UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 10 de abril de 2026
Início Site Página 65

Crise nas maternidades de Goiânia

A suspensão dos serviços ambulatoriais e eletivos nas maternidades públicas de Goiânia expõe a crise provocada pelo atraso de repasses financeiros da prefeitura.

Isabelle dos Santos Ferreira | Goiânia – GO


SAÚDE – No dia 27 de agosto de 2024, a Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc) comunicou ao secretário de saúde, Wilson Modesto Pollara, a suspensão das unidades de maternidades públicas de Goiânia pelas quais é responsável. Devido ao não repasse financeiro por parte da prefeitura, os serviços ambulatoriais e eletivos se tornaram insustentáveis, limitando as atividades a serviços essenciais e urgentes.

Atualmente, o cenário na maternidade Dona Íris assemelha-se ao do ano passado, pois o 13º salário dos funcionários ainda não foi pago, as visitas estão suspensas há mais de 20 dias e a unidade atende apenas casos urgentes. Pacientes e acompanhantes também relatam falta de insumos e materiais, como roupas de cama, inadequados para uso.

Descaso com as unidades de saúde 

Com a falta de renda para manter a o pleno funcionamento das unidades, junta-se o não pagamento dos salários dos funcionários de saúde pública e terceirizados, impossibilitando o exercício de seus ofícios. Tendo seus direitos desrespeitados, o trabalho é redobrado com turnos mais longos, aumentando o estresse e cansaço típicos dessas profissões. Para piorar, a insegurança financeira assombra os profissionais sobrecarregados pela insalubridade das maternidades.

Desde 2024, os casos de atendimentos mal realizados vêm crescendo de forma incontrolável, mostrando que o desleixo financeiro do Estado de Goiás com os centros de saúde pública é pago com o suor e sofrimento dos funcionários e da população em vulnerabilidade social. 

A maioria das pessoas gestantes dependem exclusivamente dessas maternidades durante toda a gestação. Com a falta de estrutura para englobar o fluxo de consultas, exames, partos, cirurgias, etc., a limitação a casos urgentes e a suspensão de visitas, como no caso da Maternidade Dona Íris, comprometem a vida de inúmeras gestantes, em especial crianças e adolescentes, que acabam por só conseguir atendimento após chegarem a extrema urgência.

As suspensões e a inacessibilidade não atingem apenas a situação das gestantes, mas também de pessoas com deficiências ou doenças que atingem o útero, vulva, ovários e demais regiões que exigem atendimento ginecológico especializado. A superlotação devido a incapacidade de adesão dos inúmeros pacientes gera filas de espera absurdamente longas, novamente pondo em risco inúmeras vidas. 

Pelo direito a maternidades públicas

O atual cenário das maternidades públicas no Estado de Goiás fere os direitos e ameaça a vida das pessoas com útero que dependem de tais serviços. Em contrapartida, ironicamente, a lei nº 22.537/2024 (conhecida como “Campanha de Conscientização Antiaborto”), de autoria do ex-deputado corrupto Fred Rodrigues (Gustavo Rodrigues de Cunha), foi sancionada pelo fascista Ronaldo Caiado (União Brasil) no dia 11 de janeiro de 2024. Entre outras medidas misóginas e inconstitucionais, a sua principal e mais absurda é obrigar a pessoa gestante a escutar os batimentos cardíacos do feto ao realizar o aborto. 

Mesmo com a degradação das maternidades e demais unidades de saúde pública, Fred comemora a vitória reacionária em suas redes sociais, atribuindo como um avanço a dita segurança de “crianças no ventre”. Ou seja, como se não bastasse o atendimento precário, a falta de insumos e filas de espera superlotadas, aqueles que carregam uma gestação fruto de estupro ou com risco, as pessoas gestantes ainda estão passíveis de violência obstétrica legalizada. Em suma, todo esse cenário não passa de uma consequência do poder centrado em uma oligarquia latifundiária reacionária e misógina que reina na região Centro-Oeste.

Em fevereiro, o Movimento de Mulheres Olga Benário iniciou a Campanha Nacional pelo Direito à Creche. Atualmente, mais de 9 mil crianças goianas se encontram na fila de espera por vagas, visto que inúmeras mães abdicam do trabalho para cuidarem de seus filhos, o que agrava o nível de insegurança social das casas brasileiras. Por isso, o Movimento e a Unidade Popular lutam no combate à violência e pela plena eficácia dos direitos básicos das mulheres e pessoas com útero. 

Matéria publicada na edição impressa nº309 do jornal A Verdade

Trabalhadores da saúde recém-formados sofrem com a exploração

Profissionais de saúde em residência no Hospital Universitário de Brasília (HUB) enfrentam jornadas de 60 horas semanais, com salário inferior ao de servidores efetivos que cumprem metade da carga horária.

Redação DF


SAÚDE – A residência na área de saúde é um programa de especialização de um profissional em uma ou algumas áreas específicas, que dura por volta de 2 anos. À primeira vista pode parecer um “sonho” ingressar em um programa de residência logo após concluir sua graduação e poder iniciar uma especialização remunerada, porém, muitas vezes o que era “sonho” se torna um verdadeiro “pesadelo”. 

O residente precisa cumprir 60h semanais, trabalhando 12h diárias, enquanto os profissionais do quadro fixo, que cumprem metade da jornada dos residentes, recebem o dobro do valor da bolsa auxílio. No Hospital Universitário de Brasília (HUB), por exemplo, um residente (profissional formado) trabalha 60h semanais e recebe de bolsa auxílio menos da metade de um mesmo profissional do quadro fixo do HUB trabalhando 30h semanais. Assim, um residente trabalha o dobro e recebe metade. Além da falta da existência de um plano pedagógico real e que seja estabelecido previamente datas para oferta das disciplinas.

Vale salientar que o HUB é gerido, hoje, pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que tem como interesse contratar mão de obra especializada por um valor que sequer garante o direito à vida, ao lazer, e ironicamente, à saúde.

Além disso, caso um residente precise de atendimento por um outro profissional da saúde e apresente um atestado à Coordenação da Residência, o atestado não será considerado e o residente terá a necessidade de, obrigatoriamente, repor serviço proporcional a cada hora que precisou se ausentar. Mas se o Residente já trabalha 60h semanais, em qual momento ele vai conseguir repor? A resposta é simples: não vai conseguir repor! Eles obrigam o residente, ao final do contrato de 2 anos, a trabalhar de graça para garantir a reposição de cada hora que ele precisou se ausentar para cuidar da sua saúde.

Residente que preferiu não se identificar denuncia esta situação: “A residência é praticamente um sonho para boa parte dos profissionais de saúde e estudantes que querem passar por um período de especialização. Porém, quando você cai na realidade, com jornada de 60 horas, sem pesquisa, sem extensão, sem nada, trabalhando o dobro da carga horária de um efetivo e recebendo menos da metade do que ele recebe.

Para piorar, se você adoece, tem que repor aquela carga horária. Ou você repõe no serviço, ou você tem que pagar depois. Isso tudo acarreta sobrecarga, adoecimento, tive crises de ansiedade e até desenvolvi Bornout, isso fez com que não conseguisse mais viver naquela situação e me desliguei” 

Esta realidade cria uma profunda indignação, pois onde já se viu um profissional da área da saúde que trabalha em um hospital não ter direito de cuidar da própria saúde física e mental. Por isso, existe um processo de organização e luta dos residentes. Fruto disso, foi apresentado um Projeto de Lei (PL 504/2021) onde além de abordar a necessidade da criação de uma Política Pública de Residências em Saúde, também propõe a redução da carga horária da residência de 60 horas semanais para no mínimo 40 horas e no máximo 44 horas semanais.

Ciente dessa realidade, o Diretório Central dos Estudantes da Universidade de Brasília, em conjunto com vários residentes, entregou uma pauta de reivindicações e solicitação de reunião para tratar sobre o assunto com a recém nomeada Superintendente do HUB, Fátima de Sousa. Foram recebidos no dia 14 de março, após exposição das denúncias, e foi criado uma Mesa Permanente de Negociação. Um primeiro passo foi dado no sentido de enfrentar estes graves problemas.  

O processo precarização do trabalho promovido pela Ebserh é grave, e cumpre o papel de fragilizar o SUS. Para isso, é necessário restabelecer o controle total público e repudiar todas as iniciativas que visam privatizar, terceirizar e precarizar o sistema público de saúde.

Enquantos os preços aumentam, MLB conquista 750 toneladas de alimentos

0

“A solução para a crise alimentar não virá de políticas paliativas ou de acordos com os setores que lucram com a fome. A única saída é a organização popular e a construção de um projeto que rompa com o capitalismo, sistema que transforma alimentos em mercadorias e vidas em números.”

Denily Fonseca e Michael Castro | MLB


O Brasil enfrenta uma crise econômica que aprofunda a desigualdade social, e o povo pobre, que constrói as riquezas deste país, é quem mais sofre com a alta dos preços dos alimentos. O café, símbolo da mesa do trabalhador, tornou-se um luxo. O arroz, o feijão e o óleo de cozinha são itens cada vez mais distantes do prato das famílias que vivem nas periferias.

A falta de medidas efetivas do Governo Federal para combater a fome tem deixado milhões de brasileiros à mercê da inflação e da ganância dos grandes monopólios alimentícios.

É nesse cenário que o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) surge como um farol de esperança. As famílias organizadas pelo Movimento conquistaram mais de 750 toneladas de alimentos em todo o país em apenas um ano, fruto de lutas incansáveis, como a ocupação de órgãos públicos e supermercados.

A alta dos preços dos alimentos não é um fenômeno natural. É resultado de um sistema capitalista que prioriza o lucro acima da vida. O agronegócio, os supermercados e as grandes corporações controlam a cadeia alimentícia, ditando preços e especulando sobre a necessidade básica de comer. Enquanto isso, o Governo Lula, mesmo com discursos progressistas, alia-se aos grandes empresários e latifundiários do país, como mostrou a edição nº 307 de A Verdade: foram destinados R$ 400 milhões dos cofres públicos para o Plano Safra e cerca de R$ 3 trilhões por ano para o pagamento da dívida pública, a famosa “bolsa banqueiro”.

Rute Costa, moradora do bairro do Tapanã, em Belém do Pará, faz parte de uma das milhares de famílias beneficiadas pelas ações do MLB. “A gente trabalha o mês inteiro, mas não dá para comprar o mínimo. Eu vejo assim: quando o MLB convoca para um ato contra a fome, muitas famílias vão com a certeza na vitória, porque o MLB é referência. Graças ao Movimento, eu consigo ter todo mês o feijão, arroz e o café na mesa de casa”, relata.

O MLB não espera por soluções dos governos. Por meio da organização popular, o ocupa supermercados e denuncia a ganância dos grandes monopólios. As famílias que participam dessas lutas, recebem diretamente as cestas básicas conquistadas coletivamente.

“A carestia no nosso país aumenta cada vez mais e, com isso, também a sede de lucro do agronegócio, que é o principal responsável pelo aumento do preço dos alimentos no nosso país, existe um engodo, principalmente da direita e da extrema-direita, em defender que o agronegócio é o herói da nação. Na verdade, é o vilão. Os latifundiários lucram com os altos preços dos alimentos, o que agrava a situação de miséria do nosso povo. Por isso, nós ocupamos os supermercados”, afirma Kleber Luiz, da Coordenação Nacional do MLB.

A solução para a crise alimentar não virá de políticas paliativas ou de acordos com os setores que lucram com a fome. A única saída é a organização popular e a construção de um projeto que rompa com o capitalismo, sistema que transforma alimentos em mercadorias e vidas em números.

O MLB aponta o caminho: é preciso fortalecer as lutas locais, ocupar espaços, pressionar o poder público e construir uma rede de solidariedade que garanta que nenhuma família passe fome. A luta por soberania alimentar, reforma agrária e pelo fim dos monopólios é o que vai garantir um futuro digno para toda as classes trabalhadoras.

Matéria publicada na edição impressa nº 309 do jornal A Verdade

“O povo palestino tem um profundo amor pela vida e não teme a morte”

“Temos uma grande luta pela frente, e ela começa aqui no Brasil. Precisamos construir uma frente unida, com objetivos claros e ambiciosos: a libertação da Palestina, do rio ao mar; o retorno de todos os refugiados palestinos às suas terras; e a libertação de todos os prisioneiros palestinos”, afirmou Rawa Alsagheer, coordenadora da Rede Samidoun de Solidariedade aos Prisioneiros Palestinos, em entrevista ao jornal A Verdade.

Redação SP


Rawa Alsagheer é coordenadora da Rede Samidoun de Solidariedade aos Prisioneiros Palestinos, membro do Masar Badil, o “Caminho Revolucionário Alternativo Palestino”, e esteve presente na celebração dos 25 anos do jornal A Verdade, em São Paulo, em dezembro passado, para falar sobre a resistência palestina. Conversamos com Rawa sobre a atual situação de luta na Palestina e sobre a solidariedade internacional.

A Verdade – Qual o sentimento em ver os palestinos deslocados pela guerra voltando para suas casas em Gaza?

Rawa – A conquista do acordo de troca de prisioneiros, que garantiu a libertação de importantes lutadores condenados à prisão perpétua, além da liberdade de todas as mulheres e crianças palestinas encarceradas, representa uma vitória histórica para a resistência palestina.

Após um ano e meio de genocídio contra o povo palestino, fica evidente a força e a resiliência de sua luta. Eles têm demonstrado ao mundo que são os verdadeiros donos daquela terra. Somente aqueles que são donos da terra caminham com tanto orgulho sobre ela, e é exatamente isso que os combatentes da resistência vêm fazendo desde o primeiro dia do cessar-fogo.

Apesar das inúmeras tentativas da ocupação israelense de destruir o povo palestino, a resistência jamais foi abalada. O povo permanece vivo, tem um profundo amor pela vida e não teme a morte. E, quando não se tem medo da morte, não há medo de nada.

Mas é muito importante destacar que, no mesmo dia em que ocorreu a troca de prisioneiros, enquanto libertavam aqueles que estavam na lista acordada, mais de 200 palestinos foram presos. Essas detenções foram o que chamam “prisões de administrativas”, uma prática que não envolve acusações formais ou julgamento em tribunais e que pode ser renovada a cada seis meses.

Desde o início do acordo até agora, mais de 2 mil palestinos foram detidos, enquanto pouco mais de 800 foram libertados. Conhecemos os nomes daqueles que recuperaram sua liberdade, mas é alarmante o número de novas prisões, especialmente na Jordânia, durante esse breve período desde o cessar-fogo.

Como tem sido para você defender os direitos do seu povo aqui no Brasil?  

Eu coordeno a Samidoun (Rede de Solidariedade aos Prisioneiros Palestinos) desde 2020. Ao longo desse período, enfrentei muitas dificuldades, mas após o início do genocídio na Faixa de Gaza, a situação se tornou ainda mais difícil.

Trabalhava como analista de comunicação no Museu da Imigração do Estado de São Paulo. Dia 07 de outubro de 2023 foi um sábado (o Sábado Sagrado). A partir do dia 10 de outubro, o museu passou a receber e-mails me acusando de terrorismo e antissemitismo, questionando a instituição por empregar uma ativista palestina.

Quando fui informada sobre os e-mails, solicitei cópias para registrar um Boletim de Ocorrência. Mas, em vez de fornecerem as cópias, fui questionada sobre a rede Samidoun e meu ativismo, além de ser pressionada para não formalizar a queixa. O e-mail que me enviaram estava incompleto, sem anexos ou cópias. Só consegui acesso às mensagens graças a uma colega de trabalho que me enviou prints, já que ela estava em cópia na lista de e-mail.

Ao longo do mês, fui alvo de uma série de perseguições. Uma campanha foi organizada nas redes sociais, me acusando de terrorismo e antissemitismo, expondo minha identidade e mencionando o museu em todas as publicações.

No dia 7 de novembro de 2023, fui demitida sem justificativa, em clara violação da lei trabalhista. Eu havia sofrido um acidente de trabalho e estava com atestado médico válido por sete dias. No oitavo dia, recebi a notícia da minha demissão.

Essa perseguição deixa claro o quanto o sionismo é forte no Brasil, mas também revela sua fragilidade ao mirar uma única ativista política. Eles têm influência até mesmo dentro do governo brasileiro.

E você chegou a denunciar essa perseguição virtual?  

Sobre as postagens, abri um inquérito na Polícia Civil, que foi encaminhado à Polícia Federal. Recentemente, tive uma audiência com um delegado que considero racista e xenofóbico. Ele me tratou como criminosa, não como vítima, durante o depoimento. Ele questionou minha opinião política, perguntando se eu apoiava o extermínio do Estado de Israel, algo totalmente alheio ao inquérito. A postagem que denunciei falsamente me acusava de apoiar tal extermínio, usando a palavra “pessoa” entre aspas, não me considerando como pessoa, mas o delegado ignorou isso.

Ele também não tinha noção da diferença entre sionismo e comunidade judaica ao descrever uma página chamada “Antisemita Exposure”, que usa a estrela de Davi. O sionismo frequentemente se apropria de símbolos judaicos para encobrir crimes, mas o delegado não reconheceu isso. Minha foto foi carimbada com a frase “Antisemita Exposure”, e ele não viu problema nisso, nem na página questionar meu trabalho no Museu da Migração. Fui exposta publicamente como antissemita, mas ele não deu atenção à calúnia. Além disso, o processo foi lento e desgastante, e o delegado agiu com ignorância, repetindo perguntas já respondidas na petição. Ele ainda dificultou a presença da minha advogada, deixando-a esperando.

Essa experiência reflete a perseguição que enfrento, desde ataques online até a interferência em minha vida profissional e pessoal, com conivência de setores do governo.

Enquanto o mundo assiste, em tempo real, ao genocídio televisionado do povo palestino, os sionistas se dedicam a perseguir aqueles que lutam pela Palestina em todo o mundo.

Que papel o apoio internacional cumpre na defesa do povo palestino e como os brasileiros podem apoiar mais essa resistência?  

A luta palestina é uma das mais importantes em escala internacional, pois a libertação da Palestina representa a libertação de todos os povos do mundo. É uma luta contra o colonialismo, o imperialismo, o capitalismo e o sionismo fascista.

Atualmente, existe um movimento global forte e crescente em apoio à libertação da Palestina. No entanto, o lobby sionista, com seu poder político e econômico, ainda é uma força grande e opressora.

No Brasil, por exemplo, há mais de 90 empresas de segurança israelenses atuando no país. Além disso, existem acordos entre a Sabesp e a Mekorot, empresa israelense de saneamento, vigentes desde 2009. Há também parcerias militares, incluindo acordos de armamento e treinamento militar entre Israel e Brasil. O povo palestino é usado como cobaia para testar tecnologias militares desenvolvidas nesses acordos. As mesmas armas utilizadas pela Polícia Militar para matar jovens brasileiros são testadas contra palestinos.

Temos uma grande luta pela frente, e ela começa aqui no Brasil. Precisamos construir uma frente unida, com objetivos claros e ambiciosos: a libertação da Palestina, do rio ao mar; o retorno de todos os refugiados palestinos às suas terras; e a libertação de todos os prisioneiros palestinos.

Matéria publicada na edição impressa nº 309 do jornal A Verdade

Avançar na nossa relação com o jornal

“Cada brigada é também um importante ato político. Em uma brigada, o militante é a voz da revolução. Ao apresentar o jornal e buscar convencer outra pessoa da importância de lutar pelo socialismo, o brigadista estimula uma vontade adormecida em cada trabalhador e se forma como liderança. Sua voz carrega o discurso revolucionário e chega mais longe do que qualquer alto-falante.”

Lucas Marcelino | São Paulo (SP)


O jornal A Verdade chegou aos 25 anos de existência construído sobre diversos pilares. Entre eles, estão a teoria revolucionária, o financiamento da classe trabalhadora e a abnegação de seus brigadistas. Mas é preciso refletir: como está a nossa relação (individual e coletiva) com o Jornal?

O que não é debatido, se perde

Cada camarada que fizer essa reflexão encontrará alguma atitude a ser melhorada na sua relação com o Jornal. Um militante de muitos anos pode se acomodar e enxergar como apenas mais uma tarefa da sua jornada revolucionária. Já um militante recém-ingressado pode ter dúvidas de por que ainda existir um jornal impresso na era da internet e das redes digitais ou alegar falta de tempo para participar das reuniões, manifestações, atividades e de uma brigada a cada 15 dias.

Os dois casos ocorrem pela falta de compreensão teórica e prática sobre o papel de um jornal político como A Verdade. Mas vejamos o que disse o líder revolucionário russo Vladimir Lênin:

“A nosso juízo, o ponto de partida de nossa atividade, o primeiro passo prático para a criação da organização desejada e, por último, o fio fundamental ao qual poderíamos agarrar, aprofundar e ampliar incessantemente esta organização, deve ser a fundação de um jornal político para todo o país”. (Por onde começar, 1901)

Quase 100 anos depois, essa citação abria outro documento: Plano para o jornal do Partido, produzido pelo Comitê Central do PCR, em maio de 1999, para estimular o debate e ganhar os comunistas a criarem um jornal político para todo o Brasil. Diz o Plano: “um jornal dedicado às massas populares, em particular às grandes massas operárias, que forme sua consciência de classe, eduque os operários e, principalmente, que os organize, convocando-os à luta”. Podemos confirmar que cumprimos esse objetivo e construímos esse jornal.

Cada brigada é um ato político

As grandes manifestações de rua, as greves, as ocupações – de estudantes, mulheres ou por moradia – e as atividades que reúnem centenas ou milhares de pessoas são ações importantes para o avanço da luta e a disputa da consciência do povo para o socialismo.

Mas gostaríamos de chamar a atenção para as brigadas do Jornal, sejam elas nos sábados de Brigada Nacional, sejam as brigadas de coletivo ou na porta de fábrica.

Cada brigada é também um importante ato político. Em uma brigada, o militante é a voz da revolução. Ao apresentar o jornal e buscar convencer outra pessoa da importância de lutar pelo socialismo, o brigadista estimula uma vontade adormecida em cada trabalhador e se forma como liderança. Sua voz carrega o discurso revolucionário e chega mais perto do que qualquer alto-falante.

A potência das brigadas – que já convenceram centenas de pessoas a se organizarem na luta pelo socialismo – confirma o acerto de mantermos o Jornal há 25 anos e deveria convencer cada camarada a estar presente nas ruas. Mas não só participar para cumprir uma tarefa. Estar na brigada com um ânimo que só a plena consciência desta ação política pode trazer. Ir preparado, ler as matérias antes e saber a linha política que deve ser discutida com o povo.

“Ideologia burguesa ou ideologia socialista. Não há meio-termo. Por isso, toda a diminuição da ideologia socialista, todo distanciamento dela, implica o fortalecimento da ideologia burguesa”. Lênin trouxe essa reflexão no livro Que Fazer?, que trata da necessidade do jornal político nacional para a construção de um partido revolucionário.

Faltar na brigada, considerar uma tarefa menos importante ou não se dedicar a ela é fortalecer a ideologia capitalista, que já domina o cotidiano da classe trabalhadora com suas propagandas, filmes, séries, músicas etc.

Fio condutor

A missão do jornal não se limita, entretanto, a difundir ideias, a educar politicamente e a conquistar aliados políticos. O jornal não é só um propagandista coletivo e um agitador coletivo, senão também um organizador coletivo”. (Por onde começar)

Lênin reforça que o papel do Jornal é também de organizar a classe trabalhadora no partido revolucionário e levar sua linha política aos mais distantes pontos do país.

Muitos(as) camaradas se lembrarão da matéria sobre as brigadas realizadas na empresa Gomes da Costa, em Itajaí (SC), que contribuíram para a realização de paralisações de trabalhadores e evitaram descontos no vale-alimentação e o fim do adicional de insalubridade.

Nas edições seguintes, foram publicadas matérias sobre as brigadas realizadas nas fábricas de Diadema (SP), que começaram vendendo poucos jornais, mas resultaram em coletivos do Partido dentro de fábricas da região do ABC Paulista.

Outra matéria tinha o título de “Qual sua fábrica, camarada?”. Nela, toda a militância foi convocada a ir para as portas das fábricas e locais de trabalho. E isso não é à toa. Cada uma dessas matérias e todas elas em conjunto formam o que Lênin comparou com os andaimes de uma construção, com o prumo de um pedreiro ou com o fio condutor que une a militância em torno da construção correta e alinhada da obra do socialismo.

“Um livro de poesia na gaveta não adianta nada, lugar de poesia é na calçada”. Esses versos de cantor e compositor Sérgio Sampaio nos lembram da importância de não só produzir uma obra, mas de divulgá-la, apresentá-la para o maior número de pessoas. Então, por que muitos militantes deixam suas cotas individuais em casa, na mochila ou até no fundo de uma gaveta? Temos camaradas que vendem cotas de até 50 jornais por edição. Já outros camaradas têm cotas de cinco e até três jornais e relatam dificuldade para apresentar e vender.

Um dos princípios da luta contra o individualismo capitalista e a concentração da riqueza é que somos seres sociais. Ninguém pode viver uma vida inteira ou mesmo um dia sem entrar em contato com outra pessoa. Então como é possível que, a cada quinzena, camaradas não consigam encontrar ao menos cinco pessoas para vender a sua cota?

É preciso repensar nossa rotina, pois isso dificulta não só a venda do jornal, mas também a nossa saúde mental, nossas emoções e nossa consciência coletiva. Precisamos encontrar amigos, familiares, colegas de trabalho, ou mesmo uma pessoa que puxa assunto na rua, e vê-la como alguém que precisa saber da luta por um mundo melhor.

Mas não podemos somente nos desfazer dos exemplares. Precisamos prestar conta política da nossa cota. Para quem vendemos? Essa pessoa compra sempre? Se compra, já apresentamos os movimentos sociais e a UP? Fazemos a leitura ou discussão de matérias com quem compra? Ajudamos a inflamar o ódio de classe contra os capitalistas?

Financiamento popular

Nos orgulhamos de ter um Jornal que não recebe dinheiro de governos ou de empresas capitalistas e, mesmo assim, nunca deixou de publicar uma edição. Chegamos a cidades distantes dos grandes centros do país, como Rosana, na divisa de São Paulo com o Mato Grosso do Sul, a mais de 700 km da capital paulista.

“Nosso jornal, como um órgão de emancipação e luta dos trabalhadores, deve ser fundamentalmente financiado pelos próprios operários, camponeses, pela juventude e a intelectualidade revolucionária e as massas trabalhadoras. Ele será o alimento da classe operária pela sua libertação. Então, será na classe operária e nas massas populares que obteremos sua sustentação financeira”. (Plano para o Jornal do Partido)

São vários os relatos de pessoas que contribuem com R$ 5, R$ 20, R$ 100… e até nos chegou uma contribuição de US$ 100 (quase R$ 600,00). Mas vemos também camaradas que pagam sua cota do seu bolso só para não serem criticados na reunião do coletivo.

Camaradas brigadistas e leitores: nosso Jornal é uma grande obra coletiva que conquista uma vitória a cada nova edição, a cada exemplar vendido, a cada pessoa que decide se organizar após ler suas páginas. É “uma luz para esclarecer todos os mistérios que hoje deixa confuso e atordoado o proletariado e o impede de levar a luta até o fim”. (Plano para o Jornal do Partido)

Valdete Guerra e a luta das mulheres pobres por moradia e pelo socialismo

Valdete Guerra se orgulhava em ser comunista e defender a causa dos trabalhadores e trabalhadoras, e defendeu o Partido e o MLB até seu último dia de vida. “Com o MLB eu aprendi muitas coisas: uma delas é que é possível transformar essa realidade e viver em um mundo justo”

Alice Morais | Natal (RN)


No dia 8 de março de 1917, no frio da Rússia e perante as duras condições de fome e miséria, 90 mil operárias marcharam com suas crianças debaixo do braço em protesto contra o governo czarista. Esse dia foi determinante para a eclosão da gloriosa Revolução de Outubro, que libertou a classe trabalhadora da exploração do capitalismo, da autocracia da monarquia e transformou a Rússia em um país socialista. Por isso, em homenagem à essas mulheres, essa data é comemorada como dia Internacional da Mulher Trabalhadora. 53 anos depois, neste mesmo dia, nascia uma mulher que carregava este legado de luta não só em seu aniversário, não só em seu nome, mas no que praticava.

Valdete Pereira Guerra nasceu em 8 de março de 1970, na periferia da capital potiguar. Mulher negra, Valdete não teve a oportunidade de terminar a escola, e assim como milhões de mulheres em nosso país, conheceu de perto as dificuldades da classe trabalhadora: a de colocar alimento na mesa, o salário mínimo de fome e o trabalho dentro e fora de casa. Mas, a vida de Valdete mudou quando ela decidiu que não iria apenas aceitar essa realidade cruel, mas que iria lutar por uma nova perspectiva para si e sua família.

Como ela mesma disse, era “apenas” uma simples dona de casa quando conheceu o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), e ingressou no Movimento com o mesmo desejo que têm hoje milhões de brasileiros e brasileiras: ter sua moradia própria.  “Eu era uma simples dona de casa e mãe de seis filhos. Morava em um bairro chamado Felipe Camarão, na zona oeste de Natal. Um dia, fiquei sabendo que havia uma ocupação num terreno no bairro do planalto, próximo de onde eu morava. Então, como vivia no fundo do quintal da casa da minha mãe, não pensei duas vezes. Arrumei o pouco que tinha e fui saber como conseguir um espaço pra fazer um barraco na ocupação”.

Ocupação Leningrado

Em 9 de abril de 2004, O MLB, ainda jovem no Rio Grande do Norte, organizou a maior ocupação do Movimento até então no Norte-Nordeste. A Ocupação homenageava Vladmir Ilitch Ulianov, o Lênin, líder da Revolução de Outubro, e também a cidade que resistiu contra a invasão dos nazistas na União Soviética. Leningrado organizou mais de mil famílias na luta por moradia digna no bairro dos Guarapes, em Natal. Em 2010, tornou-se um conjunto habitacional, e atualmente só não é reconhecido enquanto bairro por decisão política da Prefeitura em não incluir Leningrado no plano diretor.

Valdete integrou a coordenação da Ocupação Leningrado, e se tornou uma das principais lideranças do MLB no Rio Grande do Norte, mostrando uma grande vontade de luta e disposição para transformar a realidade. Mas ela logo percebeu que não bastava apenas lutar pela moradia, que na verdade era necessária uma mudança no sistema de produção para que a vida do povo se transformasse de verdade. “Temos que lutar para conseguir viver com dignidade. Meu marido é soldador, veja bem: nós não temos dinheiro para comprar o portão que ele ajuda a fabricar”, disse.

As palavras de Valdete mostram a realidade em que vivem hoje os trabalhadores: a classe trabalhadora vende sua força de trabalho pois não tem acesso aos meios de produção – as fábricas, as terras, as máquinas, etc. –, os quais estão sobre a propriedade de uma minúscula classe, a burguesia. A burguesia então se apropria dos produtos fabricados pelos operários, e, como o salário pago aos operários é apenas o mínimo necessário para sobreviver, os capitalistas lucram com o trabalho alheio e os trabalhadores não têm acesso ao que produzem. Essa é uma das leis que regem o capitalismo: para que existam ricos, eles exploram o trabalho dos pobres.

Entendendo essa realidade, Valdete se organiza então no Partido Comunista Revolucionário (PCR), e passa a organizar o povo não apenas para lutar pela moradia, mas também lutar pelo fim desse sistema, que é a causa da exploração e falta de direitos da classe trabalhadora. Profunda defensora dos direitos das mulheres, Valdete se orgulhava em ser comunista e defender a causa dos trabalhadores e trabalhadoras, e defendeu o Partido e o MLB até seu último dia de vida. “Com o MLB eu aprendi muitas coisas: uma delas é que é possível transformar essa realidade e viver em um mundo justo”.

Entrada para a imortalidade

Enquanto ainda escrevia sua história em Leningrado, Valdete Guerra descobriu um câncer. Na luta contra o câncer, ela se deparou com o que muitas mulheres hoje também enfrentam: um diagnóstico tardio e a falta de acesso a um tratamento de qualidade. Valdete foi mais uma condenada do pior crime na sociedade capitalista: nascer pobre. Ela nos deixou precocemente, entrou para a imortalidade aos 41 anos, em 2011. Desejou ser enterrada com a camisa do MLB, e recebeu uma homenagem digna de uma revolucionária: sob o caixão estava a bandeira do seu Partido e foi tocada A Internacional, canção da luta dos trabalhadores e explorados de todo o mundo.

“A companheira Valdete sempre se destacou pela coragem e combatividade com a qual enfrentava a luta todos os dias. Uma mulher de fibra, firme com o Partido e com a defesa da Revolução Socialista. Nunca foi de meias palavras e sempre muito verdadeira com o que pensava e sentia. Foi com essa coragem e firmeza que nos comunicou que já tinha dito à família que queria ser sepultada vestindo a camisa do MLB, que fosse entoada “A Internacional” e com a bandeira de seu Partido, o PCR, sobre seu caixão. E assim o fizemos. Tinha centenas de pessoas em seu enterro, o que expressava a importância de Valdete para o povo das Ocupações do MLB. Antes de cantarmos o Hino da Classe Operária alguns camaradas fizeram discursos em sua homenagem e reafirmando a continuidade de sua luta. Foi uma honra e um aprendizado ter convivido com a camarada”, relata Alex Feitosa, militante do MLB no Rio Grande do Norte.

Hoje, Valdete Guerra é homenageada onde sua luta começou: em Natal, no bairro do planalto, próximo à divisa com o Guarapes, está a Ocupação Valdete Guerra, que luta há 4 anos com mais de 70 famílias. A luta de Valdete segue presente em cada mulher que veste a camisa do MLB para lutar por seus direitos, por uma sociedade mais justa e pelo socialismo.

“Aprendi com a vida que a luta não pode parar, e é isso que levo comigo todos os dias”

Valdete Guerra, presente!

Matéria publicada na edição impressa nº 309 do jornal A Verdade

Estudantes fundam DCE do IFBA em Feira de Santana

0

Depois de anos sem um DCE no Instituto Federal da Bahia na cidade de Feira de Santana, mobilização estudantil puxada por militantes do Movimento Correnteza, fundam o DCE José Coutinho Estrela IFBA – Feira de Santana. Com ampla participação estudantil, a entidade busca lutar pelas melhorias no campus e por mais direitos estudantis.

Guilherme Gonçalves | Feira de Santana (BA)


JUVENTUDE – Foi fundada no dia 25 de março, com a participação do Movimento Correnteza, o DCE José Coutinho Estrela IFBA – Feira de Santana. Essa fundação marca um novo período no movimento estudantil do Instituto Federal, que enfrenta um cenário precário para os estudantes.

A falta de transporte público marca o descaso com os estudantes, visto que o campus fica na saída da cidade e quase não há opção de ônibus para ir e vir do Instituto Federal. Para além disso os estudantes da graduação se deparam com um grande problema na alimentação, já que não existe bandejão e a única opção de alimentação custa 15 reais o almoço. Ao questionar o Instituto alega que há falta de verba. Isso é reflexo da política financeira do governo que prioriza o pagamento de banqueiros na dívida pública ao invés de investir mais na educação gratuita e de qualidade 

Como se não bastasse os problemas para o estudante conseguir permanecer estudando, quando chega na sala de aula, a realidade que os espera é desanimadora. Os estudantes que necessitam de computadores para estudar, passam por empecilhos, visto que as máquinas muitas vezes não funcionam e não tem prazos para conserto. Além disso, se quiserem utilizar para estudo fora do horário da aula, são barrados pela instituição. Ou seja, o Instituto Federal dificulta cada vez mais a permanência dos estudantes pobres, causando uma evasão daqueles que não têm condições de bancar alimentação, transporte e aparelhos para estudo.

Vendo esse cenário, estudantes organizados no Movimento Correnteza iniciaram as mobilizações para a fundação do DCE, para lutarem pelo direito de permanecer e estudar com qualidade. O processo se iniciou com muita passagem em sala, panfletando sobre o problema do campus e politizando a organização e luta dos estudantes. Além disso, a apresentação nas passagens do jornal A Verdade auxiliou nas denúncias da realidade e na organização estudantil. Por fim, a política do copinho foi essencial, pois garantiu que houvesse panfletos para todos estudantes do campus.

Após as mobilizações, foi marcada a assembleia de fundação e eleição do DCE no dia 25 de março (terça-feira). Com brigada da Juventude e com mais de 80 estudantes no plenário, a Assembleia aprovou a fundação e nomeação do DCE do IFBA em homenagem a José Coutinho Estrela. José foi professor do Colégio Feira de Santana, preso e torturado durante a ditadura militar por promover uma feira de conhecimentos e ser considerado “subversivo” ao regime militar. Nesse momento tão importante na luta por memória, verdade e justiça é uma honra e vitória homenagear aqueles e aquelas que foram perseguidos pelos militares.

Agora, os estudantes já começam a organizar os próximos passos do rumo do movimento estudantil. A luta pelo bandejão, passe livre estudantil, aumento de frotas de ônibus se inicia. Além disso há uma grande empolgação na construção de um grandioso Congresso da UNE, com a finalidade de tomar a UNE de volta para as mãos dos estudantes e que construa política consequente pro movimento estudantil!

A organização e luta da comunidade trans pelo socialismo

0

A comunidade trans no Brasil conta com 3,1 milhões de pessoas estimadas pelo IBGE em 2024, a. A falta de dados oficiais e a precarização da vida reforçam a urgência de organizar essa parcela da classe trabalhadora em uma luta coletiva por direitos e pelo socialismo.

Maria Thamara e Olívia Almeida | Movimento de Mulheres Olga Benario


LUTA POPULAR – O debate sobre as condições de vida da comunidade trans torna-se cada vez mais urgente, assim como a necessidade de organizar mulheres trans e travestis, transmasculinidades e pessoas não-binárias para uma luta organizada.  É uma exigência da luta atual da classe trabalhadora. A ausência de dados estatísticos oficiais sobre as condições de vida da comunidade trans é algo importante a ser levantado, essa ausência dificulta nossa possibilidade de ter uma noção do cenário atual.

Em 2024, o IBGE estimou o comunidade trans no Brasil em 3,1 milhões de pessoas, mesmo não tendo dados mais abrangentes em virtude dos cortes anunciados para o instituto. Outros importantes dados de que dispomos são de instituições não governamentais, como a Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (ANTRA) que anualmente produz dados sobre a violência contra pessoas trans no Brasil. A metodologia usada para levantar os dados sobre violência apoiam-se fundamentalmente sobre matérias jornalísticas divulgadas pela imprensa.

De acordo com o último dossiê da violência de 2023 (ANTRA), foram um total de 155 casos, 145 casos de assassinato e 10 pessoas suicidadas. Verificou-se um aumento de 10% em relação ao ano de 2022, a mais jovem tendo apenas 13 anos. Sobre o perfil socioeconômico, foi verificado que 57% era trabalhadoras sexuais, 72% das vítimas são negras, 136 das 145 era travestis/mulheres trans, 79% das vítimas têm menos de 35 anos (a maior parte das vítimas tem entre 13 e 29 anos), e majoritariamente os assassinatos acontecem em espaços públicos (ANTRA 2024).

Esses dados escandalosos demonstram a sistemática ausência de políticas públicas que possam proteger nossas vidas, desde políticas de permanência escolar passando pela precoce entrada no mercado informal (sexual) de trabalho devido ao abandono familiar e a dificuldade em adentrar ao mercado formal de trabalho.

No âmbito político, o fascismo que cresce como ideologia decadente na crise do sistema capitalista encontra na fragilidade social desse grupo uma maneira de naturalizar sua política da violência e perseguição, levantando falsos debates entre a classe trabalhadora como o suposto perigo que pessoas trans causariam a integridade sexual de crianças e o pânico moral sobre o uso dos banheiros.

Travestis, mulheres trans e transmasculinos enfrentam problemas clássicos da nossa classe, contudo, parece que a comunidade trans ainda é o fragmento social em que a burguesia e o Estado capitalista resistem em reconhecer humanidade e direitos. Por isso, uma luta unificada e organizada se faz urgente.

O que Alexandra Kollontai apontou sobre a condição das mulheres em A Primeira Conferência Internacional de Mulheres Socialistas vale também para a comunidade trans, quando diz “ (…) preservar a unidade da classe trabalhadora como principal garantia de sucesso na luta proletária”, ou seja, não podemos avançar na luta contra o capitalismo e o fascismo emergente sem que toda nossa classe esteja organizada e consciente de sua tarefa política de superar as condições de violência imposta pelo capitalismo.

Outro apontamento importante feito por Kollontai é de que “(…) a posição das mulheres proletárias (pessoas trans proletárias poderíamos dizer hoje) na sociedade contemporânea e as necessidades específicas que elas experimentam no campo das relações sociais criam uma base prática para condução de um trabalho especial ente o proletariado feminino ( entre o proletariado trans)”, podemos ver que o impasse enfrentado por pessoas trans não difere em nada ao das mulheres anos atrás, pois apenas a organização política marxista e revolucionária poderá oferecer um futuro pleno à todas as pessoas que necessitam vender sua força de trabalho para sua sobrevivência.

Vemos hoje um debate que coloca em destaque discussões abstratas sobre pessoas trans, em que nossas pequenas diferenças são alavancadas causando um sentimento de rivalidade e desunião, a proposta aqui feita é de que pessoas trans possam ter suas pautas integradas ao conjunto das pautas da classe trabalhadora, pois são exatamente as mesmas, como acesso ao trabalho formal, acesso ao ensino básico e superior e acolhimento humanizados nos serviços de saúde (porém com a especificidade de lutar contra o preconceito transfóbico inclusive presente em nossa classe) essas pautas podem unir toda a diversidade da comunidade trans contra o mesmo inimigo, o capitalismo.

Somente se estiverem unidos entre si e, ao mesmo tempo, com seu partido de classe na luta classes comum, podem (pessoas trans) deixarem de aparecer como um freio ao movimento proletário e marcharem confiantemente para frente, de braços dados com seus camaradas trabalhadores em direção a um objetivo nobre e almejado pelo proletariado: até um futuro novo, melhor e mais próspero” (KOLLONTAI, 1907).

Nos encontramos ainda nas margens, na prostituição, sofrendo com a violência urbana, a vasta falta de moradia digna, e tantas questões degradantes que o Estado burguês impõe sobre nós. A população trans na sociedade patriarcal capitalista ao mesmo tempo que é hipersexualizada, tenta-se, a partir do marketing de empresas e através do dircurso neoliberal de que os desafios da comunidade trans se daria pelo empreendedorismo ou pela vazia representatividade usada por empresas em datas de luta contra a transfobia. É do interesse da classe rica de que continuemos apenas enquanto comunidade consumidora de produtos, monetizando nossos sofrimentos.

É por isso que não nos cansaremos de lutar, pois não há força capitalista capaz de nos parar, se estivermos em coletivo e fortalecidas enquanto militantes de um Partido. Lutar e organizar a população trans é imperativo para a luta revolucionária e a construção do Socialismo.


*o texto original de Alexandra Kollontai se refere às mulheres, porém foi feita essa substituição para demonstrar a validade das mesmas colocações para pessoas trans.

Militares são condenados por roubar merenda do Colégio Militar do Recife

0

Sete militares foram condenados por desviar merenda do Colégio Militar do Recife. O crime demonstra o caráter golpista das Forças Armadas brasileiras, que às vésperas de se completarem 61 anos do golpe militar de 1964 ainda é comemorado nos quartéis país afora.

Clóvis Maia | Redação Pernambuco


BRASIL – Não é de hoje que sabemos que a corrupção e o golpismo são palavras e atitudes muito comuns entre as forças armadas brasileiras. Mas esse caso de corrupção em Pernambuco chama bastante atenção, apesar de não ter tido a devida repercussão na imprensa local.

Acontece que o Supremo Tribunal Militar (STM) condenou no início desse mês de março, sete militares do Recife, acusados de desviar merenda do Colégio Militar do Recife (CMR), na Cidade Universitária, zona oeste da cidade. O capitão João Martins Gomes Neto, junto com mais três sargentos, dois cabos e um soldado receberam penas entre cinco e sete anos de prisão, além de serem expulsos da corporação.

O esquema acontecia desde 2016, quando eles, usando o código “dia dos dez mirréis”, pegavam viaturas militares, fraudavam o controle do estoque e saíam na cara dura com caixas e pacotes de carne – de quebra ameaçando quem ousasse denunciar o esquema. Ao todo foram desviados cerca de 150 quilos de carne, um montante de R$69.533,08 do dinheiro público.

O detalhe é que o Ministério Público Militar teve que recorrer ao STM exatamente pelo fato dos réus terem sido absolvidos pela Justiça Militar no Recife por “falta de provas”. Ou seja: mesmo com vídeos, depoimentos de testemunhas e provas documentais do roubo das merendas no Colégio Militar do Recife, os milicos iriam se safar.

Não existe justiça para os militares

O problema é que a legislação brasileira para os militares serve exatamente para perpetuar esse espírito corrupto e golpista dos milicos – acostumados a comemorar, ainda hoje (61 anos depois), o golpe militar que depôs um presidente eleito e mergulhou o país em 21 anos de tortura, perseguição, censura e violência.

Quando ocorre um crime pelos militares, é a Justiça Militar quem acompanha o caso. Ou seja: resolvem entre eles mesmos. É por isso que, até hoje, não tivemos notícias de nenhum tipo de movimentação jurídica para prender os militares envolvidos nos acampamentos golpistas – que culminaram com a tentativa de golpe naquele 8 de janeiro de 2023. Esse crime, inclusive, está levando o ex-presidente Jair Bolsonaro a ser julgado junto com o general Braga Neto e outros militares. Se dependesse do STM nada teria acontecido.

As forças armadas brasileiras são corruptas

Essa denúncia de desvio de merenda escolar não é nada de novo entre os militares. Para além de uma tradição golpista, vale lembrar que durante o governo Bolsonaro houve uma escalada na corrupção promovida de forma escancarada pelas Forças Armadas, – a maioria dos casos soterrado pela mídia burguesa e também pelo próprio Supremo Tribunal Militar:

  • 2021: o Ministério Público denunciou superfaturamento de R$2,2 milhões em chicletes e R$32,7 milhões em pizzas e refrigerantes;
  • Ainda em 2021: deputados federais revelaram que o Alto Comando das Forças Armadas adquiriu 80 mil cervejas e 700 toneladas de picanha em compras suspeitas – suficiente para abastecer um batalhão por anos;
  • Em 2022 o Tribunal de Contas da União (TCU) denunciou um esquema em que o governo Bolsonaro simplesmente permitiu que 79 mil militares recebessem auxílio emergencial em plena pandemia. Vale lembrar que os militares não poderiam ter acesso a esse benefício;
  • E o mais escancarados casos de corrupção foram os R$15 milhões em leite condensado, obviamente superfaturados em 2021 e em 2023, quando o mesmo TCU mandou as Forças Armadas devolverem aos cofres públicos mais de R$27 mil depois de constatarem o superfaturamento na compra de Viagra.

Todos esses escandalosos casos não receberam a devida atenção da Justiça – seja pela maneira como os militares são tratados no Brasil, com todas as regalias possíveis e imagináveis, com toda uma legislação que permite que os próprios militares conduzam ou façam suas próprias leis.

Além disso, deram apoio aos fascistas em seus acampamentos golpistas, que culminaram na fatídica tentativa de golpe em 8 de janeiro — com direito de planos para assassinar o presidente da República.

Por isso, quando exigimos que os golpistas de ontem e de hoje sejam punidos, estamos exigindo também uma verdadeira mudança na forma de condução e tratamento das Forças Armadas — hoje, inimigas dos trabalhadores e da própria nação, servindo, como sempre fizeram, mais aos interesses das elites nacionais do que aos do nosso país.

Ufal aprova a diplomação póstuma de estudantes mortos pela Ditadura Militar

Em sessão do Conselho Universitário da Ufal, foram diplomados os estudantes Gastone Beltrão, Dalmo Lins e Manoel Lisboa de Moura. “Ver essa juventude gritando o nome de Manoel é saber que ele não foi esquecido”, afirmou Iracilda Moura, sobrinha de Manoel Lisboa e conselheira da universidade

Lenilda Luna | Maceió (AL)


No dia 1º de abril, quando se completou 61 anos do Golpe Militar que mergulhou o Brasil em trevas por 21 anos, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) realizou uma sessão ordinária do Conselho Universitário para apreciar o requerimento das conselheiras docentes, Emanuelle Rodrigues e Iracilda Moura, para conceder diplomas póstumos a estudantes da Ufal mortos pela ditadura militar: Gastone Beltrão, Dalmo Lins e Manoel Lisboa de Moura.

Familiares, docentes, estudantes e militantes de movimentos sociais lotaram a Sala dos Conselhos. Entre os homenageados, Manoel Lisboa de Moura, líder revolucionário alagoano brutalmente assassinado pelo regime ditatorial, foi celebrado pelas palavras de ordem dos militantes da UJR, Correnteza, PCR e UP que estavam no plenário, reafirmando o compromisso com a luta por uma sociedade socialista e pelo resgate da verdade histórica.

O momento mais marcante foi o discurso de Edival Cajá, sobrevivente da repressão da ditadura e último preso político a ser libertado no Brasil, que falou em nome do Centro Cultural Manoel Lisboa. Cajá ressaltou a importância da memória histórica e da resistência dos que lutaram por um Brasil mais justo. Em sua fala, lembrou as torturas sofridas pelos companheiros de luta e denunciou os mecanismos repressores do regime militar, destacando a cadeia de comando que autorizava as prisões e execuções políticas.

“Manoel Lisboa viveu para lutar. Ele não tinha medo do futuro que o esperava. Ele se preparou para enfrentar essa ferocidade, consciente do papel histórico que desempenhava. Por isso, a juventude presente aqui hoje, vestindo sua camisa e entoando suas palavras de ordem, mostra que seu legado está vivo”, afirmou Cajá emocionado.

Cajá ainda destacou a necessidade de manter viva a luta daqueles que tombaram lutando contra a repressão. “O Brasil ainda precisa acertar suas contas com o passado. Os algozes da ditadura nunca foram devidamente responsabilizados e os jovens de hoje devem carregar essa bandeira da memória, da verdade e da justiça”, conclamou.

Ele também recordou a firmeza de Manoel Lisboa diante da tortura: “Os militares tentaram de tudo para arrancar informações de Manoel Lisboa. Mas ele se manteve irredutível. Ele não traiu seus companheiros, ele não cedeu. Preferiu enfrentar a morte a entregar a luta revolucionária.”

Falando como conselheira e também como familiar, Iracilda Moura, sobrinha de Manoel Lisboa, ressaltou a importância da homenagem para a construção da justiça histórica. “Foram décadas de silêncio e dor. Hoje, ver essa juventude gritando o nome de Manoel é saber que ele não foi esquecido”, disse ela, emocionada.

O reitor Josealdo Tonholo destacou que a Ufal, ao conceder os diplomas póstumos, não apenas repudia a brutalidade cometida pelo Estado durante a ditadura, mas também reforça a necessidade de preservar a memória daqueles que foram silenciados por defender a democracia e a justiça social.

Fala de Edival Nunes Cajá emocionou os presentes. Foto: Renner Boldrino (Ascom Ufal)
Fala de Edival Nunes Cajá emocionou os presentes. Foto: Renner Boldrino (Ascom Ufal)

Comitê Memória, Verdade e Justiça de Alagoas também realizou atividades

Além do comparecimento à sessão do Conselho Universitário, o Comitê Memória, Verdade e Justiça de Alagoas também realizou atividades em Maceió e no Interior. ​Em 31 de março de 2025, o comitê organizou o “Cine Memória” no Cine Arte Pajuçara, em Maceió. O evento incluiu a exibição de documentários e debates com militantes. O companheiro Ésio Melo, presidente da UP em Alagoas, foi um dos debatedores.

Em Palmeira dos Índios, o comitê promoveu um evento que reuniu historiadores, ex-presos políticos e membros da sociedade civil para compartilhar relatos e análises sobre o período ditatorial, enfatizando a relevância da verdade e da justiça na construção da democracia.​

No Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes (ICHCA) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal, o professor Marcelo Góis coordenou uma mesa-redonda com acadêmicos e estudantes. O debate abordou as consequências da repressão política em Alagoas e estratégias para a preservação da memória coletiva.

Iracilda Moura, sobrinha de Manoel Lisboa, foi uma das conselheiras presentes na diplomação. Foto: Renner Boldrino (Ascom Ufal)
Iracilda Moura, sobrinha de Manoel Lisboa, foi uma das conselheiras presentes na diplomação. Foto: Renner Boldrino (Ascom Ufal)

Agronegócio e mineradores atacam saúde da população de Corumbá (MS)

0

Para impedir a presença do Estado na região, que pode ampliar fiscalização de atividades ilegais, agronegócio e mineradores pressionam a prefeitura de Corumbá (MS) a rejeitar projetos que melhorariam a saúde pública do município, como a utilização de “ambulanchas” e a criação de uma UBS fluvial e pontos de apoio médico no Rio Corumbá.

Redação MS


Durante uma recente brigada do jornal A Verdade, os moradores de Corumbá (MS) denunciaram aos brigadistas o enorme descaso do poder público com a saúde no município. A população enfrenta uma grave crise na saúde pública. Filas enormes, falta de médicos e péssimas condições dos equipamentos de saúde são algumas das principais reclamações. O cenário é ainda pior para as comunidades ribeirinhas e assentados, populações afastadas do centro urbano do município, que sofrem com a falta de atendimento contínuo e de qualidade.

Por Corumbá ser um dos mais extensos municípios do país, com mais de 64 mil km², muitas famílias precisam esperar dias por caronas ou pagar caro pelo transporte fluvial para acessar qualquer serviço público de saúde. Milhares de moradores estão a dezenas de quilômetros da Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima.

Agro faz lobby contra melhorias na saúde

Diante desse quadro, seria esperado que as autoridades municipais recebessem com festa qualquer investimento externo que melhorasse as condições da saúde local. Ledo engano. Em 2023, o superintendente do Ministério da Saúde no Mato Grosso do Sul, Ronaldo de Souza Costa, reuniu-se com o então prefeito Marcelo Lunes (PSDB) para apresentar projetos como a criação de uma UBS fluvial, a entrega de ambulanchas e a organização de pontos de apoio médico ao longo do rio Paraguai, que passa pelo município.

Com apoio financeiro das autoridades federais, incluindo os recursos destinados à remuneração do pessoal necessário, essas iniciativas, já implementadas com sucesso na Amazônia, têm o potencial de melhorar significativamente a qualidade de vida dos moradores ribeirinhos. No entanto, foram negligenciadas.

Sob pressão do agronegócio, que rejeita a presença do Estado na região, o município não aderiu aos projetos. Há décadas, latifundiários e mineradores ilegais atacam a população pantaneira para expulsá-la e ampliar o controle sobre as terras. A precariedade no atendimento de saúde, nesse contexto, favorece seus interesses. Além disso, uma maior presença estatal poderia intensificar a fiscalização contra crimes ambientais, como queimadas e desmatamento.

Mesmo após uma nova visita do superintendente do Ministério da Saúde em 28 de janeiro de 2025, quando se reuniu com a Vice-Prefeita e Secretária de Assistência Social e Cidadania, Bia Cavassa, e com o Secretário de Saúde, Antônio Juliano de Barros, o projeto não foi encaminhado pelo atual prefeito Gabriel Alves (PSB). Isso coloca em risco os prazos e pode levar à repetição do erro da administração anterior.

Diante do silêncio da prefeitura, movimentos sociais como o Movimento nos Bairros, Vilas e Favelas, bem como a Unidade Popular, articulam formas de pressionar as autoridades locais.