismo, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas e o Partido Comunista Revolucionário se despedem de Gabriela em vida, mas dando a certeza de que suas ideias e pensamentos jamais morrerão e de que sua luta terá como consequência final uma grande revolução que colocará a classe trabalhadora no poder deste país e futuramente de todo o mundo!

VIVA A LUTA DAS MULHERES COMUNISTAS!
GABRIELA MARIEL PRESENTE AGORA E SEMPRE!

Em mais um crime de guerra, Israel sequestra barco com ajuda humanitária para Gaza

Voluntários da embarcação Madleen, da Flotilha da Liberdade, são sequestrados por Israel por tentar levar ajuda humanitária a Gaza.  

Redação 


INTERNACIONAL – No último domingo (8), o exército israelense sequestrou o barco Madleen, embarcação da Coalizão Flotilha de Liberdade, que busca criar um corredor marítimo de ajuda humanitária em Gaza e romper o cerco. A bordo deste navio estavam 12 civis de diferentes nações, entre eles a parlamentar franco-palestina Rima Hassan, o brasileiro Thiago Ávila e a militante sueca Greta Thumberg. Com eles, levavam remédios, leite, comida e outros suprimentos. Há 80 dias israel impede a entrada de comida e ajuda humanitária em Gaza.

“Eu instrui o exército para que impeça a chegada do ‘Madleen’ a Gaza. À Greta [Thunberg], a antisemita, e aos seus companheiros porta vozes do Hamas, digo claramente: voltem, pois não chegarão à Gaza”, disse ministro da defesa de israel em nota oficial. Na manhã de domingo, os militares nazi-sionistas preparavam um novo crime de guerra. 

“Acabamos de receber algumas notícias muito estranhas. De acordo com nosso rastreador, nós não estamos mais a 162 milhas náuticas de Gaza, que é onde estamos, mas no aeroporto da Jordânia. Nós sabemos o que isso significa. Quando eles começam a bloquear a nossa comunicação, quando eles começam a mexer como nossos dispositivos, isso significa que eles estão se preparando para uma interceptação”, relatou Thiago Ávila em publicação nas redes digitais. 

Na mesma noite, soldados do exército invadiram a embarcação e a conexão com os ativistas foi perdida. Logo após, o governo sionista noticiou que havia prendido os voluntários.

Em nota, a Federação Árabe Palestina do Brasil também de manifestou repudiando o ataque aos voluntários e denunciando a Solução Final imposta por Israel aos palestinos. (Confira a nota completa no fim da reportagem). 

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil se manifestou nessa segunda, e de  limitou a afirmar que “acompanha com atenção” o sequestro dos voluntários e a pedir para que Israel os liberte.

Genocídio gera lucros para a burguesia

O genocídio em Gaza ultrapassa os 600 dias, e já alcança a faixa dos 54 mil palestinos assassinados pelo estado sionista de israel. Em comunicado oficial sobre a interceptação do Madleen, israel afirma que a organização “Fundação Humanitária de Gaza” realizou a distribuição de suprimentos com mais de 1200 caminhões. O que Netanyahu cruelmente esconde é que esta é uma organização fantasma, utilizada pelo exército como armadilha para assassinar seres humanos famintos em busca de comida. 

Tamanha crueldade é reflexo dos interesses daqueles à quem se beneficiam dessa carnificina: a burguesia. A classe burguesa no mundo lucra bilhões através da indústria de guerra (fabricação e venda de armas, bombas, tanques etc.), sobretudo a burguesia estadunidense, que financia diretamente o genocídio ao povo palestino. Anualmente, o Governo dos EUA financia armas para Israel no equivalente a 3,8 bilhões de dólares. Para a classe burguesa, não importa quem seja assassinado, desde que continuem a ser os donos do capital. A burguesia vê em cada palestino que resiste ao genocídio uma oportunidade de aumentar seus cifrões. 

NOTA DA FEDERAÇÃO ÁRABE PALESTINA DO BRASIL 

Ataque à Flotilha da Liberdade é parte da solução final de “israel” na Palestina

O regime sionista de “israel”, forma social e estatal degenerada que supera até mesmo o nazismo, que se faz enquanto experimento social genocida na Palestina há 77 anos e que leva a cabo o maior extermínio humano da história em Gaza, em 611 dias ininterruptos e televisionados, acaba de atacar com violência a Flotilha da Liberdade, integrada por 11 tripulantes, dentre eles a ativista Greta Thunberg, o brasileiro Thiago Ávila e a parlamentar palestino-francesa Rima Hassan, cuja missão era furar o bloqueio “israelense” e entregar comida e medicamentos à população palestina, submetida à fome como arma de guerra na pretendia solução final perseguida pelo sionismo e seus aliados ocidentais. 

O Medleen é uma embarcação que não leva armas ou militares; leva apenas ajuda humanitária, a que “israel” e seu dono, os EUA, negam aos palestinos desde o início do extermínio em Gaza, em 7 de outubro de 2023. Se os ativistas não representam nenhum perigo militar ou de “segurança”, por que atacá-los com tamanha violência? Por que impedir que cheguem às costas de Gaza?

A resposta é simples: porque a ajuda humanitária não pode chegar aos civis de Gaza, às mulheres, crianças, anciãos, presos neste campo de concentração para serem exterminados, o objetivo final de “israel”, agora abertamente confessado por seus dirigentes e pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Além disso, “israel” não pode permitir que estes ativistas testemunhem a solução final em curso em Gaza e a informem ao mundo, in loco e ao vivo. A razão é a mesma da maior matança de jornalistas da história (219 contra 69 na 2ª Guerra Mundial): esconder do mundo o extermínio sionista em Gaza.

Atacar os ativistas da Flotilha da Liberdade tem as mesmas motivações dos maiores assassinatos da história de profissionais de saúde (1.411), de funcionários da ONU (203), de profissionais da defesa civil (113), professores (800): tornar inabitável Gaza e levar à morte massiva do povo palestino que habita Gaza.

Foram essas ações que levaram à maior matança de crianças de todos os tempos (9.997 por milhão de habitantes, 3,55 vezes mais que no período nazista, quando foram mortas 2.813 por milhão de habitantes da Europa da 2ª Guerra). Tudo isso tem a ver com a busca da eliminação dos 2,3 milhões de habitantes palestinos de Gaza, integral limpeza étnica.

É evidente que a ajuda humanitária da Flotilha da Liberdade é fundamental, mas é menor frente ao que os ativistas estão mostrando ao mundo: “israel” não tolerará as ações de solidariedade que impeçam o extermínio do povo palestino. Se ainda faltavam, não há máscaras que possam esconder as reais intenções sionistas em Gaza.

Diante de mais esta ação criminosa de lesa-humanidade do regime degenerado de “israel”, este precisa finalmente ser isolado e penalizado, seja com sanções, boicote e desinvestimento, seja com bloqueio militar, inclusive implacável ataque bélico, que vise proteger o povo palestino do maior desastre humano da história. 

Se a humanidade parou a Alemanha nazista e destruiu seu regime, é nosso dever histórico parar o “israel” sionista e destruir seu regime. Termos feito isso fez bem à humanidade e ao povo alemão. Parar “israel” hoje trará segurança para a humanidade e salvará palestinos e israelenses da ideologia fascista sionista e de seu regime genocidário. 

Nossas mais irrestritas solidariedade e gratidão aos 11 ativistas da Flotilha da Liberdade. 

Por fim, o Brasil tem o dever legal, político, ético e moral de romper todas as relações com este regime análogo ao nazista que atende pelo nome fantasia “israel”, até que este pare o genocídio em Gaza e cumpra todos os ditames do Direito Internacional e das Resoluções da ONU para a Palestina. 

Palestina Livre a partir do Brasil, 8 de junho de 2025, 78° ano da Nakba.

Veja a nota no site da FEPAL neste link.

Grupo Meta censura página do Jornal A Verdade no Instagram

Grupo Meta baniu perfil com 100 mil seguidores do Jornal A Verdade no Instagram. Sem argumentos, afirma que “pode estar associada a outra que não seguiu nossas regras”.

Redação


JORNAL – Em mais um ataque à imprensa dos trabalhadores, o monopólio capitalista Meta, controlador do Instagram, tirou do ar a conta do Jornal A Verdade. O ataque à liberdade de imprensa ocorreu na tarde desta quinta-feira (05), com a suspensão da página, e foi consumado na manhã deste dia 06 com o anúncio do banimento.

A página do Jornal A Verdade no Instagram era uma das principais da imprensa independente e de esquerda no Brasil. Com 100 mil seguidores, o perfil reproduzia as matérias publicadas no jornal impresso, as notícias do site, além de material exclusivo de audiovisual.

Nossa página se destacou em coberturas de lutas importantes do povo trabalhador, como a tentativa de despejo da Favela do Moinho, em São Paulo, a luta contra as privatizações, as ocupações urbanas e contra a fome organizadas pelo MLB, as greves de várias categorias e a luta dos estudantes. Também somos uma voz ativa na denúncia contra o genocídio do povo palestino.

No fim, a decisão do monopólio imperialista Meta é um ataque à iberdade de imprensa e uma censura de todos esses conteúdos dos quais nosso Jornal é uma referência hoje.

Meta e big techs controlam todas as redes digitais no Brasil

Ao contrário do que os políticos fascistas e os donos das chamadas Big Techs dizem, a internet no capitalismo não é um espaço de liberdade de expressão. Na realidade, é um espaço de controle de informação, no qual quem defende o socialismo tem alcance reprimido, ao passo de que quem defende posições de direita ou fascistas tem alcance ampliado.

Isso se dá pelo fato de essas grandes empresas donas das redes digitais terem controle dos algoritmos que determinam quantas pessoas e em quais lugares vão ver uma determinada publicação. Para piorar, no caso do Instagram, a rede é controlada por uma empresa estadunidense que também é dona do WhatsApp e do Facebook, as três redes digitais mais acessadas no Brasil. Ou seja, os principais meios de comunicação digital do nosso país são controlados por um monopólio estrangeiro.

O banimento da página do Jornal A Verdade é mais um capítulo no ataque dessas companhias a quem defende a classe trabalhadora e um programa socialista na sociedade.

Apesar disto, nosso Jornal continua em movimento em todo país. Neste sábado, nossas brigadas nacionais levarão o Jornal a bairros, fábricas e transportes públicos de centenas de cidades pelo país.

A Verdade é o jornal independente que mais cresce no Brasil, ultrapassando a marca dos 40 mil exemplares por edição, e assim seguiremos com nossa linha política e editorial, como “um jornal dos trabalhadores na luta pelo socialismo”.

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Trabalhadores organizam ocupação de fábrica em Diadema para garantir seus direitos

Redação SP


Desde o início de 2025, trabalhadores da Movent, empresa metalúrgica localizada na cidade de Diadema (SP), realizam vigílias e acampamentos na porta da fábrica para impedir que os proprietários vendam o maquinário, que deveria ser leiloado para garantir o pagamento dos direitos trabalhistas após suas demissões.

Segundo relatos dos trabalhadores, no início de 2023, a empresa contava com cerca de 440 funcionários. Em abril daquele ano, a diretoria iniciou um processo de demissões em massa de metalúrgicos. Ainda em 2023, mais de 300 trabalhadores foram demitidos sem receber verbas rescisórias ou outros direitos trabalhistas.

Também em 2023, a empresa de autopeças entrou com um pedido de recuperação judicial e paralisou completamente suas atividades no início de 2025, deixando mais de 400 trabalhadores sem qualquer tipo de pagamento ou direito garantido.

Diante dessa situação, os trabalhadores decidiram ocupar a entrada da fábrica para impedir que os donos retirem o pouco maquinário que restou, com a esperança de que os equipamentos possam ser leiloados para quitar os débitos trabalhistas.

O Movimento Luta de Classes e o jornal A Verdade têm acompanhado a luta dos operários nas vigílias e conversado com os companheiros que permanecem diariamente na porta da empresa. Roberto, que trabalha há 20 anos na Movent, relatou: “Dediquei minha vida a essa empresa. Já tive que fazer duas cirurgias por doenças causadas pelo trabalho e, agora, somos tratados assim”. Ele continua: “Apesar da situação difícil, tenho certeza de que, se os trabalhadores se unirem, conseguiremos garantir nossos direitos”.

Outro trabalhador, com mais de 30 anos de casa, que preferiu não se identificar, afirmou: “Na minha opinião, a empresa deveria ser ocupada. Só existe direito para os ricos. O negócio é ocupar para, pelo menos, a gente ficar com as máquinas”.

Matéria publicada na edição 313 do Jornal A Verdade.

Ato do 1º de Maio impulsiona greve em fábrica de SC

Luiza Wolff | Joinville (SC)


TRABALHADOR UNIDO – No 1º de Maio deste ano, o Movimento Luta de Classes (MLC) e a Unidade Popular (UP) organizaram um ato político em frente à metalúrgica Tupy, em Joinville (SC). A empresa, além da unidade catarinense, possui fábricas em Mauá (SP) e em Coahuila, no México, contando com cerca de 13 mil trabalhadores.

Durante o ato, houve panfletagens e denúncias sobre a situação dos operários da fábrica, que enfrentam baixos salários, aumento no custo dos alimentos, alugueis altos e jornadas exaustivas. O protesto mobilizou trabalhadores de outras regiões do estado, resgatou a história de lutas do 1º de Maio e contou com o canto d’A Internacional, hino mundial da classe trabalhadora.

Apesar de ser feriado, os trabalhadores da Tupy teriam expediente normal. No entanto, impactados pela força do ato, pela experiência de luta apresentada e pela indignação com suas condições, os operários decidiram realizar uma paralisação e declararam estado de greve. As principais reivindicações são a valorização salarial e melhores condições de trabalho, em um momento em que a carestia dos alimentos e dos alugueis consome quase todo o salário de uma família trabalhadora.

A mobilização dos operários da Tupy é um exemplo para todo o país. Mostra que os trabalhadores estão, sim, dispostos a lutar, ao contrário do que afirmam setores dos movimentos sociais que abandonaram suas bases e culpam a classe pela falta de mobilização.

Só a luta da classe operária pode conquistar melhores salários, o fim das jornadas exaustivas e abrir caminho para uma nova sociedade, a sociedade socialista.

Todo apoio aos trabalhadores da Tupy!

Retomar o 1º de Maio classista e revolucionário

Enquanto as centrais sindicais se dedicam a fazer shows despolitizados, churrascos, sorteios de carros e afins, tentando frear a luta dos milhões de explorados no Brasil, o MLC apontou para que o Dia Internacional da Classe Trabalhadora fosse marcado como uma data de lutas e reivindicações.

Vanieverton Albuquerque | Coord. Nacional do MLC


TRABALHADOR UNIDO – O 1º de Maio é uma data histórica da classe trabalhadora, arrancada pelos heróis de Chicago assassinados pelo governo dos EUA, em 1886, numa greve pela redução da jornada de trabalho.

O Movimento Luta de Classes (MLC), a Unidade Popular (UP), o Partido Comunista Revolucionário (PCR), a União da Juventude Rebelião (UJR), o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), o Movimento de Mulheres Olga Benario e a Frente Negra Revolucionária (FNR) realizaram atos construindo um 1º de Maio combativo, classista e revolucionário.

Atos em todo país

De Norte a Sul do Brasil, trabalhadores, estudantes, mulheres, moradores dos bairros populares, ocuparam ruas para denunciar o injusto sistema capitalista e chamar a população para lutar pelo fim da escala 6×1, defendendo a imediata redução no preço dos alimentos e o aumento de 100% do salário mínimo. Ergueram bem alto a bandeira do socialismo, fazendo tremular o estandarte da libertação dos oprimidos e oprimidas.

Em Joinville (SC) (ver matéria abaixo), após ato realizado na manhã do dia 1º de maio, os operários metalúrgicos da Tupy decidiram entrar em estado de greve e reivindicar o fim da escala 6×1 e aumento real dos salários. No Rio de Janeiro e em São Paulo, centenas de lutadores e lutadoras ocuparam as ruas em passeata.

Em João Pessoa (PB), trabalhadores da limpeza urbana cruzaram os braços por horas, enquanto debatiam os rumos da sua campanha salarial. Em Recife (PE), ocuparam mercados públicos conclamando os trabalhadores a retomarem seu dia de luta contra os patrões e os governos de plantão que servem aos interesses dos ricos.

Também houve manifestações, panfletagens e agitação em mais de 40 cidades que denunciaram os crimes cometidos pela ditadura militar e os golpistas de ontem e de hoje. 

Agitação socialista

Enquanto as centrais sindicais se dedicam a fazer shows despolitizados, churrascos, sorteios de carros e afins, tentando frear a luta dos milhões de explorados no Brasil, o MLC apontou para que o Dia Internacional da Classe Trabalhadora fosse marcado como uma data de lutas e reivindicações. Em todos os atos, a militância priorizou a agitação socialista, defendendo a necessidade da superação deste sistema baseado na exploração da classe trabalhadora.

Assim tem sido em vários países do mundo, inclusive com enfrentamentos contra as forças de repressão policial. Aqui no Brasil, não nos deteremos enquanto não retomarmos o nosso 1º de Maio com atos por todas cidades, exigindo que toda a riqueza produzida pela classe operária seja usada para garantir o direito a uma vida justa, digna e feliz, que só será plenamente realizada na sociedade socialista.

Matéria publicada na edição 313 do Jornal A Verdade.

Privatização da Sabesp retira direitos dos trabalhadores e amplia regalias dos diretores

Privatização da Sabesp tem gerado ataques aos direitos dos trabalhadores e aos serviços prestados à população.

Mikael Marcondes e Redação SP


BRASIL – Em dezembro de 2023, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) a partir de uma violenta repressão política contra militantes dos movimentos sociais, sindicatos e partidos de esquerda que se manifestavam contrários. Na “Batalha da Alesp”, militantes da Unidade Popular (UP) foram presos, e a privatização da Sabesp foi aprovada em meio a bombas de gás lacrimogêneo, que transformaram o plenário em uma câmara de gás. Tudo isso porque um plebiscito popular reuniu quase 900 mil votos contrários à privatização e demonstrou que a população não concordava com a privatização.

Atualmente, a empresa está sob controle da Equatorial Energia, que busca maximizar lucros às custas da perda de direitos e do agravamento das condições de trabalho dos funcionários.

Desde então, a privatização tem gerado ataques aos direitos dos trabalhadores e aos serviços prestados à população. De um lado, os funcionários enfrentam o desgaste psicológico da instabilidade, sob o risco constante de demissão. Além disso, sofrem com a redução salarial, piora nos convênios médicos, aumento da jornada de trabalho e cortes no vale-refeição e no pagamento de horas-extras. Por outro lado, os moradores das periferias convivem com a falta d’água, mau cheiro da água e aumentos abusivos nas contas, sem qualquer explicação. A verdade é que a privatização significa lucros para os ricos e sofrimento para o povo.

Cortes de direitos

A Equatorial já demitiu mais de 500 trabalhadores com o mentiroso Plano de Demissão Voluntária (PDV) e mais outros 1.500 estão na fila da demissão. A empresa pressiona os trabalhadores ameaçando com novas demissões, e o clima é de insegurança diante de tanta instabilidade.

A nova gestão da Sabesp também ampliou a exploração dos trabalhadores e os privilégios da diretoria: o número de diretores aumentou de nove para onze, e seus salários saltaram de R$ 50 mil para R$ 200 mil mensais.

O convênio médico, que antes era igual para todos, agora é dividido por hierarquia: os altos cargos têm plano de elite, enquanto a base perdeu até o direito a quarto de internação e ainda paga parte do valor. O vale-refeição, que antes era pago a cada duas horas-extras, também mudou e será administrado por uma empresa aceita em menos lugares, e ainda foi imposto um teto de R$ 1.000 para o pagamento de valores atrasados, deixando os trabalhadores sem receber o que a empresa os deve. As medidas atingem ainda mais os trabalhadores operacionais, que fazem plantões, horas-extras e viajam prestando serviços. Com tantos ataques, muitos funcionários aderiram ao PDV e tentam se aposentar com menos do que o teto do INSS.

Além disso, há um clima de perseguição aos trabalhadores sindicalizados na empresa. Funcionários, que pediram para não serem identificados, falaram como nossa reportagem: “A gente se vê sem valor nenhum, independentemente de realizarmos um bom trabalho. A empresa impõe tudo que ela quer e, a cada dia que passa, temos menos motivação, a gente trabalha desanimado”. Outro funcionário denuncia a sobrecarga de trabalho: “Tenho muito mais serviço agora. O que fazíamos em quatro, agora somos dois”.

Greve pela reestatização

Muitos trabalhadores afirmam que hoje têm o sentimento de que mais poderia ter sido feito para barrar a privatização em 2024. “Se o sindicato tivesse convocado uma greve, haveria ampla adesão”, dizem. Mas a falta de confiança na base para construir a mobilização, que poderia derrotar os planos do governador fascista Tarcísio de Freitas, cobrou um preço alto: hoje, a Equatorial proíbe o sindicato de se reunir com os trabalhadores nos locais de trabalho, e as negociações são restritas à diretoria sindical, em reuniões fechadas com a empresa.

Em diversos países, a privatização da água e do saneamento levou ao aumento das tarifas, piora dos serviços, falta de transparência e retirada de direitos dos trabalhadores. Países como Alemanha, Estados Unidos e França têm reestatizado empresas do setor, diante do fracasso da gestão privada. Segundo o banco de dados “Futuro Público”, do Transnational Institute (TNI), desde o início dos anos 2000, 367 empresas do setor de água, esgoto e gestão hídrica foram reestatizadas.

A reestatização da Sabesp é uma luta central para garantir que a água, um recurso estratégico e fundamental à vida, esteja sob o controle do povo brasileiro. Para que isso aconteça, será necessário um movimento de pressão popular organizado, em articulação com as categorias profissionais envolvidas. Portanto, é de extrema importância fortalecermos o sindicato, disputarmos sua direção política e construirmos verdadeiras trincheiras de luta em cada base.

Somente com muita organização, setoriais fortes, delegados sindicais combativos e liberdade de crítica poderemos corrigir os erros e avançar. Só assim conseguiremos pautar a estabilidade dos contratos; o fim das terceirizações (com a regularização dos trabalhadores terceirizados); a valorização do plano de cargos e salários; entre outras pautas essenciais.

Construir a uma grande greve combativa é nossa tarefa maior para reverteremos a privatização da Sapesp!

Trabalhador, organize-se, crie núcleos do MLC com seus companheiros de trabalho e vamos às ruas em defesa de uma Sabesp pública e de qualidade!

Matéria publicada na edição 313 do Jornal A Verdade.

ViaMobilidade lucra cada vez mais, enquanto povo de SP sofre e morre

Desde a privatização de linhas do metrô de SP população enfrenta atrasos diários, ar-condicionado desligado, obras inacabadas e falhas frequentes.

Ana Clara e Sergio Henrique | São Paulo 


BRASIL – Desde 2018, com a privatização da Linha 5 – Lilás, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), o Governo de São Paulo intensificou a entrega do transporte público à iniciativa privada. Em 2021, as Linhas 8 – Diamante e 9 – Esmeralda também foram concedidas à empresa ViaMobilidade por um valor muito menor do que elas realmente valem.

A ViaMobilidade, do grupo CCR, também administra a futura Linha 17 – Ouro opera a Linha 4 – Amarela por meio da concessionária ViaQuatro. A empresa é um grande monopólio de infraestrutura, com concessões no Brasil e no mundo, incluindo rodovias e aeroportos. Com um patrimônio superior a R$ 7 bilhões, a CCR está ligada à empreiteira Camargo Corrêa, condenada por corrupção e crimes relacionados.

Desde a privatização, a população enfrenta atrasos diários, ar-condicionado desligado, obras inacabadas e falhas frequentes. A Linha 8, por exemplo, tem 14 vezes mais falhas do que todas as linhas operadas pela CPTM, e, até dezembro de 2024, as multas por irregularidades somavam mais de R$ 966 milhões. No entanto, o Governo do Estado abriu mão desse valor, permitindo que a empresa, em troca, realizasse obras sem prazo para conclusão. A realidade é que utilizar essas linhas são uma humilhação diária para a população.

Morte por descaso

Nas últimas semanas, o resultado das privatizações chegou a um ponto ainda mais absurdo, matando um trabalhador na Linha 5 – Lilás. Lourivaldo Nepomuceno, pai de três filhos e que faria 36 anos no dia 11 de maio, morreu tragicamente, no último dia 05, ao ficar preso entre a porta do trem e a plataforma. Este fato só aconteceu porque a concessionária, desde a privatização da linha, em 2018, não realizou os investimentos necessários para garantir a segurança dos passageiros e trabalhadores. Enquanto as estações administradas pelo Metrô São Paulo receberam a instalação de sensores de presença, a Linha 5, que deveria ter recebido a mesma atenção, foi negligenciada, sem qualquer atualização ou melhoria significativa.

No dia seguinte (06/05), manifestantes e movimentos sociais se reuniram na estação do Campo Limpo, onde a morte ocorreu, para denunciar as privatizações. “Quem é cidadão e morador aqui do Capão Redondo e do Campo Limpo não tem como não se indignar com uma situação como essa. O que aconteceu com esse rapaz, que tem família, que é um trabalhador, é um crime. Não pode passar impune”, cobrou Nilton, professor da rede municipal que passava pelo local.

A ViaMobilidade não investiu um centavo na manutenção da Linha 5 desde sua privatização, e a responsabilidade por essa morte é, portanto, da concessionária e de quem entregou a operação da linha a uma empresa privada que só visa ao lucro, e não à segurança e à integridade dos trabalhadores e passageiros.

Por isso, é hora de transformarmos a indignação em mobilização. Só a luta popular pode barrar esse projeto de destruição do transporte público. A reestatização das linhas de trem e metrô em São Paulo é uma necessidade urgente, não apenas uma bandeira.

Matéria publicada na edição 313 do Jornal A Verdade.

Crise orçamentária na educação expõe contradições do Governo Lula

A severa restrição orçamentária imposta às universidades contradiz frontalmente o discurso de valorização da educação que marcou a campanha e o início do terceiro mandato do presidente Lula.

Thaís Rachel Zacharia | Vice-presidente da UNE


EDUCAÇÃO – O ensino superior brasileiro vem enfrentando uma grave crise orçamentária ao longo dos últimos anos. Enquanto universidades suspenderam serviços essenciais e alertam para a impossibilidade de manter seu funcionamento já a partir deste mês de maio, o Governo Federal mantém generosos recursos para o agronegócio e prioriza o pagamento da dívida pública, revelando contradições em sua política econômica.

No dia 30 de abril de 2025, o Governo publicou o Decreto nº 12.448, que estabelece a programação orçamentária e financeira para o exercício de 2025. O documento se tornou o centro de uma crise nas instituições federais de ensino superior. O decreto limita drasticamente os recursos disponíveis para as universidades, permitindo o empenho de apenas 1/18 do valor previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA) até novembro deste ano. Na prática, isso representa um contingenciamento superior a 30% no orçamento das instituições federais.

Estado de Emergência

“No momento, não temos limite nenhum de orçamento para funcionar no mês de maio”, declarou a Pró-Reitoria de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças (PR-3) da UFRJ durante sessão do Conselho Universitário realizada no dia 8 de maio. A declaração ilustra a gravidade da situação enfrentada pela maior universidade federal do país.

A Administração Central da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) determinou, em nota oficial no último dia 7, a suspensão imediata, em caráter emergencial, de todas as despesas relacionadas a combustíveis, manutenção da frota veicular e aquisição de material de consumo. Apenas serviços considerados de extrema necessidade, como segurança, saúde e transporte interno dos estudantes, continuam autorizados.

Situação semelhante ocorre na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que enfrenta um corte de R$ 8 milhões em relação à estimativa inicial de R$ 170 milhões, que já era considerada insuficiente. Segundo o reitor Irineu Manoel de Souza, a universidade acumulou uma dívida de R$ 17 milhões no ano passado e precisou utilizar parte do orçamento de 2025 para quitá-la, agravando ainda mais a situação financeira da instituição.

O presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), reitor José Daniel Diniz Melo, alertou que “as universidades federais não conseguem fechar as contas já neste mês de maio”.

Já a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) contará com menos de 70% dos recursos necessários para funcionar em 2025. O orçamento caiu de R$ 143,1 milhões para R$ 74,6 milhões. A reitora Maria José de Sena alerta que a instituição está em colapso, com dívidas acumuladas e risco de interrupção total dos serviços essenciais até agosto. “Temos um orçamento que está aprovado, sancionado, mas esse orçamento não nos permite trabalhar na universidade até dezembro. Nos primeiros cinco meses deste ano, a gente já usou 41% dos recursos disponíveis para o ano inteiro. O que estamos preocupados é com o abandono orçamentário das universidades. O orçamento só cobre oito meses de despesas da UFRPE. E isso não vai mudar se o governo não mudar as suas prioridades”, declarou.

Prioridades do Governo

A severa restrição orçamentária imposta às universidades contradiz frontalmente o discurso de valorização da educação que marcou a campanha e o início do terceiro mandato do presidente Lula. A priorização do pagamento da dívida pública e dos investimentos no agronegócio, em detrimento das instituições federais de ensino, revela as verdadeiras prioridades da política econômica do governo.

Enquanto as universidades enfrentam um estrangulamento financeiro, o Governo Federal mantém e amplia investimentos bilionários no agronegócio. O Plano Safra 2024/2025 disponibilizou R$ 400 bilhões para a agricultura empresarial, um aumento de 10% em relação à safra anterior. Para o próximo ciclo, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) já solicitou R$ 594 bilhões em recursos financeiros para o Plano Safra 2025/26, um aumento de 24,64%.

Mais alarmante ainda é a comparação com os recursos destinados ao pagamento da dívida pública. Do orçamento total de R$ 5,7 trilhões para 2025, impressionantes 44,14% (equivalente a R$ 2,5 trilhões) serão destinados ao pagamento de juros e amortização da dívida pública. Este valor é 56% maior que o total combinado destinado à Educação, Saúde, Previdência Social e Bolsa Família, que somam R$ 1,6 trilhão. Especificamente para a educação pública, o orçamento prevê apenas R$226 bilhões, menos de 10% do valor destinado ao serviço da dívida.

Educação de qualidade

Sem uma reversão imediata do contingenciamento orçamentário, as universidades federais enfrentarão dificuldades crescentes para manter seu funcionamento ao longo de 2025. A situação é especialmente grave porque o contingenciamento atinge recursos destinados ao funcionamento básico das instituições, excluindo apenas a folha de pagamento. Isso significa que atividades essenciais de ensino, pesquisa e extensão estão diretamente ameaçadas.

A gestão econômica do Governo Lula tem privilegiado uma política fiscal de austeridade, buscando atender às expectativas do mercado financeiro em detrimento dos investimentos em áreas sociais essenciais, como a educação. O decreto de contingenciamento reflete uma diretriz de “adequar o ritmo de execução de despesas ao avanço do exercício e ciclo de avaliação e gestão fiscal do orçamento”, como justificado pelo próprio governo.

Esta orientação, que coloca o ajuste fiscal e o pagamento da dívida como prioridades absolutas, compromete não apenas o presente das instituições federais de ensino superior, mas também seu futuro e sua capacidade de contribuir para o desenvolvimento científico, tecnológico e social do país.

Diante desse cenário, a mobilização do setor da educação tem sido indispensável. Estudantes e trabalhadores têm se organizado em atos nacionais para denunciar os cortes e exigir recomposição orçamentária. Essas manifestações precisam seguir ocupando as ruas em todo o país denunciando o risco de desmonte das universidades públicas e a importância de defender o ensino superior gratuito e de qualidade.

Sem orçamento, não há educação de qualidade! Somente a mobilização coletiva pode garantir que a educação volte a ser prioridade no orçamento brasileiro!

Matéria publicada na edição 313 do Jornal A Verdade.

Fenet realiza luta por assistência estudantil e convoca Enet 2025

Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico convoca ENET em conjuntura marcada por cortes no orçamento e luta em defesa da educação pública.

Diretoria da Fenet


JUVENTUDE – A Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico (Fenet) convocou, para os dias 18 a 21 de setembro, em Salvador (BA), seu encontro bianual. Delegações de todos os cantos do Brasil se reunirão para debater as próximas lutas em defesa da rede técnica pública, gratuita e de qualidade. O Enet 2025 foi marcado na Plenária Nacional de Grêmios, realizada em abril, no Rio de Janeiro.

A educação brasileira tem sofrido duramente com as políticas econômicas que beneficiam os empresários e garantem o pagamento dos juros da dívida pública, mas não garantem o básico para as escolas. Isso se reflete na falta de reajuste das bolsas de permanência, pesquisa e extensão para os estudantes da rede técnica, nas obras que nunca terminam e nas centenas de campi que não têm bandejão. Na rede técnica estadual, não é diferente: o avanço do “novo ensino médio” precariza a aprendizagem e faltam estrutura adequada e merenda de qualidade.

“A situação da educação pública não está nada fácil, mas, quando os estudantes se organizam, conseguimos arrancar o que é nosso por direito. Prova disso é a conquista da construção de vários bandejões nos IFs. Esta é uma luta que temos construído desde o Enet 2023, fazendo atos, plenárias e paralisações em vários campi pelo país”, afirma Ana Luiza, coordenadora-geral da Federação.

Por isso, a Fenet tem organizado dias nacionais de luta, a exemplo do Dia Nacional pela Assistência Estudantil, que aconteceu no último 14 de maio, em que a pauta principal foi a construção e implementação dos bandejões nos IFs. Dezenas de grêmios organizaram assembleias e plenárias e realizaram atos nos campi em que atuam.

É com o espírito de luta e combatividade que a Fenet convoca todos os estudantes em ensino técnico do Brasil para mobilizar suas salas de aula e seus grêmios rumo ao Enet 2025 para construirmos uma nova jornada de luta dos estudantes da rede técnica!

Matéria publicada na edição 313 do Jornal A Verdade.

Especial: 50 anos da vitória do Vietnã contra o imperialismo dos EUA

Confira o especial publicado na edição impressa sobre os 50 anos da vitória dos exércitos revolucionários do Vietnã contra o imperialismo norte-americano.


A luta do povo do Vietnã contra o imperialismo

Felipe Annunziata | Redação

No último 30 de abril, completaram-se os 50 anos da vitória do povo vietnamita na guerra contra o imperialismo estadunidense. Em 1975, tropas do então Exército Popular do Vietnã do Norte, junto com as forças guerrilheiras da Frente Nacional de Libertação do Vietnã tomaram a cidade de Saigon, terminando com anos de guerra de resistência ao imperialismo dos EUA. 

Naquela época, Saigon (hoje cidade de Ho Chi Minh) era a capital da República do Vietnã do Sul, com um governo fantoche criado pelo imperialismo francês e norte-americano em 1954. 

Os vietnamitas, com os líderes revolucionários Ho Chi Minh e o general Vo Nguyen Giap, lutaram e venceram três das maiores potências imperialistas da História: o Japão Imperial, os EUA e a França. Tudo isso ao longo de mais de 30 anos de luta armada. 

Durante a Segunda Guerra Mundial, Ho Chi Minh liderou o Partido Comunista do Vietnã na luta contra a ocupação japonesa e garantiram a libertação e a instituição de um governo socialista no Norte vietnamita. No entanto, a antiga potência colonial, a França, não aceitou o resultado e reocupou o país já em 1947. A guerra durou até 1954, quando os vietnamitas, liderados pelo general Giap, derrotaram as forças coloniais francesas na Batalha de Dien Bien Phu e terminaram com 70 anos de colonização.

O fim da luta anticolonial, no entanto, não significou a vitória completa contra o imperialismo. Isto porque franceses, com apoio dos EUA, conseguiram estabelecer um governo fantoche na metade Sul do país. A luta anti-imperialista seria retomada logo em 1955, quando o governo do Vietnã do Sul começou uma onda de repressão contra os comunistas.

Por quase 20 anos, os revolucionários vietnamitas lutaram e venceram as forças reacionárias do Sul e os estadunidenses. Até hoje, esta é considerada a derrota mais humilhante do imperialismo ianque.

O povo do Vietnã não tinha acesso às bombas atômicas, nem aos navios ou tanques de última geração usados pelos norte-americanos. Pior, foi vítima de uma série de crimes de guerra, com o uso de armas químicas contra a população civil. Mesmo assim, conseguiu vencer e expulsar as tropas invasoras com o conhecimento da região e a tática de guerrilha.

Para celebrar esta data, trazemos o texto preparado pelo professor Natanael Sarmento sobre o líder revolucionário vietnamita Ho Chi Minh.

Ho Chi Minh, presente!

“Não há nada mais precioso que a independência e a liberdade” 

Natanael Sarmento | Diretório Nacional da UP

Ho Chi Minh nasceu em 19 de maio de 1890 em Nghe An, morreu em 02 de setembro de 1969, em Hanói. Carinhosamente chamado Tio Ho pelo seu povo, foi um grande herói vietnamita. Fundador do Partido do Trabalho (Comunista) e da Frente Nacional Unida, da República Democrática do Vietnã e das Forças Armadas Populares do país, liderou a luta armada de libertação nacional e da classe operária. Destacado combatente do Movimento Comunista Internacional e da libertação dos povos, um marxista-leninista que consagrou sua vida à libertação da classe operária e dos povos, em defesa da independência, da soberania e do socialismo. Também foi escritor, poeta e jornalista.

Seu exemplo de heroísmo revolucionário, patriotismo, internacionalismo, combatividade, simplicidade, modéstia, retidão e altruísmo é reconhecido pelos compatriotas e revolucionários do mundo. Com o Partido Comunista guiou o seu povo na luta anticolonial de independência do império francês e consolidou as bases para a maior derrota do agressor imperialista Estados Unidos da América, a quem impôs a mais retumbante e humilhante derrota militar da história das guerras.

O Comitê Central do Partido proferiu, em reconhecimento e pesar pela imensa perda do camarada Ho Chi Minh e assim se dirigiu aos quadros, membros e compatriotas em todo país e aos combatentes no estrangeiro: “Para que todos num mesmo espírito, transmudem a sua dor em atos revolucionários, sigam valentemente para a frente, continuem a grandiosa obra do Presidente, realizem com sucesso o seu ideal e as suas aspirações, sigam e executem sem arrefecimento a linha política e as decisões do Comitê Central do Partido e do Governo, esforcem-se por assimilar o pensamento, por seguir seu exemplo de moralidade e de estilo de vida”.

Seguindo o reconhecimento, o povo vietnamita rebatizou com seu nome a cidade de Saigon. O manuscrito feito por Ho Chin Minh, presente na antessala da sua imortalidade, conhecido como seu Testamento, recebeu publicações e traduções em virtude do valor político, ideológico e humano que expressa. Esboçamos um breve resumo das preocupações e apelos desse extraordinário comunista revolucionário, cujas validades são atemporais para todos os combatentes sociais do mundo.

Testamento de Ho Chi Minh

Ao Partido

Devemos à estreita unidade e a total dedicação à classe operária, ao povo e ao país, desde a sua fundação, a efetividade de unirmos, organizarmos, dirigirmos o nosso povo a lutar ardorosamente, de vitória em vitória.

Unidade

A capacidade de unir é extremamente preciosa para o Partido e para o povo. Todos os camaradas, do Comitê Central às células de base, devem preservar a unidade do Partido como a pupila dos seus olhos.

Democracia, autocrítica, crítica e afeição

Efetivar uma ampla democracia interna no Partido, exercendo de maneira séria a autocrítica e a crítica para consolidar e desenvolver a unidade, com afeição fraternal de todos os camaradas entre si.

Moralidade revolucionária

Cada membro do Partido deve impregnar-se profundamente da moral revolucionária. Dar exemplo de integridade, retidão, devoção absoluta ao interesse público, com altruísmo. Salvaguardar a pureza do Partido e tornar-se verdadeiramente digno do papel de dirigente e servidor fiel dos trabalhadores e do povo.

Juventude

A juventude trabalhadora e revolucionária se entrega ardentemente a todas as tarefas, sem dificuldades. Deseja, incessantemente, o progresso. Portanto, formar e educar as gerações futuras é tarefa extremamente importante e absolutamente necessária. Educá-los na alta moralidade revolucionária dos “comunistas experimentados” na luta pela conquista e edificação do socialismo.

Povo trabalhador

O povo de todas as regiões do país tem sofrido, por séculos, exploração, opressão e miséria, jugos coloniais e anos de guerras. Apesar disso, sempre deu provas de heroísmo, coragem e entusiasmo, realizando obras notáveis. Confiou e seguiu o Partido desde a fundação, sendo-lhe sempre fiel. O Partido deve traçar um bom programa para desenvolver a economia e a cultura a fim de elevar, incessantemente, o nível de vida do povo. 

Resistência contra agressão imperialista

A resistência contra a agressão estadunidense pode prolongar-se e os nossos compatriotas podem ter ainda enormes sacrifícios em vidas humanas e bens. Seja como for, estaremos decididos a combater os imperialistas agressores até à vitória final.

Os nossos rios, os nossos montes, os nossos homens ficarão sempre/ Uma vez vencido o ianque, construiremos o país dez vezes mais belo!

Sejam quais forem as dificuldades e privações, o nosso povo vencerá, infalivelmente. Os imperialistas americanos terão que se retirar impreterivelmente. A pátria será reunificada, compatriotas do Norte e Sul sob o mesmo teto. 

A nossa pequena nação terá a insigne honra de, em combates heroicos, haver vencido e dobrado dois grandes imperialismos – o francês e o americano – e dado um digno exemplo de movimento de libertação nacional de um povo.

Movimento Comunista Internacional

Dessa vida consagrada ao serviço da revolução, expresso grande satisfação por ver engrandecer o movimento comunista e operário internacional e mais sofro, com os desentendimentos atuais, dos partidos irmãos.

Desejo que o Partido atue com todas as suas forças e contribua de maneira eficaz para restabelecer a união dos partidos irmãos com base no marxismo-leninismo e no internacionalismo proletário, segundo as exigências da razão e do coração. Estou firmemente convencido que partidos e povos irmãos se unirão, necessariamente, de novo.

Pessoalmente

Durante a minha vida, servi com todas as forças da razão e do coração à pátria, ao Partido, à revolução e ao povo. Agora, se tenho que abandonar esse mundo, só tenho a me censurar por não ter mais tempo para servir ainda mais…

Após a minha morte, evitem organizar grandes funerais para não desperdiçar o dinheiro e o tempo do povo. 

Finalmente 

A todo o nosso povo, todo nosso Partido, trabalhadores, forças armadas, jovens, criancinhas, transmito minha afeição sem limites. Dirijo igualmente a minha saudação fraternal a todos os camaradas, amigos, jovens e criancinhas de todos os países. 

Último desejo

É que todo nosso Partido, todo nosso povo, se unam estreitamente e façam todos os seus esforços para edificar um Vietnã pacífico, reunificado, independente, democrático e próspero, e contribuir dignamente para a revolução mundial.

Hanói, 10/05/1969 – Ho Chin Minh

Fonte: Edições Língua Estrangeira – Hanói, 1975, Cadernos Ulmeiro nº 7

Matérias publicadas na edição 313 do Jornal A Verdade.