UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
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Copa para Quem?

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No último dia 25 de janeiro, a cidade de São Paulo foi marcada pelo primeiro protesto por direitos sociais e contra os gastos com a Copa da Fifa.  A concentração começou às 16h, no Masp, com cerca de duas mil pessoas que levantavam cartazes exigindo mais saúde, educação e moradia digna.Contra copa CAPA

As principais palavras de ordem foram: “Se não tiver direitos, não vai ter Copa” e “Copa para quem?”. Com estas mensagens, o povo saiu às ruas para dizer que quer mais hospitais; melhor educação pública e mais vagas nas universidades; melhoria dos transportes públicos e baixas tarifas; passe-livre para estudantes e desempregados; moradia digna e reforma urbana; enfim, uma vida digna e garantia dos direitos básicos para o povo.

Porém, mesmo se tratando de uma manifestação justa e garantida pela Constituição Federal, a Polícia Militar montou um aparato para reprimir e criminalizar o protesto popular. Eram mais de mil policiais e dezenas de viaturas, Força Tática, Batalhão de Choque e até helicópteros.

Todo esse aparato não intimidou os milhares de jovens, trabalhadores, militantes dos movimentos negros e de mulheres, de organizações sociais e partidos políticos de esquerda. A manifestação seguiu firme pela Av. Paulista e, em seguida, entrou pela Av. Brigadeiro Luiz Antônio, em direção ao Centro da cidade, já contando com mais de três mil pessoas.

Tudo corria bem até que a passeata começou a se aproximar do Centro da cidade, onde acontecia a comemoração do aniversário de São Paulo. De acordo com o comandante da PM, 900 policiais seguiam a manifestação. O plano da Polícia para impedir a continuidade da marcha era cercar os manifestantes e encurralá-los, prender quantos fosse possível e, utilizando bombas e balas de borracha, dispersar os demais.

Na altura do Hotel Linson, na Rua Augusta, centenas de pessoas que protestavam pacificamente ficaram encurraladas, sendo alvejadas por balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.

Foi nesse momento que um grupo de jovens, estudantes, mulheres e trabalhadores se refugiaram no saguão do hotel, buscando se proteger e salvar suas vidas. Em seguida, um grupo de policiais do Batalhão de Choque, armados de escopetas e pistolas, invadiu o Linson disparando balas de borracha e agredindo as pessoas indefesas.

O fotojornalista Felipe Larozza conseguiu filmar a brutalidade da ação policial. No vídeo disponível na internet é possível ouvir os gritos dos policiais, que disparavam tiros e jogavam as pessoas no chão como marginais.

“Venho cobrindo as manifestações desde junho passado como fotógrafo, e a atitude da Polícia Militar não me surpreende mais. No entanto, desta vez, eles entraram num hotel, com hóspedes e pessoas que não tinham nada com a situação, e dispararam tiros de bala de borracha em local fechado, à queima roupa”, declarou Felipe à imprensa.

Após a invasão da PM, iniciaram-se as agressões com socos, chutes e cassetetes. Mulheres foram agredidas e chamadas de vacas e vadias pelos policiais. Os celulares foram desligados, e as imagens das câmeras internas confiscadas para que nada fosse divulgado.

O principal ferido foi o estudante de Química Industrial da Unifesp, Vinícius Duarte, de 26 anos, que teve o rosto inteiro machucado, três dentes quebrados e traumatismo no maxilar. O jovem ficou com um coágulo na cabeça, terá que passar por uma cirurgia para refazer o maxilar e uma plástica no nariz.

Na versão dada pela PM e registrada no Boletim de Ocorrência, lia-se: “Diante de tais fatos e da resistência oferecida, foi necessário usar força moderada e necessária para vencer a resistência”.

Porém, nas palavras de Vinícius, os fatos foram bem diferentes:

“Dentro do hotel estava pacífico e não tinha ninguém com capacidade para oferecer resistência. Mesmo assim a polícia chegou batendo em todo mundo e ainda apontava armas enormes em nossa direção.”

Ao todo, 128 pessoas foram presas, dentre elas militantes do PCR, UJR, PSOL, vários professores da Apeosp, estudantes da USP e Unifesp e as companheiras Katerine Oliveira (vice-presidente da UNE), Aline Bailo (presidente do Grêmio do Instituto Federal de SP e diretora da Fenet) e Vivian Mendes (assessora da Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva).

Para justificar as agressões, a TV Globo e os demais meios de comunicação burgueses buscavam imagens e fatos distorcidos que pudessem incriminar os manifestantes e taxá-los de vândalos e baderneiros. Como de costume, deram amplo destaque para as vidraças quebradas de alguns bancos e revendas de carros importados, atacados por jovens por se tratarem de símbolos do imperialismo, da opressão financeira e do Estado capitalista em nível mundial.

Vale lembrar que estas instituições financeiras, tão fortemente defendidas pela Globo e pelo Estado brasileiro, são responsáveis pela crise financeira iniciada em 2008, pela sangria da dívida pública, por milhões de trabalhadores desempregados no Brasil, na Europa e nos EUA. São também responsáveis pelas mortes de milhares de inocentes nas guerras no Iraque, no Afeganistão, na Palestina, na Líbia, todas financiadas pelo capital financeiro e pela indústria petroleira mundial.

Nas edições dos telejornais da Globo no domingo e na segunda-feira apareceram imagens de um carro incendiando depois de passar por cima de um colchão em chamas. A Globo monta uma farsa para induzir a opinião pública a pensar que foram os manifestantes que atearam fogo no carro. Omitem, porém, que foram os próprios manifestantes que socorreram a família, retirando-a do carro em chamas depois dele se enganchar no colchão por acidente.

Outro fato gravíssimo foi a abordagem policial durante a perseguição de jovens que participavam do protesto, que terminou com o estudante Fabrício Proteus, de 22 anos, sendo baleado por policiais militares e internado, com risco de morte, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), na Santa Casa, no Centro de São Paulo.

A PM de São Paulo alega que o jovem teria resistido e ameaçado a vida dos policiais com um estilete, versão que é reforçada pela Globo. Porém, uma moradora da região disse à imprensa que ouviu três disparos por volta das 23h e escutou gritos que diziam: “mata, mata mesmo”. Na realidade, fica difícil acreditar na versão policial: como um jovem estudante, com um simples estilete, poderia ameaçar a vida de policiais armados com potentes armas?

Para o defensor público Carlos Weis, que acompanhou o resgate do ferido, “a Polícia agiu com absoluto excesso e despropósito na situação”.

A mídia, além de mentir e falsificar os fatos, também omite da população as verdadeiras e justas reivindicações do povo, por isso foi tão fortemente repudiada durante os protestos de junho. Não divulgam por exemplo, o que estava escrito  no manifesto do Movimento, escondendo da população as verdadeiras causas de o povo estar indo às ruas:

“Os gastos bilionários na construção de estádio não melhoram a vida da população, apenas retiram investimentos dos direitos sociais… Nosso manifesto é em defesa das pessoas, contra os interesses do lucro e daqueles que querem transformar tudo em mercadoria”. (Trecho do manifesto “Se não tiver direitos, não vai ter Copa!”)

A juventude e o povo brasileiro já demonstraram, em junho, que não adianta reprimir e nem mentir para a população. Vamos continuar lutando antes, durante e depois da Copa da Fifa, pois não podemos aceitar que a Fifa ponha uma mordaça em nosso povo, nem tampouco que nossas riquezas, como o pré-sal, continuem sendo entregues ao capital internacional.

Wanderson Pinheiro, São Paulo

Prefeitura de Patos ignora concursados

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Luta!A Prefeita Municipal de Patos, no Sertão paraibano, vem desrespeitando decisões judiciais que determinam a posse de concursados no serviço público. As decisões liminares e já sentenciadas são ignoradas pela prefeita Francisca Motta (PMDB), levando os futuros servidores a realizar um ato público durante a manhã do último dia 15 de janeiro.

O ato foi organizado pelo Movimento Luta de Classes (MLC) e contou com o apoio do Sindicato dos Funcionários Público Municipais de Patos e Região (Sinfemp), da Seccional Patos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Durante a concentração em frente ao prédio da Prefeitura, foi lido e circulado um abaixo-assinado pedindo ao Ministério Público Estadual que se posicione frente ao desrespeito à decisão judicial. O pedido está fundamentado no Decreto-Lei n.º 201/67 e na Lei nº 8.429/92, que trazem punições ao gestor que descumprir determinações judiciais, entre elas, o afastamento.

Uma comissão formada pelas entidades presentes e pessoas que tiveram sentenças e liminares favoráveis para o ingresso no serviço público da Prefeitura foi recebida pelo procurador do Município, Walber Motta, pelo secretário de Administração, Charles Willians, e advogados da gestão. A reunião frustrou os presentes que ouviram dos representantes da Prefeitura que as liminares seriam analisadas e que um levantamento seria realizado até o dia 17.

Insatisfeitos com os encaminhamentos da reunião, que não teve a presença da prefeita, os representantes dos trabalhadores se deslocaram até a sede do Ministério Público Estadual (MPE) para pedir ajuda.

O advogado Taciano Fontes, que deu suporte ao movimento, mostrou-se indignado com a posição dos representantes da prefeita Francisca Motta. “A situação é bem mais grave do que a gente pensa, pois está se abrindo um precedente negativo para a Justiça, que não pode aceitar que a gestora trate as decisões judiciais a seu bel-prazer. Existem leis que precisam ser cumpridas. A Justiça não pode ser desmoralizada”, disse Taciano.

“Temos uma avaliação negativa da reunião. Os representantes da Prefeitura disseram que vão analisar cada caso das liminares. Então os assessores da prefeita vão analisar que liminares vão cumprir?”, disse Antonio Coelho, do MLC.

“A Prefeitura não tem interesse em resolver as questões que são apresentadas. A decisão é política, mas estão levando para uma questão jurídica. Se em Patos não estão se cumprindo liminares, então imagine as demais questões. Não estão dando um tiro no pé de Francisca Motta não, estão dando um trio no seu coração”, disse José Gonçalves.

Jozivan Antero – Patos-PB

Que é software livre?

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linuxMuita confusão se faz entre o “software livre” (“free software”) e o “software de código aberto” (“open source software”).

O fato de o software não ser proprietário não significa que este seja, necessariamente, livre; pode ser apenas de código aberto, que é um modelo de negócio, como o Linux Internacional, mais avançado em termos de propriedade intelectual, mas longe de ser um “software livre”.

O chamado software livre está muito além de um simples modelo de distribuição e desenvolvimento de programas de computador; é uma filosofia carregada de conteúdo ideológico. Filosofia porque tem como fundamento a liberdade do conhecimento como elemento moral, ético e social. Ideologia porque apresenta uma mudança nas relações de produção.

Nos anos 1960 até meados dos anos 1970, não havia um mercado estruturado para o software. O hardware era o produto vendido, os sistemas operacionais acompanhavam o hardware. Como fazia  a IBM, que, juntamente com o computador, disponibilizava os códigos-fontes dos programas, que podiam ser alterados e redistribuídos livremente; os grupos de usuários como o SHARE (IBM) participavam e até organizavam o intercâmbio entre os usuários. Nessa etapa, os softwares tinham uma construção específica para um determinado fim, e, quando havia melhoria na construção, a mudança no programa era normalmente trocada entre os usuários. Isto envolvia não só as organizações, mas também as universidades e centros de pesquisa, sem preocupação com os direitos de propriedade intelectual.

Era muito comum a troca de experiência entre os programadores. Quando um programador desenvolvia uma determinada rotina, outros a recebiam como uma inovação, e, a partir do conhecimento do código-fonte, este era introduzido em outros programas. Logo, havia o compartilhamento das soluções tecnológicas, transformando o esforço individual em produção coletiva.

No fim da década de 1970 e durante os anos 1980, a AT&T mudou radicalmente sua política, restringindo a liberdade de modificação do código-fonte do Unix até o ponto de processar judicialmente a Universidade da Califórnia por publicar o código do Unix. O termo “Unix” se tornou uma marca, o que levou as concorrentes – como a IBM, HP, Digital e SUN – a desenvolverem seus próprios produtos. Esta diversificação acabou com a possibilidade de um mesmo sistema poder operar em todos os equipamentos.

O conflito de maior significado se dá em 1983. Stallman, um programador do laboratório de inteligência artificial do MIT (Massachusetts Institute of Technology), vê-se em dificuldade para a impressão de seus trabalhos em uma impressora laser substituta de uma antiga impressora matricial, que tinha seu código adequado à natureza do trabalho realizado pelos técnicos do MIT, o que não acontecia com a nova impressora laser da Xerox. Stallman entra em contato com o fabricante da impressora e pede para inserir as modificações na impressora matricial. Após longa negociação, o fabricante cedeu, com a condição de que fosse firmado um acordo de sigilo pelos programadores.

No nosso estágio evolutivo, uma sociedade que procura a liberdade tem que avançar para novas concepções de liberdade, indo além das definições tradicionais de liberdade econômica, política e intelectual. Este fenômeno pode ser bem compreendido a partir do pensamento de Marx e Engels sobre este processo de desaparecimento do antagonismo entre classes; em nosso caso, proprietário do software e usuário deste:

O que demonstra a história das ideias, senão que a produção intelectual se transforma com a produção material? As ideias dominantes de uma época sempre foram apenas as ideias da classe dominante. Quando se fala de ideias que revolucionam uma sociedade inteira, isto quer dizer que, no seio da velha sociedade, formaram-se os elementos de uma nova sociedade, que a dissolução das velhas ideias marcha de par com a dissolução das antigas condições de vida”.[1]

A concepção proprietária traz consigo toda a carga de alienação da propriedade privada, compra consciências e anula sua própria consciência, como escreve Basbaum[2]:

“O capital gera a competição, a luta mortal do homem contra o homem. O amor é substituído pelo ódio, a paz pela guerra e pela violência. Porque como dono, ele não mais se pertence, pertence ao capital que passa a estimular e a motivar os seus atos. É um instrumento do sistema. Em troca dessa alienação, ele ‘goza a vida’, mas perdeu para sempre sua alma e sua consciência. No ato de ter, ele deixa de ser”.

Dentro desta visão da tecnologia como fator de humanização e não de apropriação, seguem quatro questões fundamentais para que um programa seja considerado software livre:

1) Liberdade para executar o programa, não importando o propósito.

2) Liberdade para estudar o programa, para adaptá-lo conforme suas necessidades, o que torna o conhecimento do código-fonte essencial; caso contrário, esta tarefa se torna uma “missão impossível”.

3) Liberdade para reproduzir e redistribuir cópias, tanto de forma gratuita, como com a venda da cópia.

4) Liberdade para aperfeiçoar o programa e distribuir as suas versões modificadas, de modo que toda a comunidade se beneficie com suas melhorias; neste caso, o acesso ao código-fonte também é essencial.

Um programa só poderá ser considerado livre se todos os seus usuários desfrutarem desses quatro graus de liberdade.

Joaquim Adérito, pesquisador do INPI e militante do MLC



[1] Marx, Engels, “Manifesto do Partido Comunista”,  capítulo “Proletários e Comunistas”- Martin Claret, 2004.

[2] Basbaum, Leôncio, “Alienação e Humanismo”, Capítulo”Da Alienação”, Editora Símbolo, 1977.

 

 

Para atender a Fifa, pobres são despejados

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A ocupação é uma forma de luta válida - Orlando Alves dos Santos JúniorAs últimas décadas têm sido marcadas por um intenso processo de urbanização em nosso país, que agravou inúmeros problemas econômicos, sociais e ambientais, como a desigualdade social, a favelização das cidades, a violência, a carestia de vida, a especulação imobiliária, a carência de serviços públicos, a poluição e a divisão do espaço urbano entre ricos e pobres. 

Hoje já não são apenas mendigos e crianças, mas famílias inteiras que fazem das ruas, calçadas, praças, pontes e viadutos das cidades brasileiras seus lares. Mais do que nunca, o direito à cidade é uma necessidade para a afirmação da própria dignidade humana.

Para tratar dessas questões, A Verdade entrevistou o sociólogo Orlando Alves dos Santos Júnior, doutor em planejamento urbano e professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR-UFRJ), pesquisador da rede Observatório das Metrópoles e coordenador da pesquisa Metropolização e Megaeventos: impactos da Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016 sobre as metrópoles brasileiras.

A Verdade – Qual o papel do Observatório das Metrópoles?

Orlando Jr. – A rede Observatório das Metrópoles reúne instituições de pesquisa ligadas às universidades e órgãos públicos de planejamento e pesquisa e a organizações não governamentais. Criada em 1995, a ideia fundadora do projeto centrava-se na construção de um instrumento sistemático de estudo, pesquisa, organização e difusão de conhecimentos sobre os novos modelos de políticas urbanas e gestão municipal, voltados para a promoção da cidadania e da justiça social na cidade. O Observatório das Metrópoles busca articular pesquisa, ensino e prática social, com a finalidade de traçar diagnósticos em torno de políticas públicas que permitam a redução das enormes desigualdades sociais existentes nas metrópoles.

Que impactos a realização de megaeventos como a Copa da Fifa traz às cidades brasileiras? Há um processo de expulsão da população pobre para as periferias?

É evidente que os megaeventos esportivos no Brasil estão associados a grandes projetos urbanos, a um projeto de cidade. Não é possível separar a Copa do Mundo e as Olimpíadas dos projetos de cidade que estão sendo implementados. E isso se traduz no próprio orçamento que está sendo disponibilizado e nos próprios investimentos feitos nas cidades. A análise da nossa pesquisa até o momento confirma a hipótese inicial de que, associada aos megaeventos, estaria em curso o que a gente chama de “nova rodada de mercantilização” das cidades, uma elitização das metrópoles brasileiras associada à difusão de uma certa governança empreendedorista de caráter neoliberal e o fortalecimento de certas coalizões urbanas de poder que sustentam esse mesmo projeto. Claro que isto é uma análise sob o ponto de vista nacional, mas é possível identificar diferenças significativas entre as cidades-sede. Nesse processo é possível identificar diversos impactos econômicos, políticos e sociais. Do ponto de vista social, em geral, as áreas de grande interesse econômico, que são as áreas de valorização imobiliária, de interesse dessas coalizões de poder, estão ocupadas por classes populares. Então, verifica-se que esse projeto vem acompanhado, em grande parte dos casos, de um processo de relocalização dos pobres e, portanto, de processos de remoção e violação do direito à moradia, que têm acontecido em quase todas as cidades que receberão os jogos da Copa e das Olimpíadas. Esse projeto empreendedorista de cidade que está sendo imposto é marcado por uma relação promíscua entre o poder público e o poder privado, uma vez que o poder público se subordina à lógica dos interesses privados, de diversas formas, entre elas as parcerias público-privadas. Mas esta não é a única. A Lei Geral da Copa, por exemplo, não é uma parceria público-privada, mas também é outra forma de subordinação, pelo fato de o Estado adotar um padrão de intervenção por exceção, incluindo a alteração da legislação urbana para atender aos interesses privados. Em suma, uma série de medidas de exceção demonstram essa relação promíscua entre interesses públicos e privados.

Fala-se muito do “direito à cidade”, mas o que significa?

O direito à cidade significa o direito de todos e de todas ao acesso à habitação e a todos os serviços relacionados à vida urbana e necessários ao bem-estar coletivo. Mas a cidade capitalista não é composta apenas de bens e serviços urbanos, pois envolve também um estilo de vida, uma forma de organização social. Portanto, o direito à cidade também inclui – talvez principalmente – o direito de dizer em que cidade se quer viver, ou seja, inclui o direito de recriar a cidade. Assim, o ideário do direito à cidade reconhece que a forma como a cidade se organiza, a gestão da cidade e a própria forma física da cidade devem estar subordinadas a uma radical democracia, na qual a população possa efetivamente dizer em que cidade deseja morar e como a cidade deve funcionar. Portanto, um aspecto fundamental do direito à cidade é o direito de todos dizerem que cidade desejam e, inclusive, o direito de decidir destruir partes dessa cidade subordinada ao capital e aos interesses econômicos e construir outra, para as pessoas, que seja expressão de uma nova sociedade, mais justa, mais solidária e mais humana. O ideário do direito à cidade se traduz numa série de lutas: o movimento popular que está lutando pelo acesso à moradia e a associação de moradores que está lutando por uma linha de ônibus, pela creche, por um posto de saúde, por exemplo; estão lutando pelo direito à cidade. Mas o direito à cidade na sua plenitude é, fundamentalmente, um programa anticapitalista porque parte da crítica da produção da cidade capitalista e da impossibilidade de, sob o capitalismo, termos efetivamente uma cidade justa e democrática para todos.

Que avaliação você faz da implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio de Janeiro?

Apesar de as UPPs terem o mérito de gerar mais segurança nas favelas, libertando esses espaços da sua subordinação ao poder do tráfico armado, do ponto de vista urbano é preciso considerar alguns aspectos críticos. Em primeiro lugar, as UPPs estão concentradas nas favelas situadas na Zona Sul, conformando um arco espacial de grande interesse do setor imobiliário. O resultado foi uma grande valorização do preço do solo das favelas situadas nesse espaço e nos bairros adjacentes. Isso porque não foram adotados instrumentos de desmercantilização do solo e proteção da posse das famílias. Com o encarecimento da vida, hoje percebem-se vários indícios de elitização dessas favelas e da progressiva “expulsão branca” dos moradores, pelo mercado. Em segundo lugar, em várias favelas com UPPs percebem-se ameaças e processos de remoção de famílias para atender a interesses do mercado – como, por exemplo, no caso do Pico do Santa Marta ou da Estradinha. Não há justificativa para o poder público não investir em um projeto de urbanização que garanta a permanência das famílias nessas comunidades. Em terceiro lugar, do ponto de vista político, percebe-se que o processo de implantação das UPPs não foi acompanhado da abertura de canais de participação da comunidade, de respeito à cultura local e de mecanismos de controle social, gerando uma série de arbitrariedades, incluindo casos de violência policial. A meu ver, os graves problemas desse projeto indicam que ele está longe de se constituir em modelo para outras cidades, mas pode ser aperfeiçoado. Assim, acredito que uma avaliação sobre suas falhas é capaz de iluminar o desenvolvimento de programas que efetivamente possam promover a cidadania das favelas e comunidades segregadas.

Como avalia o programa Minha Casa, Minha Vida?

Penso que o combate ao déficit habitacional passa pela adoção de um conjunto de medidas: adoção de instrumentos de desmercantilização do solo urbano e da habitação; a regulação do mercado imobiliário; investimentos na construção de habitação de interesse social em áreas infraestruturadas; investimentos na construção de habitação de interesse social através da autogestão; a adoção de programas de moradia nas áreas centrais; o reconhecimento da propriedade social ou coletiva; a articulação dos programas de habitação de interesse social com as políticas de saneamento ambiental e mobilidade urbana; e a efetiva participação popular dos processos decisórios relativos à política habitacional e a política urbana. De um lado, o Minha Casa, Minha Vida expressa, pela primeira vez na nossa história recente, um programa de habitação popular reconhecido como política habitacional, não como política de assistência. E acho que é um avanço o reconhecimento da responsabilidade do Estado no provimento habitacional para a população de baixa renda que não consegue acessar moradia via mercado. E, em parte, minoritariamente, esse programa, em especial o Minha Casa, Minha Vida Entidades, também engaja movimentos de moradia vinculados à autogestão e à produção habitacional. No entanto, por outro lado, o atual desenho institucional do programa é claramente subordinado aos interesses do mercado imobiliário e dos agentes que controlam a terra. Desta forma, esses agentes que controlam a produção de moradia no Brasil tem se apropriado do subsídio público. Isso tem dois efeitos. Em muitos casos, as casas poderiam ser construídas com menos recursos do que efetivamente são feitas pelos agentes imobiliários. Além disso, são quase inexistentes projetos habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida para baixa renda em áreas centrais em qualquer capital do Brasil. Em geral, esses conjuntos habitacionais são construídos nas áreas periféricas.

Por que é tão difícil construir moradia digna para a população mais pobre?

O problema fundamental na economia capitalista é que a moradia e o solo urbano são mercadorias e, como mercadorias, são bens comercializáveis, podem ser vendidas e compradas. Por essa razão, o acesso à moradia e ao solo urbano passa a ser mediado pelas regras que definem o acesso e o uso da propriedade privada. E como qualquer mercadoria no capitalismo, a moradia e o solo urbano têm valor de uso e valor de troca. Assim, para uns, a moradia é valor de uso (para os seus usuários, como, por exemplo, os moradores, trabalhadores e comerciantes) e, para outros, ela é valor de troca (para aqueles que produzem moradia para vender ou alugar, como os loteadores, construtores etc.). Essa abordagem permite ver a cidade como uma arena onde se defrontam diferentes agentes com diversos interesses. Cada agente busca atingir seus objetivos, seja com relação à sua existência e reprodução social na cidade, seja com relação às possibilidades de ganhos materiais e acumulação de riqueza. Como no capitalismo o poder está sob o controle dos agentes econômicos, esses agentes têm força para impor seus interesses e subordinar os direitos sociais ao mercado e ao lucro. Por isso torna-se tão difícil investir na construção de moradia diga para a população mais pobre.

Qual o papel dos movimentos de moradia diante desse quadro? Ocupar ainda é válido?

Uma questão central nos conflitos urbanos é a disputa entre, de um lado, a habitação e o solo urbano como mercadorias e, de outro, a habitação e a terra urbana como direitos. Nesse contexto, o papel dos movimentos de moradia é, a meu ver, lutar pela desmercantilização da habitação e do solo urbano e pelo direito à cidade na sua plenitude. Ou seja, lutar para que todos e todas tenham acesso a todos os bens e serviços necessários a uma vida digna na cidade, e ao mesmo tempo lutar por outra cidade radicalmente diferente para as pessoas, mais justa e democrática. Nesse conflito, a meu ver, permanece válida a ocupação como uma forma de luta que afirma a função social da propriedade. A existência de terras urbanas ociosas que não cumprem sua função social é uma violência inaceitável enquanto existirem moradores sem teto.

Heron Barroso, Rio de Janeiro

Rolezinho contra o apartheid

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alckmin-rolezinho-rolezodromoApós meses de silêncio, a grande mídia começou a noticiar a existência (e os conflitos) dos chamados “rolezinhos”. Mas quem são, afinal, os jovens que participam dessas manifestações?

Inicialmente, são adolescentes da periferia e de comunidades pobres, uma parte de férias escolares, outra já na fase final da adolescência, que vivem suas primeiras experiências no mercado de trabalho. Não têm gastos maiores com casa, nem família para sustentar, pois moram com os pais. Marcam encontros para paquerar, ouvir o funk que toca nas rádios e fazer outras coisas que jovens de qualquer grande cidade fazem. Antes, marcavam esses encontros nos bairros onde moravam; depois, nos centros comerciais e shoppings tradicionalmente frequentados pela classe média das grandes cidades brasileiras.

Com os contatos feitos por meio de redes sociais, o número de convidados aumenta e o de participantes também.

Esses jovens, porém, passaram a ser recebidos como bandidos e considerados de “alto grau de periculosidade”. No mês de novembro passado, um rolezinho foi anunciado como “arrastão” em Vitória (ES). Em São Paulo, os jovens foram recebidos violentamente, inicialmente pelos seguranças dos shoppings e depois pela Polícia, em alguns casos com direito à Tropa de Choque, bombas de efeito moral e gás de pimenta. Mais de 20 jovens foram detidos, apesar de nenhum roubo, furto ou saque ter sido registrado.

A população ficou dividida, mas não indiferente. Uma parte da classe média se dizia “ameaçada”, com medo dos “arruaceiros” e dos supostos arrastões. O representante de um grupo de shoppings em São Paulo, Nabil Saynoun, afirmou que “esse movimento tem que ser respeitado em seu lugar específico; shopping não é lugar para essas pessoas”. Disse ainda que esses jovens deveriam ir se divertir no sambódromo, que é lugar para eles!

Façamos uma reflexão: quais são os critérios tomados em consideração para definir esses jovens como “perigosos”? Não seriam aspectos de aparência, como cor da pele (sendo esses em sua maioria negros) e seus comportamentos, classificados como de “favelados”? A roupa não necessariamente é um critério, pois cada vez a moda de adolescentes das diversas classes se parece mais (o que muda é ser de marca “original” ou falsificada)… Com o recente aumento do poder aquisitivo de uma camada da população, tanto playboys quanto favelados usam o tênis da moda (seja ele autêntico ou não), ou usam o boné do momento. Até mesmo o funk, hoje o funk ostentação, há anos é consumido pelos filhos da classe média. Alguém já ouviu alguém dizer que teve medo da multidão de jovens na saída de uma micareta? Aí ninguém tem medo.

Mas fazemos a pergunta: apesar de privados, os shoppings são abertos ao público e, segundo a Constituição Federal, nenhum cidadão pode ser discriminado em espaços públicos (ou em qualquer outra circunstância) por classe social, raça, gênero, crença religiosa, etc…? Por isso, existe a outra parte da população, indignada com a discriminação social e racial sofrida por esses jovens ao serem negros e pobres. Aqueles que se colocaram contra dizem que é um absurdo serem assim acusados, que não é uma questão de racismo, que é uma questão de “bom senso”, pois lá não é lugar para eles…

A cultura discriminatória no Brasil

Tal nos remete a um trecho do livro O feitor ausente, de Leila Mezan Algranti, onde a autora fala da chegada de imigrantes europeus pobres tentando fugir das guerras e da fome. Eles tinham baixa escolaridade e eram na maioria camponeses. Ao chegarem, eram orientados a não realizar trabalhos considerados inferiores e, portanto, “trabalho de pretos”. Esses imigrantes rapidamente eram estimulados a se tornarem profissionais liberais e a comprar dois ou três escravos para ajudar a sua economia familiar, o que dava certo status social.

Hoje a situação se inverte. Após mais de 400 anos de escravidão da população negra no Brasil, podemos perceber que a ideologia da classe dominante deu as mãos ao racismo, tornando-o um importante braço para fortalecer a discriminação. Ele ajuda a fortalecer a ideia de “superioridade” de uns e “inferioridade” de outros; utiliza diferenças humanas para ajudar a justificar diferenças sociais; faz algumas pessoas se sentirem menos por sua cor de pele, tipo de cabelos, cor dos olhos ou por religião (e tantas outras se sentirem superiores pelos mesmos motivos); ajuda a “colocar cada um no seu devido lugar”, dando força para um componente de extrema importância num sistema de dominação de classes, que é a ideologia; define quem é “a feia” e quem é “o bonito”, sempre fortalecendo esta mesma ideologia de classe, só que dando cara e cor a tudo isso, diversas vezes justificando a discriminação, a opressão e a exploração.

O racismo é, portanto, parte importante da ideologia da classe dominante em nosso país, que, por ser dominante, acaba se expandindo para as outras classes; racismo este que serviu como fundamental alicerce ideológico no período de colonização do Brasil, ajudando a justificar a escravidão e, depois, deu as mãos à burguesia nascente na Primeira República, assumindo seu papel na discriminação que dá suporte à ideologia burguesa (é sempre mais “aceita” a exploração de um inferior). Na verdade, tudo isso nunca deixou de existir no Brasil. Instaurou-se um racismo mascarado, camuflado atrás de argumentos “politicamente corretos”, ou tergiversando com outros argumentos; e o discriminado foi educado para “deixar pra lá e não falar mais no assunto”. Pessoas que ascenderam socialmente, ao tentar ingressar em ambientes tidos como “de classe média”, ainda sofrem discriminação, mas geralmente são devidamente “abafados” com justificativas falsas, fortalecendo a ideia de que no Brasil essas coisas não acontecem.

A luta de classes e a dominação ideológica

Tanto Marx, em sua Lei geral da acumulação capitalista, quanto Lênin, em diversas obras, lembram que, com o desenvolvimento do capitalismo, as contradições de classe se tornam mais evidentes, acirrando a luta de classes no mundo. Vimos o capitalismo e sua ideologia se desenvolver no Brasil nas últimas décadas como nunca antes visto na história do nosso país. Nossas principais riquezas foram privatizadas e vendidas às multinacionais, o sistema financeiro internacional se apoderou daquilo que ainda restava da nossa economia, aprofundando as contradições de classe e, consequentemente, também as ideológicas.

Porém, como vimos nos últimos meses, o desenvolvimento do capitalismo escancara suas contradições e tira as máscaras da sua ideologia, que fortalece a opressão do homem pelo homem. Com as manifestações de junho, vimos que a população brasileira não está mais disposta a sofrer calada a opressão, a discriminação e as injustiças. O caso de Amarildo foi emblemático, e sua família e vizinhos resolveram se manifestar publicamente dizendo “Quando nós, moradores da favela, pretos e pobres, somos torturados e assassinados injustamente, nada acontece. Chega de impunidade!”. Foram apoiados pela opinião pública, e em manifestações por todo o país.

Da mesma forma, o rolezinho se tornou um movimento nacional, com manifestações em shoppings das principais cidades do país. O rolezinho se tornou uma forma de luta, uma expressão daqueles que não toleram mais a discriminação, o racismo, a opressão sofrida por séculos, em silêncio.

Eloá Nascimento, Rio de Janeiro

Golpe na Venezuela – Frente à agressão reacionária, todos ocupem seus postos de combate!

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Manifestação pró-Maduro na VenezuelaDeclaração do Movimento Gayones – Venezuela – sobre os últimos acontecimentos no país

Nas últimas semanas nossa nação tem sido sacudida por perigosos e sangrentos protestos organizados por máfias de criminosos, com um saldo de inocentes cidadãos feridos e mortos, ocasionando milionárias perdas materiais pela destruição da propriedade pública.

Deixamos claro à sociedade nacional e internacional que todos os partidos de direita, através de seus meios de comunicação, estão apoiando o terrorismo nestas ações criminosas, em suas intenções desestabilizadoras, e seus objetivos estão definidos: instituições do governo, sedes de partidos, assassinatos seletivos de dirigentes revolucionários, assim como aterrorizar toda a população e, especificamente, os estados de Táchira e Zulia na fronteira com a Colômbia, utilizando-os como pontos de abastecimento para os terroristas e a entrada do para-militarismo.

Diante desta agressão pró-fascista e criminosa, reiteramos nosso apoio ao governo democrático e constitucional do presidente operário Nicolás Maduro, mas agora, exigimos que não ceda nem claudique na luta contra a reação, contra os inimigos da pátria, a qual juramos defender frente à memoria de luta do eterno comandante Hugo Chávez. Mesmo assim, esses conflitos são clara demonstração que a luta de classes se aguça e nossa vitória sobre os terroristas nos permitirá avançar e aprofundar o processo revolucionário, reafirmando seu rumo democrático e, ao mesmo tempo, trabalhando aceleradamente em nossa proposta do socialismo científico.

Contrariamente, os terroristas defensores da ditadura burguesa, da democracia que exclui e reprime as maiorias, descarregam toda sua fúria contra seu inimigo histórico, a classe operária e os trabalhadores em geral. Há alguns dias atrás foram baleados 7 operários metalúrgicos no Estado de Bolívar quando marchavam em apoio ao governo nacional. Os que sonham em entregar a soberania nacional ao imperialismo estão atacando e assassinando o povo, é importante destacar que estas ações vândalas estão sendo apoiadas pelos opositores ao governo bolivariano dentro e fora de nosso país, que são um ensaio para causar toda uma situação de conflito que gere uma guerra civil.

Os setores reacionários empreenderam a guerra econômica para submeter o povo, para matá-lo de fome com a escassez de alimentos, com a especulação e a agiotagem. Até agora, as forças majoritárias do povo bolivariano, revolucionário e patriótico suportaram silenciosamente as pretensões entreguistas dos golpistas, os quais têm ordens do imperialismo de aprofundar as ações de vandalismo, o terror e a sabotagem. É por isso que as forças de esquerda revolucionárias devem se organizar e se preparar para liquidar e dispersar com todas as suas capacidades as hordas de extrema direita que atropelam a todos os cidadãos.

Os operários, os trabalhadores, os jovens, as mulheres, os camponeses e as comunidades organizadas, estão à espera para atuar, estão alertas para combater os grupos de arruaceiros e a seus colaboradores previamente identificados. Esperamos a convocação para a luta, chamamos ao combate todas as forças revolucionárias, à unidade de ação, à mobilização popular, à identificação dos colaboradores, a identificar os covis das ratazanas opositoras da burguesia, para desmembrar seus pontos de apoio, tudo isso organizadamente. Os bolivarianos sabem aonde atuar e em que momento.

Fazemos um chamado aos partidos e organizações revolucionárias de esquerda irmãs, de todo o mundo, para denunciarem esta nova agressão imperialista, nesta oportunidade contra o povo de Simón Bolívar, a se solidarizarem e mobilizarem para desmontar a desinformação e manipulação midiática das agências internacionais, que se aliam com os golpistas.

Os patriotas estão prontos para o combate. Prontos para vencer o inimigo de classe.

Movimento Gayones, Venezuela

A revolução não será televisionada – O golpe na Venezuela

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Documentário de Kim Bartley e Donnacha O’Briain sobre sobre o golpe ocorrido na Venezuela em abril de 2002. O golpe foi consumado, pois não houve resistência de Chaves que foi preso. Mas as manifestações e o apoio de militares fiéis ao país enfraqueceram os golpistas, e Chaves retornou ao governo. Participação clara da midia privada, empresários e militares oposicionistas no golpe, além de declarações do governo americano de apoio ao golpe na Venezuela.

Ato na Casa da Morte reivindica transformação do espaço em Centro de Memória

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Ato na Casa da Morte 02Dezenas de militantes do movimento social se reuniram em manifestação na cidade histórica de Petrópolis (Rio de Janeiro) com um objetivo: reivindicar a transformação de um dos principais centros de tortura da ditadura brasileira, a Casa da Morte, em espaço de memória.

O ato, organizado pelo Coletivo RJ Memória, Verdade e Justiça junto a várias outras entidades e partidos signatários se reuniu na praça D. Pedro no centro da cidade. A agitação ficou por conta da articulação de jovens do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis, que cantaram diversos funks e músicas revolucionárias como A Internacional. Várias foram as falas relembrando os heróis que resistiram à tortura e deram suas vidas pela liberdade do povo e uma nova sociedade. Foi destacada também a importância de seus exemplos para o povo e as lutadoras e lutadores dos dias de hoje. Os manifestantes também convocaram a população a participar do ato e se integrar aos grupos de debate e às lutas na cidade, em especial a criação do Centro de Memória.

Ato na Casa da Morte 03A Casa da Morte foi um espaço extra-oficial criado pela ditadura para exercer as mais bárbaras torturas. Segundo relatos de militantes da época e também de agentes da repressão, por lá podem ter passado nomes como o de Honestino Guimarães, Heleny Guariba, Fernando Santa Cruz, entre outros.

No jardim da Câmara Municipal o ato foi encerrado com várias cruzes de madeira sendo enterradas, simbolizando os verdadeiros heróis do povo brasileiro. A criação deste, e de outros centros de memória nos locais utilizados pela ditadura para exercer sua violência contra o povo é um passo importante na luta pela afirmação da memória, da verdade, e da conquista de justiça, com a punição de todos os responsáveis por este período da história brasileira. Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça.

Redação RJ

Violência na internet e machismo matam mulheres no Brasil

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Julia suicidou após ser exposta

Os avanços tecnológicos garantiram incríveis possibilidades de rápida circulação de informações e de realização de diversas ações. Cada vez mais pessoas têm acesso à internet, smartphones e aplicativos de interação como redes sociais. No Brasil, estima-se que cerca de 75% dos jovens acessem pelo menos uma rede social a cada três dias.

As redes sociais, ao passo que aproximam pessoas separadas por longas distâncias, também afastam as reais relações, expõem a vida e a intimidade de muitos. O fenômeno que ficou conhecido como ‘Sexting’, o ato de divulgar conteúdos eróticos ou sensuais através de celulares, tem sido praticado em diversos países do mundo e chegou também a Brasil. Vale ressaltar que, mesmo com o avanço da tecnologia e a transformação do modo com o qual as pessoas procuram se relacionar, ainda prepondera a cultura misógina, de ódio à figura feminina, bem como o machismo. Muitos usuários têm se valido do anonimato e da dificuldade de identificação, protegidos por políticas de privacidade, para praticar agressões e assédio a mulheres e crianças.

A cada dia crescem as denúncias de vítimas do ‘Sexting’, pessoas que tiveram sua intimidade devastada ao serem expostas em atos sexuais ou fotos íntimas, compartilhadas por milhares de pessoas em poucos minutos. A rede SaferNet Brasil, que oferece gratuitamente orientação sobre perigos do mundo digital, mantém uma linha de atendimento par auxiliar vítimas de crimes virtuais. O ‘HelpLine’ da entidade registrou, nos primeiros três meses de funcionamento, menos de dez casos de ‘Sexting’, entretanto, entre junho e setembro de 2013, o número de solicitações aumentou em mais de duas vezes, chegando ao pico de mais de 20 pedidos de ajuda em apenas um mês. Setenta por cento das vítimas desse tipo de crime registrado neste período eram mulheres.

A morte de duas jovens brasileiras, uma do Rio Grande do Sul e outra do Piauí, trouxe para o centro do debate, no mês de combate à violência contra as mulheres, este crime virtual. Ambas suicidaram após terem sido expostas na internet em vídeos nos quais praticavam atos sexuais. Nos dois casos suspeita-se que os ex-namorados tenham sido responsáveis pelo vazamento dos materiais.

As mulheres vitimadas por vinganças pornográficas praticadas por ex-namorados ou maridos inconformados com o término da relação, até hoje encontram dificuldades para que os agressores sejam punidos. O machismo recai sobre elas que acabam sendo responsabilizadas por terem cedido à produção de material em momentos de intimidade. As duas mortes das adolescentes ajudaram a engrossar o coro de quem cobra das autoridades maior rigor nas investigações e punições exemplares para homens que pratiquem este tipo de agressão e assédio.

Em maio do ano passado o Deputado Federal João Arruda (PMDB/PR) apresentou o Projeto de Le 5555/2013 que ficou conhecido como ‘Lei Maria da Penha Virtual’ que prevê que este tipo de crime seja enquadrado como violência doméstica e familiar. Diversas emendas já foram propostas, como a do Deputado Romário (PSB/RJ) que propõe a tipificação desta conduta como crime no código penal.

O fato é que o machismo tem vitimado mulheres e jovens em todas as esferas. As mulheres do Brasil e do mundo lutam para que todos os tipos de violência machista e misógina sejam punidos com rigor e que o Estado assuma para si as responsabilidades que lhe cabem na garantia que estas práticas sejam eliminadas.

Raphaella C. Mendes, Movimento de Mulheres Olga Benario

Privatização pode gerar racionamento de água em São Paulo

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Milhões de moradores da região metropolitana de São Paulo estão ameaçados pelo racionamento de água. O sistema Cantareira, reservatório que atende mais de 30 municípios da região, atingiu no dia 16 de fevereiro apenas 18,5% de sua capacidade total. A estiagem e as fortes temperaturas contribuíram para a queda nas reservas de água, mas mesmo as chuvas dos últimos dias não foram capazes de fazer o nível dos reservatórios subir.

A Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo, Sabesp, é a empresa responsável pelos serviços de água e tratamento de esgoto em mais de 300 municípios do Estado. É uma empresa de capital aberto e tem quase a metade de seu capital acionário privatizado. O governo do Estado administra a empresa de maneira indireta, por ser detentor da maioria das ações, mas são os interesses do mercado e do lucro os que determinam os destinos da companhia.

No setor do saneamento, a privatização vem disfarçada sob duas políticas que se completam, a Terceirização e a Parceria Público-Privada.

A Terceirização é aplicada em larga escala na Sabesp. A empresa que já teve mais de 30 mil funcionários, hoje, para atender um número muito maior de municípios, tem um quadro de trabalhadores pouco maior que 15 mil. As empresas terceirizadas contratadas para prestar serviço em nome da Sabesp são responsáveis pelos serviços com pior avaliação e, na busca por lucros, precarizam a situação de seus trabalhadores e limitam a qualidade dos equipamentos instaladas.

A Parceria Público-privada – PPP, desde que foi legalizada e impulsionada pelo governo federal, é a forma de privatização mais aplicada pelo governo Alckmin. A Sabesp participa de duas grandes Parcerias Público-privadas para a construção de sistemas de fornecimento de água, são as PPP´s Alto Tietê e São Lourenço. Construtoras como a Andrade Gutierrez e Camargo Correa são as maiores beneficiadas por essas ditas Parcerias.

A verdade é que a direção da Sabesp e o governo do Estado transformaram o essencial serviço de fornecimento de água em uma mercadoria, utilizada para gerar lucros aos capitalistas na Bolsa de Nova Iorque. A empresa é altamente lucrativa (lucro líquido de R$ 1,9 bilhão em 2013), mas é um lucro que não serve nem para solucionar os problemas de fornecimento de água no Estado e menos para garantir condições dignas para os trabalhadores que constroem essa empresa.

Os estudos do Plano Diretor de Recursos Hídricos apontam que o consumo de água de toda a região metropolitana pode chegar a 283 mil litros de água por segundo em 2035, enquanto o sistema Cantareira só é capaz de fornecer hoje 36 mil litros. São necessários muitos investimentos para que o sistema não entre em colapso, somados a medidas que garantam a economia e a utilização racional da água.

A situação atual do fornecimento de água na maior metrópole brasileira faz cair por terra toda a falácia de que o mercado é eficaz e à prova de crises. A água é um bem vital e não pode ser utilizada para o lucros de alguns. Precisamos de uma Sabesp 100% pública, a serviço da qualidade de vida do povo de São Paulo, e não dos lucros dos acionistas ou dos interesses eleitorais do partido no governo

Redação São Paulo

Relato de racismo nas Lojas Americanas de Nova Iguaçu, RJ

bianaca2Meu nome é Brenner Oliveira, milito na União da Juventude Rebelião e faço parte da direção do Diretório Central Mario Prata – UFRJ. Vou relatar agora um daqueles momentos em que as contradições do capitalismo batem perto da gente, fazendo queimar com mais força a chama da necessidade de lutarmos contra este sistema.

No dia 11 de fevereiro (terça feira), minha tia, Bianca Maria Azenha, mãe de um grande e antigo amigo a quem me empresto como sobrinho, 55 anos, preta, foi violentada física e moralmente nas Lojas Americanas, no Centro de Nova Iguaçu. Procurou a loja com o objetivo de pesquisar um ar-condicionado, ao sair, o detector que fica na entrada/saída apitou. Dentre umas oito pessoas não-pretas que passavam ao mesmo tempo pela saída, o segurança abordou minha tia, de forma truculenta, racista e machista, questionando o que ela carregava no meio de sua bolsa.

Certa de que não cometera qualquer infração, foi ágil em colocar todos os seus itens para revista, ainda em estado de raiva gritando: “não acredito que você está insinuando que eu roubei alguma coisa, eu não sou ladra”, disparou ela. Não satisfeito, o segurança das Lojas Americanas disse:“é barraqueira?! Sua barraqueira, barraqueira”, divertindo-se. “Eu sou uma senhora você me respeita”. “Barraqueira, sua barraqueira, barraqueira”, aos gritos, ambos. Enraivecida com o segurança, ela o xingou e ele, imediatamente, deu um tapa tão forte no rosto dela, que ela parou bem distante do local, ganhando grandes hematomas e um óculos quebrado.

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A violência contra as mulheres das formas mais impensadas às mais previsíveis, também pode ser sexual, psicológica, econômica, racial, de gênero. Estas modalidades se relacionam, vitimando a mulher desde seu nascimento até sua morte. Num cenário em que 70% das mulheres, segundo a ONU, podem sofrer algum tipo de violência durante sua vida, não dar o enfretamento necessário a este problema só dificulta a emancipação da sua mãe, tia, avó, prima, irmã, amiga, namorada, esposa, sobrinha, vizinha, professora…

Bianca acionou rapidamente a PM, que infelizmente, não foi rápida em dar assistência. Mas o fato é que enquanto os policiais não chegavam, o gerente das Lojas Americanas foi rápido em levar o segurança pro escritório e convidou minha tia para subir também, naquela velha tentativa de colocar oprimido e opressor juntos para que cheguem num acordo que tente restaurar a paz, descaracterizando a vítima e vitimizando o opressor.

Claro que ela não foi. Quando os policiais chegaram, tomaram nota do que houve, e o gerente das Lojas Americanas saiu com os policiais que disseram que iam ali e já voltavam para fazer a ocorrência, e não voltaram. Bianca ouviu do gerente, em tom de deboche, que aquilo não ia dar em nada. Como ele pode ter tanta certeza?
Minha tia já procurou a delegacia e já fez corpo de delito, mas, infelizmente, não passa bem, porque as marcas de uma violência que vem de uma herança histórica não passam quando as manchas somem. Negros e negras são duplamente discriminado no Brasil, por sua situação socioeconômica e por sua cor de pele.

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Nesta mesma semana, em Nova Iguaçu, um policial preto a paisana foi morto por um segurança despreparado e desqualificado de um posto de gasolina, próximo à praça do skate, por vê-lo correndo atrás de um jovem infrator branco e com roupas caras, deduzindo que o policial fosse um ladrão. Foram 5 tiros à queima roupa. Execução. As chances de um negro ser assassinado é 4 vezes maior do que um branco, e esse tipo de violência de minha tia sofreu só corrobora a cultura do racismo e do machismo que infesta o Brasil, porque se é difícil ser preto, ser preta pode ser miseravelmente pior.

Brenner Oliveira, militante da UJR – União da Juventude Rebelião