UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
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Protesto antifascista nas ruas de Viena

Protesto Viena_Copyright_APA HerbertNeubauerAnualmente reúnem-se em Viena para um baile grupos de orientação de extrema direita e suas famigeradas “fraternidades nacionalistas”. Em 24 de Janeiro como é tradicionalmente organizado pelo FPÖ (Partido da Liberdade Austríaco em tradução livre) o baile contou com a presença, além das fraternidades austríacas, de seus pares de várias regiões da Europa.

Por sua vez também são tradicionais as manifestações antifascistas nas ruas de Viena contra a realização do evento direitista. Contra os manifestantes este ano a força policial mobilizada foi de dimensões jamais vistas, com várias detenções e feridos. E enquanto a polícia reprimia os manifestantes com spray de pimenta e gás lacrimogêneo, as fraternidades de direita dançavam livremente com seus trajes de gala e suas músicas aristocráticas.

Bloqueios no Centro e proibição da imprensa

Ainda antes dos protestos várias medidas foram tomadas, alegando-se precaução, cerceando os direitos de milhares de cidadãos. Além de isolar todo o entorno do local do evento proibindo a circulação de não participantes do baile a imprensa foi impedida de cobrir a repressão policial. O sindicato dos jornalistas criticou as restrições à liberdade de imprensa com veemência: “Se queremos ter uma democracia, então devemos assegurar que os jornalistas possam cobrir os fatos livremente e não simplesmente assumir um relatório policial como narrativo dos fatos! É o que nós exigimos no Iraque e exigimos na Síria”.

Protestantes rompem as barricadas da polícia

Apesar de uma operação repressiva com um contingente de cerca de 2.000 policiais, os bloqueios e a proibição dos manifestantes de cobrirem o rosto (mesmo em um frio de -10 Cº), participaram do protesto antifascista cerca de 10.000 pessoas. Os manifestantes conseguiram romper parte do bloqueio e os confrontos entre as forças de repressão e os manifestantes se estenderam por horas naquela noite fria de 24 de janeiro.

Queremos uma sociedade de paz, mas não de uma paz de cemitério

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frei gilvanderQueremos uma sociedade de paz, mas paz como fruto da justiça e jamais paz de cemitério, a alardeada pela mídia.
Resposta ao Editorial do Jornal Nacional da TV Lobo, dia 10/02/2014

A mídia brasileira está esbravejando contra o/s rapaz/es que jogou/jogaram o rojão que matou o cinegrafista da TV Band Santiago Ilídio Andrade, na última quinta-feira, dia 06/02/2014, em uma justa manifestação popular contra o aumento do preço das passagens de ônibus no Rio de Janeiro. A mídia está tentando vender a ideia de que a violência que levou Santiago à morte aos 49 anos é a maior e pior violência que acontece no Brasil. Ledo engano. Mentira! Querem continuar com uma cortina de fumaça que impeça o povo de ver muitas outras violências execráveis.

Mas… Primeiro, nossa solidariedade à esposa de Santiago, à filha, aos seus parentes e amigos/as. Segundo, lamentável um trabalhador honesto, gente boa, ter sido vitimado no exercício de sua profissão. Terceiro, alardear que “manifestação é direito de todos, mas deve ser sempre pacífica” é, na prática, defender o status quo opressor. É sabido que “manifestação pacífica” não faz nem cócegas nos detentores dos podres poderes da economia e da política. Se “manifestação pacífica” bastasse, não seria necessária greve de trabalhadores por melhores salários, nem ocupação de terra no campo e na cidade. A reforma agrária já teria sido feita. Os salários seriam justos.

A mídia criminaliza as atitudes que excedem ao “padrão pacífico” das manifestações, condenando furiosamente os Black blockers. É preciso asseverar que só conquistaremos uma sociedade de paz com justiça quando eliminarmos muitos outros tipos de violência que arrebentam disfarçadamente com milhões de pessoas brasileiras.

Faremos referência a doze outros tipos de violência. Poderíamos citar muitas outras, mas para a lista não ficar muito grande, citaremos doze apenas, abaixo.

1) Violência do latifúndio e dos latifundiários, que seqüestram a terra em poucas mãos gananciosas, expulsam o povo camponês para as periferias das cidades.

2) Violência do agronegócio que, com uso indiscriminado de agrotóxico envenena a comida do povo brasileiro, gera “epidemia” de câncer, submete milhares de trabalhadores a situação análoga à de escravidão, devasta o ambiente, a biodiversidade.

3) Violência da democracia representativa que, via de regra, elege e reelege os representantes do poder econômico e privatizam os recursos públicos deixando na miséria o povo submetido à via crucis do SUS, a um salário mínimo injusto, à especulação imobiliária que expulsa paulatinamente as famílias pobres para as periferias das periferias das regiões metropolitanas.

4) Violência do poder religioso, que, de forma fundamentalista, proselitista, segundo os ditames da Teologia da Prosperidade, usa e abusa do nome de Deus para lucrar, lucrar.

5) Violência que tem jogado centenas de pessoas nas ruas de todo o Brasil, sem as possibilidades mínimas de acesso a moradia e demais direitos fundamentais, submetidas aos mais terríveis crimes.

6) Violência da Política econômica neoliberal (neocolonial) que desde Collor de Melo, passando por FHC, Lula e agora com Dilma Rousseff suga da classe trabalhadora grande fatia do orçamento do país e repassa para uns poucos banqueiros gigantes para pagar os juros da dívida pública, asfixiando, assim, o SUS, a educação pública e adiando indefinidamente a realização de uma Reforma Agrária Popular.

7) Violência da polícia que continua torturando milhares de jovens negros e empobrecidos diariamente pelo Brasil afora.

8) Violência do sistema penal e carcerário brasileiro que, como campos de concentração, subtraem muito mais do que o direito de ir e vir e impõe castigo os presos pela superlotação dos presídios, pelas condições degradantes e desumanas das prisões.

9) Violência escondida e subliminar das propagandas televisivas que seduzem de crianças a idosos reduzindo o ser humano a mero consumidor de mercadorias, muitas delas supérfluas e inúteis. É a idolatria do mercado e do capital.

10) Violência da injustiça social que sustenta um déficit habitacional acima de 7 milhões de moradias, condenando, por isso, milhões de famílias à cruz do aluguel e à humilhação que é sobreviver de favor.

11) Violência virtual que incita a violência real. Refiro-me à violência dos jogos de vídeo games, dos filmes que fazem apologia da violência, das reportagens sensacionalistas.

12) Violência social que, em grande parte é fruto de todas as violências listadas, acima.

Enfim, quem de fato e em última instância gera violência no Brasil? Paulo Freire, na Pedagogia do Oprimido, diz que a classe dominante adora chamar os violentados de violentos quando os oprimidos ousam levantar a cabeça e, de forma organizada e coletiva, se rebelam contra o sistema que os violenta. Colocar panos quentes em cima das feridas do povo brasileiro não constrói uma sociedade de paz. Aliás, aprofunda a violência. Em uma sociedade injusta estruturalmente só a luta por justiça pode trazer mudanças reais a favor do povo. Luta que não incomoda os poderosos não é luta por justiça.

Por frei Gilvander Moreira
www.gilvander.org.brwww.freigilvander.blogspot.com.br

Relato de manifestante presa durante manifestação em Belo Horizonte

Manifestante presa em manifestação em Belo Horizonte 2Confira abaixo o relato da detenção imotivada, autoritária e atroz de Isabela Rodrigues, ocorrida durante a concentração do ato do Tarifa Zero em Belo Horizonte na última quinta-feira (6).

No dia 6 de fevereiro, por volta das 17hs, fui detida na Praça 7, no centro de Belo Horizonte. Eu estava na concentração do ato da Tarifa Zero e me chamou a atenção a abordagem que a PM realizava junto a três pessoas bem próximas a mim. Fiquei atenta, uma vez que os policiais estavam revistando uma menina e bem sei que seria necessário uma PM mulher para poder revista-la. Nesse instante o Sargento Carvalho, que estava revistando essa moça, que eu nunca havia visto na vida, me olhou e começou a gritar para eu me afastar, alegando que eu estava atrapalhando o serviço dele. Eu só estava atenta caso ele fizesse algum abuso, dei um passo pra trás e continuei observando, assim como várias outras pessoas. Ele continuou a gritar comigo e eu disse que não ia me afastar mais, pois não estava atrapalhando nada. Nesse momento veio outro indivíduo e começou a discutir comigo e eu fui explicar pra ele que só estava acompanhando a ação e que eu tinha esse direito. Ele começou a gritar e disse que era policial também (que estava a paisana), mas não mostrou nenhuma identificação e ficou afirmando que eu estava atrapalhando o trabalho da PM. Enquanto eu falava com ele o Sargento Carvalho veio por trás gritando que eu estava desacatando o PM e me algemou imediatamente e me puxou. Eu não entendi nada e comecei a gritar, falando que era um absurdo, que não tinha feito nada, e vieram outros PMs que também me puxaram e torceram muito meu braço, já algemado. Várias pessoas se aproximaram, tentaram me ajudar, mas nada adiantou e fui levada rapidamente para viatura.

Manifestante presa em manifestação em Belo HorizontePermaneci algemada e fui conduzida sozinha dentro da viatura com um soldado e o Sargento Carvalho, que no instante que me colocou na viatura começou a intimidação e a me insultar. Na Companhia da Polícia Militar sofri mais abusos, me colocaram sentada no chão, ainda algemada , ao lado de outros presos, que não sei o motivo de suas detenções, mas que poderiam colocar minha integridade em risco.

Depois de alguns minutos, antes de fazer a minha ficha o Sgt. Carvalho me mandou levantar e me levou para um corredor nos fundos da companhia. No caminho me deu socos na cabeça e um no queixo e novamente começou a me ameaçar e fazer várias perguntas abusivas e a me filmar. Depois de alguns minutos o sargento me levou novamente para sentar na frente com os outros presos.

Não bastasse isso tudo ainda sofri revista intima, sem nenhuma justificativa, uma vez que a alegação de minha detenção era por desacato. Depois fui levada para o juizado especial e depois para um posto de apoio da PM e depois para a UPA. Na UPA mais um abuso, o soldado Nesio e o Sargento Fidelis entraram comigo no consultório e viram todo o atendimento, o que me constrangeu mais uma vez, pois tive que levantar a blusa para o médico fazer o exame. Depois voltei para o posto de apoio da PM e por fim fui levada para o juizado especial novamente para dar meu depoimento e terminarmos o BO.

Em vários momentos me perguntaram porque eu fui me intrometer e tomar as dores dos outros, que eu nem precisava estar ali. Eu pensei em responder várias vezes, mas pensei que não ia adiantar de nada naquele momento, talvez eles nunca entendam o que é amor ao próximo de verdade, o que é tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo…

Manifestante presa em manifestação em Belo Horizonte 3Estou bem dolorida, já tomei vários remédios e minha cabeça não para de doer, meus braços torcidos e com hematomas, mas o que mais dói em mim é pensar que eu tive a sorte de ter companheiros que estavam próximos e acionaram rapidamente advogados, amigos, familiares e pude ser solta no mesmo dia. Parece contraditório, pois eu deveria ficar feliz com isso, mas penso que isso é uma exclusividade que eu preferiria que não existisse, pois sei e vi como pobre e preto é tratado, sem advogado, sem direito, sem nada, todos os dias.

Um turbilhão de coisas que passam pela nossa cabeça nessas horas, pra quem está de fora são só algumas horas, mas só quem passa por isso sabe, ainda mais mulher totalmente indefesa em um Estado ainda machista.

Me orgulho de não ter deixado cair nenhuma lágrima e estar fazendo algo que considero certo e justo. Mas só tive essa força pois sabia que tinham camaradas do PCR (Partido Comunista Revolucionário), familiares e amigos me apoiando e fazendo de tudo pra me liberarem e que dia a dia caminhamos lado a lado! Obrigada a todos!!!

Isso não me intimidará nem um pouco e só reforça mais ainda minha convicção de que o sistema capitalista está falido. Sou estudante de Ciências Sociais da UFMG e militante dos movimentos sociais na busca de um mundo mais justo, mais igualitário e mais humano. Enquanto isso a luta segue firme!!!

Não vai ter copa!!!
Fim da PM já!!
Viva o Socialismo!!!

“Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e com canhões
Nós decidimos: de agora em diante
Temeremos mais a miséria do que a morte!!”
(Bertolt Brecht)

Isabela Rodrigues, militante da PCR

O olhar ao povo de Eduardo Coutinho

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eduardo coutinho2Eduardo Coutinho nasceu em São Paulo em 11 de maio de 1933, onde também estudou direito e se envolveu no movimento estudantil, onde desempenhou papel destacado na cultura, principalmente no Centro Popular de Cultura da UNE. Não concluiu seu curso superior, mas se lançou aos estudos de direção e montagem, na França, onde lançou seus primeiros trabalhos.

Ao voltar pro Brasil retomou seu trabalho cultural, dando destaque sempre ao povo humilde de nosso país, buscando com sua arte mostrar o lado real, humano da grande população de nosso país (operários, camponeses, estudantes) deixando de lado o idealismo e dando voz ao oprimido. Uma de suas obras mais marcantes é o documentário “Cabra Marcado Para Morrer”, que iniciou em 64, sendo interrompido pelo golpe, que acusou o diretor de “conduzir um filme com conteúdo comunista, subversivo.”

Inicialmente o filme possuía a proposta de abordar a vida e aluta de João Pedro Teixeira, líder das ligas camponesas, assassinado em 62 por enfrentar os grandes donos de terras. Em 1985 a obra foi retomada, dessa vez, mudando o foco da obra: o diretor passou a remontar a vida da família após a morte do pai. Entre seus principais filmes também estão “Edifício Master”, “Jogo de cena”, “Babilônia 2000”.

O documentário tornou-se uma grande denuncia dos desmandos dos poderosos e do que foi o golpe militar pela ótica daqueles que sofreram com a intervenção da ditadura em seu seio familiar.

A morte violenta e repentina de Eduardo Coutinho, no ultimo dia 2 de fevereiro, deixou uma grande lacuna em nossa cultura popular, que, certamente, terá que ser preenchida com alguém que honre e substitua Eduardo Coutinho à altura.

ClovesSilva, UJR-PE, estudante de letras da UFRPE

Funk Ostentação: sociedade do consumo ostenta hipocrisia

Funk ostentação - MCDALESTEO estilo musical denominado ‘Funk Ostentação’, originado no estado de São Paulo, transformou-se em um verdadeiro fenômeno nacional idolatrado por crianças, adolescentes e jovens da periferia. Os principais personagens da história são também garotos da periferia, que, através do funk, abriram a cortina da segregação social apresentando, para os excluídos e marginalizados, as maravilhas do mundo da ostentação e exaltação da riqueza.

Se cerca de 75% dos jovens do país acessam as redes sociais pelo menos três vezes por semana, está na internet o terreno fértil para a divulgação desse estilo de vida. São videoclipes que ultrapassam os quinze milhões de acessos de um público que assiste atento ao ode ao consumo de itens de luxo como carros e motocicletas esportivos, correntes, relógios e anéis de ouro maciços, roupas e acessórios de marcas consagradas. Tudo isso regado a muito champagne e caviar.

O assassinato de um dos maiores expoentes deste estilo de vida, o jovem MC Daleste, baleado em pleno palco enquanto fazia uma apresentação na cidade de Campinas, trouxe à tona um debate que revelou um elevado grau de hipocrisia. Analistas, músicos, jornalistas e intelectuais vieram a público levantando duras críticas ao discurso de incentivo ao consumo desenfreado, apresentando que este estilo de vida levava ao mundo do crime e contravenção uma série de jovens que não teriam, devido à condição pobre, condições de adquirir bens de tão elevado calibre. Alguns até associaram os famosos ‘rolezinhos’ nos shoppings a este hipotético problema.

A burguesia cria todos os dias, através de sua cultura e da exploração, uma série de contradições sociais que acabam por depor contra ela mesma. O Instituto DATAPOPULAR apresentou em pesquisa realizada no segundo semestre do ano passado, dados que apontaram que os jovens da classe C, que não coincidentemente são predominantes nos chamados ‘rolezinhos’, têm apresentado potencial de consumo de cerca de R$129 milhões por mês. O potencial dos jovens das classes A, B e D somados chega a apenas R$99 milhões.

Sendo assim o reflexo prático do incentivo ao consumismo desenfreado se dá pelo crescimento do endividamento da população e também pela transformação da cultura dos marginalizados da periferia. Para a grande burguesia é central que essa massa consuma cada vez mais, entretanto, é inadmissível que estes se pretendam e ousem ocupar o mesmo espaço ou almejar mesmo estilo de vida das classes dominantes.

O pobre é incentivado pela cultura consumista a ter um tênis da Nike, mas é impensável que o compre no shopping da classe média. Ao passo que se é comum os filhos dos banqueiros e grandes milionários desejarem e comprarem carros que são verdadeiras máquinas ou ostentarem ternos e joias, é inadmissível que um favelado tenha os mesmos requintes ou estilo de vida. Se é branco e de tradicional família burguesa, é estilo. Se se é preto e oriundo da favela, é ostentação e incentivo à criminalidade.

O resultado de tanta hipocrisia e consumismo é uma parcela gigantesca de jovens que não se compreendem enquanto classe e que não conseguem identificar-se enquanto indivíduos, protagonistas de suas próprias histórias sem que isto esteja atrelado ao consumo, a bens e propriedades. O ‘funk ostentação’ é fruto da árvore do consumismo cultivada pelo sistema capitalista. A grande diferença é que o Sistema incentiva o consumo,mas deseja manter a segregação. Se em tese somos iguais porque somos livres para consumir, na prática, somos diferentes porque somos oriundos de classes inconciliáveis.

Raphaella Mendes, Redação Minas Gerais

A pane no metrô de São Paulo e o “vandalismo” nosso de cada dia

unnamedMilhões de trabalhadores, além da exploração, estão sujeitos ao grande caos que é o transporte público de São Paulo. Para ir e vir do trabalho é preciso pagar uma tarifa abusiva e pode-se afirmar que o transporte na cidade mais populosa deste país contribui e muito para o estresse de quem o utiliza. Se não bastassem as violações que sofremos no emprego, na educação ou nos hospitais, o nosso direito de ir e vir está sucateado.

Paralisações na Linha 3 – Vermelha ocorrem todos os dias, principalmente em horários de ida e volta do trabalho, mas para o governador Geraldo Alckimin, o PSDB e seu Secretário de Transportes, Jurandir Fernandes, isto é “caso de polícia”. Afinal, é assim que o Governador do Estado de São Paulo vem tratando a população: a base do cassetete.

Após mais uma pane ocorrida no Metrô, nesta terça-feira, declararam: “a causa destes problemas é o vandalismo inusitado de grupos organizados”. Como medida escalaram policiais para fazer o serviço de “manter a lei e a ordem”. Ou seja, a moda é classificar de “vândalo” o pobre indignado com a situação vivida. E sim, os destinados a resolver estes e outros problemas são, mais uma vez, a Polícia Militar, que já demonstrou estar na rua para proteger o cidadão rico e sua propriedade. Quer mais exemplos do descaso do governo tucano com a população? Basta ver as cenas de despejos ocorridos em Pinherinho, a truculência do Choque na manifestação do dia 25 de Janeiro ou os cartéis bilionários que beneficiam grandes empresas, como Alstom e Siemens.

Quem utiliza o Metrô sabe do sufoco que são estas paralisações. O certo é que o ocorrido desta terça e dos dias que se seguem, não é exceção: aprofunda a exploração sofrida pelos trabalhadores. É a forma de dizer “bastas”, destes milhões de oprimidos, cada janela estilhaçada. O povo está surtando com esta rotina caótica. Quem ficaria tranquilo, após um dia de trabalho, em um vagão escuro, sem ar e lotado de crianças, jovens, mulheres grávidas, deficientes, etc., correndo diversos riscos? Você ficaria, Governador? E você, Secretário dos Transportes?

Matheus Nunes, São Paulo

Transformação do antigo DOPS/RJ em espaço de memória da resistência

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Ato em frente ao prédio do DOPS 01Diversas organizações políticas e entidades ligadas aos direitos humanos, como o Coletivo RJ Memória, Verdade e Justiça, a Anistia Internacional, o Fórum de Reparação e Memória do Rio de Janeiro, o Grupo Tortura Nunca Mais, o Levante Popular da Juventude e o PCR (Partido Comunista Revolucionário), lançaram no último dia 13 de dezembro, quando se completou 45 anos da publicação do AI-5, uma campanha pela transformação do prédio do antigo DOPS/RJ em espaço de memória da resistência.

Com o lema “Ocupar a memória para não esquecer a nossa história”, a campanha se soma a antigas iniciativas e ao esforço no mesmo sentido da Comissão Estadual a Verdade (CEV-Rio) e quer ganhar a opinião pública para a necessidade de se construir no local um espaço comprometido com a memória da resistência e das lutas sociais, e que explicite a relação entre as violações cometidas pelo Estado no passado e no presente, estimulando medidas que impeçam a repetição de tais práticas.

“É preciso transformar o prédio em um espaço voltado para as políticas de Direitos Humanos, de modo que seja dinâmico e exclusivo, congregando a produção, guarda e circulação de informações, documentações, acervos, projetos e propostas voltadas ao direito à memória, verdade e justiça”, afirma o manifesto lançado no ato, que aconteceu no Centro Cultural da Justiça Federal, no centro do Rio de Janeiro.

O prédio do antigo Departamento de Ordem Política e Social no Rio de Janeiro foi inaugurado em 1910 como sede da Repartição Central de Polícia. Ao longo dos anos foi local de tortura e ficou conhecido como centro de repressão às manifestações políticas e culturais de caráter popular. Lá foram presos nomes como Olga Benario, Luiz Carlos Prestes, Graciliano Ramos, Carlos Marighella e João Figueiró, atualmente militante do PCR, além de pessoas ligadas à cultura e à religião afro-brasileira.

Hoje, o prédio encontra-se abandonado, com vários documentos importantes literalmente entregues às baratas. A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, que administra o local, afirma querer criar lá um museu da corporação.

Na cerimônia de posse da Comissão Estadual da Verdade, o governador Sérgio Cabral (PMDB) se comprometeu publicamente a atender a reivindicação de transformar o edifício em centro de memória, mas até agora nenhum passo foi dado nesse sentido por parte do governo.

Diante disso, as entidades e organizações a frente da campanha já preparam uma série de atividades com vistas à conquista do prédio, entre elas uma ocupação cultural do espaço, nos próximos dias 21 e 22 de março, onde pretende-se reunir centenas de ex-presos políticos, familiares de mortos e desaparecidos durante a Ditadura, artistas e militantes dos movimentos sociais do Rio de Janeiro. Essa será apenas uma das muitas atividades que estão sendo organizadas para “descomemorar” o golpe civil-militar de 1964 e reafirmar a necessidade de políticas de não repetição de crimes e violações dos direitos humanos como os cometidos durante a Ditadura e que ainda hoje estão impunes.

Redação Rio

Um rolezinho de puro preconceito

rolezinho_repressão_em_shoping_de_São_PauloDurante os meses de dezembro e janeiro os rolezinhos tornaram-se assunto de conversa entre os brasileiros, uma vez que tomaram características de manifestação de resistência, principalmente após a repressão policial que ocorreu nos shoppings de São Paulo.

Os shoppings são o centro da propaganda do consumismo, onde famílias e amigos reúnem-se para divertir-se, seja na praça de alimentação ou numa sala de cinema. É uma verdadeira festa do capital, onde quem tem mais tem direito a divertir-se mais.

Porém, a juventude pobre, que geralmente pouco tem, também quer participar dessa diversão, e dessa forma marca encontros nesses centros de consumismo, encontros que foram caracterizados como um “rolezinho”, já que se eles não podem “ostentar” dentro das lojas, fazem isso nos corredores, com muito funk, brincadeira e animação.

Esta atividade poderia ser algo considerado comum, já que eventos bem parecidos também são realizados com a parceria dos administradores dos shoppings e donos das lojas. São os flash-mobs e os trotes universitários. Como denunciou manifesto do Centro Acadêmico da Faculdade de Educação, Administração e Contabilidade da USP, esses eventos são organizados todos os anos durante a calourada e reúnem centenas de jovens no Shopping Eldorado, fazendo barulho e subindo nas mesas. O manifesto provoca: “Se os eventos são similares, o tratamento deve ser o mesmo, independentemente de quem os frequentem”.

Uma expressão da luta de classe

Para a sociedade capitalista, a diferença está na cor e na classe social. Enquanto os jovens ricos e brancos podem fazer muito barulho em qualquer espaço, os jovens negros e pobres são marginalizados e criminalizados. A Polícia Militar vem mostrando que está aí para perpetuar tal preconceito, já que desde dezembro tem agido em favor dos ricos e reprimido a diversão dos pobres nos shoppings, agredindo, ameaçando e prendendo, qualquer jovem pobre e negro que ouse romper com o padrão de shopping center estruturado pelas elites. O mesmo tipo de tratamento que a polícia está acostumada a dar a esses jovens nas favelas, onde o xingamento e o tapa na cara são rotineiros.

Como se não bastasse a juventude das periferias já ser explorada por falta de um trabalho que a remunere de forma digna, pela ausência de uma educação de qualidade e de um sistema de saúde que as contemple e por anualmente ser excluída das universidades, agora está tendo seus espaços de locomoção limitados pelas regras ditatoriais e de higienização de uma grande elite. Regras semelhantes ao apartheid sul-africano.

Para as elites a propriedade privada deve ter limites claros para esta parcela da população, caso contrário o povo vai entender cada vez mais que não pode obter a maior parte do que produz com seu trabalho.

É preciso questionar e analisar que o grito desses jovens vai para além dos muros dos shoppings; esses só querem poder ter o mesmo direito que os jovens de classe média têm, só querem poder ver os seus sonhos se realizarem.

Cansados de verem os jovens brancos e a grande mídia esfregar em suas caras a falta de oportunidade e as poucas esperanças que a sociedade lhes dá, parecem dispostos a enfrentar toda tentativa da burguesia de higienizar os espaços não só privados, como públicos. Parecem não aceitar mais o fato de, em seus encontros, muitos jovens serem presos sem qualquer motivo, além do constrangimento que são submetidos pelos seguranças particulares dos shoppings, que não evitam qualquer chance de bater nesses jovens e ameaçá-los com armas, detê-los e levá-los para averiguação.

Pelo jeito, a burguesia pode esperar, porque o rolezinho vai se nacionalizar.

Thiago Vidal e Rafael Cantuária, militantes da UJR – RJ

Ato sindical “Unidos, Jamais Vencidos” homenageou trabalhadores e sindicalistas vítimas do regime militar

ato_sindical_cvPromovido pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), por meio de seu Grupo de Trabalho: Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical, o ato rememorou mais de 400 trabalhadores perseguidos ou/e mortos no período de 64 a85, no Brasil.

As dez centrais sindicais que participam do GT estiveram presentes na solenidade e realizaram suas intervenções prestando homenagem a centenas de trabalhadores perseguidos.

João Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Goulart, em uma fala emocionada, lembrou da autorização feita pela CNV para a exumação do corpo de Jango e afirmou que ” e exumação não deve ser só do corpo de meu pai, mas de toda reforma de base do nosso país”.

Rosa Cardoso, advogada e representante da CNV no ato, elencou a importância de se prestar homenagens aos trabalhadores e a entidades sindicais, pois é principalmente pelos sindicatos que o povo se interessa e começa a participar da política.

Nas intervenções de alguns sindicalistas presentes, foi destacada a ação das grandes empresas e corporações que sustentavam financeiramente e com estruturas a Ditadura Militar, fazendo memória de que estas também são responsáveis pela repressão política sofrida pelos trabalhadores, já tão explorado por elas em seus empregos.

Redação São Paulo

Novo Clipe do MC Demo

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MC Demo, de Recife-PE, lançou um novo Web Clipe com sua música “Vandalismo”. Confira

Pistoleiros do massacre de Felisburgo são condenados

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Massacre Felisburgo justiçaApós nove anos do Massacre de Felisburgo, mais dois réus foram julgados e condenados. A decisão do 2º Tribunal do Júri do Fórum Lafayette em Belo Horizonte aconteceu em 24 de janeiro, quando o juiz Glauco Eduardo Soares Fernandes anunciou a pena de 102 anos e seis meses de prisão para os dois pistoleiros, Francisco de Assis Rodrigues de Oliveira e Milton Francisco de Souza pelos crimes de homicídio, tentativa de homicídio e incêndio durante a invasão do acampamento Terra Prometida, em Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha, norte de Minas Gerais.

Para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem terra (MST), o julgamento e a condenação dos pistoleiros é uma grande vitória da luta pela direito à terra no Brasil, um importante passo que traz um sentimento de justiça aos trabalhadores rurais e camponeses em toda a região, marcada por inúmeros conflitos agrários. Os dois pistoleiros são os únicos assassinos que ainda vivem na região.

Com medo de retaliação e pelas ameaças constantes vivdas pelos trabalhadores rurais, a direção estadual do MST exige a imediata prisão dos condenados. A preocupação é muito justa já que em outubro de 2013, o mandante do massacre e réu confesso, Adriano Chafik foi condenando a 115 anos de prisão por ter participado diretamente do ataque ao acampamento Terra Prometida. Além de Chafik, o capataz Washington da Silva foi condenado a 97 anos e seis meses de cadeia. Mas ambos estão em liberdade aguardando o julgamento dos recursos.

Histórico do Massacre

O Massacre de Felisburgo aconteceu no dia 20 de novembro de 2004 no acampamento Terra Prometida, na fazenda Nova Alegria, no município de Felisburgo. Na ocasião, cinco trabalhadores rurais foram assassinados e outras 12 pessoas, entre elas uma criança de 12 anos, ficaram feridas. Além disso, 27 casas e uma escola foram incendiadas. As famílias Sem Terra, vítimas do massacre montaram acampamento na fazenda Nova Alegria em 2002. No mesmo ano, 567 dos 1.700 hectares da fazenda foram decretados pelo Instituto de Terras de Minas Gerais (ITER) como terras devolutas, ou seja, área do Estado que deveria ser devolvida para as famílias acampadas e transformado em assentamento de Reforma Agrária.

O julgamento desses criminosos e a consequente condenação representam uma vitória do movimento popular que luta contra a criminalização das lutas sociais no Brasil e a impunidade.

Fernando Alves, Minas Gerais